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AÇÃO CULTURAL: PROJETOS

CULTURAIS E ATUAÇÃO DO
BIBLIOTECÁRIO

Fazemos parte do Claretiano - Rede de Educação


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Meu nome é Marco Donizete Paulino da Silva, sou Mestre e


Doutorando em Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), e Bacharel em
Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade Federal
de São Carlos – UFSCar. Meu Trabalho de Conclusão de Curso de
Graduação foi sobre Representação Temática, especificamente sobre o
teatro enquanto fenômeno representado pelo sistema de Classificação
Decimal de Dewey (CDD); minha dissertação de Mestrado investigou
o conceito de Indexação Social no âmbito do Cinema Documentário
e da Ciência da Informação; e minha tese de Doutorado é sobre o
tema da Interdisciplinaridade enquanto conceito-chave no processo
comunicacional. Espero que, por meio desta disciplina, seja possível compartilhar com vocês um
pouco do percurso que tenho realizado até agora.
E-mail: marco_donizete@yahoo.com.br>.
Marco Donizete Paulino da Silva

AÇÃO CULTURAL: PROJETOS


CULTURAIS E ATUAÇÃO DO
BIBLIOTECÁRIO

Batatais
Claretiano
2018
© Ação Educacional Claretiana, 2015 – Batatais (SP)
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, a transmissão total ou parcial por qualquer forma
e/ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação e distribuição na web), ou o
arquivamento em qualquer sistema de banco de dados sem a permissão por escrito do autor e da Ação
Educacional Claretiana.

CORPO TÉCNICO EDITORIAL DO MATERIAL DIDÁTICO MEDIACIONAL


Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves
Preparação: Aline de Fátima Guedes • Camila Maria Nardi Matos • Carolina de Andrade Baviera • Cátia
Aparecida Ribeiro • Dandara Louise Vieira Matavelli • Elaine Aparecida de Lima Moraes • Josiane Marchiori
Martins • Lidiane Maria Magalini • Luciana A. Mani Adami • Luciana dos Santos Sançana de Melo • Patrícia
Alves Veronez Montera • Raquel Baptista Meneses Frata • Simone Rodrigues de Oliveira
Revisão: Eduardo Henrique Marinheiro • Filipi Andrade de Deus Silveira • Rafael Antonio Morotti • Rodrigo
Ferreira Daverni • Vanessa Vergani Machado
Projeto gráfico, diagramação e capa: Bruno do Carmo Bulgarelli • Joice Cristina Micai • Lúcia Maria de Sousa
Ferrão • Luis Antônio Guimarães Toloi • Raphael Fantacini de Oliveira • Tamires Botta Murakami
Videoaula: André Luís Menari Pereira • Bruna Giovanaz • Marilene Baviera • Renan de Omote Cardoso
Bibliotecária: Ana Carolina Guimarães – CRB7: 64/11

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

021.26 S581a

Silva, Marco Donizete Paulino da


Ação cultural : projetos culturais e atuação do bibliotecário / Marco Donizete Paulino
da Silva – Batatais, SP : Claretiano, 2018.
112 p.

ISBN: 978-85-8377-554-6

1. Ação cultural. 2. Diversidade cultural. 3. Espaço social. 4. Política cultural. 5. Agente


cultural. I. Ação cultural: projetos culturais e atuação do bibliotecário.

CDD 021.26

INFORMAÇÕES GERAIS
Cursos: Graduação
Título: Ação Cultural: Projetos Culturais e Atuação do Bibliotecário
Versão: fev./2018
Formato: 15x21 cm
Páginas: 112 páginas
SUMÁRIO

CONTEÚDO INTRODUTÓRIO
1. INTRODUÇÃO.................................................................................................... 9
2. GLOSSÁRIO DE CONCEITOS............................................................................. 15
3. ESQUEMA DOS CONCEITOS-CHAVE................................................................ 25
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 25
5. E-REFERÊNCIA................................................................................................... 26

Unidade 1 – UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS


CULTURAIS
1. INTRODUÇÃO.................................................................................................... 29
2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA.............................................................. 29
2.1. IDENTIDADES............................................................................................ 30
2.2. DIVERSIDADE............................................................................................ 33
2.3. DIREITOS CULTURAIS............................................................................... 35
3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR................................................................. 37
3.1. IDENTIDADE.............................................................................................. 37
3.2. DIVERSIDADE............................................................................................ 38
3.3. DIREITOS CULTURAIS............................................................................... 39
4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS........................................................................ 40
5. CONSIDERAÇÕES.............................................................................................. 41
6. E-REFERÊNCIAS................................................................................................. 42
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 43

Unidade 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O


FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS LEIS
1. INTRODUÇÃO.................................................................................................... 47
2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA.............................................................. 48
2.1. POLÍTICA CULTURAL NO MUNDO E NO BRASIL..................................... 48
2.2. FINANCIAMENTO DA CULTURA.............................................................. 54
2.3. LEI ROUANET............................................................................................ 57
3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR................................................................. 61
3.1. POLÍTICA CULTURAL NO MUNDO E NO BRASIL..................................... 62
3.2. FINANCIAMENTO DA CULTURA.............................................................. 62
3.3. LEI ROUANET............................................................................................ 63
4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS........................................................................ 64
5. CONSIDERAÇÕES.............................................................................................. 66
6. E-REFERÊNCIAS................................................................................................. 66
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 67

Unidade 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A


PROPRIEDADE INTELECTUAL: COPYRIGHT E COPYLEFT.

1. INTRODUÇÃO.................................................................................................... 71
2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA.............................................................. 72
2.1. O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL...72
2.2. COPYRIGHT............................................................................................... 74
2.3. COPYLEFT (SOFTWARE LIVRE)................................................................. 81
3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR................................................................. 84
3.1. O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL...84
3.2. COPYRIGHT............................................................................................... 84
3.3. COPYLEFT.................................................................................................. 85
4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS........................................................................ 86
5. CONSIDERAÇÕES.............................................................................................. 88
6. E-REFERÊNCIAS................................................................................................. 88
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 90

Unidade 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL:


POLÍTICAS DE PROXIMIDADE; CONSUMO E PRÁTICAS
CULTURAIS
1. INTRODUÇÃO.................................................................................................... 93
2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA.............................................................. 94
2.1. BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL..................................... 94
2.2. POLÍTICAS CULTURAIS DE PROXIMIDADE.............................................. 100
2.3. CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS........................................................ 102
3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR................................................................. 105
3.1. BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL..................................... 105
3.2. POLÍTICAS CULTURAIS DE PROXIMIDADE.............................................. 106
3.3. CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS........................................................ 107
4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS........................................................................ 108
5. CONSIDERAÇÕES.............................................................................................. 109
6. E-REFERÊNCIAS................................................................................................. 110
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 111
CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

Conteúdo
A disciplina “Ação Cultural: Projetos Culturais e Atuação do Bibliotecário”
visa, no contexto do curso de Biblioteconomia (em sua modalidade EaD),
ser espaço teórico-prático e reflexivo para contribuir na formação do futuro
bibliotecário no que diz respeito à compreensão da complexidade inerente à
construção e à atuação desse profissional em projetos culturais e ao estudo da
sociedade e da cultura em tempos de globalização. Sua ementa se distingue
pela abordagem de temas de grande profundidade, tais como: Identidades
Culturais e Diversidade Cultural; Direitos Culturais; Políticas Culturais no
Brasil; Política Cultural comparada; Políticas Públicas de incentivos à cultura
no Brasil: a Lei Rouanet; Financiamento da Cultura; Sistema de Produção
Cultural e outros conceitos a ele relacionados; Propriedade Intelectual,
Copyleft e Copyright; Biblioteca em relação às Políticas Culturais no Brasil;
Consumo Cultural, Práticas Culturais e Públicos da Cultura; Políticas Culturais
de Proximidade; Biblioteca, Centro de Cultura e Ação Cultural; Circuito
Cultural, Cultura e Cidade.
Nessa perspectiva, a reflexão sobre cultura e bibliotecas considera os
múltiplos contextos a fim de que vocês (enquanto estudantes) compreendam
os conceitos apresentados pelas bibliografias abaixo apresentadas, dentro da
dinâmica de nossa atuação profissional.

Bibliografia Básica
CEREZUELA, D. R. Planejamento e avaliação de projetos culturais: da ideia à ação. São
Paulo: Sesc SP, 2015.
CUNHA, N. Cultura e ação cultural. São Paulo: Sesc SP, 2010.
FURTADO, C. Ensaios sobre cultura e o Ministério da Cultura. Rio de Janeiro:
Contraponto, 2012.

7
CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

Bibliografia Complementar
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
BOSI, E. Memória e sociedade: lembranças de velhos. 19. ed. São Paulo: Companhia
das Letras. 2016.
COELHO NETTO, J. T. O que é ação cultural. São Paulo: Brasiliense, Coleção Primeiros
Passos, 1989.
MANGUEL, A. A biblioteca à noite. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
MILANESI, L. A casa da invenção: biblioteca, centro de cultura. 4. ed. Cotia: Ateliê
Editorial, 2003.

É importante saber: –––––––––––––––––––––––––––––––––


Esta obra está dividida, para fins didáticos, em duas partes:
Conteúdo Básico de Referência (CBR):é o referencial teórico e prático que
deverá ser assimilado para aquisição das competências, habilidades e atitudes
necessárias à prática profissional. Portanto, no CBR, estão condensados os
principais conceitos, os princípios, os postulados, as teses, as regras, os
procedimentos e o fundamento ontológico (o que é?) e etiológico (qual sua
origem?) referentes a um campo de saber.
Conteúdo Digital Integrador (CDI): são conteúdos preexistentes, previamente
selecionados nas Bibliotecas Virtuais Universitárias conveniadas ou
disponibilizados em sites acadêmicos confiáveis. São chamados “Conteúdos
Digitais Integradores” porque são imprescindíveis para o aprofundamento do
Conteúdo Básico de Referência. Juntos, não apenas privilegiam a convergência
de mídias (vídeos complementares) e a leitura de “navegação” (hipertexto),
como também garantem a abrangência, a densidade e a profundidade dos
temas estudados. Portanto, são conteúdos de estudo obrigatórios, para efeito
de avaliação.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

8 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

1. INTRODUÇÃO
Prezado aluno, seja bem-vindo!
De maneira geral, estudaremos a sociedade e a cultura
em tempos globais; sua diversidade de Identidades Culturais; o
tema dos Direitos Culturais e das Políticas Culturais no Brasil em
comparação com a Política Cultural de outros países; a questão
das Leis de Financiamento (a Lei Rouanet) da Cultura, o Sistema
de Produção Cultural e outros conceitos a ele relacionados;
questões ligadas à noção de Propriedade Intelectual (Copyleft
e Copyright); relações entre a biblioteca e a Política Cultural; o
Consumo Cultural, as Práticas Culturais e os Públicos da Cultura
(noções de alta e baixa cultura); noções de Circuito Cultural,
Cultura e Cidade (Políticas Culturais de Proximidade).
Sugere-se que, a partir de visitas a instituições de caráter
cultural (sejam governamentais ou não governamentais),
bibliotecas (públicas, de acervo geral ou especializado), centros
formais ou informais de informação (tradicionais ou inovadores,
de produção de cultura ou de conservação, de exercício de uma
ação cultural efetiva), observando-se características particulares
nos processos de organização, tratamento, disponibilização e
registro de informações, seja estabelecida uma visão mais próxima
das realidades culturais e das exigências do desenvolvimento
profissional para atender as demandas.
Almeja-se, por meio desta breve introdução, esclarecer
algumas noções básicas relacionadas ao conceito de Ação
Cultural na sociedade contemporânea, como questões voltadas
ao planejamento e à produção de projetos culturais e às
perspectivas de atuação do profissional bibliotecário.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 9


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

Como passo inicial, que será aprofundado nas unidades


seguintes, o conceito de Ação Cultural será abordado, primeiro,
como junção de duas noções: a da ação como ato de realização
de algo pela intervenção da vontade humana; e a da condição da
Cultura como uma realidade que envolve uma comunidade de
seres pensantes. Na proposição de Coelho (2001, p. 12), nesse
tipo de ação:
[...] o agente gera um processo, não um objeto. O objeto pode
até resultar de todo o processo, mas não se pensou nele quando
se deu início ao processo, e nisso está toda a diferença.

A intervenção humana como ação pode ser entendida pela


ideia de que o homem, munido de vontade, interfere no mundo,
procurando superar dificuldades concretas ou abstratas, agindo
sobre os fenômenos que o atingem ou sobre os espaços em que
vive, buscando atenuar ou favorecer determinada situação.
A concepção de cultura, por sua vez, é abordada pela
consideração de que, ao trocar experiências em comum com
outros seres, nós, seres humanos, produzimos uma realidade
que nos une em torno de uma mesma visão ou aceitação mútua
de visões conflitantes entre si, buscando o compartilhamento ou
a diferenciação de grupos ou regiões.
Existem diversas abordagens sobre o conceito de cultura,
principalmente dos pontos de vista antropológico, filosófico e
sociológico. Na nossa perspectiva – a de profissionais que lidam
com a realização, o registro, a divulgação e a transferência de
objetos e informações sobre fenômenos culturais –, entendemos
que tal variedade de pontos de vista se alimenta, cada vez mais,
de uma realidade sociocultural dinâmica e variável que vem
sendo amplificada, exigindo de nós, enquanto profissionais,

10 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

uma consciência crítica que irá nos orientar sobre as decisões


necessárias em cada situação.
Entre os problemas relacionados a essa situação de
complexidade, podemos apontar dois bastantes contemporâneos:
o caráter líquido das relações interpessoais, ou seja, a falta de
estabilidade dessas relações – pelo conceito de Modernidade
Líquida, de Bauman (2001); e as situações de grande diferenciação
entre tradições e convenções de uma região em relação a uma
realidade interativa e globalizada – como observado em Garcia
Canclini (2008).
Como passos seguintes, aprofundaremos a noção de
Cultura e Ação Cultural, e apresentaremos um breve relato do
desenvolvimento do conceito de Ação Cultural.
O que é Cultura e Ação Cultural?
Do ponto de vista antropológico, Cultura, segundo Cunha
(2010, p. 17):
Corresponde a todas as formas coletivas e socialmente
arbitrárias ou artificiais com que os homens respondem às
suas necessidades naturais [...] a palavra cultura abrange as
relações sociais e os modos de vida material e simbólico de
uma sociedade, incluindo características e valores econômicos,
técnicas, estruturas políticas, comportamentos ético-morais,
crenças, formas educativas e criações artísticas.

O autor observa que, apesar de essa definição se referir


a um pensamento antropológico datado do século 19, ele a
considera como a de maior abrangência. Quando, no entanto,
Cunha (2010) apresenta uma segunda forma de abordagem da
palavra Cultura, destacando a evolução de seu sentido semântico
– nascido do sentido de “cultivo da terra” –, observa-se que ele
define o conceito de Cultura como a:

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 11


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

[...] ação de cuidar e cultivar, não mais a terra, o campo, mas o


espírito, o intelecto, os conhecimentos, a sensibilidade estética
ou a memória de um fato importante e cujo feito se impôs
como épico ou extraordinário. (p. 18).

Essa condição de metáfora pode ser considerada uma


mudança bastante relevante para nós, bibliotecários, uma vez
que a função de manutenção de uma memória – seja individual
ou coletiva – é uma das bases do fazer bibliotecário. Ainda que
baseada numa visão tradicional que considera apenas o fato
“extraordinário”, digno de registro coletivo – ponto de vista
até certo ponto contestado pelos campos do conhecimento da
atualidade –, essa valorização de “cultivar” o ato de “conhecer”
também propiciou o interesse pelas técnicas de manutenção de
um “acervo” humano imaterial: o intelecto.
Uma última ideia de Cultura é apresentada por Cunha
(2010, p. 20) quando este diz que:
A acepção clássica de cultura vinculou a vida coletiva à vida
privada, ou seja, procurou estabelecer um sentido comum entre
a sociedade e o indivíduo. Já no ambiente renascentista, as
marcas culturais da contemplação e da ação pública passaram
a incluir a vida ativa, isto é, o trabalho e a aplicação científica,
fazendo com que a cultura se confundisse com uma busca de
caráter politécnico ou enciclopédico.

Ou seja, nessa citação, além de vincular uma noção


sociopolítica vinda da Idade Clássica, o autor observa um sentido
socioeconômico – uma vez que na fase do Renascimento, com o
surgimento da imprensa de Gutemberg, segundo Burke (2003),
acentuou-se o valor econômico da escrita e da leitura, e, em
consequência, do conhecimento. Esse sentido socioeconômico
passou, então, a ser cada vez mais distribuído pela estrutura das
sociedades em construção.

12 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

Tal valor, ao invés de diminuir, aumentou cada vez mais,


propiciando, inclusive, o aparecimento do que Drucker (1999)
e Santos e Carvalho (2009) denominam como Sociedade do
Conhecimento, ou Sociedade da Informação.
A interação dessas três definições de cultura, ao nosso
ver, se dá pela percepção de que, socialmente, articulamos –
principalmente na atualidade – essas três dimensões (entre
outras) quase sem perceber. Essa consciência no uso dessas visões,
no entanto, é demasiada importante para que a deixemos de
lado na preparação do bibliotecário como profissional mediador,
não só de objetos culturais, mas também de necessidades sociais
ligadas ao conhecimento, ou à falta deste.
A Cultura, na dimensão de componente social que sofre
ação, pressupõe uma ideia de intervenção do homem em uma
realidade cultural, ou seja, pela vontade de intervenção humana
se realizam atos em prol de determinada decisão, privilegiando,
ou não, efeitos de conservação, dinamização do registro ou da
produção de determinada cultura. Assim, a questão de uma
atuação bibliotecária a partir dessa constatação se estabelece
pela consideração dessa atuação em nível de memória e
de produção/incentivo de instrumentos e mecanismos que
possibilitem a existência dos objetos e dos fenômenos culturais.

Evolução do conceito “Ação Cultural”


Coelho (2001, p. 10) observa que a Ação Cultural:
[...] além de definir-se como área específica de trabalho,
ensino e pesquisa, começou a constituir-se num conjunto de
conhecimentos e técnicas com o objetivo de administrar o
processo cultural – ou sua ausência, como é mais comum entre
nós... –, de modo a promover, digamos, uma distribuição mais
equitativa da cultura, de suas apregoadas benesses.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 13


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

Pensando nessa descrição de Cunha (2001) sobre o


processo de constituição do conceito de Ação Cultural em nível
sociopolítico, observamos uma série de eventos históricos,
apresentados pelo autor, que propiciam a ideia de uma Ação
Cultural exercida em vários momentos da humanidade.
No interesse de sintetizar esse esforço de Cunha (2001),
apresentamos a seguinte relação de datas e períodos, com suas
respectivas características, ou justificativas básicas:

Quadro 1 Relação de datas e períodos que caracterizam, segundo


Cunha (2001), a constituição do conceito de Ação Cultural a partir
de eventos históricos em nível mundial.
Século VI a.C. Instituição dos concursos públicos teatrais como projeto de
“desenvolvimento” de uma literatura dramática – uma ação
equivalente é apontada pela construção do museu-biblioteca
de Alexandria, visando salvaguardar os saberes da antiguidade.
Ano de 1530 Fundação do Colégio de Leitores do Reino, renomeado
como Colégio de França, espaço em que se ministravam
matérias disciplinares sem, no entanto, se confundir com uma
Universidade.
De 1770-1775 Organização e exibição, pelo Vaticano, do seu próprio acervo,
tornando públicas as visitações aos museus da Santa Fé.
1791 Instituição da “política de monumentos”, pela qual se promovia
a transformação de espaços históricos – no caso o Palácio Real
do Louvre – em museu (1793).

Um aspecto importante na consolidação dos projetos


de Ação Cultural, tendo como parâmetro a questão do
financiamento, pode ser observado pela prática do mecenato
(prática de encomenda e/ou contratação de artistas, por parte
de uma classe abastada), que, no período da Renascença, foi
essencial para a produção e manutenção de obras artísticas,

14 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

ainda hoje consideradas imortais (Shakespeare e Michelangelo


como os mais conhecidos).
Se conciliarmos ainda, nessa dinamização, a estabilização
do capitalismo como forma de estruturação sociopolítica, ainda
que a reconheçamos – conforme descreve Santos (2001) – como
um processo evolutivo conturbado do modelo de sociedade
capitalista, observamos que os objetos e fenômenos culturais
passaram também a ser valorizados por outras qualidades além
das estéticas.
O valor econômico da arte ganhou um status relativo,
condicionado a outros elementos que não são apenas os
de estilo, originalidade ou perícia técnica para a produção-
execução da arte, mas também pela consideração de questões
menos artísticas: considerando outros elementos que chegam a
caracterizar os objetos artísticos enquanto produto de mercado.
Todas essas questões (ainda que entrelaçadas ao conceito
de Ação Cultural) serão abordadas de maneira menos explícita
no decorrer das unidades apresentadas a seguir, buscando-se
esclarecer seus laços de parentesco ou repercussão. Alguns dos
conceitos utilizados ao longo dessa nossa narrativa (apresentados
com iniciais em maiúsculo no corpo do texto) foram organizados
e definidos no instrumento apresentado na próxima seção:
Glossário de Conceitos.

2. GLOSSÁRIO DE CONCEITOS
O Glossário de Conceitos permite uma consulta rápida
e precisa das definições conceituais, possibilitando um bom
domínio dos termos técnico-científicos utilizados na área de
conhecimento dos temas tratados. A maior parte das definições

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 15


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

se deu pelo Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia


(CUNHA; CAVALCANTI, 2008).

1) Ação Cultural: “conjunto de procedimentos,


envolvendo recursos humanos e materiais, que visam
pôr em prática os objetivos de uma determinada
política cultural” (COE, 1997, p. 32 apud CUNHA;
CAVALCANTI, 2008, p. 2).
2) Agente Cultural: “aquele que, sem ser necessariamente
um produtor cultural ele mesmo, envolve-se com
a administração das artes e da Cultura, criando as
condições para que outros criem ou inventem seus
próprios fins culturais. Atua, frequentemente, embora
não exclusivamente, na área da difusão, portanto
mais junto ao público do que o produtor cultural.
Organiza exposições, mostras e palestras, prepara
catálogos e folhetos, realiza pesquisas de tendências,
estimula indivíduos e grupos para a autoexpressão,
faz, enfim, a ponte entre a produção cultural e seus
possíveis públicos. Em 1995, com a aceitação legal
de sua figura, antes velada, passou-se, também no
Brasil, a chamar de agente cultural a quem encontra
patrocinadores para um projeto cultural pronto”
(COE, 1997, p. 42 apud CUNHA; CAVALCANTI, 2008,
p. 8).
3) Capital Cultural: “[...] o conjunto dos instrumentos
de apropriação dos bens simbólicos. Sob esse aspec-
to, considerando-se a questão do ponto de vista do
consumo cultural – um dos modos de apropriação
dos bens simbólicos –, a alfabetização integra o ca-
pital cultural ou o capital simbólico de um indivíduo

16 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

tanto quanto sua educação em geral e seu treina-


mento para apreciar a música, a pintura, o cinema ou
qualquer outra modalidade cultural.” (COELHO, 1997,
p. 84).
4) Ciberespaço: 1. Espaço-tempo eletrônico criado pelas
redes de comunicação e computadores multimídia. 2.
Termo criado por William Gibson, em Neuromancer
(1984), para descrever o mundo e a sociedade que se
reúne ao redor do computador. (CUNHA; CAVALCAN-
TI, 2008, p. 80).
5) Cidadania Social: “[...] conquista de significativos di-
reitos sociais, no domínio das relações de trabalho,
da segurança social, da saúde, da educação e da ha-
bitação por parte das classes trabalhadoras das socie-
dades centrais [...]” (SANTOS, 2001, p. 243).
6) Cidadão: Substantivo considerado a partir do concei-
to de Cidadania Social.
7) Copyleft: “a permissão para copiar livremente um
programa de computador. Ant: Copyright. <=> direito
autoral” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 109).
8) Copyright: Termo em inglês para designar Direito
Autoral.
9) Creative Commons: “[...] criado em 2002 por Lawrence
Lessig como uma reação contra a extensão do
período de direitos autorais personificada no Digital
Millenium Copyright Act e em outra legislação apoiada
no Centro de Domínio Público, sediada na Stanford
Law School. A organização sem fins lucrativos aspira
usar direitos privados de criar mercadorias públicas,
protegendo trabalho, estimulando uso e construindo

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 17


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

uma camada de direitos autorais razoáveis, flexíveis


e regras restritivas.” (PRYTHERCH, 1995 apud NORTE,
2010, p. 16)
10) Cultura Digital: “novas formas de expressão induzidas
pelas tecnologias digitais e pela internet, que mudam
os papéis das instituições culturais e o próprio
conceito de cultura” (APD, 2005 apud CUNHA;
CAVALCANTI, 2008, p. 112).
11) Direito Autoral: “1. Valor que se cobra pelo uso de
marca comercial ou industrial, patente, assistência
técnica ou científica. 2. Percentagem paga ao autor
pela venda de suas obras. No Brasil, o autor geralmente
recebe da editora, ou da organização detentora dos
seus direitos autorais, 10% do preço final, ou preço
de capa, cobrado quando da comercialização do
produto.” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 127).
12) Globalização: “[...] o processo de globalização
da economia, ao qual se associa o fenômeno da
globalização cultural, está em curso pelo menos desde
a época das grandes viagens marítimas no século
XVI, de que resultou a colonização das Américas;
sua intensificação potencializada deu-se após a
Segunda Guerra Mundial e, de modo mais específico,
nas duas últimas décadas – em particular graças
ao aperfeiçoamento dos meios de comunicação
de massa e da informática. Mesmo não estando
esse processo ainda plenamente configurado, uma
vez que subsistem centros de decisão nacionais e
regionais, a globalização da economia caracteriza-se
pela predominância das empresas multinacionais,
aquelas com atividades.” (COELHO, 1997, p. 182).

18 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

13) Identidade Cultural: “[...] sistema de representação


(elementos de simbolização e procedimentos de
encenação desses elementos) das relações entre os
indivíduos e os grupos e entre estes e seu território
de reprodução e produção, seu meio, seu espaço e
seu tempo. No núcleo duro da identidade cultural –
aquele que menos se desbasta através dos tempos,
mesmo nas situações de distanciamento do território
original –, aparecem a tradição oral (língua, língua
sagrada, língua sagrada secreta, narrativas, canções),
a religião (mitos e ritos coletivos, de que são exemplos
as peregrinações ou a absorção de drogas sagradas)
e comportamentos coletivos formalizados. Como
extensões desse núcleo duro, surgem os ritos profanos
(carnaval, manifestações folclóricas diversas),
comportamentos informalmente ritualizados (ir à
praia, frequentar espetáculos esportivos) e as diversas
manifestações artísticas.” (COELHO, 1997, p. 200).
14) Instituição Cultural: Estrutura relativamente estável
voltada para a regulação das relações de produção,
circulação, troca e uso ou consumo da cultura
(ministérios e secretarias da cultura, museus,
bibliotecas, centros de cultura, etc.). Essa regulação,
nas instituições, se faz por meio de códigos de conduta
ou de normas jurídicas. (COELHO, 1997, p. 219).
15) Interdisciplinaridade: Prática que: “[...] requer não
apenas especialistas nas diversas áreas envolvidas
(e nunca será demais ressaltar o papel que a
competência representa aqui), mas, acima de tudo,
um projeto que coordene as atividades, para o qual
convirjam as ações, e que tenha sido elaborado para

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 19


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

ser posto efetivamente em prática. Sem projeto não


há interdisciplinaridade. Sem projeto não há ação
cultural.” (COELHO, 2001, p. 68).
16) Mercado Simbólico: “Designa tanto o conjunto de
operações de compra e venda de obras de cultura
e de arte, especificamente (realizadas em galerias,
livrarias, bilheterias de cinema, bancas de jornais,
lojas de discos), como o universo global por onde
circulam, são produzidas e consumidas as obras de
cultura e arte – nesse caso, também instituições
como os museus integram esse mercado.” (COELHO,
1997, p. 250).
17) Mercado: “grupo de compradores reais ou potenciais
de um produto ou serviço.” (CUNHA; CAVALCANTI,
2008, p. 245).
18) Metáfora: “emprego de uma palavra concreta
para exprimir uma noção abstrata, na ausência
de todo elemento que introduz formalmente uma
comparação.” (DUB, 1995, p. 411 apud CUNHA;
CAVALCANTI, 2008, p. 247)
19) Momento Ontológico: Espaço temporal relativo
ao emprego da Ontologia como instrumento de
orientação de definição conceitual.
20) Multiculturalismo: “De uso corrente a partir da
década de 80, em particular nos EUA e na Europa,
indica preferencialmente um novo modo de interação
entre grupos étnicos e, em sentido amplo, entre
culturas distintas pela orientação religiosa, pelo
sexo, pelas preferências sexuais etc. Sob o aspecto
étnico, o multiculturalismo apresenta-se como lutas

20 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

de minorias raciais por uma política de igualdade de


oportunidades e é um herdeiro dos movimentos dos
anos 60 nos EUA.” (COELHO, 1997, p. 262).
21) Ontologia: “especificação de uma conceitualização,
podendo incluir a descrição de objetos, conceitos e
outras entidades num contexto ou parte dele, bem
como as relações entre eles. Fornece significado para
descrever explicitamente uma conceituação atrás
de um conhecimento representado em uma base de
conhecimento.” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 268)
22) Open Access: “[...] diz-se do acesso à literatura
técnico-científica que estará disponibilizada na
internet, sendo permitido a qualquer usuário ler,
copiar, distribuir, imprimir, fazer buscas e fazer
hipervínculo aos textos completos desses artigos.
O usuário levará em conta que o autor do texto é o
detentor dos direitos autorais e que deverá receber
a devida citação.” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 4).
23) Pluralismo Cultural: “Verifica-se uma tendência para
definir pluralismo cultural como a convivência, no
mesmo nível de igualdade e na mesma dimensão
espaçotemporal, de diferentes modos culturais:
modos eruditos ao lado de populares, modos de
minorias étnicas ao lado das tendências dominantes
etc.” (COELHO, 1997, p. 291).
24) Política Cultural: “[...] programa de intervenções
realizadas pelo Estado, instituições civis, entidades
privadas ou grupos comunitários com o objetivo de
satisfazer as necessidades culturais da população e
promover o desenvolvimento de suas representações
simbólicas. Sob esse entendimento imediato, a

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 21


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

política cultural apresenta-se assim como o conjunto


de iniciativas, tomadas por esses agentes, visando
promover a produção, a distribuição e o uso da
cultura, a preservação e divulgação do patrimônio
histórico e o ordenamento do aparelho burocrático
por elas responsável.” (COELHO, 1997, p. 292).
25) Prática Cultural: “Em sentido amplo, dá-se o nome
de prática cultural a toda atividade de produção e
recepção cultural: escrever, compor, pintar e dançar;
são, sob esse ângulo, práticas culturais tanto quanto
frequentar teatro, cinema, concertos etc. Numa
acepção mais radical, são consideradas práticas
culturais as atividades relacionadas com a produção
cultural propriamente dita.” (COELHO, 1997, p. 312).
26) Produto Cultural: “Tratados regionais de integração
econômica e cultural definem os produtos culturais
como aqueles que expressam ideias, valores,
atitudes e criatividade artística e que oferecem
entretenimento, informação ou análise sobre o
presente, o passado (historiografia) ou o futuro
(prospectiva, cálculo de probabilidade, intuição), quer
tenham origem popular (artesanato), quer se tratem
de produtos massivos (discos de música popular,
jornais, histórias em quadrinhos), quer circulem
por público mais limitado (livros de poesia, discos
e CDs de música erudita, pinturas). Embora dessa
definição participem conceitos vagos, como ‘Ideias’
e ‘criatividade artística’, ela exprime um consenso
sobre a natureza dos produtos culturais.” (COELHO,
1997, p. 317).

22 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

27) Produto de Mercado: “qualquer coisa oferecida a um


mercado para aquisição, atenção, uso ou consumo,
a qual possa satisfazer uma necessidade ou desejo.”
(TAR, 2001, p. 320 apud CUNHA; CAVALCANTI, 2008,
p. 294).
28) Propriedade Cultural: “[...] expressão genérica
que cobre duas situações jurídicas distintas: a) a
propriedade, por uma pessoa física ou jurídica,
de um produto ou bem cultural de autoria de uma
segunda pessoa; b) a propriedade, pelo autor, de sua
própria obra – também conhecida como propriedade
intelectual ou direito autoral.” (COELHO, 1997, p.
318).
29) Sentido Semântico: “3. Significação que toma a
palavra num texto: fundamental (ex.: aquele anjo
é barroco), ou acessória (ex.: és um anjo); concreta
(ex.: margem do rio), ou abstrata (ex.: à margem da
vida); própria (ex.: laranja madura), ou figurada (ex.:
homem maduro).” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p.
331).
30) Sistema de Produção Cultural: “[...] a análise da
dinâmica cultural a partir de quatro estágios ou fases:
1. a fase da produção propriamente dita do objeto
cultural (preparação do roteiro, filmagem, montagem
de um filme; impressão de um livro; montagem
de uma peça teatral; realização de um desfile de
carnaval); 2. a distribuição desse produto a seus
consumidores finais ou aos intermediários que, num
segundo momento, permitirão o acesso ao produto
por parte dos consumidores interessados (distribuição
do filme pronto às salas de exibição; distribuição do

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 23


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

livro às livrarias e aos pontos de venda); 3. a troca ou


permuta do direito de acesso ao produto cultural por
um valor em moeda; 4. o uso: momento da exposição
direta do produto cultural àqueles a quem se destina
e de sua apropriação por parte do público.” (COELHO,
1997, p. 344).
31) Sociedade da Informação: “2. Conglomerado humano
cujas ações de sobrevivência e desenvolvimento
se baseiam em criação, uso, armazenamento e
disseminação intensa dos recursos de informação
e do conhecimento, mediados pelas tecnologias da
informação e comunicação.” (CUNHA; CAVALCANTI,
2008, p. 347).
32) Sociedade do Conhecimento: “1. Termo cunhado
por Peter Drucker para se referir à sociedade
cujo desenvolvimento é realizado pelo valor dos
conhecimentos e dos saberes dos membros que a
compõem.” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 348).
33) Teoria dos Sistemas: “[...] disciplina lógico-
matemática, cujo conteúdo é a formulação e
derivação dos princípios válidos para os sistemas em
geral.” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 359)
34) Terminologia: “3. Conjunto de termos que representa
o sistema de conceitos de uma área específica do
conhecimento.” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 360).

24 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

3. ESQUEMA DOS CONCEITOS-CHAVE

Figura 1 Esquema de Conceitos-chave de Ação Cultural: Projetos Culturais e Atuação do


Bibliotecário.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
BURKE, P. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.
COELHO, T. O que é ação cultural. São Paulo: Brasiliense, 2001.
_______. Dicionário crítico de política cultural: cultura e imaginário. São Paulo:
Iluminuras, 1997.
CUNHA, M. B. da.; CAVALCANTI, C. R. de O. Dicionário de biblioteconomia e arquivologia.
Brasília: Briquet de Lemos, 2008.
CUNHA, N. Cultura e ação cultural. São Paulo: Sesc SP, 2010.
DRUCKER,P. F. Sociedade pós-capitalista. 7. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
NORTE, M. B. Glossário de termos técnicos em ciência da informação: Inglês/português.
São Paulo: Cultura Acadêmica; Marília: Oficina Universitária, 2010.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 25


CONTEÚDO INTRODUTÓRIO

SANTOS, B. S. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo:


Cortez, 2001.
SANTOS, P. L. V. A. C.; CARVALHO, A. M. G. Sociedade da informação: avanços e
retrocessos no acesso e no uso da informação. Informação & Sociedade, João Pessoa,
v. 19, n. 1, p. 45-55, jan./abr. 2009.

5. E-REFERÊNCIA
GARCIA CANCLINI, N. Leitores, espectadores e internautas. Tradução Ana Goldberger.
São Paulo: Iluminuras, 2008. Disponível em: <http://d3nv1jy4u7zmsc.cloudfront.net/
wp-content/uploads/itau_pdf/000726.pdf>. Acesso em: 27 ago. 2017.

26 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 1
UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE
E DIREITOS CULTURAIS

Objetivos
• Apresentar o conceito de Identidade Cultural.
• Fazer perceber os diversos níveis de Identidade Cultural.
• Problematizar as definições de Identidades Culturais.
• Fazer perceber as exigências de atuação do bibliotecário no campo cultural.
• Relacionar Direitos Culturais com ações de promoção das Identidades
Culturais.

Conteúdos
• Noções do conceito de Identidade.
• Influências definidoras das Identidades em nível social.
• Noções de Direitos Culturais e exigências da atuação do bibliotecário.

Orientações para o estudo da unidade


Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir:

1) Não se limite ao conteúdo deste Caderno de Referência de Conteúdo;


busque outras informações em sites confiáveis e/ou nas referências
bibliográficas apresentadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que,
na modalidade EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para
o seu crescimento intelectual.

27
UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

2) Busque identificar os principais conceitos apresentados e siga a linha


gradativa dos assuntos.

3) Não deixe de recorrer aos materiais complementares descritos no


Conteúdo Digital Integrador.

28 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

1. INTRODUÇÃO
Então? Que tal darmos início aos estudos de nossa primeira
unidade? Prontos?
Nesta unidade, trataremos de temáticas relacionadas com a
questão das Identidades, considerando o impacto desse conceito
nas relações sociais, sendo, portanto, bastante impactante
também em nossa atribuição profissional de organizar tanto
as ações de registro quanto as de promoção de fenômenos e
objetos de interesse a tais identidades. Nosso enfoque, nas
unidades seguintes, será dado sobre os elementos exigidos na
preparação de Projetos de Intervenção Cultural.
Para tanto, observaremos os elementos que fazem parte
da construção dessas identidades, os elementos políticos ou
sociais que repercutem em sua constituição, as modalidades
de tipologias (terminologias determinadas pelos princípios de
campos específicos do conhecimento) e os espaços em que
tais denominações circulam (o caráter interdisciplinar desse
movimento de disseminação promovido pela internet ou pelas
Tecnologias de Comunicação e Informação – TICs).

2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA


O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma
sucinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão
integral, consideramos necessário o aprofundamento desses
conteúdos pelo estudo do Conteúdo Digital Integrador.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 29


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

2.1. IDENTIDADES

Quando consideramos a execução de uma Ação Cultural


de maneira reflexiva, percebemos que tudo que fizermos para
sermos eficientes no processo de produção dessa ação deverá
repercutir os interesses do grupo em que se origina ou para o
qual se destina essa ação, ou seja, o objetivo da Ação Cultural
deve estar contextualizado.
Se nos orientarmos pelo pensamento de Bourdieu (2001),
teremos como princípio a ideia de que uma coletividade
socialmente estabelecida, com suas noções de espaços de
atuação e de agentes de promoção desses espaços, conforme
o próprio desenvolvimento de sua consciência de articulação,
retém o “poder” de decisão (ou ambiciona retê-lo) em torno dos
interesses próprios.
Essa questão, a nosso ver, está bastante enraizada na
noção de Identidade desses grupos de indivíduos e, portanto
(considerando que a sociedade possui uma variedade de perfis
ou qualidades), também em uma variada gama de características
que determinam uma decisão em torno de um assunto em vez
de outra. A naturalização desse fenômeno de determinação
de valores positivos ou negativos em razão de uma maioria
com poder decisório é, pois, uma das questões abordadas por
Bourdieu (1989) em sua teoria sobre o Capital Simbólico, capital
este constituído de:
Todas as manifestações do reconhecimento social [...] todas as
formas do ser percebido que tornam conhecido o ser social,
visível (dotado de visibility), célebre (ou celebrado), admirado,
citado, convidado, amado etc. [...] (BOURDIEU, 1989, p. 295).

30 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

A Cultura, no entender do teórico francês, é essa rede


de interesses que se move conforme a ordenação de valores
simbólicos no campo da comunicação social. Nesse campo,
o espaço social de articulação dos grupos tem como agentes
indivíduos socialmente relacionados com seus valores de classe
ou ideologia.
A partir disso, os conceitos de Espaço Social e Agente Social
tornam-se essenciais às premissas que estabelecem valores de
pertinência, ou não, do que faz parte de uma boa cultura ou de
uma má cultura, ou, em termos mais recorrentes, uma Cultura
Popular ou uma Cultura Erudita, ou, ainda, uma Alta Cultura e
uma Baixa Cultura. Todas essas denominações são baseadas nos
critérios socialmente regulados pelo poder simbólico de uma
“dominação”.
Isso é importante para que se observe que a questão
dos Direitos Culturais esbarra (quando negligenciados) nessas
condições de “negociação” social. Ou seja, grupos sociais
culturalmente – e, às vezes, também economicamente
– identificados por características minoritárias ou sem
representação social forte acabam por serem excluídos ou pouco
considerados nas decisões de manutenção ou projeção de suas
manifestações, tradições ou convenções culturais.
O principal aspecto desafiador para a superação das
deficiências de implantação de uma Ação Cultural eficientemente
democrática, em relação ao seu acesso e à sua absorção, a nosso
ver, reside na problemática apontada por Bauman (2001, 2003)
na questão de falta de estabilidade das relações sociais em uma
sociedade denominada pelo autor como de caráter líquido –
pelo conceito de Modernidade Líquida.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 31


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

Nesse sentido, a partir do conceito de Modernidade


Líquida, é possível compreender um grau acentuado de “fluidez”
do que se poderia chamar de Identidades Sociais – o mesmo
processo (de um ponto de vista histórico) é apresentado por
Santos (2001) ao tratar das variadas formas com que as “classes
sociais” se comportaram a partir da segunda metade do século
20. Sem dúvida, tanto Bauman quanto Santos, nos respectivos
trabalhos citados, problematizam essa questão da Identidade
oferecendo perspectivas questionadoras desses conceitos em
uma sociedade dinâmica como a nossa (em ajuste contínuo de
prioridades).

Tipologias e campos
Se analisarmos, histórica e sociologicamente, a noção
de Identidade sempre existiu nas sociedades. No entanto, sua
definição evoluiu ao longo dos séculos, absorvendo traços
ou predicados (qualidades) de campos de conhecimento que
influíram determinantemente para suas distinções.
Consideramos a noção de Ser Humano a partir de sua
qualidade substantiva, que, na Idade Clássica (período da Grécia
antiga), pela abordagem filosófica, tendo Aristóteles (1984)
como base, a percepção do mundo constituía o “ente” como
experiência da consciência de si em relação ao que se percebia
como existência.
O homem será, no entanto, considerado (séculos
depois) de um ponto de vista psicológico, sendo definido por
características relacionadas ao seu caráter subjetivo, como
sujeito de ações conscientes e inconscientes determinadas pela
relação conflituosa entre os elementos internos e externos a
uma personalidade. A base da teoria de Representações Sociais

32 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

de Goffman (1985) é, pois, essa situação entre uma noção de


sujeito e de meio externo.
Abordando a questão do ser de um ponto de vista
sociológico, podemos utilizar as observações de Bourdieu (2001),
considerando o homem na perspectiva de Indivíduo (ser em uma
ordem social), ou ainda, nas considerações de Santos (2001),
podemos dividir o conceito de Indivíduo em outra dimensão, a
de Cidadão (em uma ordem mais política).
Com as leituras propostas no Tópico 3.1, você poderá
acompanhar as influências dos laços sociais na construção de
identidades. Antes de prosseguir para o próximo assunto, realize
as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo estudado.

2.2. DIVERSIDADE
Se correlacionarmos essas questões de campos de
conhecimentos e suas definições “territoriais” de conceitos –
definições baseadas numa Teoria Geral de Terminologia, teoria
desenvolvida por Eugen Wüster (1898-1977), pela qual os termos
são demarcações de campos especializados do conhecimento
–, verificamos que, se não são totalmente contrárias à ideia de
Interdisciplinaridade, são, pelo menos, grandes dificultadores
do entendimento mútuo quando são exigidas interações entre
campos disciplinares.
Isso porque, antes da revolução tecnológica promovida
pela inserção das TICs como recursos facilitadores dos processos
de comunicação e pela dinamização desses processos por meio
da aceleração de transferência de informações, a questão de
domínios fechados de conhecimento (territórios) se tornou
discutível pela situação de compartilhamento em rede, por meio

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 33


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

da web, ambiente em que não há uma divisão rígida de espaços


disciplinares e conteúdos. Essa delimitação do conhecimento
pela linguagem especializada “restrita” se torna incoerente,
senão impraticável, pois, cada vez mais, o leigo acessa, por meio
da internet, conhecimentos variados.
Pensemos que a complexa rede de termos estabelecida pela
troca dinâmica de informações na web não se limita pela questão
espacial (a troca de mensagens acontece entre as mais diversas
partes do globo), nem por categorias-padrão de usuários, pois
o acesso, em sua maior parte, não está determinado pelo nível
de conhecimento especializado do usuário. Nessa perspectiva,
como dito anteriormente, o leigo avança no território web.
Em nível espacial, podem ocorrer, portanto, troca de
mensagens tanto na ordem Global (planeta), quanto na
ordem Nacional (interna às nações), Regional (em localidades
específicas), ou, ainda, nas mais variadas combinações entre
tais ordens. Ou seja, se antes a questão da complexidade se
apresentava em uma situação “territorial disciplinar” e localizada,
agora ela se expande além das categorias culturais de campos e
de regiões geográficas.
Nosso grande desafio enquanto Agente Cultural é, nesse
cenário cada vez mais expandido, conseguir compatibilizar essa
aparente desintegração de identidades em uma condição de
comunicação efetiva em relações indivíduo-indivíduo, indivíduo-
grupo, grupo-grupo, e assim por diante, com interações que
permitam tanto o entendimento mútuo quanto a produção de
um consenso em torno das diferenciações do outro e de si mesmo
de maneira, se não harmoniosa, ao menos não conflituosa. Ou
seja, sugere-se compatibilizar os interesses de grupos em relação
às variadas noções de Cultura.
Em nosso exercício profissional, tenderíamos a

34 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

compreender primeiro o que “é” a Cultura do grupo atendido


e seu contexto, para depois lançarmos mão dos recursos e dos
planejamentos exigidos para a realização das Ações Culturais
objetivadas no Projeto a ser desenvolvido, com o consequente
registro/armazenamento dos eventos produzidos com o fim de
fortalecer a memória coletiva daquela comunidade.
As leituras indicadas no Tópico 3.2 tratam do fenômeno
da Identidade no contexto contemporâneo e de sua dinâmica
local-global. Neste momento, você deve realizar essas leituras
para aprofundar o tema abordado.

2.3. DIREITOS CULTURAIS


Cunha (2010, p. 100) afirma que um dos impactos da
Globalização foi o de acentuar o aspecto de mundialização do
capitalismo, em que:
[...] os vínculos com as relações internas de um país tornaram-se
ainda mais frouxos, o que também se revela no descompromisso
com seus trabalhadores, pensados e tratados não mais como
classe [...] sujeitos políticos [...], mas como consumidores [...].

Paralelamente, tais indivíduos (desvalorizados


politicamente), no movimento de descoberta de direitos não tão
“universais” por outros grupos, são colocados à margem, tendo
como competidores “[...] comunidades especiais, as quais, por
sua vez, reivindicam direitos agora culturais, que constituem,
igualmente, o conteúdo do multiculturalismo.” (CUNHA, 2010,
p. 100, grifo do autor).Uma das primeiras manifestações de
defesa desses direitos, apontado pelo autor, foi o movimento
dos Direitos Civis, nos Estados Unidos, nos anos de 1960, em que
se combatia a segregação racial, então permitida no país.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 35


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

A questão dessa dinâmica de acentuação da diferença


do outro como traço a ser defendido, e como direito a ser
respeitado, ao mesmo tempo que tenta sanar ou diminuir
injustiças sociais também impele para o confronto ou, pelo
menos, para o enfrentamento com as opiniões contrárias, uma
vez que repercute na noção de igualdade ou da universalidade
dos direitos numa Sociedade Democrática.
Se, voltando a Bourdieu (2001), encararmos a Naturalização
dos processos e dos valores sociais, tendo como base as
considerações de Cunha (2010) em torno da sua abordagem de
Grupos Sociais (coletividades diferenciadas entre si), vemos que,
como conclusão: “[...] os grupos devem ter um significado político
e uma representação corporativa [...] capazes de “desmascarar
ilusões universalistas.” (BOURDIEU, 2001, p. 104).
Nessa perspectiva, o conceito de Dialogismo aparece
como capacidade ou exercício de diálogo entre partes que
disputam ou argumentam acerca de temas de interesse mútuo,
resultando dessa premissa que o Direito Cultural tem como
apoio de sua efetivação o processo dialógico, de que derivam
tanto o reconhecimento quanto a aceitação mútua das partes
envolvidas.
Enfatizando essa questão de democratização no embate
com a realidade dos Direitos Culturais, tendo o conceito de Ação
Cultural o sentido de instrumento de consolidação e proteção
dos conhecimentos e tradições específicas, a Ação Cultural
passou a significar “educação popular”, segundo a qual: “[...] o
povo deveria ser estimulado a romper com o torpor intelectual
e apropriar-se das ferramentas do pensamento crítico.” (CUNHA,
2010, p. 38).

36 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

Garcia Canclini (1990; 2008), teórico argentino


contemporâneo, traz algumas reflexões interessantes a respeito
da dinâmica cultural das sociedades contemporâneas, sobretudo
quando essa dinâmica está relacionada com a questão da
internet, considerada um dos territórios-fenômenos promotores
de acesso democrático à informação.
Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas
no Tópico 4, você deve fazer as leituras propostas no Tópico 3.3
para compreender como as relações do trabalho bibliotecário se
dão na questão das Identidades Culturais e suas relações com os
Direitos Culturais.
Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––––
Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar.
• Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone
Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível
de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo
(Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a
lista de vídeos.
• Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e selecione:
Ação Cultural – Vídeos Complementares – Complementar 1.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR


O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição
necessária e indispensável para você compreender integralmente
os conteúdos apresentados nesta unidade.

3.1. IDENTIDADE

O processo de construção da noção de Identidade, no


contexto da modernidade, é uma das principais considerações na

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 37


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

atuação do bibliotecário enquanto agente de uma Ação Cultural


eficiente. Buscando-se promover um aprofundamento sobre
essa perspectiva, a seguir são apresentados textos que devem
ser lidos complementarmente.
• BAUMAN, Z. Relato de um encontro com Zygmunt
Bauman. Entrevista a Mário Mazzilli. Café Filosófico.
2017. Disponível em: <http://www.institutocpfl.org.
br/2017/01/16/relato-de-um-encontro-com-zygmunt-
bauman-por-mario-mazzilli/>. Acesso em: 13 ago. 2017.
• FREIRE, I. M. Acesso à informação e identidade cultural:
entre o global e o local. Ciência da Informação, Brasília,
v. 35, n. 2, p. 58-67, maio/ago., 2006. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/%0D/ci/v35n2/a07v35n2.
pdf>. Acesso em: 12 ago. 2017.
• MIRANDA, A. Sociedade da informação: globalização,
identidade cultural e conteúdos. Ciência da Informação,
Brasília, v. 29, n. 2, p. 78-88, maio/ago., 2000. Disponível
em: <http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n2/a10v29n2>.
Acesso em: 12 ago. 2017.

3.2. DIVERSIDADE

O conceito de Sociedade de Informação é um tema


transversal à nossa realidade, por isso, sua abordagem por
outros autores foi considerada relevante para a percepção dos
elementos contemporâneos em que o Indivíduo, socialmente
localizado, está inserido, principalmente quando se relaciona
com questões de Direito Cultural.
Dessa maneira, a seguir são listados alguns autores que se
debruçaram sobre tais assuntos.

38 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

• CARVALHO, I. C. L.; KANISKI, A. L. A sociedade do


conhecimento e o acesso à informação: para que e para
quem? Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 3, p. 33-
39, set./dez., 2000. Disponível em: <http://www.scielo.
br/pdf/ci/v29n3/a04v29n3>. Acesso em: 12 ago. 2017.
• SCHÜLER, F. O que consideramos uma sociedade
justa? Café Filosófico. 2017. Disponível em:<http://
www.institutocpfl.org.br/2017/07/25/na-tv-fernando-
schuler-fala-sobre-o-conceito-de-justica/>. Acesso em:
12 ago. 2017.
• WERTHEIN, J. A sociedade da informação e seus
desafios. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 2, p.
71-77, maio/ago., 2000. Disponível em: <http://www.
scielo.br/pdf/%0D/ci/v29n2/a09v29n2.pdf>. Acesso
em: 12 ago. 2017.

3.3. DIREITOS CULTURAIS

Os princípios de Ação Cultural foram abordados ao longo


desta unidade. Neste subtópico, é sugerida a leitura de alguns
autores que elaboram o tema de maneira a torná-lo mais
amplificado tanto teórica quanto historicamente.
• CAVALCANTI, I. B.; ARAÚJO, C. S.; DUARTE, E. N. O
bibliotecário e as ações culturais: um campo de atuação.
Biblionline, João Pessoa, v. 11, n. 1, p. 21-34, 2015.
Disponível em: <http://periodicos.ufpb.br/index.php/
biblio/article/view/16626/14651>. Acesso em: 12 ago.
2017.
• FLUSSER, V. A biblioteca como um instrumento de
ação cultural. Revista da Escola de Biblioteconomia da

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 39


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

UFMG, v. 12, n. 2, p. 145-169, 1983. Disponível em:


<http://basessibi.c3sl.ufpr.br/brapci/index.php/article/
download/15776>. Acesso em: 12 ago. 2017.
• SANCHES, G. A. R.; RIO, S. F. do. Mediação da informação
no fazer do bibliotecário e seu processo em bibliotecas
universitárias no âmbito das ações culturais. In CID:
Revista de Ciência da Informação e Documentação,
Ribeirão Preto, v. 1, n. 2, p. 103-121, jul./dez., 2010.
Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/incid/
article/view/42323/45994>. Acesso em: 12 ago. 2017.

4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em
responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos
estudados para sanar as suas dúvidas.
1) Considerando o pensamento de Bourdieu (2001), os conceitos de Espaço
Social e Agente Social são essenciais a premissas que estabelecem valores
de pertinência, ou não, sobre o que faz parte de:
a) a) uma boa cultura ou de uma má cultura.
b) b) uma Cultura Popular ou de uma Baixa Cultura.
c) c) uma Cultura Erudita ou de uma Alta Cultura.
d) d) uma Cultura Excêntrica ou de uma Cultura Ordinária.

2) O conceito de Identidade pode ser compreendido por meio de campos do


conhecimento que:
a) a) ignoram os indivíduos e suas noções de valor econômico.
b) b) estabelecem seus sentidos pela consideração de nexos psicológicos.
c) c) determinam seus sentidos por meio de uma terminologia
especializada.
d) d) julgam seus contribuintes segundo os interesses em pauta.

40 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

3) Quais são os direitos, segundo Cunha (2010), considerados como conteú-


dos do Multiculturalismo?
a) Os direitos constitucionais.
b) Os direitos democráticos.
c) Os direitos à informação.
d) Os direitos culturais.

4) Tente explicar a citação a seguir: “[...] o povo deveria ser estimulado a


romper com o torpor intelectual e apropriar-se das ferramentas do pensa-
mento crítico.” (CUNHA, 2010, p. 38).

Gabarito
Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões
autoavaliativas propostas:
1) a.

2) c.

3) d.

4) Espera-se que você consiga relacionar a questão educacional envolvida na


afirmação.

5. CONSIDERAÇÕES
Ao chegarmos ao final desta unidade, esperamos que você
tenha adquirido noções mais claras sobre o que são Identidades
Culturais e quais são os mecanismos sociais que influenciam em
sua definição e articulação.
Também se supõe que você adquira a consciência de que,
enquanto profissional bibliotecário envolvido na elaboração de
ações que auxiliam na proteção e promoção dos valores culturais
existentes nos seus espaços de atuação – valores que garantam o

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 41


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

exercício dos direitos culturais com justiça social –, você recorra


a estratégias de conciliação entre a diversidade de visões sobre
os mais variados temas.
A complexidade existente nessa condição de atributo
comum (e tão particular a cada indivíduo) garante às Identidades
e aos Direitos Culturais um interesse valioso no movimento de
democratização do conhecimento e, também, na combinação de
noções e opiniões nem sempre harmoniosas entre si.
Provocar e estabelecer um diálogo produtivo entre os
setores financiadores da Cultura (sejam públicos ou privados)
são tarefas consideradas essenciais para o desenvolvimento da
cultura, tendo como objetivo a promoção de uma sociedade
melhor e, eficientemente, mais justa.
Não deixe de tomar contato com os materiais indicados
nos Conteúdos Digitais Integradores. Na próxima seção, Unidade
2, abordaremos o tema das Políticas Culturais e das Leis de
Incentivo e Financiamento à Cultura (em especial a Lei Rouanet).
Até lá!

6. E-REFERÊNCIAS
BAUMAN, Z. Relato de um encontro com Zygmunt Bauman. Entrevista a Mário Mazzilli.
Café Filosófico. 2017. Disponível em: <http://www.institutocpfl.org.br/2017/01/16/
relato-de-um-encontro-com-zygmunt-bauman-por-mario-mazzilli/>. Acesso em: 13
ago. 2017.
CARVALHO, I. C. L.; KANISKI, A.L. A sociedade do conhecimento e o acesso à informação:
para que e para quem? Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 3, p. 33-39, set./dez.,
2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n3/a04v29n3>. Acesso em: 12
ago. 2017.
CAVALCANTI, I. B.; ARAÚJO, C. S; DUARTE, E. N. O bibliotecário e as ações culturais: um
campo de atuação. Biblionline, João Pessoa, v. 11, n. 1, p. 21-34, 2015. Disponível em:

42 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

http://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/view/16626/14651 . Acesso em:


12 ago. 2017
FLUSSER, V. A biblioteca como um instrumento de ação cultural. Revista da Escola
de Biblioteconomia da UFMG, v. 12, n. 2, p. 145-169, 1983. Disponível em: <http://
basessibi.c3sl.ufpr.br/brapci/index.php/article/download/15776>. Acesso em: 12 ago.
2017.
FREIRE, I. M. Acesso à informação e identidade cultural: entre o global e o local. Ciência
da Informação, Brasília, v. 35, n. 2, p. 58-67, maio/ago., 2006. Disponível em: <http://
www.scielo.br/pdf/%0D/ci/v35n2/a07v35n2.pdf>. Acesso em: 12 ago. 2017.
MIRANDA, A. Sociedade da informação: globalização, identidade cultural e conteúdos.
Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 2, p. 78-88, maio/ago., 2000. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n2/a10v29n2>. Acesso em: 12 ago. 2017.
GARCIA CANCLINI, Néstor. Leitores, espectadores e internautas. Tradução de Ana
Goldberger. São Paulo: Iluminuras, 2008. Disponível em: http://d3nv1jy4u7zmsc.
cloudfront.net/wp-content/uploads/itau_pdf/000726.pdf. Acesso em: 12 ago. 2017.
SANCHES, Gisele A. Ribeiro; RIO, Sinomar Ferreira do. Mediação da informação no
fazer do bibliotecário e seu processo em bibliotecas universitárias no âmbito das ações
culturais. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, Ribeirão Preto, v.
1, n. 2, p. 103-121, jul./dez., 2010. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/incid/
article/view/42323/45994 . Acesso em: 12 ago. 2017.
SCHÜLER, Fernando. O que consideramos uma sociedade justa? Café Filosófico. 2017.
Disponível em: http://www.institutocpfl.org.br/2017/07/25/na-tv-fernando-schuler-
fala-sobre-o-conceito-de-justica/ . Acesso em: 12 ago. 2017. [50 min.].
WERTHEIN, Jorge. A sociedade da informação e seus desafios. Ciência da Informação,
Brasília, v. 29, n. 2, p. 71-77, maio/ago., 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/
pdf/%0D/ci/v29n2/a09v29n2.pdf . Acesso em: 12 ago. 2017.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARISTÓTELES. A metafísica. Tradução de Eudoro de Souza. São Paulo: Abril Cultural,
1984.
BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Tradução de Plínio
Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.
______. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
BOURDIEU, P. Meditações pascalianas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 43


UNIDADE 1 – IDENTIDADE, DIVERSIDADE E DIREITOS CULTURAIS

______. O poder simbólico. Lisboa: DIFEL, 1989.


CUNHA, N. Cultura e ação cultural. São Paulo: Sesc SP, 2010.
GARCIA CANCLINI, N. Culturas híbridas: estrategias para entrar y salir de la modernidad.
Miguel Hidalgo: Grijalbo, 1990.
GOFFMAN, E. A representação do eu na vida cotidiana. Tradução de Maria Célia Santos
Raposo. Petrópolis: Vozes, 1985.

44 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2
POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO
BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA
E SUAS LEIS

Objetivos
• Apresentar o conceito de Política Cultural.
• Fazer conhecer os principais movimentos de estabelecimento de Políticas
Culturais no mundo e no Brasil.
• Apresentar as características e exigências dos instrumentos de
financiamento das Ações Culturais no Brasil
• Promover a aquisição de noções sobre a Lei Rouanet: funcionamento e
características.

Conteúdos
• Noções do conceito Política Cultural.
• Histórico de desenvolvimento do conceito de Política Cultural em nível
internacional e nacional.
• Noções básicas sobre as Leis de Financiamento da Cultura (Lei Rouanet
entre elas).

Orientações para o estudo da unidade


Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir:

1) Não se limite ao conteúdo deste material didático; busque outras


informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas

45
UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

apresentadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade


EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu
crescimento intelectual.

2) Busque identificar os principais conceitos apresentados e siga a linha


gradativa dos assuntos.

3) Não deixe de recorrer aos materiais complementares descritos no


Conteúdo Digital Integrador.

46 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

1. INTRODUÇÃO
De uma maneira geral, ao falarmos de Políticas Públicas,
já se estabelece uma relação direta entre movimentos de
manutenção e proteção da Cultura por meio de instrumentos
institucionais ligados ao Estado (vínculo direto com a ideia de
setor ou órgão público). Cunha (2010, p. 81) define Política
Cultural como:
[...] o conjunto de intervenções e decisões dos poderes públicos
por meio de programas e atividades artístico-intelectuais ou
genericamente simbólicas de uma sociedade, conduzido em
nome do interesse geral ou do bem comum de uma coletividade,
embora desse âmbito se encontre habitualmente excluída (mas
nem sempre) a política de educação ou de ensinos formais.

Dessa maneira, na introdução da unidade anterior,


percebe-se que os eventos dos festivais na Grécia antiga
ou mesmo os estatutos ou leis lançados durante o regime
monárquico, tais como os de licença de exploração de obras
intelectuais na Inglaterra do século 17 (BURKE, 2003), são
interferências do poder governamental no processo de
dinamização da Cultura, do que advém que a ideia central de
Política Cultural é uma realidade existente há muito tempo nas
sociedades ocidentais.
Entre os objetivos desta unidade, está o de estabelecer de
maneira mais clara essa relação no desenvolvimento histórico
do conceito, sem, no entanto, nos prendermos às datas (ainda
que elas sejam um dado interessante de exploração), tentando
estabelecer algum nexo causal entre os eventos historicamente
localizados e as exigências de um interesse de comprometimento
do Estado – ou do poder governamental – em manter uma série
de ações em favor de determinada expressão cultural.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 47


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA


O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma
sucinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão
integral, consideramos necessário o aprofundamento desses
conteúdos pelo estudo do Conteúdo Digital Integrador.

2.1. POLÍTICA CULTURAL NO MUNDO E NO BRASIL

Em um sentido lato, Política Cultural, segundo Cunha


(2010), abrange questões jurídicas relacionadas à proteção de
bens ou atividades, ou define: como se deve exercer a ação
(princípios, regras e métodos) ou seu gerenciamento; quem dela
se deve encarregar; o que, por meio dela, estaria relacionado à
manutenção ou difusão.
Para entrarmos na questão dos organismos internacionais
– Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e
Cultura (UNESCO) e Organização das Nações Unidas (ONU) entre
eles – como promotores de uma Política Cultural eficiente, cabe
averiguar, primeiramente, os contextos de sua origem. Segundo
Cunha (2010, p. 96), tais contextos se deram em meio à:
[...] prosperidade econômica do pós-guerra, incluindo-se a
revalorização de expressões nacionalista em países recém-saídos
da colonização ou integrantes do então chamado ‘terceiro mundo’
[...].

Esses organismos são citados pelo autor ao se referir a


duas produções deles – primeiro, pela Declaração dos Direitos
do Homem e, depois, pelo documento Problemas e Perspectivas.
Os trechos selecionados por Cunha (2010) ressaltam direitos
estabelecidos ao homem quanto ao desenvolvimento de seu
sentimento de comunidade, ao acesso à arte e aos benefícios

48 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

científicos, assim como ao desenvolvimento de seu potencial


cognitivo, cultural, coletivo e ambiental. Segundo o autor:
[...] a existência de uma política cultural – desde que coerente,
ampla e eficaz – constitui uma forma de expansão de
conhecimentos e de práticas simbólicas, de integração social e
de exercício de cidadania. (p. 96).

No que diz respeito aos modelos de aplicação de Políticas


Culturais pelo Estado, Cunha (2010) reconhece uma variedade de
orientações, apresentadas, de forma contraposta, nas seguintes
condições: de forte intervenção ou de fraco comprometimento
(respectivamente, dirigistas ou liberais); nacionalistas ou
cosmopolitas; gradualistas ou revolucionárias; elitistas ou
populistas; tradicionalistas ou modernistas.
Por fim, parafraseando Hillman-Chartrand (1989),
Cunha (2010) apresenta quatro tipos de Políticas Públicas:
a do Estado-facilitador (que financia por meio de “recursos
indiretos”), típico dos Estados Unidos; a do Estado-mecenas
(que financia por meio de recursos próprios), com exemplos
como os da Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia; a do Estado-
arquiteto (que orienta o uso de recursos por meio de estruturas
próprias), típico da maior parte dos países europeus e latino-
americanos; e a do Estado-engenheiro (Estado-autoritário,
aquele que domina a vida cultural do país), característico das
ditaduras e comunidades fundamentalistas e teocráticas.

Construção histórica do conceito de Política Cultural: Rússia,


França e Brasil
Convém assinalarmos que o recorte sobre esses três países
foi realizado por Cunha (2010) e, nesse sentido, observamos
uma tentativa de descrição de características específicas a cada

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 49


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

um deles, que, na intenção de síntese e interesse didático, serão


apresentadas no Quadro 1 (comparando as propostas da Rússia
e da França) e, depois, rediscutidas em relação às propostas do
Brasil.

Quadro 1 Acontecimentos relacionados ao conceito de Política


Cultural na Rússia e na França.
País Ano Acontecimento Interesse/função/setor
Rússia 1917 Institui-se o Alfabetização e Educação em níveis:
Comissariado da científico, tecnológico e artístico
Instrução Popular (dramaturgia, música, literatura,
(Narkompros). espaços históricos, bibliotecas,
academias de arte plásticas e gráficas,
fotografia, cinema).
Programa de Organização do
Proletariado (Proletkult).
Programa de apresentações artísticas
ambulantes (Agitprop).
Em nível educacional: Escola Única
de Trabalho (ensino inicialmente
politécnico e gradualmente
especializado).
Reformulação do órgão em setores de:
- Educação Profissionalizante;
- Socioescolar;
- Política educacional; e
- Colegiado acadêmico.

1921 Encontro do Partido


Bolchevique que
apresentou críticas
ao Narkompros

50 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

França 1932 Secretaria de Estado - Escola Nacional Superior de


das Belas-Artes Belas-Artes;
(mais tarde, 1945,
Direção Geral das
- Conservatório Nacional de Música;
Artes e das Letras

-Escola Nacional Superior de Artes


Decorativas.

1946 Nova Constituição

Declaração expressa do Estado como


responsável pela garantia de acesso
dos cidadãos à Cultura

1959 Instalação da V Aspectos dominantes:


República Francesa
(Ministério de
- Intenção ideológica clara;
Assuntos Culturais)

- Filosofia de apoio seletivo do Estado à


criação artístico-profissional;

- Autonomia orçamentária,
administrativa e operacional.
1960 Política das Casas da
Cultura

Proposta, relativamente inovadora, em


que se procurava estimular a produção
com aposta no profissionalismo e na
alta qualidade artística.
Fonte: adaptado de Cunha (2010).

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 51


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

Pode-se perceber que cada realidade nacional caracterizou


um tipo de iniciativa governamental. Na Rússia, por exemplo,
observa-se que a cristalização da estrutura russa pelo regime
socialista estabeleceu as bases de condução de sua Política
Cultural, mantendo-se, no entanto, os princípios básicos que
delinearam o conceito, estabelecendo-se por meio de interesses
e setores burocráticos de controle das ações. As decisões, em
si, não são democráticas, mas de setores ou departamentos
institucionais ligados ao propositor (o Estado), que procura
“capacitar” seu cidadão a ocupar papéis e categorias profissionais
na estrutura do país.
Na França, por sua vez, o caráter inicial é de se pautar
pelo valor da Arte Erudita (Alta Cultura), constituindo-se,
progressivamente, pela ideia da arte como um produto de
mercado, passível de se manter por meio de sua qualidade
artística. O Estado financia, mas também estimula o
desenvolvimento de um perfil mais autossustentável para os
agentes do setor, a partir do que, a nosso ver, derivaram (na
década de 1970) apelos de “Indústria Cultural”, “Marketing
Cultural” e “Subvenção Artística”.
Se elaborarmos, pela descrição de Cunha (2010), uma lista
cronológica de eventos que fortaleceram o conceito de Política
Cultural no Brasil, obtém-se a seguinte ordem, representada
pelo Quadro 2:

52 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

Quadro 2 Acontecimentos relacionados ao fortalecimento do


conceito de Política Cultural no Brasil.
Data Acontecimento
Foi instituído o Ministério da Educação e Saúde Pública, como um dos
símbolos da Política Cultural do movimento revolucionário, composto
1930
de correntes ideológicas contrapostas: liberais, antiliberais e socialistas;
ou, ainda, tradicionalistas e modernistas.
No instituto acima mencionado, nasceram o Instituto Nacional
1937 do Livro e a Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN).
Criação do Conselho Nacional de Cultura (renomeado, em 1966,
1938
como Conselho Federal de Cultura).
Criação do Programa de Ação Cultural (PAC), que destinava créditos
para produções artísticas; e criação da Empresa Brasileira de Filmes
1969
(Embrafilme) para, inicialmente, promover a divulgação de filmes
1973
nacionais, passando, depois, a colaborar no financiamento, na
produção e na distribuição de cinema.
Criação do Conselho Nacional de Cinema (Concine), extinção do
1975 Instituto Nacional de Cinema (INC) e da Fundação Nacional de Arte
(Funarte).
Fonte: adaptado de Cunha (2010).

Nessa perspectiva, Cunha (2010), utilizando um


pronunciamento datado de 1982 (creditado a Mário Brockmann
Machado, ex-diretor da Funarte e ex-subsecretário do MEC),
observa uma crítica ao uso do termo Política Cultural naquele
contexto, sobretudo pela falta de interação entre os órgãos
e o baixo valor dos investimentos. O autor ainda destaca duas
características na atuação das agências de fomento do setor: um
clientelismo “cristalizado” (sem atenção aos interesses e perfis
de seus “clientes”); e um assistencialismo que apoiava projetos
de pouca possibilidade de desenvolver autossuficiência.
Cunha (2010) elabora, a partir dessas considerações,
reflexões a respeito: das formas de participação e representação

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 53


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

dos grupos interessados nos processos decisórios; das formas de


articulação de ações levando em conta as distâncias regionais
e estaduais; da maneira de equacionar os recursos frente à
diversidade de manifestações; de, no que concerne ao apoio, se
ele deveria priorizar os projetos, programas ou instituições; de se
o estabelecimento de agências de fomento seria mais produtivo
que a construção de espaços físicos; e, por último, de se haveria
maior risco de descontinuidade pelo apoio apenas a eventos e
não a processos de educação artístico-intelectual.
Voltando à lista de acontecimentos fortalecedores do
conceito e da aplicação de Políticas Culturais:
• 1985: no contexto da nova República (pós-ditadura), a área
cultural ganha maior autonomia político-administrativa;
• 1986: é editada a Lei do Fundo de Promoção Cultural; e
• 1991: reordenação dos mecanismos de incentivo no
Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com
a criação de três grupos de apoio (Fundo Nacional de
Cultura – FNC –, Fundos de Investimento Cultural e
Artístico e Incentivos a Projetos Culturais).
Com as leituras propostas no Tópico 3.1, você poderá
complementar essa visão dos quadros históricos em que o
desenvolvimento do conceito de Política Cultural se deu. Antes de
prosseguir para o próximo assunto, realize as leituras indicadas,
procurando redimensionar o conteúdo estudado.

2.2. FINANCIAMENTO DA CULTURA

Tendo como tema a Lei do Fundo de Promoção Cultural,


citada na seção anterior, observamos que, segundo Cunha (2010,
p. 90), essa lei tinha como objetivo:

54 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

[...] instituir formas de captação de recursos financeiros e de


financiamentos de atividades, lançando mão de abatimento
tributário ou renúncia fiscal, modelo sujeito a variadas críticas
de naturezas técnica e política.

Num seminário realizado em 8 e 9 de maio de 1997, no


Museu de Arte Moderna, em São Paulo, que resultou na obra
composta pelos registros textuais organizados por Franceschi et
al. (1998), são feitas várias considerações ainda atuais a respeito
do tema das leis de incentivos fiscais à Cultura.
No primeiro texto, de autoria de Faria (1998), é feita uma
avaliação bastante pertinente a respeito das leis de incentivo em
alguns municípios (os principais, citados pelo autor, são os de
Belo Horizonte, São José dos Campos e Vitória) e seus impactos
no plano municipal geral:
• Positivos: pelo esforço em atender às exigências dessas
leis, decorrem uma melhor qualificação dos produtos
culturais e, também, um estímulo ao debate cultural,
consequentemente, uma atenção mais acentuada dos
grupos de interesse à estrutura social que alicerça as
ações em prol da cultura; e
• Problemáticos: pouco conhecimento da lei e do
jargão especializado nela utilizado; e exigência de que
o empresário que obtenha isenção por incentivar a
Produção Cultural abra totalmente suas contas para
averiguação (sem uma necessária transparência dos
critérios de investigação).
Outra questão é que, segundo Faria (1998), a aplicação
da lei é pouco eficiente. “[...] para os produtores culturais
e comunitários, [há] uma dificuldade de financiar a arte
experimental e os projetos de formação.” (p. 79), o que significa

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 55


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

dizer que muitos dos projetos não são acessíveis “[...] à grande
parte da população.” (p. 79), permitindo-se o acesso a esses
recursos por grupos com perfil empresarial, resultando em
ganhos privados por meio desse capital público.
Um problema adjacente, mas de grande gravidade, é,
segundo o autor, a cristalização da ideia de que Política Cultural
se reduz a aplicar recursos financeiros em Projetos Culturais.
Ainda que isso seja uma etapa essencial do processo, não é sua
única prerrogativa.
Pensar uma Política Cultural é planejar ações visando a
um objetivo resultante do investimento financeiro – e não se
fala aqui em “retorno” financeiro (como se o fenômeno cultural
passasse por uma metamorfose que o transformasse em um
produto de troca mercadológica), mas de um resultante que
espelhe a dinamização das ações, impactando positivamente
a coletividade (produtores e agentes culturais, empresas,
população) em torno de sua própria cultura, fortalecendo-a e
enriquecendo-a.
Faria (1998) finaliza sua fala propondo algumas ações às
Políticas Culturais, transcritas aqui de maneira simplificada:
1) Investimento direto do Estado, promovendo o debate
sobre o “valor estratégico” da Cultura na vida nacional; 2)
Fortalecimento dos Fundos de Projetos Culturais, inclusive em
nível municipal, com chamamentos de participação/debate a
toda comunidade cultural; 3) Estímulo do envolvimento das
comunidades culturais – sociedade civil em nível municipal,
estadual e federal – abertas a discussões sobre o tema.
A quarta proposta, preenchimento de algumas lacunas na
lei, nas palavras de Faria (1998), seria efetivada pela inclusão
de critérios de avaliação dos projetos, critérios tais como:

56 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

“[...] geração de emprego e renda, valorização de cidadania


do município, grau de aderência, vocações e potencialidades
municipais [...]” (p. 83).
Nota-se nessa proposição o entendimento de que a Política
Cultural não se atém à verificação de rentabilidade monetária
do projeto em curto prazo, mas também em médio e longo
prazo, produzindo uma infraestrutura própria, nascida de um
enraizamento da ação na própria Identidade Cultural de cada
comunidade.
As leituras indicadas no Tópico 3.2 tratam do tema
do Financiamento e das Leis de Incentivo à Cultura. Neste
momento, você deve realizar essas leituras para aprofundar o
tema abordado.

2.3. LEI ROUANET

No tocante a esse tema, e preferindo não entrar na


questão jurídica, selecionamos o texto de Roberto Muylaert
(1994), apresentado na última parte da obra Marketing Cultural:
Comunicação Dirigida. Para falar sobre a Lei em si, notamos que
controvérsias incidem sobre a honestidade de seus investimentos,
sobretudo por uma série de situações que antecedem sua
criação e estão mais relacionadas com o ambiente político do
que, propriamente, com a Lei.
Não entraremos nessas controvérsias, e fazemos uso do
texto de Muylaert (1994) em razão de ele ser apenas descritivo,
explicando um pouco do jargão envolvido na Lei, assim como sua
estrutura e alguns mecanismos do qual faz uso. Tal descrição foi
assim organizada:

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 57


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

1) Informação dos mecanismos de que faz uso o Programa


Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), em que a Lei
está alocada (de onde vêm seus recursos): Fundo
Nacional da Cultura (FNC); Fundo de Investimento
Cultural e Artístico (FICART); e Incentivo a Projetos
Culturais.
2) Definições básicas de termos usados no contexto da
Lei, tais como: Beneficiários, Doação, Incentivadores,
Mecenato, Patrimônio Cultural, Patrocínio, Pessoas
Físicas e Jurídicas de Natureza Cultural, Produção
Cultural Independente (em diversas áreas), Projetos
Culturais, Segmentos Culturais (em diversas
modalidades).
3) Forma de operacionalização dos recursos, que se dá
(na época da obra) por meio de:
4) [...] financiamentos, a fundo perdido ou reembolsáveis
[...] através de mecenato, isto é, de doações ou
patrocínios de pessoas físicas ou jurídicas – que
terão em contrapartida benefícios fiscais – a projetos
culturais que obtenham aprovação prévia da Comissão
Nacional de Incentivo à Cultura (CNCI) [...]. (MUYLAERT,
1994, p. 284, grifos do autor).
5) Tipo de clientela, composta por uma série de
modalidades, categorias e condições de execução,
apresentadas pelo Quadro 3:

58 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

Quadro 3 Tipos de clientela em relação aos tipos de atendimentos


promovidos pela Lei Rouanet.
Atendimento tipo
Clientela: composição
FNC Mecenato
Pessoas Físicas: Sem reembolso: Doações ou patrocínios
Artistas, produtores Bolsa de estudo, de a pessoas físicas ou
culturais, pesquisadores e trabalho ou de pesquisa, jurídicas; projetos
técnicos da área cultural. passagens e ajuda de culturais previamente
custo. aprovados pela CNIC.
Instituições Públicas: Sem reembolso de até Não procede.
Órgãos oficiais da 80% do valor do projeto na
administração direta, forma de auxílios.
assim como autarquias
e fundações do governo.
Instituições Privadas Sem reembolso de até Doações ou patrocínios
(sem fins lucrativos): 80% do valor do projeto a pessoas físicas ou
Fundações, institutos, na forma de subvenções jurídicas; projetos
museus, arquivos, sociais. culturais previamente
bibliotecas, teatros etc. aprovados pela CNIC.
Inscritas no CNSS do Obs.: nesse caso, o
Ministério da Ação Social registro no CNSS pode
e que apresentem projeto ser substituído pela
cultural ao MEC. declaração de Utilidade
Pública Federal, Estadual
ou Municipal.
Instituições Privadas Financiamentos Doações ou patrocínios
(com fins lucrativos): reembolsáveis por meio a pessoas físicas ou
Empresas que da Caixa Econômica jurídicas; projetos
apresentem projeto Federal, com as condições culturais previamente
cultural. de financiamento aprovados pela CNIC.
definidas de acordo com
as necessidades de cada
segmento cultural.
Notas: Siglas: FNC (Fundo Nacional da Cultura); CNIC (Comissão Nacional de Incentivo à
Cultura); CNSS (Conselho Nacional do Serviço Social); MEC (Ministério da Cultura). Fonte:
adaptado de Muylaert (1994, p. 284-286).

1) Equiparações dos projetos em relação aos planos


anuais conforme seu caráter de Sociedade Civil

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 59


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

(com finalidade de dar apoio a instituições culturais


oficiais do Governo Federal) ou de Instituição
Cultural (com reconhecimento, pelo CNIC, dos
serviços prestados à cultura nacional).
2) Benefícios fiscais no Imposto de Renda, com
as diversas modulações desses benefícios
estabelecidos a partir de opções de exercício do
incentivo (em favor do próprio contribuinte ou de
outros).
3) Descrição dos destinos/forma da aplicação dos
Fundos de Investimento Cultural e Artístico
(FICART), ou seja, perfis dos projetos (produção
comercial, ações arquitetônicas, outras) e condição
de uso (contratação, participação em projeto,
aquisição de direitos autorais).
4) Respectivamente, limite de deduções fiscais
autorizadas, montante global do recurso e suas
fontes.
5) Respectivamente, pela previsão de estímulos por
instituições financeiras e legislação básica a que se
refere a Lei.
Obviamente, esses tópicos não pretendem discutir
profundamente tais condições – inclusive em razão da data de
sua escrita –, no entanto, problematizam as bases principais
pelas quais a Lei Rouanet se orientou.
Botelho (1998), por exemplo, salienta que a mencionada
lei foi sancionada para substituir a Lei Sarney, de 1986. Segundo
a autora:
Na intenção de corrigir os erros da lei anterior – acusada de
facilitar fraudes –, a nova lei de incentivos fiscais, em seu

60 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

primeiro momento, chamou mais atenção por seu peso e


dificuldade do que por seu sucesso. (p. 98).

Em nota posterior, Botelho (1998, p. 101) informa que


os cuidados decorrentes da experiência anterior forçaram a
exigência de: “[...] aprovação prévia por parte de uma comissão
do Ministério da Cultura composta por representantes de
associações de classe e de seus próprios órgãos específicos.”,
ocasionando demora na tomada de decisão e “complicação”
burocrática.
Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas no
Tópico 4, você deve fazer as leituras propostas no Tópico 3.3.
para conhecer e compreender o mecanismo da Lei Rouanet.

Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––––


Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar.
• Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone
Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível
de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo
(Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a
lista de vídeos.
• Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e
selecione: Ação Cultural – Vídeos Complementares – Complementar
2
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR


O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição
necessária e indispensável para você compreender integralmente
os conteúdos apresentados nesta unidade.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 61


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

3.1. POLÍTICA CULTURAL NO MUNDO E NO BRASIL


As questões relacionadas ao desenvolvimento da noção de
Política Cultural, do ponto de vista histórico, são aprofundadas
nos textos sugeridos para leitura complementar ao tópico 2.1.
desta unidade.
• CALABRE, L. História das políticas culturais na América
Latina: um estudo comparativo de Brasil, Argentina,
México e Colômbia. Escritos, v. 7, n. 7, 2013. Disponível
em:<http://www.casaruibarbosa.gov.br/escritos/
numero07/escritos%207_12_historia%20das%20
politicas%20culturais.pdf>. Acesso em: 16 ago. 2017.
• FURTADO, C. Que somos? In: FURTADO, C. Ensaios sobre
a cultura e o Ministério da Cultura. FURTADO, Rosa Freire
D’Aguiar (Org.). Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.
Disponível em:<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.
php/2110422/mod_resource/content/1/Celso%20
Furtado.pdf>. Acesso em: 14 ago. 2017.
• TOLILA, P. Cultura e desenvolvimento: como a
cultura contribui para a economia. In: TOLILA,
P. Cultura e economia. São Paulo: Iluminuras,
2007. Disponível em:<https://edisciplinas.usp.br/
pluginfile.php/1725085/mod_resource/content/1/
TOLILA%2C%20Paul%20-%20Como%20a%20
economia%20chega%20%C3%A0%20cultura.pdf>.
Acesso em: 14 ago. 2017. [p.75-80].

3.2. FINANCIAMENTO DA CULTURA


Os textos apresentados a seguir ilustram um pouco as
questões relacionadas ao tema do Financiamento da Cultura,

62 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

amplificando a consideração de tais questões no âmbito dos


espaços urbanos, com a apresentação de uma listagem de leis
categorizadas segundo os Estados que as criaram, no Brasil.
• LOPES, A. C. L. Impactos do investimento público em
difusão audiovisual na configuração do espaço urba-
no paulistano: um ensaio metodológico para avaliação
de políticas culturais. Revista do Centro de Pesquisa e
Formação, n. 1, p. 19-36, nov., 2015. Disponível em:
<https://www.sescsp.org.br/online/artigo/9717_
ANA+CAROLINA+LOUBACK+LOPES>. Acesso em: 16
ago. 2017.
• MOUTINHO, C. Breve análise das políticas públicas cul-
turais para o teatro em Portugal e no Brasil: uma visão
da atuação nas cidades do Porto e São Paulo. Revista do
Centro de Pesquisa e Formação, n. 3, p. 169-185, nov.,
2016. Disponível em: <https://www.sescsp.org.br/onli-
ne/artigo/10680_CARINA+MOUTINHO>. Acesso em: 16
ago. 2017.
• SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA. Departamento Na-
cional. Estudos das leis de incentivo à cultura. Brasília:
SESI; DN, 2007. Disponível em: <http://www.sesipr.org.
br/cultura/uploadAddress/4._estudo_das_leis_de_
incentivo_a_cultura[59199].pdf>. Acesso em: 16 ago.
2017.

3.3. LEI ROUANET


A Lei Rouanet é apresentada por meio dos textos listados
a seguir, com ênfase no primeiro, que estabelece instruções
normativas para funcionamento/aplicação da lei no contexto de
2017.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 63


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

• BRASIL. Ministério da Cultura. Lei Rouanet: instrução


normativa 1/2017. Ministério da Cultura. 2017.
Disponível em: <http://rouanet.cultura.gov.br/
legislacao/>. Acesso em: 18 ago. 2017.
• BRASIL. Ministério da Cultura. Programa nacional de
apoio à cultura: orientações básicas. Brasília: MEC;
PRONAC, [s.d.]. Disponível em: <http://www.dhnet.org.
br/tecidocultural/curso_acc/3/03_lei_rouanet.pdf>.
Acesso em: 16 ago. 2017.
• BRASIL. Ministério da Cultura. Sistema de Apoio às
Leis de Incentivo à Cultura. Tutorial 1: novo cadastro
e primeiros passos da nova proposta. Brasília: MEC;
SALIC, Disponível em: <http://rouanet.cultura.gov.br/>.
Acesso em: 16 ago. 2017.

4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em
responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos
estudados para sanar as suas dúvidas.
1) Levando em conta o sentido lato atribuído ao conceito de Política Cultural
por Cunha (2010), qual das alternativas abaixo pertence à definição de
“exercício da ação”?
a) a) Interesse e conciliação.
b) b) Cuidados mútuos entre os agentes culturais.
c) c) Princípios, regras e métodos.
d) d) Recurso monetário e projeto.

2) Qual dos aspectos categorizados por Faria (1998) faz parte dos impactos
positivos das leis de incentivo no plano municipal geral?

64 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

a) A sujeição às exigências promove maior assertividade na proposição


dos projetos no tocante à economia dos grupos.
b) Pouco conhecimento da lei e do jargão especializado nela utilizado.
c) Pelo esforço em atender às exigências dessas leis, decorre uma melhor
qualificação dos produtos culturais.
d) Exigência de que o empresário que obtenha isenção por incentivar a
produção cultural abra totalmente suas contas para averiguação.

3) Qual é a observação feita por Muylaert (1994) na categoria de atendimento


por mecenato em relação à categoria de clientela Instituição Privada sem
fim lucrativo?
a) O financiamento procede de doações ou patrocínios a pessoas físicas
ou jurídicas; projetos culturais previamente aprovados pela CNIC.
b) Registro no CNSS pode ser substituído pela declaração de Utilidade
Pública Federal, Estadual ou Municipal.
c) Não procede.
d) São dirigidas a empresas.

4) Explique com suas palavras por que o financiamento de Projetos Culturais,


na opinião de Faria (1998), não é a única atividade de uma Política Cultural
efetiva do Estado.

Gabarito
Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões
autoavaliativas propostas:
1) c.
2) d.
3) b.
4) Espera-se que você consiga considerar a questão da Ação Cultural como
resultante de um planejamento a ser realizado pelo Estado em médio e
longo prazo, ultrapassando a questão do financiamento e abrangendo
outros aspectos do entorno (seja comunidade ou, mesmo, parceiros
empresariais situados no contexto socioeconômico do ambiente em
processo de intervenção).

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 65


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

5. CONSIDERAÇÕES
Esperamos que você tenha obtido habilidades para
identificar o que vem a ser uma Política Cultural efetiva, capaz
de promover os interesses tanto de produção de fenômenos e
objetos culturais quanto de desenvolvimento de comunidades e
grupos, sobretudo em seu caráter cidadão. Também esperamos
que consiga distinguir os elementos necessários para a elaboração
de Projetos Culturais, visando à utilização das leis de incentivo,
tendo, inclusive, uma noção aproximada do que consiste a Lei
Rouanet e de sua estrutura básica.
Na próxima unidade, abordaremos a questão do Sistema
de Produção Cultural e os conceitos de Propriedade Intelectual
e suas relações com os conceitos de Copyright e Copyleft nos
âmbitos jurídico e cultural.

6. E-REFERÊNCIAS
CALABRE, L. História das políticas culturais na América Latina: um estudo comparativo
de Brasil, Argentina, México e Colômbia. Escritos, v. 7, n. 7, 2013. Disponível
em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/escritos/numero07/escritos%207_12_
historia%20das%20politicas%20culturais.pdf>. Acesso em: 16 ago. 2017.
FURTADO, C. Que somos? In: FURTADO, Celso. Ensaios sobre a cultura e o Ministério
da Cultura. FURTADO, Rosa Freire D’Aguiar (Org.) Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.
Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2110422/mod_resource/
content/1/Celso%20Furtado.pdf>. Acesso em: 14 ago. 2017.
TOLILA, P. Cultura e desenvolvimento: como a cultura contribui para a economia.
In: TOLILA, P. Cultura e economia. São Paulo: Iluminuras, 2007. Disponível em:
<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1725085/mod_resource/content/1/
TOLILA%2C%20Paul%20-%20Como%20a%20economia%20chega%20%C3%A0%20
cultura.pdf>. Acesso em: 14 ago. 2017. [p. 75-80].
LOPES, A. C. L. Impactos do investimento público em difusão audiovisual na
configuração do espaço urbano paulistano: um ensaio metodológico para avaliação
de políticas culturais. Revista do Centro de Pesquisa e Formação, n. 1, p. 19-36,

66 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

nov., 2015. Disponível em: <https://www.sescsp.org.br/online/artigo/9717_


ANA+CAROLINA+LOUBACK+LOPES>. Acesso em: 16 ago. 2017.
MOUTINHO, C. Breve análise das políticas públicas culturais para o teatro em
Portugal e no Brasil: uma visão da atuação nas cidades do Porto e São Paulo. Revista
do Centro de Pesquisa e Formação, n. 3, p. 169-185, nov., 2016. Disponível em:
<https://www.sescsp.org.br/online/artigo/10680_CARINA+MOUTINHO>. Acesso
em: 16 ago. 2017.
SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA. Departamento Nacional. Estudos das leis de
incentivo à cultura. Brasília: SESI; DN, 2007. Disponível em: <http://www.sesipr.
org.br/cultura/uploadAddress/4._estudo_das_leis_de_incentivo_a_cultura[59199].
pdf>. Acesso em: 16 ago. 2017.
BRASIL. Ministério da Cultura. Lei Rouanet: instrução normativa 1/2017. Ministério
da Cultura. 2017. Disponível em: <http://rouanet.cultura.gov.br/legislacao/>.
Acesso em: 18 ago. 2017.
BRASIL. Ministério da Cultura. Programa nacional de apoio à cultura: orientações
básicas. Brasília: MEC; PRONAC, [s.d.]. Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/
tecidocultural/curso_acc/3/03_lei_rouanet.pdf>. Acesso em: 16 ago. 2017.
BRASIL. Ministério da Cultura. Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura.
Tutorial 1: novo cadastro e primeiros passos da nova proposta. Brasília: MEC;
SALIC, Disponível em: <http://rouanet.cultura.gov.br/>. Acesso em: 16 ago. 2017.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOTELHO, I. As leis de incentivos fiscais à cultura. In: FRANCESCHI, Antonio et al.
Marketing cultural: um investimento com qualidade. São Paulo: Informações Culturais,
1998. p. 91-102.
BURKE, P. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.
CUNHA, N. Cultura e ação cultural. São Paulo: Sesc SP, 2010.
FARIA, H. As leis de incentivos fiscais à cultura. In: FRANCESCHI, Antonio et al. Marketing
cultural: um investimento com qualidade. São Paulo: Informações Culturais, 1998. p.
75-83.
FRANCESCHI, A. et al. Marketing cultural: um investimento com qualidade. São Paulo:
Informações Culturais, 1998.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 67


UNIDADE 2 – POLÍTICAS CULTURAIS NO MUNDO E NO BRASIL: O FINANCIAMENTO DA CULTURA E SUAS
LEIS

MUYLAERT, R. Incentivos fiscais à cultura. In: MUYLAERT, R. Marketing cultural &


comunicação dirigida. São Paulo: Globo, 1994. p. 284-286.

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UNIDADE 3
O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A
PROPRIEDADE INTELECTUAL: COPYRIGHT
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Objetivos
• Compreender a noção de Sistema e sua relação com o Sistema de Produção
Cultural.
• Aprender a noção de Propriedade Intelectual a partir dos conceitos de
Copyright e Copyleft.
• Apresentar uma visão geral do desenvolvimento dos conceitos de Direito
Autoral.
• Possibilitar a identificação dos impactos resultantes do uso indevido do
Direito Autoral.
• Promover o reconhecimento dos impedimentos legais no uso cotidiano de
informações nos âmbitos físico e virtual.

Conteúdos
• Noções sobre Sistema e Sistemas de Produção Cultural.
• Descrição do desenvolvimento histórico e sociológico do Direito Autoral.
• Noções de Propriedade Intelectual e suas relações com os conceitos de
Copyright e Copyleft.
• Descrição sobre questões de ordem legal a respeito do Direito Autoral nos
âmbitos físico e virtual.

69
UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
COPYRIGHT E COPYLEFT

Orientações para o estudo da unidade


Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir:

1) Não se limite ao conteúdo deste material didático; busque outras


informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas
apresentadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade
EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu
crescimento intelectual.

2) Busque identificar os principais conceitos apresentados e siga a linha


gradativa dos assuntos.

3) Não deixe de recorrer aos materiais complementares descritos no


Conteúdo Digital Integrador.

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UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
COPYRIGHT E COPYLEFT

1. INTRODUÇÃO
Quando pensamos em um Sistema de Produção Cultural,
devemos considerar como elementos circundantes desse tema
a delimitação das expressões culturais como objetos resultantes
das Práticas Culturais, sem, no entanto, reduzir tais objetos à
ordem de um simples produto conceituado apenas por seu valor
econômico, ou seja, sem a observância de que, ainda que a ele
esteja, ou seja, anexado um índice monetário, tal índice não deve
predominar em detrimento de seu caráter de objeto produzido
e compartilhado na dimensão dos indivíduos e da comunidade
que nele se inscrevem como Identidades Culturais originais e,
portanto, potencial e factualmente detentoras da administração
de seu uso e circulação.
Nessa perspectiva, temas como Propriedade Intelectual,
Copyright e Copyleft surgem como assuntos relevantes, pois,
tanto na ordem de um direito natural de produção quanto na
ordem de um direito patrimonial de fruição dos derivados e
resultantes da criação de um objeto cultural (sejam tais ordens
consideradas por seu caráter moral ou econômico), são questões
que devem ser respeitadas e defendidas na estrutura social e
política.
Dessa forma, esta unidade considerará as relações de
pertinências dos temas acima mencionados (Sistema de Produção
Cultural, Propriedade Intelectual, Copyright e Copyleft) como
aspectos de que derivam considerações de várias outras noções,
que, por sua vez, deverão ser aprofundadas nos subtópicos
apresentados a seguir.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 71


UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA


O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma
sucinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão
integral, consideramos necessário o aprofundamento desses
conteúdos por meio do Conteúdo Digital Integrador.

2.1. O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE


INTELECTUAL

Para tratar do conceito de Sistema Cultural, a nosso ver,


requer-se vasculhar, rapidamente, a noção de Sistema, que será
abordada aqui pelas considerações de Morin (2015) acerca da
Teoria dos Sistemas, nascida a partir de uma reflexão de Ludwig
von Bertalanffy, na década de 1950, que se expandiu em diversos
sentidos. Segundo Morin (2015, p. 19):
[...] o campo da teoria dos sistemas é muito mais amplo, quase
universal, já que num certo sentido toda realidade conhecida,
desde o átomo até a galáxia, passando pela molécula, a célula,
o organismo e a sociedade, pode ser concebida como sistema,
isto é, associação combinatória de elementos diferentes.

A partir dessa consideração, podemos simplificar, no


interesse didático desta unidade, a ideia de Sistema como um
conjunto de outros componentes interdependentes. Se fizermos
uma analogia entre um Sistema qualquer e um Sistema biológico
(tal como o do organismo humano), podemos observar que
ambos se compõem, e se mantêm, pela combinação funcional
e eficiente dos seus vários subsistemas (sendo possível indicar
como subsistemas do Sistema biológico de um ser humano, por
exemplo, o sistema cardíaco, o sistema sanguíneo, o sistema
digestório etc.).

72 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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As considerações de Morin (2015), no entanto, amplificam


o conceito de Sistema, categorizando-o em duas modalidades:
aberto, em que “[...] há desequilíbrio no fluxo energético que
o alimenta [...]” (p. 21); e fechado, que: “[...] está em estado de
equilíbrio, ou seja, as trocas de matéria/energia com o exterior
são nulas” (p. 21).
Nessas condições, insistindo no interesse didático
desta unidade, podemos entender um Sistema Cultural como
pertencente, idealmente, à categoria de sistema aberto, pelo
qual há influência constante entre ele e o ambiente que o cerca,
assim como no interior de sua estrutura, refletindo uma interação
dinâmica e constante.
Um dos componentes interdependentes de um Sistema
Cultural, seguindo essa lógica, poderia ser concebido como
de ordem produtora, um subsistema que Coelho (2001, p. 74)
apresenta como um “sistema de produção cultural”, reconhecido
pelo funcionamento em:
[...] quatro clássicas fases: 1. a produção propriamente dita do
bem cultural; 2. sua distribuição aos pontos nos quais pode
vir a entrar em contato com seu eventual destinatário; 3. a
troca do bem (em nosso regime, sua troca por dinheiro), que o
coloca em contato direto com seu virtual usuário, (adquirente
ou consumidor); 4. a fase última, a do consumo ou uso efetivo
desse bem.

No contexto brasileiro, pode ser reconhecida a existência


desses “momentos” de produção, distribuídos em diversos
setores da Cultura (subsistemas tais como o cinematográfico,
literário, cênico etc.), que, numa tentativa de organização, podem
ser abrigados em sistemas gestores institucionais dirigidos pelo
Estado, pelo Sistema Nacional de Cultura (SNC), por Conselhos
Municipais de Cultura (CMC), entre outros; ou por associações

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UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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profissionais, Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT),


Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD), entre
outros.
Cabe salientar que o “regime” mencionado pelo autor
no item 3 da citação anterior se refere ao regime econômico
capitalista, que perpassa toda a estrutura de manutenção dessa
ordem produtiva observada. Ordem essa que confere valores e
sentidos simbólicos aos objetos produzidos nesse sistema maior
que é a Sociedade Capitalista.
Um dos resultantes dessa questão valorativa atribuída aos
objetos culturais em circulação, como produtos de interesse
monetário, é a atribuição, pelo sistema social, de direitos de
uso da forma e do conteúdo desses objetos a outros indivíduos.
Aos criadores desses objetos, considerados “proprietários
intelectuais” dessas criações, é reservado o direito de liberação,
ou não, do uso de suas obras – que, consequentemente, são
consideradas como uma “propriedade intelectual” de seu autor-
criador. Tal mecanismo é conhecido como Direito Autoral (ou
Copyright).
Com as leituras propostas no Tópico 3.1, você poderá
aprofundar essas noções de sistema e subsistemas. Antes de
prosseguir para o próximo assunto, realize as leituras indicadas,
procurando assimilar o conteúdo estudado.

2.2. COPYRIGHT

Considera-se pertinente observar que o percurso narrativo


desta seção é similar ao apresentado por Furnival, Almeida e
Silva (2015), definido como base de condução desse tema pelo

74 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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grau de sintetização que o trabalho desses autores oferece em


relação ao desenvolvimento do conceito de Copyright.
Segundo Gandelmam (2007), a história do Direito Autoral
pode ser observada, inicialmente, a partir dos seguintes períodos
e nas seguintes condições:
• Na era Clássica [e Medieval]: como um reconhecimento
de ordem moral, sem resultar, no entanto, em
remuneração (por exemplo, quem recebia pelo trabalho
(manual) de transcrição do material original eram os
copistas, e não os autores da obra).
• No século 15, a partir da invenção da imprensa por
Gutenberg: os governantes concediam os direitos de
impressão/comercialização de obras aos editores, e não
aos autores, pressupondo-se que os primeiros detinham
autorização dos autores.
Na Inglaterra, o conceito de Copyright, segundo Gandelman
(2007), nasceu da lei do Copyright Act (1709), outorgada na
regência da Rainha Ana. Por meio dessa lei, a coroa concedia um
privilégio (direito de royalties) de imprimir cópias impressas de
determinadas obras (por 21 anos, a partir do registro formal da
obra).
Na França, por sua vez, o Droit d’auter (1791) nasceu em
razão dos princípios instaurados pela Revolução Francesa (1789),
relacionando o direito do autor às ideias de manutenção de
ineditismo, paternidade e integridade de sua obra, entendendo
tais qualidades como direitos morais inalienáveis e irrenunciáveis,
classificando-os como direitos patrimoniais (transferíveis para
seus herdeiros e sucessores legais).

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UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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No Brasil, o desenvolvimento da noção de Direito Autoral


pode ser descrito a partir da seguinte ordenação de fatos:
• De 1827 a 1917: instauraram-se leis que regiam o tema
de forma inconstante, até que, em 1917, se caracteriza
o Direito Autoral como uma propriedade “literária,
científica e artística”.
• Em 1973: fez-se a revisão da maior parte da lei anterior,
mantendo-se sua caracterização como um direito
jurídico.
Pela Lei do Direito Autoral, o sujeito-autor (titular da
obra intelectual) e o objeto protegido (independentemente
do suporte físico ou veículo material pelo qual se formaliza) se
incluem numa dimensão moral a qual garante ao primeiro:
[...] o controle à menção de seu nome na divulgação de sua obra
e o respeito à sua integridade, além dos direitos de modificá-la
ou retirá-la de circulação [...] (GANDELMAN, 2007, p. 33).

No que diz respeito à dimensão patrimonial, por sua vez, a lei


“[...] visa regular as relações jurídicas da utilização econômica das
obras intelectuais” (GANDELMAN, 2007, p. 33), estabelecendo-se
por meio de princípios legislativos que consideram: as ideias na
forma de expressão; a independência do valor literário da obra; e
a originalidade como um valor situado em sua forma de expressão
e não no seu conteúdo.
Os aspectos de territorialidade e prazos de proteção
são, respectivamente, definidos como nacional (podendo ser
administrado por meio de tratados e convenções em caso de usos
no exterior) e dependente da tipologia do trabalho. Observa-
se, ainda, que o caráter legal ou ilegal de uso de uma obra está
condicionado por autorizações prévias e expressas do autor, ou
de quem detém seus direitos (herdeiros, por exemplo).

76 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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Se observarmos o Direito Autoral de uma perspectiva


territorial global, observamos que há uma série de tentativas
de se manter um grau de “reciprocidade” a respeito do tema.
O Brasil, por exemplo, buscou aderir a uma série de tratados e
convenções – de Roma, em 1965; de Berna e Genebra, em 1975; e
o Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual
Relacionados ao Comércio (TRIPS), em 1994, que incluía, entre
seus interesses, a proteção de programas de computadores.
Trazendo a questão dos Direitos Autorais para o ambiente
virtual (sobretudo da internet), podemos, primeiramente, fazer
referência a leis que visam proteger os Direitos Autorais no
ciberespaço, citando, por exemplo: Right in Sound Recordings
Act (1995) ou a Public Law 104-39. A abrangência desta última,
segundo Gandelman (2007, p. 182), propõe:
[...] direito exclusivo de execução pública (performance) para
as gravações sonoras que estão sendo executadas, por meio de
assinatura de transmissões digitais. Cria [...] novo diploma legal
[...] Copyright Act [...] que [...] abrange expressamente esse
novo direito de execução pública na transmissão digitalizada de
gravações sonoras.

Tratando especificamente da internet, podemos citar


contratos pioneiros de Sociedades Civis (no caso, norte-
americanas) que administram questões de licença e arrecadação
das criações de seus associados. Entre essas, mencionamos:
a Broadcast Music, Inc. (BMI), que propôs a licença para
transmissão (distribuição) dessas criações via internet (Internet
Computer Agreement); e a American Society of Composers,
Authors and Publishers (ASCAP), que propôs a licença de obras
musicais no ciberespaço (Experimental License Agreement for
Computer Online Services, Eletronic Bulletin Boards, Internet
Sites and Similar Operations).

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UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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As questões jurídicas levantadas em torno da internet se


dão em razão de não se poder afirmar se a internet é um meio de
comunicação impresso ou um veículo de broadcasting (caso das
emissoras de TV). Da definição dessa questão, derivariam duas
consequências legais: no primeiro caso, estabeleceria a internet
como um meio livre de censura e controle governamental;
no segundo caso, a internet ficaria sujeita a esse controle e à
autorregulação.
Alguns complicadores dessa situação são apontados por
Gandelman (2007): o primeiro é que a internet não tem dono,
ou seja, não seria possível ainda estabelecer responsabilidades
nesse âmbito; o segundo é seu princípio elementar, pois, embora
ela seja formada a partir da transformação de átomos em bits
(questão do suporte), isso não altera a legitimidade de cobrança
do Direito Autoral.
Alguns pontos ainda se encontram em discussão: a obra
transmitida é uma reprodução, uma distribuição ou ambas? A
responsabilidade é do servidor de acesso ou do indivíduo que
incorpora conteúdo e o transmite? Qual a importância dos
territórios onde se origina, onde se recepciona e onde se vende
o sinal?
Na categoria de manipulação de imagens e sons, o
princípio de plágio é o elemento fundamental de transgressão
potencial, passível de penalidade no caso de reconhecimento
total ou parcial, na obra produzida, de outra obra sem menção
de seu autor original. Segundo Gandelman (2007, p. 191), em
solo americano:
Quaisquer alterações na informação de titularidade e outros
detalhes fraudulentos e de utilização ilegal, que venham a
prejudicar os legítimos interessados, estarão sujeitos a sanções

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UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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civis e penais que podem chegar a multas de 500 mil dólares e


ou prisão de até cinco anos.

Referindo-nos à atualização de publicações sobre a internet


no Brasil, lançando mão de Kurbalija (2016, p. 230), observa-
se que: “A Lei 12.965, de 23 de abril de 2014 (o Marco Civil da
internet) contém um detalhamento excepcional sobre direitos e
deveres no âmbito da internet pelo Comitê Gestor da internet
no Brasil”.
Segundo o Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de
Direito do Rio De Janeiro, abrigado na Fundação Getúlio Vargas,
o Marco Civil da internet no Brasil:
[...] busca traçar as diretrizes, os parâmetros, as pautas que
serão detalhadas e desenvolvidas no futuro por legisladores,
governantes, magistrados, além de estudantes e pesquisadores
de temas ligados ao desenvolvimento da rede (FUNDAÇÃO...,
2012, p. 23).

São três os pilares do Marco Civil da internet; o primeiro, o


de Fundamentos, tem como base:
[...] [o] reconhecimento da escala mundial da rede; os direitos
humanos e o exercício da cidadania em meios digitais; a
pluralidade e a diversidade; a abertura e a colaboração; a
livre-iniciativa; a livre concorrência e a defesa do consumidor
(FUNDAÇÃO..., 2012, p. 23).

O segundo pilar, o de Princípios, por sua vez, tem como


base:
[...] [a] garantia da liberdade de expressão, comunicação e
manifestação de pensamento, nos termos da Constituição;
a proteção da privacidade; a proteção aos dados pessoais; a
preservação e a garantia da neutralidade da rede; a preservação
da estabilidade, segurança e funcionalidade da rede, por meio
de medidas compatíveis com os padrões internacionais e pelo
estímulo ao uso de boas práticas; a responsabilização dos

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UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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agentes de acordo com suas atividades nos termos da lei; e,


finalmente, a preservação da natureza participativa da rede.
(FUNDAÇÃO..., 2012, p. 24).

Por último, o terceiro pilar, o de Objetivos, procura efetivar:


[...] a promoção do direito de acesso à internet a todos os
cidadãos; a promoção do acesso à informação, ao conhecimento
e à participação na vida cultural e na condução dos assuntos
públicos; a promoção da inovação e o fomento à ampla difusão
de novas tecnologias e modelos de uso e acesso; e a promoção
da adesão a padrões tecnológicos abertos que permitam a
comunicação, a acessibilidade e a interoperabilidade entre
aplicações e bases de dados (FUNDAÇÃO..., 2012, p. 24).

A lei que estabelece os princípios de uso da internet no


Brasil, aprovada em 2014, apresenta em seu art. 19, parágrafo
2, o seguinte enunciado a respeito dos Direitos Autorais na rede:
A aplicação do disposto neste artigo para infrações a direitos
de autor ou a direitos conexos depende de previsão legal
específica, que deverá respeitar a liberdade de expressão e
demais garantias previstas no art. 5º da Constituição Federal
(BRASIL, 2014b, p. 1).

Na opinião de Joost Smiers (2006), o Copyright, no contexto


globalizado, tornou-se um negócio administrado por uma tendência
em fixar controle sobre bens culturais por meio de fusões que
possibilitam acesso, manipulação e “domínio” dos componentes
“autoria” e “obra”, impondo como lógica do entretenimento atual
a oferta reduzida e, consequentemente, o consumo exacerbado
de produtos-patrimônios de empresas. Segundo o autor:
A melhor forma de adquirir direitos de imensas quantidades
de entretenimento e outros materiais artísticos é por meio
de fusões. Sinergia é a base lógica para os conglomerados
abocanharem tanto material de copyright quanto possível [...]
(SMIERS, 2006, p. 92).

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UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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Nesse contexto, o mundo cultural pode ser entendido


como espaço de lutas simbólicas – um Campo, pela acepção de
Bourdieu (1989), orientado por valores simbólicos de uma cultura
dominante –, organizado a partir das demandas por direitos de
propriedade particular e atuação de advogados, mas, também,
relacionados com os determinantes dessas lutas. Um exemplo
citado por Smiers (2006) que ilustra essa tendência a disputas de
ordem legal refere-se à causa movida pelo artista Daniel Buren,
autor das fontes instaladas na monumental Place de Terreaux,
em Lyon (França): “Ele pleiteava receber copyright de todos que
fotografassem a praça” (SMIERS, 2006, p. 94).
As leituras indicadas no Tópico 3.2 tratam da questão do
Copyright e possibilitam a compreensão desse tema por outros
ângulos. Neste momento, você deve realizar essas leituras para
aprofundar o tema abordado.

2.3. COPYLEFT (SOFTWARE LIVRE)

Todo movimento exagerado em uma direção, em nível


social, repercute numa tentativa de mudança de perspectiva,
ou de “correção” de rota, buscando uma adequação do que se
considera inconciliável. Nesse sentido, em oposição ao princípio
de Copyright, nasceu o princípio de Copyleft.
A princípio, o movimento de Copyleft (Software Livre)
foi uma reação ao predomínio da Microsoft no mercado de
software de computadores, de que derivou a criação do sistema
operacional Linux, instalando um novo modelo de negócio,
baseado no princípio de Cooperativismo.
Com o desenvolvimento da ideia do Software Livre –
liberdade de produção por cooperação coletiva –, estabeleceu-

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UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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se – pela dinamização da liberdade de compartilhamento de


informação pela internet – um ambiente propício ao aparecimento
de outras formas de gerenciamento do conhecimento social;
entre alguns exemplos de softwares que se baseiam nesses
princípios, podemos citar:
1) Wikipedia: enciclopédia construída integralmente pelo
princípio de colaboração internacional, permitida, por
sua vez, pelo conceito de “licença de uso”, que dá
liberdade aos usuários visitantes de criarem novos
verbetes e revisarem os já existentes, sem intervenção
“editorial”. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/>.
Acesso em: 14 nov. 2017.
2) Revista Kuno5hin: site colaborativo sobre tecnologia
e cultura. Tanto separadamente como em suas
interações, é uma comunidade virtual movida pelo
“agrupamento” de pessoas inquietas, dispostas a
discutir o mundo e as condições de viver esse mundo
enquanto realidade mútua. Disponível em: <http://
www.kuro5hin.org/>. Acesso em: 14 nov. 2017.
3) Creative Commons: mecanismo que objetiva
desenvolver licenças para disponibilização de trabalhos
realizados por qualquer indivíduo ou entidade
interessados na liberação de uso público desses
trabalhos. Disponível em: <http://creativecommons.
org.br/>. Acesso em: 14 nov. 2017.
4) Sherpa/Romeo: é parte dos Serviços SHERPA da
University of Nottingham. Romeo tem colaborado
com outros parceiros internacionais, contribuindo
para o desenvolvimento e a manutenção do serviço.
Disponível em: <http://www.sherpa.ac.uk/index.
html>. Acesso em: 14 nov. 2017.

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No nível institucional brasileiro, o portal Software Público,


desenvolvido pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento
e Gestão (BRASIL, 2014a, p. 1), descreve o instrumento Software
Público brasileiro como:
[...] um tipo específico de software livre que atende às
necessidades de modernização da administração pública
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios e é compartilhado sem ônus no Portal
do Software Público Brasileiro, resultando na economia de
recursos públicos e constituindo um recurso benéfico para a
administração pública e para a sociedade.

Outros ambientes têm pesquisado e publicado a respeito


do tema no Brasil – espaços como o da Fundação Getúlio
Vargas do Rio de Janeiro, por exemplo –, possibilitando maior
aprofundamento dessa discussão.
Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas no
Tópico 4, você deve fazer as leituras propostas no Tópico 3.3 para
compreender melhor a questão do Copyleft e sua implicação no
trabalho bibliotecário.

Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––––


Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar.
• Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone
Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível
de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo
(Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a
lista de vídeos.
• Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e
selecione: Ação Cultural – Vídeos Complementares – Complementar
3.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 83


UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR


O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição
necessária e indispensável para você compreender integralmente
os conteúdos apresentados nesta unidade.

3.1. O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE


INTELECTUAL

Tanto a noção de Sistema de Produção Cultural quanto a


de Propriedade Intelectual serão aprofundadas neste subtópico.
Nosso objetivo com esta seleção de textos é sensibilizá-lo no
tocante aos elementos essenciais desses dois componentes, a
nosso ver, desapercebidamente entrelaçados em nosso cotidiano.
• LIMA, Marília de. Seminário de produção cultural vídeo
01: cultura e produção cultural: introdução. ECOOA
Cursos. 2017. Disponível em: <https://www.youtube.
com/watch?v=ljSPCOwjYtA>. Acesso em: 23 ago. 2017.
• O MERCADO e o negócio da indústria cultural no
Brasil. SEBRAE-SP. 2013. Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=uMiuu6PrkiM>. Acesso em: 23
ago. 2017.
• TEORIA Crítica e a indústria cultural. Rádio e TV UNESP
Bauru. 2017. Disponível em: <https://www.youtube.
com/watch?v=mLmw6JaJNlc>. Acesso em: 23 ago. 2017.

3.2. COPYRIGHT

O conceito de Copyright – sinônimo de Direito Autoral, no


Brasil – é aprofundado pelo material apresentado nesta subseção.

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Tentamos realizar uma seleção abrangente que contemplasse


questões de aplicação e de conceituação do tema, esperando
que a seleção oportunizasse uma visão mais relacionada com o
fazer bibliotecário no contexto contemporâneo.
• CRUZ, Ranielle Sauzem. A tutela dos direitos autorais
na idade mídia e a garantia da liberdade de acesso à
informação no âmbito internacional. In: CONGRESSO
INTERNACIONAL DE DIREITO E CONTEMPORANEIDADE.
1., Santa Maria. Anais... Santa Maria: Universidade
Federal de Santa Maria, 2012. Disponível em: <http://
coral.ufsm.br/congressodireito/anais/2012/9.pdf>.
Acesso em: 23 ago. 2017.
• MAGRANI, Eduardo. II Seminário Diálogos Biblioo:
Legislação de direitos autorais do Brasil. Biblioo Cultura
Informacional. 2016. Disponível em: <http://biblioo.
cartacapital.com.br/eduardo-magrani-2/>. Acesso em:
22 ago. 2017.
• ZANINI, Leonardo Estevam de Assis. A proteção
internacional do direito de autor e o embate entre
os sistemas do copyright e do droit d’auteur. Revista
Videre, v. 3, n. 5, 2011. Disponível em: <http://ojs.ufgd.
edu.br/index.php/videre/article/view/971>. Acesso
em: 23 ago. 2017.

3.3. COPYLEFT

Tal como objetivado na subseção anterior, nos mesmos


moldes, tentamos elaborar uma seleção de textos que
exemplificassem as aplicações do conceito e, em algum sentido,
aprofundassem sua dimensão teórica.

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• BENETI, Daniela. Fanfiction.net: o fenômeno da


escrita colaborativa, criatividade, storytelling e a
questão do copyright na internet. Cultura de Rede.
2009. Disponível em: <http://Culturaderede.Pbworks.
Com/W/Page/9823229/Daniela%20Beneti%20-%20
Fanfiction>. Acesso em: 22 ago. 2017.
• CORDEIRO, André. A informação que quer ser livre:
Crescem as iniciativas para tornar os artigos científicos
acessíveis a todos. Revista.br, v. 12, n. 8, p. 20-23, 2017.
Acesso em: <https://cgi.br/media/docs/publicacoes/3/
revista-br-ano-08-2017-edicao12.pdf>. Acesso em: 23
ago. 2017.
• O MENINO da internet: a história de Aaron Swartz.
Direção: Brian Knappenberger. Produção: Kickstarter,
2014. Home page. Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=uAe_9qBxwOc>. Acesso em: 23
ago. 2017.

4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em
responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos
estudados para sanar as suas dúvidas.
1) O conceito de Direito Autoral (Copyright) é, especificamente, uma das di-
mensões da:
a) a) produção científica.
b) b) produção tecnológica.
c) c) propriedade intelectual.
d) d) produção nacional.

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2) Qual dos tratados a seguir incluiu a questão dos computadores?


a) Berna.
b) Roma.
c) TRIPS.
d) Genebra.

3) O movimento Copyleft, inicialmente, foi uma reação à:


a) ideologia fundamentalista da Linux.
b) tolerância ao desenvolvimento tecnológico.
c) criação de tecnologias midiáticas.
d) predominância da Microsoft no mercado de computadores (software).

4) Tente explicar em que contexto podem ser aplicados os seguintes


questionamentos: a obra transmitida é uma reprodução, uma distribuição
ou ambas? A responsabilidade é do servidor de acesso ou do indivíduo
que incorpora conteúdo e o transmite? Qual a importância dos territórios
onde se origina, onde se recepciona e onde se vende o sinal?

Gabarito
Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões
autoavaliativas propostas:
1) c.

2) c.

3) d.

4) Espera-se que você consiga estabelecer relações entre questões


apresentadas na abordagem do ambiente virtual e alguns pontos da Lei
de Direitos Autorais relacionados ao ambiente físico, demonstrando que
prevalece uma controvérsia entre estes dois aspectos, físico e virtual.

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5. CONSIDERAÇÕES
Por meio dos pontos salientados durante esta unidade,
tentamos estabelecer alguns elementos orientadores da prática
bibliotecária em relação à questão dos objetos culturais em
circulação no Sistema de Produção Cultural no âmbito nacional,
abordando, no entanto, alguns referenciais estrangeiros.
Supomos que o tema não se esgota, de maneira nenhuma,
a partir desses recortes, mas que estes são promotores do
desenvolvimento de uma atitude responsável e criticamente
aplicada, principalmente, pela limitação e complexidade
inerente ao contexto contemporâneo, em que a internet e as TICs
proliferam sua influência na troca e disseminação de mensagens
em variados suportes.
Na próxima unidade, abordaremos a relação da biblioteca
com o tema das Políticas Culturais no Brasil, trazendo como temas
conexos a ideia de Proximidade entre Públicos, Consumo e Práticas
Culturais. Consideramos tais assuntos como desdobramentos
dos temas anteriormente desenvolvidos, cabendo, entretanto,
enfatizá-los enquanto componentes críticos na Ação Cultural do
bibliotecário.

6. E-REFERÊNCIAS
BENETI, D. Fanfiction.net: o fenômeno da escrita colaborativa, criatividade,
storytelling e a questão do copyright na internet. Cultura de Rede. 2009. Disponível
em: <http://Culturaderede.Pbworks.Com/W/Page/9823229/Daniela%20Beneti%20
-%20Fanfiction>. Acesso em: 22 ago. 2017.
BRASIL. Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. O que é o
Software Público. Portal Software Público Brasileiro. 2014a. Disponível em: <https://
softwarepublico.gov.br/social/spb/o-que-e-o-software-publico>. Acesso em: 23 ago.
2017.

88 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
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BRASIL. Presidência da República. Lei n. 12.965, de 23 de abril de 2014: estabelece


princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. Brasília:
Casa Civil, 2014b. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2014/lei/l12965.htm>. Acesso em: 27 ago. 2017.
CORDEIRO, A. A informação que quer ser livre: Crescem as iniciativas para tornar os
artigos científicos acessíveis a todos. Revista .br, v. 12, n. 8, p. 20-23, 2017. Acesso em:
<https://cgi.br/media/docs/publicacoes/3/revista-br-ano-08-2017-edicao12.pdf>.
Acesso em: 23 ago. 2017.
CRUZ, R. S. A tutela dos direitos autorais na idade mídia e a garantia da liberdade
de acesso à informação no âmbito internacional. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE
DIREITO E CONTEMPORANEIDADE. 1., Santa Maria. Anais... Santa Maria: Universidade
Federal de Santa Maria, 2012. Disponível em: <http://coral.ufsm.br/congressodireito/
anais/2012/9.pdf>. Acesso em: 23 ago. 2017.
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito
do Rio de Janeiro. Relatório de políticas de internet Brasil 2011. São Paulo: Comitê
Gestor da Internet no Brasil, 2012. Disponível em: <http://www.cgi.br/sobre-cg/index.
htm>. Acesso em: 10 nov. 2017.
FURNIVAL, A. C. M.; ALMEIDA, B. M.; SILVA, M. D. P. As Políticas de Direitos Autorais e
de Reuso Presentes nas Revistas Brasileiras de Acesso Aberto das Áreas Biológicas e de
Saúde Disponibilizadas na Plataforma Scielo-Brasil. Encontros Bibli, v. 20, n. 44, p. 25-
42, 2015. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-
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GANDELMAN, H. De Gutemberg à internet: direitos autorais das origens à era digital.
Rio de Janeiro: Editora Record, 2007. <http://www.cgi.br/media/docs/publicacoes/1/
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LIMA, M. de. Seminário de produção cultural vídeo 01: cultura e produção cultural:
introdução. ECOOA Cursos. 2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=ljSPCOwjYtA>. Acesso em: 23 ago. 2017.
MAGRANI, Eduardo. II Seminário Diálogos Biblioo: Legislação de direitos autorais do
Brasil. Biblioo Cultura Informacional. 2016. Disponível em: <http://biblioo.cartacapital.
com.br/eduardo-magrani-2/>. Acesso em: 22 ago. 2017.
O MENINO da internet: a história de Aaron Swartz. Direção: Brian Knappenberger.
Produção: Kickstarter, 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=uAe_9qBxwOc>. Acesso em: 23 ago. 2017.
O MERCADO e o negócio da indústria cultural no Brasil. SEBRAE-SP. 2013. Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=uMiuu6PrkiM>. Acesso em: 23 ago. 2017.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 89


UNIDADE 3 – O SISTEMA DE PRODUÇÃO CULTURAL E A PROPRIEDADE INTELECTUAL:
COPYRIGHT E COPYLEFT

TEORIA Crítica e a indústria cultural. Rádio e TV UNESP Bauru. 2017. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=mLmw6JaJNlc>. Acesso em: 23 ago. 2017.
ZANINI, L. E.de A. A proteção internacional do direito de autor e o embate entre os
sistemas do copyright e do droit d’auteur. Revista Videre, v. 3, n. 5, 2011. Disponível
em: <http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/videre/article/view/971>. Acesso em: 23 ago.
2017.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOURDIEU, P. O poder simbólico. Lisboa: DIFEL, 1989.
COELHO, T. O que é ação cultural. São Paulo: Brasiliense, 2001.
KURBALIJA, J. Uma introdução à governança da internet. Tradução Carolina Carvalho.
São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2016.
MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2015.
SMIERS, J. As artes sob pressão: promovendo a diversidade cultural na era da
globalização. São Paulo: Escritura Editora; Instituto Pensante, 2006. 367 p.

90 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 4
BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO
BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

Objetivos
• Apresentar as relações da biblioteca com o conceito de Política Cultural.
• Promover o conhecimento dos elementos básicos de um Projeto Cultural.
• Possibilitar o reconhecimento dos pontos de apoio do conceito de Políticas
Culturais de Proximidade em relação à Ação Cultural.
• Possibilitar a identificação das questões relacionais entre consumo e Prá-
ticas Culturais.
• Estabelecer uma noção global que permita a possibilidade de compati-
bilização entre a Ação Cultural eficiente e a complexidade sociocultural
contemporânea.

Conteúdos
• Descrição dos movimentos de aproximação entre o espaço biblioteca e o
conceito de Políticas Culturais.
• Descrição das fases e dos componentes básicos de um Projeto Cultural.
• Aprofundamento do conceito de Política Cultural de Proximidade.
• Relação entre consumo e Práticas Culturais.

Orientações para o estudo da unidade


Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir:

91
UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

1) Não se limite ao conteúdo deste material didático; busque outras


informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas,
apresentadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade
EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu
crescimento intelectual.

2) Busque identificar os principais conceitos apresentados e siga a linha


gradativa dos assuntos.

3) Não deixe de recorrer aos materiais complementares descritos no


Conteúdo Digital Integrador.

92 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

1. INTRODUÇÃO
Retomando um pouco o conceito de Sistema como um
conjunto de componentes interdependentes que se conformam
em condições de abertura (Sistema Aberto) e fechamento
(Sistema Fechado), nas considerações de Morin (2015),
compreende-se a Cultura, necessariamente, como um Sistema
Aberto, que permite trocas entre o meio que o cerca e os
próprios segmentos internos que o formam. Entendemos que
uma Política Cultural de Proximidade, no âmbito nacional, deva
ter como pauta os elementos que influenciam tais dinâmicas.
Nesse sentido, temas como Territórios (espaços de
delimitação física, virtual ou conceitual), Públicos (indivíduos,
grupos ou coletivos a que se direcionam determinada ação
e/ou mensagem) e Práticas Culturais (ações voltadas para
concretização ou desenvolvimento de determinada cultura, seja
esta local, nacional ou global) são elementos determinantes
do funcionamento, ou da prospecção para projetos de ordem
cultural.
Cerezuela (2015, p. 16) salienta, no tocante à proposição/
elaboração de um Projeto:
Seria um equívoco pensar que um bom projeto é aquele que
está tecnicamente bem formulado. O melhor dos projetos
é aquele que está bem fundamentado em suas finalidades e
seu contexto, e depois, mas só depois, está bem exposto num
documento que ajuda o redator a apresentá-lo e o leitor a
entendê-lo.

Apropriando-nos dessa premissa, compreendemos que


o aconselhamento é que, mesmo cuidando da forma, não nos
esqueçamos nunca do conteúdo, seus embasamentos e objetivos,
pois uma forma bem elaborada, mas vazia de “alma” resultaria

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 93


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

em frustração pelo uso ineficiente dos recursos, resultando em


uma situação ineficaz.
Assim, contextualizando a noção de Projeto com o objeto
Cultura, Cerezuela (2015, p. 24) define o Projeto como: “[...] a
concretização de uma vontade que, particularmente no campo
cultural, chamaremos de política cultural [...].” Com o objetivo
de enfatizar a definição que o autor dá de Política Cultural,
continuamos na mesma citação: “[...] entendendo por isso
[Política Cultural] o conjunto de valores, ideias, orientações e
diretrizes que uma organização quer desenvolver” (p. 24).
Desse modo, nos tópicos apresentados a seguir, trataremos
dessas confluências entre a execução, o meio e os objetivos da
interação, tendo como motivador de nossa discussão a obtenção
de uma solução que contemple: a harmonização entre as
questões de diversidade cultural pela busca de um consenso
entre os agentes e o espaço social da ação.

2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA


O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma
sucinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão
integral, consideramos necessário o aprofundamento desses
conteúdos pelo estudo do Conteúdo Digital Integrador,
apresentado no Tópico 3 desta unidade.

2.1. BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL

No Brasil, o pensamento a respeito da biblioteca sob o


aspecto histórico, geralmente, se elabora a partir da chegada
da família real portuguesa, no século 17. Outras abordagens,

94 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

relacionando a biblioteca com o desenvolvimento da


Biblioteconomia, indicam o movimento jesuíta (século 16).
Milanesi (1983) inclui ambos os eventos em sua narrativa sobre
o desenvolvimento da biblioteca, no capítulo dedicado ao tema
no Brasil.
De maneira precisa, pelo recorte de Política Cultural no
Brasil, em relação ao espaço biblioteca, dependendo do autor
– pela perspectiva de Cunha (2010), por exemplo, utilizado
em unidade precedente –, o conceito de Política Cultural pode
se mesclar com o conceito de Política Pública relacionada à
Cultura, possibilitando uma visão um pouco menos rigorosa do
conceito, empregado em relação às iniciativas governamentais
de financiamento da Cultura.
Nesta unidade, complementarmente, utilizaremos a visão
de Teixeira Coelho (2001), um pouco mais crítica, em que o
Investimento Financeiro, em si, é considerado uma das etapas
das Políticas Culturais, cabendo estabelecer outros componentes
do ciclo de desenvolvimento total da Cultura.
Segundo o autor:
Para existir, um bem cultural tem de ser produzido. Mas isso
não basta [...] é preciso que esse bem chegue a seu usuário
ou consumidor, e isto requer um mecanismo de distribuição
que leve o produto aos diversos pontos onde aquele usuário
ou o inevitável intermediário se localiza. Tendo-se garantido
a produção e a distribuição, ainda não se garantiu quase
nada: aquele usuário deve poder apossar-se fisicamente do
produto cultural, para o que, em nossa sociedade, precisará
de dinheiro (troca). E isto resolvido, seja porque o usuário tem
dinheiro, seja porque se encontre alguma forma substitutiva
(doação, subsídio, financiamento), para que o processo cultural
se complete é preciso que o usuário realmente use o bem,
integre-o em si, penetre nele (COELHO, 2001, p. 76).

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 95


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

Pela posição de Coelho (2001), essa gama de ações e


exigências não é contemplada pelas “Políticas Culturais”, que,
dessa maneira, deixam de ser uma política eficiente, ou melhor,
são apenas ações isoladas, incapazes de darem à Cultura – em
médio ou longo prazo – uma chance razoável de desenvolvimento
e uso “democrático” tanto do ponto de vista do artista quanto do
usuário.
Os momentos históricos da Ação Cultural, no geral, são
classificados por Coelho (2001) como de caráter Institucional
(visão patrimonialista, que dá ênfase à valorização da obra
de arte), Sociológico (pelo qual se enfoca a questão social,
valorizando sua função pedagógica) e Individualista (não
existente no Brasil, segundo o autor, é aquela que se interessa
pelo desenvolvimento do sujeito como ser autônomo).
O autor não chega a destacar o papel da biblioteca como
espaço destinado ao desenvolvimento de uma Política Cultural;
faz, no máximo, uma distinção entre a biblioteca e espaços como
Centros de Cultura/Casas de Cultura, que, em território francês,
envolvem um interesse educativo, contrastante com o interesse
cultural defendido por Coelho (2001).
Assim, vemos então que, independentemente do uso do
termo biblioteca, a lógica de atuação que o autor confere ao
Centro de Cultura francês é, de modo geral, a mesma atribuída
às bibliotecas brasileiras, ou seja, de instrução pedagógico-
educacional, sem motivação libertário-cultural, prevalecendo
uma ideia de dominação sobre o outro pela imposição de uma
“imagem” civilizatória de Cultura, desconsiderando o que esse
outro entende, ou quer entender, sobre Cultura.
Podemos perceber que a posição é semelhante à
naturalização da atribuição de um valor cultural a determinados

96 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

tipos de conhecimentos (como padrões certificados) em


detrimento de outros (como padrões destituídos de certificação),
estabelecendo valorização do indivíduo conforme o conteúdo
informacional que este detém em relação a essa escala de
valores, o que Bourdieu (1989) denominou de Capital Cultural.
Nas considerações de Coelho (2001), ainda precisamos
construir essa ideia de Política Cultural – sobretudo no Brasil
–, desvinculando-a de uma visão reducionista que a considera
como sinônimo de Política Educacional e de Produção Cultural
Mercantil. No sentido dessa desvinculação, um primeiro desafio
seria reconsiderar o conceito de Produção Cultural numa escala
mais “vital”, ou seja:
[...] romper os monopólios da produção e colocá-Ia ao alcance
efetivo do maior número de pessoas. A isto é que se poderá
chamar de “democratização da cultura” propriamente dita.
Criemos cem, mil, um milhão de produtores. Esta seria a ação
cultural por excelência, em sintonia com tendências radicais
na arte detectadas pelo menos desde o início da década de 60
(COELHO, 2001, p. 84).

O que supomos, então, como prerrogativa de uma


Política Cultural real, no âmbito da biblioteca (ou de outros
espaços semelhantes), poderia ser resumido pela consideração
desse espaço como lugar de descoberta e de exercício de
desenvolvimento criativo tanto de uma cidadania quanto de
uma subjetividade inerente a cada indivíduo, comunidade ou
grupo social.
Dessa maneira, o que propomos no tópico a seguir, é
abordar o tema do Projeto Cultural, como uma estratégia de
solidificação desse interesse.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 97


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

A ideia de projeto
Tendo como ponto de partida as ideias de Coelho (2001)
sobre como o Agente Cultural deve proceder, faremos uso da
“localização” estratégica desse elemento, que, segundo o autor:
[...] está no centro de um cruzamento ligando diversas figuras
normalmente afastadas umas das outras: a arte, o artista, a
coletividade, o indivíduo e os recursos econômicos (ou fontes
financiadoras, como o Estado ou a iniciativa privada, que não
produzem a cultura diretamente, mas detêm o poder de torná-
la realidade) (COELHO, 2001, p. 67).

Em consequência dessa carga de atribuições, tratar


da questão do projeto parece algo que ultrapassa os limites
físicos desse indivíduo, que, no entanto, lançando mão de
certa sensibilidade, disciplina e senso administrativo, poderá
produzir um Projeto Cultural tanto bem elaborado quanto bem
fundamentado.
Concentrando-nos, agora, na questão do projeto, parece-
nos até contraditório abordá-lo enquanto subtópico – dado
o valor que representa. No entanto, a ideia do projeto, ainda
que sutilmente, perpassa todo o complexo de unidades desse
trabalho, uma vez que os assuntos-temas dessas unidades são
delineados como ações ou combustíveis para uma ação efetiva,
“politicamente” estabelecida.
Falar em projeto é falar em ação planejada e, portanto,
logicamente, falar em Projeto Cultural é falar em Ação Cultural
planejada. Retomando Cerezuela (2015), todo projeto envolve o
risco, uma vez que planejar algo significa estabelecer ações que
visam ao cumprimento de objetivos futuros (sejam em curto,
médio ou longo prazo), havendo, portanto, a possibilidade de
interferências não pensadas e a alteração dos trajetos idealizados
no momento de proposição.

98 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

Todo bom projeto, nessas circunstâncias, prevê ações


se baseando em um quadro contextual realista. Todo ótimo
projeto é, nesse sentido, o projeto finalizado dentro do objetivo
estabelecido no início e, etapa por etapa, construído, executado
e realizado dentro de um período de tempo pré-estabelecido.
As etapas apresentadas por Cerezuela (2015) podem ser
sintetizadas por duas dimensões básicas:
1) Planejamento/Formulação: propõe-se o que se
pretender fazer e formaliza-se essa pretensão em um
documento dirigido a uma avaliação interna ou externa.
2) Produção/Execução: sendo validado o projeto, parte-se
para sua realização, cabendo também sua avaliação.
O autor detalha sua proposta de elaboração de Projetos
Culturais nas seguintes fases:
• Bases conceituais: vetor composto das definições de
finalidades do projeto, dinâmicas territoriais e setoriais,
enquadramento por outras propostas, origens e
antecedentes do projeto, análise interna da organização
pela qual o projeto será gerido e diagnóstico.
• Definição: em que se verificam quais são os destinatários
do projeto, os objetivos e as previsões de avaliação,
os conteúdos, as estratégias e as atividades a serem
contempladas, e o modelo de gestão a ser empregado
na execução.
• Produção: em que se apresenta um planejamento da
produção, sua estrutura organizacional e de recursos
humanos, a forma de comunicação, os requisitos tanto
técnicos quanto de infraestrutura, as questões jurídicas
envolvidas e a forma de gestão econômica e financeira.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 99


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

Com as leituras propostas no Tópico 3.1, você poderá


acompanhar as influências dos laços relacionais entre a biblioteca
e as Políticas Culturais. Antes de prosseguir para o próximo
assunto, realize as leituras indicadas, procurando assimilar o
conteúdo estudado.

2.2. POLÍTICAS CULTURAIS DE PROXIMIDADE

Uma questão intimamente relacionada à ideia de Política


Cultural, conforme já salientado, é o de Política Pública, que, se
comparada à primeira, pode levantar a seguinte distinção: uma
Política Cultural não precisa ser necessariamente “planejada”
pelo Estado, podendo ser elaborada por organizações de
ordem civil, ao passo que uma Política Pública advém, teórica
e praticamente, de uma iniciativa do Estado na ordem pública.
Nesses termos, mesmo que uma Política Pública envolva
elementos da Sociedade Civil ou do Setor Privado – em papéis
claramente definidos –, ela continua a ser uma ação política que
tem no Estado seu agente deliberador, sendo necessário que sua
iniciativa atenda aos interesses desses diversos públicos, ou que
os reflexos de sua “intervenção” atinjam os objetivos e as classes
que deles se abasteçam.
Já tocamos no ponto da grande diversidade de Identidades
e Culturas no plano social contemporâneo, considerando,
inclusive, o fenômeno da Globalização como um fator impactante
na condução de Políticas Públicas Globais em detrimento de
realidades locais. Neste subtópico, a questão a ser desenvolvida
é a de que o uso de Políticas Culturais de Proximidade entre
públicos diversificados é, essencialmente, uma questão política.
Guerreiro (2011, p 179) observa que:

100 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

Refletir sobre o patrimônio simbólico de uma sociedade não é


tarefa trivial. O conceito de cultura adotado por determinado
governo na definição de uma política de Estado refletirá
diferenciadamente na execução da política cultural a ser
executada.

Isso nos conduz para outro componente inerente à Cultura,


de grande impacto na proposição/execução de Políticas Culturais,
a diversidade, pois, segundo Coelho (2011, p. 21), caminhar para
a “diluição” das diferenças numa sociedade é descaracterizar
a Cultura, “[...] que move o indivíduo, o grupo, para longe da
indiferença, da indistinção [...]”.
Segundo Silva (2011, p. 95), os aspectos considerados
relevantes para uma Política Cultural de Proximidade são aqueles:
[...] que procuravam dar conta de algumas facetas dos
processos culturais locais, tais como: participação na vida
cultural da comunidade; intercâmbio cultural; políticas com
foco na cultura como direito; contribuição às políticas públicas;
transversalidade da cultura; e gestão compartilhada.

Tais aspectos parecem fortalecer a noção de um movimento


que solidifique o envolvimento orgânico dos indivíduos com seu
meio, desenvolvendo a ideia de uma identidade multifacetada
(capaz de se orientar tanto pelos estímulos exteriores ao seu
espaço de articulação social quanto aos apelos de sua própria
comunidade). Ou seja, o reconhecimento de uma Cultura Global
não diminui o valor de uma Cultura Local, pelo contrário (e até
contraditoriamente), fortalece a ambas.
Também se verifica uma ideia de responsabilidade mútua
entre coletividade, Estado e Instituições envolvidas no processo
de desenvolvimento dessa política, deslocando a tarefa do agente
cultural para um patamar que Coelho (2001, p. 65) considera
“coadjuvante”, pois caberia a esse agente “[...] reconhecer que na

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 101


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

ação cultural seu objetivo não é criar diretamente, mas apenas


criar as condições para que outros o façam.”
As leituras indicadas no Tópico 3.2 trazem aspectos
relativos à questão das Políticas Culturais de Proximidade. Neste
momento, você deve realizar essas leituras para aprofundar o
tema abordado.

2.3. CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

Por último (mas não menos importante), nos deparamos


com a questão do Consumo Cultural e sua relação com as Práticas
Culturais. Aborda-se primeiramente o conceito de Consumo, no
contexto da Cultura, pela concepção de Coelho (2001, p. 82), que
considera o termo mais:
[...] apropriado para designar aquilo que ocorre numa sociedade
alienada onde, por motivos fúteis e exteriores àqueles que
assim procedem, coisas são compradas e “utilizadas” de um
modo superficial.

Ele também orienta sobre a utilização do termo Uso, a ser


empregado, segundo o autor:
“[...] quando o processo por ele coberto [...] [implique] a
apropriação plena do bem pelo sujeito, na exploração de todo
seu potencial, na integração entre bem e sujeito.” (COELHO,
2001, p. 82).

Cabe salientar que ambos os conceitos são abordados por


Coelho (2001), no contexto de Ação Cultural, como resultantes
desta, e, portanto, limitados a essa condição. Ou seja, o autor
tenta ordenar um sentido menos “alienante” e mais “consciente”.
A repercussão desse controle terminológico provoca
impacto relevante na forma com que se conduziria, inclusive,

102 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

o processo de construção dessa Ação Cultural e dessa Política


Cultural, pois, na proposta de Coelho (2001), o grau de
envolvimento do indivíduo no processo de construção de uma
Cultura própria – ou reconhecimento dos principais elementos
que compõem essa Cultura – estaria relacionado com a condição
de Ator Cultural (para distinguir do papel de Agente Cultural)
ocupada pelo sujeito, grupo ou comunidade no centro da ação.
Trata-se de criar o maior número possível de oportunidades
para que o maior número possível de interessados conheça a
parte essencial da aventura cultural que é a criação, distanciada
milhões de anos-luz da experiência passiva da contemplação,
da recepção. (COELHO, 2001, p. 85)

A Prática Cultural, nesse sentido, deixa de ser uma palavra


vazia, ou situada em fenômenos localizados – e engessados. Ela
passa a ser uma realidade do próprio sujeito que a experimenta
em toda a sua potencialidade – o que não implica, segundo o
autor, a exclusão dos profissionais do sistema produtivo de
consumo artístico, mas, sim, a inclusão do leigo como produtor
também de sua realidade cultural.
As esferas de vida impactadas por essa Prática Cultural,
enquanto resultado de uma Ação Cultural eficiente, são elencadas
por Coelho (2001), e apresentadas aqui, sinteticamente como:
• Imaginação: esfera em que “[...] a consciência reflete
sobre si mesma, inventa a si mesma, se abre para as
possibilidades, libertando-se do ser e do dever ser para
aceitar o desafio do poder ser [...]” (p. 93).
• Ação: esfera em que “[...] o sujeito, ativamente pronto,
sem tensão ou distração, penetra no tempo presente e
viabiliza aquilo que sua imaginação ‘pré-sentiu’, ‘pré-
dispôs’ [...]” (p. 43).

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 103


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

• Reflexão: esfera em que é permitido “[...] fazer a si


mesmo uma proposta de continuidade de si próprio, de
sua consciência e de sua ação, numa integração com o
passado capaz de permitir-lhe o exercício teórico [...]”
(p. 94).
Assim, a finalidade e os objetivos de uma Ação Cultural
relativos a uma Cultura vivamente estabelecida se realizam pela
manutenção desse fenômeno, sem, no entanto, tentar controlá-
lo ou moldá-lo a partir de contingências próprias do Agente
Cultural. A biblioteca se encerra nessa realidade pela própria
missão de armazenar e distribuir conhecimento.
A prática cultural bibliotecária, seja esta representada
pelo agente ou pela instituição, não deve ser confundida
com a prática de sua comunidade, ou daqueles que nela
buscam respostas (ou mais questionamentos) acerca de suas
necessidades informacionais. Sua missão também não deve ser
a de impor valores a bel-prazer, ela deve se conduzir de acordo
com as necessidades de seus usuários, atendendo-os de maneira
que estes mesmos obtenham os recursos informacionais de que
estão necessitados.
Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas
no Tópico 4, você deve fazer as leituras propostas no Tópico 3.3
para compreender um pouco a mais o tema do Consumo e das
Práticas Culturais.

Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––––


Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar.
• Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone
Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível
de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo

104 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

(Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a


lista de vídeos.
• Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e
selecione: Ação Cultural – Vídeos Complementares – Complementar
4.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR


O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição
necessária e indispensável para você compreender integralmente
os conteúdos apresentados nesta unidade.

3.1. BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL

No tocante à realidade da biblioteca e à sua relação com


a Política Cultural no Brasil, foram selecionados os seguintes
textos, considerados auxiliares de uma visão mais abrangente do
tema.
• ITAÚ CULTURAL. Políticas culturais, passado e presente:
observatório (2016): episódio 6. Itaú Cultural.
2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=57WGVQAz0OY>. Acesso em: 26 ago. 2017.
• MACHADO, Elisa Campos; CALIL JUNIOR, Alberto;
ACHILLES, Daniele. Mapeamento das políticas culturais
nacionais voltadas para as bibliotecas públicas no
Brasil. Questões em Rede. In: ENCONTRO NACIONAL
DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 15., 2014,
Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014,
p. 2283-2301. Disponível em: <http://enancib2014.eci.
ufmg.br/documentos/anais/anais-gt5>. Acesso em: 26
nov. 2017.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 105


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

• SOUZA, Alison Barbosa de; SILVEIRA, Fabrício José


Nascimento da. Organização, cultura e políticas públicas:
reflexões acerca da Biblioteca do Centro Cultural Vila
Fátima. Políticas Culturais em Revista, v. 9, n. 1, 2016.
Disponível em: <https://portalseer.ufba.br/index.php/
pculturais/article/view/17297>. Acesso em: 26 ago.
2017.

3.2. POLÍTICAS CULTURAIS DE PROXIMIDADE

O conceito de Políticas Culturais de Proximidade é


estabelecido a partir de uma série de iniciativas que ultrapassam
a perspectiva de Política Pública, entrelaçando essa esfera do
Estado a uma ideia de coletividade localizada.
Assim, selecionamos a seguir alguns autores que refletem
sobre tais entrelaçamentos.
• BOLÁN, Eduardo Nivón. Políticas culturais locais: a
experiência das cidades mexicanas, os institutos locais
de cultura e as celebrações do bicentenário como tensão
entre o local, o nacional e o global. In: Módulo 2: curso
de especialização em gestão cultural. São Paulo: Itaú
Cultural, 2009. Disponível em: <https://www.youtube.
com/watch?v=-tMvcLI2Meg>. Acesso em: 26 ago. 2017.
(Parte 5/6. 148 min.).
• DE LEÓN, Jorge Fernandez. Políticas culturais locais
como motor do desenvolvimento: os processos de
descentralização e a aplicação de políticas de proximidade.
In: Módulo 1: curso de especialização em gestão cultural.
São Paulo: Itaú Cultural, 2009. Disponível em: <https://
www.youtube.com/watch?v=VBcD13Io0ME>. Acesso
em: 26 ago. 2017. (Parte 5/6. 148 min.).

106 © AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

• MATOSO, Rui. Que opções para uma política cultural


transformadora? Revista Lusófona de Estudos Cultu-
rais, v. 2, n. 2, 2014. Disponível em: <http://estudos-
culturais.com/revistalusofona/index.php/rlec/article/
view/116/112>. Acesso em: 26 ago. 2017.

3.3. CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

As ideias de Consumo e de Práticas Culturais são


amplificadas pelas abordagens de Coelho (2001). Visando
estabelecer uma contraposição eficiente, sem, necessariamente,
ser contrária às ideias desse autor, sugerimos a leitura das obras
abaixo relacionadas.
• CARASSO, Jean­Gabriel. Ação cultural, ação artística: se
há duas palavras... há duas coisas! Sala Preta, v. 12, n.
1, 2012. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/
salapreta/article/view/57543/60579>. Acesso em: 26
ago. 2017.
• COELHO, José Teixeira. Cultura, sustentabilidade e re-
configuração. In: Módulo 2: curso de especialização em
gestão cultural. São Paulo: Itaú Cultural, 2009. Dispo-
nível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Ad5-
-RvZvM7Y>. Acesso em: 26 ago. 2017. (Parte 1/6. 103
min.).
• SARAVIA, Enrique. Cultura e economia: encontros e con-
flitos. In: Módulo 2: curso de especialização em gestão
cultural. São Paulo: Itaú Cultural, 2009. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=X4Adj0OU1cc>.
Acesso em: 26 ago. 2017. (Parte 2/6. 116 min.).

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 107


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em
responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos
estudados para sanar as suas dúvidas.
1) Teixeira Coelho (2001) considera o Financiamento/Investimento na Ação
Cultural:
a) uma etapa essencial.
b) uma etapa importante, mas não única.
c) uma etapa desnecessária.
d) uma situação de exploração.

2) Um bom Projeto é, na visão de Cerezuela (2015):


a) algo bem embasado em sua finalidade e no contexto em que se insere.
b) algo que compreende várias tentativas de conversão do entorno.
c) algo que se prolonga por vários meses.
d) algo continuamente modificado.

3) Qual a principal distinção entre Política Pública e Política Cultural?


a) A primeira é proposta pelo Estado e a segunda, pela Cultura.
b) A primeira é iniciada pela Sociedade Civil e a segunda, pelo Estado.
c) Não há distinção, ambas são idênticas.
d) A primeira é proposta pelo Estado e a segunda pode também ser
proposta pela Sociedade Civil.

4) Coelho (2001) apresenta três esferas da vida impactadas pela Prática


Cultural: Imaginação, Ação e Reflexão. Baseados na descrição do autor,
mas com suas próprias palavras, tentem descrever cada uma delas.

Gabarito
Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões
autoavaliativas propostas:

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UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

1) b.

2) a.

3) d.

4) Espera-se que sejam observadas as características essenciais dos con-


ceitos a partir do que o autor descreve, que podem ser sintetizadas no
desenvolvimento de: Imaginação, pela capacidade de criar condições de
ação; Ação, pela capacidade de agir a partir das condições “imaginadas”;
e Reflexão, pela capacidade de pensar a si mesmo e promover aprofunda-
mento dessa capacidade.

5. CONSIDERAÇÕES
De uma maneira geral, esperamos que com este material
você possa ter desenvolvido, tanto pela teoria quanto pela
observação dessa teoria aplicada ao campo da Biblioteconomia,
visões mais elaboradas do que vem a ser uma Ação Cultural,
assim como dos elementos que compõem sua efetiva realização
a partir de várias perspectivas.
Ao longo das unidades, foram destacadas perspectivas de
ordem institucional, ordem sociológica e relacionadas à sociedade
civil. Nessa lógica, foram discutidas questões que abordam o
Financiamento ou o Investimento de origem estatal, as Políticas
Culturais de Proximidade e as disparidades entre importantes
conceitos, como Identidades Culturais, Comunidades e o
Consumo e Produção da Cultura.
Essas dimensões não são, e não pretendem ser, uma
“definição final” de tais questões, elas objetivam, apenas, servir
de combustível para aprofundamentos que tendem a ser cada
vez mais elaborados e, até mesmo, investigados empiricamente
(no próprio exercício profissional). Uma disciplina como a nossa

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 109


UNIDADE 4 – BIBLIOTECA E POLÍTICA CULTURAL NO BRASIL: POLÍTICAS DE PROXIMIDADE;
CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

não nos parece reduzível a conceituações e observações das


práticas teorizadas, exigindo, antes, que estas sejam aplicadas
em situações reais, e administradas de maneira em que seja
possível verificar quais as soluções e os aprendizados derivados
dessa articulação entre o que se “sabe” e o que se apreende.
Assim, agradecemos o interesse por nossas proposições
e pela seleção de autores (e ideias), dos quais nos sentimos
porta-vozes. Sabemos que, às vezes, as exigências de nosso
dia a dia nos impedem de dedicarmos o tempo necessário a
algumas fases e etapas de nosso aprendizado. No entanto, como
frisado anteriormente, nosso exercício profissional nos intimará
a revisitar os textos ora apresentados, e aí, certamente, todos
perceberemos que aprendemos mais do que achávamos ter
aprendido.

6. E-REFERÊNCIAS
BOLÁN, E. N. Políticas culturais locais: a experiência das cidades mexicanas, os
institutos locais de cultura e as celebrações do bicentenário como tensão entre o
local, o nacional e o global. In: Módulo 2: curso de especialização em gestão cultural.
São Paulo: Itaú Cultural, 2009. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=-
tMvcLI2Meg>. Acesso em: 26 ago. 2017. (Parte 5/6. 148 min.).
CARASSO, Jean­Gabriel. Ação cultural, ação artística: se há duas palavras... há duas
coisas! Sala Preta, v. 12, n. 1, 2012. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/
salapreta/article/view/57543/60579>. Acesso em: 26 ago. 2017.
COELHO, J. T. Cultura, sustentabilidade e reconfiguração. In: Módulo 2: curso de
especialização em gestão cultural. São Paulo: Itaú Cultural, 2009. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=Ad5-RvZvM7Y>. Acesso em: 26 ago. 2017.
(Parte 1/6. 103 min.).
DE LEÓN, Jorge Fernandez. Políticas culturais locais como motor do desenvolvimento:
os processos de descentralização e a aplicação de políticas de proximidade. In: Módulo
1: curso de especialização em gestão cultural. São Paulo: Itaú Cultural, 2009. Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=VBcD13Io0ME>. Acesso em: 26 ago. 2017.
(Parte 5/6. 148 min.).

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CONSUMO E PRÁTICAS CULTURAIS

GARCIA CANCLINI, N. Leitores, espectadores e internautas. Tradução de Ana Goldberger.


São Paulo: Iluminuras, 2008. Disponível em: <http://d3nv1jy4u7zmsc.cloudfront.net/
wp-content/uploads/itau_pdf/000726.pdf>. Acesso em: 12 ago. 2017.
ITAÚ CULTURAL. Políticas culturais, passado e presente: observatório (2016):
episódio 6. Itaú Cultural. 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/
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MACHADO, E. C.; CALIL JUNIOR, A.; ACHILLES, D. Mapeamento das políticas culturais
nacionais voltadas para as bibliotecas públicas no Brasil. Questões em Rede. In:
ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 15., 2014, Belo
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SARAVIA, E. Cultura e economia: encontros e conflitos. In: Módulo 2: curso de
especialização em gestão cultural. São Paulo: Itaú Cultural, 2009. Disponível em:
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7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEREZUELA, D. R. Planejamento e avaliação de projetos culturais: da ideia à ação.
Tradução de Marcela Ferreira Zaccari. São Paulo: SESC-SP, 2015.
COELHO, T. O que é ação cultural. São Paulo: Brasiliense, 2001.
GUERREIRO, J. Política cultural de inserção social? In: BARBOSA, F.; CALABRE, L. Pontos
de cultura: olhares sobre o Programa Cultura Viva. Brasília: Ipea, 2011.
MILANESE, L. O que é biblioteca. São Paulo: Brasiliense, 1983.

© AÇÃO CULTURAL: PROJETOS CULTURAIS E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO 111


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MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2015.


SILVA, L. S. Indicadores para políticas culturais de proximidade: o caso Prêmio Cultura
Viva. In: BARBOSA, F.; CALABRE, L. Pontos de cultura: olhares sobre o Programa Cultura
Viva. Brasília: Ipea, 2011.

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