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Direitos Humanos

Histórico dos Direitos Humanos

Professor Mateus Silveira

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Direitos Humanos

HISTÓRICO DOS DIREITOS HUMANOS

A TUTELA INTERNACIONAL DA PESSOA HUMANA E SEUS TRÊS EIXOS DE


PROTEÇÃO

DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS: proteção do ser humano em todos os as-
pectos, englobando direitos civis e políticos, direitos sociais, econômicos, culturais e os direitos
transindividuais.
DIREITO INTERNACIONAL DOS REFUGIADOS: age na proteção do refugiado, desde a saída do
seu local de residência, concessão do refúgio e seu eventual término.
DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO: foca na proteção do ser humano na situação especí-
fica dos conflitos armados (internacionais ou não internacionais – guerras civis).

O DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO

É também conhecido como o direito internacional da guerra, pois precede a própria formação
do direito internacional dos direitos humanos. Surge a partir da iniciativa do suíço Henri Dunant
que, após presenciar o massacre e a desumana situação de feridos na Batalha de Solferino
(1859), ocorrida em solo italiano, decide criar a Cruz Vermelha e iniciar uma campanha interna-
cional para a proteção dos militares feridos e doentes.
Com o sucesso obtido na sua empreitada em 1864 foi aprovada a primeira Convenção de Ge-
nebra.
A 1º Convenção de Genebra, sucederam-se diversas outras:
1. Segunda Convenção de Genebra – 1907, que visou a proteção de feridos, enfermos e náu-
fragos das forças armadas do mar;
2. Terceira Convenção de Genebra – 1929, que instituiu regime jurídico e proteção dos prisio-
neiros de guerra;
3. Quarta Convenção de Genebra – 1949, que revisou as convenções anteriores e acrescen-
tou a proteção em relação aos civis, inclusive em territórios ocupados.

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Às Convenções de Genebra, seguiram-se três protocolos:
a) Protocolo I de 1977 – proteção das vítimas dos conflitos armados internacionais, conside-
rando que conflitos armados contra dominação colonial, ocupação estrangeira ou regimes
racistas devem ser considerados como conflitos internacionais;
b) Protocolo II de 1977 – proteção de vítimas em conflitos armados não internacionais (guer-
ras civis);
c) Protocolo III de 2007 – adiciona o emblema do cristal vermelho ao lado da cruz vermelha e
do crescente vermelho.
Assim, o Direito Humanitário não visa impedir a guerra, mas tão somente regulamentar o uso
da força e da violência uma vez que o conflito armado é deflagrado.

•• Princípios de Direito Internacional Humanitário:

a) Princípio da Humanidade: De acordo com esse princípio, a dignidade humana deve ser
preservada por mais precária e gravosa que seja a situação;
b) Princípio da Necessidade: os bens civis devem ser respeitados e não podem ser alvos de
ataques e retaliações;
c) Princípio da Proporcionalidade: as partes devem utilizar de seus recursos bélicos de forma
proporcional a superar e vencer a parte adversa, rejeitando-se um malefício superior aos
ganhos militares pretendidos.

O COMITÊ INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA (CICV): A principal entidade responsável


pelo monitoramento do cumprimento do direito internacional humanitário pelos Estados é o
CICV, em realidade, uma organização independente e não-governamental cujo status e prerro-
gativas são reconhecidos nas próprias Convenções de Genebra.
O CICV visa defender e amparar as vítimas de guerras e catástrofes naturais, além de auxiliar no
contato com familiares e na busca por desaparecidos.
Embora não prevejam um órgão internacional voltado para aplicação de sanções, os tratados
que compõem o direito internacional humanitário podem ser invocados perante a CIJ e o TPI.
Deste modo, o desenvolvimento do direito internacional humanitário é considerado como um
dos precedentes históricos para a internacionalização dos direitos humanos.

O DIREITO INTENACIONAL DOS REFUGIADOS

O direito internacional dos refugiados também decorre de um “Convenção de Genebra”, que, a não
ser pelo nome, não se identifica com aquelas relacionadas ao direito internacional humanitário.
O principal instrumento do direito internacional dos refugiados é a Convenção das Nações
Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, adotada em 28/07/1951 e com vigência a partir de
22/04/1954.

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Essa Convenção definia o que se compreendia como refugiado e ao mesmo tempo estipulava
regras para a sua proteção e a concessão de asilo político pelos Estados-membros. Contudo, ela
possuía uma grave limitação de tempo: somente se aplicava aos refugiados em relação a even-
tos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951. A esse condicionamento denominou-se “reserva
temporal”.
Após um período de discussões internacionais, foi elaborado o Protocolo relativo ao Estatuto
dos Refugiados que entrou em vigor em outubro de 1967.
Com esse protocolo, deixaram de existir limitações geográficas e temporais para o reconheci-
mento do status de refugiado a determinadas categorias de pessoas, buscando-se agora confe-
rir efetiva proteção a todos aqueles que se deslocam em razão de uma crise política.
Refugiado: é todo o indivíduo que, em decorrência de fundados temores de perseguição, seja
relacionado a sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opi-
nião política e também por fenômenos ambientais, encontra-se fora de seu país de origem e
que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer regressar a ele.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) foi criado em 1949 e é
órgão integrante do Sistema da ONU responsável por garantir e assegurar aos refugiados a obser-
vância dos seus direitos e por monitorar e acompanhar os movimentos de refugiados no globo.
No Brasil, o direito dos refugiados foi regulamentado pela Lei nº 9.474/1997, que também criou
o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), órgão colegiado vinculado ao Ministério da
Justiça.
De acordo com o art. 1º dessa lei, será reconhecido como refugiado todo indivíduo que:
Art. 1º Será reconhecido como refugiado todo indivíduo que:
I – devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade,
grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou
não queira acolher-se à proteção de tal país;
II – não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual,
não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso ante-
rior;
III – devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de
nacionalidade para buscar refúgio em outro país.
Art. 2º Os efeitos da condição dos refugiados serão extensivos ao cônjuge, aos ascendentes e des-
cendentes, assim como aos demais membros do grupo familiar que do refugiado dependerem eco-
nomicamente, desde que se encontrem em território nacional.
O direito dos refugiados visa defender o ser humano em uma de suas condições mais fragiliza-
das: quando encontra-se desvinculado de sua terra natal e em ameaça de violência (seja física,
psicológica ou econômica) caso a ela retorne.

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Os Sistemas de Direitos Humanos

HISTÓRIA DOS DIREITOS HUMANOS

1. A ANTIGUIDADE ORIENTAL (período entre os séculos VIII e II a.C): é o primeiro passo rumo
á afirmação dos direitos humanos, com a emergência de vários filósofos de influência até
os dias de hoje (Zaratustra, Buda, Confúcio, Dêutero-Isaías), cujo ponto em comum foi a
adoção de códigos de comportamento baseados no amor e respeito ao outro.
•• Antigo Egito: reconhecimento de direitos de indivíduos na codificação de Menes (3100-
2850 a.C);
•• Suméria antiga: Código de Hammurabi, na Babilônia (1792-1750 a.C) – 1º código de nor-
mas de condutas, preceituando esboços de direitos dos indivíduos, consolidando os costu-
mes e estendendo a lei a todos os súditos do império.

1.CÓDIGO DE HAMURABI (+/-1700 AC, MESOPOTÂMIA)


Durante o período de hegemonia do império babilônico sobre a Mesopotâmia (1800-1500 a.C.) o
rei Hamurabi foi responsável por uma das mais importantes contribuições culturais daquele povo:
a compilação de um código de leis escrito quando ainda prevalecia a tradição oral, ou seja, em
que as leis eram transmitidas oralmente de geração em geração ou de forma consuetudinária.
Nos seus princípios, que regulam as relações de trabalho, família, propriedade e escravatura
já se denotam preocupações sobre os direitos humanos – estabelece por ex. o direito à remu-
neração através da regulação de determinadas profissões, a atribuição de apoios/indenizações
quando as pessoas eram consideradas beneficiárias e algum membro da família falecesse e a
diferenciação de classes no pagamento de serviços, sendo que as classes mais favorecidas pa-
gavam mais do que outras.

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No entanto, é fortemente marcado pela Lei de Talião na aplicação das penas, que estabelece a
equivalência da punição em relação ao crime – Olho por olho, dente por dente.
•• Suméria e Pérsia: Ciro II, no século VI a.C, aproximadamente em 539 a.C, os exércitos de
Ciro, O Grande, 1º rei da antiga Pérsia, conquistou a cidade da Babilônia. Mas foram as
suas seguintes ações que marcavam um avanço muito importante para o homem. Ele
libertou os escravos, declarou que todas as pessoas tinham o direito de escolher a sua
própria religião, e estabeleceu a igualdade racial. Estes e outros decretos registrados
num cilindro de argila na língua acádica. Este documento é conhecido atualmente como
o Cilindro de Ciro.

2. CILINDRO DE CIRO (539 AC, BABILÓNIA)


Em 539 a.C., os exércitos de Ciro, O Grande, o primeiro rei da antiga Pérsia, conquistaram a
cidade da Babilônia. Mas foram as suas ações posteriores que marcaram um avanço muito im-
portante para o Homem. Ciro libertou os escravos, declarou que todas as pessoas tinham o
direito de escolher a sua própria religião, e estabeleceu a igualdade racial. Estes e outros decre-
tos foram registados num cilindro de argila na língua acádica em escrita cuneiforme.
O Cilindro de Ciro como é hoje conhecido, foi descoberto em 1879 e a ONU traduziu o seu con-
teúdo em 1971 para todas as suas línguas oficiais. O Cilindro de Ciro é considerado a primeira
declaração de direitos humanos, ao permitir que os povos exilados na Babilônia regressassem
à suas terras de origem.
O Cilindro de Ciro (declaração de boa governança) foi agora reconhecido como a 1º carta de di-
reitos humanos do mundo. Está traduzido nas 6 línguas oficiais da ONU e é análogo aos quatro
primeiros artigos da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
•• China: no século VI e V a.C., Confúcio lançou as bases para a sua filosofia com ênfase na
defesa do amor aos indivíduos.
•• Budismo: introduziu um código de conduta pelo qual se prega o bem comum e uma socie-
dade pacífica, sem prejuízo a qualquer ser humano.
•• Islamismo: prescrição da fraternidade e solidariedade aos vulneráveis.

A visão Grega: Consolidação dos direitos políticos, com a participação política dos cidadãos
(Atenas a pólis as deliberações em praça pública na praça denominada Ágora).

•• Platão, em sua obra A República (400 a.C), defendeu a igualdade e a noção de bem co-
mum;
•• Aristóteles, na Ética a Nicômaco, salientou a importância do agir com justiça, para o bem
de todos da pólis, mesmo em face de leis injustas.
•• Antígona (peça de Sófocles) que luta para enterrar o seu irmão Polinice mesmo contra a or-
dem do tirano Creonte que havia realizado uma lei proibindo que aqueles que atentassem
contra lei da cidade fossem enterrados.

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Travando assim uma reflexão sobre a superioridade normativa de determinadas normas, mes-
mo em face da vontade do poder (contra a tirania, contra a injustiça e contra o Estado opres-
sor).
A REPÚBLICA ROMANA: tem grande contribuição na sedimentação do princípio da legalidade.
A Lei das Doze Tábuas, ao estipular a lex scripta como regente de condutas, deu um passo na
direção da vedação ao arbítrio.
Reconhecimento da igualdade entre todos os seres humanos, em especial pela aceitação do jus
gentium, o direito aplicado a todos romanos ou não.
Marco Túlio Cícero retoma a defesa da razão reta (recta ratio), salientando, na República, que a
verdadeira lei é a lei da razão, inviolável mesmo em face da vontade do poder (apesar das dife-
renças os homens podem permanecer unidos se adotarem o “viver reto”).
•• INFLUÊNCIAS DO CRISTIANISMO (ANTIGO E NOVO TESTAMENTO): Os 5 livros de Moisés
(Torah): apregoam solidariedade e preocupação com o bem-estar de todos (1800-1500
a.C.). Antigo testamento: faz menção à necessidade de respeito a todos, em especial aos
vulneráveis. Cristianismo contribuiu para a disciplina: há vários trechos da Bíblia (Novo Tes-
tamento) que pregam a igualdade e solidariedade com o semelhante.

3. LEI DAS XII TÁBUAS (450 AC, ROMA)


A Lei das XII Tábuas foi um importante documento não apenas da História de Roma, mas para
toda a posteridade. Foi o primeiro documento legal escrito do direito romano, pedra angular
onde se basearam muitos instrumentos jurídicos do Ocidente.
A sua importante contribuição para os direitos humanos prende-se com dois fatores:
•• o estabelecimento do princípio da igualdade perante a lei, ao descrever como deverá ser o
procedimento judicial;
•• e o princípio da informação: as tábuas de madeira eram afixadas no Fórum romano, de
maneira a que todos pudessem lê-las e conhecê-las, contrariando as práticas segundo as
quais as leis eram guardadas em segredo e os plebeus eram frequentemente surpreendi-
dos com a sua execução.

A IDADE MÉDIA E A IDADE MODERNA


Na idade média o poder dos governantes era ilimitado, pois era fundado na vontade divina
(Clero e a nobreza).
Surgimento dos primeiros movimentos de reivindicação de liberdades a determinados esta-
mentos, como a Declaração das Cortes de Leão adotada na Península Ibérica em 1188 (Reino
de Espanha) e a Magna Carta inglesa de 1215.
A Carta Magna (1215) foi possivelmente a influência inicial mais significativa no amplo processo
histórico que conduziu o constitucionalismo ocidental hoje conhecido.

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Em 1215 depois de que o Rei João Sem-terra da Inglaterra violou um número de leis antigas e
costumes pelos quais a Inglaterra tinha sido governada, seus súditos, principalmente os barões
revoltados com as arbitrariedades do seu soberano, forçaram o rei a assinar a Magna carta
que enumera o que mais tarde veio a ser considerados como direitos humanos. Entre eles
estava o direito da igreja de ser livre da interferência governamental, os direitos de todos os
cidadãos livres de possuir e herdar a propriedade e ser protegidos de impostos excessivos. Os
princípios do devido processo legal e igualdade da lei, bem como determinações que proibiam
o suborno e a má conduta oficial.

4. MAGNA CARTA (1215, INGLATERRA)


A Magna Carta é um documento de 1215 que limitou o poder dos monarcas de Inglaterra. Com
este documento os monarcas tiveram que renunciar a certos direitos, respeitar determinados
procedimentos legais, bem como reconhecer que a vontade do rei estaria sujeita à lei. Impediu
assim o exercício do poder absoluto pelos monarcas e é amplamente visto como um dos docu-
mentos legais mais importantes no desenvolvimento da democracia moderna.
A Magna Carta consagra, entre outros, o direito de todos os cidadãos livres possuírem e herda-
rem propriedade e serem protegidos de impostos excessivos; o direito das viúvas que possu-
íam propriedade a decidir não voltar a casar; o estabelecimento dos princípios processuais e a
igualdade perante a lei e o direito da igreja de estar livre da interferência do governo. Contém
ainda provisões que proíbem o suborno e a má conduta oficial.
Considera-se que a Magna Carta é o primeiro capítulo de um longo processo histórico que leva-
ria ao surgimento do constitucionalismo.

•• Renascimento e reforma protestante: crise da Idade Média deu lugar ao surgimento dos
Estados Nacionais absolutistas e a soc. estamental (dividida por estamentos, o que impedia
a ascensão social) medieval foi substituída pela forte centralização do poder na figura do
rei. Com a erosão da importância dos estamentos (igreja e senhores feudais), surge a ideia
da igualdade de todos submetidos ao poder absoluto do rei, o que não exclui a opressão e
a violência, como o extermínio perpetrado contra indígenas na América.

O Século XVII: o Estado Absolutista foi questionado, em especial na Inglaterra. A busca pela
limitação do poder é consagrada na Petition Of Rights de 1628.
A Petição de Direitos afirmou 4 princípios: Nenhum tributo pode ser imposto sem o consen-
timento do Parlamento; Nenhum súdito pode ser encarcerado sem motivo demonstrado (a
reafirmação do direito de habeas corpus); Nenhum soldado poder aquartelado nas casas dos
cidadãos; A Lei Marcial não pode ser usada em tem de paz.
A edição do habeas Corpus Act (1679) formaliza o mandado de proteção judicial aos que ha-
viam sido injustamente presos, existente tão somente no direito consuetudinário inglês (com-
mon law).
Em 1689 (após a Revolução Gloriosa): edição da “Declaração Inglesa de Direitos”, a “Bill of Ri-
ghts” (1689), pelo qual o poder autocrático dos reis ingleses é reduzido de forma definitiva.

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5. PETIÇÃO DE DIREITO (1628, INGLATERRA)
A petição de Direito é um documento produzido pelo Parlamento Inglês em resposta à situação
que o país atravessava: o Rei Carlos I, perante a rejeição do Parlamento em financiar a sua po-
lítica exterior, exigia empréstimos forçados, aquartelava as tropas nas casas dos súbditos como
medida econômica e impressionava os seus opositores políticos. Estas políticas produziram no
Parlamento uma hostilidade ao Rei e ao Duque de Buckingham, levando a redação da Petição
de Direito que se baseia em estatutos e cartas anteriores e que afirma quatro princípios:

1. Nenhum tributo pode ser imposto sem o consentimento do Parlamento,


2. Nenhum súbdito pode ser encarcerado sem motivo demonstrado (a reafirmação do direito
de habeas corpus)
3. Nenhum soldado pode ser aquartelado nas casas dos cidadãos
4. A Lei Marcial não pode ser usada em tempo de paz

Em 1701: aprovação do Act of Settlement, que enfim fixou a linha de sucessão da coroa inglesa,
reafirmou o poder do Parlamento e da vontade da lei, resguardando-se os direitos dos súditos
contra a volta da tirania dos monarcas.

6. DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS EUA (1776)


A Declaração da Independência dos Estados Unidos da América foi o documento no qual, as
treze Colônias na América do Norte declararam a sua independência da Grã-Bretanha e onde
justificam este ato. Esta declaração foi aprovada pelo Congresso dos EUA no dia 4 de julho de
1776, dia que ainda hoje se celebra como o Dia da Independência dos EUA.
Filosoficamente, a Declaração acentuou dois temas: os direitos individuais e o direito de revo-
lução. Estas ideias tornaram-se largamente apoiadas pelos americanos e também se difundi-
ram internacionalmente, influenciando em particular a Revolução Francesa.
A Declaração de Independência inspirou ainda documentos de direitos humanos em todo o
mundo.

7. A CONSTITUIÇÃO DOS EUA (1787) E A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS (1791)


Escrita durante o verão de 1787 em Filadélfia, a Constituição dos Estados Unidos da América é
a lei fundamental do sistema federal do governo dos Estados Unidos e um documento de re-
ferência do mundo Ocidental. Esta é a mais antiga constituição nacional escrita que está em
uso e que define os órgãos principais de governo e suas jurisdições e os direitos básicos dos
cidadãos.
As dez primeiras emendas da Constituição, que constituem a Declaração dos Direitos (Bill of
Rights), entraram em vigor no dia 15 de dezembro de 1791, limitando os poderes do governo
federal dos Estados Unidos e protegendo os direitos de todos os cidadãos, residentes e visi-
tantes no território americano.

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A Declaração dos Direitos protege a liberdade de expressão, a liberdade de religião, o direito


de guardar e usar armas, a liberdade de reunião e a liberdade de petição. Proíbe a busca e
detenção sem razão, o castigo cruel e insólito e auto – incriminação forçada.
Entre as proteções legais que proporciona, a Declaração dos Direitos proíbe que o Congresso
faça qualquer lei que regule a escolha da religião e proíbe o governo federal de privar qual-
quer pessoa da vida, da liberdade ou da propriedade sem os devidos processos legais.

8. A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO (1789,


FRANÇA)
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é o documento culminante da Revolu-
ção Francesa, que define os direitos individuais e coletivos dos homens (tomada a palavra na
acepção de "seres humanos") como universais. Influenciada pela doutrina dos "direitos natu-
rais", os direitos dos homens são tidos como universais: válidos e exigíveis a qualquer tempo e
em qualquer lugar, pois pertencem à própria natureza humana.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi adotada pela Assembleia Constituinte
Nacional apenas seis semanas depois da tomada da Bastilha, que pôs fim à monarquia absoluta
e abriu caminho ao estabelecimento da primeira República Francesa.
A Declaração proclama que todos os cidadãos devem ter garantidos os direitos de “liberdade,
propriedade, segurança, e resistência à opressão”. Argumenta que os direitos só podem ser
limitados quando estiver em causa o usufruto dos mesmos direitos por outras pessoas: “… o
exercício dos direitos naturais de cada homem tem só aquelas fronteiras que asseguram a ou-
tros membros da sociedade o desfrutar destes mesmos direitos”.
Portanto, a Declaração vê a lei como “uma expressão da vontade geral”, que tem a intenção de
promover esta igualdade de direitos e proibir “ações prejudiciais para a sociedade”.

OS DIREITOS HUMANOS ANTES DA ONU

A Liga das Nações foi uma organização internacional criada em abril de 1919, quando a Confe-
rência de Paz de Paris adotou seu pacto fundador, posteriormente inscrito em todos os trata-
dos de paz.
Ainda durante a Primeira Guerra Mundial, a idéia de criar um organismo destinado à preserva-
ção da paz e à resolução dos conflitos internacionais por meio da mediação e do arbitramento
já havia sido defendida por alguns estadistas, especialmente o presidente dos Estados Unidos,
Woodrow Wilson. Contudo, a recusa do Congresso norte-americano em ratificar o Tratado de
Versalhes acabou impedindo que os Estados Unidos se tornassem membro do novo organismo.
Com fim da 1º guerra mundial (1914-1918), os países vencedores se reuniram em Versalhes,
no subúrbio de Paris na França, em janeiro de 1919 para firmar um tratado de paz, o Tratado
de Versalhes. Um dos pontos do tratado era a criação de um organismo internacional que tives-
se como finalidade assegurar a paz num mundo traumatizado pelas dimensões do conflito que
se encerrara.

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Em 15/11/1920, teve lugar em Genebra/Suíça, a 1º Assembleia Geral da Liga das Nações. Os
objetivos da organização eram impedir as guerras e assegurar a paz, a partir de ações diplomá-
ticas, de diálogos e negociações para a solução dos litígios. Porém, infelizmente não se conse-
guiu impedir a 2º guerra.
A Liga das nações segundo a profa. dra. Flávia Piovesan: tinha como finalidade promover a co-
operação, paz e segurança internacional, condenando agressões externas contra a integridade
territorial e a independência política dos seus membros.
O Brasil aderiu desde o início à Liga das Nações, porém por ato isolado do presidente da Repú-
blica Artur Bernardes que após seis anos se desligou (denunciou) do tratado sem a anuência do
Congresso Nacional.
Já os Estados Unidos não ratificaram o tratado. As eleições para o congresso americano (Sena-
do) em 1918 deram a vitória ao Partido Republicano que era oposição ao Presidente Woodrow
Wilson, portanto o Partido Republicano que assumiu o controle do Senado por duas vezes blo-
queou a ratificação do tratado de Versalhes, favorecendo o isolamento do país opondo-se à
Sociedade das Nações. Assim, os Estados Unidos nunca aderiram à Sociedade das Nações e
negociaram em separado uma paz com a Alemanha: o Tratado de Berlim de 1921, que con-
firmou a pagamento de indenizações e de outras disposições do Tratado de Versalhes, mas ex-
cluiu explicitamente todos os assuntos relacionados com a Sociedade das Nações.
Sem a participação americana e não possuindo forças armadas próprias, o poder de coerção da
Liga das Nações baseava-se apenas em sanções econômicas e militares. Sua atuação foi bem-
-sucedida no arbitramento de disputas nos Bálcãs e na América Latina, na assistência econômi-
ca e na proteção a refugiados, na supervisão do sistema de mandatos coloniais e na administra-
ção de territórios livres como a cidade de Dantzig. Mas, ela se revelou impotente para bloquear
a invasão japonesa da Manchúria (1931), a agressão italiana à Etiópia (1935) e o ataque russo à
Finlândia (1939). Em abril de 1946, o organismo se autodissolveu, transferindo as responsabili-
dades que ainda mantinha para a recém-criada Organização das Nações Unidas, a ONU.

A ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO


A OIT foi criada em 1919, como parte do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra
Mundial.
A sua constituição converteu-se na Parte XIII do Tratado de Versalhes (1919).
Fundou-se sobre a convicção primordial de que a paz universal e permanente somente pode
estar baseada na justiça social. É a única das agências do Sistema das Nações Unidas com uma
estrutura tripartite, composta de representantes de governos e de organizações de emprega-
dores e de trabalhadores. A OIT é responsável pela formulação e aplicação das normas interna-
cionais do trabalho (convenções e recomendações).
As convenções,  uma vez ratificadas por decisão soberana de um país, passam a fazer parte de
seu ordenamento jurídico. O Brasil está entre os membros fundadores da OIT e participa da
Conferência Internacional do Trabalho desde sua primeira reunião. Na primeira Conferência
Internacional do Trabalho, realizada em 1919, a OIT adotou seis convenções.

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Em 1944, à luz dos efeitos da Grande Depressão e da 2º Guerra Mundial, a OIT adotou a Decla-
ração da Filadélfia como anexo da sua Constituição. A Declaração antecipou e serviu de modelo
para a Carta das Nações Unidas e para a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH).
Em junho de 1998 (86º sessão) foi adotada a Declaração da OIT sobre os Princípios e Direitos
Fundamentais do Trabalho e seu Seguimento. O documento é uma reafirmação universal da
obrigação de respeitar, promover e tornar realidade os princípios refletidos nas Convenções
fundamentais da OIT, ainda que não tenham sido ratificadas pelos Estados-membros.
Atualmente a OIT estabeleceu um patamar mínimo de proteção dos trabalhadores e conseguiu
identificar os sujeitos de proteção, tais como crianças, gestantes e idosos.
A OIT tem sede em Genebra/Suíça.
Direito Humanitário: As Convenções de Genebra (1949) e seus Protocolos Adicionais são a es-
sência do Direito Internacional Humanitário (DIH), o conjunto de leis que rege a conduta dos
conflitos armados e busca limitar seus efeitos. Eles protegem especificamente as pessoas que
não participam dos conflitos (civis, profissionais de saúde e de socorro) e os que não mais parti-
cipam das hostilidades (soldados feridos, doentes, náufragos e prisioneiros de guerra).

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