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Faculdade FATESP

Curso: Sst/ Administração/ Ciências Contábeis


Disciplina: Redação Técnica
Profa.: Keyla Christianne
Nome: _______________________________________

Assédio sexual no ambiente de trabalho


No ano passado, após uma figurinista da Globo ter revelado que sofreu assédio por parte de Jose Mayer, o
tema do assédio sexual no ambiente de trabalho veio à tona. Esse tipo de situação é, infelizmente, mais comum do
que se imagina e pode ocorrer em qualquer tipo de empresa, como exemplificam alguns dos relatos abaixo, de
pessoas que preferiram não se identificar.

Meu chefe vivia falando do meu corpo e das roupas que eu escolhia. Se usava um vestido ou saia, dizia que eu
estava 'toda sexy'. Outro dia, quando apareci de batom vermelho, chegou a dizer que eu estava 'parecendo uma ninfeta'.
Algumas vezes, passava a mãe no meu cabelo, no meu ombro, e falava alto na agência para todos ouvirem que 'tinha sorte
o homem que me pegasse'. Nunca tive coragem de ir até o RH porque ele era o chefe, e tive medo de me queimar na área,
mas pedi demissão depois de três meses passando por isso.' - A. N.

"Meu superior pegou o número do meu celular e vivia mandando mensagens aos finais de semana, à noite, de
madrugada me chamando para sair e dizendo que estava com saudades. Durante as férias, inclusive. Eu sempre esquivei,
recusei, mas ele nunca desistiu. Sempre comentava das minhas roupas, me chamava de 'morena bonita', falava como gostava
das minhas pernas e insistia em me abraçar na frente de todos, me deixando desconfortável e constrangida. Nunca denunciei
porque ele é um importante profissional da área jurídica, então acho que só iria ficar ruim pra mim. Continuei aguentando
a situação por mais de um ano até sair de lá' - M. F.

"Ficar sozinha com o meu chefe no escritório virou rotina. Fui pra uma reunião em outra cidade com ele. Pegamos
o carro e fomos para Santos de manhã. Depois de um dia todo com o cliente, subimos para São Paulo e o assunto no carro
não estava me deixando confortável. Ele começou a falar mal da mulher e, quando finalmente consegui trocar de assunto,
ele falava da época que ele era jovem e ia para baladas. Bebia e fumava, transava com as meninas chapado de maconha e
outras experiências que não me deixava ficar confortável com ele no carro. Assim que chegamos próximo a minha rua, eu
achei que estava tudo bem, mas ele voltou a tocar no assunto da mulher… disse que o casamento não ia bem e que eu o
estava provocando. Um absurdo! Assim que ele parou em frente de casa, insistiu para irmos num bar e eu disse que queria
ir para casa imediatamente. E quando saí meio desesperada do carro ele disse que era para eu sair correndo mesmo….
disse que eu deveria sair correndo do carro dele porque ele tinha um monstrinho interno que nao podia ser acordado e que
se eu nao saísse imediatamente do carro dele ia dar errado. Só me lembro de sair correndo, literalmente, do carro dele e ir
para casa chorar. Não consegui dormir aquela noite, porque foi muito chata a situação. (...) Os dias seguiram bem mal. Um
dia, fui comer uma banana e ele simplesmente virou pra mim e disse que não conseguia se concentrar mais no que estava
falando. Ou quando uma menina que trabalhou comigo estava tomando sorvete e ele soltou outro comentário nojento. Fiquei
seis meses lá. Comecei a procurar emprego e prometi que nunca mais iria trabalhar numa agência de novo'. - K. M.

De acordo com registros do Tribunal Superior do Trabalho, apenas nos meses de janeiro e fevereiro deste
ano, as Varas do Trabalho de todo o País receberam 763 novos casos de assédio sexual. Mas o que fazer quando
se é vítima de assédio? Segundo a advogada especialista em direito do trabalho, Maria Lúcia Benhame, a primeira
atitude é procurar o setor de recursos humanos da empresa e fazer uma queixa formal. "Ter provas na denúncia é
fundamental, pois o assediado corre o risco de ser acusado de que não aconteceu nada. Algumas provas que podem
ser apresentadas são gravação, testemunha e e-mail", explica.

Já o profissional de RH Bruno Alves, da escola de educação corporativa Omeltech, diz que o primeiro passo
é falar com o assediador: "Inicialmente, é importante deixar claro ao agressor que a atitude tomada não foi correta.
Caso a atitude se repita é importante controlar os impulsos emocionais e começar a reunir provas do ocorrido,
com isso, é possível falar com a empresa e quem sabe até mesmo com o sindicato. É necessário ter provas como
testemunhas, documentos, cópias de memorandos, e-mails, etc".
A especialista em psicologia organizacional do trabalho e conselheira do Conselho Regional de Psicologia
do Paraná Carolina Walger sugere que o caso seja encaminhado para diversos setores, respeitando uma hierarquia.
"A orientação é que a vítima tente resolver a situação, inicialmente, com o próprio assediador. Se isso não for
possível ou não tiver efeito, recorrer à sua chefia imediata para relatar o caso e pedir providências. Se essa
alternativa não for possível ou não surtir efeito, deve procurar o departamento de recursos humanos da
organização", opina. Porém, há casos em que a empresa não toma atitudes, muitas vezes porque o assediador ocupa
cargos de chefia e de direção. Caso isso aconteça, o indicado é procurar o sindicato da categoria e, se possível, o
auxílio de um advogado. Em última instância, deve-se procurar uma delegacia para registrar um boletim de
ocorrência. bSe comprovado o assédio, a vítima pode pedir para mudar de área e se afastar do assediador, mas a
empresa tem de concordar. "A vítima pode pedir o afastamento, o deslocamento para outra área, a demissão e
pode denunciá-lo para a polícia. Contudo, a decisão do que será feito com o assediador por parte da organização
cabe à gestão da mesma, envolvendo a chefia, área de recursos humanos e etc", explica a psicóloga.

Crime no Brasil desde 2001, o assédio sexual é caraterizado por contato físico e verbal de cunho sexual
além de chantagens e oferecimento de favores. Além de tornar o ambiente de trabalho hostil e desagradável para
a vítima, a prática também pode acarretar problemas de autoestima, confiança e até mesmo o desenvolvimento de
problemas mentais como a ansiedade.

Assédio sexual e moral no ambiente de trabalho são crimes e podem render pena de até dois anos de
prisão, além de uma indenização à vítima. Os limites entre uma cantada e um ato de assédio são delicados e merecem
atenção. O presidente da Comissão de Direitos Sociais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Nilton da Silva,
disse que mulheres constituem a maioria das vítimas quando se trata de assédio sexual. É considerado crime, de
acordo com o artigo 216 A do Código Penal, quando a pessoa se aproveita do cargo exercido para retirar vantagem
sexual de um subordinado. “É quando o chefe ameaça, por exemplo, demitir o funcionário que negar fazer sexo.
Ele está usando do poder que possui para fazer com que a vítima ceda ao ato para uma realização pessoal dele. Isso
é crime. É caso de polícia. Não existe o querer da vítima no ato, ela apenas cede para não perder o emprego. É
quando o líder oferece aumento em troca da transa, por exemplo”.

O constrangimento caracteriza o que é assédio, segundo o advogado. Uma cantada, até mesmo um convite
para sair, pode ser feito no ambiente profissional, mas é preciso que isso não ameace o posto de trabalho de
nenhum dos lados e muito menos seja feito sob ameaça. Ao que se arriscou fazer o convite é preciso também saber
ouvir não. A advogada com especialização trabalhista e autora do livro Assédio Moral, Sônia Mascaro, disse que as
empresas precisam criar meios de evitar qualquer tipo de assédio. Na posição de vítima, a primeira coisa a se fazer
é tentar um diálogo.

- “A vítima de um assédio pode, antes de tudo, tentar conversar com o próprio assediador. Expor que aquilo que
ele está fazendo é ruim. Caso não resolva, tentar avisar a área de recursos humanos da empresa. Se também não
for resolvido, é preciso um boletim de ocorrência e depois uma ação na Justiça. O importante é não se calar e não
aceitar esse tipo de situação”.

Se a vítima perder o emprego por ter denunciado ou negado qualquer ato sexual, a legislação também prevê
que a empresa recontrate o trabalhador, caso seja comprovado que o motivo da demissão se tratou de um assédio.
Os especialistas recomendam que a vítima registre e tenha cópias das denúncias feitas, assim como, se possível,
provas das situações de constrangimento em si.

As provas do assédio sexual, na maioria das vezes, são difíceis de serem obtidas, uma vez que a prática do
citado ato é realizada apenas entre duas pessoas, ou seja, o agente (assediador) e a vítima (assediada), assim como
é o entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região: “A prova da ocorrência de assédio sexual no ambiente
de trabalho é na maioria das vezes impossível de ser produzida, até pelas peculiaridades que envolvem a conduta do agente
ofensor, que cria ou forja situações de privacidade com sua vítima, aproveitando-se de sua posição de comando e da ausência
de terceiros, não deixando rastros de seu comportamento, exceto quando quer exibir um ilusório e patético titulo de
conquistador”.

Ante o exposto, é preciso diferenciar um simples flerte, interesse e atração sobre uma determinada pessoa
do assédio sexual, que é uma perseguição sexual, insistente e com danos muitas vezes sério. O jogo de sedução
utilizado entre as pessoas não se pode confundir com a violência que é o assédio sexual, pois estaria se banalizando
o tema. Todavia, é preciso se atentar para as calúnias e difamações infundadas para que não se produza o efeito
contrário, pois que o suposto assediante também sofreria injustamente danos certamente gravíssimos.