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Tradução: Marggies

Revisão Inicial: Gi Vagliengo


Revisão Final: Jack
Leitura Final: Maiara
Formatação: Lola
Verificação: Anna Azulzinha
Laila acreditava de coração que o

matrimônio deveria ser baseado em amor, não

em obrigação.

Sua união com o Sheik Jabril ajudaria a

melhorar e manter a estabilidade política de seu

país, além de trazer honra e orgulho ao povo de

sua província. E Jabril era com certeza bastante

atraente. Era alto, com a constituição de um

Deus olímpico e transpirava poder e

masculinidade. Mas esse homem era um jogador

da pior classe, com amantes espalhadas pelo

mundo! Ela sabe que não pode dizer não ao Sheik

da Surisia, assim solicita, respeitosamente, que

tratem seu matrimônio como o acordo de

negócios, tal como é. Qual é sua resposta? Beijá-la!

Com esse beijo, mostra que não aceitará nada

menos que um matrimônio completo, mas ela

também descobre que sua paixão e presença


física provocam algo dentro dela que não pode

controlar.

Em seu primeiro evento público juntos, Jabril

confirma que escolheu uma esposa excelente. Não

só é assombrosamente bela, mas também

inteligente e com grandes habilidades sociais.

Será uma companheira digna para governar seu

reino e compartilhar sua cama! Sua resposta

tremente às suas carícias o excita, mas a sugestão

de que vivam vidas separadas o confunde e

diverte. Não permitirá isso. A intensidade de seu

primeiro beijo persiste em sua memória e não se

deterá até que tenha provado tudo o que ela pode

dar. Ele a quer em sua cama, a cada noite. E

assim será!
Ficava em pé e se sentava,
conforme fosse necessário. Olhava para cima e para baixo,
sorria para os repórteres, virava à direita, virava à esquerda.
Sorridente, olhava diretamente para as câmeras, fingia que
suas brincadeiras eram engraçadas, que suas luzes não
causavam calor tão intenso que parecia estar sob o sol do
deserto que brilhava no exterior. Ou que o cheiro de todos
aqueles corpos suados não estava deixando-a enjoada.

Tudo era um espetáculo miserável, berrante e falso! Por


dentro, estava trêmula de raiva, mas por fora aparentava
calma e tranquilidade. Não podia permitir que sua ira ou sua
repulsa fossem aparentes. Devia permanecer ali, sorrindo
como uma idiota, enquanto os repórteres tiravam todas as
fotos que quisessem.

—Agora podemos continuar —sussurrou-lhe a criada de


seu pai ao ouvido. Laila assentiu ligeiramente com a cabeça
para agradecer à imprensa, como se realmente acreditasse
que estavam lhe prestando um serviço. Ao mesmo tempo,
assegurou-se de não se fixar em nenhum deles. Não queria
dar qualquer incentivo.

Saiu da sala abarrotada de repórteres, forçando a seus


pés a avançarem e seguiu a criada de seu pai. Não ia se
envergonhar seguindo seus instintos, que a impulsionavam
para a direção contrária. Se pudesse fazer as coisas do seu
jeito, fugiria para o mais longe possível. Incomodava que a
obrigassem a participar dessa ridícula montagem. Odiava a
maneira que todos a tratavam, como se fosse simplesmente
uma boneca para estar em pé, posar e mover-se como
quisessem.

E embora a sessão de fotos tivesse sido horrível, o


seguinte foi ainda pior. Laila desejou deixar de mover os pés,
ter coragem para escapar, para dizer ao mundo com a fuga
que não ia suportar aquela farsa absurda. Mas não podia.
Não ia envergonhar a sua família fazendo algo tão covarde
como fugir, assim seguiu avançando. Seu estômago começou
a lhe dar problemas outra vez, assim se escondeu nesse lugar
privado que criou em sua mente, no mais fundo de seu ser,
um lugar secreto onde ninguém poderia feri-la, nem a
assustar. Um lugar onde não estava a ponto de casar-se com
um desconhecido poderoso e aterrador. —Isto não está
acontecendo—, disse a si mesma.

Respirou profundamente, enquanto percorria o corredor


comprido e minuciosamente decorado, sentindo um bendito
atordoamento, que acalmava todas suas preocupações. Não
escutava as pessoas que a rodeavam, nem as via realmente,
apenas reagia ao toque e olhar de seus olhos. Poderia lutar
com toda aquela farsa, sempre que tivesse aquele lugar
secreto e impenetrável em seu interior.

—Sua Alteza Real, o Príncipe Jabril O Amin Yarin, Sheik


da Surisia! —Anunciou alguém.
Laila se retraiu mais um pouco em sua mente, não
queria que lhe importasse, não queria nem sequer interessar-
se pelo homem que seria seu marido. Sabia que era bonito e
poderoso, jantara com ele uma vez vários meses atrás, antes
de sequer saber que era uma candidata para converter-se em
sua esposa. Disseram-lhe uma e outra vez o grande líder que
ele era, o grande e honrado que era o príncipe.

E não podia contar quantas vezes disseram que ela era


uma afortunada. Por que não podia ser a desafortunada
apenas dessa vez?

Observou com fria indiferença, enquanto o homem


avançava. Não olhou para seu rosto. Já o vira, quando se
sentou do outro lado da mesa e muitas vezes mais na tela de
seu notebook, nas notícias, nos informes sobre qualquer das
fabulosas coisas que ele fez pela Surisia. O povo tinha
predileção por ele, acreditavam que era mais do que apenas
seu governante. Para eles, era uma espécie de divindade
mágica e assombrosa, porque fez com que suas vidas
mudassem radicalmente. Guerras foram evitadas, negócios
cresciam, a educação melhorava e inclusive os pobres tinham
acesso a um bom sistema sanitário, água potável e
mantimentos. As colheitas floresciam, graças ao enorme
sistema de irrigação implantado.

Aos olhos do mundo, o Sheik Jabril não podia


equivocar-se.

Enquanto o observava aproximar-se, notou que seus


ombros preenchiam a farda de maneira... Ia pensar —
aceitável—, mas em seu lugar a palavra —fabulosa—
apareceu em sua mente. Quase sacudiu a cabeça e se retraiu
outra vez. De volta a esse lugar secreto. Não lhe interessavam
seus ridículos ombros. Não lhe importava que fosse alto e
tivesse um aspecto escandalosamente musculoso. Nada disso
podia lhe importar menos...

Deus! Estava mais perto do que se esperava. Forçou um


ligeiro sorriso no rosto e fingiu que estava em algum outro
lugar. Imaginou um vale recôndito com um pequeno riacho
próximo, uma brisa suave lhe balançando o cabelo...

Quase soltou um suspiro forte quando finalmente ele


chegou a seu lado.

—Boa noite, minha senhora —disse ele com sua voz


profunda. Mas ela seguia sem levantar o olhar. Sua mente
disse a sua mão que se movesse, que estendesse o braço para
estreitar sua mão, mas não pôde. Não podia se mover. Ele era
muito alto! Era muito intimidante!

—O riacho! Pensa no riacho—, disse a si mesma, com


firmeza. Mas então, ele baixou a mão, apanhou a dela e Laila
quase separou seus dedos dos quentes e fortes dele, com um
puxão. Não podia acreditar no calor quase doloroso que
percorreu seu braço, com apenas um toque!

Jabril observou a surpreendentemente bela mulher de


cabelo negro brilhante e a pele cremosa. Estava fascinado
pelo peculiar olhar inexpressivo que tinha, mas quando ela
começou a afastar-se, ele se negou a soltar sua mão,
alimentando a fúria que sentiu quando Laila não quis olhá-lo
aos olhos. Que jogo estava fazendo? Iriam se casar em dois
dias!

Mas agora, enquanto segurava firmemente sua delicada


mão, compreendeu que não era porque não estava
interessada. Sua mão tremia muito ligeiramente e um rubor
rosa aparecia em seu pescoço comprido e elegante. Ah, sua
querida prometida não era tão fria e distante como queria
aparentar. —Interessante—, pensou ele com renovado
interesse.

Sentiu como tremia e soube que estava aterrada. Jabril


compreendeu seus temores com racionalidade. Encontrava-se
em uma posição de poder e debilidade ao ser a noiva de um
desconhecido, embora estivesse a ponto de converter-se em
uma princesa. Em vista de tudo, uma surpreendente emoção
surgiu dentro dele. Nunca antes sentira compaixão por uma
mulher, mas aquela mulher assustada e tremente, com seus
adoráveis olhos castanhos claro e seus lábios carnudos e
sensuais, despertou nele uma atitude protetora que jamais
sentiu. Geralmente, apreciava seus corpos suaves e suas
mentes criativas, quando as conhecia no quarto. Mas, além
disso, nunca pensou que uma mulher bonita pudesse ser
algo mais que um brinquedo.

Esta era diferente de alguma forma e não porque era


surpreendentemente bela e tivesse uma silhueta que faria
qualquer homem se ajoelhar.
Concentrou-se no presente, sem pensar em quanto
desejava deitar-se com ela e fez uso do cavalheirismo que sua
mãe se esforçou tanto em lhe inculcar.

—Boa noite, minha senhora —disse ele, lhe sujeitando a


mão e se inclinando ligeiramente. —É agradável conhecer
oficialmente a minha futura esposa.

Disse-o como uma brincadeira, pois sua apresentação


em um jantar de gala do Estado, um tempo atrás, mal lhes
deu a oportunidade de se conhecerem. Havia muitos mais
convidados e ela nem sequer sabia que a considerava como
uma noiva em potencial. Mas ele sentia que a conhecia, já
que lera o relatório detalhado que reunira sobre ela.

Laila levantou ligeiramente o olhar, mas não o olhou aos


olhos. Aquilo era um grande engano! Percorreu seu corpo
magnífico com o olhar, tentando ignorar o comichão que seu
tato lhe causava nos braços e a louca e gelatinosa sensação
de seus joelhos. Não queria olhá-lo, temia que sua presença
fosse mais do que pudesse suportar, mas seus olhos se viram
atraídos para seu rosto, precisava ver se realmente era tão
bonito como recordava. Os olhos lhe palpitavam um pouco,
mas estava furiosa, porque ele tinha o poder de irromper em
seu lugar secreto, de invadi-lo e arrastá-la fora. Não tinha
nenhuma defesa contra aquele homem e isso o fazia mais
perigoso. Como podia ele fazer isso sem tentá-lo sequer? Ela
queria apartar a mão, deter a louca sensação que Jabril
transmitia através de suas mãos unidas, lhe queimando a
pele e fazendo que o sangue disparasse por todo seu corpo.
Mas todos os olhavam. Toda a família dela, a família dele,
seus conselheiros e cada pessoa poderosa do reino esperavam
a ver como ela reagiria em sua apresentação pública formal.

—Obrigada —ela tentou dizer algo mais, articular mais


palavras que fossem uma saudação ou uma resposta a sua
afirmação jocosa, mas, naquele momento, não podia pensar.
Estava muito ocupada assimilando o enorme homem que
estava a sua frente. Não só era alto, ela mal alcançava seu
queixo, seus ombros eram largos e imponentes. E não tinha
nem um grama de gordura a mais em seu corpo. Era de
constituição sólida, com uma boa musculatura e os olhos
mais intensos que já vira. Aqueles olhos negros agora a
estavam atravessando, tentando ver sua alma. Não gostava
daquilo. Possivelmente, gostava da sua mandíbula robusta ou
dos lábios firmes que quase pareciam rir a todo momento,
mas certamente que não gostava daqueles olhos invasivos.

—O problema é que todos estão nos olhando—, disse a


si mesma. Qualquer um se sentiria incômodo nesse tipo de
situação e sua reação não era culpa desse homem. Sua
presença e seu toque não a afetavam, absolutamente. Ao
menos, é o que ela dizia a si mesma mentalmente, uma e
outra vez, tentando encontrar o caminho de volta a seu lugar
secreto, onde não estava aterrada, nem confundida ou
zangada pela sorte que o destino lhe deu.

—Concederia a honra de compartilhar a primeira


dança? -Perguntou ele. Laila mordiscou a boca, queria
recusar seu convite, mesmo que todos estivessem esperando
que iniciassem a dança para se juntarem a eles. Ninguém
ousaria dançar até que ele desse permissão. Era regra
absoluta, já fora informada de como se desenvolveria aquele
encontro. Iriam se reunir, dançar e, em seguida, ele a
apresentaria a todos os membros de seu gabinete. Haveria
um generoso bufê disposto na sala ao lado para socializar e
ela seria exibida, posta à prova e avaliada. Analisariam todos
seus movimentos e no dia seguinte lhe informariam como
melhorar sua atuação nesse tipo de evento.

Ela ignorou os avisos desagradáveis quanto a tudo o que


deveria fazer e se concentrou no presente, em sua pergunta,
para poder superar a noite momento a momento.

—Eu adoraria —respondeu Laila, enquanto Jabril


envolvia sua cintura, aproximando-a.

Inclusive com os saltos, mal chegava ao ombro e não


gostava de se sentir pequena e indefesa. Queria se sentir forte
e poderosa. Queria gritar a todos que aquilo era uma farsa!
Que não faria parte desse casamento arranjado apenas para
propiciar a paz e a felicidade em toda a região.

Mas não podia fazer nada disso. Em seu lugar, deixou


que ele a aproximasse mais, enquanto ela fixava sua atenção
nos detalhes de seu uniforme militar. Contou as medalhas
com o olhar, forçando-se a pensar em coisas mundanas,
porque não podia assimilar as sensações que essa
proximidade provocava.

Maldito seja! Inclusive, dançava divinamente. Havia algo


que esse homem não pudesse fazer? Ficaria feliz se tivesse
pisado em seus pés ou se a tivesse feito girar de forma que
tropeçasse. Qualquer coisa, apenas para que pudesse se
afastar e respirar. Naquele momento, soube que podia odiar,
honestamente, esse homem.

Odiá-lo por ser perfeito? Que pensamento mais


estúpido. Mas aí estava. Odiava-o genuinamente. Mas não
por ser perfeito. Porque, no fundo, ela sabia que ninguém era
perfeito, ela conhecia muito bem o lado escuro da
personalidade desse homem.

Era um jogador do pior tipo. O Sheik Jabril desfrutara


de uma sucessão de amantes, várias muito conhecidas pelo
público, antes da inesperada e trágica morte de seu pai, mas
Laila fora além dos relatórios superficiais, já que desejava
saber tudo sobre aquele para quem a estavam empurrando.
Contratou alguém para investigar seus flertes sexuais. Sabia
os nomes de tantas amantes, que lhe parecia inacreditável
que um homem pudesse ter se deitado com essa quantidade
de mulheres. E o pior, é que, segundo aquele relatório, uma
dessas aventuras foi no fim de semana anterior! Enquanto a
obrigavam a fazer compras para o casamento, a morrer de
fome para que os repórteres de todo o mundo não a vissem
gorda ou desalinhada enquanto a fotografavam uma e outra
vez, aquele homem tinha uma confusão com uma bailarina
de Paris, com quem se encontrara ali, no fim de semana.

Não ia ser o tipo de esposa que fica sentada com um


aspecto ridículo, enquanto seu marido joga com qualquer
mulher que lhe agrade. Possivelmente estivesse legalmente
casada com ele, mas pelo que dizia respeito a ela, o resto do
contrato ficava nulo e sem validez.
Porém, esse era um assunto para o dia seguinte. Aquela
noite, era tudo pelo espetáculo. Tinha uma atuação para
oferecer aos outros e, se interpretasse bem seu papel, poderia
enganar a todos. Centrou-se no momento e o lugar e se
forçou a interpretar sua parte.

—Sua Alteza, foi um grande prazer ler a respeito de


todas as mudanças que houve na Surisia nos últimos anos.
Sua liderança trouxe muitos avanços à população. Estou
certa de que sente muito orgulho de seu trabalho.

—Os resultados não são apenas meus —respondeu ele,


parecendo cada vez mais irritado. Queria ver seus olhos, ler
seu pensamento e não somente escutar as palavras que
surgiam daqueles lábios sensuais. —Muitas pessoas
participam para que um projeto tenha êxito.

—Boas palavras—, pensou ela. Assim não tinha um


grande ego. Ou possivelmente apenas dizia o que sabia que
outros esperavam dele, como ela estava fazendo agora.

—Isso é muito generoso por sua parte, Sua Alteza.


Tenho certeza que foi sua visão que outros levaram a cabo. E
escutei que trabalha incansavelmente pelo bem de seu povo.

Ao menos, isso diziam os rumores. Aquele homem


poderia ser um completo inútil, mas com uma boa equipe de
relações públicas pareceria um super-herói para seus
compatriotas.

—O que imagina para nosso povo? —Perguntou ele,


trocando um pouco de tema.
Ele não queria escutar seus clichês. Soavam ensaiados.
Queria chegar a conhecer essa mulher. Tentara combinar
encontros com ela antes daquele fim de semana, mas
algumas complicações impediram essa possibilidade.

Piscou, surpreendida pela pergunta.

—Eu?

Definitivamente, não esperava essa pergunta. Era um


truque? Tentava pô-la a prova, descobrir se ela tinha opiniões
diferentes das suas?

Ele soltou uma pequena risada e olhou esses bonitos


olhos castanhos, que pareciam confusos e surpresos, embora
não imaginava pelo que poderia ser. Também estava surpreso
pelo muito que gostava de seus olhos. Era muito bela e tinha
uma figura preciosa, que desejava explorar minuciosamente.
Estava realmente surpreso pela intensidade com que estava
reagindo a ela, agora que olhou em seus olhos. Pouco antes,
ela estivera cálida e suave entre seus braços, embora um
pouco rígida e ainda nervosa. Mas agora que, por fim, havia
voltado sua atenção para ele, Jabril podia sentir algo mais,
algo com uma força intensa. E gostava.

—Estou certo de que existem assuntos que


considera importantes —apontou ele.

Ela entrecerrou um pouco os olhos, insegura de que


jogo ele estava fazendo.

—Ficarei feliz em apoiar seu trabalho, Sua Alteza.


Ele escutou, mas, por alguma razão, suas palavras não
lhe soavam verdadeiras. De verdade, era ela uma dessas
mulheres passivas e submissas a seu marido? Tudo o que
investigou indicava o contrário. Não a teria levado em conta
para ser sua esposa, se esse fosse o caso. Foi à universidade,
licenciou-se com honras e desempenhou um trabalho pelo
qual recebeu excelentes recomendações. Por que atuava
agora como uma mulher troféu?

Ele levantou o olhar e surpreendeu-se ao ver que o resto


da sala esperava seu sinal. Esquecera completamente de
fazer algum gesto para permitir aos outros convidados se
unirem a eles na pista de baile. Quase lhe divertia a ideia.
Nunca, jamais antes, deixou que ninguém se interpusesse ao
seu dever. Foi criado desde que nasceu para saber que tinha
obrigações para com seu país. Nunca esse sentido do dever,
nem sua claridade mental tinham titubeado. Mas depois de
cinco minutos com essa enigmática beleza, estava
esquecendo do seu cargo. Tudo o que queria era levá-la a
uma sala privada e exigir que se explicasse, que discutisse
com ele e mostrasse o fogo que, suspeitava, havia sob a
superfície.

—Bem, é melhor assim —respondeu ele, enquanto


outros se uniam a eles para dançar. —Eu não gostaria que
minha mulher tivesse uma opinião diferente à minha.

Quase riu em alto, ao ver o desgosto dela, sentiu-se


recompensado quando ela ficou mais rígida entre seus
braços, pela indignação que provocou com essa afirmação e
que ela não pôde reprimir. Sim. Possivelmente, estava
jogando algo ou tentando ser a mulher que acreditava que ele
desejava que fosse, mas por baixo desse rosto frio e belo,
havia um cérebro e uma inteligência que estavam
furiosamente ofendidos por seu comentário. Bom!

Agora, devia descobrir como convencê-la a abandonar


totalmente essa fachada. Suspeitava que seria encantadora
se saísse dessa carapaça. Aproximou-a e se alegrou ao ver
que ela tremia mais.

—Causo-lhe medo? —Perguntou, inclinando-se para


sussurrar-lhe ao ouvido. Seu corpo já estava endurecendo só
de pensar em ter a essa beleza nua em sua cama, mas não
desejava uma amante assustada. Desejava alguém com
paixão e calor. Com sorte, ela teria o mesmo fogo entre os
lençóis que, supunha, tinha para tratar com os assuntos
sociais e políticos.

—É obvio que não —replicou Laila e mordeu a língua


por ser tão irritável. Pensou que provavelmente a estratégia
mais diplomática era trocar de assunto. —É um bailarino
muito elegante, Sua Alteza.

Tentou apartar-se de seus braços, pôr certa distância


entre seus corpos porque seu aroma a estava enlouquecendo.
Havia algo que era muito... agradável! E então percebeu
aonde estavam indo seus pensamentos. Não! Esse homem
não tinha nada agradável. Era um jogador, um embusteiro e
um idiota arrogante!

Sentiu-se aliviada quando ele tomou sua mão e a


conduziu fora da pista de baile. Por desgraça, não podia
separar-se dele, pois sua mão forte e seu aperto firme a
mantinham perto. Jabril lhe estendeu um braço por sobre os
ombros e com sua outra mão a agarrava, de forma que ela
não podia se afastar. Maldito seja!

Durante os seguintes quarenta minutos, foi apresentada


a todos os membros de seu gabinete. Laila já memorizara não
só seus nomes, mas também os de seus filhos e esposas,
seus cargos governamentais oficiais e os diversos projetos que
fiscalizavam. Desempenhou seu papel muito bem, cativando
a todos seus conselheiros e esposas, fazendo perguntas,
oferecendo elogios e sorrindo nos momentos adequados.

Quando terminaram com as apresentações, Jabril a


observou com orgulho. Atuara perfeitamente. Melhor do que
ele esperava. Tinha um verdadeiro dom para fazer que outros
se sentissem cômodos.

—É maravilhosa. Todos já a adoram.

Laila não sorriu, nem mudou sua expressão. Não se


sentia orgulhosa de si mesmo. Sentia-se falsa, assim, como
podia aceitar elogios só por saudar outras pessoas? Todo
aquele matrimônio seria uma farsa e ela não era nada mais
que um dos atores dessa atuação em desenvolvimento.

—É muito amável —foi tudo o que disse ela e afastou o


olhar, não queria ver esses ombros largos nem os dedos
masculinos e fortes que descansavam com firmeza sobre sua
mão.

Não gostava que a tocasse, porque a fazia sentir-se ...


incômoda e vulnerável! Preferia ser forte e competente.
Tampouco tinha muita experiência com homens. Cursara a
universidade, mas os homens que conheceu não lhe
interessaram muito e preferiu mantê-los como amigos e
conhecidos. Nenhum deles lhe pareceu material romântico,
mas tampouco algum deles procurou um tipo de relação mais
íntima com ela. Nunca antes pensara muito nisso, mas
possivelmente havia algo que a fazia rechaçar aos homens. E
isso expunha uma pergunta muito boa.

—Por que me selecionou para ser sua esposa, Sua


Alteza? -Perguntou ela, incapaz de evitar que lhe escapasse a
pergunta, uma vez que lhe ocorreu.

Não era a primeira vez que a pergunta passava pela sua


cabeça. Perguntou-se qual era seu critério de busca, desde
que soube que estava na curta lista de candidatas. Tampouco
fizera algo para ganhar seu futuro papel. Pelo que sabia,
participara de um jantar com mais de cinquenta pessoas
presentes.

Ele olhou esses olhos castanhos e sedutores e sorriu um


pouco.

—Não acredita estar qualificada?

Ela tomou o prato que lhe ofereceu e tentou ocultar sua


irritação.

—Nem sequer sabia que fui entrevistada para um


emprego.

Ele soltou uma risada e lhe serviu um pouco de frango


assado no prato.
—Tudo é um trabalho. Verdade?

Ela afogou o som de desgosto. O matrimônio não deveria


ser um trabalho, nem depender de qualificações. O
matrimônio deveria apoiar-se no amor e respeito mútuos.
Certamente, ela não respeitava a esse homem, embora o pior
era não se acreditar capaz de amar alguém com uma falta
total de sensibilidade mais amável. Ela desejava um homem
que fosse amável e pormenorizado. Não um bruto que abrisse
passo pela vida à força, exatamente o que fez Jabril para
conseguir produzir tantas mudanças em todo o país, com
tanta rapidez. Não importava que essas mudanças tivessem
sido benéficas. Possivelmente era uma ingênua, mas, como
não gostava desse homem, não via possibilidades de amá-lo.
Uma vez mais, ele interrompeu seu castigo mental.

—Quais acha que foram as suas qualificações?

Ela resistiu a revirar os olhos, com esforço.

—Não saberia dizê-lo, Sua Alteza. Provavelmente, você


tinha requisitos muito específicos.

Ele riu de sua zangada resposta. Sim, certamente que


tinha fogo. E também havia algo nela que ele não esperava
encontrar em seu matrimônio... desejava-a. Diabos,
possivelmente pudesse inclusive respeitá-la, se pudesse fazer
que se livrasse de seu autocontrole e se expressasse com
naturalidade.

Por sorte, outro casal os interrompeu e Laila encontrou


um pouco de alivio, ante a intensidade de seu olhar e suas
perguntas.
A noite avançou e Laila interpretou seu papel à
perfeição. Sabia o que se esperava dela, mas não gostava
muito. Provavelmente, poderia dirigir-se com mais facilidade
em todas as conversas, se esse homem lhe deixasse um
pouco de espaço! Cada vez que ela se afastava e começava a
respirar com mais tranquilidade, ele se aproximava e a tocava
de algum modo. Distraía-a muito e ao final da noite só queria
gritar. As luzes brilhantes ricocheteavam nas paredes
douradas, criando um reflexo. Ao princípio era apenas um
incômodo, mas agora era completamente irritante.

—Parece cansada —disse ele, inclinando-se e lhe


sussurrando ao ouvido.

—Realmente estou —respondeu ela com a esperança de


poder afastar-se dele. Estava a ponto de abrir a boca para
perguntar se podia retirar-se a seus aposentos atribuídos,
quando ele a interrompeu.

—Eu a acompanharei a sua suíte —disse ele e tomou


sua mão com uma das suas, apoiando a outra em suas
costas.

Ela voltou a ficar rígida, sentia que sua pele ardia sob
seu tato. Tentou mover-se um pouco para não seguir tendo
sua mão nas costas, mas Jabril rebateu sua tática, tocando-a
inclusive com o braço.

Diante das tentativas de Laila para detê-lo, ele


rapidamente desculpou-se com uns poucos convidados que
ficavam, antes de conduzi-la fora do salão de baile. Quando
se encontraram na calma relativa do corredor, ela começou a
tremer mais e não pôde apartar-se dele.

—É muito amável, Sua Alteza, mas não era necessário


que abandonasse o evento tão cedo. Posso encontrar o
caminho sozinha —disse ela com todo o controle que pôde
reunir nessas circunstâncias.

Jabril apenas sorriu um pouco e a voltou a aproximar.

—É um prazer para mim, me assegurar de que chegue a


salvo a seus aposentos. Agora é minha responsabilidade.

Ela queria se afastar de seus braços, mas ele a segurou


rapidamente, então soube que não podia escapar.

—Sou perfeitamente capaz de garantir minha própria


segurança —declarou com firmeza.

Por sorte, chegaram até a sua porta e ela soltou um


pequeno suspiro de alívio pensando que por fim estaria a sós.
—Obrigada por uma noite
encantadora, Sua Alteza —disse ela, olhando os dedos dos
pés.

—Olhe-me quando falar comigo —ordenou Jabril,


inclinando-se para ela, enquanto pousava uma mão contra a
porta, por cima da cabeça de Laila.

Laila respirou fundo e se forçou a eliminar a ira de sua


expressão. Quando acreditou ter suas emoções sob controle,
moveu os olhos para olhá-lo, com a esperança de ter uma
expressão calma e controlada.

—Obrigada pela noite —foi tudo o que disse. Era


incapaz de usar a palavra —encantadora—, enquanto o
olhava. Ele teria que conformar-se com isso, se ficava
autoritário.

Jabril levantou a mão e acariciou seu rosto, com uma


suavidade tal, que ela sentiu esse tato até no estômago e
ofegou.

—O que está fazendo? —Exigiu ela.

—Um beijo de boa noite —respondeu ele, com os olhos


divertidos, enquanto observava sua expressão horrorizada.

Deu um passo para trás, de repente, espantada, mas ele


simplesmente voltou a se aproximar.
—Não!

Ele quase riu, mas se conteve. Sabia que ela se sentiria


ainda mais insultada, se visse como lhe divertia.

—Não? —Apontou ele. – Apenas não? Não tenho


autorização para tocar a minha prometida em privado? É um
privilégio que posso me permitir apenas quando outros
olham?

Laila não sabia como responder a isso, porque não teve


tempo de explicar seus sentimentos a respeito de seu
matrimônio.

—Acredito que deveríamos... —começou a explicar seus


pensamentos, mas ele a deteve com um método muito
oportuno, cobrindo sua boca com a dele.

A princípio, ela ficou surpresa, mas assim que esse


sentimento desapareceu, começou a se afastar, mas Jabril
não ia permitir. Com sua mão forte, sustentou-a pela nuca e
separou o outro braço da parede, para rodeá-la pela cintura,
apertando o corpo dela contra sua compleição dura. Laila
resistiu durante uma fração de segundo antes de que o calor
a golpeasse. Não queria, pensava que nem sequer era
possível, mas se derreteu sob seu tato. Todo seu corpo se
converteu em mingau, enquanto a boca de Jabril tomava
posse da sua. Laila experimentara alguns beijos insípidos em
encontros anteriores, mas, como a população masculina não
a impressionara com o passar dos anos, não adquiriu
suficiente experiência para saber como reagir a esse tipo de
beijo. Estava aturdida e reagiu instintivamente, agarrando-se
ao único apoio que tinha ao alcance, os ombros de Jabril.

Assim que ela tocou seu corpo com as mãos, ele


intensificou o beijo. Moveu seus lábios contra os dela,
mordiscou-a com os dentes e a princípio Laila não entendia o
que estava fazendo. Mas quando Jabril continuou com a
provocação, exigindo carícias, abriu a boca para protestar e
ele a invadiu com sua língua. Ela entendeu nesse momento o
que estava tentando fazer e não estava segura de como podia
negar.

Mas isso foi antes de que a língua de Jabril tocasse a


sua. Com essa impactante carícia, ela explodiu em chamas de
necessidade tão intensa, que sentiu verdadeiro medo.
Afastou-se, mas os lábios dele passaram de sua boca a seu
pescoço, mordiscando a pele sensível, provocando calafrios.
Fechou os olhos, prendeu a respiração e tentou apartá-lo com
as mãos, mas estas não lhe obedeciam. Não pôde reagir,
quando ele encontrou um ponto atrás de outro para deixá-la
louca, nessa sensação descendente e fora de controle.

—Por favor, pare – ofegou, quando ele alcançou sua


cintura com as mãos. Ela agarrava o tecido de seu traje
militar com os punhos, tentando descobrir o que estava lhe
acontecendo e não conseguia entendê-lo. Não gostava nada.
Ele moveu sua boca à orelha, mordeu-a e Laila se
sobressaltou. Pensou que escapara, mas deu-se conta de que
se agarrava a ele com mais firmeza. —Por favor, Sua Alteza.
Não posso...
—Deve aprender a me chamar de Jabril – grunhiu ele
em seu ouvido. Mas, felizmente, afastou-se. Ainda tinha as
mãos sobre sua cintura, mas ao menos não estava beijando-
a. Considerou-o uma pequena vitória.

Jabril a olhou aos olhos, marrons e suaves, e sentiu que


obteve uma grande vitória já que o desejo era muito
claramente visível. O mais provável era que essa esbelta
beleza quisesse ser imune a ele, mas não podia negar os
sentimentos que seu toque criou dentro dela. Gostou disso.
Ela se afastou de seus braços e ele mal podia esperar que
chegasse o momento em que estariam nus e na cama, onde
poderia descobrir todos seus segredos, conhecer todas as
coisas que Laila gostaria que fizesse para excitá-la. E sim,
queria ver que aspecto teria ela quando chegasse ao clímax
entre seus braços e se desmoronasse, tendo só a ele para se
agarrar.

Jabril esfregou os lábios de Laila, agora inchados, com o


polegar.

—Em apenas alguns dias poderemos terminar o que


começamos —prometeu ele, sentindo que a necessidade que
a dominava era quase tão grande como a que o dominava.

Laila escutou essa promessa em sua voz e se horrorizou.

—Não podemos!

Jabril pôs um dedo sobre os lábios, silenciando-a.

—Nós nos veremos no café da manhã – afirmou. —Até


então, sonhará comigo? —Deu um passo atrás e tomou sua
mão, beijando seus dedos antes de lhe mordiscar uma das
pontas. Soltou uma risada, quando ela puxou a mão de
repente, com os olhos cheios de confusão e desejo.

Laila voltou-se e tentou abrir a porta com os dedos


torpes. Por desgraça, suas mãos tremiam muito para ter
êxito. Ficou rígida, quando sentiu o peito de Jabril contra
suas costas e sua mão quente sobre seu ombro semidesnudo.
Não a tocou de nenhuma outra forma, apenas cobriu a mão
que tinha na maçaneta, ajudando a girá-la. Quis gritar, lhe
arranhar os olhos e afastar-se dele tanto como fosse possível.
Em seu lugar, entrou em sua suíte e apoiou o corpo contra a
porta, para fechá-la.

Fechou os olhos e escutou, com alívio, como as fortes


pisadas de Jabril desapareciam no corredor. Quando por fim
não as ouviu, quase se afundou no chão, quando o impacto
do beijo se afundou em seu cérebro. Conseguiu chegar com
muita dificuldade a uma das luxuosas cadeiras. Afundou a
cabeça entre as mãos e lhe entraram calafrios quando
assimilou sua reação.

Como podia ter reagido com tanta intensidade ao beijo


desse homem? Nem sequer gostava dele! Como pôde seu
corpo traí-la dessa maneira? Sentia-se indignada por sua
falta de controle e horrorizada porque ele fora capaz de lhe
provocar essa reação.

Ficou em pé e se preparou para meter-se na cama,


repassando a discussão que teria com ele pela manhã. Sob
nenhum conceito ia permitir que a tocasse dessa forma! Não
deixaria que lhe fizesse essas coisas. Teria que haver regras
estritas dentro dos limites de seu matrimônio, que o
proibiriam de fazer... essas coisas!

Deslizou entre os lençóis, enquanto repassava


mentalmente a conversa, ajustando suas palavras e seu tom
para que fossem educados, mas firmes, para que ele
soubesse a posição dela.

Se não gostasse do que ia dizer ou alguma das regras


que ia impor, poderia buscar outra mulher para ser sua
patética esposa. Ela estava determinada e não ia aguentar
esses... joguinhos!
Mal pôde dormir essa noite, muito
zangada consigo mesma por sucumbir ante a experiência de
Jabril. Estava envergonhada pela forma tão parva como se
comportou entre seus braços. Foi revoltante! Nunca reagira
dessa maneira, ao ser beijada ou tocada por um homem. A
única explicação para sua reação a ele seria a grande
experiência com mulheres que ele tinha. Simplesmente sabia
onde tocá-la e não lhe agradava que tivesse usado sua
experiência com outras mulheres para fazer que sua mente se
desfizesse!

Nas horas que antecediam ao amanhecer caiu em um


sono intermitente, mas o maldito homem não a deixava em
paz nem sequer enquanto dormia! Quando o sol começou a
iluminar o céu, saltou da cama. Seu corpo palpitava tanto
por seu último sonho que não podia passar nem um minuto
mais nessa cama enorme.

Tomou banho, vestiu-se cuidadosamente, tentando


parecer calma e em controle da situação. Usou mais
maquiagem do que o habitual, para tentar esconder as
olheiras que tinha sob os olhos. Não podia permitir que ele
visse nenhuma debilidade, nem indícios de seu sono
intermitente. Saberia que era por culpa de seus beijos e se
sentiria orgulhoso de si mesmo por lhe alterar o descanso
dessa maneira. Inclusive lhe disse que sonhasse com ele
antes de ir! Santo céu! E como sonhou com ele! De maneira
nenhuma deixaria que ele soubesse o que sonhou! Durante
os breves períodos em que dormiu, teve os sonhos mais
eróticos, apenas para descobrir que ele não estava com ela.

—Aff! – Gemeu, quando saiu furiosa de sua suíte.


Precisava de café! Depois de perguntar a um dos criados, por
fim encontrou o salão onde estavam servindo o café da
manhã. Surpreendeu-se ao encontrar o pequeno e acolhedor
salão muito perto de seus aposentos. Deteve-se apenas um
segundo para avaliar as cores quentes e acolhedoras, antes
de localizar o café e alcançá-lo. Serviu-se, tomou um primeiro
gole revigorante e fechou os olhos, enquanto a cafeína lhe
sacudia todo o sistema. Suspirou e se apoiou contra a mesa
do café, sentindo como todo seu corpo recuperava o
equilíbrio. Provavelmente, deveria importar que tivesse esse
equilíbrio graças ao café, mas depois da noite que tivera, já
não lhe importava.

—Noite ruim? —Perguntou uma voz profunda.

Laila abriu os olhos e olhou a seu redor. Encontrou


Jabril, sentado em uma poltrona profunda e de aspecto
cômodo, em um dos cantos do salão, enquanto revisava um
jornal, que agora tinha aberto sobre suas pernas.

—O que faz acordado tão cedo? —Exigiu ela furiosa,


sentindo que ele invadira seu espaço privado. Não era de tudo
justo porque era uma convidada no palácio, mas já não
pensava com claridade. Somente queria tomar uma xícara de
café em silêncio e a sós para poder recuperar o controle. Era
pedir muito isso?

Parecia que sim!

Ele depositou sua própria xícara de café em uma mesa


que havia junto a sua poltrona e ficou em pé.

—Tomo café da manhã cedo todos os dias. Por que você


está acordada tão cedo? —Perguntou, aproximando-se dela.

Observou a beleza furiosa, enquanto o sol da manhã


prendia fogo a seu cabelo e voltou a endurecer o corpo. Quase
parecia que não se separou dela na noite anterior e o desejo
de tomá-la se apropriou dele com mais força que nunca.

—Eu... —gaguejou ela, enquanto tentava pensar uma


resposta, mas o tinha tão perto que seu cérebro decidiu parar
de funcionar.

—Problemas para dormir? —Perguntou ele, enquanto


levantava pouco a pouco a mão para a face dela e, com a
parte áspera de seu polegar, esfregava as olheiras que tinha
sob os olhos.

Laila não podia acreditar que, com apenas essa suave


carícia, queria apertar todo seu corpo contra o dele e
expressar a gritos sua confusão. Não entendia o que lhe
estava passando! Esse homem a estava deixando louca! Fazia
que se comportasse de maneira que não era própria dela!

Afastou-se e teve que deixar a delicada xícara de café


sobre a mesa, porque repicava com força contra o pires por
culpa do tremor de suas mãos.
—Acredito que temos que falar —disse ela com a
esperança de que seu tom de voz fosse firme e seguro.

Jabril sorriu ligeiramente, aliviado por não ter


imaginado a forma em que ela reagiu à sua carícia a noite
anterior. Também fora difícil para ele dormir, já que não pôde
deixar de pensar em quanto queria entrar em seu calor suave
e lhe fazer amor, até que ela gritasse em sua liberação.

—O que você gostaria de conversar? —Perguntou ele,


pouco interessado. Estava seguro de que se não era nada que
implicasse que ambos se despissem, não lhe interessaria.

—Quero falar do nosso matrimônio.

Ele se sentou do outro lado da mesa e assinalou o outro


assento com a cabeça, lhe indicando que ela também deveria
sentar-se.

—O que acontece nosso matrimônio? —Perguntou Jabril


quando ela se sentou em frente a ele, rígida. Não era
exatamente falar de despir-se, mas quase.

—Ao menos, essa é minha ideia de como será nosso


matrimônio—, pensou ele para si mesmo. —Sim, haverá
muita nudez em meu matrimônio. Assim que a maldita
cerimônia termine—, prometeu-se em silêncio.

Ela se endireitou em sua cadeira, determinada a ter


essa discussão sem as emoções que estavam nublando seu
julgamento. Respirou fundo e começou a falar.

—Agradeço sinceramente que me escolhesse para ser


sua esposa – mentiu, sem se incomodar em olhá-lo, por medo
de ser incapaz de continuar. —Mas não acredito que haja
nenhum amor perdido entre nós dois. Nem acredito que haja
forma alguma de que nasça esse amor. Não da forma em que
começou esta relação. Esta é uma relação de negócios —
explicou ela, olhando fixamente a seu prato vazio e com as
mãos debaixo da mesa para que ele não pudesse ver como
tremiam.

—Uma relação de negócios —disse ele sem nenhuma


entonação em sua voz.

—Não há melhor reação que um rechaço firme—, disse-


se a si mesma e prosseguiu.

—Sim. Acredito que esse é o melhor enfoque. Se


seguirmos com este negócio e fizermos o que cada um
acredita que é conveniente, podemos nos levar bastante bem.

—O que quer dizer?

Ela respirou fundo, esperançosamente, já ele não


rejeitou seu argumento, sem pensar duas vezes.
Possivelmente, talvez aceitasse sua ideia, até poderia ser que
ele mesmo quisesse ter esse tipo de relação.

—Tivemos vidas separadas, até agora. Não vejo nenhum


motivo para que algo mude.

—Exceto que amanhã estaremos casados.

Ela não pôde ocultar completamente seu tremor


nervoso, mas seguiu falando, fingindo que aquilo não
aconteceu.
—Sim, bom, não vejo motivos para fazer nenhuma
mudança, exceto que viverei contigo no palácio.

Ele posou cuidadosamente sua xícara de café, sua


mente tentava compreender o que ela pretendia. Por
desgraça, não ia servir. Possivelmente, teria servido se ela
não tivesse tremido como o fez entre seus braços. Ou se
tivesse resistido a seu beijo. Ele a selecionara por sua
inteligência e seu enfoque considerado em relação aos
aspectos sociais da vida. Pensou que seria uma boa ajuda
para seu governo. Até o momento em que contemplou seus
olhos a noite anterior. Esse foi o momento em que tudo
mudou. E maldito fosse se ignorasse essa química que
pareceu arder entre ambos. Tampouco ia permitir que ela a
ignorasse. Era muito intensa, muito quente para ignorá-la.

—E quanto a ter filhos? —Perguntou ele.

Outra vez, pensou em seu dever de fazer amor com sua


esposa. Nunca imaginou que desfrutaria do processo. Nunca
antes desejara uma mulher tanto quanto desejava esta.
Seguia sentada do outro lado da mesa, tentando parecer
calma e composta, sendo que ele sabia que tremia pela
mesma necessidade que ele. Laila simplesmente não sabia o
que era. Mas Jabril estava mais que preparado para lhe
ensinar, para lhe explicar em íntimo detalhe que, o que
ambos sentiam, não era algo que pudessem ignorar.

Suas palavras animaram a Laila e esboçou um pequeno


sorriso, ignorando o aperto que sentia no estômago, cada vez
que o olhava diretamente do outro lado da mesa.
—Entendo que crianças sejam uma parte fundamental
de nosso matrimônio. Estou disposta dar-lhe um ou dois
filhos —explicou com voz cortês. —É outro aspecto mais de
nossa relação que podemos administrar como se fosse um
negócio.

Estava fascinado tanto quanto ao rubor que cobriu seu


rosto, como a ideia de conceber filhos —como se fosse um
negócio—.

—Estou ouvindo —disse ele, à expectativa.

Laila não podia acreditar que estava sendo tão cortês e


amável. Não estava segura do que sentia, mas disse a si
mesma que estava aliviada, porque ele fora tão razoável com
respeito a tudo isso. Esperava uma briga, uma discussão no
mínimo. Tampouco ia permitir que ele ganhasse a discussão.
Tinha uma razão muito válida e não ia se desviar de seu
curso. Não seria um matrimônio verdadeiro, assim deviam
marcar uns limites.

—A medicina evoluiu. Não é necessário conceber filhos


tendo... – Seu rosto se acendeu e desejou poder estar mais
relaxada com esse assunto, mas era um tema estranho. —
Bom, podemos procurar ajuda para conceber a nossos filhos
—terminou de dizer incomodamente.

—Ajuda? —Jabril quase riu.

Laila escutou o humor em sua voz, mas decidiu ignorá-


lo. Ele não rejeitou sua proposta logo no início, assim
mantinha a esperança.
—Sim. Podemos procurar um médico, extrair... —nem
sequer podia dizer a palavra —sêmen—, já que a fazia pensar
nele sem roupa —... as partes necessárias e fazer a mescla
em um laboratório. É uma forma limpa e singela de obter
nossos objetivos. Nem sequer é necessário que nos vejamos.

Ela estava sentada em frente a ele, levantando o queixo


de forma desafiante, enquanto Jabril seguia olhando-a
fixamente em silêncio.

—Há apenas um problema com sua solução —replicou


por fim ele, esfregando o queixo, enquanto contemplava a
encantadora e aterrada mulher sentada em sua frente.

Estava aturdida, que houvesse apenas um problema.


Esperava que discutisse com ela, dizendo que a opção médica
simplesmente não era a melhor forma de tratar o problema,
blá, blá, blá. Estava totalmente preparada para rebater cada
um de seus argumentos, assim esperou, pronta para disparar
uma solução a quão seguinte dissesse.

—Qual é? —Perguntou ela, quase relaxada porque ele só


exporia uma objeção.

—Este —disse ele e, com um movimento rápido, quase


impossível, plantou-se junto a ela de algum jeito e a arrancou
de sua cadeira, diretamente entre seus braços.

Não esperou a que ela objetasse, simplesmente cobriu a


boca com a sua e a beijou. Ao princípio, empurrou-o pelos
ombros, mas assim que suas línguas se tocaram, ficou
perdida. Rodeou seu pescoço com os braços que antes
estavam empurrando, apertou seu corpo contra o de Jabril e
sua mente ficou em branco, quando o fogo que havia entre
eles explodiu uma vez mais.

Não poderia ter se separado de seus braços, embora


tivesse querido. Apoiou-se um pouco mais, sentindo uma
intensa necessidade de intensificar o beijo, de sentir mais
essa sensação mágica que surgira em seu interior. Seus
argumentos simplesmente abandonaram sua cabeça com a
primeira carícia.

Então, ele deslizou as mãos por debaixo de seu pulôver


e ela notou a sensação ardente. Era tão intensa que,
inclusive, deu um passo para trás, aturdida não apenas por
estar entre seus braços, mas também confusa pelo que
acabava de acontecer.

—Por que fez isso? —Perguntou ela, enquanto baixava o


pulôver. —Não quero que faça isso!

Jabril não estava certo se ria ou rosnava. Desde que ela


o olhou, essa necessidade de tê-la, de possuí-la, de conhecer
cada centímetro de seu corpo estava tomando o controle dele
e se tornava cada vez mais poderosa. Enquanto isso, lhe
propunha ter um matrimônio em que nunca se tocassem,
nem sequer vissem um ao outro. Não, isso não ia acontecer.
De fato, nem sequer estava certo de que pudesse aguentar até
o dia das bodas sem fazer amor com essa mulher.

—Por que fiz isso? —Observou-a atentamente, irritado


porque, mesmo diante dos indícios, ela ainda tentava negar a
forma em que seus corpos reagiam um ao outro, inclusive. —
Porque entre nós não vai haver nenhum tipo de matrimônio
estéril. Vamos conhecer um ao outro, vamos fazer amor uma
e outra vez, vamos criar nossos filhos e fazer crescer este país
e vamos fazê-lo juntos. Brigaremos e irritaremos um ao outro,
mas garanto que, vendo os dois últimos beijos que tivemos,
também haverá muita paixão.

—Não! —Espetou ela. Ela retrocedia, ele a espreitava e


não podia pensar como fazer para que se detivesse. —Não o
faremos! Volta com suas amantes e suas amiguinhas se
quiser isso! Não vou suportar um marido que trai a seu
desejo.

Ele se deteve e a observou, surpreso pela raiva que lhe


estava mostrando.

—Que amantes? —Perguntou, paralisado, esperando


que ela respondesse.

—As que tem em seus apartamentos de Paris e Nova


Iorque! Ou as diversas mulheres que com muito gosto
estiveram em sua cama, sem lhes importar que a entrada de
seus aposentos seja como uma porta giratória!

Estava tão furiosa que tremia e odiava que ele pudesse


lhe fazer sentir assim. Tinha toda a resolução de ser imune!
Queria isolar-se desse matrimônio e manter-se a distância
dele.

Jabril sacudia a cabeça.

—Não tenho amantes em Paris ou Nova Iorque.


Tampouco houve uma sucessão de mulheres que viessem ao
palácio para compartilhar meu leito. E sinto muito te dar a
notícia, mas você vai ser a única mulher em minha cama de
agora em diante, Laila.

Ela ofegou e sacudiu a cabeça, furiosa que ele mentisse.

—Por que mentiria sobre algo como isso se sabe que não
me importa? E mais, por favor, conserva a todas suas
amantes! Nem sequer quero receber seus cuidados, assim
não há motivos para que renuncie às outras mulheres!

Ele soltou uma risada e se aproximou dela uma vez


mais.

—Vamos ter que fazer algo com este seu hábito de


mentir para mim, meu amor.

—Não sou seu amor! Não amamos um ao outro! Não


sentimos nada pelo outro. Isto não é mais que uma relação
de negócios.

De novo, ele sacudiu a cabeça e estendeu a mão, esteve


a ponto de agarrá-la, mas desta vez ela foi mais rápida. Ficou
fora de seu alcance de um salto.

—Jabril, por favor! Não faça isto! Não me casarei com


você, se quiser algo mais que este acordo comigo.

Ele voltou a soltar uma risada e a apanhou em um


canto. —Vamos no casar. Amanhã será minha esposa.

Ela sentiu calafrios, quando o corpo dele pressionou o


seu.

—Por que não procura uma mulher que o deseje? Eu


não sou uma delas!
Jabril deslizou a mão ao redor da cintura, aproximando-
lhe ainda mais e voltou a colocar os dedos por baixo do
pulôver, fazendo-a ofegar e abrir os olhos de surpresa.

—Porque quero você. E se deixasse de mentir desta


forma tola, poderíamos tentar ter algo muito especial, os dois
juntos.

Laila tentou afastar suas mãos, mas ele simplesmente


voltou a deslizá-las por sua pele, fazendo que um rastro de
fogo lhe esquentasse o estômago. O pior era que sentia outras
reações mais embaraçosas em uma parte mais baixa de seu
corpo e não podia pensar em como recuperar essa preciosa
calma e isolamento enquanto ele a tocava.

—Solte-me —ordenou ela, mas com pouca convicção. De


fato, soou como se estivesse sem fôlego!

—Agarre-se a mim —respondeu-lhe ele, justo antes de


beijá-la, movendo as mãos ainda mais acima até sustentar
seus seios com ousadia.

Laila nem sequer podia participar do beijo, por culpa


das sensações que ardiam dentro dela, enquanto lhe tocava o
mamilo com seu polegar. Queria que se detivesse e, ao
mesmo tempo, que nunca parasse! Queria muito mais, mas
tentou desesperadamente ignorar esse sentimento.

—Simplesmente se solte e desfruta-o, Laila —sussurrou-


lhe ao ouvido. —Deixe-me te amar.

Agarrou seus punhos com as mãos, mas não tinha


forças. Sua cabeça lhe pedia que o afastasse, mas fechou os
olhos e se apoiou, inconscientemente, contra a parede que
tinha em suas costas, enquanto ele deslocava a boca por seu
pescoço, sua orelha, seu ombro, mordiscando-a e
provocando-a em todo momento. Sustentava seus peitos com
as mãos, brincando com seu ponto sensível e fazendo-a
choramingar pela necessidade repentina que cresceu até
afogar toda palavra de protesto.

—Sua Alteza... —a porta do salão se abriu e o assistente


de Jabril olhou a seu redor, horrorizado quando surpreendeu
a ambos no canto da sala. Era bastante óbvio o que estava
acontecendo e tentou sair da sala, desculpando-se entre
murmúrios.

Os olhos da Laila se abriram. Olhou fixamente o homem


que se retirava do lugar e depois os olhos escuros e intensos
de Jabril. Então caiu em conta do que acabava de fazer! O
que permitiu que ele fizesse!

Laila aproveitou a oportunidade para escapar de seus


braços. Praticamente saiu correndo da sala, tão humilhada
que nem sequer pôde fazer nenhum gesto de reconhecimento
ao assistente.
Jabril observou a sua prometida
ir-se como se os fogos do inferno lhe lambessem os
calcanhares e deu-lhe vontade de socar algo. Possivelmente a
seu assistente, que parecia mais envergonhado que Laila, o
qual era insólito.

Queria segui-la para terminar essa discussão. Não


queria que estivesse enganada nenhum minuto mais,
pensando que teriam um tipo de matrimônio estéril, mas um
olhar ao seu assistente lhe indicou que, qualquer que fora o
motivo que fez com que interrompesse, era de vital
importância.

—O que quer? —Exigiu.

E com essas duas palavras, voltava a estar imerso em


assuntos oficiais. Levou-lhe várias horas resolver a última
crise, visto que liberou sua agenda para todo o fim de
semana, abrindo tempo para a cerimônia nupcial e todas as
festividades que precederiam ao evento.

Várias horas depois, Jabril se liberou de seus assuntos


governamentais e saiu em busca de sua encantadora e não
tão tímida futura esposa. Encontrou-a no salão verde, na
metade de uma entrevista. Uma entrevista que sabia que
pediram que ele também participasse, mas que Laila estava
fazendo por sua conta. Cada vez que o repórter tentava
surrupiar informação pessoal, ela devolvia amavelmente a
entrevista a uma aparência impessoal. Era brilhante. Apenas
cedia um pouco de informação pessoal, para que o repórter
sentisse que tinha uma história autêntica, mas nada com o
que ninguém pudesse invadir sua privacidade no futuro. Se
Jabril tinha alguma dúvida, que não era assim, observar
como controlava a entrevista confirmou todas suas suspeitas.
Era fria sob o fogo, mas quente sob suas carícias. Uma
combinação perfeita.

Apoiou-se contra a parede, escutando, mas repassando


mentalmente a conversa que mantiveram esse mesmo dia.
Ela acreditava que tinha amantes escondidas? Não tinha nem
ideia do que estava falando. Não era virgem, mas tampouco
era tão audacioso para manter mais duas residências com
mulheres esperando para satisfazer seus desejos sexuais.
Diabos, nem sequer tinha tempo para viajar...

De repente, compreendeu o que estava acontecendo. De


algum jeito, ela ouvira falar das amantes de Tamar. Jabril
não tinha nenhuma dúvida de que seu primo, que viajava por
todo mundo fazendo negócios em seu nome, pudesse estar
mantendo mulheres em Paris e em Nova Iorque. Esse homem
era realmente um diplomático com ímpeto. Tamar cativava
governos e senhoritas por igual. Era o sedutor definitivo,
capaz de atrair com facilidade graças a seu aspecto moreno e
alto.

Não era que Jabril não tivesse uma intensa necessidade


sexual, uma necessidade que acabava de crescer, agora que
tivera perto dessa adorável dama. Simplesmente não tinha
tempo para flertar com o sexo oposto tão frequentemente
como gostaria. Oh, teve companheiras de cama ocasionais.
Mas apenas pôde rir, quando recordou a frase que ela usou...
uma porta giratória em seu dormitório? Ou algo do estilo?

—É bonita—, pensou. —E ciumenta! — Um bom sinal.


Sabia como se sentia ela, o que dava pé a outra pergunta
estranha. Nunca antes sentiu ciúmes, mas a ideia de que
outro homem tocasse a sua querida Laila lhe provocava um
nó de dor e fúria nas vísceras. Não, não ia permitir que
ninguém que não fosse ele tocasse a sua mulher. Laila seria
dele e só dele.

Quando esse repórter terminou e entrou o seguinte,


pronto para preparar a equipe para a seguinte entrevista,
Jabril decidiu que era hora de unir-se a sua mulherzinha.
Poderia ajudar a responder algumas das tolas perguntas e
não seria uma desgraça absolutamente sentar-se junto a ela.

—Bom dia – disse, quando entrou na sala.

Tanto a repórter como Laila voltaram-se, obviamente


surpresas ao ver que se unia para a seguinte entrevista.

—O que está fazendo aqui? —Perguntou ela, com olhos


precavidos, vendo como ele se aproximava.

Jabril quis soltar uma risada ao ver sua expressão


assustada, mas se conteve. Queria guardar toda essa
animosidade para si mesmo. Gostou do que aconteceu,
quando conseguiu evitar sua raiva. A explosão de paixão foi
completamente incrível.
—Minhas desculpas por não ter estado aqui esta manhã
—disse, lhe tocando brandamente o braço com a mão e,
quase imediatamente, sentiu sua reação. Teria sorrido, se a
seguinte repórter não estivesse instalando a equipe
apressadamente, mas sabia que Laila podia ver o triunfo em
seus olhos.

Ela tentou retroceder, afastar a mão, mas Jabril se


limitou a mover-se de forma que sua única opção era estar
perto.

—Posso me encarregar destas entrevistas, se tiver


outros compromissos.

—Tolices. Preparei-me para estar aqui. Simplesmente


surgiu algo e devia atender esse problema. Mas agora volto a
seguir a agenda.

A repórter pigarreou e todos se sentaram. Durante trinta


minutos, a repórter fez perguntas inquisitivas e ele e Laila as
responderam habilmente para que suas respostas não fossem
explícitas, mas sim educadas. E cada vez que Laila tentava
escapar de suas carícias, lhe desbaratava os planos.

Horas depois, Laila fechou os olhos quando por fim o


último repórter se foi. Não podia acreditar em quanto lhe
tremia o corpo e quão único queria era encontrar um lugar
onde pudesse esconder-se e recuperar o controle de si
mesma.

—Se me desculpar, —disse educadamente ao Jabril —


preciso ir me trocar. —Não o necessitava, nem tampouco deu
mais explicações. Só queria ir correndo a seu quarto e fechar
a porta que iria separá-la desse homem e de suas perigosas
carícias.

Em lugar disso, saiu da sala, colocando um pé diante do


outro, sem deixar que sua mente pensasse em outra coisa
que não fosse caminhar. Negou-se a se permitir pensar em
Jabril e na incrível sensação que teve quando pôs sua mão
quente sobre sua a pele. Porque não fora incrível! Fora algo
arrepiante e perigoso e muito quente.

Quase soluçou, quando chegou a sua suíte e fechou as


portas a suas costas. Apoiou-se contra a madeira pesada,
fechou os olhos e respirou fundo várias vezes, tentando
pensar o que acontecia em seu interior. Era tão fraca, que
uma mão experimentada podia anular seu controle?

Laila não podia acreditar que tivesse se permitido ser...


Não pôde terminar esse pensamento, porque alguém golpeou
a porta e, um minuto depois, teve que se afastar aos
tropeções, porque começou a abrir-se antes que pudesse
responder sequer à chamada.

Soube que era ele, antes de recuperar o equilíbrio e deu


a volta para fulminar com o olhar esse homem alto e muito
musculoso.

—Como se atreve a irromper sem ser convidado! —


Espetou-lhe, esquecendo completamente qual era seu lugar e
todo autocontrole. Sua aparência a exasperou além de seu
controle!
Jabril levantou suas sobrancelhas negras ao escutar
seu arrebatamento, mas se limitou a sorrir e fechou a porta
atrás dele.

—Atrevo-me porque posso – respondeu, entrando no


quarto, aproximando-se dela.

Os olhos de Laila brilharam, ao dar-se conta de que


realmente ele tinha todo o poder. Motivo pelo qual ela estava
ali, pelo qual se encontrava nessa situação abominável!

—Bom, pois já pode dar a volta e sair! —Disse-lhe,


quase chiando. Mas o fez? Não! Aproximou-se mais,
acossando-a! Laila retrocedeu, negava-se a deixar que ele se
saísse com a sua. —Jabril, não é bem-vindo aqui! Saia!

—Não sou bem-vindo na suíte de minha prometida?

—Não! Ainda tenho direitos, até que estejamos casados!


Não pode me fazer isto.

—O que acredita que estou fazendo? —Perguntou ele,


enquanto sacudia a cabeça, como se tudo fosse
completamente inocente, mas ambos sabiam que não havia
nada inocente nos pensamentos de nenhum dos dois. Nesse
momento, o corpo da Laila reagia à proximidade de Jabril e
ela podia mentir o quanto quisesse, mas seu corpo não
mentia.

Esteve tremendo durante todo o tempo que passou perto


dele e agora seus mamilos estavam duros, desejando suas
carícias. Ignorava tanto as reações de seu corpo, que,
provavelmente, nem sequer sabia o que estava acontecendo,
mas ele podia ver através do pulôver leve que vestia e seu
corpo também reagiu imediatamente, ansiando lhe dar o que
desejava, independente do veneno que saía de seus bonitos
lábios.

—Acredito que tenta me assustar! E não funcionará!

Aquelas palavras o fizeram deter-se um momento.


Levantou o olhar dos volumosos e exuberantes seios, que se
apertavam contra a malha suave, de cor lavanda e a olhou
aos olhos. Leu a honestidade de seu olhar e se surpreendeu.

—Acredita que desejo assustá-la? Por que quereria que


estivesse assustada?

—Porque é...

Jabril percorreu os poucos passos que os separavam, ao


ver a emoção que brilhava nos olhos de Laila.

—Quão último quero que sinta é medo, Laila —disse


brandamente, enquanto enroscava as mãos ao redor de sua
cintura suave e esbelta. —Acredito que confunde o medo com
desejo —observou-a com atenção e prosseguiu. – Ou,
possivelmente, seu medo é um resultado do desejo que
sentimos mutuamente. —Pôde ver a verdade em seus olhos e
soube que compreendera o problema à perfeição. —Ah, Laila
—disse, inclinando-se e lhe beijando brandamente a ponta de
sua adorável boca, —não quero que haja medo algum entre
nós, meu amor.

—Não me chame assim! —Estalou ela e levantou as


mãos para empurrá-lo pelo peito, sem conseguir nenhum
resultado. —Não sou seu amor e nunca haverá amor entre
nós.
Como ela girou a cabeça, ele não pôde alcançar seus
lábios, mas seu pescoço era igual de tentador. Beijou-a
brandamente, prosseguiu mordiscando-a até a orelha e,
quando tremia, a aproximava mais.

‘ —Ah, mas está negando a possibilidade, inclusive


antes de que cheguemos a conhecer um ao outro.

‘ —Não há nenhuma possibilidade de que ame a


alguém como você!

Sua convicção absoluta o fez rir.

—Nenhuma, absolutamente? —Respondeu, deslizando a


mão por debaixo de seu pulôver.

Ela ofegou, quando sentiu o calor da mão de Jabril


contra sua pele.

—Não me toque! —Sussurrou, mas seu corpo se movia


ligeiramente, girando com a mão de Jabril, desejando mais
carícias.

Ele ignorou suas palavras e escutou ao corpo de Laila.


Deslizou os dedos sob o sutiã, explorando com o polegar o
duro pico.

—Por que ia resistir a tocá-la?

Ela voltou a ofegar, mas todo seu corpo se abrandou


com suas carícias eróticas.

—Porque não quero que me toque —disse ela, mas o


disse com os olhos fechados e a cabeça ligeiramente para
trás, enquanto ele acariciava seu pescoço com os lábios e
movia a mão por sua pele, fazendo que todo seu corpo
começasse a tremer com uma estranha sensação que não
podia compreender.

—Sim, quer que a toque —defendeu ele brandamente. —


Assim —e baixou a mão, pousando-a justo abaixo de seu
seio, coberto pelo sutiã. —E assim – sussurrou, enquanto
baixava ainda mais sua outra mão, puxando os quadris de
Laila contra os seus, para que ela pudesse sentir com mais
facilidade a reação de seu corpo.

Não queria assustá-la com a intensidade das sensações


que tinha, mas sentir essa suavidade estava deixando-o louco
lentamente. E isso foi antes de que ela começasse a revolver-
se, movendo ligeiramente o corpo, criando uma fricção que
soltava faíscas em ambos. Ah, essa suavidade era o céu e ele
se moveu para poder experimentar mais.

Quando o fez, ela ofegou e ele absorveu o ofego excitado


com sua boca, emocionado pela realidade de que não pudesse
resistir, mas era algo mútuo, porque também ele estava
apanhado por ela. A diferença era que ele não queria resistir
a sua atração. Desejava tê-la nos braços cada noite, assim
mesmo, ambos fora de controle por culpa do outro.

—Diga que me quer —sussurrou-lhe ele ao ouvido,


enquanto acariciava seus seios, roçando o pico sensível com o
polegar.

—Não te quero! —Disse irritada, mas arqueou suas


costas, apertando seu seio contra a mão de Jabril com mais
força.
—Sim, me quer. Só tem que ceder ao desejo, Laila —
disse ele, enquanto que com os dentes lhe mordiscava o
lóbulo da orelha, como castigo por sua negação. Inclusive
sorriu, quando ela se sobressaltou, mas seu corpo não se
separou de suas carícias. De fato, aproximou-se mais.

—Não posso. Não funcionará.

Ele escutou suas palavras, mas não podia acreditar que


fosse tão teimosa, mesmo quando seu corpo estava tão
pronto para ele. Assim, decidiu que só havia uma opção.
Teria que mostrar-lhe.

Levantou-a nos braços e a levou ao quarto. Ela começou


a protestar, mas ele a deixou descer sobre seus pés,
sustentando-a contra si, enquanto caia, deslizando-a contra
seu corpo. Deteve-a quando seus corpos estiveram
perfeitamente alinhados e a manteve nesse ponto, em que a
suavidade dela estava apertada contra sua dureza. Nesse
momento, Laila ficou paralisada e ele apertou os dentes,
quando sentiu o calor, a umidade que o esperava.

Enquanto a depositava sobre a cama macia, recordou a


si mesmo que deveria ir devagar. E, em nenhum momento,
deixou de amá-la com as mãos e a boca. Enquanto deslizava
a boca, de seus lábios a sua orelha e depois explorava seu
pescoço sensível, suas mãos estavam ocupadas, desfazendo-
se de todos os obstáculos. Tirou-lhe o pulôver por cima da
cabeça e não tomou nem sequer um segundo para deleitar-se
em seus peitos volumosos e belos encerrados no sutiã de cor
lavanda, porque deslizou a mão dos ombros até o pescoço. A
primeira carícia de seus dedos contra sua pele deixou-o tão
louco de desejo, que rasgou o sutiã, enquanto que, com as
mãos e a boca, tomava posse desses firmes e adoráveis
globos.

Adorava a maneira como ela gemia e ronronava, quando


lhe tocava um novo ponto do corpo, o som provocando-o
ainda mais. Cada vez que ela gemia, ele desejava escutar
outro gemido. Agradava-lhe ouvir como gostava de suas
carícias, que desfrutava com o que estava fazendo. Era tão
excitante que mal podia pensar.

E queria mais!

Quando cobriu um desses gloriosos mamilos com a


boca, ela arqueou as costas, com os olhos abertos de
surpresa pelo calor que lhe produzia sua boca. Mas não ia lhe
permitir que se afastasse. Agarrava-a com firmeza, mesmo
quando gritava. Não se deteve! Quando ela afundou os dedos
em seu cabelo para tentar afastá-lo, ele simplesmente
segurou suas mãos e as sustentou acima de sua cabeça,
impedindo que o controlasse. Ele estava no comando e se
asseguraria de que Laila desfrutasse! Não permitiria que
negasse o que sentia.

Laila não podia acreditar no que estava experimentando.


Era como se Jabril a estivesse marcando, era quase doloroso.
Apesar disso, quando ele afastou a boca, lhe dando um curto
instante de paz, ela se sentiu despojada e tentou libertar as
mãos de sua contenção para poder voltar a ter a boca de
Jabril em seu peito. Assim quando ele se moveu ao outro
peito, ela quase suspirou de alívio. Mas alívio não foi o que
sentiu, quando Jabril deslizou a língua em círculos e a
mordiscou. Parecia que havia uma ligação direta de seus
mamilos até esse lugar entre suas pernas, que sempre tentou
ignorar. O que estava sentindo a deixava envergonhada e
juntou as pernas com mais firmeza para ocultar a resposta
de seu corpo.

Quando ele deslizou as mãos por suas coxas,


surpreendeu-se mais uma vez, quando percebeu que estava
sem sua saia. A única coisa que a protegia do contato direto
com a mão de Jabril era sua calcinha cor lavanda, mas em
uma fração de segundo, ele a arrancou, literalmente, de seu
corpo. Não sentiu o movimento, houve apenas um leve som e
já não havia nada entre as mãos ou a boca de Jabril e a pele
de Laila.

A boca de Jabril desceu mais, beijando e explorando seu


estômago. Ela quis rir, quando sentiu cócegas na cintura,
mas não era exatamente essa a sensação, mas era mais um
arrepio. Afundou os pés na cama para tentar se afastar, mas
ele não a permitiu se mover. Estava presa sob suas mãos,
seus lábios e pernas. Não era justo! Queria apertar-se contra
ele, mas a sustentava com muita firmeza... E sua boca
desceu ainda mais!

—Jabril, não! – Gritou, quando a beijou ali, soprando


seu fôlego sedutoramente contra aquela parte que nunca
exibira.
—Abra suas pernas para mim, Laila —ordenou-lhe com
sua voz rouca e sensual.

—Não posso —disse quase gritando como resposta,


consciente do calor que ele estava provocando aí abaixo.
Podia sentir a umidade, queria correr e esconder-se
envergonhada. Quando lhe mordiscou a coxa, sacudiu a
cabeça com frenesi. Os dedos de Jabril soltaram suas mãos,
apenas para deslizar sensualmente por sua nudez, tocando
todos esses lugares que conquistara antes. Laila afundou os
dedos no cabelo de Jabril, agarrando os suaves fios com os
punhos, a ponto de afastá-lo para poder correr e se esconder,
mas essa boca, que a atormentava a beijou neste momento!
No ponto exato, fazendo sentir que se derretia sobre o
colchão.

—Abra as pernas – persuadiu-a outra vez, enquanto


desenhava círculos provocadores com os dedos sobre suas
coxas e joelhos. Sua mão não perguntou, se moveu sobre os
joelhos e subiu entre suas pernas. A boca de Jabril desceu e
Laila sentiu o estremecimento que a percorreu. Levantou os
olhos, para ver que seus olhos brilhavam com ainda mais
intensidade. —Deseja-me, Laila! – Grunhiu. —E será toda
minha.

Dizendo isso, seu fôlego soprou os suaves cachos de


Laila, enquanto seus dedos a provocavam, exploravam e se
aproximavam mais, cada vez mais perto de sua meta.
Quando Laila sentiu seus dedos em seu lugar secreto,
choramingou de desejo. Toda a vergonha desapareceu e só
ficou um fogo que consumia tudo. Ela acompanhou seus
dedos e sentiu que estava a ponto de estalar em chamas, mas
então a boca de Jabril a tocou. Era uma sensação muito
diferente de seus dedos e não podia decidir se queria que
parasse ou que continuasse. Quando Jabril apertou mais a
boca contra ela, Laila soube que, se parasse, morreria de
necessidade.

Jabril não a decepcionou e embora ela tivesse pedido


um pouco de piedade, não lhe mostrou nenhuma. Sua boca
era implacável e um de seus dedos deslizou dentro dela. Essa
dupla estimulação era tão intensa, que Laila mal pôde evitar
que seu corpo explodisse, mas tentou. Esforçou para não
perder o controle, temerosa do que poderia passar, mas
quando o escutou rir, suspeitou que estava em graves
apuros.

—Não permitirei que se contenha, Laila. Quero que seja


toda minha. E é minha! – Grunhiu, antes de que ela sentisse
outra vez sua boca contra seu calor.

Outro dedo deslizou em seu interior e ela se arqueou


contra a boca de Jabril, incapaz de exercer qualquer controle,
enquanto ele a beijava e retorcia, deixando-a de olhos abertos
e brilhantes, para depois fechá-los com força, quando voltava
a lhe chupar a pele sensível. E aí perdeu todo o controle. Não
podia fazer nada salvo desmoronar-se, seu corpo explodiu em
tantos pedaços, parecendo que tudo virou do avesso,
incluindo ela mesma.

Jabril a observou estilhaçar-se entre seus braços,


enquanto seguia movendo os dedos por seu corpo, para
prolongar as sensações. Quando o tremor cessou, escutando
a respiração entrecortada de Laila, sorriu vitorioso. Ficou em
pé, arrancou sua própria roupa e observou a incrível beleza
que jazia entre os lençóis enredados, acreditando que tudo
terminou.

—Ainda não, meu amor – disse, enquanto a levantava


sobre a cama. Ela ofegou, ao sentir o novo contato e abriu os
olhos, mais surpreendida que alarmada por sua carícia.
Nesse momento não podia sentir-se alarmada, porque seus
músculos já não cooperavam com ela.

—Ainda não, o que? —Perguntou, suspirando com um


estremecimento feliz.

—Não terminamos —disse ele entre risadas, quase com


dor pela necessidade de enterrar-se dentro dela, mas sabia
que devia ir devagar. —Abraça minha cintura com as pernas
—disse-lhe, movendo as pernas de Laila com as mãos, já que
não estava seguro de que seguiria sua ordem. —Sim, assim –
grunhiu, quando sentiu a suave pele das coxas de Laila
contra seu quadril. —Vamos fazê-lo devagar, Laila —disse-
lhe, em dúvidas de que seria capaz de cumprir essa
promessa.

—Fazer o que? —Perguntou ela, cada vez mais nervosa.


Então, compreendeu que estava nua. Essa parte dele, a parte
da qual ela não queria saber nada, pressionava-a e o
sentimento de alegria desapareceu. Seus dedos percorreram a
pele de Jabril, fascinada repentinamente pela textura. —O
que está fazendo? —Perguntou, enquanto seus dedos
seguiam explorando, ainda que sua mente rechaçasse a
possibilidade do que ele ia fazer.

—Sabe exatamente o que vai acontecer —disse Jabril,


pressionando sua pele, enquanto ela deslizava os dedos sobre
ele. Seu toque era tão suave, tão tentador, que queria detê-la,
mas não pôde. Precisava sentir esse toque.
Surpreendentemente, fez que ardesse ainda mais. Nunca
antes havia se sentido tão excitado por uma simples carícia,
mas agora sim. E quando ela moveu os dedos sobre seu peito,
acidentalmente tocando seu mamilo plano, já não pôde
aguentar mais a estimulação. Levantou suas mãos,
colocando-as por cima da cabeça uma vez mais e a apanhou
com seu próprio corpo.

Enquanto deslizava lentamente dentro do seu calor,


fitou seus olhos, observando como seu receio se convertia em
interesse e, depois, em algo muito mais intenso, à medida
que entrava e saia de dentro dela, cada vez mais profundo,
mas com cuidado para iniciá-la lenta e gradualmente, mesmo
que estivesse desesperado por apropriar-se de seu corpo,
enterrando-se até o final.

Quando notou a resistência, sentiu-se emocionado


porque nenhum homem a tocou antes, mas também
temeroso porque estava a ponto de lhe provocar dor.

—Sinto muito, Laila – disse, um momento antes de


entrar com força nela. Então se deteve, enterrado
completamente em seu interior, enquanto ela se movia contra
ele. Ele não se moveu, permitindo que o corpo de Laila se
acostumasse a sua invasão. Mas precisava que ela parasse de
se mexer! —Laila, não te mova, carinho.

Laila ficou paralisada durante um longo instante, mas


esse desejo, essa sensação surpreendente em seu interior,
não lhe permitia ficar quieta. Estava incômoda por seu
tamanho, mas também sabia que esse tamanho era...
perfeito! Ela voltou a mover os quadris, tentando aliviar esse
desejo desatinado que parecia que ia sufocá-la.

—Jabril —ofegou, precisando de algo, mas não sabia


exatamente como encontrá-lo.

—Não! —Grunhiu ele, encurralando-a. —Laila, fica


quieta até que...

—Não posso parar! —Gritou ela, interrompendo-o,


enquanto cravava as unhas em seus ombros tensos. —Ajude-
me —ofegou.

Quando Jabril sentiu que ela levantava os quadris


contra ele, considerou que lhe dava permissão para mover-se,
para lhe mostrar o que vinha a seguir. A princípio foi devagar,
mas quando ela gemeu a primeira vez pela fricção, ele se
perdeu. Esforçou-se por ir mais devagar, por ajudá-la a
relaxar no ato sexual, mas Laila era muito persistente e ele se
moveu com ela, mostrando o que podia fazer para aumentar o
prazer. Depois, ele controlaria a liberação de ambos,
ensinaria como aumentar as sensações, mas hoje, só
precisava lhe mostrar quão incríveis podiam ser juntos.

Assim, quando o corpo da Laila explodiu, seu clímax o


arrastou com ela e ele seguiu invadindo-a, incapaz de se
segurar ou ser suave. Não com o corpo da Laila palpitando
contra ele dessa forma.

Laila não podia pensar, mal podia respirar, enquanto


seu corpo flutuava acima de si mesmo. Tentou abrir os olhos,
mas nenhum músculo de seu corpo obedecia suas ordens.
Sentiu que Jabril se movia e choramingou. Queria que ficasse
perto dela, então suspirou de felicidade, quando viu que só se
moveu para tombar-se junto a ela, aproximando-a. Pousou a
cabeça sobre o ombro de Jabril e a mão contra seu enorme
peito, suspirando, sentindo inexplicáveis sensações que,
nesse momento, estava muito cansada para examinar.
A medida que voltava lentamente
para a realidade, também começava a sentir-se confusa.
Como poderia ter traído tanto a si mesma? E, sem dúvida, se
entregou completamente no momento no que ele começou a
beijá-la.

—Não pense, Laila —ela escutou e sentiu as palavras de


Jabril ao mesmo tempo, pois seu rosto repousava sobre seu
peito.

Laila quase sorriu, mas sua mente vacilava. Assim, não


pode se concentrar na parte engraçada de tudo. Nem sequer
sabia que estava chorando, até que caiu de costas e viu Jabril
em cima, inclinando-se sobre ela. Ele estirou a mão para lhe
acariciar o rosto, apanhando uma lágrima com o polegar.

—Por que está chorando? —Perguntou. Sua voz soava


forte e segura, justamente o contrário de como ela se sentia.
Estava aflita pelo medo, pela confusão e raiva que sentia por
ser tão débil.

—Não estou... —começou a dizer, mas então lhe


escapou um soluço e cobriu o rosto com o braço. —Posso ir?
—Perguntou entre soluços.

Ele suspirou e se sentou à cabeceira da cama. Sentou-a


sobre suas pernas, como se fosse uma menina, posicionando
seu corpo de forma que estivesse embalada contra ele,
enquanto com as mãos lhe esfregava as costas, acalmando-a
com beijos no cabelo e o pescoço.

—Conte-me o que a preocupa.

Laila quase riu de quão autoritário ele soou.

—Não é óbvio? —Perguntou, secando o rosto com o


lençol de algodão suave.

—Para mim não. Explique-me para que possamos


solucioná-lo.

Sem poder evitar, Laila riu pela declaração autoritária.

—Pedir melhoraria muito a relação entre nós.

Ele sorriu, mas ela não pôde vê-lo.

—Poderia me explicar por que está aborrecida, por


favor? —Perguntou, reformulando a pergunta que pensava
que já era óbvia.

Ela suspirou, insegura de que fora o melhor, porque seu


tom soou divertido. Decidiu ser brutalmente honesta com ele,
para tentar que a deixasse em paz. Possivelmente, se
soubesse como ele a desagradava, não apreciava seus valores
morais ou quem ele era, aceitaria seu desejo de tratar seu
casamento como um negócio. Dessa forma, não se sentiria
triste ou magoada se ele... fizesse.... Nem sequer pôde
terminar esse pensamento.

—Não quero que façamos isto —soltou por fim. Não


podia pensar uma forma melhor de explicá-lo, assim que a
verdade sem aditivos era a melhor forma de dizê-lo.
Ele já sabia e quase riu, por quão absurdo era.

—Por que?

Ela tentou se afastar, mas ele a mantinha perto.

—Já sabe por que!

Jabril suspirou e deslizou a mão ao longo de suas


costas, desfrutando da forma em que ela tremia face à raiva.

—Explique-me novamente. Nossa conversa anterior não


teve muito sentido para mim.

Laila puxou mais o lençol para tentar esconder seu


corpo do escuro olhar de Jabril, mas ele sacudiu a cabeça e
afastou o lençol.

—Não, não quero que me esconda nada —disse


enquanto acariciava seus braços e depois as pernas com as
mãos. —Não quero que haja segredos entre nós.

Ela o olhou fixamente, furiosa por sua hipocrisia.

—Como pode dizer isso quando tem amantes secretas


escondidas? —Não reagiu à defensiva como ela esperava.

—Quer dizer as mulheres que estão instaladas nos


apartamentos de Paris e Nova Iorque?

—E provavelmente outras —continuou ela, mais ferida


do que queria admitir inclusive a si mesma. —Se não quer
segredos, tem que ser recíproco.

Sua lógica o fez rir.


—Então diz que posso ter amantes, sempre que não lhe
oculte isso? —Sabia que não queria dizer isso, mas não pôde
resistir a provocá-la.

Tinha um aspecto muito atrativo entre seus braços. Tão


vulnerável, mas também tão eroticamente sexy, com o cabelo
enredado por seu rosto adorável, os lábios inchados pelos
beijos e o corpo apoiado contra ele, dizendo em silêncio que
confiava nele mais do que ela queria admitir.

—Não! Digo que não pode ter segredos! E essas duas


mulheres, quem sabe quantas mais tem em outras cidades
pelo mundo, podem ser suas amantes, porque, certamente,
eu não sou do tipo que está disposta a compartilhar!

—Está bem —respondeu ele com um sorriso confiado. —


Eu tampouco sou um homem que goste de compartilhar.
Nesse ponto podemos estar de acordo.

Ela se zangava mais à medida que ele falava.

—Assim vai manter essas mulheres só porque sei que


existem?

—Não são minhas mulheres —corrigiu-a ele.

Ela o olhou furiosa.

—Não minta! —Respondeu-lhe grunhindo. —Não vou me


prender a um homem desonesto.

Começou a empurrá-lo, não queria que a tocasse, mas,


de novo, ele impediu seus movimentos. Jabril levantou-a
ligeiramente e, uma vez mais, Laila se encontrou embaixo
dele. O grande corpo de Jabril se estendia sobre ela,
ameaçando-a, aterrorizando-a, porque seu corpo já estava
respondendo a essa nova posição.

—Esta é a verdade, minha querida e ciumenta quase


esposa -disse, baixando a mão pela cintura de Laila e, depois,
subindo-a outra vez. —Essas mulheres não são minhas
amantes. Estão nesses apartamentos esperando o retorno de
meu primo —explicou e se tomou um momento para agachar
a cabeça e meter um mamilo na boca, chupando, estirando e
provocando esse vulto sensível até que ela começou a ofegar e
gemer, se agarrando aos cabelos dele. Levantou a cabeça e
encarou seus olhos, enquanto sustentava seus seios nas
mãos, lhe negando a harmonia com os polegares. —Não viajei
por nenhum motivo que não fossem assuntos oficiais durante
os últimos três anos, enquanto que meu primo está
frequentemente em Paris e Nova Iorque, entre muitas outras
cidades do mundo, fazendo negócios para o governo.
Trabalha em qualidade diplomática, negociando com diversos
governos pelos interesses de nosso país —então se agachou e
prestou a mesma atenção ao outro seio, sem descansar até
que ela ofegou e se contorceu. Ele a agarrou pela perna e a
pôs contra sua cintura, para que seus quadris tivessem mais
espaço. —E esta é a surpresa – disse, enquanto entrava no
calor da Laila, fechando por um instante os olhos, ao sentir a
umidade que o rodeava, —Vamos estar juntos cada noite. E
vou fazer amor com você a cada noite, até que já não
possamos nos mover.

Agora estava dentro de Laila e ela não estava segura de


poder rebater essa declaração. Ao menos, não nesse
momento. Não podia pensar, só podia sentir. E agora que
sabia o que estava a ponto de acontecer, moveu o corpo,
arqueando-se para alcançar uma vez mais o êxtase
arrebatador. Agora que seu corpo reconhecia os movimentos,
estava ansiosa para ceder. —Ao menos esta vez—, disse a si
mesma.

E, como na vez anterior, não pôde se conter. Jabril tinha


muita experiência, era muito capaz de controlar seu corpo e
todas suas respostas. Quão único podia fazer ela era se
deixar levar. Rodeou-o pelos ombros com os braços e apertou
o corpo contra ele, lhe rogando que se movesse mais rápido.
E quando ele o fez, sentiu que seu corpo explodia em uma
liberação que a fez gritar, com a garganta rasgada pelos
estragos dessa explosão.

Desta vez caiu adormecida e Jabril observou o incrível


corpo da mulher que lhe deu a tarde mais erótica de sua
vida. Quase riu ao pensar como tentou dar ordens a ele.
Gostava disso. Não tinha medo, ousou fazer algo que a
maioria das pessoas nem sequer se atreveria a pensar.

—Sim, faremos um bom par—, pensou, enquanto


deslizava para fora da cama e puxava a colcha sobre o corpo
de Laila. Se voltava a ver essa pele gloriosa e cremosa, não
seria capaz de ir.

Com uma autodisciplina brutal, forçou-se a entrar na


ducha e vestir-se. Observou-a mover-se em sonhos, enquanto
ajustava a gravata, pensando que devia estar muito cansada
se estava tão abatida. Jogou uma olhada ao relógio e se
surpreendeu ao ver que passou quase toda a tarde na cama.
Nunca dedicou tanto tempo a uma mulher. O sexo era uma
parte natural da vida, mas sempre o considerou uma
atividade mecânica. Nunca deixou uma mulher insatisfeita,
mas sempre encarara o sexo como algo fugaz e necessário.

Além disso, o tempo para desfrutar dessa parte —


necessária— da vida fora quase inexistente, ultimamente.

Soltou uma risada, ao pensar na ironia da vida,


enquanto caminhava pelo corredor, em busca de seu primo.
Sabia que Tamar estava ali para assistir as bodas, tinha-o
visto antes esse dia, mas ainda não pôde se encontrar com
ele. Entretanto, agora era uma prioridade. O voraz apetite do
Tamar pelas loiras estava interferindo em algo que sabia que
seria uma parte muito importante de sua vida. E isso não ia
permitir.
Duas horas depois, voltou a olhar
o relógio. Enviou um servente para despertar sua amada
prometida, que já deveria estar ali. O jantar formal era o
último ritual anterior as bodas e estava desejando que
acabasse para poder levar outra vez sua quase esposa para a
cama, essa noite. De forma surpreendente, Jabril já sentia a
necessidade de possuir seu incrível corpo uma vez mais,
mesmo que estivem estado juntos apenas duas horas antes.
Possivelmente, ela resistiria a esses sentimentos que
pareciam óbvios, mas ele não era tão cego. Estava mais que
disposto a aceitar que teria um matrimônio muito
satisfatório.

Quando ela entrou na sala repleta de convidados,


deixou-o sem fôlego. De algum modo, conseguiu reunir seu
cabelo cheio e magnífico sobre sua cabeça, obtendo um
aspecto muito sofisticado e reservado. O vestido abraçava sua
figura, mas não muito abertamente e lhe alegrou saber que
seria o único homem a conhecer suas curvas intimamente.

Observou-a com atenção, esperando que seu olhar o


encontrasse. No momento em que aconteceu, ele viu
exatamente o que estava esperando. Laila ficou paralisada, o
corpo rígido pelo reconhecimento. E o desejo.
Jabril se aproximou dela, aprisionando seus olhos com
seu olhar, não lhe permitindo ver as demais pessoas do salão.
Quando esteve a menos de meio metro de distância, estendeu
a mão e quase riu, quando ela levou as suas às costas para
escondê-las.

—Dormiu bem? – Sussurrou ao seu ouvido.

Laila queria tirar o sorriso vitorioso de seu rosto a


bofetadas, mas não se atreveu. Esperaria a que estivessem
sozinhos para lhe dizer que não voltasse a olhá-la assim no
futuro. Ela não era uma posse. Era um ser humano com vida
e não gostava desse olhar. Tremeu quando agarrou sua mão
das costas e a colocou com firmeza sobre o braço. Ele a olhou
e sorriu amavelmente.

—Ainda fica nervosa quando está perto de mim,


pequena? —Ela queria se afastar dele desesperadamente,
mas também queria esconder-se entre seus braços e que lhe
dissesse que tudo iria bem, que não a enganaria, nem teria
amantes escondidas em lugares convenientes. Mas aquilo era
uma fantasia, não a vida real.

—Não sou pequena —defendeu-se e depois lhe jogou um


olhar e sacudiu a cabeça. —Bom, suponho que sou
comparada com você. E não estou nervosa.

Está certo, sabia era uma mentira total, mas não lhe
importou. A sobrevivência era muito importante para ela.

—Eu gostaria que conhecesse algumas pessoas —disse


ele e a conduziu entre a multidão de convidados, a maioria
deles familiares ou amigos próximos.
Laila desfrutou do tempo que passaram juntos aquela
noite, especialmente porque todos tentaram que se sentisse
cômoda. Era uma família cálida e generosa e lhe surpreendeu
que não houvesse brigas internas nem competição entre eles.
A maioria das famílias da realeza era sedenta pelo poder,
humilhando uns aos outros. Mas estas pessoas pareciam
estar interessadas de verdade na felicidade de Jabril e no
êxito constante do país. Desejavam sinceramente Jabril como
seu líder e quem poderia culpá-los? Havia devolvido a
prosperidade e o poder ao país e à região. A taxa de
desemprego era baixa, a indústria crescia, a educação se
expandia e os direitos individuais prosperavam.

O jantar foi delicioso, mas ela não pôde comer, já que


estava muito nervosa por estar perto de Jabril. Esse homem
fazia tudo o que estava em seu poder para seduzi-la e era
quase muito para resistir. Suas carícias eram ligeiras,
amáveis, mas cada vez que queria lhe apresentar alguém,
tocava-lhe as costas ou a cintura, ou levava sua mão aos
lábios, para beijá-la nos dedos. Estava seduzindo-a diante de
toda sua família e ela se ruborizava como uma colegial! Era
embaraçoso!

—Não come? —Perguntou ele, quando o eficiente


pessoal de serviço retirou os pratos das mesas.

Ela virou para olhá-lo com fúria.

—Não posso comer quando me faz isto.

Jabril quase riu pela ira desavergonhada e o desejo


sexual que brilhava em seus furiosos olhos marrons.
—E o que estou fazendo, meu amor?

—Sabe exatamente o que está fazendo! —Replicou-lhe


ela e se moveu incômoda na cadeira, porque não tirava a mão
de sua coxa. Só isso já seria bastante ruim, mas seus dedos
teimavam em subir pouco a pouco. Nunca pensou que sua
pele fosse excessivamente sensível, mas quando ele a tocava,
sentia que seu corpo ardia.

—Desfruto de sua companhia —respondeu ele


brandamente.

Se seu corpo não estivesse tremendo pela antecipação,


Laila teria gargalhado por essa tentativa de parecer inocente.

—Não me toque – espetou ela, tentando tirar sua mão,


mas não se moveu.

Ele soltou uma risada por isso.

—Não acredito que pudesse parar, mesmo querendo,


mas como não quero... —deixou a frase pela metade,
enquanto deslocava a mão ao pescoço de Laila e ela ofegou,
contendo a respiração enquanto esperava seu próximo
movimento. —É hora de dançar —disse.

Laila se sentiu aliviada quando tirou a mão de seu


pescoço, mas quis afastar a mão, quando Jabril a segurou e a
levantou da cadeira. Não queria dançar com ele! Se já lhe
custava lutar com as carícias na coxa e na nuca, como seria
estar entre seus braços? Tremeu ao pensá-lo, recordando a
incrível sensação de seus braços ao redor dela, essa mesma
tarde.
—Não quero isto —sussurrou enfaticamente, rezando
que tivesse piedade dela e a deixasse em paz.

—Sim, quer —rebateu ele, agarrou-lhe uma mão e


envolvendo sua cintura com a outra, aproximando-a.

Na verdade, não estavam se tocando, salvo as mãos, já


que todos os olhavam, mas foi quase pior, saber que o calor
de Jabril estava aí, que tudo o que seu corpo desejava estava
a menos de um centímetro dela. Quase suspirou de alívio,
quando o resto de convidados alcançou a pista de dança,
rodeando-os. Tinha a esperança de que agora ela e Jabril
pudessem sair da pista, dando uma pausa a suas
extremidades trementes. Foi uma conjetura equivocada, como
compreendeu um instante depois.

—Já não é necessário que dancemos —sussurrou,


rezando que ele a liberasse e pudessem mesclar-se com o
resto dos convidados. Isso seria suportável. Essa proximidade
não era. Teve que resistir ao desejo de achegar-se, de apoiar a
cabeça contra seu peito largo e musculoso e respirar seu
aroma masculino.

—Diga-me o que está pensando —ordenou-lhe ele. Laila


riu e sacudiu a cabeça.

—Outra vez essa arrogância —replicou. Ele deslizou a


mão por suas costas, provocando calafrios em todas partes.
—Não faça isso! – Reclamou.

—Então me diga o que está pensando.

—Meus pensamentos me pertencem! Não pode controlá-


los.
—Não do mesmo modo que posso controlar seu corpo,
verdade? —Olhou-a, sorrindo, mostrando no olhar quanto
gostou de sua confissão velada.

Ela não pôde sustentar seu olhar, o calor era muito


intenso.

—Por favor, de verdade que não quero isto.

Ele suspirou e a apertou contra si, formando um


cinturão de aço, ao redor de sua cintura.

—Seu corpo deseja o meu. Isso é suficiente por agora.

Dançaram assim durante vários minutos. Laila se


permitia a liberdade de desfrutar de seu abraço, mesmo que
sua cabeça dissesse que ele era perigoso. Simplesmente
ignorou, porque era muito difícil fazer outra coisa. Desejava-
o, seu corpo sabia agora o que lhe faria. Foi assim que
convenceu todas aquelas mulheres que o esperassem, mortas
de aborrecimento até que fizesse sua seguinte viagem ao
estrangeiro?

Não estava segura de sentir-se aliviada ou irritada,


quando o assistente de Jabril o tocou no ombro, fazendo-o se
inclinar, e sussurrou algo em seu ouvido.

Quando ele se ergueu, apertou-a ligeiramente.

—Surgiu outro problema que requer minha atenção. Irei


vê-la em breve.

Laila segurou sua mão, quando começou a afastar-se.


Isso o paralisou, porque era a primeira vez que ela iniciou
qualquer tipo de contato com ele e se voltou para ela.
Laila não estava segura do que ia dizer, mas Jabril leu a
súplica em seus olhos e reagiu a ela. Deu um passo, de forma
que bloqueava a visão de outros com o corpo e com a mão
alcançou o pescoço de Laila, esfregando sensualmente seu
lábio inferior com o polegar.

—Sei —disse-lhe. Inclinou-se, beijou-a brandamente e


todos esses tremores começaram de novo. —Sei que não quer
isto, mas é inevitável. Deveríamos estar juntos.

—Não deveríamos... —começou a dizer ela, mas ele


pressionou o polegar contra seus lábios, interrompendo suas
palavras.

—Sim. Já o verá. Tudo irá bem. Estarei com você esta


noite.

Ela queria gritar que se afastasse, que respeitasse seus


desejos, mas não pôde formar nenhuma palavra. Nesse
momento, ele se afastou rapidamente e Laila ficou sozinha
em uma multidão revolta e risonha. Sentia-se abandonada,
agora que os braços de Jabril não a rodeavam, nem suas
mãos a tocavam de alguma forma, como fez desde que ela
entrou no salão essa noite e o viu o outro lado.

Suspirou e sacudiu a cabeça, repreendendo-se


mentalmente por ser tão tola. Não precisava de suas carícias,
não precisava de seus braços, nem sequer sua presença. Mal
o conhecia e recordou a si mesma que esse não era o homem
adequado para ela. Queria fidelidade, mas não a encontraria
em uma união poderosa, onde os sentimentos eram algo
secundário às alianças. Seu pai era um homem muito
poderoso e ela era seu peão, mas isso não significava que
tivesse que suportar essa farsa.

Sorriu educadamente, quando saiu do salão de baile e


se dirigiu rapidamente até sua suíte. Não gostava de sentir-se
presa, mas o dia seguinte era o dia de suas bodas. Não ia
renunciar a isso, porque era muito importante. Não queria
apaixonar-se por esse homem e se negava a acreditar que já
estivesse acontecendo. —É simples luxúria—, disse a si
mesma e, obviamente, muitas outras mulheres já passaram
por isso com Jabril. Pensou que poderia continuar e
reafirmar-se depois das bodas, enquanto tirava o magnífico
vestido e se preparava para ir para a cama, bocejando
enquanto que a fadiga a dominava rapidamente. Não podia
acreditar em quão cansada estava, já que dormira algumas
horas, depois de que Jabril estivera com ela.

Estava a ponto de arrastar-se até a grande cama,


quando começou a se sentir ofendida por ele. Suas palavras
de despedida ressoaram em sua cabeça, enquanto caminhava
para a porta e fechou a chave, sorrindo ante essa vitória
secreta. E no caso dele não entender a mensagem, tirou a
manta da cama e a levou até o sofá comprido e fofo que havia
na saleta da frente. Não ia ficar esperando-o na cama!

Várias horas mais tarde, Jabril esfregou a nuca,


cansado. Levou mais do que o esperado enfrentar a última
crise e todo o tempo esteve pensando em ter Laila nos braços
e fazer amor com ela. Sabia que devia deixá-la sozinha, já que
iriam se casar pela manhã, mas algo em seu interior lhe
impulsionava a estar com ela.
Caminhou pelo corredor para sua suíte e quase riu ao
ver que a porta estava trancada. Virou-se e disse a seus
guardas:

—Abram.

Tiraram rapidamente a chave, afastaram-se para deixá-


lo entrar e voltaram a trancá-la, uma vez que esteve dentro.
Jabril estava impressionado que ela tivesse tentado isso, mas
não ia permitir que houvesse alguma tranca entre eles, nem
física, nem emocional. Faria com que confiasse nele. De
algum modo e de alguma forma, veria que não era o
mulherengo que ela acreditava. Ou, possivelmente, que fora
uns anos atrás, antes de substituir seu pai. Agora, não tinha
tempo de andar atrás das mulheres. Nem sequer lhe passara
a ideia pela cabeça, mas agora que tinha Laila, tinha a
determinação de tê-la em sua cama, em seus braços, a cada
noite em adiante. Aquela tarde em concreto, deixou claro que
ela era sua mulher em todos os sentidos.

Quase explodiu em risadas, quando a viu dormindo no


sofá, bem aconchegada sob a manta. Sacudiu a cabeça,
enquanto tirava a roupa. Com muito pouco esforço, levantou-
a do sofá com manta e tudo, sorriu quando ela se aconchegou
em seus braços, suspirando seu nome, enquanto a levava
para a cama.

Não a despertou, já que parecia exausta, mas


aproximou-a a ele e adormeceu, com a cabeça da Laila sobre
seu ombro e os corpos de ambos muito perto.
Laila despertou com a brilhante luz do sol banhando
seu rosto. Não estava segura de como chegou até a cama.
Olhou a seu redor e viu que havia uma marca no travesseiro
ao seu lado. Ruborizou-se, compreendendo que não foi um
sonho. Jabril realmente esteve com ela a noite anterior.
Estava bastante segura de que não fizeram amor, mas podia
dizer honestamente que foi sua melhor noite de sono em
várias semanas, desde que a notícia de seu compromisso se
tornou pública e já não tinha como escapar.

As portas de sua suíte abriram de repente e ruborizou


ao ver suas primas e as primas de Jabril entrando em massa
no quarto, todas emocionadas pela iminente cerimônia de
bodas. Forçou um sorriso, quando a empurraram para a
ducha.

Suportou todos os preparativos, vestiu o traje e se


sentiu ridícula, por estar emocionada. Deveria estar irritada
por ter que suportar essa farsa. Ou não deveria sentir nada.
Queria recuperar esse comportamento calmo, reservado,
glacial, que manteve durante os últimos meses. Precisava
desesperadamente separar-se de seu corpo esse dia, mas não
podia e tremeu ante a ideia de ver Jabril em menos de vinte
minutos.

Não pode comer, nem sequer pode tomar o desjejum,


porque estava muito nervosa, mas bebeu algo à força,
privando-se inclusive de comer qualquer fruta.

E então, chegou a hora. Seu olhar irradiava terror,


enquanto as damas a conduziam pelo corredor. No final da
sala, onde teriam lugar as bodas, recolheu a saia de seda
vermelha do vestido de bodas que a rodeava, ignorando os
pequenos, discos metálicos decorativos que levava na cabeça
ao estilo tradicional. Queria correr, gritar que isso não podia
acontecer! Era tudo uma farsa! Por que estavam todos tão
emocionados?

Quando ficou de pé, em frente a ele, olhando seus olhos


negros e sensuais, sentiu que asfixiava, mas ele a segurou
pelas mãos, apertando-as suave e repetidamente e só com
seu tato tudo voltava a estar bem.

O funcionário disse as palavras, Jabril se voltou para ela


e disse as palavras, lhe prometendo sua vida e seu corpo. Ela
também repetiu as palavras, temendo que tivessem saído de
sua boca com muita facilidade.

E tudo terminou. Era sua esposa! A música começou,


com um aroma das flores ao redor, os convidados dançaram
em volta do novo casal. Jabril seguiu mantendo-a perto,
enquanto avançava o dia, mas ela não foi completamente
consciente de nada. Serviram a comida, houve mais
celebração ao longo da tarde e Laila se agarrou às tradições.
Seus dedos e seu corpo estavam intumescidos pela
necessidade de viver no presente, de permanecer com os
convidados.

Jabril entendeu o que fazia ela e lhe permitiu essa


escapada, até que chegou a hora de partirem. Puxou-a pelas
mãos e cada convidado da sala começou a aplaudir. O rosto
de Laila tingiu-se de rosa e logo ficou vermelha, porque os
aplausos eram a maneira dos convidados de anunciarem a
saída do casal. Todos saberiam exatamente o que ia
acontecer assim que desaparecessem e Laila quis esconder de
vergonha. Embora soubesse que esse momento chegaria, não
se preparou para o que sentiria, ao perceber que todos
sabiam o que estariam fazendo.

Supôs que não se preparou para isso, porque não tinha


intenção de se envolver intimamente com Jabril. Ensaiou seu
discurso uma e outra vez, durante as semanas anteriores,
segura de que ele aceitaria seu plano como sendo o melhor
enfoque e o mais educado, para o que era uma relação de
negócios.

Mas agora, quando devia fazer frente à multidão com


sua mão na de Jabril, enquanto ele a conduzia entre a
multidão, soube que não podia fazer nada para dissuadi-lo de
dormir com ela essa noite.

Enquanto Jabril fechava a porta da suíte, isolando o


resto do mundo, Laila começou a respirar pesadamente,
tentando encontrar uma maneira de evitar o que ia acontecer.
Quando ele esticou a mão para tomá-la em braços, ela
sacudiu a cabeça, tentando retroceder.

Jabril sorriu ligeiramente, tentando confortá-la.

—Laila, não há nada que temer —disse brandamente,


estendendo a mão. Ela olhou a mão, enquanto seguia
sacudindo a cabeça.

—Por favor, não posso fazê-lo. O sexo é para mim algo


diferente do que é para ti.

Jabril gostou da cadência que lhe deixou no corpo o som


de sua voz. Ou, possivelmente, simplesmente foram suas
palavras que agradaram tanto. De repente, percebeu que
eram muito importantes para ele.

—Acredito que o sexo entre nós significa o mesmo —e


surpreendentemente, era certo.

—Não. Para você é apenas uma liberação física.

—O que é para você? —Perguntou ele, aproximando-se,


mas com a mão estendida, esperando ainda que ela a
tomasse.

Laila rogou com os olhos que a entendesse.

—O sexo é uma união de duas almas conectadas por


algo mais que seus corpos. Não é só algo que alguém faz
porque tem necessidade.

—E se sentiu conectada a mim, com algo mais que com


meu corpo ontem à tarde? —Perguntou ele.
Ela quis desesperadamente mentir, dizer que não tinha
significado nada para ela. Mas, por algum motivo, a mentira
não pôde sair de seus lábios.

—Sim —disse por fim.

—Toma minha mão, Laila —repetiu ele.

Poderia ter se negado, mas algo nos olhos de Jabril lhe


disse que tudo iria bem. E, como quis acreditar nele, segurou
sua mão. Quando seus dedos fortes e quentes envolveram os
seus, aproximando-a inexoravelmente, respirou fundo e
aceitou seu destino. Jabril poderia feri-la muito ou poderia
convertê-la na mulher mais feliz do mundo. Laila tentou
proteger-se a si mesmo, mas havia algo nesse homem que
não lhe permitia manter-se distante. Ele a aproximava,
atraindo-a como a um peixe capturado em seu anzol.

—Confie em mim – disse, quando teve os braços ao


redor da cintura de Laila.

Quão seguinte soube ela, era que estava entre seus


braços, ele a levava a cama e cada um de seus sentidos
estava ligado a ele. Jabril rapidamente se desfez de seu
vestido vermelho de bodas, mas parou, quando descobriu a
lingerie cor vermelha que levava embaixo. Só se deleitou
nessa visão um momento, antes de que também isso tivesse
desaparecido. Também foi eficaz ao tirar sua própria roupa e
Laila mal pôde respirar, quando ele se abateu sobre ela em
toda sua glória.
—Por favor, não me faça mal – sussurrou, com as mãos
formando um punho, enquanto tentava cobrir-se com os
braços.

—Confie em mim —repetiu ele e desceu sobre ela,


apartando seus braços, suave, mas firmemente para poder
vê-la em todo seu esplendor.

Um momento depois, sua boca e suas mãos estavam por


toda parte, disparando os sentidos de Laila, fazendo se sentir
quase enjoada pelo desejo de tê-lo dentro dela. Quase
soluçava pela necessidade, quando ele a aproximou mais.
Quando entrou nela, Laila se arqueou, levantando os quadris
para se ajustar a seu tamanho. Nesse momento, Jabril não se
moveu. Ela precisava desesperadamente que se movesse, que
avançasse, para criar a fricção mágica que lhe mostrou no dia
anterior. Estava tão centrada, que levou um momento para
dar-se conta de que ele a estava esperando.

—Olhe-me, Laila —ordenou-lhe energicamente. Ela


apertou as mãos e levantou o olhar, quase temerosa do que
poderia encontrar. Ele a estava observando, com os dentes
apertados para controlar sua necessidade de entrar dentro
dela. —Confie em mim —disse uma vez mais. Ela voltou a
arquear-se, tentando compreender o que queria ele, mas
Jabril sacudiu a cabeça, o suor lhe cobria a testa. —Laila,
confia em mim —ordenou.

—Sim! – Gritou, ao fim.

Assim, ele renunciou a seu controle e Laila só pôde


aguentar, enquanto Jabril bombeava dentro dela, com o
corpo de Laila a sua mercê, dando-lhe tanto prazer, que ela
pensou que desmaiaria. Quando chegaram ao êxtase
alucinante, Laila nem sequer era consciente de que ele
também a seguia com seu próprio clímax. Tudo o que pôde
fazer, foi agarrar-se forte ao pescoço de Jabril e confiar em
que a manteria a salvo.

Quando por fim recuperou o controle de sua respiração,


levantou o olhar e viu Jabril observando-a com uma
expressão triunfante nos olhos.

—O que? —Perguntou ela, afastando as mãos.

Ele as segurou e colocou-as sobre seu próprio peito, lhe


dizendo silenciosamente que podia tocá-lo, que queria que o
tocasse.

—Não tenho amantes em nenhum desses apartamentos


– disse, aproximando-a mais. Ela estava quase em cima dele,
com a mão de Jabril descansando sobre seu traseiro.

—Então, por que tem os apartamentos? —Perguntou,


incrédula, mas tampouco desconfiada.

—Estava acostumado a utilizá-los, quando viajava a


negócios, para o governo antes de que meu pai falecesse. Meu
primo Tamar tem esses apartamentos agora. O que faz com
eles e quem se aloja com ele não é meu assunto.

Ela se moveu sobre ele, apertando os dentes, quando


seus corpos se tocaram e moveram.

—Está dizendo que não está em nenhuma relação? —


Ele riu entre dentes.
—Depois de hoje, não posso afirmar isso com
honestidade, porque estou em uma relação. Com você.

Ela piscou, ao dar-se conta de quão certa era essa


afirmação.

—Mas e quando tiver que viajar?

Ele girou um pouco, de forma que ela voltava a estar


debaixo dele.

—E se vier comigo?

Deslizou a mão sobre a suave pele do quadril de Laila,


descendo por sua perna e logo voltando a subir. Ela riu ao
pensar nessa possibilidade.

—Não pode me levar com você —repreendeu-lhe.

Ele abaixou a cabeça e a beijou no ombro.

—Por que não? – Perguntou. —É minha esposa, depois


de tudo —baixou a mão pelo corpo de Laila, cobrindo seu
estômago com a palma. —E é possível que já esteja grávida.

Ao escutar esse comentário, ficou paralisada, impactada


pela possibilidade.

—Grávida?

Ele assentiu, sua barba arranhava a pele delicada dos


seios de Laila.

—Não usei nenhum contraceptivo, nem ontem nem hoje.

—Mas...

Ele riu e a observou.


—Laila, a possibilidade de que concebamos um filho de
uma forma que não seja a tradicional, nunca foi uma opção,
a menos que haja problemas pelo caminho.

—Por que não? —Perguntou, tentando compreender


tudo o que ele disse e o que fizeram ambos.

—Porque eu a quis desde o momento em que fingiu não


me querer.

Ela o fulminou com o olhar.

—Assim, só fui um desafio?

Jabril jogou a cabeça para trás e riu.

—Sim, mas um desafio belo e fascinante.

Laila suspirou e tentou afastá-lo.

—Está bem, já se divertiu. Me solte.

Ele apenas deslizou o joelho entre as pernas dela.

—Não acredito que possa fazê-lo —disse com o


semblante sério. Quase o agrediu, porque essa perna estava
fazendo coisas estranhas com ela.

—Claro que pode —disse, fingindo que não estava


sentindo os deliciosos tremores que essa pele áspera lhe
provocava por todo o corpo. —Apenas me solte e irei a meu
próprio quarto.

Ele não o fez, é obvio. Nem ela tampouco acreditou que


o faria, apenas sujeitou seus braços por cima da cabeça.

—Está apaixonada por mim —disse com segurança. —


Admite-o.
—Nem sequer te conheço.

—Não é necessário que nos conheçamos, para que nos


importemos um com o outro —beijou-a por cima do mamilo.
—Quer que o eu diga primeiro? Certo, eu...

Ela liberou suas mãos e cobriu sua boca. Olhou-o


fixamente, com os olhos cheios de medo, porque ele diria algo
que poderia feri-la mais do que acreditava possível.

—Não diga se não for o que sente. E é impossível que o


sinta, com o pouco que nos conhecemos.

Afastou sua mão e a beijou brandamente.

—Eu te amo. Acredito que é uma mulher forte,


inteligente e fascinante e se abandonasse todas essas noções
preconcebidas que tem sobre quem sou e como sou, acredito
que poderia fazer que se apaixonasse por mim.

Laila não pôde conter a agitação que lhe causaram suas


palavras.

—Não diga coisas como essa, se não for o que sente.

—Sim, sinto, Laila. Pareceu-me fascinante no primeiro


momento em que nos sentamos juntos para jantar, faz vários
meses. Inclusive antes de nos conhecer, li seu perfil e não
pude compreender por que queria lê-lo uma e outra vez. Vi
seus olhos aquela primeira vez e pensei que estava no céu. E
sei que acredita que sou um mulherengo, mas prometo que
dedicarei minha vida a fazer você feliz e a demonstrar que é a
única mulher de minha vida.
Ela não pôde evitar que as lágrimas escapassem de seus
olhos, inclusive enquanto sacudia a cabeça para negar suas
palavras.

—Não te amo – replicou. —Não te amo e nunca deixarei


que magoe meu coração, porque realmente poderia me ferir.

Ele riu entre dentes e sacudiu a cabeça.

—Laila, já está apaixonada por mim, só tem que se


permitir acreditá-lo.

—Não estou! —Disse e tentou afastar-se, mas já deveria


saber que esse homem obstinado não se moveria a menos
que quisesse. Assim, ficou onde estava, irritada porque ele
levasse suas emoções ao limite dessa forma. —Nunca te
amarei, porque não confio em você.

Jabril riu, deleitava-se com essa ira, porque seus olhos


não a refletiam.

—Sei que me ama —disse ele e a aproximou, segurando-


a brandamente. E seguiria fazendo-o até que se desse conta
de que ele não iria a lugar algum, que a amava e não ia
profanar esse amor estando com outra mulher.

Laila chorou sobre seu peito até que não ficaram


lágrimas, expulsando entre soluços toda a tensão da passada
semana. Enquanto isso, os braços de Jabril a sujeitavam
brandamente contra ele. Quando secaram todas as lágrimas,
fez amor com ela uma vez mais, mostrando como se sentia.
Ela teve um sonho intermitente entre seus braços, sua mente
tentava aceitar a realidade de suas palavras, que não podia
acreditar, mas tampouco podia subestimar completamente já.
Na manhã seguinte, levou-a a um de seus palácios no
deserto. Estava isolado, era tranquilo e sossegado, sem
distrações. A cada momento do dia, mostrava que o mundo
era um lugar diferente do que ela pensava. Cada dia estava
repleto da sensualidade que Jabril lhe ensinava, mostrando
como aceitar seu corpo e como fazer amor a ele e com ele.

E falaram. Houve longos momentos nos quais Laila se


sentava junto a ele, enquanto o sol ficava no horizonte,
bebiam vinho e compartilhavam histórias. A princípio foi
lento e não confiava nele, não falava de seu passado, mas
quando Jabril lhe contou histórias divertidas e emotivas de
sua vida, ela começou a abrir-se lentamente. Deu alguns
dados de sua vida, explicou a forma em que seu pai a usou
para promover suas próprias ambições, enquanto seus
irmãos procuravam deixar sua marca no mundo. Ele a
animou a falar dos seus sonhos, o que queria fazer com sua
vida e, então, tomou esses sonhos e os moldou em algo que
ela poderia fazer para o governo. Laila não podia acreditar
que ele quisesse sinceramente sua ajuda para algo, mas
Jabril não cedeu, até que aceitou o papel que ele idealizou,
apoiado em seus sonhos.

Quando retornaram ao palácio, ela estava


completamente apaixonada por ele, mas ainda continuava
preocupada, porque isso abria a oportunidade de ser
magoada.
Pela manhã, Jabril teve que
retornar a suas obrigações e Laila se sentiu solitária e triste,
desejando que pudessem estar juntos e sozinhos, mas tinha
consciência de que ele se ausentou de suas responsabilidades
durante quase duas semanas. A primeira semana foi pelas
bodas, a segunda pela lua de mel no deserto. Assim, não
podia estar ressentida pelo tempo que teve que passar
afastado dela aquele primeiro dia.

Estava tomando café, sentindo-se solitária e miserável,


tentando recuperar o ritmo da vida sem Jabril. Ele estava
fora há mais de uma hora, depois de despertá-la com um
beijo, fazendo amor até que implorou que ficasse com ela.
Adormeceu, enquanto ele tomava banho, mas a deixou com
um beijo doce e suave, muito diferente do sexo exigente e
perturbador desta manhã.

—Bom dia, Sua Alteza – disse uma mulher ao entrar na


pequena e íntima sala, onde tomou o desjejum naquela
primeira manhã. Ela ruborizou ao pensar na primeira vez que
o assistente de Jabril pegou-os abraçados.

Limpou a garganta e sorriu à mulher de aspecto amável.


—Sim? —Respondeu, ainda não acostumada a esse título.
—Sou Marisa —explicou a mulher, voltando a fazer uma
reverência. —Fui designada como sua criada temporária até
que tenha a oportunidade de entrevistar candidatas e
encontrar a uma pessoa adequada para o trabalho.

Laila piscou, surpreendida que Jabril acreditasse que


necessitava uma criada.

—É muito amável por sua parte – respondeu. —Para que


necessito uma criada? —Perguntou, com sua mente ainda
não desperta de tudo e pensando em Jabril, sabendo que
tinha um sorriso tolo na cara.

Marisa entrou mais na sala e abriu uma caderneta de


couro.

—Tenho várias solicitações de repórteres que pedem


uma entrevista, Sua Alteza. Posso organizar uma entrevista,
pospor essas solicitações ou dizer diretamente que não está
disponível para conceder entrevistas neste momento.

Laila não tinha resposta.

—Meu Deus —pensou em voz alta. —Não estou


acostumada que importe a alguém o que diga ou faça. —Riu e
pensou sobre isso com mais cuidado. —Acredito que deveria
adiar as entrevistas. Diga-lhes que estou me adaptando a
meu novo cargo, que estarei encantada em considerar essas
solicitações no futuro. —Marissa sorriu e Laila sentiu que
tinha um ponto a seu favor. —Algo mais?

Laila assinalou a cadeira que havia junto a ela com a


mão, indicando a Marissa que se sentasse, servindo-lhe uma
xícara de café de um bule prateado.
Marissa deu um gole agradecido e depois seguiu
comentando os diversos pontos de sua lista. Laila considerou
cada um atentamente, compreendendo que a julgariam sobre
esses assuntos, durante as primeiras semanas de seu
matrimônio. Também marcaria a forma como o povo a veria,
assim eram umas semanas muito importantes.

Repassaram os pontos cuidadosamente, desenhando


um plano. Laila estava impressionada com Marissa e tomou
uma nota mental para perguntar a Jabril se poderia seguir
sendo sua criada. Marissa parecia excepcionalmente eficiente
e diplomática. Laila gostava desse aspecto da mulher.

Encontravam-se em uma conversa profunda, atacando


um problema desde distintos ângulos para descobrir como
lidar com ele, quando um membro do pessoal de segurança
de Jabril entrou na sala. Teve que pigarrear duas vezes antes
de romper a concentração de Laila e Marissa.

—Sim? —Perguntou ela, rindo por algo que Marissa


disse. Mas então a expressão do rosto do guarda chamou sua
atenção e seu mundo ficou paralisado. —O que acontece? –
Sussurrou, quando viu que o homem simplesmente
permanecia ali incômodo.

—Houve um incidente —explicou com vacilação.

Laila ficou gelada, insegura do que queria dizer com


incidente.

—Continua —disse, sentindo sua garganta fechar e que


perdia a capacidade de pensar. —O que acontece?
—Sua Alteza... —gaguejou o homem, visivelmente
incômodo pelo que tinha que lhe contar —Resultou...

Laila ficou em pé, toda a cor se desvanecia de seu rosto.

—O que aconteceu? Diga-me já —sussurrou premente.

O homem baixou o olhar, então endireitou os ombros e


a olhou diretamente.

—Houve uma batalha na fronteira ontem à noite. Os


militares da região a sufocaram, mas Sua Alteza voou à
região esta manhã para tratar o problema com os líderes.
Havia um franco-atirador do outro lado da fronteira, em uma
zona famosa por problemas no passado e Sua Alteza resultou
ferido.

—Não —disse Laila sacudindo a cabeça. O sorriso de


Jabril, a intensidade com que fizeram amor só umas horas
antes, tudo voltou para ela em um brilho. —É impossível.
Jabril não está ferido! —Disse rotundamente. Jabril era
muito forte, muito teimoso... muito másculo para estar ferido!
Simplesmente não podia acreditar. Era indomável!

—Sinto muito, Sua Alteza.

—Levaram um médico à região? —Perguntou, sua mente


tentava freneticamente voltar a funcionar, descobrir como
salvar aquele que era seu marido fazia só uma semana. Dez
dias antes, teria pensado que isso era o melhor que poderia
ter acontecido, embora não o desejasse a ninguém, mas a
teria livrado do matrimônio. Agora, apenas desejava ver
Jabril, descobrir como curá-lo, trazê-lo para casa com ela.
O homem se remexeu incômodo, inseguro de como
explicar a situação em rápida evolução.

—Não conhecemos o alcance de suas feridas. Sabemos


apenas que está ferido. As comunicações não são boas nestes
momentos, mas trabalhamos com esmero para obter mais
informação o mais rápido possível.

Laila não tinha nem ideia de quanto tempo estava ali,


nem como chegou ao centro de comando dos guardas, mas se
encontrou em meio do que, em princípio, parecia um caos,
embora descobriu que estava tudo controlado e era muito
eficiente. Todos trabalhavam laboriosamente para obter mais
informação, mas não podiam estabelecer uma comunicação
com os outros. Desdobraram-se as tropas, a presença policial
aumentou e todos os guarda-costas entraram em serviço para
proteger o palácio ou se dirigiam de helicóptero ao lugar onde
viram Jabril pela última vez.

Laila mal podia respirar com normalidade. Seguia


observando, escutando, desejando que quem estivesse ao seu
redor descobrisse onde estava seu marido de uma semana.

Demoraram três horas em encontrá-lo e, então,


descobriu-se que houve quase uma guerra na fronteira.
Jabril ficou ferido, mas também capturou sozinho quatro dos
rebeldes que iniciaram o confronto. Restauraram as
comunicações logo que foi possível, mas ninguém pôde ter
uma confirmação visual dele. Quando o piloto por fim
contatou por rádio e informou que o tiroteio cessou, estando
Jabril no helicóptero, dirigindo-se ao palácio, Laila acreditou
que suas pernas iam falhar.

Todo mundo foi mobilizado, incluído o pessoal médico,


que estava preparado para cuidar de seu líder, assim que o
helicóptero aterrissasse na área do palácio.

Alguém tentou reter Laila, mas ela desviou de suas


mãos, correndo com o resto do grupo para onde o helicóptero
aterrissou, finalmente.

Enquanto outros avançaram, a equipe técnica para


atender aos feridos e comprovar como estava Jabril, os
guarda-costas para rodear seu líder e a polícia do palácio
para ocupar-se dos prisioneiros, Laila permaneceu na porta.
Sua mente precisava desesperadamente ver Jabril. Não
estaria tranquila até que visse o homem. Estavam
acontecendo muitas coisas, havia muitas pessoas correndo e
a princípio não pôde vê-lo. Os doutores o rodearam
imediatamente e os olhos famintos de Laila o olhavam,
sentindo uma necessidade de abraçá-lo que quase era
debilitante.

Jabril a viu ali de pé, enxergou a preocupação em seus


olhos e um calor se estendeu por todo seu corpo. Pôde ver os
sentimentos de Laila por ele brilhando em seus olhos.
Possivelmente não estivesse preparada para dizer as
palavras, mas seu olhar foi suficiente para lhe dar forças. Por
agora.
E então ela começou a correr para ele. Jabril dispensou
os médicos por um momento, ignorando quando objetaram,
enquanto ficava em pé e girava para ela.

Laila não se deu conta de que estava correndo, até que


se lançou a seus braços. Ele a agarrou com facilidade,
sustentando-a contra seu braço não ferido, enquanto ela
chorava:

—Eu te amo! Eu te amo! —Expressava seus sentimentos


por ele entre soluços, aturdida pela intensidade de tudo
aquilo que tentava controlar, mas esse controle era agora
uma causa perdida. Tudo que podia pensar era lhe rodear o
pescoço com os braços e senti-lo, assegurar-se de que estava
bem. —Nunca volte a se pôr em perigo desta forma! – Gritou,
golpeando-o, embora não o bastante forte para lhe fazer
verdadeiro dano. —Eu te amo. E me prometeu que não faria
nada que me ferisse! Agora estou confiando tudo a você. Não
pode voltar a me fazer isto —soluçou, lhe rodeando o pescoço
com os braços, enquanto ele a mantinha perto, tentando lhe
assegurar que estava bem, mas ela já não podia escutar.

Os guarda-costas e médicos lhes deram um pouco de


privacidade, mas Jabril a levou a uma das salas do pátio,
com o desejo de escutá-la, sem outras pessoas a seu redor.

—Diga outra vez – ordenou, quando a depositou no


chão. Afastou o cabelo de seus olhos e observou seus belos
traços.

—Amo você —disse ela, soluçando entre lágrimas. —


Amo tanto que dói. —Ele a aproximou mais, pressionando o
rosto de Laila contra seu peito e cheirando seu aroma suave,
doce e feminino.

—Ah, amor. Não tem nem ideia de quanto esperei


escutar isso. E prometo que não me porei nunca em perigo
intencionalmente. Protegerei seu coração, meu amor.

Ela suspirou, sentindo-se feliz e completa, agora que


estava entre seus braços. Sentiu a força do batimento do
coração de Jabril sob seu rosto e fechou os olhos, fazendo
uma oração silenciosa por ele ter retornado para ela inteiro e
relativamente são.

—Não posso acreditar quão teimosa fui, por não lhe


dizer isso antes.

—Não sabia, amor.

—Deveria saber. Estava muito assustada para admiti-lo.

Ele sorriu, estava de acordo com ela.

—O que lhe parece, se deixar que meus médicos olhem


esse ferimento a bala, para que voltemos a nossa suíte e
possa me mostrar o quanto me ama? —Brincou ele.

Laila ofegou e se afastou, observando atentamente sua


ferida.

—Por que não disse nada? —Exigiu ela, agarrando sua


mão e conduzindo-o para fora da sala. —Tem que ver um
médico imediatamente.

Ele riu e voltou a aproximá-la com seu braço bom.

—Precisava escutar essas palavras mais do que preciso


que extraiam a bala.
Ela revirou os olhos e o arrastou pela enfermaria até
onde já esperavam os médicos, prontos para reparar os
danos.

Laila esperou fora da sala de cirurgia, mordendo a ponta


dos dedos, enquanto esperava que os médicos dissessem que
Jabril estava bem. As ideias que lhe passavam pela cabeça a
estavam deixando louca e não podia acreditar no quanto
desejava se aconchegar em seus braços, examinar seu corpo
com seus próprios olhos. Não poderia acreditar que estava
inteiro até que o visse por si mesma.

Quando os doutores, por fim, a deixaram entrar, não


pôde afastar os olhos de seu peito musculoso, para examinar
as ataduras onde a bala feriu sua pele.

—Amo você —sussurrou ela outra vez, beijando-o


brandamente no meio do peito, respirando seu incrível
aroma. —Amo você mais que a vida.

—E eu te amo. E me alivia que por fim confie em mim —


disse Jabril, enquanto a sustentava perto de si, apesar de
estar sobre a mesa de operações.

Ela não pôde evitar rir.

—Só disse que te amo. Nada disse sobre confiar em


você. —Brincou ela.

Ele grunhiu e a aproximou.

—Confia em mim, mulher. Admite-o —ordenou ele.

Ela voltou a rir, insegura se era pelo alívio que sentia,


depois do estresse desse dia ou porque ele voltava a mostrar
seu caráter dominante habitual. Em qualquer caso, estava
encantada por estar aconchegada junto a ele.

—Suponho que confio em você, mas não confio nesses


idiotas da fronteira soltos. —Assim que nada de voltar a ir a
essa zona do país, de acordo?

Ele riu, encantado que ela fosse tão cortante.

—Trato feito —aceitou.

—Eu te amo —disse ela outra vez.

—Também te amo, meu amor. —Beijou-a brandamente.