- maior liberdade de estruturação sintática, tanto no que se refere ao caráter local (unidade
sintática), quanto ao global (a nível de inter-relacionamento de tópicos);
- maior uso de elementos contextualizadores;
- maior frequência de marcadores conversacionais;
- maior ocorrência de expressões generalizadoras.
- menor liberdade de estruturação sintática, tanto no que se refere ao caráter local (unidade
sintática), quanto ao global (a nível de inter-relacionamento de tópicos);
- Concretude x generalização.
→ Concordância
→ Pontuação
→ Ortografia e vocabulário
1
Retirado e adaptado de: ANDRADE, Maria Lúcia. Língua falada e língua escrita: como se processa a construção
textual. http://www.fflch.usp.br/dlcv/lport/pdf/maluv013.pdf.
Passagem da fala para a escrita
Oh: eu tenho uma prima cara que ela foi pra Cancun... aí ela foi ela e uma amiga dela que é
mergulhadora... aí:: elas tavam/foram num rio que é tipo uma correnteza assim... né? Aquele lá que
é cheio de coRAL no no fundo... cheio de peixes legal pra ver sabe? Aí:: alugu MÁScara alugou pé
de pato meu? Que sem pé de pato ela ia cortar os pés lá tudo... aí:: aí:: ela foi lá no rio... E foi
mergulhar lá com a mulher só que ela não sabe nem nadar... aí chegou lá no rio e se DESESPEROU
né meu? E ela começou a agarrar na outra mulher lá! E não podia mergulhar porque ela tava
segurando nela... foi a maior CONFUSÃO... aí:: pra elas pra elas saírem... chegou uma hora lá
que... lá que era tipo assim... era o lugar mais fundo que tinha pra mergulhar né? Aí:: a mulher não
podia mergulhar por causa da minha prima... daí ela falou “eh::vou mergulhar né?...” “cês segurem
aí em algum lugar” tinha um monte de pedra assim... “cês que segurem aí vou lá mergulhar” ela
falou “ah então vai que eu fico aqui seguro/eu me seguro aqui na/no coral aqui na pedra né?”... aí
ela foi lá... a mulher mergulhou daí não voltava né? Ela ficou IMPACIENTE aí:: tava passando
outra mulher... acho que também não sabia nadar... só tinha VELHO ninguém sabia nadar com o
snorkel né meu? Aí... ela se agarrou n cara quase se afogou todo mundo... e pra ela pra ela chegar no
lugar onde ela tinha que sair ela tinha que atravessar o rio inteiro... porque o ônibus ficava
esperando do outro lado... maior CONFUSÃO cara...
Construção do parágrafo
Coesão
Fala
→ Repetições
Ex.: “Ele já ia à escola da manhã quando eu comecei, quando eu comecei a trabalhar...
comecei a trabalhar há dois anos, só antes eu não trabalhava...”
→ Paráfrase
Ex.: “L1: Mesmo porque aí que vai procurar ajuda, né?”
“L2: Vai procurar terapia, né?”
→ Coesão sequencial
Ex.: “L1: e daí o entusiasmo para nove filhos...”
“L2: exatamente nove ou dez...”
“L3: e dão muito trabalho, tem esses problemas de juventude.”
→ Marcadores conversacionais
1) marcador simples: agora, então, aí;
2) marcador composto: aí depois, quer dizer;
3) marcador oracional: eu acho que;
4) marcador prosódico: entonação, pausa, hesitação.
Tópico discursivo
Fala
→ Sentido construído enquanto se fala;
→ Pode estar não no texto, mas no contexto situacional;
Destinatário
→ Meta
→ Coerência
→ Coesão
→ Economia
→ Continuidade e informatividade
→ Não contradição
→ Imprevisibilidade
1- Textos produzidos por G.G.A., 13 anos, aluno da 7a. série do primeiro grau de uma escola
particular, da cidade de São Paulo, em 1993:
2a - Texto produzido por A. A., 26 anos, estudante do 4o. ano do curso de Letras
da USP, em 199:
Inf.- vou fazer o resumo ahn... de um livro ou melhor de uma peça... que eu li ahn...
recentemente é uma das peças de que eu mais gostei ahn:: foi escrita pelo Lauro Cesar Muniz é e::
encenada entre 1972 a primeira versão dela é de 1972 e a segunda versão é de 1979 é:: a peça
chama-se Sinal de Vida é. Nessa peça a peça, é, retrata ela ela retrata toda a angústia da personagem
principal que se chama Marcelo que é um jornalista de origem pequeno burguesa né? e:: foi
militante da::do:: partido comunista nesse período de exceção né? da DITADURA militar de 1964 a
1985 e:: a peça retrata e:: toda a toda a angústia né? passada por esse por esse personagem por esse
jornalista que é Marcelo como eu já disse Marcelo Estradas o nome dele e:: essa angústia e:: deriva
de ela deriva de uma... de um... do desaparecimento de uma ex- companheira dele ex- companheira
e:: amante porque é::que ele a levou a ingressar no partido comunista né?.... né? então... essa
companheira so::some ele tem a motícia de que ela e:: ela foi MORTA foi metraLHAda e:: mas ele
ele fica na dúvida ele não teve teve foi uma notícia ele recebeu por uma pessoa e:: algum tempo
depois recebeu outras por outras vias né? notícias que não:: não:: se casavam essas notícias elas se
desencontravam e o que ele então e:: sempre fica nessa dúvida é:: de que essa ex- companheira de::
nome Verônica e:: havia ou não morrido... então é:: o tempo da narrativa é o tempo dessa narrativa
ele se estende durante toda a noite que é nessa noite que ele ele fica diante dessa angústia de ter
levado essa pessoa a ingressar e:: dentro de uma atividade ilegal e:: e na qual ele na qual houve esse
desfecho né? então e:: me perdi e:: na verdade o que se passa é isso e:: eu não sei se valeria a pena
aqui te contar a história toda né? de de como ele a conheceu e:: as outras personagens secundárias
que entram nessa peça... mas uma coisa que e:: que eu achei que ficou bastante... que me chamou
bastante atenção foi ao final da peça quando ele ele o Marcelo né?... a personagem principal e::
durante todo esse questionamento essa procura né? A procura dessa finalização dessa dessa angústia
né? ele então na peça ele vira-se para o palco né? e e pergunta né? "onde está Verônica?" e:: depois
que eu li assim num primeiro momento eu não havia refletido sobre o teor dessa dessa questão
dessa pergunta dele "onde está Verônica? onde está Verônica?" que ele fala por duas se não me
engano por duas ou mais vezes e::... aí que eu me dei conta depois de porque eu li essa peça foi
trabalhando né? como cê sabe eu trabalho como revisor de textos então você está atento sim claro
lógico atento ao conteúdo né? toda a semântica né? toda a semântica toda a sintaxe mas com uma
preocupação maior né? que é a ortografia é dessa forma principalmente né? melhorar a sintaxe mas
depois que eu parei para refletir sobre essa frase o que quer dizer "onde está Verônica? Onde está
Verônica?" na verdade era um apelo haja vista que essa peça foi encenada durante a ditadura militar
de 70 como eu disse logo no começo a primeira versão é de 1972 e a segunda versão modificada em
1979 então quando da encenação dessa peça em 79 né? é até aí já havia ah:: já havia sido noticiado
o desaparecimento de todas essas pessoas ligadas ah:: contra... essa contra a ideologia né? da do
movimento do do golpe de 64 então essa frase "onde está Verônica? onde está Verônica?" soou pra
mim como e:: a pergunta ao clamor do autor né? que se manifesta por meio da personagem né?
perguntando né? onde está? o que significa Verônica? Verônica era toda aquela força toda aquela
juventude de um autor era toda a juventude de toda a juventude ah:: era toda aquela ânsia aquela
busca de mudança então Verônica ele ta/tava ah::ah Verônica simbolizava a vontade de mudança
então o que me soou foi issoquando o autor pergunta "onde está Verônica? onde está Verônica?" ele
está perguntando por todo mundo onde... onde está a esperança?
1- eliminação de:
a- marcadores conversacionais: "né?"; "daí::"; "aí"; "assim"; "essas coisas assim"; "então";
"e::"; "ah::"; entre outros.
c- repetição: "fizeram mais templos fizeram templos mais luxuosos"; "passada por esse por
esse personagem por esse jornalista".
d- correção: "assim fizeram... tinham mais crenças"; "vou fazer o resumo ahn... de um livro
ou melhor de uma peça"; "nessa peça a peça é:: retrata".
2- inclusão de:
a- pontuação: vírgula, dois pontos, ponto e vírgula, travessões, parênteses e ponto final.
b- introdução de substituição do referente por pro-forma ou elipse: "os olmecas, que fizeram
suas pirâmides, seus templos onde fica hoje"; "Marcelo faz uma revisão de tudo o que aconteceu
entre ambos, procurando de algum modo".
c- uso de expressões nominais definidas para evitar a repetição do referente: "os toltecas,
povo que deu origem"; "a notícia da morte (...) nesse trágico desfecho"; "é o símbolo de luta pelos
ideais (...) é o grito de protesto".
e- encadeamento sintático adequado ao resgate sucinto das idéias: "Toda essa civilização
milenar foi destruída pelos espanhóis, que invadiram suas terras e acabaram com muito do que
encontraram"; "(...) Verônica, cujo engajamento político se deu por meio de sua influência".
f- supressão de trechos em que ocorrem digressões: "e:: me perdi e::"; "como cê sabe eu
trabalho como revisor de textos (...)".
As operações realizadas pelos informantes durante a atividade de produção textual podem ser
sintetizadas no seguinte quadro:
5a. operação: tratamento estilístico com seleção do léxico e da estrutura sintática, num
percurso do menos para o mais formal.
2. APRENDA A LER EM PÚBLICO
Reinaldo Polito - 03/09/2007
Muitas pessoas acham que ler em público é simples, já que basta transmitir o texto que está
pronto no papel. Posso garantir, entretanto, que a leitura se constitui na técnica mais difícil e
complexa para o orador comunicar uma mensagem. Ao longo dos últimos 30 anos, tenho treinado
pessoas das mais diferentes atividades para falar com desembaraço e confiança diante da plateia.
Essa experiência me permitiu constatar que é muito raro encontrar alguém que saiba ler em
público de maneira correta e eficiente. A maioria não se dá conta de como deverá se dedicar para ter
o domínio total da técnica da leitura. A não ser que você já tenha alguma experiência, precisará de
pelo menos cinco horas de exercícios para desenvolver uma leitura de boa qualidade.
Ao pesquisar os motivos que levam as pessoas a ter tanta dificuldade com essa técnica de
comunicação, entre as causas mais relevantes pude observar duas que se destacam:
A primeira é que a maioria teve poucas chances de ler em público. Se você pensar bem, vai
concluir que falamos de improviso desde o primeiro ano de vida. Entretanto, as chances de ler em
voz alta diante de um grupo de ouvintes são bem mais reduzidas. Alguns passam a vida toda sem
nenhuma oportunidade de ler em público.
A outra causa é que além de, normalmente, as pessoas não terem experiência suficiente para
ler em público, quando precisam recorrer a esse recurso de comunicação se apresentam sem
critérios técnicos adequados.
Embora a técnica seja complexa e exija treinamento, as orientações que você deve seguir para
aprender a ler bem em público são bastante simples. Cuidado - comece agora mesmo a se aprimorar
na leitura em público. Se você esperar o momento em que tenha necessidade de ler, talvez a
circunstância impeça que se prepare de forma conveniente. Observe quais os pontos mais
importantes para tornar a leitura em público eficiente:
Tenha em mente que a mensagem deve ser transmitida para os ouvintes. Por isso, não fique
olhando para o texto o tempo todo, como se estivesse conversando com o papel. Durante as pausas
prolongadas e nos finais de frases, olhe para os ouvintes e demonstre com essa atitude que as
informações estão sendo transmitidas para eles.
Cuidado também para não olhar sempre para as mesmas pessoas. Distribua a comunicação
visual olhando ora para um lado, ora para outro. Assim, todos se sentirão incluídos no ambiente.
Uma boa dica para você não se perder, enquanto olha para os ouvintes, é marcar a linha de
leitura com o dedo polegar, pois ao voltar para o texto saberá exatamente onde parou. Outro defeito
que aparece com frequência é o de tirar os olhos do texto, mas em vez de olhar para os ouvintes o
orador olha para o teto, revirando os olhos como se estivesse em transe.
Se você deixar o papel muito baixo, terá dificuldade para enxergar o texto. Se, entretanto,
deixar muito alto, esconderá seu rosto da plateia. Por isso, procure deixar a folha na parte superior
do peito, para ler com mais facilidade e não se esconder do público.
Considere também que, se o papel estiver muito baixo, você terá que abaixar muito a cabeça
para ler e levará muito tempo para retornar, olhar e ver as pessoas. Deixando a folha na parte
superior do peito, bastará levantar um pouco a cabeça para tirar os olhos do texto e já estará
mantendo a comunicação visual com os ouvintes.
Falando em não abaixar a cabeça, ao digitar o texto procure usar apenas os dois terços
superiores da página, deixando o terço inferior em branco. Esse cuidado permitirá um contato visual
mais tranquilo e suave, já que para ver as pessoas bastará apenas levantar os olhos, sem movimentar
muito a cabeça.
Se a gesticulação na fala de improviso, sem papel nas mãos, deve ser moderada, na leitura,
essa moderação dos gestos deve ser ainda maior. Exceto nos casos em que a mensagem exigir
expressão corporal mais ativa, como nas circunstâncias de grande emoção, ao ler uma página, de
maneira geral, você poderá se limitar a meia dúzia de gestos.
É melhor que você faça poucos gestos, que destaquem as informações mais relevantes com
convicção e firmeza, do que demonstrar hesitação e insegurança soltando repetidamente a mão do
papel e retornando depressa, como se estivesse arrependido de ter feito aquele gesto.
Como a falta dos gestos não trará tanto prejuízo ao resultado da apresentação, se você for
muito inexperiente e encontrar dificuldade para gesticular, será melhor que não gesticule. Fique o
tempo todo segurando a folha com as duas mãos.
Aqui você poderia perguntar: mas, Polito, se a falta do gesto não prejudica tanto o resultado
da leitura, por que gesticular? A falta do gesto não prejudica a apresentação a ponto de comprometer
o objetivo da mensagem, mas é evidente que gestos harmoniosos, coerentes e expressivos serão
importantes para tornar a leitura ainda mais eficiente. Em outras palavras. A gesticulação na leitura
é boa. Mas, enquanto você não souber gesticular, é melhor não correr riscos.
Faça marcações
Observe que essas marcações não coincidirão necessariamente com a pontuação gramatical.
Por exemplo, nessa frase que você acabou de ler, se você fizesse uma pausa depois da palavra
"marcações", poderia dar mais expressividade à leitura.
E se você tremer?
Até oradores muito experientes chegam a temer quando precisam ler diante do público. Se
você também costuma sentir tremores nas mãos, uma boa saída é usar folhas de gramatura mais
encorpada. Somente pelo fato de saber que, com as folhas mais grossas os pequenos tremores não
serão percebidos, você irá se comportar com mais tranquilidade e, provavelmente, não tremerá.
Você não pode ter preguiça para treinar. Para exercitar, selecione textos de jornais ou de
revistas, faça marcações para ajudar na interpretação e treine com auxílio de uma câmera de vídeo –
na falta desse equipamento, faça os exercícios na frente de um espelho. Dê atenção especial às
pausas expressivas, à comunicação visual e aos gestos.
Um texto para ser bem lido e interpretado necessita de pelo menos quinze ensaios, pois
somente aí é que conseguirá soltar-se do papel com tranquilidade e se comunicar de forma eficiente
com os ouvintes. Não se esqueça, entretanto, de que para você ter domínio total da técnica precisará
daquelas cinco horas que comentei no início.
Cuidado também para não ensaiar muito a ponto de decorar a mensagem e se esquecer de
olhar para o papel. Se este fato ocorrer, diante da plateia, pelo menos finja que está lendo.
3. A IMPORTÂNCIA DO PARÁGRAFO
Os responsáveis pelas áreas de seleção das principais empresas do Brasil são unânimes em
apontar uma falha grave na formação dos profissionais brasileiros: a falta de cultura. A crítica vale
tanto para jovens trainees quanto para executivos que já ocupam cargos de liderança. Falta
conhecimento de história, geografia, pintura, música e literatura. Esse defeito pode definir sua
próxima contratação ou promoção: as empresas precisam de gente culta. Por quê? Porque é o nível
cultural que melhora a capacidade de diagnóstico, de entender rapidamente contextos complexos e
de fazer julgamentos. Não é à toa que as escolas de administração europeias (que nos últimos anos
lideram os rankings internacionais) oferecem cada vez mais cursos que discutem pintura, prosa e
poesia, neurologia, filosofia, antropologia e história.
A origem do problema está nos cursos de graduação, que despendem muito tempo ensinando
técnicas e práticas de gestão, modelos de análise e decisão e novas técnicas de marketing e de
finanças. Nada de cultura. É como se o aspecto cultural fosse menos importante. Os executivos mais
experientes já sentiram o drama e correram para sanar o desvio de formação. É o que explica o
sucesso da Casa do Saber, que oferece no Rio de Janeiro e em São Paulo uma extensa lista de
cursos de humanidades, da psicanálise à geopolítica, com alta frequência de homens de negócios.
Nestes dias em que estamos tentando decifrar uma das mais complexas crises econômicas dos
últimos 50 anos, são muito importantes outros pontos de vista, outros modelos, mas estes só vão
aparecer se os profissionais tiverem um olhar mais amplo. Acontece que o desenvolvimento cultural
é um projeto individual: você precisa estabelecer seu plano e algumas metas. Minha sugestão: ler
um livro por quinzena, assistir a um filme por quinzena, ir a um concerto por mês, fazer uma visita
a um museu a cada dois meses, fazer um curso sobre filosofia a cada três meses. Seu papo vai ficar
melhor. Cultura é um grande diferencial competitivo. Ou você pensa que só falar inglês vai fazer a
diferença?
Luiz Carlos Cabrera – professor da Eaesp-FGV,
diretor da PMC Consultores e membro da Amrop Hever Group. Revista Você S.A.
http://vocesa.abril.com.br/edicoes-impressas/0135.shtml (adaptado).
Estrutura do parágrafo
Em linhas gerais, o parágrafo é composto do tópico frasal, também chamado de tópico de
parágrafo, e dos períodos que o explicitam.
O tópico frasal introduz o argumento central do parágrafo, aquele que tem o potencial de
gerar desdobramentos. É uma afirmação ou negação que leva o leitor a esperar mais do texto —
explicações, provas, detalhes ou exemplos. Também pode aparecer em forma de pergunta, que, além
de estabelecer uma relação com o leitor, “encaminha” as sentenças seguintes do parágrafo. Aqui
trabalharemos com o tópico no início do parágrafo, embora ele possa aparecer em outras posições.
Os outros períodos do parágrafo demonstram a afirmação ou negação que se fez no início, ou
procuram responder à pergunta inicial, ou refletir sobre o questionamento feito. De qualquer forma,
é imprescindível que todos os demais períodos do parágrafo estejam relacionados ao tópico. Veja
oexemplo no texto acima.
Exercícios:
1- Roteiro de leitura: inicialmente, iremos determinar os argumentos principais de cada parágrafo e
suas relações com os demais, a fim de compreender como o texto se organiza. Preencha as lacunas
construindo um discurso próprio — isto é, use suas palavras, mas mantenha o sentido original:
2- Construção de parágrafos: agora, você vai elaborar dois parágrafos para apresentar sua opinião
sobre o texto (dizendo se você concorda ou não com o ponto de vista apresentado). No entanto,
você não usará “eu”, mas construirá o texto na terceira pessoa. Observe as orientações sobre o
conteúdo de cada parágrafo e as sugestões de organização.
1º parágrafo: apresente, em um tópico de parágrafo e mais três períodos, um resumo do texto. Aqui
deve entrar apenas o ponto de vista do autor. Sugestões para a organização:
Segundo Luiz Carlos Cabrera, no artigo...., uma das maiores deficiências dos jovens profissionais
brasileiros é..... (acrescente mais três períodos que apresentem as principais justificativas e os
desdobramentos desse argumento.)
OU
Uma das maiores deficiências dos jovens profissionais brasileiros é..... É o que defende Luiz Carlos
Cabrera, em seu artigo..... (acrescente mais três períodos que apresentem as principais
justificativas e os desdobramentos desse argumento.)
2º parágrafo: aqui você vai apresentar a sua opinião sobre o ponto de vista apresentado no artigo.
Você deve começar o parágrafo “costurando-o” com o anterior e, depois, deve elaborar mais duas
ou três sentenças. Veja alguns exemplos:
A FAVOR: Esse ponto de vista é bastante lúcido, porque/já que..... De fato, .... Além disso, .....
OU
Essa avaliação do problema é bastante adequada. Afinal...
CONTRA: Essa posição diante do problema não se justifica porque.... OU
Embora tenha seus méritos, essa visão é contestável. O caso é que...
Bibliografia:
ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. 11ª ed São Paulo: Ática. 2001;
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Oficina de texto. Petrópolis: Vozes, 2003. 319 p. (p. 208-221 –
adaptado).
FIGUEIREDO, Luiz Carlos. A redação pelo parágrafo. S/ed. Brasília: Editora UnB. 1999.
Colaboração: prof. Alexandre Batista.
4. COESÃO TEXTUAL 2
A coesão textual se refere aos mecanismos que tecem as relações de sentido no interior de um texto
e que o definem como tal. A coesão ocorre quando algum elemento do discurso depende da
interpretação de outro.
Perífrase ou antonomásia – figura de estilo que consiste na substituição de uma palavra por uma
expressão mais longa e com o mesmo significado.
- O Rio de Janeiro é uma das cidades mais importantes do Brasil. A cidade maravilhosa é
conhecida mundialmente por suas belezas naturais.
- A moça foi declarar-se culpada do crime. Essa declaração, entretanto, não foi aceita pelo
juiz responsável pelo caso.
- Os automóveis colocados à venda durante a exposição não obtiveram muito sucesso. Isso
ocorreu porque os carros não estavam em destaque no evento.
Repetição vocabular – ainda que não seja o ideal, algumas vezes há a necessidade de repetir uma
palavra.
- A fome é uma mazela social que vem se agravando no mundo moderno. São vários os
fatores causadores desse problema, por isso a fome tem sido uma preocupação constante dos
governantes mundiais.
Termo síntese – usa-se, eventualmente, um termo que faz uma espécie de resumo de vários outros
termos precedentes, como uma retomada.
2
Retirado e adaptado de: http://www.graudez.com.br/redacao/coesao.html
Pronomes – todos os tipos de pronomes podem funcionar como recurso de referência a termos ou
expressões anteriormente empregados.
- A teoria da administração científica foi desenvolvida entre 1870 e 1930. Ela constitui
um marco na história da administração.
- Paulo vendeu as ações da empresa. Depois que seus sócios começaram a se desentender,
ele preferiu sair da sociedade.
- O estado é regido por leis. Algumas são constitutivas do próprio Estado e formam, assim, a
Constituição.
- O governo adotou medidas cujas consequências são ainda imprevisíveis.
- Li o livro do qual você me falou.
- As hipóteses egocentristas da Idade Média estavam todas equivocadas. Giordano Bruno,
entre outros, demonstrou que tais hipóteses eram todas falsas.
- Há uma grande diferença entre Paulo e Maurício. Este guarda rancor de todos, enquanto
aquele tende a perdoar.
- Realizara todos os seus desejos, menos este: o de entrar para a Academia.
- Vitaminas fazem bem à saúde. Mas não devemos tomá-las ao acaso.
- Foram divulgados dois avisos: o primeiro era para os alunos e o segundo cabia à
administração do colégio. / Mário e João comemoravam a vitória do time do bairro, mas os
dois lamentaram não serem aceitos no time campeão.
Advérbios – expressões adverbiais como aqui, ali, lá, acolá, aí servem como referência espacial para
personagens e leitor.
- Ele não podia deixar de visitar o Corcovado. Lá demorou mais de duas horas admirando as
belezas do Rio.
Elipse – omissão de um termo ou expressão que pode ser facilmente depreendida em seu sentido
pelas referências do contexto.
- O bandido disparou um tiro. O tiro acertou uma mulher que passava despreocupada pela
calçada.
Exercícios
Parecia uma miragem, mas o pescador africano Tomé Tavares, 59 anos, distinguiu no
horizonte a silhueta de uma embarcação. Fazia 48 dias que o pescador africano Tomé Tavares e o
sobrinho do pescador africano Tomé Tavares, chamado Eusébio, de 23 anos, estavam à deriva no
Oceano Atlântico, a bordo de um pequeno barco danificado (o nome do barco danificado que estava
à deriva no Oceano Atlântico com o pescador africano Tomé Tavares e o sobrinho do pescador
africano Tomé Tavares de nome Eusébio era Celina), alimentando-se de carne de peixe e tomando
água da chuva. Quando o pescador africano Tomé Tavares distinguiu no horizonte a silhueta de uma
embarcação, o pescador africano Tomé Tavares reuniu as forças que restavam ao pescador africano
Tomé Tavares e o pescador africano Tomé Tavares deu um grito de socorro.
Material sugerido pela profª Patrícia Neves. Exercícios 3 e 4 extraídos de:
http://loucospormatematicaunibh.blogspot.com/2008/09/2.html
Todos ficam sempre atentos quando se fala de mais um casamento de Elizabeth Taylor. Casadoura
inveterada, Elizabeth Taylor já está em seu oitavo casamento. Agora, diferentemente das vezes
anteriores, o casamento de Elizabeth Taylor foi com um homem do povo que Elizabeth Taylor
encontrou numa clínica para tratamento de alcoólatras, onde ela também estava. Com toda pompa, o
casamento foi realizado na casa do cantor Michael Jackson e a imprensa ficou proibida de assistir
ao casamento de Elizabeth Taylor com um homem do povo. Ninguém sabe se será o último
casamento de Elizabeth Taylor.
3- Para cada frase abaixo, redija uma segunda, utilizando o recurso de coesão sugerido entre
parênteses.
_________________________________________________(sinônimo ou quase-sinônimo)
__________________________________________________________________(epíteto)
___________________________________________________(pronomes demonstrativos)
_______________________________________________________(advérbio pronominal)
____________________________________________________________(nominalização)
4. a) Leia o texto abaixo, e tente torná-lo claro e coeso, a partir das estratégias que você
aprendeu em sala de aula.
b) Em seguida, faça um resumo dos pontos principais.
O plágio acadêmico se configura quando um aluno retira, seja de livros ou da Internet, ideias,
conceitos ou frases de outro autor (que as formulou e as publicou), sem lhe dar o devido crédito,
sem citá-lo como fonte de pesquisa.
Trata-se de uma violação dos direitos autorais de outrem. Isso tem implicações cíveis e penais.
E o “desconhecimento da lei” não serve de desculpa, pois a lei é pública e explícita.
Na universidade, o que se espera dos alunos é que estes se capacitem tanto técnica como
teoricamente. Que sejam capazes de refletir sobre sua profissão, a partir da leitura e compreensão
dos autores da sua área. Faz parte da formação dos alunos que estes sejam capazes de articular as
ideias desses autores de referência com as suas próprias ideias.
Para isto, é fundamental que os alunos explicitem, em seus trabalhos acadêmicos, exatamente
o que estão usando desses autores, e o que eles mesmos estão propondo. Ser capaz de tais
articulações intelectuais, por tanto, torna-se critério básico para as avaliações feitas pelos
professores.
Segundo o professor Lécio Ramos, citado por Garschagen (2006), podemos listar pelo me nos
3 tipos de plágio:
Integral
Parcial: que ocorre quando o trabalho é um “mosaico” formado por cópias de parágrafos e
frases de autores diversos, sem mencionar suas obras.
Vamos imaginar que, por solicitação do professor, alguns alunos “fizeram” artigos
acadêmicos sobre os chamados “tempos pós-modernos”. É uma situação hipotética, não ocorreu de
fato, mas nos ajudará a entender como se configura o plágio e como evitá-lo. Suponhamos,
primeiramente, que eles “escreveram” assim:
Tudo muito bonito, mas acontece que, além de o professor conhecer muito bem o estilo de
escrita do aluno - e saber se ele escreve tão bem ou não – o texto é o típico exemplo de plágio
parcial, porque os parágrafos são copiados na íntegra, sem citação, de obras de Bauman, Lipovetsky
e Severiano, respectivamente.
Mesmo citando as fontes ainda assim a forma de escrever é incorreta, pois o pesquisador, ou
seja, o aluno, não deve apenas fazer um levantamento de trechos de autores
(“colcha de retalhos”), mas sim, criar um texto diferente baseado nas ideias dos mesmos,
explicando o que eles quiseram dizer com exemplos esclarecedores, entre outros complementos.
3
Retirado da “Nem tudo o que parece é: entenda o que é plágio”
Dessa forma, é incorreto, por exemplo, colocar, em vários parágrafos sucessivos, literalmente
o texto deles (entre aspas, portanto), ou mudando apenas uma ou outra palavra. Abaixo, uma versão
incorreta, mesmo tendo as fontes citadas (as palavras alteradas estão em negrito).
Conceitual: a utilização da ideia do autor escrevendo de outra forma, porém, novamente, sem
citar a fonte original.
Agora vamos imaginar que este aluno mudou um pouco ou bastante este texto, ou seja,
parafraseou as citações, mas, na intenção ou não de fazer a ideia parecer genuinamente sua,
novamente não colocou as referências. Suponhamos que o texto ficou assim:
Sem dúvida, o texto ficou escrito de forma diferente à dos autores retratada anteriormente,
porém continua sendo a ideia deles a presente aqui, sendo necessário, da mesma forma, citar as
fontes. Do modo como está acima, temos novamente uma situação de plágio, dessa vez em sua
versão conceitual.
É simples: basta escrever com suas próprias palavras de modo a explicar todas as citações,
apresentar as fontes no próprio texto, e, se necessário, incluir as citações diretas (texto literal do
autor utilizado) à medida que o trabalho vai sendo desenvolvido.
6. PARÁFRASE4
Caracterização geral
Há operações sintáticas que “preservam o sentido”. O uso dessas operações torna-se então um
recurso para construir frases sinônimas.
Material linguístico
A paráfrase tem em muitos casos um fundamento sintático: passamos de uma sentença à sua
paráfrase usando as mesmas palavras (ou palavras da mesma família) e mudando apenas a
construção. Os exemplos mais célebres de operação sintática que resulta em paráfrase são:
✓ a formação da voz passiva: Cabral descobriu o Brasil ≈ O Brasil foi descoberto por Cabral;
✓ a nominalização: A justiça ordenou a entrega imediata da criança aos pais ≈ A justiça ordenou
que a criança fosse entregue imediatamente aos pais;
✓ a substituição de uma forma verbal finita por uma forma verbal infinita: Aos 30 anos, ficaria mal
eu pedir dinheiro a meu pai ≈ Aos 30 anos pegaria mal que eu pedisse/se eu pedisse dinheiro a meu
pai. ≈ Aos 30 anos, pegaria mal eu pedir dinheiro a meus pais;
✓ alçamento de certos verbos: Para a maionese endurecer, é preciso que a vasilha esteja
absolutamente seca ≈ Para que a maionese endureça, a vasilha precisa estar absolutamente seca;
✓ a substituição de verbos por advérbios e vice-versa (aparentemente: parecer; possivelmente:
poder; necessariamente: precisar; geralmente: costumar etc.): Os ensaios da banda são feitos
habitualmente na noite da quarta-feira ≈ Os ensaios da banda costumam ser feitos na noite de
quarta-feira.
Exercícios
4
Retirado de: ILARI, Rodolfo. Introdução à semântica – brincando com a gramática / Rodolfo Ilari. – São Paulo:
Contexto, 2001.
7. RESUMO 5
CONCEITO
Resumo é a apresentação concisa dos pontos mais importantes de um texto. Sua característica
principal é a fidelidade às ideias do autor. A interpretação deve ficar em nível de objetividade e a
estrutura implica um plano lógico, orgânico, capaz de revelar o fio condutor traçado pelo autor:
introdução, desenvolvimento e conclusão. O resumo deve ter, ainda, um cunho pessoal que permita
mostrar os conceitos fundamentais do texto a partir da assimilação individual de quem o redige.
EXTENSÃO
a) para notas e comunicações breves, os resumos devem ter até 100 palavras;
b) para monografias e artigos, até 250 palavras;
c) para relatórios e teses, até 500 palavras.
ESTILO E ESTRUTURA
O estilo do resumo deve ser conciso, mas não uma enumeração de tópicos. Deve-se dar
preferência ao uso da 3ª pessoa do singular e do verbo na voz ativa.
PROPOSTAS DE TRABALHO
1) Refaça os resumos já propostos anteriormente, atentando agora para outros aspectos como a
coesão e a paráfrase.
5
Adaptado de: MARTINS, Dileta Silveira & ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português instrumental de acordo com as
atuais normas da ABNT. Porto Alegre: Editora Sagra Luzzatto, 2003.
7. COMO TORNAR A LINGUAGEM MAIS COMPREENSÍVEL 6
1 Frases curtas
O uso da frase curta apoia-se no fato de que é mais fácil assimilar uma ideia por vez. Os
períodos recheados de orações subordinadas, em geral contém muitas ideias, tornando-se
complexos e de difícil entendimento. Frequentemente, frases com 10 a 15 palavras são as de
decodificação mais simples.
Sempre que possível, é preferível transformar uma frase longa em várias unidades menores.
Frases curtas possibilitam rápida compreensão. Terminada sua leitura, é provável que o leitor já as
tenha assimilado. Assim, quando passar à seguinte, já estará pronto para novas informações. Isto,
porém, não quer dizer que frases curtas reproduzem por si mesmas rápido entendimento.
Exemplos:
"A expectativa de expansão da demanda e dos reajustes nos preços do biodiesel, aliada às ações
da Brasil Ecodiesel para tentar ganhar produtividade e reduzir custos, farão de 2008 um 'mundo
diferente' para a companhia." (Gazeta mercantil, 10 de agosto de 2007)
Contamos hoje com a expectativa de expansão da demanda e dos reajustes nos preços do biodiesel.
Essa conjuntura, aliada às ações da Brasil Ecodiesel para tentar ganhar produtividade e reduzir
custos, fará de 2008 um "mundo diferente" para a companhia.
"Os Estados Unidos perderam 36.000 empregos em fevereiro, mais que o registrado em janeiro,
com uma taxa de desemprego de 9,7%, segundo o relatório oficial divulgado nesta sexta-feira,
apontando melhores resultados que os previstos por analistas." (Revista Veja, 5 de março de
2010)
Um relatório oficial sobre o desemprego nos EUA foi divulgado nesta sexta-feira, apontando
melhores resultados do que os previstos por analistas. Os Estados Unidos perderam 36.000
empregos em fevereiro, mais que o registrado em janeiro. A taxa de desemprego é de 9,7%.
Nos últimos meses, grandes custos sociais arcados pelos trabalhadores, alvos de demissões em
massa e da flexibilização dos direitos trabalhistas, são justificados para sanar a perda de lucro e
do poder concorrencial de empresas. (Le Monde Diplomatique, 6 de março de 2010)
Nos últimos meses, grandes custos sociais arcados pelos trabalhadores são justificados para sanar a
perda de lucro e do poder concorrencial de empresas. Eles são alvos de demissões em massa e da
flexibilização dos direitos trabalhistas.
6
Retirado e adaptado de: MEDEIROS, João Bosco. Redação empresarial. São Paulo: Editora Atlas, 2009.
7
Retirado de: curso de português jurídico.
dos Estados Unidos e Canadá, ficará surpreso com o tamanho dos períodos e dos parágrafos. Eles
são exageradamente concisos. Podemos encontrar um meio-termo.
Quase sempre o período longo mistura pensamentos. Sem perceber, o autor acaba por tratar de
diversos assuntos diferentes e sem continuidade. Observe exemplo de uma redação para concurso
público com essa falha:
Quando paramos para pensar sobre quem foi o responsável por todas as mazelas que sofremos
nos últimos anos no Brasil, gerando desordem na área da saúde e da educação principalmente e
poucos resultados eficientes na área do crescimento, aquele que permitiu que toda esperança se
perdesse e fosse por água abaixo, deixando escapar uma oportunidade para o Brasil ocupar um
assento permanente na ONU e em diversas representações internacionais
Texto bom é objetivo e claro. O período curto facilita o entendimento rápido por parte do
leitor. O texto a seguir foi editorial do jornal Correio Braziliense. Observe a separação das ideias
nos períodos.
2 Voz ativa
A utilização de verbos na voz ativa proporciona ao texto leveza, movimento, vigor e clareza,
além de emprestar-lhe maior exatidão. Em textos científicos ou didáticos, a preferência ainda é pela
voz passiva, particularmente quando o sujeito é o autor. Acredita-se que tal forma transmite certa
neutralidade e impessoalidade à mensagem.
A voz passiva, no entanto, tem contra si o fato de que é construída com auxiliares ser e estar,
que dão ao texto monotonia. A voz passiva desvitaliza a mensagem e dificulta ao leitor a rápida
assimilação de ideias.
As frases passivas exigem maior número de palavras, desfiguram textos, enfraquecem verbos.
3 Vocabulário
Evite o uso de palavras técnicas e abstratas. A utilização de palavras técnicas em
desconformidade com as possibilidades do receptor prejudica a compreensão do texto. O emissor
deve, portanto, atentar para um vocabulário acessível ao receptor, bem como ao uso de uma
linguagem própria à área de atuação da empresa ou do cliente.
3.2 Generalização
4 Economia verbal
De modo geral, os relatórios e as cartas comerciais são prolixos e podem ser reduzidos; são
extensos porque não se determinou previamente o objetivo da mensagem. Por isso, é preciso afastar
ideias secundárias ou sem interesse para o objetivo que se tem em vista.
Com frequência, diz-se que um texto está bom quando há organização do pensamento, as
ideias são relevantes, não há repetições, o texto é claro e compreensível. Por fim, o tamanho ideal
de um texto é determinado pela adequação à necessidade.
Recomenda-se reescrever um texto até que ele alcance a precisão e a clareza necessária para
atingir o objetivo previamente determinado. Ao término do rascunho, verifica-se a possibilidade de
eliminar palavras, de substituir outras, de cortar as que nada acrescentam e são desnecessárias.
Observe o exemplo a seguir:
Prolixo Conciso
Agradecemos imensamente sua carta Agradecemos seu interesse em publicar
e seu interesse em publicar conosco conosco sua obra. Essa Editora não está
seus maravilhosos trabalhos. Nossa investindo em novas publicações no
diretriz editorial, contudo, está sendo momento, embora reconheçamos que
gerida pelas atuais e catastróficas sua obra foi elaborada com apuro
dificuldades por que atravessa o país, científico. Obrigado por nos ter
não podendo, por isso, a empresa oferecido seu texto.
investir em novos e atraentes títulos Atenciosamente,
no presente momento. Confúcio de Oliveira
Fossem outras as condições do
momento, certamente teríamos a
maior satisfação em publicar sua
insigne obra. Com nossos melhores
agradecimentos pela oferta,
manifestamos ao ensejo as expressões
de nossa elevada consideração e
apreço.
Confúcio de Oliveira
5. Vagueza8
No dia 12 de junho de 2000, os cadernos de esporte dos principais jornais do Brasil dedicaram
reportagens de página inteira ao tenista Gustavo Kuerten, o Guga, que, na véspera, havia vencido o
torneio de Roland Garros, tornando-se com isso o primeiro tenista na chamada “corrida dos
campeões”. Como de hábito, essas reportagens eram anunciadas na primeira página por textos mais
breves. Veja estas passagens transcritas do jornal O Estado de S. Paulo, e faça em seguida os
comentários pedidos.
Paris – Com banho de champanhe em plena quadra central, Gustavo Kuerten foi coroado
como “roi de France”, ao conquistar o bicampeonato de Roland Garros, o Aberto da França, com
uma impressionante vitória sobre o sueco Magnus Norman por 3 sets a 1, parciais de 6/2, 6/3, 2/6 e
7/6 (8/6). Com a emocionante vitória, Guga subiu ao topo do ranking da corrida dos campeões da
Associação do Tenistas Profissionais (ATP) e, pela primeira vez na história, um brasileiro realiza a
façanha de assumir a posição de número 1 do tênis mundial.
“Realizei novamente um grande sonho”, celebrou Guga. “Mais uma vez meu nome entra para
a história, agora como bicampeão de Roland Garros.” A conquista valeu ao brasileiro 200 pontos
para a lista da corrida dos campeões que, assim, destronou Magnus Norman da posição de número
1. O título também rende ao tenista a condição de um dos maiores ídolos do esporte brasileiro,
numa modalidade que ele mesmo conseguiu popularizar, atraindo o interesse do grande público.
8
ILARI, Rodolfo. Introdução à semântica – brincando com a gramática / Rodolfo Ilari. – São Paulo: Contexto, 2001.
Majestade – “Não me sinto um grande ídolo”, comentou Guga. “Mas fico feliz por levar
alegria a muita gente a cada torneio que conquisto.” Em Paris, Guga mostrou o seu lado
carismático. Muitos brasileiros vieram especialmente para vê-lo em ação em Roland Garros. Em
sua última edição, o boletim oficial da competição estampou “Kuerten, roi de France” revesti do de
majestade a façanha do brasileiro na quadra...
[primeira página]
Com uma emocionante vitória sobre o sueco Magnus Norman por 3 sets a 1, parciais de 6/2,
6/3, 2/6 e 7/6 (8/6) Gustavo Kuerten, o Guga, conquistou ontem o bicampeonato de Roland Garros,
o Aberto da França, tomou um banho de champanhe em plena quadra central e foi coroado como
“roi de France”. Guga subiu ao topo do ranking da corrida dos campeões da ATP e, pela primeira
vez na história, um brasileiro realiza a façanha de assumir a posição de número 1 do tênis mundial.
“Não me sinto um grande ídolo”, disse. “Mas fico feliz por levar alegria a muita gente a cada
torneio que conquisto.” Muitos brasileiros foram a Paris para ver Guga jogar. O Presidente FHC
mandou telegrama ao atleta: “Caro Guga: Parabéns. Você continua nos enchendo de orgulho”.
Agora Guga sonha com uma medalha nas Olimpíadas de Sidney, em setembro.
a) O texto do Caderno de Esportes trata do mesmo acontecimento, mas é bem mais longo. O
que o torna mais longo?
b) Qual dos dois textos nos dá o melhor perfil do novo campeão?
c) Qual dos dois textos nos dá o melhor conjunto de informações objetivas sobre a vitória de
Guga?
d) Compare os dois textos, e avalie, globalmente, qual dos dois é mais “informativo” (entenda
“informativo” como uma relação custo/benefício: o texto informativo é aquele que nos permite
saber mais coisas que antes não sabíamos, com um uso menor de espaço).
8. ERROS RECORRENTES 9
Você
Exercício
Márcia querida,
Você nem imagina o que tenho para lhe contar! Depois de alguns meses, resolvi seguir os
conselhos de uma grande amiga, que me disse que, quando você percebe que o casamento não vai
muito bem, o melhor que você pode fazer é pular fora o quanto antes. Ele acha que se existe a
entanto, dizem que você tem de suportar a situação, pois o que a criança quer mesmo é ver os pais
Independentemente de qualquer coisa, resolvi ouvir o meu coração, sábio e fiel conselheiro e
pus um fim naquela história toda. Quando você houve a voz do coração, não há erro! Porque, no
9
Retirado de: NETO, Pasquale Cipro. Ao pé da letra. Rio de Janeiro: EP&A, 2001.
Mas, voltando às novidades, o coração me pregou outra peça: descobri-me apaixonado por um
velho amigo, alguns meses depois da separação. Você sabe, as pessoas logo fazem mau juízo e
começam aquela velha ladainha de que você agiu de caso pensado... Será que é tão difícil assim
você acreditar nos semelhantes? Está certo que tudo se passou apenas dois meses depois, mas por
que iria esconder um romance se o casamento já havia chegado ao fim? Quando você age com
Mas, para encurtar essa história, casei com esse antigo amigo e estamos muito felizes. Daqui a
II) Promova as alterações necessárias para que o texto abaixo da subjetividade para a
impessoalidade:
Palmada na lei
Eliane Brum, Revista Época, 26/07/10 (trechos)
O projeto, que ficou conhecido como “lei da palmada”, se propõe a alterar o artigo 18 do
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Nele, fica proibido o uso de castigos corporais de
qualquer tipo na educação dos filhos. O castigo corporal é definido como “ação de natureza
disciplinar ou punitiva com o uso de força física que resulte em dor ou lesão à criança ou
adolescente”. Li, pesquisei, estudei e continuo achando um total disparate. Não encontro um único
Antes de seguir, quero deixar muito claro que, obviamente, espancamento é crime. Seja dos
pais ou de quem for. Palmada não. E nada me convence de que precisamos de mais uma lei, já que a
legislação existente pune o espancamento e demais agressões físicas. Nada tampouco me convence
de que o Estado deve interferir neste nível na vida privada, na maneira como cada um educa seus
filhos. Não por uma postura liberal, mas por algo bem mais sério que vou abordar mais adiante.
Um dos argumentos em defesa da nova lei é de que as pessoas não saberiam a diferença entre
uma palmada e um espancamento. Acredito que a maioria das pessoas sabe muito bem a diferença
entre dar um tapa na bunda de uma criança e espancar uma criança. Não vale como estatística, mas
nunca conheci ninguém que não soubesse, exceto pessoas com distúrbios muito graves, que também
não sabiam a diferença entre quase tudo. Quem espanca não acha que está dando uma palmada.
[...]
Me parece muito perigoso tachar de criminosos pais que dão palmadas. Por vários motivos. O
primeiro deles é a injustiça da afirmação. Crime é algo muito sério e algo com que o Estado e todos
nós precisamos nos preocupar porque rompe e ameaça o tecido social, portanto a sobrevivência de
todos. Não pode e não deve ser banalizado. Chamar de criminoso um pai ou uma mãe que dá uma
[...]
Este tipo de debate é rico porque todos têm suas próprias experiências. E eu acredito muito na
experiência. Vivemos numa época em que a tradição foi desmoralizada e a maioria corre para
especialistas de todo o tipo para saber como deve agir ou pensar. Não confia nem na soma de
experiências próprias e dos que acertaram e erraram antes – nem em seus próprios instintos. Uma
pena, porque perdemos muito. Todos nós perdemos muito. E, talvez, mais que todos, nossas
crianças.
Espancamento, ouso dizer que a maioria de nós não experimentou. Mas palmadas quase todos
conhecem na pele. Eu nunca fui espancada pelos meus pais, mas recebi várias palmadas. E todas
elas, na minha percepção, foram atos de amor e de educação. Eu nunca espanquei minha filha, mas
Quando eu era criança, só conheci um colega que era espancado pela mãe. Numa ocasião, esta
mulher entrou na escola em que estudávamos com um pedaço de pau e deu uma surra pública no
meu amigo. Para nós aquilo foi algo totalmente apavorante. Tínhamos oito anos e não sabíamos que
os pais eram capazes de tal violência. Sabíamos perfeitamente a diferença entre aquela surra
sangrenta que testemunhamos e o que acontecia dentro da nossa casa quando aprontávamos alguma
arte. Lembro que nos reunimos para conversar. Estávamos assustados e precisávamos explicitar e
assegurar a diferença para termos certeza de que nossos pais nunca fariam algo assim. A forma que
encontramos foi cada um contar como os pais procediam quando faziam algo errado. Rememorar os
limites era a única maneira de nos tranquilizar diante daquela cena de horror.
[...]
Li num artigo de jornal a seguinte afirmação de uma psiquiatra: “Crianças que sofrem
palmadas são induzidas a pensar que podem dar palmadas nos outros, que a violência é a maneira
inconsistente. Nunca achei que pudesse dar palmadas em ninguém nem permiti que outros que não
fossem meus pais me dessem palmadas. Era muito claro que esta prerrogativa, a de me dar
palmadas para me educar, era só dos meus pais. E que eu só as teria quando fosse mãe. Assim como
era muito claro para mim e para meus irmãos que a violência não era a forma de solucionar
conflitos. Possivelmente porque nós – e a maioria das crianças ao nosso redor – não decodificavam
a palmada como violência. Nunca conheci nenhuma criança que saísse dando tapas nos outros
porque recebia palmadas em casa. Vi, sim, especialmente em trabalhos de reportagem, crianças
espancadas que se tornaram muito agressivas ou totalmente alheias. Garanto: é de outra ordem.
Outro argumento que aparece neste debate é o da desproporção. Não há comparação entre a
força de um adulto e a capacidade de se defender de uma criança, entre o tamanho da mão que
aplica a palmada e a mão de quem a recebe. É verdade. E não vejo como poderia ser diferente. Não
compreendo como poderia existir um processo educativo que não parta de uma desproporção. Se eu
tenho condições de ser mãe é justamente porque assumo a desproporção. Para me tornar mãe ou pai,
eu preciso antes acreditar que tenho o que transmitir ao meu filho e tenho meios para educar. É
minha esta responsabilidade. E dá um trabalho enorme – muito maior do que deixar para lá e não
[...]
Mas o aspecto que mais me preocupa se este projeto de lei for aprovado é o de reforçar aquele
que me parece ser – este sim – um dos grandes problemas atuais: a dificuldade dos pais de educar
seus filhos. Não me parece que o problema da maioria das crianças hoje seja a palmada que
eventualmente recebe dos pais. Mas o fato de não receber limites de seus pais, de não ser
efetivamente educada.
[...]
Não tenho dúvida de que os autores e apoiadores da lei são bem intencionados. Mas acho que
se equivocaram e erraram o alvo. Uma lei como esta desautoriza os pais – e o faz numa época em
que eles mesmos, por diversas razões, já desautorizam a si mesmos. Ao exercer sua autoridade de
forma abusiva, o Estado esvazia de autoridade e infantiliza seus cidadãos. Isto é grave. Embora eu
tenha poucos motivos para confiar neste Congresso que aí está, espero que vozes com bom senso se
ergam para impedir este projeto de virar lei. Se virar, como todas as leis sem lastro na realidade, não
Exercícios 10
Antes de fazer os exercícios, preste atenção à explicação a seguir:
b) O verbo e seus complementos (objeto direto e indireto): Joaquim deu o disco ao garoto.
Comunicamos aos interessados que os diplomas já saíram.
c) Palavras da mesma função sintática que não venham unidas por conjunção: Compramos
lápis, livros e cadernos.
d) Adjuntos adverbiais deslocados ou de certa extensão: À tarde, o general verificou todas
as posições.
e) Conjunções coordenativas deslocadas para o meio da frase: Estou em férias; não contem,
portanto, comigo.
Nas orações complexas, separam-se por vírgulas:
a) As orações coordenadas assindéticas ou intercaladas: César veio, viu e venceu.
O dia, disseram as crianças, não poderia ser melhor.
b) As orações adjetivas explicativas: A Terra, que é um planeta, gira no espaço.
c) As orações adverbiais: Chegando, todos o saudaram.
Quando chegar o verão, vou à praia.
d) Certas expressões (exemplificativas ou de retificação), tais como: por exemplo, além
disso, isto é, a saber, aliás, outrossim, com efeito etc.: Observe, por exemplo, o novo regulamento
do Campeonato Brasileiro de Futebol.
e) Para destacar a localidade, nas datas: Campinas, 13 de março de 2003.
f) Para indicar a elipse (o apagamento) do verbo: O espírito busca luz; o coração, amor. [O
coração busca amor.]
Exercício:
1- Coloque vírgulas, quando necessário:
A MCA produtora de cinema foi comprada pela Matsushita.
Aos noivos os padrinhos deram uma geladeira.
O bem da humanidade consiste em gozar o máximo de felicidade sem diminuir a felicidade
10
Adaptado de: ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. 12ª ed. 1ª imp. São Paulo: Ática, 2004.
dos outros.
Alguns ouvem com as orelhas outros com o estômago.
Rosana sua bolsa está aberta.
O homem que é racional saberá evitar uma terceira guerra.
Quando a nave atingir sua órbita desligará os motores.
Viajando de automóvel você conhecerá mais coisas.
O ministro disse aos empresários que a inflação vai cair.
Franco militar espanhol governou a Espanha durante quarenta anos.
Esta medida se não tomarmos providências aumentará o pagamento de imposto de renda.
O Gol um dos carros mais vendidos no Brasil sofreu muitas modificações desde o
lançamento.
Desde que entraram na moda as peças napoleônicas adquiriram valores incalculáveis.
Pode-se apontar além disso outro mal-entendido a respeito da greve em serviços essenciais.
Com muita calma ele conseguiu depois de muita pesquisa descobrir a causa da perda de
energia.
A hóstia o arado a palavra correspondem aos três sacerdócios do Senhor.
Antes de começar é importante pois entender como as informações são inseridas no
computador.
Ao apagar um arquivo lembre-se de que isso é feito de forma permanente.
Os filósofos costumam ignorar que a ciência não existe no vácuo.
A pesquisa científica mesmo realizada por conta própria é uma atividade social e cultural.
Quase sempre adiamos a vida deixando de dar atenção ao momento.
A incerteza é a companhia necessária a todos os exploradores.
2- Reescreva as orações abaixo, utilizando a vírgula ou não, de modo que veiculem os significados
expressos entre parênteses. (CLAC UFRJ – OLP 2010 – q. 2 a 4)
a) Não fique.
I – (no sentido de não ficar)
II – (no sentido de ficar)
b) Aquele professor é meu pai.
I – (no sentido de que o pai é o professor)
II – (no sentido de que o pai não é professor)
b) “A assessoria de imprensa do Ministério Público Estadual afirmou que a escola passa por uma
investigação mas não deu detalhes sobre o trabalho. De acordo com a assessoria o promotor da
Infância e Juventude de São Bernardo do Campo Jairo Edward de Luca estava em audiências e não
poderia comentar o caso na sexta-feira (14).”
c) “Um homem de 40 anos precisou ser resgatado pelos bombeiros nesta quarta-feira (12) em
Suffolk no estado da Virgínia (EUA) depois que ficou preso em uma árvore. Ele estava a 18 metros
de altura quando entrou em pânico e não conseguiu mais descer. Segundo a emissora de TV
‘WAVY’ quando os bombeiros chegaram o homem parecia fraco e desidratado.”
4- Explique a diferença de significado nas orações abaixo, atentando para a questão da utilização
das vírgulas.
c) Outro aspecto é que, por mais que o país tenha um crescimento econômico e ofertas
de serviços como, educação e saúde, a população extremamente pobre continuará, sendo
negligenciada pois, ainda é uma parcela da sociedade excluída.
h) (...) Programas de assistência em que a educação é uma solução para a pobreza, não
ajudam a eliminá-la.
i) Wanda Engel critica a insistência do governo em achar que com suas inúmeras
propostas de programa para a redução da pobreza vai resolver esse complexo problema.
Exercícios
1) Qual(is) da(s) frase(s) a seguir está(ão) correta(s) de acordo com a gramática normativa?
a) Vivemos numa época onde as pessoas...
b) Vivemos numa época em que as pessoas...
c) Vivemos numa época quando as pessoas...
d) Ir onde? Ir a algum lugar.
e) Ir aonde? Ir a algum lugar.
Assinale a(s) frase(s) correta(s). Na(s) que você considerar incorreta(s), aponte a alteração
necessária.
Apresentou um contrato onde as cláusulas são obscuras.
______________________________________________________________________
c) Se ele não indicar o local preciso onde o tesouro foi escondido, iremos perder muito tempo na
busca.
Quem está cadastrado no Facebook pode se surpreender, no futuro, onde, em uma livraria,
escolher-se um livro e receber a informação de que um amigo já leu aquela obra.
Essa situação, onde o usuário da rede social online não sabe até aonde seus dados se espalham
pela web, é um sinal de que o Facebook tem “falhas sinistras” em relação à privacidade dos
usuários, na opinião do colunista John Gapper, do Financial Times.
Ele se refere especificamente ao site da Amazon, onde levará aos consumidores informações
atreladas ao Facebook. “Alguns podem achar isso útil; outros, detestável, dependendo do ponto de
vista. O que é indiscutível é que os consumidores precisam ter o direito de uma escolha clara e
compreensível sobre como as suas informações pessoais serão usadas”, afirma Gapper.
Para o colunista, o Facebook é “talvez a mais poderosa empresa de internet do mundo ao lado
de Google” e “desdenha a privacidade” dos seus usuários. Ele cita um estudo da Electronic Frontier
Foundation, onde se constatou o contínuo enfraquecimento do compromisso assumido pela empresa
em 2005, de não compartilhar dados com ninguém, a não ser com o restrito grupo de amigos de
cada usuário.
Em toda esta polêmica em torno do suposto estupro no BBB12, onde o fato mais relevante é o
papel cada vez mais influente que a rede social Facebook está desempenhando na formação de
"ondas de opinião".
O caso todo surgiu por conta do Facebook, onde se dependesse da Globo, o episódio poderia
ter passado em brancas nuvens. Tudo começou com o surgimento da suspeita de que uma
participante tivesse sido estuprada por um colega de programa, aonde a suspeita gerou uma
polêmica entre internautas e a Globo resolveu jogar água na fervura, punindo o protagonista
masculino no episódio.
A partir daí o caso tomou os rumos mais disparatados, onde várias personagens buscaram
visibilidade pública, de ministros a policiais, passando por advogados, parentes, pastores e por ai
vai. Até a Globo entrou de carona, aonde se aproveitou da máxima “falem mal, mas falem de mim”.
O episódio serviu, no entanto, para mostrar como os eventos públicos podem se tornar
incontroláveis, onde o público passa a ter um protagonismo cada vez maior por meio das redes
sociais na internet.
O Facebook ocupa neste contexto um espaço especial, aonde ele não só é uma “aldeia virtual”
reunindo perto de um bilhão de participantes, como está deixando de ser uma instituição para se
transformar num ambiente ou espaço público virtual, onde as regras e valores são reescritos
constantemente.
Hoje muita gente já começa a se perguntar se é possível viver sem o Facebook. Gostemos ou
não da resposta, ela é não. O Facebook, como instituição, pode sumir, como já aconteceu com o
Myspace, a primeira rede social de importância mundial, ou o mesmo pode vir a acontecer com o
outrora onipresente Orkut. Mas o espaço público continuará existindo.
Um espaço onde está mudando os nossos comportamentos e também os nossos valores, como
é o caso dos conceitos de privacidade, autoria e coletividade na internet. Mas estes são temas que
podemos conversar mais adiante.
Há 12 anos, os produtores do reality show norte-americano Survivor perderam parte do
controle sobre o desenrolar do programa, onde os telespectadores formaram comunidades na
internet para trocar informações e antecipar o desfecho de cada episódio, antes dele ir ao ar. As
alternativas desenvolvidas pelo público mostraram-se mais interessantes do que as da emissora,
aonde gerou-se uma batalha jurídica, porque os produtores acusaram as comunidades de violar
direitos autorais. Os produtores perderam.
O potencial desestabilizador do público em relação ao controle das emissoras sobre os seus
programas já estava patente bem antes do surgimento do fenômeno Facebook, onde tudo indica que
o grande reality show está se transferindo para a internet. Um show movido por "ondas de opinião",
fenômenos ainda muito pouco estudados, aonde se formam sem que ninguém preveja, e
desaparecem da mesma forma.
Acento diferencial
“As cuecas de Edmundo”
Na época da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1998, lendo os jornais,
dei de cara com uma baita foto do jogador Edmundo, de cuecas, com uma bola (de futebol) no meio
das pernas. Com cara de coitadinho, o “Animal” pedia nova chance na seleção.
No alto da página, o título, imenso, dizia: “Me dêm mais uma chance na seleção”. Pobre
Edmundo! Paga pelo que faz e pelo que não faz. No caso de indisciplina dentro do campo, nada
mais justo do que punir o craque. Mas atribuir-lhe erros gramaticais elementares é no mínimo
maldade pura.
Você já desconfiou? Já sabe qual é o problema? O fato é o seguinte: o diabo não dorme
nunca, está sempre de plantão, principalmente nas redações de jornais, revistas, agências de
propaganda, etc. O diabo não perde a chance de aprontar. E resolveu fazer surgir a forma “dêm”.
Nego-me a crer que um redator profissional tenha escrito deliberadamente a forma “dêm”.
Mas muita gente viu o anúncio.
Levando em conta que no Brasil as pessoas têm muita dificuldade para lidar com o padrão
formal da língua – a começar pela ortografia –, o efeito da propaganda é devastador. Então é bom
ver direito essa história.
Vamos lá. A dúvida aparece sempre na hora de optar por “e” ou “ê” ou “ee”. E não é difícil
guardar o que é considerado correto. Quando se conjuga os verbos “ter” e “vir”, nada de “ee”. No
presente, na terceira pessoa do singular, você deve escrever “ele tem, ele vem”. Na terceira do
plural, você deve escrever “eles têm, eles vêm”. Mas, por favor, nada de ler “teeeeeem”, como
muita gente acha que deve fazer. Na boca, “vem” e “vêm” são absolutamente iguais. “Tem e têm”,
também. Não espiche o “e” na leitura, por favor.
E quando é que se usa a vogal dobrada (ee)?
Isso aparece na conjugação dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e derivados (“descrer”, “reler”,
“prever”, “rever”, etc.). É o caso de “creem”, “deem”, “leem”, “veem”, “descreem”, “releem”,
“preveem”, “reveem” etc.
Você já percebeu que colocaram na conta do pobre Edmundo uma grande mancada: não existe
“dêm”. O correto é “deem”. Já disse que não acredito que o redator tenha escrito isso por convicção.
O diabo certamente estava de plantão. Mas que é duro de engolir é. Se você viu o anúncio, pode até
comprar as cuecas, mas não pode comprar a grafia.
Voltando ao problema da grafia dos verbos, é fundamental não esquecer que os derivados de
“ter” (“deter”, “manter”, “reter”, “obter”, “conter”, “entreter”, etc.) e “vir” (“intervir, “provir”,
“convir” etc.) obedecem a um esquema particular.
Qual é a forma correta: “ele mantêm” ou “ele mantém”?
Na terceira do singular do presente do indicativo, deve-se empregar o acento agudo, sem dobrar
a vogal: “ele mantém”, “a caixa contém”, “a máquina retém”, “você obtém”, “a mãe entretém”, “a
polícia intervém”, “o preço convém”, “a mercadoria provém”.
E no plural: eles “mantêm” ou “manteem”?
Na terceira pessoa do plural, não se dobra vogal, mas o acento deixa de ser agudo e passa a ser
circunflexo: “eles mantêm”, “as caixas contêm”, “as máquinas retêm”, ...
Por que o acento muda? Por que o singular e o plural não são iguais?
Vamos ver. Considere a seguinte frase: “Que poder detem esses jovens?”
Que acento verbal você poria na forma verbal?
Pense bem. Com acento agudo (“detém”), o sujeito seria “poder”. Perguntar-se-ia que poder é
capaz de deter, frear, impedir, segurar esses jovens.
Se fosse colocado o acento circunflexo, o sujeito passaria a ser “esses jovens”. Mudaria também
o significado do verbo “deter”. Perguntar-se-ia que poder esses jovens possuem, têm nas mãos.
Resumindo: no primeiro caso (detém), quer-se saber o que é capaz de segurar os jovens; no
segundo (“detêm”), quer-se saber de que tipo de poder esses jovens são donos, que tipo de poder
eles têm nas mãos. Percebeu? Antes de reclamar dos acentos da língua portuguesa, é bom descobrir
sua real importância.
Antes que alguém cobre um comentário sobre a posição do “me” na frase da propaganda, vou
logo dizendo que isso é assunto para outro texto.
Voltando às cuecas, vocês, leitores, devem dar um desconto a Edmundo. Deem um desconto a
ele. E que ele tome cuidado. Essa história de mandiga com as cuecas alheias não costuma dar
resultados. Te cuida, Animal!
Exercícios
1) Assinale a alternativa correta:
a) Dêm-me mais uma chance.
b) Deem-me mais uma chance na seleção.
2) Preencha as frases abaixo com uma forma dos verbos “ter” e “vir”, no presente do indicativo:
a) Ele _______________ participado dos treinos.
b) Eles ________________ participado dos treinos.
c) Ele _______________ para a entrega do troféu.
d) Eles ________________ para a entrega do troféu.
3) Agora, preencha as frases com os verbos indicados entre parênteses, no presente do
indicativo:
a) Ele _________________ o título de melhor jogador europeu. (deter)
b) Eles _________________ os títulos de melhores jogadores europeus. (deter)
c) Ele ________________ excelente padrão de jogo durante os 90 minutos. (manter)
d) Eles ________________ excelente padrão de jogo durante os 90 minutos. (manter)
e) Ele se ________________ da vida noturna. (abster)
f) Eles se ________________ da vida noturna. (abster)
g) Ele ________________ de um time de segunda divisão. (provir)
h) Eles ________________ de um time de segunda divisão. (provir)
Concordância
Você deve lembrar-se de uma das lições que dei durante uma das campanhas publicitárias do
McDonald’s de que participei alguns anos atrás. O filme começava comigo: “acabou as ficha”, “Os
menino fugiu”, “As batatas tá quente”.
Isso no Brasil é comum na fala cotidiana independentemente da classe social. Frases como as
que citei na propaganda, em língua formal, passam a “Acabaram as fichas”, “Os meninos fugiram”,
“As batatas estão quentes”. Frases como “Foi discutido todas as causas”, “Não veio todos os
pedidos” passam a “Foram discutidas todas as causas”, “Não vieram todos os pedidos”.
“Ele tornou possível todos os meus sonhos?”
Nem pensar. “Possível” se refere a “sonhos”, plural. Afinal, os sonhos é que se tornaram
possíveis. Então “Ele tornou possíveis todos os meus sonhos”. Caso semelhante é o de “A Prefeitura
não mantém limpo as ruas”. De novo, nem pensar. “Limpo” se refere a “ruas”. A frase correta é “A
Prefeitura não mantém limpas as ruas”.
Concordância nominal
Regra básica: O adjetivo e o pronome adjetivo concordam em gênero e número com o
substantivo a que se referem:
O moço bonito.
As mulheres más.
4) Particípio
O particípio dos verbos concordará sempre com seu sujeito, como em:
Feitas as contas, decidimos adiar o conserto.
5) Predicativo
O predicativo sempre concordará com o elemento modificado por ele.
Aquelas flores estão lindas.
O ministro julgou precipitadas as medidas.
A comissão pediu emprestadas algumas urnas.
6) Expressões invariáveis
a) Locuções adjetivas:
Pessoas sem caráter.
Pessoas sem vergonha.
b) Palavras empregadas como advérbio:
Todos falavam baixinho.
As revisões em concessionárias custam sempre caro.
7) Adjetivos compostos
Só se flexiona neles o último elemento:
Serão promovidas várias exposições luso-brasileiras.
Exceção: surdo-mudo, que faz plural em surdos-mudos.
8) Nomes de cor
a) Quando o nome de cor for um adjetivo, a concordância se fará, normalmente, como já foi
explicado:
blusas amarelas
olhos verde-claros [sendo adjetivo composto, varia apenas o segundo elemento]
Exercícios:
Complete as lacunas, observando a concordância nominal:
1) Patrícia viu, na fazenda, várias vacas e uma planta __________________ (aquático).
2) Professores da USP, em convênio com o Centro de Estudos __________________ (luso-
brasileiro), desenvolvem pesquisas __________________ (Iinguístico-literário).
3) O presidente viajou __________________ vezes aos Estados Unidos. (bastante).
4) __________________ bastante cautela para lidar com cobras venenosas. (é preciso).
5) Minhas filhas são __________________ a mãe. (tal qual)
6) Os vestidos __________________ estão fora de moda. (lilás)
7) Até nove meses de idade, as crianças __________________ não sofrem influência da
línguaambiente. (surdo-mudo)
8) Rosana comprou blusas __________________ (branco) e saias __________________. (vinho)
9) Todos acharam __________________ as flores que você me enviou. (maravilhoso)
10) Os fiscais do PT ficaram __________________ na apuração evitar fraude. (alerta)
11) Os carros __________________ tiveram procura reduzida este ano. (azul-marinho)
12) O governo brasileiro pediu mais dois milhões __________________ ao FMI. (emprestado)
13) __________________ 15 toneladas de resíduos radioativos em tambores blindados, ainda assim
existe algum perigo de vazamento (enterrado).
2) O sujeito é coletivo partitivo: a maior parte de, grande parte de etc., como em:
A maior parte dos clubes recebe apoio.
A concordância é feita com o núcleo do sujeito que é parte. A palavra parte, entretanto, é um
quantificador, e um quantificador, assim como também os pronomes, em geral, são palavras
referenciais, isto é, por si sós não significam nada. Se dissermos, por exemplo: Ele chegou, ficamos
sem saber quem chegou. Falta a referência do pronome ele. Se dissermos, entretanto, Júlio
telefonou, ele chegou, saberemos que a referência de ele é Júlio. Da mesma maneira, se dissermos
que A maior parte não recebe apoio, precisamos de uma referência para saber de que parte se trata.
A sentença em questão oferece essa referência no complemento preposicionado dos clubes. Por esse
motivo, é também possível fazer a concordância verbal com a referência do quantificador, em vez
de faze-a com o núcleo, como em: A maior parte dos clubes recebem apoio.
9) As expressões um que, uma que, o primeiro que, o último que e semelhantes deixam o verbo na
terceira pessoa do singular:
Sou um homem que não ofende ninguém. Fui o último que chegou.
10) O sujeito está junto das locuções cerca de, menos de, perto de.
Verbo no plural:
Cerca de quinze empresários participarão da reunião.
Perto de mil ações subiram.
11) O sujeito são pronomes interrogativos (quais, quantos) ou indefinidos do plural (alguns, muitos,
poucos, quaisquer, vários) seguidos de pronome no plural. O verbo concorda com este pronome:
Quais de nós viajaremos a Manaus?
Muitos dentre vós não chegareis lá.
12) Com os verbos dar, soar, bater (tratando-se de hora), o verbo concorda com o número de horas:
Deram quatro horas agora mesmo.
Bateram dez horas no relógio da sala.
Exercícios
II- Use uma das alternativas entre parênteses, nos espaços em branco:
1) Os Estados Unidos __________________ da medida. (gostou/gostaram)
2) Mais de um jornal __________________ o fato. (noticiou/noticiaram)
3) Rosana foi uma das que me __________________ . (acusaram/acusou)
4) Fui eu quem __________________ o prêmio. (ganhei/ganhou)
5) Fui eu que __________________ o prêmio. (ganhou/ganhei)
3) Vários sujeitos se resumem num pronome indefinido (tudo, nada, outro, ninguém, alguém etc.):
O verbo fica no singular, concordando com o pronome:
Habilidade, força, esperteza, engano, tudo é permitido no amor. (La Fontaine)
5) Sujeitos ligados pelos elementos correlativos não só... mas também, não só... mas ainda, tanto...
como etc.
A concordância se processa de acordo com a regra geral, uma vez que tais expressões têm apenas
uma função ilocucional, dentro do processo de enunciação. Uma sentença sem o reforço ilocucional
teria a forma: Paulo e Fernando estão sem dinheiro.
Com o reforço ilocucional dos elementos correlativos, assume a forma: Não só Paulo mas também
Fernando estão sem dinheiro.
6) O sujeito é a locução um e outro ou nem um nem outro. O verbo pode ir para o singular ou para o
plural:
Um e outro falou a verdade.
Um e outro falaram a verdade.
O mesmo processo de concordância se aplica com a expressão nem ... nem:
Nem Débora nem Cristina me ajudou.
Nem Débora nem Cristina me ajudaram.
7) Sujeitos ligados pela conjunção ou. O verbo concordará com o termo que vier depois do último
ou:
Ângela ou Cristina se casará comigo.
Haroldo ou Fernando será eleito prefeito.
Ele ou eu serei eleito presidente.
Extraído de: ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. 12ª ed. 1ª imp. São Paulo: Ática, 2004.
Modismos
A moda não existe só na roupa, nos sapatos, nos cabelos. A cada ano, uma praia entra na moda,
um restaurante, um tipo de música, uma casa de espetáculos, um bar, uma rua, uma avenida, um
bairro. Muitas modas acabam passando, algumas ficam de vez e deixam de ser simplesmente modas
e passam a fazer parte da tradição. Tradição. É aí que está o xis do problema. Em se tratando de
língua culta, tradição é fundamental. Não basta um locutor esportivo criar uma expressão para que,
da noite para o dia, ela passa a ter respaldo na língua culta. Não é assim que a coisa funciona. É
verdade que a língua é viva. No Brasil, vivíssima. Palavras e expressões surgem diariamente. E
cacoetes também. E aí se instala a confusão. Pode? Não pode? Vale? Não vale? É correto?
Está na moda - há um bom tempo - a bendita expressão "a nível de": "A nível de feijão a safra
vai bem", disse um figurão da área agrícola. O que significa isso? Qual a importância e a
necessidade da expressão "a nível de" nessa frase? Nenhuma. Teria bastado dizer "A safra de feijão
vai bem".
Outra pérola: "A nível de repertório o disco é ótimo. Que tal "O repertório do disco é ótimo"?
Nem se discute se essa expressão é correta ou não. O que importa é que ela se tornou absolutamente
insuportável. É o que os linguistas chamam de "muleta". Assim como há quem precise de muletas
pra andar, há quem precise de certas expressões pra falar. "A nível de" pra cá, "A nível de" pra lá,
"A nível de" pra cima, "A nível de" pra baixo, "A nível de" pra tudo. Haja paciência!
Vamos combinar uma coisa: de hoje em diante, fulmine essa bendita expressão, elimine-a de sua
vida. Fique pelo menos dez anos sem pronunciar esse trambolho, que em 99,99% dos casos é
rigorosamente inútil.
Quer mais modismos? A expressão “no sentido de”. Reparou que não se faz mais nada “para”,
agora só se faz “no sentido de”? “Estamos trabalhando no sentido de conseguir verbas...”. Por que
aposentar sumariamente a velha e boa preposição “para”? A resposta talvez seja a falsa sofisticação.
Outra mania – já virou moda – é usar três verbos, algo como “A gente vai estar enviando”, ou
“A empresa vai estar realizando”, ou o absurdo de “Amanhã eu vou estar telefonando para você”.
Não é muita coisa? Para que tanto verbo? Mas isso já está pegando, se é que já não pegou.
Uma amiga me disse que foi a uma loja de sapatos e saiu de lá tonta, de tanto ouvir a vendedora
dizer “Você pode estar experimentando o sapato”, “Você pode estar pagando em três vezes” e
pérolas do gênero. Pelo amor de Deus, fuja desses modismos.
Exercícios
1) Assinale as frases corretas:
Ênclise11
É a colocação pronominal depois do verbo. A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:
Próclise
É a colocação pronominal antes do verbo. A próclise é usada:
4- Quando o verbo estiver precedido de palavras que atraem o pronome para antes do verbo.
São elas:
b) Advérbios.
Ex.: Agora se negam a depor.
c) Conjunções subordinativas
11
Retirado de: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/sintaxe/colocacao-pronomial.php
Ex.: Soube que me negariam.
d) Pronomes relativos.
Ex.: Identificaram duas pessoas que se encontravam desaparecidas.
e) Pronomes indefinidos
Ex.: Poucos te deram a oportunidade.
f) Pronomes demonstrativos
Ex.: Disso me acusaram, mas sem provas.
Mesóclise
É a colocação pronominal no meio do verbo. A mesóclise é usada:
1) Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, contanto que esses verbos
não estejam precedidos de palavras que exijam a próclise.
Ex.: Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em prol da paz no mundo. Não fosse os
meus compromissos, acompanhar-te-ia nessa viagem.
Colocação pronominal nas locuções verbais
12. Se não houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou depois
do verbo principal.
Ex.: Devo esclarecer-lhe o ocorrido/ Devo-lhe esclarecer o ocorrido.
Estavam chamando-me pelo alto-falante./ Estavam-me chamando pelo alto-falante.
b) Se houver palavra atrativa, o pronome poderá ser colocado antes do verbo auxiliar ou depois do
verbo principal.
Ex.: Não posso esclarecer-lhe o ocorrido./ Não lhe posso esclarecer o ocorrido.
Não estavam chamando-me./ Não me estavam chamando.
12
Retirado de: http://colocacaopronominal2.vilabol.uol.com.br/exercicios.htm
Os amigos chegaram e me esperam lá fora.
O torneio iniciará-se no próximo domingo.
Convido-te a fazeres-lhes essa gentileza.
Para não falar- lhe, resolveu sair cedo.
É possível que o leitor nos não creia.
A turma quer-lhe fazer uma surpresa.
A turma havia convidado-o para sair.
Ninguém podia ajudar-nos naquela hora.
Todos se estão entendendo bem.
A correta utilização do acento indicativo de crase é uma questão de análise do enunciado. Trata-
se de averiguar se ocorre a preposição "a" e o artigo feminino "a(s)", antes, evidentemente, de uma
palavra feminina.
Todo falante da língua reconhece, normalmente, a ocorrência (ou não) da preposição "a" nos
enunciados, exigida por certos substantivos, adjetivos, advérbios e verbos.
Todo falante tem competência para saber se a palavra feminina aceita ou não o artigo "a(s)".
Faça seu teste, colocando ou não o artigo antes das palavras:
____ Maria Santíssima
____ Atenas
____ Curitiba
____ Roma
____ Copacabana
____ Bahia
____ Roma Imperial
____ Atenas de Péricles
____ Vossa Senhoria
____ Vossa Excelência
____ Ela
2.3 Conclusão
Como dissemos há pouco, o correto emprego do acento indicativo de crase depende da análise
do enunciado: trata-se de observar
se ocorre a preposição "a";
se a palavra é feminina;
se a palavra feminina aceita o artigo "a(s)".
Conclusão: não ocorrem dois "ás" no enunciado, mas apenas um, que é a preposição "a".
Portanto,sem acento indicativo de crase. A não-ocorrência de um dos "ás" pode ser sinalizada
mediante a seguinte visualização:
Vou a Ø Brasília
em que o símbolo Ø indica a inexistência do artigo "a".
Se você analisar o enunciado e raciocinar, a maioria das regras torna-se dispensável; ou você
mesmo pode formulá-los.
à Regra: Não ocorre acento indicativo de crase antes de verbos, pois não admitem artigo.
Refiro-me a ti -> Refiro-me a Ø ti.
Dirigi-me a ela -> Dirigi-me a Ø ela.
Apresento-o a você -> Apresento-o a Ø você.
Venha a nós o Vosso Reino -> Venha a Ø nós o Vosso Reino.
Respondo a Vossa Senhoria -> Respondo a Ø Vossa Senhoria.
Não me referi a esta carta -> Não me referi a Ø esta carta.
Direi a qualquer pessoa -> Direi a Ø qualquer pessoa.
Refiro-me a uma pessoa educada -> Refiro-me a Ø uma pessoa educada.
Regra: Não ocorre acento indicativo de crase antes de pronomes pessoais, demonstrativos,
indefinidos, e expressões de tratamento, pois não admitem artigo. O "a", nos exemplos acima, é
meramente preposição, exigida pelos verbos, conforme sinalização.
Não assisto a cenas de guerra -> Não assisto a Ø cenas de guerra.
Entregou-se a férteis cogitações -> Entregou-se a Ø férteis cogitações.
Não prestaram atenção a verdades preciosas -> Não prestaram atenção a Ø verdades preciosas.
Regra: Não ocorre acento indicativo de crase quando o "a" estiver no singular e a palavra feminina
seguinte estiver no plural: o "a" é apenas preposição, exigida pelas palavras que vêm antes,
conforme sinalização.
Diferente seria a situação seguinte:
Não assito às cenas de guerra -> Não assisto a + as cenas de guerra.
•Entregou-se às férteis cogitações -> Entregou-se a + as férteis cogitações.Não prestaram atenção às
verdades preciosas -> Não prestaram atenção a + as verdades preciosas.
em que temos a preposição "a" + o artigo "as", conforme indicação.
Observe:
Cláudia é estudiosa.
A Cláudia é estudiosa.
Débora é aplicada.
A Débora é aplicada.
Júlia é assídua.
A Júlia é assídua.
Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo antes de nomes próprios femininos.
Então, podemos escrever as frases abaixo da seguinte forma:
Refiro-me à Cláudia.
Respondo à Débora.
Dirijo-me à Júlia.
ou
Refiro-me a Cláudia.
Respondo a Débora.
Dirijo-me a Júlia.
Observe:
Como podemos constatar, é facultativo o uso de artigo antes de pronomes possessivos no singular.
Por isso podemos escrever assim:
Apresentei-o a minha tia.
Apresentei-o à minha tia.
Faça agora seu teste: analise os enunciados, raciocine e coloque acento indicativo de crase se
for o caso:
Fez um pedido a mãe.
Emprestou um livro a colega.
Entregou o trabalho a professoara.
Enviou uma reclamação a companhia.
Dedicou-se a literatura infantil.
Estava disposto a colaborar.
Refiro-me a uma pessoa educada.
Refiro-me a esta carta.
Refiro-me a certa pessoa.
Nada revelou a elas.
Mostrou-se submisso a decisões equivocadas.
Mostrou-se submisso as decisões equivocadas.
Nunca ia a festas, nem a reuniões.
Nas próximas férias ireia a Lisboa.
Todos deverão comparecer a reunião.
• Quem se refere se refere "a": portanto, ocorre a preposição "a", que vai se contrair com o "a" de
"aquilo". Logo, marcam os a contração com acento indicativo de crase: Refiro-me àquilo.
Faça um teste: analise os enunciados, raciocine e coloque acento indicativo de crase quando
necessário.
Quero agradecer aquela moça a atenção dispensada.
Fale aquela professora.
Refiro-me aquele senhor.
Telegrafei aquela senhora.
Refiro-me aquilo.
Não dei importância aquilo.
Foi ele quem escreveu aquela carta.
Dedicava aquela família grande afeição.
A rua é paralela aquela que leva a praia.
Ocorre acento indicativo de crase, pois ocorre a preposição "a", exigida, nesse tipo de estrutura, por
uma palavra que vem depois, no caso aludiste: quem alude alude "a";
o pronome é "a qual", com a partícula "a" integrando o pronome.
Veja melhor:
Observação:
Só o pronome relativo "a qual" tem a partícula "a" integrando-o. Os pronomes "que" e "quem" não
se fazem acompanhar por essa partícula. Atente, pois, para a grafia nas frases:
o "a" deve ser sinalizado com acento grave, porque é resultante da contração da preposição "a"
(uma coisa é ligada "a" outra) + o pronome demonstrativo "a", equivalente a "aquela".
Veja a demonstração:
Minha sorte é ligada à do meu país.
equivale à frase
Minha sorte é ligada a (preposição) aquela (pronome demonstrativo) do meu país.
em que deve ocorrer a contração dos dois "ás", sinalizada pelo acento grave.
Siga o modelo e compare.
Modelo:
As frase são semelhantes a as de antes.
As frases são semelhantes a aquelas de antes.
As frases são semelhantes às de antes.
Saiba Mais
De ... a
De ... à
Quando se fizer referência a dois elementos (substantivos ou numerais) ligados por "de ... a", não
ocorrerá acento grave antes do segundo elemento: De segunda a sábado .....
De hoje a domingo ....
De 1 a 5 ......
De 1ª a 4ª série .....No entanto, quando se define o primeiro elemento mediante o emprego de "do" /
"da", o segundo inicia com "à" (ou "ao"). É uma questão de paralelismo.
A palavra "terra"
3.1 "Terra", significando planeta, é substantivo próprio e admite artigo. Conseqüentemente, quando
houver também a preposição, ocorrerá o fenômeno da crase:
Os astronautas voltaram à Terra.
3.2 Diante de "terra", significando "chão firme", "solo", sem especificação, não ocorre acento grave:
Os marinheiros voltaram a terra.
3.3 Diante de "terra", significando "chão firme", "solo", com especificação, ocorre acento;
Irei à terra de meus pais.
Expressões adverbiais
4.1 Masculinas. Não se emprega acento grave com expressões adverbiais masculinas.
Exemplos:
Matou a sangue-frio.
Navio a vapor.
Ando a pé.
Ando a cavalo.
Carro a gás.
Escrever a lápis.
Vendas a prazo.
14
Retirado de:
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/portugues/gramatica/acentuacao/gramatica_crase_ex
ercicios1
21. Já fomos a Paraíba, a Pernambuco e a Goiás.
22. Também fomos a Santa Catarina e a progressista Florianópolis.
23. As vezes, o pessoal sai as escondidas.
24. A reunião vai das cicno as seis horas.
25. A reunião vai durar de cinco a seis horas.
9. DICAS
Expressões e vocabulário
Vez que, de vez que e haja visto não devem ser empregadas nunca. Estão inadequadas. Eis que
indica surpresa ou tempo (aqui está). Raramente, será empregada nesse sentido. Posto que não
possui valor de causa. O sentido correto da expressão é de concessão (ainda que).
Observe os exemplos a seguir.
2. Mesmo
Erro generalizado é o uso de “mesmo” como pronome pessoal. Observe os exemplos abaixo.
Como advérbio:
Este julgamento é mesmo necessário.
Minha casa fica lá mesmo.
Inadequado é o uso de “mesmo” como pronome pessoal, substituindo um substantivo já
expresso.
Para analisar com calma o parecer, solicitou que o mesmo lhe fosse entregue (inadequado).
Para analisar com calma o texto, solicitou que o relatório lhe fosse entregue (adequado).
3 Junto a
A locução junto a deve ser empregada no sentido de ao lado de, perto de, adido a.
4 No sentido de
A expressão não apresenta ideia de “finalidade”. Ela não deve ser empregada em substituição
a “com vistas a”, “para”, “a fim de”, “com o objetivo de”: ele agiu assim no sentido de melhorar a
situação (inadequado).
A expressão é usada para explicar o significado de um termo ou ideia anterior: o termo “Casa”
foi empregado no sentido de “Congresso Nacional”.
5 Quando do (da)
A expressão é galicismo, por isso deve ser substituída por no momento de, no tempo de, por
ocasião de: Por ocasião da consulta, o tribunal estava de recesso, e não Quando da consulta (…)
6 Inobstante
O vocabulário ortográfico não registra a palavra “inobstante”, embora empregada com certa
frequência no meio jurídico. Melhor usar “não obstante” ou “nada obstante”.
7 Gerúndio
O gerúndio é empregado com exagero nos textos jurídicos. Quase sempre de forma
inadequada. O emprego adequado está relacionado a ideia adverbial de:
8 A princípio – em princípio
A princípio tem o sentido de “inicialmente”, “no começo”. Em princípio tem o sentido de ‘em
tese”, “teoricamente”.
A princípio não gostei da cidade, porém com o tempo passei a me adaptar muito bem.
Ela a princípio não gostava do namorado.
O campeonato ainda não terminou. Em princípio o São Paulo será campeão novamente.
A princípio, ele agiu sem maldade. = No início, ele agiu sem maldade.
Em princípio, ele agiu sem maldade. = Teoricamente, ele agiu sem maldade.
Em que pese a (com o som fechado = pêse) tem o sentido de “ainda que contrarie a opinião
de”, “ainda que”. O verbo fica sempre no singular:
10 Enquanto
O vocábulo “enquanto” não apresenta sentido de condição profissional ou social. Seu uso
deve se limitar a tempo:
11 Há que + infinitivo
Expressão típica de textos jurídicos, a expressão “há que + verbo no infinitivo” tem o sentido
de “é necessário”, “deve-se fazer”:
12 Trata-se de
Não é possível, lógica e gramaticalmente, construção com o verbo tratar-se para coisas. Trata-
se somente pode ter por sujeito um ente humano, em acepções específicas: O caso trata-se de
acusações. (inadequado); Aqui todos se tratam por você; Ele somente se trata com remédios
caseiros.
Nos demais casos, trata-se de constrói-se impessoalmente: Trata-se de processos novos.
13 Uso do porquê
1. Por que
2. Por quê
Ao se substituir por “por qual motivo” no final da ideia.
Partiste por quê?
3. Porque
Ao introduzir ideia explicativa, causal ou final. Pode-se substituir por “pois” ou “para que”.
Não respondi porque não escutei a pergunta.
Faço votos porque sejas feliz.
4. Porquê
Ao exercer função de substantivo.
O porquê do fato não nos interessa.
14 Face a – em face de
Não existe a expressão “face a”. O correto é “em face de”: Face o relatório apresentar erro
(inadequado); Em face de o relatório apresentar erro (adequado).
O assunto pede atenção. Desde o tempo do vestibular, muitos tropeçam no uso do “se”. Ora
ele funciona como partícula apassivadora, ora como índice de indeterminação do sujeito. Para não
cometer erros, vale a pena se lembrar das vozes verbais.
Voz ativa: Lucas comprou o livro.
Voz passiva analítica: O livro foi comprado por Lucas.
Voz passiva sintética: Comprou-se o livro.
O último caso é o que nos interessa agora. Observe que a voz passiva pode ser escrita como
analítica (foi comprado) ou sintética (com o uso do “se”). Sempre que se conseguir fazer a
substituição de uma pela outra sem alterar o sentido, não existirá objeto direto na construção e a
concordância será feita entre o os dois termos.
Não confundir a regra com o “se” como índice de indeterminação do sujeito. No caso, a
concordância é outra.
Gosta-se de livro.
Gosta-se de livros.
Como se percebeu, o verbo ficou no singular, pois não se consegue realizar a voz passiva
analítica. Não é possível escrever com correção “De livros são gostados”.
O pronome demonstrativo (este, esse, aquele – e variações) tem diversas funções dentro da
construção: pode indicar a pessoa do discurso, a relação a tempo, o referente adequado, retomar ou
antecipar ideia presente no texto, etc. Observe os usos adequados:
4. para diferenciar referentes citados anteriormente, usa-se “este, esta ou isto” para indicar o
mais próximo ao pronome e usa-se “aquele, aquela e aquilo” para indicar o mais distante.
O processo e o parecer já chegaram. Este (o parecer) está ótimo, mas aquele (o processo)
ainda está incompleto.
20 A fim de - afim de
À medida que é locução proporcional e significa à proporção que, ao passo que, conforme.
A opinião popular mudava à medida que se aproximava a eleição.
Na medida em que é locução causal e significa porque, porquanto, uma vez que, pelo fato de
que.
Na medida em que foi constatada a sua inconstitucionalidade, o projeto foi arquivado.
22 Ao encontro de - de encontro a
Ao encontro de significa em busca de, em favor de, encontrar-se com, corresponder ao desejo
de.
Houve entendimento, pois a opinião da maior parte dos estudantes ia ao encontro das
propostas da direção.
De encontro a significa oposição, contra, em contradição.
Houve divergência, pois a opinião da maior parte dos estudantes ia de encontro às propostas
da direção.
23 Ao invés de - em vez de
Ao invés de significa ao contrário de e encerra a ideia de oposição:
Os juros, ao invés de baixarem, sobem.
Em vez de significa em lugar de, ao contrário de.
Estudou Direito Penal em vez de Direito Constitucional.
24 Ao nível de - em nível de
25 Como sendo
Esta expressão é desnecessária e deve ser evitada: Foi considerado (como sendo) o melhor
funcionário do ano.
26 Paralelismo
Paralelismo é o recurso linguístico que possibilita a expressão de ideias similares por meio de
formas gramaticais idênticas. Portanto, constitui erro dar forma gramatical diferente a ideias
similares, como nos seguintes casos:
Certo:
Pediu aos concorrentes agilizar os pedidos de inscrição e, em caso de dúvida, recorrer aos
tribunais regionais.
ou
Pediu aos concorrentes que agilizassem os pedidos de inscrição e, em caso de dúvida,
recorressem aos tribunais regionais.
Errado:
Em seu voto, o relator demonstrou conhecimento, não ser inseguro e parcial, ter bom senso.
Nesse exemplo, o erro está em não haver coordenação de palavras da mesma classe gramatical
(conhecimento, não ser seguro e parcial, ter bom senso). A solução está em usar apenas substantivos
ou formas oracionais reduzidas, como a seguir.
Certo:
Em seu voto, o relator demonstrou conhecimento, segurança, imparcialidade e bom senso.
ou
Em seu voto, o relator demonstrou ser seguro e imparcial, ter conhecimento e bom senso.
3. Emprego errado das expressões correlativas não só... mas (como) também, tanto... quanto,
nem... nem, ou... ou, quer... quer, ora... ora, seja... seja, etc.
Errado:
Ao final, ou o presidente votava, ou pedia vista, ou encerrava a sessão.
O erro está na posição inadequada da primeira conjunção ou. O certo é deslocá-la de forma a
estabelecer a relação entre os elementos coordenados (votar, pedir, encerrar).
Certo:
Ao final, o presidente ou votava, ou pedia vista, ou encerrava a sessão.
Errado:
Por ocasião das eleições, o candidato visitou Manaus, Curitiba e Mato Grosso.
O erro está em nivelar as capitais Manaus e Curitiba com o Estado de Mato Grosso. O certo é
substituir o estado por sua capital ou mencionar que o candidato visitou o Estado de Mato Grosso.
Certo:
Por ocasião das eleições, o candidato visitou Manaus, Curitiba e Cuiabá.
ou
Por ocasião das eleições, o candidato visitou Manaus, Curitiba e cidades de Mato Grosso.
5. Emprego inadequado do e que, sem que tenha sido parte de construção anterior.
Errado:
Devem-se tomar medidas enérgicas e que proíbam o uso do dinheiro público em benefício de
poucos.
Com o emprego do e que criou-se a ideia de paralelismo, inexistente anteriormente. O certo é
eliminar o e ou substituir o adjetivo enérgicas por oração adjetiva equivalente.
Certo:
Devem-se tomar medidas enérgicas que proíbam o uso do dinheiro público em benefício de
poucos.
ou
Devem-se tomar medidas que sejam enérgicas e (que) proíbam o uso do dinheiro público em
benefício de poucos.
25 Erros de comparação
Deve-se evitar a omissão de certos termos nas comparações, sob pena de comprometer a
clareza, como nos exemplos:
Errado:
Obteve um total de votos maior do que o adversário.
Nessa construção, estabeleceu-se uma comparação entre o total de votos e o adversário,
quando o certo é comparar apenas o total de votos de cada um.
Certo:
Obteve um total de votos maior do que o total do adversário.
ou
Obteve um total de votos maior do que o do adversário.
26 Ambiguidade
Se o diretor convenceu o chefe, o período tornar-se-á mais claro com uma destas opções:
c) Convenceu o diretor ao chefe sobre a necessidade de mudanças.
d) O diretor convenceu o chefe sobre a necessidade de mudanças.
O assunto provoca receio mesmo naqueles que dominam bem a gramática. Vamos explicar
com muito calma, então. Observe as orações abaixo.
O livro sumiu = primeira oração.
Comprei o livro = segunda oração.
Se desejarmos unir as duas orações e formar apenas uma construção em período único, seria
necessário fazer uso de pronome relativo.
O pronome relativo é o termo que possibilita que um termo não seja repetido
desnecessariamente na frase. No exemplo acima, unindo as orações com pronome relativo temos a
seguinte estrutura.
O livro que comprei sumiu.
Como o verbo “comprar” não pede preposição, não houve necessidade de qualquer preposição
antes do pronome relativo. Nem sempre é assim. Observe o segundo exemplo.
O livro sumiu = primeira oração.
Refiro-me ao livro = segunda oração.
Para que a frase fique correta, a preposição “a” pedida pelo verbo “referir-se” deve estar antes
do pronome relativo ao se unir as orações.
Veja.
O livro a que me refiro sumiu.
Os pronomes “cujo” e suas variações são empregados para dar ideia de posse ou complemento
do substantivo. Observe as orações.
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