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PE.

AZARIAS SOBREIRA

II. " j

1 9 6 1

Edi tôra Mensageiro da Fé ltda.

Caixa Postul, 708 Salvador - Bahia


NIHIL OBSTAT:

Salvador, 12 de Dezembro d� l961

FREI JACINTO BRILLA, O. F. M.

Censor Diocesano

IMPRIMATUR:

Salvador, 12 de Dezembro de 1961

MONS. MATTA

Vigário Geral

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Prefácio

Subordinada ao título MENSAGEM aos


PROTESTANTES, no vertente opúsculo e em
caráte1..· de PURA VULGARIZAÇÃO, ofertamos
ao público brasileiro envolvido na disputa sus­
citada entre nós pela heresia luterana, uma
série de dissertações que supomos terem ficado
ao alcanci� de tôdas as inteligências.

Aliás, o nosso esfôrço individual se res­


tringe a um modestíssimo serviço de con­
densação do primeiro livro da imortal obra
de Leonel Franca, A IGREJA, A REFORMA E
A CIVILIZAÇÃO.
Tomando esta iniciativa, que não deixa de
ser-nos penosa, pretendemos prestar merecida
homenagem ao santo e sábio servidor da Igre­
já, que êle foi, tornando mais conhecida tão
agigantada publicação.

O Autor.

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Advertência prévia
"Grande é a responsabilidade de qu� es­
creve".

Agitar idéias é mais grave \:lo que mobi­


lizar exércitos. Pode o soldado semear os hor­
rores da fôrça bruta desencadeada e infrene;
mas enfim o braço cansa e a espada volta à
cinta.

A idéia é arma sempre ativa que não em­


bota com os anos. Vai direito à cidadela da
inteligência; e, se a encontra desguarnecida,
toma-a de assai to e dirige e governa tôda a
atividade humana. Pela matéria não se sub­
juga o espírito, mas pelo espírito subjuga-se
a matéria.

Quantos crimes atribuídos à fôrça são


filhos da idéia? Se fôsse perfeita a justiça
humana, muitas vêzes os rigores de sua se­
veridade deviam pesar sôbre a pena que se­
meou a idéia homicida, e não sôbre o braço
que vibrou o punhal assassino.
Grande é, portanto, a responsabilidade de
quem escreve. Mas, se é religioso o livro que
se atira às multidões, essa responsabilidade as­
sume proporções quase infinitas. Semear
idéias religiosas equivale a dirigir consciências
e orientar o homem no escabroso problema do
seu destino.
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No Brasil , Pastor Pro testante não recu­
ou diante da grav íssim a resp onsabilidade de
publi car um estud o de controvérsia reli gi osa.
Para êle , em tôda a Amér ica Latina não está
ressol vida a mais trans cende ntal das questões
que pod em preo cupa r um povo : a ques tão re­
ligiosa. Para êle o d i a em que esta parte do
Nov o Mund o se prote stant izasse marc aria o
início de u ma idade de ouro! Aqu i, cultura,
comérci o , indústria, liberdade, ciência, mora­
lidade, tudo havia de florescer nos es pl endo ­

res de uma nova civilização, tocado pela va­


rinha de condão dos filhos de Lutero ! "

Tal é , em resumo , o pensamento que ins­


pirou a feitura do ousado livro em foco.
NOTA - Ao invés de aludirmos nominal­
m ent e ao falecido gram áti c o Eduardo Carlos
Pereir a , cuj o livro de combate ao catolicismo,
O PROBLEMA RELIGIOSO DA AMÉRICA
LATI NA, prov ocou o aparec i m ento da nenci-
onada pro duç ão de Leonel Franca , usa
remos
tão sàmen te a expressão Pastor Protes
tante.
d? �q�ê­
Desta ar te quem não houver se gu�
ica m �c1ativa
le gr am át ico na su a impatriót _
ta m en te o no ss o o b1 et1v o se­
,

pe rc eb er á pr on
nte fl ca �endo
_

qu al Pa st or Pr ot es ta _

gu nd o o
ini str o da sei ta em sua ativid ade
q ualqu er m
an ti- cató lic a.

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A verdadeira Igreja

Todo o nervo da controvérsia entre ca­


tólicos e protestantes vem a ser uma que s tão
fundame11tal que , uma vez elucidada, decide
a sorte da discussão. Ei-la: - Onde se acha
o verdadeiro cristianismo? Onde está a ge-
11uína Igrej a fundada pelo Salvador ? Teria
Cristo instituído um corpo de doutrinadores
vivo , infalível, autêntico? Instituiu mesmo
uma Igrej a vi sí v el , hierárquica, depositária
incorrutível de seus ensinamentos e à qual
compete passá-los às nova s gerações, puros
como nos tempos apostólicos?
Üll, pelo contrário , quis o divino Mestre
que a sua doutrina ficasse amortalhada nas
letras inoperantes de um livro e, assim, sem
independên cia orgânica, sem unidade moral,
sem coesão de govêrno, sua Igrej a ficasse su­
j eita à volubilidade da interpretação indivi­
dual, fragmentando-se, aos poucos, numa de ­
sastros� babel d·e sistemas humanos?
Se esta última hipótese corresponde à
verdade , o protestantismo está cheio de ra­
zão. Mas, se a verdade se encontra do nosso
lado , então na Igrej a Católica existem os ver­
d adei r os sina is caraterísticos da institui ção di-
vina de Jes us . Em tal caso, é esta a Igrej a
que , de acôrd o com as divin as promessas, pos­
sui as g ara n ti a s da imortalidade. Contr a el a,
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portanto, não poderão prevalecer
as portas do
inferno; com ela ficará o Redentor
até o fim
do mundo.

� qui, _?
pais, é qu� se eve achar o âmago
da d1scussao. O mais nao vale mais do que
escaramuças sem importância. Eis
por que
convergirã o todos os nossos esforços no
senti­
do de esclarecer êste ponto capital.

Salta aos olh os de quem raciocina que


uma s0ciedade hierárquica e conhecida de to
­
do o mun do, à frente da qual exista um chefe
revestido de plena autoridade para distribuir
os benefícios da redenção, é o mais belo remà­
te que poderia ter a obra do Filho de Deus na
terra.

O protestantismo, 'porém, destruiu esta


harmonia maravilhosa. Filho de um orguiho
rebelde obedeceu à orientação seguida por
u �
q ase t dos os revoltosos: negou a autoridade
que o condenava. E como, sei:n autoridad�
constituída, não pode haver sociedade, ª pr1- .

. mei ra negação trouxe consigo outra, mais pro-


funda e decisiva.
Perdido o se centro u de
unidade, que .era
e
Roma ' as almas r sgata as por Jesd us Cristo

dispersaram-se como ovelha sen: s pastor Pa-


fa� ��:1 :.
. ·
.

rganiz�ç 6 d
mar o lu ga r da �
oses a pse� �
ra to e
i ani smo, onde b 1 s o v
sti is pos os fiéis
os pad�
cr s
tes ao Papa,
ntro u e� cena
a seus respectivo s
ga te p����idu�dedadeensar e nin­
religi�sa
uma e xtrava p
em que t odos te
m seu d p
mo o
guém ob edece.
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Bastaria levarmos em conta esta dissonân­
cia i11 t r od uzid a pelo protestantismo no con­
cê r to universal das criações divinas para os
espíritos sinceros e observadores descobrirem
11êle p, marca própria das falsificações huma­
nas.

. O que distingue a missão so cial da Igre­


Ja, com sua hierarquia perfeitamente organi­
zada, é a instituição divina· do papado, numa
autoridade suprema e assistida pelo Espíri­
to Santo, para salvaguardar o depósito da re­
vel açã o .

N2o é preciso ser filósofo. Basta ter juí­


zo e experiência para sentir que, depois de ha­
ver o Filho de Deus realizado a obra sangren­
ta do resgate da espécie humana, era neces­
sário levar a Boa Nova até os confins do glo­
bo. Para isto fazia-se mistér um exército dis­
ciplinado e escrupuloso de embaixadores evan­
gélicos que não só convertessem o mundo, mas
também conserv.assem, na pureza primitiva,
a Religião divinam·ente apoiada no sacrifício
do Calvário.
Uma tal disciplina, uma tal organização,
aliás é a marca de todo -o plano universal, des­
de a na tureza bruta até os sêres racionais.
'

Se observamos a ordem física, verifica­


mos que em cada indivíduo há um princípio
vivificador, em vista do qual os elementos or­
g ânico s ficam subordinados uns aos outros,
resultando daí a harmonia do conjunto indi-
vidual.
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Nos três reinos da natureza, a planta
serve para o sustento do animal, os minérios
serven1 para o sustento da planta, ao passo
que mi nerais, plantas e anim ais servem para
o sust2nto e confôrto do homem.

Na vida social acontece a mesma cousa.


Mal nasce a criança, vê-se logo acolhida pela
família que a rodeia de carinhos e simpatias.
Quanv:lo atinge a adolescência, é logo recebi­
da pelo Estado num campo social mais vasto,
onde lhe são oferecidos os meios indispensáveis
p ara o seu desenvolvimento, até realizar os
fin s p3.ra que veio ao mundo. O filho depen­
de dos pais, os pais dependem do govêrno mu­
nicipal, o govêrno municipal depende da na -

çao.
-

Tudo, por conseguinte, é ordem, é inter­


dependência, é hierarquia organizada de valo-
res s uperpostos.

Mas além ·ao desenvolvimento físico e


a.'
intelectu 1 do homem, cousa que a Pátria nos
pode proporcionar, há, e
.

todos nós, ui:ia
sêde de luz divina e de fel1c1d�de, no ma.is in­
timo da consciência. E Deus, tomando ca:­
ne humana, o que fêz foi aume tar em �s l?- �
esta s ede de felicidade, quando �1s��:
� Eu -

sou o caminho, a verdade e a vida .

Onde, porém, descobrir êste foco


de lu :
esta plenitude de vida qu� _:l!:le
no s ofer ��
:
ment ,0�g
e
On de está esta so ciedade d1v1na fl ��
o 5 de
r o s b ne
zada, da qual podemos recebe �
co co r·
br en at ur al, s em ris
um a tal vida so
rução?

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Na Igreja e son1ente nela. Entretanto, é
de, Fé qu�
-
na Igreja triunfante, isto é ' no céu
,
so serao acolhidos os que houverem perten-
cido à Igreja militante, na terra, ou desejado
sil1ceramente pertencer a ela. Isto se conclui
das se g uintes palavras do Salvador : - " Quem
cr2r e fôr batizado será salvo, mas quem não
c re r s erá c o 11denad o .
"

Para que todo o mundo pudesse distin­


guir 3. verdadeira Igrej a das falsificações hu­
n1anas, foi seu berço assinalado por estupen­
dos m il agres . Só nela se encontram, como
pedras preciosas de uma coroa, os distintivos
próprios da Rainha da Verdade: a unidade, a
santidade, a apostolicidade e a universalida•de.
Porque ela é una nos seus dogma s, na sua mo­
ral , no seu govêrno mo delar. E' santa na su a
doutrina, como no ideal de perfeição q ue a
todos oferece. E' católica por ser universal
a extensão de sua influência.
E', finalmente, apostólica em vista de ha ­
ver nascido à sombra dos apóstolos e haver
chega•do até nos, sem que sua existência ja­
mais tenha sido interrompida durante um
ano sequer.

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O Papado,_ obra divina

Conforme a opinião de Pastor Protestan­


te, para que o papado seja mesmo obra divi­
na, quatro condições devem ser preenchidas:
a> provar que Pedro é a pedra fundamental
de que faz menção o Evangelho de s. Mateus
r o décimo sexto capítulo, versículo 16; b) qu �
..

P edro foi o chefe dos apóstolos; c) que Pedro


estêve em Roma e lá exerceu o epü:; c o p a do .

d ) que os papas são os legítimos s u c esso res de


Pedro.
Vamos agora examinar, um por um, os
quatro pontos do requisitório protestante e o
faremos à luz de crítica serena e imparcial.
Começaremos mostrando que Pedro gozou de
c resce n te importância n o Colégio Apostólico,

mesmo antes de ter recebido o poder das cha­


ves, como imediato representante de Jesus
Cristo, depois que êste voltou aos céus.

Quem se e ntreg a à leitura atenta dos


Evang'?.lhos , sem custo nota que a promess�

do pri m ado esteve long e de ser um acontec
con­
mento isolado na vida do Me ssias . Pelo
Tôda a narraç ão histórica da
ativi­
trário.
dade do Salvador neste vale de l ág
rim as con­
realce
co rre par a tornar manifesto o lugar de
que, dia po r dia, S. Pedro ocupou
entr e os seus
colegas de apostolado.

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Dir-se-ia que os evangelistas, sempre só­
brios em dar informações acêrca dêstes últi mos ,

timbravam em não perder ocasião de referir


as palavras e atitudes de S. Pedro, anotando
todos os sinais de estima que o Filho de Deus
tinha para com o mesmo. Basta saber, desde
logo, que o nome de S. Pedro aparece cento e
setenta e uma vêzes nos evange listas ao pas­
,

so que s. João, o mais amado dos discípulos,


apenas é nomeado quarenta e seis vêzes. Quan­
to aos ·outros apóstolos, muito menos vêzes
se faz menção de seus nomes.
Vamos às provas. Na primeira ocasião
em que o humilde pescador da Galiléia se
apresenta a Jesus, êste lhe diz : - "Tu és Si­
mão, filho de Jonas; tu serás chamado Pedra".
(João, I, 42)

Era isto a imposição de um novo nome,


iniciativa já em uso na Sagrada Escritura e
que sempre significou uma grande promessa,
o anúncio de importante missão confiada a
um homem.

Ao escreverem suas memórias, quando


haviam saído a pregar a Boa Nova, são os
mesmos evangelis tas que se esmeram em ano­
tar êste lugar de realce do apóstolo S. Pedro
entre seus companheiros de missão.

Quatro listas 'dos apóstolos nos oferece


o Novo Testamento e, em tô das elas, o pri­
meiro é sempre Simão-Pedro, ao passo que
PoI
Judas Iscariotes é sempre o derradeiro.
que assim?
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Não nos venham dizer que a razão disto
é ser Pedro o mais velho de todos, fato intei­
ramente duvidoso. Aliás, se fôsse adotado
êste critério, S. João, que devia ser o mais jo­
vem dos apóstolos, havia de aparecer sempre
no fim da lista, o que não se verifica. Não
nos digam também que a razão está em Pe­
dro ter sido o primeiro discípulo a acompa­
nhar a Jesu s, pois S . João afirma que os pri­
n1eiros discípulos foram André e outro. (Jo.,
I, 33-42> Há, porém, conforme leio em Mons.
A. Feitosa, razão mais convincente do pouco
caso que faziam os evangelistas da idade dos
apóstolos, quando organizavam a lista dos
mesmos. Se o critério adotado por êles fôs­
se a idade, no Ev:angelho de S. Mateus seria
André mais velho do que Tiago; ao passo que,
no Evangelho de S. Marcos, Tiago seria mais
velho do que André. Etc.
Nas circunstâncias mais solenes, como a
ressurreição da filha de Jairo, a Transfigura­
ção no Tabor e a agonia no Jardim das Oli-
veiras, Jesus

Not a - Examinando as Escrituras, ve­


mos que foram só três as vêzes em que Deus
mudou o nome de varões, e em tôdas elas se
tratava. de elevar um dêles à dig
nidade e �
chefe dos ele itos. Mudou o no�
e de Abr��
'
"porque te co ns tituí pai de muitos povo�
ou de J1 a có : "c ha m · o u- lh e Israel e lhe d1s-
mu d O
P o s na ç õ h ã o se sair . d e i·"
1 . Mudou
S i;...
� o v e es
. . '.

"tu et;
Sim ao B ar J ºn a s:
finalm en te , o de . .
� ��� \� inha
-

r ô br e e sta p ed r a e i t.
Ped o e s
M ,
Igreja". (Vide Gen., XV
II, 5 , '
XVI, 18)
16.
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escolh�, para suas testemunhas, apenas três
apóstolos; e o nome que se lê, em primeiro lu­
gar, é o 'Cle S. Pedro .
As vêzes, tc1do o Colégio Apostólico é de ..

signado por uma só expressão coletiva, ao


passo que Pedro, e ninguém mais, é nomeado
distintamente, como se costuma falar de um
rei e seu cortejo, de um capitão e sua escol ­
ta: - "Simão e os que o acompanhavam."
(Marcos, I, 36).
Aqui não há margem para dúvida algu­
ma. Está claro que Simão-Pedro figura co­
mo o principal entre seus colegas nestas pas ­
sagens da Escritura, gozando de enorme pres­
tígio junto a seus companheiros. Veremos ago­
ra se vai nisto um direito adquirido à sua con­
dição posterior de chefe ou simplesmente um
fato digno de nossa especial consideração.
Quer Pastor Protestante que a importân­
cia de S. Pedro entre seus pares signifique sà­
mente uma maior influência moral, em vista
das qualidades de seu caráter, cousa pareci­
da com a primazia "que exercem espontâne­
amente os líderes das câmaras deliberativas
ou os deputados que se impõem por seu ca­
ráter".
Nossa firme convicção vai mais longe.
Para n ó s , trata-se aí também de uma superi­
oridáde na qual Jesus se comprazia e que ti­
nha por apoio a sua resolução de fazer dêle
o seu legítimo continuador na direção da
Igreja.
Abramos o Evangelho e saibamos ler.
(Mensagem aos protestantes 2) 17

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inegável que ainda não podia existir
E'
em Pedro uma supremacia de jurisdição is­
to é , o direito atualizado de governar seu � ir­
i;n�os na Fé , vivendo .º Mestre divino. O seu
un1co e natural superior era Jesus, vivo e pre­
sente no grên1io apostólico.
qu � nos interessa 1desvendar agora é
O
se :Êle havia prometido . a um dos doze um ver­
dadeiro primado de jurisdição, uma verdadei­
ra chefia legal; e se a sua maneira de falar
sôbre tal assunto vale por um indício natural
desta futura primazia.
Contra o ponto de vista católico insur­
gem-se os nossos adversários, alegania·o o se­
guinte argumento: - Se Cristo houvesse da­
do a entender, com absoluta clareza, que ia
en trega r a S. Pedro o govêrno da sua futura
Igreja, não encontraríamos nos Evangelhos,
tantas vêzes, os apóstolos discutindo sôbre qual
dêles havia de ser o maior. Como podia ter
lugar semelhante dúvida �11tre êles, �e � ques­
tão já tivesse sido esclarecida pelo propr10 Sal-
va dor ?
· · .

Para fazer uma tal objeção, quando se


procura argument ar honestamen!e, é neces­
­
sário des conhecer a rudeza dos apostolas, qua
dade,
se todos humildes pescadores. Na ver
quantos ensinamen tos êles ouyira�
, claros �
ai� compre
muitas vêzes repetidos, sen: Jam
enderem! Quanta s vêzes na
o lhes disse Jes� s,
. t"
enc 1 a que o seu reino
com a m ai. or .
ins 1s ,

anto, JX'ucorns
.

dês te mu nd o! En tret
não era
te s de se u re gre sso ao ceu, u
momentos an a seguin·
cíp ul os l he en der eç ou
de seus fiéis dis

18

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te extravaga �te pergunta: "E' agora, se-­
-

nhor, que vais restaurar o reino de Israel?"


(Atos dos Apóstolos, I, 6)
A mesma impertinente dificuldade apre­
sentam os discípulos de Jesus até a derradei­
ra hora , em admitir a idéia de sua paixão
e morte de cruz, não obstante o Salvador lhes
ter falado , muitas vêzes, neste sanguinolento
des en la ce de sua carreira. A êste propósito
convém ler o versículo 25 do capítulo 24 de
s. Lucas.
No caso em aprêço, a explicação a ser da­
d a é mais simples ainda. As palavras de Cris­
to a S. Pedro encerravam apenas uma pro­
messa: - "Dar-te-ei as chaves do céu ...O
que a t ares na terra será atado no céu." Acon­
teceu, porém, pouco tempo mais tarde, que Si­
mão-Pedro, voltando · a pensamentos dema­
siado humanos, tentou dissuadlr Jesus do
propósito de se deixar martirizar, e por isto
foi severamente repreendido. (Mat XVI, 23)
Nest a situação, nada mais atlmissível do que
suporem. os apóstolos que o divino Mestre hou­
vesse mudado de plano, revogando a honrosa
promessa feita a Pedro.
Na opinião dêles, a escolha de um dos do ­
ze para ocupar a chefia se encontrava, outra
vez, ao alcance de suas ambiciosas pretenções.
Oh! como transparece aqui a psicologia
de nossa frágil natureza! Somos logo inclina ­
dos a crer naquilo que favorec e nossas secre-
tas esperanças.
A êste respeito, leia-se Mateus, capítulo
vinte, versículo vinte e quatro
.

19
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Aind a o papad
o
Para m ui ta g ente
. c arrega da d e
ceita s, Exi. s te u ma p
S . Luc as, XXII, 25_ � p
assagem d1 Evan recon..
g l
26. n a qu a esus � ho d e
deixa
haver qu alquer j edn-
te n d er q u e r.ão d ev e
-
ça � , q u a lq u er au torida ur1s ·
·

de suprema en tre I-
ap os to lo s. os

E is o tó pi co em questa.... o·
t·ios , os rei s ex er ce m domíni ''Ent1·e os gen -
· -

o sôbre se us
sa los . No r:ie io de ós n ão
-y
Ant es , aqu� le qu e e m aior en
há de ser ass�
tre vós faça-se

com o o m ai s pequ eno e o que m
an da (faca-
,,,
se ) co mo o qu e serve".
Co� esta l inguagem , terá Cristo deseja­
do exc lui r qua lqu er autoridade entre seus após­
tolo s? De form a alguma. A prova se encon­
tra na sua expr essã o - aquêle que é maior -

expressão da qual se deve conclui r que ali exis­


tia um maio r do que os outros.
O que devemos aprender nesta li ç ão é
uma doutrina nova, um ensinamento profun­
do a respei to da noção de autoridade. Para
os pagãos, ser rei era uma ostentação de P_?­
der, uma oportuni dade de influ ir, com mao
de ferro ' na sorte de seus súditos escravizados.
N[lda disto há td'e ser a autoridade coloca-
da nas mãos dos fi lhos da Religião do Amo�'­
Ser autor i dade é desem penhar um ofício pu­
bli co ' é cumpri r um dever espinhoso: o dev er
e
de se consagrar à causa da mai· or fei ici·d ªd ·

de seus go vernados. E is o novo e grave con-


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ceita que o Filho de Deus procura meter na
cabeça dos cristãos, a respeito de autoridade:
acabou-se o tempo em que governar era opri­
mir o povo .
Dora por diante governar é padecer, é
viver para o bem da coletividade, esquecendo­
nos de n ó s mesmos para que a nação prospe­
re e realize o seu ideal.
Nem de leve as palavras de Jesus signifi­
cam extinção de poder nos grupos sociais.
Querem a prova disto? Leiam para a frente
e verão que êle promete aos Doze uma situa­
ção privilegiada entre os fiéis: um dia os Do­
ze se assentarão em doze tronos especiais pa­
ra j ulgar as doze tribos de Israel. E ainda
mais isto: a um só dêles dá o Salvador a mis-
são de confirmar na Fé os seus irmãos. (Luc.
XXII,. 30-32). E o discípulo assim distingui­
do é Pedro.
Depois de tudo isto, quem teria coragem
de dizer que no Filho de Deus não existia ver­
dadeira autoridade?
Que tal? Quem ousa pôr em dúvida esta
demonstração? No mesmo capítulo d'e S. Lu­
cas veremos Jesus aplicando a si mesmo a re­
gra de humildade que acabara de propor aos
seus : - "Qual é o maior? o que está assenta­
do à m esa ou aquêle que o está servindo? Não
é (maic r) o que está sentado à mesa? Eu , en­
tretanto, estou no meio de vós como quem pres­
ta serv ico. " (Lu c. XXII, 27) .

E éle é o mesmo que afirmou catego rica­


mente: - "Vós me chamais Mestre e Senhor
e dizeis bem, porque eu o sou." (Jo., XIII, 13)
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A grande promessa
A p os içã o de realce que Simão
-Pedro ocu­
pava entre os apó stolo s é um
a realidade in
. es-
cu re cível.
Só um a fo rmal investid'ura garant
ida pe­
la p �om es sa �e Cristo explica o fat
o de Pedro
co�t1 :iu �r, ate o fim, go zando daquel
a pre­
em1nen c1a atestada por tôda a história da
vi­
da do Salvador.
No se u célebre livro "O Evangelho e a
Ig rej a , A. Loisy o atesta à página 90, não
"

obsta nt e o s e u ódio à Igreja: - "Entre os Do­


ze havia um que era o primeiro, não só pela
prioridade de sua conversão ou �lo seu arden­
te zêlo, mas ain da por uma espécie de desig­
nação do Mestre ... "

Temos, porém, textos formais e explíci­


tos que removem tôda dúvida digna de consi-
deração.
Evoquemos aquela ino lvidá�el, cena. em
qu e Jesus interroga os seus d1sc1pulos . -
ns a
"Q ue anr(i'am dizendo (por aí) os ho me
respeito do Filho do Homem?"
m mul-
Conforme se sabe os judeus havia
tip lic ado conjecturas sobre a gran a•io� Pera
' A
a er-

son alidade do Redentor. �- cara uns ele

22

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João Batista. Para outros era Elias, Jeremias
ou algum outro dos antigos profetas faleci­
dos.
- "E v-ó s, disse-lhes Jesus, que idéia fa­
zeis de mim?"
- "Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo",
respondeu Simão-Pedro.
E Jesus, para lhe recompensar a magní­
fica profissão de fé, pronuncia, com grande
solenidade, estas palavras: - 'Tu és bem-ave11-
turado, Simão , filho de Jonas, porque não foi
a carne nem o sangue que te revelou isto, po­
rém meu Pai que está nos céus. E eu te di­
go que tu és Pedra e sôbre esta Pedra edifica­
rei a minha Igrej a, e as portas do inferno não
terão fôrcas contra ela . E eu te darei as cha-
ves do Reino dos Céus; e tudo o que atares na
J

terra será ata1do no céu, e tudo o que desata­


res na terra será desatado no céu".
Todo isto se pode ver no Evangelho de
S . Mateus, capítulo dezesseis, versículos 1 6-19.
Aí fica uma passagem do Novo Testa­
mento cheia de transcendental significação.
Mas, apesar de sua meridional clareza, tão me­
ridional que, durante quinze séculos, ninguém
levantou contra ela a menor contestação, o
protestantismo envolveu-a de tais sofismas que
somos forçado a analisá-la minuciosamente .
Que significam estas pala­
Tu és Petrus...
vras do divino Mestre?
Não h1á quem, len do-as no citado texto
evangélico, não per ceba profundamente que
23

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êste deve ser o seu sentido:
em conseqüência desta decl
"S pe . .
araçã �
_

?ro fica,
f�nd��icado
.
para oc�par a posição de ped
ra
da IgreJa a s r funda.'da para

rem os escolhidos da redenção.
nela se ab��igataJ-
.

Com o fim e se porem a sa
lvo das mo­
men tosas e dec 1s1vas obrigações
que uma t 1
ve�dad� im põe , milhares de prote stant
hoJe estabelecem absurda distinção ent
e s aind �
re Pe­
d r o e pedra. Par a êle s o Ped ro do primeir
f
membro da r ase é , real men te, o após tolo que
o

cons ideramos imediato cont inuador da m i ss ão


de Jesus: - tu es Petrus. Mas.. . a pedra do
segundo membro da frase (sôbre esta pedra)
não é mais Pedro, e sim o próprio Cristo!
Logo , de acôrdo com a interpretação pro­
testante , a Igrej a não foi edificada sôbre Pe­
dro, porém sôbre o mesmo Salvador.
Eis aí uma distinção injustificada, ridí­
c ula, contrá ria às regras mais comezinhas da
bo a inte rpre taç ão . Quem quer que leia, cons­
cienc iosam ente, a referi da passagem do evan­
g elist a S . Mate us, sem demo ra perceberá qüe ,
em tôda ela Jesu s se dirig e somente a Pedr o:
.

- "Eu te digo . . . tu és Ped ra. . . Eu te dar ei as


'

tu
cha ves... Tu•do o que tu atar es.-. tudo o que
desa tares. . . ''
ar
Como está clar o, não há j eito de isol
str e
ao men os uma fras e na qua l o divino Me
ocu­
deix asse de diri gir-se a Pedro e passasse a
en­
pa r-se de su a pró pri a pessoa . Tão es treit am
mbros
te ligados ent re si estão os vários me
24

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dêste período que não existe nêles a mais pe ­
quena margem para cortá-l o e meter dentro
dêle outro qualquer objetivo.

Se u m homem sério e sensato é incapaz


de tão extravagante maneira de expr1m1r
seus pensamentos, como é então que se pre­
tende admití-la nos lábios de um Deus, que
ama a verdade e exige de nós que a ponhamos
em prática? Além disto, Jesus falava a lín ­
gua aramaica , idioma onde nenhuma diferen­
ça verbal existe entre Pedro e pedra . Traduzin­
do-se, ao pé da letra, o texto original de S. Ma ­
teus, chegamos ao seguinte resultado: - "Tu
és Pedra (Kefa) e sôbre esta Pedra (Kefa )
edificarei a minha Igrej a".
Esta semelhança verbal ainda é conser­
vada nas antigas traduções siríaca, persa e
árabe, línguas que, tais como o francês, per­
mitem uma tradução literal daquela passa­
gem da Bíblia.
Rola por terra, por conseguinte, a espe­
rança do protestantismo, quando lançou mão
de um argumento tão pouco recomendável.

Ain'Cia mais. Se Simão-Pedro não era es­


ta pedra fundamental, para que lhe teria Je­
sus troc ado o nome pelo de Pedro? Para que
tant a solenidade de palavras , tanta gravida­
de de expressões, para acabar dizendo que Si­
mão é pedra, mas não será sôbre êle que a Igre­
j a será edificad a, porém sôbre o próprio Cris-
to? . . .
25

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Não, irmãos nossos separados!. Contra
un1a tal interpretação revolta-se a consciên­
cia da cristandade pensante, num brado de jus­
tificada indignação.

Mas Pastor Protestante teima em dizer


que só Cristo é pedra. E para isto invoca ou­
tros lugares da Escritura, citando Isaías e
Mateus, Pedro e Paulo.
E quem jamiais contestou qu•a Cristo é a
p2dra viva, pedra-base do cristianismo? o que
nos interessa agora é saber, pelos Evangelhos,
se o Pescador da Galiléia foi designado pelo
Salvador como pedra-base de sua Igreja.

Vamos para a frente. Abro o Evangelho


e leio que, falando sôbre si mesmo, Jesus afir­
ma: - "Eu sou a luz do mundo". (Jo., VIII, 12)

Confarme a regra seguida por tais pro­


testantes, devíamos concluir que nenhum após­
tõlo é, nem pode ser luz do mundo. Mas nova­
mente abro o livro sagrado e caem-me os olhos
em cima destas outras palavras, igualmen�e
proferidas pelo Salvador e encontradas no ca­
pítulo quinto de s. Mateus: - "Vós sois a luz
do mundo".
vez
Estará Jesus em contradição, uma
qu e, de po is de ch am ar a si me sm �
o a luz o
seus a�os­
mundo chama por igual nome os
lo s? N em po r so m br a. A razão é que existe
to
dra e �edra.
luz e luz, assim como existe pe
ist o po r su a próp ria natu reza, a rna-
Luz é Cr
26

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neira do sol ; .I�z s �o também seus apóstolos,
mas por part1c1paçao, por reflexo, à maneira
"
dos planetas.
Da n1esma forma, pedra é Cristo. Pedra
fundamental que garante a perpetuidade e so­
lidez da Igrej a, o novo e providencial edifício
construído por êle em pessoa. Mas também
pedra é Simão-Pedro, porque Cristo assim o
desejou (tu es Petrus), pedra igualmente in­
quebrantável por fiança divina : - "e as por­
tas do inf1erno não terão fôrças contra ela. "
Cristo, portanto, é pedra ·invisível , en­
quanto Simão-Pedro é pedra visível, pois tô­
da a Igrej a militante tem que apoiar-se nêle,
como a sua suprema autoridade na t�rra.
A tudo isto acresce adiantar que, em to­
do o Novo Testamento, uma só passagem nã<'
se encontra em que se atribua o no1n� de pe­
dra a qualquer outro apóstolo .
Ouçamos ainda esta reflexão . S� Simão­
Ped'ro não era mesmo a pedra funda1nental da
Igrej a, para que foi que Cristo mudou o no­
me dêle em pedra?
- Tu serás chamado Pedra, - disse-lhe
Jesus ao avistá-lo pela primeira vez. E agora,
confirmando aquela promessa, assim lhe fala :
- Tu és Pedra e sôbre esta pedra edifica1·ei a
minha Igreja.
Para entender tudo isto de outro tnodo
seria preciso supor que os nomes impostos por
Deus fôssem palavras sem sentido ou sombr�s
sem reali�lade. Aceitar a interpretação pro­
testante equivale a cair no ridículo da seguiu-
27

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te linguagem: - Simão Bar Jona, tu és ben1.
a �enturado e � s pedra, mas... vou edificar a
. e não sôbre ti, por­
m1nh� Ig reJ. a e sobre mim
que nao es, pedra! .

E podia ser esta a recompensa do Salva­


dor pela coragem com que Pedro havia pr·J­
clamado a sua divindade? Não. Desta ma­
neira Jesus não teria recompensado, porém
decepcionado amarg·amente o corajoso apósto­
lo . Como é então? Tanto aparato de circuns­
tâncias. tanta grav:idade de palavras, para
simplesmente dizer que não será sôbre Simão­
Pedro, mas sôbre o próprio Cristo que a sua
Igrej a será edificada? E qual será então o sig­
nificado desta passagem do Evangelho, uma
das mais maj estosas e solenes de tôda a Sa­
grada Escritura?
Não, não. Mais uma vez, contra uma tal
interpretação revolta-se indignada a consci­
ência cristã.
Se pastor Protestante quisesse argumen ­
tar com o decidido propósito de curvar-se pe­
rante a evidência, o seu papel agora era calar,
ao me11os a respeito da manifesta intenção do
Salvador de constituir Pedro o seu- 1mediato
representante e pedra fundamental da sua
Igreja. O que faz, porém, à página 220 de
seu livro, é seguir pelo caminho batido , di zen­
do "que também os outros apóstolos e os pro-
fetas são englobadamente chamados funda­
mento, do mesmo modo são pedras secundá­
rias e, assim sendo, lá se vai por terra o pri­
mado de S. Pedro, e com êle as pretensões
papais''!
28

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Dev a ga r, m�u amigo. Não é fáci l
trilhar
essa vered a. Ci te- me , po r obséquio um ,
texto cnde Cris to haj a dito a qualqu'er out �
apóst?lo q1!- � h �via de ser "a pedra

sôbre a
q� al ele ed1f 1car1a a sua Igreja". o que se vê
sao out ros lugare s da Esc ritu ra em que a pa-
la vra fun dam ento é, às vêzes, atribuída so ­
men te a Cristo e outras vêzes apli cada a todos
os apóstolos j unto s; poré m num sentido bem
diferente .
Assim escreve S . Paulo aos coríntios (1
Cor III, 10-11) : -"Segundo a graça que Deus
me deu , tenho, como sábio arquiteto, lança­
do o fundame nto : e outro edifica sôbre êle. Ve­
j a, entretanto, cada qual como edifica. Por
que ninguém pode pôr outro fundamento se-
11ão o que foi pôsto, que é Jesus Cristo."
O que aí S. Paulo quer dizer nada tem a
ver contra o primado de Simão-Pedro. O sen­
tido destas palavras suas é que ninguém po­
de ensinar o Evangelho a não ser da forma
como Cristo o ensinou , pois fora de Cristo não
há nem pode haver outro caminho para o céu.
Êste únic o fundamento S. Paulo joá ti­
nha lanç ado , com o bom pedreiro, por onde
passara pre gan do a Boa Nova .
Em fac e do qu e deixamos demonstrado, as
m,
pa lav ras de Je su s a Sim ão-Pedr? signific�
Sim ,
efeti vamer:,te, a promessa do primado.
ocupar
um dia o Pesc a•dor da Galiléia devia
ga r de im po rt â nc ia �� tr e os se us com­
um lu
pa nh eiros de m issão apostol1ca.
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Ei�,
porém, que Pastor Protestante
apa­
rece com ar triunfante, afirmando que n
esta
passagem evangélica o Salvador usou um
a
linguagem metafórica; � tanto a boa exeges
e
como o bom senso exigem que não se empre­
guem termos figurados para exprimir títulos
válidos de nomeação para qualquer cargo. Diz
isto à página 214.

Confessamos francamente que não es­


perávamos esta dificuldade da parte de um
gramático. Onde foi que se disse que expres­
são metafórica contém sentido duvidoso? Abro
um livro de história e leio o seguinte: - "Por
morte de Eduardo VII passou a coroa às mãos
de Jorge V"; "a côroa da Austria não resistiu
ao choque da guerra.". Onde é que está o peri­
go de a nfi bologia nestas duas figuras de re­
tórica? E' que tanto a linguagem metafóri­
ca co1no a linguagem direta podem exprimir,
com perfeita exatidão, o mesmo pensamento.

Isto, sim , é o que ensina um princípio co­


me z inho d'e hermenêutica e bom senso.

Convém ainda não · e squ ecer que o Sal­


vador falava par a povos orientais, natural-
mente imaginosos, e procurou a d aptar -se à
mentalidade ·aos mesmos. Al iá s, diz-nos o
Evangelho que êle só ensinava por meio de
parábolas. (Mat. XIII, 10-13).

Simão-Pedro é, por conseguinte, a pedra


fundamental da · Igreja, como representante
,
visível do Filho de Deus. Logo, Pedro ser a,

para a sociedade cristã, o que o alic€·rce é pa-

30

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r a o edifí cio. Com êle, a solidez e garantia do
p rédi o. Sem êle , o desmoronamento, a incer­
teza , a instabil idade .
Logo, Pedro é a autoridade suprema da
Igrej a fundada pelo Salvador. Logo, quem
está com Pedro está com a Igreja de Deus; e
quem se aparta de Pedro aparta-se da verda­
deira Igrej a.
Já no quarto século dizia o grande Santo
Ambró�io : - "Onde está Pedro está a Igreja".

31

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A Chave do Reino dos Céus
P rosseguindo no seu inútil esfôrço para
escurecer os grandes privilégios concedidos a
S. Pedro, Pasto r P rotestante passa as suas ba­
terias para out ra expressão figurada que se
acha imediatamente depois, no mesmo texto
evangélico. Ei-la: -"E eu te darei as chaves
do Reino dos Céus.»•

Possui r as chaves de uma casa, de uma


cidade ou de u m reino significa conservar nas
rr1ãos o poder de abrí-los ou fechá los, aceitar
-

'JU não aceitar, dent ro dêles, gente de fóra.


Significa, enfim, ter o poder de dono, de go­
. r, de rei.
verna'do

No oriente, pun ham-s e as chav(fs aos


ombro.1 de um g rande da terra para dar a sa ­
ber que êle gozava ali de autoridade. A refe­
rida figura e r a, po rt anto, de uso corrente e
todos prontamente entendiam sua significa-
ção. Assim é que o profeta Isaías emprega
esta linguagem para e xprim ir o poder de Eli­
acim : - "Porei a seus ombros as chaves da
rasa de Da v i : •e, se êle abre, ninguém f echa ; e,
.

se êle fecha, ninguém abre." (Isaías, XXII,


29 ) .

Igualmente , no Apocalipse, S. João fala


pela mesma forma para indicar o sobe r ano
poder de Jesus. (III, 7).

32

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Fica, pois, bem patente que não existe
dúvi da apreciável acêrca da intenção que te ­
ve o Salv ador de dar a S . Pedro plenos poderes

p ara governar a Igreja. Em nome de Jesus,


por conseguinte, Pedro estará à frente dos
neg ócios do reino messi ânico, de forma que
só entrará na Igreja quem êle admitir e não
ficará dentro 'dela, legltimamente, quem êle
declarar fora dela p-elia ,excomunh ão.

33
( 14ensa.gem aos protestantes 3)

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O poder de ata r e de s atar
De todos os dizeres de Cristo, quando
80
..

lenemen te prometeu a Pedro o primado apos ..


tólico, só nos falta analisar o de r radeiro: _

"Tudo o que liga res na te r ra será ligado no


céu".

E'
próprio das autoridatd'es ligar e desli ..
gar, isto é, ata r e desatar. Cada vez que pro­
mulga111 uma lei ou lavram um novo decreto,
elas criam para seus súditos uma nova obri­
gação, atando-lhes a natu ral liberdade de agir.
Cada vez que declaram sem vigor uma lei ou
dispensam dela um indiví•duo, o desatam no
sentido daquela obrigação.

Pois bem. A Simão-Pedro Jesus promete,


especialmente, a plenitude do poder para li­
gar e desligar, atar e desatar: "Tudo o que
-

atares na ter ra será atado no céu " (XXVIII,


...

18) E , para que se saiba a extensão dêsse sa­


berano poder con fiado ao referido apóstolo,
Jesus garante que serão ap rovadas e confir­
madas no céu tôdas as decisões que o mesmo
toma r neste mundo.

Não era possível exprimir, de modo mais


claro e decisivo, a fôrça e a independ ên cia dos
poderes que iam ser conferidos ao futu ro che­
fe da Ig�eja. Suas sentenças são cheias de
autori dade e nenhuma autoridade humana
poderá revogá-las .
34

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l't!ªs su c ede q u e Pasto r Prote
stante ,
d a n ao c on ve n ci· ao, al eg a que, do is ca ain­
pítulos
para di. ante , n o m es m o Evangelho de
s. Ma­
teus, � es'! s, fa lando aos apóstolos reun
. ido s
co m S1m a? -P ed ro , diz -lhes no plural : "Tu­
_

do o qu e lig ar de s na ter ra ser á ligado no céu ."


E d 2st 3: pa s �a gem evangélica tira a seguin t�
con cl usa o : so por esta nova promessa caem
por terr a as pre tensões dos Papas ao supremo
govêm o da Igrej a . . .
Alto lá, meu amig o ! Escute e medite
mais um pouco. Antes de tudo, lembro-lhe
que só a Simão-Pedro o Senhor mudou o no­
me em Pedra, prometendo edificar sôbre êle
a sua Igreja. Lembro também que só a Si­
mão-Pedro foi prometid'o o direito de abrir e
fechar o céu. Lembro-lhe, sobretudo, que, no
dia em que o Divino Mestre disse aos após ­
tolos que seria atado no céu o que êles tives­
sem atado na terra, já havia prometido a mes­
m a cousa a Pedro, separadamente . Assim deu
a enten der a todos que podiam também atar
e desat ar, como verda•deiros bispos, porém sob
a chef ia daquele a quem havi a prometido tan­
tos outr os priv ilégi os .
Qu er um a prova prática do que a!irm a­
mos? Um rei diz a um de seus generais, pe­
-
ra nte cs ou tro s altos oficiais do exérc ito :
tropas .
'' Ge ne ra l confio-te tôdas as minhas r .ª na-
p
Pos su es lenos pO'deres para agir e
leva
0 que � ��
zer
ç ão ao tr iunfo compl�to . Tudo . �ó­
ra ta l fim , de sd e j a do u � r bem f�I '

pa
ho uv es se sido fe ito p or mun p
o
m se tu do
prio " .
35

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Dias depois , falando a todos os generais,
no meio dos quais se encontra o generalíssimo,
diz-lhe o rei : - "Confio-vos as minhas tro ...
pas. Tendes plenos poderes para dirigir as
operações militares, etc". Quem será bastan..
te idiota para concluir daqui que j'á não exis­
te generalíssimo nas fôrças armadas e que os
poderes dados, r..a véspera, ao general coman­
dan t�·. lhe f ol'am tomados? Quem sustenta­
. .

rá que os poderes conferidos ao Estado Maior


do exército excluem a chefia do comandante
ge ral das tropas .em operação? Ninguém. Isto
é claro como o sol.

Logo, a argumentação de Pastor Protes­


tante só está dando um resultado : mostrar a
absoluta solidez da fé católica .

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A Invest idu ra d o Prim a d
o
D ep oi s d � ri go ro sa an álise qu
e fizemos
m os tr �n1d o a im en sa significação da
s prom es :
sa s !e 1ta s a S . Pe dro , vamos agora provar
. que
o D1v 1no Me str e, perto de voltar ao céu cum­
pri u a ref eri da palavra. Encon tramos e�sa ce­
na no cap ítul o 2 1 de S. João.
Perante · os apóstolos reunidos, o Salva­
dor se dirige a Simão-Pedro e lhe pergunta
três vêzes : - "Simão, filho de Jonas, tu me
amas?" E três vézes o apóstolo interrogado
responde : - "Eu vos amo". Pois bem. Após
cada resposta dada por Pedro, o Salvatlor lhe
diz : - "Apascenta os meus cordeiros; apas­
centa as minhas ovelhas". (XXI, 15-17) .
Por esta maneira de falar, tôda a cristan-
dade entendeu, desde logo, qu·e foram conf ir·
inadas por Jesus as promessas anteriormente
feitas ao pescador da Galiléia, quando lhe dis­
se que sôbre êle ia edificar a sua Igr�j� e nas
mãos dêle ia colocar as chaves do reino dos
Céus .
Nada mais justo, p ois os. que lêen1 com
atençã o o Novo Testamento descobrem depres..
s a a insistência com que o Redentor compa­
ra seus fiéis a um rebanho de ovelhas, dizen­
do : - "Eu sou o Bom Pastor: as minhas ove­
lha s me con hec em e eu conheço as minhas
ovelhas . . . " (João, X, 14) .
Or a, o que é que existe. num rebanho se­
não car ne iro s e ove lha s? Pois, nesta passagem
sem
do Ev angelho Nosso Senhor confia todos ,,
exceçã o de uin só , ao govêrno de um
so, ao
37

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govêr110 de Pedro, já que a palavra apascen­
t a r , i10 idioma h·�braico, significa alimentar,
reger, dirigir; e j á vimos como tle disse ao
futuro chefe de sua Igrej a : - "Apascenta os
ineus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas'' .
Aqui é Pedro constituído, de modo posi­
.
tivo, Pa stor universal de todos os discípulos
de Cristo, sem qualquer exceção. O mesmo
apóstolo que, no capítulo 20 do citado Evan­
gelho de S. João, havia recebido, em compa­
nhia dos outros, uma missão comum a todos,
é neste momento distinguido com missão es-
pecalíssima, que dêle exigirá uma afeição
mais generosa. E esta missão é o supremo go­
vêrno da cristandade .
O pastor tem por ofício alimentar, dirigir,
defender e castigar suas ovelhas. Comparai
agora a sociedade cristã a um imenso rebanho
e nela encontrareis o governador geral desem-
penhando o papel de pastor de todos as ovelhas
da nação.
Qu em leu a Ilíada, de Homero, deve estar
lembrado de que os r1eis são ali, várias vêzes,
chamados pas tores dos povos". E, no livro
"

do profeta Isaías, diz o Senhor ao rei dos Per­


sas : - "Tu és meu pastor e fará� tõda a mi­
n• 1a \'On tade'' (XLIV, 28) També n1 no segur! -
do Livro dos Reis, diz o Senhor a Davi : -

"Tu apascentarás o meu povo israelita e sôbre


Israel serás o general em chefe" (V, 2) .

O próprio Cristo se chamava o Bom Pas­


tor, e é êste ofício que êle confia ao primeiro
Papa, ao ter que deixar a terra .

38

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O Pri m a d o d e S . P e dro
So m os fo rç ad os a pr os se gu ir
no m esn 10
assunto.

E' q ':1 e Pa sto r Pro testan te, cego pel os seus


pre con ceit os con tra o cato licismo. n em dian­
·
te de uma prov a tão eloq uente se most ra. con­
vencido.

Eis aqui a triste explicação que dá para


as solenes palavras do Salvador, entregando a
Simão-Pedro a direção geral do seu rebanho.
São ve!:dadeiras evasivas que podem ser lidas
à página 2 12 do seu malfalado livro. Leiamo­
las : ''Em João, a trípl ic e recomendação de apas­
centar os cordeiros correspon·d·e à tríplice n��­
gação : foi apenas a restauração de Pedro 110
apostolado de que decaíra."

E' pena que nenhuma outra significação


Pastor Protestante descubra em uma inves­
tidura de tamanha importância !

Antes de tudo, porém, meu amigo, não


é nada certo que Pedro houvesse perdido, co­
mo o Sr. supõ e, os direitos de apóstolo por cau­
sa de sua conhecida negação. Provo-lhe isto
da seguin te maneira :

I - Simão-Pedro negou a seu Divino Mes­


tre , mas o próprio Evangelho afirma q� e êle
chorou amargamente a fraqueza cometida.

3�

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II - Logo que ressuscitou, três dias de...
pois, Jesus apareceu às santas mulheres e
um anj o encarregou-as de levar a f·e liz notí ...
ciia a seus discípulos, 1especialmente a Pedro :
- " Ide e diz.ei a seus discípulos e a Pedro
qu e êle irá adiante de vós p ara a Galilé ia ; lá
o vereis , conf orm1e vos disse ( Marc . , XVI, 7 ) .
III - Não satisfeito de havê-lo distin gui do
com tão grande prova de especial estima , sem
perda de tempo se deixou ver por êle (Lucas,
XXIV, 2 3 ) ; e dali por diante nem uma vez
apareceu aos apóstolos sem que Pedro se achas ­
se presente na ocasião ! Leia, para se pesua -
dir melhor, o que diz o capítulo vinte e quatro
do Evangelho de S. Lucas .

IV - Conforme nos diz S. João no capítu­


lo vinte do seu Evangelho, no mesmo dia de
sua gloriosa ressurreição o Salvador apareceu
a todo5 os apóstolos, menos Tomé, e dirigiu­
lhes as seguintes palavras : ' 'Assim c omo meu
Pai me enviou, eu vos envio. Recebei o Espí­
rito Santo : os pecados serão perdoados a quem
vós os pe rdoa rdes , e ficarão retidos em quem
vós os retiverdes ". ( V 2 1-23 ) .

Então, meu amigo, será admissível que


Sim ão-Pedro, favorecido com tantas provas de
amizade, desde o dia da ressurreição de Jesus ;
S. Pedro, divinamente enviado , como os demais
apóstoios, para a evangelização do mundo;
S. Pedro, honrado, como os outros após tol os ,

com a missã o divina de perdoar os pecados,


ain•da não havia recuperado a sua prerroga·
tiva de ap ó stolo? !

40

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Co n � ra um a ta l lóg ica se ins urge 0 bom
senso cr1 sta _ o , qu e
nela só exe rga teim osi a e
talv ez m á fé.
Passemos agora em rev i sta os textos evan­
gélicos por nós examinados.
O plano do Salvador acêrca de sua Igrej a
vai se desenvolvendo de maneira maj estosa,
desde os seus primeiros traços até o seu defi­
nitivo acabamento .
Ao convidar os seus apóstolos para o acom­
panharem, distingue logo a S. Pedro dando ­
lhe um nome especial, Kef a, que significa Pe­
dra ou Pedro. Nessa desusada mudança de
nome achava-se simbolicamente manifesta a
divina intenção de fazer dêle a pedra funda­
mental da sua Igrej a, como o seu legítimo con ­
tinua•dor neste mundo.
Enxergando claramente o futuro, o Fi­
lho de Deus prevê tôdas as heresias, os cismas
e apostasias, tôdas as fôrças do ma l conjuga­
das contra a sua obra. Com uma tal visão do
futuro dirige, desde logo, estas palavras profé-
ticas àquele humilde pescador da Galiléia : -
"Tu és Pedra e sôbre essa pedra edificare i a
minha Igrej a, e as portas d o inferno nada po ­
derão contra ela".
Comentando essa cena de tão grande re­
percussão nos destinos tla civilização cristã,
d isse com razão Daguesseau : - "Para pro ­
duzir tal cousa, precisava ser profeta; para
torná-la realidade, precisava ser Deus".
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E Deus t � m mantido a sua palavra� poi.3
.
hoJ e, como ha dezenove séculos, a rocha de
Pedro continua firme e inabalável.
Aproximava - se , entretanto , o fim da exis..
tê·n cia terrena de Jesus . Devendo fazer-se de
volta ao céu, era natural que deixasse neste
n:undo um seu representante com plenos po­
deres para sàbiamente governar a sua Igrej a ,
preservando-a do êrro e da decadência. E '
então que o primeiro Papa j á designado rece­
be a solene investidura de supremo Pastor : -

"Simão, filho de Jonas, a pascenta as n11nhas


ovelhas".
aí a IgTej a, tal qual saiu das mão:s do
Eis
seu Fundador.
Cabe -nos agora o direito de p ergunta r aos
nossos irmãos separados : Que é feito dest�s
magníficas pro messas? Onde é que se encon­
tra essa p edra fundamental de Jesus Cristr,?
Onde é que pode ser visto êsse monumental
edifício construído com tamanho encarecimen­
to por êle ? E m que mãos se acham as cha ­
ves do céu ? Em que mãos se acha o caj ado
dêsse pas tor u niversal? Será em poder de
Lutero, Calvino ou Henrique VIII? Mas ê
. , .s
. ,
-

ses home ns vivera m na mesma e poc a e J ª vie-


ram 'ªº m u n do no fim do décimo quinto sé·
c ulo da era cristã . Com quem então estavam ,
antes dêles , essas c hav es e êsses podêr es con­
cedidos pelo Salvador ? Certam ente com �
Igrej a Católica.

Mas , como foi Q ue essa imensa autorida de


- -

concedida à Igrej a teria passado para as maos

42

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de Lutero , Calvino e Henrique VIII? Quando
foi que Cristo retirou da Igrej a e colocou, nas
1nãos dêsses inovadores, a missão confiada a
Simão-Pedro e seus l egítimos sucessores? E,
se Cristo não os encarregou de dirigir a Igre­
ja, como foi que êles se atreveram a l ançar
n1ão violenta contra os seus legítimos repre ­
sentan t es?
Escute, para terminar, estas palavras de
Cobbet, ilustre protestar:.te convertido à fé
católica :- "A Igrej a tira de Jesus a sua ori­
gem. Pedro foi mesmo pôs to por êle à frente
·
da sua Igrej a. E', pois, inelutável êste dile­
ma : ou as Sagradas Escrituras mentem ou Je­
sus Cristo em pessoa prometeu à sua Igrej a um
chefe que deve durar através dos séculos" .

43

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A Voz d a s C a ta c u m b a s
A té ª 9-� i ap re se ntam os grandes
prov as
�e or? em 10 1p� a e e� cr itu rís tic a, em favo r da
aou tr1G a cat ol1c a, ace rca do reinado de
s p _
dro . Hoj e , porém , vam os ofe rec er a P� e
to r
Pro testante um a dess as provas palp ávei s a ue
p ara hom ens séri os e j usti ceir os, tapam si :
m
plesmen te a bôca .
J·á q ue o século atual fala tanto em ci-
ência arqueológica, pediremos à própria ar­
queologia que nos diga se, nos quatro primei ­
ros séculos da era cristã, S. Pedro Já era con­
siderado chefe da Igreja .
Se Simão .. Pedro gozou , realmente, da ele-
vada posição que o catolicismo lhe atribui,
nenhuma outra personagem tleve ter preocu­
pado mais os primeiros cristãos do que êle,
como continuador im edi ato da missão de Cris-
to. Pois é isto, exatamente, o que foi de ­
monstrad o, há poucas ·d écadas , em célebres
e sc ava çõ es , efetuadas em Roma , Pa rma, Mi ­
l ão , Gênova , V�e rona, M ad ri, Sar ago ça, Mar­
selha , 1.Ji ão , Reims , etc.
Revolvendo o subsolo , sábios i nsu speit os
trouxeram à luz o segrêdo 1claquela civilizaç ão ,
soterrado du rante o domín io dos bárbaros e
e m tempos posteriores. E essas obras d'art� ,
com a eloquência dos argumentos irrespo �d �­
veis vieram atesta r que, excetuado o D1v1-
no M estre, era S. Ped ro a figura m ais d e st a­
cad a dos p rimeiros s éculos cristãos.
44

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Como se sabe disto? Sabe-se através de
livros dignos de todo respeito, como sej am as
obras d e Garrucci e Sisto Scaglia, sôbre a his ­
tória da arte e da arqueologia cristãs.
Ga rrucci, por exemplo, dá-nos conta de
445 imag'ens do Salvador encontradas n es­
sas pasmosas escavações. Pois bem. Logo
abaixo aparece S. Pedro com 212 imagens e
S. Paulo com 47, tão s o mente . .. .
Quase sempre u m emblema designativo de
autoridade marca o príncipe dos apóstolos.
Aqui é uma cadeira, ali são as chaves, acolá é
um livro da lei divina que Cristo lhe põe nas
inãos. Há ainda a observar que nessa�:; ilna­
gens apenas Moisés e S . Pedro trazem na n1ão
um caj ado, símbolo de poder. Por aí Ee torna
evidente a semelhança dos dois grandes chefes,
um na lei antiga e o outro na lei nova , a lei
do evangelho.

Firmados, portanto, em tão valiosos tes ­


temunhos, podemos sustentar, mais u1na vez,
que a antiguidade não tinha dúvi•da quanto à
autoridade de S. Pedro sôbre tôda a Igreja .
Com que autori dade vem agora Pastor
Prote stant e dizer que "o papado é a supre­
ma mist ifica ção do crist ianismo, legado aos
temp os mod ernos pela superstiç ão da Idade
Afédia ' ?

45

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O s D oze Tronos
�epois da argumentaç ão que produzi­
mos a �erc a do primado de S. Pedro, parece
.
que a u n1ca atit � �e dos nossos 'irmãos sepaia·
dosdev i. a ser o silencio, como prelúdio a urn a
conversão definitiva. Mas , o que os vemos fa­
zer é s a l tar e m noutro galho dia Escritura atrás
de alguma passagem um pouco obscur� . para
com ela investirem de novo contra a rocha do
Papado.
Comecemos pela obj e ç ão dos Doze Tronos
aduzid a contra a Igrej a .
Falando aos apóstolos, diz Nosso Senhor :
' ' Em v erdade vos digo que, depois da regene-
ração, vós que me acompanhastes ficareis as­
sentados sôbre doze tronos, julgando as d.ozr.:
tribos de Israel, quando o Filho do Ho mem se
houver assentado na sede de sua maj estede".
( Mat. XIX, 28) .
Querendo tirar daí argumento contra o
primado a postólico, assim rac i ocina Pastor
Protestante : "Ora, não há na promessa u n1
trono mais elevado para Pedro". (Pág. 236."t .
Por que será? Por uma raz ão muito sir;i­
ples, meu c aro senhor : no céu não há nem
pode haver exerc ício de j urisdiç ão papal. Nes­
s a passagem do Evangelho, C ';' i� t.o prome t e
.
um prémio especial aos doze pr1v1leg1arlos que

46

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�} l<�· es colh12u aq ui na terra . Ora, o
pr êm i o a
n s
o res er va do na be m- av entu ran ça é maior o u
"
m eno.r, de aco:d � com a graça recebi da. Lá ,
u m sim ples cr1 sta o podera, fic ar mais alto do
que bispo s e até pap as que a êle tiverem fica­
do infe riore s na prát ica da virtu de. E' ver­
dade que os após tolos , em vista de sua gran­
diosa tB.ref a na preg ação da Boa Nova, rece­
beram de Deus graça s mais abundantes .
Assim distin guido s com t e s o u r o s so ­
brenaturais, grande será no céu o galardão de
cada um , por terem sido fiéis ao cham ado d o
Divino Mestre. Eis o que significa esta pas­
sagem evangélica.
Mas, que tem ela a ver com a suprema­
cia de Simão-Pedro na Igrej a aqui da terra?
A nossa discussão se ocupa da Igrej a visível
e militante, onde o apóstolo Pedro faz as vê­
zes de Jesus Cristo depois de sua subi•d a ao
céu ; e Pastor Protestante nos vem falar do
que há-de acontecer no dia de j uízo, depois da
ressur1·eição dos mortos ! Discute-se aqui sô ..
bre a Igrej a na terra, onde precisamos de
uma autorida1de suprema que nos fale em no­
me do Salvador, e êle se põe a argumentar com
o que l1á-de ser no céu daqui a séculos. O as ­
sunto da discussão é o tempo e o nosso homem
nos conduz para a eternidade !
Decididamente, quem procede assim erra·
o alvo de sua pontaria.

47
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M is s ão à Sa m aria
mi ssã o fei ta pe los ap óst olo s à Samaria
A
,
e o u tro pas so •da Esc ritu ra do qual se preva­
lece Pas tor Pro testant e par a arranj ar um ar­
gum ento cont ra o prim ad o de Pedro e, portan ­
to, contr a o ponti ficado romano .
Eis o texto escriturístico, tirado do oita­
vo capítulo dos Atos : "Quan1d'o os apóstolos
q11e se achavam em Jerusalém souberam que
a Samaria havia recebido a palavra de Deus,
enviaram (Pastor Protestante traduz por man­
tlaram ) até lá Pedro e João". ( vers. 14) .
A vista dessas ·palavras , conclui que os
apóstolos não viam em S. Ped"ro qualquer su­
perioridade diante dêles, j á que "os subalter­
n os não mandam a seu superior" (P·á g. 238)
Estamos nisto de pleno acôrdo, caro se-
nhor, porque é absolutamente certo que os
súditos n ão dão nem podem dar ordem a seu
c h e fe . Mas a verda•de é que o texto acima não
per1nite que, honestamen te, troquemos enviar
por mandar, no sentido de dar ordem. Basta
cons ultar o original grego e a sua re s p ectiv a
tradução na Vulgata : mittere e não jubere.
E n t r e ordenar e enviar existe grande diferan-
ça lógica. Ondenar é manda r como senhor ou
chefe; ao passo que enviar significa apenas
co nseg u i r, por meio de sugestões, que outra
p essoa vá. Assim , pois , podemos enviar man­
dando, aconselhando, supli can•do .

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Fi ca be m c l a r o qu e , pe
go dê s� e ve rb o, nã o c ab e a
lo si ��es e 1!1 p e-

...
ni n g o d1r e1to
l:e conc luir que t
_

. .
.
ex 1s am re la ço es de pura
igu �lda de ou de su perioridade entre o q
env i a e �qu e é en viado. Qu er provas dis �;
Ab ra o livr o de Jos ué no cap ítul .
. o 22 , e ve 1 a
� . '
os 1sr e1 i. tas en vian da Fin éias e os prín cipe
s
das tribos a Jala ad (vers . 13- 14) Abra o capí ­

tulo 1 5 dos Atos e vej a os fiéis de Antiori uia


·
enviando Paulo e Barnabé aos apóstolos de
J e ru sal é m . E ninguém ignora que, sendo bis­
pos êstes dois enviados, não rec ebiam ordens
.,
c..1 e seus f ie1s .
.

Só e nx e r g a nesta passagem argumento con-


t ra o primado apostólico quem tem a cabeça
cheia d e prev•enções e a tôda bobagem se ape­
ga. E' comum dizermos : os irmãos enviaram o
m ais velho p ara falar com o pai; o exércio en-
viou o general a se estender com o soberano.

Não há, pois , razão para a dúv ida aqui


an­
aleg ada pel os nos sos con trad itar es protest
grega ,
tes . Ali ás, no texto orig ina l, em líng ua
m a se diz.
ach a-se a con firm açã o do que aci
o. Por exem­
Ba sta recorr er a um bom dic ionári
Testamento,
plo o Di cio nário Gr ego •do Novo
B
de roo ke F. W esc oo tt. qu e, devid
amente trad ';l ­
zid o, diz ist o : enviar, enviar
ao longe . VeJ a
bem : enviar e nã o ord en ar .

49
(Me nsag em aos protestantes 4)

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S. Paulo, Ca1n p e ão Antip ap al
Outro argumento de que s e val em os p ro -

testantes para negar a suprema autorida­


de d 3 S . Pedro, apóia-se no capítulo onze d1a
segunda Epístola de S. Paulo aos Corí11tios.
Eis o texto com que êles nos acenam : "Cuido
que em nada tenl10 sido infe rior aos gr an de s
após tolos ". (vers . 5 )

Lou copor uma o por t u n i d ade en1 qu e pa­


reça triunfante, o nosso irm ã.o separado ex­
clama logo : "entra pelos olhos que esta asser­
ç ã o absoluta de Paulo é inc om p a tív el com a
teoria romana" ( Pág. 240 ) . A v er d ad e , entre ­
tanto, é qu e nada existe mais simples e claro
do q u e a interpretação de tal passagen1, id e
acôrdo com a o p inião adotada pela Igrej a Ca­
tólica.

Falaremos com a de s ej ad a clarez a. Depoi s


da prin1eira missão de S. Paulo a C o ri nto al­ ,

guns falsos apóstolos fizeram tudo o que po­


diam fazer para desacreditá-lo aos olhos da­
qu!ele p·ovo vc-cém-convertido. Para realizarem
seu pervers o intuito, começa ram pon1d o-lh e
em dúvi da a autorida de e o títul o de apósto ­
lo que êle mesmo usava. Com que dir eito ,
Paulo se aprese ntava como ap ó s t o lo, se êle
não tinha seque r conhe cido o divino Mes tr e
neste mundo ? Com que direito êle , um con ­
vert�1d·o da últim a hora , s e equip a rava ao Doze

50

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pr ivi leg! ad o� qu e C ri sto havi a es co lh id o
a de do
e co m ele �1n ha m tr ab alh ad o ie so fri do ? Nã
. o
viam po r a1 qu e Pa ulo era um int ru so?

Enxe �ga ndo na qu ela ca mp an ha um


. . ern o para ma pe -
rig oso ardil do inf tar o entusias­
mo daq uel a gen te pel o cri stia nis mo que êle
n1e sm o lhe hav ia ens inado, S. Pau lo sai a cam ­
po e p r o va que é legí til110 o seu nome de após-
tolo . E ' que êle tinha dire tamente escolhido
por Cris to, da mesm a form a que os Doze . Co­
mo os Do z e êle havi a receb ido de Cristo a sa­
,

grada apost óli c a .

Eis o que São Paulo aí quer dizer . Nem


de leve faz alusão à existência de um chefe
visível na Igrej a, como imediato representan­
te do Salvador na d ireç ão da cristandade .
P retender encontrar nessa passagem qualquer
argumento contra o p r imado só prova uma
cousa : ig no r ânc ia ou preconceito religioso.
No seu empenho de lançar o descrédito
sôbre B. autoridade pa pal agarram-se logo os
,

protestantes a outra passagem de S. Paulo, des­


ta vez tirada de sua epístola aos Gálatas, no
c apítulo segundo.
E i-la : "Quato rze anos depois, subi outra
v ez a Je ru salém com B arnabé, levando t am­
bém a Tit o. M as subi em conseqüência de
um a rev ela ção ; e exp liq uei
aos fié is o Evan­
par . l r­
t1cu
gelho que pre go ent re os gen tios , e �
mente àq u ele s qu e pareciam ser os
de maior
c on sid er aç ão , pe lo temor de nã o
cor�e r � u d e
to , pore m , aque-
have r co rri do em vã o. Qu an
51
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les q ue p � rec iam ser os mais co ns
_ ha 3 iderad o s
.< qu ais am sid o no utro tem po , pouco m
e
i n1p ort a ; J? eu s nã o faz ace pç ão de pes
, uel soas)
aq es , dig o, que pa rec iam ser alguma cou
-
sa , e ��� s nad a me com uni caram . Antes ,
- . pelo
con t1 a1 10, ten do visto que me havia sido co -
n1u nic � do o Eva nge lho da inci rcu ncisão, co­
m o ( fora dad o) a Ped ro o da circ uncisão
( porq ue o que (Deu s) obro u em Pedro par�
o apos tolad o d a circu ncisão ' rtambé m obrou
. '
em mim para os genti os) ; e, tendo conheci -
do em mim a graça que me foi _ 1dada, Ti ago,
e C2fas , e João qu e parecia m ser as c olu na s
( da Igrej a ) , nos deram as mãos, a mim e a
Barnabé, em sinal de companhi a, para que
nós pregássemos aos gentios. "Ora, tendo - Cefas
vindo depois a Antioquia, resisti-lhe pública­
mente, porque era repreensível". (vers. 1 1 ) .
Aí está todo o trecho de S. Paulo onde
n1uitos p rotestantes querem enxergar desa­
preço tlo grande apóstolo para com a autorida­
d e de S . Pedro. Façamos de todo êle um exame
escrupu loso. Para Pastor Protestante , o em­
p rêg o de verbo pareciam, a coorde nação igua-
litá ria de Pedro e Paulo , a repre ensão que ês­
te fêz àquêle, em Antioqui a, são três golpes
mor tai5 vibrados cont ra a p rimazi a de Pedro.
Para bem entendermos essa linguagem
de s . Pau lo aos Gálatas, é prec iso expli c a r ,
antes de tu1do , os fatos que o levaram a es- , .

crev er tdessa vez aos habitantes da Galac1a .


Porque , tanto nesta últim a regi ão como em
Corin to, por onde S. Paulo j á anda ra ev�n�e­
lizand o , tinha m apar ecido , na sua ausenc1a,
52

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i n i m i go s
ranc orosos que lançavam 1não d e
to d o s os meios para desac rcd i lá-lo pcran te
aquel as popul aç ões.

E om o t i vo principal de tão pe rversa p ro ­


paganda era que os j udeus recém-batizados
não podiam abso l u tamente compreender que
a lei de Moisés em que êles tinham sido ed u ­
c ado s o da qual tinh am uma idé i a elevadíssi­
ma , fôsse substituída pel o cristianismo. Pa ­
ra êles o cristianismo ensinado por Paulo, em
lugar de completar, o que fazia era destrui r
a Lei mo sai c a Por isto moviam oposição obs­
.

ti na d a ao apostolad'o de Paulo que lhes pare ­


cia um perigoso r e voluc ioná r io .

Na Galiléia, a atitude dos inimigos do


Apóstolo primava pela astúcia. Sem se oporem
abertamente às decisões do Concílio de Jeru­
salém, que havia decidido estarem sem vigor
determjnados ritos e prescrições da lei mosai-
ca, afirmavam jeitosamente que aquela deci­
são do concílio 1era de caráter provisóri o, para
evitar choque com as idéias de Paulo. E insis ­
tiam dizendo que o verdadeiro Evangelho era
o que saía da bôca de Pedro, Tiago e João,
que eram as colunas da Igreja, que estes é
que desde o princípio haviam convivido com
o Salvador e guardado com exatidão seus en­
sinamentos . Etc, etc.
Assim argumentando, não negavam que
a fé em Cristo bastava para a eterna salva ­
ção ; mas repetiam que as observâncias d � �i­
to mosaico davam aos cristãos uma perfe1çao
religiosa que os pagãos batizados nunca po-
53

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deriam conseguir, se não as pusessem em prá­
tica. Desconfiassem, portanto, da pregação
de Paulo, que era um perigoso inovador. tle
que t ã o recentemente perseguira os cristãos.
não podia agora merecer tão grande confian­
ça ; e o seu Evangelho só podia ser incomple­
to e defeituoso... Quem quisesse ser perfeito,
diziam os tais, escutasse antes o que diziam
as colunas da Igrejas, recebessem a circuncis­
são e observassem o ritual àa l ei de Moisés.

Tão ardilosas afi rmaç ões estavam produ


zindo efeito em muitos corações. As novas
c ristandades convertidas por Paulo sentiam­
se num mar de dúvidas e corriam grande pe­
r i g o de cisma. Estava, pois, o grande após­
tolo no imperioso dever de intervir para evi­
tar êste perigo, defendendo sua dout rina .

Feita esta longa exposição, mostraremos


a que ficam reduzidos os argumentos de Pas ­
tor Protestante, quando procura concluir daí
que S. Paulo desdenhou a autoridade de S. Pe­
dro, como chefe supremo da Igrej a.

54

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Parece, mais não e
,

Focalizemos logo o verbo pareciam que


à primeira vista, parece uma bomba atômica :
capaz de botar por terra .a estátua de S . Pedro
e , na :ealidade , é apenas um sofisma embar-
cado i10 e qu ív oco de uma palavra. E' que
Pastor Protestante toma aí o verbo parecer no
sentido de ter a aparência de uma cousa sem,
i1a realidade, ser essa mesma cousa. Veio daí
a ardilosa conclusão tirada por êle : qu e
Pe1dro , Tiago e João eram exteriormente con­
sider[:clos c olunas da Igrej a, mas de verdade
-

nao o eram .

Ora, qualquer exegeta medíocre sabe que


o v e rb o videri, parecer, vez por outra se apre­
se11ta com o sentido de ser considerado o que
verdadeiramente é. Eis o que quis dizer São
Paulo : "Dizeis que meu evangelho e minha
doutrina. não são dignos de fé. Pois ficai sa­
bendo que em Jerusalém eu os expus à apre­
ciação daqueles que para vós são os depositá­
rios d o verdadeiro cristianismo, ti•dos e havi­
dos como colunas da Igreja. Condenaram­
me por isto? repreenderam-me? Não. Aque­
las autoridad es não acharam em mim o que
condena r e, dessa farma, aprovaram todos os
meus ensina mento s. Além disto, Pedro , Tiago
e João, aos quais cabia o direito de examinar
minh a dout rina, recon hecer am o apostolado
que De us me tinh a conf iado e, em sina l de
-
"
amizade, me apertaram a mao .
55

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Se Pastor Prot1estant:: quiser ler outra s
passagens do Novo Tes tamento nas qu ais pa-
:
rl ce sr:>; apresenta no sentido de ter as apa­
�.
rcnc1 s de uma cousa ou pessoa que é realmen­
t�, leia o e,van gel h o d.é S . Mar cos , capítulo dé­
ci m o , vcrs1culo 42 ; ou o evange'lho de s. Lu-
c � , _ c a p ít u l o vinte e dois, versículo 24, para
nao 1rn1os m a � s longe.
Pastor P rotes t an te , como j á vimos , da . . .
,
epistola de S . Piaulo aos gálatas ( cap. se g u n do)
quer concluir que o apóstolo das gentes fala de
Pedro como de um simples colega, e não de um
chefe.
Aqui, como em outros casos da vida, va i
grande distância entre o ser e o parecer. Pa­
rece, r e al m e n t e- , 1exprimir isto m:e smo, mas
·

um exame desapaixonado dos documentos re­


vela o contrário. Nessa passagem da epísto­
la aos gálatas, o objetivo do Apóstolo não é
nem a chefia de Pedro sôbre a Igrej a nascen­
te, nem tão pouco uma divisão sistemática e
exclusivista do campo destinado à evangeli-
-
zaçao.
Por que, meu caro pastor? Porque S.
Paulo, ao escrever a citada epístola, já sabia
ter sido Pedro quem batizara os primeiros
gentios, abrindo para êles as portas da San­
ta Igrej a. Alguns anos para trás, êle, S. Pau ­
lo, ouvira dos lábios de S. Pedro a seguinte de­
claração : "Sabeis que, desde os primeiros dias ,
Deus ordenou que, por minha bôca, ouvissem
os gentios a palavra do Evangelho". (Sôbre
isto leia "Atos", cap. XV, vers. 7)

56

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Po r ou tro lado, é abs olu tamente inexato
qu e �aula ho uv esse lim itado su a pr egaç ão aos
gen t io s E � pr ov a dis to é qu
.
e, em tôdas as
s uas e x c u rso es ap ost óli c as , su a primeira tar efa
er � pr eg ar a Bo a Nova aos israel itas. Só de­
po is de rep eli do po r ês tes é que se vol tava pa ­
ra os pag aos , qua se sempre mais bem dis pos­
tos e gen erosos . Para se convencer dis to quei­
ra ler os capí tu los 13 , 14 17 ' 18 19 2 0 21 dos
' ' ' '
" A t os " .

Cons iderando , histo ricamente, os do ze


anos por êle vividos até então a serviço do
E vang,elho , Baulo faz ver aí como Deu s ti­
nha abençoado sua pregação aos gentio s por
meio de numerosos milagres e conversõ e s , da
mes ma forma que era abençoado o ministé­
ri o de Pedro entre os israelitas. Note bem is -

to : por que aí S. Paulo compara sua car reira


apostólica com a de S. Pedro ? Não é for a de
qualquer dúvida que também os outros após­
t olos haviam pregado o Evangelho aos israeli­
tas? Por que destacar aqui somente a Pedro
quando se diri ge aos gálatas que só êle, Pau­
lo, hav ia. evangelizado e convertido?
A mai s plausível explicação é que , pelo
fato de ser Pedro o chefe supremo da Igreja ,
ao me no s de nome todos
�s c;istãos deviam
c onh ec ê -lo e segu ir-lhe
a direçao .

Ago r a fal ar emo s do disc ut


i do epi sódio de
An tioqu i a .
co nfor m e sa be m os at

rav s do Novo Te s­

tam en to , ac ha va m - se
� �
os . apos ol s Pedro e
ul o na qu el a ci da de , CU J OS cr 1s taos, na su a
Pa
57

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n1a iori� , t i n h am vindo 1do j adaísmo. Procuran­
do acon1 odar-se às exigências do meio, viviam
ali e�dois cit ados apóstolos com os novos
.
c ris taos sem se preocuparem com leis mosai-
cas, j á então suprimida s pelo Evangelho .
A êsse tempo, chegam de Jerusalém al­
g u n s cristãos co11vertidos d o j udaísmo, a r de n
­

tes de zêlo pela lei mosaica. Temendo cair


no •d esa g r a do dêles e assim afastá-los do cris­
tianis1no, pouco a pouco Pedro foi se afastan­
do das refeições a que compareciam os cris­
tãos daquela terra. Além disto, embora sa­
bendo que os ritos mosaicos de nada adian-
tavam à vida cristã , condescendia com a fra-
queza dos j udeus-cristãos e diante dêles cum­
pria as referidas prescrições rituais. Era assim,
aliás, que procediam os outros apóstolos, so­
bretudo S. Tiago, bispo de Jerusalém.

Por i guais razões, S. Paulo tinha circunci­


dado a seu caro discíoulo Timóteo; e, numa
...

de suas viagens a Jerusalém, entrou no tem-


plo, purificou- se de acôrdo com as prescrições
de Moi sé s e ofereceu as oblaç õ es legais.
Por aí se vê q u e o retraimento de Pedro
significava sómente u m a c on d escendênci a
paterr1al , um ato de caridade para com seus
com p a tri otas recém-convertidos ao c risti anis ­

mo. Mas naquela cidade as circuns tâncias eram


diferentes das de Jerusalém; e Paulo, que pre­
gava o Evangelho quase sempre aos gentios,
previu a campanha de difamação que seus
in im igo s breve iriam mover contra êle, apoia­
dos r.o exemplo do chefe dos apóst olos .

53

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Com efei to, muitos ju1deus e até Barnabé ,
fiel com panl1eiro de Paul o, j á estavam vol-
tando às práticas rituais do judaísmo; tam­
bém êles j á tillham deixado de comer com os
ge11tios convertidos.
Em tão sombrias circunstâncias, perce­
b e u Paulo que o caminho a seguir 'era mos­
t rar , pública'I11e n te, que a atitude de Pedro,
j ustificável c1n J·2Tusalém, não iera b1em con­
f orm1e ao espírito do Evangelho, desd·e que
o Divino Mestre nos havia libertado das peias
inortificantes do mosaísmo .
Um dia, portanto, num dos ágapes dos
cristão� ao qual Pedro comparecera, Paulo o
adverte publicamente, como se vê de sua epís­
tola aos g�álatas (cap. II, v. 13) : "Se tu, sen­
do judeu, vives como os gentios (batizados)
e não como judeu, por que obrigas (com teu
exemplo) os outros a judaizarem?'

Agora pergunto a Pastor Protestante :


Haverá, nessa admoestação pública, qualquer
contestação do primado apostólico? De mo-
de algum. Aí Paulo não desobedece a nenhu-
1na ordem dada por Pedro, não se insurge
contra sua doutrina, não nega sua autorida..
dade. Não lhe falou aí como um superior,
cheio de autoridade, porém à maneira de fi­
lho mais velho, fazendo-lhe ver a necessidade
de viver de acôrdo com o que êle próprio, Pe­
dro, ensinava noutros lugares.
59

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Eis a única significação dessa passagem
da epístola aos gálatas. Ouça lá como o ge­
nial Sto. Agostinho commta êste episódio,
transformando-o em novo argumento a favor
da suprema autoridade rle Pedro : "Com san-
ta e pie.dosa hu mil d ad e , Pedro aceita a obser­
vação a êle feita por Paulo (que assim agiu)
inspirado na liberdade do amor. Deixou as­
s i m aos seu sucessores um raro ex e mplo de con­
sentirem em ser corrigidos pelos súditos, quan­
do se de s v iassem do reto caminho . . . "

60

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S. Pedro e os Papas
Como cha ve de our o desta série de argu ...
n1entos, examinaremos o t estemu nho do pró-­
prio S . Pedro·.
A sua atitude humilde em face das obser­
va ções de S. Pau lo, afirma Pastor Protestante,
bem no s mostra qu e " êle (Pedr o ) inteiramen ­
te ign�_,rava possuir a posição e os títulos pom­
posos que, em nome dêle , os Papas assumem.
Nas suas epistolas, - a crer em nosso arden ...
te con tra ditor, - nada existe "que se pareça
com um decreto do Vaticano". Em palpável
contraste com o autoritarismo vanglorioso das
bulas papais, escreve S. Pedro : "Simão Pedro,
servo e apóstolo de Jesus Cristo, esta é a ro-
gativa que faço aos presbíteros, eu, presbí ­
tero como êles". (Páginas 242-243) .
Parece-lhe então, meu amigo, que esta
l1 um i ld e lin gua gem de S. Pedro afaste a hi­
pótese de ser êle o chefe visível e universal
da Igrej a ? Pois, a mim não acontec e a mes­
ma cousa . Para lho demo nstra r, lemb ro que
S. Pedr o não escre via para protestan tes, pre­
o cup ados em neg ar-lhe a autoridade, porém
a cris tãos que de boa fé haviam abraçado �
Eva ngelho, cris tão s que em Pedro reconheci­
am o con tin uador de Jesus Cri sto e nem por
sonho pen sav am em pô-lo em dúvida.
61

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- Mas , que contraste entre os apósto­
los e as bulas papais ! - dirá Pastor Protes­
tante.
Está-se vendo que o sr. nunca leu uma
?ula p �� al. Como S. Pedro, o Papa ainda ho­
J e se d1r1ge aos bispos, saudando-os com 0 do­
ce nome de i rm ãos ; e assim é que se ass ina :
servo dos servos de Deus. Estas expressões na­
d a encerram de autoritarismo vanglorioso.
- Mas o s Papas - atalhará o Pastor -
dão ordens terminantes, ameaçam cas ti gos ,

lançam excomunh'Ões.
Pois não é assim que procedem as auto­
ridades cônscias de seu dever? Foi assim
mesmo que, na hora p·recisa, procedeu o hu­
milde S. Pedro. Quando o Sinédrio pretendia
algemar a Igrej a nascente, impondo silêncio
ao s seus apóstolos, eis como, em nome de to­
d os, S. Pedro rebate as pretensões do poder
civil : "Não podemos ! Antes de obedecer aos
homenr., é n ecessário (obedecer) a Deus."
(Le ia "Atos", IV 20 ; V, 29.
,

Vej a com que severid'ade S. Pedro j ulga


e repreende a Ananias e Safira ; vej a como o
Espírito Santo , confirmando a sentença da­
da por êle, fulmina de morte os dois culpados.
(V, 1- 11) . Vej a tamb ém o desassombro com
que ê le rej eita as sacrílegas propostas de Si­
mão Mago e lhe exprobra a miserável oferta.
(VIII 1 8-24) . Pois os Papas, no decurs o dos
sé c ulo s não fizeram outra cousa : fustiga ram
'

62

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os ví cios , condenaram os malfeitores , defend e ­
ram a liberoade da I grej a contra os caprichos
dos poderosos do mundo.

Seguindo o exemplo de S. Pedro, os Pa­


pas, sem deixarem de ser humildes , têm de­
fendido a causa do Evangelho contra o êrro,
contra o v ício, contra a fôrça.

Para se convencer disto, basta abrir a


história com sincero desej o de tirar dela as
�ições q ue dela se desp1rendem.

63

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A superioridade de S. Ped ro
na Voz dos Evangelhos
C ontràriamente ao parecer d e Pastor Pro­
testante , mostraremos agora como os Evan­
gelhos nos revelam a verdadeira superioridade
de S . Pedro sôbre os outros apóstolos.
Como viran1 os nossos benévolos leitores ,
passa1nos em revista, uma por uma, tôdas as
metralhadoras do protestantismo , quando con­
testa o primado de S . Pedro ; e não nos fvi di­
fícil desmantelar a sua m·á quina de guerra.
Muito mais indestrutível do que êles supõem ,
é a rocha em que repousa êste edifício vinte
vêzes secular .
Ernbora j á tenhamos salientado os passos
dos Evangelhos em que se acha irrefutàvel­
mente estabelecida a supremacia de São Pe­
dro sôbre tôda a sociedade cristã, parece de
gran de importância recapitular agora os prin­
cipais.
Sobej amente demonstramos que Pedro
é, de fa to , a pedra fundamental sôbre que o
Divino Mestre edificou a sua Igrej a. E' ou
não é verdade que os outros apóstolos perten­
cem a esta mesma Igrej a ? Se a ela perten­
cem, devem apoiar-se em Pedro, como num
alicerce indispensável à sua missão evangeliza­
dora.

64

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Vimos também que a Simão-Pedro cabe
o pcder divino de atar e desatar na terra com
sol e11e garantia de serem suas sentenças con­
fir1nadas i10 céu. Daqui se conclui ique, no
exercício d e sua j urisdição, os apóstolos são
obrigados , em consciência, a submeter se à ....

a u tori d a de de Pedro, da mesma forma que os


outros fiéis cristãos.

Quem, senão Pedro , foi proclamado por


J. Cristo pastor universal das ovelhas e cordei­
ros� d12 todo o .s 2u trabalho , isto é, da sua Igr·e­
j a ? Logo, se os outros apóstolos querem fi­
c ar pertencendo a essa Igrej a, se querem ficar
sendo verdadeiras ovelhas do Pastor Divino,
tên1 que suj eitar-se ao caj aido de Pedro.

Haverá mais clara i nve stidura de um po­


der universal ?
Dizem e repetem os protestantes que se
regem, escrupulosamente, pela Bíblia. Tra ...

z c m , co1n efeito, 'ª bôca cheia de Bíblia. Pois


bem, nós os desafiamos a citarem uma só pas­
sagem da Escritura em que se vej a claramen­
t2· que o Divino Mestre haj a c on ce d i d o qual­
quer autoridade aos outros apóstolos sem ser
ao lado de Pedro e na dependência do mes­
mo. Mostrem-nos, por favor, um lagar dos
Evangelhos onde os outros apóstolos sejam
chamados pech·as da Igreja. Mostrem-nos on­
de foi que qualquer dêles recebeu o ofício de
apascentar suas ovelhas e seus rebanhos. Por
que a Pedro e s ó a Pedro o Salva'Ci'or dirigiu
palavras de tão grande significação?
( �Ien.sagem aos protestan tes 5) 65

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Sim, meu amigo. Se se tratava de e stabe­
lecer uma autoridade igual para todos êles,
por que o Filho de Deus não se conten tou con1
as palavras ditas a todos os apóstolo s? �or
que tantas vêzes se dirigiu somente a Ped r o ?
Escute lá destas palavras : "Tu és bem-aventu­
rado, Simão Bar Jonas ; tu és Pedra e sôbre
essa pedra edificarei a minha Igrej a : Sim ão,
eu rogu ei por ti para que a tua fé não esmo­
reça ; confirma os teus irmãos ; apasceu.ta os
meus cordeiros, apascenta as minhas ovclh�s".
(Mat. XVI, 17 18; Lucas. XXII, 31-32; João
XXI, 1 5-17 ) .
Que lhe parece de tudo isto? A luz de
tão sérios argumentos, deixe que lhe pergun­
temos : Qual dos dois é o que violenta o texto
sagrado? Qual das duas interpretações é a
mais fiel ao Evangelho : a católica ou a pro··
testante ? Meta a mão na consciência e fal e.

66

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O pr i mado exercido na
antiguidade
Não querendo dar-se por venci1d o, Pastor
Protestante volta à fala, dizendo que a me­
lhor prova de que Pedro não recebeu especial
autorj zação para dirigir a Igrej a é que nunca
f êz uso dessa investidura.

A crermos em suas palavras, os "Atos",


livro em que S . Lucas nos deixou os fatos
mais salientes da atividade dos apóstolos , na­
da nos dirão acêrca do exercício do primado de
S. Pedro. Mas, como tudo isso anda longe da
verdade !

Admitindo-se , por hipótese, que Pedro j a­


mais houvesse pôsto em prática os direitos do
seu pr] maciado, poderíamos concluir daí que
êsse direito não lhe pertencesse? Não e não.
Onde j á se viu que uma lei deixasse de existir
só porque alguém deixou de se utilizar das
vantagens que ela lhe oferecia?

Ora, as palavras de Cristo valem por uma


lei, dando a Simão-Pedro o direito de gover­
n ar a Igrej a, fazendo-lhe as vêzes aqui na ter­
ra; se Pedro não tivesse exercido êsse direito,
poderíamos assim explicar o fato : que não ti­
vesse havido precisão de exercitá-lo.
67

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R epe tim os o qu e ac im a de ix
- amos dito ·
o na o-u so d e um di re ito
_ co nc ed ido po r Deu �
na o serve de prov a de su a nã o-e
xis tên cia .
Ma s será me sm o exato qu e os outro
_o s aoós­
to lo s i1a de ra m sin ais de rec on he c er e ..;sa pr i­
maz1. � ? � erá ainda exato que a história da
Igr eJ a nao con ten ha cer tos vestíg ios
de ha­
v e r ela s i d o pos ta em
açã o? Pa.:; t � .H· Protes-
tan te a.� ha isto tão indubitável que escreveu
o segu i nte : "a ausência do sol ao mei o dia
não é mais notável do que a ausência da su­
prem acia oficial de S. Pedro nas págin as do
Nov o Testame nto" . ( Pág. 243 ) .
Vamos aos fatos. Não terão os apóstolo s
dado mostras de reconhecer a primazia de S .
Pedro? Por que então todos os evangelistas,
sem exceção de um só, tôdas as vêzes que fa­
lam nos Doze ou os mencionam pelos respec-
tivos nomes , dão a Pedro o lugar de honra e
pri m az i a ? Não lhe parece que tal prioridade
sej a al tamente significativa, especialmente
d epois das antigas contendas para saberem
qual dêles era o maior? . Outrora queriam sa-
,.. . , ,

ber qual deles era o pr1me1ro : agora e o pro-


prio s Mate u s quem nos afirma no seu Evan­
gelho : "Prime iro, Simão que se chama Pe­
dro. " (X, 2 ) .
Recor demos os prim ei ros capítulos do s
"Atos" ' :ond'e s. Lucas: rela t a os mai s n otáve i s �

sucessos da Igrej a primitiva. Que é que ne-


les se lê? Lá aprendemos que foi S. Pedro o
prim eiro a anunciar o Evangelho ao � j ude us ,
de poi s da mor te da Salv ador ; por sinal ql! e
com seus prim eiros sermões converteu tre s
mil pessoas ( II, 4 1 ) . Q ue foi S . Pedro que1n
68

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admitiu na Igrej a os primeiros gentios (X g
e seg � intes � . Que foi Pedro quem opero 0 �
_
pr1m �1ro milagre en1 confirmação da fé em
J. Cristo ( III, 1 e seguintes ) .

Dizem-nos os "Atos " que, da mesma for­


ma que o povo fazia com o Salv&lor, fazia
com Pedro , no sentido de levarem até êle
grande número de enfermos para que os cu­
rasse ( V, 1 5 ) .
Acha p o u co tudo isto ? Pois ouça mais.
Leia os "Atos" (I, 1 5 e seguintes) e lá verá
que foi S . P ed ro o ap ós t ol o que promoveu P
presidiu a eleiç ão de um novo apóstolo para
substituir a Judas. Pelos " Ato s " (II, 14; IV,
8) verá também que foi S . Pedro o prin1ei rt)
a tomar a defes a de seus colegas contra o Siné­
drio, que queria impedí-los •ele pre ga r I,eia
.

nos "Atos" (VIII, 20) Pedro conden an do com <;

pasmosa autoridade, o primeiro herege simo-


,

n1aco.
Se Pedro é preso por ordem de Herodes,
tôda a Igrej a se põ e em oração até vê-lo mila­
grosamente salvo. ( Atos, XII, 3 . ) Parece pou ­
co tudo isto ? Pois escute : quando, em Je­
rusalém, se reú ne o primeiro concílio para d e-
cidir ac ê rca de uma questão importantíssima,
é Pedro o pri meiro que toma a palavra e põ e
termo à controvésia. (Atos, XV, 7 e seguin-
tes ) .
Semp re Ped ro é vi sto com o chefe supre­
n10 na def esa da fé e dos bon s cos tumes, na
pro pagaç ão da Igr ej a, na pro mu lga çã� d �s
l eis, no do m do s mi lag res , no papel de imedi-
ato repre sentante de J. Cristo.
69
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S. Pe dro em Roma
Depois de haver fundado as i grejas (i°e
Jerusalém e Antioqu i a, as mais célebres da
Ásia, partiu S. Pedro, para o Ocidente com
o propósito de fixa r s e em Rom a , até ·então

baluarte do paganismo e destinada a to rn ar ­

sc o centro da vida cristã.

Na c i d ade dos Césares estabeleceu êle a


sua cáte1dra episcopal . Derramando nela seu
sangue por amor do divino Mestre, inaugurou
a dinastia dos Papas, que j á conta vinte sé­
c ul os d e existência. E' exat amente isto que
preten demo s demonstrar contra os sofismas
do protes tantism o. E' fora de dúvida que o
principe dos apóstolos, tendo-se libertado da
prisão em Jesuralém, escolheu Roma para sua
re�idência episcopal. Sôbre a certeza dêste
fato, em tôda a antiguidade cristã, não pairou
seq u e r a sombra de uma contestação.
Foi s omen te no século quatorze que apa­
re c eu o p ri m e i r o a pô-lo em dúvida, aliás in­
t er es seira mente. Com o intui to de defender
Luís da Bavi era cont ra o Papa João XXI I,
Mar c ílio de P ádu a lanç ou no ar a dúvida, que
os pro tes tan tes breve convertera?? e� �ega ­

ção form al, com o que m aprove ita to?a ar­


ma par a a ti ngi r o fim que tem em m ira .

Par a que se saib a, entretanto, quanto é


fora de con test açã o a est ada de S. Pedro em
Rom a, bas tam os seguintes testemunhos, to-
dos de imen so valo r.
70

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S. Ci prian o 9u � vi ve u no século terceiro
da no ssa � ra e f01 bis po pr im az da Afric a, nu­
ma sua epi sto la a Anton iar o, diz : - ''Tendo fi­
..

cado vag a a sed e de Fab iano, isto é a sede de


Pedro, e d a dignid ade da cátedra f�i Cornélia
cria do b is po." ( E p ís tol a X ad A� tonianum) .

Orígenes, o maior luminar da Escola de


A le xan d r ia , falecido em 254, at es ta que s.
M a rco � escreveu o seu Evangelho a pedi do dos
.

" romanos que tinham ouvido a pregação de


S. Pedro." (Coment. in Genes. , tomo 3 ) .
Tertuliano, morto depoi s de 222, entre
outras a lu s õ e s à e s ta da de S. Pedro em Roma,
diz o s e g uinte : - "Oh ! I g rej a feliz à qual
deram os apóstolos, j untamente com seu
sangue, o tesouro de sua doutrina, onde Pe�
dro se assemell1ou ao Mestr e no gênero d a.
morte. Etc. " Escrevendo contra os her2ge�,
o vigoroso polemista apelav.a para o fato da
estada de S. Pedro em Roma, sem m êdo de
ser contestado.
Há, porém, entre quase uma dezena de
outros documentos comprovando a tese da
Santa Igrej a, dois, pelo menos, de uma fôrça
demonstrativa extraordinária. São os teste­
temunhos deixados por Santo Irineu e Santo
In·ácio.
San to Irineu morreu em 202 , ap ós hav ei
sido edu cad o na esco la de Pol icar po, que , por
sua vez fica distanc iado dos apóstol os apenas
po r um � ge raç ão. Po is êste ven êrando v �r o, 1:ª
ã
su a ob ra " Contr a ia s Her esias " , :re·pe t1d as ve­
zes fala na pr ese nç a de S . Pedro em Roma .
'71

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Acha-se i sto no III livro, e . I, n . I. d a c i tad a
obra. Eis . o trecho decisivo : " Encontran­
-

do-se entre os hebreus, re di gi u Mateus o Evan ..


gelho na l � ngua dêles., ·enquanto P e d ro e Pau­
lo evangelizavam em Roma e aí fundavam a
Igrej a".
Não podemos, entretanto, deixar se m es ­
pecial menção o testemunho de Eusé bi o tris­ ,

temente a dulterado por Pastor Protestante.


Assim reza o texto de Irineu : - "Fundando,
portanto , e instruindo a Igrej a, os bem-aven­
tur&los apóstolos Pedro e Paulo entre g aram
o episcopado a Lino... A êste sucedeu Anacle­
to. Depois dêste, em terceiro lugar, C lemen­
te ocupou o episcopado ( transmitido) pelos
apóstolos". (Adversus Here ses, III, 3 (MG VII)
Ve j am os agora o que diz Eusébio na sua
História eclesiástica : - " D ep o is de Ped ro, Li ­
no foi o pr imeiro a exercer o episcopa do n a
Igrej a Romana" . E' ainda Irineu quem, no
seu livr o Chronico n, em t êxto sagazmen te
omitido por Pastor Protestante, escreveu o se­
guinte : " - Como o apóstol o Pedro houvesse
fund ad o a i g rej a 'Cle Antioqui a, foi enviado pa­
ra Roma , e aí , prega ndo o Evangie lho, p·ermane-
ceu bisp o d.est a cidade por vinte e cinco anos .
D e poi s de Ped ro, Lin o foi o prin: eiro . a reg er
a Ig re j a de Roma . " ( H1s t. Ecc les1 ae, livro III,
.

c ap . 4 (MG XX , 22 ) .
Dia nte do exp ost o, como perseverar ne­
gando verd ad es tão me ridianas? Negar a
ver dad e con he cid a po r tal é pec ado
coi:itr�
o Espírito Santo , ati tude ind ign a de um d1sc1-
p ul o do Salva dor .
72

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Santo Inácio , martirizado no ano 107 , de
viagem para Roma , escreveu várias epístolas a
diferentes igrej as, confortando-as na Fé e obe­
diência aos superiores eclesiásticos. Num a
dessas cartas, dirigida aos romanos, diz tex­
tualmente : - "Tudo isto não vos ordeno co ­
mo Ped ro e Paulo : êles eram a póstolos, en-
quanto eu sou um condenado à morte. "

Pa rece claro, e m tal �inguagem, haver


nos romanos, j á então, um perfeito conheci­
mento daqueles dois arautos do Evangelho . . .

73

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S . Pedro, Bispo de Roma
Depois de demonstrado que S. Pedro pre­

�ou esmo em Roma, cabe-nos provar te!!"
s11do ele o primeiro bispo daquela cidade sem
par na Igre j a .

Não abusaremos d a paciência dos leito-­


res com infindável lista de autorizada s per­
sonagens que dão testemunho em tal sentido.
Contentar-nos-mos 1de mostrar, com documen­
tos respeitáveis, que varões como Sta. Irineu .
C aio, S . Cipriano, Optato , Santo Agostinho,
S . Jerônimo , Suplício Severo, o autor anônimo
do Carmen Adversus Marcionem abonam o
ponto de vista católico.

Ai1tes de tudo, lembramos que todos os ca­


t álogos de bispos de Roma, sem exceção algu ..

ma , �tálogos organizados com o maior es­

c rúpul o, tanto no ocidente como no Oriente,


colocam sempre o nome de S. Pedro à frente
dos chefes que teve a Igrej a.

74:

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O bj eç ões de Pa sto r
Pro tes tante
Se os norteasse um profundo amor à ver­
dade, h·á mu i to que devia ter cessado o cla­
mor d e certa c la s se d·e protestantes contra
.

os di re i tos de s . Pedro ao t í tulo de b is p o de


Roma .
Fechando os olhos a tantas raz õ es alega­
das pela Igrej a , Pastor Protestante persiste
na s11a negação i nvocando, a seu favor, um
argumento tirad o do silêncio do apóstolo S.
Paulo. Na verdade , afirmaram êles , se S. Pedro
fôsse o bispo d e Rom a no tempo 1das miss õ es
apostólicas d e S. Paulo, i nfalivelmente teria
ê ste último feito referênc i a ao mesmo, quando
escreveu a sua conhecida epí stola aos roma­
nos . . .
A primei ra v i sta, semelhante argumento
parece de g rand e alcance, po i s não s e concebe
que o bravo ev angel i z ado r dos gentios, numa
epístola em que s a ú da m a i s de vinte irmãos
na fé com morada em Roma, silenciasse o no­
m e do b i spo daquela cidade . Não lhe ficaria
bem enviar cumprimentos a tantas ovelhas,
pon1cl'o à margem o pastor.

011tra, porém, é a verdade. Basta lem­


brar por ora, que S. Paulo também escreveu
aos cristãos de Éfeso e não faz qualquer alu-
75

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são ao bispo daquela terra . Por igual envio u
epístolas aos coríntios, aos gálatas, aos tessa .
lonicenses, aos colossenses, aos hebreus . .. e em
nenhuma delas faz menção dos pastores colo­
cados à frente daquelas comunidades.
Como explicar tudo isto? Primei ramente '
, ,
e bem poss1vel que os portador es dessas men -
sagens, que eram pessoas de sua inteira con­
fiança , levassem especiais recomendações, orais
ou escritas, para os bispos das referidas para­
gens. Depois, convém ter presente que eram
maus os tempos, constantes as perseguições
religiosas, e tudo aconselhava a não pôr em
evidência o nome do bispo local num documen ­
to público. Etc.
Podemos acrescentar a tudo isto que é
sempre desaconselhável englobar o nome do
chefe de uma diocese na enumeração de sim­
ples fiéis.
Quem leu o que aí fica devia naturaln1en­
te esperar que Pastor Protestante pusesse pon­
to final nas suas contestações à estada d e S.
Pedro em Roma e à sua consequente inve.3ti�
dura episcopal naquela cidade .
Mas o que sucede é que o homem continua
no mesmo pensamento : passa de un1 galho pa­
ra outro e , sem se dar por achado, lança o se­
guinte argumento : - ''Se Pedro �lí �ivess� . ª
sede do seu episcopado, S . Paulo nao invad1r1a
anàrquicamente diocese alheia" , pois êle ti­
nha por princ ípio "não edificar sôbre funda ­
mento alheio".
76

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A11tes de tud o, meu am igo, êste sistema de
co111d uta n ã o foi semp re adot ado por s. Pa.Ú .
lo ; e a prov a é que êle preg ou o Evan gelh o nas
igrej as de Dam asco , Antio quia e Jerusalér1
- '
.
que nao havia m sido funda das por êle . Além
disto, o argum ento apresen tado contra nós,
s e provas �Je a lgum•a causa , provar ia exata-
112ente o contr á rio de seus desej os .
Leia com atenç ã o todo o c apítulo XV da
citada epístola aos romanos. Nela, efetiva-
111ente , declara São Paulo que não costumava
pregar a Boa Nova onde Cristo j á havia sido
anunciado, a fim Ide n ã o edificar em cima de
alicerce de outra pessoa. ( vers. 20) .
"Por isso mesmo, continua êle, me via
embaraçado, muitas vêzes, para ir ver-vos e
não te11ho podido fazê-lo até agora. Entretan­
to, j á não tenho motivo para me demorar, por
mais tempo, nestas terras ; e desej ando ir
ver-vo� h á muitos anos, logo que me ponha
ele viagem para a Espanha, espero ver-vos de
passagem " . (vers . 22-24) .
Conforme se vê, as palavras do apóstolo
das gentes nos levam a uma conclusão bem
diferente das que Pastor Prot�tante dese­
j ava. E qual será esta conclusão? Paulo
comunica que, tencionando ir à Espanha, ve-
rá , de passagem , os romanos , com os quais,
àe há muito , desej ava entrar em relaçõ es.
Não demorará entre ê les porqu e não gosta
de edificar em cima de alicer ce de outre m.
Quer ist o dizer impllcita ment e, que ali ou­
tro j á hav ia edl ficado antes dêle . Aliá s, � le
j á o tinha feito senti r no comê ço da sua epis--
77
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tol a : "vos sa fé é conh ec ida
em tod o
mu nd o. " ( I, 8 ) . Já havia afi rm a do
qu e " 0�
ro mano s est av am ch eio s de carida de
. ,, 'eh
. e1 0 .l
de tôda a c1e" nc 1a
�..
.

14 ) . E po uc o de po is
·

. ( X V,
� . ,
ira qu e � r �m tão submisso s a seu s sup eri
o.
I es � les 1as t1c os que " a obe diê
.
, nci a dêl cs e ra
not aria ,..
e m tôda parte." (XVI , 19 ) .
De tudo isto se conc lui que, antes de
Paulo apare cer em Roma , j á existia por lá
uma cristan dade tão floresce nte que a sua
boa fama corria em todo o muntlo cristão.
Mas quem teria fundado tamanho bloco de
discípulos do Salv,ador ,;na capital do maior
império do mundo?
- S. Pedro, respondem-nos todos os do ­
cumentos dignos �le respeito.
Pois bem, negando a viagem de Pedro
a Roma,os nossos irmãos separados saíram
atrás de u m possível fundador, lançando mão
de todos os recursos da imaginação, já que a
História não os favorecia ; e ainda hoj e es­
tão , embaraçados nessa busca eternamente
f r u s trada .
Em lugar �:le assim proced erem, o que
lhes c o mp e ti a era pensa r como todos os es­
píritos t azo áv ei s, admitind o que, sendo . R?­
ma a c apit al do I mpé rio e a cidade mai
s
corrompida da Europa , onde enxameavam
as religiões mai s extravagantes, fôsse ev an , ­

gelizada e convertida pelo príncipe dos apo -


s
tolos , o ime diato r ep res en ta nte do d1v1no
. . Mes-
t re.

C·::>mo se per ceb e, o exame da epís t


ola aos
mente
romanos o que dei xa entrever é exata
o cont rári o da tese protestante.
78

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S. Pe dro , Pa pa Im orta l
Pros seguindo em suas conh ec idas nega,..
ções , Pastor Prot esta nte sust enta qu e o papa
não pode ser o sucessor de S. Pedro , alegando
que, ainda na hipót ese de Simão -Pedro haver
sido constit uído chefe dos apóstol os, essa che­
fia j amais poderia ser herdad a p elos papas.
E por que ? Porque, diz êle , privilégi os pessoais
não passam a outras mãos por mei o de heran­
ca. . .
.,

Qu.em quer que leia tal argumentação, se


estiver desprevenido , pode até supor que ha­
j a alg uma originalidade na mesma ; mas a
verdaG e é que tudo isso não passa de servil re­
pr odu ç ão do que j á foi dito, há centenas de
anos, por Luter o e seus sequazes imediatos,
valendc , na realidade, por verdadeiro sofisma ,
várias vêzes reduzido a p ó pela boa exegese
católica.
Perguntamos agora por que o primado
de S . Pedro não podia ser transmitido aos pa­
pas, na qualidade de seus sucessores. Querem
saber como nos respondem? Porque , diz
Pasto r Protestante, "os apóstolos eram funci f' ...
nários extraordinários que não tiveram nem
podiam ter sucess ores. ( pág. 255) ) Sendo êles
te stem u nh as oculares da res sur re i ção t!e Cris­
to, dotados do dom da i n fali b il id ade pessoa l e
do dom dos milag re s , como pode riam ter su­
cessores ? " . . .

79

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Q u e pena não h av e r ocorr ido, ao ousad o
con t ra\i i tor d a Igrej a , uma distinção zinha b as­
t a n t e e v i d e n te e capaz de deitar por terra to­
do ês se aparato de argumer..it ação ! E' que ,
i1a n1 1 ssao c o nf ia d a aos apóstol os, existia um a
. - .

funçã o ordiná1ia e outra extraordinária. E'


c la r o q u e a função extraordinária desaparece u
con1 a. morte dos D oze ; porém era �aturai que
a fu11ç ã o or di n á r i a se conserva sse através das
gerações , pa ssa nd o aos seus sucessores, a fim
de que se m an t ive s se a devida ordem na Igre­
j a, mandando quem pode e o bedecendo quem
deve.
Quand o Jesus d esp ac h o u seus apóstolos
para a c on q u is t a do mundo, sem dúvida lhes
deu poderes extraordinárfos , de acôrdo com
as necessidades excepcionais de sua missão.
" Primeiros p romulgadores d a lei evangélica
numa sociedade pagã, teve de vigorar-lhes a
p o tê nc ia da palavra com a fôrça das obras
prodigiosas. Destinados a transmitir, aos seus
sucessores, o p a t r i m ônio íntegro das verdades
reveladas, convinha assegurar-lhes a autori­
d a dE com o d om da infalibilidade pessoal.

"Mas, ao lado dessas funções extraordi·


ná ri as , req u erid as pela fundação e estabeleci­
m 2n to da Igr ej a , devi1am os 1ap óstolos desem ­
penhar uma função ordinária nessa socieda­
de indefectíve l. Não só nos primeiros tem­
pos de sua existê ncia, mas pelos século s afo ..
ra, precis avam os fiéis de mestres que os dou­
trina ssem e de superio res que os gove rnassem .
Sem essas funções , não há nem pode haver
sociedade religiosa" .

80

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Ab r a m os o Evang e l h o e ou cam o s as
pa lavras d i v i n a s com qu e ess a i nves tidu ra é
co nfe �·id a ao s apó stolos : " I'Cle , diz-lhes J es u s ;
p re g a : a to do s o s pov os . . . ens ina nd o-o s a ob­
serva r tu d o o que vos man dei ; e eu estarei con ­
vosco toclo s os dias , até a cons uma cão dos sé-
.,
c ulos" ( Mat, XXVII I , 1 9-20 ) .

E ' êste , aliás , o ensinamento constante


da Igrej a. Relendo os dizeres acima, d epres ­
sa se rios torna patente que os apóstolos e dis­
cípulos de Cri sto , por semelhantes expressões ,
rec eberam 01•dem de ensinar e pregar o Evan­
gelho G'. tôdas as na ç õe s ; que o mesmo Cris-
to se comprometeu a acompanhá-los, com
sua ass i s tê n c i a ininterrupta, até o fim do
n1 undo.

A conclusão de tudo é que os apósto­


isto
los devem durar enquanto durar a humanida­
de, não como pessoas físicas, tôdas suj eitas
à lei da morte, porém como um corpo moral ,
perpetuando-se e m seus legítimos sucessores.
Para pôr em dú vrda estas verdades, só
muita falta de lóg i c a ou grande desprêzo pe­
la v e r da d e conhecida como tal.

Depois d.2" p r e c e de n t e argum1entação,


vej a Pastor Protestante a sua se?1-: ªz ã� de s�s­
.
tentar que o p ri ma do de J unsd1çao nao
é u m ofício o r d in ár i o na socredade cristã, pois
teria sido simples. . .. p rivilégio pessoal con­
ferid o sàn1e nte a S. P2'dro .
No caso de alguma dúvida , é nos �a obri­
_gaç�lo
'
consultar o Evangelho, a razao e a
m esma Histó1�ia .
81

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Q u � nt5> ao Evangelho, o que êsse nos diz
,e que S1mao-Pedro foi o fundamento sôbr e 0
q?�l Jesus edificou a sua Igrej a, socie dad e
v1s1vel que, por sua própria natureza, devia
durar até o fim dos tempos e contra a qual
nenhuma fôrça deviam ter as portas 'Clo in­
ferno .
A citada passagem ·da Bíblia assume
aqui u ma importância impress�onante. E'
que, de um lado, Jesus afirma que sua Igre ..
j a há de durar enquanto durar o mundo ; e,
de outro lado, afirma ser Pedro a pedra fun­
damental dessa mesma Igrej a. Ora, a per­
petuida,d � de um 1edifício depende , n-ecess à­
riamen te, d a solidez de seus alicerces.
Desde, portanto, que se retirasse êsse fun-
damento , que é a autoridade suprema no go­
v ê rn o do povo cristão, a Igrej a se afastaria
do plano de seu divino Fundador; e assim
fic aria destruída a organização sem a qual
não p od e subsistir sem milagre.
Se u m dia , por ab s u rdo , viesse a faltar
a autoridade de Simão Pedro na pessoa de
..

seus sucesso res , nesse momento as portas do in­


fern o t e r i am prevalecido. Por que? Porque
todo e qualquer e difíci o que fôr privado �e
seus alice rces estará fadado à desagregaçao
,
"

e a ru1na .

Para a nossa fortuna, entretanto, êsse


dia n unca há de raiar. Faz vinte séculos
a ue tô d as as p otên cias da terra arremetem
êontra essa rocha firmada pela mão de Deus;
e ainda hoje a dinastia dos papas, sucessores

82

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de Pedro, per du ra, como um ver da•d eiro mi­
lag r e, vivo e pal pitante , da História Uni ver­
sal. E ' que lá se acha o ded o div ino .

De acôrdo com o Evangelho , Pedro fi­


cou sendo o pastor máximo do rebanho de
Cristo, sem restrição de tempo ou de lugar !
Logo, se o rebanho ainda existe, também deve
existir, à sua dianteira, êsse pastor, sob pena
de as ovelhas perderem a orientação , sem pos­
suírem que1n as medique, defenda e apascen­
te.
Mas, em tudo isso, que é que nos diz a ra­
zão ? Confirma, em todos os p on t os , a palavra
da Sagrada Escritura.
Na ordem física do mundo, tudo é har­
monia , consonância, ordem e regularidade,
desde o mundo sideral até as plantas e ani­
mais .
Na vida social, quem viu j amais uma
cidade sem pre f eit o , um exército sen1 general ,
uma nação sem govêrno? Onde falta a au ­
toridad e, logo se introduz a anarquia, a desor­
dem , o desassossêgo geral .
Sendo assim, só loucos podem admitir qu e
a divina Providência tomasse menor cuidado
com a sorte da sua Igrej a do que com a Si­
nagoga, para cuj a conservação havia instituí­
do o Su mo Sacerdote, autoridade a que todos
os israelitas obedeciam na lei mosaica.

Se uma sociedade d'e poucos membros


não pode ir para diante sem uma autori d a de
visível e permanente que a dirij a , como seria
83

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possível que a divina Sabedoria abandonasse
a sua Igrej a e espôsa mística ao c ap ri cho das
paixões, s em um chefe supremo que mantives­
se a ordem , re s olve ss e s
as dúvidas e co n er v a s­
se o bom e spí i t o? r
Ora , o govêrno deve s e r p e rm an e n e à t
te.�ta id a sociedade , tanto quanto a necessida­
de social que o exige. t
D e tudo is_ o , a conclu­
são é que não passa de puro absurdo a hipó­
tese protestante de que a autoridade conferi­
d a a Simão-Pedro fôsse um simples privilégio
a
pessoal , in c p a z d e ser transmitido a seus su-
ces sores .

Por q u e ? Porque a autoridade é uma fun­


ç ão pública � só possuindo razão de ser em vis­
ta do bem social.

84

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O Legitirn o Suces sor de
S . Pedro n a vo z da História
Falaremos agora sôbre o legítimo suc es­
sor de São Pedro n a voz da hi stória.

Conforme deixamos sobej amente prova­


do, não só Jesus Cristo ins tituiu uma socie­
da de : e l ig i o sa, mas também lhe deu , n a pes­
'

soa de Simão-Pedro , uma autoridade su pre­


ma, v i s í v e l e constant e , encar r eg ad a de c o 11 s ­
s e rv ar o 'Ciivino d epó sit o da R e v el aç ã o .
Ora, tôda autoridade é , por sua pró p r i a
natureza, o memoro mais d estacado das agre­
miações sociais. Se i g n o r á s s e mo s onde é q u e
está o poder, como poderíamos prestar-lhe obe­
diênci a ? Como poderíamos recorrer a s u a s de ­
cisões nas horas de dúvida ? Como saber qu e
seus decretos merecem o nosso acatamento ?

Logo , torna-se evidente qu e na verdadeira


Igrej a, deve haver sempre uma autoridade st1 -
prema , visível e ao alcance de tôdas as inte­
ligências, de todos os corações sinceros .

Lancai u m olhar sôbre o u n iv er so habi-


_,

tado pelos cri stãos. Onde é que e nc o n tr a i s o


gr ande centro de u nídad·e rel i g ios a , a grande
fôrça m oral afirm ando serenamente a supre­
m a c i a de sua autoridad e , apoi a d a na Ieg íti­
n1 a her ança confia da a S . Pedro ? Todos os

85

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olh are s � e vol tam , espontâneamente, par a Ro­
n1a , a cid ade ete rna , cuj o bispo é, ao mesmo
ten1 po, o so bera no pontífic e da cristandati'e.

Verda � e é que, fora do grêmio católico,


.
existem mil seitas que se dizem cristãs, mas
que na realidade se arrastam pelo mar da vi­
d a c omo navios sem mastro, sem unidade de
fé , sem unidade 'Cle regime, sem unidade de
culto . Antes, porém, de serem o que estão
sendo , essas seitas eram filhas obedientes da
Igrej a Católica, eram galhos da grande ár..
vore plantada pela mão do Salvador; mas o
orgulho de alguns acabou por separá-los do
tronco comum.
D•2pois ,
ignorância de uns e 03 precon­
a
ceitos de outros cavaram mais funda a distân­
cia, até a deplorável situaçã o atual.
U1n fato digno de profunda meditação :
n enhuma dessas igrej as separadas, cismáticas
ou heréticas, teve j amais a pretensão de exten­
der o �eu domínio a todos os cristãos do mun­
do. T<xlas se contentaram com a esfera ter-
rito rial que lhes assinalaram os acordos diplo­
máticos ou as conveniências políticas. Mos­
cou e B isâncio, Sofia e Atenas tratam-se, mu­
tuamen te, como potências políticas indepen­
dentes, nem sempre amigas, mas sempre no
mesmo pé de igualdade.
O protestantismo, outra fração da cris­
tandarle que se apartou da comunhão cató�i­
c a , introduziu un1a confusão babilônica no seio
da Igrej a. Henrique VIII disse : 'Não quero pa­
pa, porque o supremo poder espiritual sou eu ;
86

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a tiara e a coroa devem cingir a mesma fron­
te . Mas haj a bispos". E houve bispos, como
os há ainda hoj e , porém suj eitos ao rei e sem
qualquer autoridade fora da Inglaterra.
Que fêz Lutero? Amputou, mais profun­
damente, o organismo da Igrej a, dizendo : "Não
necessito de bispos , e sim de sacerdotes" .
Calvino , porém , foi mais longe ainda,
proclamando : "Nem bispos nem padres : ape­
nas ministros que tomem a si o trabalho 1ja
pregação" . Logo em seguida, entre os protes­
tantes, pulularam outras seitas mais desabu­
sadas, que desceram até o fundo do abismo
revolucionário, pois cada cristã o quer ser o
seu próprio doutor e profeta.
Eis o panorama geral das tais igrej as
separadas : cada uma delas renuncia à posse
do govêrno supremo das almas, não obstante
aquêle ideal traçado por J. Cristo : que haj a
um só 1·ebanho e um só pastor.

E is-nos chegados também às pontas de


um terrível dilema : ou as portas do inferno
tivera!n fôrças contra a Igrej a confiada a Si­
m ão-Pedro, ou essa Igrej a divinamente ins­
tituída é, realmente, a Igrej a Católica, Apos­
tólica, Romana.
Ma s. . quêde a prova histórica de serem
.

os papas os sucesores leg í timos da missã o con­


fiada por Cristo ao ap ó stolo S. Pedro?
Pelo s modos, Pastor Protestante enxerga,
em tthio isto, pouco mais do que contos �e ca-­
rochi11ha ! Ali á s, eis como ê le se exprime a,
E7

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p á in a 295 do seu j á citado livro : "O papado
esta longe de ser uma instituição existente no
cristianismo primitivo, pois é "o elo de uma
evolução secular , a expressão suprema de uma
c oncentração sucessiva do poder" . Diz ma is
o seg ui nte : " Institu ição e ssen c ial m e nt e hu­
m ana, o papado é a suprema mistificação do
cristian ismo legada aos tempos modernos pe­
l a superstição caliginosa dos tempos medie­
vais" .
Francamente : nunca lábios de hiamem
prof er�ram ma io r inj úria contra a veridade his­
tóri a ! Meu Deus, o papado nascido na Idade
Médi a ! M a s , como é que Pastor Protestante,
certarr.ente sem haver lido a história da Igre­
j :t . a s At2 s d os Conc íli03', ·a: farta documen t 1 -
ç ã o dos p r i m e i ros séculos cristãos , se atreve a
escrever absurdos de tal quilate ? . . . E, se leu
tudo i s s o como o a.firma e a i nd a quer p 1 � �a r
,

por homem d e r e sp e it o?
Caro a,n1igo s e p ar a do : qu·em quer que leia ,
sem n1á fé , a h is tó ri a da Igrej a, bem cedo sen ­
tirá um duplo fato, constante e universal , a
cl1a1nar-lhe a a t e ncão : de um lado, em todos
i:
..

os papas, a c onsciên cia, firme, seren:- , ini -


terr upta, de sua suprem acia em relaçao a to­
"
da a c ristan dad e ; do outro lado , em toda a
Igreja , a convi cção de haver Cristo acl:a �o �­
Pedro a p l e n i tu d e do poder
·en1 m 1tcr1a reli-
g i osa.
D12s·2j a algumas provas de g r an d e valor ?
Va mos a elas .
Ai:!.da em plena época apostólica , o es­
píri to t u rbulen to de alguns j ovens prov? � ª'
en1 Corj nto, à i s t ú rb i o s e desave nças. Se ria-

83

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ine11te ameaçada se vê a paz dos fiéis . Quem
é que a rest 3:beleceT O bispo de Roma, s. Cle­
mente, terceiro sucessor 'Cle S. Pedro. E' êle
quem escreve aos coríntios palavras afetuosas
sim , porém cheias de autoridade, próprias d�
um superior . Com essa carta, o papa envia­
lhes igualm �nte legados de sua confiança, pa­
ra porem termo à desavença, objetivo pron­
tamente alcançado. E o melhor é que o povo
de Co1 into ficou lendo, dali por diante, duran­
te os ofícios divinos, a referida epístola do s �­
cessor do príncipe dos apóstolos.
Êste fato histórico , em que Roma �n ê E r-­
vé111 na vida de uma cristandade muito dj s­
tante, é tão significativo que diversos prote � ­
tantes reconhecem nêle uma revelação in1-
pressionante .
Leia, meu amigo, um trechozinho dessa
carta : "Os que não reconhecem o que Êle
(Cristo) diz pelo nosso intermédio, saibam que
hão de cair em falta e envolver-se em não pe­
queno perigo ; nós ficaremos inocentes nesse
pecado". (Epístola ad Corinthios, c . 59) .
No século segundo, é o papa S . Víctor que
ordena, para todo o orbe cristão, que se orga­
nize1n sínodos, a fim de uniformizarem o rito
para a celebração da Páscoa ; chega até a amea­
ê; ar b isp os da Ásia de separá-los da comunh � o
católica se recusarem adotar o costume ae
'

Rom a .

Por aí j á se descobre, naqueles tempos pri­


n1 itivo.s, quanta consciên cia p os s u í a m _o s pa­
pa s do s e u direito sôbre t âd a s as Igrej a s .
89

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Lego depo is, entre 254 e 257 da nossa
era , o papa Santo Est ê vã o põe têrmo , com o
pêso de sua autoridade , à celebre contend a '
-
entao acesa na Ásia e na Africa , sôbre a re-
petiç ã o do batism o admin istrado por hereges .

Alguns anos para trás, entre 2 19 e 224,


S . CaU.xto se chamava bispo dos bispos ; la­
vrava um decreto para regular, na Africa , a
prátic 2. da confissão ; legislava acêrca da de­
posiçã D de bispos ; condenava a heresia dos
pat ripassianos !

No séc ulo quarto, o papa Júlio recebe a


apelação de Sto . A tanásio , patriarca d � Ale­
xandria ; ide1n , idem, de Marcelo e Paulo . Etc .

Dêsse te mpo em diante , são tantos os


documentos que seriam ne ciessári os livros p ara
dizermos tudo.

Conforme deixamos demonstrado, os


papas, mesmo no comêço da era cristã, sem­
pre tiveram perfeita, segura e tranquila cons­
ciência de sua suprema j urisdição sôbre to­
dos os bispos e cristan dades.

Folheando-s e os mais respeitáveis ar­


q u ivos, ' j amais se descobre , nos documentos
assinado s pelos papas, o mais pequeno sinal
de hesitaç ã o, qualqu er sombra de pretend e­
rem invadir direitos de outrem . Todos ape­
lam para a antiga tradiç ão dos Padres, para
a promessa de Cristo a S. Pedro, para a perJ
pétua institui ç ão do primado da Santa Sé.
ro
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E as di.vers as cris tan dad es , que é que
elas faz em diante de tal procedimento? In­
su rg em-se porve ntura contra essa autorida­
de , que rendo ver nela uma usurpação? Re­
pelem essa fôrça moral , que fala de tão lon­
ge e se considera acima de todos os bispos e
pat riarcas, acima de tôdas as igrej as parti-
cul ares? Pelo contrário : não se lê sequer um
únlco brado de protesto. E' que, n a mente
de tôda a cristan1dade de ent ão, j á vivia o es­
pírito de fé , de submissão e confiança no bis­
po de Roma, como chefe incontestado.
Quer Pastor Protestante ouvir a opinião
de grandes Padres e luminares da Igrej a, em
tôrno de tão delicado assunto? Ouça lá.
Primeiramente, .aí se acha Sto . Ináci-0 ,
bispo de Antioquia, contemporâneo dos após­
tolos, o qual, sautlando aos romanos, parece
não encontrar palavras bastante expressivas
para exaltar a grandeza da Igrej a de Roma
que, diz ê le, "preside à comunhão geral dos
fiéis' ' e a cuj o zêlo entrega a sorte da igrej a
da Síria. E continua dizendo : "Vós ensinastes
as outras igrej as , e eu quero que fiquem fir­
mes as cousas que vós ordenastes em vossos
ensinamentos". ( Ep. ad Romanos, III, 1 ) .
Aí está também Sto . Irineu , filho da Ãsia,
bispo das Gálias e discípulo de ve'n eran•dos
anci ã os da idade apost ólica, , que assim es­
creve : "Com essa Igrej a ( de Roma) , em vis­
ta de sua primazia de poder, tôdas as outras
igrej as, isto _é, os fiéis .ae to do o universo,
têm a obrigaç ã o de se conformar; d e fato, é
91
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nela que t odos , em tôda parte e sempre con­
servaram a tradição que vem dos apóstolos."
( Adv ers u s haereses, III, 3 ) .

Aí está S. Cipriano, bispo de Cartago


que , p a rticipando , ao papa Cornélia, a viia­
gem de Felicíssimo e outros para Roma , adian­
ta o -seguinte : - "Atrevem-se êles a dirigir­
se à cátedra de Pedro , a essa Igrej a principal
donde tem origem o s a ce rd ó cio, e s queci do s
de que os roma nos não pode m erra r na Fé. "
( E p is tol a 55 , n. I ) . Para êste grande bi spo ,
" estar em co1nunh ão com o papa é esta r e1n
com u n hã o com a Igrej a Católica " ; para êl e
"Roma é a matriz e o tronco aa Igrej a Cató­
llc a . " (Ep. 43 , e . III , n. 7 ) .

Aí es tá Santo Agostinho , luzeiro de vir­


tude e saber, que, em centenas de passagens
de seus escritos, atesta, de modo insofismável ,
a supremacia do Romano Pontífice.

Aí es tá o g rande S. J e rô nimo dizendo en­


tre ou tras cousas : - " Es tar em co mu nh ão
cem o Ro n1 a no Pontífice é e s tar em ta�ião
c om a cátedra de Pedro, é s eguir a C ris t o que,

sôbre esta p€'dra edi fi c ou a sua Igrej a. Quen1


sair dr·sta arca morrerá no naufrágio ". (Ep.
1 5, n. II) .
Aí se encontra, enfim, um côro universal
de vozes da I grej a do Oriente e do Ocidente,
cantando as glórias e pre r r o gati vas de Pedro,
sempre vivo em seus s u c e ss or es.
Reatemos o fio de no ssa demonstração .

92

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Mais eloq uente que as pala vras são os fa­
tos . Ha vemos ag·or a de prov ar, com fatos his ­
tóri cos e inconte stáveis , que o Papa foi reco­
nhec iào , desde os primeiros séculos tio cris­
tiani smo , como o Chefe supremo da Igrej a
un i ver sal .

E' através dêstes fatos que encontramos


fiéis e bispos desta mesma Igrej a girando em
tôrno de Rom a, como planetas em redor do
sol .

Imaginemos , por um só instante , que o


Pap a n ão fôsse o legítimo sucessor de S. Pedro,
e logo a História Eclesiástica ficaria sendo
un1 enigma de impossível decifraçio. Por
que? Si mplesmente porque é sempre o bispo
de Roma, isto é , o Papa , quem convoca , pre­
side e confirma todos os Concílios Gerais , des­
de o primeiro em Nicéia, no ano de 3 2 5 � até
o do Va ticano , em 1870.

Seu poder sôbre essas soleníssimas assem­


bléias ecumênicas é universalmente reconhe­
cido. Entre muitas outras , eis uma prova de
semelhante autoridade : o Papa S. L e ã o conde­
na , no ano 45 1 , o cânon 28 do Concílio de Cal­
cedôn1� e o tal cânon é retirado ! (Mansi, VI,
582 B ) .

E ' sempre assim. Cada vez que se faz


precis .J confirmar, remover, dimitir ou rein­
te:grar bispos na Ásia, na África ou na Europa ,
�ó o Papa ousa tom.a r esta iniciativa., e tôda. a
Igrej a se submete respeitosamente !
93
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Houv e uma ocasião em que S . Cipriano
bispo prima z da Africa , achou que o bem ge �
ral ac0nsel hava a substitu ição de Marciano
bispo rle Arles. Que fêz então? Dirigiu-se a�
bispo cte Roma, o Papa Santo Estêvão. Como
ta1nbé n1 , quem depôs Flaviar:o , patriarca de
Alexan dria , foi o Papa s. Dâmaso. É ainda
Santo Aga pit o quem demite Antimo, patriarca
de Con stan t inopla ; e Santo Agapito era o Pa­
pa de então . E convém levar em conta que a
imp erat riz a isto se opu nha tenazm ente !

Que r mais? Nicolau I cita ainda os no­


mes d� nove patriarcas de Constantinopla que
foram depostos por determinação de Pontífi­
ces Romanos.
A lição perene da História é esta : para a
suprema autoridade do Papa é que apelam
os bispos, arcebispos, patriarcas, e os próprios
hereges � quando perseguidos ou esbulhados à'e
seus direitos, em seu país natal !
Qu er isto, meu amigo , significar que R o ­
ma é e sempre foi na antiguidade o tribunal
de derradeira instância. Suas sentenças pu­
dem reformar tôdas as outras e por ne·nhuma
outra podem ser reformadas.
No ano 142 da era cristã, para Roma
apelou Marcião, ao sentir-se declara'Cló fora da
Igrej a pel o seu bispo. Por igual forma pro ­
cedeu Privato, outro bispo condenado pelo
Con c íli o de Cartago. Em 252, Fort una t o e
Félix, rebelados contra a auto ri dade de S . Ci­
priano, apel a ram foi para Roma. Igualmen­
te p·ara o bispo de Roma, ia.p·e l ou Sto. A ta11ásio,
94

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co mo também S . João Crisóstomo. S. Gre gór; 0
de Nazianzo , Flav iano , todos três patriarc as
de Cons tanti no pla.

Para que maiores provas de que a supre­


macia dos papas era universalmente reconhe­
ci'ja? Aliás , foi Calvin o quem disse que o su­
premo poder se encontra nas mãos daquele,
para o qual a gente apela.
N ;) final de tantas e tão robustas provas
históricas, encerramos êste capítulo com aque­
la sentenciosa afirmação feita por De Maistre :
- "Na História Universal , nada se acha mais
invenclvelmente comprovado d o que a supre­
macia monárquica do Soberano Pontífice".
(Du Papel, L. I, e. 6) .
Em face de tais documentos, pergunta­
mos : havia, na Igrej a dos primeiros séculos,
uma convicção clara, serena e luminosa em
tôrno da suprema autoridade espiritual do
sucessor de S. Pedro? . . .

95

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O Iv1agistério Infalível
Mostraremos agora que a Igrej a , sendo
o prolongamento de J. Cr i sto na Hist ó ria, pre­
cisava pos s u ir o dom da infalibilidade no en­
sil10 da doutr ina e da moral.
E' porque ela é , com efeito, o Salvador
perpe tuad o entre os homens, falando e evan­
gelizando , corrig·indo, soerguendo e perdoan­
do .

Quando Êle apareceu na Palestina, fazia


n1ilhares de anos que a humanidade suspira­
va por sua presença. Durante êsse longo perío­
clo de tempo, tinha Deus falado aos homens
pela 1.:ôca dos profetas e patriarcas. Mas os
seus ensinamentos, confiados à guarda de um
pequer1ino povo em um recanto bem obscuro
da terra, não haviam feito chegar à luz •divi­
na todo o gênero humano, que continuava en-
volto nas trevas da ignorância, da idolatria e
d os vícios mais deprim:entes.

Afinal , enviou-nos Deus o seu Filho na


})essoa de Cristo, que se revelou um centro
de amor e de vida , proj etando-se , como um
sol divino, sôbre todos os povos e tôdas as ge-
racoes.
-

_,

seus lábios saem palavras que língua


De
l1 umana j amais ousou proferir : "Eu sou o
-

ca1ninho, a verdade e a vida . Eu sou a luz


96

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do mu !1do . Pas sarã o o céu e a terra, mas um
jota de minhas pala vras não há de passar" .
(João, XIV, 6 , VIll, 12) .

E ' que , na pessoa 'Cle Cristo, falava a pró­


pria d:vindade , revestida do manto de nossa
carne mortal . E d e sua bôca receberam o s ho­
mens os tesouros da verdade , os germes da vi­
da sobrenatural que nos deviam erguer aci­
ma de nossa animalidade.

E ra esta, efetivamente , a missão do Salva­


dor. Terminada , porém, a sua peregrinação
terrestre , como é que havia de conservar-se
na t erra a sua obra redentora ? C omo have­
riam de estender-se pelos continentes e ilhas
os raios vivificadores da Verdade, destinados
a iluminar tôdas as inteligências? Por que
canai s deviam p a ssar pa ra os corações as p;o
tas de vida divina que lhe transbordavam do
peito? Quem sustentaria na mão o divi no fa­
rol para nunca ser apagado? Quem conser­
varia , na pureza primitiva, o manancial da
verdadeira dou trina?
Tudo isto era necessário, desde que J.
Cristo veio ao mundo para nos salvar a todos.
Porque os ecos de sua voz não só devem ser
ouvidos por todo o mundo , mas também du­
rar até o fim dos tempos .

Durante sua vida mortal, �le reuniu , em


vol ta de si, um pu nh ado de varões de boa von­
tade , edu cou-os na escola do sa cri fício, con-
33.grou-os sacerdotes pro�teu-lh es o Es p ír i to
S".nt o e , f ina l mente �ntregou-lh es ttma assom­
,

brosa tare!a : - "Todo poder me foi dado no


' Menagem aos protestantes 7) 97

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céu e na tierra. Com o meu Pai me env io
. . u
assi m eu vos env io. Ide e ens ina i a todos os'
pov os ! " (Ma t, XXVII I, 1 9-20 ; Joã o, XX, 2 1 ) .
Por tais expr essõ es , via-s e fundaãa a Igre­
. .
J a , uma soc1 ed.ad e hum ana , espiritual e visí­
vel , cuj a miss ão era acolh er, em seu seio, os
filho s da Rede nção , à man eira de uma segun ­
da arca de Noé.
Tud o isto já é muito , porém ainda n ã o
é tudo para garan tir, contra o êrro e a corrup­
ção , a Igrej a assim fundada. E' que a divina
institu ição, destinad a a difundir e p e r pe tuar
os ens; na1nentos do Hom em -D eu s , exigia da
Providência outros caracteres para o feliz de-
sempenho da investidura a ela confiaija.
Entre tais caracteres, o mais importante
era o dom da infalibilidade doutrinária na
ensino do Evangelho. Porque, se a Igrej a fi­
c asse suj ei ta ao êrro , poderia, no decorrer dos
século.:;, adulterar o patrimônio sagrado e as­
sim desviar do sol divino as consciências se­
dentas de verdade.
Com efeito, 'Cie que nos serviria uma Igreja
sujeita ao êrro em matéria de fé e costum es?
De que serviria o fato de ser pura a f ante do
ensino religioso , se o canal incumbido de no �
lo transmi tir pudesse ser contam inado com a
pestilê ncia do êrro e da morte eterna?
Conclu são : um dogm a imut ável estava
exigin do um tribu nal infalí vel para salva guar -
dá-lo.
Diss emo s que um dogm a imutável e xige
u m tribun al infalív el para salvag ua rdá-l o.
98

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-rv�as por que ? Porque so m e n te com a
gara:it1a d a divina assistência um homem po­
de dizer a o �tro homem : tu hás de crer e pen­
sar da maneira como eu penso e c reio.
- Mas n ó s também, - exclamam os
protestantes , - também nós possuímos meir.:;
de conhecer a verdadeira doutrina do Divino
Mestre, mesmo fora da Igrteja. Possuímo3 es­
ta garantia na pal avra divinamente escrita do
Evangelho.
- E quem vos assegura, ó caros irmãos
separados, que os Evangelhos ensinam tôda a
verdade, sem perigo de êrro? Fora da autori­
dade c1 a Igrej a, como podeis estar certos de
que os Evangelhos que ledes e que enconstras­
tes no século XVI contêm a verdade integral
e não mutilada? Acaso podereis neg ar que,
antes de existirem os Evangelhos, já existia a
Igrej a? Bem sabeis que as primeiras cristan­
dades receberam a Boa Nova por meio da pre­
gação o ral e não por meio de livros que ainda
não haviam sido escritos. E' u m a verdade in­
discutível que a Igrej a não foi funda j a sôbre

ó s Evan gelhos ; os Evangell1 os é que foram


escritos para a Igrej a e colocados debaixo de
s� a guarda e proteção.
Mas admitamos que, mesmo separados da
Igrej a, estej ais certos de possuir nos Evange­
lhos a pura palavra de Deus. Será que isto
vos bas ta? Nã o , porque ainda será preciso
inte rpretá-la com inteira exatidão, apurando­
lh e o genuín o e misterioso sentid o. Porque, se
'd e rd es à palavra insp irada uma sign ifica ção

99
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?� fer:nteda que � esu s lhe deu , vos sa crença
J a naa esta ra, apo iada na dou trin a de Cristo
. ,
e sim na voss a inte rpre taçã o pessoal.

E' sem pre falív el a inte rpre tação dos ho­


n1 ens. A prov a dis to é que, em 1577 , CrL'i tó­
foro Rasp erge r afirmava haver reunido, entre
os prote stan tes, nada men os de duze ntos mo­
dos de inter preta r estas quatro palavras do
Evan gelho : - Isto é o meu corpo . E tratava­
se 'Cie um dogma fundam ental do cristianis­
n10 ! . . .
caros irmãos separados, é debalde
Meus
que andais gritando a plenos pulmões : - A
Bíblia e só a Bíblia ! .
·O que nos mostra a experiência nunca
desmentida é que nenhuma verdade se defen­
de por sua própria evidência. Se desejamos
salvaguardá-la, ternos que pôr-lhe ao lado uma
sentinela vigilante e incorruptível que repila
os seus profanadores, garantindo-a por todos
os meios lícitos.
Nenhum legislador humano entrega suas
leis ao capricho da interpretação do povo . Em­
bora essas leis sej am muito mais simples e cla­
ras do que as leis divinas , nunca dispensam
uma côrte de magistrados escolhidos que as
expliquem e ' protej am contra os advbg ados

• A

sem cons c1enc1a.


Só a lei eva ngél ica então, com seu caráter
misterioso e transcendental , dispensaria a co­
l abora c ão de u m tribunal que fôsse oráculo
da vercl'ade , centro de uniã o e santuário da
j ustiç a?
100

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. �ó lou co s :p en sa m as si m . E ta
l é a di vi na
m1ssao da IgreJ a.
D es de º. m ol'? � �t o em qu e os pr ot es
tan tes
n � ga r am a 1n fa hb 1hd ade da Ig rej a de Cr ü
�tJ ,
viram-s e for çad os a mu ltip lica r as inf alib ili­
d ade s em fav or de cad a um de seu s seguido­
res qu� lêem e inte rpre tam a Bíbl ia.
Foi exat ame nte isto o que pare ce ter que­
ri•d'o fazer Luter o quand o disse : - "A todos
os cristã os e a cada um em partic ular compe ­
te c onhecer e j ulgar a doutrina ".
Como, porém, será possível sustentar tal
programa e m face das funestas conseqüência s
que o mesmo acarreta? Querem a prova?
Em presença de um mesmo texto da Escri­
tura Sagrada, Lutero dá uma opinião , C alv i ­
no dá outra , Melanchton outra, Zwínglio ou­
tra, Búcero outra. Uma é a interpretação da­
da pel0s anglicanos , outra é a dada pelos qua­
cres, outras mais são dadas pelas trezentas
seitas da Reforma . Ninguém se enten•d e, pois
cada nôvo grupo pensa de modo diferente e
não entra mais em .acôrdo.

Digam-me agora com a mão na co n sci ê n ­

cia : serão certas e infalíveis tôdas essas opi­


niões? Foi então para produzir uma tal babel
rel i gios a que o Salvador veio ao mundo e nos
deixou a sua divina religião?
,,.,,

De tu1do isto a concl usao que se impoe e


,,.,, . ,

a se gu in te : torn1a·_ s e absolu ta m e nt e indisp-en _


sável oue ao lado do tesouro da R evel a ção ,
- '

101

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exis ta um a autorid ade iner rável e divinam e

te institu ída par a pres erva r da corrupcão ê s-
te preci oso cabed al doutr inário .
j

Escut emo s o que diss e, com inteira razão


Krogh Tonn ing, o maio r teólogo noru eguês :
no seu livro O PROTESTANTISMO CONTEM­
PORÂNE O : - "Um a Igrej a que está suj ei ta
ao êrro na sua essênc ia pode transviar e per-
der as almas. Negar a infalibilida1de é negar
a p1�ópria Igrej a" . ( Paris, Bloud, 1 90 1 , pá g . 24-)

Ad mitir que uma religião divina exige


uma autoridade infalível nos leva a outra con­
sequência làgicamente irrecusável : é que J.
C r i s to fundou sua Igrej a com o dom da infa­
libilidade. O Deus que, na pura ordem tem­
poral , prodigalizou todos os 1dons ne c ess ários
à nossa conservaç ão física, dando-nos o ar pa­
� · a os pu 1mões, os frutos da terra para o estú­
mago, os r ai o s d o sol para nos aquecer, não
podia ser menos generoso em conceder-nos
o alimento necessário à nossa vida sobrena­
tural.
Eis como falou seu Filho aos apóstolos e
discípulos : - "Ide, doutrinai a todos os po­
vos, batizando-os em nome do Pai e Fi lh o , ,

e do Espírito Santo, ensinando-os a observar


tudo o que eu vos mandei ; eu estarei convosco
todos os di as até 'ª consumaç ão dos séculos"·
( 1\11 t. XXVIII, 1 9-20 ) .

Poderá haver prom essa mais formal, m ais


inequívoca? Despa chando seus evang elizad:r e:
pelo mun� afora Cristo os envia a ensin ai
tudo e a tod�s os �vos, mas garante ficar con1
102

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êles até � fim •dos tempos. E quem se atre­
vera, a dizer que uma tal falange de doutri­
nadores instituída e assistida pela própria ver­
ciade , possa e nsinar o êrro?
Eis como J . C risto lhes fala : "Da mesma
forma que meu Pai me enviou, eu vos envio".
(Jooão, XX, 2 1 ) .
A Igrej a é , portanto, a continuacão de
Cristo na História Universal , o prolongamen­
to de sua divina inissão e do magistério que
lhe confiou o seu eterno Pai. E J. Cristo ain­
da lhes diz : - "Eu roguei ao Pai e êle vos
enviará o Espírito Consolador que ficará con­
vosco eternamente. E' êle o Espírito da verda ­
de que vos ensir:ará tôda a Verdade". (João,
XIV, 1 6-1 7 ; XV, 1 3 ; Marcos, XXI, 15-16) .
E poderia o Salvador deixar de conceder
esta inerrabilidade à sua Igrej a, quando im­
pôs ao mu11do a fé nas verdades ensinadas
pelos seus discípulos, sob pena de eterH a
condenação? Acha-se isto no Evangelho de
S . Marcos, capítulo XVI : - "Ide por todo o
mundo e pregai a Boa Nova a tôda criatu­
ra. Quem crer e fôr batizado será salvo ; quem
n ão crer será condenado' ' .
Quer isto dize r que pela fé devemos estar
dispostos a derramar nosso sangue até a der . .
raideira gota. Ora, como seríamos capazes de
tão gen eroso devotamento, se pudéssemos en­
contrar motivo de pôr em dúvida a inerrabili­
àade da Igreja? A razão disto é que , se Cr� s­
to nos impôs a obrigação de crer em seus apos-
103
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tolos . pena ?e perdermos o céu , só pro­
s ob ª
cedeu ass ! m depois de os haver imunizad o
contra o erro doutrinário.
Basta abrir os Atos dos Apóstolos (capítu­
lo XV, v . 2 8 ) para verificarmos que, desde 0
seu be rço , a Igrej a teve plena consciência dês­
te seu privilégio. Eis como falam os apósto­
los pela boca de Simão - Pedro, ao promulga­
rem a3 primeiras leis eclesiásticas : - "Pare­
ceu ao Espírito Santo e a nós . . . " (Atos, XV, 28 )
Para S . Paulo a Igrej a é a " coluna e o fir­
mamento da verdade". (I Tim., III, 1 5 ) E
acrescenta : - " Se um anj o vos pregar um
Evangelho diferente do que vos ensinamos,
sej a êle anátema" . (Gal , I , 18) .
Morreram, como era 'Cle esperar, os após­
tolos; mas a consciência de sua divina missão
continuou com a Igrej a, cada dia mais certa
de sua infalibilidade. Logo no terceiro século
cristão, eis como falava Orígenes : - "Nós pos­
suímos dois luzeiros : - Cristo e a sua Igrej a".
E noutra passagem : - "Por isto não devemos
p restar atenção aos que nos dizem : aqui está o
Cristo, e não nos mostram sua Igrej a".

Para S. Cipriano "a Igrej a é a espôsa de


Cristo a u e não pode manchar-se com o adul­
tério ".
Mas, para que multiplicar provas e � o­
cumentos? Onde e quando foi que a Igre1 a,
ao menos uma vez, pareceu duvidar do seu
privilégio da infalibilidade ? E j á não é . uma
prova dessa sua excepcional prerrogativa o

104

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fato de ela vir assim falando e agindo, segura
e tranquila de si mesma, pelo espaço de vin­
te sécu los?
Reparem nesta impressionante particula­
rida de : n enhuma seita , por ma'.i s arrogante e
au1claciosa, teve j amais a coragem de procla­
mar-se inerrável.
Lutero e Calvino se rebelam contra a Igre ­
j a, perseguem seus opositores, mas não se
atrevem a dizer-se infalíveis. Aristóteles, Pla­
tão e Cícero não tomam sequer conhecimen­
to desta palavra divina. E ' que a infalibilida-
de é um fardo assaz pesado para ombros hu­
manos.
As incoerências dos gênios , as contínuas
mudanças de opinião entre os filósofo s , , as
variações dos credos de tôdas as seitas , tudo
isto está a certificar-nos da fragilidade sem
remédio do espírito humano .
O insensato que , um dia , se levantasse
para impingir-se infalível havia de ser acolhi­
do com riso geral. Entretanto , faz vinte sécu­
los que a Igrej a afirma a própria infalibilidade
. . ,

e n1ngue m ri.
S ó a Igrej a não variou nunca, nunca se
corrigiu , nunca se c on tra d i sse . Não riscou

a in da uma só linha do S'ímbolo dos Apóstolos,


não negou u m só artigo de fé , não reformou
sequ er um dogma dos primeiros séculos cris-
J. -
Laos .

Como ex pl i c a r resta continuidade de dou­


.
trina sem o dom divino da infalibilidade?
105
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E v o lu çã o d o D o grn a '?
Pa sto r Pr ote �ta nt e fal ou , ultima
" re me nt e,
s ob u m ass un to qu e 1de ma nd a minucio
sos
e sér ios esc lare cim entos : EVOLUÇAO no
�·11\· r.A
D0 \..A � ... •

Assim se externando, quis dizer que a


I grej a Católica também varia, no sentido de
mudar de opinião, mesmo em matéria dogm á...
tica.
Long1c disto, entretanto, anda a verd nde.
Ninguém ignora que o século XIX, ext asia do
ante a palavra "evolução", tentou �plicá-la
igualmente ao dogma. Dessa sua atit11de nas­
C' �Ta1m d eploráveis equívocos que convém des­
fazer.
Terá havido, realmente, evolução do dog�
ma? Houve e não houve. Vou me explicar.

Quando faleceu o derradeiro apóstolo, ter­


minou para sempre o período das revelações
públicas . Estava, desde então, encerrada a
época da inspiração propriamente dita, porém
ia começar nova assistência do Espírito San­
to à Igrej a. Uma vez que nad.'a mais faltava
ao acabamento da divina revelação , Deus pôs
êsse tesouro entre as mãos da sua Igrej a , p a­
ra que ela o guarde inviolável até o fim do
mund<J. Sob sua tutela, nenhuma verdade de­
sapareeerá, mas também nenhuma verdade
será acrescentada às j á existentes.
106

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De tudo isto se con clu i que , obj etivamen­
te falando, é impo ssív el have r evolu c ão nos
dogmas do cristiani smo, o que não nos i mpe­
de de rnelho r conhec ê-los e melho r exolicá-los
.....

aos fié is .
�e homens de grande talento lançam,
em seu s e scritos, germes de verdade qu e só as
futurac; gerações de intelectuais são capazes
de descobrir e aproveitar pràticamente , p or
que se há de negar à palavra divina, seme­
lhante pode r e fecun1didade?
Sim. De acôrdo com as necessidades de
cada século, a Igrej a, pela voz de seus douto­
res e místicos, m edit a e repensa, mais deva­
gar, certÇts verdades que lhe foram confiadas ;
e de seu •d ivino cofre retira novas luzes, novas
soluçõ e s para alumiar o caminho do atordoa­
do gênero humano.
Quase sempre são as novas heresias que
lhe oferecem oportunidade para n1editar e de­
finir um novo dogma .
Cada vez que um homem temerário se
ergue negando uma verdade geralmente ad­
miti•da por todos, desaba sôbre os espíritos
uma avalancha de inqu i e tação E ' então que
.

a Igrej a se põe a consultar as fontes da reve­


lação , acabando por definir, em têrmos bem
claros, a verdade combatida.
S e gui r se á então d aí que a defi niç ão
- -

feita pela Igrej a criou um novo dogma? Nem


por sonho . O que a Ig rej a fêz foi defin i r e
d ef en der o dogma j á existente, contra o peri­
go de uma interpretação errada.
107
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Dem os um exe mp lo. E' for a de dúvida
que os prim eiro s c rist ãos acredi tavam piamen­
te na divi nda de de J. Cris to, Deus e Homem ver­
dadeiro, isto é , filho de Deus e filho de Maria
ao � esmo temp o. Com o perp assa r das eras,
'

surgi ram hereg es recus ando -se a crer nesta


verda dê . Tomaram 03 nomes de arianos,
nestor1anos, eutiquianos, monotelitas.
À vista da confusão provocada por tais
negações, a Igrej a teve que intervir. Reuniu os
seus centenares de bispos e doutores, medito u
sereng,mente as Escrituras ; e dessa meditação
acurad2. j orrou imensa luz, sendo então defi­
nidos o� dogmas seguintes : Jesus é Deus igu al
ao Pai, sem deixar de ser homem , com abso­
luta exatidão ; nêle há duas naturezas bem dis­
tintas, como há duas vontades, etc .
0.3
dogmas só podem sofrer evolução no
sentido de serem mais bem aprofundados e
definidos. Nunca, porém, no sentido de na&­
cerem, morrerem , ressuscitarem . A primeira
situacão é sinal de vida e progresso. A segun­
da r �velaria contradição, atitude indigna da
Igreja .

108

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Corolário Fatal
Depo is de havermos demonstrado a in f·:t-
l ibilid& de doutri � á �"ia da Igrej a , resta-nos t'i­
, ,
ra r dai um corolar10 horrivelmente fatal a tô­
das as heresias, mas especialmente ao protes­
tantismo.
E ' que todo e qualquer grupo de pessoas
batizadas que se aparta da Igrej a e rompe suas
relações com os ensinamentos tradicionais
da antiguidade cristã , já se acha condenado pe­
la sua própria atitude de rebelião.

A Igrej a é uma só, como a verdade. Nela


n1ora o Espírito Santo com sua contínua as­
sistência, todos os dias, até a consumação dos
séculos. Impossível mostrar uma época na
História em que a Igrej a se tenha desviado do
caminho real da boa doutrina evangélica. Se
tal cousa acontecesse, cairiam por terra as
divinas promessas. Quer isto dizer que, em
tal caso , Jesus Cristo deixaria de ser Deus.

Após quinze séculos de cristianismo , no


coração da Alemanha se ergue um monge
conclamando o mundo para uma reforma re­
ligiosa . Seria acaso uma simples reforma de
costumes ? Não. Era uma reforma doutriná­
ria. A c rer nêle, o que então se chamava dou ­
trina c ristã aceita pela Igrej a universal era
uma adulteração do pensamento de seu divi­
no Fundador, pura superstição e idolatria pa ­
t roci nadas pelo Anti-Cristo de Roma , o Papa.
Conforme Lutero , a Igrej a tinha aban­
do nado a genuí na fé e se tornara i n dipenra­
vel rec onduzí -la às fontes do verdade iro Evan -
109

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gelho. O signific�do de tôdas essas afirmações
é que Cristo haViia errado o alvo. E' certo
que êle fundara uma sociedade visível a que
promet era grandes e imortais destinos. Mas . . .

apenas ela saíra d e suas mãos divinas, ape­


nas o mundo pagão começara a receber dela
o leite da verdade , essa Igrej a desmaia, cor­
rompe-se, p aganiza-se !
A crer em Lutero, j á fazia onze séculos
que a ignorância e a superstição estragavam
a obra do Salva1dor. Foi então que êle, ape­
sar d e apóstata, sensual e orgulhoso , apareceu
no horizonte religioso da humanidade para
trazê-1� de novo ao trilh o do Evangelho. E
assim , n1ais poderoso do que Cristo, teria fun­
d ado uma nova Igrej a destinada a uma exi s­
tência in1ortal , acolhendo e salvando as novas
ger � ções, sequiosas tele verdade.
E' esta, sem tirar nem pôr, a significa­
ção re2J do protestantismo, mas é também a
sua. condenação. Por que? Porque, se J.
Cri s t o é realmente Deus, se, como tal , fun­
dou mesmo uma Igrej a, esta tem de ser in­
àefectív el e imortal como as obras divinas.
Se, entretanto, a Igrej a caiu no êrro, em
tal caso as p o r tas do inferno tiveram fôrças
contra ela e assim o :Salvador não conseguiu
manter a sua palavra. Logo Cristo nos en­
ganou, logo êle não é Deus e o cristianismo
fica sendo uma grande impostura.
E ' tão fart e es ta cons equência que por
êste n\otivo vários prot estantes abj u : a ra i;i
sua seit a e s e f iz era m part idár ios do Jud a
1s·
mo.
110

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Onde estava a Igrej a ante s
de I.Jutero '?
Como deixamos . perfeitamente 1clemons-­
trado, nada pode haver mais oposto à doutri­
na do Evangelho do que a idéia de uma Igre­
j a capaz de peroer de vista o progra1na do seu
divino Funda•dor , ensinando o êrro e a cor-
-

rucao .
.,

A razão disto é a promessa formalmen te


feita por êle de que o Espírito Santo nela ha­
bitará por todo o sempre. E , depois de nos
haver garantido essa divina e perpétua assis­
tência. deu -nos ordem para obedecermos a es­
sa mesma Igrej a em todos os tempos e lugares .

Onde se acha isto? No Evangelho de S.


Mateus , capítulo XVIII , versículo 17 : �
"Quem não ouve a Igrej a sej a con•denado co­
mo pagão e pecador' ' .

Ora, fóra de qualquer dúvida , a11tes àe


Lutero já existia uma Igrej a , a Igrej a católi�
ca , que , por uma série nunca i11terrompida
de pastôres, i a até os apóstolos , e por n1ej o
dêles, até o próprio Salvador. Era esta, cer­
tamente, a Igrej a fundaàa pelo Filho de Deu s
e, portanto , a mesma Igrej a de que se ocupan1
as grandiosas promessas que lemos no Evan­
gelho.

Fóra da Igrej a c atólica a História Uni­


vers al nã o con he ce ou tra.

11 1

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Quan·d �, por cons eguinte , as igrej as Iu­
_ _
t � rana , calvinista, angllcana , etc. nasceram no
seculo XVI da �ra cristã, a Igrej a católica já
co11tava mil _ quinhentos anos de ostensiva e
benemérita atividade.

Sim , porque desde J. Cristo só existia uma


I grej a, a grande Igrej a, como a chamavam os
pagãos, ou simplesmente a Igrej a, como cos­
tumamos chamá-la, sem qualquer adj etil9o de­
rivado de nomes de homens.

Diante dêste fato incontestável , susten­


tar, como faz Pastor Protestante , que a Igreja
começou a corromper-se no quarto século e
totalmente estragou a doutrina evangélica
durante a Idade Média, é o mesmo que anu­
lar as solenes promessas feitas por J. Cristo
e vibrar um golpe mortal contra a infalibi­
l idade de sua divina palavra.

Mas , na hipótese de haver-se corrompi­


do a verdadeira Igreja, qu.:il foi a qu1� a Estê:
ve substituindo desde o quarto século até
o aoarecimento de Lutero? Onde é que se
escÔnde essa nova Igrej a que Lutero , Calvino,
Henrique VIII não •descobriam, uma v�z que
todos professavam o cristianismo dominante
e obedeciam ao Papa?
­
Como foi então que ces sou de existir es
sa soc ieda de esta bele cida pelo Filho
de Deus e
à qual êle pro met era assi stir até o
fim do
m undo, ela que devia aco lher , nos s�us
b��
as
cos mat ern ais tôdas as almas sequ ios

'

ve rda•de e de luz ?

1 12

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� �
C on id er e be . ca ro ir m ã
o se pa ra do , qu e
.
q u1nz e se cu lo s nao sã o po uc os an
os . Só ês­
r �
se, a gume to , pa a um ho � mem sé ri o e lógico .
da para ca ir em s1 e exclam ar :
. se a !are · a
ca t.º, i1· c a f01 a_ ve rd ad e i ra I grej a fundad º 1
_

a por
Cr is t o , ela na o po dia corromper-se
nen1 de..
sap arecer do ma pa do mu nd o du ran
te um
séc ulo ao me nos . Log o, com ela dev e es a t
r
o verd adei ro cris tianismo .

Ond e esta va a verd ad eira Igrej a de Cris­


to antes do grito de revolt a vibrado por Mar..
tim Lutero ?

t
Eis como Pastor Pro est an e se atreve a t
o
responder a tão desnortean te c n sul a : "Cap­ t
ciosa pergunta. Estava onde outrora estava
o povo de Deus ; estava cativa em Babilônia .
o
Gemia n s ergástulos da Cúria ' ' . A Reforma
não trouxe "dos sepulcros da História, mas
a
dos cárc eres de Roma". (Pág. 13 1 ) .
Quem po r tal esperava ? Pastor Protes­
tan te, inimigo odiento de tôda linguagem fi­
gurada, numa questão de importâ ncia trans­
cendental , esquece su a velha oj eriza às me­
táforas e sai-se com uma respost a assim enig -
ç
mát ic a , para disfar a r a pobreza de uma ar­
g umen ta ão ç insus tentável ! . . .
Pe 1 gunt a-se pela exis tênc ia da Igrej a, de
uma socie da•de visív el, organ izada, po sui d_ s � o
u m tesouro de dou trin a perfeitamen te de f1 ­ ru
da , e êle nos respo nde com êste irr�t�te
l a­
co nis mo : - A Igre j a estava em Bab1lon1a, ca­
tiva nos ergás tulos da Cúria ! .
113

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Com:o é então, meu caro irmão ? Nosso
S �nhor tinha fundado um reino que , pelo bri­
lho de suas características sobrenaturais dé.
via atrair de longe tôdas as almas fam intas
de luz e amor, e o que sucede, afinal é essa
instituição divina desaparecer durant vários�
séculos, metida em calabouços de Roma ?
Engraçado ! E como o sr. sabe disto, se
a História Universal o i gnora completamen­
te? Mas , que calabouços serão êsses que
puderam esconder os verdadeiros cristãos du­
ran �� mais de mil anos, sem que a História
tenha tomado conhecimento 1lle sua existência?
. Er11 outro lugar, à pág. 17, · tentou Pastor
Protestante organizar uma espécie de catála­
go · do que êle denomina "pias t este mu nhas da
verdadP", querendo apontar nelas os precur­
sores da heresia luterana.
Ei-lo então a folhear, afanosamente, as
fastiosr.-s crônicas das heresias, para no fim
de tanto esfôrço, reunir, de longe em longe ,
alguns farrapos de erros condenados . pe� a Igre ..

j a, para com êles fingir e�plicar ,.ª apar1çao


_ . d�
protestantismo. E que foi que ele descobriu .
.

N o séc ulo qua rto , Vig ilân cia , um P?bre


padre e spa nh ol que se opô s ao culto das ima-
gen s e dos san tos e por isto foi reprovado . co­
.

mo ino vad or. No séc ulo non o, Clá ud io, b


ispo
,
de Turjm ' em manifesto fur or icono clasta
que brou algu mas image11 s e prot esto u con
· I� ..

o seu culto .

1 14

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E só. Até o final do décimo século de . cris­
t.i anismo, por m ais que mergulhou nas biblio ­
tecas atrás de outros precursores de sua se i ta
'
não sonseguiu e11contrar mais ninguém.

Nem um só dos dois, entretanto, pode ser


il1vocado como partidário das idéias de Lute­
ro� Sabe por que? Porque Vigilâncio admitia
todos o� dogmas da Igrej a, tendo obj eções sà-
111 ente contra o culto das imagens.
.
E Cláudio? Cláudio era partidário· do
arianismo, seita que negava sistemàticamente
a divindade de J. Cristo. Ora, debaixo dêste
aspecto, Cláudi o poderia ser tudo , menos pre-
cursor do protestantismo .
E então, caro pastor? Quando foi que
Vigilância e Cláudio combateram o primado
de Sirnão-Pedro ou declararam a Bíblia úni­
ca regra de fé ?.

De tôda a argumentação que deixamos


claramente expressa, ficou uma certeza para
os espíritos retos : o protestantismo apareceu
na terra como verd�deira inovação no cam­
po religioso da humanidade, e não simples
renovação ou neforma, conforme insinua
Pastor Protestante.

. Até o seu aparecimento, não tinha . . ha­


vido uma sociedade de feição religiosa que
adotasse e , muito menos , ensinasse tôdas as
negações e tôdas as afirmações, essenciais
da malfadada religião de Lutero. Ninguém se­
rá capaz de arrancar-lhe da fronte o estigma
de novidade.

1 15

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Po r co ns eg uin te , qu an do Pa sto r
Protesta n.
te � usa : scr eve r que a Re for ma
é apen as " a
d es1 �naç ao de u �� � ova fase da Igreja ", e qu e,
por isto me sm o, nao hou ve solu ção de c
onti­
nuid ade na vida secu lar da Espôsa de Cris to"
( p ág . 1 3 1 ) , está fals ificando escandalosamen te
a Histó ria e abus ando da boa fé de seu s le i to­
re s .
Que foi que disse? Não houve solução de
continuidade na vida da Igrej a? Pois faça o
favor de nos mostrar uma comunidade, urna
a ss oci ação de fiéis, mesmo pequenina que,
do s tempos apostólicos até o século dezesseis ,
tenha professado o extravagante credo do
protestantismo.
Vou mais além . Veja se nos mostra, cüm
a História na mão, onde foi que ao menos um ,
um só dos artigos fundamentais de sua sei­

ta terá sido constantemente aceito através dos


séculos c ristãos. Por exemplo : a guerra ao
papado, o l ivre exame das Escrituras, a justi­
fic a ção pela fé, a negação do Sacrifício da
Missa ou da presença real de Jesu s na hóstia
c on s ag·r ada. Etc .
Vou aimla mais adiante . Fica reptadJ
Pastor Protes t ante a declinar o nome de ur.1
só mortal que, antes da reforma luterana,
houvesse e n s,i na do tôdas as suas doutrinas.

Enquanto nos não chegar esta su a de­


monstração, continuaremos a perguntar-lhe
como Tertu liano fazia aos hereges do seu tem-

1 16

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p o : - Quem sois vós? donde viestes? por que
nascestes tão taroe? onde é que se achava a
Igreja de Cristo antes de vós? E não me venha
dizer que a pergunta é capciosa. Ela não é cap­
ciosa porém é irrespondíve l e, por isto mesmo,
desagradável.

Vej a lá o que escreveu o próprio Lutero a


respeito do seu dogma da j ustificação, que
êle co11siderava a suma do cristianismo : -

"Nenhuma religião existe, em tôda a terra, que


ensine esta dou trina da j ustificação ; eu pró·
prio, embora a ensine publicamente, é com
grande dificuldade que nela creio de mim pa ­
ra mim". (Weimar. XXV, 328) .

1 17

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iN D I C E

Prefácio . .. .
. . .
. . .
.
.. .. .. .. .. . . . . . . .
5
Ad ver tên cia prévia . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
A verdade i ra Igrej a . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
O pap ado , obra divina . . . . . . . . . . . . . . 1·1
A i nda o papa do . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
A grande prom essa . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
A cha ve do reino dos céus . . . . . . . . . . 32
O poder de atar e desatar . . . . . . . . . . . . 34
A investidura do primado . . . . . . . . . . . . 37
O primado do S. Pedro . . . . . . . . . . . . . . 39
A voz das catacumbas . . . . . . . . . . . . . . 44
Os doze tronos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
Missão à Samaria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
S. Paulo, campeão antipapal . . . . . . . . . . 50
- ,

Parece, mas nao e . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55


S. Pedro e os papas . . . . . . . . . . . . . . . . 61
A superioridade de S. Pedro na voz dos
Evangelhos . . . . .. . . ..
. . . . . . . . . . . . 64
O primado exercido na antiguidade . . . . 67
S. Pedro eill Rozna . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
s . Pedro, bispo de Roma . . . . . . . .. . . . . . 74
Obj eções de Pastor Protestante . . . . . . 75
S. Pedro, papa imortal . . . . . . . . . . . . . . . .
79
o Ieg·ítimo sucessor de S. Pedro na voz da
história . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
85
O magistério infalível . . . . . . . . . . . . . . . .
96
Evoluç ão do dogma . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106
Coro lário final . . . . . . . . . . . . . . . · · . · · · · ·
1 09
Onde estava a Igrej a antes de Lutero ? 111

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Ou a l d ê ste s l i vro s
V o cê a i nda não le u ?
SANTO AGOSTIN HO MESTRE DE NOS ­
SO TEM ?O - Gabri el Riesco, O. S. A

U M PAST OR LUTERANO FOI VER PIO


XII - Richard Baumann

AO PAI POR CRISTO NO ESPiRITO SAN1-


TO - Mansueto Kohnen, O. F. M.

A úLTIMA AO CADAFALSO - Gertrud


Von Le Fort

FIGU RAS FEMININAS NA BíBLIA - Mi­


gu:l Cardeal Fau�haber

MUCHACHA A JOVEM CRISTÃ - Emí­


lio E. Viana

ADOLES CÊNCIA E JUVENT.UDE - Pe­


rilo Gomes

O COMUNIS MO E A MAÇ ONARIA -


P. Antôni o Feitosa

HISTóRIAS DA BíBLIA - Pe. Eymard


.L'E. Monteiro

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