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Educação especial

Aluno: Pablo Busatto Figueiredo

A educação especial é uma modalidade de educação para educandos com


deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades. É tratada nos artigos
58 a 60 da lei de diretrizes e bases da educação básica (BRASIL, 1996).
Antes de tratar propriamente das especificações dadas por estes artigos à
educação especial, é importante compreender como se deu a inclusão de políticas para as
pessoas com deficiência na área educacional no Brasil.
Em 17 de setembro de 1854 foi criado o Imperial instituto dos meninos cegos,
hoje Instituto Benjamin Constant, sendo o primeiro instituto de educação especializado na
educação de pessoas com deficiência na América do Sul. Idealizado por José Álvares de
Azevedo da França, brasileiro cego que estudou em Paris, na escola Valentin Haüy,
apresentou o braile ao então imperador Pedro II que, entusiasmado com o sistema de escrita,
cria o Instituto.
Dois anos depois, em 1856, é criado o Imperial instituto de surdos-mudos, hoje
Instituto nacional de educação dos surdos (Ines), por Édouard Huet, pedagogo surdo e
ex-aluno do Institut Impérial des Sourds-Muets de Paris, que vem ao Brasil a convite do
imperador Pedro II.
No período em que estes institutos foram criados, as pessoas com deficiência
eram vistas como doentes, deficientes, incapazes de aprender e se desenvolver. Estes
institutos seguiam o modelo de grandes institutos de educação de pessoas com deficiência da
Europa, que, apesar de sua importância histórica, tinham a função de tirar as pessoas com
deficiência do âmbito da sociedade e delegá-las à responsabilidade de instituições
especializadas. O tratamento das pessoas com deficiência neste período era de cunho mais
assistencialista e não inclusivo, como costumam ser as políticas atuais. A atenção dada a
essas pessoas era na forma de concessão caridosa, feita por parte das pessoas sem deficiência,
que detinham o poder, para as pessoas com deficiência, vistas como impotentes, incapazes.
Somente no século 20 são criadas instituições de educação de pessoas com
deficiência intelectual. Em 1932 é criada a Pestalozzi, e em 1954 as APAEs, ambas de
iniciativa não governamental (HISTÓRIA, 2010).
Feito o panorama histórico, trataremos agora propriamente dos artigos da LDB
que tratam da educação especial. No ​caput do artigo 58, temos a definição de educação
especial como uma modalidade de educação escolar, não se tratando, portanto de um nível de
educação, mas de uma forma de se oferecer educação, especificamente para educandos com
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
Deve ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, tendo em vista uma política
de educação inclusiva, em que educandos com e sem deficiência possam interagir e conviver
no mesmo espaço.
A redação atual deste ​caput foi dada pela lei 12.796, de 2013, que alterou a
designação dos educandos contemplados pela educação especial de “portadores de
necessidades especiais”, termo em desuso, para educandos deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
O parágrafo primeiro do artigo 58 afirma que deve haver, quando necessário,
serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender as particularidades da
clientela da educação especial.
O parágrafo segundo, reforçando a preferência para que a educação especial se dê
na rede regular de ensino, afirma que “o atendimento educacional será feito em classes,
escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos
alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular”.
O parágrafo terceiro afirma que a educação especial deve ser fornecida em todos
os níveis escolares, desde a educação infantil.
O artigo 59 da LDB assegura aos educandos da educação especial currículos,
métodos técnicas, recursos educativos e organização específicos para atendê-los, como
também terminalidade específica do ensino fundamental, apenas, para os alunos que, em
virtude da deficiência, não puder atingir o nível exigido para a conclusão. Assegura ainda a
aceleração para que os superdotados possam concluir o programa escolar em menor tempo. O
artigo também assegura que professores tenham especialização adequada para atendimento
especializado, e os do ensino regular estejam capacitados para a integração desses educandos
nas classes comuns. O inciso IV deste artigo assegura a educação especial para o trabalho, e,
para aqueles que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, articulação
com os órgãos oficiais afins.
A lei 13.234, de 2015, incluiu o artigo 59-A à LDB, no qual se prevê a criação de
um cadastro nacional de alunos com altas habilidades ou superdotação, a fim de fomentar a
execução de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento pleno das potencialidades
desse alunado.
O artigo 60 afirma que o poder público adotará, como alternativa preferencial, a
ampliação do atendimento aos educandos da educação especial na própria rede pública
regular de ensino, independentemente do apoio às instituições privadas especializadas.
Percebe-se, portanto, uma mudança significativa das políticas educacionais para
educandos com deficiência, partindo de uma política assistencialista que isolava os
educandos com deficiência do convívio social para a política atual que busca incluí-los na
sociedade. Entretanto, ainda carrega alguns resquícios de assistencialismo, sobretudo no
tratamento dado "aos alunos que não revelarem capacidade de inserção no trabalho
competitivo" (artigo 59, inciso IV).
É notável também a discrepância entre o que é garantido pela lei e o que de fato
se observa nas instituições de ensino. Em pesquisa recente, observou-se que 40 % das escolas
de Fortaleza não têm nenhum tipo de acessibilidade (FALTA, 2018). É, portanto,
imprescindível que se continue trabalhando para que as garantias estabelecidas por lei se
cumpram na realidade escolar.

Referências

BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da


educação nacional. ​Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23
dez. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm>. Acesso
em: 6 nov. 2018.

FALTA de acessibilidade nas escolas. Editora-chefe: Rutcele Cabral. Produtora: Bárbara


Sena. Fortaleza: Verdes Mares, 2018. 1 vídeo (5 min), son., color. Disponível em:
<https://globoplay.globo.com/v/7142193/programa>. Acesso em: 6 nov. 2018.

HISTÓRIA do movimento político das pessoas com deficiência no Brasil. Direção: Aluizio
Salles Júnior. Produção: Rachel Garcia. Belo Horizonte: Fazenda Filmes, 2010. 1 vídeo (61
min), son., color. Disponível em: <https://youtu.be/oxscYK9Xr4M>. Acesso em: 6 nov.
2018.