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VISÃO DINÂMICA PARA O ESTUDANT

BRANDÃO, MÍRIAM C. S.

CIRCULA

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105865
UBC- BIBUOTECA
Conteúdo

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA Ossos do Esqueleto Axial, 14


ANATOMIA HUMANA, l Esqueleto Cefálico, 14
Brandão, Míriam C. S. Tórax, 15
Classificação dos Ossos, 15
Estudo da Anatomia Humana, 2
Características Anatómicas dos Ossos Longos, 16
Posição Anatómica, 3
Planos de Delimitação do Corpo Humano, 3 Características do Esqueleto Cefálico, 17
Planos de Secção do Corpo Humano, 3 Generalidades Sobre o Esqueleto Cefálico, 17
Divisão do Corpo Humano, 4 Regiões Comuns entre o Crânio e a Face, 17
Termos de Direção e de Posição, 4 Pontos Craniométricos, 18
Planos de Construção (ou Princípios de índices Cranianos, 20
Construção) do Corpo Humano, 5 Considerações Finais, 21
Conceitos em Anatomia, 5 Coluna Vertebral, 22
Divisão Anatómica, 22
Características Gerais de uma Vértebra, 23
SISTEMATEGUMENTAR, 7
Brandão, Míriam C. S.
Características Individuais das Vértebras, 24
Coluna Vertebral Como um Todo:
Pele, 7
Curvaturas, 25
Epiderme, 7
Pelve Óssea, 25
Derme, 8
Estreito Superior, 25
Tela Subcutânea, 8
Diâmetros do Estreito Superior, 26
Glândulas Sudoríparas—Glândulas Sebáceas—Pêlos
Cavidade Pélvica, 26
e Unhas, 8
Diâmetros, 26
Pêlos, 9
Abertura Inferior, 26
Unhas, 9
Diâmetros, 26
Classificação das Pelves, 26
SISTEMA ESQUELÉTICO, 11 Através de Medidas (índice Pélvico), 26
Brandão, Míriam C. S.
Através da Forma do Estreito Superior
Funções dos Ossos e do Esqueleto, 11 (Morfologia), 27
Número de Ossos, 11 Diferenças Sexuais, 27
Estrutura e Composição, 12
Elementos Descritivos dos Ossos, 13
Divisão Anatómica do Sistema Esquelético, 13
ARTROLOGIA, 35
Brandão, Míriam C. S.
Esqueleto Apendicular, 13
Membro Superior, 13 Classificação das Articulações de Acordo com o
Membro Inferior, 13 Tecido Interposto, 35
Cinturas Escapular e Pélvica, 14 Elementos Anatómicos de uma Articulação
Cintura Escapular, 14 Sinovial, 36
Cintura Pélvica, 14 Terminologia da Motilidade Articular, 36
xhf CONTEÚDO

5 MIOLOGIA, 39 Divisão Anatómica, 63


Brandão, Míriam C.S. Região Traqueal do Pescoço (Anterior 1.1
Número de Músculos, 39 Regiões Anteriores, 63
Tipos de Músculos, 39 Regiões Póstero-laterais, 66
Componentes Anatómicos dos Músculos
Estriados Esqueléticos, 39 SISTEMA CARDIOVASCULAR, 71
Classificação dos Músculos Estriados Brandão, Míriam C. S.
Esqueléticos, 40 Aspectos Gerais: Coração e Vasos Sanguíneos, "i
De Acordo com a Organização das Fibras Coração, 71
Musculares, 40 Forma, Situação e Posição, 72
De Acordo com a Origem,
o '
40 Constituição, 72
De Acordo com a Inserção, 41 Morfologia Externa, 72
De Acordo com o Número de Ventres, 41 Morfologia Interna, 73
De Acordo com a Ação, 41 Sistema de Condução Cardíaca e Iner
De Acordo com a Função, 41 Extrínseca, 74
Origem (O)—Inserção (I)—Ação (A) e Inervação Artérias e Veias Coronárias, 75
(N) dos Principais Grupos Musculares
Sistema Linfático Cardíaco, 76
Corpóreos, 42
Artérias e Veias, 76
Músculos da Cabeça, 42
Circulação Sistémica (ou Grande
Músculos do Pescoço, 44
Circulação), 77
Região Àntero-lateral, 44
Circulação Pulmonar (ou Pequena
Músculos da Língua e do Palato, 46
Circulação), 77
Músculos que Atuam na Coluna Vertebral, 46
Sistema Linfático, 77
Músculos que Atuam na Escápula, 47
Músculos que Promovem a Protrusão da
SISTEMA RESPIRATÓRIO, 81
Escápula, 48
Brandão, Míriam C. S.
Músculos que Projetam a Escápula
Anteriormente, 49 Divisão Anatómica, 81
Músculos Rotadores Superiores da Escápula, 49 Via de Condução Aérea, 81
Músculos Rotadores Inferiores da Escápula, 49 Via Respiratória, 81
Músculos que Agem nas Articulações do Nariz, 81
Membro Superior, 49 Cavidade Nasal, 82
Ombro, 49 Seios Paranasais, 82
Cotovelo, 50 Faringe, 83
Punho, 52 Laringe, 83
Músculos que Agem nas Articulações do Traquéia, 84
Membro Inferior, 52 Brônquios, 84
Quadril, 52 Pulmões, 85
J
Toelho, 55 Parede Àntero-lateral do Tórax, 86
Músculos que Atuam nas Mãos, 56 Pontos de Reparo na Parede do Tórax, 87
Músculos que Atuam nos Polegares, 58 Região Ventral, 87
Músculos que Atuam nos Pés, 59 Região Dorsal, 87
Músculos que Atuam no Hálux, 61 Região Lateral, 87
Músculos que Atuam na Respiração, 62 Generalidades Sobre o Tórax, 87
Pescoço, 63 Junturas do Tórax, 87
Forma, 63 Tecidos Moles da Parede Torácica, 8!
Músculos que Atuam Sobre as Costelas, 8! Incisivo Central Inferior, 110
Nervos da Parede Torácica, 88 Incisivo Lateral Inferior, 111
Nervos Espinhais Torácicos, 88 Dentes Anteriores—Caninos, 111
Particularidades dos Nervos Intercostais, i Canino Superior, 111
Artérias da Parede Torácica, 88 Canino Inferior, 111
Circulação Colateral, 89 Dentes Posteriores—Pré-molares, 112
Veias da Parede Torácica, 89 l.° Pré-molar Superior, 112
Veias Superficiais da Parede Torácica, 89 2.° Pré-molar Superior, 112
Drenagem Linfática da Parede do Tórax, 89 l.° Pré-molar Inferior, 113
Sistema Azigos-Hemiázigos-Hemiázigos 2.° Pré-molar Inferior, 113
Acessório, 89 Dentes Posteriores—Molares, 113
l.° Molar Superior, 113
SISTEMA DIGESTÓRIO, 95 2.° Molar Superior, 114
Brandão, Míriam C. S. 3.° Molar Superior, 114
1.° Molar Inferior, 114
Divisão Anatómica, 95
2.° Molar Inferior, 115
Boca, 95
3.° Molar Inferior, 115
Cavidade Bucal, 95
Conteúdo da Cavidade Bucal, 96
Faringe, 97 10 SISTEMA ENDÓCRINO, 117
Esôfago, 97 Brandão, Míriam C. S.

Estômago, 98 Distribuição dos Órgãos Endócrinos, 117


Intestino Delgado, 98 Generalidades Sobre os Órgãos Endócrinos, 118
Jejuno e íleo, 98 Órgãos e Hormônios, 120
Intestino Grosso, 98 - •- ^
Órgãos Anexos ao Canal Alimentar, 99 1 1 SISTEMA URINÁRIO, 1 23
Parede Ântero-lateral do Abdome^ 99 Brandão, Míriam C. S.
Regiões da Parede Ântero-lateral do
Rim, 123
Abdome, 100
Ureteres, 124
Músculos da Parede Ântero-lateral do
Bexiga Urinária, 124
Abdome, 100
Uretra, 124
Aponeurose Tóraco-lombar, 100
Bainha do Reto do Abdome, 100
1 2 SISTEMA GENITAL FEMININO, 1 27
Brandão, Míriam C. S.
ANATOMIA DOS DENTES, 107,
Siqueira Filho, C. Órgãos Genitais Internos, 127
Órgãos Genitais Externos, 129
Conceito e Funções, 107
Mamas, 130
Constituição, 107
Componentes Anatómicos, 108
Dentições, 108 1 3 SISTEMA GENITAL MASCULINO, 1 33
Brandão, Minara C. S.
Terminologia Anatómica dos Dentes, 108
Elementos Descritivos dos Dentes, 109 Órgãos Genitais Externos, 133
Dentes Permanentes—Estudo Individual, 109 Testículos, Escroto, Epidídimos e Funículo
Dentes Anteriores—Incisivos, 110 Espermático, 133
Incisivo Central Superior, 110 Duetos Deferentes, 134
Incisivo Lateral Superior, 110 Pênis, 134
xvi CONTEÚDO

Órgãos Genitais Internos, 135 Tratos de Associação do Tronco Encefálico, 153


Glândulas Vesiculosas, 135 Formação Reticular, 154
Próstata, 135 Sono e Vigília, 154
Glândulas Bulbo-uretrais, 135 Resumo dos Principais Reflexos Integrados da
Dueto Ejaculador, 135 Formação Reticular, 155
Principais Reflexos Integrados no Tronco
14 SISTEMA NERVOSO, 137 Encefálico, 156
Brandão, Míriam C. S. Reflexo de Movimento dos Olhos por Estímulos
Vestibulares, 159
Introdução ao Estudo do Sistema Nervoso, 137
Cerebelo, 160
Divisão Embrionária do Sistema Nervoso, 138
Divisão Anatómica do Cerebelo, 160
Divisão Anatómica do Sistema Nervoso, 138
Neurônios Cerebelares, 161
Sistema Nervoso Central, 138
Filogênese Cerebelar, 162
Sistema Nervoso Periférico, 139
Divisão e Componentes Funcionais do
Nervos Espinhais, 141
Cerebelo, 162
Componentes Funcionais dos
Arquicerebelo, 162
Nervos Espinhais, 142
Paleocerebelo, 162
Unidades: Motora e Sensitiva, 142
Neocerebelo, 163
Divisão Funcional do Sistema Nervoso, 143
Diencéfalo, 163
Divisão Metamérica do Sistema Nervoso, 143
Tálamo, 163
Medula Espinhal, 143
Hipotálamo, 164
Estudo das Substâncias Branca e Cinzenta
Epitálamo, 165
Medular, 143 Subtálamo, 165
Substância Branca, 143 Sistema Nervoso Autónomo, 165
Substância Cinzenta, 144 Sistema Nervoso Simpático, 165
Neurônios Medulares, 145 Sistema Nervoso Parassimpático, 166
Vias Ascendentes da Medula Espinhal Telencéfalo, 166
(Vias Sensitivas), 145 Estudo da Substância Branca, 166
Vias Descendentes da Medula Espinhal Estudo da Substância Cinzenta, 167
(Vias Motoras), 147 Classificação Funcional do Córtex
Conceitos Gerais, 147 Cerebral, 168
Lesões Medulares, 148 Áreas Primárias (Unimodais), 168
Tronco Encefálico, 149 Áreas de Projeções Sensitivas, 168
Grupo de Nervos Cranianos, 150 Áreas de Projeções Motoras, 168
Origens: Real e Aparente dos Nervos Áreas Secundárias (Unimodais), 169
Cranianos, 150 Áreas de Associações Sensitivas, 169
Resumo: Componentes Funcionais dos Nervos Áreas de Associações Motoras, 169
Cranianos, 151 Áreas Terciárias (Supramodais), 169
Núcleos Próprios do Tronco Encefálico, 152 Circuitos Cerebrais: Motor Básico e
Núcleos do Mesencéfalo, 152 Subsidiário, 169
Núcleos da Ponte, 152 Principais Lesões, 169
Núcleos do Bulbo, 152 Sistema Límbico, Memória e Esquema
Principais Vias Ascendentes do Tronco Corporal, 170
Encefálico, 152 Memória, 170
Principais Vias Descendentes do Tronco Esquema Corporal, 171
Encefálico, 153 Meninges, 171
CONTEÚDO rm

15 SISTEMA SENSORIAL: ÓRGÃOS DOS


Dura-máter, 171
Aracnóide, 172 SENTIDOS, 182
Pia-máter, 172 Brandão, Míriam C. S.

Funções das Meninges, 173 Orelha, 182


Espaços Meníngeos Espinhais, 173 Olho, 183
Vascularização Cerebral, 173 Olfato, 184
Irrigação, 173 Língua, 184
Drenagem Venosa, 174
Líquido Cérebro-espinhal (Líquor), 174 REFERÊNCIAS, 185
Formação-Circulação-Absorção, 174 ÍNDICE ALFABÉTICO, 189
BRANDÃO, MÍRIAM C.S.

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA
ANATOMIA HUMANA

Achados históricos revelam que várias civilizações buscaram identificar e


compreender essa complexa organização que é o corpo humano.
Os primeiros registros encontrados no Egito apontam nessa direção. Na Gré-
cia, 400 a.C., Hipócrates de Cós investigou e interpretou de modo significativo
observações anatómicas, sendo considerado um dos fundadores dessa ciência. Assim,
diferentes estudiosos ao longo dos tempos passam a escrever sobre Anatomia. No
começo, de modo empírico, misturavam-se fenómenos naturais e religiosos, crian-
do-se uma atmosfera mística e contemplativa da criação. Nesse enfoque, Galeno de
Pérgamo (l 30-200) estabelece e cria princípios que avançam ao longo dos tempos.
Contudo, os relatos mostram que as investigações não param, e acredita-se que, por
volta de 1240, na Itália, tenha sido realizada uma das primeiras dissecações em hu-
manos. Desta forma, instala-se a era científica, intuitiva e racional, na busca de trans-
formações de conceitos até então aceitos. Assim, o século XV vislumbra assustado a
exposição de obras artísticas, marcadas principalmente por um de seus maiores no-
mes, Leonardo da Vinci (1452-1519). Porém, a exata compreensão da dimensão
da organização morfofuncional do corpo humano é inegavelmente reconhecida em
"De Humani Corporis Fabrica" de Andreas Vesaliuss, de Bruxelas (1514-
1564), que abala e reforma todo o pensamento tradicionalista vigente. Os séculos
XVII, XVIII e XIX explodem em novidades transformadoras, evidenciando-se incrí-
veis descobertas, como as de William Harvey (1578-1657) ao descrever a circula-
ção sanguínea, as análises microscópicas de Marcello Malpighi (1628-1694), a
Anatomia Patológica de Giovanni Battista Morgagni (1682-1771), a classifica-
ção dos tecidos por Xavier Bichat (1771-1802), além dos intrigantes raios X por
Wilhem Conrad Rõntgen (1845-1923). A partir daí, amplia-se o domínio da
conjugação "observação e racionalismo", e, em 1832 em Londres, é regulamen-
tado o uso de cadáveres não reclamados para estudo nas Universidades. As con-
quistas não cessam, e em 1895 nasce uma das primeiras sociedades de Anatomia
na Alemanha, que logo posteriormente é seguida por outros países como Ingla-
terra e Estados Unidos. A clareza e a liberdade intelectual se associam em
2 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA

paralelo aos avanços tecnológicos. Desta maneira, a Anatomia acompanha a pró-


pria evolução do homem, em seus diferentes territórios geográficos associados
aos diversos períodos históricos. Assim, ela avança por esse século, dentro de uma
evolução tecnológica ímpar, para o bem da espécie humana.
Nesse contexto, define-se Anatomia como a ciência que estuda macro- e
microscopicamente, estrutura e ultra-estrutura orgânica, identificando-se
a fornia e a função dos seres. Porém, os mecanismos funcionais são mais bem
compreendidos pela Fisiologia.
A palavra Anatomia deriva do grego "anatome", que quer dizer "cortar em
partes". Outro termo também aplicado é Dissecação ("dissecari"), que significa
"cortar separadamente", representando, assim, ambos o mesmo caráter funcio-
nal.

ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA


O estudo da Anatomia Humana abrange diferentes áreas de aplica-
ção e de correlação. Assim, vários ramos de conhecimento baseiam-se nela, como
Anatomia Histológica, Celular, da Imagem (Imagologia), Animal, Vegetal,
Artística, entre outras.
Dentro de cada formação profissional, é dado um determinado enfoque, conju-
gando perfis harmónicos de interações multiprofissionais, para melhor se com-
preendê-la. Assim, didaticamente, o estudo da Anatomia engloba: uma Ana-
tomia Sistémica, que estuda de modo descritivo geral os sistemas corpóreos, a fim
de se relatarem a forma, as estruturas e as funções dos diferentes órgãos, sistemas
e aparelhos. E, por outro lado, uma Anatomia Topográfica, que é analítica e
descreve de maneira focal as várias regiões do corpo humano, promovendo, assim,
um estudo mais direcionado dentro de um determinado local.
No entanto, para se estudar Anatomia Humana, é fundamental se entender que
há uma linguagem técnica e precisa que deve ser empregada para realizar as des-
crições. Esta constitui um conjunto de termos que é empregado para designar e
indicar cada componente estrutural do corpo humano. Esse conjunto de termos
chama-se Terminologia Anatómica. Ainda, observa-se que alguns princípios da
Terminologia Anatómica são necessários no estudo diário, sendo importante
reconhecê-los, como:

a. a língua oficial é o latim, devendo a mesma ser traduzida para o vernáculo de


cada pai s;
b. devem-se evitar epônimos (nome de pessoas a estruturas anatómicas) para se
evitarem possíveis erros ou duplicidade. Ex.: em vez de tuba de Eustáquio,
prefira tuba auditiva;
c. os termos devem ser breves e simples, além de explicativos e informativos, fa-
vorecendo assim a interpretação dos mesmos. Ex.: m. pronador quadrado;
d. sempre que possível, relaciona-se a topografia à etimologia (Ex.: região da per-
na = região sural; lat."sura" = perna);
e. é necessário se usarem abreviações convencionais para esses casos: a.(artéria);
aã.(artérias); v.(veia); w.(veias); n.(nervo); nn.(nervos); m.(músculo);
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA 3

mm.(músculos); lig.(ligamento); ligg.(ligamentos); gl.(glândula); e


gls. (glândulas).
POSIÇÃO ANATÓMICA
JPara se realizar o estudo da Anatomia Humana, considera-se que todas as
descrições são realizadas a partir de uma posição anatómica. Por conven-
:ão, estabeleceu-se: indivíduo bípede (ortostático), com a face voltada para a fren-
e~crõlhar dirigido para o horizonte, membros superiores ao longo do tronco com
as palmas das mãos voltadas para a frente, membros inferiores unidos com as pontas
dos dedos dirigidas para a frente.

PLANOS DE DELIMITAÇÃO DO CORPO HUMANO


Uma vez definido o corpo em posição anatómica, é possível se descrever que
planos imaginários tornam-se tangentes ao corpo humano. Na verdade, são pla-
"Ttõs que tocam as porções ventral, dorsal, cranial, podálica e laterais direita e esquer-
~~ dlTdo mesmo.^Deste rnodo, obtêm-se seis planos de delimitação. Esses planos
unidos entre si definem a figura geométrica do paralelepípedo. Assim, resumem-se:
^ja. plano ventral: é tangente à porção anterior do corpo;
b. plano dorsal: é tangente à porção posterior do corpo;
cTplano cranialTe tangente à cabeça;
"~d7 plano podálico: é tangente à planta dos pés;
~"€^ planos laterais: são tangentes às laterais direita e esquerda
Ainda, quando as descrições são feitas para membros, empregam-se os termos
anterior e posterior, em vez de ventral e dorsal. Além disso, eranial e podálico
são específicos para aquelas regiões, implicando assim a necessidade dos termos su-
perior e inferior, respectivamente, em outras situações.
- .-, ------ - --- " ~"v- -- —— ' • • ---- . -- — " — -- -—^ _-— --------

PLANOS DE SiCCAO DO CORPO HUMANO


Os planos de secção são aqueles que cortam imaginariamente o corpo hu-
mano,, ou seja;—
a. plano frontal (coronal): divide o corpo em metades.anterior e posterior,;
b. plano sagital mediano: divide o corpo em metades laterais direita e esquer-
daL
c. plano transversal: divide o corpo em metades superior e inferior.
Tendo em vista que a figura geométrica que define o corpo humano em posição
anatómica é o paralelepípedo, podem-se traçar linhas imaginárias, ou seja, eixos que
"unem centros de planos, lado a lado. O eixo que une o centro do plano superior
~ãõ centro do plano inferior é o longitudinal (súpero-inferior). Aquele que une o
centro do plano anterior ao centro do plano posterior é o sagital (ântero-posterior),
e o que faz a união dos centros dos planos laterais é o transversal (ou laterolateral).
Assim, ppde-se notar que, ao se deslizarem esses eixos, tem-se a formação dos planos
de secção, como segue:
4 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA

: a. deslizando-se o eixo ântero-posterior sobre o eixo longitudinal, obtém-


—se~o plano sagital mediano;
b. deslizando-se o eixo transversal ao longo do eixo longitudinal, forma-se o
plano frontal;
c. deslizando-se o eixo transversal sobre o eixo ântero-posterior, obtém-se
o plano transversal.

DIVISÃO DO CORPO HUMANO


^Anatomicamente, o corpo humano encontra-se dividido em:_J

crânio (neurocrânip)
face (viscerocrânio ou esplancnocrânio)

regiões ântero-laterais direita e esquerda


2. pescoço
ião da nuca
região

tórax s/
3. tronco { abdome •-'J^,--
pelve

4. membros
porção fixa: ombro (raiz = cintura escapular)
superiores -j porção móvel: braço, cotovelo, antebraço, punho e mão
(carpo, metacarpo, palma, dorso e falanges —1.° ao V.° dedos)

porção fixa: quadril (raiz = cintura pélvica)


inferiores porção móvel: coxa, joelho, perna, tornozelo, pé (tarso,
metatarso, planta, dorso e falanges — I.° ao V.° dedos).

TERMOS DE DIRECAO E DE POSIÇÃO


São palavras empregadas para se identificarem a direção e a posição do
corpo em geral, de seus segmentos e de suas estruturas. São eles:

a. proximal: quando uma estrutura está mais próxima de sua raiz. (Exemplo:
"Braço.coro.relação ao antebraço é proximal, pois a raiz é o ombro);
b. distai: quando uma estrutura está mais distante de sua raiz. (Exemplo: perna
em relação à coxa é distai, pois agora está mais distante de sua raiz, que é a cin-
tura pélvica);
c. mediano: quando uma estrutura, ou segmento, está alinhada no plano sagital
Tnetliano. ^(Exemplo: nariz, boca e cicatriz umbilical são estruturas corpóreas
medianas);
d. médio: emprega-se em duas situações: quando uma estrutura se interpõe en-
tre os planos anterior e posterior, ou quando se coloca entre os planos superior
e inferior. (Exemplo: o nariz ocupa urna posição média em relação ao olho, que
lhe é superior, e à boca, que lhe é inferior);
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HQMXN - :'

e. intermédio: quando uma estrutura está situada entre os planos mediano e la-
teral. (Exemplo: o primeiro dedo da mão é lateral em relação ao quinto, que e
medial, e os segundo, terceiro e quarto dedos ocupam posições intermédias).

Outros termos também podem ser aplicados como: externo, interno, su-
perficial, profundo, caudal, rostral, entre outros.

PLANOS DE CONSTRUÇÃO (OU PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO) DO CORPO HUMANO


É possível se constatar que o corpo humano apresenta diferenças de indivíduo
para indivíduo, além de outras, inerentes a cada organismo. Porém, levando-se em
conta a arquitetura corpórea, alguns princípios de construção são necessários para
se contemplar sua configuração. Estes planos são definidos como planos de cons-
trução. São eles:

a. antimeria: é princípio pelo qual o corpo humano é construído através de duas


metades aparentemente simétricas (antímeros = metades);
b. paquimeria: é princípio pelo qual o corpo humano é construído através de
dois tubos, um dorsal (neural) e outro ventral (visceral) (paquímeros = tu-
bos);
c. metameria: é princípio pelo qual o corpo humano é construído através de
peças sobrepostas no sentido longitudinal, separadas por planos trans-
versais (metâmeros = peças sobrepostas);
d. estratimeria: é princípio pelo qual o corpo humano é construído através de
camadas sobrepostas que, da superfície corpórea para profundidade, são:
pele, tela subcutânea, tecido adiposo, faseias musculares, músculos e ossos. Os
nervos, artérias, veias e linfáticos se infiltram em todos os estratos, desde apele.

Além desses princípios descritos, outros também são importantes para a forma-
ção do corpo humano, como: polaridade, segmentação, crinosidade,
minimalidade e fractalidade.

CONCEITOS EM ANATOMIA
Em geral, nos Cursos de Graduação se estuda Anatomia Humana em indiví-
duos adultos, pois trata-se do período morfofuncional em que se constatam meno-
res transformações estruturais e arquiteturais, comparativamente com os períodos
embrionário, fetal, neonatal, de puberdade ou senil.
Nesse enfoque, se faz necessário estabelecer alguns conceitos como:

a. normal: é quando a forma e suas estruturas são mais frequentes em uma popu-
lação. Trata-se, portanto, de um conceito estatístico e não idealístico ou clínico
(hígido);
b. variação anatómica: é quando as alterações (internas ou externas) de formas
e de estruturas não levam a prejuízos funcionais. Nesse caso, existem alguns
fatores gerais de variação anatómica que devem ser considerados, ou seja:
idade, sexo, biótipo, raça, evolução etc.;
c. anomalias: é quando alterações (internas ou externas) de formas e de estruturas
levam a prejuízos funcionais. As anomalias podem ser adquiridas ou congénitas;
6 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA

d. monstruosidade: é quando as alterações (internas ou externas) de formas e


de estruturas são tão severas, que normalmente são incompatíveis com a vida.
Atualmente, porém, várias teratogenias (monstruosidades) são assistidas devi-
do à evolução técnico-científica. O ramo de estudo das monstruosidades é a
Teratologia;
e. órgão: é uma unidade supratecidual capaz de realizar função (do latim = "ór-
gão interno");
f. víscera: significa órgão interno (viscoso). A víscera é composta por camadas
sobrepostas que, da luz para a periferia, são: mucosa, submucosa, muscular,
subserosa e serosa. Porém nem todas as vísceras apresentam todas estas cama-
das. Atualmente, consideram-se todas estas unidades como órgãos;
g. sistema: é o conjunto de órgãos que apresentam a mesma origem embrioná-
ria, reunidos para determinada função em comum. Exemplo: sistema muscu-
lar: contração;
h. aparelho: é o conjunto de sistemas que se interagem para integrar unia har-
monia funcional. Exemplo: aparelho locomotor, constituído pelos sistemas es-
quelético, articular e muscular. O conjunto contribui para o comportamento
motor da locomoção.

Fig. 1.1 Utilizando Q figura ao lado,


descreva posição anatómica. A seguir,
faca o mesmo para os planos de
delimitação, de secção e para os eixos
do corpo humano.
BRANDÃO, MÍRIAM C.S.

SISTEMA TEGUMENTAR

O sistema tegumentar é formado pelos seguintes órgãos: pele, pêlos,


unhas, glândulas sudoríparas, glândulas sebáceas e mamas.
Esse sistema exerce funções de revestimento e proteção corpórea (me-
cânica e biológica), termorregulação, produção de vitamina D, regulação da
homeostase, e manutenção da vida, pela produção do colostro que é desti-
nado ao lactente.

PELE
Histologicamente, a pele é composta de:

a. Epiderme: que é a camada mais superficial, formada por células epiteliais que
se mantêm unidas através de junções especializadas;
b. Derme: está localizada abaixo da epiderme, sendo, portanto, mais profunda.
Ela é composta por tecido conjuntivo.

Contudo, a camada que se coloca inferiormente à pele é a tela subcutânea,


constituída de tecido conjuntivo frouxo, a qual era chamada de hipoderme. Ainda,
de acordo com o princípio da estratimeria, os estratos que se sucedem são: tecido
adiposo, faseias musculares, músculos e ossos.

EPIDERME
A epiderme tem uma espessura muito variável, indo de 0,5 mm a 4,0 mm,
dependendo da região. Assim, um maior ou menor grau de queratinização (pro-
dução de proteína) lhe confere tal característica. Deste modo, verifica-se que há uma
maior quantidade de queratina em áreas do corpo expostas a um maior atrito (palma
das mãos e planta dos pés).
Quanto ao seu arranjo, ela é formada por cinco estratos, que, da superfície
para a profundidade, são denominados: córneo, lúcido, granular, espinhal e
basal. A mesma é pigmentada (melanina, melanóide e caroteno) e avascular.
Porém, possui uma alta capacidade de regeneração, com um ciclo médio a cada
13 dias. A epiderme apresenta grande grau de elasticidade, notando-se, em toda
8 SISTEMA TEGUMENTAR

sua extensão, sulcos, cristas, linhas de tensão (dobras) e impressões digitais.


Ainda, uma fina lâmina abaixo do último estrato, a membrana basal, fixa essa ca-
mada sobre a derme.
Sua principal função é a proteção contra agentes químicos, físicos e mecâ-
nicos.

DERME
A derme é a camada mais profunda da pele. Ela é altamente vascularizada
(vasos sanguíneos e linfáticos) e inervada, composta por tecido conjuntivo fibroso, rico
em fibras elásticas e reticulares. Nela se incluem dois estratos, o papilar e o reticu-
lar, além de folículos pilosos, glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas. A
camada papilar forma as papilas dérmicas, que se projetam na epiderme, as quais são
importantes à medida que possuem terminações nervosas sensoriais, os chama-
dos receptores. Por outro lado, a camada reticular é rica em fibras colágenas, que
formam os característicos retículos da pele, com feixes paralelos à epiderme.

TELA SUBCUTÂNEA
A tela subcutânea, antes denominada hipoderme, é rica em vasos sanguí-
neos e linfáticos, bem como em terminações nervosas. Está localizada logo abai-
xo da pele, e, desta maneira, a fixa em camadas mais profundas. Ela é composta por
tecido conjuntivo frouxo, que é infiltrado por células adiposas. Ainda, a mesma se
organiza em três camadas que são (da superfície para a profundidade): areolar, fi-
brosa (faseia superficial) e lamelar. Contudo, só se notam essas três camadas
conjuntas durante o período fetal. Assim sendo, sua distribuição não é uniforme,
verificando-se, por exemplo, que, nas nádegas, sua espessura é maior, quando com-
paradas a outras áreas corpóreas.

GLÂNDULAS SUDORIPARAS-GLANDULAS SEBACEAS-PELOS E UNHAS


As glândulas da pele têm origem embrionária no ectoderma. Assim, elas
compõem, juntamente com os pêlos e as unhas, anexos da pele. Cabe salien-
tar que as glândulas mamarias se incluem no sistema tegumentar, sendo descritas
no capítulo de sistema genital feminino. As glândulas sudoríparas são de dois tipos,
ou seja, as tubulares simples e as modificadas. As glândulas sudoríparas sim-
ples se distribuem de modo irregular, sendo mais numerosas nas regiões de polpa
digital, fronte, axila, palma das mãos e planta dos pés. Esses órgãos produzem o suor,
que, por meio de tubos (duetos), que se abrem nas cristas da epiderme, é lançado no
meio externo. Essa substância é importante no controle da temperatura corpórea,
bem como para o equilíbrio homeostático. Já as glândulas sudoríparas modifi-
cadas têm sua origem a partir dos folículos pilosos e estão presentes em algumas áreas,
como, por exemplo, no meato acústico externo, nas pálpebras, na aréola mamaria e
nos genitais.
Com relação às glândulas sebáceas, elas também se originam de folículos
pilosos e neles suas secreções (lipídeos) são lançadas. Contudo, em algumas áreas,
SISTEMA TEGUMESTA* f

não há pêlos, porém as mesmas são encontradas nos lábios, na glande do pénis e nos
lábios menores do pudendo feminino.
Seu produto lipídico, o sebo, é produzido a partir de estímulos hormonais se-
xuais e exerce importante papel na lubrificação da pele e dos pêlos, além de ser bac-
tericida.

PÊLOS
Os pêlos se originam de mitoses sucessivas de células epidérmicas queratiniza-
das que se localizam na base dos folículos pilosos. As papilas contêm capilares sanguí-
neos (nutrem as células foliculares, permitindo as mitoses).
Cada pêlo é formado por uma haste e por uma raiz (bulbo). A haste é com-
posta por duas camadas celulares, uma externa, denominada bainha radicular
externa, e outra interna, que é a bainha radicular interna. Ainda, os pêlos pos-
suem uma ou mais glândulas sebáceas e um músculo eretor, que auxiliam em sua fun-
ção primária,, que é impedir a perda de calor. Os pêlos podem ser estruturas do tipo
reto, oval, achatado ou cilíndrico, cujo pigmento é a melanina. Acredita-se que a
ausência dessa substância esteja associada a espaços aéreos, conferindo aos cabelos a
cor branca.

UNHAS
São órgãos queratinizados localizados nas superfícies dorsais das falanges distais
dos dedos das mãos e dos pés. O corpo da unha repousa sobre um leito, ao passo
que sua raiz fica escondida sobre a pele. Sua porção proximal apresenta uma área
esbranquiçada denominada lúnula; além disso, uma prega de epiderme a recobre
parcialmente, constituindo o eponíqueo (cutícula). Ainda, sua parte livre é cha-
mada de hiponíquio.

fig. 2.1 Observe as imagens o, b, c e d.


Qte quais órgãos compõem o sistema
tegumentar, bem como que funções
eles exercem.
BRANDÃO, MÍRIAM C.S.

SISTEMA ESQUELÉTICO

O sistema esquelético é formado por um conjunto de órgãos que definem o


esqueleto humano. Na verdade, é importante se compreender que esqueleto não
significa um conjunto de ossos; ao contrário, é uni arcabouço, ou seja, uma estru-
tura que dá definição espacial e que também promove sustentação. Assim, descreve-
se que ossos são órgãos duros, amarelo-esbranquiçados, que, articulados,
constituem o esqueleto humano.
Assim, eles são considerados unidades suprateciduais capazes de reali-
zar funções.

FUNÇÕES DOS OSSOS E DO ESQUELETO


Os ossos são elementos passivos do movimento, e, juntamente com os
músculos e as articulações, que são componentes ativos desse mecanismo, definem o
aparelho locomotor. Assim, cada unidade estrutural age como uma alavanca do
movimento. Também, pelo próprio conceito de esqueleto, se infere que atuam como
elementos de proteção e, em conjunto, promovem sustentação corpórea.
Por serem estruturas rígidas, eles conferem proteção a órgãos vitais, como en-
céfalo (caixa craniana), coração e pulmões (caixa torácica), bem como a órgãos
dos aparelhos digestório e genitourinário (pelve menor).
Além disso, cada osso representa um reservatório natural de minerais, como
cálcio, fósforo, sódio e potássio. Ainda, uma das mais importantes funções é a
capacidade de alguns ossos, especificamente aqueles classificados como longos, de pro-
duzirem tecido sanguíneo, sendo por isso chamados de órgãos hematopoiéticos.

NUMERO DE OSSOS
Em um adulto, o número de ossos é de aproximadamente 206. Esse valor não é
fixo, em decorrência das variações anatómicas, ou seja, de alterações morfológicas que
não causam prejuízos funcionais. Alguns critérios influenciam essa contagem, como:

a. fatores individuais: às vezes permanece em alguns indivíduos uma sutura


embrionária marcando, assim, a divisão de uma peça anatómica. Por exemplo:
12 SISTEMA ESQUELÉTICO

sutura metópica (ou interfrontal), que determina duas porções ósseas frontais,
ou seja, uma direita e outra esquerda;
b. abordagem anatómica: se o anatomista se referir à contagem isolada de pe-
ças embrionárias, certamente o número será maior do que quando feito em
unidades já formadas. Exemplo: ílio, ísquio e púbis (3 peças) ou simplesmente
quadril (l peça);
c. idade: a idade deve ser levada em consideração, pois, à medida que a idade
avança, diminui o número de ossos, pelo processo de sinostose, o qual leva a
uma reabsorção de elementos conjuntivos entre as peças ósseas. Por exemplo:
nos ossos da calota craniana, os parietais se fundem em peça única pelo proces-
so de sinostose.

ESTRUTURA E COMPOSIÇÃO
Os ossos são compostos por uma matriz intercelular que é formada por dois
componentes:

a. um arcabouço orgânico, constituído de fibras colágenas entremeadas em


uma substância fundamental homogénea;
b. sais inorgânicos, principalmente cálcio e fósforo.

Sabe-se que as fibras colágenas conferem forças de tensão aos ossos e que os sais
fornecem aos mesmos a capacidade de resistência e de compressão.
Debaixo de uma abordagem embrionária, os ossos podem se formar por meio
de dois processos de ossificações, o intramembranoso e o endocondral.
A ossificação intramembranosa é aquela em que o osso se origina dentro
de membranas conjuntivas, como se constata nos ossos planos do esqueleto cefálico.
Ainda, este mecanismo ocorre quando se necessita de crescimento em espessura nos
ossos longos.
Todavia, a ossificação endocondral ocorre à custa de um molde cartilagi-
noso. Esse modelo aparece na vida embrionária, em que posteriormente essa cartila-
gem hialina é gradativamente substituída por tecido ósseo como observado em ossos
longos dos membros superiores e inferiores, ossos da coluna vertebral e da pelve.
Deste modo, essa matriz cartilaginosa calcificada constituirá um ponto inicial
para a formação de tecido por meio de um centro de ossificação primária. À
medida que a ossificação acontece, outros centros irão se formando e, então, surgem
centros de ossificação secundária. Esses núcleos servem para dirigir o cresci-
mento do tecido em sentido longitudinal. Portanto, o osso apresentará um corpo
• (diáfise) e duas extremidades (epífises). Entre as zonas de transições da diáfise com
as epífises, permanecem, durante a fase de crescimento desse órgão, zonas de metáfises,
nas quais se observam discos epifisiários de cartilagem hialina. Cessada a fase de
crescimento ósseo, essa zona é ossificada restando apenas uma linha epifisiária.
Porém, nos ossos planos, o sentido de ossificação é radial.
Sabe-se também que vários fatores interferem na formação de tecido ósseo; entre
eles, a dieta (níveis de vitaminas D, A e C principalmente), o ciclo hormonal (hor-
mônios do crescimento ou somatotrópico), além daqueles extrínsecos (fatores
ambientais).
SISTEMA ESQUELÉTICO

ELEMENTOS DESCRITIVOS DOS OSSOS


Os ossos apresentam uma série de demarcações teciduais que podem ser reco-
nhecidas na Anatomia macroscópica e identificadas como acidentes ósseos. ^Alguns
"desses elementos descritivos podem ser apresentados como segue:
â7 faces: são superfícies ora mais, ora menos extensas;
b. margens: é o encontro entre faces;
c. ângulos: são formados pelo encontro entre as margens^
d. eminências: são saliências nas superfícies ósseas;
e. sulcos: são canais contínuos;
f. processos: são projeções do tecido ósseo (geralmente alongadas);
g. protuberâncias: são saliências de superfícies irregulares bastante volumo-
sas;
h. espinhas: são saliências normalmente pontiagudas, de formas cónicas ou pi-
ramidais;
i. cristas: são projeções lineares bem pronunciadas;
j. linhas: é uma sequência linear de pontos;
k. fossas: são amplas depressões;
1. fossetas: são pequenas depressões;
m. chanfraduras: são depressões em "meia-lua";
n. células: são pequenas cavidades;
o. seios: são cavidades aéreas;
p. forames: são buracos de passagem vásculo-neurais;
q. óstios: são aberturas (ou canais de passagem);
r. tubérculos: são saliências rugosas circunscritas;
s. tuberosidades: são amplas saliências rugosas;
t. fissuras: são sulcos bem pronunciados.

DIVISÃO ANATÓMICA DO SISTEMA ESQUELÉTICO


Didaticamente, é possível se dividir o esqueleto em:
'aTesqueleto axial: é aquele localizado no sentido longitudinal e mediano corpó-
reo. É composto por ossos do esqueleto cefálico, do tórax e da coluna vertebral;
b. esqueleto apendicular: é formado por ossos que ficam pendentes ao longo
do tronco, ou seja, ossos dos membros superiores e inferiores;
c. esqueleto das cinturas: são componentes ósseos que fixam os esqueletos
apendicular superior e inferior ao axial. São representados pelos ossos do om-
bro e pelos quadris.

Esqueleto Apendicular
MEMBRO SUPERIOR
— braço (úmero = 2)
— antebraço (rádio — 2 e ulna — 2)—
— mão (carpais — 16, metacarpais = 10 e falanges =..28
14 SISTEMA ESQUELÉTICO

MEMBRO INFERIOR
— coxa (fémur — 2)
^-^joelho (patela = 2)
— perna (tíbia = 2 e fíbula = 2)
— pé (tarsais = 14", metatarsais = 10 e falanges = 28)

Cinturas Escapular e Pélvica


1_ _^ —-~~. ^ , . S
CINTURA ESCAPULAR
-^^ ombro (clavícula = 2 e escápula — 2)

CINTURA PÉLVICA
— pelve (quadris = 2)

Ossos do Esqueleto Axial


ESQUELETO CEFÁLICO
E formado por ossos do neurocrânio (crânio) e do viscerocrânio ou
esjjlâncnocrânio (face). Para um estudo dirigido do esqueleto cefálico, é neces-
sário se identificar cada osso que o compõe (no adulto = 22 ossos), de modo a reco-
nhecer o limite de cada peça. Na prática, isso pode ser revelado pela presença das
suturas (articulações fibrosas), que se interpõem entre cada unidade, como, por
exemplo: sutura frontonasal (entre" os ossos frontal e nasais); sutura fronto -maxilar
(entre o frontal e os maxilares) .

a. neurocrânio (crânio) é aquele que abriga órgãos do sistema nervoso central.


É também chamado de crânio. Ele é formado por 8 ossos. São eles:

— frontal (ímpar)
— occipital (ímpar)
— efmóide (ímpar)
— esfenóide (ímpar)
— temporal (par)
— parietal (par)

b. viscerocrânio ou esplancnocrânio (ou crânio visceral): é formado por


ossos que protegem e guardam órgãos do sistema sensorial, e por porções dos
sistemas respiratório e digestório. É composto por 14 ossos, cujo conjunto cons-
titui a face. São eles:
l .y
acrimal (par) -
— concha nasal jfigpf&ir (par)
— nasal (par)
— maxilar .(par)
— palatino (par)
zigomático (par)
SISTEMA EsQuaÊnoo

— vômer (ímpar, pertence ao esqueleto fixo da face)


— mandíbula (ímpar, pertence ao esqueleto móvel da face)

O esqueleto cefálico, quando observado internamente, apresenta três anda-


res (fossas) que, no sentido antero-posterior, são denominados fossas anterior,
média e posterior. A fossa média está unida às fossas anterior e posterior, pelo
esfenóide (em forma de "morcego").
É possível se verificar a presença de sulcos, fissuras e de forames (buracos)
na norma interna, bem como nas demais. Contudo, ficará mais fácil estudá-los, se-
guindo-se a observação por territórios, como, por exemplo, primeiro internamente
na fossa anterior, depois na fossa média e por último na fossa posterior. Depois, rea-
liza-se o mesmo para a base e para as normas laterais, superior, ventral e dorsal. Ain-
da, é possível se observar que, além dos forames, existem sulcos ora mais, ora menos
pronunciados, nas paredes laterais internas, que são marcas deixadas pelos seios
venosos da dura-máter craniana.

TÓRAX
É formado pelo princípio da metameria, com 12 pares de costelas ântero-late-
ralmente, pelo esterno anteriormente e pelas vértebras torácicas de Tl a Tl 2, poste-
riormente.
As costelas são ossos alongados, que se fixam aos corpos vertebrais através
de suas cabeças e, também, aos processos transversos vertebrais, por meio de seus
tubérculos.
Cada costela apresenta um sulco costal em sua margem inferior e interna, que
é importante, pois ele permite a passagem de veias, de artérias e de nervos
intercostais (no sentido crânio-caudal). Depois de se fixarem à coluna vertebral, as
costelas caminham em direção anterior, dirigindo-se de modo a formar um ângulo
costal. Porém, nem todas as costelas conseguem atingir o osso esterno diretamente.
Assim, da primeira à sétima costelas, ocorre união direta com aquele osso, sendo
denominadas costelas verdadeiras. A partir daí, até a décima costela ocorre fixa-
ção com o esterno, por meio de cartilagem costal, recebendo essa categoria a de-
nominação de costelas falsas. No entanto, a décima primeira e a décima segunda
costelas não são capazes de se unirem ao esterno, mesmo indiretamente, sendo cha-
madas de costelas flutuantes.
O esterno é um osso torácico composto por três porções (manúbrio, corpo e
xifóide), que se alinham no sentido longitudinal e mediano.
' / '

CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS


Fica evidente se observar que, embora se tenha cerca de 206 ossos, eles não são
iguais, sendo, portanto, necessário um modo racional para identificá-los morfologi-
camente. Assim, de acordo com a forma, portanto, levando-se em consideração as
relações comprimento, largura e espessura, os ossos são classificados em:

a. ossos longos: são aqueles que apresentam comprimento significativamente su-


perior à largura e à espessura. Exemplos: clavícula, úmero, rádio, ulna, metacarpos
e falanges dos dedos das mãos, além do fémur, tíbia, fíbula, metatarsos e falanges
16 SISTEMA ESQUELÉTICO

dos dedos dos pés. Os ossos longos apresentam um corpo que é denominado di-
áfise, e duas extremidades que são as epífises. Ainda, entre as epífises proximal e
distai, se o mesmo estiver em fase de crescimento, notam-se as zonas de metáfises.
A diáfise apresenta um canal medular contendo medula óssea (tecido sanguíneo),
o que caracteriza os ossos como órgãos hematopoiéticos;
b. ossos curtos: quando o comprimento, a largura e a espessura se equivalem.
Exemplos: ossos do carpo (trapézio, trapezóide, capitato, hamato, escafóide,
semilunar, psiforme e piramidal) e ossos do tarso (calcâneo, tálus, cubóide e
cuneiformes medial, intermédio e lateral);
c. ossos planos: quando a espessura é significativamente menor que a largura, a
qual predomina sobre o comprimento. Uma característica desses ossos é que, no

crânio, se apresentam formados por dupla lâmina de tecido ósseo compacto
preenchido por tecido ósseo esponjoso. A substância esponjosa, nesse caso,
é denominada díploe. Exemplos: quadril, escápula e ossos da calota craniana;
d. ossos irregulares: são aqueles onde não se tem uma figura geométrica defini-
da. Portanto, não se podem estabelecer direções de predominância espacial. Por
exemplo: vértebras;
e. ossos pneumáticos: são aqueles que possuem cavidades aéreas revestidas com
mucosa. Essas cavidades são escavações ímpares (como no osso maxilar) ou,
às vezes, podem formar pequenas células áreas (como observado no etmóide).
Essas áreas são denominadas seios, estando presentes nos seguintes ossos: frontal
(seio frontal), etmóide (seios etmoidais), esfenóide (seio esfenoidal) e maxilar
(seio maxilar). Cabe lembrar que uma parte do osso temporal, o processo mas-
tóide, também possui células aéreas;
f. ossos sesamóides: são aqueles que nascem junto a cápsulas articulares, próxi-
mo a tendões musculares. Um típico sesamóide normalmente encontrado é a
patéla (osso do joelho). Ainda, alguns ossos extranuméricos também podem
aparecer junto ao primeiro dedo do pé ou da mão, ou então surgirem entre as
suturas cranianas (ossos suturais).

CARACTERÍSTICAS ANATÓMICAS DOS OSSOS LONGOS


Por se tratar de ossos hematopoiéticos, deve-se avaliar sua organização es-
trutural. Assim sendo, os ossos longos, como j á visto anteriormente, apresentam duas
epífises, uma diáfise, duas metáfises (durante a fase de crescimento longitudi-
nal), canal medular e medula óssea (hematopoiética).
Com relação ao tecido ósseo, a substância óssea compacta ocupa posição periféri-
ca em toda extensão óssea, sendo mais espessa na diáfise (cortical). Todavia, a subs-
tância óssea esponjosa preenche as epífises e forma uma delgada camada interna na diáfise.
Ainda, toda porção central do corpo do osso é ocupada por medula óssea, que é uma
matriz sanguínea. O periósteo, que é de tecido conjuntivo, é formado de dupla
lâmina, que revestem a diáfise em toda sua extensão, exceto as superfícies articu-
lares que possuem cartilagem hialina. A lâmina externa do periósteo é fibrosa e dá
passagem a vasos e nervos, ao passo que a lâmina interna é osteogênica. Assim, são
funções do periósteo, proteção e condução vasculoneural, além de reparação
tecidual, levando a um aumento do osso em espessura.
SISTEMA ESQUHÍIICO 17

CARACTERÍSTICAS DO ESQUELETO CEFÁLICO


O esqueleto cefálico se desenvolve a partir de três núcleos embrionários primi-
tivos, a saber:

a. do esqueleto que se forma ao redor do encéfalo, originando o neurocrânio;


b. do esqueleto derivado dos arcos branquiais e que circunscrevem as vísceras en-
cefálicas, principalmente as digestórias, formando o viscerocrânio;
c. dos ossos de ossificação conjuntiva que completam o fechamento dorsal e lateral do
crânio, dando origem aos chamados ossos de cobertura, ou seja, da calota craniana.

Esse esqueleto é formado pelo neurocrânio (crânio), que abriga e protege o sis-
tema nervoso central, e pelo viscerocrânio (face), que guarda porções dos sistemas
respiratório e digestório, além de órgãos sensoriais.

GENERALIDADES SOBRE O ESQUELETO CEFÁLICO


Anatomicamente, o esqueleto da cabeça, denominado esqueleto cefálico, é for-
mado por ossos do neurocrânio (crânio), do viscerocrânio (face) e da calota crani-
ana (ou abóbada). A maioria dos ossos é do tipo plano e irregular, sendo alguns pneu-
máticos. No esqueleto articulado, pode-se identificar uma base (inferior), que susten-
ta diferentes regiões que se distribuem nesse segmento, como as regiões frontal,
occipital, temporal, orbitaria, nasal, maxilar, mandibular, entre outras.
O tecido ósseo se distribui de modo a formar na calota craniana (ou calvária)
uma dupla lâmina compacta preenchida por tecido ósseo esponjoso, que é denomina-
do díploe. Durante sua formação, o tecido nervoso, e os vasos encefálicos produ-
zem marcas no molde ainda cartilaginoso, que'irão permanecer como impressões
no tecido posteriormente ossificado. Algumas dessas, podem ser macroscopicamen-
te observadas, como as impressões digitais e os sulcos dos seios venosos
durais, além de eminências mamilares e fossetas granulares.
O esqueleto cefálico deve ser estudado por meio de seu adequado posiciona-
mento, de modo semelhante ao estabelecido para o estudo dos esqueletos apendiculares
e das cinturas. Porém, cada face é denominada norma, sendo, portanto, necessário
se reconhecerem as normas superior (cranial), inferior (base), occipital (pos-
terior), frontal (anterior), laterais (direita e esquerda) e interna. Ainda, um pla-
no transversal, bilateralmente, o plano de Frankfurt, corta a margem inferior
orbitaria, dirigindo-se látero-posteriormente pela margem superior do meato acústi-
co externo. Esse plano é muito empregado na neurologia para mapeamento e
instrumentação diagnostica.

REGIÕES COMUNS ENTRE O CRÂNIO E A FACE


Durante a embriogênese, porções de ossos do neurocrânio se fundem a partes
de ossos do viscerocrânio, determinando regiões complexas, que podem ser avalia-
das de modo esquemático:

a. fossa pterigopalatina: está limitada pelas lâminas lateral e medial do proces-


so pterigóide e pela superfície articular do processo piramidal do osso palatino;
18 SISTEMA ESQUELÉTICO

b. fossa pterigomaxilar: situada entre a tuberosidade da maxila, anteriormen-


te, o processo pterigóide, posteriormente, e a lâmina perpendicular do palati-
no, medialmente. Essa fossa tem a forma de uma pirâmide quadrangular com
base superior, vértice inferior, além de quatro faces (paredes). É também de-
nominada fossa pterigopalatina;
c. fossa infratemporal: é uma ampla região situada entre a face medial do ramo
da mandíbula e a lateral do processo pterigóide. Ela é também chamada de fos-
sa temporal;
d. cavidade orbitaria: são cavidades extensas, cujas formas são piramidais quadrilá-
teras, com base, vértice e quatro paredes (superior, inferior, lateral e medial);
e. palato ósseo: é uma região integrada na cavidade oral, formada pelos proces-
sos palatinos dos maxilares e pelos ossos palatinos.

PONTOS CRANIOMETRICOS
São pontos de reparo (referências) que podem ser observados na interconexão
de planos imaginários. Esses pontos são utilizados em Medicina Legal e em
Antropometria, para estudos periciais e comparativos.
Os pontos craniométricos estão distribuídos na calota craniana (ou calvária) e
na base. São eles:

Pontos do Neuroerânio
1. Glabela: localiza-se entre os arcos superciliares, na coincidência dos planos trans-
versal e sagital mediano;
2. Bregma: situa-se no encontro das suturas sagital e coronal;
3. Lambda: ponto situado entre as suturas sagital mediana e lambdóidea;
4. Inio: é o ponto que coincide com a protuberância occipital externa;
5. Opistiocrânio: é o ponto mais posterior da linha média craniana, indo desde a
glabela. Ele mede o comprimento máximo craniano;
6. Astério: é aquele localizado na interconexão das suturas parietal, occipital e tem-
poral;
7. Opístio: é o ponto situado na linha média da margem posterior do forame magno;
8. Básio: situa-se na linha média e anterior do forame magno;
9. Bolton: é o ponto que demarca a altura da curvatura posterior ao côndilo do
occipital, entre este e a superfície basal daquele osso. É empregado em estudos
radiológicos;
10. Pório: está situado na margem externa do meato acústico externo, de modo
vertical e superior ao mesmo;
11. Trágio: é o ponto mais anterior da fenda supratragal;
12. Pório cartilaginoso: é o ponto médio da margem superior da entrada do me-
ato acústico externo;
13. Fronto-temporal: é o ponto mais anterior da linha temporal. Situa-se no iní-
cio do processo zigomático do frontal;
14. Ptério: é o ponto médio da sutura esfeno-parietal;
15. Eurio: está localizado na parede lateral do crânio, no local de sua maior
convexidade.
SISTEMA ESQUELÉTICO W

Pontos do Viscerocrânio
\ Násio: é o ponto médio da sutura fronto-nasal;
2. Naso-espinhal: está situado na porção mais projetante da linha média da espi-
nha nasal anterior;
3. Subnasal: é o ponto de encontro entre a raiz do lábio superior e a margem infe-
rior do septo nasal;
4. Interdental superior: é o ponto localizado na extremidade inferior do septo
nasal, entre os incisivos centrais superiores, direito e esquerdo;
5. Interdental inferior: é o ponto situado no plano mediano, na extremidade do
septo alveolar, entre os incisivos inferiores;
6. Próstio: localiza-se na porção mais anterior e mediana do processo alveolar su-
perior;
7. Orbital: está situado na porção mediana e inferior da margem infra-orbital;
8. Zigomaticomaxilar: está localizado na porção mais inferior da sutura
zigomaticomaxilar;
9. Zígio: é o ponto localizado na região mais projetante e lateral do arco zigomático;
10. Estafílio: é o ponto médio de uma linha que une os dois pontos mais anteriores
da margem posterior do palato duro. Esse ponto está sobre a base da espinha nasal
posterior;
11. Oral: é o ponto médio de uma linha que une as margens posteriores dos alvéolos
dos incisivos centrais superiores;
12. Gnátio: é o ponto mais inferior e médio da região mentoniana;
13. Mentoniano: está situado na porção mais projetante e mediana da base da man-
díbula;
14. Gônio: está situado no ponto de angulação entre o corpo e o ramo da mandíbula;
15. Condílio externo e Condílio interno: são pontos situados nas extremida-
des lateral e medial, respectivamente, do côndilo da mandíbula.
Esses pontos craniométricos são utilizados em estudos nos quais se requerem
mensurações encefálicas, por meio de procedimentos craniométricos.
Assim sendo, algumas medidas podem ser determinadas, como:
a. Comprimento craniano máximo (diâmetro cefálico ântero-poste-
rior):
É obtido através da distância entre os pontos glabela e opistiocrânio;
b. Largura máxima craniana (diâmetro cefálico transversal):
Obtém-se através da distância êurio-êurio;
c. Altura total craniana (altura basiobregmática):
Mede-se a distância entre os pontos básio e bregma;
d. Comprimento da base do crânio:
É a distância entre násio e básio;
e. Comprimento facial superior:
E a distância obtida do básio até o próstio;
f. Comprimento facial inferior:
É a distância entre gnátio e básio ou até o ponto Bolton;
g. Altura total da face:
Mede-se de násio até gnátio;
20 SISTEMA ESQUELÉTICO

Largura total da face (diâmetro bizigomático):


É obtido pela distância de zígio a zígio;
Largura frontal:
É a distância frontotemporal a frontotemporal;
j- Largura média facial:
Mede-se a distância bizigomática;
k. Altura facial superior:
E a distância obtida entre násio e dental superior;
L Altura alveolar superior:
É a distância entre nasoespinhal e internasal superior;
m. Altura facial inferior:
Obtém-se através da distância do interdental superior ao gnátio;
n. Comprimento maxilo-alveolar:
É a distância que vai do próstio ao ponto médio da tangente que toca a mar-
gem posterior dos alvéolos dos terceiros molares;
Largura alveolar máxima:
É a distância obtida entre a superfície externa dos processos alveolares superiores;
p. Comprimento palatino:
É a distância que vai do ponto oral ao estáfilo;
q- Largura palatina:
É a distância entre as margens inferiores alveolares dos segundos molares su-
periores;
Altura palatina:
Mede-se entre a máxima curvatura do palato até a linha que liga os dois
endomolares;
Largura condilar da mandíbula:
É a distância entre os côndilos da mandíbula bilateralmente;
Largura angular da mandíbula:
É a distância entre os gônios da mandíbula bilateralmente;
u. Largura mandibular anterior:
É a distância entre os centros dos forames mentuais direito e esquerdo;
Comprimento mandibular:
É a distância que vai da protuberância mentual a um plano vertical tangente ao
ponto mais posterior dos côndilos, e que se posiciona em ângulo reto a uma
tangente à margem inferior da mandíbula;
w. Altura mentual:
É a distância entre o interdental inferior e o gnátio.

ÍNDICES CRANIANOS
Os índices craniométricos acompanham os estudos da craniometria, fornecendo da-
dos importantes para a Anatomia Biotipológica.
Os principais índices frequentemente empregados são:
a) índice craniano (cefálico) horizontal:
Largura máxima do crânio (êurio-êurio) X100
Comprimento máximo crânio (glabela-opistocrânio)
SISTEMA ESQUELÉTICO

Os resultados obtidos através desse índice indicam crânios longos


o
(dolicocé-
falos), médios (mesocéfalos) e curtos (braquicéfalos).
b) índice craniano vertical (altura-comprimento):

Altura básio -bregmática (de básio a bregma) X 100


Comprimento máximo craniano (glabela-opistocrânio)

De acordo com este índice, podem-se obter as categorias de crânios baixos


(camecéfalos) e também altos (ipsicéfalos).

c) índice craniano vertical (altura-largura):

Altura básio-bregmática (básio-bregma) X100


Largura máxima do crânio (êurio-êurio)

Nesse caso, com esse índice é possível se obterem as categorias de crânios bai-
xos (tapinocéfalos) e pontiagudos e altos (acrocéfalos).

d) índice facial (total da face):

Altura total da face (násio-gnátio) X 100


Largura total da face (zígio-zígio)

Este índice indicará os crânios do tipo: face alta e estreita (leptoprósopo), face
baixa e larga (euriprósopo) e aqueles com medidas proporcionais (mesoprósopo).

e) índice do prognatismo

Trágio a násio X100


Trágio -próstio

Após esse índice, se identifica a categoria de crânios ortognata, mesognata


e prognata, de acordo com as proj ecoes mandibulares.

Considerações Finais
Um estudo mais detalhado do esqueleto cefálico revela que, além de diferenças
morfológicas gerais e individuais, é também possível se verificarem alterações signi-
ficativas em sua arquitetura, principalmente considerando-se a idade, o sexo e as ra-
ças. Portanto, esses fatores devem ser analisados e pesquisados para se ter uma me-
lhor compreensão desse sistema.
Assim, algumas características gerais podem ser notadas, a fim de se constata-
rem tais considerações como:

a. medidas cranianas: no homem, quase todas elas são maiores quando compa-
radas com as das mulheres de mesma idade e mesmo grupo racial;
b. capacidade craniana: no homem, é também maior, com um volume médio
no adulto de aproximadamente l .450 cc, ao passo que, nas mulheres, é em torno
de 1.300cc;
22 SISTEMA ESQUELÉTICO

c. fronte: em homens caucasianos, quase sempre é mais inclinada que nas mulhe-
rés;
d. tuberosidades frontais: nas mulheres caucasianas, são quase sempre mais
salientes que nos homens desse grupo.
Deste modo, no que se refere ao sexo, nota-se que as medidas, as cristas, os
processos em geral, e os relevos ósseos são quase sempre mais delicados nas mulhe-
res. Porém, é importante se considerarem o grupo racial e a idade conjuntamente.
Todavia, avaliando-se a idade separadamente, observam-se, em indivíduos senis, si-
nal de osteoporose, reabsorção de osso alveolar, protrusão mandibular (mandíbula
de "polichinelo"), bem como alterações tróficas da cabeça da mandíbula. Contraria-
mente, em recém-natos notam-se um occipital formado por quatro peças dissocia-
das, o esfenóide composto por três estruturas distintas (porções petrosa, escamosa e
timpânica). Além disso, percebe-se um esqueleto facial muito menor quando com-
parado com o craniano. A mandíbula é composta por dois antímeros, e quase não se
constata a presença de arcos superciliares.
Por fim, ainda pode-se detectar a presença de ossos extranuméricos no es-
queleto cefálico, em ambas raças, sexos e em diferentes idades. Normalmente, essas
peças surgem entre as suturas cranianas, sendo, por isso, denominadas ossos
suturais.

COLUNA VERTEBRAL
A coluna vertebral é uma haste longa, ímpar e mediana, situada no plano dorsal
corpóreo. Ela é formada por peças sobrepostas no sentido longitudinal, as vérte-
bras , que estão separadas por planos transversais (ocupados por discos vertebrais),
obedecendo, assim, ao princípio de construção corpórea da metameria. A mesma é
composta por 32 vértebras que se distribuem de modo longitudinal na região dorsal
do corpo. Assim, ela ocupa sucessivamente as regiões cervical, torácica (ou dor-
sal), lombar e pélvica.

Divisão Anatómica
Anatomicamente, a coluna vertebral ocupa as seguintes regiões, distribuindo-
se da seguinte forma:
a. região cervical: 7 vértebras (Cl— C7);
b. região torácica: 12 vértebras (Tl—Tl2);
c. região lombar: 5 vértebras (LI—L5);
d. região sacral: 5 vértebras (SI—SS);
e. região coccígea: l a 3 vértebras (Col— Co3).
As vértebras cervicais, torácicas e lombares são denominadas vértebras
verdadeiras ou móveis, pois normalmente não se encontram fundidas e agem de
modo independente, ao passo que as vértebras sacrais e coccígeas pós-nascimento
apresentam consideráveis modificações, perdendo suas individualidades, formando
estruturas únicas denominadas sacro e cóccix. Estas, em decorrência dessa morfo-
logia especial, são classificadas como vértebras falsas ou fixas.
SISTEMA EsptiELETVt:

Características Gerais de uma Vértebra


Alguns elementos ósseos descritivos são em comum a todas as vértebras, con-
tudo há exceções. São eles:
a. corpo vertebral: é a maior porção de uma vértebra, com formato normal-
mente cilíndrico. Suas faces cranial e caudal são geralmente ásperas e servem
para dar fixação aos discos vertebrais. São, portanto, levemente côncavas. A
porção média do corpo é estrangulada e o tecido ósseo compacto é periférico;
porém, o tecido esponjoso ocupa posição central. A região ventral média apre-
senta pequenas aberturas que dão passagem aos vasos nutrícios. A face dorsal
tem um ou mais forames de grande calibre, que são irregulares (forames vascu-
lares), os quais servem para dar passagem às veias basivertebrais, que condu-
zem o sangue venoso do corpo vertebral às veias longitudinais da coluna. O corpo
vertebral, portanto, tem a função de suportar a carga de peso do corpo;
b. forame vertebral: está localizado entre a face posterior do corpo vertebral e
o processo espinhal. O forame vertebral tem a forma de um triângulo, com
ângulos mais ou menos arredondados, o que lhes confere, às vezes, uma forma
circular. Estes forames se sobrepõem no sentido longitudinal ao longo de toda
extensão vertebral, caracterizando um longo canal, o canal vertebral, que
aloja a medula espinhal. Assim, sua função é abrigar e proteger o siste-
ma nervoso central;
c. arco vertebral (pedículos e lâminas): o arco vertebral é constituído de um
par de pedículos e um par de lâminas, que juntos dão apoio a sete processos
vertebrais, ou seja, um processo espinhal, dois processos transversos,
dois processos articulares superiores e dois processos articulares
inferiores. Os pedículos são dois processos bem pequenos que se projetam
dorsalmente, um de cada lado da parte cranial do corpo, na junção de suas faces
dorsal e lateral. Eles unem os processos transversos ao corpo, e suas porções
médias apresentam incisuras vertebrais superior e inferior, que podem
ser observadas facilmente em perfil. Essas incisuras irão estabelecer forames
intervertebrais quando as vértebras estão sobrepostas, servindo para dar pas-
sagem a nervos espinhais. As lâminas são duas placas que partem da região dorsal
mediana aos pedículos. Elas se fundem na linha mediana para formar o processo
espinhal. As margens craniais e as partes caudais de suas faces ventrais são áspe-
ras e servem para dar fixação aos ligamentos amarelos da coluna vertebral. As-
sim, os arcos conferem proteção aos elementos neurais (medula espinhal,
raízes nervosas e nervos);
d. processos transversos: projetam-se lateralmente, de cada lado em que a lâ-
mina se junta aos pedículos entre os processos articulares superior e inferior.
Eles têm por função permitir a inserção de músculos e de ligamentos (li-
gamento interespinhal);
e. processo espinhal: é ímpar, mediano e dorsal, e projeta-se desde a junção
das lâminas até sua porção livre final. Ele serve para dar inserção a músculos
e a ligamentos supra-espinhais;
f. processos articulares: são quatro processos, dois superiores e dois inferio-
res, que partem da junção dos pedículos e das lâminas. Os superiores projetam-
24 SISTEMA ESQUELÉTICO

se cranialmente e suas faces articulares estão dirigidas mais ou menos para trás;
os inferiores projetam-se caudalmente e suas faces olham para a frente. As faces
articulares são revestidas de cartilagem hialina. Estes processos também servem
para dar inserção a músculos e a ligamentos.

Características Individuais das Vértebras


Embora as vértebras tenham elementos anatómicos semelhantes e quase todas
possuam as mesmas características morfológicas, existem particularidades que per-
mitem diferenciá-las. Assim, o estudo desses aspectos, dentro de uma determinada
região, facilita a identificação topográfica desses elementos. Desta maneira, pode-se
verificar o seguinte:

a. vértebras cervicais: quase todas possuem um corpo pequeno, comparati-


vamente ao longo eixo axial, exceto a primeira vértebra (Cl = Atlas) que
não possui corpo e a segunda vértebra (C2 = Axis) que apresenta uni
processo odontóide (ou dente do áxis) situado na parte anterior do corpo
vertebral. Em geral, as vértebras cervicais apresentam processo espinhai
bífido, em posição horizontalizada, e seus processos transversos possu-
em forames transversos que servem para dar passagem às artérias e veias
vertebrais. Ainda, pode-se notar que a sétima vértebra (C7 = Proeminen-
te) é a que possui um maior processo espinhal, recebendo deste modo essa
denominação;
b. vértebras torácicas (ou dorsais): o processo espinhal não é bifurcado e se
apresenta descendente e pontiagudo, quanto mais baixo for o nível vertebral;
c. vértebras lombares: os corpos vertebrais são maiores, quando se compara a
coluna vertebral como um todo. O processo espinhal não é bifurcado, além de
estar disposto em posição horizontal;
d. sacro e cóccix: o sacro é um osso grande e triangular, situado na parte dor-
sal da pelve. Sua base articula-se com a última vértebra lombar; e seu ápice,
com o cóccix. Ele está inserido entre os dois ossos do quadril, particularmen-
te entre os ílios direito e esquerdo, respectivamente, e sua última vértebra se
articula com a base do cóccix. A face pélvica é côncava e sua amplitude vai
aumentando em sentido caudal. Ainda em sua base, nota-se a presença do
promontório sacral, que é o ponto mais proeminente e mais anterior e
mediano dessa região. A face mediana pélvica é cruzada por quatro cristas
transversais, que correspondem à separação original entre os corpos verte-
brais fetais. Por outro lado, a face pélvica dorsal é convexa e, em sua linha
mediana, observa-se uma crista sacral mediana. Lateralmente a essa, en-
contram-se as cristas sacrais intermédia e lateral, direita e esquerda,
respectivamente. A porção final sacral é estreita e forma um canal de pas-
sagem que é o hiato sacral.

O cóccix é comumente formado por três vértebras rudimentares; entretanto,


o número pode ser variado, indo até cinco peças. A face pélvica desse osso também é
demarcada por sulcos transversais que indicam a junção dos diferentes segmentos
vertebrais. Sua geometria assemelha-se à do sacro.
SISTEMA ESQUELÉTICO 25

Coluna Vertebral como um Todo: Curvaturas


O comprimento médio da coluna vertebral em adulto do sexo masculino e
torno de 71 cm, ou seja, 2/5 de sua altura total. Geralmente, ela se distribui da se-
guinte maneira: 12,5 cm (porção cervical), 28,0 cm (porção torácica), 18,0 cm (porção
lombar) e 12,5 cm (porção pélvica).
A coluna vertebral, embora seja uma longa haste flexível, ímpar e mediana não
é linear em sua trajetória. Durante o período embrionário, surgem as chamadas cur-
vaturas primárias, que ocupam as posições torácica e sacro-coccígea. Se ob-
servada em perfil, é possível se notar que as regiões torácica e sacro-coccígea anteri-
ormente são côncavas, ao passo que, posteriormente, são convexas. Após o nascimen-
to, de acordo com as solicitações funcionais, surgem as curvaturas secundárias,
que são as das regiões cervical e lombar. Assim sendo, por volta do terceiro mês
de vida extra-uterina, quando a criança começa a fixar a cabeça, surge a curvatura
cervical com convexidade anterior e concavidade posterior. Depois, aproximadamente
ao oitavo mês, quando ela começa a dar seus primeiros passos, aparece a curvatura
lombar, que é convexa anteriormente e côncava posteriormente.
Quando observada em perfil, a coluna vertebral sofre um desvio do plano sagital
mediano, sendo mais acentuado para o antímero de dominância de cada indivíduo. Deste
modo, normalmente as curvaturas apresentam desvios funcionais, denominados esco-
liose (desvio lateral), cifose (concavidades posteriores cervical e dorsal) e lordose
(convexidades torácica e lombar). Porém, se esses desvios forem exagerados a ponto
de prejudicar a função, trata-se então de escoliose, cifose e lordose patológicas.

PELVE ÓSSEA
A pelve óssea é definida como um anel ósseo formado de dois ossos do qua-
dril ântero-lateralmente, e póstero-medianamente pelos ossos sacro e cóc-
cix. Todavia, primitivamente, cada quadril é formado de peças separadas, o ílio, o
ísquio e o púbis, que convergem durante a embriogênese para a fossa do acetábulo, a
fim de formar um único osso, à direita e à esquerda do plano sagital mediano. Os ossos
do quadril unem-se entre si por meio das articulações, sacroilíaca e sacro-coccígea
(posteriormente) e na linha mediana anterior, pela sínfise púbica. Durante o período
gestacional, esses tecidos articulares tornam-se frouxos em decorrência da ação hor-
monal, que facilita alguns movimentos durante o trabalho de parto. A pelve é res-
ponsável por abrigar órgãos dos sistemas genitais masculino e feminino e parte dos
sistemas digestório e urinário. Esta, interiormente, apresenta uma escavação própria,
ou seja, uma cavidade denominada pelve menor ou pelve verdadeira, ou, ainda,
pelve obstétrica, que se continua com a cavidade do abdome, onde é chamada de
pelve maior ou pelve falsa.

Estreito Superior
LIMITES: a abertura superior ou estreito superior da pelve fica limitado pelas se-
guintes estruturas bilateralmente a partir do promontório sacral: asa do sa-
cro, linha arqueada, linha pectínea, tubérculo púbico e margem supe-
rior da sínfise púbica.
26 SISTEMA ESQUELÉTICO

DIÂMETROS DO ESTREITO SUPERIOR


ântero-posterior (conjugado): vai da borda superior da sínfise púbica ao promon-
tório sacral, no plano mediano;
conjugado obstétrico: estende-se da face interna da sínfise púbica ao promontó-
rio sacral, no plano mediano;
diagonal: sai da borda inferior da sínfise púbica ao promontório sacral, no plano
mediano. Ele pode ser medido pelo toque vaginal, daí sua importância clínica. Se o
promontório é palpável, diz-se que a pelve é contraída;
transverso: mede a maior largura da abertura superior da pelve;
oblíquo: estende-se da juntura sacroilíaca, de um lado, até a eminência iliopúbica,
do lado oposto.

Cavidade Pélvica
LIMITES: está situada entre as aberturas superior e inferior da pelve. Ela
apresenta três diâmetros, assim reconhecidos:

DIÂMETROS
ântero-superior (conjugado): vai da parte média da face interna da sínfise púbica
ao centro da face média do sacro. É a maior dimensão ântero-posterior;
transverso: mede a maior largura da cavidade pélvica;
oblíquo: estende-se da extremidade mais inferior da juntura sacroilíaca ao centro
da membrana obturatória do lado oposto.

Abertura Inferior
LIMITES: a abertura inferior da pelve é denominada também estreito inferior e
tem a forma de um losango, sendo limitado pela margem inferior da sínfise
púbica, ramos do púbis e do ísquio, tuberosidade isquiática, ligamentos
sacro-tuberais e ápice do cóccix.

DIÂMETROS
ântero-posterior (conjugado): vai da borda inferior da sínfise púbica ao ápice do
cóccix;
transverso: estende-se entre as tuberosidades isquiáticas;
oblíquo: a partir da junção dos ramos ísquio e da púbis ao ponto de cruzamento dos
ligamentos sacro-tuberal e sacroespinhal do lado oposto.

Classificação das Pelves


ATRAVÉS DE MEDIDAS (ÍNDICE PÉLVICO)
, diâmetro conjugado da abertura superior X100
índice pélvico (I.P.) = ~ — ~
diâmetro transverso da abertura superior

a. Dolicopélica: formato oval em sentido ântero-posterior;


b. Mesatipélica: formato redondo;
SISTEMA ESQUHJETKD 27

c. Braquipélica: é oval em sentido laterolateral;


d. Platipélica: é oval com eixo bem maior no sentido transversal.

ATRAVÉS DA FORMA DO ESTREITO SUPERIOR (MORFOLOGIA)


a. Ginecóide: é redonda (ocorre em 50% das mulheres);
b. Andróide: em forma de coração (na maioria dos homens);
c. Antropóide: é ovóide no sentido ântero-posterior;
d. Platipelóide: é ovóide no sentido transversal.

Diferenças Sexuais
Algumas das principais diferenças sexuais encontradas podem ser identificadas
no quadro abaixo:

ESTRUTURAS HOMEM MULHER


inclinação pélvica menor maior
espinhas ilíacas anteriores mais próximas mais afastadas
abertura superior em forma de coração circular
abertura inferior mais estreita mais larga
arco púbico 60° 90°
foranie obturado oval triangular
acetábulo mais lateralizado mais anterior
relevos ósseos mais proeminentes menos proeminentes
espinhas mais demarcadas mais suaves
28 SISTEMA ESQUELÉTICO

Fig. 3.1 Empregando as imagens ao


lado, responda às seguintes proposições:
— identifique os ossos das figuras a, b,
c, d, e, f, g e h;
— a que esqueleto eles pertencem?
— em que região estão situados?
SISTEMA ESQUELEIKX)

Fig. 3.2 Identifique os ossos das


figuras ao lado, dê as suas
classificações e responda em que
esqueleto eles estão localizados.

-f'
30 SISTEMA ESQUELÉTICO

Fig. 3.3 Responda:


— quais são os elementos descritivos
gerais que uma vértebra apresenta?
Localize-os nas figuras ao lado.
— identifique: atlas e áxis.
— reconheça quais são as
caracteristicas especiais das vértebras
cervical, torácica e lombar.
SISTEMA ESQUELETÍCO_

Fig. 3.4 Reconheça as normas e os ossos apresentados nas figuras a, b, c, d, e, f, g, h e i. Justifique a importância anátomo-funcional das peças f, g, h e L
32 SISTEMA ESQUELÉTICO

Fig. 3.5 Observe as figuras ao lodo e


a seguir explique o significado
anátomo-funcional das estruturas
apontadas pelas setas. Depois,
explique as principais diferenças entre
os esqueletos cefálicos de recém-
nascido comparativamente aos de
adultos jovem e senil.

Fig. 3.6 Comparando as imagens a e b,


faca um comentário com relação ao
número de ossos.
SISTEMA ESQUELÉTICO 33

Fíg. 3.7 Utilize as figuras ao lado e


descreva os ossos dos esqueletos axial, 3 O i
apendicular (superior e inferior) e das
cinturas. W -"

, v >O
BRANDÃO, MÍRIAM C.S.

ARTROLOGIA

O estudo das articulações denomina-se Artrologia ou Sindesmologia. De-


fine-se articulação a junção entre pelo menos duas peças rígidas do corpo
humano.

CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES DE ACORDO COM O TECIDO INTERPOSTO d-


a. Articulações fibrosas (SINARTROSES): as peças ósseas estão unidas por
tecido conjuntivo fibroso. Nesse caso, as mesmas são praticamente imóveis. São
elas:
a. l. Sindesmoses: existe uma grande quantidade de tecido conjuntivo inter-
posto, quando se compara com as demais articulações fibrosas. Exemplo:
articulação tíbio-fibular distai; ,
a.2. Gonfoses: quando a quantidade de tecido conjuntivo é menor, em rela-
ção à anterior. Exemplo: articulação dento-alveolar;
-$> a.3. Suturas: a quantidade de tecido conjuntivo fibroso é a menor de todas.
Exemplo: entre os ossos do esqueleto cefálico, exceto entre mandíbula e
o temporal.

=^> b.
Articulações cartilaginosas (ANFIARTROSES): ocorrem quando as pe-
ças ósseas se unem por meio de tecido cartilaginoso (cartilagem hialina). As-
_ sim, as peças são parcialmente móveis, sendo encontradas nas:
b.l. Sincondroses: nesses casos, há apenas cartilagem hialina. Exemplo:
sincondrose esfeno-occipital (em crânios de neonatos);
b.2. Sínfises: ocorre junção de peças ósseas por meio de tecido fibrocartilagi-
noso. Exemplo: sínfise púbica.

c. Articulações sinoviais (DIARTROSES): o tecido empregado é o sinovial.


Esse tem a capacidade de secretar líquido sinovial, que é rico em ácido hi-
alurônico. Essas articulações são, portanto, amplamente móveis. Elas se classi-
ficam de acordo com a fornia das estruturas anatómicas que entrarão em conta-
to (superfícies articulares), ou, ainda, pelo movimento principal, que é atí-
vado. Ainda se descreve que as superfícies articulares são revestidas por carti-
36 ARTROLOGIA

4, .
lagem articular (do tipo hialina), que facilita o deslizamento daquelas super-
fícies. No entanto, nessas articulações são necessários alguns elementos estru-
turais para manterem as peças unidas (ligamentos), além de outros para evi-
tarem o atrito entre ossos, bem como promoverem harmonia entre as peças
(meniscos, discos ou orlas). Os encontros ósseos são fechados por uma cáp-
sula articular de parede dupla, formando em seu interior uma cavidade arti-
cular. Sua membrana externa é fibrosa, ao passo que a interna é sinovial. Esta
última é responsável pela secreção do líquido sinovial. As articulações sinoviais
podem ser:
a. plana: quando as superfícies de contato são lineares. Exemplo: entre os ossos
X nasais (articulação internasal);
b. gínglimo: onde prevalece uma estrutura em dobradiça. Exemplo: úmero-ul-
nar (entre a fossa do olécrano e o olécrano da ulna);
C. esferóide: um dos elementos é uma esfera; o outro é uma concavidade, a fim

de que haja uma harmónica junção. Exemplo: articulação do ombro (articula-


ção úmero-glenoidal);
condilar: existe uma superfície em forma de côndilo que gira em uma fossa
rasa. Exemplo: joelho (articulação fêmur-tibial);
trocóide (ou em pivô): nesse caso, há um eixo de rotação determinando o
movimento principal, que é o de rotação. Exemplo: cotovelo (articulação rá-
dio-ulnar proximal);
selar: uma das unidas ósseas tem o desenho de uma sela, a outra corresponden-
te é convexa. Exemplo: articulação carpo-metacarpiana do polegar.

ELEMENTOS ANATÓMICOS DE UMA ARTICULAÇÃO SINOVIAL


A articulação do joelho é um bom exemplo para se demonstrarem macroscopi-
camente os elementos sinoviais. Assim, observe a figura 4.2 e, após, coloque os nú-
meros correspondentes dos itens abaixo em cada estrutura encontrada. Depois, dê
suas respectivas funções.
1. Superfície articular;
2. Cartilagem articular;
3. Cápsula articular (membranas fibrosa e sinovial);
4-. Ligamentos (colateral tíbial, colateral fibular, cruzado anterior, cruzado posterior);
5. Meniscos (lateral e medial).

TERMINOLOGIA DA MOTILIDADE ARTICULAR


Por se tratar de articulações sinoviais, ou seja, as que permitem amplos movi-
mentos, é preciso se determinar quais são eles. Todavia, considera-se, aqui, apenas o
princípio destes, pois suas trajetórias e decomposições são estudadas na Cinesiolo-
gia.

J? a. Flexão: quando o movimento gerado leva a uma diminuição de ângulo articu-


lar. As peças ósseas se aproximam e o eixo empregado é o transversal;
ARTROUXX& 37

' b. Extensão: quando o movimento produzido leva a um aumento de ângulo arti-


cular. As peças ósseas se afastam e o eixo empregado é também o transver-
sal;
Jl^ c. Adução: durante o movimento, o segmento corpóreo se aproxima do plano
sagital mediano, e o eixo empregado é o ântero-posterior (sagital);
d. Abdução: ao contrário do anterior, ocorre afastamento do segmento corpóreo
em relação ao plano sagital mediano, sendo também empregado o eixo sã-
gital;
e. Rotação: ocorre movimento em torno do mesmo eixo, que é o súpero-in-
ferior ou longitudinal. No entanto, se a rotação for apenas no sentido late-
ral, denomina-se Supinação; se for no sentido medial, tem-se Pronação;
f. Circundução: é quando os três eixos atuam sobre um mesmo ponto articu-
lar, levando no espaço a figura de um cone, durante o movimento.

Fig. 4.1 Compare as figuras a, b, c e d.


Justifique as diferenças entre elas.
Denomine as estruturas que as setas
(1,2,3,4 e 5) estão indicando.
38 ARTROLOGIA

Fig. 4.2 Utilize as fotografias a, b, c e


d para indicar as principais estruturas
de uma articulação sinovial e suas
respectivas funções. Antes, no entanto,
determine os planos de observação das
imagens.
BRANDÃO, MÍRIAM C.S.

MIOLOGIA

_Os músculos são órgãos ativos do movimento, formados por células espe-
cializadas em contracão. Cada músculo é ativado por um comando neural e,
quando denervado, fica paralisado. Os músculos são capazes de transformar energia
Kquímica (adenosina trifosfato — ATP) em energia mecânica (trabalho).

As miofibrilas (fibras musculares) são envoltas por tecido conjuntivo


(endomísio), as quais se agrupam para formar fascículos musculares. Esses últi-
mos estão envolvidos também por tecidos conjuntivos (perimísios), que configu-
ram unidades denominadas feixes musculares, que, por sua vez, estão envoltos por
epimísios. Assim, cada músculo organizado estruturalmente adquire uma configu-
ração macroscópica, que é envolva por tecido conjuntivo em forma de bainha de re-
vestimento, a faseia muscular.

NUMERO DE MÚSCULOS
Em geral, se considera cerca de 501 o número de músculos, sendo muitos os
jQ_—. ^ _^

fatores que determinam essas variações, entre eles, os diferentes grupos raciais.

TIPOS DE MÚSCULOS
Com relação à morfologia, têm-se:
a. músculo estriado esquelético: pelo menos uma de suas extremidades está
presa em tecido ósseo;
b. músculo estriado cardíaco: representa a arquitetura cardíaca;
c. músculo liso: está presente na grande maioria dos órgãos internos, como, por
exemplo, nas paredes dos vasos sanguíneos, bem como nas paredes viscerais
(bexiga urinária, estômago e intestinos).

COMPONENTES ANATÓMICOS DOS MÚSCULOS ESTRIADOS ESQUELÉTICOS


a. ventre muscular: é a porção contrátil do músculo, formada basicamente de
fibras musculares; constitui o corpo do músculo (porção carnosa);
40 MlOLOGIA

, b. tendões: são elementos de tecido conjuntivo, ricos em fibras colágenas e que


servem para fixação do ventre, em ossos, no tecido subcutâneo e em cápsulas
articulares. Possuem o aspecto morfológico de fitas ou de cilindros;
£X^C. aponeuroses: também são estruturas formadas por tecido conjuntivo, ricos
em fibras colágenas, mas que, com relação à forma, se apresentam em lâminas
ou em leques;
p^d. faseias musculares: são bainhas de contenção elástica, ou seja, elas envolvem
cada ventre muscular, permitindo assim o isolamento de cada unidade e, ao mes-
mo tempo, possibilitam deslizamento dinâmico dos mesmos durante a contra-
ção muscular. As faseias, em cada setor corpóreo, adquirem um comportamen-
to anatómico diferenciado e complexo, como pode ser observado na face e no
pescoço. Assim, elas tornam-se muito importantes, à medida que, após envol-
verem cada ventre muscular, enviam septos (paredes) para o interior de regi-
ões onde se distribuem, promovendo verdadeiros compartimentos anatómicos;
. bainhas tendíneas: são revestimentos de tecido conjuntivo para os tendões,
que fornecem proteção a cada estrutura frente ao atrito. Entre as bainhas tendí-
neas e os tendões, há presença de líquido sinovial (o mesmo que existe dentro
' 'i " - dessas articulações), o qual permitirá o deslizamento suave daqueles elementos
no mecanismo de contração e de relaxamento muscular;
£X £ bolsas tendíneas: são pequenos sacos de tecido conjuntivo dispostos nas ex-
tremidades dos tendões que servem para evitar o impacto entre os tendões e o
tecido ósseo.

CLASSIFICAÇÃO DOS MÚSCULOS ESTRIADOS ESQUELÉTICOS


De Acordo com a Organização das Fibras Musculares
^\. mm. longos: possuem fibras paralelas e apresentam o comprimento significa-
tivamente maior que a largura e a espessura. Exemplo: m. sartório;
b. mm. em "fuso": possuem fibras paralelas, divergentes no centro e convergentes
para as extremidades proximal e distai. Exemplo: m. bíceps braquial;
^ c. mm. curtos: também contêm fibras paralelas que possuem o comprimento
equivalente à largura e à espessura. Exemplo: m. glúteo máximo;
X^ d. mm. em "leque": são formados por fibras paralelas divergentes, que partem
conjuntamente de uma extremidade focal. Exemplo: m. deltóide; mm. peito-
è; ' rais (maior e menor);
• ) \ e . mm. unipenados: apresentam fibras oblíquas que são orientadas de um só lado
dos tendões. Exemplo: m. extensor longo dos dedos do pé;
; \. mm. bipenados: são compostos por fibras oblíquas, dispostas dos dois lados
dos tendões. Exemplo: m. reto femoral.

De Acordo com a Origem


Considera-se origem de músculo como sendo a extremidade do mesmo ligada à
peça óssea que não se desloca durante um movimento (ponto fixo = proximal).
Porém, deve-se interpretar a origem de um músculo dentro da dinâmica dos mpvimen-
MMtOGL 41

tos, portanto, na Cinesiologia. Contudo, por convenção, em Anatomia Humana.


os tendões proximais determinam o local de origem de um músculo.

fi* a. mm. bíceps: apresentam duas origens e uma inserção. Exemplo: m. bíceps
braquial (cabeças longa e curta); m. bíceps femoral (cabeças longa e curta);
b. mm. tríceps: são compostos por três origens e uma inserção. Exemplo: m.
tríceps braquial (cabeças: lateral, longa e medial); m. tríceps sural (cabeças: m.
gastrocnêmio lateral, m. gastrocnêmio medial e m. sóleo);
/Jç c. mm. quadríceps: possuem quatro origens e uma inserção. Exemplo: m. qua-
dríceps femoral (cabeças: m. vasto lateral, m. vasto medial, m. vasto intermé-
dio e m. reto femoral).

De Acordo com o Inserção


A inserção de músculo é a extremidade presa à peça óssea que se desloca em
um movimento (ponto móvel = distai). Portanto, são os tendões distais que de-
terminam o local de inserção de um músculo.

a. mm. bicaudados: apresentam duas inserções e uma origem. Exemplo: m.


esternocleidomastóide ;
b. mm. policaudados: possuem mais de duas inserções e uma origem. Exem-
plo: m. extensor longo dos dedos do pé.

De Acordo com o Número de Ventres


Por meio de intersecções tendíneas, o ventre muscular pode ser anatomi-
camente dividido, determinando-se:

a. mm. digástricos: são aqueles que apresentam dois ventres musculares. Exem-
plo: m. digástrico (ventres anterior e posterior); m. omo-hióideo (ventres su-
perior e inferior);
b. mm. poligástricos: são constituídos por mais de dois ventres. Exemplo: m.
reto do abdome.

De Acordo com ti Acão


De modo individual ou coletivo, os músculos estriados esqueléticos atuam pro-
duzindo movimentos harmónicos, ora mais ora menos complexos. Assim, eles po-
dem agir como flexores, extensores, adutores, abdutores, rotadores, entre
outros, permitindo que o ser humano desempenhe diferentes comportamentos.

De Acordo a Função
Ao se considerarem os diversos comportamentos motores que o homem pode
realizar, os músculos exercem complexas funções conjuntas que determinam atos
coordenados. Desta forma, eles executam funções de:

J\. a. agonistas: quando agem diretamente no movimento desejado. Exemplo: pe-


gar uma chave sobre a mesa: os agonistas são os mm. flexores dos dedos da mão;
42 MlOLOGIA

/' b. antagonistas: eles atuam de modo indireto para que o movimento desejado
aconteça. São cooperadores da ação principal. Empregando-se o exemplo ante-
rior, os antagonistas são os mm. extensores dos dedos da mão que permanecem
não contraídos, colaborando indiretamente com o ato executado;
c. sinergistas: são aqueles que participam estabilizando as articulações para que não
ocorram movimentos indesejáveis durante a ação principal. Seguindo o exemplo
anterior, são aqueles que estabilizam diretamente o punho, o cotovelo e o ombro;
d. posturais (fixadores): são músculos que estabilizam a postura corpórea a fim
de que o movimento aconteça sem interferências a distância. Utilizando-se o
mesmo exemplo, são aqueles que mantêm o corpo em uma adequada postura,
enquanto os dedos atuam.

ORIGEM (O)-INSERCÃO (I)-ACÃO (A) E INERVAÇAO (N) dos principais grupos musculares corpóreos
Músculos da Cabeça
a. mm. da mastigação:

1. m. masséter
0 = arco zigomático (margem inferior)
1 = ângulo da mandíbula (face externa)
A = elevação da mandíbula
N = n. trigêmeo (ramo massetérico)

2. m. temporal
0 = fossa temporal
1 = processo coronóide da mandíbula
A = eleva e retrai a mandíbula
N = n. trigêmeo (ramos temporais da 2.a divisão)

3. m. pterigóide medial
0 = fossa pterigóide
1 = ângulo da mandíbula (face interna)
A = eleva a mandíbula
N — n. trigêmeo (nervo pterigóide da 2.a divisão)

4. m. pterigóide lateral
0 = lâmina lateral do processo pterigóide e asa maior do esfenóide
1 = ângulo da mandíbula (face interna)
A = abaixa a mandíbula
N = n. trigêmeo (nervo pterigóide lateral da 2." divisão)

b. mm. da expressão facial:

l. m. nasal
0 = face anterior da maxila (eminência canina)
1 = região alar e dorso do nariz
A = comprime e dilata as narinas
N = n. facial (ramo bucal superior)
2. m. prócero
0 — ossos nasais
1 = pele da região mediana frontal
A = abaixa a pele da região mediana frontal
N = n. facial (ramos temporais)

3. m. orbicular do olho
0 = processo frontal da maxila e osso lacrimal
1 = órbita (pele)
A = comprime as pálpebras
N = n. facial (ramos zigomáticos e temporais)

4. m. occipitofrontal (epicraniano)
0 = aponeurose epicraniana
1 = pele da fronte e da região occipital
A = retrai a pele da fronte
N = n. facial e n. occipital

5. m. corrugador do supercílio
0 = órbita (margem supra-orbital)
1 = pele lateral do supercílio
A = puxa o supercílio medialmente
N = n. facial

6. m. zigomático maior
0 = arco zigomático (processo temporal do zigomático)
1 = ângulo da boca
A = eleva e abaixa o ângulo da boca
N = n. facial (ramo bucal superior)

7. m. zigomático menor
0 — osso zigomático (parte central)
1 = lábio superior
A = eleva o lábio superior
N = n. facial (ramo bucal superior)

8. m. levantador do lábio superior


0 = corpo da maxila
1 = lábio superior
A — eleva o lábio superior
N = n. facial (ramo bucal superior)

9. m. levantador do lábio superior e da asa do nariz


0 = processo frontal da maxila
1 = lábio superior e asa do nariz
A = eleva o lábio superior e dilata a narina
N = n. facial (ramo bucal superior)

10. m. levantador do ângulo da boca


O = fossa canina

ural
44 MlOLOGIA

I — ângulo da boca
A = eleva o ângulo da boca
N = n. facial (ramo bucal superior)

11. m. depressor do ângulo da boca


0 = corpo da mandíbula (região anterior)
1 = ângulo da boca
A = abaixa o ângulo da boca
N = n. facial (ramo marginal da mandíbula)

12. m. depressor do lábio inferior


0 = corpo da mandíbula (região anterior)
1 = lábio inferior
A = abaixa o lábio inferior
N = n. facial (ramo marginal da mandíbula)

13. m. mentoniano
0 = fossa mentoniana
1 = pele do mento
A = enruga a pele do mento e everte o lábio inferior
N — n. facial (ramo marginal da mandíbula)

14. m. orbicular da boca


f O = fossa incisiva maxilar e pele da região
I — pele e mucosa dos lábios
A = comprime e protrai os lábios
N = n. facial (ramos marginal da mandíbula e bucal superior)

15. m. bucinador
0 = processos alveolares da maxila e da mandíbula e processo pterigóide
1 = ângulo da boca
A = distende e comprime a bochecha e retrai o ângulo da boca
N = n. facial (ramo bucal inferior)

16. m. platisma
0 = base da maníbula
1 — pele do pescoço
A = enruga a pele do pescoço
N = n. facial (ramo cervical)

Músculos do Pescoço
^REGIÃO ÂNTERO-LATERAL
a. músculos supra-hióideos:
l. m. milo-hióide
0 = corpo da mandíbula (regiões anterior e lateral)
1 — osso hióide
A — eleva o assoalho da boca e a língua; abaixa e retrai a mandíbula
N = n. trigêmeo

2. m. digástrico
0 = processo mastóide
1 = corpo da mandíbula (fóvea digástrica)
A = retrai e abaixa a mandíbula
N = n. trigêmeo (ventre anterior) e n. facial (ventre posterior)

3. m. estilo-hióide
0 = processo estilóide craniano
1 = osso hióide
A = eleva o osso hióide
N = n. facial

4. m. gênio-hióide
0 = tubérculo geniano anterior da mandíbula
1 — corpo do osso hióide
A = eleva e retrai o osso hióide
N = n. hipoglosso (nn. espinhais cervicais)
b. músculos infra-hióideos:

1. m. esterno-hióide
0 = osso esterno (manúbrio)
f
1 = osso hióide
A = abaixa: o assoalho da boca, o osso hióide, a laringe e a língua
N = nn. espinhais cervicais
2. m. omo-hióide
0 = escápula
1 = osso hióide
A = abaixa: o assoalho da boca, o osso hióide, a laringe e a língua
N = nn. espinhais cervicais
3. m. esterno-tireóide
0 = processo mastóide do temporal
1 = osso esterno (manúbrio)
A = abaixa: o assoalho da boca, o osso hióide, a laringe e a língua
N = nn. espinhais cervicais
4. m. tiro-hióide
0 = cartilagem tireóide da laringe
1 — osso hióide
T l •' - J

A = abaixa: o assoalho da boca, o osso hióide, a laringe e a língua


N = nn. espinhais cervicais
5. m. esternocleidomastóide
0 = osso esterno (manúbrio) e clavícula (terço medial)
1 = processo mastóide
46 MlOLOGIA

A = abaixa: o assoalho da boca, o osso hióide, a laringe e a língua


N = n. acessório

Músculos da Língua e do Palato


a. mm. intrínsecos da língua

— mm. longitudinais superior e inferior e m. transverso da língua

Atuam durante a mastigação, empurrando o alimento lateralmente, levando-o


de encontro aos dentes. Todos são inervados pelo n. hipoglosso.

b. mm. extrínsecos da língua

— m. genioglosso, m. hioglosso, m. estiloglosso e m. palatoglosso

São músculos do tipo: protrusor da língua (genioglosso), abaixador da língua


(hioglosso), retrusor e levantador da língua (estiloglosso) e levantador da língua
e abaixador do palato mole (palatoglosso). Eles são inervados pelo n. glossofa-
ríngeo. •

c. mm. do véu palatino

O m. tensor do véu palatino produz enrijecimento do véu palatino; o m.


levantador do véu palatino atua no sentido de elevar o palato mole durante a
deglutição e também durante a sucção; o m. palatoglosso (anteriormente descri-
to); o m. palatofaríngeo age aproximando os arcos palatofaríngeos a fim de estrei-
tar o istmo das fauces, além de elevar a faringe; o m. da úvula atua elevando a mes-
ma durante a deglutição.

Músculos que Atuam na Coluna Vertebral


a. mm. flexores da coluna vertebral:

1. m. reto do abdome
0 = da 5.a a 7.a cartilagens postais
1 = sínfise púbica
A = pressiona o abdome durante a expiração
N = tóraco-abdominais e nn. lombares superiores

2. m. iliopsoas (formado pelos músculos ilíaco, psoas maior e psoas me-


nor)
0 = fossa ilíaca, espinha ilíaca ântero-inferior (m. ilíaco) e d e T 1 2 a L l (mm. psoas
maior e menor)
1 = trocânter menor do fémur (mm. ilíaco e psoas maior) e faseia do m. iliopsoas
(m. psoas menor)
A = flexão lateral, extensão e rotação medial da coluna vertebral
N = plexo lombar

b. mm. extensores da coluna vertebral:

l. mm. eretores da espinha


MlOLOGLA V

0 = ílio, sacro, vértebras lombares, vértebras (torácicas e cervicais inferior e r


costelas
1 = vértebras e costelas
A = age de modo antigravitacional para manter a postura ereta
N = ramos dorsais dos nn. espinhais

c. mm. rotadores da coluna vertebral:

1. m. oblíquo externo do abdome


0 = do 5.° ao 12.° arcos costais
1 = crista ilíaca e linha alba
A = rotação do tórax (ação unilateral) e flexão do abdome, com compressão dessa
região durante a expiração (ação bilateral)
N = nn. tóraco-abdominais e plexo lombar

2. m. oblíquo interno do abdome


0 = crista ilíaca e faseia tóraco-lombar
1 = cartilagens costais (da 10.a à 12.a), púbis e linha alba
A = rotação do tórax (ação unilateral) e flexão do abdome, com compressão dessa
região durante a expiração (ação bilateral)
N = nn. tóraco-abdominais e plexo lombar

d. mm. flexores laterais da coluna vertebral:

1. mm. oblíquo externo, interno e reto do abdome (descritos anterior-


mente)

2. m. quadrado lombar
0 = crista ilíaca (lábio interno)
1 — última costela e corpos vertebrais de LI a L4
A = flexiona lateralmente a coluna vertebral e abaixa as costelas durante a expiração
N = n. torácico (T12)

3. m. transverso do abdome
0 = cartilagens costais (da 7.a à 12.a), faseia tóraco-lombar e crista ilíaca
1 — linha alba
A — comprime o abdome na expiração e flexiona a coluna lateralmente (ação uni-
lateral)
N = nn. intercostais e plexo lombar

Músculos que Atuam no Escapulo


a. mm. levantadores da escápula:

l. m. trapézio
0 = osso occipital (parte escamosa) e vértebras torácicas (processos espinhosos)
1 = clavícula (terço lateral) e acrômio da escápula
A = elevação, adução e abaixamento da escápula (na inspiração)
N = n. acessório
48 MlOLOGIA

2. m. levantador da escápula
0 = processos transversos de Cl a C4
1 = escápula (margem medial)
A — elevação e rotação da escápula
N = plexo cervical

3. rã. rombóide maior


0 — processo espinhoso de T2 a T4
1 = escápula (margem medial)
A = elevação e adução da escápula
N = plexo braquial (n. dorsal da escápula)

4. m. rombóide menor
0 = processos espinhosos de C7 a Tl
1 = escápula (base da espinha da escápula)
A = elevação e adução da escápula
N = plexo braquial (n. dorsal da escápula)
«.-

b. mm. abaixadores da escápula:

m. peitoral maior
0 — clavícula, esterno (manúbrio) e bainha do m. reto do abdome
1 = tubérculo maior do úmero
A = aduz e abaixa a escápula
N = plexo braquial
TVT 1 1 - l

2. m. peitoral menor
. 0 = da 2.a à S. "costelas
1 = processo coracóide
A = abaixa e produz anteversão da escápula
N = nn. peitorais (plexo braquial)

3. m. trapézio (descrito anteriormente)

4. m. latíssimo do dorso
0 = processo espinhoso (T6-12)
1 = tubérculo menor do úmero
A = aduz e abaixa a escápula
N = plexo braquial

Músculos que Promovem a Profrusão da Escápula


1. m. peitoral maior (descrito anteriormente)
2. m. serrátil anterior
0 = nas oito costelas superiores
1 = ângulos superior e inferior da escápula e margem medial da mesma
A = abdução e protrusão da escápula *
N — n. torácico (plexo braquial)
Músculos que a Escápula Anteriormente
l . m. trapézio (descrito anteriormente)
2. m. latíssimo do dorso (idem)
3. mm. rombóides maior e menor (idem)

Músculos Rotadores Superiores da Escápula


l . m. trapézio (descrito anteriormente)
2. m. serrátil anterior (idem)

Músculos Rotadores Inferiores da Escápula


l . m. levantador da escápula (descrito anteriormente)
2. mm. rombóides maior e menor (idem)

Músculos que Agem nos Articulações do Membro Superior (}-

a. mm. flexores do braço:


l . m. coracobraquial
0 = processo coracóide da escápula
1 = úmero (terço médio, na porção medial)
A = rotação medial e adução do ombro
N = n. musculocutâneo (plexo braquial)
V 2. m. deltóide
0 = clavícula (extremidade acromial), acrômio da escápula e espinha da escápula
(margem inferior)
1 = tuberosidade deltóidea do úmero
A = adução e abdução do ombro
N = n. axilar (plexo braquial)
^( 3. m. bíceps braquial
0 = tubérculo supraglenoidal (cabeça longa) e processo coracóide da escápula (ca-
beça curta)
1 = tuberosidade radial
A = ambos suportam o peso do braço, abdução do braço (cabeça longa) e adução do
braço (cabeça curta)
N = n. musculocutâneo (plexo braquial)
4. m. peitoral maior (descrito anteriormente)
'-
b. mm. extensores do braço:
50 MlOLOGIA

1. m. deltóide (descrito anteriormente)

2. m. latíssimo do dorso (descrito anteriormente)

c. mm. abdutores do braço:

l . m. latíssimo do dorso (descrito anteriormente)

2. m. peitoral maior (idem)

3. m. redondo maior
0 = margem lateral da escápula
1 = úmero (tubérculo menor)
A = rotação lateral do braço
N = nn. subescapulares (plexo braquial)

d. mm. rotadores mediais do braço:

l . m. latíssimo do dorso (descrito anteriormente)

2. m. peitoral maior (idem)

3. m. deltóide (idem)

4. m. subescapular
0 — fossa subescapular
1 — úmero (tubérculo menor)
A = rotação medial do ombro
N = nn. subescapulares (plexo braquial)

e. mm. rotadores laterais do braço:

l . m. deltóide (descrito anteriormente)

2. infra-espinhal
0 = fossa infra-espinhal
1 = úmero (tubérculo maior)
A = rotação lateral do ombro
N = n. supra-escapular (plexo braquial)

3. m. redondo menor
0 = margem lateral da escápula
1 = úmero (tubérculo maior)
A = rotação lateral do ombro
N = n. axilar (plexo braquial)

COTOVELO
a. mm. flexores do antebraço:

l . m. bíceps braquial (descrito anteriormente)

2. m. braquial
O = face anterior do úmero (2/3 distai)
I — tuberosidade ulnar
A = flexão do antebraço
N = n. musculocutâneo (plexo braquial)

2. m. pronador redondo
0 — epicôndilo medial do úmero e face medial da ulna
1 — rádio (terço médio da face lateral)
A — flexão e pronação do antebraço
N = n. mediano (plexo braquial)

3. m. braquiorradial
0 — úmero (crista supracondilar lateral)
1 — processo estilóide radial
A — flexão, pronação e supinação do antebraço
N = n. musculocutâneo (plexo braquial)

b. mm. extensores do antebraço:

1. m. tríceps braquial
0 — face posterior do úmero (terço distai—cabeça lateral e, abaixo do sulco do
n. radial, cabeça intermédia) e tubérculo infraglenóide da escápula (cabeça
longa)
1 = olécrano da ulna
A = extensão do antebraço e adução do antebraço (somente a cabeça longa)
N — n. radial (plexo braquial)

2. m. ancôneo
0 = epicôndilo lateral do úmero
1 — olécrano da ulna
A — extensão do antebraço
N — n. radial (plexo braquial)

c. mm. supinadores do antebraço:

1. bíceps braquial (descrito anteriormente)

2. m. supinador
0 = epicôndilo lateral do úmero e face posterior da ulna (epífise proximal)
1 — rádio (face lateral)
A = rotação lateral do antebraço
N = n. radial (plexo braquial)

d. mm. pronadores do antebraço:

1. m. pronador quadrado
0 — ulna (terço distai da face anterior)
1 = rádio (terço distai da face anterior)
A = rotação medial do antebraço
N = n. mediano (plexo braquial)

2. m. pronador redondo (descrito anteriormente)


52 MlOLOGIA

PUNHO
a. mm. flexores da mão:

1. m. flexor radial do carpo


0 == epicôndilo medial do úmero
1 = II e III metacarpos
A = flexão e abdução da mão
N = n. mediano (plexo braquial)

2. m. palmar longo
0 = epicôndilo medial do úmero
1 = aponeurose palmar
A = flexão da mão e extensão da aponeurose palmar
N = n. mediano (plexo braquial)

3. m. flexor ulnar do carpo


0 = epicôndilo medial do úmero
1 = ossos pisiforme, uncinado e V metacarpo
A = flexão e adução da mão
N = n. ulnar (plexo braquial)

Músculos que Agem nas Articulações do Membro Inferior


QUADRIL
/ a. mm.flexoresda coxa:

1. m. sartório
0 = espinha ilíaca ântero-superior
1 = tíbia (face medial da epífise proximal)
A = flexão, rotação lateral e abdução do quadril
N = n. femoral (plexo lombar) , ^_

2. m. iliopsoas (descrito anteriormente)

3. m. reto femoral « «» c
0 = espinha ilíaca antero-inferior e fossa do acetabulo
1 = tuberosidade anterior da tíbia
A = flexão do quadril : ^ _
N = n. femoral (plexo lombar)

4. m. tensor da faseia lata


0 = espinha ilíaca ântero-superior e crista ilíaca
1 = trato iliotibial (faseia lata)
A = flexão, rotação medial e abdução do quadril
N = n. glúteo superior (plexo lombar) ..
•HSp1 .:"'

b. mm. extensores da coxa:

1. m. glúteo máximo .-..-. .„>-<••.',


0 — linha glútea superior, sacro e cóccix (faces dorsais)
1 = tuberosidade glútea
A = extensão, rotação lateral e abdução da coxa
N = n. glúteo inferior (plexo lombar)

2. m. semitendíneo
0 = túber isquiático
1 = epífise proximal da tíbia (face medial)
A = extensão, rotação lateral e adução da coxa
N = n. tibial (ramo do n. isquiático)

3. m. semimembranáceo
0 = túber isquiático
1 — epífise proximal da tíbia (face medial)
A = extensão da coxa, rotação medial e adução da coxa
N = n. tibial (ramo do n. isquiático)

4. m. bíceps femoral
0 = túber isquiático (cabeça longa) e linha áspera do fémur (cabeça curta)
1 = cabeça da fíbula
A = extensão, rotação lateral e adução da coxa
N = 11.tibial(ramo do n. isquiático—cabeça longa) e n. fibular (ramo do n. isquiático—
cabeça curta)

5. m. adutor magno
0 = túber isquiático
1 = linha áspera do fémur e tubérculo do adutor
A = extensão da coxa (feixe posterior)
N = n. obturatório (ramo do n. isquiático) e n. tibial (ramo do n. isquiático)

c. mm. adutores da coxa:

1. m. adutor longo
0 = osso púbis
1 = linha áspera do fémur
A = adução, flexão e rotação lateral da coxa
N = n. obturatório (ramo do n. isquiático)
2. m. adutor curto
0 = osso púbis
1 = linha áspera do fémur e tubérculo do adutor
A = adução, flexão e rotação lateral da coxa (feixe posterior)
N = n. obturatório (ramo do n. isquiático)
3. m. adutor magno
0 = osso púbis
1 = linha áspera do fémur e tubérculo do adutor
A = adução, flexão e rotação lateral da coxa
N = n. obturatório (ramo do n. isquiático) e n. tibial (ramo do n. isquiático)
54 MlOLOGIA

4. m. grácil
0 = osso púbis
1 = epífise proximal da tíbia (face medial)
A = adução, flexão e rotação lateral da coxa
N = n. obturatório (ramo do n. isquiático)

5. m. pectíneo
0 = osso púbis
1 — linha pectínea do fémur
A = adução, flexão e rotação lateral da coxa
N = n. obturatório (ramo do n. isquiático)
d. mm. abdutores da coxa:

1. m. glúteo médio
0 = linhas glúteas posterior e anterior do quadril
1 = trocânter maior do fémur
A = abdução, flexão, extensão e rotação lateral da coxa
N = n. glúteo superior (plexo lombo-sacral)

2. m. glúteo mínimo
0 = linhas glúteas anterior e inferior do quadril
1 = trocânter maior do fémur
A = abdução, flexão, extensão e rotação medial da coxa
N = n. glúteo superior (plexo lombo-sacral)
e. mm. rotadores da coxa:
1. m. glúteo médio (descrito anteriormente)

2. m. glúteo mínimo (ideai)


3. m. tensor da faseia lata (idem)
f. mm. rotadores laterais da coxa:
1. m. glúteo máximo (descrito anteriormente)

2. m. piriforme
0 = face pélvica do sacro
1 = trocânter maior do fémur
A = rotação lateral da coxa
N = n. isquiático e outros ramúsculos do plexo lombo-sacral
3. m. obturador interno
0 = forame obturado (face interna)
1 = trocânter maior do fémur
A = rotação lateral da coxa
N = n. isquiático e outros ramúsculos do plexo lombo-sacral
4. m. obturador externo
O = forame obturado (face externa)
Y-:. :-.- 55

I = fossa trocantérica
A = rotação lateral da coxa
N = n. obturatorio e ramos musculares do plexo lombo-sacral

5. m. gémeo'superior
0 — espinha isquiática
1 = trocânter maior do fémur
A = rotação lateral da coxa
N = ramúsculos do plexo lombo-sacral

6. m. gémeo inferior
0 = túber isquiático
1 = trocânter maior do fémur
A — rotação lateral da coxa
N — ramúsculos do plexo lombo-sacral

7. m. quadrado da coxa
0 = túber isquiático
1 = crista intertrocantérica
A = rotação lateral da coxa
N — ramúsculos do plexo lombo-sacral

l JOELHO
/ a. mm. extensores da perna:

1. m. reto da coxa (descrito anteriormente)

2. m. vasto medial (m. quadríceps femoral)


0 = linhas intertrocantérica e áspera femorais
1 = tuberosidade anterior da tíbia
A = extensão da perna
N = n. femoral (do plexo lombo-sacral)

3. m. vasto intermédio (m. quadríceps femoral)


0 = diáfise do fémur (face ântero-lateral)
1 = tuberosidade anterior da tíbia
A = extensão da perna
N = n. femoral (do plexo lombo-sacral)

4. m. vasto lateral (m. quadríceps femoral)


0 = trocânter maior do fémur e linha áspera femoral
1 = tuberosidade anterior da tíbia
A = extensão da perna
N = n. femoral (do plexo lombo-sacral)

b. mm. flexores da perna:

1. mm. posteriores da perna (descritos anteriormente)

2. m. grácil (idem)
56 MlOLOGIA

3. m. sartório (idem)
4. mm. gastrocnêmios lateral e medial (m. tríceps sural)
0 = côndilo lateral do fémur (m. gastrocnêmio lateral) e côndilo medial do fémur
(m. gastrocnêmio medial)
1 = calcâneo
A = flexão da perna e flexão plantar
N = n. tibial (ramo do n. isquiático)
c. mm. rotadores laterais da perna:
l. m. bíceps femoral (descrito anteriormente)
.-' d. mm. rotadores mediais da perna:
1. m. grácil (descrito anteriormente)
2. m. sartório (idem)
3. m. semitendíneo (idem)
4. m. semimembranáceo (idem)
5. m. poplíteo
0 = côndilo lateral do fémur
1 = terço proximal e posterior da tíbia
A = rotação medial da perna
N = n. tibial (ramo do n. isquiático)

Músculos que Atuam nas Mãos


a. mm. extensores da mão:
1. m. extensor radial longo do carpo
0 = úmero (crista supra-epicondilar lateral)
1 =11 metacarpo
A = extensão e flexão da mão, pronação e supinação do cotovelo
N = n. radial (plexo braquial)
2. m. extensor radial curto do carpo
0 = úmero (epicôndilo lateral)
1 = III metacarpo
A = extensão da mão, abdução e dorsoílexão do punho
N = n. radial (plexo braquial)
3. m. extensor ulnar do carpo
0 = úmero (epicôndilo lateral)
1 = V metacarpo
A = extensão da mão, abdução e dorsoflexão do punho
N = n. radial (plexo braquial)
b. mm. flexores das falanges distais:
.Y:: i :•:-:- 57

l. m. flexor profundo dos dedos da mão


0 = ulna (2/3 proximais da face ântero-medial) e membrana interóssea
1 = falanges distais dos II, III, IV e V dedos da mão
A = flexão dos dedos da mão
N = n. mediano e n. ulnar (plexo braquial)

c. mm. flexores das falanges médias:

l. m. flexor superficial dos dedos da mão


0 — epicondilo medial do úmero, ulna (processo coronoide) e rádio (epífise proxi-
mal)
1 = falanges médias dos II, III, IV e V dedos da mão
A = flexão dos dedos da mão
N = n. mediano (plexo braquial)

d. mm. flexores das falanges proximais:

1. mm. lumbricais
0 = tendões do m. flexor profundo dos dedos da mão (do II ao IV)
1 — aponeurose dorsal do m. extensor dos dedos da mão
A = flexão dos dedos da mão
N = n. mediano e n. ulnar (plexo braquial)

2. mm. interósseos palmares


0 — II, IV e V metacarpos
1 = aponeurose dorsal do m. extensor dos dedos da mão
A = flexão dos dedos da mão
N = n. ulnar (plexo braquial)

3. mm. interósseos dorsais


0 = I, II, IV e V metacarpos
1 = aponeurose dorsal do m. extensor dos dedos da mão e falange proximal
A = flexão dos dedos da mão
N = n. ulnar (plexo braquial)

e. mm. abdutores da mão:

1. m. flexor radial do carpo (descrito anteriormente)

2. m. extensor radial longo do carpo (idem)

3. m. extensor radial curto do carpo (idem)

f. mm. adutores da mão:

1. m. flexor ulnar do carpo (descrito anteriormente)

2. m. extensor ulnar do carpo (idem)

g. mm. abdutores dos dedos:

l. mm. interósseos dorsais (descritos anteriormente)

h. mm. adutores dos dedos:


58 MlOLOGIA

l. mm. interósseos palmares (descritos anteriormente)

i. mm. extensores da mão:

l. m. extensor dos dedos da mão


0 = úmero (epicôndilo medial)
1 = II, III, IV e V dedos (falanges proximais, médias e distais)
A = extensão dos dedos da mão
N = n. radial (plexo braquial)

Músculos que Atuam nos Polegares .,


1. m. abdutor longo do polegar
0 = ulna e rádio (face distai e posterior) e membrana interóssea
1 = 1 metacarpo
A = abdução do polegar
N = n. radial (plexo braquial) ' ,• •, .

2. m. extensor curto do polegar


0 = ulna e rádio (face distai e posterior) e membrana interóssea
1 = polegar (falange proximal)
A = extensão do polegar
N = n. radial (plexo braquial) - '

• -r • . ; .- 3 . m . extensor longo d o polegar


0 = ulna (face distai e posterior) e membrana interóssea
1 = polegar (falange distai)
A = extensão do polegar
N = n. radial (plexo braquial)

4. m. flexor longo do polegar


0 = rádio (terço médio e anterior) e membrana interóssea
1 — polegar (falange distai)
A — extensão do polegar
N = n. mediano (plexo braquial) - « • - • - . - ,-u/o tr

5. m. abdutor curto do polegar •"• *n


• O = ossos trapézio, trapezóide e escafóide
I = polegar (falange proximal)
A = abdução do polegar
N = n. mediano (plexo braquial)

6. m. flexor curto do polegar


0 — ossos trapézio e trapezóide
1 — polegar (falange proximal) -> •• * r•
A = flexão do polegar
N = n. mediano (plexo braquial) """
' * l í 'r

7. m. oponente do polegar
, » ••". O = osso trapézio •;•>.,
I — I metacarpo
A = oposição do polegar
N = n. mediano (plexo braquial)

8. m. adutor do polegar
0 = ossos trapezóide, capitato, e II e III metacarpais
1 = polegar (falange proximal)
A = adução do polegar
N = n. ulnar (plexo braquial)

Músculos que nos Pés


a. mm. flexores plantares:

1. mm. gastrocnêmios lateral e medial (descritos anteriormente)

2. m. sóleo (m. tríceps sural)


0 = tíbia e fíbula (terço proximal e posterior)
1 = calcâneo
A = flexão plantar
N = n. tibial (ramo do n. isquiático)
%
3. m. tibial posterior
0 — tíbia e fíbula (2/3 proximais e posterior) e membrana interóssea
1 = ossos navicular, cubóide, cuneiformes, e II, III e IV metatarsos
A = flexão plantar
N = n. tibial (ramo do n. isquiático)

4. m. fibular longo
0 = fíbula (2/3 proximais)
1 = cuneiforme medial e I metatarso
A = flexão plantar
N = n. fibular superficial (ramo do n. fibular comum)

b. mm. dorsiflexores:

1. m. tibial anterior
0 = tíbia (2/3 proximais e côndilo lateral) e membrana interóssea
1 = cuneiforme medial e I metatarso
A = dorsiflexão
N = n. fibular profundo (ramo do n. fibular comum)

2. m. extensor longo dos dedos dos pés


0 = tíbia (côndilo lateral), fíbula (2/3 proximais) e membrana interóssea
1 = falanges média e distai dos II, III, IV e V metatarsos
A = dorsiflexão e extensão dos dedos
N = n. fibular profundo (ramo do n. fibular comum)

3. m. extensor longo do halux


O = tíbia (côndilo lateral), fíbula (2/3 proximais) e membrana interóssea
60 MlOLOGIA

I — falanges média e distai dos II, III, IV e V metatarsos


A = dorsiflexão e extensão dos dedos
N — n. fibular profundo (ramo do n. fibular comum)

c. mm. que realizam eversão do pé:

1. m. extensor longo dos dedos dos pés (descrito anteriormente)


2. m. fibular longo (idem)

3. m. fibular curto
0 =fíbula (2/3 distais)
1 = V metatarso
A = eversão do pé
N = n. fibular superficial (ramo do n. fibular comum)

d. mm. que realizam inversão do pé:

1. tibial anterior (descrito anteriormente)


2. m. tibial posterior (idem)

e. mm. flexores das falanges distais:


1. m. flexor longo dos dedos dos pés
0 — tíbia (terço médio posterior)
1 = II, III, IV e V falanges distais
A = flexor dos dedos dos pés
N = n. tibial (ramo do n. isquiático)

2. m. quadrado plantar
0 — calcâneo
1 = tendão do m. flexor longo dos dedos dos pés
A = flexor dos dedos dos pés
N = n. plantar lateral (ramo do n. tibial)

f. mm. flexores das falanges médias:


°
l. m. flexor curto dos dedos dos pés
0 = calcâneo
1 = falange média (do II ao V dedos dos pés)
A = flexor dos dedos dos pés
N = n. plantar lateral (ramo do n. tibial) e n. plantar medial (ramo do n. tibial)

g. mm. flexores das falanges proximais:

1. mm. lumbricais
0 = tendões do m. flexor longo dos dedos dos pés
1 — tendões do m. extensor longo dos dedos dos pés
A = flexor dos dedos dos pés
N = n. plantar lateral (ramo do n. tibial) e n. plantar medial (ramo do n. tibial)

2. mm. interósseos dorsais


.\L-ii: :-.- í'

0 = I, II, III, IV e V metatarsos


1 = falanges proximais dos II, III e IV (dedos dos pés)
A — flexor dos dedos dos pés
N = n. plantar lateral (ramo do n. tibial)

3. mm. interósseos plantares


0 = III, IV e V metatarsos
1 = falanges proximais dos II, III e IV (dedos dos pés)
A = flexor dos dedos dos pés
N = n. plantar lateral (ramo do n. tibial)

h. mm. abdutores dos dedos:

l. mm. interósseos dorsais (descritos anteriormente)

i. mm. adutores dos dedos:

l. mm. interósseos plantares (descritos anteriormente)

j. mm. extensores dos dedos:

1. m. extensor longo dos dedos do pé (descrito anteriormente)

2. m. extensor curto dos dedos do pé


0 = calcâneo
1 = tendões do m. extensor longo dos dedos do pé
A — extensão dos dedos
N — n. fibular profundo (ramo do n. fibular comum)

Músculos que Atuam no Hálux


1. m. flexor longo do hálux
0 = fíbula (2/3 distais da face posterior)
1 = hálux (falange distai)
A = flexão do hálux
N = n. tibial (ramo do n. isquiático)

2. m. extensor curto do hálux


0 — calcâneo (face superior)
1 = hálux (falange proximal)
A = extensão do hálux
N = n. fibular profundo (ramo do n. fibular comum)

3. m. abdutor do hálux
0 = calcâneo
1 = hálux (falange proximal)
A = extensão do hálux
N — n. plantar medial (ramo do n. tibial)
4. m. flexor curto do hálux
O = cubóide e cuneiformes intermédio e lateral
W 62 MlOLOGlA •'_

I — hálux (falange proximal)


A = extensão do hálux
N = n. plantar medial (ramo do n. tibial)
5. m. adutor do hálux
0 = II, III e IV metatarsos
1 — hálux (falange proximal)
A = extensão do hálux
N = n. plantar lateral (ramo do n. tibial)

Músculos que Atuam na Respiração


1. m. diafragma
0 = processo xifóide (internamente), da 7.a à 12.a costelas, corpos vertebrais de LI
a L4 (pilar lombar) e corpos vertebrais de LI a L3 (pilar medial)
1 = centro tendíneo diafragmático
A = expiração e inspiração
N = n. frênico
2. mm. intercostais internos
0 =da2. a àl2. a costelas
1 = margem superior da costela infrajacente
A = expiração
N = nn. intercostais
3. mm. intercostais externos
0 =da l. a à 12.a costelas
1 = margem inferior da cartilagem costal suprajacente
A = inspiração
N = nn. intercostais
4. m. escaleno anterior
0 = processo transverso de C3 a C6
1 = l. a costela
A = inspiração
N = plexo cervical
5. m. escaleno médio
0 = processo transverso de Cl a C7
1 = l . a costela (posterior ao sulco da a. subclávia)
A = inspiração
N = plexo cervical e plexo braquial
-
6. m. escaleno inferior
0 = processo transverso de CS e C6
1 = 2.a costela
A = inspiração e flexão da coluna cervical
N = plexo cervical e plexo braquial
Miouxat 43

7. m. peitoral menor
0 — da 3.a à 5.a costelas (margem superior externamente)
1 = processo coracóide da escápula
A — abaixamento e anteversão da escápula, e elevação das costelas (inspiração)
N = nn. peitorais medial e lateral (plexo braquial)

PESCOÇO
O pescoço é uma região corpórea que conecta o tórax à cabeça. Esse seg-
mento, além de abrigar órgãos importantes como laringe, traquéia, esôfago e glân-
dulas tiróideas, é via de passagem de vasos e nervos que se distribuem em ambas as
direções.
Ele está limitado superiormente pela margem inferior da mandíbula e, por meio
de um plano horizontal que passa pela articulação têmporo-mandibular, estende-se
em direção látero-posterior até a protuberância occipital externa. Seu limite inferior
é dado por uma linha imaginária que toca a articulação acrômio-clavicular, indo até a
margem superior esternal e, assim, terminando no processo espinhoso da sétima vér-
tebra cervical.

Forma
O pescoço mede cerca de 7 cm na mulher, ao passo que, no homem, é um pou-
co maior (8 cm). Sua forma geralmente é a de um cone truncado; contudo, esta varia
de acordo com a idade e com o sexo. Normalmente, na criança e na mulher, é arre-
dondado, porém, nesta última, é mais alongado.

Divisão Anatómica
Anatomicamente, o pescoço pode ser dividido em duas grandes regiões, que são:
a. posterior: situada atrás da coluna vertebral, é denominada região da nuca;
b. anterior: localiza-se adiante da coluna vertebral, sendo conhecida como re-
gião traqueal.

REGIÃO TRAQUEAL DO PESCOÇO (ANTERIOR)


A região traqueal do pescoço é subdividida em menores áreas (regiões se-
cundárias ou trígonos do pescoço), as quais podem ser reconhecidas da seguinte ma-
neira:
a. regiões anteriores;
b. regiões póstero-laterais.

A. REGIÕES ANTERIORES
Regiões Secundárias — Trígonos Anteriores do Pescoço
As regiões secundárias anteriores (ou trígonos anteriores do pescoço) são me-
dianas e estão situadas entre os dois músculos esternocleidomastóides, sendo as mes-
mas compostas por duas porções superficiais e uma profunda. As porções
64 MlOLOGIA

superficiais denominam-se regiões supra- e infra-hióide, e a porção profun-


da é reconhecida como região pré-vertebral.

Regiões Superficiais do Pescoço


REGIÃO SUPRA-HIÓIDE {TRÍGONO SUBMENTUAL). A região supra-hióide é uma áre=
ímpar e mediana que está localizada acima do osso hióide. Ela ocupa a parte ante-
rior e superior do mesmo. Este segmento é limitado lateralmente pela margem
anterior dos músculos esternocleidomastóides, inferiormente por um plano horizon-
tal que passa pelo corpo do osso hióide, superiormente pela margem inferior da man-
díbula, e indo até seu ângulo, chegando à margem dos músculos esternocleidomas-
tóides. Da superfície para a profundidade, é composta por pele e tela subcutânea.
sendo esta última constituída por duas camadas, uma superficial (externa), que é are-
olar e rica em gordura, e outra profunda (interna) laminar, que forma a faseia super-
ficial do pescoço. No entanto, entre essas duas camadas, encontra-se um plano mé-
dio ocupado por um delgado músculo, o platisma. Contudo, este se distribui nas duas
regiões anteriormente citadas, ou seja, nas supra- e infra-hióide. Ainda, na intimida-
de da faseia superficial, são encontrados artérias, veias, linfáticos e nervos, que são
chamados de componentes superficiais. As artérias são ramos da a. submento-
nina. Quanto às veias, geralmente se observam uma ou duas veias descendentes
no plano mediano, que se denominam veias jugulares anteriores. Em relação aos
nervos, está presente o cutâneo superficial do pescoço, que é ramo do nervo
facial. Todavia, abaixo da camada superficial, verifica-se a presença de camadas
subaponeuróticas, representadas pelas seguintes estruturas:

a. m. digástrico;
b. m. estilo-hióide;
c. m. milo-hióide;
d. m. hioglosso;
e. gl. submandibular;
f. aã. facial e lingual;
g. w. facial e lingual;
h. nn. milo-hióide, lingual e hipoglosso.

REGIÃO INFRA-HIÓIDE (TRÍGONO MUSCULAR). Esta região situa-se abaixo do osso


hióide, é ímpar e mediana, e ocupa a parte ântero-inferior do pescoço. Ela está li-
mitada superiormente por um plano imaginário que passa pela margem inferior do
osso hióide, lateralmente pelas margens anteriores dos mm. esternocleidomastóides
e inferiormente pela incisura jugular. No plano superficial, têm-se pele e, logo abai-
xo, a tela subcutânea, que apresenta organização estrutural semelhante à da região
supra-hióide. Como conteúdo superficial, essa área é composta principalmente
por ramos da artéria tireóidea superior e veias jugulares anteriores; essas
últimas apresentam-se em número de duas, uma de cada lado do plano sagital medi-
ano, tomam trajeto descendente e, aproximadamente a 1,5 cm da incisura jugular,
elas perfuram a aponeurose superficial do pescoço, passam pela face posterior do m.
esternocleidomastóide, para desembocarem nas veias jugulares internas. Ainda,
camadas subaponeuróticas também podem ser observadas, as quais são consti-
tuídas por músculos, a saber:
:.

a. m. esterno-hióide
b. m. esterno-tireóide
c. m. tiro-hióide
d. m. omo-hióide

Neste contexto, é importante se considerar que os músculos digástrico (ven-


tre anterior) e omo-hióide (ventre superior) apresentam dois ventres cada, de modo
que, ao atravessarem a região anterior do pescoço, dividem-na em três áreas
menores, de formatos triangulares, que são as regiões submandibular,
submentual e carotídea, localizadas na região supra-hióide.
A região infra-hióide, também chamada de trígono muscular, apresenta cama-
das retromusculares que contêm as seguintes estruturas:

a. osso hióide;
b. gl. tireóidea;
c. traquéia (parte cervical);
d. laringe;
e. esôfago (porção cervical).

REGIÃO SUBMANDIBULAR (TRÍGONO SUBMANDIBULAR). Esse território é também chá


mado de trígono digástrico, estando inserido entre os dois ventres do m. digástrico
(ventres anterior e posterior), abaixo da margem inferior da mandíbula. Seu assoalho
é muscular, além de possuir a gl. submandibular, artéria e veia faciais.
REGIÃO SUBMENTUAL (TRÍGONO SUBMENTUAL). A região submentual é uma área su-
pra-hióide, que ocupa uma posição ímpar e mediana no pescoço, tendo como asso-
alho o m. milo-hióide. Ela está delimitada pelo osso hióide (abaixo) e pelos ventres
anteriores dos mm. digástricos, de cada lado.
REGIÃO CAROTÍDEA (TRÍGONO CAROTÍDEO OU REGIÃO ESTERNOCLEIDOMASTÓIDEA). Essa
região está limitada anteriormente pela margem anterior do m. esternocleidomastóide,
posteriormente pela margem desse mesmo músculo, inferiormente pelo esterno (in-
cisura jugular) e clavícula e, superiormente, pelo processo mastóide. Seus planos
superficiais são representados pela pele, tela subcutânea e m. platisma, além de
vasos e nervos. As artérias superficiais são ramos da a. tireóidea superior, aveia
é a jugular externa. Essa última atravessa a margem externa e posterior do m.
esternocleidomastóide, atinge a região supraclavicular, desembocando na v. jugular
interna. As camadas subaponeuróticas também estão presentes, sendo constitu-
ídas por:

a. m. esternocleidomastóide;
b. m. omo-hióide;
c. artéria e veia subclávia;
d. a. carótida comum;
e. v. jugular interna;
f. n. vago.

Ainda, é possível se reconhecer outro trígono na região anterior do pescoço, a


região parotídea. A região parotídea é superior e está localizada entre o ramo as-
cendente da mandíbula e o m. esternocleidomastóide.
66 MlOLOGIA

REGIÃO PAROTÍDEA (TRÍGONO PAROTÍDEO). Essa região situa-se à frente da margem


posterior do ramo ascendente da mandíbula, limitando-se atrás pelo processo mas-
tóide e margem anterior do m. esternocleidomastóide, acima com o conduto auditi-
vo externo e parte posterior do arco zigomático e abaixo com o ângulo da mandíbula
e margem anterior do m. esternocleidomastóide. O conteúdo do compartimento
parotídeo é formado de gl. parótida, além de importantes vasos e nervos que cons-
tituem o plexo parotídeo.
REGIÃO PROFUNDA DO PESCOÇO. Essa área do pescoço é constituída por uma re-
gião pré-vertebral. Essa é ímpar e também mediana, situando-se, à frente da
coluna vertebral. Ela está limitada superiormente pelo processo basilar do occipi-
tal, inferiormente pelo corpo da primeira vértebra torácica e lateralmente pelos
processos transversos vertebrais cervicais. Com relação aos seus planos superfi-
ciais, verifica-se a presença de uma aponeurose pré-vertebral (aponeurose
cervical profunda), músculos pré-vertebrais e face anterior dos corpos
vertebrais. Os vasos e nervos distribuem-se de modo complexo. As aã. verte-
brais, que são ramos das aã. subclávias direita e esquerda, respectivamente, têm
suas origens no interior dos músculos escalenos. A seguir, as mesmas lançam-se de
modo ascendente até atingirem os forames transversos das vértebras cervicais, pas-
sando em seus interiores para chegarem ao forame magno por onde penetram na
caixa craniana. Também se observa que as w. vertebrais acompanham as artérias
de mesmo nome, para desembocarem no tronco braquiocefálico, e os nervos per-
tencem à cadeia simpática cervical. Nesse percurso, esse cordão nervoso apre-
senta gânglios superior, médio e inferior. O simpático cervical situa-se na
aponeurose pré-traqueal imediatamente por dentro dos tubérculos anteriores dos
processos transversos vertebrais.

B. REGIÕES POSTERO-LATERAIS
Regiões Secundárias — Trígonos Póstero-Laterais do Pescoço
As regiões secundárias póstero-laterais do pescoço se localizam entre o
m. esternocleidomastóide (limite ânter o-lateral) e m. trapézio (limite posteri-
or). O seu teto é limitado por um plano horizontal imaginário que passa pelos
côndilos mandibulares, ao passo que o assoalho é definido pelo terço intermé-
dio clavicular. Essa área triangular (também chamada de trígono lateral do pesco-
ço) está dividida em duas regiões menores por um plano oblíquo, que é representado
pelo ventre inferior do m. omo-hióide. Assim, ele a divide em trígonos occi-
pital e supraclavicular.
REGIÃO SUPRACLAVICULAR (TRÍGONO SUPRACLAVICULAR). A região supraclavicu-
lar é aquela posterior à carotídea, situada entre esta última e a região da nuca. Essa
área limita-se superiormente pelo ventre inferior do m. omo-hióide, anteri-
ormente pela margem posterior do m. esternocleidomastóide e inferiormente
pela parte intermédia da clavícula. Resumidamente, ela contém plano superfi-
cial semelhante aos descritos anteriormente para as outras áreas, com a presença de
uma complexa rede arterial, venosa e linfática, além de nervos do plexo bra-
quial e músculos que compõem o assoalho, como o esplênio da cabeça, levantador
da escápula e escalenos (médio e posterior).

••••B
MKM-OOA 47

REGIÃO OCCIPITAL (TRÍGONO OCCIPITAL). Essa região situa-se posteriormente ao m.


esternocleidomastóide (margem posterior), anteriormente ao m. trapézio
(margem anterior), superiormente ao terço intermédio da clavícula e abaixo de uma
linha imaginária horizontal que passa pela articulação têmporo-mandibular, indo até
a protuberância occipital externa. É importante ressaltar que o seu teto é atravessado
pelo n. acessório, o qual corre na lâmina superficial da faseia cervical, constituindo,
assim, uma estrutura muito delicada, com trajeto totalmente superficial. Ainda, é
composto por parte do plexo braquial, além de músculos em comum com o trígono
supraclavicular.
REGIÃO DA NUCA (POSTERIOR DO PESCOÇO). A região da nuca (posterior do pés
coço) tem como eixo de sustentação a coluna cervical, que é composta por sete
vértebras cervicais. Porém, os músculos cervicais atuam de modo especial, efetivan-
do uma dinâmica conjunta entre a cabeça e o pescoço. Esses músculos são o
esternocleidomastóide, mm. pré-vertebrais (longo da cabeça, retos an-
terior e posterior), mm. paravertebrais (escalenos anterior, médio e pos-
terior) e mm. pós-vertebrais (multifídio, semiespinhal da cabeça,
semiespinhal do pescoço, esplênios da cabeça e do pescoço, retos pos-
teriores da cabeça — maior e menor — e oblíquos superior e inferior da
cabeça). Além desses, delicados ramos arteriais, venosos, linfáticos e nervosos atra-
vessam esse importante território.
68 MlOLOGIA

Fig. 5.1 Em que classificação os


músculos das figuras a, b, c, d, e, f, e g
estão inseridos (observe as setas)?
Aproveite para relembrar como é formada
a bainha do m. reto do abdome.
MKM.OQA M

Fig. 5.2 Identifique a função dos


principais componentes anatómicos dos
músculos estriados esqueléticos que
estão indicados na fotografia.

TH
70 MlOLOGIA

Fig. 5.3 Faça um estudo sobre os


trígonos do pescoço, descrevendo seus
conteúdos e limites anatómicos.
BRANDÃO, MÍRIAM C.S.

SISTEMA CARDIOVASCULAR

O sistema cardiovascular é formado pelos seguintes componentes: cora-


ção, vasos sanguíneos (artérias e veias), além de uma rede linfática (tron-
cos e duetos linfáticos, órgãos linfóides e linfonodos).
Deste modo,, se verifica a ocorrência de dois tipos de circulação, ou seja, uma
sanguínea e outra linfática, em que os humores, respectivamente, são o sangue
e a linfa.
Neste capítulo, serão apresentados em blocos os elementos desse sistema.

ASPECTOS GERAIS: CORAÇÃO E VASOS SANGUÍNEOS


_O coração e os vasos sanguíneos são necessários para que todos os órgãos e
tecidos orgânicos recebam nutrientes, oxigénio e hormônios necessários às ativida-
des celulares e, por consequência, mantenham a vitalidade corpórea. Ainda, os
produtos residuais provenientes de seus metabolismos também são retirados por essa
complexa rede.
O centro do sistema vascular sanguíneo é o coração, e, através de sua atividade
contrátil, o sangue é impulsionado nesse sistema fechado de tubulações.

Coração
O coração é um órgão muscular oco que funciona como uma bomba
contrátil-propulsora. Quando o coração contrai (sístole), o sangue é ejetado
dentro de artérias, as quais irão se ramificar até atingirem a intimidade dos tecidos.
Então, as trocas metabólicas ocorrerão de acordo com as necessidades e especialida-
des de cada sistema. Porém, quando o coração entra em relaxamento (diástole), o
sangue é injetado em seu interior através de veias, que retornam do extremo oposto
à rede arterial, sendo formadas inicialmente por pequenos capilares venosos, deno-
minados vênulas. Deste modo, nota-se um fluxo sanguíneo centrífugo (arteri-
al) e centrípeto (venoso).
Este importante órgão pesa no homem adulto aproximadamente 300 g e na
mulher 250 g; contudo, o corpo de um indivíduo adulto tem em média cinco litros
de sangue circulante e a cada minuto é capaz de impulsionar cerca de 70 ml.
72 SISTEMA CARDIOVASCULAR

Estudos mais recentes comprovam ainda que o coração é um órgão endócri-


no que secreta um hormônio denominado fator natriurético atrial, um alfa
peptídeo, secretado pelos cardiomiócitos, que é importante para o controle da pres-
são arterial, pois promove a indução da natriurese e da diurese, atuando direta-
mente sobre os rins.

FORMA, SITUAÇÃO E POSIÇÃO


O coração tem a forma aproximada de uma pirâmide triangular. Assim,
apresenta três faces: diafragmática, esternocostal e pulmonar (esquerda).
Quanto a sua situação, encontra-se no mediastino médio, entre as pleuras
pulmonares (lateralmente), diafragma (inferiormente), à frente da coluna vertebra.
(posteriormente) e por trás do osso esterno (anteriormente).
A posição cardíaca é descrita observando-se que l / 3 do coração está à direi-
ta do plano sagital mediano, ao passo que 2/3 ocupam o antímero esquerdo. Assim
sendo, sua base está para cima, para a direita e para trás, e o seu ápice está para
baixo, para a esquerda e para a frente.
Deste modo, o coração projeta-se sobre a parede anterior do tórax, delimitan-
do uma área que é denominada área cardíaca ou espaço pré-cordial.

CONSTITUIÇÃO
Histologicamente, o coração é constituído em seu conjunto por três túnicas
que são, de fora para dentro, o pericárdio, o miocárdio e o endocárdio.
Em sua arquitetura geral, o coração propriamente é representado pelo mio-
cárdio, no qual externamente se fixa a lâmina visceral do pericárdio e, internamen-
te, é praticamente indissociável do endocárdio.
O pericárdio é um saco fibrosseroso composto por dupla camada, ou seja, uma
lâmina fibrosa (pericárdio fibroso) e uma lâmina serosa (pericárdio seroso).
O pericárdio fibroso está fortemente fixado à coluna vertebral, ao esterno,
ao diafragma e aos grandes vasos da base do coração. Porém, o pericárdio seroso
compõe-se de duas camadas: uma interna ou visceral, e outra externa ou parietal. A
lâmina visceral adere-se ao coração, sendo denominada epicárdio, e a lâmina pari-
etal fixa-se à porção interna do saco fibroso cardíaco. As duas camadas do pericárdio
seroso estão separadas pela cavidade pericárdica, que contém líquido pericárdico,
para lubrificação desse espaço, possibilitando um harmonioso deslizamento de ambas as
lâminas, bem como a livre movimentação do coração durante suas contrações.

MORFOLOGIA EXTERNA
Devido a sua forma, é possível se descreverem:

a. base cardíaca: composta por vasos (vasos da base) que são aorta, tronco
pulmonar (que se bifurca em aã. pulmonares direita e esquerda, respecti-
vamente), veias cavas (superior e inferior) e w. pulmonares (direitas e
esquerdas, superiores e inferiores, respectivamente), que normalmente são em
número de quatro;
b. sulco coronário: contorna a base cardíaca, separando átrios de ventrí-
culos. É bem definido na face diafragmática; porém, a aorta e o tronco pulmo-
nar interrompem-no na face esternocostal;
SISTEMA CARDIOVASC«JI»

c. paredes externas dos átrios e das aurículas: o átrio direito é mais alon-
gado no sentido vertical, ao passo que o esquerdo é mais horizontal. Assim, pode-
se observar a correspondência externa nessa mesma proporção. Ainda, com
relação às aurículas (expansões atriais), a direita é notadamente maior;
d. sulcos interventriculares anterior e posterior: marcam nitidamente a
divisão externa entre os ventrículos direito e esquerdo. Deste modo,
justifica-se que os termos anterior e posterior correspondem às faces esterno-
costal e diafragmática, respectivamente.

Cabe salientar que tanto no sulco coronário como nos sulcos interventricula-
res, é possível se notar a presença de vasos coronarianos.

MORFOLOGIA INTERNA

O coração é um órgão muscular oco. Sua cavidade está dividida em quatro
câmaras por meio de paredes denominadas septos. As câmaras são chamadas de
átrios (superior) e ventrículos (inferior). Deste modo, o septo interatrial se-
para os átrios direito e esquerdo; porém, o septo interventricular separa os ven-
trículos direito e esquerdo. Considera-se, então, no que se refere ao tipo de circula-
ção estabelecido através de suas câmaras, um hemicoração, do lado direito (ve-
noso) e do lado esquerdo (arterial).
Os átrios situam-se acima dos ventrículos, e a comunicação entre eles se faz
através de óstios atrioventriculares (orifícios de passagem). Do lado direito,
observa-se o óstio atrioventricular direito que é circundado por um anel con-
juntivo fibroso no qual se insere a valva atrioventricular direita (antes denomi-
nada tricúspide). Do lado esquerdo, nota-se semelhante configuração, ou seja, o
óstio atrioventricular esquerdo guarnecido com a valva atrioventricular
esquerda (antes chamada de valva bicúspide ou mitral).
As valvas são dispositivos orientadores de fluxo sanguíneo formadas por peque-
nas lâminas de tecido conjuntivo (válvulas ou cúspides). As válvulas de cada valva
possuem uma base, a qual se prende a um anel fibroso, e a partes livres se projetam
para o interior do ventrículo, onde se fixam firmemente nas cordas tendíneas, que
são tendões dos músculos papilares. Já estes músculos são projeções do miocár-
dio. Ainda, verifica-se que o miocárdio forma uma rede de feixes entrelaçados, de-
nominados trabéculas cárneas, que formam um forro de revestimento para am-
bos os ventrículos.
Deve-se ressaltar que, não somente entre átrios e ventrículos, mas também na
aorta e no tronco pulmonar, existem valvas. Todavia, naqueles vasos, são chamadas
de valvas semilunares. A valva semilunar aórtica possui três válvulas (direita,
esquerda e posterior). As válvulas direita e esquerda possuem os óstios das artéri-
as coronárias, direita e esquerda, respectivamente. A valva semilunar pulmo-
nar também possui três válvulas (direita, esquerda e anterior); porém, são mais finas
e delicadas que as da aorta. No que se refere à função, ambas as valvas impedem o
refluxo de sangue para o interior dos ventrículos, exercendo também um mecanismo
orientador de fluxo sanguíneo.
Todas as câmaras cardíacas estão revestidas de endocárdio. O átrio direito é
mais alongado verticalmente, e constata-se em seu interior a presença dos óstios das
74 SISTEMA CARDIOVASCULAR

veias cava superior e inferior, bem como o seio coronário. Entre as duas vei-
as cavas e mais próximo da inferior, há uma saliência denominada tubérculo
intervenoso, que tem por função orientar os jatos de sangue no sentido ventricular
para que os mesmos não se choquem frontalmente. Esse átrio apresenta um relevo
bem acidentado com musculatura chamada de músculo pectíneo. Há ainda uma
saliência linear que corresponde ao sulco terminal (externamente), que é a crista
terminal. A parede medial apresenta uma depressão (fossa oval) que corresponde
ao forame oval, cujo significado é de um vestígio da comunicação interatrial duran-
te o período fetal. A parede anterior se expande, formando uma aurícula com forma-
to piramidal. As aurículas direita e esquerda servem para amortecerem o impulso do
sangue que chega aos átrios.
O átrio esquerdo tem um formato aproximadamente cubóide, mais alonga-
do no sentido horizontal. Em seu interior, nota-se a presença dos óstios das veias
pulmonares, que normalmente são em número de quatro (duas direitas e duas es-
querdas, superiores e inferiores, respectivamente).
Os ventrículos apresentam uma forma cónica. Ambos são revestidos por tra-
béculas cárneas, possuem projeções musculares denominadas músculos papi-
lares, cujos tendões se chamam de cordas tendíneas. Essas irão se fixar nas válvu-
las de cada valva atrioventricular. O ventrículo direito ocupa 3/4 da face esternocos-
tal e possui o óstio do tronco pulmonar. Por outro lado, o ventrículo esquerdo
é bem mais cónico e possui o óstio da aorta.

SISTEMA DE CONDUÇÃO CARDÍACA EINERVAÇÃO EXTRÍNSECA


O coração é constituído por um tecido muscular diferenciado. Suas fibras
musculares estriadas são especializadas em originar e conduzir estímulos elétri-
cos (sistema de condução), determinando, desta maneira, um eficaz mecanis-
mo de bomba contrátil-propulsora. Além disso, ele é capaz de sintetizar um hor-
mônio, o fator natriurético atrial — FAN, que atua no sentido de estabilizar a
pressão arterial.
O sistema de condução cardíaca é caracterizado por um impulso elétrico que
se dá no sentido atrioventricular. Próximo ao óstio da veia cava inferior encontra-se
o nodo sinoatrial, que é um conjunto de miocardiócitos com aspecto de fuso alon-
gado, que é capaz de gerar o batimento cardíaco; por isso, considerado o marcapasso
cardíaco, o qual determina o ritmo do coração. Desse nodo, o impulso é transmitido
para o nodo atrioventricular que está localizado na região mais inferior do sep-
to interatrial. Depois, a transmissão segue para o fascículo atrioventricular.
Então, esse impulso se difunde por todo o septo interventricular e, na porção mais
distai deste, se bifurca em ramos direito e esquerdo, os quais penetram no endo-
cárdio de ambos os ventrículos, emitindo muitas ramificações em forma de rede (rede
de Purkinje).
A inervação extrínseca do coração provém do sistema nervoso autóno-
mo. Ele recebe ramos dos troncos simpáticos e do nervo vago (parassimpático). As
fibras simpáticas irão determinar um aumento da frequência cardíaca (ta-
quicardia), ao passo que as fibras parassimpáticas determinarão uma diminui-
ção da mesma (bradicardia).
SISTEMA CARDÍOVASCMJI*

ARTÉRIAS E VEIAS CORONÁRIAS


As artérias coronárias são duas; a saber, artéria coronária direita e ar-
téria coronária esquerda. Ambas têm origem na aorta, nos óstios coronários
das válvulas semilunares direita e esquerda, respectivamente.
A artéria coronária direita percorre o sulco coronário, indo da direita para
a esquerda. Normalmente, ela fernece os seguintes ramos:

— ramos interventriculares;
— ramo do cone;
— ramo do nodo sinoatrial;
.
— ramos atriais;
— ramo marginal direito;
— ramo atrial intermédio;
— ramo interventricular posterior;
— ramos interventriculares septais;
r
— ramo do nodo atrioventricular.

A artéria coronária esquerda percorre também o sulco coronário; porém,


ern sentido oposto ao da artéria coronária direita. Frequentemente, os seus ramos são:

— ramo interventricular anterior, que emite:


— ramo do cone arterioso;
— ramo lateral (ramo diagonal);
— ramos interventriculares septais;
— ramo da a. circunflexa, que fornece:
— ramo atrial anastomótico.
— ramos atrioventriculares.
— ramo marginal esquerdo.
— ramo atrial intermédio.
— ramo posterior do ventrículo esquerdo, além de ramos atriais.

As veias coronárias geralmente acompanham as artérias de mesmo nome. O sis-


tema de drenagem venosa cardíaca tem origem no ápice do coração, e todas as
veias têm um sistema final comum, que é o seio coronário. Este é uma dilatação
terminal venosa (porção final da veia coronária magna), que se localiza na face diafragmá-
tíca, à direita, na porção inferior do sulco atrioventricular. Então, depois de receber todas
as veias cardíacas, ele drena para o átrio direito. As principais veias coronárias são:

— veia interventricular anterior (veia cardíaca magna);


— veia coronária esquerda;
— seio coronário;
— veia oblíqua do átrio esquerdo;
— prega da veia cava esquerda;
— veias posteriores do ventrículo esquerdo;
— veia interventricular posterior (veia cardíaca média);
— veia marginal direita;
— veia coronária direita;
— veia cardíaca parva;

l
76 SISTEMA CARDIOVASCULAR

— veias anteriores do ventrículo direito (veias cardíacas anteriores);


— veias atriais direitas;
— veias atriais esquerdas;
— veias atrioventriculares;
— veias cardíacas mínimas;
— veias ventriculares.

SISTEMA LINFÁTICO CARDÍACO


O coração apresenta uma importante rede linfática. Anatomicamente, três
sistemas intercomunicantes linfáticos podem ser estabelecidos:
— rede subendocárdica (endocárdica), ou profunda;
— rede muscular média; e
— rede subepicárdica (epicárdica), ou superficial.
Também se encontra um plexo linfático pericárdico, junto ao pericárdio
parietal.

Artérias e Veias
As artérias são vasos que saem do coração, conduzindo sangue centrifu-
gamente. Assim, quanto mais se afastam do coração, mais se ramificam. Quanto ao
calibre, são classificadas em: artérias de grande, médio e pequeno calibre,
terminando em arteríolas. Elas são constituídas histologicamente por três túni-
cas: íntima (interna), média e adventícia (externa). A túnica interna é endo-
telial; a média, de tecidos muscular e elástico; e a adventícia, de tecido conjuntivo.
Porém, os capilares não apresentam essas três camadas, sendo apenas forma-
dos por endotélio, o que os torna extremamente delicados. Estes são distribuídos
no tecido de maneira bem espaçada, o que favorece as trocas metabólicas.
As artérias se ramificam produzindo geralmente os seguintes tipos de ramos:
a. ramo terminal: quando o tronco principal deixa de existir, dando uma bifur-
cação final com sentido de fluxo igual ao tronco de origem;
b. ramo colateral: quando o tronco principal continua a existir e emite um ramo
com mesma direção de fluxo, cujo vértice está voltado para o coração;
c. ramo recorrente: quando o tronco principal continua a existir, fornecendo
um ramo com sentido de fluxo oposto ao seu.
Ainda, as artérias se unem, formando importantes comunicações, que se deno-
minam anastomoses. As anastomoses ocorrem também com veias e com nervos.
As veias são vasos que chegam ao coração; portanto, conduzem sangue
centripetamente. Elas se originam no interior dos tecidos a partir de pequenos capi-
lares chamados de vênulas. Ao contrário das artérias, as veias vão recebendo peque-
nos leitos venosos denominados veias tributárias (ou afluentes), que irão se unin-
do cada vez mais até formarem veias de pequeno, médio e grande calibres. As veias
possuem estrutura semelhante à das artérias, ou seja, três túnicas: íntima
(endotelial), média (muscular, porém com menos tecido elástico que nas artérias) e
adventícia (externa), formada por tecido conjuntivo.
SISTEMA CARDIOVASCULAR 77

As veias, particularmente em membros, são providas de dispositivos orientadores


de fluxo sanguíneo, que são as válvulas (lâminas de tecido conjuntivo, de cada lado da
parede lateral vascular). Essas estão orientadas para impedir o retorno venoso. Assim, o
sangue pode retornar através de colunas, vencendo a ação da gravidade. Ainda, nesses seg-
mentos do corpo, as veias formam sistemas do tipo superficial e profundo, sendo comum
uma artéria ser acompanhada por duas veias; neste caso, denominadas veias satélites.

CIRCULAÇÃO SISTÉMICA (OU GRANDE CIRCULAÇÃO)


A circulação sistémica tem origem no ventrículo esquerdo. O sangue
que foi oxigenado ao nível dos alvéolos pulmonares (hematose) retorna ao átrio es-
querdo através das veias pulmonares. Do átrio esquerdo, o sangue segue para o ven-
trículo esquerdo, passando através da valva atrioventricular esquerda. Tendo o san-
gue oxigenado chegado ao ventrículo esquerdo, esse será distribuído para todo o cor-
po através da artéria aorta, que se dividirá em inúmeros ramos, e esses, em outros
ramos, até atingirem a intimidade dos tecidos (arteríolas). Então, ocorrerão trocas
metabólicas, e os produtos residuais, bem como o dióxido de carbono (CO 2 ),
retornarão ao coração por meio das veias cavas, superior e inferior, que desembocam
no átrio direito, onde termina a circulação sistémica.

CIRCULAÇÃO PULMONAR (OU PEQUENA CIRCULAÇÃO)


O átrio direito recebe sangue rico em dióxido de carbono (CO2) proveniente
do metabolismo corpóreo. Então, através da valva atrioventricular direita, o sangue
chega ao ventrículo do mesmo lado. Nesse local, tem início a circulação pulmo-
nar. A seguir, o sangue penetra no tronco pulmonar, que se dividirá em artérias
pulmonares, direita e esquerda, a fim de chegar aos respectivos pulmões, para que
ocorra a hematose. Depois, as veias pulmonares, geralmente em número de quatro,
retornarão ao átrio esquerdo, trazendo o sangue rico em oxigénio, onde termina'a
circulação pulmonar. Então, o sangue seguirá através da valva atrioventricular es-
querda ao ventrículo esquerdo, a fim de se iniciar novamente a circulação sistémica.

SISTEMA LINFÁTICO
O sistema linfático é formado por uma rede vascular de capilares coletores
de linfa dos espaços intersticiais celulares. A linfa apresenta uma constituição
química semelhante à do plasma sanguíneo.
Os capilares linfáticos se iniciam em fundo cego e vão se anastomosando com outros
para constituírem uma rede capilar linfática. Os vasos linfáticos acompanham as veias,
tendo, portanto, um trajeto centrípeto. Admite-se que não haja circulação lin-
fática no sistema nervoso central, no globo ocular e no baço. Esses vasos são
intercalados por formações arredondadas em toda a extensão de seus percursos. Estas,
por sua vez, são estruturas constituídas de tecido conjuntivo fibroso, que têm por fun-
ções filtrar a linfa e produzir linfócitos, sendo denominadas linfonodos (impropria-
mente chamados de gânglios). Os linfonodos também se apresentam em grupos, como
se verifica nas regiões axilares, inguinais, retroauriculares, mediastinais, entre outras.
Assim, o tecido linfóide desempenha importante função no combate a agentes
nocivos (antígenos) como vírus, bactérias e fungos. No entanto, esta rede linfática
78 SISTEMA CARDIOVASCULAR

drena para o sistema venoso, tornando vulnerável a capacidade defensora desse


sistema. Desta maneira, por exemplo, se uma célula cancerígena atravessar a rede de
linfonodos e ganhar a corrente sanguínea, será levada à distância, e, neste caso, o sis-
tema linfático será um vetor para esse tipo de agressor.
Toda a linfa corpórea, em última instância, chegará a esses dois lugares, ou seja:
a linfa da porção superior direita do corpo vai para o dueto linfático direito, ao
passo que a linfa da parte superior esquerda e de toda a metade inferior corpórea irá
ter no dueto torácico. Ambos os sistemas drenam para confluência das veias
subclávia e jugular interna direita e esquerda, respectivamente.
O dueto linfático direito localiza-se no pescoço, sendo formado por anas-
tomoses de vasos linfáticos do lado direito da cabeça. Ele tem um comprimento mé-
dio de 1,5 a 2 cm.
O dueto torácico está localizado adiante do corpo vertebral da 2. a vértebra
lombar. Ele se inicia em fundo cego, em uma dilatação conhecida corno cisterna do
quilo. Depois, toma trajeto ascendente, atravessa o músculo diafragma, indo termi-
nar no pescoço. Seu comprimento é de cerca de 25 a 30 cm.

Fig. 6.1 Identifique em que planos


anatómicos as imagens ao lado estão
sendo apresentadas: Então, descreva a
morfologia externa do coração,
empregando as fotografias a e b. Em c e
d, identifique quais são os vasos da base
cardíaca.
SISTEMA C ARMO v \SCUL\

Fig. 6.2 Observe as fotos abaixo. Identifique a qual vista elas pertencem. A seguir, faça uma descrição anatómica da morfologia interna cardíaca. Explique pan i
servem as valvas do coração e dê suas localizações.
80 SISTEMA CARDIOVASCULAR

Fig. 6.3 Identifique as estruturas das figuras a, b, c e d. Justifique a importância funcional de a e b. Explique que tipo de circulação tem origem na foto c. Faça o
mesmo para a câmara oposta. O que as setas estão sinalizando na foto d? Justifique a resposta.
BRANDÃO, MÍRIAM C.S.

SISTEMA RESPIRATÓRIO

O sistema respiratório é formado por um conjunto de órgãos que se destina a


promover a respiração, que ocorre em nível de alvéolos pulmonares. Entre-
tanto, uma série de eventos físicos e biomoleculares são essenciais para que essa fun-
ção ocorra. Ainda, uma mecânica ventilatória (inspiração e expiração) harmónica,
debaixo de um comando neural, estabelece um adequado ritmo ventilatório.
Esse sistema é composto por órgãos que conduzem o ar, e por outros que
realizam o processo de respiração propriamente dito (trocas gasosas).

DIVISÃO ANATÓMICA
Via de Condução Aérea
É formada pelos seguintes órgãos: nariz, cavidade nasal, faringe, larin-
ge, traquéia e brônquios. Pode-se dividir topograficamente essa porção em:

a. via aérea superior: é constituída por órgãos aéreos situados na cabeça e no


pescoço (nariz, cavidade nasal, faringe, laringe e início da traquéia);
b. via aérea inferior: é composta por órgãos que conduzem ar e que se situam
na cavidade torácica (traquéia e brônquios).

Via Respiratória
É composta por órgãos que efetivamente realizam a respiração, ou seja, pelos
pulmões direito e esquerdo.

NARIZ
É um órgão ímpar, de formato piramidal, com base inferior e vértice superi-
or, situado no terço superior e mediano da face.
Seu esqueleto é ósseo-cartilaginoso, formado pelos ossos nasais e processos
ascendentes dos maxilares superiormente, e, ântero-lateralmente, pelas carti-
lagens alares maior e menor que completam sua estrutura. Além disso, peque-
nas cartilagens preenchem os espaços entre as cartilagens alares, definindo melhor
esse segmento.
82 SISTEMA RESPIRATÓRIO

Os principais elementos descritos do nariz são: raiz (ponto coincidente com o


vértice da pirâmide), ápice (a porção mais superior e proeminente da base nasal) c
dorso (uma linha que une a raiz ao ápice). Ainda, verifica-se que na base há uma
projeção da parede interna nasal, o septo nasal, que separa aberturas em forma de
raquete denominadas narinas direita e esquerda.
Vale a pena lembrar que, em crânios secos, a morfologia da porção anterior do
esqueleto nasal determina uma passagem chamada de abertura piriforme.

CAVIDADE NASAL
É a escavação que se encontra no interior do nariz. Assim sendo, nota-se uma
cavidade, que pode ser delimitada. Seus limites são:

a. anterior: narinas;
b. posterior: coanas;
c. superior: lâmina crivosa do etmóide e osso frontal;
d. inferior: processo palatino do maxilar e ossos palatinos;
e. lateral: conchas e meatos nasais (superiores, médios e inferiores);
f. mediano: septo nasal (formado por uma porção óssea que é representada pela
lâmina perpendicular do etmóide e parte do vômer, e outra parte cartilaginosa
anteriormente, que é composta pela cartilagem septal).

A cavidade nasal é revestida por mucosa respiratória e, junto ao seu limite su-
perior, por uma mucosa sensorial (olfatória), determinando, assim, um órgão de
dupla função: condução aérea e olfação (origem do I par de nervo craniano —
nervo olfatório). Como visto anteriormente, a mesma está dividida em metades
direita e esquerda por uma parede que é o septo nasal. Cada antímero denomina-se
fossa nasal. Portanto, cada fossa nasal também possui limites: anterior, posterior,
superior, inferior, lateral e mediano. Na parede lateral, nota-se a presença de con-
chas nasais superior e média (proj ecoes do etmóide) e concha nasal inferior (osso
próprio do viscerocrânio). Entre essas conchas, existem espaços (depressões) que
são chamados de meatos — superior, médio e inferior. No entanto, acima da
concha nasal superior, nota-se o recesso esfeno-etmoidal.
A entrada da cavidade nasal é dilatada e guarnecida por pêlos (vibrissas) que
filtram partículas do ar. Também, a presença de conchas e meatos nasais favorece
um preaquecimento aéreo. Além disso, em decorrência da presença da mucosa
respiratória, ocorre umidificação do ar.
A cavidade nasal mantém relações anatómicas com: a cavidade craniana (lâ-
mina crivosa do etmóide), com a cavidade orbitaria (dueto nasolacrimal), com a
orelha média (óstio faríngeo da tuba auditiva), com a nasofaringe (coana) e com os
seios paranasais (duetos dos seios paranasais). Esses últimos são cavidades áreas re-
vestidas por mucosas que pertencem aos ossos pneumáticos, constituindo, assim, os seios
paranasais (seio frontal, seio maxilar, seio etmoidal e seio esfenoidal).

SEIOS PARANASAIS
Os seios paranasais são cavidades ósseas pertencentes aos ossos pneumá-
ticos. Cada seio paranasal se abre nos meatos nasais por meio de duetos (duetos
paranasais). Assim, descrevem-se:
SISTEMA RESPIRATÓRIO 13

a. seio frontal: desenho geralmente em "asas de borboieta"; seu cfucto se abre no


meato nasal médio;
b. seio maxilar: tem a forma piramidal, sendo o maior de todos; seu dueto se
abre também no meato nasal médio;
c. seio etmoidal: é formado por pequenas cavidades, denominadas células aé-
reas, que se distribuem em dois grupos: o grupo anterior, que se abre no
meato nasal médio, e o grupo posterior, que se abre no meato nasal
superior;
d. seio esfenoidal: tem a forma ligeiramente oval, e seu dueto se abre no re-
cesso esfeno-etmoidal.

FARINGE
E um órgão fibromuscular que tem origem no tubérculo faríngeo do
occipital (processo basilar). Sua musculatura intrínseca é composta pelos múscu-
los constritores superior, médio e inferior, e a extrínseca é constituída pelos
músculos estilofaríngeo, palatofaríngeo e salpingofaríngeo.
A faringe situa-se adiante da coluna vertebral e atrás de três regiões, ou seja, pos-
teriormente às cavidades nasal, oral e laríngea. Deste modo, de acordo com o território
de sua distribuição, ela é chamada de nasofaringe, orofaringe e laringofaringe.
A nasofaringe vai da coana até a úvula, a orofaringe estende-se da úvula até a
epiglote, e a laringofaringe começa na epiglote, indo até um plano imaginário
que passa pela base da cartilagem cricóide da laringe. A continuação da farin-
ge é o esôfago. Assim, se traçarmos um plano transversal em nível de base da cartila-
gem cricóide da laringe (C6), verifica-se que a faringe termina e se inicia o esôfago. A
mesma se comunica com a cavidade nasal através das coanas, com a cavidade oral pelo
istmo das fauces (orofaringe), com a orelha média pelo óstio faríngeo da tuba
auditiva (nasofaringe) e com a laringe pelo ádito da laringe (laringofaringe).
Observa-se macroscopicamente que algumas estruturas próximas a esse órgão
são importantes para o funcionamento adequado da deglutição, ou seja, a úvula, que
é uma projeção ímpar e mediana do palato mole, oblitera a nasofaringe (coana), im-
pedindo a passagem do alimento para o interior da cavidade nasal, sendo auxiliada
nessa função pelos músculos tensor e elevador do véu palatino. Da mesma
maneira, a epiglote, cartilagem ímpar e mais cranial da laringe, também não permi-
te a entrada daquele para o vestíbulo da laringe.
De um modo geral, outras estruturas atuam na proteção imunológica do siste-
ma respiratório e digestório conjuntamente, mantendo-se na entrada desses sistemas
um anel linfático formado por órgãos linfóides, as tonsilas, que foram por muito
tempo chamadas impropriamente de "amígdalas". Constatam-se assim, no teto da
faringe, uma tonsila faríngea, além de outras localizadas na base da língua, poste-
riormente, e, látero-superiormente, na cavidade oral.

LARINGE
Ao contrário da faringe, a laringe é um tubo cartilaginoso. Possui cartilagens
ímpares e pares. As cartilagens ímpares da laringe no sentido crânio-caudal são:
epiglote (tem a forma de uma "folha"), tireóide (em desenho de um escudo) e
cricóide (em forma de um anel, estreita na frente e larga posteriormente). As car-
84 SISTEMA RESPIRATÓRIO

tilagens pares são as corniculadas e aritenóides. Salienta-se que a cartilagem


tiróide possui um tubérculo faríngeo, situado anteriormente em seu terço supe-
rior e mediano, que é reconhecido popularmente como "pomo-de-adão".
A laringe apresenta em suas paredes laterais as pregas vestibulares superior-
mente e, inferiormente a estas, as pregas vocais. Essas últimas são muito impor-
tantes, pois participam do processo de vocalização. Ainda, a cavidade da laringe en-
contra-se anatomicamente dividida nas seguintes regiões, no sentido crânio-caudal:
ádito da laringe (entrada), vestíbulo da laringe (antecede a prega vestibular i.
ventrículo da laringe (desde as pregas vestibulares até as pregas vocais), região
infraglótica (da rima da glote até o final da laringe). A glote é um espaço entre as
pregas vestibulares e vocais, lateralmente, e a rima da glote é uma abertura exis-
tente entre as duas pregas vocais. Quando as pregas vocais se aproximam do plano
sagital mediano, o desenho da rima da glote é o de uma fenda, e, ao contrário, ao 57
afastarem do mesmo, observa-se um formato triangular.
Embora a laringe tenha um esqueleto cartilaginoso, ela possui músculos que
participam na fonação e na respiração (mm. intrínsecos), e outros que agem no
sentido de elevarem e abaixarem a laringe como um todo (mm. extrínsecos). As-
sim, são abaixadores da laringe os músculos omo-hióide, esterno-hióide, es-
terno-tireóide, e os elevadores são: tíreo-hióide, estilo-hióide, milo-
hióide, digástrico, estilofaríngeo e palatofaríngeo. Por outro lado, os mús-
culos intrínsecos funcionam como adutores e abdutores da laringe, deste modo de-
terminando abertura e fechamento da rima da glote (mm. cricotireóide.
cricoaritenóide posterior, cricoaritenóide lateral, aritenóide transver-
so e aritenóide oblíquo). Neste enfoque, os músculos cricotireóide.
cricoaritenóide posterior e parte do tireoaritenóide, bem como o vocal
regulam o grau de tensão nas pregas vocais durante a emissão da voz. Portanto, a la-
ringe é um órgão de dupla função, ou seja, é via aérea e também órgão da fonação.
V
TRAQUÉIA
A traquéia é a sequência direta da laringe e, como tal, possui um esque-
leto cartilaginoso. Ela é formada por cerca de 20 anéis de cartilagem hialina
em forma de letra "U", cuja abertura está voltada para o plano posterior. Cada anel
cartilaginoso liga-se aos correspondentes superior e inferior por meio de ligamen-
tos anulares. A porção posterior da traquéia fica fechada por uma parede músculo
membranácea denominada parede membranácea (m. traqueal). Esse órgão tem
início em nível da base da cartilagem cricóide da laringe (C6), atravessa o pescoço,
ganha a cavidade torácica e, nesse percurso pelo mediastino, próximo ao seu térmi-
no, sofre um desvio à direita do plano sagital mediano, onde emite uma crista in-
terna e mediana chamada de carina. Assim, neste local, divide-se em duas por-
ções terminais, que são os brônquios principais direito e esquerdo, que
penetrarão em cada hilo pulmonar, respectivamente.
<
BRÔNQUIOS
Os brônquios principais são segmentos diretos da traquéia. Cada brôn-
quio possui um arcabouço cartilaginoso. Eles penetram no hilo pulmonar (porta
de entrada e de saída de estruturas), infiltrando-se no parênquima desses órgãos, onde
se ramificam amplamente. O brônquio principal direito é mais curto, mais cah-
broso e mais vertical, quando comparado com o brônquio principal esquerdo.
que é mais longo, mais oblíquo e menos calibroso. Ainda, arnbos fornecerão brônqui-
os lobares que, por sua vez, se ramificarão em brônquios segmentares.
A ramificação brônquica dependerá do segmento pulmonar anatómico a ser al-
cançado. Para o pulmão direito, o brônquio principal de mesmo lado dará brônquios:
lobares superior, médio e inferior. Todavia, o brônquio principal esquerdo fornece-
rá os brônquios lobares superior e inferior para o respectivo pulmão. Posteriormen-
te, os brônquios lobares emitirão brônquios segmentares assim descritos:

Pulmão direito: .

a. brônquio lobar superior direito: brônquios segmentares (apical, posteri-


or e anterior);
b. brônquio lobar médio: brônquios segmentares (medial e lateral);
c. brônquio lobar inferior: brônquios segmentares (superior, basal medial,
basal anterior, basal lateral e basal posterior).

Pulmão esquerdo:
a. brônquio lobar superior: brônquios segmentares (apicoposterior, anterior,
lingular superior e lingular inferior);
b. brônquio lobar inferior: brônquios segmentares (superior, basal medial,
basal anterior, basal lateral e basal posterior).

Pulmões
Os pulmões direito e esquerdo são órgãos da respiração, pois, em nível de
seus alvéolos, ocorrem as trocas gasosas. Eles se localizam na cavidade torácica,
possuem a forma de um cone com base, ápice, e três faces (costal, mediasti-
nal e diafragmática). O pulmão direito apresenta três lobos (superior, mé-
dio e inferior) e duas fissuras (horizontal e oblíqua). Porém, o pulmão es-
querdo é formado por dois lobos (superior e inferior) e uma fissura (oblíqua),
além de uma língula pulmonar. Os lobos pulmonares, assim como os brônquios
terminais, dividem-se em segmentos, que são assim denominados:

Pulmão direito:
a. lobo superior: apical, posterior e anterior;
b. lobo médio: medial e lateral;
c. lobo inferior: apical, basal medial, basal anterior, basal lateral e basal posterior.

Pulmão esquerdo:
a. lobo superior: apicoposterior, lingular superior e lingular inferior;
b. lobo inferior: apical, basal medial, basal anterior, basal lateral e basal posterior.

Cada pulmão está envolto por um saco de tecido seroso de dupla lâmina que
é chamado de pleura. A lâmina visceral ou pulmonar deste fica intimamente
86 SISTEMA RESPIRATÓRIO

aderida ao pulmão e, a partir do mediastino, se flete para a parede interna da caixa


torácica, constituindo a lâmina parietal. Entre ambas, há um espaço capilar, o es-
paço pleural, que contém líquido pleural, que facilita o deslizamento das lâminas
pleurais durante a ventilação. Entre as pleuras pulmonares, em sentido longitudinal
há um espaço denominado mediastino. Este, por sua vez, é dividido anatomicamente
em mediastino superior (acima de um plano imaginário transversal ântero-poste-
rior que vai desde o ângulo esternal até o corpo de T4) e mediastino inferior (abaixo
desse plano). Contudo, o mediastino inferior está subdividido em regiões ante-
rior, média e posterior. Os componentes anatómicos destes compartimentos são:

Mediastino superior:
— vasos e nervos: arco aórtico, tronco braquiocefálico, aã. carótidas comuns,
aã. subclávias, w. braquiocefálicas, v. cava superior, v. intercostal supre-
ma, n. vago, nn. cardíacos, n. frênico, n. recorrente e dueto torácico;
— vísceras: traquéia, esôfago, linfonodos, timo (até a puberdade), mm. ester-
no-hióide, esternocleidomastóide (parte dele).

Mediastino inferior (regiões):


a. Anterior:
— vasos, nervos e cadeia de linfonodos.

b. Média:
— vasos e nervos: aorta ascendente, v. ázigos, tronco pulmonar e aã. e w. pul-
monares (direita e esquerda), v. cava superior e nn. frênicos;
— vísceras: coração e pericárdio.

c. Posterior:
— vasos e nervos: aorta torácica, n. vago, nn. esplâncnicos, dueto torácico, w.
ázigos e hemiázigos, e linfonodos;
— vísceras: esôfago e traquéia.

PAREDE ANTERO-LATERAL DO TÓRAX


O tórax é a região mais superior do tronco que tem por função abrigar órgãos
importantes como os pulmões e o coração. Além disso, é atravessado por tubulações
como o esôfago, a traquéia e os brônquios principais, direito e esquerdo. Ainda, re-
levantes troncos arteriais, venosos, linfáticos e nervosos estão aí localizados.
Didaticamente, podem-se descrever os seguintes elementos em sua constituição:

a. caixa torácica;
b. parede torácica;
c. cavidade torácica.
A caixa torácica é formada por vértebras torácicas (posteriormente), pelo es-
terno (anteriormente), pelas costelas e cartilagens costais (póstero-látero-anteriormente).
As cartilagens unem as costelas ao esterno. Em sua parede, se incluem tecidos de ré-