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Caderno Dto das Obrigações

Direito das Obrigações A/B/C/D (Universidade Catolica Portuguesa)

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Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)
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Direito das Obrigações

Ter•a-Feira, 26 de fevereiro de 2013, 17h00

V’nculo Jur’dico

-!Prof. Antunes Varela tem uma vis‹o intersubjetiva do v’nculo jur’dico logo Ž obrigado a dizer
que os direitos de crŽditos s‹o direitos relativos (relatividade obrigacional), estabelecidos entre pelo
menos duas pessoas (credor e devedor). Ao dizer-se isto, entende-se a rela•‹o obrigacional como
um c’rculo fechado entre os sujeitos. Ao dizer-se que os direitos de crŽdito s‹o direitos relativos,
queremos dizer que os direitos de crŽdito t•m apenas efic‡cia entre as pr—prias partes. Os direitos
de crŽdito s‹o "direitos fr‡geis" contrariamente aos direitos reais, considerados "direitos fortes"
sobretudo pela presen•a de duas caracter’sticas que os direitos de crŽdito de uma forma geral n‹o
t•m: (1) a sequela, que permite ao titular do direito real perseguir a coisa onde quer que ela esteja
(exemplo: se me roubarem um quadro, se eu souber quem me roubou, tenho ao meu alcance uma
a•‹o de reivindica•‹o relativa ao quadro
-!a reivindica•‹o demostra que o direito real tem efic‡cia absoluta (erga omnes, isto Ž, podemos
exerc•-lo perante qualquer pessoa, enquanto nos direitos de crŽdito o credor s— pode exerc•-lo
sobre o credor (efic‡cia inter partes, c’rculo fechado). (2) outra caracter’stica Ž a prefer•ncia (os
direitos reais primeiramente constitu’dos prevalecem sobre os mais reais - prioridade temporal com
algumas excep•›es, particularmente as quest›es de registo. Os direitos de crŽdito n‹o t•m esta
caracter’stica: se um devedor tiver quatro credos, tendo esses crŽditos surgido em momentos
temporais diferentes, n‹o h‡ prefer•ncia temporal entre os diferentes crŽditos (h‡ um princ’pio de
igualdade de tratamento, e a œnica coisa que vai diferenciar os credores Ž o facto de o crŽdito poder
ser superior logo ir‹o receber proporcionalmente mais ou menos, mas n‹o h‡ ordem de
escalonamento/prefer•ncia de pagamento, com a excep•‹o dos direitos de crŽdito especiais
(direitos de gozo - figura intermŽdia entre direito de crŽdito e direito real - ex: arrendat‡rios:
titulares de um direito pessoal de gozo - Art. 407¼CC, que admite que se estabele•a uma prioridade
do direito primeiramente estabelecido).

-!Quer isto dizer que um credor Ž sempre uma personagem com um direito fr‡gil, sobretudo pela
sua natureza relativa, comparativamente ao titular de um direito real fortalecido pela efic‡cia erga
omnes (absoluta) dos direitos reais.

-!Esta ideia que os direitos de crŽdito s‹o direitos relativos t•m excep•›es (j‡ vimos a dos
direitos pessoais de gozo). Mas h‡ outros casos, nos direitos de crŽdito propriamente ditos, em
que os credores podem fazer valer o seu direito perante pessoas que n‹o s— os credores
(opon’vel a terceiros, que contudo n‹o transforma o direito de crŽdito num direito real, embora
aproxime as suas caracter’sticas. Que casos s‹o esses?

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. Embora este seja um caso relacionado com um direito pessoal de gozo, h‡ o caso do arrendat‡rio.
No art. 1057¼CC. - caso o prŽdio arrendado seja vendido, o arrendat‡rio pode opor o seu direito ao
novo propriet‡rio, ou seja, ao novo senhorio. O titular do direito de crŽdito, neste caso, pode opo-
lo a uma pessoa que n‹o era o seu devedor (Ž uma pessoa que surge no lugar do antigo
propriet‡rio) - sequela.

. Outros exemplos: Art. 413¼ (contrato promessa com efic‡cia real - havendo um contrato destes,
vai surgir um direito de crŽdito muito protegido, com caracter’sticas de oponibilidade a terceiros,
mas n‹o chegando a ser um direito real. ƒ um direito de crŽdito que perde a relatividade para
assumir uma fei•‹o parecida com a dos direitos reais) e Art. 421¼ CC (pacto de prefer•ncia com
efic‡cia real - h‡ um credor que reunidos certos requisitos pode opor o seu direito fora da rela•‹o
obrigacional, opondo-o a terceiros (efic‡cia erga omnes que o direito de crŽdito vai ganhar).

-!No c—digo civil, h‡ uma situa•‹o que est‡ prevista no Art. 1225¼ CC. (contrato de empreitada).
Exemplo: houve uma empreitada para constru•‹o do im—vel, esse im—vel tem defeitos, mas
entretanto, quem o tinha mandado construir vende-o a uma outra pessoa. O dono da obra (que
tinha feito o contrato de empreitada com o empreiteiro) vende a propriedade a um terceiro (que
n‹o tinha liga•‹o com o empreiteiro). O Art. 1225¼CC d‡ a possibilidade ao novo propriet‡rio de
exercer os mesmos direitos que o dono original da obra podia ter exercido. A rela•‹o obrigacional
original (contrato de empreitada) tem uma efic‡cia que Ž aproveitada por um terceiro (que pode
exercer os mesmos direitos que o contraente inicial poderia ter exercido). Esta solu•‹o demostra
um desvio ao princ’pio da relatividade - solu•‹o at’pica.

-!H‡ uma outra hip—tese: Dec. Lei 67/2003, sobre a compra e venda de bens de consumo. Por
for•a da altera•‹o de 2008, o Art. 4¼ do presente diploma estabelece o seguinte: houve uma
primeira venda (de um bem vendido com defeitos), esse bem Ž em seguida vendido (2» venda) a um
terceiro. Este decreto permite ao terceiro que n‹o teve qualquer rela•‹o contratual com o vendedor
primitivo, exer•a os mesmos direitos que o primeiro comprador. Esta solu•‹o introduz,
igualmente, um desvio ˆ relatividade obrigacional. Deixamos c’rculos fechados de relacionamento e
o contrato come•a a projetar-se em, rela•‹o a outras pessoas que n‹o figuravam na rela•‹o
obrigacional.

-!No CC h‡ uma figura chamada contrato a favor de terceiro - outro desvio ˆ relatividade
contratual/obrigacional. Porque atravŽs do contrato duas pessoas podem criar direitos para um
terceiro. Isto, rigorosamente, dentro da ideia que a rela•‹o obrigacional tem apenas efeitos inter
partes, n‹o devia ser, segundo o Prof. Brand‹o Proen•a, admitido. Os Romanos, com uma ideia
muito r’gida da relatividade obrigacional, n‹o admitiam esta quebra dos efeitos cruzados inter-
partes, n‹o admitiam esta proje•‹o de efeitos em rela•‹o a terceiros - Art. 443¼ CC (outro desvio
importante ˆ relatividade obrigacional).

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-!H‡ um outro contrato a que o CC pouco se refere numa ou noutra norma, no ‰mbito da
rela•‹o obrigacional complexa, denominado de Contrato com Efic‡cia de prote•‹o para terceiros.
ƒ um contrato em que h‡ terceiros (pessoas que n‹o s‹o os contraentes, que est‹o fora do
contrato) protegidos - o contrato protege estes terceiros em caso de viola•‹o de deveres laterais
de prote•‹o. N‹o sendo um contrato a favor de terceiros, tem efic‡cia de prote•‹o de terceiros.

-!Estes s‹o alguns exemplos que ilustram que a ideia que os direitos de crŽdito s‹o relativos Ž
apenas tendencial. H‡ importantes excep•›es!

-!Pode-se dizer, assim, que os direitos de crŽdito t•m alguma efic‡cia externa. No entanto, a
doutrina, quando fala da efic‡cia externa das obriga•›es, atribui-lhe um significado muito preciso, a
prop—sito da seguinte quest‹o: h‡ um contrato entre A e B e h‡ um terceiro C que interfere neste
contrato (chegando junto do devedor, celebrando com A um contrato que faz com que A n‹o
cumpra o contrato com B ou aliciando-o, simplesmente, a n‹o cumprir o contrato com B). ƒ uma
ideia de interfer•ncia de terceiros nas rela•›es obrigacionais, que na ideia da relatividade
obrigacional o credor apenas pode responsabilizar o devedor. A quest‹o Ž saber-se se o direito de
crŽdito pode ser oposto pelo credor ao terceiro, isto Ž, o credor dizer: tu terceiro conhecias o
contrato, no entanto interferis-te tirando-me o devedor, e eu prejudiquei-me, portanto quero que
tu, terceiro, me indemnizes. Este Ž o problema da "efic‡cia externa das obriga•›es", sabendo atŽ
que ponto se pode responsabilizar o terceiro. Aplicando a relatividade, o terceiro n‹o poder‡ ser
responsabilizado (falaremos desta quest‹o no "cumprimento e n‹o cumprimento das obriga•›es).

Garantia do V’nculo Jur’dico

-!A garantia do v’nculo jur’dico: (o v’nculo tem de ter uma garantia, para coagir os devedores a
cumprirem). Como a rela•‹o Ž um v’nculo jur’dico, este tem de estar protegido, ou seja, tem de
haver uma garantia.

-!Esta garantia tem duas grandes caracter’sticas:

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.(1) ƒ pœblica - Art. 1¼ do C—digo de Processo Civil - isto Ž, h‡ a necessidade de se dirigir aos
tribunais, para em caso de crise do v’nculo jur’dico vir exercer o seu direito de crŽdito. (ex:
pagamento de d’vidas pecuni‡rias, que levam a que os credores intentem nos tribunais a•›es de
condena•›es, a n‹o ser que se tenha um t’tulo executivo, como um cheque ou outros documentos,
que permite evitar esta fase declarativa do processo (senten•a de condena•‹o) e avan•ar logo para
uma fase executiva do processo. Esta Ž a fei•‹o pœblica da garantia, porque o credor n‹o pode ir
buscar o dinheiro a casa do devedor, tirando-o da gaveta, por exemplo;

. (2) A garantia tem, tambŽm, uma fei•‹o patrimonial. Em caso de incumprimento das d’vidas, os
credores n‹o podem mandar prender os devedores. Mas o direito romano, na sua fei•‹o mais
b‡rbara, possibilitou aos credores atŽ mandar matar os devedores. Mas, uma fase posterior, os
credores apenas podem agredir o patrim—nio dos credores, ideia que hoje ainda se mantŽm.
Contudo, no caso das d’vidas de alimentos, pode haver pris‹o por d’vidas (fun•‹o da pris‹o sem
ideia punitiva, mas apenas de persuadir a cumprir a d’vida). Mas isto Ž, apenas, uma excep•‹o. Esta
garantia patrimonial destaca a fragilidade dos direitos de crŽdito, porque h‡ devedores que tem
pouco ou nenhum patrim—nio ou ent‹o devedores que p›e o seu patrim—nio em nome de terceiros
(em caso de incumprimento, para evitar a penhora). Esta fei•‹o patrimonial da garantia do v’nculo
jur’dico est‡ presente nos Art. 601¼ CC e 817¼ CC.

(...)

H‡ tambŽm a san•‹o pecuni‡ria compuls—ria (Art. 829-A CC), que s— Ž v‡lida para presta•›es
infung’veis. Aqui, o credor vem pedir ao tribunal que o condene o devedor a cumprir, e enquanto
o devedor n‹o cumprir vai ter de pagar uma san•‹o pecuni‡ria di‡ria.

-!A todo este conjunto de expedientes pœblicos d‡-se o nome de "A•‹o Credit—ria" - conjunto
amplo e diverso de garantia pœblica do v’nculo jur’dico.

-!Em casos previstos na lei (tipicidade/legalidade) a garantia pode ser privada. Em algumas
situa•›es, os credores podem defender eles pr—prios os seus direitos de crŽdito (auto-tutela ou
tutela privada). Ex.: a•‹o direta ou legitima defesa. Nas obriga•›es h‡ outras figuras de auto-tulela
variadas: desde a excep•‹o de n‹o cumprimento do contrato, atŽ ˆ cl‡usula penal compuls—ria,
passando tambŽm pelo direito de reten•‹o.

. Excep•‹o de n‹o cumprimento do contrato: numa compra e venda, o comprador ficou de pagar e
n‹o pagou e agora vem exigir que se entregue o bem. H‡ tutela privada, porque

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enquanto n‹o houver pagamento pode n‹o haver entrega do bem. - Art. 428¼ CC, um dos mais
importantes meios de auto-tutela, que tem uma faceta pressionante do devedor.

Para acabar esta parte introdut—ria da matŽria, vamos abordar a fun•‹o da obriga•‹o. ƒ a satisfa•‹o
do interesse do credor (o credor ocupa nesta rela•‹o - obrigacional - um papel de destaque como
titular do direito de crŽdito). O devedor tem sempre o seu interesse de liberta•‹o/de cumprimento
considerado como secund‡rio pelo legislador. Esta fun•‹o em que o interesse do credor Ž chamado
para primeiro plano Ž destacado desde a fase de constitui•‹o atŽ ˆ extin•‹o da presta•‹o. Ex.: a
presta•‹o n‹o precisa de ter valor patrimonial, mas a lei n‹o prescinde que a presta•‹o corresponda
a um interesse do credor digno de tutela jur’dica. (fase em que a obriga•‹o Ž constitu’da). O
devedor sabe que se cumprir se liberta, por isso Ž delegado para um plano secund‡rio, mas a lei
tambŽm lhe facilita este interesse. Ex.: o princ’pio geral Ž que as presta•›es s‹o fung’veis (o devedor
pode substituir-se. Esta substitui•‹o serve ao devedor, porque n‹o Ž ele que tem de cumprir, mas
tambŽm serve ao credor. Mesmo quando o legislador pensa no devedor, est‡ sobretudo a pensar
nos interesses do credor. Outro ex.: quando uma obriga•‹o tem um prazo: a obriga•‹o tem de ser
cumprida no dia 10 de abril deste ano. Em princ’pio, este prazo favorece o devedor, porque o
credor n‹o pode exigir do devedor o cumprimento, mas o devedor, se quiser pode cumprir o prazo
antes da data prevista. Aqui o legislador, embora se pense tambŽm no credor, pensa nos interesses
do devedor (Ž uma solu•‹o, entre outras, mais ditada no interesse do devedor).

-!Embora alguns defendam isto, Ž dif’cil defender o princ’pio de favorecimento do devedor. ƒ


complicado afirmar isto, porque ˆ partida o legislador n‹o quis isto.

As obriga•›es, tendo esta fun•‹o de satisfa•‹o do interesse do credor, t•m uma outra fun•‹o/papel.
As obriga•›es (sentido amplo), ou falando mais nos crŽditos, s‹o valores patrimoniais dos credores.
Apesar de um credor ser uma pessoa menos protegido do que um titular de um direito real, Ž
melhor ser-se credor do que n‹o ser. Os crŽditos s‹o valores do patrim—nio das pessoas, que se
deixam por exemplo em heran•as, ou que se podem transacionar (movimentar/transmitir). (Os
pr—prios devedores, embora em condi•›es mais apertadas, podem transmitir as suas obriga•›es.)
Mesmo o chamado crŽdito mal parado do bancos, s‹o crŽditos, porque os bancos os vendem. AtŽ o
crŽdito de risco tem valor!! Portanto, a fun•‹o da obriga•‹o tem muito a ver com esta l—gica do
valor patrimonial do pr—prio crŽdito.

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Na segunda parte do programa fala-se dos Princ’pios Fundamentais do Direito das Obriga•›es.

-!Princ’pio da Autonomia Privada

-!PP da Boa FŽ

-!PP da tutela do contraente mais dŽbil

-!PP da proporcionalidade

-!PP da responsabilidade patrimonial

-!PP da hŽtero responsabilidade

-!PP da auto responsabilidade

Estes princ’pios, embora sejam diferentes entre si, n‹o s‹o estanques e v‹o-se relacionar. Para alŽm
disto, h‡ mais princ’pios fundamentais do direito das obriga•›es.

Princ’pio da Autonomia Privada (talvez o mais importante)

-!A autonomia privada Ž uma liberdade (liga•›es constitucionais com a liberdade


constituicional) que as pessoas t•m de regularem juridicamente os seus interesses.

-!Esta autonomia privada permite o exerc’cio dos nossos direitos subjetivos (de crŽdito, de
personalidade, dos reais, etc...); permite a constitui•‹o de sociedades ou de associa•›es;

-!Mas a AP no Dto. das obriga•›es tem um interesse na liberdade contratual (Art. 405¼ CC -
manifesta•‹o da autonomia privada) - liberdade de fazer ou n‹o fazer contratos; fazendo, a
liberdade de fazer contratos atŽ fora do CC; a liberdade de incluir nos contratos as cl‡usulas que
pare•am mais adequadas ˆs partes. Tudo isto Ž liberdade contratual: fazer contratos mistos,
h’bridos (combinando a compra e venda com um contrato de presta•‹o de servi•os, por exemplo).
Se celebrarmos um contrato, ele fica sujeito a princ’pios pr—prios dos contratos, e alguns deles s‹o
deriva•›es dos princ’pios obrigacionais, porque o contrato n‹o deixa de ser uma rela•‹o
obrigacional. Princ’pio da for•a obrigat—ria do contrato (tem que ser cumprido depois de
contra’do), Princ’pio da equival•ncia das presta•›es (o contrato n‹o pode surgir desequilibrado nas
suas presta•›es)...

-!Mas a autonomia privada tem limites e atualmente mais do que j‡ teve noutros sŽculos. Esses
limites s‹o de dois tipos: (1) Limites introduzidos pelas pr—prias pessoas; (2) hetero- limita•‹o da
autonomia privada (limita•›es legais). Estes limites legais constituem aquilo a que

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se pode chamar uma espŽcie de ordem pœblica negocial, isto Ž, em rela•‹o aos contratos h‡ limites
superiores que a autonomia tem de respeitar, que se movem em dois campos: (1) a necessidade que
h‡ do legislador n‹o permitir que a autonomia privada se exer•a sem limita•›es em contratos
socialmente mais sens’veis (como o contrato de trabalho ou o contrato de arrendamento); (2) no
campo do conteœdo contratual (ponte para o princ’pio da tutela do contraente mais dŽbil) - todos
os contratos em que est‹o envolvidos consumidores, esses contratos tambŽm n‹o podem
processar-se ao abrigo de uma plena autonomia privada. H‡ limites de prote•‹o de consumidores.
E h‡ tambŽm o campo dos chamados contratos de ades‹o (contratos cujo conteœdo j‡ nos Ž
apresentado elaborado. H‡ uma prŽ-elabora•‹o). H‡ limita•›es nestes contratos, desde 1985, para
assegurar uma determinada justi•a contratual.

Temos de ficar com a ideia de que a autonomia privada se tem vindo a alterar. Hoje em dia, h‡
menor autonomia privada. Apesar das limita•›es, a autonomia privada continua a subsistir, como um
pp fundamental do dto. das obriga•›es.

Quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013, 14h00

Contratos de ades‹o

(...) Parte da Sofia (...)

-!S‹o contratos constitu’dos por muitas cl‡usulas. Ex.: contrato de ades‹o para a aquisi•‹o de um
cart‹o de crŽdito (tem 4 p‡ginas !!), e estas cl‡usulas nem sempre s‹o facilmente percept’veis.

. Chegou-se a um ponto em que o legislador teve necessidade de proteger os aderentes (por um


influ•ncia de legisla•‹o alem‹o que data de 1976) - criou-se o Dec.-Lei 446/85 de 25 de Outubro,
em 1995, (1999 - segunda altera•‹o) que ainda hoje se mantŽm mas com algumas altera•›es.

. Para vermos a import‰ncia que estes contratos t•m, h‡ um site de jurisprud•ncia (www.dgsi.pt),
que para alŽm de outras decis›es, este site tem uma entrada dedicada aos contratos de ades‹o.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Dec.-lei 446/85, de 25 de Outubro

. A que contratos de ades‹o se aplica este decreto? - ‰mbito material

*!Art. 1¼,n¼1 - Contratos de ades‹o t’picos (contrato prŽ-elaborado destinado a uma


pluralidade de destinat‡rios n‹o individualizada, com conteœdo r’gido, porque n‹o h‡
negocia•‹o contratual).

*!Art 1,n¼2 - aplica-se aos contratos individualizados n‹o sujeito a negocia•‹o (que Ž tambŽm uma
espŽcie de contrato de ades‹o)

*!Art, 1,n¼3 - O facto de existir um contrato de ades‹o n‹o Ž de todo impeditivo, sobretudo nos
individualizados, que uma ou outra cl‡usula seja negociada (nestas negociadas j‡ n‹o se aplica o
regime do Decreto Lei). Portanto, as cl‡usulas negociadas, para ficaram fora do ‰mbito deste
decreto, t•m de ser provadas (a parte interessada tem o —nus da prova)

. Aspetos de forma•‹o dos contratos de ades‹o, que geram alguns problemas, porque h‡ uma sŽrie
de deveres (Art. 5¼ - dever de comunica•‹o e Art.6¼) que as empresas muitas vezes n‹o respeitam.

*!O dever de comunica•‹o efetiva-se atravŽs de v‡rias maneiras: da entrega de uma minuta
(rascunho) do contrato aos v‡rios aderentes, para que o aderente veja as v‡rias cl‡usulas que o
contrato de ades‹o ir‡ conter; ou ent‹o, mais na ‡rea dos contratos banc‡rios de ades‹o e por
for•a de legisla•‹o pr—pria, como por exemplo o contrato de ades‹o a um cart‹o de crŽdito, est‡
prevista uma comunica•‹o prŽ-contratual relativa ˆs caracter’sticas do produto (prazos de
pagamento, taxas, encargos, garantias, etc...).

*!Art. 5¼ (do decreto lei) - Ac—rd‹o do tribunal da rela•‹o do Porto de 15 de Dezembro de


2010 (dever de comunica•‹o)

*!Este decreto exige, n‹o s— um dever de comunica•‹o, mas tambŽm no Art. 6¼ um dever de
informa•‹o (h‡ uma conjuga•‹o comunica•‹o/informa•‹o, como deveres ambos precisos mas
distintos).

*!A prop—sito do dever de obriga•‹o - Ac—rd‹o do Supremo Tribunal de justi•a, de 13 de Maio de


2008 - H‡ aderentes que compreender‹o mais facilmente que outros, e o dever de informa•‹o
exigido da lei n‹o deve servir que o aderente, por qualquer pequeno esclarecimento, venha a
invocar em forma de aproveitamento este artigo para justificar o n‹o cumprimento do contrato. O
contratante (aderente) tem o —nus da prova de se provar que se est‡ perante um contrato de
ades‹o.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Art. 7¼ (do decreto lei)

*!Havendo alguma negocia•‹o (pouco usual) destes contratos, as cl‡usulas que forem
especificamente aprovadas prevalecem sobre quaisquer cl‡usulas contratuais gerais.

-!Voltando aos deveres de comunica•‹o e informa•‹o -> o seu n‹o cumprimento ou mal
cumprimento, mediante prova, pode vir a considerar a cl‡usula v’tima da viola•‹o exclu’das do
contrato. Ou seja, uma cl‡usula viciada neste dever de comunica•‹o e informa•‹o Ž exclu’da e o
aderente n‹o tem de a cumprir.

*!Art. 9¼ - O facto das cl‡usulas se considerarem exclu’das (o legislador poderia ter constitu’do um
dever de indemnizar o aderente) Ž uma consequ•ncia at’pica do n‹o cumprimento. Mas o facto de
algumas cl‡usulas se considerarem exclu’das, n‹o invalida que o contrato se mantenha (Art. 9¼),
vigorando na pare afetada as normas supletivas aplic‡veis. Mas, quando n‹o obstante do referido
quanto ao Art. 9¼, ocorram ainda outros erros mais graves (a exclus‹o de uma cl‡usula (lacuna)
levar a consequ•ncias como o contrato se mostrar desequilibrado atentando contra a boa fŽ, ou
havendo normas essenciais imposs’veis de suprir com recurso ˆs normas supletivas) o contrato
considera-se nulo.

-!Interpreta•‹o das cl‡usulas contratuais gerais

*!O seu cariz tŽcnico deixa, por vezes, dœvidas de interpreta•‹o. Ora, o decreto-lei, nos artigos 10¼
e 11¼ dobra-se sobre este problema. Estas cl‡usulas s‹o interpretadas de acordo com as regras
relativas ˆ interpreta•‹o geral (critŽrios gerais). Mas o art. 11¼ estabelece uma solu•‹o de prote•‹o
dos aderentes relativamente ˆs chamadas cl‡usulas contratuais gerais amb’guas, porque estas t•m de
ser interpretadas com o sentido que lhes daria um contratante normal quando colocado na posi•‹o
de contratante real (temos que ficcionar um contratante indeterminado normal), sendo certo que
na dœvida prevalece o sentido mais favor‡vel ao aderente.

-!Conteœdo das cl‡usulas contratuais gerais

*!Este decreto pro’be determinadas cl‡usulas:

(1)!as cl‡usulas que o Art. 15¼ considera contr‡rias ˆ boa fŽ - o Art. 16¼ ajuda na concretiza•‹o do
que seja a boa fŽ, mas os tribunais ter‹o a palavra final; Uma coisa Ž certa: se o tribunal considerar
que a cl‡usula Ž contr‡ria ˆ boa fŽ, por for•a do Art. 12¼, essas cl‡usulas s‹o nulas, n‹o impedindo
que o contrato possa subsistir (h‡ a ideia de aproveitamento do contrato)

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(2)!tambŽm s‹o nulas as cl‡usulas que o legislador chama de "absolutamente proibidas". Essas
cl‡usulas absolutamente pro’bidas dizem respeito a instrumentos jur’dicos essenciais que n‹o
podem ficar exclu’dos destes contratos. -> Lista do Art. 18¼ e Art. 21¼ (proibi•‹o das chamadas
cl‡usulas negras). Enquanto que o Art. 18¼ se aplica aos contratos celebrados entre empres‡rios , o
Art. 21¼ aplica-se aos consumidores finais (e o 18¼ tambŽm). Ou seja, um contrato de ades‹o entre
um banco e m consumidor est‡ mais protegido (n‹o pode incluir nem as cl‡usulas do Art. 18¼
nem as do Art. 21¼).

(3)!Mas o legislador tem tambŽm, nos Art. 19¼ e Art. 22¼, listas com outra tipo de cl‡usulas
(cl‡usulas cinzentas) que o legislador chama cl‡usulas "relativamente pro’bidas". Estas podem ser
nulas ou n‹o, pois t•m de ser ponderadas no seio do contrato (e o tribunal tem de averiguar) ->
tratamento ambivalente. O Art 19¼ aplica-se aos contratos entre empres‡rios s—, e o Art. 19¼ e 22¼
aplica-se aos contratos com consumidores finais;

-!Forma como os aderentes lesados podem reagir (controlar) a ilegalidade das cl‡usulas
contratuais gerais. H‡, fundamentalmente, duas formas de reac•‹o:

(1)!Controlo concreto: uma rea•‹o posterior ˆ assinatura do contrato pelo aderente, mas depois o
aderente vem-se a aperceber que o contrato contŽm, por exemplo, cl‡usulas absolutamente
pro’bidas. Ora, nos termos dos Art. 12¼ e Art. 24¼, o lesado pode intentar uma a•‹o no tribunal,
arguindo a nulidade das cl‡usulas. O Art. 24» refere que a nulidade pode ser invocada nos "termos
gerais". Os "termos gerais" Ž uma express‹o vaga: n‹o h‡ prazo de invoca•‹o, mas apenas os
interessados podem vir arguir a nulidade.

(2)!Controlo preventivo ou abstrato. Este controlo tem a ver com a a•‹o/tutela inibit—ria que diz
respeito ˆ possibilidade que determinadas entidades t•m (descritas no Art. 26) de pedir ao tribunal
que pro’ba determinada empresa de vir a incluir nos contratos de ades‹o que venha a celebrar o
futuro determinado clausulado. O tribunal, desde que acolha esta a•‹o, ir‡ proferir uma a•‹o de
proibi•‹o. A prop—sito destas a•›es inibit—rias, h‡ o ac—rd‹o do tribunal de justi•a de 5 de
fevereiro de 2013 - a finalidade da a•‹o inibit—ria tal como resulta do Art. 32¼ da lei das convers›es
contratuais gerais, Ž o de fazer pro’bir para o futuro o uso de cl‡usulas contratuais gerais que
ponham em causa a boa fŽ ou o equilibro das presta•›es. Claro que tambŽm se deve combinar ˆ
n‹o inclus‹o as cl‡usulas absolutamente pro’bidas. Estas a•›es inibit—rias s— vinculam contratos
futuros, n‹o passados (a estes t•m de se intentar a•›es de nulidade), porque esta tutela Ž
preventiva.

Lei 24/96 - defesa do consumidor - prev• tambŽm ˆ tutela inibit—ria como forma de prote•‹o dos
consumidores.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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Acabando o princ’pio da autonomia privada, vamos passar para outro princ’pio fundamental.

-!Princ’pio da Boa FŽ

-!H‡ quem considere este princ’pio a regra de ouro do Direito das Obriga•›es, que atŽ tem a
particularidade de controlar a autonomia privada (a autonomia pode ser limitada por aplica•‹o do
princ’pio da boa fŽ).

-!Primeiro aspeto fundamental desta princ’pio: n‹o devemos confundir princ’pio da boa fŽ, no seu
sentido objetivo, que Ž uma espŽcie de princ’pio de conduta quer do credor quer do devedor, ora,
n‹o devemos confundir este princ’pio com a chamada "boa fŽ subjetiva". A boa fŽ subjetiva Ž
considerada no estado interior da pessoa (desconhecimento n‹o culposo de uma determinada
situa•‹o). Portanto, a pessoa desculpavelmente estava convencida de uma sŽrie de coisas que afinal
n‹o seriam bem assim, logo juridicamente estava de boa fŽ. (Art. 291 - "Boa fŽ" em sentido
subjetivo - h‡ pessoas que est‹o de boa fŽ, e n‹o sabem que houve registo de aquisi•‹o).

-!No direito das obriga•›es tambŽm falamos de "M‡ FŽ", que n‹o Ž propriamente o contraposto
da "boa fŽ" subjetiva. Ex.: quando alguŽm entra num neg—cio sabendo que esse neg—cio ir‡
prejudicar outro. Esta m‡ fŽ (= consci•ncia de prejudicar alguŽm), tem mais conota•›es
subjetivas e tambŽm n‹o tem muito a ver com o Princ’pio da Boa FŽ.

-!O princ’pio da boa fŽ Ž uma regra de conduta/comportamento, que pede aos contraentes que
tenham condutas de (1) honestidade e (2) coopera•‹o. Este princ’pio tem muito a ver com a Žtica e
pede aos contraentes tambŽm uma espŽcie de solidariedade entres eles e pode-se dizer que Ž um
princ’pio de ordem pœblica, porque as partes n‹o o podem excluir ou limitar. As cl‡usulas que
afastem os princ’pios fundamentais s‹o nulas.

-!O CC n‹o tem propriamente uma norma onde esteja definido este princ’pio. Ter‹o de ser os
tribunais a concretizar este conceito indeterminado. Mas o Art. 762, n¼2 do CC faz uma alus‹o
muito espec’fica a este Princ’pio. Esta norma corresponde a uma ideia que os Romanos j‡ tinham,
da boa fŽ, que vem da chamada "fides" do direito romano, que leva ao preceito do atuar de uma
forma honesta e correta.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Este princ’pio da boa fŽ n‹o Ž apenas uma princ’pio do direito privado, mas tambŽm do direito
pœblico. Encontramo-lo por exemplo no Art. 266¼ e 266¼-A do c—digo de processo civil. No
direito administrativo tambŽm encontramos refer•ncias no c—digo de processo administrativo.

-!ƒ um princ’pio fundamental do pr—prio direito e Ž um princ’pio que no direito italiano


corresponde ˆ "corretteza", no direito ingl•s ˆ "good faith" e no direito alem‹o ao "treu and
glauben".

-!ƒ um princ’pio muito importante porque nos vai aparecer na fase prŽ-contratual, (quer na fase
das negocia•›es, embrion‡ria, quer na fase prŽ-contratual mais avan•ada), mas que tambŽm vai
acompanhar a fase contratual (art. 762¼,n¼2 CC) e que tambŽm aparece na fase p—s-contratual
(quando j‡ n‹o h‡ contrato o princ’pio mantŽm-se).

-!Este princ’pio tambŽm interessa para a chamada integra•‹o negocial (Art. 239¼ CC).

-!Este princ’pio gera deveres variados de conduta e de comportamento de lealdade, cujo n‹o
cumprimento se vai refletir em indemniza•›es.

-!Quando se fala do princ’pio da boa fŽ, h‡ um instituto jur’dico que Ž sempre considerado porque
Ž uma concretiza•‹o muito evidente deste princ’pio: Ž abuso do direito (Art. 334¼ CC, que nos diz
que Ž ileg’timo o exerc’cio de um direito quando o titular exceda manifestamente os limites
impostos pela boa fŽ, pelos bons costumes e pelo fim social e econ—mico do direito).

*!O abuso do direito, de uma forma gerla, Ž um mau exerc’cio de um direito, de forma distorcida,
desfocado da finalidade ou sentido que esse direito tem. O abuso do direito est‡ ligado ˆ pr‡tica de
atos emulativos, em que a pessoa n‹o ganha nada ao exercer um direito, mais vai exerc•-lo apenas
para prejudicar outra pessoa. Quando assim sucede, essa pessoa est‡ a abusar do seu direito. H‡ um
caso franc•s antigo que ilustra este abuso: um propriet‡rio que construiu uma chaminŽ no seu
prŽdio apenas para prejudicar as vistas ao seu vizinho, e n‹o havia nenhum exerc’cio œtil do direito
de propriet‡rio.

-!Figuras jur’dicas que t•m a ver coma viola•‹o da boa fŽ, e que s‹o uma espŽcie de
concretiza•›es do abuso do direito e de poderes e liberdades que temos:

*!"Venire contra factum proprium" (conduta contradit—ria) - ƒ um desdobramento n’tido do


abuso do direito, em que verificamos uma viola•‹o muito patente do princ’pio da boa fŽ. Estas
condutas contradit—rias s‹o condutas proibidas, abusivas e contr‡rias ao princ’pio da boa fŽ. A

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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situa•‹o t’pica Ž esta: h‡ um comportamento de alguŽm que vai criar determinadas expectativas a
uma outra pessoa (e essa outra pessoa fica convencida de que as coisas se v‹o passar de uma
determinada forma), para numa segunda fase, aquele que criou essas expectativas, vem afinal ter um
comportamento que contradiz as expectativas primeiramente criadas, destruindo-as. Esta figura
desdobra-se em duas formas:

# Neutraliza•‹o do direito - esta express‹o Ž uma tradu•‹o de uma palavra alem‹ ("Verwirkung").
Esta figura jur’dica ocorre quando alguŽm cria a tal confian•a/expectativa, s— que a cria•‹o desta
expectativa verifica-se ao longo de um certo per’odo temporal. H‡, por exemplo, uma pessoa que
embora o inquilino esteja a pagar a renda fora do prazo normal, o senhorio aceitou esse pagamento
durante v‡rios anos (portanto, tudo fazia crer que ele n‹o iria reagir contra uma irregularidade), e ao
fim de alguns anos, vem o senhorio intentar uma a•‹o por essa irregularidade contra o inquilino.
Esta figura exige que a confian•a criada pela primeira atitude, seja uma confian•a criada ao longo de
v‡rios anos. ƒ um venire contra factum proprium na forma de Verwirkung. O prof. Meneses
cordeiro refere-se a esta figura utilizando a express‹o latina "supressio" (supress‹o).

# "Erwirkung" (do alem‹o), que traduzindo fica "Aquisi•‹o do Direito e, em latim, "Surrectio".
Neste caso, h‡ um primeiro comportamento tambŽm durante um largo per’odo tempo razo‡vel
(fator temporal) que cria a confian•a que uma pessoa ir‡ adquirir um direito, e ao fim de um tempo,
esta esperan•a cai por terra, porque essa pessoa n‹o chega a adquirir o direito que estava
convencida que ia adquirir. ƒ tambŽm uma conduta contra a boa fŽ e, obviamente, pro’bida.

-!Uma outra express‹o do abuso do direito liga-se com outra figura com v‡rias designa•›es:
Conduta anterior indevida (ou, em latim, "exceptio doli" ou, como se refere o Prof. Meneses
Cordeiro, "tu quoque"). Neste caso, temos alguŽm que j‡ no primeiro momento adopta uma
conduta indevida/reprov‡vel, para num segundo momento esta mesma pessoa como que se
aproveita da situa•‹o que ela mesma tinha criada de forma ileg’tima. ƒ, naturalmente, uma conduta
abusiva, que n‹o Ž bem um venire contra factum proprium. ƒ o caso do pr—prio senhorio dar azo
a que o inquilino saia do im—vel (pode ser um comportamento que, n‹o indo necessariamente
contra a lei, Ž reprov‡vel do ponto de vista Žtico), para que posteriormente se aproveitar da
situa•‹o atravŽs de uma a•‹o no sentido do contrato do inquilino cessar. Um outro exemplo surge
quando alguŽm Ž atropelado que teve culpa no seu atropelamento e que mais tarde vem pedir uma
indemniza•‹o. Neste caso, j‡ num primeiro momento h‡ uma conduta culposa, logo n‹o pode ser
aproveitada para uma indemniza•‹o.

-!Os efeitos destas diversas formas de comportamento abusivo (todas elas s‹o ofensas ao
princ’pio da boa fŽ)

*!Podem ser efeitos indemnizat—rios, por exemplo.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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*!Nos casos da neutraliza•‹o do direito (nestes caso, a consequ•ncia Ž o impedimento de exercer


o direito) ou da Erwirkingk (neste caso a consequ•ncia Ž a aquisi•‹o efetiva do direito por parte do
lesado).

*!No caso da conduta anterior indevida a san•‹o mais t’pica Ž o impedimento do exerc’cio do
direito (ex: n‹o se pode pedir indemniza•‹o)

-!H‡ ainda uma terceira proje•‹o do abuso do direito, que Ž relativa aos neg—cios formais poder‡
ser vista ainda como um venire contra factum proprium, mas que deve ser autonomizado, porque
vai gerar um problema mais espec’fico que os nossos tribunais nem sempre solucionam da mesma
forma - embora nos œltimos anos surja uma uniformiza•‹o da solu•‹o). S‹o as hip—teses dos
neg—cios formais em que uma das partes convence a outra que n‹o Ž necess‡rio formalizar o
contrato e a outra parte cria as devidas expectativas, celebrando-se o contrato sem a forma que
devia ter, com a convic•‹o do inocente que o contrato ir‡ ser cumprido sem problemas. Num
momento posterior, aquele que criou as expectativas vem invocar a nulidade do contrato. Isto Ž
uma conduta contradit—ria que ˆ partida nos levaria para o campo do venire contra factum
proprium. Mas a forma do neg—cio
jur’dico torna esta situa•‹o especial: se entendermos que em determinadas situa•›es a forma,
obedecendo a raz›es de ordem pœblica, Ž um elemento necess‡rio (que leva ˆ invalidade do
contrato sem preju’zo de uma indemniza•‹o com base na responsabilidade prŽ-contratual).
Mas as exig•ncias formais dos neg—cios t•m-se reduzido cada vez mais (veja-se o caso a Compra e
Venda dos im—veis), o que significa que hoje em dia a forma do neg—cio Ž pouco essencial,
convencionalmente, embora a lei ainda o exija. Os tribunais, ao resolver esta situa•›es, resolvem-
nas ao abrigo do abuso do direito, retirando ao contraente que abusou a possibilidade de arguir a
nulidade do contrato. Portanto, a consequ•ncia Ž retirar ao titular o exerc’cio do direito.

*!Outro exemplo destes neg—cios formais s‹o os contratos de ades‹o (Ac—rd‹o de 12 de


Dezembro de 2011 - o aderente assinou o contrato e come•ando a ter dificuldades em o cumprir
vem invocar que a cl‡usula n‹o lhe foi devidamente explicada ou comunicada, mas j‡ numa fase
adiantada. Esta invoca•‹o Ž feita como desculpa para o n‹o cumprimento do contrato, numa
atitude abusiva. O ac—rd‹o diz que este comportamento abusivo (cria•‹o da expectativa que o
contrato Ž v‡lido e ser‡ cumprido) Ž um excesso e uma ofensa e a nulidade contrato n‹o pode ser
invocada.

*!Mas nestes casos, os nossos tribunais t•m exigido requisitos gerais relativos ˆ cria•‹o de
expectativas:

(1) O estado de confian•a criado traduz-se, precisamente, na forma•‹o das expectativas que
resultam de um primeiro comportamento e esta cria•‹o de expectativas surge refor•ada a partir do
momento em que essa pessoa tem o investimento da confian•a (Ž este o requisito, o investimento
da confian•a), que se prende com o cumprimento de uma presta•‹o, que mostra que n‹o h‡
desconfian•a. Nestes casos, os tribunais n‹o t•m qualquer dœvida em n‹o permitir que a outra parte
invoque a nulidade, porque h‡ uma confian•a perfeitamente consistente e seria abusivo a invoca•‹o
da nulidade.

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-!Outro princ’pio fundamental Ž o princ’pio da tutela do contraente mais dŽbil/fr‡gil.

*!ƒ um princ’pio particularmente aplic‡vel aos consumidores, como contraente mais fr‡geis. O
consumidor Ž aquele que celebra variados contratos de consumo (ex.: compra de viagens, compra
de direitos reais de habita•‹o peri—dicas, contratos de telecomunica•›es, ...).

*!Defini•‹o de consumidor - Lei 24/96, de Defesa dos Consumidores (Art. 2¼) - ƒ todo aquele a
quem sejam fornecidos bens, prestados servi•os, ou transmitidos quaisquer direitos, destinados a
uso n‹o profissional e este fornecimento tem que ser feito por pessoa que exer•a com car‡cter
profissional uma atividade econ—mica que vise a obten•‹o de benef’cios.

*!Art. 10¼ do C—digo de ante-projeto da lei 24/96 - defini•‹o de consumidor: pessoa singular que
atue para a prossecu•‹o de fins alheios ao ‰mbito da sua atividade profissional atravŽs do
estabelecimento de rela•›es jur’dicas com pessoas individuais ou coletivas profissionais.

*!Isto significa que se um advogado comprar um PC para uso pessoa est‡ a fazer um contrato de
consumo, mas se comprar um PC para o seu escrit—rio (para o exerc’cio da sua atividade
profissional) j‡ n‹o Ž um contrato de consumo.

-!H‡ a lei 23/96 (que j‡ teve v‡rias altera•›es) que tutela os consumidores na ‡rea dos servi•os
pœblicos essenciais (‡gua, luz, etc...). Esta lei descreve um conjunto de princ’pios de proje•‹o.

-!TambŽm h‡ legisla•‹o na ‡rea das viagens, da aquisi•‹o de direitos reais de habita•‹o


peri—dicas, etc...

-!Mas, extraindo desta legisla•‹o um conjunto de princ’pios gerais:

*!Exig•ncia de forma formal (escrita) para os contratos de consumo

*!Para todos estes contratos (uns de ades‹o, outros n‹o), est‹o previstos um conjunto de
deveres de informa•‹o

*!Nestes contratos, Ž concebido ao consumidor aquilo a que se chama o per’odo de reflex‹o (o


consumidor muitas vezes n‹o se apercebe do que est‡ a comprar) - per’odo durante o qual o
consumidor se pode arrepender, que de uma forma geral anda ˆ forma de 14 dias (devolu•›es, por
exemplo). Durante este per’odo de reflex‹o o consumidor pode exercer o direito de "livre
resolu•‹o" que Ž um direito que n‹o precisa de ser fundamentado e do qual n‹o resultam
penaliza•›es para o consumidor pelo facto de se desvincular do contrato;

*!H‡ regras pr—prias relativas ˆ invoca•‹o da nulidade destes contratos. Legitimidade


atribu’da apenas ao consumidor;

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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*!Afirma•‹o da imperatividade de muitas das normas, que n‹o podem ser afastadas pelas
partes - car‡cter injuntivo dos direitos conferidos aos consumidores (ex.: Art. 16¼ da Lei de
Defesa do Consumidor);

*!Exist•ncia e contratos co-ligados. Exemplo: emprŽstimo banc‡rio para a compra e venda,


sendo defeituosa a coisa vendida ao comprador, ele pode invocar isso para se desvincular do
contrato de crŽdito (emprŽstimo).

-!Grande parte da legisla•‹o de defesa do consumidor provŽm da Uni‹o Europeia


(transposi•›es de diretivas) - a UE sempre se mostrou muito preocupada nesta ‡rea:

*ex: Diretiva 2011/83 (ainda n‹o foi transposta) - normas de prote•‹o dos consumidores na
‡rea dos servi•os essenciais.

-!Publicidade enganosa (aspeto importante deste princ’pio)

*H‡ normas que nos protegem contra essa publicidade

-!TambŽm h‡ legisla•‹o (mais recente), por exemplo o Decreto-Lei 57/2008, sobre as pr‡ticas
comerciais desleais e agressivas.

*Nesta ‡rea, neste decreto lei, o legislador transp™s uma diretiva da UE.

*!Art. 14¼ deste decreto - que considera que os contratos celebrados sobre a influ•ncia de
alguma pr‡tica comercial desleal (no•‹o est‡ no decreto) s‹o anul‡veis a pedido do consumidor
nos termos do Art. 287¼ C.C..

*Se o consumidor for lesado pro efeito efeito destas pr‡ticas desleais ou agressivas tem direito a ser
indemnizado - Art. 15¼ do decreto (h‡ uma conjuga•‹o da invalidade e da responsabilidade civil,
dois instrumentos de prote•‹o). Isto s— se encontra no Decreto e n‹o na legisla•‹o normal.

-!Este princ’pio da tutela do contraente mais dŽbil tambŽm se liga, de alguma forma, ˆ quest‹o da
prote•‹o das pessoas com defici•ncia (quest‹o da n‹o discrimina•‹o) - h‡ legisla•‹o que regula a
recusa do contrato alegando as convic•›es ideol—gicas dos contraentes, por exemplo.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Hoje em dia, h‡ a tend•ncia para considerar como consumidores (h‡ legisla•‹o neste linha) os
utentes das auto-estradas.

-!ƒ um princ’pio com um enorme alcance.

Direito das Obriga•›es

Ter•a-Feira, 5 de mar•o de 2013, 17h00

-!Prote•‹o do contraente mais dŽbil -> consultar anexo na ‡rea do comŽrcio electr—nico

Princ’pio da Proporcionalidade

-!ƒ um princ’pio mais da ‡rea do direito pœblico, mas que n‹o Ž estranho ao direito privado;

-!A primeira ideia que surge neste princ’pio Ž a da adequa•‹o entre meios e fins; devemos escolher
meios adequados e n‹o desproporcionados em fun•‹o daquilo que queremos atingir.

-!Rigorosamente n‹o precisar’amos sempre deste princ’pio, porque quando eu exer•o um


direito de forma desproporcionada, o princ’pio da boa fŽ pode corrigir, atravŽs da figura do
abuso de direito. Mas este princ’pio da boa fŽ n‹o serve para tudo, por isso Ž que se fala do
Princ’pio da Proporcionalidade.

-!O princ’pio da proporcionalidade tambŽm se distingue do princ’pio da equival•ncia das


presta•›es (no dom’nio contratual), que nos diz que o contrato n‹o deve ter presta•›es em
desequil’brio. O PP da Proporcionalidade Ž mais lato e abrange outros aspetos, apanhando a ‡rea
prŽ-contratual atŽ ˆ zona extra-contratual.

-!Este princ’pio tem 3 grandes manifesta•›es pr‡ticas:

*!Exerc’cio moderado dos direitos: A primeira delas relaciona-se com a forma como devemos
exercer os nosso direitos: devem ser exercidos de forma moderada e proporcionada. Se alguŽm
estiver obrigado a entregar-me 50 garrafas de vinho e me entregar apenas 49 eu n‹o posso dizer
que n‹o irei pagar nada porque falta uma garrafa. N‹o posso exercer o mecanismo

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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de defesa chamada "excep•‹o de n‹o cumprimento do contrato", desta forma pouco moderada.
Devo pagar as 49 garrafas, partindo do princ’pio que eu precisava das 50 garrafas imediatamente.
TambŽm n‹o posso, perante determinados incumprimentos do contrato, considerados pouco
graves, estar a exercer direitos que n‹o est‹o em propor•‹o com essas faltas: a resolu•‹o do
contrato est‡ previsto na lei para incumprimentos qualificados ( contrato Ž posto em causa e n‹o h‡
mais nada a fazer). Quer a excep•‹o do n‹o cumprimento quer a resolu•‹o devem ser exerc’cios em
conson‰ncia com o incumprimento alheio. TambŽm a diferen•a entre a leg’tima defesa e LG
excessiva marca a diferen•a entre exerce um direito e exerce-lo de forma pouco moderada e
desproporcionada.

*!Uma segunda express‹o deste princ’pio: Escalonamento dos Direitos. O nosso legislador , em
determinados contratos, sobretudo na compra e venda mas tambŽm na empreitada e atŽ na
compra e venda de bens de consumo, o nosso legislador atribui os direitos de forma escalonada:
do menos grave para o mais grave. Faz isso, porque cada um dos direitos tem a sua pr—pria base.
Devemos sempre exercer o direito mais radical, e vamos subindo na escala, atŽ exercer o direito
mais forte, que se n‹o houver nada a fazer temos de recorrer a ele.

*Ex: obras defeituosas nos contratos de empreitada. Perante uma obra defeituosa n‹o teria sentido
que o chamado dono da obra pudesse logo resolver o contrato. A atitude que est‡ em conson‰ncia
com esses defeitos Ž pedir ao empreiteiro para eliminar os defeitos. Se ele n‹o conseguir eliminar os
defeitos, eu posso ou ficar com a obra por um pre•o mais reduzido (a lei d‡ a possibilidade de
redu•‹o do pre•o); ou, se eu n‹o quiser ficar com a obra com aqueles defeitos, ent‹o, no
escalonamento mais radical, tenho de ir, finalmente, recorrer ˆ resolu•‹o do contrato.

*!Em terceiro lugar, o princ’pio da proporcionalidade tem a ver com a circunst‰ncia de para se
exercer determinados direitos s— o podemos fazer havendo um m’nimo de gravidade quer nos
incumprimentos quer nas les›es que me s‹o causadas. H‡ pequenas les›es que eu posso sofrer e
que atŽ resultam dos dia a dia (ex: pisadelas nos transportes pœblicos), cuja responsabiliza•‹o do
"Infrator" n‹o faz sentido. S‹o les›es resultantes da adequa•‹o social e seria desproporcionado vir
pedir alguma responsabilidade ou indemniza•‹o. O mesmo se passa nos danos morais, n‹o
patrimoniais: se a pessoa teve uma dor insignificante ou uma mera contrariedade, n‹o faz sentido
invocar a responsabilidade de alguŽm.

-!S‹o estas as principais manifesta•›es deste princ’pio.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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Princ’pio da Responsabilidade Patrimonial

-!Este princ’pio diz-nos, fundamentalmente, que Ž o patrim—nio do dever que garante o


cumprimento das obriga•›es (s— aparece numa fase mais adiantada do Direito Romano,
porque eles come•aram a ter uma responsabilidade pessoal e n‹o patrimonial).

-!Rigorosamente, este princ’pio s— chega a atuar quando n‹o houver possibilidade do


cumprimento. Por vezes, os devedores n‹o cumprem num determinado momento, mas
acabam por cumprir sob amea•a de a•‹o no tribunal. Aqui n‹o chega a atuar este princ’pio
porque o cumprimento vai-se verificar.

-!Este princ’pio s— entra em a•‹o quando o incumprimento for definitivo e irremedi‡vel.

-!Mesmo o legislador, s— considera esta ideia de responsabilidade patrimonial em segundo plano. A


sua primeira preocupa•‹o Ž que exista cumprimento ou que se houver um dano, esse dano possa
ser restaurado naturalmente. Quando assim sucede, este princ’pio n‹o chega a atuar.

Os dois œltimos princ’pios s‹o especiais. A ideia de princ’pio fundamental Ž sempre a ideia de um
princ’pio abrangente. Mas estes dois œltimos princ’pios s‹o princ’pios pr—prios da responsabilidade
civil: por um lado, o princ’pio da hetero-responsabilidade e , em segundo lugar, o princ’pio da auto-
responsabilidade. S‹o duas faces da mesma moeda.

Princ’pio da Hetero-Responsabilidade

-!J‡ existia no Direito Romano, quando empregavam a express‹o "alterum non laedere", isto Ž, n‹o
lesar/causar dano ao outro.

-!Na verdade, n‹o podemos causar danos aos outros, porque se causarmos, ficamos sujeitos ˆ
aplica•‹o deste princ’pio. A partir do momento em que A agride B, para alŽm de existir
responsabilidade penal, tambŽm h‡ responsabilidade civil.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!No CC este princ’pio apanha uma sŽrie de normas, que v‹o desde o Art. 483¼ e ss atŽ ao 510¼
(embora este princ’pio se projete fora do c—digo). Mas este princ’pio da hetero responsabilidade
vale para o campo contratual (Art. 798¼ e ss CC).

-!Quando A agride B ou deixa de cumprir um contrato com B, este princ’pio surge. Mas s— pode
surgir com base naquilo que se designa por "factos responsabilizantes", e de outra forma n‹o
poder‡ funcionar.

-!"Factos Responsabilizantes"

*!O legislador considera 3 factos responsabilizantes: a culpa (extra-contratual (d‡ origem ˆ


responsabilidade), e a culpa contratual);

*!Outro segundo facto responsabilizante: s‹o as situa•›es tipificadas em que se responde sem
culpa, ou seja, os casos de responsabilidade civil objetiva, pelo risco. ex: Quando um condutor
atropela um pe‹o, pode responder com ou sem culpa. J‡ na ‡rea contratual Ž bastante rara a
situa•‹o em que o devedor responda sem culpa.

*!H‡ um terceiro facto responsabilizante: factos l’citos, descritos na lei, que podemos praticar, mas
causando danos teremos de responder por eles. Ex: Estado de Necessidade (Art. 339¼ CC), que ao
causar danos, n‹o deixando de ser um facto l’cito, h‡ necessidade de indemnizar os danos
causados.

Princ’pio da Auto-Responsabilidade

-!Princ’pio que j‡ existia no Direito Romano, atravŽs da express‹o "sibi imputel" - imputado ao
pr—prio.

-!Este princ’pio traduz-se em que muitas vezes somos n—s os respons‡veis pelos nossos
pr—prios danos.

-!Mas este princ’pio tambŽm age quando o meu dano Ž fruto da minha conduta e da conduta
alheia (ponte para o princ’pio da hetero-responsabilidade).

-!Art 505¼ CC e Art. 570¼ C s‹o duas normas diferentes que traduzem este princ’pio.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!H‡ danos que a pessoa sofre, por sua vontade, sem interfer•ncias alheias: iniciativa auto- lesiva
- a pessoa quer causar dano a si mesmo. Ex: Pessoa que fa•a uma escalada perigosa e que caia -
a’ o dano Ž-lhe imput‡vel mas n‹o se pode dizer que entra em jogo o Princ’pio da Auto-
Responsabilidade. Este princ’pio s— surge quando eu quero responsabilizar alguŽm e alguŽm me
quer auto-responsabilizar a mim.

*!Estas iniciativas auto-lesivas s‹o indiferentes ao direito. As pessoas como que se podem
auto-destruir (LOL) - o direito n‹o interfere na autonomia das pessoas, mas j‡ Ž diferente o
caso de haver outros que eu possa lesar com as minhas a•›es.

-!Este princ’pio da auto-responsabilizado n‹o tem interesse quando o dano Ž agravado pelas
caracter’sticas do sujeito (ex: hemof’lico). S‹o as prŽ-disposi•›es para (um maior) dano, que n‹o
tem nada a ver para o princ’pio da auto-responsabilidade. Quem lesa um hemof’lico n‹o o pode
indemnizar como se fosse uma pessoa normal.

Vamos entrar na terceira parte do Curso: FACTOS CONSTITUTIVOS DE


OBRIGA‚ïES (OU FONTES DAS OBRIGA‚ÍES)

-!As obriga•›es n‹o nascem sozinhas: s‹o geradas por determinados factos. Estas fontes das
obriga•›es nem sempre foram as mesmas ao longo dos tempos (h‡ uma evolu•‹o do Direito
Romano atŽ aos nossos dias: os Romanos s— conheciam, praticamente, duas fontes das
Obriga•›es: o contrato (a primeira fonte hist—rica das obriga•›es) e o Delito (corresponde ˆ
responsabilidade penal e civil). Estas eram as grandes fontes das obriga•›es, mas a evolu•‹o do
direito romano trouxe mais algumas. Numa fase posterior, ainda no Direito Romano, come•am a
surgir 4 fontes de obriga•›es: os contratos, os quase-contratos, os delitos e os quase-delitos. Os
"quase-contratos" (express‹o ainda utilizada pelos Franceses) abarcavam fontes intermŽdias entre o
contrato e o delito, isto Ž, fontes intermŽdias: gest‹o de neg—cios e o enriquecimento sem causa. O
Delito era o il’cito intencional, praticado com dolo. O "Quase- Delito" (express‹o das nossas
Ordena•›es) era um il’cito negligente. O C—digo napole—nico incorporou esta divis‹o de fontes).

-!Hoje esta divis‹o foi um pouco abandonada, e o nosso CC divide as fontes das obriga•›es em
duas grandes ‡reas:

*!Fontes Volunt‡rias (obriga•›es nascem da vontade)

-!Contrato

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-!Neg—cios Unilaterais

*!Fontes Legais (obriga•›es nascem da lei)

-!Gest‹o de Neg—cios

-!Enriquecimento sem causa

-!Responsabilidade Civil

-!As fontes come•am no Art. 405¼ CC e v‹o atŽ ao 510¼ CC - normas relativas ˆs fontes das
obriga•›es.

-!O professor Vaz Serra, nos trabalhos preparat—rios do CC, considerava ainda mais duas fontes das
obriga•›es: 1) Relacionadas com os t’tulos de crŽdito (que foram para o C—digo Comercial); 2)
Norma Geral sobre a Responsabilidade por Factos L’citos (a Responsabilidade Civil d‡ resposta a
isto por isso Ž que n‹o foi introduzida no CC, mas talvez esta norma fosse œtil para caracterizar
melhor a responsabilidade por factos l’citos).

-!Nem toda a Responsabilidade Civil est‡ nos Artigos 483¼ e ss CC. N‹o podemos ter uma ideia
fechada das fontes das obriga•›es. Ex.: Responsabilidade Civil prŽ-contratual est‡ no artigo 227¼
CC.

Direito das Obriga•›es

Quarta-Feira, 6 de mar•o de 2013, 14h00

-!Historicamente, a primeira fonte das obriga•›es Ž o Contrato e talvez seja por isso que aparece
em primeiro lugar no C—digo Civil no Cap’tulo das Fontes das Obriga•›es (Art. 405¼ CC e ss).

-!Quando se come•a a estudar o contrato, uma das primeiras quest›es Ž relativa ˆ pr—pria no•‹o
de contrato. O que Ž um contrato? N‹o h‡ no CC uma no•‹o do contrato (n‹o Ž tarefa dos
legisladores definir). O CC fala de contratos e n‹o de neg—cio jur’dico, porque n‹o s‹o as

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mesma coisa. Todos os contratos s‹o neg—cios jur’dicos (bilaterais), mas nem todos os
neg—cios jur’dicos s‹o contratos.

-!Num dos projetos com vista a um poss’vel c—digo europeu dos contratos aparece uma
defini•‹o de contrato:

*!O Contrato Ž o acordo de duas ou mais pessoas destinado a constituir, regular, modificar ou
extinguir uma rela•‹o jur’dica, podendo comportar obriga•›es e outros efeitos mesmo em rela•‹o
a uma s— parte.

*!Esta defini•‹o capta, na ess•ncia, o que Ž um contrato, sobretudo a ideia de que de um


contrato derivam obriga•›es, mas que tambŽm podem derivar outros efeitos; tambŽm Ž
verdade que de um contrato podem resultar efeitos s— para uma parte.

-!Mas, na verdade, "contratos h‡ muitos"...

*!H‡ contratos civis, comerciais, onerosos, gratuitos, obrigacionais, reais, familiares,


sucess—rios, tipificados, n‹o tipificados, etc...

-!Mas independentemente de todas estas categorias, com efeitos pr—prios, hoje pode-se dizer que o
regime jur’dico dos contratos est‡ muito dependente de eles se integrarem nas seguintes categorias:

*!Contrato Negociado (Contrato Cl‡ssico) - assenta, basicamente, naquele esquema da proposta


feita a alguŽm, numa eventual contra-proposta, e numa final aceita•‹o, para o contrato ficar
conclu’do. Este esquema da negocia•‹o leva-nos a regimes pr—prios, em fun•‹o da sua
negocia•‹o.

*!H‡ contratos n‹o negociados - Contratos de Ades‹o - h‡ uma proposta, mas essa proposta n‹o
permite discuss‹o/contra-proposta. O destinat‡rio da proposta, o aderente, ou quer ou n‹o quer,
logo n‹o tem outras escolhas. Este tipo de contrato est‡ submetido, como vimos, a um outro
regime. -> Dec. lei 446/85 est‡ adaptado a este tipo de contratos, que nos colocam problemas que
os contratos negociados n‹o nos colocam. Apesar de tudo, neste tipo de contratos pode haver
alguma negocia•‹o, marginal ao contrato (as cl‡usulas negociadas ficam submetidas ao regime dos
contratos negociados).

*!H‡, ainda, os contratos de consumo. A maior parte deles s

ao feitos na forma de contratos de ades‹o (mas n‹o todos). Mas, de qualquer forma, enquanto
contrato de consumo (est‡ presente um consumidor e um profissional), est‡ sujeito a

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determinados princ’pios (forma, invalidades...). Um contrato de consumo Ž um contrato que ˆ


partida n‹o ser‡ negociado, mas que de qualquer forma fica sujeito ˆ negocia•‹o dos contratos de
consumo.

*!H‡, tambŽm, os contratos inform‡ticos. Estes contratos n‹o s‹o propriamente contratos
negociados e tambŽm n‹o s‹o contratos de ades‹o, embora possam ter componentes dos outros
contratos. De qualquer forma, como contrato inform‡tico que Ž, em que n‹o Ž poss’vel o esquema
cl‡ssico da proposta e aceita•‹o, h‡ regras pr—prias que temos de aplicar (quando fica conclu’do, o
que fazer em caso de defeito), logo h‡ aqui, tambŽm, um regime pr—prio.

-!H‡ que enquadrar o contrato nestas categorias pr—prias para encontrar o seu regime pr—prio.

-!Quando se faz um contrato, (sobretudo num contrato negociado), as partes devem ter a
preocupa•‹o de fazer "um contrato bem feito". Um contrato, quanto mais claro e correto
juridicamente for, mais f‡cil ser‡ de ser interpretado. Porque muitas vezes os lit’gios surgem por
dificuldades de interpreta•‹o ou por interpreta•›es diferentes dos contraentes das mesmas
cl‡usulas.

-!Qual o conteœdo t’pico do contrato? Clausulado t’pico de qualquer contrato? (mais nos
negociados).

*!Tipicamente um contrato deve conter uma Designa•‹o. Temos de "dar nome" ˆs coisas. Esta
designa•‹o pode estar errada: posso fazer um contrato de arrendamento e chamar-lhe comodato,
logo a designa•‹o n‹o Ž o essencial. As partes, ˆs vezes, por n‹o saberem, qualificam mal o
contrato, mas mesmo aqui deve haver algum cuidado.

*!Mas um contrato, tipicamente tem de ter um clausulado essencial, isto Ž, um conjunto de


cl‡usulas que nos permitem concluir pelo tipo de contrato que as partes quiseram realizar. S— se
consegue descobrir que tipo de contrato Ž a partir dos seus elementos essenciais: ex: obriga•‹o de
entrega de um bem mediante pagamento de um pre•o, conclui-se, com alguma seguran•a, que
estamos perante um contrato de compra e venda. Por outro lado, uma obriga•‹o de entrega sem
pre•o pode ser um comodato ou uma doa•‹o. ƒ inconceb’vel uma compra e venda sem pre•o ou
sem obriga•‹o de entrega, por exemplo, logo temos de ter este clausulado essencial.

*!Mas, em segundo lugar, h‡ tambŽm o chamado Clausulado Natural, isto Ž, aqueles aspetos
relacionados, sobretudo, com a aplica•‹o de normas supletivas. As partes entendem introduzir no
contrato determinadas cl‡usulas que, em rigor, n‹o haveria necessidade (porque as normas
supletivas aplicam-se, a n‹o ser que sejam afastadas pelas partes), para refor•ar o regime supletivo.
ƒ este o clausulado natural, para, por exemplo, estabelecer um local de pagamento, que n‹o seria
necess‡rio, porque a norma supletiva ia-se aplicar naturalmente. Pode acontecer

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Ž que as partes afastem os regimes supletivos, embora de uma forma geral, os contraentes aceitem os
regimes supletivos, partindo do princ’pio que o legislador estabeleceu um regime razo‡vel.

*!Em terceiro lugar, um contrato costuma ter cl‡usulas acess—rias, muito variadas em fun•‹o do
tipo de contrato que se est‡ a fazer. Estas s‹o cl‡usulas acess—rias, por exemplo, condi•‹o ou
termo, cl‡usula penal, fian•a, cl‡usula compromiss—ria, etc ..................E sao acess—rias porque est‹o
dependentes das cl‡usulas principais (rela•‹o de depend•ncia entre cl‡usulas).

-!Por exemplo, nos contratos internacionais internacionais e nos contratos duradouros, por
raz›es diferentes, Ž usual encontrar-se no clausulado quilo que se chama uma "Cl‡usula de
Renegocia•‹o".

*!Um contrato duradouro Ž um contrato submetido a regras pr—prias, porque Ž um contrato mais
sujeito ˆ eros‹o do tempo e aos conflitos entre as partes, coisa que n‹o acontece num contrato
instant‰neo. E como pode haver altera•›es socio-econ—micas, perturba•›es financeiras e
econ—micas, as partes acautelam isso atravŽs de uma cl‡usula que as vai obrigar a renegociar os
termos do contrato, a adaptar os contratos ˆs mudan•as para que ele n‹o se desequilibre. No
plano nacional temos o Art. 437» relativo ˆs altera•›es normais de circunst‰ncias, mas no plano
internacional Ž preciso recorrer a este tipo de clausulado.

-!H‡ tambŽm um outro clausulado t’pico nos contratos que Ž a Cl‡usula de Tribunal Competente
para julgar os Lit’gios entre os contraentes. Quase todos os contratos terminam com esta cl‡usula.
Claro que se o contrato for de ades‹o, o decreto-lei controla, em parte, isto.

-!Nos contratos tambŽm se encontram, muitas vezes, cl‡usulas inœteis ou cl‡usulas de estilo. S‹o
Cl‡usulas que praticamente reenviam para as normas legais. Por exemplo, o CC prev• que um
contrato possa ser resolvido em certas circunst‰ncias. Ora, se no contrato aparecer uma cl‡usula
que siga isso mesmo, essa cl‡usula n‹o acrescenta nada porque a lei j‡ prev• essa situa•‹o, logo
estamos perante uma cl‡usula inœtil.

-!Quando se come•a a falar do contrato, n‹o nos podemos esquecer que ao lado do contrato
existem as chamadas rela•›es contratuais de facto. N‹o Ž s— relevante o contrato que surge, por
exemplo, na base da proposta e da aceita•‹o; s‹o, tambŽm, relevantes os contratos que fazemos
fora desse esquema cl‡ssico: por exemplo, os contratos celebrados com as m‡quinas autom‡ticas
(rela•‹o contratual de facto), que n‹o deixam de ser assimilados a um contrato. Este exemplo da
m‡quina chama legisla•‹o, por exemplo, do contrato consumo.

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-!Mas h‡ tambŽm o contrato social: n‹o sendo um contrato no sentido rigoroso do termo, integra
as rela•›es contratuais de facto que podem chamar a lei relativa a contratos. Ex: uma pessoa que v‡
a um hospital do SNS e que Ž atendido pelo mŽdico. O mŽdico trata mal o paciente, trata
defeituosamente ou faz um mal diagn—stico. O doente pode responsabilizar contratualmente aquele
mŽdico, quando na verdade n‹o fez nenhum contrato com ele? O que h‡ Ž uma rela•‹o para-
contratual, atravŽs do contrato social e do relacionamento que se estabelece entre o mŽdico e o
doente, em que o mŽdico tem de ter os mesmos deveres em rela•‹o a uma pessoa que com ele
fizesse um contrato. Com base nesta ideia do contrato social, h‡ uma rela•‹o contratual de facto.
Temos um contrato social e n‹o h‡ raz‹o para diferenciar as situa•›es do mŽdico fazer ou n‹o um
contrato. Logo, h‡ realidades que, embora n‹o sejam rigorosamente um contrato, devem ter
tratamentos semelhantes aos do contrato.

-!H‡ contratos que surgem definitivamente. S‹o celebrados de uma forma final/definitiva. Ex.: se
A vender um quadro a B, Ž um contrato de compra e venda definitiva. Mas nem sempre a
contrata•‹o obedece a esta forma simples, porque em muitos casos importantes, a contrata•‹o Ž
mais complexa, Ž desdobrada, isto Ž, come•am por ser celebrados contrato preliminares, para
numa segunda fase surgir o contrato definitivo. Temos, ent‹o, dois contratos: o preliminar e o
definitivo.

*!No nosso sistema jur’dico, destacam-se, entre outros, tr•s importantes contratos
preliminares:

-!Contrato-promessa. ƒ um contrato preliminar porque cria apenas obriga•›es de celebra•‹o do


contrato prometido. Quando se faz este tipo de contrato, os contraentes obrigam-se a celebrar,
atravŽs deste contrato preliminar, um contrato definitivo. Ex.: A promete a B a venda do quadro,
obrigando A posteriormente a vender e B posteriormente a comprar (ideia geral do contrato
promessa).

-!Pacto de prefer•ncia. H‡, inicialmente, um primeiro contrato, no qual alguŽm concede a outrem
prefer•ncia na hip—tese, de por exemplo, vender o quadro. A obriga-se a, na hip—tese de vender o
quadro, dar prefer•ncia a uma determinada pessoa. Se A vier a vender o quadro, ter‡ de ser
celebrado um segundo contrato com a prefer•ncia a quem se deu primazia.

-!3¼ contrato preliminar: o nosso CC n‹o se refere a ele, enquanto que aos outros refere-se. Chama-
se "Pacto de Op•‹o": Ž um contrato com alguma proximidade com o pacto de prefer•ncia, sendo,
embora, dois contratos diferentes. H‡, tambŽm, um primeiro compromisso (uma primeira
vincula•‹o, considerada por alguns como uma proposta irrevog‡vel), para depois num segundo
momento, a outra parte, se vier a exercer a sua op•‹o, concretizar o neg—cio, caso se manifeste. ƒ
uma figura que existe muito no ‰mbito desportistas. ƒ um contrato em que, por exemplo, Ž
concedido aos clubes a op•‹o de ter o atleta mais alguns

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anos. H‡ uma primeira vincula•‹o, para posteriormente ser exercida ou n‹o a cl‡usula de op•‹o.

-!Mas, h‡ tambŽm contratos de celebra•‹o simples (compra e venda de uma bicicleta, por
exemplo), mas h‡ contratos muito complexos (ex: grandes contratos de empreitada, compras e
vendas de bens de grande dimens‹o, contratos de concess‹o comercial, etc...). A estes contratos
complexos, precede um per’odo mais ou menos grande, de meses por exemplo, de negocia•‹o.
Ora, entre o in’cio das negocia•›es e o fim das negocia•›es, podem surgir aquilo que se chamam
acordos prŽ-contratuais. Estes acordos n‹o s‹o rigorosamente contratos, porque ainda n‹o h‡
contrato, embora sejam na mesma, em alguns casos, juridicamente relevantes (t•m de ser
cumpridos). Estes acordos prŽ-contratuais v‹o acompanhando o decurso das negocia•›es.

-!Os acordos prŽ-contratuais mais vulgares s‹o: (h‡ oscila•‹o doutrinal quanto ao nome deles):

*!Acordo de Inten•›es - revela que, por um lado, h‡ uma negocia•‹o em curso, e por outro, que
as partes t•m vontade de concluir o contrato. As partes n‹o se obrigam a concluir o contrato,
mas Ž uma vontade manifestada de concluir o contrato.

*!Acordo Princ’pio - As partes podem chegar, tambŽm, a um "acordo de princ’pio". Ex.: o


futebolista que est‡ a ser contratado pelo clube, e aparece o empres‡rio a dizer que j‡ h‡ um
acordo de princ’pio. Quer dizer que j‡ h‡ uma base do contrato (ex.: sal‡rio do jogador), embora
ainda n‹o esteja j‡ tudo resolvido. Chama-se, tambŽm, Acordo base.

*!Acordo Quadro. ƒ uma espŽcie de acordo em que se estabelecem as bases comuns, isto Ž, um
conjunto de contratos a serem celebrados entre as partes, cuja defini•‹o da sua base comum aos
v‡rios contratos j‡ est‡ definida neste Acordo Quadro. Ex.: conjunto de acordos de fornecimento,
com uma base comum.

*!Acordo de Negocia•‹o. Pode significar que as partes se comprometem a negociar, mas


tambŽm pode significar que j‡ houve alguma negocia•‹o e as partes comprometem-se a
continuar as negocia•›es.

-!Estas acordos d‹o-nos aquilo a que alguma doutrina chama vincula•‹o flu’da, mais fraca que a
vincula•‹o das obriga•›es contratuais. Mas temos sempre que os interpretar, caso n‹o haja
cumprimento. Ser‡ que surge responsabilidade no incumprimento? S— pode ser responsabilidade
prŽ-contratual. N‹o podem ser equiparados a contratos e, ˆ partida, n‹o criam deveres. A n‹o ser
que se chegue ˆ conclus‹o que as partes, nestes acordos, queriam vincula•‹o.

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-!Ës vezes fala-se, tambŽm, da minuta do contrato, isto Ž, uma espŽcie de rascunho. ƒ mais
vulgar nos contratos negociados. ƒ uma primeira ideia do contrato, mas n‹o Ž aquilo que vai
celebrar um contrato. ƒ um esquema do contrato, que tem de ser "Passado a limpo" num outro
tipo de reda•‹o.

-!TambŽm, ˆs vezes, se fala, no chamado "memorando das negocia•›es". Um memorando Ž uma


espŽcie de lembran•a. Durante as negocia•›es as partes podem ir formando memorandos, para
mais tarde n‹o haver esquecimento de nenhum ponto que ficou definido.

Responsabilidade PrŽ-Contratual

-!O Prof. Antunes Varela, ao falar neste tema, come•a com o seguinte exemplo:

*!Uma pessoa que mora em Cascais, quer vender a sua casa, h‡ um interessado que mora em
Coimbra e combinam que essa pessoa de Coimbra vir‡ a Cascais dentro de 15 dias ver a casa.
Acontece, no entanto, que este propriet‡rio, logo na primeira semana, vendeu a casa a um terceiro
e n‹o avisou a pessoa de Coimbra, que na data combinada se deslocou para vir ver a casa, que j‡
havia sido vendida a um terceiro.

*!H‡ fundamento para indemnizar as despesas de desloca•‹o? Na hip—tese afirmativa, qual o


fundamento? Haver‡ Responsabilidade? De que tipo?

-!Esta responsabilidade est‡ prevista expressamente no CC no Art. 227¼. Neste aspeto, o nosso CC
ter‡ sido mais vangaurdista, porque o C—digo Alem

ao s— introduziu esta figura em 2002.

-!Esta responsabilidade prŽ-contratual, d‡ a entender ser uma responsabilidade que surge sem haver
contrato. Ora, isto n‹o Ž exato; esta afirma•‹o s— parcialmente Ž certa. Na realidade, os casos mais
importantes de responsabilidade prŽ-contratual s‹o aqueles que n‹o chega a existir qualquer
contrato. Mas tambŽm pode haver vincula•‹o prŽ-contratual quando o contrato Ž celebrado, mas Ž
considerado inv‡lido ou ineficaz. A inefic‡cia e a invalidade podem gerar responsabilidade prŽ-
contratual. Mas, em terceiro lugar, a responsabilidade prŽ-contratual tambŽm pode surgir quando o
contrato Ž celebrado e Ž v‡lido, mas causa preju’zos.

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-!Este instituto da Responsabilidade PrŽ-Contratual, aparece na designa•‹o latina de "Culpa in


Contraendo".

-!Esta ideia de responsabilidade um tanto ou quanto estranha, surgiu na Alemanha no sŽc. XIX,
teorizada por uma grande jurista alem‹o. Mas este jurista, chamado Ihering, s— ligou a
responsabilidade prŽ-contratual aos contratos inv‡lidos.

-!Esta responsabilidade gera, sobretudo, dois tipos de problemas:

*!A quest‹o de saber se esta responsabilidade deve ser vista com natureza contratual, extra-
contratual, ou de forma aut—noma. ƒ uma quest‹o importante, porque consoante a resposta
surge um regime jur’dico pr—prio, e "h‡ respostas para todos os gostos".

*!Outro grande e principal problema Ž a quest‹o de saber, sendo afirmada esta responsabilidade,
que danos devem ser indemnizados. Devem ser indemnizados os chamados danos negativos
(ligados ‡ confian•a que a pessoa criou de que estaria a celebrar um contrato v‡lido, por exemplo, e
afinal esse contrato n‹o Ž valido; ou ligados ˆ confian•a que essa pessoa depositou que as
negocia•›es conduziriam a um contrato e n‹o conduziram); ou devem ser indemnizados os danos
positivos (Ligados ˆquilo que o lesado deixou de ganhar por n‹o ter sido celebrado o contrato.)?
Quer uns, quer outros, abarcam danos imergentes e lucros cessantes (perdas futuras que a pessoa
n‹o teria tido caso se celebrasse o contrato ou celebrado validamente).

Hip—teses Pr‡ticas (ver no campus) :

1) Joana, escultora, (...)

*!Este caso leva-nos para a quest‹o de responsabilidade prŽ-contratual, relacionada com o


abandono/ruptura das negocia•›es. Pessoas que est‹o a negociar, com vista a um determinado
neg—cio (poss’vel venda da escultura de Joana a Bernardo), e uma das partes rompe/abandona
com as negocia•›es e o neg—cio n‹o chega a ser celebrado. A parte lesada por vir a
responsabilizar a outra parte, no ‰mbito da responsabilidade prŽ-contratual.

-!H‡ outros casos mais lineares de responsabilidade prŽ-contratual, onde o contrato j‡ foi
conclu’do mas causou preju’zos. Ex: uma das partes convence a outra que seria obrigat—rio

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escritura pœblica, mas bastava um documento particular, causando preju’zos. Isto conduz a uma
responsabilidade prŽ-contratual.

-!Nas situa•›es em que o contrato chega a ser celebrado, mas Ž inv‡lido: normalmente tem a ver
com a vicia•‹o da vontade, por coa•›es ou erros, por exemplo. Estes erros, t•m a sua base na
viola•‹o do dever de informa•‹o (Ž um dever importante quer no seio dos contratos de consumo,
ou de ades‹o, quer noutros contratos). Neste caso, h‡ um contraente que n‹o informa o outro, por
exemplo, das qualidade do objeto a ser vendido, de que o objeto n‹o pertence ao vendedor (venda
de bens alheios), dos perigos do objecto, etc... isto pode conduzir ˆ invalidade do contrato.

-!Quanto ao dever de informa•‹o. quando se fazem contratos, n‹o devemos estar sempre ˆ espera
que a outra parte nos informe de tudo. H‡, sem dœvida, um dever chamado de "hetero-
informa•‹o", particularmente na rela•‹o assimŽtrica de consumidor-profissional (os consumidores
t•m direito a uma informa•‹o vinda do profissional). Mas quando n‹o houver assimetria, quando
os contraentes estiverem numa posi•‹o de igualdade, o contraente tem de pedir a informa•‹o, n‹o
pode ter uma posi•‹o passiva. Logo, ao lado do dever de hetero- informa•‹o h‡ um —nus de
informa•‹o. O contraente tem de ir procurar a informa•‹o, e a outra parte pode dizer que o lesado
deveria ter procurado a informa•‹o. H‡ um dever de informa•‹o, mas tambŽm um dever de
procurar a informa•‹o (os tribunais podem censurar ambos os casos).

-!Independentemente disto, quando se suscita uma responsabilidade prŽ-contratual, em contratos


v‡lidos mas danosos e em contratos inv‡lidos, a indemniza•‹o a ser pedida Ž sempre uma
indemniza•‹o de responsabilidade prŽ-contratual por danos negativos. O lesado pode apenas ser
ressarcido dos preju’zos que sofreu pelo facto de ter confiado que estaria a celebrar um contrato
v‡lido (contrato inv‡lido) ou pelos preju’zos que tenha sofrido em caso de contrato v‡lido
(acrŽscimo de despesas sofridas). S‹o casos relativamente simples de solucionar - o c—digo refere-se
aos v’cios de vontade diz que pode haver responsabilidade (Ž uma responsabilidade prŽ-contratual
por danos negativos).

-!Colocam mais problemas o tipo de casos em que n‹o chega a haver um contrato.

*Quando se iniciam negocia•›es com vista ˆ celebra•‹o de um contrato, n‹o quer dizer
necessariamente que as negocia•›es culminem num contrato. Uma das partes pode sempre desistir -
Princ’pio da Autonomia Privada. NinguŽm me pode obrigar a continuar a negociar, se efetivamente
n‹o me interessa, numa fase embrion‡ria;

*!Mas tambŽm nada me impede de estar a negociar com uma pessoa e de estar tambŽm a negociar
esse mesmo bem com outra, para perceber qual das pessoas me tr‡s mais vantagens

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(condi•›es de pre•o, garantias, etc...). Logo, as negocia•›es paralelas n‹o s‹o contra o princ’pio
da boa fŽ - n‹o h‡ deslealdade.

*!J‡ n‹o posso ter este tipo de negocia•‹o paralela, se eu tiver firmado um exclusivo de negocia•‹o
com determinada pessoa. Aqui h‡ um comportamento eticamente reprov‡vel e h‡ deslealdade.
Pode desencadear alguma responsabilidade.

-!A responsabilidade prŽ-contratual Ž sempre um jogo entre dois princ’pios: entre o princ’pio da
autonomia privada (eu tenho liberdade contratual para fazer ou n‹o fazer o contrato); mas h‡
tambŽm o princ’pio da confian•a e temos de encontrar um equil’brio entre ambos. Eu, se come•o a
negociar com alguŽm, e vou criando na outra parte expectativas de que um contrato ser‡ realizado,
vou criando confian•a na celebra•‹o no contrato, atravŽs de atos, declara•›es (no caso 1) a
insist•ncia de Joana espelha a confian•a, o seu interesse em vender, criando em Jo‹o a confian•a de
que o contrato ser‡ realizado).

-!Ora, se eu posso abandonar as negocia•›es sem consequ•ncias se n‹o criar expectativas


nenhumas, por for•a da autonomia privada; se eu abandono negocia•›es depois de ter criado
expectativas, embora eu possa faze-lo, sobretudo se tiver motivos justificados para isso (ex:
altera•‹o da minha capacidade financeira), este abandono de negocia•›es n‹o se pode considerar
il’cito, mas tambŽm Ž certo que, se eu criei expectativas/a tal confian•a, e de repente, sem
justifica•‹o, abandono as negocia•›es (como foi o caso de Joana, no caso 1), vai surgir uma
responsabilidade prŽ-contratual, dentro da ideia de que se geraram esperan•as e expectativas de
celebra•‹o do contrata. Ora, Joana pode dizer que a autonomia privada suporta o seu
comportamento e, Ž certo, que ela pode abandonar as negocia•›es e ninguŽm a pode obrigar a
vender, mas neste caso, fruto das expectativas criadas, ela vai incorrer em responsabilidade prŽ-
contratual.

-!De uma forma geral, a responsabilidade prŽ-contratual s— gera danos negativos. Neste caso s—
gera danos negativos (no Caso 1) da Joana, seriam o gasto dos 3000 euros; mas Bernardo j‡ n‹o
poderia ser indemnizado pelo lucro cessante positivo de 6000 euros, porque isto j‡ seriam danos
positivos). A responsabilidade prŽ-contratual est‡ circunscrita a danos negativos.

-!Mas h‡ contudo casos excepcionais, que suscitam maiores dificuldade, em que se tem admitido
(quer na doutrina, quer nos tribunais) que a responsabilidade prŽ-contratual abranja danos
positivos. Que casos s‹o esses?

*!As negocia•›es n‹o criam nenhum dever de contratar, por mais avan•adas que estejam. (J‡ o
contrato-promessa cria o dever de contratar, mas Ž um CONTRATO, ao contr‡rio das
negocia•›es, onde s— pode surgir responsabilidade prŽ-contratual e n‹o Ž poss’vel que a parte

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lesada recorra ao tribunal para que este fa•a a execu•‹o espec’fica, ou seja, ficcionar que o contrato
foi celebrado - se uma das partes n‹o quer o contrato, ele n‹o chega a existir.)

*!Mas o facto de o contrato n‹o chegar a existir n‹o quer dizer que a resposnabilidade prŽ-
contratual n‹o abranja danos positivos, e n‹o s— negativos.

*!Neste tema, o Prof. Almeida Costa tem uma posi•‹o particular: ele considera que s— h‡ lugar a
indemniza•‹o por danos positivos a partir do momento em que o acordo (ainda n‹o h‡ contrato
formal) j‡ come•ou a ser executado, isto Ž, se uma das partes j‡ fez uma presta•‹o ou se alguma
delas j‡ tomou posse de alguma coisa. Neste caso, Ž como se o contrato j‡ tivesse sido celebrado,
porque j‡ come•ou a ser executado. Neste caso a indemniza•‹o deve abranger n‹o s— os danos
negativos, mas tambŽm positivos, porque tudo se passa como se o contrato j‡ tivesse sido
celebrado. Mas, o Prof. Almeida Costa diz que se o contrato ainda n‹o come•ou a ser executado
(execu•‹o antecipat—ria do contrato), ent‹o s— h‡ lugar a indemniza•‹o por danos negativos.

*!Esta posi•‹o do Prof. Almeida Costa n‹o Ž a posi•‹o de todos os autores. H‡ quem diga que se
as partes j‡ combinaram tudo e s— falta a formaliza•‹o do contrato, ent‹o a parte lesada tambŽm
pode pedir uma indemniza•‹o por danos positivos. A falta de formaliza•‹o n‹o seria impeditiva
para que a indemniza•‹o compreendesse danos positivos. O Prof. Ferreira de Almeida tem esta
posi•‹o. O Prof. Brand‹o Proen•a tambŽm partilha desta posi•‹o, porque a confian•a, neste caso
em que s— falta a formaliza•‹o, j‡ chegou a um ponto extremo que deve conduzir a uma
indemniza•‹o positiva.

-!Por exemplo, num caso em que as partes, apesar de as partes ainda n‹o terem celebrado o
contrato, terem feito uma garantia mœtua de que o contrato seria formalizado e finalizado, o Prof.
Brand‹o Proen•a admite que a indemniza•‹o deve abranger danos positivos: apesar de
permanecer a autonomia privada de n‹o realiza•‹o do contrato, a contra-parte desta autonomia
s‹o danos indemnizat—rios mais pesados (por danos positivos) pela extrema confian•a criada.

-!Esta responsabilidade prŽ-contratual Ž uma responsabilidade subjetiva, exige culpa do


respons‡vel. Mas quem tem de provar a culpa? (—nus da prova)

*!A resposta depende da natureza da responsabilidade prŽ-contratual. O Prof. Antunes Varela diz
que se a responsabilidade prŽ-contratual se aproxima da contratual, logo aplica-se o Art.
799¼ do CC - temos de presumir culpa de quem abandona as negocia•›es, logo compete-lhe a ele
provar que n‹o tem culpa. O Prof. Brand‹o Proen•a concorda com esta posi•‹o.

*!O prof Almeida Costa, por seu lado, diz que a Responsabilidade PrŽ-Contratual tem uma
natureza extra-contratual (Brand‹o Proen•a discorda). Aqui ter‡ de ser o lesado a provar a
culpa de quem lesou - altera-se a quem compete o —nus da prova.

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*!O legislador n‹o toma uma posi•‹o. Apenas estabelece um prazo de 3 anos (Art. 227¼ que nos
remete para o Art. 498¼ do CC) para o pedido de indemniza•‹o. A œnica indica•‹o do legislador
Ž que o Art. 498¼ CC est‡ na ‡rea extra-contratual, embora isto n‹o queria dizer nada sobre a
natureza da responsabilidade prŽ-contratual.

*!H‡ quem considere que esta responsabilidade nem Ž contratual ne, extra contratual:
"terceira via da responsabilidade", segundo Prof. Menezes leit‹o.

*!H‡ tambŽm quem considere que esta responsabilidade n‹o tem nenhuma das 3 natureza
anteriormente referidas: Ž aut—noma, com caracter’sticas pr—prias.

*!As decis›es dos tribunais oscilam na qualifica•‹o de natureza contratual e extra-contratual.


Durante muito tempo os tribunais disseram que em todos os casos esta indemniza•‹o s— poderia
ser por danos negativos. Ultimamente, os tribunais t•m entendido que se s— faltar a formaliza•‹o
e se se tiver chegado a um acordo conclusivo, a indemniza•‹o j‡ pode abranger danos positivos.
Em casos de confian•a extrema pode haver indemniza•‹o pode danos positivos.

-!Ainda dentro dos contratos, tambŽm numa perspectiva de classifica•‹o contratual, eles
podem-se agrupar em duas grandes categorias:

*!Contratos t’picos (ou nominados) e at’picos (ou inominados). Independentemente do nome, a


diferen•a Ž: h‡ contratos que t•m um regime jur’dico legal (contratos t’picos, com uma designa•‹o:
loca•‹o, empreitada, compra e venda, por exemplo, s‹o nomidados, t•m um nome, por exemplo);
e h‡ aqueles que embora tambŽm t•m designa•›es, n‹o t•m regime legal pr—prio, como por
exemplo: o contrato de internamento hospitalar, Ž um contrato nominado mas n‹o tem regime
legal, logo Ž um contrato at’pico, assim como um contrato de hospedagem (h‡ uma norma sobre
ele no CC, mas isso n‹o faz o seu regime legal).

-!Ent‹o pergunta-se: como se resolvem os problemas do contratos at’picos, se eles n‹o t•m
regime ou t•m poucas normas? O regime destes contratos vive ˆ volta do clausulado do contrato
- ex: no internamento hospital h‡ uma sŽrie de cl‡usulas, h‡ direitos e deveres fruto de um
contrato de ades‹o. Em segundo lugar, aplicam-se as "regras gerais" dos contratos, v‡lidos para
qualquer contrato, como as regras de interpreta•‹o, integra•‹o, etc...
Eventualmente, podemos, tambŽm, aplicar regras de contratos t’picos pr—ximos de contrato at’picos,
por raz›es de analogia.

-!Ainda dentro dos contratos t’picos, h‡ dois tipos de contratos t’picos:

*!Contratos propriamente t’picos/legalmente t’picos (est‹o no C—digo, com regime jur’dico


pr—prio)

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*!Contratos Socialmente T’picos (mas n‹o legalmente t’picos) - ƒ um contrato de celebra•‹o


frequente, mas que ainda n‹o tem um regime jur’dico pr—prio, mas que poder‡ vir a ter, mas ainda
n‹o tem. Ex: contratos de instala•‹o de lojistas no centros comerciais. ƒ, por um lado
socialmente t’pico, mas Ž at’pico, porque n‹o tem um regime jur’dico pr—prio.

-!o Art. 405¼ CC, no n¼2, diz que as partes podem, ainda, reunir no mesmo contrato, de dois ou
mais neg—cios, total ou parcialmente regulados na lei. Este nœmero 2, est‡-se a referir, a um tipo de
contatos chamados "Contratos Mistos" - s‹o contratos de jun•‹o de elementos pertencentes a
v‡rios contrato, normalmente de contratos t’picos. Este contrato Ž apenas um s— contrato,
chamado contrato de fus‹o, de reuni‹o no mesmo contrato de elementos contratuais diversos. O
contrato misto vai-se distinguir do contrato derivado, que pressup›e necessariamente um outro
contrato (sub-contrato), em que um gera o outro. ex: O contrato de hospedagem Ž at’pico, por um
lado, mas misto por outro, porque se reœnem elementos de arrendamento, presta•‹o de servi•os,
porventura dep—sito (j‡ s‹o 3 contratos num mesmo contrato).

-!De uma forma geral, a doutrina, quando fala dos contratos mistos, divide-os em v‡rias
categorias, que prova a diversidade destes contratos:

*!Contrato Misto Mœltiplo - Ž um contrato em que uma das partes se obriga a diversas presta•›es
correspondentes a outros tantos contratos, de diversos contratos; e a outra parte se obriga a uma
contra-presta•‹o unit‡ria. Ex: o contrato cruzeiro, em que vamos ter elementos de transporte, de
presta•‹o de servi•os, de dep—sito; e a pessoa paga o bilhete do cruzeiro.

*!Contrato Misto Geminado - cada um dos contraentes obriga-se a presta•›es correspondentes a


diferentes contratos. Ex: caso do dono de um prŽdio que se compromete pelo seu lado a dar de
arrendamento parte do im—vel, e a outra parte compromete-se a prestar determinados servi•os ao
seu senhorio. Significa que temos de um lado presta•‹o de um contrato de arrendamento; e do
outro lado presta•‹o correspondente, por exemplo, a um contrato de presta•‹o de servi•os. ƒ um
s— contrato, que reœne elementos de 2 contratos.

*!Contratos Mistos Indiretos - Ž uma categoria mais dif’cil de caracterizar. No contrato misto
indireto as partes fazem um contrato correspondente a um determinado tipo contratual, mas no
fundo est‹o, tambŽm, a pretender que o contrato corresponda a um outro tipo contratual. Ex.: as
partes querem fazer um compra e venda, mas como esta compre e venda vai ser favor‡vel com um
pre•o favor‡vel ao contrato, as partes chamam para o contrato a figura da doa•‹o. ƒ um s—
contrato que, para todos os efeitos Ž uma compra e venda, mas ao lado deste contrato h‡ uma
inten•‹o das partes de doa•‹o.

-!O CC n‹o nos d‡ o regime destes contratos Mistos. S— refere que podemos faze-los. A
doutrina que fala dos contratos mistos, sustenta que n‹o h‡ propriamente um œnico regime

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aplic‡vel aos contratos mistos, mas h‡ dois critŽrios que temos de aplicar, mas sempre tendo em
conta o tipo de contrato misto feito:

*!1) CritŽrio da Absor•‹o - vamos analisar o contrato misto e tentar descobrir qual Ž o
contrato dominante. Por aplica•‹o de um critŽrio de absor•‹o aplicamos o regime desse
contrato dominantes. ex: mas, na hospedagem, como n‹o h‡ claramente um contrato
dominante, o melhor Ž aplicar o critŽrio da combina•‹o.

*!2) CritŽrio da Combina•‹o

-!Conclus‹o, aos contratos mistos mœltiplos e geminados, o mais indicado Ž aplicar o critŽrio da
combina•‹o, combinamos os diversos regimes jur’dicos. J‡ ao contrato misto indireto, o melhor Ž
aplicar o critŽrio da absor•‹o.

*!Na parte do arrendamento h‡ umas normas que nos d‹o algumas orienta•›es para este tema,
logo o CC d‡ alguma orienta•‹o. S‹o os Artigos 1028¼ do CC (para aquilo a que se chama o
arrendamento/loca•‹o com pluralidade de fins); Art. 1065¼, para o arrendamento de im—veis
mobilados - aqui esta arrendamento vai-nos dar um contrato misto mœltiplo, aplicando a sec•‹o do
Artigo referido., considerando como "arrendamento de prŽdio urbano", logo aplica- se o critŽrio da
absor•‹o, n‹o interessando tanto a parte do aluguer da mob’lia, mas mais do arrendamento; Art.
1066¼ CC para os arrendamentos mistos: se a parte urbana for considerada a principal, aplicamos o
regime do arrendamento urbano, ou se essa for a vontade dos contraentes.

Direito das Obriga•›es

Ter•a-Feira, 12 de mar•o de 2013, 17h00

-!Os contratos t’picos e mistos referidos na œltima aula n‹o se referem a nenhuma classifica•‹o dos
contratos. Apenas se referem a que contratos podem surgir ao abrigo da liberdade contratual (Art.
405¼ CC).

-!Estas liberdade contratual tambŽm nos permite celebrar aquilo a que se chama contratos
coligados. O professor Galv‹o Telles chama-lhes contratos unidos (uni‹o de contratos). A ideia Ž a
mesma, mas o Prof. Brand‹o Proen•a acha mais rigorosa a designa•‹o de contratos coligados.

*!A ideia a reter aqui Ž a chamada coliga•‹o intr’nseca ou a verdadeira coliga•‹o. Porque h‡
contratos que s‹o coligados mas apenas por raz›es extr’nsecas, como por exemplo: eu vou a

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uma loja de electrodomŽsticos para comprar uma TV e compro tambŽm um R‡dio - a isto
chama-se uni‹o extr’nseca, que n‹o tem muito interesse.

*!A coliga•‹o intr’nseca Ž que tem um verdadeiro interesse. H‡ uma verdadeira conex‹o de
contratos, que est‹o ligados uns aos outros.

-!Um contrato coligado intrinsecamente (que se refere a um conjunto de contratos, pelo menos
dois) n‹o Ž a mesma coisa que um contrato misto (Ž um s— contrato com elementos de v‡rios
contratos).

-!Num contrato coligado intrinsecamente, n‹o h‡ fus‹o de contratos, porque eles mantŽm as suas
caracter’sticas, mas eles encontram-se ligados (liga•‹o econ—mico-jur’dica). Esta coliga•‹o constitui
uma unidade contratual, um conjunto unit‡rio. Estes contratos dependem uns dos outros: esta
depend•ncia Ž rec’proca/bilateral e outras vezes unilateral (aquilo que acontece num, acontece no
outro, mas o inverso j‡ n‹o). çs vezes ambos os contratos condicionam-se reciprocamente (aquilo
que acontece num, acontece no outro, e aquilo que acontece no outro, acontece no primeiro).

-!Esta depend•ncia pode ocorrer no plano constitutivo (se um contrato n‹o nascer ou nascer torno,
o outro tambŽm n‹o nasce ou nasce torto); mas pode haver uma depend•ncia funcional (se um
contrato n‹o for cumprido, as consequ•ncias reflectem-se no outro).

-!Exemplos de contratos coligados:

1)!Contrato-promessa - o contrato promessa est‡ coligado com o contrato prometido. H‡ uma


depend•ncia unilateral.

2)!Caso frequente na zona dos contratos de consumo: coligado com as compras e vendas ˆ
dist‰ncia/ao domic’lio/por meios electr—nicos (ˆs quais se aplica o Dec. lei 143/2001), est‡ muitas
vezes coligado um contrato de crŽdito a que o comprador recorreu para essa compra e venda.

- Art. 4¼, n¼4 do Dec. Lei 143/2001

-!Nos contratos de consumo, os consumidores t•m um direito de livre resolu•‹o, que permite que
o contrato n‹o ganhe efic‡cia, se for exercido num prazo normal de 14 dias. Este Artigo 4¼ refere
que sempre que o consumidor resolver a compra e venda, o contrato de crŽdito concedido para a
compra e venda Ž automaticamente resolvido - repercuss‹o da extin•‹o da compra e venda no
contrato de crŽdito. Depend•ncia bilateral porque se o crŽdito n‹o for concedido, a compra e
venda tambŽm n‹o se processa.

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- Art. 8¼ do Dec. Lei 143/2001

3)!Sub-contrato. H‡ quem chame ao subcontrato, "contrato derivado", embora n‹o seja essa a
terminologia da lei. O subcontrato Ž uma espŽcie contratual frequente. O mais frequente Ž a sub-
empreitada, ou os sub-arrendamentos.

-!Qualquer sub-contrato pressup›es a exist•ncia de um primeiro contrato (contrato principal). A


partir de um contrato de empreitada, por exemplo, que Ž um contrato que liga o dono da obra ao
empreiteiro (empreitada de constru•‹o ou repara•‹o do im—vel), ora, a partir deste contrato base, o
empreiteiro ao reparar que n‹o consegue dar resposta ˆ empreitada sozinho, tem de contratar um
sub-empreiteiro. Este sub-empreiteiro, devidamente autorizado pelo dono da obra, faz com o
empreiteiro a sub-empreitada. Surge, ent‹o, um contrato derivado em que o empreiteiro toma a
designa•‹o de dono da obra, sendo certo que entre a empreitada e a sub-empreitada h‡ uma
coliga•‹o, porque a sub-empreitada est‡ dependente das conting•ncias da empreitada.

-!Devido ao princ’pio da relatividade obrigacional (os direitos de crŽdito valem a pena entre as
partes), o dono da obra n‹o pode fazer nada em rela•‹o ao sub-empreiteiro, a n‹o ser que em caso
de incumprimento o empreiteiro n‹o reaja - neste caso o empreiteiro pode acionar a a•‹o
subrrogat—ria (Art. 606¼ CC).

-!No direito das obriga•›es estudamos o contrato mais na sua efic‡cia.

Efic‡cia Contratual

-!H‡ um princ’pio da consensualidade causalidade - diz-nos que o contrato se basta com o


acordo/consenso de vontades e que, por outro lado, o pr—prio contrato Ž fonte de efeitos: esse
consenso gera efeitos variados, como obrigacionais, reais, sucess—rios...

-!Ex. de um contrato que apenas tem efeitos obrigacionais: contrato de mandato; ali‡s, todo o
contrato de presta•‹o de servi•os, como o contrato de trabalho, o contrato de empreitada.

-!H‡ contratos com efeitos obrigacionais e reais: compra e venda

-!ƒ o pr—prio contrato que Ž apto para ter, por exemplo, efic‡cia real: Art. 408¼ CC. Se
vendermos um bem certo e determinado, este acordo de vontades transfere o bem para o
comprador.

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-!O legislador optou pelo sistema chamado de t’tulo e n‹o por um sistema de modo. Num
sistema de t’tulo basta o contrato para a produ•‹o de efeitos reais. Nos sistemas de modo, como
o alem‹o e outros, para que a propriedade se transfira Ž preciso a entrega do bem ou que se
fa•am atos de registo.

-!Este sistema de t’tulo, que n‹o Ž imperativo e pode ser afastado pelas partes, Ž um sistema
melhor para quem compra do que para quem venda. Porque basta fazer-se o contrato para o
comprador ficar imediatamente propriet‡rio (pode vender, sem que por exemplo tenha ainda
pago). ƒ um sistema algo desprotetor dos vendedores, porque ficam sem a propriedade mesmo
sem terem recebido o pre•o. Por outro lado, de alguma forma, tambŽm protege os vendedores,
porque uma vez vendido o bem e transferida a propriedade, mesmo que o bem n‹o seja entregue
logo, se entretanto o bem se perde por raz›es n‹o culposas, quem vai suportar o preju’zo Ž o
comprador: ter‡ de pagar mesmo sem receber o bem.

-!H‡ dois aspetos a acrescentar:

*!H‡ casos em que a efic‡cia real do contrato n‹o Ž imediata. Continua a ser o contrato a fonte
geradora do efeito real, mas o efeito real produz-se diferidamente: s‹o os casos do art. 408¼, n¼2,
em que o efeito real nunca Ž imediato. Este n¼2 n‹o Ž propriamente uma excep•‹o ao n¼1: apenas
introduz uma nuance ao Art. 408¼, n¼1.

*!Mas h‡ casos em que j‡ s‹o uma excep•‹o: para a compra e venda de certas ac•›es, a legisla•‹o
pr—pria exige a entrega das a•›es (sistema de modo, porque Ž necess‡ria a entrega); na doa•‹o de
coisas m—veis, se for efetuada verbalmente, s— tem efeitos se a coisa for entregue ao donat‡rio.
Mais uma vez o contrato em si n‹o Ž suficiente para a produ•‹o do efeito real. Este acordo de
vontades verbal n‹o chega para a transmiss‹o da propriedade.

*!No caso dos contratos de mœtuo ou de dep—sito, n‹o h‡ propriamente efeitos reais. Para a sua
constitui•‹o eles exigem a entrega da coisa mutuada ou depositada, mas aqui j‡ n‹o Ž
propriamente efic‡cia real. ƒ uma exig•ncia do plano constitutivo do contrato. Logo, n‹o s

ao hip—teses excepcionais.

-!Hip—tese mais importante de efic‡cia real diferida: quando o contrato engloba a cl‡usula de
reserva de propriedade, prevista no Art. 409¼ CC, temos o caso mais importante de efic‡cia real
diferida do contrato.

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*!Esta clausula de reserva de propriedade Ž verdadeiramente importante e frequente


sobretudo quando a compra e venda Ž uma compra e venda a presta•›es.

A reserva de propriedade

-!Qual o seu interesse?

Uma determinada pessoa (A) vende um andar a um comprador (B), mediante escritura pœblica (que
n‹o seria necess‡ria). E o vendedor, no dia seguinte, entrega o andar ao comprador. O comprador
entregou um cheque ao vendedor com o pre•o, mas este cheque afinal n‹o tem cobertura. O
vendedor poder‡ recuperar o andar, perante esta surpresa do cheque sem cobertura?

-!Neste tipo de casos, embora n‹o pare•a, a œnica forma de tutela dos vendedores Ž tentarem
conseguir o pre•o. J‡ n‹o Ž poss’vel recuperar o andar. O andar s— poderia ser recuperado se o
contrato fosse resolvido (porque a resolu•‹o tem efeitos retroativos), resolu•‹o por falta de
pagamento do pre•o. Mas o Art. 886¼ do CC n‹o permite esta resolu•‹o (grande obst‡culo). S— se
poderia resolver o contrato se: a) o contrato contivesse uma cl‡usula resolutiva; b) OU caso a
propriedade tivesse sido transferida, mas n‹o tivesse havido a entrega da mesma; c) OU tambŽm
poderia haver resolu•‹o por falta de pagamento do pre•o, se a propriedade n‹o tivesse sido
transferida: para isso, teria de haver uma CLçUSULA DE RESEVA DE PROPRIEDADE no
contrato.

-!Esta cl‡usula de reserva de propriedade Ž uma espŽcie de garantia para os vendedores,


porque a propriedade s— ser‡ transferida mediante pagamento do pre•o ou outro evento.

-!Contrariamente ao que dizem alguns, quando se diz que a cl‡usula de reserva de propriedade Ž
uma garantia para os vendedores, n‹o quer dizer que os vendedores tenham um direito real de
garantia. Apenas est‹o mais protegidos.

-!Embora n‹o pare•a, estas cl‡usulas tambŽm n‹o s‹o m‡s para os compradores. Porque,
normalmente, em contratos com reserva de propriedade, o bem Ž entregue aos compradores, e isso
Ž que Ž importante. O que lhes interessa n‹o Ž serem logo propriet‡rios, mas sim usufru’rem
imediatamente do bom.

-!Por outro lado, como estas cl‡usulas aparecem ligadas a um contrato de crŽdito, os
compradores abdicam de serem logo propriedade, mas sabem que mal paguem ser‹o logo
propriet‡rios e que de outra forma n‹o poderiam efectuar o contrato. Mas podem, desde logo,
utilizar o bem (vantagem)

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Qual a sua natureza jur’dica?

-!ƒ muito controversa a natureza jur’dica da cl‡usula de reserva de propriedade.

*!H‡ uma teoria que diz que nesta reserva de propriedade h‡ uma espŽcie de partilha de
propriedade - mas, manifestamente, o comprador n‹o pode ter qualidade de propriet‡rio.
Logo, afasta-se esta tese de dupla propriedade.

*!ƒ, tambŽm, de se afastar a tese que diz que o comprador Ž uma espŽcie de propriet‡rio
provis—rio, trazendo a ideia da figura de condi•‹o resolutiva. Mas, mais uma vez, n‹o podemos
considerar o comprador propriet‡rio.

*!H‡ uma teoria, muito defendida, que Ž a teoria cl‡ssica: defendida pelo prof. Varela e pelo prof.
Almeida Costa, que diz que a compra e venda com reserva de propriedade Ž um neg—cio celebrado
sob condi•‹o suspensiva. A sua efic‡cia est‡ suspensa atŽ ao pagamento do pre•o. A partir daqui,
torna-se completamente eficaz. A grande objec•‹o que se faz a esta teoria Ž que o pagamento do
pre•o n‹o Ž uma condi•‹o do contrato, mas sim uma obriga•‹o do comprador, logo o n‹o
pagamento do pre•o n‹o pode ser considerada uma condi•‹o suspensiva.

*!H‡ uma tese mais moderna, defendida pelo prof. Menezes Leit‹o, entre outros. ƒ a ideia de dizer
que na compra e venda com reserva de propriedade h‡ apenas uma expectativa de aquisi•‹o por
parte dos compradores, mas esta expectativa Ž considerada uma expectativa real, que deve ter um
tratamento id•ntico ao dos direitos reais, portanto, opon’vel erga omnes (natureza absoluta) e que
por outro lado vai pressupor que n—s tenhamos de considerar o comprador como um verdadeiro
possuidor (em nome pr—prio), porque o comprador j‡ est‡ em posse e em uso do bem.

-!O prof. Brand‹o Proen•a tem uma dœvida: podemos considerar esta expectativa como uma
expectativa real ?

-!Ou seja, nenhuma destas teses Ž inteiramente convincente. O importante Ž perceber a


import‰ncia e o significado desta cl‡usula.

-!Qual o regime jur’dico da Cl‡usula de Reserva de propriedade?

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-!Nos contratos de compra e venda com esta cl‡usula, h‡ uma quest‹o importante: aquilo que foi
vendido Ž um bem im—vel, um bem m—vel sujeito a registo ou Ž um bem m—vel n‹o sujeito a
registo? - isto vai influenciar o regime desta cl‡usula.

-!A e B celebram um contrato de compra e venda com reserva de propriedade, o bem foi entregue
ao comprador e este faz um neg—cio com C e neste momento o bem est‡ na posse de
C. Mas B n‹o paga a A.

*!A pode resolver o contrato, devido ‡ clausula, e a resolu•‹o tem efic‡cia retroativa.

*!Mas temos de ver que tipo de bem Ž. Se for um andar, Ž um bem im—vel sujeito a registo. Neste
caso, este contrato e a respectiva cl‡usula tinham de estar registados na conservat—ria de registo
predial. A partir do momento do registo, a cl‡usula Ž opon’vel ao terceiro, quer o terceiro esteja de
boa ou m‡ fŽ, e esta oponibilidade (n¼2 do Art. 409¼CC), conjugada com a resolu•‹o do contrato
por falta de pagamento do bem, faz com que o pr—prio bem retorne a A. Isto vale tambŽm para os
bens m—veis sujeitos a registo.

*!Mas se em vez de um andar, for uma j—ia: as j—ias, por mais valiosas que sejam, n‹o sao bens
sujeitos a registo. Se foi vendida a j—ia, com a reserva de propriedade, e que entretanto B fez um
neg—cio com C e entretanto a j—ia est‡ com C. -> o CC n‹o nos diz nada. Mas Ž quase unanime na
doutrina que a Cl‡usula da Reserva de Propriedade Ž sempre opon’vel a terceiro, devido ˆ
interpreta•‹o ˆ contrario do n¼2 do Art. 409¼ CC, mesmo sem haver registo. Neste caso, o
vendedor A pode vir sempre opor a cl‡usula a C. Claro que o neg—cio feito entre B e C Ž sempre
nulo (venda de bens alheios), com os devidos efeitos.

-!Se C estiver de boa fŽ, alŽm de exigir de B o dinheiro que lhe entregou, apenas pode
responsabilizar o B (responsabilidade prŽ-contratual), porque B omitiu que o bem n‹o era
dele. ƒ a œnica prote•‹o de C.

-!Mas h‡ uma norma no CC que tambŽm protege de alguma forma o C. ƒ certo que C nunca fica
com o bem, mas o Art. 1301¼ CC garante que pelo menos C ir‡ ter o pre•o que pagou a B. Mas B
tem de ser comerciante...(condi•›es do pr—prio artigo).

-!Esta Ž a forma obrigacional t•m de resolver os problemas, atravŽs da oposi•‹o da Cl‡usula da


Reserva de Propriedade.

-!Mas o vendedor que n‹o foi pago e quer o seu bem de dono, pode, atravŽs de uma a•‹o de
reivindica•‹o, a entrega do bem de que Ž, efetivamente, dono. Mas o fundamento que leva o

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A a reagir Ž o n‹o pagamento do pre•o e n‹o Ž poss’vel sustentar-se uma a•‹o de reivindica•‹o
com este fundamento. Esta Ž uma teoria condenada ao fracasso na pr‡tica.

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Direito das Obriga•›es

Quarta-Feira, 13 de mar•o de 2013, 14h00

-!Teste de dia 2 de abril ser‡ feito na sala 22, ˆs 18h15

*!MatŽria: atŽ ao fim do contrato promessa

-!Cl‡usula de Reserva de Propriedade

*!J‡ foi referido tudo o que era importante relacionado com o Art. 409¼ CC. Esta cl‡usula causa
outros problemas, que n‹o ser‹o agora abordados, relacionados com, por exemplo, o risco, entre
outros.

*!Como o comprador s— se torna propriet‡rio do bem (com a cl‡usula de reserva de propriedade),


depois de o pagar, se o comprador tiver credores, os credores n‹o podem penhorar um bem que
n‹o pertence ao comprador. O C—digo de Processo Civil, no art. 860¼-A, prev• que os credores
possam nomear ˆ penhora a expectativa de aquisi•‹o do comprador. E desde que o comprador
pague, ele fica propriet‡rio, e essa expectativa converte-se na penhora do bem.

-!Se estes credores vierem nomear ˆ penhora o bem que afinal n‹o podem nomear, o vendedor,
que Ž o propriet‡rio ainda, poder‡ vir ao processo defender-se dizendo que Ž o real propriet‡rio do
bem e que n‹o pode haver penhora (contestar a penhora), defendendo-se que o bem foi vendido
com reserva de propriet‡rio. Os credores, nesta fase, s— podem penhorar a tal expectativa de
aquisi•‹o.

-!Pelo contr‡rio, os credores do vendedor, como o bem continua na propriedade do vendedor,


teoricamente nada impede que eles penhorem o bem.

-!Assim como nada impede que o vendedor venda, a terceiros, o bem; embora n‹o o deva fazer:
teoricamente pode faze-lo, mas na perspectiva da lealdade e da boa fŽ que ele deve ter para com o
comprador, est‡ a violar a venda que fez. Claro que este terceiro corre determinados riscos - Ž uma
venda de riscos. Se n—s, por exemplo, defendermos a ideia da tese da expectativa real como forma
de explicarmos a posi•‹o do comprador numa reserva de propriedade, o primeiro comprador,
pagando, poder‡ vir a opor-se ˆquele que Ž o segundo comprador. Tratando-se de im—veis, a
quest‹o pode ter a ver com problemas de registo: isto Ž, podem-se gerar quest›es complicadas entre
alguŽm que ainda n‹o Ž dono, e outro que se intitula de dono. Logo, o vendedor deve aguardar para
ver se o primeiro comprador paga ou n‹o paga. Mas n‹o tem de ser assim.

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-!Nos casos em que haja insolv•ncia, ou do vendedor ou do comprador, j‡ n‹o Ž o CC a aplicar- se.
Se o contrato tiver a reserva de propriedade, mas entretanto houver uma declara•‹o de insolv•ncia,
o Art. 104¼ do C—digo de Insolv•ncia vem resolver este problema.

*!Uma pessoa declarada insolvente Ž um indiv’duo que n‹o tem liquidez para pagar as suas
d’vidas e tambŽm n‹o tem crŽdito (atŽ pode ter bens, mas n‹o tem liquidez). Os credores
podem pedir insolv•ncia, ou ele pr—prio se declara insolvente.

Contrato-Promessa

-!ƒ um contrato extremamente litigioso, embora aparentemente seja uma figura simples.

-!ƒ um contrato preliminar, Ž uma espŽcie de contrato em tr‰nsito para outro contrato, para o
contrato prometido (temos de coligar o contrato promessa ao contrato prometido).

-!O contrato-promessa Ž um acordo mediante o qual os promitentes se vinculam/se


comprometem a celebrar um outro contrato (contrato prometido ou definitivo), dentro do
prazo estabelecido.

-!Ë partida, com poucas excep•›es, qualquer contrato permite que se celebre um contrato
promessa, embora o mais vulgar seja o contrato promessa de compra e venda. Mas tambŽm se
pode fazer um contrato promessa de arrendamento, de mandato, etc...

-!ƒ preciso ter a ideia de que o contrato-promessa n‹o pode ser desvalorizado s— pelo facto de ser
um contrato preliminar: o contrato-promessa Ž um verdadeiro contrato. As partes que o celebram
t•m de ter capacidade/legitimidade para o celebrar; o objeto tem de estar dentro dos par‰metros do
artigo 280¼ do CC...

-!O contrato-promessa Ž um contrato meramente obrigacional, com apenas efeitos


obrigacionais. Os promitentes obrigam-se a celebrar o contrato prometido, um segundo
contrato. Os promitentes vinculam-se a uma presta•‹o de facto jur’dica (celebrar o segundo
contrato).

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-!Isto de come•ar a haver um contrato-promessa parece uma perda de tempo. Porqu• que n‹o
se faz logo o contrato definitivo e fazem antes um contrato promessa? H‡ v‡rias raz›es:

*!H‡ casos em que Ž apenas conveni•ncia esta op•‹o, e h‡ que respeitar, desde que n‹o fa•am
contratos de promessa inv‡lidos, nulos ou de objeto ilegal. Normalmente estas raz›es de
conveni•ncia tem a ver com a circunst‰ncia do indiv’duo ainda n‹o saber o que quer, e fazem o
contrato promessa porque, apesar das suas dœvidas, isso da-lhes maior seguran•a. Muitas vezes, as
partes prev•em mecanismos para sairem do contrato com poucos danos, isto Ž, a possibilidade, por
exemplo, de sairem do contrato pagando uma quantia (pre•o do arrependimento), uma espŽcie de
multa penitencial. Nestes contratos promessas incertos, Ž normal existir uma cl‡usula onde est‡
previsto o arrependimento mediante pagamento.

*!Mas nos contratos-promessa mais importantes, sobretudo na ‡rea da compra e venda de im—veis
para habita•‹o, as raz›es que explicavam a exist•ncia do contrato-promessa eram, sobretudo,
raz›es jur’dicas e econ—micas. Raz›es jur’dicas porque, sendo necess‡rio fazendo- se escritura
pœblica de compra e venda do im—vel (como era h‡ uns anos), era necess‡rio que toda a
documenta•‹o estivesse preparada para isso: tinha de haver licen•a de habita•‹o, que o im—vel
estivesse constru’do na totalidade, etc... porque sem isto n‹o se conseguia fazer escritura pœblica.
Ora, se o prŽdio ainda n‹o estava, por exemplo, constitu’do, a œnica possibilidade era fazer-se um
contrato promessa. O interessado na compra e o empreiteiro faziam um contrato promessa de
compra e venda do im—vel, ˆs vezes ainda em fases iniciais da constru•‹o do mesmo im—vel,
fixando desde logo o pre•o e as condi•›es de pagamento, porque era imposs’vel fazer-se a compra
e venda. Noutras ocasi›es, faz-se o contrato promessa porque o interessado ainda n‹o tinha
dinheiro para o pagamento e para o contrato definitivo (porque o dono queria receber o pre•o
todo), e o interessado ia pedir o emprŽstimo e aguardar que o banco o concedesse. Logo que as
coisas estivessem clarificadas, avan•avam para uma escritura de compra e venda. Noutros casos,
no caso dos bens de heran•a sem estarem partilhada pelos herdeiros, n‹o Ž poss’vel aos herdeiros
fazerem vendas, mas os herdeiros podem fazer promessas de vendas. O herdeiro, convencido que
o bem ser‡ seu, obriga-se a celebrar a venda atravŽs do contrato promessa, mas juridicamente
ainda n‹o Ž poss’vel vender. Eram sobretudo estas raz›es que estavam na base da celebra•‹o dos
contratos promessa.

-!A matŽria do contrato promessa inicia-se no Art. 410¼ CC (houve altera•›es em 1980 e em
1986).

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-!Hoje em dia pode-se dizer que o legislador trata de forma diferente (protege mais uns do que
outros) dois tipos diferentes de contrato promessa:

*!Por um lado, o legislador trata melhor, os chamados contratos promessa privilegiados (art. 410¼,
n¼3) - nestes casos o legislador considera os promitentes compradores como consumidores (defesa
do consumidor). O legislador v•, por exemplo, a pessoa que procura um im—vel para habita•‹o
como um consumidor e, por exemplo, carecido de prote•‹o. H‡ uma maior tutela neste tipo de
contrato promessa.

*!Ao lado destes contratos promessa, temos os outros contratos promessa, com um regime mais
normal.

-!Esta divis‹o n‹o acontecia quando o CC surgiu.

-!Sob o ponto de vista da vincula•‹o, h‡ dois tipos de contratos promessa:

*!Contratos Promessa bilaterais: os mais vulgares, onde os dois promitentes est‹o obrigados a
celebrar o contrato - o promitente vendedor obrigado a vender e o comprador a comprar.
Vincula•‹o Bilateral: ambos est‹o comprometidos.

*!O Art. 411¼ CC prev• os chamados contratos promessa unilaterais. Apesar de haver um
contrato, esse contrato s— obriga um dos promitentes. O promitente n‹o obrigado tem liberdade
de entrar, ou n‹o, no segundo contrato. Este art. chama-nos a aten•‹o para: como s— h‡ uma
pessoa vinculada, para que esta vincula•‹o n‹o se eternize, Ž poss’vel ˆquele que est‡ obrigado
pedir ao tribunal para estabelecer um prazo para aquele que n‹o est‡ obrigado se pronunciar.
Findo este prazo, o direito caducar‡.

-!Estas promessas unilaterais tem o problema de apenas um estar obrigado. Mas acontece muitas
vezes que aquele que est‡ obrigado receber uma remunera•‹o (contrapartida - Ž pre•o da
vincula•‹o).

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Forma do contrato promessa (requisitos formais de validade do contrato promessa)

-!O legislador come•a por fixar um regime geral de equipara•‹o do contrato promessa ao contrato
prometido. Em princ’pio, vamos aplicar ao contrato promessa as mesmas normas que aplicamos ao
contrato prometido. Mas este princ’pio da equipara•‹o tem duas grandes excep•›es:

*!Art. 410¼, n¼1 - fala das regras ou das disposi•›es legais relativas ˆ forma. Mesmo na
quest‹o da forma, em alguns casos a equipara•‹o mantŽm-se, mas ˆ partida a forma do
contrato promessa ser‡ diferente do contrato prometido.

*!TambŽm n‹o se aplicam ao contrato promessa aquelas disposi•›es que, pela sua raz‹o de ser
n‹o ser compat’vel com a natureza obrigacional do contrato promessa, n‹o se aplicam ao contrato
promessa.

*!Come•ando pelas quest›es formais: h‡ um conjunto de contratos promessa que mantŽm a


equipara•‹o formal.

-!Para sabermos qual Ž a forma do contrato promessa, temos sempre de come•ar por saber qual Ž
a forma do contrato prometido. Por exemplo, se o contrato prometido n‹o estiver sujeito a
qualquer forma, se puder ser feito verbalmente, o contrato promessa tambŽm poder‡ ser feito
verbalmente (mantŽm a equipara•‹o). Ex.: venda de um quadro poder‡ ser feita verbalmente,
logo, se as partes quiserem, tambŽm podem fazer o contrato promessa de compra e venda do
quadro, oralmente.

-!Compra e venda de um prŽdio rœstico (Art. 204¼, n¼2 CC - defini•‹o de prŽdio rœstico.
Basicamente Ž aquele prŽdio que n‹o Ž urbano). Este neg—cio exige ou escritura pœblica ou
documento particular autenticado. Mas para se fazer um contrato promessa de compra e venda
de um prŽdio rœstico aplica-se a ideia geral de que a forma ser‡ menor, mais leve. O 410¼, n¼2 CC
diz-nos que neste caso o contrato promessa poder‡ ser feito por mero documento particular
assinado ou pelos dois promitentes se a promessa for bilateral, ou por aquele que se vinculou, se
a promessa for unilateral.

-!Art. 410, n¼2 - o documento particular Ž mesmo necess‡rio, sob pena de invalidade do
contrato promessa. Em determinadas ocasi›es, o promitente vendedor procurou contornar esta
exig•ncia de forma mostrando um documento mostrando que ele tinha recebido um pequeno
sinal. Ora, esta declara•‹o de recebimento de sinal n‹o substitui o documento que titula o
contrato promessa!

-!Art. 410, n¼2 - pode acontecer que um contrato promessa de compra e venda bilateral apre•a
assinado apenas por um dos promitentes, quando deviam estar as duas assinaturas. Ent‹o,
pergunta-se, este contrato de promessa Ž v‡lido? Podemos aproveita-lo? Havia quem dissesse que
seria nulo e que as partes tinham de fazer outro; Havia quem dissesse que se

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poderia aproveitar uma parte; Havia quem dissesse que, embora fosse tudo inv‡lido, se poderia
converter numa promessa unilateral. Mas os tribunais n‹o se entendiam e as decis›es eram
divergentes. Este assunto acabou por ser resolvido fora do CC. Foi resolvido por um assento (que
est‡ na jurisprud•ncia de uniformiza•‹o): assento de 29 de novembro de 1989, que hoje vale como
ac—rd‹o uniformizador de jurisprud•ncia, porque os assentos deixaram de valer, logo os tribunais
n‹o afastaram o seu conteœdo. Ficou decidido nesse assento que o contrato promessa feito nestas
circunst‰ncias seria nulo, mas pode-se considerar v‡lido como contrato promessa unilateral desde
que essa fosse a vontade das partes. Este assento foi bastante criticado porque n‹o se conseguia
perceber muito bem se este aproveitamento do contrato se fazia com base na redu•‹o do neg—cio
ou da convers‹o do neg—cio jur’dico. O Prof. Antunes Varela defendia a redu•‹o e o Prof. Almeida
Costa a convers‹o. O entendimento dominante atualmente (defendido atŽ pelo Professor Brand‹o
Proen•a) decide-se pela vida da redu•‹o do neg—cio (Art 292¼ CC), a n‹o ser que a parte interessada
pela nulidade total tivesse um entendimento diferente.

-!Para os contratos promessa de compra e venda dos im—veis urbanos, teremos de ir para o Art.
410, n¼3 CC (contratos promessa privilegiados, onde o legislador d‡ import‰ncia ˆ forma - este
artigo pede formalidades extra).

*!Ora, para os contratos promessa privilegiados, as exig•ncias de forma agravam-se. Estes


contratos t•m a ver com contratos de transmiss‹o ou constitui•‹o sobre edif’cios (prŽdios
urbanos) ou fra•›es aut—nomas desses edif’cios, esteja o edif’cio j‡ constru’do, em constru•‹o ou
por construir.

*!Exig•ncias de forma: 1) documento particular escrito; 2) assinaturas dos promitentes; 3)


assinaturas com reconhecimento presencial; 4) e a entidade que vai reconhecer as assinaturas tem
de declarar que foi apresentada a licen•a de utiliza•‹o ou de constru•‹o.

*!Este agravamento Ž meramente protetor dos promitentes compradores, principalmente a parte


das licen•as, que garante que o contrato Ž feito sobre um edif’cio legalizado (Ž uma garantia).

-!H‡ o problema de se saber quando alguma destas formalidades falha.

*!O CC n‹o diz muito sobre isto. No n¼3 do Art. 410¼ aplica uma solu•‹o t’pica dos contratos de
consumo: d‡ legitimidade para arguir a invalidade ao protegido (consumidor, o promitente
adquirente) a n‹o ser que ele tenha sido o pr—prio causador das ilegalidades, que s— pode ocorrer
no ‰mbito do reconhecimento presencial. Mas este artigo n‹o diz se Ž uma nulidade ou
anulabilidade, nem nos diz o regime. Portanto, as respostas foram sendo constru’das pela doutrina
e pela jurisprud•ncia. De uma forma geral, tem sido considerado como nulidade at’pica (contrato
promessa nulo, mas esta nulidade Ž at’pica porque o Art. 410¼, n¼3 Ž restritivo quanto ˆs pessoas
que podem invocar a nulidade, porque n‹o Ž toda a gente que

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pode invocar. Depois esta nulidade pode ser invocada a todo o tempo (caracter’stica geral das
nulidades). Mas Ž preciso ter cuidado com o "todo o tempo", porque esta dura•‹o temporal pode ser
paralizada por aplica•‹o do abuso do direito.) Sobre isto, h‡ ac—rd‹os do STJ

-!Assento de 28 de junho de 1994 (Assento 15/94) - vem dizer que a omiss‹o das formalidades
previstas no art. 410, n¼3, n‹o pode ser invocada por terceiros, como ali‡s j‡ se referia no art. 410,
n¼3.

-!Assento de 1 de fevereiro de 1995 (Assento 3/95) - este assento vem dizer que a omiss‹o das
formalidades previstas no art. 410, n¼3 n‹o pode ser oficiosamente conhecida pelo tribunal (aspeto
at’pico do regime da nulidade).

-!H‡ uma outra caracter’stica nesta nulidade at’pica que Ž a quest‹o da convalida•‹o. Tem
interesse para a quest‹o das licen•as, que podem ser apresentadas posteriormente, p ex,
passado uma semana.

-!H‡ uma quest‹o complexa que tem dividido os tribunais: os promitentes podem, ou n‹o,
prescindir por acordo do reconhecimento presencial, embora a lei obrigue? (a exig•ncia das licen•as
Ž uma exig•ncia de ordem pœblica de prote•‹o, logo n‹o pode ser afastada. Segundo o Prof.
Almeida Costa, n‹o posso afastar algo que a lei imp›e para me proteger). Esta quest‹o Ž discutida,
porque h‡ ac—rd‹os do STJ num sentido e no outro. Se se prescindir, depois n‹o podem vir invocar
invalidade com base nisso, segundo alguns ac—rd‹os do Supremo Tribunal de Justi•a. Mas por
outro lado, as partes n‹o podem prescindir de algo que a lei exige, segundo outros ac—rd‹os do STJ.
Para o Prof. Brand‹o Proen•a, Ž poss’vel que as partes prescindam: o importante Ž que esteja
assinado, o reconhecimento Ž uma formalidade menor, a n‹o ser que haja falsifica•›es.

(continuando com as exce•›es ao princ’pio da equipara•‹o, vamos ver a segunda:)

-!O legislador fixa um regime geral de equipara•‹o do contrato promessa ao contrato


prometido. Em princ’pio, vamos aplicar ao contrato promessa as mesmas normas que
aplicamos ao contrato prometido. Mas este princ’pio da equipara•‹o tem duas grandes
excep•›es:

*!Art. 410¼, n¼1 - fala das regras ou das disposi•›es legais relativas ˆ forma. Mesmo na
quest‹o da forma, em alguns casos a equipara•‹o mantŽm-se, mas ˆ partida a forma do
contrato promessa ser‡ diferente do contrato prometido. (j‡ foram dados os exemplos)

* TambŽm n‹o se aplicam ao contrato promessa aquelas disposi•›es que, pela sua raz‹o de ser n‹o
ser compat’vel com a natureza obrigacional do contrato promessa, n‹o se aplicam ao contrato
promessa.

*!Exemplos:

-!O contrato de compra e venda t•m efic‡cia real (ex. Art. 879¼ CC; Art. 796¼ CC); mas o contrato
promessa de compra e venda n‹o tem esta efic‡cia real, logo n‹o podemos aplicar estas normas ao
contrato promessa, porque este s— tem efeitos obrigacionais, entre as partes.

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Isto tem interesse, porque h‡ contratos definitivos que n‹o podem ser realizados sem que haja
interven•‹o dos dois c™njuges (venda de um im—vel que perten•a a um casal), (Art. 1682¼ CC), mas
por exemplo, para o contrato promessa de compra e venda, o contrato Ž perfeitamente v‡lido
intervindo nele um dos c™njuges , logo n‹o aplicamos o Art. 1682¼ CC ao contrato promessa, mas
apenas ao contrato de compra e venda.

-!Nestes contratos tambŽm se gera a quest‹o de saber se as obriga•›es que resultam para os
promitentes podem ou n‹o ser transmitidas: os promitentes podem-se fazer substituir por outras
pessoas? O CC d‡ uma resposta, no Art. 412¼ CC, dizendo que, em princ’pio, essa transmiss‹o
pode ser feita. Entre vivos (cedem a posi•‹o contratual). Mas h‡ certos contratos promessa que
pela sua natureza mais pessoal, n‹o comportam transmiss‹o dos promitentes. Ex.: contrato de
promessa de um contrato de trabalho ou de presta•‹o de servi•os; se um dos promitentes morrer,
n‹o Ž poss’vel haver transmiss‹o. Apenas h‡ transmiss‹o num ‰mbito mais patrimonial, onde n‹o
haver‡ problema dos sucessores ocuparem o lugar do promitente original.

-!O contrato promessa Ž um contrato com alguma Fragilidade, por ser um contrato meramente
obrigacional. Se A faz um contrato promessa de uma compra e venda de um bem a com B e depois
o vende a C - B s— tem um direito de crŽdito (apenas pode exigir que A cumpra mas n‹o se pode
opor a C, que Ž titular de um direito real que prevalece sobre o direito de crŽdito de B)
-!Grande risco do Contrato Promessa.

-!ƒ por isto que o legislador d‡ ˆs partes uma op•‹o, em alguns casos: as partes t•m a possibilidade,
nos termos do Art. 413¼ CC, de celebrarem um contrato promessa com efic‡cia real (absoluta). Este
contrato promessa tem determinados condicionalismos e exig•ncias, e as partes t•m de ponderar se
as querem cumprir ou n‹o antes de celebrarem. H‡ dois condicionalismos: 1) s— Ž poss’vel celebrar
este contrato tratando-se de im—veis ou bens m—veis sujeitos a registo (tratando-se de um bem
m—vel n‹o sujeito a registo as partes s— podem fazer um contrato promessa dito "normal"; 2) Ž um
contrato mais dispendioso, porque exige inscri•‹o no registo - tem de ser registado (Art. 413¼, n¼1
CC), e mediante declara•‹o expressa. Mas a forma n‹o Ž propriamente igual ˆ adotada num
contrato promessa geral. Este contrato promessa, salvo disposto em contr‡rio, deve constar de
escritura pœblica ou documento particular autenticado. E isto n‹o Ž exigido para o contrato
promessa normal. - Art. 412¼, n¼2. Desde que o contrato prometido n‹o exija escritura pœblica ou
doc particular autenticado, bastar‡ um documento particular com assinatura reconhecida (hoje n‹o
Ž necess‡ria a assinatura reconhecida, basta a apresenta•‹o do cart‹o de cidad‹o ou do Bilhete de
Identidade). Isto tudo eleva a sua onerosidade, porque acrescenta despesas. Mas estas despesas
valem a pena, porque este contrato promessa com efic‡cia real d‡ mais garantias aos promitentes
compradores, e assim, mesmo que A venda a C, como este contrato promessa a B foi previamente
registado, acaba por vir fazer prevalecer o direito de B (titular de um contrato promessa com
efic‡cia real) sobre o direito de C, mesmo que a venda se fa•a a C. Assim, retira- se a fragilidade
t’pica do contrato promessa.

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-!Este contrato promessa com efic‡cia real n‹o tem, na verdade, efic‡cia real ou translativa. Esta
designa•‹o Ž enganadora. Esta efic‡cia real apenas significa uma maior garantia, mas n‹o faz do
promitente comprador logo propriet‡rio do bem: s— o Ž a partir do segundo contrato ou da
execu•‹o espec’fica do contrato promessa.

-!H‡ quem diga que esta promessa com efic‡cia real cria um direito real de aquisi•‹o para os
promitentes adquirentes. Brand‹o Proen•a discorda, dizendo que B apenas Ž titular de um direito
de crŽdito refor•ado, com garantia parecida ˆ dos direitos reais.

-!Os contratos promessa t•m algumas especificidades:

*!Cl‡usula de Sinal - o sinal Ž uma espŽcie de adiantamento de um pre•o final. Ës vezes Ž-nos
pedido um sinal, que nos prende ao contrato, funcionando como uma antecipa•‹o da quantia final
a entregar. (isto vale para os contratos em geral - Art. 440¼ CC). No contratos gerais, parte-se do
princ’pio que se eu entrego ˆ outra parte uma quantia que coincida com a presta•‹o a que eu estou
obrigado, esta entrega Ž tida como antecipa•‹o do cumprimento, a n‹o ser que as partes queiram
atribuir a isso o car‡cter de sinal (ao entregar a quantia, os contraentes combinam que isso vale
como sinal). Nestes contratos gerais, se na verdade acontecer isso, se n‹o se vier a cumprir, perde-
se esse sinal. Esta cl‡usula de sinal tem esta fei•‹o penalizadora: prende o contraente ao contrato e
se n‹o cumprir arrisco-me a perder o sinal. Mas no contrato promessa o legislador parte do
princ’pio que se h‡ uma entrega de parte do pre•o, presume-se que h‡ um sinal (e tambŽm uma
antecipa•‹o de pagamento), a n‹o ser que as partes digam que a quantia n‹o vale como sinal, mas
apenas como antecipa•‹o de pagamento. (Art. 441¼ CC). ƒ importante que esta quantia entregue
seja ou n‹o um sinal, em caso de incumprimento. Se for um sinal, o caminho Ž um; se n‹o for
considerado sinal, o caminho Ž outro. Parte-se do princ’pio que o sinal Ž uma quantia pecuni‡ria;
mas o que Ž necess‡rio mesmo Ž que o sinal seja uma coisa fung’vel, porque havendo sinal, em
caso de incumprimento do contrato promessa, uma das sa’das, se por exemplo quem n‹o cumpriu
for a parte que recebeu o sinal, a parte tem de devolver em dobro o que recebeu do sinal, e por
isso, normalmente o sinal Ž dinheiro, mas pode n‹o ser. O sinal pode ter duas fun•›es: a fun•‹o
confirmat—ria, confirmando uma certa inten•‹o (quanto o promitente comprador entrega uma
percentagem do pre•o como final, isto revela o prop—sito que ele tem de se vincular ao contrato,
antecipando atŽ j‡ o pagamento, mostrando-se interessado em que o contrato "v‡ para a frente";
mas havendo sinal, ao lado deste sentido confirmat—rio, temos tambŽm que juntar um sentido
indemnizat—rio (em caso de incumprimento, uma das sa’das passa por san•›es que v‹o jogar com o
sinal - componente reparadora dos danos do sinal).

-!Nada impede que em contratos promessa menos importantes e em que os promitentes ainda
n‹o sabem o que querem, que o sinal assuma uma fun•‹o meramente penitencial, ou seja, que
esteja no contrato apenas como um pre•o a perder pelo arrependimento. Se quem entregou o sinal
se quiser desvincular do contrato, perde o sinal; se for quem recebeu o sinal que n‹o quer cumprir,
ter‡ de devolver em dobro (penit•ncia maior), desde que as partes n‹o tenham previsto outras
coisas.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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*!Outra cl‡usula importante nos contratos promessa de compra e venda Ž a cl‡usula de entrega do
bem/da coisa. Tecnicamente Ž chamada de cl‡usula de tradi•‹o (no sentido de entrega) da coisa.
Desde que, p ex, o im—vel esteja pronto, nada impede, que mesmo antes do contrato definitivo, o
comprador habite o im—vel (entrega das chaves). A vantagem Ž que, em caso de incumprimento,
esta cl‡usula vai gerar determinados direitos que n‹o surgiriam de outra forma. A indemniza•‹o
por incumprimento, nestes casos, Ž calculada de uma forma especial e, por outro lado, o
promitente adquirente pode exercer o direito de reten•‹o, que n‹o existe de outra forma. Esta
tradi•‹o Ž uma cl‡usula acess—ria do contrato e muitas vezes Ž paga - o promitente comprador tem
de come•ar a pagar uma determinada quantia por come•ar a utilizar o andar antes da compra e
venda.

-!H‡ muitas formas de operar a tradi•‹o: p ex, a entrega das chaves;

-!Esta cl‡usula tem um determinado significado no contrato promessa: se j‡ se opera a


tradi•‹o, revela que h‡ muito interesse em que o contrato definitivo seja celebrado.

-!O Art. 442, n¼ 2 CC faz um refer•ncia a esta cl‡usula de tradi•‹o ("se houve tradi•‹o da
coisa").

-!No c—digo do imposto municipal sobre as transmiss›es onerosas - este imposto, nos casos em
que ele Ž devido logo que verificada a tradi•‹o para o promitente adquirente.

!!!! Esta Ž a matŽria para o primeiro teste - atŽ ao fim do contrato promessa.

-!Para a semana trazer enunciados das provas dos anos anteriores.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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Teste de Mar•o de 2005

Enunciado: "Tendo em conta um determinado acordo preliminar, AndrŽ prometeu trespassar


(vender) a Miguel e este prometeu comprar um estabelecimento comercial pertencente a um amigo
do primeiro. Miguel, por cl‡usula do contrato, ficou obrigado a entregar, dentro de alguns dias, uma
certa import‰ncia. Ficou igualmente clausulado que, em caso de lit’gio contratual, o assunto seria
resolvido por ‡rbitros."

1 - Que acordo preliminar existiria entre AndrŽ e Miguel, que depois resultou num contrato
promessa?

R.: Nada impede que sejam celebrados contratos promessa de contratos promessa. (Ž uma hip—tese
muito te—rica). Mas aqui n‹o seria o caso.

Aqui temos um acordo de inten•‹o (ou de inten•›es) - Ž um acordo preliminar em que as partes
manifestam a inten•‹o de celebrar um contrato. E essa inten•‹o foi cumprida, porque eles
acabam por celebrar o contrato promessa.

N‹o poderia ser um acordo de princ’pio ou de negocia•›es, porque o contrato promessa surge logo
sem o per’odo de negocia•›es.

2-

a)!Ser‡ v‡lido o contrato promessa? (v‡lida substancial e n‹o formal)

R.: O estabelecimento comercial n‹o pertencia ao promitente vendedor. N‹o pertencendo, ser‡
valido o contrato promessa?

O contrato promessa s— tem efeitos obrigacionais, logo n‹o h‡ transmiss‹o da propriedade. N‹o
podemos aplicar as normas de compra e venda de efic‡cia real. AndrŽ obriga-se a vender um bem
que ainda n‹o tem, mas que pensa vir a ter.

-!Art. 410, n¼1 CC - excep•›es ao princ’pio da equipara•‹o.

-!AndrŽ faz este contrato promessa com um bem pr—prio futuro, contando que o bem ser‡
dele; se n‹o for, ter‡ de incorrer nas consequ•ncias.

-!Logo, a pr—pria fisionomia do contrato promessa valida este contrato, porque n‹o h‡ efeitos
reais. O problema do cumprimento n‹o tem a ver com a validade.

-!Apenas se pode considerar este contrato promessa nulo, se o AndrŽ tivesse a certeza que nunca
seria o dono do estabelecimento. Aqui j‡ seria nulo, e aplic‡vamos o artigo da compra e venda de
bens alheios. (Art. 892¼ CC).

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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b)! e se o estabelecimento, ˆ data do contrato, j‡ estivesse definitivamente encerrado? R.:

nota: estabelecimento n‹o Ž o espa•o f’sico, Ž a "loja".

-!Objeto legalmente imposs’vel? Contrato Nulo? (Art. 280 CC)

Sim! A œnica dœvida que pode surgir Ž se Ž uma impossibilidade f’sica (talvez) ou legal. Mas a
solu•‹o seria sempre a mesma: nulidade por impossibilidade do objeto. Os contratos promessa s‹o
contratos como os outros: t•m de ter um objeto v‡lido.

3 - Que designa•‹o tem o acordo sobre o poss’vel lit’gio?

R.: Isto tem a ver com os meios alternativos de resolu•‹o de conflitos, j‡ fora da chamada garantia
pœblica: a media•‹o e a arbitragem, por exemplo, os centros de arbitragem.

-!H‡ uma lei da arbitragem. Arbitragem volunt‡ria, escolhida pelas partes.

-!ƒ chamada de "cl‡usula compromiss—ria".

Enunciado 2 do mesmo teste: "Maria, ao entrar pela primeira vez no consult—rio de Clara, mŽdica,
escorregou no soalho demasiado encerado, caindo e sofrendo les›es numa perna."

1-

a)!Poder‡ Maria responsabilizar Clara?

-!Caso semelhante ao da pessoa que ao entrar no restaurante leva com o aparelho de ar-
condicionado em cima. Estamos no dom’nio da responsabilidade prŽ-contratual, porque o
contrato de presta•‹o de servi•os ainda n‹o existia.

-!Neste caso poderia ser acionada uma responsabilidade prŽ-contratual (Art. 227¼ CC), porque
teria de haver avisos por causa do soalho. A mŽdica violou o dever lateral de cuidado, que
desencadeia a responsabilidade prŽ-contratual e que levar‡ a uma indemniza•‹o.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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b)!E se a queda acontecesse ˆ sa’da do consult—rio (ainda no consult—rio, mas j‡ de sa’da, j‡


numa fase de p—s-atendimento), e depois da consulta j‡ ter sido paga?

-!Neste caso, j‡ haveria uma responsabilidade p—s-contratual. Isto quer dizer que, apesar do
contrato j‡ ter sido executado nos seus deveres principais, se mant•m, mesmo numa fase p—s-
contratual, os deveres laterais. Tem de haver uma prote•‹o da cliente, dentro do consult—rio. O
Facto de o contrato j‡ ter sido executado, n‹o liberta a mŽdica de ter de responder por estes danos
que resultam da viola•‹o do dever lateral de cuidado, desta feita situado numa fase
p—s-contratual (que n‹o tem norma expressa),

Acabar de ver este teste em casa. Resolver o terceiro problema (que tem a ver com o contrato-
promessa)

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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Direito das Obriga•›es

Ter•a-Feira, 19 de mar•o de 2013, 17h00

Resolu•‹o de Casos Pr‡ticos

1¼ Teste de Avalia•‹o Cont’nua - Mar•o de 2005

3)

a)!"Lu’s prometeu vender a Rui ..." uma fra•‹o do prŽdio e passado algum tempo vende toda a
propriedade a uma empresa construtora.

-!Podemos abordar este problema de diferentes formas:

1)!Do ponto de vista do incumprimento: Lu’s pode vender, mas ter‡ as consequ•ncias do
incumprimento;

2)!Analisar se os comportamentos dos agentes colidem ou n‹o com Princ’pios Fundamentais)

*!O Comportamento de Luis ofende o Princ’pio da Boa FŽ?

-!Lu’s lesou as expectativas de Rui, logo do ponto de vista do Princ’pio da Boa FŽ, podemos
considerar a venda de Lu’s ˆ empresa construtora como uam venda abusiva. Luis, depois de
fazer um contrato-promessa com Rui, vendeu posteriormente a um terceiro.

*!Mas ainda Ž poss’vel concretizarmos o comportamento do Luis, dizendo que ele ter‡ dado azo
a um "venire contra factum proprium", uma conduta contradit—ria ofensiva da boa fŽ. Conduta
contradit—ria com a cria•‹o de expectativas de Rui.

*!Um tribunal mais positivista resolvia isto da primeira maneira: h‡ um contrato promessa, um
contrato promessa n‹o transfere a propriedade, logo Lu’s pode vender a terceiros, tendo de
suportar depois as consequ•ncias do incumprimento;

*!Olhando aos princ’pios Jur’dicos e apreciando o comportamento de Lu’s, podemos por outro
lado dizer que a venda Ž abusiva, h‡ uma conduta contradit—ria, logo n‹o pode ter efic‡cia: fica
sem efeito e fica paralisada pelo abuso de Lu’s.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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b)! "Abel".. sabe que est‡ a comprar um bem que n‹o pertence a Susana...

-!A boa fŽ da vendedora Ž uma boa fŽ subjetiva ou psicol—gica: ela n‹o sabe, nem tem de saber
(desconhecimento n‹o culposo) que o bem n‹o lhe pertence.

-!Apreciando o comportamento de Abel, iremos analisar se ele n‹o viola alguns princ’pios
fundamentais:

*!Ele est‡ a violar o princ’pio da boa fŽ: Abel sabe que est‡ a comprar um bem que n‹o pertence a
Susana, mas compra ainda assim, para num segundo momento invocar a nulidade dessa venda. Isto
leva-nos para a forma de comportamento abusivo chamada conduta anterior indevida: uma
sucess‹o de dois comportamentos, sabendo que o primeiro j‡ tem uma carga Žtica
negativa/desfavor‡vel.

-!Viola•‹o do princ’pio da auto-responsabilidade. Este princ’pio tem uma faceta extra- contratual e
contratual: devem ser imputadas aos sujeitos as suas pr—prias condutas negativas. A pessoa que
compra um objeto que sabe que n‹o Ž do vendedor e depois quer se aproveitar disso, tem de sofrer
as consequ•ncias, porque ele mesmo Ž que criou essa situa•‹o.

-!Uma pessoas respons‡vel teria avisado o comprador de que sabia que o bem n‹o era dele -
aplica•‹o negocial do princ’pio da auto-responsabilidade.

c)! "Artur, em 2001, fez um contrato com uma seguradora"...

-!H‡ um contrato de seguro que Ž feito, o segurado preenche mal os termos do contrato, a
seguradora apercebe-se disso mas tambŽm n‹o diz nada (criando no segurado a expectativa de que
o seguro Ž v‡lido); passados 3 anos h‡ um sinistro, e a seguradora recusa-se a suportar esse sinistro
dizendo que, afinal, o contrato estava mal preenchido.

-!Analisando o comportamento da seguradora:

*!Viola•‹o do princ’pio da boa fŽ. H‡ um comportamento abusivo, que se concretiza na conduta


anterior indevida, por exemplo. Mas, concretiza-sem mais acertadamente, na forma de abuso de
direito chamada "neutraliza•‹o do direito" - ou seja, Ž uma conduta contradit—ria, na qual o factor
tempo Ž decisivo. A conduta contradit—ria revela-se pelo decurso temporal relevante (3 anos) entre
os dois momentos.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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Teste de Avalia•‹o Cont’nua de Mar•o de 2012

1)!"Jo‹o titular de um tal‹o premiado do Euro Milh›es entregou o tal‹o ˆ institui•‹o (...)"

a)!"(...) quem Ž o seu titular ativo?"

Art. 511¼ CC - determina•‹o da pessoa do credor

b)!"Poder‡ Jo‹o, arrependido, recuperar o tal‹o?"

-!Haver‡ fundamento para fazer regressar o tal‹o ˆs m‹os do premiado, Jo‹o?

*!S— h‡ uma hip—tese de ele recuperar o tal‹o: isto ser considerado uma doa•‹o (o que n‹o Ž), o
doador Jo‹o vir mais tarde invocar ingratid‹o do donat‡rio, revogando a doa•‹o.

*!Mas isto n‹o Ž uma doa•‹o. Isto ser‡ considerado uma obriga•‹o natural? Para ser obriga•‹o
natural, temos de nos guiar pelo art. 402¼ CC (s— h‡ obriga•‹o natural quando h‡ um dever de
ordem moral cujo dever n‹o seja judicialmente exigido e cujo cumprimento corresponda a um
dever de justi•a). Logo, como n‹o corresponder a um dever de justi•a (mas sim apenas a um dever
de ordem moral ou social, mas n‹o a um dever de justi•a, com justifica•‹o, com um fundo
jur’dico), logo: n‹o Ž uma obriga•‹o natural, mas mesmo que fosse, n‹o podia reaver.

*!ƒ uma doa•‹o? N‹o, porque o CC distingue as doa•›es do donativos. Aqui n‹o h‡ inten•‹o
deste titular do Euro Milh›es fazer um contrato de Doa•‹o com a institui•‹o. Aqui quase que se
quer dar uma "esmola". Isto Ž algo mais simples que uma doa•‹o. ƒ um donativo, Ž menos de
doa•‹o. ƒ um donativo conforme aos usos sociais. (Art. 940¼, n¼ 2 CC).

*!Mas mesmo nos donativos, n‹o h‡ volta a dar para o fazer regressar ao seu titular primitivo.

c)!"Jo‹o contesta"...

-!Ele diz: eu fui condenado, mas esta obriga•‹o que me incumbe n‹o deriva da lei (do c—digo
civil, Livro II: da parte das obriga•›es), logo, n‹o posso estar obrigado. Ter‡ raz‹o?

-!Mas o CC prev• esta obriga•‹o de alimentos: Art. 2009¼ CC

-!N‹o nos podemos esquecer que ao lado das obriga•›es aut—nomas (as que derivam das 5
fontes das obriga•›es do livro II), existem tambŽm algumas obriga•›es n‹o aut—nomas (que
derivam dos direitos reais, do direito da fam’lia, etc...)

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Esta obriga•‹o Ž n‹o aut—noma: Ž uma obriga•‹o de alimentos, e tem de ser cumprida como as
outras. Obriga•›es n‹o s‹o s— aquelas que derivam as tais cinco fontes.

3)!Comentar: "N‹o Ž indiferente que no plano do"...

-!A frase, basicamente, diz: no plano do controlo parece que h‡ uma diferen•a entre um
contrato de ades‹o j‡ celebrado e uma situa•‹o em que um contrato ainda n‹o esteja
celebrado mas j‡ haja clausulas contratuais gerais elaboradas.

*!Essa diferen•aÉ

-!A•‹o Inibit—ria

(Art. 26¼ - Dec. Lei 446/85)

Teste de avalia•‹o cont’nua de Abril de 2011

4)!"Camilo e CŽsar..."

a)!"Que nome d‡ ao acordo celebrado entre Camilo e CŽsar?"

-!ƒ um acordo base ou um acordo de princ’pio, que Ž aquele acordo em que as partes j‡
estabelecem os pontos j‡ acordados, que j‡ est‹o consolidados, transpondo-os para um
acordo intermŽdio antes do contrato final, chamado acordo base ou de princ’pio.

b)!"N‹o sendo celebrado o acordo por culpa de CŽsar, qual a indemniza•‹o a pagar a Camilo, nos
dois enquadramentos poss’veis"

Primeiro Enquadramento --> CritŽrio geral: calcular a indemniza•‹o em fun•‹o dos danos
positivos

*!Preju’zos sofridos pela parte lesado relacionados com a n‹o celebra•‹o do contrato: Se o
contrato fosse celebrado, ele obteria um bem que vale 900, mas teria de pagar 800, logo o
preju’zo (dano positivo) Ž de 100 euros!

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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Segundo Enquadramento --> CritŽrio excepcional: calcular a indemniza•‹o em fun•‹o dos danos
negativos (Ser‡ um destes casos excepcionais? Para o Prof. Almeida Costa Ž preciso que embora o
contrato n‹o esteja celebrado, o acordo entre as partes j‡ esteja a ser executado.)

*!Mas vamos supor que Ž uma destas hip—teses excepcionais.

*!Os danos negativos s‹o os preju’zos que ele s— teve pelo facto de ter estado naquelas
negocia•›es que depois foram abortadas e n‹o levar‡ ˆ celebra•‹o do contrato. Ou seja, neste caso,
os danos negativos s‹o de 200 euros.

c)!"Quer a viola•‹o" ...

-!Deveres laterais

-!Deveres de lealdade

-!O incumprimento de ambos n‹o gera a mesma consequ•ncia.

*!No caso dos deveres laterais de cuidado, a consequ•ncia t’pica Ž a indemniza•‹o. Ex.: um
oper‡rio deixa-me cair em cima de mim uma lata de tinta, tem de me indemnizar pela viola•‹o dos
deveres laterais de cuidado;

*!Mas o incumprimento dos deveres de lealdade em rela•›es contratuais pessoais, n‹o gera a
mesma consequ•ncia: (embora possa levar ˆ indemniza•‹o), ex.: o trabalhador que tira dinheiro da
caixa registadora, leva ao seu despedimento com justa causa (termina a liga•‹o contratual,
extingue...)

!!!! MatŽria para o teste: ATƒ AO CONTRATO-PROMESSA !!!!

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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Direito das Obriga•›es

Ter•a-Feira, 2 de Abril de 2013

Pacto Prefer•ncia

-!ƒ um bocado enganador a refer•ncia ao "Pacto de Prefer•ncia". Aquilo que temos de estudar Ž o
"Direito de Prefer•ncia". Este direito de prefer•ncia tem duas fontes: 1) deriva dos factos (ex:
Pacto de Prefer•ncia); 2) ou deriva da lei (Direitos Legais de Prefer•ncia).

-!Mas, as regras do direito legal de prefer•ncia aproveitam-se, em boa parte, para o Pacto de
prefer•ncia.

-!O Direito de Prefer•ncia Ž uma situa•‹o de privilŽgio que Ž conferida a alguŽm, ou por lei ou por
contrato, e na eventualidade de se verificar um determinado neg—cio (normalmente uma venda),
desde que este preferente esteja disposto a igualar aquilo que um qualquer terceiro oferece ao
vendedor, o bem vai para o preferente. Nota: o preferente tem de estar disposto a satisfazer as
mesmas condi•›es (nomeadamente o pre•o) que um qualquer terceiro interessado, afastando
assim o terceiro interessado.

-!Demos o exemplo da venda, porque este direito normalmente refere-se ‡s vendas. Os artigos do
CC que se referem ao Pacto de Prefer•ncia jogam quase sempre com a compra e venda.
Mas o Art. 423¼ CC alarga a prefer•ncia a outros contratos (a n‹o ser ao contrato de troca,
porque estamos em presen•a de objetos infung’veis, logo n‹o Ž poss’vel vir um preferente
igualar aquilo que um terceiro est‡ disposto a trocar).

-!N‹o podemos Ž confundir o Pacto de Prefer•ncia com outras duas figuras. Assim, o pacto de
prefer•ncia distingue-se:

*!do contrato promessa unilateral - no contrato promessa unilateral h‡ uma obriga•‹o de contratar
desde que um dos promitentes (o n‹o vinculado) queira que o outro cumpra. Ou seja, o direito
baseia-se na iniciativa do promitente que n‹o est‡ vinculado. No chamado Pacto de Prefer•ncia, o
preferente nunca pode obrigar o devedor a vender. A prefer•ncia s— ir‡ surgir caso o devedor da
prefer•ncia queira vendar (mas pode nunca chegar a vender), portanto a iniciativa est‡ toda no lado
do devedor da prefer•ncia (o obrigado). Mas, o ponto de contacto destas duas figuras Ž que, em
ambos, s— uma pessoa est‡ vinculada.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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*!do Pacto de Op•‹o - este pacto de op•‹o n‹o est‡ consagrado no nosso C—digo (ali‡s, poucos
c—digos o consagram), mas Ž uma figura com aplica•‹o pr‡tica quer em contratos de trabalho, quer
em contratos de arrendamento. O Pacto de Op•‹o Ž um contrato preliminar, que tanto aparece
sob a forma aut—noma, como uma cl‡usula dentro de outro contrato (podemos ter uma cl‡usula de
op•‹o num contrato: findo um determinado per’odo, fica uma das partes com, por exemplo, uma
op•‹o de renova•‹o contratual). O Contrato de Op•‹o n‹o Ž, propriamente, uma proposta. O que
se passa Ž: h‡ um primeiro acordo, nos termos do qual uma pessoa fica j‡ vinculada. Se estivermos
no dom’nio de compra e venda, a pessoa assume- se logo como vendedor, ficando o outro
contraente com a op•‹o (direito potestativo) de comprar. Ou seja, j‡ h‡ um vendedor, e a outra
parte fica com o direito de consumar a compra e venda, declarando uma vontade de comprar. H‡
dois contratos, dois momentos diferentes, mas h‡ quem veja isto como um contrato em forma•‹o.
Mas o primeiro momento, a primeira vincula•‹o, n‹o Ž uma proposta contratual. ƒ estruturalmente
diferente do Pacto de Prefer•ncia.

-!Rigorosamente, o direito de prefer•ncia ou vem do contrato (Pacto de Prefer•ncia) ou resulta da


lei. No Caso do contrato, este pacto pode ter duas formas:

*!Vulgar Pacto de Prefer•ncia - se este Pacto for violado as consequ•ncias s‹o as do


incumprimento dos direitos de crŽdito (indemniza•‹o)

*!O Art. 421¼ CC permite que as partes celebrem aquilo a que se chama "Pacto de Prefer•ncia com
Efic‡cia Real" - pacto mais protetor, an‡logo ao do art. 413¼ CC (contrato promessa com efic‡cia
real). Mas a lei exige os requisitos que constam do artigo. S— pode ser feito de bens im—veis ou
m—veis sujeitos a registo, mais as mesmas exig•ncias do Art. 413¼ CC (escritura pœblica, documento
particular autenticado, registo, declara•‹o expressa...). Mas, o Art. 413¼CC apenas gera um direito de
crŽdito com caracter’sticas reais (fortemente protegido, n‹o sendo real Ž como se fosse, embora n‹o
seja translativo (n‹o se transmite a propriedade)). o Art.
421¼ CC gera, pelo menos para alguma doutrina (Prof. Menezes Leit‹o) gera um verdadeiro direito
real de aquisi•‹o, protegendo, em caso de viola•‹o, muito mais os contraentes.

-!Mas o Direito de Prefer•ncia tambŽm pode resultar da lei (Direitos legais de prefer•ncia) - s‹o
direitos de ordem pœblica: o legislador como que protege estes preferentes, atribuindo- lhes estas
prefer•ncias. Estes direitos legais de prefer•ncia servem dois grandes objetivos: 1) possibilitar a
quem n‹o Ž propriet‡rio a que o seja; 2) possibilitar um melhor aproveitamento econ—mico dos
bens - p™r termo a uma propriedade muito dividida, longe do seu bom aproveitamento
econ—mico.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Principais direitos legais de prefer•ncia (embora existam mais):

*!Art. 1091¼ CC - prefer•ncia que permite aceder ˆ propriedade. Direito Legal de Prefer•ncia
dado aos arrendat‡rios que residam no prŽdio urbano h‡ mais de 3 anos.

*!H‡ um direito de prefer•ncia an‡logo referido no C—digo do Arrendamento Rural.

*!Art. 1380¼ CC - objectivo: evitar o desmembramento da propriedade.

*!Art. 1409¼ CC - compropriedade.

*!Art. 1555¼ C - objetivo: tirar o encargo do prŽdio

-!Estes tr•s direitos de prefer•ncia (o meramente convencional, o convencional mas num contrato
com efic‡cia real, e o direito legal de prefer•ncia) tem de ser escalonados. A lei faz esse
escalonamento, com a seguinte ordem: em primeiro lugar, est‹o sempre os Direitos Legais de
Prefer•ncia (estes preferentes ter‹o sempre o primeiro lugar no caso de conflito com titulares
meramente convencionais); em segundo lugar, est‹o os titulares de um direito de prefer•ncia
convencional num contrato com efic‡cia real; em terceiro lugar, est‹o, naturalmente, os meros
titulares de prefer•ncias convencionais (o mero pacto de prefer•ncia cria uma prefer•ncia
relativamente fr‡gil).

-!Este escalonamento resulta do Art. 422¼ CC

-!Qual Ž a forma do Pacto de Prefer•ncia?

-!Se tiver efic‡cia real: requisitos do Art. 421¼ CC

-!Se n‹o tiver efic‡cia real: o legislador remete-nos para o Art. 410¼, n¼2 CC. Isto Ž: temos
sempre de ver a forma do neg—cio em rela•‹o ˆ qual se concedeu o direito de prefer•ncia.
Nota: nunca se aplica o Art. 410¼, n¼3 (norma espec’fica dos contratos de promessa
priviligiados).

-!Vimos que, no contrato promessa, o legislador admite admite, no geral, que os direitos sejam
transmiss’veis em vida ou em morte (princ’pio geral).

-!No Pacto prefer•ncia funciona o princ’pio contr‡rio. Art. 420¼ CC - em princ’pio, o direito de
prefer•ncia n‹o Ž transmiss’vel. Esta solu•‹o encontra o seu fundamento no facto do direito de
prefer•ncia ter uma determinada pessoalidade (ex: a prefer•ncia Ž dada a A e n‹o a B).
Claro que se as partes quiserem podem estipular a transmiss‹o.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!A matŽria do direito de prefer•ncia tambŽm vem regulada no C—digo de Processo Civil (Art.
1458¼ e ss)

-!No caso do chamado Obrigado querer vender, como Ž que se v‹o passar as coisas para que o
direito se venha a exercer? Como Ž que se concretiza o direito de prefer•ncia?

*!Quando o obrigado quer vender ele tem o dever de comunicar ao preferente, legal ou
convencional, aquilo a que o artigo 416¼ CC denomima de projeto de venda e cl‡usulas do
respectivo contrato. Isto, no fundo, quer dizer que para que o preferente se manifeste, o
preferente tem de tomar conhecimento das condi•›es do contrato que o obrigado quer que
constem relacionadas com esta venda que ele quer fazer do bem. Ou seja: o pre•o, as condi•›es de
pagamento, a altura em que o contrato poder‡ ser realizado (o momento em que o obrigado est‡
disposto a fazer o contrato), se h‡ garantias ou se n‹o h‡ garantias exigidas, e praticamente em
todas as prefer•ncias legais Ž necess‡ria ser indicada a pessoa ou as pessoas interessadas em
adquirir o bem.

*!A quest‹o da identifica•‹o do terceiro n‹o Ž aceite por todos. H‡ quem diga que n‹o tem
interesse identificar o terceiro, apenas tem interesse fixar o pre•o e as condi•›es de pagamento.

*!H‡ outros que dizem que deve ser sempre indicado o terceiro;

*!Segundo o Prof. Brand‹o Proen•a, temos de adoptar uma solu•‹o intermŽdia. H‡ casos em que
tem interesse e h‡ casos em que n‹o tem. No caso de arrendamento tem interesse saber, ou n‹o
compropriedade. Em quase todas as prefer•ncias legais Ž necess‡rio indicar o terceiro. Mas h‡
aspetos irrelevantes: a ‡rea do prŽdio, etc...

-!O que o obrigado n‹o pode Ž dizer ao preferente que a venda j‡ foi consumada: viola•‹o do
direito. Aqui, o obrigado, caso venda e n‹o disse nada, incorrer‡ em consequ•ncias. Mas tambŽm
n‹o se pode ser demasiado pressionante quanto ao preferente.

-!Art. 416¼ CC - Ž um artigo muitas vezes violado.

-!Quem tem de fazer a comunica•‹o: o obrigado ou um representante do obrigado (procurador,


p. ex.). Mas a quest‹o das comunica•›es feitas por terceiros Ž mais sens’vel. O prof. Brand‹o
Proen•a diz que esta comunica•‹o por terceiros n‹o vale.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!ƒ interessante que, muitas vezes nas aldeias, estas comunica•›es eram feitas na Igreja, pelo
Padre. O Padre era uma espŽcie de representante do obrigado.

-!Se a comunica•‹o for feita nos termos rigorosos do Art. 416¼ CC, quais s‹o as atitudes do
preferente? O preferente pode adoptar 1 de 3 atitudes. Mas ele vai ter um prazo de reflex‹o,
dependendo ˆ partida daquilo que for convencionado, ou ent‹o o prazo supletivo de 8 dias. Ele
dentro do rpazo tem de tomar uma de tr•s atitudes:

1)!Ele pode n‹o dizer nada - o direito caduca pelo decurso do prazo. H‡ quem chame a este
sil•ncio de renœncia t‡cita do exerc’cio do direito que indica que o preferente n‹o quer ou n‹o pode
exercer o direito.

2)!H‡ uma atitude mais civilizada: o preferente declarar que n‹o quer exercer o direito de
prefer•ncia, ou porque n‹o quer ou porque n‹o pode. Renœncia expressa, fundamentada pela boa
fŽ.

3)!O preferente pode exercer o seu direito potestativo de exercer a prefer•ncia. Em hip—teses mais
simples, o contrato pode ficar logo celebrado (ex.: tratando-se de objetos m—veis, vemos a
comunica•‹o como uma espŽcie de proposta e o exercido do direito como uma aceita•‹o). Mas,
em casos mais complexos, pode-se celebrar, uma vez exercido o direito, um contrato promessa. O
que importa saber Ž que, uma vez exercido o direito, quem n‹o cumprir ser‡ responsabilizado.

-!H‡ uma quest‹o colocado pelo Prof. Antunes Varela, mas pouco colocada na doutrina: pode
haver renœncia antecipada ao exerc’cio do direito legal de prefer•ncia? Um preferente legal pode,
ou n‹o pode, renunciar antecipadamente ao exerc«cicio de um direito que a lei lhe d‡?

*!R.: O Prof. Varela diz que se a renœncia for abstrata, do tipo "eu renuncio em qualquer caso e
para sempre", a renœncia Ž nula, porque ofende a lei e a ordem pœblica (Art. 280¼ CC - nulidade
por ofensa da ordem pœblica).

-!Mas, se a renœncia for uma renœncia concreta, referente a uma determinada futura aliena•‹o, a
renœncia Ž v‡lida, desde que o preferente diga que n‹o ir‡ exercer o seu direito, qualquer que seja
o pre•o, quaisquer que sejam as condi•›es e quaisquer que sejam os terceiros interessados em
adquirir. Aqui, a renœncia Ž v‡lida.

-!Mas, muitas vezes, os obrigados n‹o comunicam nada. Ou seja: vendem a quem querem. Ou
ent‹o comunicam mal (comunica•›es genŽricas, vagas). H‡ uma viola•‹o do direito de prefer•ncia.
Quais s‹o as consequ•ncias?

*!Nos Pactos de Prefer•ncia s— haver‡ consequ•ncias indemnizat—rias, correspondente aos


preju’zos que o preferente teve.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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*!No caso do pacto de prefer•ncia real ou no caso das prefer•ncias legais, o preferente tem uma
"A•‹o de Prefer•ncia" (an‡loga ˆ execu•‹o espec’fica no contrato promessa). Nesta a•‹o, o
preferente vai ao tribunal intentar uma a•‹o para se substituir ao terceiro adquirente.

-!O c—digo do processo civil tem interesse: aquela comunica•‹o a que se refere o Art. 416¼ CC,
pode ser feita normalmente de forma extrajudicial (carta registada com aviso de recep•‹o), mas o
c—digo de processo tambŽm prev• uma forma mais elaborada e mais dispendiosa: notifica•‹o
judicial para prefer•ncia - pede-se ao tribunal que notifique o terceiro para exercer o direito (o
caminho a seguir neste caso da notifica•‹o est‡ fixado no C—digo de Processo Civil...).

-!Mas quanto ˆs a•›es de prefer•ncia: n‹o h‡ propriamente no CC normas aut—nomas relativas a


ele, ao contr‡rio do que se passa com a execu•‹o espec’fica no contrato-promessa. Contudo, o Art.
1410¼CC vale para as outras prefer•ncias legais a n‹o ser s— a compropriedade, mas vale tambŽm
para o pacto de prefer•ncia com efic‡cia real. Recorremos a este artigo no caso das a•›es de
prefer•ncia.

-!Mas este artigo j‡ sofreu altera•›es.

-!Contra quem se intentam estas a•›es de prefer•ncia? Contra o obrigado, contra o terceiro ou
contra os dois?

-!NinguŽm defende que esta a•‹o seja intentada apenas contra o obrigado.

-!O Prof. Almeida Costa diz que pode ser intentada s— contra o terceiro. (embora admita
exep•›es)

-!O Prof. Antunes Varela diz que se pode intentar contra o terceiro e contra o obrigado.

-!A reda•‹o anterior do Art. 1410¼ CC favorecia a posi•‹o do Prof. Antunes Varela. O texto atual
Ž menos claro quanto a isso. No entanto, os nossos tribunais t•m entendido, maioritariamente,
que a melhor tese Ž a do Prof. Varela (intentar a a•‹o contra os dois). Este "Litis Consorcio
Necess‡rio passivo" Ž a solu•‹o mais favor‡vel.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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Direito das Obriga•›es

Quarta-Feira, 3 de Abril de 2012, 14h00

-!Pacto de Prefer•ncia

*!J‡ vimos a legitimidade passiva (existe alguma polŽmica, mas das v‡rias opini›es existentes, o
Prof. Brand‹o Proen•a concorda com a posi•‹o do Prof. Antunes Verela - Litis Consorcio

*!Art. 1410¼ CC - d‡-nos orienta•›es sobre esta a•‹o (Pacto de Prefer•ncia). Diz-nos o prazo em
que as a•›es devem ser intentadas (prazo de 6 meses - prazo de caducidade, de contagem simples
(mais simples do que os prazos de prescri•‹o).

Remiss‹o: Art. 416¼ CC (conhecimento do preferente)

*!H‡ uma polŽmica sobre a quest‹o do pre•o.

-!Para o Prof. Meneses leit‹o: a palavra "pre•o" est‡ no artigo 1410¼ CC no seu sentido mais
restrito, como "contra-presta•‹o". Logo, s— deve ser depositado o pre•o propriamente dito.

-!Mas h‡ quem tenha um entendimento diferente (Prof. Antunes Varela e Almeida Costa) e ache
que para alŽm do pre•o tenha que depositar outras quantias, nomeadamente aquilo que o terceiro j‡
tenha gasto (despesas com a escritura, com o registo, com o imposto municipal de transmiss‹o
onerosa de im—veis), isto para salvaguarda dos interesses do terceiro (caso ele seja vencido na a•‹o)

-!Contudo, a posi•‹o mais adoptada pelos tribunais e pelo Prof. Brand‹o Proen•a Ž a de que o
depositante tem apenas de depositar o pre•o. Se o terceiro est‡ prejudicado, tem Ž de pedir a
devolu•‹o do que pagou (se ele vai deixar de ser o propriet‡rio do bem tem de pedir a devolu•‹o,
por exemplo, ˆs finan•as do imposto). Ou seja, se o terceiro estiver prejudicado, n‹o pode
prejudicar o preferente (o preferente n‹o pode depositar mais do que o pre•o)

-!H‡ que dizer que esta a•‹o Ž sujeita a registo (est‡ no C—digo de Registo Predial).

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!H‡, ainda, que dizer que estamos num setor muito prop’cio a simula•›es. Nas prefer•ncias, as
simula•›es t•m dois objetivos:

-!1) para afastar o preferente: B Ž preferente, mas A comunica um pre•o muito elevado ao
preferente da coisa, fict’cio, para o afastar. - A simula•‹o provoca a nulidade, ficando a descoberto
o neg—cio real (dissimulado). Mas o preferente, para exercer este seu direito no neg—cio
dissimulado, tem de vir intentar uma a•‹o de prefer•ncia no tribunal. A grande dœvida que se
coloca Ž o que Ž que o preferente ir‡ depositar? 1000 (valor real) ou 3000 (valor simulado) ? A
simula•‹o tem de ser provada (h‡ que fazer prova disso, e a prova da simula•‹o Ž muito dif’cil).
Logo, este preferente fica num dilema. A atitude melhor que o preferente pode fazer Ž come•ar por
depositar o pre•o fict’cio (3000), entretanto ele vai fazer tudo para que a simula•‹o fique provada e
uma vez provada ele recuperar‡ o que depositou a mais. Esta solu•‹o salvaguarda-o, porque caso
ele deposite 1000 e depois n‹o consegue provar a simula•‹o a a•‹o perde-se! A n‹o ser que os
preferentes estejam muito seguros que v‹o provar a simula•‹o, e a’ podem arriscar e depositar
1000.

-!2) H‡ um outro tipo de simula•‹o para defraudar o Estado. ƒ o caso de se vender por 3000 e
declarar-se 1000. (Declarar 1000, mas o vendedor recebe 3000, para pagar menos imposto
municipal de transmiss‹o de im—veis). Ligando este caso aos preferentes, a quest‹o Ž a de saber
por que pre•o Ž que os preferentes podem exercer a prefer•ncia: pelo pre•o real ou pelo pre•o
declarado? A doutrina est‡ bastante dividida. Para o Prof. Brand‹o Proen•a, os preferentes devem
exercer a prefer•ncia pelo pre•o real, pelo verdadeiro neg—cio; caso contr‡rio, eles iriam ter
benef’cios de uma simula•‹o que n‹o foi dirigida a eles - eles n‹o devem nem serem considerados
terceiros de boa fŽ. (Posi•‹o de Prof. Meneses Cordeiro, que faz uma interpreta•‹o do Art. 243¼
CC no sentido de n‹o considerar os preferentes como terceiros de boa fŽ). Este tipo de simula•‹o
Ž a que, teoricamente, causa mais problemas.

H‡ mais dois aspetos a acrescentar sobre o Direito de Prefer•ncia:

-!Hip—tese especial prevista no Art. 417¼ CC - Ž o caso do obrigado ‡ prefer•ncia querer vender a
coisa que Ž objeto do direito mas tambŽm querer vender outros bens. Ele quer vender um
conjunto de bens por um pre•o global: quer vender 3 terrenos que tem por X, sendo certo que s—
h‡ prefer•ncia em rela•‹o a um deles. A quest‹o que aqui surge Ž se a prefer•ncia pode ser s— do
bem ao qual existe efetivamente ou se o preferente tem mesmo de adqurir os 3 im—veis, por
exemplo.

*!O Art. 417¼ come•a por referir que desde que haja possibilidades de aplicar a parte final do
nœmero 1 do Art. 417¼ (caso haja possibilidade de separa•‹o), ent‹o aplicamos.

*!Se n‹o houver possibilidade de separa•‹o, o obrigado pode exigir que a prefer•ncia seja em
rela•‹o a todas as restantes coisas.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Outra coisa a acrescentar: a pluralidade de titulares (Art. 419¼ CC - remiss‹o para o C—digo de
Processo Civil). H‡ dois tipos de pluraidade nos direitos de prefer•ncia:

1)!Pluralidade conjunta - acontece quando o mesmo direito de prefer•ncia compete a v‡rias


pessoas. V‡rias pessoas sao co-titulares do mesmo direito de prefer•ncia. Ex.: Art. 1380¼ CC (O
prŽdio confinante pertence a v‡rias pessoas). - Neste caso, todos os titulares t•m de exercer o
direito de prefer•ncia, a n‹o ser que algum deles declare que n‹o o quer exercer (Art. 419¼, n¼1).

2)!Outro caso de pluralidade: v‹o aparecer em concurso v‡rios titulares de direitos de prefer•ncia
(j‡ n‹o Ž uma co-titularidade): v‡rias pessoas que se arrogam por t’tulos diferentes um direito de
prefer•ncia: concurso de direitos de prefer•ncia (ƒ o caso de haver v‡rios prŽdios confinantes. H‡
um prŽdio que vai ser vendido, mas ao lado h‡ dois prŽdios confinantes). Claro que n‹o podem
exercer os dois, porque o direito de prefer•ncia Ž "unilateral". Temos de seguir critŽrios de sele•‹o:
1) CritŽrios Legais (a pr—pria lei muitas vezes nos diz dentro dos v‡rios preferentes qual ter‡ o
direito de prefer•ncia) Ex.: Art. 1380¼ CC; 2) se n‹o houver estes critŽrios, surge o critŽrio supletivo
a que se refere o Art. 419¼, n¼2 - critŽrio da licita•‹o (vamos ver quem est‡ disposto a dar mais para
exercer o direito). Claro que este critŽrio da licita•‹o Ž meramente supletivo. Nota: aqui n‹o Ž o
caso de no mesmo bem se constituir v‡rios pactos de prefer•ncia. Aqui trata-se de direitos LEGAIS
de prefer•ncia.

Nota: podemos fazer no mesmo bem v‡rios direitos de prefer•ncia (pactos de prefer•ncia).
Claro que depois ter‡ de haver a responsabilidade por incumprimento de um direito de
prefer•ncia (para o Prof. Brand‹o Proen•a isto n‹o Ž viola•‹o do princ’pio da boa fŽ).

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Quando est‡vamos a ver o conceito de obriga•‹o, falamos da relatividade obrigacional (ideia: o


direito de crŽdio Ž um direito apenas sobre o devedor. A obriga•‹o Ž um c’rculo fechado).

-!Esta ideia da relatividade obrigacional projeta-se ao contrato (que Ž um conjunto de


obriga•›es).

-!Por isto, fala-se do princ’pio da efic‡cia interna do contrato (relatividade contratual). Ë


partida um contrato n‹o pode projetar efeitos para terceiros, nem prejudicar terceiros, Ž
tambŽm um c’rculo fechado entre os contraentes (Art. 406¼, n¼2 CC).

-!Esta relatividade, sendo um princ’pio geral, tem muitas (cada vez mais) excep•›es. "ƒ um
princ’pio cada vez menos geral". H‡ cada vez mais excep•›es em que terceiros podem voltar- se
para os contraentes, terceiros que n‹o fizeram contrato com ninguŽm podem vir exercer direitos,
etc...

-!Uma das excep•›es mais recentes: Art. 1225¼ CC. Relata a seguinte situa•‹o: A construtor vende
um im—vel a B. Aplicando o princ’pio da relatividade, se o im—vel tiver defici•ncias o comprador
ter‡ de se dirigir ao vendedor. mas vamos supor agora que o comprador B vende o im—vel a C,
passado algum tempo, e o im—vel continua com defeitos ou aparecem-lhe defeitos. Aplicando a
ideia da relatividade, C nunca poderia exercer direitos contra o construtor A, porque quem lhe
vendeu foi o B. Mas n‹o foi B que construiu. Ora, o Art. 1225¼ CC permite que o comprador C
possa exercer direitos, por alguns anos, face ao construtor A. - Excep•‹o ao princ’pio da
relatividade contratual. Mas h‡ outras excep•›es.

-!MAS uma coisa Ž a RELATIVIDADE CONTRATUAL e outra coisa Ž a


OPONIBIiLIDADE DO CONTRATO. Parecem ideias contr‡rias. Fala-se da oponibilidade no
contrato promessa ou no pacto prefer•ncia com efic‡cia real (Art. 413¼ e Art. 421¼CC -
Oponibilidade, para opor a terceiros, quebrando a relatividade e quebrando o princ’pio fechado).

-!Outra ideia preliminar: temos o dever jur’dico de respeitar os direitos absolutos dos outros (ex.:
direitos reais, direitos pessoais, etc...). Mas, ser‡ que tambŽm temos o dever de respeitar os direitos
de crŽdito alheio? Temos o dever de respeitar os contratos que n‹o nos dizem respeito? Aqui a
resposta Ž mais complicada, por falta de suporte legal da resposta. Mas, de qualquer forma, tem se
dito que os terceiros que est‹o fora dos contratos n‹o devem interferir nos contratos existentes ou
pelo menos essa interfer•ncia n‹o deve ser abusiva.
Mesmo que haja uma interfer•ncia num contrato alheio ao abrigo do princ’pio da liberdade
contratual que me permite celebrar contratos com quem eu quero, eu n‹o posso fazer isto
abusivamente (n‹o posso contratar com alguŽm para prejudicar outrem; n‹o posso aliciar alguŽm,
para este incumprir com outrem). Isto leva-nos para o efeito externo das obriga•›es.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Mas, o pr—prio legislador permite que as pessoas criem, com os contratos que fazem, direitos
para terceiros. ƒ poss’vel A e B fazerem um determinado contrato querendo que esse contrato
favore•a terceiros (coisa que os Romanos nunca admitiam). Este "contrato a favor de terceiros" Ž a
excep•‹o convencional mais importante ao princ’pio da relatividade contratual.

-!TambŽm se coloca a quest‹o de saber se eu posso fazer com alguŽm um contrato num sentido
contr‡rio. Ou seja, Ž poss’vel A e B fazerem um contrtato desfavor‡vel a terceiros? Em princ’pio
isto n‹o Ž poss’vel fazer-se: n‹o posso contratar com outrem e criar encargos para terceiros. H‡
contratos que s‹o desfavor‡veis para terceiros reflexamente, mas isso Ž outra coisa, nomeadamente
o Art. 413¼ CC e o Art. 421¼ CC, claro que s‹o desfavor‡veis para terceiros, mas as partes n‹o o
fizeram com essa inten•‹o! (ou o ex.: do contrato de exclusividade, claro que prejudica alguns
terceiros, mas n‹o foi feito com essa inten•‹o). O que n‹o se pode fazer Ž um contrato feito
exclusivamente para prejudicar outrem ou para criar encargos para um terceiro. S— se pode fazer
este tipo de contratos para prejudicar terceiros se esses mesmos terceiros concordarem com isso.
Ex.: Contrato de Ced•ncia Ocasional de Trabalhadores: duas empresas celebram um contrato para
"emprestar" um trabalhador uma ˆ outra s— se o trabalhador estiver de acordo com isso.

-!Voltando agora ao Contrato a Favor de Terceiros, Ž uma tŽcnica jur’dica que permite aos
promiss‡rios de fazerem determinadas presta•›es a terceiros de uma forma indireta, atravŽs de um
acordo que eles fazem com outra pessoa (promitente). ex.: o contrato em que A promitente e B
promiss‡rio, nos termos do qual o promitente se compromete perante o promiss‡rio no interesse
do promiss‡rio e por conta do promiss‡rio a fazer uma determinada presta•‹o a favor de um
terceiro C (benefici‡rio). Esta presta•‹o Ž vari‡vel: pode ser entregar dinheiro, entregar uma coisa,
ceder um crŽdito, constituir uma situa•‹o de natureza real. - Art. 443¼ CC. Este contrato s— surge
porque h‡ um relacionamento entre o benefici‡rio e o promiss‡rio: o B quer favorecer C por v‡rias
raz›es: por uma quest‹o de liberalidade, por uma raz‹o de garantia (contrato de seguro de vida - o
promiss‡rio celebra um contrato de seguro de vida a favor de C: morrendo B a seguradora ir‡ pagar
a C.). Seja liberalidade, seja garantia, seja atŽ uma finalidade chamada de troca (B faz a
contrapresta•‹o que tem de fazer a C devido a um contrato existente entre ambos, socorrendo-se
do A), h‡ v‡rias raz›es que justificam este contrato a favor de terceiro.

-!Os juristas costumam dar nomes ˆs rela•›es que resulta do contrato a favor de terceiro.

. Entre A e B - rela•‹o de cobertura; (rela•‹o principal)

. Rela•‹o entre B promiss‡rio e C benefici‡rio - rela•‹o de valuta;

. Rela•‹o entre A promiss‡rio e C benifici‡rio - rela•‹o de execu•‹;

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Nota: neste contrato a favor de terceiro s— h‡ dois contraentes (A e B). O terceiro (C) Ž um
mero benefici‡rio. Ali‡s, o direito que surge para C Ž um direito que lhe surge automaticamente,
que lhe Ž atribu’do, que ele atŽ pode desconhecer.

-!H‡ que distinguir o contrato a favor de terceiro de outras situa•›es contratuais onde
interv•m terceiros:

. Distin•‹o do contrato com efic‡cia de prote•‹o para terceiros - Ž uma figura que n‹o est‡ no CC,
mas referida pelos tribunais e doutrina que veio da Alemanha. A diferen•a Ž que no contrato com
efic‡cia de prote•‹o para terceiros os terceiros s‹o protegidos pelo contrato (em caso de danos que
sofram, basicamente danos pessoais), estes terceiros gozam da mesma tutela contratual de que
gozam os contraentes. Ou seja, o contrato protege-os. os terceiros n‹o t•m direito de exigir
qualquer presta•‹o (ao contr‡rio do contrato a favor de terceiros).
Neste caso, o que os terceiros podem Ž responsabilizar um dos contraentes, por exemplo, por
viola•‹o de deveres laterais de cuidado. ƒ o que se passa nos contratos de Arrendamento entre A
senhorio e B arrendat‡rio. Este contrato pode ser um exemplo de contrato com efic‡cia de
prote•‹o para terceiros. B arrendat‡rio, se n‹o viver sozinho, se viver com filhos ou mulher p ex,
envolve terceiros no contrato. Os terceiros que est‹o numa rela•‹o de proximidade com o
arrendat‡rio (parentesco ou v’nculos de casamento), est‹o protegidos pelo contrato da mesma
forma que o arrendat‡rio. Claro que os terceiros n‹o podem exigir nada do senhorio, mas podem
responsabilizar o senhorio por defeitos que o im—vel tenha e que lhes tenha causado danos
pessoais. (Art. 1050, al. b). Claro que um amigo dos filhos que v‡ l‡ a casa j‡ n‹o beneficia desta
efic‡cia de prote•‹o para terceiros. De outra forma, estes terceiros protegidos s— poderiam
responsablizar o senhorio de forma extra-contratual; com a efic‡cia de prote•‹o para terceiros,
podem responsabilizar contratualmente.

. Mas o contrato a favor de terceiros tambŽm Ž diferente do contrato com presta•‹o de facto de
terceiro. Ex. desta espŽcie contratual: duas pessoas, ao fazerem um contrato, uma delas
compromete-se a que um terceiro fa•a uma certa presta•‹o. Esse terceiro n‹o est‡ obrigado (quem
est‡ obrigado Ž quem se compromete). ƒ o ex. de um contrato promessa de compra e venda de um
bem alheio, ou o marido que faz um contrato-promessa sem haver assinatura da mulher. Nestes
contratos o essencial Ž apercebermo-nos da intensidade da vincula•‹o assumida, porque eu posso
no fundo como que garantir que o terceiro ir‡ fazer a presta•‹o (se ele n‹o cumprir eu vou
responder), mas eu tambŽm posso apenas dizer que eu vou fazer apenas os poss’veis para que o
terceiro cumpra (e se eu fizer os poss’veis e mesmo assim o terceiro n‹o quiser cumprir, eu n‹o
poderei ser responsabilizado). Este contrato n‹o est‡ no CC, mas a liberdade contratual
fundamenta-o. (est‡ no CC franc•s).

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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. H‡ uma terceira figura contratual que se distingue do contrato a favor de terceiro. ƒ uma figura
mais simples: Ž o Contrato Com Autoriza•‹o de Presta•‹o a Terceiro. Ex.: Um credor e um
devedor, fazem um contrato nos termos do qual o devedor em vez de pagar ao credor, o credor
autoriza-o a pagar junto de um terceiro (entidade banc‡ria onde o credor tenha uma conta). Este
terceiro n‹o tem direito ˆ presta•‹o (n‹o pode pedir ao devedor que entregue a presta•‹o), o
terceiro tem apenas um papel passivo, n‹o tem um direito a favor de terceiro.

Contrato a Favor de Terceiro - Regime

-!O terceiro adquire o direito automaticamente, n‹o sendo contraente. Mas como ninguŽm pode
criar benef’cios para os outros se esses outros n‹o os quiserem, o terceiro tem o poder ou a
faculdade de rejeitar o benef’cio (Art. 447¼ CC)

-!Mas estes terceiros podem igualmente aderir ao contrato (Art. 447¼ n¼3 CC). ƒ uma espŽcie de
aceita•‹o do benef’cio (que n‹o seria necess‡ria, mas que traz vantagens). Qual Ž a vantagem da
ades‹o? A resposta est‡ no Art. 448¼ CC - enquanto o terceiro n‹o manifestar a sua ades‹o, a
promessa Ž revog‡vel. No per’odo de tempo em que o terceiro n‹o adira, se Ž que vai aderir, ou se
nunca aderir, o promiss‡rio pode, se entender, revogar a promessa.
Depois da ades‹o, este direito de revoga•‹o deixa de poder ser exercido. (A ades‹o Ž um direito
potestativo do terceiro).

-!O promitente, quando o terceiro vier exigir o cumprimento do benef’cio pode defender-se e n‹o
cumprir. Isto apenas pode suceder se o promitente puder invocar anomalias da rela•‹o de
cobertura. Ex.: o promiss‡rio ficou de entregar um bem ao primitente para este entregar ao
terceiro, e afinal o primiss‡rio n‹o entregou nada. O Art. 449¼ d‡ os meios de defesa ao promitente
(relacionados com a rela•‹o de cobertura entre A e B - quais outras perturba•›es fora desta rela•‹o
n‹o podem ser invocadas perante o terceiro, se n‹o direito do terceiro seria demasiado fr‡gil. Por
exemplo: o promitente nunca pode recusar cumprir perante o terceiro por perturba•›es da rela•‹o
de voluta entre o promiss‡rio e o benefici‡rio).

-!H‡ promessas que s— ser‹o cumpridas depois da morte do promiss‡rio. A situa•‹o mais t’pica
tem a ver com os contratos de seguro de vida: o falecimento do promiss‡rio permite a aquisi•‹o
do direito ao terceiro. (Art. 451¼ CC.)

-!Estes contratos podem fazer-se a favor de um terceiro indeterminado (Art. 445¼ CC).

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!No conjunto destas normas sobre o contrato a favor de terceiro, h‡ uma hip—tese que j‡ n‹o Ž
verdadeiramente um contrato a favor de terceiro, embora a norma esteja inserida na Subsec•‹o do
contrato a favor de terceiro. ƒ o caso do art. 444¼, n¼3 CC - o promitente promete exonerar o
promiss‡rio de uma d’vida que o promiss‡rio tem com o terceiro. Isto, embora pare•a, n‹o Ž um
verdadeiro contrato a favor de terceiro. Desde logo, porque n‹o h‡ inten•‹o de se atribuir um
benef’cio ao terceiro. O promiss‡rio, sendo exonerado da d’vida que tem para com o terceiro, Ž
que ser‡ beneficiado. E s— o promiss‡rio Ž que pode exigir o cumprimento da promessa (situa•‹o
at’pica, porque normalmente o terceiro tambŽm pode exigir). Por estas raz›es, este n¼3 Ž
denominado de"Falso contrato a favor de terceiro".

-!A seguir ao contrato a favor de terceiro, o CC introduz o "Contrato por pessoa a nomear". -
Art. 452¼ e ss

-!H‡ quem diga que este contrato tambŽm Ž uma excep•‹o/desvio ao princ’pio da relatividade
contratual, embora o Prof. Brand‹o Proen•a discorde.

-!Este contrato Ž uma figura antiga, que j‡ existia na idade MŽdia, muito ligado ao comŽrcio.

-!Este contrato surge de dois tipos de situa•›es:

1) Muitas vezes h‡ uma pessoa verdadeiramente interessada no contrato (o C - o nomeando), mas


n‹o quer ser ela a aparecer no contrato. P. ex.: n‹o quer aparecer nos leil›es, porque quer ser
discreto para n‹o inflacionar o pre•o. Ent‹o, surge alguŽm que atŽ pode ter procura•‹o (s— que n‹o
a vai usar), esse alguŽm, o A (chamado de estipulante ou de nomeante ou ainda de contraente
origin‡rio, segundo o CC) aparece no leil‹o, que faz o contrato de aquisi•‹o em nome pr—prio (e
n‹o Ž feito em nome do nomeando, porque o estipulante n‹o atua como procurador), mas ter‡ de
dizer ao outro contraente (B) que est‡ a fazer um contrato para pessoa a nomear.

-!Este contrato tem n‹o s— a vantagem de prote•‹o do interessado C (associada aos leil›es), mas Ž
tambŽm uma forma de evitar duplica•‹o negocial (duplos neg—cios). O estipulante faz a compra e
venda e se esta figura n‹o existisse teria de haver uma revenda (j‡ existiam dois contratos, que
sobre o ponto de vista fiscal fazia surgir duas tributa•›es). Este contato evita isto, e atŽ do ponto
de vista tribut‡rio h‡ vantagens.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Mas tambŽm acontece, noutras situa•›es, que quem faz o contrato (o estipulante) n‹o sabe
muito bem se vai nomear ou n‹o outra pessoa, embora fa•a o contrato por pessoa a nomear. Mas
o estipulante n‹o Ž obrigado a nomear, depois, alguŽm. Logo, este contrato tem tambŽm vantagens
para o estipulante.

-!Se a nomea•‹o vier a ser feita, como normalmente ser‡, na falta de conven•‹o, o estipulante tem 5
dias para fazer a nomea•‹o. Ou seja, nos 5 dias seguintes, A ter‡ de indicar a B qual Ž a pessoa
nomeada. (Art. 453¼ CC).

-!Esta declara•‹o de nomea•‹o Ž exigente do ponto de vista formal: tem de ser feita por
escrito; e depois tem de ser acompanhada do instrumento de ratifica•‹o do contrato
(declara•‹o de ratifica•‹o passada por C) ou ent‹o procura•‹o anterior ˆ celebra•‹o do
contrato. Forma da ratifica•‹o: Art. 454¼ CC.

-!Se a declara•‹o de nomea•‹o for feita, o C ir‡ entrar no contrato substituindo B, com os efeitos
do Art. 455¼ CC: a nomea•‹o tem efeitos retroativos, logo, Ž como se o contrato fosse feito entre
C e B.

-!Se a nomea•‹o n‹o for feita ou for mal feita, pode acontecer uma de duas coisas: (Art. 455¼, n¼2)

*!Ou o contrato continua entre o estipulante e o outro contraente;

*!Mas pode acontecer que tenha ficado no contrato que, em caso de n‹o nomea•‹o, o
contrato n‹o produziria efeitos para ninguŽm, tornando ineficaz o contrato.

-!Neste contrato importa tambŽm falar da quest‹o de registo. Tratando-se de bens im—veis ou
m—veis sujeitos a registo, este contrato tem de ser registado. Discute-se se o registo Ž definitivo ou
provis—rio.

-!O CC nada nos diz sobre o relacionamento entre o estipulante e o nomeando. N‹o sabemos se
o nomeando pode responsabilizar o estipulante por m‡ condu•‹o do neg—cio.

-!O que Ž verdadeiramente discutido Ž a quest‹o de se saber se quando se faz um contrato destes
o contrato come•a logo a produzir efeitos ou se os efeitos se suspendem atŽ ˆ nomea•‹o. O
contrato fica em hiberna•‹o atŽ sabermos se h‡ ou n‹o nomea•‹o, ou se pelo contr‡rio o
estipulante pode come•ar logo a agir (pode fazer uma revenda, por exemplo?). O Prof. Brand‹o
Proen•a diz que o estipulante tem de "ficar quieto".

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Esta figura Ž parecida com a chamada "cess‹o da posi•‹o contratual", embora n‹o seja a
mesma coisa.

-!Nestes contratos, normalmente o contrato Ž eficaz, mas a execu•‹o Ž s— feita depois da


nomea•‹o. (Entre C e B).

A extin•‹o de um contrato.

-!N‹o podemos confundir a quest‹o da extin•‹o do contrato com a extin•‹o das obriga•›es.
Posso extinguir obriga•›es sem extinguir o contrato. Coisa diferente Ž extinguir com o contrato,
arrastando tambŽm as obriga•›es. Portanto: as figuras que extinguem as obriga•›es n‹o s‹o as
mesmas das que extinguem os contratos.

-!Em segundo lugar, em virtude do princ’pio "pacta sund servanda" ou princ’pio da efic‡cia
vinculativa dos contratos (depois de celebrados, os contratos t•m de ser cumpridos), a extin•‹o
contratual s— pode ocorrer de duas formas: 1) ou por acordo das partes; ou 2) com base na lei.
(Art. 406¼, n¼1 CC).

-!ƒ normal que, chegado um certo momento, os contraentes queiram por termo ao contrato por
mœtuo acordo/consentimento. Chama-se a isto "revoga•‹o bilateral do contrato" (extin•‹o por
mœtuo acordo, tambŽm chamada de distrarte do contrato).

-!Com base na lei, os contratos podem extinguir-se de diversas formas. A extin•‹o contratual
ocorre mais nos contratos duradouros, que se v‹o prolongando e que por isso s‹o mais sens’veis
a perturba•›es.

-!Que figuras s‹o essas que permitem extinguir o contrato com base na lei? As quatro mais
importantes s‹o:

1)!Denœncia do Contrato;

2)!Caducidade do Contrato;

3)!Resolu•‹o do Contrato;

4)!Revoga•‹o Unilateral do Contrato;

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!H‡ outras duas com alguma marginalidade:

5)!Oposi•‹o ˆ renova•‹o do contrato - figura mais espec’fica do arrendamento;

6)!Direito de livre resolu•‹o - figura de extin•‹o contratual pr—pria dos contratos de consumo,
dentro do chamado per’odo de reflex‹o (normalmente, 14 dias). Este direito acaba com um
contrato que afinal nem chegou a ser praticamente executado.

-!Temos Ž de saber distinguir a quatro figuras mais importantes:

. Quanto ˆ Denœncia - esta Ž a figura a que os contraentes t•m de recorrer para evitar que o
contrato se prolongue eternamente. Quando uma das partes n‹o quer que o contrato continue, se a
lei autorizar, a parte pode denunciar o contrato. A denœncia ou Ž fundamentada (com fundamento -
ex.: no caso do arrendamento) ou Ž discricion‡ria (n‹o Ž fundamentada). A denœncia tem efeitos
normalmente para o futuro: portanto, o contrato termina, mas respeita- se o passado do contrato
(n‹o tem efeitos retroativos). A denœncia tambŽm n‹o vai implicar o surgimento de nenhuma
indemniza•‹o.

. A Resolu•‹o j‡ Ž uma figura diferente da Renœncia. A Resolu•‹o tem sempre de ser


fundamentada. N‹o h‡ Resolu•›es arbitr‡rias. Esses fundamentos podem ser com base no
incumprimento (este incumprimento tem de ter determinadas caracter’sticas. Ex.: inquilino que n‹o
paga as rendas, o senhorio pode vir resolver o contrato) ou com base numa justa causa de
resolu•‹o, mais relacionada com comportamentos de quebra de lealdade em contratos mais
pessoais, mandato, presta•‹o de servi•os, sociedade. Ou, p ex., num contrato de fornecimento a
cerveja fornecida est‡ azedada, e quem compra receia que aquilo ir‡ continuar logo pode resolver o
contrato. Mas normalmente esta justa causa tem a ver com comportamentos de deslealdade, de
quebra de boa fŽ, de falta de confian•a e de colabora•‹o. A Resolu•‹o, contrariamente ˆ Denœncia,
Ž muitas vezes retroativa. Embora nas rela•›es contratuais duradouras, o passado Ž muito
respeitado, logo a resolu•‹o ter‡ efeitos semelhantes ˆ Denœncia para o futuro. Mas, desde que haja
culpa, quem resolve o contrato tem direito a pedir ˆ outra parte uma indemniza•‹o.

. A Caducidade Ž a figura mais simples: Ž uma forma objetiva do contrato terminar. Tem raz›es
objetivas: decurso do prazo; no caso de contrato pessoal, a morte de um dos contraentes; ou se o
contrato prever que, em caso de insolv•ncia de um dos contraentes, o contrato caduque. (ƒ
diferente da cl‡usula resolutiva (tem de ter iniciativa de resolver), porque a caducidade Ž
autom‡tica).

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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. J‡ a Revoga•‹o Unilateral causa bastantes problemas, porque se aproxima quer da Denœncia, quer
da Resolu•‹o, e Ž v‡lida n‹o s— para contratos, mas tambŽm para neg—cios unilterais.
Temos de ir pelo que a lei nos diz: se a lei prever alguma cl‡usula de revoga•‹o unilateral, sabemos
que, embora possa ter havido uma erro da lei, estamos perante uma revoga•‹o unilateral. Esta
figura est‡ prevista no contrato de mandato, na proposta de contrato, etc... A revoga•‹o pode ter
efeitos retroativos ou n‹o; pode trazer indemniza•‹o ou n‹o (normalmente n‹o traz).

-!No CC h‡ algumas normas que prev•em estas figuras: Art. 1051¼ CC (caducidade); Art. 1079¼ CC
e seguintes (Revoga•‹o Por mœtua acordo, resolu•‹o e denœncia). Nota: ler artigos !! Estas figuras
n‹o t•m propriamente caracter’sticas r’gidas.

. Para terminar esta parte do Contrato, vamos falar da responsabilidade p—s-contratual. J‡ falamos
da prŽ-contratual, mas tambŽm existe uma p—s-contratual, que Ž mais simples e que o CC nem fala
dela, embora a doutrina fale dela.

-!Come•amos com um exemplo dado pelo prof. Almeida Costa:

. Contrato entre o armazŽm de pronto-a-vestir, que entrega um modelo de um casaco a um


fabricante, para que o fabricante produza os casacos com base no modelo. O Contrato Ž
cumprido, os casacos sao feitos e entregues, mas findo o contrato, o fabricante produz, com
base naquele modelo, outros casacos iguais para um concorrente do primeiro armazŽm.

-!Aqui o contrato foi cumprido, mas temos ao mesmo tempo responsabilidade p—s-contratual do
fabricante, que por lealdade ou atŽ por exclusividade, n‹o devia ter feito o que fez. N‹o devia ter
feito os mesmos casacos para um concorrente do seu contraente. Embora os deveres principais
estejam cumpridos, h‡ viola•‹o dos deveres laterais, que persistem com a extin•‹o do contrato
(deveres de fidelidade e de lealdade).

-!N‹o h‡ fundamento legal expresso nestas situa•›es. Mas Ž sempre invocada a norma da Boa FŽ:
Art. 762¼ CC, mas h‡ quem invoque o artigo da integra•‹o negocial (Art. 279¼CC).

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Nota importante: mesmo que os contraentes cumpra os chamados deveres principais/essenciais,


n‹o quer dizer que "tudo termine". Os deveres laterais prolongam-se. Veja-se o caso dos
profissionais (advogados/mŽdicos) que mudam de escrit—rio, mas Ž dever do senhorio antigo
afixar um aviso com a nova morada do profissional, sob pena, de se houver danos, haver
responsabilidade p—s-contratual.

-!Esta responsabilidade p—s-contratual tambŽm tem interesse nos contratos mŽdicos. Quando se
esgota o dever principal, continuam deveres de prestar assist•ncia p—s-operat—ria decorrentes da
boa fŽ.

!!! Terminou a parte do contrato !!! Pr—xima aula: neg—cios unilaterais.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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Direito das Obriga•›es

Quarta-feira, 9 de abril de 2013, 17h00

Neg—cios Unilaterais - Ž uma outra fonte de obriga•›es, mas n‹o t‹o importante.

-!O legislador entendeu que n‹o devia ter consagrado estes neg—cios como fontes de obriga•›es,
de acordo com a ideia de que s— quando h‡ contrato Ž que nascem obriga•›es e de que n‹o faz
muito sentido e Ž atŽ perigoso que meras declara•›es unilaterais sejam fonte de obriga•›es.

-!O legislador entendeu que n‹o deveria ter consagrado abertamente esta fonte de
obriga•›es, para evitar precipita•›es

-!Este princ’pio do Art. 457¼ CC reflecte um bocado estas considera•›es: o legislador adoptou
uma solu•‹o de compromisso: segundo este artigo, a promessa unilateral (que n‹o tem a ver
contrato promessa) s— obriga nos casos previstos na lei. Ent‹o, s— nos casos previstos na lei Ž que
os neg—cios unilaterais Ž que s‹o fontes de obriga•›es. H‡ um princ’pio de taxatividde ("numerus
clausus") de neg—cios unilaterais constitutivos de obriga•›es. E que neg—cios sao esses? (Nota:
qualquer doa•‹o Ž um contrato (bilateral) !!!!)

*!Testamento (neg—cio jur’dico unilateral mais importante constitutivo das fontes de


obriga•›es) - Art. 2179¼ CC.

-!Sec•‹o II do CC:

*!Promessas Pœblicas - Art. 459¼ CC e seguintes. ƒ uma obriga•‹o de sujeito ativo


indeterminado. A nota principal do regime destas promessas Ž que a obriga•‹o surge no
momento em que a promessa se torna pœblica, a partir do momento p ex da coloca•‹o do
anœncio, de por exemplo, que se d‡ dinheiro a quem encontrar um c‹o perdido (e n‹o surge
apenas com o facto de se encontrar o c‹o). H‡ promessas com prazo de validade e sem prazo de
validade (Art. 460¼ CC), facto este que condiciona a revoga•‹o da pr—pria promessa.

*!Concursos Pœblicos - estes concursos nada t•m a ver com empreitadas. Normalmente s‹o
concursos liter‡rios ou art’sticos. No fundo, s‹o prŽmios que existem, para alguŽm que escreva uma
obra sobre determinado assunto, e no momento da coloca•‹o do anœncio pœblico surge
imediatamente a obriga•‹o.

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-!A sec•‹o II do C tem o t’tulo neg—cios unilaterais. N‹o convŽm confundir estes neg—cios com os
chamados neg—cios unilaterais instrumentais. Estes œltimos fazem determinados servi•os, t•m
determinadas fun•›es. ƒ o exemplo daqueles direitos que foram referidos como forma de extin•‹o
do contrato, como o direito potestativo de renœncia ou de resolu•‹o do contrato, ao servi•o da
extin•‹o do pr—prio contrato.

-!H‡ nesta sec•‹o II uma norma muito discutida: Art. 458¼ CC, que trata de dois tipos de
declara•‹o unilateral: que Ž a promessa de cumprimento (alguŽm que promete pagar uma
determinada quantia a outra) e o chamado reconhecimento de d’vida (alguŽm reconhece dever
determinada import‰ncia a outra).

*!Ë partida, estamos perante declara•›es unilaterais, em que o declarante n‹o indica a causa pela
qual faz a promessa ou faz o reconhecimento, e a dœvida que surge Ž se estamos perante
unilaterais constitutivos de obriga•›es, isto Ž, se uma pessoa pelo facto de declarar mais ou menos
formalmente que deve X a determinada pessoa ou que faz uma promessa de cumprimento, fica ou
n‹o obrigada. Aparentemente, o legislador considerou estes dois casos como hip—teses de
neg—cios unilaterais constitutivos de obriga•›es, mas o que Ž certo Ž que na realidade n‹o o s‹o,
porque n‹o sendo indicada a causa n‹o Ž poss’vel funcionar a favor destas declara•›es o Princ’pio
da Abstra•‹o (que funciona nos cheques, nas letras...), o que significa que isto de eu reconhecer
que devo n‹o Invalidade o facto do declarante provar que contra aquilo que foi declarado, afinal
n‹o h‡ base para aquela declara•‹o, que afina ele n‹o deve nada. O credor, esse fica dispensado de
provar a rela•‹o, cuja exist•ncia se presume atŽ prova em contr‡rio.

*!O que se passa, em termos processuais, Ž que quem tiver em seu poder uma destas declara•›es,
pode vir pedir ao declarante que pague, mas o declarante pode vir sempre provar que n‹o existe
raz‹o para aquele tipo de declara•‹o, logo n‹o se constituem obriga•›es. Se fossem neg—cios
jur’dicos unilaterais constitutivos de obriga•›es, n‹o haveria esta possibilidade de se provar que
nada se deve. Ex.: do caso do bilhete no bolso a dizer "eu devo 500 euros ˆ Rita".

*!Mesmo que estas promessas ou reconhecimentos constem de documentos escritos, e mesmo


com a possibilidade destes t’tulos serem levados ˆ execu•‹o, o declarante tem sempre o —nus de
demonstrar que n‹o h‡ raz‹o para aquela declara•‹o e que a rela•‹o fundamental j‡ n‹o existe ou j‡
cessou (Art. 46¼, al. c) C—digo de Processo Civil).

*!Logo, h‡ um entendimento un‰nime em toda a doutrina: contrariamente ao que parecia, este


artigo est‡ mal colocado na parte dos neg—cios unilaterais, porque estes artigos n‹o s‹o neg—cios
unilaterais constitutivos de obriga•›es. Se a obriga•‹o existe, n‹o Ž o seu reconhecimento que a
faz surgir.

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-!H‡ no CC 3 fontes n‹o volunt‡rias de obriga•›es: o enriquecimento sem causa, a gest‹o de


neg—cios, e a responsabilidade civil.

-!Vamos come•ar por falar daquela que Ž mais complexa e que causa mais problemas que Ž o
enriquecimento sem causa.

Enriquecimento sem causa

-!No•‹o: o Enriquecimento sem causa surge ligado a v‡rias situa•›es da vida, em que numa
determinada ocasi‹o uma pessoa est‡ com o seu patrim—nio melhorado (ou porque recebeu um
bem que n‹o era para ele, ou porque alguŽm lhe pagou uma d’vida, ou porque findo um contrato
recebe alguma coisa com bem-feitorias), ou seja, temos sempre uma melhoria patrimonial, seja na
forma de acrescento ou na forma do patrim—nio n‹o ter decrescido (pagamento da d’vida).
Correlativamente a isto, h‡ sempre alguŽm que ficou empobrecido: quem pagou a d’vida, quem
pagou a d’vida de outro por engano ou que realizou as bem- feitorias. Temos sempre de ter alguŽm
melhor e outra pessoa pior. E em terceiro lugar Ž necess‡rio que n‹o haja causa para esta situa•‹o,
porque naturalmente que h‡ enriquecimentos e empobrecimentos com causa. Agora, quando eu
recebo um objeto que n‹o era para mim, porque houve um engano, ou quando eu pago uma d’vida
que n‹o Ž a minha, ou quando eu fa•o melhoramentos de uma coisa que tambŽm n‹o Ž a minha,
aqui n‹o h‡ causa que justifique esta desloca•‹o.

-!Ora, o ordenamento jur’dico n‹o pode tolerar estas situa•›es de enriquecimento sem causa. Ao
termos de, novamente, equilibrar as coisas come•amos a perceber porqu• que o enriquecimento
sem causa Ž fonte de obriga•›es, porque o enriquecido vai ser obrigado a restituir o seu
enriquecimento sem causa.

-!A doutrina (por exemplo, o Prof. Menezes Leit‹o) considera tr•s grandes grupos de casos de
enriquecimento sem causa:

1)!Enriquecimento por presta•‹o. Ex.: situa•›es em que uma pessoa recebe uma presta•‹o que
n‹o lhe era destinada. Nomeadamente umas garrafas de vinho que foram entregues por engano a
uma pessoa. AlguŽm est‡ a receber uma presta•‹o a que n‹o tem direito.

Mas alŽm desta situa•‹o, o Prof. Menezes Leit‹o integra aqui as hip—teses do Art. 473, n¼2 - casos
de repeti•‹o do indevido (explicado nos artigos seguintes Art. 476¼, Art. 477¼ e Art. 478¼ CC). S‹o
situa•›es em que alguŽm cumpre uma obriga•‹o por engano ou que n‹o existia.

Mas, de acordo com o Art. 473¼, n¼2, tambŽm entram no enriquecimento por presta•‹o, o exemplo
de alguŽm que recebeu dinheiro por virtude de uma causa que deixou de existir. Ex.:

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alguŽm que prestou um sinal de um contrato promessa que j‡ se extinguiu. Ou alguŽm que recebe
rendas antecipadas por um contrato que nem seque chega a ser iniciado.

Dentro do n¼ 2 do Art. 473¼CC, est‹o as presta•›es em visto de um efeito que ainda n‹o se
verificou. Ex.: AlguŽm que paga uma excurs‹o, mas depois essa excurs‹o n‹o se vai realizar.

2)!Enriquecimento por despesas. Ex.: o caso de alguŽm que est‡ a ser alimentado por uma pessoa
mas n‹o Ž essa que est‡ obrigado a alimentar. Ou mesmo no caso de se fazerem bem- feitorias, h‡
despesas feitas, h‡ alguŽm que vai ter um acrŽscimo, mas n‹o h‡ causa.

3)!Enriquecimento por interven•‹o ou por inger•ncia. Est‹o ligados a situa•›es em que o


enriquecido utiliza bens alheios ou direitos alheios (de natureza intelectual, p ex), p ex , edita obras
sem autoriza•‹o do autor, aproveita-se da imagem de alguŽm sem autoriza•‹o dessa pessoa,
instala-se num prŽdio alheio, come•a a cultivar um terreno alheio. Isto traz enriquecimentos e
empobrecimentos sem causa. Ex.: a pessoa que utiliza um cavalo alheio e ganha um concurso.

-!Estas no•›es de enriquecimento e de empobrecimento podem ser analisados de duas formas. ƒ


uma quest‹o importante para o problema da restitui•‹o. A doutrina dominante fala muito disto,
embora o Prof. Menezes Cordeiro desvalorizar. H‡ duas grandes no•›es de enriquecimento:

*!Enriquecimento Real (e empobrecimento real)

*!Enriquecimento patrimonial (e empobrecimento patromonial)

-!A doutrina dominante (Antunes Varela, Galv‹o Telles, Rui Dalart‹o, Almeida Costa) fala
destas categorias.

-!O Enriquecimento real s‹o valores que temos de encontrar (s‹o nœmeros) e mede-se pelo valor
objetivo dessa coisa, no fundo o valor de mercado. Se a pessoa receber um garraf‹o de azeite que
n‹o lhe era dirigido, mas ele recebeu, o seu enriquecimento real Ž vermos quanto custa, aos pre•os
de mercado, 5l (1 garraf‹o) de azeite. D‡-nos um valor fixo. 5l de azeite = 25 euros (pre•o de
mercado). O Empobrecimento real Ž = ao enriquecimento real.

-!O Enriquecimento patrimonial encontra-se sempre pela repercuss‹o que a presta•‹o teve no
patrim—nio do enriquecido. Temos sempre de ver se o enriquecido teve alguma vantagem ou n‹o
em ter recebido o tal garraf‹o com 5l de azeite.

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*!E se a pessoa que recebeu o azeite n‹o gostava de azeite, porque s— usava —leo? Neste caso, o
seu enriquecimento patrimonial Ž zero. Porque n‹o poupou nada, porque ela nunca compraria
azeite. O facto de o ter recebido n‹o melhorou nem alterou o seu patrimonial.

*!Supondo que ele compra azeite mais barato (15 euros), logo o seu enriquecimento
patrimonial Ž s— 15 euros (aquilo que o enriquecido gastaria caso comprasse o azeite. Diferen•a
entre a situa•‹o real da pessoa e a situa•‹o em que essa pessoa estaria caso essa pessoa n‹o
recebesse a presta•‹o).

*!O empobrecimento patrimonial vai variar. Se a pessoa que ficou sem o azeite comprasse
azeite mais caro, a 30 euros, o empobrecimento patrimonial Ž de 30.

-!Nas situa•›es de inger•ncia em bens alheios, vai-nos surgir um problema: vamos encontrar
sempre um enriquecimento ou real ou patrimonial. ex.: caso da pessoa que se instala num andar
alheio. Esta pessoa, ao instalar-se num prŽdio alheio, n‹o tem necessidade de fazer um contrato de
arrendamento. Portanto o seu enriquecimento real vai consistir naquilo que ela gastaria de acordo
com as rendas de mercado para um prŽdio com aquela tipologia e naquele local. J‡ o
enriquecimento patrimonial Ž diferente: se pensarmos que se esta pessoa n+se n‹o se tivesse
instalado naquele prŽdio, um amigo lhe tinha oferecido hospedagem, o enriquecimento patrimonial
Ž zero. Mas se pensarmos que se ela n‹o se tinha instalado naquele prŽdio, fazia um arrendamento
com renda mais baixa, aqui o enriquecimento patrimonial Ž menor do que o real. Normalmente h‡
diferen•as entre o enriquecimento real e patrimonial, mas pode n‹o haver. O problema surge: caso
o andar esteja desabitado, n‹o h‡ empobrecimento, mas vamos ter de arranjar um suced‰neo do
empobrecimento, porque caso contr‡rio, n‹o podemos aceitar esta situa•‹o juridicamente. Porque
na restitui•‹o do enriquecimento temos sempre que jogar com o enriquecimento de um lado e
empobrecimento do outro, caso contr‡rio, sem empobrecimento, n‹o h‡ nada a restituir. Qual Ž o
suced‰neo arranjado? A doutrina portuguesa apela ˆ doutrina alem‹ e chama a doutrina do
conteœdo da destina•‹o ou da afeta•‹o dos bens. Esta doutrina diz que os direitos absolutos de que
uma pessoa Ž titular reservam as suas potencialidades econ—micas para os titulares desses direitos.
E, portanto, n‹o Ž o facto de um andar n‹o estar arrendado que podemos dizer que n‹o h‡
empobrecimento, porque estas bens s‹o bens suscept’veis de dar rendimentos e, portanto, temos
de os ficcionar e partir do princ’pio de que o andar arrendado no mercado daria X. Significa isto
que o "empobrecimento real" Ž de X (dano real, neste caso), e que Ž pela potencialidade econ—mica
do bem. Isto j‡ nos permite resolver a quest‹o daquilo que deve ser restitu’do.

*Mas, estes casos de inger•ncia v‹o se complicar ainda mais pelo seguinte: se Ž certo que em
algumas situa•›es o enriquecido apenas se limita ‡ utiliza•‹o/frui•‹o do bem alheio. Noutros
casos, ele vai tirar lucros da sua interven•‹o, e o seu enriquecimento Ž um enriquecimento que
consiste em lucros. Por ex.: no caso do andar, ele em vez de se instalar l‡, ele arrenda-o. No caso de
uma obra liter‡ria, ele publica a obra e ganha os direitos da publica•‹o. ƒ o chamado lucro da
interven•‹o. O mesmo acontece coma utiliza•‹o de uma imagem de alguŽm ou de um cavalo alheio
para se entrar num concurso e que se Ž vencedor, que nos trazem

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lucros. Estes lucros devem ser restitu’do ao empobrecido? Ou estes lucros j‡ ultrapassam o objectivo
deste instituto? A doutrina est‡ dividida.

-!O enriquecimento sem causa est‡ caracterizado no nosso CC como instituto residual, portanto,
um instituto de aplica•‹o subsidi‡ria (Art. 474¼ CC). O legislador para as hip—teses em que n—s
verificamos estas desloca•›es, estes desequil’brios, o legislador s— manda aplicar o instituto do
enriquecimento sem causa, caso essa hip—tese n‹o se revolva com base noutros institutos. E h‡
outros institutos que permitem corrigir estes desequil’brios, entre eles:

*!Declara•‹o de nulidade - o facto de um neg—cio poder se anulado, isso vai gerar efeitos
retroativos, logo o enriquecimento vai desaparecer, restituindo o bem.

*!Resolu•‹o do contrato, que tambŽm tem efeitos retroativos. (Art. 433¼ CC, artigo que nos leva
para o 289¼ CC).

*Na pr—xima aula iremos falar da gest‹o de neg—cios. que Ž uma outra figura que permite
remover estes enriquecimentos.

*!A•‹o de Reivindica•‹o, que em alguns casos pode servir.

*!Responsabilidade Civil - Ž necess‡rio que estejam preenchidos os seus requisitos (pr‡tica de um


facto il’cito, com culpa...)

*!Casos h‡ em que os empobrecidos t•m de recorrer ao enriquecimento sem causa e ˆ


responsabilidade civil, porque a Responsabilidade Civil pode n‹o permitir ao empobrecido
recuperar todo o empobrecimento.

-!O Art. 474¼ CC tambŽm nos chama a aten•‹o para outras coisas:

*!Diz que n‹o h‡ lugar ˆ restitui•‹o quando a lei negar o direito ˆ restitui•‹o. O prof. Brand‹o
Proen•a cr• que esta parte seria dispens‡vel porque nos casos em que isto se passa (a usucapi‹o e
a prescri•‹o, nomeadamente), estes enriquecimento t•m causa, logo n‹o era necess‡rio que o
legislador dissesse que a lei negava a restitui•‹o, Ž claro que nega. Nota: a usucapi‹o Ž uma
prescri•‹o aquisitiva. Este enriquecimento est‡ legitimado, com causa.

*!Neste artigo, a lei ainda declara, na linha da natureza subsidi‡ria, que h‡ casos em que a lei
atribui outros efeitos aos enriquecimento. N‹o propriamente a restitui•‹o, mas por exemplo, no
caso das bem-feitorias, a lei atribui outros efeitos, nos artigos 1273¼ CC e seguintes, mas tambŽm
nos casos dos frutos, nas situa•›es de posse, etc... temos de ver o que Ž que a lei diz. Ex.: na posse
de boa fŽ, a pessoa faz dela os frutos (aqui, a lei regula o enriquecimento de outra forma, que n‹o
a restitui•‹o)

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Direito das Obriga•›es

Quarta-Feira, 10 de abril de 2013, 14h00

Enriquecimento sem causa

-!Na aula passada falamos da natureza subsidi‡ria desta figura jur’dica. E a este prop—sito o
professor colocou no campus uns casos-pr‡ticos (ex.: caso de coa•‹o moral).

-!Caso da coa•‹o moral: neste caso, h‡ um fundamento de anula•‹o do neg—cio, e


evidentemente n‹o podemos fazer uso das regras do enriquecimento sem causa. A
empobrecida teria de recorrer ˆ a•‹o de anula•‹o do neg—cio jur’dico, e esperar que a
retroatividade da anula•‹o lhe devolvesse o seu bem (pe•a de cer‰mica).

-!Mas h‡ situa•›es em que a lei consolida os enriquecimentos, tornando-os dotados de causa,


basicamente por raz›es de certeza e seguran•a jur’dica (ex.: prescri•‹o, usucapi‹o, posse de boa fŽ),
h‡ uma espŽcie de convalida•‹o de uma situa•‹o que ˆ partida seria de enriquecimento e de
empobrecimento, em que o legislador tutela o possuidor.

-!Noutros casos, o enriquecimento Ž removido por formas mais at’picas, sem que haja recurso ˆs
normas do enriquecimento sem causa. O legislador resolve o problema de outra forma. Ex.:
altera•‹o normal de circunst‰ncias, em que temos uma situa•‹o jur’dica de desiqu’librio; ou outras
figuras como a chamada especifica•‹o, que permite remover a distor•‹o patrimonial; nos
arrendamentos Ž poss’vel aos arrendat‡rios fazer o levantamento de bem-feitorias: quando cessa o
arrendamento, e o inquilino fez obras e empobreceu, ele pode retirar essas bem-feitorias, logo n‹o
h‡ necessidade de aplica•‹o das regras do enriquecimento sem causa;

-!Em suma, temos sempre de ver se, primeiro, Ž poss’vel com outros institutos protegermos os
chamados empobrecidos. Mas, depois, tambŽm temos de saber que em determinadas situa•›es a lei
protege o enriquecimento, devido a op•›es legislativas que t•m de ser respeitadas.

-!O enriquecimento sem causa, para l‡ destes seus aspetos te—ricos, tem alguns aspetos
pr‡ticos.

-!Qual Ž o objeto da obriga•‹o de restituir? Interpreta•‹o do Art. 479¼ CC.

-!"A obriga•‹o de restituir, fundada num enriquecimento sem causa, compreende tudo quanto
se tenha obtido ˆ custa do empobrecido" - h‡ autores que fazem uma interpreta•‹o mais lata;
outros que fazem uma interpreta•‹o mais restrita. Cada uma das interpreta•›es repercute-se no
objeto da obriga•‹o de restituir. H‡ alguns aspetos a considerar:

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*!Ë partida, verificados que sejam os pressupostos do enriquecimento sem causa, o


enriquecido ter‡ de restituir as vantagens/melhorias que advieram dessa situa•‹o. O que Ž que o
enriquecido tem que n‹o devia ter?

*!A lei obriga-o ˆ restitui•‹o em espŽcie, caso seja poss’vel, caso contr‡rio, haver‡ que restituir o
valor correspondente. As dificuldades levantam-se na restitui•‹o em valor. Se o enriquecido tem
em seu poder objetos que pertencem a outra pessoa, ter‡ de os restituir. Se uma pessoa poupou
uma determinada despesa, que em condi•›es normais teria de a ter feito, ter‡ de a realizar.

*!De acordo com o pensamento dominante, Antunes Varela/Almeida Costa/Galv‹o Telles, a


obriga•‹o de restituir o enriquecimento obedece ao chamado duplo limite, ou seja, obedece,
tratando-se da restitui•‹o em valor, aos valores do enriquecimento e do empobrecimento.
Mas, para esta doutrina dominante, obedece aos valores patrimoniais do enriquecimento e
empobrecimento. Mas estes valores ter‹o de ser calculados, como diz o Art. 479¼, n¼2 CC,
actualmente, ˆ data em que o enriquecido seja citado para a a•‹o judicial ou ˆ data em que ele tem
conhecimento do seu enriquecimento sem causa. Ou seja, entre o momento em que ele se
enriquece e a pessoa sabe que est‡ enriquecido ˆ custa de alguŽm, pode-se passar muita coisa. O
fundamental Ž o c‡lculo atual e n‹o o c‡lculo da altura em que se processa objetivamente o
enriquecimento. Esta doutrina dominante, na aplica•‹o deste tipo de limite, n‹o valora muito a boa
ou m‡ fŽ do enriquecido, embora outros autores o considerem, mas fora da linha dominante. Para a
doutrina dominante, s— releva a m‡ fŽ para efeitos de agravamento da obriga•‹o da restitui•‹o. O
Art. 480¼CC vai agravar a obriga•‹o de restituir, numa altura em que o enriquecido est‡ de m‡ fŽ.
H‡ um princ’pio geral de que os enriquecidos agem de boa fŽ, para esta doutrina dominante.

-!Caso pr‡tico

Artur, por mero engano de uma transportador, recebeu 3 garradas de vinho do Porto, que deviam
ter sido entregues a Camilo. O valor de mercado de cada garrafa Ž de 40 euros. Artur, aprecia vinho
do Porto, mas n‹o costuma comprar garrafas de valor superior a 20 euros (j‡ temos aqui um
limite). Camilo, que contava com as garrafas, teve de comprar uma, gastando 30 euros
(empobrecimento patrimonial). Camilo tencionava revender as garrafas com um lucro de 30 euros
(o empobrecido deixou de fazer lucros - ˆ partida, vai-nos revelar mais uma faceta de dano (lucro
cessante). A quest‹o Ž de saber se o enriquecimento sem causa o empobrecido pode, tambŽm,
ressarcir-se deste dano. Isto ser‡ duvidoso, que o enriquecimento sirva para isto, pois o seu objeto
n‹o Ž reparar preju’zos (este Ž o objetivo da Responsabilidade Civil - danos emergentes e lucros
cessantes). Para o Prof. Brandao Proen•a, Artur n‹o deveria responder pelo lucro cessante a partir
da figura do enriquecimento sem causa).)) Artur vai ser demandado para restituir as garrafas,
sabendo que j‡ bebeu duas delas e a terceira doou a uma insituti•‹o.

-!N‹o pode haver restitui•‹o em espŽcie

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-!Tem de restituir patrimonialmente o empobrecimento e o enriquecimento. Tem de se


restituir o menor dos valores.

-!O enriquecimento patrimonial de Artur Ž de 40 euros, bebendo duas garrafas de 20 euros


cada, poupou 40 euros!

-!Artur doou a terceira garrafa. E agora? Doando a garrafa, Artur n‹o se enriqueceu. Ele fez a
doa•‹o de boa fŽ, convencido que estava a doar uma coisa que era dele. NinguŽm lhe pode
censurar nada. Mas, se ele fez a doa•‹o j‡ depois de saber que estava numa situa•‹o irregular, aqui
ter’amos de aplicar o Art. 481¼ CC (mas isto j‡ era numa situa•‹o de m‡ fŽ de Artur).

-!Mas se Artur ao receber as garrafas j‡ est‡ de m‡ fŽ, j‡ entramos na Responsabilidade Civil. Mas
se continuarmos no ‰mbito do enriquecimento sem causa (se algum requisito da RC n‹o for
provado), se ele consome as garrafas sabendo que n‹o eram para ele, ele tem de restituir o
enriquecimento real. Mas a doutrina dominante parte do princ’pio que h‡ boa fŽ.

-!Mas h‡ um outro tipo de casos, que s‹o os tais enriquecimentos por interven•‹o em bens
alheios, em direitos alheios, que Ž o exemplo na instala•‹o na casa alheia, ou da utiliza•‹o em
concurso do cavalo alheio, a edi•‹o de obras alheias ou do uso de direitos de imagem alheios.

-!Se os titulares destes direitos, ˆ partida, n‹o est‹o empobrecidos (porque a obra continuava na
gaveta xD), logo n‹o h‡ empobrecimento, e n‹o Ž poss’vel lidarmos com o duplo limite.
Mas a doutrina joga aqui com a tal teoria da afeta•‹o ou da destina•‹o dos direitos, no sentido de
construir, embora de uma forma ficcionada, um empobrecimento, que Ž aquilo calculado em
fun•‹o dos valores de mercado. Neste tipo de casos, joga-se, ˆ partida, com o "empobrecimento
real". Portanto, com o rendimento que o andar daria, caso fosse arrendado durante o tempo em que
o enriquecido l‡ esteve.

-!S— que estes casos, depois, v‹o se dividir. Ou seja, h‡ situa•›es em que os enriquecidos se
limitam apenas a usar/fruir desses direitos, ex.: a pessoas apenas se instala na casa; mas tambŽm
h‡ os casos em que este enriquecido lucra com a interven•‹o, porque vende a obra, vende os
direitos de imagem, ganha o prŽmio com o cavalo.

-!Ex.: nos EUA, num casino uma pessoa encontrou um d—lar esquecido numa das m‡quinas, e
ganhou 80.000 d—lares. Ora, se esses d—lar pertencer a alguŽm que ficou empobrecido, e
possibilitou um enriquecimento, caberia aqui analisar o lucro ao enriquecido.

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-!A doutrina trata dos casos de forma diferente:

*!Na primeira situa•‹o da situa•‹o do andar: Antunes Varela, partindo do princ’pio de que h‡ boa
fŽ, continua a jogar com o duplo limite, ou seja, se o dono do andar tem o tal empobrecimento
real de 1000, mas aquilo que esta pessoa que se instalou foi apenas 800, ela s— teria de restituir 800.
J‡ o professor Menezes Leit‹o, aqui faz restituir o montante do empobrecimento real (1000).

*!No caso dos lucros, tambŽm h‡ diferen•as. Coloca-se a quest‹o se o enriquecimento sem causa
Ž um instituto apto para remover os lucros da interven•‹o, porque estes lucros muitas vezes
dependem das capacidades do interventor. O Prof. Brand‹o Proen•a diz que o empobrecimento
sem causa n‹o pode fazer restituir os lucros. Mas a doutrina dominante (Antunes Varela) diz que
o interventor tem de fazer restituir os lucros, porque aquilo que ele ganhou ˆ custa do
empobrecido tem de ser restitu’do ao titular do direito, com dedu•‹o de uma parte que se consiga
atribuir ˆ especial habilidade do interventor. Aqui a restitui•‹o n‹o seria plena, mas esta dedu•‹o Ž
feia arbitrariamente quase. Mas, se lermos bem o Dr. Varela, ele n‹o aplica esta solu•‹o havendo
boa fŽ. Para a boa fŽ, ele introduz sempre o duplo limite (enriquecimento patrimonial e
empobrecimento patrimonial), mas o duplo limite aqui nestes casos torna-se confuso.

-!O Prof. Menezes Leit‹o, para este mesmo grupo de casos, diz que o enriquecido n‹o tem de
entregar os ganhos, o enriquecimento sem causa n‹o pode ter este papel, e isso s— pode ser
conseguido atravŽs de outros institutos jur’dicos: gest‹o de neg—cios impr—pria para proveito
pr—prio, posse de m‡ fŽ, responsabilidade civil, etc... S— se atingirmos estes institutos Ž que pode
haver restitui•‹o dos lucros. Pelo enriquecimento sem causa, seria o montante do empobrecimento
real que teria de ser restitu’do. Ter’amos de calcular quanto Ž que o enriquecido teria de pagar pelo
aluguer do cavalo. O Prof. Menezes Leit‹o n‹o distingue boa fŽ de m‡ fŽ. Digamos que, Ž uma
posi•‹o mais objetiva. Talvez seja esta a melhor posi•‹o.

-!Nota: ler Art. 480¼ e 481¼ CC

-!Relativamente ˆ prescri•‹o (Art. 482¼ CC) da obriga•‹o: prazo de 3 anos, que come•a a
contar-se verificadas duas condi•›es: 1) o conhecimento do direito (o empobrecido tem de
conhecer); 2) quando o empobrecimento tem de saber quem Ž o enriquecido.

-!Mas o Art. 482¼ CC tambŽm tem outro prazo: de 20 anos, que se conta a partir do
enriquecimento. Se por acaso o empobrecido s— no 21¼ ano Ž que sabe quem Ž o enriquecido, nada
h‡ a fazer.

-!O empobrecido tem de se dirigir ao enriquecido.

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-!Prescrevendo este direito, pode manter-se aberta a via da responsabilidade civil. Caso se
reuna os pressupostas da RC .

Vamos agora abordar um outro instituto: A gest‹o de neg—cios

-!Est‡, muitas vezes, misturada com o Enriquecimento sem Causa.

-!Gest‹o de Neg—cios: Art. 464¼ CC

-!ƒ uma fonte de obriga•›es

-!ƒ um instituto muito antigo, j‡ previsto no direito romano em tra•os gerais

-!Um gestor de neg—cios Ž um "bom samaritano". ƒ uma pessoa que, por solidariedade e
altru’smo, para ajudar outro, normalmente um vizinho, sem estar autorizada (sem autoriza•‹o
escrita ou oral), assume em determinado momento, a gest‹o de um assunto alheio sobretudo de
natureza patrimonial, mas tambŽm pode ser de natureza pessoal, e f‡-lo no interesse e por conta
do titular do interesse. Atua no interesse de outro, por conta de outro. Temos sempre o gestor de
neg—cios e o dono do neg—cio (titular do interesse jur’dico).

-!O Art. 464¼ CC explicita esta no•‹o.

-!Nem sempre Ž f‡cil vermos se alguŽm est‡ a atuar ou n‹o como gestor. (ƒ uma gest‹o de
neg—cios ou um contrato por pessoa a nomear, por exemplo?).

-!Mas h‡ casos f‡ceis: se eu sou vizinho de alguŽm e verifico que na aus•ncia dessa alguŽm eu
reparo que h‡ umas telhas partidas e est‡ a chover muito, acabando por causar danos no prŽdio, eu
posso por minha iniciativa pagar a alguŽm para l‡ ir reparar as telhas. N‹o h‡ dœvidas aqui. ƒ uma
gest‹o de neg—cios objetiva.

-!Mas, no caso, em que eu v‡ a um leil‹o, e eu adquira um determinado objeto, eu tanto posso


estar a agir como um gestor, se eu na verdade comprar esse objeto no interesse e por conta de
alguŽm sem estar autorizado, mas tambŽm posso fazer um contrato por pessoa a nomear, sem
saber se o objeto ser‡ para mim ou para outro. Nestes casos, h‡ que averiguar a inten•‹o com que
a pessoa est‡ a agir, no fundo, a qualidade em que ela age.

-!Portanto, h‡ dois mundos diferentes: a gest‹o de neg—cios objetiva e a subjetiva (que coloca mais
dificuldades).

-!O C—digo no Art. 564¼ CC diz que o gestor Ž a pessoa que gere neg—cios alheios. A palavra
"neg—cios" n‹o ter‡ sido muito feliz, porque um gestor Ž uma pessoa que gere e que pratica um
conjunto muito grande de atos, n‹o apenas neg—cios jur’dicos. Porque ele pratica atos materiais,
pinta paredes, apanha frutos, mas n‹o s‹o verdadeiros neg—cios. Aqui, no artigo, "neg—cios"
significa "assuntos". Mas tambŽm n‹o est‡ afastado que haja uma gest‹o no

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campo da tutela dos direitos de personalidade de outro: pessoas que estejam em perigo de vida
ou de integridade f’sica, muitas vezes s‹o salvo por outros que podem agir, sem autoriza•‹o,
como gestor de neg—cios.

-!A dœvida que Ž colocada Ž a compatibiliza•‹o entre o artigo 464¼ e o chamado dever geral de
aux’lio (direito penal). Neste caso, eu posso ser responsabilizado por omiss‹o de agir, e Ž duvidoso
se eu estou a agir como gest‹o, porque h‡ uma lei que obriga a atuar. Ex.: os pol’cias que intervŽm
n‹o s‹o gestores, mas est‹o a cumprir os seus deveres funcionais. De qualquer forma, a aplica•‹o
da gest‹o protege muito estas pessoas que ajudam outras, porque se esses gestores sofrerem danos,
na tentativa de salvamento, a gest‹o permite o pagamento dessas despesas. Se dissermos que isto
n‹o Ž gest‹o, n‹o h‡ forma de reparamento muito evidente.

-!Em suma, em teoria, a gest‹o abarca tambŽm este campo dos interesses pessoais, mas j‡ n‹o o
campo dos casamentos, perfilha•›es, testamentos, etc.. n‹o Ž poss’vel o casamento por gestor.

-!H‡ v‡rias modalidades:

*!Vamos estudar a chamada gest‹o pr—pria de neg—cios, que corresponde ao Art. 464¼ CC.

*!Mas ˆ vezes, temos gest‹o impr—pria, que Ž aquela em que o gestor age no interesse alheio mas
para proveito pr—prio. Esta gest‹o vai ter consequ•ncias pr—prias de responsabilidade civil e penal
atŽ.

*!Gest‹o mista de neg—cios: no interesse do gestor e do titular do neg—cio. Aplicamos o Art.


464¼ CC na parte do interesse do titular do neg—cio.

*!H‡ uma quarta modalidade de gest‹o: Art. 472¼ CC - gest‹o do neg—cio alheio julgado pr—prio.
Entramos no dom’nio do erro: uma pessoa pode estar a gerir um neg—cio alheio, convencido que
ele lhe pertence: posso estar a cultivar um campo de outrem, convencido que ele Ž meu. S—
aplicamos as normas da gest‹o de neg—cio, se houver aprova•‹o da gest‹o. De outra forma,
aplicamos o enriquecimento sem causa ou se houver culpa do gestor, aplicamos a responsabilidade
civil.

-!O gestor de neg—cios deve ser alguŽm que, em primeiro lugar, faz algo de œtil no interesse alheio
(utilidade, que pressup›es alguma capacidade para conduzir bem os assuntos alheios, o que n‹o
quer dizer que os resultados finais tenham de ser os melhores, desde que n‹o existe neglig•ncia).

-!Um gestor n‹o deve ser uma pessoa que comece uma gest‹o para logo a seguir a interromper
sem qualquer justifica•‹o. Um gestor n‹o deve fazer isso, deve ser alguŽm com capacidade. O
Art. 466¼ CC vai responsabilizar o gestor pelos danos que ele cause com a

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injustificada interrup•‹o da gest‹o. Claro que esta norma n‹o o obriga a continuar a gest‹o, mas
obriga-o a ter uma justifica•‹o.

-!A gest‹o de neg—cios, n‹o sendo um contrato, Ž aquilo a que os antigos chamavam "quase-
contrato": Ž um relacionamento que sem o ser, se aproxima do contrato, que significa que h‡
deveres e direitos para cada um dos lados. (Art. 465¼ CC - deveres do gestor, sendo que a al. a) Ž a
mais importante - mas o gestor n‹o est‡ obrigado a respeitar uma vontade contr‡ria ˆ lei, n‹o deve
continuar a fazer aquilo que o dono fazia ilegalmente. Portanto, se o dono do neg—cio j‡ n‹o
pagava d’vidas, o gestor pode paga-las, a n‹o ser que ele saiba que o devedor lhe disse que n‹o
queria que as d’vidas fossem pagas; O gestor deve tambŽm avisar o dono de neg—cio que assumiu a
gest‹o - dever lateral de aviso; O gestor deve prestar contas; e deve entregar-lhe tudo o que tenha
recibo de terceiros). - Deveres do Gestor (Art. 465¼ CC).

-!Na verdade, o gestor Ž alguŽm que atua sem obriga•‹o. N‹o tem procura•‹o, n‹o tem
mandato; ou atŽ pode ter uma procura•‹o j‡ caducada, por exemplo. Claro que esta autoriza•‹o
ou Ž convencional ou Ž legal: h‡ pessoas que t•m que gerir neg—cios alheios, porque a lei as
obriga (confronto com o dever penal geral de aux’lio), que Ž o caso dos pais, que t•m de cuidar
dos interesses do filho ao abrigo dos deveres paternais e aqui n‹o atuam como gestores.

-!O gestor, a partir do momento, em que respeita o interesse a vontade real ou presum’vel do
dono, e vai exercer uma gest‹o regular do neg—cio, o que n‹o quer dizer que ele n‹o possa vir a ser
responsabilizado se executar mal a gest‹o (se tiver culpa na execu•‹o na gest‹o). O gestor pode
iniciar uma gest‹o no interesse e segundo a vontade real e presum’vel do dono e atuar mal. Qual Ž
o critŽrio que permite saber se h‡ culpa ou n‹o na gest‹o? O CC n‹o refere esta quest‹o: apenas
refere o Art. 466¼, que refere uma culpa em fun•‹o do interesse do titular do dono, e n‹o uma
culpa por m‡ condu•‹o da gest‹o. H‡, ao lado desta culpa inicial, uma culpa subsequente, chamada
de culpa na execu•‹o da gest‹o (o gestor que praticar uma sŽrie de erros grosseiros na gest‹o).
Quando Ž que podemos considerar o gestor culpado?

*!Segundo a maioria dos autores, esta culpa do gestor ter‡ de ser apreciado em abstrato: teremos
de ver o que aquele gestor fez e o que um gestor normal faria, com conhecimentos mŽdios.
Tratando-se de terrenos agr’colas, o que Ž que um agricultor mediano faria. Se o gestor ficou
abaixo daquilo que o gestor mŽdio faria, tem de ser culpado, porque s— deve ser gestor quem, ˆ
partida, tiver capacidade para levar o assunto bem atŽ ao fim. Este critŽrio protege mais o dono
do neg—cio.

*!Mas o Antunes Varela d‡ muita import‰ncia ao fator altru’sta do gestor, e Ž menos exigente na
aprecia•‹o da culpa, e faz um critŽrio concreto. E este critŽrio leva a comparar aquilo que aquele
gestor fez com aquilo que aquele gestor verdadeiramente Ž: se aquele gestor j‡ gere mal as suas
coisas, n‹o pode ser considerado culpado, por n‹o ter feito algo que n‹o conseguia. Este critŽrio
protege mais o gestor do neg—cio.

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*!ƒ dif’cil encontrar-se um critŽrio intermŽdio. Mesmo aqueles que defendem o primeiro culpado,
referem uma responsabilidade mais reduzida, aplicando o Art. 494¼ CC. Esta quest‹o n‹o Ž muito
f‡cil de resolver.

*!O Prof. Brand‹o Proen•a j‡ n‹o est‡ convencido que o critŽrio concreto seja o mais adequado, a
n‹o ser nos actos de salvamento (o ato de gest‹o Ž destinado a salvar a vida ou a integridade f’sica
de alguŽm). Neste caso, a falta de gest‹o do gestor Ž compreens’vel e n‹o podemos estar a ser
muito exigentes quanto ao gestor. Mas quanto aos assuntos patrimoniais, o critŽrio do Prof. Varela
deixa o dono do neg—cio sem prote•‹o. Logo, para o Prof. Brand‹o Proen•a, reconhece que o
critŽrio abstrato, com alguma flexibilidade, Ž o mais adequado. Mas, se o gestor for profissional,
(ex.: agricultor profissional), aqui n‹o h‡ dœvida do critŽrio abstrato. Depende de quem Ž gestor.
No caso de gestores leigos, o prof. Brand‹o Proen•a, reconhece que n‹o Ž f‡cil, mas talvez o
critŽrio abstrato seja o mais correto.

-!Vamos agora analisar a parte do dono de neg—cio.

-!O dono do neg—cio, confrontado com a gest‹o, a partir do momento em que ele vem a saber que
que alguŽm atuou como gestor e que este lhe apresenta os resultados do que fez, pode ter duas
atitudes:

*!Ou aprova ou desaprova a gest‹o. Estas duas atitudes ter‹o consequ•ncias diferentes:

-!Se ele aprova, a aprova•‹o nos termos do art. 469¼ CC, implica a renœncia ao direito de
indemniza•‹o pelos danos devidos a culpa do gestor; e implica, combinando com o Art. 468¼CC,
que o dono do neg—cio seja obrigado a indemnizar o gestor das despesas e do preju’zo que haja
sofrido. A aprova•‹o ser‡ o ju’zo normal que o dono do neg—cio fa•a a partir do momento que ele
fez que o gestor atuou com a sua vontade.

-!A n‹o aprova•‹o est‡, ˆ partida, relacionada com a conclus‹o a que o dono do neg—cio chegue
que o gestor se afastou do seu interesse. Aqui o gestor ter‡ de reparar os preju’zos que a sua gest‹o
ter‡ causado.

-!Mas, nada impede, embora isso atŽ possa ser um comportamento abusivo, que o dono do
neg—cio n‹o aprove uma gest‹o, apesar de se aperceber que o gestor atuou dentro do seu interesse
e da sua vontade. Mas o gestor n‹o fica sujeito a esta aprecia•‹o arbitraria do neg—cio. O gestor
pode sempre provar que agiu segundo a vontade e o interesse do dono, e fazendo essa prova, ter‡
os mesmos direitos que teria caso tivesse havido aprova•‹o. Esta Ž a melhor forma de evitarmos a
conduta abusiva do dono que por e simplesmente n‹o aprova porque n‹o quer aprovar. Mas
mesmo que o gestor n‹o consiga fazer a prova dessa conformidade com o interesse e com a
vontade real ou presum’vel, o Art. 468¼ n¼2 CC, d‡-lhe sempre alguma indemniza•‹o ao abrigo
das regras do enriquecimento sem causa. Isto, para concluir, que um gestor tem defesas contra
uma atua•‹o arbitraria de um dono que se recuse caprichosamente a gest‹o. (LOOOOL)

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-!Nos casos em que o gestor tem uma atua•‹o culposa, a quem compete provar a culpa? A
doutrina parte do princ’pio que a gest‹o de neg—cios se aproxima de uma zona contratual, e diz
que quando o dono do neg—cio vem alegar que o gestor desrespeitou a sua vontade, h‡ uma
presun•‹o de culpa do gestor (Art. 799¼ CC) e Ž o gestor que tem de provar que na verdade
atuou bem (Ž a ele que lhe compete o —nus da prova de que teve uma atua•‹o regular). E este
critŽrio Ž o mesmo para a culpa da execu•‹o.

-!Art. 470¼ CC - a gest‹o de neg—cios n‹o d‡ direito a nenhuma remunera•‹o. Os œnicos


gestores remunerados s‹o os profissionais.

-!Em algumas situa•‹o h‡ complica•›es, porque aparece uma terceira personagem: muitas vezes os
gestores t•m a necessidade de fazer neg—cios jur’dicos, criando uma situa•‹o triangular. Neste caso,
o essencial Ž sempre sabermos em nome de quem Ž que o gestor faz o neg—cio. Ës vezes, o gestor
faz o neg—cio (compra, p ex) em nome do dono do neg—cio. Chama- se a isto gest‹o representativa
de neg—cios, embora o gestor n‹o seja representante (n‹o tem procura•›es), nem sequer
representante sem poderes Ž! Neste caso, o Art. 471¼ CC, que fala de representa•‹o sem poderes
erradamente, manda aplicar o disposto no Art. 268¼ CC, quanto ao terceiro envolvido. A aplica•‹o
desta norma vem nos dizer que o neg—cio s— Ž eficaz em rela•‹o ao dono do neg—cio, se ele ratificar
o neg—cio. Em rela•‹o ao gestor, porque ele n‹o contrata em seu nome, o neg—cio Ž ineficaz. Isto
significa, que se n‹o houver ratifica•‹o, este neg—cio Ž um neg—cio inœtil, porque n‹o vai produzir
efeitos. ƒ sempre uma situa•‹o complicada. A pessoa que atua como gestor deve sempre informar
o terceiro que atua como tal (sob pena de responsabilidade prŽ contratual), e o terceiro corre
sempre o risco de o neg—cio "ir por ‡gua abaixo".

-!2» parte do art. 478¼ CC (Art. 1181¼ CC).

-!N‹o se pode confundir ratifica•‹o com aprova•‹o. A ratifica•‹o Ž algo que apenas interessa
quando h‡ neg—cios feitos pelo gestor em que interv•m terceiros. Como s‹o coisas diferentes, nada
impede que haja uma coisa sem a outra, embora alguns autores discordem disto.

-!Caso Pr‡tico

. Na aus•ncia de Lu’s, Artur comprou fruta para impedir que a f‡brica de sumos deixasse de
produzir/laborar e as encomendas deixassem de ser cumpridas. Lu’s regressa, n‹o aprovando a
gest‹o, por considerar que as culpas compradas n‹o eram de boa qualidade. Quais os direitos de
Artur?

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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R.: - H‡ ou n‹o gest‹o de neg—cios? Sim, porque est‹o reunidos os pressupostos: alguŽm sem
autoriza•‹o, e na aus•ncia do dono do neg—cio, age no interesse e por conta do dono do neg—cio
(se Ž trabalhador da f‡brica, tambŽm h‡ um interesse pr—prio), gerindo um assunto alheio.

-!ƒ uma gest‹o regular ou irregular (gest‹o culposa)? Regular, porque foi no interesse e na
vontade real do dono da f‡brica.

-!Ter‡ havido culpa do gestor na execu•‹o da quest‹o? Estamos confrontados com uma n‹o
aprova•‹o da gest‹o. Esta n‹o aprova•‹o, n‹o est‡ no momento inicial, e relaciona-se com as
frutas de m‡ qualidade. A haver culpa, Ž na execu•‹o da gest‹o, e Ž aqui que se funda a n‹o
aprova•‹o. Ë partida, n‹o sendo aprovada a gest‹o, o Artur teria que provar que n‹o teve culpa e
de qualquer forma, em œltima an‡lise, ter’amos de ver se houve ou n‹o enriquecimento sem causa
(os sumos chegaram a ser vendido ou n‹o...). Ter’amos de aplicar um dos critŽrio de aprecia•‹o da
culpa, neste caso, porventura teremos alguŽm ligado ˆ f‡brica, e teria mais sentido aplicarmos um
critŽrio abstrato, que nos conclui pela culpa do gestor, porque ˆ partida era uma pessoa que devia
ter comprado fruta de melhor qualidade. E este Artur corre o risco de nada lhe ser pago, porque se
a fruta n‹o dava para aproveitar, nem pelo enriquecimento sem causa.

. E se Artur, contra a vontade presum’vel de Lu’s, embora sustentada em preceito legal, mandou
reparar a parede de um prŽdio de Lu’s que amea•ava ruir. Ser‡ Artur ressarcido das despesas de
repara•‹o?

R.: - O ressarcimento est‡ coberta, nos termos da al. a) do Art. 465¼ CC, por um preceito legal que
manda fazer a repara•‹o. Se o gestor fez isso, pode pedir ao dono que lhe pague as despesas que
fez, mesmo que o dono desaprove. ƒ um dos casos em que vemos em que, mesmo sem aprova•‹o,
o gestor Ž ressarcido, sobrepondo-se ˆ vontade presum’vel do dono.

. O mesmo Artur adquiriu um terreno cont’guo ˆ f‡brica por suspeitar do interesse de Lu’s na sua
aquisi•‹o. Quem deve pagar o pre•o do terreno?

R.: - Se ele comprar o terreno suspeitando que essa pessoa est‡ interessado, n‹o estou a agir como
gestor, porque uma mera suspeita de interesse n‹o pode fundamentar a atua•‹o de um gestor.
Assim, aqui n‹o est‹o preenchidos os pressupostos da gest‹o de neg—cios.

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Direito das Obriga•›es

Ter•a-Feira, 16 de abril de 2013, 17h00

Responsabilidade Civil

-!ƒ, a par do contrato, a mais importante das fontes das obriga•›es.

-!O que Ž uma responsabilidade civil?

*!ƒ o dever que recai sobre alguŽm de reparar danos que cause, desde que tenha praticado um
facto responsabilizante.

*ƒ dif’cil definir responsabilidade civil, sem trazermos logo a obriga•‹o que ela gera: que Ž a
indemniza•‹o, o dever de reparar os danos.

*!Esta defini•‹o permite-nos concluir que h‡ danos que uma pessoa pode sofrer sem que haja
responsabilidade civil. Esses danos ser‹o suportados pela pessoa que os sofre, porque a’ n‹o
podemos responsabilizar ninguŽm. Ex.: um pastor tem 50 ovelhas, que s‹o mortas por um raio,
n‹o h‡ responsabilidade civil, porque n‹o h‡ facto responsabilizante. Este pastor, caso n‹o tenha
um seguro, ter‡ de suportar este dano.

*!Porque na responsabilidade civil, vamos sempre procurar transferir o dano para a esfera do
respons‡vel. Ex.: Tu causaste este dano, Žs respons‡vel, logo ter‡s de o reparar, desde que ocorra
um facto responsabilizante.

-!A responsabilidade civil est‡ dividida em dois grandes dom’nios:

*Responsabilidade Civil Extra-Contratual ou Delitual (Brand‹o proen•a prefere "extra-


contratual". N—s iremos estudar esta);

*!Responsabilidade Civil Contratual ou Obrigacional (Brand‹o Proen•a prefere o


"Obrigacional", porque tanto est‡ ligada ao incumprimento de contratos, como de neg—cios
unilaterais, como ao incumprimento da lei, desde que a lei nos obrigue a algo e n—s n‹o o
fa•amos.)

-!Mas h‡ outras responsabilidades civis, que rigorosamente nem s‹o extra-contratual nem
obrigacional:

*!Responsabilidade Civil PrŽ-Contratual

*!Responsabilidade Civil P—s-Contratual

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-!H‡ alguns juristas, como o Prof. Menezes Leit‹o, que colocam estas duas œltimas
responsabilidades civis na chamada "Terceira Via da Responsabilidade Civi", com um regime
pr—prio e adequado.

-!Claro que h‡ muitas responsabilidades, mas a n—s s— nos interesse a civil, nesta ‡rea: fala-se de
responsabilidade moral, disciplinar, administrativa, penal ou atŽ contra-ordenacional.

-!A responsabilidade civil diferencia-se de todas estas, mas em muitas situa•›es ir‡ combinar- se
com a responsabilidade penal. Ex.: ofensa ˆ integridade f’sica de alguŽm, ou homic’dio, s‹o
situa•›es exemplos que ir‹o trazer as duas responsabilidades, ˆ semelhan•a do roubo ou do furto.
Logo, muitas situa•›es geram esta conex‹o entre as duas responsabilidades, que ter‹o, em sede de
processo penal, procedimentos espec’ficos, nomeadamente a quest‹o indemnizat—ria, atravŽs do
chamado princ’pio da ades‹o.

-!Mas independentemente disto, a responsabilidade civil tem objetivos diferentes da penal. A Penal
tem finalidades pœblicas, preventivas, repressivas; e a Civil tem finalidades privadas: existe para
reparar danos sofridos pelas pessoas - tem uma finalidade reparadora, re- integradora, que de
quando em vez, atŽ poder‡ ter um fim secund‡rio sancionat—rio.
Portanto, os objectivos s‹o diferentes, mesmo que os pressupostos atŽ possam ser iguais.

*!Na responsabilidade penal olha-se mais para o criminoso, e na civil mais para quem cometeu o
dano - s‹o perspectivas diferentes de ver as coisas.

-!Voltando ˆ responsabilidade civil extra-contratual e obrigacional, elas t•m diferen•as de regime.


O Prof. ir‡ colocar no campus um pequeno texto que ter‡ em pormenor estas diferen•as, mas
iremos abordar algumas diferen•as base agora. O que prova que n‹o Ž indiferente que n—s
fa•amos valer uma ou outra responsabilidade, e que elas s‹o diferentes, destacam-se algumas
principais diferen•as:

*!Enquanto na responsabilidade civil extra-contratual, a culpa deve ser provada pelo lesado
(regime regra: o lesado prova a culpa do lesante); na Responsabilidade Obrigacional, a culpa de
quem n‹o cumpre presume-se, e ter‡ de ser o pr—prio devedor que n‹o cumprir a demonstrar
que n‹o teve culpa naquele incumprimento;

*!O prazo de prescri•‹o numa responsabilidade extra-contratual, Ž um prazo-regra de 3 anos.


Portanto, aquele que sofreu o dano, tem 3 anos para vir exigir a indemniza•‹o; na Obrigacional, o
prazo pode ir de 6 meses atŽ 20 anos;

*!Enquanto que o regime da responsabilidade extra-contratual Ž praticamente um regime legal,


isto Ž, Ž a lei que nos diz como Ž que se calculam as indemniza•›es, que danos Ž que ser‹o
reparados ou n‹o, etc...; na responsabilidade Obrigacional, as pr—prias partes podem

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convencionar elas as consequ•ncias do incumprimento (maior import‰ncia da autonomia privada do


que na Responsabilidade extra-contratual, onde esta autonomia tem muito pouca import‰ncia).

*!Na responsabilidade extra-contratual, havendo v‡rios lesantes, eles v‹o responder


solidariamente (regime de responsabiliza•‹o solid‡ria); j‡ no campo obrigacional, havendo
v‡rios devedores que n‹o cumpram, eles, em princ’pio, ir‹o responder de uma forma conjunta.
No primeiro caso um responde por todos, e na segunda hip—tese todos eles respondem de per
si, isto Ž, cada devedor responde pela sua parte no incumprimento.

-!O que se torna mais complicado s‹o aqueles casos em que na mesma situa•‹o est‡ presente um
contrato, mas ao mesmo tempo o lesado sofre danos com prote•‹o extra-contratual.

*!Ex.: A faz um contrato de dep—sito com B, entregando o seu autom—vel, para que B o restitua
passado algum tempo. Mas quando o autom—vel Ž restitu’do, o dono verifica que esse autom—vel
tem danos.

*Ora, este caso, tanto nos leva para a responsabilidade obrigacional, porque este contrato de
dep—sito ter‡ sido mal cumprido; mas tambŽm nos leva para a responsabilidade extra- contratual, se
pensarmos que aqui h‡ uma il’citude cometida na viola•‹o do direito de propriedade do dono do
autom—vel;

*!Nestes casos, em que o lesado pode invocar as duas responsabilidades, chamam-se casos de
"concurso de responsabilidades". Mas a grande dœvida Ž: como resolver estes casos? Uma coisa Ž
certa, aqui n‹o h‡ duas indemniza•›es: o dano Ž s— um e a indemniza•‹o Ž s— uma; o que ela tem Ž
dois fundamentos diferentes. Este concurso de responsabilidades n‹o est‡ solucionado no CC. O
Prof. Vaz Serra tinha uma solu•‹o para ele, mas a solu•‹o n‹o foi consagrada. Logo, Ž a doutrina e
os tribunais que discutem isto. A doutrina resolve isto de duas formas. Claro que h‡ um
pensamento dominante.

-!De um lado, h‡ aquilo a que se chama um critŽrio do cœmulo de responsabilidades (critŽrio da


doutrina dominante). Este critŽrio tem tr•s desdobramentos:

*!Em primeiro lugar, aquilo a que se chama "doutrina da op•‹o", que o Prof. Brand‹o Proen•a diz
que Ž o critŽrio mais aceite. Isto Ž: o lesado tem de escolher. Ou seja, no caso do autom—vel, o
dono das duas uma: ou responsabiliza o deposit‡rio com base na responsabilidade extra-contratual,
ou ent‹o com base na responsabilidade obrigacional. Tem de escolher ou uma, ou outra! E,
fundamentalmente, era este o critŽrio que o Prof. Vaz Serra preferia.

*!Mas h‡ alguns autores que defendem a chamada "doutrina da a•‹o h’brida", ou seja, nesta
doutrina o lesado pode escolher as normas mais favor‡veis dentro de cada uma das duas
responsabilidade. O lesado, assim, constr—i uma fundamenta•‹o h’brida, aproveitando os aspetos
melhores dentro de cada um dos regimes de responsabilidade.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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*!Em terceiro lugar, embora este desdobramento seja apenas enunciado teoricamente, porque
ninguŽm o defende, Ž o chamado "critŽrio da duplica•‹o de a•›es". ƒ a possibilidade que o lesado
teria de, intentando uma a•‹o baseada numa das responsabilidades, caso essa a•‹o n‹o tivesse
•xito, ele poderia propor uma segunda a•‹o com base no outro fundamento.

-!Este sistema do cœmulo Ž o melhor sistema, desde logo, mas tambŽm parece que n‹o Ž de aceitar
muito a "doutrina da a•‹o h’brida", porque as normas t•m o seu pr—prio significado e n‹o
podemos destaca-las ao nossa sabor, descontextualizando-as. O caminho certo Ž, segundo Brand‹o
Proen•a e Antunes Varela, entre outros, o caminho da "op•‹o"

-!Mas, no nosso pa’s, h‡ um autor (entre outros) que defende um outro sistema. Prof. Almeida
Costa defende o sistema do "n‹o cœmulo das responsabilidades", isto Ž, havendo um contrato, a
œnica tutela que o lesado tem deve ser a tutela contratual. Portanto, n‹o Ž poss’vel a escolha. J‡ que
h‡ o contrato, h‡ que tirar as consequ•ncias do contrato. E atŽ diz o Prof.
Almeida Costa que isto nem Ž mau para o contrato, porque o regime obrigacional Ž o mais
favor‡vel. Este Ž o sistema Franc•s, da chamada "absor•‹o do fundamento extra-contratual pelo
fundamento contratual".

-!Claro que h‡ tribunais que t•m seguido a orienta•‹o do Prof. Almeida Costa, porque as decis›es
alternam muito entre o sistema de op•‹o e o sistema do n‹o cœmulo. Mas, o Brand‹o Proen•a diz
que a posi•‹o de Almeida Costa Ž redutora da tutela, privando o lesado das tutelas da ‡rea extra-
contatual, porque que o lesado v• a sua liberdade de escolher limitada.

-!Vamos estudar, por agora, a Responsabilidade Civil Extra-Contratual, que se divide em tr•s
sub-responsabilidades:

*!Subjetiva ou por facto il’citos - responsabilidade dependente da exist•ncia da culpa;

*!Objetiva - sem culpa, a que por vezes se chama, impropriamente, responsabilidade pelo
risco.

*!Responsabilidade por factos l’citos (esta Ž a menos importante, menos).

*!H‡ quem tente acrescentar outras variantes: Responsabilidade Civil pela Confian•a;

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-!Estudar hoje a responsabilidade civil Ž mais complexo do que aquilo que era h‡ trinta ou quarenta
anos atr‡s, porque foram surgindo novas responsabilidades, particularmente no dom’nio
profissional (dos mŽdicos, dos advogados, etc...). A responsabilidade foi-se, tambŽm, aliando ao
seguro de responsabilidade (em que muitos atŽ s‹o obrigat—rios, que Ž o que acontece no dom’nio
autom—vel), e hoje em dia praticamente s— existe a partir dos seguros, devido ˆs grandes
indemniza•›es que os particulares teriam de suportar. Isto vai-nos obrigar a que, nos acidentes de
via•‹o, ter sempre presentes as normas dos seguros e n‹o apenas as normas do CC.

-!De qualquer forma, o nosso sistema de seguros Ž um sistema chamado de socializa•‹o indireta, o
que significa que as seguradores s— pagam as indemniza•›es, averiguada que seja a responsabilidade
dos segurados, de uma forma geral. As seguradoras n‹o pagam imediatamente as indemniza•›es, e
primeiro asseguram-se da culpa.

*S— em casos muito restritos Ž que temos a chamada socializa•‹o direta, em que os danos s‹o
primeiramente pagos e s— depois Ž que se vai averiguar a responsabilidade. Esta socializa•‹o direta
est‡ prevista para as v’timas de crimes violentos, mas aqui Ž o Estado que responde pelos danos; e
tambŽm est‡ prevista nos "fundos de garantia" (ex.: autom—vel...), naqueles casos de
atropelamentos e em que o atropelante foge ou n‹o tem seguro. Aqui, primeiramente o que
interessa, Ž reparar o dano, e s— depois Ž que se vai averiguar a culpa; quando se descobre quem foi,
o fundo de garantia tem, numa segunda fase, o chamado "direito de sub-roga•‹o" sobre o culpado,
a fim de reaver a indemniza•‹o.

-!TambŽm se costuma perguntar qual Ž a fun•‹o da responsabilidade civil.

*!A fun•‹o, por mais voltas que se d•, Ž uma fun•‹o reparador de danos: restituir os lesados ao
estado em que se encontravam antes da les‹o. N‹o h‡ finalidades sancionat—rias ou repressivas, e
tanto n‹o h‡ que a indemniza•‹o nem sequer pode ultrapassar o valor do dano (a indemniza•‹o
corresponder‡ ao dano, e jamais ser‡ utilizada, no nosso sistema, para punir os danos - n‹o temos
a indemniza•‹o punitiva).

*!Claro que na ‡rea dos bens n‹o-patrimoniais, ai os tribunais poder‹o ser mais generosos,
mesmo com uma finalidade dilu’da sancionat—ria. Mas a finalidade Ž sempre mais a de proteger
quem sofreu o dano. A nossa responsabilidade civil n‹o tem essa tradi•‹o punitiva.

*!Agora, o que a indemniza•‹o ˆs vezes poder‡ conseguir, nos casos em que o lesante conseguiu
danos (enriquecimento sem causa), Ž retirar esses danos, considerando os ganhos que o lesante
possa ter obtido, se for o caso.

*!Portanto, de fun•‹o sancionat—rio, n‹o podemos falar a t’tulo principal, mas apenas residual (e
apenas na ‡rea de responsabilidade civil subjetiva - "quem agiu com dolo deve indemnizar mais do
que quem n‹o atuou com dolo" - h‡, aqui, alguma san•‹o, sempre numa perspectiva reduzida). As
san•›es devemos deixa-las para o direito penal ou para o direito das contra- ordena•›es, e n‹o para
a responsabilidade civil.

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Pressupostos da Responsabilidade Civil Subjetiva (s‹o cumulativos):

- Art. 483. n¼1 CC

1)!Facto volunt‡rio

2)!Il’citude - " violar ilicitamente os direitos de outrem"

3)!Nexo de imputa•‹o do facto ao lesante - "aquele que com dolo ou mera culpa"

4)!Dano (ou danos) - "pelos danos"

5)!Nexo de causalidade entre o facto e os danos - "resultantes da viola•‹o"

-!O Facto Volunt‡rio Ž o mais simples de todos - Ž uma conduta, um comportamento, que pode
ser ativo ou negativo, domin‡vel/control‡vel pela vontade. A pessoa n‹o est‡ for•ada a fazer
algo, ninguŽm a obrigou a causar aquele dano. Por outro lado, o dano n‹o foi causado por
circunst‰ncia de for•a maior, nomeadamente climatŽricas, entre outras. Houve, efetivamente, uma
conduta humana, dentro da ideia de que s— podemos responsabilizar animais ou coisas.

*!Facto volunt‡rio anda tem a ver com Facto Intencional - o facto volunt‡rio pode ser intencional
ou n‹o intencional. Eu se passar em algum local e por distra•‹o partir um objeto, o meu facto Ž
volunt‡rio mas n‹o Ž intencional, e se se verificarem os outros pressupostos, eu serei
responsabilizado. NinguŽm me obrigou a partir aquilo!

*!H‡ algumas atitudes nossas, causadoras de danos, que podem ser mais discut’veis no
sentido da sua voluntariedade ou n‹o, que s‹o as chamadas atitudes/comportamentos
reflexos. ƒ duvidoso que isso seja um facto volunt‡rio, ˆ partida n‹o o ser‡! S‹o os nossos
comportamentos por instinto, por exemplo! Mas, j‡ as distra•›es, isso j‡ s‹o factos
volunt‡rios!

-!A ilicitude: n‹o Ž f‡cil definirmos ilicitude. A ilicitude Ž uma contrariedade ao direito. ƒ a pr‡tica
de algo que o Direito n‹o quer que seja praticado, desaprovado pelo ordem jur’dica. ƒ um
comportamento anti-jur’dico. ƒ uma atitude reprovada objetivamente, por refer•ncia ˆ ordem. Isto
porque a culpa nos vai dar uma reprova•‹o subjetiva (censura ˆ pessoa), enquanto que aqui vemos
as coisas objetivamente. Apesar disto, a nossa lei n‹o definiu a ilicitude. O legislador apenas nos d‡
tipos de ilicitude:

*!GenŽricos/Gerais

-!Viola•‹o de direitos absolutos alheios (que s‹o, sobretudo, direitos de personalidade e


direitos reais...);

-!Viola•‹o de normas que protegem interesses particulares (sempre que alguŽm viole uma
norma ou v‡rias, sendo que essas normas protegem interesses particulares, est‡ a cometer

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uma ilicitude). S‹o normas relativas ˆ constru•‹o, ‡ circula•‹o autom—vel, na ‡rea dos consumidores,
etc... Esta categoria leva-nos a uma cuidadosa tarefa interpretativa: temos de averiguar 1) se h‡
normas que foram violadas; 2) verificar o que Ž que aquelas normas queriam proteger (interesses
pœblicos apenas? ou interesses privados?); 3) Ž preciso constatar que o dano Ž um daqueles danos
que aquela norma queria prevenir.

*!Espec’ficos

-!Art. 486¼ CC - refere-se ˆs omiss›es. Pode causar estranheza que eu possa ser responsabilizado
civilmente por uma omiss‹o, por eu n‹o fazer nada. E na verdade, h‡ situa•›es, atŽ que eu se
nada fizer nem serei responsabilizado, porque este artigo s— me responsabiliza por omiss‹o se
houver, por for•a da lei ou de neg—cio jur’dico, o dever de praticar o ato omitido. Ex.: h‡ deveres
de atua•‹o que resultam da lei: h‡, p ex, um diploma legal sobre os nadadores salvadores; mas
tambŽm h‡ pessoas que por neg—cio jur’dico tem o dever de atuar: ex.: contratos de vigil‰ncia.

*!O Prof. Almeida Costa, e com raz‹o, faz uma interpreta•‹o alargada desta norma. E o
alargamento consiste no seguinte: quanto ˆ palavra "lei" temos de interpretar o seu significado lato
e perceber que ela se refere a qualquer lei, qualquer regra jur’dica escrita. Mas tambŽm quanto ˆ
express‹o "Neg—cio Jur’dico", ALmeida Costa entende que mesmo que o neg—cio jur’dico seja
inv‡lido, estes deveres se mant•m. Basta a verifica•‹o de um contrato de facto, para levar ˆ
responsabiliza•‹o por omiss‹o.

*!Mas a nossa doutrina e jurisprud•ncia v‹o mais longe, alargando este artigo noutra base:
chamando para este base os chamados deveres de preven•‹o de perigo, que tambŽm fazem surgir
uma responsabilidade por omiss‹o (ou "deveres do tr‡fico"). S‹o deveres que recaem sobre todos
aqueles que em locais privados ou pœblicos, criam ou mantŽm situa•›es de perigo, n‹o adoptando
as medidas preventivas que seriam necess‡rias, como os avisos de perigo, as barreiras, atŽ sinais
indicadores do perigo, por exemplo, e depois o dano vem a verificar-se.
Para ilustrar estes deveres, surge um caso alem‹o ver’dico. O Chamado caso da mesa de bilhar:
num cafŽ estavam umas pessoas a jogarem ˆs cartas e entrou um grupo de pessoas para jogar
bilhar, e ambas as mesas estavam muito juntas. Um jogador de bilhar, com o taco, provocou danos
graves num jogador de cartas, sendo o dono de cafŽ responsabilizado por viola•‹o dos deveres de
perigo, porque as mesas n‹o estavam devidamente separadas. Aqui, o dono do cafŽ nunca poderia
fugir ‡ responsabilidade dizendo que nN‹o foi ele que deu a tacada", porque foi ele que criou o
perigo, e tambŽm n‹o pode vir invocar comportamentos dolosos de terceiros. Mas, entre n—s, esta
figura dos deveres de preven•‹o de perigo, e embora os tribunais fa•am uma boa aplica•‹o deles,
n‹o s‹o assim t‹o necess‡rios, porque temos uma sŽrie de normas (491¼ atŽ ao 493¼ CC, entre
outras), que no fundo j‡ cobrem estes casos. Estas normas s‹o express›es deste dever. Mas, se
estas normas n‹o servirem, a’ sim, aplicamos esta figura. Portanto, estes deveres permitem-nos
alargar o campo das omiss›es, e t•m interesse atŽ para casos em que n‹o h‡ procedimentos
normativos adoptados (n‹o h‡ normas).

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Direito das Obriga•›es

Quarta-Feira, 17 de abril de 2013

-!Art. 484¼ CC

-!A ofensa do bom nome Ž um exemplo da liga•‹o de responsabilidade civil e de


responsabilidade penal. Vamos ter crime de difama•‹o, por exemplo.

-!Este artigo tambŽm nos coloca, muitas vezes, perante uma colis‹o de direitos: direito ao bom
nome/personalidade, em contraposi•‹o com o direito ˆ liberdade de informa•‹o.

*!A impresa, se o facto for falso, n‹o o devem divulgar. Se for verdadeiro, s— o deve divulgar
por raz›es de interesse pœblico e n‹o por puro sensacionalismo.

-!Art. 485¼ CC - conselhos, recomenda•›es ou informa•›es

-!Esta norma desdobra-se em duas partes muito diferentes:

*n¼1 - vemos que o simples facto de aconselharmos alguŽm, ou de fazermos uma recomenda•‹o ou
darmos uma informa•‹o, isso n‹o nos responsabiliza, mesmo que haja neglig•ncia da nossa parte.
Parte-se do princ’pio de que o destinat‡rio do conselho Ž que deve filtrar a veracidade do conselho.

*!n¼2 - altera-se o panorama, consagrando-se uma responsabilidade por esta ilicitude, em tr•s
situa•›es: 1) Quando se tenha assumido a responsabilidade pelos dados (assun•‹o garant’stica da
responsabilidade); 2) Quando haja um dever jur’dico de dar conselho, recomenda•‹o ou
informa•‹o (entra a matŽria ˆ volta dos consumidores), sendo que a lei n‹o distingue neglig•ncia ou
dolo; 3) tambŽm h‡ obriga•‹o de indemnizar quando o procedimento do agente constitua facto
pun’vel (ponte para a responsabilidade penal, porque em alguns casos, estes procedimentos s‹o
criminosos).

-!Ë lista dos tipo de il’citos espec’ficos (j‡ vimos o Art. 484¼ e o Art. 485¼CC), h‡ que
acrescentar mais um caso: o abuso do direito. H‡ que entenda que n‹o deva gerar
responsabilidade civil, mas h‡ quem entenda o contr‡rio (maior nœmero da doutrina).

-!Assim, a maioria da doutrina (Antunes Varela, Almeida Costa, Menezes Leit‹o) entende que o
abuso de direito (mais ligado ˆ ofensa dos bons costumes) pode constituir fundamento para a
responsabilidade civil. Na verdade, os grandes casos em que o abuso de direito suscita
responsabilidade civil, t•m a ver com aquelas hip—teses em que as pessoas ofendem os bons
costumes contratuais.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Este pressuposto da ilicitude tem de ser completado com a refer•ncia ˆs chamadas causas de
justifica•‹o da ilicitude. Porque nem sempre que se viola um direito subjetivo alheio temos
ilicitude. Temos de ver se essa viol•ncia est‡ justificada ou n‹o.

-!Causas de Justifica•‹o de Ilicitude: h‡ causas gerais e causas especiais.

*!Causas Gerais

-!N‹o h‡ ilicitude quando o agente lesante atua no exerc’cio de um direito. Ex.: pessoa que entra
num prŽdio que n‹o lhe pertence para apanhar uma fruta, sendo certo que lhe foi conferido esse
direito, n‹o h‡ ilicitude. Mas, esta causa genŽrica s— serve de justifica•‹o desde que eu n‹o esteja a
exercer abusivamente o meu direito: Ž preciso que esse exerc’cio do direito seja feito regularmente;
Em segundo lugar, quando exer•o o meu direito Ž preciso que este direito n‹o entre em colis‹o
com o direito alheio: Ex.: posso ter um direito econ—mico, como montar uma f‡brica, mas
naturalmente que se os ru’dos dessa f‡brica come•arem a lesar os direitos de personalidade alheios,
h‡ aqui uma colis‹o de direitos e ˆ partida ir‹o prevalecer os direitos de personalidade sobre os
direitos de cariz econ—mico, e portanto como estou a exercer mal o meu direito econ—mico, estou
a exercer ilicitude. Logo: n‹o podemos dizer que a partir do momento em que se est‡ a exercer um
direito, est‡ tudo bem, porque n‹o est‡, porque temos de ter em conta o abuso de direito e o
direito dos outros.

*!- Colis‹o de direitos: Art. 335¼ CC

-!Sempre que alguŽm cause danos mas estando essa pessoa em cumprimento de um determinado
dever, n‹o h‡ ilicitude nem dever de indemnizar. O cumprimento do dever pode ser ordens do
tribunal, por exemplo. O cumprimento deste dever justifica o dano, mas tambŽm n‹o podem ser
causados mais danos do que aqueles que o incumprimento do dever justifica.

*!Ex.: cumprimento de ordens de despejo dadas pelos tribunais.

*!Causas Especiais

-!A•‹o Direta (AD)

-!Leg’tima Defesa (LD)

-!Estado de Necessidade (EN)

-!Consentimento do Lesado (CL)

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Cada uma destas figuras tem as suas notas pr—prias. Em alguns casos pode ser dif’cil
separarmos um LD de um EN, mas cada uma delas tem os seus recortes pr—prios, agora
referidos:

*!A•‹o direta (Art. 336¼CC) - Em primeiro lugar, implica recurso ˆ for•a (h‡ sempre uma
determinada obriga•‹o, n‹o necessariamente violenta, mas admite-se o recurso ˆ for•a, nas
formas descritas no n¼2 do Art. 336¼CC).

-!Ex.: inquilino que resiste ao exerc’cio do direito do senhoria a entrar em sua casa: o senhorio
pode recorrer ˆ AD para entrar.

-!Ex.: o devedor que se apressa a fugir com o objeto que pertence ao credor, e o credor fura- lhe
dois pneus para evitar a fuga, ao abrigo da AD.

-!Em segundo lugar, a AD s— serve para assegurarmos os nossos pr—prios direitos, e ao


contr‡rio de outras, n‹o serve para defender direitos de terceiros.

-!Mas esta figura tem tambŽm os aspetos gerais de todas estas causas de justifica•‹o: s— Ž poss’vel
recorrer ˆ AD se houver impossibilidade do recurso aos meios normais em tempo œtil,
nomeadamente com o recurso ˆs autoridades, p ex; depois, a AD n‹o pode exceder o que for
necess‡rio para evitar o preju’zo (princ’pio da proporcionalidade).

*!Leg’tima Defesa (337¼CC) - enquanto que na AD h‡ uma iniciativa, uma "ataque", na LD h‡


uma defesa: vamo-nos defender ou defender alguŽm de uma agress‹o patrimonial ou pessoal. Esta
agress‹o tem de ter duas caracter’stica: 1) Tem de ser atual (n‹o pode ser uma agress‹o que j‡
ocorreu nem que v‡ ocorrer no futuro); e 2) Tem de ser contra a lei, contra a•›es il’citas, o que
significa que n‹o h‡ LD contra AD.

-!A circunst‰ncia da lei exigir apenas que a agress‹o seja il’cita, faz permitir que se exer•a LD
contra agress›es de inimput‡veis. Mas j‡ Ž mais controverso se pode haver LD perante ataques de
animais: o entendimento dominante Ž de que n‹o nos podem propriamente agredir (n‹o h‡ uma
conduta), o que significa que se um animal me ataca eu sou posso usar o EN. Mas h‡ quem n‹o
pense assim!

-!A LD Ž a causa de justifica•‹o em que o princ’pio da proporcionalidade est‡ mais presente,


porque o preju’zo causado pelo ato n‹o pode ser manifestamente superior ao que pode resultar da
agress‹o (ca’mos no excesso de LD). Mas tambŽm pode haver exclus‹o da ilicitude em excesso de
LD (n¼2 do Art. 337¼ CC).

-!Mas tambŽm Ž leg’timo que haja LD e AD putativa (Art. 338¼ CC). A LD putativa Ž aquela
situa•‹o em que h‡ um erro sobre os pressupostos da LD. Afinal n‹o havia agress‹o nenhuma e a
pessoa tomou determinado gesto como agressivo, e defendeu-se. Se o erro for desculp‡vel n‹o h‡
indemniza•‹o; se n‹o o for, h‡ lugar a indemniza•‹o do preju’zo.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Naturalmente que a LD leva-nos muito longe, e atŽ tem mais interesse na ‡rea penal do que na
‡rea civil.

-!Pode-se discutir se h‡ LD no suic’dio, e aplicando o Art. 337¼ CC a quest‹o est‡ em saber se o


suic’dio Ž um ato il’cito (justifica-se aqui a LD) ou l’cito. O prof. Antunes Varela refere-se a isto.

*!Estado de Necessidade (Art. 339¼CC) - o ponto de partida para o EN Ž a exist•ncia de uma


situa•‹o de perigo. Este perigo de um dano pode atingir ou um terceiro ou a pr—pria pessoa. Em
segundo lugar, o EN vai destruir ou danificar coisas alheias, como meio de afastamento do perigo.
Claro que o artigo s— fala em destrui•‹o ou danifica•‹o, mas tambŽm h‡ que pensar na utiliza•‹o de
coisas alheias.

-!Ex.: o c‹o que me ataca e eu sou obrigado a mata-lo.

-!Ex.: uma pessoa que em virtude de um inc•ndio, salta de um primeiro andar para cima de um
autom—vel terceiro.

-!O dano que se est‡ a afastar tem de ser manifestamente superior.

-!Em terceiro lugar, o EN Ž a œnica causa de justifica•‹o de ilicitude em que apesar de n‹o haver
ilicitude surge uma obriga•‹o de indemniza•‹o. Ao surgir esta obriga•‹o de indemniza•‹o,
podemos dizer que esta responsabilidade Ž por facto l’citos (Art. 339, n¼2 CC), porque o legislado
entendeu, por um critŽrio de justi•a, que era preciso indemnizar os danos sofridos pelo terceiro
que n‹o teve culpa. Esta indemniza•‹o calcula-se por duas formas diferentes:

*!Na primeira parte do n¼2 - "se o perigo for provocado por sua culpa exclusiva" - se quem
destr—i Ž aquela pessoa que afinal criou o perigo (culpa exclusiva), esta obriga•‹o de
indemniza•‹o Ž justificada por si, e Ž uma responsabilidade subjetiva;

*!J‡ noutros casos, em que o perigo Ž acidental, o tribunal pode fixar uma indemniza•‹o
equitativa, em termos de flexibilidade, condenando-se n‹o s— o agente, como aqueles que
tiraram proveito do ato, como aqueles que contribu’ram para o EN.

*!O Prof. Almeida Costa entende este artigo de forma diferente dizendo que Ž poss’vel aplicar a
norma ˆqueles casos em que se lesam direitos pessoais alheios, desde que os bens patrimoniais a
salvaguardar sejam de valor muito superior aos bens pessoais lesados. ƒ discut’vel esta
interpreta•‹o desta norma desta feita, porque o legislador Ž muito claro falando de "coisa alheia",
n‹o admitindo este tipo de sacrif’cios. O Prof. Almeida Costa atŽ vai mais longe, concedendo o
EN no plano de relacionamento de bens pessoais de um lado e bens pessoais do outro, mas o Prof.
Brand‹o Proen•a discorda.

*!Consentimento do Lesado (Art. 340¼CC) - Ž uma figura diferente das anteriores. O CL explica-
se com facilidade se pensarmos que as pessoas s‹o protegidas na ofensa dos seus direitos, gozam
de tutela, mas podem prescindir dessa tutela, podem consentir a les‹o. Mas o

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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consentimento tem limites, isto Ž, tem de se salvaguardar determinadas reservas: quando o


consentimento for contr‡rio aos bons costumes a uma proibi•‹o legal (ex.: pessoa pedir a outra
que a mate), o consentimento n‹o exclui a ilicitude. Claro que depois na parte indemnizat—ria,
poderia haver uma relev‰ncia do consentimento, mas a ilicitude estava l‡!

*!H‡ uma zona que Ž a das interven•›es mŽdico-cirœrgicas.

*!H‡ o consentimento expresso, mas a lei prev• no n¼3 um chamado consentimento


presumido (ex.: em acidentes em que a pessoa est‡ inconsciente e n‹o pode dar o seu
consentimento.

*!E alguma doutrina (Prof. Almeida Costa, ou Antunes Varela) aplicam ainda o consentimento
t‡cito ˆs chamadas les›es resultantes da pr‡tica desportiva. Estes autores entendem que o dano
est‡ justificado por um consentimento t‡cito, a n‹o ser que haja uma les‹o dolosa, ou que tenham
sido violadas as chamadas regras do jogo, porque aqui o consentimento j‡ n‹o cobriria estas
les›es. Seria uma espŽcie de venire contra factum pr—prio se o jogador lesado viesse
responsabilizar o outro.

-!Assun•‹o do Risco

-!Culposa: muitas vezes os lesados assumem o risco culposamente. Ex.: A aceita boleia de B,
condutor embriagado. Aqui h‡ a culpa do pr—prio lesado.

-!N‹o culposa: Ž o caso destes jogos desportivos

-!Uma vez vista a ilicitude, vamos entrar noutro pressuposto da Responsabilidade Civil
Subjetiva: pressuposto do nexo de imputa•‹o do facto ao lesante (n‹o se limita apenas ˆ
quest‹o da culpa).

-!Temos, em primeiro lugar, de analisar a imputabilidade. S— Ž censur‡vel quem for imput‡vel. No


direito Civil, h‡ que saber a idade em que presumivelmente come•a a imputabilidade.

-!A imputabilidade civil nada tem a ver com a capacidade de exerc’cio de direitos (que come•a, de
uma forma geral, com os 18 anos - mas esta capacidade de exerc’cio interessa mais para o campo
negocial). Na responsabilidade civil estamos a lidar com factos, com condutas! O que tem sentido Ž
vermos se as pessoas que praticam esses factos compreenderam o que estavam a fazer e se tiveram
possibilidades de se determinar de acordo com essa interven•‹o. Segundo a lei, Art. 488¼CC, a
imputabildiade exige capacidade de entender ou (ou/e) querer.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Em segundo lugar, temos de ver quando Ž que n—s podemos, de uma forma geral, considerar
determinadas pessoas imput‡veis. O critŽrio decisivo tem a ver com o Art. 488¼ CC, mas o
legislador d‡-nos algumas indica•›es:

-!Presumem-se inimput‡veis os interditos por anomalia ps’quica

-!Mas tambŽm s‹o presum’veis inimput‡veis os menores de sete anos, abrangendo os sete anos
inclusive.

-!Mas esta presun•‹o pode ser afastada. Pode ser poss’vel provar que o menor de 7 anos ou que
o interdito sabia o que estava a saber. Logo, Ž uma presun•‹o relativa.

-!E tambŽm o facto de uma criada de 10 anos ser, ˆ partida, considerar imput‡vel, n‹o quer
dizer que o seja efetivamente. Aqui, pode-se provar a imputabilidade.

-!No fundo, o critŽrio decisivo Ž sempre a averigua•‹o da tal posse da capacidade de entender ou
querer.

-!Mas, h‡ pessoas perfeitamente imput‡veis, que podem incorrer numa inimputabilidade


transit—ria. Destes casos de inimputabilidade epis—dica s‹o exemplos de: pessoa que tem ataques
epilŽticos, ou a embriaguez provocado por terceiro, ou o caso de uma febre muito elevada, ou de
sonambulismo. Estes casos est‹o referidos no n¼1 do Art. 488¼ CC, um pouco por interpreta•‹o
ˆ contrario, porque este n¼1 tambŽm prev• o caso das pessoas culposamente se colocarem numa
posi•‹o de inimputabilidade.

-!Os inimput‡veis n‹o s‹o pac’veis de censura. Mas, por outro lado, causaram danos, e n—s
devemos sempre olhar para a Responsabilidade Civil numa perspectiva reparadora dos danos. O
CC, quanto aos ininmput‡veis vigiados, tem a solu•‹o de responsabilizar os vigilantes pelos atos
dos inimput‡veis. E tambŽm acontece que se esses vigilantes n‹o puderem ser responsabilizados
porque v•m provar que n‹o t•m culpa, o Art. 489¼ CC permite que o Tribunal condene os
pr—prios inimput‡veis a reparar o dano (A t’tulo subsidi‡rio e em termos de equidade). Mas o CC
j‡ n‹o nos d‡ solu•‹o para aqueles casos em que os danos s‹o causados pelos inimput‡cveis
transit—rios, porque aqui, ˆ partida parece que o dano fica sem repara•‹o, porque eles
naturalmente n‹o t•m vigilantes. Mas a doutrina defenda que se fa•a uma aplica•‹o anal—gica do
Art. 489 do CC.

-!Quest›es da culpa propriamente dita

-!A culpa traduz-se em factos, coisas que se fazem e que n‹o se fazem. Mas, de qualquer forma,
enquanto que a ilicitude censura as pessoas numa perspectiva objetiva, a culpa censura as pessoas
numa perspectiva individual. Por isso Ž que se diz que h‡ sempre um ju’zo individual de censura:
"uma determinada pessoas podia e devia ter procedido de outra maneira; tinha capacidade para
isso".

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Mas a culpa tem intensidade diferentes, o que nem sempre Ž facil de averiguar. Tem duas
grandes modalidades: 1) dolo (mais grave); 2) neglig•ncia (menos grave).

-!No dolo (dolo direto) h‡ inten•‹o de causar o dano, o agente quer matar, quer roubar, etc...

-!A neglig•ncia tem mais a ver com faltas de cuidado, de zelo, de aten•‹o.

-!O dolo e a neglig•ncia t•m interesse na responsabilidade civil devido ˆ sua distin•‹o: se a pessoa
atua com dolo, responde pelos danos que cause; se a pessoa, por caso, for apenas negligente
(maioria das situa•›es), ela poder‡, por aplica•‹o do Art. 494¼ CC, ser condenada numa
indemniza•‹o mais reduzida. Mas isto, tambŽm, s— ir‡ acontecer, reunidos que sejam os
pressupostos do Art. 494¼ CC: a neglig•ncia ter‡ de ser leve (n‹o pode ser grave - isto, porque, a
neglig•ncia tem graus: h‡ a neglig•ncia grave, leve, e h‡ a lev’ssima, que praticamente hoje n‹o tem
relevo). Ser‡ grave se a sua conduta consistir numa grosseira falta de cuidado ou aten•‹o - Ž o caso
do condutor que entra na Auto-Estrada em contra-m‹o. A neglig•ncia chamada leve Ž aquela falta
de cuidado normal, que a pessoa mŽdia teve, a neglig•ncia pr—pria do bom pai de fam’lia (critŽrio
de normalidade). A neglig•ncia lev’ssima praticamente n‹o tem interesse. Ora, par aplica•‹o do Art.
494¼ CC uma coisa Ž certa: s— pode ser aplicado se a neglig•ncia for leve; se for grave, ser‡ igual,
para efeitos indemnizat—rios, ao comportamento lesado. Mas o Art. exige ainda que se atenda ˆ
situa•‹o econ—mica do lesante e do lesado, para fazer reduzir a indemniza•‹o. (Aqui h‡ uma certa
fun•‹o sancionat—ria da responsabilidade civil).

-!O dolo tem tr•s modalidades: 1) direto; 2) necess‡rio; 3) eventual.

No direito a pessoa quer causar o il’cito danoso; No necess‡rio a pessoa n‹o quer, mas o facto
danoso Ž necess‡rio para a sua conduta; No eventual a pessoa conforma-se com o dano, sendo
indiferente que se verifique ou n‹o a situa•‹o violadora, "a pessoa 't‡-se nas tintas maninhooo", by
Brand‹o Proen•a. Mas, para efeitos da indemniza•‹o, estes dolos t•m todos o mesmo tratamento.

-!A neglig•ncia, para l‡ dos graus j‡ referidos, tambŽm pode ser consciente ou n‹o consciente.
Consciente se a pessoa prev• a possibilidade do il’cito danoso se verificar, mas confia que n‹o vai
ocorrer (neglig•ncia grave tambŽm). Na Inconsciente, o indiv’duo nem sequer representa a
possibilidade de acontecer um ilicito danoso. E aqui, tambŽm para efeitos de indemniza•‹o, n‹o h‡
diferen•a. O que h‡ diferen•a Ž na gravidade ou n‹o gravidade das neglig•ncias.

-!O dolo tem ainda uma componente chamada intelectual. Tem de ter consci•ncia da sua ilicitude.
ƒ claro que esta consci•ncia da ilicitude n‹o abrange aqueles conhecimento daqueles aspetos gerais
que todos temos de ter ("ah e tal, n‹o sabia que n‹o podia matar" - LOL Ž uma desculpa, logo n‹o
serve para desculpar atravŽs deste elemento intelectual para n‹o sermos responsabilizados por
dolo).

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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*!Por outro lado, ainda dentro do elemento intelectual do dolo, e aproveitando o exemplo do Prof.
Varela em que a pessoa rouba um casaco alheio, s— haver‡ dolo se a pessoa souber que o casaco Ž
de outro - para haver dolo Ž preciso um conhecimento das circunst‰ncias de facto que
condicionam a ilicitude.

-!A quest‹o, para n—s, mais importante Ž a de saber como Ž que se avalia a culpa? Como Ž que um
tribunal chega a uma conclus‹o de que alguŽm teve culpa? H‡ dois critŽrios:

*!CritŽrio concreto - vamos comparar a maneira de ser de determinada pessoa, vamos ver as suas
qualidades e defeitos, ver o que ela fez, compara-la com ela mesmo, para sabermos se aquilo que
ela fez Ž o que costuma fazer ou n‹o. Se chegarmos ˆ conclus‹o que ela foi distra’da, mas que ela Ž
uma pessoa que se distrai muito, aplicando este critŽrio ela n‹o tem culpa. Se a pessoa se atrasa
sempre, ent‹o por este critŽrio n‹o tem culpa no atraso do incumprimento do contrato. Mas, e se
estivermos perante uma pessoa que no seu dia-a-dia Ž uma pessoa cuidadosa? Ent‹o, ser‡
considerada culpada! Esta solu•‹o Ž tremendamente injusta, protegendo os distra’dos! Logo, este
critŽrio concreto n‹o Ž defendido (O Dr. Antunes Varela aplica-lo ˆ gest‹o de neg—cio, mas
Brand‹o Proen•a discorda, a n‹o ser naqueles atos de salvamento e pessoais).

*!CritŽrio abstrato de aprecia•‹o da culpa (Ž o defendido pela doutrina) - vamos comparar aquilo
que a pessoa fez com aquilo que, naquelas circunst‰ncias, teria feito uma pessoa normal, que a lei
define como "bom pai de fam’lia". Este bom pai de fam’lia Ž a constru•‹o de uma pessoa com
qualidades mŽdias. ƒ alguŽm que temos de ver como pessoa medianamente cuidadosa, atenta,
zelosa, mas tambŽm n‹o podemos construir critŽrios muito exigentes nem poucos exigentes. H‡
v‡rios bons pais de fam’lia: o pai de fam’lia mŽdico, o advogado, etc...

-!Este Ž o critŽrio que a lei nos d‡ no Art. 487¼ CC, adoptado atŽ no direito ingl•s (figura do
homem razo‡vel) - perspectiva Žtica

-!Aplicado na ‡rea da responsabilidade Obrigacional

-!Embora a lei n‹o o diga, nesta aprecia•‹o abstrata da culpa, h‡ sempre que apurar a culpa
vendo duas coisas: (as defici•ncias da culpa e as da conduta):

-!tentando apurar se aquela pessoa falhou naquilo que se chama as defici•ncias da vontade (se foi
zelosa, diligente, etc...), h‡ pessoas que por mais cuidado que tenham, elas fazem mal as coisas
porque elas n‹o tem prepara•‹o, saber, conhecimento para as fazer, e nem devia sequer meter-se
nisso. Aqui estamos a abordar a culpa naquilo que s‹o as defici•ncias da conduta. Ex.: "ah e tal,
eu fiz tudo com o todo o cuidado." - isto apenas afasta as defici•ncias da culpa, mas n‹o as da
conduta.

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-!A culpa, tal como a ilicitude, tambŽm tem causas que a atenuam (culpa enfraquecida, mais
atenuada). Que causas?

*!Uma delas exclui a culpa totalmente: inimputabilidade. N‹o h‡ hip—teses de estarmos a


censurar o inimput‡vel

*!O erro de facto n‹o culposo tanto pode excluir como atenuar a culpa. A LD putativa Ž uma
daquelas hip—teses que exclui a ilicitude, mas mesmo que n‹o exclua a ilicitude, poder‡ atenuar
ou excluir a culpa.

*!O medo invenc’vel - tambŽm pode ocorrer na LD: as pessoas ficam com medo e agem
desporporcionadamente. O medo exclui ou atenua a culpa.

*!H‡ uma quarta causa mais difusa, que pode ser invocada se as circunst‰ncias o permitirem. ƒ a
desculpabilidade, ou inexigibilidade, isto Ž, a pessoa invocar que n‹o lhe era exig’vel, naquelas
circunst‰ncias, que ela atuasse de outra forma.

-!Relativamente a alguns profissionais, nomeadamente quanto aos profissionais banc‡rios, ou


aqueles que trabalham na ‡rea dos valores mobili‡rios, a legisla•‹o parece exigir um critŽrio mais
exigente de aprecia•‹o da culpa. Porque, fala em elevados padr›es de delig•ncia, parecendo que se
est‡ a ultrapassar o critŽrio do bom pai de fam’lia.

*!Brand‹o Proen•a n‹o cr• que se ultrapasse o critŽrio do bom pai de fam’lia, porque diz que ele
deve ser adequado a cada setor. ƒ natural que este tipo de profissionais tenham de agir com muito
cuidado, logo n‹o Ž uma ultrapassagem do critŽrio do bom pai de fam’lia, Ž antes uma adapta•‹o.

A prova da culpa

-!Quem tem de culpar a culpa?

-!O princ’pio geral Ž o de que quem tem de provar a culpa Ž quem sofre o dano. ƒ assim porque
quem sofre o dano Ž quem vem pedir uma indemniza•‹o. Ora, para eu pedir uma indemniza•‹o
tenho de a fundamentar numa responsabilidade, e para fundamentar a responsabilidade tenho
de fazer a prova dos factos constitutivos da responsabilidade, entre eles a culpa (Art. 342, n¼1
CC).

-!Art. 487¼, n¼1 - Ž ao lesado que incumbe provar a culpa do autor da les‹o.

-!Mas ˆs vezes Ž dif’cil provar a culpa de alguŽm e, por isso, os tribunais facilitam a prova, jogando
com as chamadas "presun•›es de experi•ncia" - h‡ coisas t‹o evidentes que falam por si, n‹o Ž
preciso provar. Existe, em termos processuais, a chamada "prova ˆ primeira vista", e como as coisas
s‹o t‹o evidentes, n‹o se ir‡ pedir ao lesado que prove.

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-!Contudo, h‡ excep•›es a este critŽrio geral. A lei, no Art. 344¼ CC, diz que o lesado pode
beneficiar de presun•›es legais de culpa. Em determinadas situa•›es, verificado que seja o dano,
presume-se que para esse dano contribuiu a culpa de alguŽm, e esse alguŽm tem agora de provar
que n‹o teve culpa (invers‹o do —nus da prova).

*!Presun•›es legais: Art. 350¼ CC

-!Art. 491, 492, 493, e 503, n¼3 CC - s‹o exemplos de presun•›es legais da culpa. Estas
presun•›es legais t•m alguns aspetos comuns:

*!Elas, primeiramente, s— interessam se forem invocadas relativamente a danos causados a


terceiros.

*!Pode-se, tambŽm, provar que mesmo que se tivesse cumprido o dever, os danos iriam
ocorrer na mesma: provar a relev‰ncia negativa da causa virtual.

*!H‡ uma outra caracter’stica, mais duvidosa, afirmada por v‡rios autores, mas que Brand‹o
Proen•a discorda. Esta ideia alia presun•‹o de culpa a presun•‹o de ilicitude, vindo dizer que
nestes casos tambŽm h‡ uma presun•‹o de ilicitude.

-!Art. 492¼ CC

-!H‡ uma presun•‹o (doutrinal) da ilicitude

-!Art. 493¼ CC

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Direito das Obriga•›es

Ter•a-Feira, 23 de abril de 2013, 17h00

-!Art. 493¼ CC

-!O n¼1 deste artigo abrange dois casos diferentes:

*!Por um lado a situa•‹o daquelas pessoas que t•m em seu poder coisas m—veis ou im—veis com o
dever de as vigiar (coisas m—veis ou im—veis perigosas, como venenos, armas, seringas, materiais
inflam‡veis, etc...). Estas pessoas t•m o encargo da vigil‰ncia e poder‹o vir a responder se houver
danos resultantes da sua m‡ vigil‰ncia. TambŽm aqui h‡ quem abranja as auto-estradas, como
coisas m—veis sujeitas ˆ vigil‰ncia das concession‡rias, se bem que isso seja discut’vel, embora a
jurisprud•ncia j‡ o tenha sublinhado. Mas, se alguŽm utilizou veneno para dar a outra pessoa, desde
que n‹o tenha havido falta de vigil‰ncia, n‹o ser‡ esta a norma a ser utilizada. Esta norma dirige-se
ˆ m‡ vigil‰ncia da coisa, e n‹o ˆ utiliza•‹o da coisa como instrumento de dano.

*!Por outro lado, esta norma abrange a vigil‰ncia de animais: todas aquelas pessoas que por dever
contratual ou n‹o contratual, se descurarem essa vigil‰ncia, e os animais provocarem danos, elas
respondem por culpa presumida (ex.: Ž o caso do veterin‡rio)

*!Nestas duas situa•›es, o afastamento da presun•‹o Ž feito da mesma forma: ou se prova que
n‹o se tem culpa (invocando culpa do lesado); ou invocando relev‰ncia negativa da causa virtual
(invocando que os danos se iriam produzir na mesma).

-!O n¼2 esta norma consagra uma presun•‹o diferente. Se os casos anterior j‡ nos davam
responsabilidades agravadas, o n¼2 agrava ainda mais essa responsabilidade, estabelecendo uma
presun•‹o de culpa especial.

*!Esta norma dirige-se a toda aquela pessoa ou entidade que exer•am atividades perigosas pela
sua natureza ou pela natureza dos meios utilizados, obrigando-os a reparar os danos, excepto se se
mostrar que empregou todos os meios exigidos pela circunst‰ncia com o fim de os prevenir.

*!O agravamento desta responsabilidade reside em dois factos: em primeiro lugar, n‹o basta
mostrar que n‹o se teve culpa: tem de se empregar todos os meios exigidos pelas circunst‰ncias
para evitar o dano. Aqui o legislador j‡ ultrapassa o critŽrio do bom pai de fam’lia (Art. 487,
n¼2CC), utilizando um critŽrio do super pai de fam’lia, da pessoa super providente que pensa em
tudo! Contudo, aqui n‹o est‡ prevista a prova da relev‰ncia negativa da causa virtual. A prova aqui Ž
"diab—lica", Ž muito dif’cil das pessoas n‹o responderem, ainda que n‹o tenham culpa.

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*!A norma n‹o define o que s‹o atividades perigosas: isso Ž uma tarefa dos tribunais. N—s temos,
claro, uma percep•‹o do que s‹o atividades perigosas. Por isso, n‹o Ž com espanto que sabemos
que o fogo de artif’cio, por exemplo, j‡ foi considerada uma atividade perigosa, ou ent‹o alguns
escorregas nos parques aqu‡ticos, por exemplo. Tudo varia das circunst‰ncias.
AtŽ, por vezes, a atividade de constru•‹o civil tem sido considerada perigosa. Mas j‡ a utiliza•‹o
das gruas tem sido considerada atividade perigosa, ˆ semelhan•a dos rebentamentos com
explosivos para as constru•›es de estradas, ou atŽ mesmo o transporte aŽreo. No fundo, s‹o
perigosas, todas aquelas atividades que pela sua natureza ou pelos meios nelas empregues sejam
suscept’veis de considerar.

*!Contudo, e embora seja uma atividade perigosa, a circula•‹o autom—vel n‹o pode ser
enquadrada nesta norma. O assento do Tribunal de Justi•a (assento 1/80) veio referir que este
artigo n‹o se aplica aos acidentes de via•‹o, que t•m um regime pr—prio (o regime do Art.
503¼ e seguintes do CC). AtŽ hoje esta posi•‹o tem-se mantido, embora um ou outro ac—rd‹o tente
fazer uma interpreta•‹o restritiva do acento, algo que segundo o Prof. Brand‹o Proen•a Ž pouco
vi‡vel. Mas, este acento tem sido muito criticado, porque os lesados est‹o em pior posi•‹o, uma vez
que t•m de provar a culpa dos condutores dos ve’culos, n‹o beneficiando da presun•‹o da culpa.
Apenas e s— o comiss‡rio (o que conduz por comiss‹o) Ž que responde por presun•‹o da culpa;
todos os outros ou respondem pelo risco ou respondem por culpa provada.

*!Em alguns acidentes de via•‹o, nomeadamente nos acidentes em rallys, este artigo tem sido
aplicado, porque n‹o se tem considerado um acidente de via•‹o t’pico, uma vez que o rally Ž num
circuito fechado, sendo verdadeiramente uma atividade perigosa. Logo, os condutores t•m uma
presun•‹o de culpa contra si.

*!O prof. Meneses Leit‹o tambŽm n‹o aplica o assento ao condutor embriagado que causa
dano, devendo-se aplicar o Art. 493, n¼2 (o condutor deve ser presumido como culposo).

J‡ vimos o Facto, a Ilicitude, a quest‹o do nexo da imputa•‹o e agora vamos analisar o quarto
pressuposto da responsabilidade civil que Ž o Dano ou Preju’zo.

O Dano

-!Numa linguagem vulgar, o dano Ž um preju’zo que a pessoa sofre; alguŽm que ficou
prejudicado (perda patrimonial).

-!Mas na responsabilidade civil esta no•‹o de dano Ž apenas um ponto de partida. O que nos
interessa Ž a chamada no•‹o jur’dica (normativa) de dano. Porque h‡ muitas pessoas que sofrem
danos, mas esses danos s‹o irrelevantes e n‹o ser‹o sequer indemnizados. S— os danos jur’dicos Ž
que s‹o indemnizados.

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-!O dano em sentido normativo Ž o preju’zo que a pessoa sofre nos seus direitos subjetivos ou
ent‹o nos interesses protegidos pelas normas.

-!H‡ pessoas que sofrem aquilo a que se chamam danos puramente patrimoniais, mas n‹o
sofrem danos em sentido jur’dico, logo n‹o ser‹o indemnizadas.

-!Ex.: O ator que seja atropelado e a pe•a n‹o Ž levada ˆ cena e o empres‡rio vai perder a bilheteira
que ele conseguiria durante 3 semanas por exemplo. Ora, este empres‡rio vai sofrer um
preju’zo/dano, mas ser‡ um dano puramente patrimonial, e n‹o um dano jur’dico. Isto, porque ele
n‹o Ž lesado em direitos subjetivos, sendo apenas lesado no seu direito de empres‡rio, que n‹o Ž
um direito subjetivo (n‹o h‡ um direito subjetivo chamado direito ˆ/sobre a empresa). Quem Ž
indemnizado Ž o ator, esse sim sofre danos jur’dicos.

-!Portanto, temos sempre de ver que tipo de danos estamos perante.

-!Mas, excepcionalmente, h‡ pessoas que v‹o ter direito a indemniza•‹o, mesmo sofrendo danos
puramente patrimoniais, mas este empres‡rio n‹o faz parte desse leque excepcional. J‡ o mŽdico
que ter‡ ajudado a salvar o doente (o mŽdico que assistiu o lesado, nos termos do Art. 495¼ CC),
ter‡ direito a indemniza•‹o.

-!Importa, tambŽm, classificar os danos. Num acidente de via•‹o, por exemplo, ocorrem muitos
danos. O condutor pode ficar incapacitado de trabalhar (incapacidades maiores ou menores,
parciais ou totais, permanentes ou n‹o permanentes), e mesmo que n‹o morra pode ter dores.
Depois h‡ os danos nas roupas. Se ele transportava fruta, temos o dano na fruta. Se o ve’culo ficou
todo destru’do, ele ter‡ de adquirir outro, ou ent‹o ter‡ de reparar o ve’culo estragado, ficando sem
ele durante algum tempo. Mesmo que n‹o tenho sofrido grandes danos, pode ter sofrido na sua
saœde, pode atŽ ter ficado debilitado. Enfim... entre outros! H‡ uma sŽrie de danos que o acidente
tr‡s consigo, que t•m de ser alvo de alguma ordem (classifica•›es).

-!Podemos come•ar por distinguir danos reais de danos patrimoniais.

*!O dano real Ž o chamado dano em bruto, o dano aparente. ƒ quando n—s olhamos para o
ve’culo que acabou de sofrer um acidente e vemos o estado em que ele est‡; ou a pessoa que partiu
a perna, a fratura em si, ou o objeto partido, s‹o danos reais. ƒ um ponto de partida importante
para analisarmos o pressuposto do nexo de causalidade. As rela•›es causais partem sempre do
dano real. Contudo, o dano real tem uma contabilidade, que nos d‡ o dano patrimonial, tambŽm
chamado de c‡lculo.

*!O dano patrimonial Ž a express‹o quantitativa do dano real; Ž aquilo que tem de ser gasto; Ž o
pre•o que custou reparar o ve’culo. No caso do objeto partido, Ž o pre•o da sua substitui•‹o. No
dano patrimonial, come•amos a fazer contas, a tentar encontrar as express›es monet‡rias dos
danos reais. Mas h‡ danos que n‹o s‹o contabiliz‡veis: s‹o os danos n‹o patrimoniais: as

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dores, as tristezas, as deforma•›es. Mas, por isto, Ž que se diz que estes danos s‹o
compensados e n‹o indemniz‡veis.

-!Com isto entramos na segunda classifica•‹o: danos patrimoniais e n‹o patrimoniais.

*!Danos patrimoniais - avali‡veis em dinheiro (Art. 564¼ CC)

*!Danos n‹o patrimoniais - n‹o avali‡veis em dinheiro (Art. 496¼ CC),

-!Estes danos patrimoniais s‹o compostos por duas grandes categorias:

*!Danos emergentes - preju’zos em bens ou direitos que pertenciam j‡ ao titular (ex.: a jarra que
foi partida; o carro que foi amolgada; a fruta que se perdeu no acidente; etc...)

*!Lucros cessantes - s‹o as perdas, sobretudo de rendimentos, que as pessoas ainda iriam auferir
(O art. 594¼ CC refere-se a eles como benef’cios que o lesado deixou de ter em virtude do dano, e
que com toda a probabilidade iria conseguir).

-!Ex.: o advogado que foi atropelado e que teve de deixar de trabalhar ter‡ de ser
indemnizado pelos lucros cessantes.

*!Tradicionalmente s— estas duas sub-categorias do dano patrimonial Ž que s‹o consideradas. Mas
h‡ outros autores que acrescentam outras duas:

*!Despesas feitas em consequ•ncia da les‹o - ex.: despesas com o mŽdico, com os


medicamentos, etc...

*!Desaproveitamento de despesas feitas - ex.: a pessoa j‡ se tinha inscrito numa excurs‹o, tinha
gasto o dinheiro, e agora n‹o vai poder ir. Portanto, tinha feito essa despesa que n‹o vai poder
aproveitar, e se n‹o lhe for restitu’da pela organizador, o lesante ter‡ de pagar isso.

*!H‡ ainda, uma figura h’brida entre os danos patrimoniais e os n‹o patrimoniais, que s‹o os
danos patrimoniais indiretos: s‹o as perdas econ—micas ligadas ˆ viola•‹o de direitos subjetivos
pessoais (ex.: direitos de personalidade). Ex.: Ž o caso do profissional que v• o sou nome posto
em causa, com factos que v•m para a pra•a pœblica atent—rios do seu nome de advogado,
causando-lhe isso perda de clientela.

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-!Os danos tambŽm podem ser pessoais e materiais:

*!H‡ danos que a pessoa sofre no seu corpo - danos pessoais ou corporais - ex.: a pessoa que fica
com incapacidades.

*!Danos materiais - s‹o os danos em coisas

-!Os danos pessoais ter‹o de ter um tratamento melhor (preval•ncia) do que os danos
materiais.

-!Os danos podem ser ainda presentes ou futuros:

*!Danos presentes - danos j‡ verificados, que j‡ podem ser contabilizados, que j‡ se sabe qual Ž o
seu montante.

*!Danos futuros (Art. 564¼, n¼2 CC) - danos que ainda n‹o se verificaram, mas que certamente se
ir‹o verificar. Ex.: a pessoa que deixou de trabalhar, mas que certamente iria continuar a fazer se
pudesse. Estes danos t•m muito a ver com alguns lucros cessantes.

-!Em linguagem processual, estes danos futuros s‹o deixados para execu•‹o de senten•a.

-!Os danos podem ser tambŽm direitos e indiretos:

*!Danos diretos - s‹o as consequ•ncias imediatas do ato. Ex.: o para-choques amolgado.

*!Danos indiretos - Ex.: se o autom—vel era um taxi e agora o taxista n‹o o pode utilizar. S‹o as
consequ•ncias dos danos diretos.

-!S‹o ambos indemniz‡veis, desde que se estabele•a uma rela•‹o de causalidade.

-!Mais classifica•›es haveria, mas ficamos com estas.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Nos œltimos anos t•m surgido, nos tribunais, novas categorias de danos, que j‡ n‹o t•m a ver com
os tipos/classifica•›es de danos. Mas s‹o danos que n‹o se falava e que agora se fala, e que atŽ se
poderiam enquadrar nas classifica•›es j‡ referidas. Mas s‹o danos que causa dificuldades.
Exemplos:

*!Dano da priva•‹o de uso - tem aparecido muito ligado aos acidentes de via•‹o, em que os
propriet‡rios dos ve’culos ficam privados da sua utiliza•‹o, enquanto os ve’culos estiverem a ser
reparados, tendo a pessoa que utilizar outros transportes ou alugando outro ve’culo. Este dano Ž
facilmente compreens’vel, mas h‡ dificuldades relativas ˆ forma de o contabilizar, porque h‡ quem
diga que este dano s— pode ser concedido se o lesado provar que teve mesmo preju’zos (tem de
provar que teve de alugar outro ve’culo, passou a andar de taxi ou de outro transporte pœblico,
etc...); mas tambŽm h‡ quem entenda que este dano vale por si, que tem de ser indemnizado
independentemente dos preju’zos efetivos, fundamentando isto numa les‹o da propriedade
privada (1305¼ CC), sendo que esta pr—pria viola•‹o do direito (dano-les‹o) Ž j‡ suficiente por si, e
o quantitativo a fixar teria de ser encontrado com o recurso ˆ equidade, uma vez que n‹o h‡
preju’zos concretos provados aqui. Portanto, a polŽmica Ž esta, e a jurisprud•ncia e a doutrina t•m
discutido muito isto, tornando este aparente dano simples, num dano complicado.

*!Um outro dano, muito em moda na nossa jurisprud•ncia, que tem causado problemas Ž o
chamado dano biol—gico. O dano biol—gico Ž uma importa•‹o do sistema italiano (o Brand‹o bem
disse que ele estava na moda xD), e de uma forma grosseira Ž o chamado dano ˆ saœde da pessoa, ˆ
sua integridade f’sica. ƒ o exemplo daquela pessoa que, muito embora n‹o tenha perdas de
rendimentos, custa-lhe mais fazer aquelas tarefas di‡rias, porque o acidente deixou- a enfraquecida.
Teoricamente, este dano compreende-se bem, mas h‡ alguma dificuldade no seu c‡lculo. H‡ quem
diga que isto Ž um dano patrimonial, ou n‹o patrimonial ou atŽ h’brido (patrimonial e n‹o
patrimonial). O seu c‡lculo tem de ser muito na base da equidade, embora hoje em dia j‡ existam
umas tabelas sobre os quantitativos deste dano, que n‹o s‹o obrigat—rias para os tribunais. Estas
tabelas apenas vinculam as seguradoras. Elas t•m estas tabelas nas propostas que ir‹o fazer aos
lesados, naquela que se chama de proposta razo‡vel para resolver o acidente. Mas os tribunais n‹o
s‹o obrigados a regerem-se por isso, levantando algumas dificuldades na efetiva contabilidade deste
dano.

*!H‡ um terceiro dano que tambŽm n‹o deixa de ser complicado. Que Ž o chamado dano da
perda de chance. Este dano Ž de importa•‹o francesa (j‡ n‹o est‡ tanto na moda LOL). Este Ž um
dano compreens’vel: Ž o chamado dano das oportunidades perdidas. ƒ o exemplo daqueles casos
em que o aluno, por culpa da secretaria, n‹o pode fazer o exame, perdendo a chance de fazer o
exame e passar. Ou o exemplo do piloto que ia entrar na corrida, mas a organiza•‹o ilicitamente
proibiu-o, tirando-lhe a chance de a ganhar; ƒ tambŽm o exemplo do doente cujo mŽdico lhe
diagnostica tardiamente, tirando-lhe a chance de o curar ou tirando- lhe meses ou anos de vida. O
lesado vem pedir a indemniza•‹o do dano relacionado com a

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perda desta chances, mas nunca vem pedir o prŽmio da corrida ou o aluno nunca vem pedir uma
declara•‹o da secretaria a dizer que fez o exame. Isto, porque, este dano Ž um dano presente e n‹o
futuro. Aqui a pessoa apenas perde a possibilidade de fazer alguma coisa, que pode ser maior ou
menor. Se for um bom aluno h‡ mais probabilidade do que um aluno "mandri‹o" (diz o Brand‹o
xD). Por isso Ž que, em mais de 90% dos casos, estes danos t•m surgido ligados ˆ responsabilidade
de advogados, que n‹o recorrem ou que deixam passar prazos que tinham para contestar a a•‹o,
retirando aos seus clientes a chance de ter •xito na reaprecia•‹o. Contudo, e com algumas poucas
excep•›es, a jurisprud•ncia tem negado este tipo de danos, porque aqui h‡ muitos problemas
relativos ao estabelecimento da causalidade entre o il’cito e o dano que Ž invocado (Ž tudo muito
incerto, muito nebuloso, Ž quase como o benfas ser campe‹o!). E depois ainda h‡ a quest‹o do
quantitativo, que teria de ser contabilizado em termos de equidade, porque n‹o h‡ outra forma.
Em certos sistemas ainda se vai jogando com percentagens de probabilidade, mas isso Ž muito
complicado, mas em It‡lia alguns tribunais fazem isso, ˆ semelhan•a dos franceses.

-!Relativamente, ainda, aos danos n‹o patrimoniais:

*!No nossos sistema s— s‹o compensados se tiverem um m’nimo de gravidade. N‹o Ž qualquer dor
ou tristeza que Ž indemnizada (se n‹o os boifiquistas tinham de estar sempre a ser indemnizados).
O Art. 496¼ CC reitera esta posi•‹o. Este artigo liga muito os danos n‹o patrimoniais ˆ morte. Mas
j‡ n‹o est‹o a’ previstos danos n‹o patrimoniais para ofensas ˆ integridade f’sica das pessoas. O
œnico que pode pedir uma compensa•‹o Ž o pr—prio agredido, mas os seus familiares j‡ n‹o
podem, porque o n¼2 do Art. 496¼ CC fala apenas em morte !

-!Claro que alguns juristas tentam dar a volta a esta situa•‹o, tentando fugir ao que diz o n¼2 e
concentrando as suas aten•›es no n¼2 do Art. 496¼ CC, tentando alargar os danos n‹o patrimoniais
aos casos de agress›es graves, que conduzem quase a uma situa•‹o de prŽ-morte (morte artificial da
pessoa), que n‹o sendo morte merece um tratamento semelhante.

-!A lei 23/2010 alterou o Art. 496¼ CC de forma a tentar integrar aqui as Uni›es de Facto.

-!Esta compensa•‹o por danos n‹o patrimoniais tem, quase sempre, contornos simb—licos. Os
tribunais nunca se alargam muito nas compensa•›es. O que n‹o impede que em alguns casos, em
que a culpa seja grave e reunidas outras circunst‰ncias, (porque esta compensa•‹o Ž fixada em
termos de equidade), esta compensa•‹o pode assumir valores mais graves, nomeadamente em casos
de abuso da liberdade de imprensa com dolo ou mesmo com culpa grave, violando direitos
pessoais. Esta indemniza•‹o pode ser mais elevada, funcionando como compensa•‹o e ˆs vezes
sancionat—ria. Logo, o Art. 496¼ CC tem, em alguns casos, uma finalidade preventiva e
sancionat—ria.

-!O Prof. Vaz Serra teve muitas dœvidas quanto a esta norma, dentro da ideia de que estes danos
n‹o poderiam ser indemniz‡veis ou que poderiam conduzir a algum mercantilismo, mas

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vistas bem as coisas, ele entendeu que seria melhor indemnizar estes danos ainda que com valores
baixos, com bom senso, do que deixa-los por indemnizar.

-!O grande problema desta norma Ž o dano patrimonial central, que Ž o dano da perda da vida
humana (morte). H‡ um debate bastante antigo, entre o Prof. Antunes Varela e outros. O Prof.
Varela, com base numa an‡lise dos trabalhos preparat—rios, tem a seguinte conclus‹o: quando a
morte Ž imediata, a v’tima n‹o chega a adquirir o direito a ser compensada pela perda da vida,
porque com a morte a sua personalidade jur’dica extingue-se, logo n‹o chegando a adquirir o
direito, esse direito n‹o se transmite aos herdeiros, n‹o entra na heran•a da pessoa, e ser‹o os
familiares previstos no n¼ 2 do Art. 496¼CC (c™njuge e filhos em primeira linha; na faltas destes,
pais e ascendentes; e em terceira linha os irm‹os ou sobrinhos que os representem), e s— mesmo
estas pessoas Ž que poder‹o vir pedir uma indemniza•‹o por danos n‹o patrimoniais relacionados
com a morte, mas isto Ž um direito dos familiares, porque a v’tima nunca chegou a adquirir o
direito a ser compensada pelo dano da perda da vida.
Portanto, para o Prof. Varela, neste n¼2 est‹o concentrados todos os danos n‹o patrimoniais
relacionados com a morte da v’tima, j‡ que na parte final do n¼4 do mesmo artigo est‹o em jogo
outros danos n‹o patrimoniais, nomeadamente os danos n‹o patrimoniais sofridos pela v’tima no
caso da morte n‹o ter sido imediata, mas neste caso j‡ h‡ transmiss‹o para os herdeiros, e tambŽm
est‹o em jogo os danos patrimoniais especiais, sofridos pelos familiares (depress›es que a mulher
ou marido sofram em consequ•ncia da morte, por exemplo).

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Quarta-Feira, 24 de abril de 2013, 14h00

Direito das Obriga•›es

-!Para completar a quest‹o dos danos n‹o patrimoniais, o Art. 496¼ CC contempla um conjunto de
titulares bastante reduzido. S‹o poucas as pessoas que t•m direito a pedir uma compensa•‹o por
danos n‹o patrimoniais. Ë partida, Ž o pr—prio lesado que tem esse direito, quer ele morra quer ele
n‹o morra, e mesmo morrendo surge o dano da pena da vida. Quanto ˆs outras pessoas, os
familiares basicamente, esses por for•a do n¼2 do Art. 496¼ CC s— podem vir pedir uma
compensa•‹o por danos n‹o patrimoniais em caso de morte da v’tima. Tirando estas pessoas, mais
ninguŽm pode vir pedir compensa•‹o, nem mesmo o amigo da v’tima que tenha um grande
desgosto. O n¼3 do Art. 496¼ incluiu a situa•‹o da Uni‹o de Facto, mas mesmo aqui s— com a
morte de um dos sujeitos da rela•‹o. Basicamente, o legislador quis reduzir a lista de benefici‡rios,
com alguma prud•ncia, mas ficando um pouco aquŽm segundo Brand‹o Proen•a.

-!O dano da morte Ž considerado o dano n‹o patrimonial mais importante. E ontem referimos a
posi•‹o do Prof. Antunes Varela, defendendo a ideia de que o direito n‹o chega a ser adquirido
pela v’tima e que ser‹o os familiares dessa v’tima que ter‹o o direito a pedir a compensa•‹o, ao
abrigo do n¼2 do Art. 496¼ CC, mas a t’tulo pr—prio, como direito pr—prio dos familiares, como que
se esbatendo a les‹o da pr—pria v’tima que morreu.

-!Esta tem sido a posi•‹o prevalecente nos nossos tribunais (Ac. Da rela•‹o de Coimbra de 7 de
julho de 2009, em que se refere que o direito ˆ indemniza•‹o pela perda da v’tima Ž um direito
pr—prio dos familiares atribu’do por lei, n‹o sendo um direito da v’tima que os seus parentes
adquirem por via sucess—ria)

-!PorŽm, Meneses Leit‹o adopta uma posi•‹o diferente: dizendo que o facto da v’tima morrer n‹o
a impede de adquirir o direito, sendo que os seus familiares o recebem como herdeiros (sucess‹o) e
n‹o como um direito pr—prio, isto em caso de morte imediata. Seguindo este pensamento, no n¼2
do artigo os familiares poderiam vir pedir os seus pr—prios danos familiares, ficando para o n¼4 os
danos n‹o patrimoniais sofridos pela v’tima antes da morte, em que a morte n‹o Ž imediata.

-!Relev‰ncia pr‡tica da diverg•ncia entre a posi•‹o do Prof. Varela e a posi•‹o do Prof.


Meneses Leit‹o: os sujeitos/destinat‡rios que recebem os direitos podem ser diferentes, tendo
em conta a posi•‹o que se escolha. Os sujeitos (familiares) do Art. 496¼,n¼1 (Antunes Varela)
podem n‹o ser os mesmos que os herdeiros (Meneses Leit‹o).

-!Ex.: o marido morreu, e h‡ que compensar o dano da priva•‹o da vida. Temos o filho e o pai do
marido: Segundo a posi•‹o do Prof. Antunes Varela, s— o filho Ž que recebe o direito de

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compensa•‹o. Segundo a teoria do Prof. Meneses Leit‹o, recebem todos os herdeiros (sucess‹o
legal ou testament‡ria).

-!Onde n‹o h‡ diverg•ncia doutrinal, Ž no caso de a morte ser imediata, os danos patrimoniais que
a v’tima sofreu antes da morte (dores, por exemplo), aqui n‹o h‡ dœvida que a v’tima adquire
verdadeiramente o direito, havendo portanto lugar a uma transmiss‹o testament‡ria do direito.

-!N‹o h‡ um valor certo para o dano da priva•‹o da v’tima. Mas de uma forma geral, os nosso
tribunais t•m concedido entre 60.ooo euros atŽ a um m‡ximo de 80.000 euros. Este valor pode
variar em fun•‹o da idade do falecido (se for jovem, Ž natural que o valor seja superior).

-!Outro aspeto que Ž discutido Ž o de saber se este valor deve variar em fun•‹o da maior ou menor
import‰ncia da pessoa que morre. Que a idade possa ser trazida para a discuss‹o, Brand‹o Proen•a
concorda, mas j‡ n‹o concorda com esta distin•‹o atravŽs da import‰ncia da v’tima.

-!Todos os danos devem ser provados pelos lesados (—nus da prova), sejam eles patrimoniais ou
n‹o patrimoniais.

Continuando nos pressupostos da Responsabilidade Civil subjetiva, vamos agora passar para o Nexo
de Causalidade.

-!O nexo de causalidade Ž a conex‹o que tem de ser sempre estabelecida entre o facto il’cito e os
danos. H‡ que estabelecer esta liga•‹o, por um facto pode, por diversas circunst‰ncias, provocar
muitos danos, e temos de ver se todos esses danos devem ser indemnizados pelo autor do facto,
porque podem-nos surgir danos estranhos, com pouca liga•‹o com o facto, j‡ n‹o se justificando
que o lesante (autor) responda por eles.

-!Ex.: A faz uma queimada no seu terreno, s— que o fogo, devido ao vento, propaga-se ˆs
forragens do vizinho C. Ao n‹o ter estas forragens, o alimento dos animais de C desaparece, e
alguns dos seus animais morrem. Esses animais davam leite, e o dono n‹o conseguindo colher o
leite, tambŽm n‹o o consegue vender, n‹o obtendo rendimentos por esse leite. H‡ uma sŽrie de
danos ligados ao mesmo facto.

-!A tem de responder pelos lucros cessantes do dono dos animais?

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-!H‡ uma necessidade de delimita•‹o de danos; temos de encontrar aqueles que juridicamente
s‹o de atribuir ao lesante, atravŽs de alguns critŽrios. Ao longo dos tempos, a doutrina foi
construindo uma sŽrie de critŽrios. Contudo, s— iremos falar de tr•s:

*!CritŽrio da equival•ncia das condi•›es (ou da conditio sinequa non), que teve grande relevo na
‡rea Penal.

*!CritŽrio dominante entre n—s, aplicado pelos tribunais e defendido pela doutrina: critŽrio da
causalidade adequada, com tambŽm relevo no direito penal.

*!Alguns juristas, Prof. Meneses Leit‹o e Meneses Cordeiro, defendem o critŽrio do escopo de
prote•‹o da norma, que de vez em quando os nossos tribunais aplicam.

-!O critŽrio da equival•ncia das condi•›es vai selecionar as condi•›es sem as quais o dano n‹o se
teria produzido. ƒ preciso ver como o dano surge, o que Ž que condicionou o dano, e conclui quais
as condi•›es importantes sem as quais o dano n‹o se teria provocado. Aplicando esta teoria ao
exemplo da queimada, podemos dizer que se n‹o fosse a queimada, tudo o resto n‹o se teria
produzido. Contudo, esta teoria n‹o separa condi•‹o e causa, porque a condi•‹o pode n‹o ser
causa. Depois, este Ž um critŽrio faustico, praticamente sem limita•›es: basta que se demonstre que
se n‹o fosse aquela condi•‹o o resto n‹o se teria provocado. Imaginemos que A atropela B, e B no
hospital Ž assaltado, A Ž respons‡vel pelo assalto, e no entanto o atropelamento foi s— condi•‹o e
n‹o foi causa. Portanto, este critŽrio Ž muito excessivo, n‹o sendo sequer um critŽrio! H‡, atŽ, quem
diga que, em œltima an‡lise, este critŽrio responsabiliza os pais dos lesantes, porque se n‹o fossem
os pais ele n‹o teria existido (lololol).

-!O critŽrio da causalidade adequada j‡ Ž um critŽrio jur’dico, porque tenta encontrar as


verdadeiras causas do dano. O tribunal procede aqui a um ju’zo de prognose p—stuma. Portanto: o
dano verificou-se, e o tribunal faz algumas interroga•›es, procurando saber se em abstrato um
facto daquele tipo Ž suscept’vel ou n‹o de provocar aqueles danos, segundo o percurso normal das
coisas. Se o tribunal entender que se verifica a tal probabilidade, se for prov‡vel que um facto
daquele tipo provoca aquele tipo de danos, ent‹o afirma a causalidade, que juntamente com os
outros pressupostos, resultar‡ na responsabilidade civil. Se o tribunal entender que n‹o, ent‹o ter‡
de concluir pela inadequa•‹o, e o lesante n‹o ir‡ responder por esses danos.

-!Neste ju’zo de prognoso p—stuma, h‡ factos que s‹o praticamente certos no que toca a
provocar determinados danos (ex.: atropelamento Ž id—neo a causar les›es), mas basta uma
probabilidade, n‹o Ž necess‡rio uma certeza, para se afirmar a causalidade.

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-!Mas neste critŽrio h‡ alguns aspetos subjetivos: h‡ quem ter em conta aquilo que o pr—prio
lesante conhecia ou devia conhecer. Claro que se exemplo dado em cima, a pessoa que fez o
inc•ndio, sabia que aquelas forragens alimentava o gado e que esse gado dava rendimentos e
alimentos ao seu vizinho, o tribunal tem de jogar com estes danos. Da mesma forma que se o
agressor sabia que o agredido era uma pessoa card’aca, o tribunal ter‡ de considerar estas
circunst‰ncias.

-!Este critŽrio da causalidade adequada conheces v‡rias nuances. Ele n‹o Ž sempre aplicado da
mesma forma. Nuns casos ele Ž aplicado de uma forma mais responsabilizantes e noutros de uma
forma menos responsabilizante. Ora, nos casos de responsabilidade civil por factos il’citos, onde
alguŽm ˆ partida agiu com culpa, os tribunais aplicam a chamada formula•‹o negativa da
causalidade adequada. Esta formula•‹o negativa est‡ transcrita no Ac—rd‹o de 20 de janeiro de
2010, do STJ: de acordo com esta formula•‹o, o facto s— deixar‡ de ser causa adequada do dano,
desde que se mostre, por sua natureza, de todo inadequado, e o dano s— tenha sido produzido em
virtude de circunst‰ncias an—malas ou excepcionais. Ou seja, s— n‹o ficar‡ estabelecido o nexo de
causalidade adequada, se o tribunal concluir que o dano foi provocado por circunst‰ncia
perfeitamente anormais/an—malas (ex.: o caso do ca•ador que atinge outro ca•ador, achando que
est‡ a atingir uma pe•a de ca•a. Da perspectiva da causalidade, o tribunal conclui que o dano se
deveu a circunst‰ncia perfeitamente anormais: a bala pode ter feito ricochete e atingido o
trabalhador. Isto, apesar, de uma arma disparada seja suscept’vel de produzir dano). Em suma: este
Ž um critŽrio bastante penalizador.

-!Nos casos de responsabilidade por factos l’citos, e por ventura, mas embora com alguma
dœvida, com extens‹o ˆ responsabilidade objetiva, j‡ se utiliza a formula•‹o positiva da
causalidade adequada: o dano ser‡ considerado efeito adequado do facto se puder ser
considerado sua consequ•ncia t’pica ou normal.

-!Estas quest›es do nexo de causalidade n‹o t•m a ver com a previsibilidade do lesante. Ou seja,
aquilo que o lesante, ao praticar um facto il’cito, est‡ a prever ou n‹o, Ž indiferente para a quest‹o
causal (mas, seguramente, n‹o Ž indiferente para a quest‹o da culpa). Embora se possa dizer que,
em determinados sistemas jur’dicos, na responsabilidade contratual, n‹o havendo dolo, Ž a
previsibilidade que delimita a indemniza•‹o, embora entre n—s isto n‹o ocorra.

-!H‡ que ter em aten•‹o: para um dano podem concorrer v‡rias causas. Para j‡ apenas falamos da
causa œnica. Mas, muitas vezes, pode ocorrer a chamada causalidade indireta, que vai criar alguns
problemas: come•amos por ter um primeiro facto, a que vamos chamar causa mediata ou indireta,
que provoca um determinado dano X. Ex.: A agride B, temos j‡ aqui o dano resultante da
agress‹o. Mas, o agredido tem de ir para o Hospital, e aqui surge uma segunda causa: B apanha
uma infe•‹o no hospital, infe•‹o essa que Ž a causa imediata da morte de B. (ou atŽ ter de ser
operado, e ele morrer na opera•‹o). Temos de analisar esta situa•‹o, porque a primeira causa
como que favorece o aparecimento de uma segunda, e relativamente ˆ infe•‹o hospitalar atŽ
podemos afirmar isso, e portanto se a causa imediata puder ser considerada efeito adequado da
causa mediata, o autor da causa mediata (A) responde pelo efeito final (B). Isto pode colocar-se
em situa•›es em que n‹o haja sangue nos hospital para a transfus‹o necess‡ria.

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-!No CC esta quest‹o do nexo de causalidade n‹o est‡ referida em termos esclarecedores. H‡
apenas o Art. 563¼CC, que ali‡s j‡ foi interpretado de diversas formas. Contudo, esta norma n‹o
nos fornece dados suficientes para concluir qual o critŽrio que est‡ aqui inerente.
Contudo, a doutrina, a partir da palavra "provavelmente" concluir que est‡ aqui um apelo ao
ju’zo de prognoso p—stuma, e que a inten•‹o do Prof. Vaz Serra foi a de orientar este artigo para
o critŽrio da causalidade adequada. Prof. Brand‹o Proen•a concorda !

-!CritŽrio do Escopo de Prote•‹o da norma

-!Os autores que o defendem, defendem isto como uma cr’tica ao critŽrio da causalidade adequada,
porque dizem eles que a casualidade reœne elementos subjetivos que n‹o devia reunir. O Prof.
Varela critica muito este critŽrio. Este critŽrio parte da viola•‹o das normas: havendo normas
violadas h‡ que interpretar as normas, ver qual a sua finalidade, ver sobretudo que tipo de danos Ž
que essas normas pretendiam evitar, sendo que ser‹o esses danos que ser‹o ressarcidos. Portanto, a
delimita•‹o faz-se em fun•‹o dos danos que a pr—pria norma queria prevenir.

-!Ora, este critŽrio parece um critŽrio f‡cil, cuja œnica dificuldade se prende com a boa
interpreta•‹o da norma.

-!Mas h‡ que fazer duas cr’ticas a este critŽrio: este critŽrio poder‡ servir em algumas situa•›es,
mas n‹o o podemos substituir ˆ causalidade adequada. Cr’ticas: 1) nem sempre h‡ normas
violadas. Muitas vezes, aquilo que se lesa s‹o direitos subjetivos alheios, sem haver alguma norma
em causa; 2) em segundo lugar, este critŽrio invade um bocado os terrenos da ilicitude, porque Ž
na sua ilicitude Ž que vamos analisar as finalidades da norma e o que Ž que ela protegia e porqu•.
Logo, este critŽrio faz aquilo que o plano da ilicitude faz. Logo, n‹o se sabe bem se este critŽrio Ž
um critŽrio de conex‹o causal ou se afinal Ž um critŽrio que se prende com a averigua•‹o da
ilicitude: h‡ uma sobreposi•‹o/confus‹o de planos, porque este critŽrio pretende ser uma coisa
mas, afinal, talvez esteja a responder a outra e, portanto, este n‹o Ž um critŽrio alternativo.

-!ConvŽm falarmos de mais algumas com-causalidades: situa•›es em que se reœnem v‡rias


causas (j‡ falamos da causalidade indireta).

-!Uma coisa Ž um facto ter sido praticado por v‡rios lesantes. Aqui, a causa Ž uma s—, mas
imputada a v‡rias pessoas (ex.: de v‡rias pessoas a agredir: isto n‹o Ž com-causalidade! Isto Ž
comparticipa•‹o no il’cito, que nos leva a aplica•‹o do Art. 490¼ CC - responsabiliza•‹o solid‡ria,
quer do autor, quer dos cœmplices, etc...).

-!Coisa diferente Ž a com-causalidade. H‡ dois tipos:

*!Com-causalidade Real - com causas reais, que se verificam.

-!ƒ o exemplo da causalidade mediata (causalidade indireta);

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-!Mas tambŽm temos esta com-causalidade real na chamada com-causalidade concorrente, que se
verifica nesta hip—tese: um cami‹o vai contra um edif’cio, que o deixa abalado nas suas estruturas,
e depois um segundo ve’culo ao bater nesse mesmo edif’cio deita-o abaixo. Este dano Ž causado
por duas causas: a causa inicial e a causa sub-sequente: elas concorrem para o mesmo dano, causas
estas sem as quais o dano n‹o se verificava. E, naturalmente, ambas v‹o responder. Estas com-
causalidades reais gera, de uma forma geral, responsabilidades solid‡rias;

-!ƒ tambŽm o exemplo da co-causalidade cumulativa, que pode ter aplica•‹o na morte de peixes
por polui•‹o de rios: h‡ duas descargas poluentes, de duas f‡bricas, mas n‹o se sabe qual delas fez
primeiro a descarga, sendo que a descarga de qualquer uma provocaria a morte dos peixes. Aqui
respondem as duas, porque n‹o Ž poss’vel aqui imputar-se s— a uma;

-!H‡ uma outra com-causalidade real, que se costuma apenas chamar causalidade alternativa.
Acontece quando h‡ um dano, apenas se sabe que o lesante foi uma de entre dez pessoas, mas n‹o
se sabe quem foi. S— se sabe que foi uma das dez, mas n‹o Ž poss’vel identificar.
Segundo aquilo que se entende, respondem todos solidariamente, isto Ž, a indemniza•‹o pode ser
pedida a cada um deles (e quem paga depois, ˆ partida, poder‡ ter um direito de regresso a seu
favor, pago pelos outros).

*!Com-causalidade Virtual - onde podemos ter uma causa real e uma causa virtual.

-!Causalidade Interrompida (causa virtual - causa real) - exemplo do c‹o que foi envenenado por
A e depois morto a tiro a B.

-!Causalidade Antecipada (causa real - causa virtual) -exemplo da casa que foi assaltada por A e no
dia seguinte houve l‡ um inc•ndio.

-!Em regra, as causas virtuais s‹o irrelevantes. Portanto, as causas virtuais nunca podem ser
chamadas para desresponsabilizar os autores das causas reais. A irrelev‰ncia negativa da causa
virtual, uma das suas explica•›es, Ž a finalidade sancionat—ria da Responsabilidade Civil. Mas,
excepcionalmente, o legislador d‡ relev‰ncia negativa ˆ causa virtual (Art. 491¼CC a 493, n¼1 CC, e
mais umas disposi•›es legais). E d‡ relev‰ncia negativa como contrapartida do agravamento da
responsabilidade dessas normas, devido ˆ presun•‹o de culpa.

-!No entanto, o Prof. Almeida Costa (no caso do envenenamento do c‹o por A e do tiro dado por
B posterior) n‹o o resolve da mesma forma que Brand‹o Proen•a (que o resolve atravŽs da
responsabiliza•‹o total de B). Almeida Costa diz que B n‹o deve ser responsabilizado por todo o
dano, dizendo que quando B mata o c‹o, o c‹o como que j‡ est‡ morto, porque o veneno j‡
produziu efeito, portanto n‹o Ž justo que B responda por todo o preju’zo. O que Ž justo Ž que se
deduza o efeito parcial j‡ verificado. Mas o Prof. Brand‹o Proen•a concorda com esta posi•‹o de
Almeida Costa.

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-!No caso de quem furta (A) nunca pode depois, para n‹o responder, dizer que no dia seguinte o
inc•ndio ia na mesma destruir a casa. Mais uma vez, a causa virtual Ž irrelevante, no sentido que
n‹o exclui a responsabilidade de A, autor da causa real. Isto era uma causa virtual natural. Mas pode
ocorrer tambŽm uma causa virtual humana, no caso de depois de A assaltar a casa vir arguir que B
iria tambŽm assalta-la no dia seguinte, vindo furtar o objeto roubado por A. Aqui aplica-se a regra
geral da irrelev‰ncia negativa da causa virtual.

-!Estas ideias fazem-nos compreender a relev‰ncia negativa da causa virtual.

Responsabilidade Objetiva

-!Divide-se numa responsabilidade objetiva propriamente dita e numa responsabilidade pelo risco
(que tambŽm Ž objetiva). A ideia Ž que se responde sem culpa.

-!ƒ uma responsabilidade excepcional, que s— existe nos casos previstos pelo legislador, casos esses
que nem sequer podem ser alargados por analogia ou por outro tipo de extens‹o (s‹o taxativos)!
Estes casos existe quer no CC, quer fora do CC (a grande parte atŽ est‡ fora do CC) - o Prof.
colocou no campus uma lista de responsabilidade objetiva fora do CC.

-!Nesta responsabilidade responde-se sem culpa, mas se houver culpa tambŽm se responde. ƒ
preciso ver esta responsabilidade como uma tutela objetiva, sem querer afastar a responsabilidade
geral com base na culpa. O condutor de autom—veis que atropela alguŽm responde por culpa, se
tiver culpa, mas tambŽm pode responder sem culpa. ƒ preciso ver-se que esta responsabilidade
objetiva Ž "um mais" que acresce ˆ responsabilidade subjetiva.

-!Esta responsabilidade objetiva est‡ ligada, de uma forma geral, ˆ utiliza•‹o de pessoas em
proveito de alguŽm. ƒ o que acontece nos Art. 500 e 501¼ CC em que determinadas pessoas ou
entidades v‹o responder por condutas alheias (o comitente responde por condutas dos seus
comiss‡rios; e o Estado responde pelas condutas dos seus agentes).

-!Mas este responsabilidade tambŽm est‡ ligada ˆ deten•‹o de coisas perigosas ou ˆ


explora•‹o de atividades perigosas.

-!Esta responsabilidade, para funcionar corretamente, tem de funcionar conjugada com um


seguro de responsabilidade civil, que de uma forma geral, Ž obrigat—rio. S— vamos estudar,

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praticamente, o seguro obrigat—rio autom—vel, mas em v‡rios outros setores h‡ outros seguros,
quer obrigat—rios quer facultativos.

-!N‹o Ž, contudo, uma responsabilidade for•osa. N‹o Ž uma responsabilidade que se verifique
necessariamente, porque aqueles que ˆ partida poder‹o ser responsabilizados poder‹o ˆ partida
afastar essa responsabiliza•‹o invocando os factos exonerat—rios da responsabilidade, como
circunst‰ncias de for•a maior, factos de terceiros, factos do pr—prio lesado, etc... Todo este
conjunto de circunst‰ncias poder‡ vir a afastar quer a responsabilidade com culpa, quer esta
responsabilidade objetiva. Estes factos n‹o s‹o todos ponderados de forma igual, mas qualquer um
deles pode ser invocado, e depois ser‡ analisado do ponto de vista da causalidade.

-!De uma forma geral, a responsabilidade objetiva tem limites de indemniza•‹o. Os danos poder‹o
ser elevados, mas em quase todos os casos a indemniza•‹o tem limites, o que significa que pode
haver uma parte da indemniza•‹o que fique por conceder. Mas h‡ casos em que n‹o l‡ limites.

-!Vamos ver os casos do CC: Art. 500 a 503¼ e seguintes e o Art. 509¼ CC. Fora do c—digo,
vamos referir a responsabilidade civil do produtor.

-!Vamos come•ar pela responsabilidade do comitente pelos atos dos seus comiss‡rios - Art.
500¼ CC. ƒ uma norma complicada.

-!A ideia central desta norma est‡ no n¼1 do Art. 500¼ CC.

-!A ideia Ž: h‡ duas pessoas, o comitente e o comiss‡rio. O comitente encarrega o comiss‡rio de


uma determinada tarefa/servi•o (estabelecendo uma rela•‹o de comiss‹o). Esta rela•‹o de
comiss‹o tem de ser uma rela•‹o em que o comiss‡rio esteja subordinado/dependente do
comitente, por receber ordens/instru•›es dele, que Ž o caso dos trabalhadores por conta de
outrŽm. J‡ o advogado n‹o Ž comiss‡rio do cliente, e o doente n‹o Ž comitente do mŽdico.
Porque quer o advogado, quer o mŽdico, t•m autonomia/independ•ncia tŽcnica dos seus clientes.
Mas j‡ Ž poss’vel uma rela•‹o de comiss‹o na rela•‹o mŽdico-enfermeiro. Discute-se se o mŽdico
pode ser comiss‡rio de uma cl’nica que o tenha contratado, se pode haver subordina•‹o ou n‹o.
Mas, o empreiteiro n‹o Ž comiss‡rio do dono da obra, porque o dono da obra n‹o pode
dirigir/conceber o seu empreiteiro como seu comiss‡rio. Mas, naturalmente, o empreiteiro tem
comiss‡rio, mas o sub-empreiteiro n‹o Ž um deles. Discute-se, tambŽm, se nas rela•›es familiares
podem haver rela•›es de comiss‹o. Em suma: a primeira tarefa que temos para aplicar este artigo Ž
estabelecer uma rela•‹o de comiss‹o!

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Depois, tambŽm sabemos, que o comitente, que Ž aquele que beneficia da atua•‹o do seu
comiss‡rio, responde objetivamente sem culpa (Ž um dado objetivo). Mas se ele escolher um mau
comiss‡rio j‡ vai responder com culpa (Art. 488¼ CC).

-!Mas, depois, a norma exige que sobre o comiss‡rio recaia a obriga•‹o de indemniza•‹o. H‡
obriga•›es mais largas e menos largas deste pressuposto um pouco abstrato.

-!O Dr. Varela diz que isto significa, apenas, que o comiss‡rio tenha culpa. Se ele n‹o tem
culpa, o comitente tambŽm j‡ n‹o responde. ƒ esta a posi•‹o dominante.

-!Mas, h‡ outros autores que defendem que a lei n‹o fala em culpa. Apenas fala em obriga•‹o de
indemnizar, logo o comitente tambŽm pode responder, quer o comiss‡rio tenha atuado
dolosamente quer tenha tido uma atua•‹o l’cita, ou mesmo quer recaia sobre o comiss‡rio uma
responsabilidade objetiva. ƒ este o entendimento de, entre outros, o Dr. Horster.

-!O Dr. Varela invoca dois argumentos para defender a tal interpreta•‹o restritiva, que Ž, por um
lado, o n¼3 do artigo 500¼ CC falar em culpa ("tambŽm culpa"). Claro que este argumento tem o
peso que tem, que n‹o Ž assim muito. Mas, por outro lado, de acordo com os trabalhos
preparat—rios, o Dr. Varela conclui que o Prof. Vaz Serra tambŽm queria referir-se ˆ culpa do
comiss‡rio, embora Brand‹o Proen•a n‹o concorde muito com este argumento.

-!Na perspectiva do Dr. Varela os comitentes est‹o mais protegidos e o lesado mais
desprotegidos, e na outra perspectiva Ž o contr‡rio: os comitentes ir‹o responder num maior
nœmero de casos e os lesados est‹o mais protegidos. Contudo, os nossos tribunais t•m
considerado mais a posi•‹o do Dr. Varela, sendo que atŽ nunca defenderam a outra! A divis‹o Ž
apenas na doutrina, e n‹o na jurisprud•ncia. Mas Ž claro que esta norma precisava de uma
clarifica•‹o.

-!Diz o Prof. Brand‹o Proen•a que se os comitentes tiverem seguro de responsabilidade, atŽ nem
fica descabido defender a posi•‹o mais lata do Prof. Horster. Mas j‡ seria ir longe de mais
responsabilizar os comitentes sem seguro por qualquer ato dos comiss‡rios.

-!Brand‹o Proen•a concorda com a posi•‹o do Dr. Varela.

-!Mas, n‹o Ž f‡cil, ou atŽ de todo imposs’vel, encontrarmos casos que nos levem a responsabilizar
os comiss‡rios pelo risco. Logo, do ponto de vista pr‡tico, a teoria mais ampla Ž um pouco dif’cil de
concretizar. Os comiss‡rios, que s‹o aquelas pessoas que est‹o a atuar no interesse do comitente,
nunca respondem pelo risco, porque para se responder pelo risco Ž preciso que haja benef’cios
pr—prios. Portanto, tirando os casos de culpa do comiss‡rio, n‹o se v‹o encontrar outros casos.
Mesmo nos casos de responsabilidade por factos l’citos do comiss‡rio, diz o prof. Meneses Leit‹o
que esses casos ser‹o resolvidos pelo Art. 399¼CC.

-!Mas os problemas deste artigo n‹o terminam aqui. Porque, o n¼2 do Art. 500¼CC, diz que a
responsabilidade do comitente se o facto danoso por praticado pelo comiss‡rio, ainda que
intencionalmente ou contra as instru•›es daquele, no exerc’cio da fun•‹o que lhe foi confiada.

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Ora, perante casos concretos, Ž muito dif’cil concluir-se se, na verdade, o facto danoso foi ou n‹o
praticado no exerc’cio da fun•‹o.

-!A Prof. Gl—ria Gra•a Trigo, vai colocando uns pequenos exemplos:

-!Ela come•a por colocar a hip—tese de um trabalhador que est‡ no escadote a limpar a montra
de uma loja ou a repara-la e a determinada altura, ele por descuido deixa cair uma ferramenta
(martelo, p ex) causando danos a um pe‹o. H‡ ou n‹o h‡ responsabilidade do comitente? Este
caso Ž simples, porque h‡ culpa do comiss‡rio e Ž sem dœvida nenhuma no exerc’cio da fun•‹o.

-!Segundo exemplo: Este comiss‡rio desobedeceu ao comitente, porque o comitente tinha-lhe dito
para prender as ferramentas de uma determinada forma, e ele desobedeceu. De acordo com o n¼2
do Art. 500¼, o comitente respondia na mesma, mesmo em caso de desobedi•ncia do comiss‡rio.

-!Terceira hip—tese: o comiss‡rio deixou cair a ferramenta para ferir alguŽm a quem tem
inimizade. Deve o comitente responder? Aqui, pela letra do n¼2, este artigo fala
"intencionalmente" no exerc’cio da fun•‹o. Se virmos, o comiss‡rio age intencionalmente e est‡
a exercer a quest‹o. Mas antes de responder a este, vamos ver outro exemplo semelhante
colocado pelo Prof. Meneses Leit‹o:

-!Um seguran•a de uma discoteca impede alguŽm de entrar (porque estava embriagado) agredindo-
o. Este caso Ž igual ˆ terceira hip—tese? Enquanto que neste caso, podemos dizer que esta
intencionalidade est‡ conexionada no exerc’cio da fun•‹o, na terceira hip—tese, quem deixa cair a
ferramenta j‡ n‹o est‡ a atuar como comiss‡rio, porque j‡ est‡ fora do exerc’cio da fun•‹o, logo o
comitente, segundo Brand‹o Proen•a, n‹o teria de responder. Mas nesta hip—tese do seguran•a o
comitente respondia.

-!Se este comiss‡rio descer o escadote e roubar alguŽm, aqui seguramente o comitente j‡ n‹o
dever‡ responder, porque o comiss‡rio j‡ n‹o est‡ no exerc’cio das suas fun•›es.

-!TambŽm s‹o duvidosos e levantam dœvidas na jurisprud•ncia aqueles casos das atua•›es dos
funcion‡rios banc‡rios que, no exerc’cio das suas fun•›es, lesam os clientes, dando-lhes p ex m‡s
informa•›es ou atŽ agindo intencionalmente em proveito pr—prio. Aqui, de uma forma geral, para
tutela da confian•a, porque as pessoas no fundo confiam nas informa•›es e atua•‹o desses
funcion‡rios, responsabilizam-se os comitentes.

-!O Dr. Varela diz que se justifica que o comitente responde pelas atua•›es dos comiss‡rios no
exerc’cio das duas fun•›es, mas j‡ diz que n‹o responde pelos danos incidentais e imprevis’veis.

-!Mas sobre o Art. 500¼ CC h‡ ainda outro ponto: a responsabiliza•‹o do comitente Ž apenas uma
responsabiliza•‹o de garantia. O comitente Ž um garante: o comitente s— responde porque o
comiss‡rio tambŽm responde. Isto da garantia do comitente traz consigo o que o n¼3

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afirma: o comitente que pagar tem, teoricamente, um direito de regresso por parte do comiss‡rio, a
n‹o ser que o comitente tambŽm tenha tido culpa. Se ambos tiverem culpa sa’mos do ‰mbito do
Art. 500¼ CC. O comiss‡rio Ž que n‹o tem direito de regresso, porque Ž considerado mais
respons‡vel!

-!Art. 501¼ CC

-!Este artigo est‡, basicamente, decalcado sobre o Art. 500¼ CC. T•m que se verificar os
mesmos requisitos do Art. 500¼ CC.

-!Contudo, levanta-se uma nota: este artigo s— se aplica aos chamados atos de gest‹o privada do
Estado. Se a quest‹o for pœblica, aplica-se o Dec. Lei 67/2007. Os mŽdicos do servi•o nacional de
saœde levantam dœvidas, mas atualmente, para efeitos de jurisdi•‹o, Ž considerada gest‹o pœblica, e
os mŽdicos s‹o julgados nos tribunais administrativos.

-!Art. 502¼ CC - danos causados por animais

-!H‡ muitas situa•›es de danos causados por animais e h‡ tambŽm v‡rios regimes de
responsabilidade para estes danos (Art. 493¼CC, p ex). Mas aqui est‡ em causa a m‡ vigil‰ncia dos
animais. Contudo, h‡ regimes espec’ficos para os danos provocados por c‹es de certas ra•as
perigosas, e tambŽm para os chamados c‹es-guia.

-!Este Art. 502¼ CC responsabiliza os chamados detentores dos animais pelos


proveitos/benef’cios retirados da utiliza•‹o dos animais, quer econ—micos quer n‹o (ex.: c‹o de
companhia n‹o Ž econ—mico, havendo tambŽm responsabiliza•‹o).

-!Quem s‹o estes detentores? ƒ o propriet‡rio (que responde como vigilante e como detentor), e a
circunst‰ncia de e,e vir dizer que vigiou n‹o livra a responsabilidade pelo risco. Mas se eu fizer um
contrato de comodato do meu c‹o (empresta-lo a alguŽm), o detentor Ž o comodat‡rio. Se eu
alugar um animal, aqui tem-se entendido que responde quem aluga e quem toma de aluguer (ambos
s‹o considerados detentores). Mas h‡ pessoas que manifestamente n‹o s‹o detentores, s‹o meros
vigilantes. ƒ o ex. do pastor que est‡ a guardar as ovelhas, ou do veterin‡rio, ou o chamado ferrador
de cavalos, e depois h‡ casos duvidosos: a pessoa que experimenta o cavalo antes de o comprar.

-!Que animais podem causar os danos? Quase todos! Normalmente s‹o danos causados por
c‹es, mas tambŽm surgem casos provocados por ovelhas, gansos, cavalos, touros, abelhasÉ

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Direito das Obriga•›es

Ter•a-Feira, 30 de abril de 2013, 17h00

Art. 502¼ CC

-!Causas exonerat—rias da responsabilidade

-!Esta norma n‹o se refere a estas causas

-!A causa mais importante Ž a chamada culpa do lesado (quando eles provam que os danos foram
devidos n‹o propriamente ao perigo do animal, mas ˆ conduta negligente do pr—prio lesado).
Relativamente a esta causa, temos de ter em conta a idade do lesado (saber se era crian•a ou n‹o),
porque este factor pode ter influ•ncia (uma coisa Ž o lesado ter consci•ncia do perigo do animal, e
o dano Ž-lhe imputado; mas coisa diferente Ž uma crian•a, que n‹o tem consci•ncia do perigo, a n‹o
ser que se prove culpa dos vigilantes, a responsabilidade do dono do animal n‹o exclui a
indeniza•‹o).

-!Relativamente ˆs condutas dos terceiros, o Prof. Varela tem uma posi•‹o particular: faz
responder solidariamente quer o terceiro, quer o detentor do animal (o terceiro que liberte o
animal, por exemplo). Sendo certo que se o dono pagar a indemniza•‹o, depois o detentor do
animal tem o direito de regresso sobre o terceiro.

-!Mas, segundo Prof. Brand‹o Proen•a, esta Ž uma vis‹o apenas compreens’vel na tutela dos
lesados, porque rigorosamente aqui quem deve responder Ž apenas o terceiro que foi provocar o
perigo.

-!Aquilo que n‹o pode levar ˆ exclus‹o da responsabilidade do Art. 502¼ CC s‹o as chamadas
circunst‰ncias de for•a maior. E por circunst‰ncias de for•a maior, o Prof. Brand‹o Proen•a
inclui todos os elementos anormais, imprevis’veis, que de alguma forma assustem ou provoquem
uma rea•‹o dos animais, levando-os a causar danos. Ex.: cavalo que se assusta com a trovoada,
ou um animal que reaja mal a umas buzinadelas de uma autom—vel. Ora, o detentos nunca pode
invocar esta causa para n‹o responder, porque isto s‹o riscos que o detentor do animal ter‡ de
correr. isto nunca poder‡ ser uma causa exonerat—ria da responsabilidade, porque caso contr‡rio,
o Art. 502¼ CC teria pouco aproveitamento.

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-!H‡ regimes espec’ficos para danos causados por certos animais (ex.: c‹es perigosos ou de ra•a
considerada potencialmente perigosa), mas a indemniza•‹o est‡ sempre sujeita a limites (o limite Ž
o montante do dano ou dos danos). Mas Ž poss’vel aplicarmos o Art. 494¼ CC, desde que n‹o haja
um seguro de responsabilidade. Se n‹o houver seguro, os donos dos animais t•m sempre a
possibilidade de invocar o Art. 494¼ CC para tentarem conseguir uma indemniza•‹o mais reduzida.

-!Temos de ter a clara percep•‹o que os Art. 502¼ CC n‹o se aplica aos vigilantes, a n‹o ser que
eles sejam o propriet‡rio, e aqui o propriet‡rio respondia quer por falta de vigil‰ncia, quer com base
no Art. 502¼ CC. Este Ž dos poucos casos em que uma pessoa pode responder, por um mesmo
dano do animal, por um duplo tipo de culpa e risco.

-!Depois h‡ sempre a quest‹o de estar presente a conex‹o de risco, que Ž uma das caracter’sticas
da responsabilidade pelo risco. Porque h‡ danos causados pelos animais que t•m a ver com esta
conex‹o de risco, mas h‡ danos que nada t•m a ver com esta conex‹o de risco. (Ex.: c‹o morde
alguŽm, tem a ver com a conex‹o de risco; mas se a pessoa trope•a num c‹o que estava ali a
dormir, aqui j‡ n‹o funciona a conex‹o de risco, porque aqui o corpo do animal n‹o tem relevo
para o dano, pois Ž como se ali estivesse uma mala ou um outro objeto).

-!Mas, sem dœvida, que o caso mais importante do CC de responsabilidade pelo risco Ž o dos
acidentes de via•‹o (causados por ve’culos). ƒ isto que vamos come•ar agora a ver, sendo certo
que estes acidentes nos pedem uma an‡lise em dois tipos diferentes, mas complementares. O
primeiro n’vel Ž este do CC (encontrar os respons‡veis civis); uma vez encontrados os
respons‡veis civis, como estamos num dom’nio em que h‡ obrigatoriedade de um seguro de
responsabilidade, temos de partir para um plano que envolva o diploma de seguro, e vermos qual Ž
o papel da seguradora.

-!Come•ando pelo primeiro n’vel, muito est‡ concentrado no Art. 503¼, n¼1 CC. Deste artigo
retiramos algumas ideias chave. Em primeiro lugar, respons‡vel civil Ž uma pessoa (ou v‡rias)
chamada de detentor (do ve’culo). Mas quem Ž quem Ž o detentor de ve’culo? ƒ, por um lado,
aquela pessoa que tem o chamado poder sobre o ve’culo, que o controla e que de uma forma geral
anda com ele (ou embora n‹o ande com ele, tem controlo sobre ele: Ž ele que diz o que deve ser
feito em rela•‹o a esse ve’culo. ƒ o chamado poder de dire•‹o sobre o ve’culo). Ora, ˆ partida, Ž o
propriet‡rio que tem este poder (Ž o chamado detentor por excel•ncia). Mas, se houver um
usufruto, o usufrutu‡rio Ž o detentor, porque Ž ele quem tem este poder de facto. Mas se alguŽm
comprar o ve’culo, com reserva de propriedade, mesmo que ainda n‹o seja o propriet‡rio, esse
comprador Ž o detentor, porque j‡ exerce sobre o ve’culo o tal poder de facto. Mas isto n‹o chega.
Por outro lado, Ž preciso que o ve’culo seja utilizado no seu pr—prio interesse. Portanto, o
propriet‡rio, para ser considerado detentor, tem de usar o ve’culo no

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seu pr—prio interesse e isto, como diz o Art. 503, n¼1, mesmo que o condutor seja um comiss‡rio.
Porque h‡ muitas situa•›es em que quem conduz o ve’culo s‹o os trabalhadores das empresas
(s‹o comiss‡rios). Ora, os comiss‡rios (ex.: condutores de transportes de empresas) n‹o s‹o
detentores. E, por outro lado, mesmo que a condu•‹o esteja a ser feita pelo comiss‡rio, o
interesse Ž o propriet‡rio.

-!Em segundo lugar, este artigo diz-nos que os detentores respondem pelos danos pr—prios do
risco da condu•‹o. Que riscos s‹o estes? Estes riscos abrangem tr•s tipos de risco: 1) Riscos da
m‡quina (do pr—prio ve’culo em si), como por exemplo, os trav›es que n‹o funcionam, o pneu que
pode explodir, a dire•‹o que pode ter problemas (enfim, todo um conjunto de falhas mec‰nicas,
que mesmo n‹o havendo culpa, s‹o riscos, funcionando a responsabilidade pelo risco); 2) mas estes
riscos tambŽm abrangem eventos relacionados com os condutores (assim como as m‡quinas, os
condutores podem fracassar: podem sentirem-se mal, por exemplos.
S‹o os riscos da pr—pria condu•‹o). 3) tambŽm s‹o riscos, aquilo que tenha a ver com as
vicissitudes das vias de circula•‹o (ex.: vias de circula•‹o em mau estado, com gelo, com neve, com
areia: tudo isto pode originar acidentes, e s‹o riscos). Naturalmente que se o piso est‡ molhado e o
condutor se despista por excesso de velocidade, aqui j‡ Ž culpa, n‹o risco. Mas esta norma tambŽm
n‹o exige que o ve’culo esteja em circula•‹o. ƒ, tambŽm, indiferente que o acidente se d•em em
locais fechados (ex.: parques de estacionamento) ou abertos. TambŽm, por outro lado, este Art.
503¼ CC aplica-se a todos os ve’culos de circula•‹o terrestre tenham ou n‹o motor (ex.: bicicleta).

-!Mesmos os inimput‡veis respondem nos termos do Art. 489¼ CC.

-!Mas ainda quanto aos detentores, h‡ uma hip—teses mais discutidas, n‹o tanto no caso do
aluguer (ambos s‹o considerados detentores aqui, logo ambos responder‹o), mas o caso que mais
dificuldades coloca Ž o emprŽstimo (comodato).

-!Neste caso, o Prof. Varela utiliza o critŽrio temporal. Diz que se o emprŽstimo for feito num
per’odo consider‡vel (que ele n‹o chega a definir), a deten•‹o passa para o comodat‡rio. No caso
de ser um emprŽstimo para uma pequena utiliza•‹o, aqui seriam os dois detentores (tanto o dono
que emprestou, como aquele a quem o ve’culo foi emprestado). Diz o Prof.
Brand‹o Proen•a que, embora este critŽrio precise de ser concretizado (relativamente ao per’odo
temporal).

-!Contudo, podemos utilizar o chamado critŽrio do interesse. Ou seja, se quem empresta ainda tem
interesse no emprŽstimo, justifica-se que ainda seja detentor (ex.: interesse de amizade). Por outro
lado, se quem empresta n‹o tiver interesse, independentemente da dura•‹o temporal do
emprŽstimo, o œnico detentor seria o comodat‡rio.

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-!Alguma dificuldade causa a responsabilidade do comiss‡rio. E tanto causa dificuldade que os


tribunais aqui h‡ uns anos proferiram decis›es em sentido contr‡rio sobre a responsabilidade dos
comiss‡rios, apesar do Art. 503¼,n¼3 CC ser aparentemente claro.

-!Neste artigo consta uma presun•‹o de culpa.

-!Mas os tribunais partiram para interpreta•›es diferentes. Isto desencadeou tr•s assentos, que
hoje s‹o ac—rd‹os uniformizadores.

*!Assento 1/83 - que veio reafirmar o Art. 503, n¼33 CC, dizendo que este artigo estabelece
uma presun•‹o de culpa sobre o comiss‡rio, v‡lida nas rela•›es entre ele e os lesados.

-!Mas na altura discutia-se se este artigo se aplicava ˆs colis›es (era, apenas, aplicado sem
dœvidas aos atropelamentos).

*!Surge ent‹o o assento 3/94 que veio dizer que se se aplica no caso de colis‹o prevista no Art.
506¼, n¼1 C.

-!Ainda assim, surge uma terceira dœvida: discutia-se se, no caso de presun•‹o de culpa do
comiss‡rio, se se aplicavam os limites m‡ximos de indemniza•‹o previstos no Art. 508¼ CC.
Brand‹o Proen•a cr• (em deus) que isto era uma quest‹o "tonta" (nas palavras deles). Ou seja,
havendo culpa, e a culpa presumida Ž culpa, Ž claro que n‹o se aplicavam os limites (tipo, dhaa).

*!Assento 7/94, que veio dizer que a responsabilidade de culpa presumida do comiss‡rio n‹o tem
os limites fixados no Art. 508¼ CC.

-!Tendo em conta estes tr•s assentos, o regime de responsabilidade por um acidente em que esteja
envolvido um comiss‡rio Ž o seguinte: sobre o comiss‡rio, j‡ vimos, que recai o Art. 503, n¼3 CC (o
comiss‡rio responde por culpa presumida, ou provada). Se o comiss‡rio n‹o afastar a presun•‹o de
culpa, ir‡ ele responder mas tambŽm ir‡ responder objetivamente o seu comitente nos termos do
Art. 500¼ CC (responsabiliza•‹o solid‡ria). E neste caso, seguramente que n‹o se aplicam os limites
do Art. 508¼ CC, por causa da culpa presumida (assento 7/94).

-!Mas pode acontecer que o comiss‡rio afaste a presun•‹o de culpa, bastando, por exemplo,
provar que o atropelamento se deu por culpa do pe‹o. Desta feita, o comiss‡rio n‹o responde
mais, sendo que ent‹o tambŽm n‹o podemos aplicar o Art. 500¼CC, porque n‹o tendo o
comiss‡rio culpa, o comitente tambŽm n‹o responde. Contudo, podemos ter uma
responsabiliza•‹o, neste caso, com base no Art. 503¼, n¼1, sendo que o dono responde como
detentor. Mas como neste caso houve culpa do pe‹o, o detentor pode afastar a sua
responsabilidade, invocando o Art. 505¼ CC.

-!Para ser correto, ali‡s, o comiss‡rio h‡ uma situa•‹o em que pode responder pelo risco ou por
culpa, que Ž quando j‡ n‹o est‡ como comiss‡rio (ao fim do dia, o comiss‡rio pega no

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ve’culo do patr‹o para ir ao futebol). Mas, quando ele est‡ como comiss‡rio, o legislador
estabeleceu para ele um regime pr—prio (algo discriminat—rio e que atŽ j‡ foi considerado
inconstitucional).

-!Outra quest‹o dos acidentes Ž a quest‹o dos benefici‡rios da responsabilidade.

-!Art. 504¼ CC - s‹o benefici‡rios os terceiros (pessoas que est‹o fora do ve’culo), mas tambŽm as
pessoas transportadas.

-!Quanto aos transportados, h‡ dois tipos: 1) os transportados a t’tulo oneroso; 2) os


transportados a t’tulo gratuito.

*!Esta distin•‹o, hoje, tem um interesse reduzido. Quer a pessoa esteja a ser transportada porque
pagou um bilhete (fez um contrato), quer a pessoa esteja a ser transportada, como se diz, "ˆ
boleia", para os danos pessoais o regime Ž o mesmo.

*!Mas a diferen•a est‡ estabelecida quanto aos danos materiais. (Art. 504, n¼2 e n¼3). Portanto, se
a pessoa for ˆ boleia, e levar um PC consigo, e o PC ficar destru’do no acidente, e se n‹o houver
culpa do transportador, n‹o ser‡ indemnizado o dano do PC. Ser‹o s— indemnizados danos
pessoais. Mas se a pessoa for transportada a t’tulo oneroso, quer haja culpa ou n‹o, a pessoa ser‡
indemnizada pelo seu PC.

-!Para esta distin•‹o o Prof. Varela utiliza um critŽrio econ—mico. Caso n‹o haja nenhum
pagamento do servi•o, Ž um transporte gratuito. Os nossos tribunais durante muito tempo
aceitaram este critŽrio.

-!Mas h‡ um outro critŽrio, que ˆs vezes tambŽm surge defendido, que Ž o chamado critŽrio do
interesse. Neste critŽrio, o transporte Ž oneroso se o transportador tiver interesse no transporte,
quer o transportado pague ou n‹o pague. (engloba qualquer interesse: afetivo, sentimental,
econ—mico, etc...).

-!O Prof. Brand‹o Proen•a prefere o critŽrio do interesse, pois tutela melhor os lesados. D‡
melhor prote•‹o proque h‡ muitas situa•›es em que os lesados n‹o pagam o transporte, mas no
entanto est‹o a ser transportados no interesse do transportador, e seria injusto eles n‹o
beneficiarem do melhor regime do Art. 504, n¼2.

-!Este Art. 504¼ CC tem, ainda, uma nota de imperatividade, a dizer que s‹o nulas as cl‡usulas que
excluam a responsabilidade no ‰mbito dos danos pessoais.

-!Outra importante quest‹o Ž a das causas de exclus‹o de responsabilidade nestes acidentes. ƒ


poss’vel, em maior ou em menor nœmero, invocarem-se causas exonerat—rias, que para estes
acidentes, est‹o tipificadas no Art. 505¼ CC.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Culpa do lesado Ž uma destas causas exonerat—rias.

-!A doutrina cl‡ssica, interpreta a express‹o "culpa do lesado" num sentido causalista (causal), isto
Ž, para que o detentor n‹o responda basta que se prove que o acidente foi devido ao lesado, que se
possa dizer que foi causado por ele. (o que interessa Ž uma liga•‹o material entre o acidente e a
conduta do lesado, independentemente de quem Ž o lesado).

-!Mas h‡ uma outra interpreta•‹o (na linha de Brand‹o Proen•a), que Ž interpretar a express‹o
"imput‡vel ao lesado" fazendo-a coincidir com a culpa, isto Ž, s— haver exclus‹o da
responsabilidade provando-se que houve culpa do lesado no acidente. Esta segunda interpreta•‹o
Ž mais favor‡vel para os lesados. (prote•‹o das crian•as, dos idosos, etc...).

-!Os nossos tribunais, durante muito tempo, acolheram a concep•‹o cl‡ssica, excluindo
responsabilidades com a mera prova de que o acidente Ž devido ao lesado, que fosse atŽ uma
crian•a! Mas, mais recentemente, foram surgindo algumas decis›es mesmo do Suprema, em que h‡
uma mudan•a (n‹o absoluta), mas surgem decis›es que j‡ d‹o relevo ˆ segunda forma de
interpreta•‹o do Art. 505¼ CC, e em que se v• uma compatibiliza•‹o entre o risco e a culpa
(fugindo ao "tudo ou nada" da interpreta•‹o cl‡ssica), atingindo-se solu•›es mais flex’veis,
sobretudo tendo em conta em que estamos num dom’nio em que h‡ seguros de responsabilidade.

-!Mas, mesmo que se defenda a primeira interpreta•‹o (cl‡ssica), s— deve haver exclus‹o da
responsabilidade, desde que se prove que o acidente foi exclusivamente devido ao lesado (tem de se
fazer uma prova categ—rica de que o acidente s— ocorreu exclusivamente por culpa do lesado).

-!A segunda causa de exonera•‹o tem a ver com acidente imput‡veis a terceiros. Aqui tambŽm
podemos perguntar se Ž ou n‹o necess‡ria a culpa do terceiro. Ex.: um terceiro pode ser um
transportado que distraia o condutor provocando um acidente.

-!A terceira causa de exonera•‹o s‹o as situa•›es de for•a maior, estranhas ao funcionamento do
ve’culo. Tudo o que tenha a ver com o funcionamento n‹o Ž causa de for•a maior (nomeadamente
a explos‹o do pneu, ou o piso escorregadio). Aqui h‡ poucas causas de for•a maior que excluam a
responsabilidade, e atŽ s‹o praticamente exemplos acadŽmicos: exemplo do carro levado por um
ciclone e que cause danos; ou o autom—vel que Ž levado por uma inunda•‹o e que cause danos.

-!A matŽria para o 2¼ teste Ž atŽ aqui. (Dia 14 de maio ˆs 18h30. Sala: anfiteatro 1, atual sala
C024).

-!Brevemente estar‹o no campus alguns casos pr‡ticos resolvidos e os temas para a avalia•‹o oral
(3¼ momento de avalia•‹o).

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Direito das Obriga•›es

Ter•a-Feira, 14 de maio de 2013, 17h00

Estado: muito cansado! Qualidade dos apontamentos desta aula: reduzida.

Colis‹o de Ve’culos

-!H‡ uma norma no CC: Art. 506¼ (n‹o est‹o aqui reguladas todas as situa•›es)

-!Mas n‹o est‡ aqui regulado o caso em que na colis‹o h‡ culpa dos dois condutores. Em que
ambos foram improvidentes, ou ambos violaram normas do c—digo da estrada. Neste caso, a
norma que teremos a aplicar Ž o Art. 570¼ CC. Como h‡ culpas de ambos, eles tanto s‹o culpados
em rela•‹o aos danos que causam, como em rela•‹o aos danos que sofrem (isto pressupondo que
h‡ danos para os dois lados). O tribunal tem de ver quem foi mais ou menos culpado e distribuir as
indemniza•›es de acordo com essas percentagens de culpas.

-!O Art. 506, n¼2 faz uma refer•ncia a esta situa•‹o: n‹o se sabendo quem foi mais culpado,
reparte-se, no fundo, o mal por ambos.

-!Mas o Art. 506¼ praticamente s— se refere ˆ colis‹o sem culpa, pelo risco (ex.: devido ˆ estrada
escorregadia). Nestes casos, se houver danos em rela•‹o aos dois, ou em rela•‹o a um deles, e
nenhum dos condutores tiver culpa, a responsabilidade Ž repartida na propor•‹o determinada pelo
risco de cada um dos ve’culos (o tribunal averigua de acordo com as percentagens de contribui•‹o
para o risco). ƒ natural que se houver uma colis‹o entre um ve’culo pesado e um ligeiro, como o
pesado causar‡ mais danos, ter‡ uma maior responsabilidade.

-!Ou seja, o tribunal soma os danos e faz a reparti•‹o em fun•‹o das percentagens/propor•‹o.

-!Outro caso aqui previsto Ž o caso dos danos provocado a um ve’culo sem culpa de nenhum
condutor. ƒ aquela situa•‹o do ve’culo que est‡ parado e h‡ um outro carro que bate nele. Neste
caso, n‹o havendo culpa de nenhum, s— a pessoa respons‡vel pelos danos (aquele que causa os
danos) Ž que ir‡ ser responsabilizado. Ou seja: aquele que est‡ parado jamais ir‡ responder,
porque o risco dele Ž insignificante.

-!ƒ certo que o Art. 506¼ CC s— fala em danos nos ve’culos (danos materiais). Logo, n‹o se refere a
danos nos condutores, por exemplo. Mas a doutrina entende que esta norma tambŽm deve
contemplar os danos nos condutores. J‡ quanto aos transportados a quest‹o Ž mais delicada:

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*!Se um dos ve’culos transportar alguŽm a t’tulo oneroso, o lesado pode responsabilizar
solidariamente ambos os condutores.

*!O mesmo se passa quanto aos danos pessoais sofridos pelo transportado a t’tulo gratuito. H‡
uma equipara•‹o de regime quanto aos danos pessoais entre os transportados a t’tulo oneroso ou
gratuito. Mas a quest‹o Ž mais complicado se um transportado gratuito sofrer danos materiais
(computador, por exemplo, que leve consigo), teoricamente s‹o poss’veis v‡rias solu•›es. O Dr.
Varela diz que neste caso n‹o h‡ lugar a indemniza•‹o, porque segundo dele, s— haveria
indemniza•‹o se houve culpa do condutor. A outra solu•‹o seria respondermos integralmente o
condutor n‹o transportador, porque em rela•‹o a esse, s‹o danos causados em rela•‹o a um
terceiros. Mas a melhor solu•‹o, pelo menos a mais justa de acordo com Brand‹o Proen•a, Ž a
seguida pelo Prof. Almeida Costa: que Ž fazer responder solidariamente ambos os condutores
pelos danos materiais nos transportados. Mas ser‡ que esta solu•‹o Ž compat’vel com o Art. 504,
n¼3 CC? Brand‹o Proen•a tem dœvidas que esta solu•‹o seja sustent‡vel do ponto de vista jur’dico
(juridicamente, a segunda solu•‹o Ž a mais solu•‹o), mas a solu•‹o mais justa Ž esta terceira!

-!O Art. 506, n¼2, em caso de dœvida, considera igual a media da contribui•‹o de risco.

-!Se um deste ve’culos, ou os dois, for conduzido por comiss‡rio, h‡ que ter em conta os
assentos j‡ referidos.

-!Neste campo h‡ v‡rias situa•›es de responsabilidade solid‡ria (Art. 507¼ CC). Esta
responsabilidade solid‡ria pode assumir v‡rias configura•›es: podemos ter o caso de todos os
condutores (3 por exemplo) responderem todos pelo risco. Mas se o autom—vel pertencer a v‡rias
pessoas ser‹o todas responsabilizadas. Mas tambŽm h‡ responsabilidade solidaria quando um
responde por culpa e outro pelo risco (a culpa n‹o afasta o risco), mas naturalmente se aquele que
pagar for o culpado, esse n‹o tem direito de regresso (mas o contr‡rio j‡ acontece, j‡ h‡ direito de
regresso), mas perante o lesado, ambos s‹o respons‡veis.

-!TambŽm j‡ foi referido que nunca podemos perder de vista o diploma sobre o seguro
obrigat—rio. Porque, por exemplo, para os limites de indemniza•‹o, o Art. 508¼ CC leva-nos
para o Dec. Lei 291/2007, sobre o seguro autom—vel obrigat—rio. Isto interessa-nos para os
limites m‡ximos de indemniza•‹o.

-!Estes limites m‡ximos j‡ foram, quando o c—digo surgiu, um limite m‡ximo de 200 contos para
os danos corporais. Entretanto, depois houve uma altura em que estes limites ficaram estabelecidos
em fun•‹o da al•ada da Rela•‹o. AtŽ que o Dec. Lei de 2007 sublinhou que estes

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limites m‡ximos correspondem ao chamado capital m’nimo obrigatoriamente seguro (Art. 12¼ do
Decreto). Como estamos a ver houve um salto bastante grande na prote•‹o dos lesados, devido a
diretivas da UE. De qualquer forma, o Art. 508¼ CC estabelece outros limites (em caso de transporte
coletivo e em caso de transporte ferrovi‡rio: estes limites s‹o maiores porque tambŽm haver‡ um
maior nœmero de lesados).

-!Este capital m’nimo, havendo v‡rios lesados num acidente de via•‹o, tem de ser repartido por
todos.

-!TambŽm j‡ sabemos que isto n‹o se aplica ˆs presun•›es de culpa. Este Art. 508¼ CC s— vale
para os casos em que n‹o h‡ qualquer culpa (provado ou presumida).

-!E Ž claro que estes limites abrangem todos os danos!

Outro caso :

Acidentes de trabalho, de via•‹o.

o CC n‹o se refere propriamente a estes acidentes - t•m uma componente mista. atŽ ser‡ na
legisla•‹o do trabalho que se encontram as normas mais interessantes - artigo 17¼ do Diploma de
2009 - lei dos acidentes de trabalho.

atŽ partindo desse artigo, h‡ duas ou tr•s coisas a real•ar:

-!primeira ideia: estes lesados s— t•m direito a UMA indemniza•‹o e n‹o a duas - n‹o pode ser pelo
acidente de via•‹o e outra pelo acidente de trabalho; o que podem Ž COMPLETAR aquilo que um
dos lados n‹o lhes d•. se o lesado quiser fazer valer o acidente de via•‹o e se por esse n‹o ficar
completamente ressarcido, pode fazer isso - complementos de indemniza•‹o.

-!h‡ uma responsabilidade solid‡ria : a entidade patronal responde por solidariedade por ser
detentora do ve’culo; pode responsabilizar solidariamente quer a entidade patronal quer o
detentor do ve’culo;

-!temos que ver quem vai pagar : a lei estabelece que - quem pagar for a entidade patronal ou a
seguradora da entidade patronal, essa entidade ou essa seguradora tem DIREITO DE
REGRESSO sobre o respons‡vel pelo acidente de via•‹o; pode vir pedir aquilo que pagou.

j‡ ao contr‡rio n‹o se significa. se quem pagar foi o respons‡vel pelo acidente de via•‹o, j‡ n‹o
h‡ direito de regresso.

neste tipo de acidentes, o legislador considera mais respons‡vel, o respons‡vel pelo acidente de
via•‹o. entende que aquilo que pesou mais v‡ l‡, vou a parte do acidente de via•‹o e n‹o a parte do
acidente de trabalho - Ž esta a vis‹o do legislador.

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Diploma do Seguro Autom—vel

-!(ler em casa: artigos 4¼, 6¼ sobre as pessoas obrigadas a fazer este seguro, 7¼ - seguro
garagista, 11¼, 12¼, 14¼ e 15¼, 22¼, 26¼, 27¼ ...)

-!artigo 47¼ : fundo de garantia do autom—vel, espŽcie de substitui•‹o do seguro

entra em ac•‹o quando o respons‡vel for desconhecido, quando o respons‡vel n‹o tiver seguro
(n‹o fez seguro) ou embora o tenha deixou de o pagar (o seguro perdeu efic‡cia) - os lesados t•m
que solicitar as indemniza•›es ao fundo de garantia autom—vel. ˆ partida h‡ um regime de
garantia que tem algumas diferen•as - danos materiais e corporais;

-!artigo 54¼ : pagando, ele pode pedir ao respons‡vel para que lhe pague o que o fundo pagou
-!chama-se sub-roga•‹o.

- Art. 62¼ e Art. 64¼

(muito brevemente)

artigo 509¼ : Responsabilidade pelo Risco, por danos causados por instala•›es de energia elŽctrica ou
g‡s

h‡ alguma legisla•‹o avulsa que completa de alguma forma esta hip—tese do artigo (DL 172/2006 de
23 de Agosto)

quanto ˆ instala•‹o, aos danos resultantes dessa, Ž poss’vel provar-se que ao tempo do acidente, ela
estava de acordo com as regras. o legislador admite que se o dano provŽm da pr—pria instala•‹o, se j‡
n‹o tiver a ver com a condu•‹o ou entrega mas sim a instala•‹o, esta responsabilidade pode ser
afastada ao provar-se que ao tempo do acidente, aquela instala•‹o estava em perfeito estado.

a aplica•‹o deste artigo tb pode ser paralisada invocando CAUSAS DE FOR‚A MAIOR - n¼2
da norma. (ciclone, etc)

este artigo pode ser afastado com a prova de mais duas causas exonerat—rias : CULPA DO
LESADO ou CONDUTA DE TERCEIRO

Tb podemos trazer para aqui as causas do 505¼ - este artigo funciona como uma espŽcie de
norma geral.

NOTA: nem todos os choques elŽctricos podem ser trazidos para o 509¼.

limites do 510¼ - mais um caso de limita•‹o de indemniza•‹o.

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para a aula de amanh‹ :

lista colocada no campus de outros casos de Responsabilidade pelo Risco o

prof. n‹o vai referi-la!

*RESPONSABILIDADE CIVIL POR FACTOS LêCITOS

n‹o est‡ prevista no CC enquanto tal!

entendeu-se que era uma responsabilidade MENOS importante; n‹o se presta muito em teorias
gerais, n‹o Ž muito prest‡vel.

mas a ideia por factos l’citos Ž esta :

s‹o actua•›es LêCITAS, AUTORIZADAS pelo legislador para protec•‹o de certos interesses (h‡
interesses que justificam uma actua•‹o), mas se esta actua•‹o causar danos, haver‡ que os reparar.

Ž LêCITO fazermos algo porque a lei nos protege, entende que o nosso interesse merece essa
protec•‹o, MAS por raz›es de justi•a, se causarmos danos, temos que os indemnizar.

tb chamamos : "Responsabilidade pelo SACRIFêCIO"

na verdade h‡ pessoas que aqui v‹o ser sacrificada (embora tenham sempre a possibilidade de ser
indemnizadas)

esta Responsabilidade existe no Campo Contratual e no Campo Extra-Contratual, e tb no


pr—prio Direito Pœblico

no Direito Privado isto est‡ mais latente nos Direitos Reais. 1348¼ss

artigo 81¼/2 : (estud‡mos a prop—sito dos Direitos de Personalidade) h‡ quem considere caso de
Responsabilidade por Factos L’citos mas h‡ quem considere ser Responsabilidade pela Confian•a
(caso diferente)

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o prof. acredita que, no mandato, quanto est‡ previsto que o mandante pode REVOGAR o
mandato, embora tendo que indemnizar a outra parte, isto Ž um caso de Responsabilidade por
Factos l’citos - este 1172¼ Ž bastante claro.

esta responsabilidade n‹o obedece a um œnico critŽrio :

a indemniza•‹o Ž calculada de v‡rias formas - muitas vezes, obedece a critŽrios legais


apertados; outras vezes, j‡ Ž calculada normalmente em fun•‹o dos danos.

DEPENDE sempre do que a lei nos diz.

s— para terminar, mais dois aspectos:

entrando j‡ na parte propriamente indemnizat—ria: obriga•‹o de indemniza•‹o - surge


associada ˆ Responsabilidade Civil.

-!QUEM pode pedir a indemniza•‹o? Quem tem a TITULARIDADE ACTIVA do


direito ˆ Indemniza•‹o?

h‡ aqui uma primeira ideia que temos que ter: nem todas as pessoas que sofrem danos, t•m direito a
ser indemnizadas. n‹o Ž pelo facto de eu sofrer um dano que posso pedir uma indemniza•‹o.

em primeira linha, quem tem direito a uma indemniza•‹o s‹o aquelas pessoas que s‹o lesadas nos
seus direitos subjectivos absolutos (quaisquer que eles sejam) ou ent‹o s‹o lesadas em interesses
protegidos por normas - em primeira linha s‹o estas pessoas! os "Lesados Imediatos"

*TEM QUE ESTAR PREENCHIDA UMA ILICITUDE - se essa ilicitude n‹o est‡
preenchida, nada feito! n‹o ser‡ poss’vel pedir-se indemniza•‹o.

mas alŽm destes Lesados Imediatos, EXCEPCIONALMENTE, o legislador tb d‡ este direito aos
chamados "Lesados MEDIATOS"

quem s‹o essas pessoas? : artigo 496¼ para os danos NÌO patrimoniais; para os danos patrimoniais,
artigo 495¼ estabelece outro conjunto de lesados que tb tem direito a uma indemniza•‹o.

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quem s‹o os Titulares PASSIVOS? : s‹o aqueles a quem podemos chamar os "Respons‡veis
Civis"

aqueles que ou praticaram o facto il’cito ou incorreram numa daquelas causas de R.P/Risco. ˆ partida
s‹o eles que pagam as indemniza•›es.

MAS ˆs vezes quem Ž respons‡vel n‹o Ž quem paga - o que acontece nos acidentes de via•‹o com as
seguradoras (Ž a seguradora que paga).

tambŽm ˆs vezes acontece que quem causa pode tambŽm n‹o pagar, por outras raz›es.

ex: um vigiado causa um dano e quem paga Ž um vigilante (a lei presume-o culpado) e foi o
vigiado que causou! aqui temos tb um fen—meno, um bocado diferente da seguradora, mas
acaba por ser o mesmo - quem causa n‹o Ž quem paga!

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Direito das Obriga•›es

Quarta-Feira, 15 de maio de 2013, 14h00

Nota: cheguei atrasado

-!Nenhuma responsabilidade objetiva Ž absoluta.

-!Neste decreto (o da aula anterior) encontramos um tratamento mais flex’vel da culpa do


lesado (que pode reduzir a indemniza•‹o, e n‹o provoca necessariamente a exclus‹o da
responsabilidade).

-!Responsabilidade do produtor

A indemniza•‹o (para qualquer situa•‹o de responsabilidade civil)

-!Na aula passado j‡ falamos dos titulares passivos e ativos do direito ˆ indemniza•‹o.

-!Mas ainda n‹o referimos a quest‹o da prescri•‹o.

-!O Direito de Indemniza•‹o, como direito de crŽdito que Ž, est‡ sujeito a um prazo-regra de
prescri•‹o de 3 anos (Art. 498¼CC). Este prazo come•a a contar-se a partir da data em que o
lesado teve conhecimento do direito que lhe compete, a partir do momento em que o lesado toma
consci•ncia que tem direito a ser indemnizado, mesmo que n‹o saiba quem o lesou e tambŽm
mesmo que n‹o haja uma consci•ncia da integralidade dos danos.

-!Ao lado deste prazo de 3 anos vai correr um outro prazo de 20 anos. A partir do dia em que
ocorre o facto, come•am a contar 20 anos. Isto quer dizer que, na pior da hip—teses, esta quest‹o
da responsabilidade tem de estar resolvida em 20 anos (Ž o tempo m‡ximo).

-!No entanto, n—s temos de ter algumas no•›es de prescri•‹o. Isto porque h‡ que ter cuidado e ter
em conta a aplica•‹o do Art. 323¼ CC. Porque enquanto que o prazo de caducidade Ž um prazo de
contagem f‡cil e linear (s‹o 3 anos que se contam sem problemas), o prazo de prescri•‹o Ž um
prazo cuja contagem tem de ser interrompida. Esta interrup•‹o processa-se, em geral, em caso de
a•‹o em tribunal, nos termos do Art. 323¼ CC ou com a cita•‹o ou com a notifica•‹o judicial de
qualquer ato que exprima a inten•‹o de exercer o direito.

-!Por outro lado, os prazos de prescri•‹o ˆs vezes suspendem-se (na caducidade n‹o acontece
isto). Por exemplo, na quest‹o da responsabilidade civil, pode ter interesse a aplica•‹o do Art.
321¼CC para os casos em que o lesado n‹o sabe ainda quem o lesou, invocando este Artigo

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para evitar que o prazo de 3 anos prescreva, pelo menos no decurso dos œltimos 3 meses do prazo.

-!Isto para dizer que estes prazos da prescri•‹o nos obrigam a um conhecimento das normas
gerais da prescri•‹o!

-!J‡ sabemos que o prazo regra Ž de 3 anos, mas pode ocorrer situa•›es em que o prazo seja
superior, nomeadamente caso a lei penal estabele•a um prazo mais longo.

-!Temos falado v‡rias vezes de responsabilidade solid‡ria. Na responsabilidade solid‡ria existe o


chamado direito de regresso. Ou seja, o direito daquele que paga. O direito de regresso Ž um direito
de crŽdito, e como tal, est‡ sujeito a um prazo de prescri•‹o. Portanto, se houver dois condutores,
respons‡veis solid‡rios, e um deles pagou, se ele tiver direito de regresso sobre o outro condutor,
ele tem 3 anos para pedir o que pagou (Art. 498¼, n¼2).

-!O mesmo se passa no caso do fundo de garantia.

-!Como se calcula a indemniza•‹o no caso da Responsabilidade Civil?

-!Se tivermos como ponto um acidente de via•‹o, ele dar‡ origem a danos quer de natureza
patrimonial quer n‹o patrimonial.

-!Quanto aos danos n‹o patrimoniais, j‡ referimos. (O dano estŽtico, os sofrimentos, as dores, o
dano ˆ saœde da pessoa, o dano ao relacionamento social da pessoa, dano da morte, etc...). Estes
danos s‹o apenas compensados em termos de equidade (Art. 496¼ CC). Para o dano da morte,
atualmente os tribunais concedem entre 60.000 a 70.000 euros, levantando depois o tal problema
de saber quem recebe esta compensa•‹o. Estes danos n‹o patrimoniais tambŽm t•m muito a ver
com os danos corporais (incapacidades tempor‡rias ou definitivas, as dores, etc...). Mas quanto a
estes danos h‡ princ’pios pr—prios para a rela•‹o entre seguradoras e os lesados. Por aplica•‹o do
Dec. 2007, e da portaria 377/2008 de 26 de maio, e da portaria 679/2009 (que veio alterar a
anterior, nos montantes referidos). Portanto, conjugando os artigos do Decreto (Art. 38¼ e
seguintes) com as portarias, as seguradoras podem fazer aos lesados a chamada proposta razo‡vel
de indemniza•‹o. E esta proposta razo‡vel Ž feita de acordo com os montantes estabelecidos nas
portarias para os diferentes danos, proposta esta que o lesado pode ou n‹o aceitar. N‹o aceitando a
proposta, o lesado pode recorrer aos tribunais, porque os tribunais n‹o est‹o vinculados pelos
valores das portarias, que se dirigem apenas ˆs seguradoras.

-!Mas tambŽm no diploma de seguro h‡ outros aspetos relevantes relativos aos chamados danos
materiais, que atingem o pr—prio ve’culo em si (Art. 41¼ do Dec. de 2007). E aqui estabelece-se a
fronteira entre a repara•‹o e a n‹o repara•‹o, isto Ž, havendo a chamada perda total, isto Ž, se a
seguradora concluir que o ve’culo est‡ em perda total, n‹o haver‡ lugar a repara•‹o. A perda total
ocorre quando o autom—vel fica totalmente destru’do (destrui•‹o

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total); quando a repara•‹o for materialmente imposs’vel ou tecnicamente n‹o aconselh‡vel; e em


terceiro lugar se se concluir que o valor do or•amento para a repara•‹o, adicionado ao valor do
salvado (que Ž a "carca•a do autom—vel que fica"), ultrapassar 100% ou 120% do valor comercial
que o ve’culo tinha, desde que se trate respectivamente com um ve’culo com menos (100%) ou
mais (120%)de dois anos. Aqui, em situa•›es de perda total, n‹o h‡ repara•‹o e a indemniza•‹o
ser‡ processada em dinheiro.

-!Mas voltando para o CC, em geral, uma indemniza•‹o, processa-se de uma de duas formas:

*!Ou pela chamada restaura•‹o natural, em que se tenta reconstituir a situa•‹o que existia:
substituir o objeto que se partiu, concertar o objeto que se estragou, fazer tratamentos (tratando-se
de danos mais pessoais)... Esta Ž sempre a forma preferida de indemniza•‹o, e Ž a forma a que o
legislador d‡ primazia, ao lermos o Art. 562¼ CC e o Art. 566¼, n¼1 CC. A restaura•‹o natural tem,
contudo, limita•›es, que se prendem com tr•s factores: 1) a sua impossibilidade (o caso do ve’culo
ficar totalmente destru’do... ou o caso de eu partir um objeto que era pe•a œnica); 2) a restaura•‹o
natural pode, em segundo lugar, n‹o reparar integralmente os danos, sendo uma "meia-restaura•‹o
natural", n‹o reparando tudo (Ž o caso daqueles ve’culos que podem atŽ ser reparados, mas ficam a
valer menos...); 3) tambŽm n‹o Ž poss’vel, em terceiro lugar, a restaura•‹o natural quando ela seja
excessivamente onerosa para o devedor/lesante (os tribunais t•m aplicado muito esta œltima
limita•‹o, precisamente aos acidentes de via•‹o, em que o autom—vel valia pouco e, agora, para o
reparar Ž necess‡rio gastar tr•s ou quatro vezes mais - nestes casos atribuem ao lesado uma
indemniza•‹o em dinheiro).

*!Ou pela chamada indemniza•‹o em dinheiro (indemniza•‹o pecuni‡ria). Nota: o lesado n‹o tem
escolha! S— existe esta repara•‹o pecuni‡ria, se a restaura•‹o natural tiver as limita•›es supra
referidas. A indemniza•‹o pecuni‡ria est‡ sujeita a uma f—rmula de c‡lculo antiga, chamada
teoria/critŽrio da diferen•a, que est‡ consagrada no Art. 566, n¼2 CC. Claro que isto Ž um critŽrio-
regra, logo n‹o quer dizer que seja sempre aplicado. Nesta teoria, exige-se que se considerem duas
situa•›es patrimoniais. Portanto, o resultado (a indemniza•‹o) vai-se alcan•ar estabelecendo duas
situa•›es patrimoniais diferentes: a chamada situa•‹o patrimonial atual do lesado, na qual o tribunal
avalia a situa•‹o patrimonial do lesado, na data mais recente que puder ser atendida pelo tribunal
(processualmente corresponde ˆ chamada fase da audi•ncia/julgamento); e alŽm desta situa•‹o
patrimonial, o tribunal tem que considerar igualmente a chamada situa•‹o patrimonial hipotŽtica,
construindo a situa•‹o em que o lesado estaria sem ter sofrido o facto danos, atravŽs de provas. ƒ
desta diferen•a entre as duas situa•›es patrimoniais que resulta a indemniza•‹o. ƒ claro que este
critŽrio tem sido sujeito a cr’ticas. ƒ uma f—rmula muito te—rica, ali‡s muito pouco pr‡tica (segundo
Brand‹o Proen•a), e muito dif’cil de aplicar aos danos futuros e aos danos temporais. H‡ um dano
que Ž o dano da priva•‹o de uso, que com esta f—rmula n‹o fica muito bem solucionado, porque
este dano Ž muito passageiro e espec’fico. Mesmo os tribunais, para calcularem os chamados lucros
cessantes que os acidentes de via•‹o trazem (incapacidades totais ou parciais/tempor‡rias ou
definitivas para os lesados), n‹o recorrem a esta teoria, porque s‹o danos futuros, e os tribunais
aqui utilizam outras f—rmulas de c‡lculo, jogando muito com a equidade, porque v‹o

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entrar com o rendimento que o lesado tinha atŽ a’, mais o nœmero de anos que a pessoa poderia
trabalhar, mais taxas de juro... Portanto, h‡ aqui um processo espec’fico, que excluiu a teoria.

-!Ainda quanto ˆ indemniza•‹o, surgem outros aspetos:

*!A indemniza•‹o ou Ž provis—ria ou Ž definitiva, sendo que Ž definitiva a partir do momento em


que os danos estejam j‡ todos calculados e liquidados. Mas o Art. 565¼ CC fala-nos de uma
indemniza•‹o provis—ria, que tem a ver com a indemniza•‹o daqueles danos que j‡ estejam
devidamente provados, sendo certo que a indemniza•‹o ainda n‹o est‡ completa. Mas,
provisoriamente, j‡ pode haver uma indemniza•‹o.

*!Depois, a indemniza•‹o Ž normalmente fixada em capital, numa quantia. Mas o Art. 567¼ CC
permite que a indemniza•‹o seja fixada em renda: renda vital’cia ou renda tempor‡ria, desde que os
danos tenham natureza cont’nuada. Portanto, se se tratar de alguŽm que vai ter de fazer
tratamentos durante toda a vida, ou durante parte da vida (natureza continuada), n‹o se aconselha
que seja pedida uma indemniza•‹o em capital, mas sim em renda. A vantagem da indemniza•‹o
em renda Ž que ela pode ser alterada, de acordo com a evolu•‹o das circunst‰ncias (o seu montante
pode ser alterado), ao contr‡rio da indemniza•‹o em capital, que Ž sempre definitiva.

*!Por fim, acontece ˆs vezes que, tendo sido provado o dano, mas n‹o se consiga provar o
valor do dano. Isto Ž, prova-se que se furtou um objeto, mas n‹o se sabe quanto vale esse
objeto. Aqui, nos termos do Art. 566¼,n¼3 CC, n‹o h‡ outra hip—tese a n‹o ser a fixa•‹o da
indemniza•‹o atravŽs dos padr›es da equidade.

-!Na aplica•‹o da teoria da diferen•a, j‡ referida, Ž necess‡rio, por vezes, entrar-se em jogo com
uma ideia: a chamada ideia da compensa•‹o de vantagens, tambŽm chamado de "princ’pio" da
compensa•‹o do dano com o lucro, ou ent‹o compensar as vantagens. Ora, o que Ž isto?

*!Ës vezes o facto il’cito para alŽm dos danos, tambŽm traz proveitos. Ora, n‹o se
compreenderia que o lesado, ao mesmo tempo que ia receber a indemniza•‹o, tambŽm ficasse
com essas vantagens, sem que houvesse aqui uma dedu•‹o. Isto Ž, a teoria da diferen•a seria
mal aplicada se na an‡lise das diferentes situa•›es patrimoniais, se n—s n‹o analis‡ssemos
tambŽm as vantagens que o facto il’cito trouxe para o lesado.

*!ƒ o caso das ovelhas que invadem um terreno alheio (il’cito - les‹o de um direito de
propriedade), e essas ovelhas, ao mesmo tempo, porque v‹o l‡ estar durante alguns dias, v‹o fazer
com que o terreno fique suficientemente estrumado, para poupar despesas ao dono dele, que ˆ
partida iria ter. Isto Ž, para alŽm dos preju’zos que as ovelhas possam ter causado,

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tambŽm provocaram uma vantagem ao lesado. Portanto, no c‡lculo da indemniza•‹o, h‡ que abater
a essa indemniza•‹o o valor da vantagem obtida, caso contr‡rio a indemniza•‹o serviria para
enriquecer o lesado, e isso n‹o pode acontecer.

-!De qualquer forma s— podemos usar esta da ideia da compensa•‹o de vantagens, quando isto se
mostrar justificado. Porque h‡ casos em que as vantagens n‹o devem ser deduzidos. Se houver um
seguro de acidentes, Ž perfeitamente leg’timo que o lesado receba alŽm da indemniza•‹o, a
indemniza•‹o da seguradora. H‡ que averiguar caso a caso.

-!Para terminarmos esta parte da indemniza•‹o, h‡ que chamar a aten•‹o para um ac—rd‹o
uniformizador, a prop—sito da obriga•‹o de indemniza•‹o. ƒ o ac—rd‹o 9 de maio de 2002. Este
ac—rd‹o tem a ver com a aplica•‹o dos Artigos 806, n¼1 CC e Art. 805, n¼3 CC. Este ac—rd‹o vem
dizer o seguinte: quando se pede uma indemniza•‹o, se o tribunal antes de proferir a senten•a,
atualizar essa quantia (tomar em conta que entre a data em que foi feito o pedido e a data em que
foi proferida a senten•a, decorrer muito tempo), esta indemniza•‹o s— come•a a vencer juros a
partir dessa data de atualiza•‹o. Mas, a partir do momento em que o pr—prio lesado pe•a, que desde
a cita•‹o, sejam contados juros, aplicados ˆ quantia indemnizaria que vir‡ a ser ficada, o tribunal
aqui j‡ n‹o pode fazer nada. Portanto, havendo atualiza•‹o, os juros contam-se a partir desse
momento, a n‹o ser que o lesado venha pedir que os juros sejam contados desde a data da cita•‹o.
S— pode ocorrer uma destas duas situa•›es.

-!A teoria da diferen•a Ž, apenas, um critŽrio geral. Mas h‡ casos, como j‡ foi referido, em que n‹o
se aplica. N‹o se aplica quando a indemniza•‹o for fixada equitativamente (na zona dos danos n‹o
patrimoniais; no exemplo do Art.. 489¼ CC no caso daquela indemniza•‹o paga pelos
inimput‡veis, etc...). TambŽm n‹o vamos aplica-lo quando houver as chamadas
conven•›es/acordos limitativas ou de exclus‹o da responsabilidade (mas Ž raro acontecer neste
‡rea extra-contratual, dentro da ideia em que n‹o Ž poss’vel estabelecer estes acordos entre
potenciais lesados e potenciais lesantes - "Potenciais" no sentido em que n‹o se sabe quem Ž). Mas
h‡ uma zona em que estes acordos, por vezes, existem, que s‹o as chamadas rela•›es de
vizinhan•a, em que os vizinhos j‡ prov•m que ir‹o acontecer danos (devido ˆs crian•as, por
exemplo). Este vizinhos fazem este acordo para excluir ou limitar a responsabilidade. Mas este
acordos, que excluem a teoria da diferen•a, s— se aplica a danos materiais e nunca se aplicam a
danos pessoais (s‹o nulos). Mas estes acordos tambŽm n‹o valem para condutas dolosas ou
gravemente culposas, por uma quest‹o de moralidade.

-!TambŽm n‹o se aplica a teoria da diferen•a nas situa•›es em que ocorre a causa virtual. H‡ um
princ’pio geral chamado de irrelev‰ncia negativa da causa virtual, isto Ž, a causa virtual n‹o afasta a
responsabilidade do autor da causa real. Portanto, isto significa que o autor da causa real tem de
indemnizar, mas se aplic‡ssemos a teoria da diferen•a, ele tem de indemnizar.
Mas por raz›es fundamentalmente sancionat—rias, afastamos a teoria da diferen•a, havendo
indemniza•‹o (h‡ incompatibilidade entre este princ’pio e a teoria da diferen•a).

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-!Finalmente, a teoria da diferen•a sofre uma adapta•‹o naqueles casos em que para o dano
concorra o pr—prio lesado. Sempre que o dano seja fruto da conjuga•‹o de duas culpas: culpa do
lesante e culpa do lesado (Art. 570¼CC), nestes casos, a teoria da diferen•a, pode ou n‹o pode ser
aplicada! Tudo dependendo da gravidade das culpas de cada um deles, isto Ž, se a culpa do lesado
for muito mais grave que a culpa do lesante n‹o haver‡ indemniza•‹o, e a teoria da diferen•a n‹o
se ir‡ aplicar. Mas se a culpa do lesante for uma culpa mais grave ou bastante mais grave que a
culpa do lesado, aqui a teoria da diferen•a j‡ se aplica, porque aqui seguramente o tribunal ir‡
condenar a uma indemniza•‹o. Mas, normalmente, nestes casos a gravidade das culpas est‡ mais
ou menos equilibrada. Nestes casos, o tribunal reduz a aplica•‹o, representando isto uma
aplica•‹o mitigada da teoria da diferen•a, porque ela em parte Ž aplicada, mas ter‡ de sofrer uma
redu•‹o em fun•‹o da percentagem de culpa do pr—prio lesado.

-!O Art. 570¼ CC Ž uma norma importante. Muitas vezes os lesados t•m culpa nos danos que
sofrem! Basta pensarmos nos atropelamentos (o caso do lesado atravessar fora das passadeiras). No
direito das responsabilidade civil, a culpa do lesado tem tr•s implica•›es. Tem interesse para
aplicarmos o Art. 505¼ do CC (a culpa do lesado ir‡ permitir excluir a responsabilidade pelo risco -
se o condutor que atropelou o pe‹o vier a provar que aquele atropelamento for provocado
exclusivamente por culpa do lesado, a responsabilidade Ž exclu’da). Um segundo efeito da culpa do
lesado, Ž o que est‡ previsto no Art. 570¼ CC - o condutor teve culpa, mas o condutor tambŽm (h‡
uma co-causalidade), e aqui o tribunal ter‡ de averiguar quem teve mais culpa, e aqui a
indemniza•‹o ser‡ mais reduzida, a n‹o ser que as gravidades sejam extremadas (que a balan•a se
desloque toda para um lado ou para o outro). Em terceiro lugar, a culpa do lesado poder‡ ter
import‰ncia para o agravamento do dano: o lesado poder‡ n‹o ter tido culpa no seu atropelamento,
mas pode culposamente agravar os danos. ƒ o exemplo do lesado n‹o fazer os tratamentos
indicados, agravando assim as les›es e o dano. Este agravamento ter‡ implica•›es na indemniza•‹o,
porque o lesado n‹o pode estar a pedir uma indemniza•‹o tendo em conta os danos agravados.
Aqui, o lesado n‹o ir‡ receber a indemniza•‹o devida ao seu agravamento! O Prof. Brand‹o
Proen•a acrescenta um quarto efeito da culpa do lesado: tem a ver com aqueles casos em que se
responde pela culpa presumida. J‡ falamos de uma sŽrie de situa•›es (Art. 491¼ e seguintes), em que
o lesante responde por culpa presumida. Nestes casos, estes presumidos culpados, podem afastar a
presun•‹o de culpa, demonstrando que o dano foi exclusivamente devido ao lesado. ƒ esta a
solu•‹o que se encontra no Art. 570, n¼2 CC (exclui a responsabilidade baseada na presun•‹o de
culpa).

-!Quando se fala em culpa do lesado, est‡-se a pensar fundamentalmente em condutas negligentes


dos lesados, condutas improvidentes, seja dos pe›es, seja de outras pessoas. Normalmente s‹o
condutas desleixadas, em que as pessoas colocam em perigo os seus pr—prios bens ou as sua
pr—pria pessoa. N‹o Ž uma culpa que pressup›e uma il’citude. ƒ mais aquela ideia cl‡ssica da culpa
contra si mesmo. Este comportamento pode ser ativo ou omissivo. Estas neglig•ncia tanto podem
traduzir-se por atos ou por omiss›es. Por exemplo, o

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n‹o colocar o cinto de seguran•a ou n‹o colocar um capacete protetor, Ž uma culpa do lesado
omissiva. Muitas vezes, tambŽm, quem atua n‹o Ž o pr—prio lesado, mas sim pessoas ligadas a ele
(comiss‡rios, por exemplo), mas o Art. 571¼ CC faz imputar ao pr—prio lesado a culpa destas
pessoas (Ž como se fosse o lesado a atuar). Muitas vezes a culpa n‹o est‡ no pr—prio, est‡ sim nas
pessoas que o rodeiam, sejam representantes legais, sejam comiss‡rios, mas isso Ž indiferente para a
lei, porque Ž como se fosse o pr—prio lesado a atuar.

-!Esta culpa do lesado tem de ser provada pelos lesantes (eles Ž que t•m interesse). Mas o Art. 572¼
CC diz-nos que essa culpa, mesmo n‹o sendo alegada, pode ser conhecida do tribunal, tendo
influ•ncias na parte indemnizat—ria.

-!A œltima parte do programa (FINALMENTEEEEEE) Ž dedicada aos factos transmissivos


de obriga•›es.

-!As obriga•›es podem ser transmitidas (crŽditos e dividas).

-!ƒ tambŽm poss’vel transmitir-se aquilo a que se chama a posi•‹o contratual. Pode haver um
contrato em que cada um dos contraentes transmita a outra pessoa a sua posi•‹o/estatuto
contratual.

-!O nosso CC admite tudo isto, mas os Romanos n‹o admitiam isto, devido ˆ concep•‹o muito
pessoalizada da obriga•‹o (a obriga•‹o tinha de morrer e nascer naquelas pessoas, n‹o podendo
haver substitui•›es).

-!Primeira figura do CC que transmite obriga•›es Ž a Cess‹o de CrŽditos (Art. 577¼ CC).

*!ƒ uma figura f‡cil de compreender. Vamos supor que temos o credor A e o devedor B. O credor
A pode, em determinada altura, ter necessidade de dinheiro. Ele tem um crŽdio de 500 euros de B,
mas claro que o A ainda n‹o pode exigir i pagamento, porque ainda n‹o atingiu o prazo de
vencimento da d’vida. Mas ele precisa do dinheiro. Ele pode, ent‹o, ceder o crŽdito a um terceiro C
(cession‡rio), e o credor funciona como cedente e o devedor, depois da cess‹o, Ž o devedor cedido.
O credor cede o crŽdito (j‡ vamos ver como), e se esta cess‹o for onerosa (porque h‡ cess‹o
gratuita tambŽm), caso seja onerosa, o cession‡rio vai ter de pagar ao A o valor do crŽdito (500
euros, ou eventualmente 400 ou 300 euros), e o A obtŽm logo o dinheiro.

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*!A cess‹o de crŽditos pode ser total ou parcial. O A pode apenas ceder 350 euros dos 500.
Mas o mais natural Ž que a cess‹o seja total.

*!O Art. 577¼ CC tambŽm refere que o devedor n‹o entra na ced•ncia. O devedor n‹o tem de
autorizar nada, n‹o tem de consentir nada. O credor Ž livre para ceder o crŽdito, n‹o tendo de pedir
autoriza•‹o para ceder o crŽdito. Portanto, mesmo que o devedor se oponha, o crŽdito pode ser
cedido.

*!Mas, coisa diferente, Ž a quest‹o de: nem todos os crŽditos podem ser cedidos. H‡ crŽditos que
n‹o podem ser cedidos por a lei n‹o permite (por exemplo, o crŽdito de alimentos). O Art. 579¼ CC
contŽm, tambŽm, uma sŽrie de crŽditos que n‹o podem ser cedidos. TambŽm n‹o podem ser
cedidos os crŽditos pessoais (crŽditos ligados a presta•›es de servi•os). E tambŽm n‹o pode haver
cess‹o de crŽditos se tiver havido um acordo entre credor e devedor para n‹o haver ced•ncia de
crŽdito. Mas estes acordos tem sempre uma efic‡cia relativa (Art. 577, n¼2 CC), t•m sempre um
valor reduzido referido no Art. 577¼, n¼2 CC.

*!Podem ser cedidos crŽditos presentes, mas a lei n‹o pro’be a ced•ncia de um crŽdito futuro, um
crŽdito cujo credo tenha a convic•‹o que ir‡ adquirir. Exemplo: o do senhorio que conte fazer um
arrendamento, mas que ainda n‹o o fez, pode j‡ ceder o direito ˆs rendas que ir‡ receber.

-!Mas, na pr‡tica, como Ž que se transmite o crŽdito? Ora, isto Ž um neg—cio jur’dico: a cess‹o de
crŽditos Ž uma cess‹o negocial. Umas vezes, se a cess‹o for onerosa, Ž utilizada uma compra e
venda. No fundo, o crŽdito ir‡ ser vendido por um contrato. Mas, se a cess‹o for a t’tulo gratuito,
ser‡ uma doa•‹o (o crŽdito Ž doado). Contudo, pode tambŽm haver uma troca. O importante Ž que
tem de haver sempre um neg—cio transmissivo do crŽdito. ƒ o pr—prio neg—cio que ir‡ transmitir o
crŽdito.

-!Se for a compra e venda, esta transmiss‹o processa-se por for•a do pr—prio contrato. Portanto, se
eu vender hoje o crŽdito, eu deixo de ser credor e o credor passa a ser o cession‡rio. O direito
transfere-se automaticamente na rela•‹o entre credor e cession‡rio. Mas, em rela•‹o ao devedor,
isto n‹o Ž bem assim. Em rela•‹o ao devedor, uma cess‹o de crŽditos s— produz efeitos desde que
ocorra uma de tr•s circunst‰ncias (indicadas no Art. 583¼ CC). A primeira delas, Ž desde que o
devedor seja notificado da cess‹o (pode ser notificado ou pelo cedente ou pelo cession‡rio). Esta
notifica•‹o pode ser feita, como diz a lei, extra- judicialmente, isto Ž, pode ser feita oralmente. A
segunda forma de efic‡cia da cess‹o em rela•‹o ao devedor, Ž a aceita•‹o do devedor (Ž o caso do
credor chamar o devedor e dizer: eu vou ceder o crŽdito ao C, aceitas isto?). Mas esta aceita•‹o
pode ser antes ou depois da

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cess‹o, e esta aceita•‹o pode ser t‡cita, n‹o tem de ser expressa. Mas h‡ uma terceira hip—tese de
efic‡cia da cess‹o em rela•‹o ao devedor: Ž o caso de ele n‹o ter sido notificado, nem ter aceite,
mas ele teve conhecimento. Ele soube, por alguŽm da sua confian•a, que o crŽdito foi cedido. Ora,
se ele (devedor) conhece, a cess‹o produz efeitos em rela•‹o a ele. Isto Ž importante pelo seguinte:
se um devedor, antes de ser notificado, da aceita•‹o ou de ter conhecimento, pagar ao credor, ele
est‡ a pagar mal, embora esteja de boa fŽ, porque para ele o credor ainda Ž o A e n‹o o C. E, neste
caso, como est‡ de boa fŽ, ele n‹o ter‡ de se preocupar com mais nada. Ter‡ de ser o credor A, que
j‡ n‹o era credor, que est‡ enriquecido sem causa, a entregar a quantia ao cession‡rio C. Mas, se
este devedor, depois da notifica•‹o, aceita•‹o ou conhecimentos, vier pagar ao A, ele j‡ est‡ de m‡
fŽ. Aqui, o devedor B ter‡ de pedir o que pagou (Ž o que se chama repeti•‹o do indevido, por
aplica•‹o das normas do enriquecimento sem causa) e, portanto, o devedor que pagou mal, ter‡ de
pagar uma segunda vez, pagando ele (devedor9, ao cession‡rio. Isto consta tudo do Art. 583¼ CC
("quem paga mal, paga duas vezes", diz o provŽrbio...).

-!O Brand‹o Proen•a disse que daqui a um bocadinho ia ter que sair. YEEAH!

-!Porqu• que o devedor n‹o tem de aceitar uma cess‹o de crŽditos? Porque a sara Ž linda! N‹o,
na verdade Ž porque lhe Ž indiferente pagar a A ou pagar a C. Nada se altera.

-!Uma cess‹o de crŽditos provoca uma transmiss‹o, n‹o s— de um direito de crŽdito, mas de todos
os poderes acess—rios associados ao direito de crŽdito, nomeadamente o direito a pedir juros ou a
chamada faculdade de interpela•‹o que os credores t•m perante os devedores, para lhes pedirem o
cumprimento. Tudo isto, no termos do Art. 582¼ CC, se transmite para o cession‡rio. Mas, n‹o se
transmitem para o cession‡rio os chamados direitos potestativos ligados ao contrato existente
entre A e B. Uma coisa Ž ceder-se s— o crŽdito. Portanto, eu quando transmito o crŽdito, n‹o
posso tambŽm transmitir com o crŽdito, o direito de resolver um contrato. Mas, as garantias que
existiam tambŽm se transmitem para o cession‡rio.

-!O devedor, para vermos que a sua posi•‹o continua a mesma, basta lermos o Art. 585¼ CC, pode
opor ao cession‡rio todos os meios de defesa que poderia utilizar contra o cedente, com ressalva
dos que provenham de facto posterior ao conhecimento (e notifica•‹o e aceita•‹o, embora a lei s—
refira conhecimento) da cess‹o.

-!Terminamos esta aula chamando a aten•‹o para o Art. 587¼ CC. Quem cede um crŽdito s— tem
de garantir duas coisas: 1) que o crŽdito existe (n‹o posso ceder um crŽdito alheio ou que n‹o
existe - nulidade. Se for uma compra e venda teremos de aplicar a norma da venda de bens
alheios); e 2) tenho tambŽm de garantir um crŽdito exig’vel; Mas j‡ n‹o tenho que garantir que o
devedor pagar‡, mas posso, se quiser, faze-lo (garantia convencional, e neste caso, caso o devedor
n‹o cumpra, ter‡ de ser o cedente a pagar).

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Direito das Obriga•›es

Ter•a-Feira, 21 de maio de 2013, 17h00

Cess‹o de crŽditos

-!Estas normas do CC s‹o normas aplic‡veis ˆquela cess‹o t’pica, que Ž a cess‹o volunt‡ria do
crŽdito: quando o crŽdito Ž transmitido negocialmente.

-!Mas o Art. 588¼CC tambŽm aplica estas normas ˆ chamada cess‹o legal de crŽditos e ˆ cess‹o
judicial de crŽditos. Se o crŽdito for transmitido judicialmente estas regras podem ser aplicadas, e
o mesmo se passa na transmiss‹o legal, mas tipicamente o crŽdito Ž transmitido voluntariamente.

-!O que Ž uma sub-roga•‹o?

-!ƒ uma forma de transmiss‹o de crŽdito.

-!Neste figura temos um terceiro que cumpre pelo devedor, e portanto este terceiro n‹o deve nada,
quem deve Ž o devedor. Mas, por raz›es variadas, este terceiro decide cumprir a d’vida, e pode
faze-lo, e ao cumprir a d’vida ele fica na posi•‹o do credor (fica com o direito de crŽdito).

-!E este terceiro fica com o crŽdito com base em tr•s possibilidades:

1)!Ou porque Ž o credor que lhe passa o crŽdito, que o sub-roga nos seus direitos (Art.
589¼CC). O credor fica pago e ao mesmo tempo como que transmite o seu crŽdito para o
terceiro.

2)!Ou porque Ž o devedor que sub-roga o terceiro (Art. 590¼CC). Aqui o crŽdito passa para o
terceiro por vontade do devedor, que o sub-roga no crŽdito.

-!Nestes dois casos, estas declara•›es de sub-roga•‹o t•m de ser for•osamente feitas
(manifestadas expressamente) atŽ ao momento do cumprimento da obriga•‹o.

3)!A sub-roga•‹o pode acontecer, tambŽm, por for•a da lei. Esta sub-roga•‹o legal Ž o caso mais
t’pico. Portanto, o terceiro paga a d’vida e fica legalmente sub-rogado nos direitos do credor (Art.
592¼CC), mas isto s— pode ocorrer em dois tipos de casos: 1) quando os terceiros s‹o garantes (Ž o
caso do fiador, que garante o cumprimento); 2) ou ent‹o quando por outra causa estiver o terceiro
interessado diretamente na satisfa•‹o do crŽdito. Portanto, h‡ terceiros que podem sofrer caso a
d’vida n‹o seja paga, logo t•m um interesse jur’dico em que a d’vida seja paga, e podem, portanto,
avan•ar para o pagamento. Pagando, eles ficam legalmente sub-rogados nos direitos do credor (Ž o
caso dos credores hipotec‡rios). H‡ um

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terceiro que tambŽm est‡ interessado no cumprimento, que Ž o sub-arrendat‡rio (contrato


coligado), que tem todo o interesse em vir junto do senhorio pagar as rendas que o arrendat‡rio
deve, porque se o arrendamento cessar, o sub-arrendamento tambŽm cessa.

-!Ocorrendo uma sub-roga•‹o, o chamado sub-rogado (o terceiro que fica no lugar do credor),
adquire os direitos que o antigo credor tinha (cess‹o do crŽdito). E o crŽdito passa com os seus
acess—rios, com as garantias que existiam (Art. 594¼ CC - manda aplicar as normas da cess‹o de
crŽditos, ou seja, manda aplicar os artigos 582¼CC a 584¼CC).

-!Temos de saber distinguir uma sub-roga•‹o de um direito de regresso. Um direito de regresso tem
caracter’sticas distintas da sub-roga•‹o: em primeiro lugar, o direito de regresso est‡ associado ˆ
solidariedade passiva, isto Ž, pressup›e a exist•ncia de v‡rios devedores que respondem por
solidariedade; a sub-roga•‹o apenas pressup›e que um terceiro pague a d’vida de um devedor,
d’vida essa que n‹o era do terceiro, enquanto que no direito de regresso, alguŽm cumpre uma d’vida
que tambŽm era dele, porque ele responde solidariamente. Em segundo lugar, na sub-roga•‹o o
direito transmitido Ž um direito j‡ existente, no direito de regresso o direito que surge Ž um direito
novo, e s— surge quando a d’vida for cumprida, e ele pagar mais do que a parte dele.

-!Quando falamos do seguro obrigat—rio autom—vel, est‡ previsto no Dec. Lei 291/2007 um caso
de sub-roga•‹o legal, que Ž o fundo de garantia autom—vel: quando este fundo vem pagar uma
indemniza•‹o, o fundo fica sub-rogado nos direitos de credor. Por exemplo, para as seguradoras,
est‡ previsto um direito de regresso e n‹o de sub-roga•‹o, embora o Prof.
Brand‹o Proen•a cr• que rigorosamente aqui n‹o h‡ um verdadeiro direito de regresso (Ž mais uma
sub-roga•‹o), embora a lei fa•a essa refer•ncia.

-!Quanto ˆs d’vidas, estas tambŽm podem ser transmitidas, embora com mais cuidados,
porque os credores t•m de se acautelar da transmiss‹o de uma d’vida.

-!Esta matŽria vem regulada no Art. 595¼ CC e seguintes.

-!H‡ duas formas de se transmitir uma d’vida, sendo certo que a lei exige sempre uma
transfer•ncia contratual, mas:

1)!esse contrato pode ser entre o antigo e o novo devedor (A d’vida transita de A para B por
contrato, contrato esse que s— tem efic‡cia se for ratificado pelo credor (aprovado). Pode ser uma
ratifica•‹o expressa ou t‡cita, t‡cita se o credor aceitar o pagamento do novo devedor ("olhe, eu
sou o novo devedor, pegue l‡ o dinheiro", e o credor aceita)

2)!esse contrato tambŽm pode ser feito entre o novo devedor e o credor, com ou sem
consentimento do antigo devedor (ele atŽ pode desconhecer).

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Ë partida, o primeiro contrato Ž o mais normal, porque o segundo atŽ nem tem muito
sentido, embora a lei o admita.

-!Mas, em ambos os casos, o antigo devedor s— fica exonerado se houver declara•‹o expressa do
credor: o antigo devedor s— fica liberto da d’vida caso o credor declare expressamente isso. N‹o o
fazendo, e o credor poder‡ fazer o que entender, mas desde que o credor n‹o fa•a este declara•‹o,
o antigo devedor passar a responder solidariamente com o novo devedor.

-!Esta d’vida solid‡ria que pode surgir aqui, est‡ sujeita a um regime at’pico, mas n‹o o iremos
explorar.

-!Com a d’vida transmitem-se para o novo devedor as obriga•›es acess—rias do antigo (Art.
599¼CC), porque normalmente estes fen—menos transmissivos implicam a transmiss‹o de tudo o
que gravita ˆ volta da d’vida ou do crŽdito. As garantias mantŽm-se, com a excep•‹o das que
tiveram sido constitu’da por terceiro ou pelo antigo devedor que n‹o haja consentido na
transmiss‹o da d’vida.

-!"Como voc•s reparam, esta matŽria Ž muito legal", por Brand‹o Proen•a.

-!E depois temos sempre a quest‹o, nos fen—menos transmissivos, dos meios de defesa (a
quest‹o de saber de que forma Ž que o novo credor ou o novo devedor, se pode defender).

-!O Art. 598¼CC aborda esta quest‹o.

*!O artigo come•a por dizer que o novo devedor n‹o tem o direito de opor ao credor os meios de
defesa baseados entre ele e o antigo devedor.

*!Ler com aten•‹o este artigo 598¼CC.

-!Para terminar esta parte da transmiss‹o de d’vidas, h‡ que diferenciar a transmiss‹o de d’vidas da
chamada promessa de libera•‹o de uma d’vida. Na transmiss‹o de uma d’vida, h‡ por exemplo,
como vimos, um contrato entre o antigo e o novo devedor, e a d’vida passa, por for•a deste
contrato, para o novo devedor, ficando, atŽ, supostamente, o antigo devedor libertado. Numa
promessa de libera•‹o, h‡ apenas alguŽm, um terceiro, que promete ao devedor que ir‡ pagar a
d’vida: s— isto! N‹o h‡ propriamente um contrato de transmiss‹o da d’vida.

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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-!Esta promessa de libera•‹o da d’vida n‹o deixa de ser a hip—tese prevista no Art. 444, n¼3. A
doutrina diz que isto n‹o Ž contrato a favor de terceiro.

Cess‹o da posi•‹o contratual (Ž a mais importante das quatro formas de transmiss‹o)

-!S— Ž poss’vel fazer uma cess‹o deste tipo nos contratos bilaterais, com presta•›es rec’procas,
que criam v‡rios direitos e deveres contrapostos (exemplo da compra e venda).

-!De uma forma geral, estes contratos t•m de ser contratos duradouros, porque se o contrato n‹o
Ž duradouro, n‹o h‡ hip—tese para cess‹o da posi•‹o contratual (ex.: contrato de arrendamento, de
fornecimento, s‹o duradouros, ou atŽ mesmo um contrato-promessa - entra data que Ž celebrado
e a data em que Ž cumprido, podem decorrer, por vezes, alguns anos).

-!Em terceiro lugar, esta cess‹o da posi•‹o contratual Ž um contrato tri-lateral (tem tr•s lados xD).
Para que a posi•‹o contratual seja transmitida, Ž necess‡rio que haja um acordo, quer do
contraente que cede (cedente), quer daquele que adquire a posi•‹o contratual (cession‡rio), mas
tambŽm tem de haver consentimento do chamado contraente cedido.

-!Se alguŽm transmite a sua posi•‹o contratual sem consentimento do outro contraente, esta
cess‹o Ž nula e n‹o ir‡ produzir efeitos (Art. 424¼CC).

-!Este consentimento tem a particularidade de poder ser prestado ou antes da celebra•‹o, ou


depois da celebra•‹o do contrato transmissivo. ƒ claro que pode haver uma proibi•‹o desta
transmiss‹o. N‹o havendo consentimento anterior, se a cess‹o for feita, Ž necess‡rio que haja um
consentimento posterior, que ir‡ processar-se por meio de uma ratifica•‹o (t‡cita ou expressa,
embora a lei nada diga sobre isto).

-!H‡ duas situa•›es contratuais que n‹o se podem confundir com a figura da cess‹o da posi•‹o
contratual. J‡ n‹o iremos falar com o contrato por pessoa a nomear, que nada tem a ver com a
cess‹o da posi•‹o contratual, porque a nomea•‹o que se faz n‹o Ž uma cess‹o.

*!Mas esta cess‹o distingue-se da chamada cess‹o for•osa ou for•ada, quer as partes queiram ou
n‹o, que Ž aquilo que acontece, por exemplo, quando alguŽm compra um im—vel que esteja
arrendado. Esse comprador, for•osamente, adquire a posi•‹o contratual de senhorio (n‹o h‡
contrato de cess‹o, a cess‹o Ž legal e n‹o volunt‡ria - Art. 1057¼CC).

*!TambŽm temos de distinguir a cess‹o da posi•‹o contratual do chamado sub-contrato, porque


na cess‹o h‡ uma transmiss‹o (A transmite para C, e C passa a ser o contraente de B, e esta cess‹o
de posi•‹o contratual normalmente faz-se por compra e venda, ˆ semelhante do crŽdito); no sub-
contrato, o que h‡ Ž uma sequ•ncia contratual (h‡ um contraente intermŽdio B que est‡ ligado a A
e a C - arrendamento para A e sub-arrendamento para C, ele Ž arrendat‡rio de A e senhorio de C,
mas aqui ninguŽm sai, e na cess‹o sai o A, deixa de ser

Baixado por Nelson Jose Mutambe (nelsonmutambe1@gmail.com)


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contraente ap—s a transmiss‹o, se bem que o Art. 426¼CC admite que o cedente (A) garanta o
cumprimento (desde que convencionado pelas partes) das obriga•›es de B perante C, mas de uma
forma geral, A deixa de ser contraente).

-!O regime da cess‹o da posi•‹o contratual est‡ muito decalcado do regime da cess‹o de crŽdito,
embora sejam situa•›es distinta,s porque na cess‹o do crŽdito s— se transmite o crŽdito, e na
cess‹o da posi•‹o contratual, tudo Ž transmitido (atŽ mesmo os direitos potestativos, e numa
cess‹o de crŽditos nunca se transmitem direitos potestativos, porque s— se transmite o crŽdito).

-!O Art. 425¼ CC manda aplicar as normas do tipo de neg—cio que serviu de base ˆ cess‹o.

-!Quando se faz um contrato destes, o que Ž que o cedente tem de garantir ao cession‡rio? S— tem
de garantir que a posi•‹o contratual exista efetivamente. Se transmitir uma cess‹o alheia, este
neg—cio Ž nulo.

-!O Art. 427¼ CC refere os meios de defesa. Aquilo que este artigo refere em rela•‹o ao
contraente cedido, vale tambŽm para o cession‡rio (que Ž a outra parte no contrato).

-!Por um lado, a cess‹o da posi•‹o contratual pode processar-se numa altura em que o contrato j‡
esteja parcialmente cumprido, nada impede isto. Logo, esta figura tanto pode aparecer numa altura
em que o contrato ainda n‹o chegou a ser executado, como numa altura em que o contrato est‡
parcialmente cumprido.

-!De uma forma geral, quando h‡ cess‹o da posi•‹o contratual, as d’vidas do cedente n‹o s‹o
cedidas, por regra, mas nada impede que se transmitam ("Ž tudo poss’vel", impossible is nothing -
Brand‹o Proen•a). Quem adquire uma posi•‹o com d’vidas poder‡ aproveitar para pagar menos
por essa cess‹o.

*!Isto implica que B n‹o pode, ˆ partida, resolver o contrato com C invocando as d’vidas de A.

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