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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIVATES

CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA

ESTUDO DE DIMENSIONAMENTO DE MANCAIS DE


DESLIZAMENTO VISANDO A REDUÇÃO DE FALHAS DO EIXO
DIFERENCIAL DE UM TRATOR

Carlos Eduardo Rech

Lajeado, novembro de 2015


Carlos Eduardo Rech

ESTUDO DE DIMENSIONAMENTO DE MANCAIS DE


DESLIZAMENTO VISANDO A REDUÇÃO DE FALHAS DO EIXO
DIFERENCIAL DE UM TRATOR

Monografia apresentada na disciplina de


Trabalho de Conclusão de Curso Etapa II, do
Curso de Engenharia Mecânica, do Centro
Universitário UNIVATES, como parte da
exigência para a obtenção do título de
Engenheiro Mecânico.

Orientador: M.Sc. Rafael Crespo Izquierdo

Lajeado, novembro de 2015


Carlos Eduardo Rech

ESTUDO DE DIMENSIONAMENTO DE MANCAIS DE


DESLIZAMENTO VISANDO A REDUÇÃO DE FALHAS DO EIXO
DIFERENCIAL DE UM TRATOR

A Banca examinadora abaixo aprova a Monografia apresentada na disciplina de


Trabalho de conclusão de Curso etapa II, do Curso de Engenharia Mecânica do Centro
Universitário UNIVATES, como parte da exigência para a obtenção do grau de
Engenheiro Mecânico:

M.Sc. Rafael Crespo Izquierdo - Orientador


Centro Universitário UNIVATES

M.Sc. Guilherme Cortelini da Rosa


Centro Universitário UNIVATES

M.Sc. Ricson Rocha de Souza


Centro Universitário UNIVATES

Lajeado, novembro de 2015


Аоs meus pais Cláudia e Neuro, minha esposa
Kelli, meu filho Luis Henrique е a toda minha
família que, com muito carinho е apoio, não
mediram esforços para quе еu chegasse até esta
etapa de minha vida.
AGRADECIMENTOS

Ao professor e orientador M.Sc. Rafael Crespo Izquierdo, por toda a ajuda


durante a realização do trabalho.

Ao professor M.Sc. Ricson Rocha de Souza, e ao colega Hilário Weber pelo


auxilio com os ensaios de espectrometria.
"Uma pessoa inteligente resolve um
problema, um sábio o previne."

Albert Einstein
RESUMO

A caixa satélite trata-se de um item crítico no sistema diferencial do eixo traseiro de um


trator agrícola, pois sua função consiste na equalização da transmissão do torque do
motor para as rodas do trator durante uma curva, caso em que as mesmas giram com
velocidades angulares diferentes. Esta pesquisa tem como objetivo aumentar a vida útil
da caixa satélite do diferencial traseiro de um trator. Neste estudo, primeiramente,
busca-se quantificar as cargas que são aplicadas nos mancais da caixa satélite, com
intuito de avaliar os esforços submetidos nestes elementos. De posse destes dados,
propõe-se redimensionar os mancais usados no sistema, considerando os esforços
avaliados e o tipo de material. Como resultado, o presente trabalho apresenta uma
proposta de redimensionamento dos mancais do sistema diferencial, visando o aumento
na vida útil deste sistema.

Palavras-chave: Caixa satélite, Eixo diferencial, Critério de falha, Tratores agrícolas.


ABSTRACT

The satellite box it is a critical item in the differential rear axle system of a tractor,
because its function is to equalize engine torque transmission to the tractor wheels
during a turn, in which case the same spin at speeds different angle. This research aims
to extend the life of the satellite box's rear axle of a tractor. In this study, first, we tried
to quantify the loads that are applied in the satellite box bearings, designed to evaluate
the undergoing efforts in these elements. Using these data, it is proposed resize the
bearings used in the system, considering the evaluated efforts and type of material As a
result, it is expected that the present work provide a reduction in the failure of the
differential bearing system, and consequently an increase in the useful life of the whole
differential system.

Keywords: satellite Box, differential axle, failure criterion, agricultural tractors.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Constituição geral do trator agrícola ........................................................................ 15


Figura 2 - Princípio de funcionamento da caixa de marchas .................................................... 16
Figura 3 - Exemplo de redução planetária ................................................................................ 17
Figura 4 - Princípio de funcionamento de um sistema diferencial ........................................... 18
Figura 5 - Sistema diferencial ................................................................................................... 19
Figura 6 - Exemplo de transmissão por coroa e pinhão ........................................................... 20
Figura 7 - Exemplo de acoplamento de engrenagem cônica .................................................... 21
Figura 8 - Montagem dos semieixos no diferencial ................................................................. 22
Figura 9 - Exemplo de bloqueio de diferencial ........................................................................ 23
Figura 10 - Sistema diferencial em corte .................................................................................. 24
Figura 11 - Metodologia a ser desenvolvida para o trabalho ................................................... 32
Figura 12 - Metodologia para determinar as forças atuantes nos mancais ............................... 36
Figura 13 - Sistema de tranmissão de um trator ....................................................................... 37
Figura 14 - Componentes de força aplicadas em uma engrenagem cônica .............................. 40
Figura 15 - Método para análise de falha do mancal ................................................................ 43
Figura 16 - Representação do mancal e semieixo do sistema diferencial ................................ 43
Figura 17 - Forças atuando sobre o mancal .............................................................................. 44
Figura 18 - Detalhe da área transversal do mancal ................................................................... 46
Figura 19 - Detalhe da área transversal do mancal ................................................................... 47
Figura 20 - Estado plano de tensões no mancal ....................................................................... 48
Figura 21 - Carregamento considerado no dimensionamento do mancal ................................ 49
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Análise da influência dos componentes do diferencial ........................................... 25


Tabela 2 - Tipos de penetradores para escala Rockwell ........................................................... 29
Tabela 3 - Resultado dos ensaios de dureza para os materiais estudados ................................ 33
Tabela 4 - Resultado do ensaio de espectrometria ................................................................... 34
Tabela 5 - Requisitos químicos de aços com baixo carbono .................................................... 35
Tabela 6 - Materiais constituintes das amostras analisadas ...................................................... 35
Tabela 7 - Pressão superficial máxima ..................................................................................... 49
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 11

1.1 Objetivos........................................................................................................................ 12

2 REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................. 14

2.1 Conceitos básicos sobre a transmissão de um trator...................................................... 14


2.1.1 Caixa de marchas ....................................................................................................... 15
2.1.2 Sistema diferencial ..................................................................................................... 17

2.2 Características de desgaste em mancais ........................................................................ 26


2.2.1 Critério de Falhas ....................................................................................................... 26

2.3 Técnicas utilizadas na caracterização dos materiais ...................................................... 27


2.3.1 Ensaio de dureza ........................................................................................................ 28
2.3.2 Ensaio de espectometria ............................................................................................. 30

3 METODOLOGIA ............................................................................................................. 32

3.1 Caracterização das amostras .......................................................................................... 32


3.2.1 Ensaio de dureza ........................................................................................................ 33
3.2.2 Ensaio de espectrometria ........................................................................................... 33

3.3 Determinação das cargas atuantes nos mancais ................................................................. 36

3.4 Analise de Falha do mancal em estudo .............................................................................. 42

3.5 Método utilizado para o dimensionamento dos mancais .................................................... 49

4 CONCLUSÕES ................................................................................................................. 51

REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 52
11

1 INTRODUÇÃO

De acordo com Mialhe (1980), o trator agrícola é uma máquina auto propelida, provida
de meios que, além de lhe conferirem apoio estável sobre uma superfície horizontal e
impenetrável, capacitam-no a tracionar, transportar e fornecer potência mecânica, para
movimentar e acionar implementos agrícolas acoplados a ele. Ainda, segundo o autor, os
tratores agrícolas foram desenvolvidos com o intuito de facilitar e maximizar a produtividade
das operações agrárias.

Para Yamashita, (2010), os tratores agrícolas são compostos por diferentes conjuntos
mecânicos, tais como: motor, sistema de transmissão, embreagem, freios, sistemas hidráulicos,
engates para implementos, entre outros.

Com relação ao sistema de transmissão, que é responsável pela transformação do


movimento do motor para as rodas traseiras dos tratores, pode ser dizer que este sistema é
composto por diversos componentes os quais são requisitos essenciais para o seu bom
funcionamento. Entre eles, destaca-se o sistema diferencial, cuja característica é alterar a
direção do movimento proveniente da caixa de marchas. (Ribas, et.al. (2010)).

Em Linares (2012), explica-se que o sistema diferencial é constituído de diversos


elementos que são projetados de acordo com as características de funcionamento do trator
analisado, como, por exemplo, a coroa, o pinhão, os semieixos, a caixa satélite, entre outros.

Segundo Varella (2010), a caixa satélite, que é o foco deste trabalho, consiste em um
item crítico no sistema diferencial, pois é responsável pela transmissão do torque do motor para
as rodas do trator. Este sistema é caracterizado por, basicamente, uma caixa fabricada em aço
ou ferro fundido, que é constituída por um conjunto de engrenagens cônicas (satélite e
planetária). Além disso, fixada à caixa satélite, existe outra engrenagem cônica comumente
chamada de coroa, na qual recebe o torque proveniente do motor através de um eixo chamado
pinhão. Ainda, segundo Monteiro e Silva (2009), o conjunto da caixa satélite é composto por
mancais, os quais servem de apoio para o funcionamento das engrenagens planetárias. Estes
mancais caracterizam-se por serem de formato levemente cônico, travados na caixa planetária
e fabricados em materiais resistentes à abrasão.
12

Considerando as características específicas dos mancais da caixa satélite em estudo,


observa-se que existem particularidades quanto à sua aplicação. Entre elas, destaca-se a forma
como ocorre a falha, ou seja, nesta proposta, assume-se que as falhas dos mancais ocorrem em
função da quebra das abas de fixação que mantém o mancal fixo a caixa satélite. Assim, pode-
se dizer que a falha nos mancais acoplados às engrenagens e caixa satélite podem, em um curto
espaço de tempo, desgastar a caixa satélite formando rebaixos que, consequentemente,
provocam folgas em todo o sistema, fazendo com que as engrenagens cônicas não tenham um
encaixe perfeito entre elas.

Desta forma, levando-se em conta um trator agrícola de 70 CV que apresenta falhas nos
mancais da caixa satélite (engrenagens e estrutura da caixa), o presente trabalho propõe o estudo
de dimensionamento dos mancais deste sistema, considerando os esforços submetidos no
sistema diferencial.

1.1 Objetivos

Esta monografia objetiva analisar os mancais da caixa satélite de um sistema diferencial,


com intuito de aumentar a vida útil deste componente. Para tanto, analisando o carregamento
nos mancais deste sistema e aplicando uma metodologia de dimensionamento de mancais,
propõe-se um redimensionamento dos mancais do sistema diferencial.

Os objetivos específicos desta pesquisa são os seguintes:

 Analisar as caraterísticas e o princípio de funcionamento de sistema diferencial;


 Estudar os esforços atuantes nos mancais do sistema;
 Caracterizar os mancais em estudo, quanto a sua constituição;
 Determinar as condições de carregamento nos mancais, como torque, força e
velocidade, visando o redimensionamento dos mesmos;

A organização da presente pesquisa é descrita da seguinte maneira:

O segundo capítulo, que consiste no referencial teórico deste trabalho, apresenta os


conceitos necessários para o desenvolvimento desta pesquisa, tais como: o princípio de
funcionamento do sistema de transmissão de um trator agrícola, a caracterização do eixo
diferencial e suas respectivas peculiaridades, entre outros.
13

O terceiro capítulo aborda-se a metodologia utilizada no dimensionamento dos mancais


da caixa satélite.

No quarto capítulo discorre-se sobre os resultados obtidos nesta pesquisa e, por fim, o
quinto capítulo trata das conclusões relacionadas ao estudo proposto.
14

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Neste capítulo aborda-se os conceitos teóricos de diferentes autores acerca do tema, os


quais servirão para o desenvolvimento deste trabalho. Entre os assuntos abordados estão os
princípios relacionados à transmissão de um trator, eixo diferencial e suas características
específicas, conforme apresenta-se a seguir.

2.1 Conceitos básicos sobre a transmissão de um trator

Para Yamashita (2010), os tratores agrícolas são máquinas desenvolvidas para facilitar
qualquer tipo de tarefa agrícola ou agropecuária, pois devem ser capazes de tracionar máquinas
e implementos de arrasto como, por exemplo, arados, grades, adubadoras e carretas. O autor
complementa que, para atender estas atividades, o trator agrícola possui uma forma construtiva
única com diversas peculiaridades, que lhe permite o acoplamento de diversos tipos de
implementos com inúmeros tipos de acionamentos.

Os tratores agrícolas são compostos por diversos componentes, como, sistemas de


direção, sistema de comando hidráulico, sistema de arrefecimento do motor, e os sistemas de
transmissão. Em Gall et.al. (2013), descreve-se as transmissões como um conjunto de
elementos mecânicos cuja principal função é transmitir movimento e potência de um sistema
para outro. Além disso, esses mecanismos podem variar a rotação e o torque entre dois eixos e,
neste caso, costumam ser chamados de variadores. Existem diversos mecanismos para variar
rotação e torque, entre eles, destacam-se as aplicações por meio de engrenagens, por correias
ou por atrito.

A Figura 1 ilustra o princípio de funcionamento do sistema de transmissão de um trator


através de engrenagens, onde a rotação e o torque do motor são transmitidos da caixa de marcha
para o eixo pinhão do sistema diferencial.
15

Figura 1 - Constituição geral do trator agrícola

Fonte: Adaptado de Yamashita (2010)

Como ilustrado na Figura 1, o motor é responsável pelo acionamento da árvore primária


(entrada do sistema) que fornece o torque de entrada para a caixa de marchas. Na caixa de
marchas, além da arvore primaria, existe a arvore secundaria e terciaria (saída do sistema),
constituindo um sistema de relações de engrenagens, que se acoplam de acordo com a marcha
engrenada, modificando tanto o torque, quanto a velocidade angular entregue ao sistema
diferencial no eixo traseiro. A seguir, apresenta-se somente os componentes do conjunto de
transmissão relevantes para esta pesquisa.

2.1.1 Caixa de marchas

De acordo com Gall et.al. (2013), a caixa de marchas tem como função modificar o
torque, a velocidade e o sentido do movimento transmitido do motor para o sistema diferencial.
Neste caso, os autores explicam o princípio geral de que o que se ganha em força, perde-se em
velocidade e vice-versa, ou seja, todo o torque entregue ao eixo motriz por meio do sistema
16

diferencial é ajustado na caixa de marchas, por meio de combinações de engrenagens. Em


síntese, pode-se dizer que as cargas atuantes no sistema diferencial são influenciadas de acordo
com a troca de marchas do veículo. A Figura 2 apresenta o princípio de funcionamento de um
sistema de caixa de marchas de um veículo automotor.

Figura 2 - Princípio de funcionamento da caixa de marchas

Fonte: Site HowStuffWorks (2001)

Na Figura 2, observa-se que o movimento proveniente do eixo do motor (A) é


transmitido para uma arvore intermediária formada por engrenagens de tamanhos diferentes (B)
que, ao se acoplarem com as engrenagens da árvore principal (C) de acordo com a marcha
escolhida, transmitem o movimento para o pinhão do diferencial (D). Em alguns casos,
principalmente em tratores, onde se necessita muito mais torque do que velocidade, tem-se uma
redução adicional entre a saída da caixa de marchas e o pinhão do diferencial, comumente
chamada de simples/reduzida, que dobra a gama de velocidades do veículo. A Figura 3 ilustra
o sistema transmissão (simples/reduzida) proveniente da arvore terciária da caixa de marchas.
17

Figura 3 - Exemplo de redução planetária

Fonte: Site da empresa Portescap (2015)

Com relação à caixa de marchas, constata-se que este sistema é de extrema importância
para o presente estudo, pois trata-se do componente que modifica o torque, a velocidade e o
sentido de giro transmitido ao diferencial, de maneira que, de acordo com a relação de
transmissão da caixa de marchas, o torque fornecido para o sistema diferencial pode variar,
alterando o esforço submetido aos mancais em estudo.

2.1.2 Sistema diferencial

Birrento, (2008) e Linares (2012), entre outros, ao apresentarem um sistema diferencial


explicam que, quando um trator se desloca em linha reta, a velocidade angular das rodas
motrizes do lado direito e esquerdo é a mesma, entretanto, ao realizar uma curva, o veículo
precisa que a roda externa a curva tenha uma velocidade angular maior do que a interna, de
forma que, para essa compensação de velocidades angulares, utiliza-se o sistema diferencial.
18

De acordo com Varella (2010), o diferencial é responsável pela mudança de direção do


movimento proveniente da caixa de marchas. Ademais, este componente é um redutor de
velocidade (conversor de torque), além de compensar a diferença de rotação nas rodas durante
uma curva, mantendo a mesma relação de torque. Para ilustrar o princípio de funcionamento de
um diferencial, apresenta-se a Figura 4, que trata das características deste sistema no caso de
deslocamento em linha reta e deslocamento em curvas.

Figura 4 - Princípio de funcionamento de um sistema diferencial

Fonte: Varella (2010)

Ainda, segundo o autor, considerando que o movimento do eixo pinhão é proveniente


da caixa de marchas, logo o movimento executado pela coroa é definido pelo engrenamento
existente entre o pinhão e a coroa. Além disso, acoplada a coroa, existe um conjunto de
engrenagens denominadas satélite e planetária. Estas engrenagens são responsáveis pela
equalização da velocidade angular das rodas durante uma curva.
19

Figura 5 - Sistema diferencial

Fonte: Site 8000 vueltas (2008)

Na Figura 5, observa-se que o diferencial é composto basicamente pelos seguintes


elementos:

a) Conjunto coroa e pinhão

Para Birrento (2008), o conjunto coroa e pinhão é constituído por um par de engrenagens
cônicas conforme apresentado na Figura 6. A engrenagem com maior número de dentes é
definida como a coroa, que é acoplada por meio de parafusos e pinos à caixa planetária. O
pinhão é posicionado a 90 graus da coroa, e afixado à arvore terciaria da caixa de marchas.
20

Figura 6 - Exemplo de transmissão por coroa e pinhão

Fonte: Varella (2010)

Estes componentes influenciam de forma direta nas cargas aplicadas nos mancais, uma
vez que eles transmitem todo o torque oriundo do eixo pinhão para o eixo onde está montada a
caixa do diferencial.

b) Caixa satélite

Segundo Linares (2012), a caixa satélite, é uma carcaça, geralmente de ferro fundido,
dentro da qual ficam alojadas engrenagens e mancais, sendo que as engrenagens são os
componentes responsáveis pela compensação de giro, e que são classificadas em dois tipos:

1) Engrenagens planetárias

Tem a função de transmitir o torque oriundo da caixa satélite para os semieixos.

2) Engrenagens satélites

Tem como função transmitir o torque oriundo de uma engrenagem planetária para outra.

Considerando que as engrenagens planetárias e satélites são classificadas cônicas, na


figura 7, apresenta-se o mecanismo de acoplamento deste tipo de engrenagem.
21

Figura 7 - Exemplo de acoplamento de engrenagem cônica

Fonte: Shigley et.al. (2005)

Neste caso, é importante ressaltar que ambas engrenagens giram sobre mancais de
deslizamento axiais, conforme é tratado ao longo deste trabalho.

c) Semieixos direito e esquerdo

De acordo com Yamashita (2010) e Linares (2012), os semieixos são eixos estriados,
fabricado em aço com alta resistência mecânica, e responsáveis por transmitir o torque do
diferencial para as engrenagens de redução final (engrenagens das pontas de eixo). Ademais,
nos semieixos ficam instalados os freios do trator que, quando acionados individualmente,
interrompem ou diminuem o movimento do lado em que o freio é acionado, fazendo com que
o diferencial atue na transmissão de movimento. Para exemplificar, Linares (2012), explica que,
no caso em que as rodas são freadas independentemente, o torque que antes era distribuído para
22

ambas as rodas passa a ser transmitido para apenas uma roda. A Figura 8 ilustra o
posicionamento dos semieixos no sistema diferencial.

Figura 8 - Montagem dos semieixos no diferencial

Fonte: Adaptado de Varela (2010)

Segundo Padovan et.al. (2010), nas aplicações em máquinas agrícolas, os freios não são
utilizados somente para parar o veículo em movimento, isto é, eles auxiliam em situações na
qual realiza-se uma manobra, em função de que, nestes veículos, é possível frear as rodas
traseiras de maneira independente. Estas características, por consequência, possibilitam que o
freio bloqueie uma das rodas traseiras, fazendo com que o esforço na caixa satélite aumente
consideravelmente se comparado apenas a eventuais curvas como no caso de utilitários e outros
veículos. A frenagem individual das rodas motrizes, aumenta consideravelmente o atrito entre
engrenagem e mancal. Assim, considerando que um trator agrícola em um dado trabalho dentro
de uma área de cultivo executa inúmeras manobras, percebe-se o quanto os mancais da caixa
satélite são exigidos em termos de esforços.

d) Bloqueio do Diferencial
23

Para Linares (2012), os tratores e outros veículos off-road, quando necessitam transpor
terrenos acidentados onde ocasionalmente uma das rodas irá girar solta, dispõem da opção de
bloqueio de diferencial. O bloqueio do diferencial consiste em um sistema de acoplamento que
fixa um semieixo no outro, de maneira que a compensação de diferença de velocidades entre as
rodas é anulada, fazendo com que ambas girem com a mesma rotação e torque.

Além disso, o autor explica que, ao usar o bloqueio do diferencial, o giro das
engrenagens dentro da caixa satélite é interrompido, pois o movimento é transmitido
diretamente do eixo pinhão para as duas rodas sem a compensação de giro gerada pelas
engrenagens da caixa satélite. Assim, pode-se dizer que não existe atrito entre o mancal e a
engrenagem, porque, neste caso, não há movimento dos componentes internos da caixa.

A Figura 9, ilustra um sistema de bloqueio de diferencial comumente usado em


automóveis. Este sistema é composto por dois elementos, onde cada um é fixo em um semieixo,
e que quanto acionado se acoplam um no outro, gerando o bloqueio e fazendo com que os dois
semieixos girem como se fosse um só. Em maquinas agrícolas, como os tratores, o bloqueio é
geralmente posicionado fora da caixa satélite, sendo colocado após a redução final do trator
bloqueando as duas pontas de eixo.

Figura 9 - Exemplo de bloqueio de diferencial

Fonte: Adaptado do site 4x4 Brasil (2007)


24

e) Mancais acoplados as engrenagens satélites e planetárias

No presente estudo, quanto ao arranjo dos componentes do sistema diferencial,


considera-se que os mancais (itens 3 e 4) são fixados à caixa satélite (5) sobre os quais as
engrenagens satélites (1) e planetárias (2) giram, conforme está representado na Figura 10.

Figura 10 - Sistema diferencial em corte

Fonte: Adaptado do site TopClassic (2015)

Como já comentado, os mancais são elementos importantes no funcionamento do


sistema diferencial, pois uma falha desses componentes acarreta no desgaste e mal
funcionamento deste sistema. Assim, para ilustrar a importância da análise dos mancais do
sistema diferencial, a Tabela 1, apresenta a influência de cada um dos componentes do sistema
diferencial sobre os mancais.
25

Tabela 1 - Análise da influência dos componentes do diferencial


Autor/ano Componente do diferencial Influência sobre os mancais
Mialhe (1980) Coroa e Pinhão Transmite o movimento ao
sistema
Varella (2010) Caixa satélite Distribui o movimento para as
engrenagens internas
Linares (2012) Semieixos Aciona o sistema em uma curva
Linares (2012) Bloqueio do diferencial Anula o movimento interno na
caixa satélite
Fonte: O Autor

Como pode-se observar na Figura 10, existe um movimento relativo entre o mancal e a
engrenagem, caracterizando o mancal em estudo como um mancal de deslizamento.
Segundo Norton (2011), os mancais de deslizamento são elementos tipicamente
projetados sob especificação. Este tipo de mancal, ao contrário dos mancais de rolamento, é
formado por um elemento fixo, fabricado com material resistente à abrasão, sobre o qual outro
elemento se movimenta, como, por exemplo, uma camisa ao redor de um eixo. No caso de um
mancal plano, uma das partes móveis geralmente será de aço, ferro fundido ou algum outro
material estrutural, a fim de atingir a resistência e a dureza requeridas. Considera-se que para
seu funcionamento é necessária uma boa lubrificação no contato da parte móvel com a
superfície do mancal.
Estes mancais, geralmente, apresentam duas formas construtivas, a de munhão e a de
encosto, em que cada tipo de mancal sofre um carregamento especifico. O mancal de
deslizamento do tipo munhão, é o modelo mais comum, sendo bastante utilizado em
virabrequins de motores de combustão interna, caracterizando-se por serem bipartidos e
montados de forma que o eixo móvel apoiado sobre gere forças sobre sua superfície interna.
Já os mancais de deslizamento do tipo encosto, que é o objeto de estudo desse trabalho,
são menos utilizados e caracterizam-se por servirem de apoio (encosto) ao elemento móvel que
sobre ele se movimentará. Desta forma, este tipo de mancal estará sujeito a cargas axiais
provenientes do elemento a ele apoiado.
26

2.2 Características de desgaste em mancais

De acordo com Norton (2011), o desgaste abrasivo, ocorre de dois modos distintos: o
desgaste abrasivo a dois corpos ou a três corpos. A abrasão a dois corpos ocorre quando se tem
um material duro e rugoso deslizando sobre outro menos duro. A abrasão a três corpos se dá
quando são introduzidas partículas de um material duro entre dois corpos que se deslizam um
contra o outro, sendo que pelo menos um desses corpos é feito de um material com uma dureza
mais baixa. Com relação aos dois tipos de desgaste relatados, assume-se que, o mancal em
estudo, apresenta um comportamento de desgaste abrasivo a dois corpos, pois a engrenagem
fabricada com um material mais duro desgasta o mancal que possui um material mais macio.

Considerando o desgaste abrasivo a dois corpos, a necessidade de uma lubrificação


adequada do sistema e o uso frequente do freio em manobras, pode-se dizer que, para o
dimensionamento de mancais, é preciso considerar os efeitos associados aos mecanismos de
desgaste, a fim de prevenir falhas deste componente. No entanto, apesar de se tratar de um
assunto importante em relação ao estudo de mancais, nesta pesquisa não se abordará as
características de desgaste dos mancais, ou seja, este trabalho irá tratar somente das
características associadas à falha deste componente.

2.2.1 Critérios de Falhas

A avaliação das tensões e deformações sempre é feita, de acordo com Cury (2015), em
função de certas propriedades do material, porém, não basta apenas calcular essas grandezas,
ou seja, é necessário confrontar os valores encontrados com limites pré-estabelecidos para
verificar o estado em que o material se encontra após as solicitações que vier a sofrer, seja ele
frágil, quando rompe de forma repentina, ou dúctil, quando passa por uma deformação plástica,
isto é, escoa até um certo ponto para então romper.

Segundo Beer, et al (2009), de modo geral, é necessário identificar os valores de tensão


e deformação que levam o material a falhar, rompendo, no caso de materiais frágeis, ou
escoando, no caso de materiais dúcteis. Como não existe apenas um tipo de falha, logo não se
tem como aplicar um mesmo critério para todos os casos, por isso, diversos critérios estão
descritos na literatura sendo que para cada tipo de falha utiliza-se um critério diferente.
27

Conforme Hibbeler (2010), os elementos estruturais e os componentes de máquinas são


projetados de modo que o material que os compõem, sendo um material dúctil, não venha a
escoar pela ação dos carregamentos esperados, ou seja, são dimensionados para cargas
superiores as que irão sofrer. Dessa forma quando se precisa elaborar um projeto com um
determinado material, o mesmo deve estabelecer um limite superior para o estado de tensão que
defina a falha do material. Se o material for dúctil, geralmente a falha será especificada pelo
início do escoamento, pois como o escoamento é caracterizado como uma deformação plástica,
ou seja, após ela o material não retorna a sua condição de origem, suas propriedades mecânicas
são alteradas; se o material for frágil, ela será especificada pela fratura repentina.

Esses critérios de falha são prontamente definidos se o elemento estiver submetido a um


estado de tensão uniaxial, como no caso de tensão simples, entretanto, caso o elemento esteja
submetido a estados de tensão biaxial ou triaxial, o critério para ruptura fica mais difícil de
estabelecer.

Para casos em que o material é considerado dúctil, um dos critérios mais usados
conforme Beer et. Al. (2009), é o critério de tensão de von Misses que é baseado na teoria de
von Misses-Hencky, também conhecida como teoria da energia de distorção máxima.

Essa teoria afirma que um material dúctil começa a escoar em um local onde a tensão
de von Misses se torna igual ao limite de tensão. Na maioria dos casos, o limite de escoamento
é usado como limite de tensão.

Com isso, obtém-se as tensões normais 𝜎𝑥 e 𝜎𝑦 e cisalhante 𝜏𝑥𝑦 atuantes no elemento,


e através da equação 1, obtém-se a tensão de von Misses, que no caso de falha deve ser maior
que a tensão de escoamento do material representada por 𝑆𝑦 .

(1)
𝜎 ′ = √𝜎𝑥 ² + 𝜎𝑥 . 𝜎𝑦 + 𝜎𝑦 ² − 2𝜏𝑥𝑦 ² > 𝑆𝑦

2.3 Técnicas utilizadas na caracterização dos materiais

Para que seja possível avaliar o desgaste e as características de falhas destes mancais,
torna-se necessário conhecer as caracterizar dos mesmos. Desta forma, a seguir, apresenta-se
algumas técnicas utilizadas na determinação das propriedades mecânicas de materiais.
28

2.3.1 Ensaio de dureza

Segundo de Souza (2012), na ciência dos materiais, a dureza é a propriedade


característica de um material sólido, que expressa sua resistência a deformações permanentes e
está diretamente relacionada com a força de ligação dos átomos.

Outra maneira de avaliar a dureza é a capacidade de um material penetrar o outro que,


na engenharia e na metalurgia, é feito pelo ensaio de dureza. A partir de um referencial
intermediário, a dureza pode ser expressa em diversas unidades. Para o estudo foram utilizados
dois dos processos mais comuns:

a) Brinell

O método Brinell é, conforme de Souza (2012), e Askeland (2008), um método de


medição da dureza, utilizado principalmente nos materiais metálicos. Este método foi proposto
em 1900, pelo engenheiro sueco Johan August Brinell. Neste método, o teste típico consiste em
um penetrador de formato esférico com 10 mm de diâmetro, feito de aço de elevada dureza ou
de carbeto de tungstênio. A carga aplicada varia entre 500 e 3000 kgf e, durante o teste, a carga
é mantida constante por um período entre 10 e 30 segundos.

O número Brinell de dureza (HB) é função da carga aplicada e do diâmetro da impressão


resultante e pode ser obtido através da seguinte relação:

2𝑃 (2)
𝐻𝐵 =
𝜋𝐷(𝐷 − √𝐷2 − 𝑑 2 )

Onde “P” é o valor da carga aplicada (em kgf), “D” é o diâmetro do penetrador e “d” é
o diâmetro da impressão resultante, ambos em milímetros. Como principal desvantagem do
ensaio Brinell se tem o tamanho do penetrador, que muitas vezes causa danos consideráveis à
peça analisada.
29

Para garantir um bom resultado, a medição do diâmetro da impressão deve ser feita em
pelo menos duas direções. Além disso, para obter resultados adequados é necessário manter
constante a relação:

𝑃 (3)
𝐷²

Sendo para esta relação, P o valor da carga e D o diametro do penetrador.

b) Rockwell

O método Rockwell é, segundo Askeland (2008), um método de medição direta da


dureza, sendo um dos mais utilizados em indústrias. Este é um dos métodos mais simples que
não requer habilidades especiais do operador. Além disso, várias escalas diferentes podem ser
utilizadas através de possíveis combinações de diferentes penetradores e cargas, o que permite
o uso deste ensaio em praticamente todas as ligas metálicas, assim como em muitos polímeros.

Os penetradores incluem esferas fabricadas em aço de elevada dureza, com diâmetros


de 1/16”, 1/8”, ¼” e ½” polegada, assim como cones de diamante, utilizados nos materiais de
elevada dureza.

Neste sistema, a dureza é obtida através da diferença entre a profundidade de penetração


resultante da aplicação de uma pequena carga, seguida por outra de maior intensidade.

A carga inicial aplicada é 10 kgf, seguida por uma carga de 60, 100 ou 150 kgf, conforme
a escala utilizada.

Tabela 2 - Tipos de penetradores para escala Rockwell

Símbolo Penetrador Carga Principal


(kgf)
A Cone de Diamante 60
B Esfera de 1/16" 100
30

C Cone de Diamante 150


D Cone de Diamante 100
E Esfera de 1/8" 100
F Esfera de 1/16" 60
Fonte: adaptados de Askeland (2008)

Ao se especificar a dureza na escala Rockwell, o índice de dureza e o símbolo da escala


devem ser indicados. A escala é designada pelo símbolo HR seguido pela identificação
apropriada da escala. Por exemplo, 80 HRB representa uma dureza Rockwell de 80 na escala
B. Para cada escala, os valores de dureza podem chegar até 130. No entanto, é adequado utilizar
outra escala Rockwell caso os valores obtidos sejam inferiores a 20 ou superiores a 100.

Imprecisões podem ocorrer caso a amostra possua pequena espessura, se a impressão


ocorrer próxima de um canto da amostra ou próxima de outra impressão. Assim, a espessura do
corpo ensaiado deve ser pelo menos dez vezes superior a profundidade da impressão. Além
disso, a impressão deve ser feita a uma distância equivalente a três diâmetros do penetrador de
outras impressões e cantos da amostra e, a superfície em questão deve possui uma boa
planicidade.

Os equipamentos modernos para obtenção da dureza Rockwell são automatizados e


muito simples de usar. A dureza é fornecida diretamente pelo equipamento e cada medição
requer apenas alguns segundos e as normas que regem estes ensaios são a ASTM E18 e a ISO
6508-1.

2.3.2 Ensaio de espectometria

De acordo com Murta (2013), a espectrometria de emissão óptica (EEO) é um método


de análise utilizado para determinar as concentrações dos elementos químicos presentes. O
princípio da técnica se baseia na medida da radiação emitida pelos átomos destes elementos
após receberem energia de uma fonte externa. Este ensaio permite a quantificação de elementos
(metais, semimetais e terras raras) em diversos tipos de amostras, baseando-se na detecção da
radiação eletromagnética emitida por átomos neutros ou íons excitados nas regiões do espectro
31

eletromagnético visível e ultravioleta. No caso dos metais permite que seja definida a
composição da liga do material estudado.

O funcionamento consiste no princípio básico de que cada composto químico absorve


ou transmite a luz ao longo de um determinado intervalo de comprimento de onda. Esta medição
pode também ser usada para medir a quantidade da concentração de uma substância química
conhecida.

Segundo Lenz (2011), um espectrômetro é um instrumento que mede a quantidade de


fótons (a intensidade da luz) absorvidos de um feixe de luz após ele ter passado através de
solução de amostra. Com o espectrofotômetro, a quantidade de uma substância química
conhecida (concentrações) também pode ser determinada pela medição da intensidade de luz
detectada.
32

3 METODOLOGIA

A metodologia deste trabalho é definida nas seguintes etapas: Primeiramente, realiza-se


a caracterização dos mancais, para avaliar a composição dos materiais dos mesmos. A seguir,
determina-se o carregamento em que os mancais estão submetidos, considerando o torque
aplicado no pinhão do conjunto por meio de um cálculo de redução a partir do motor. Na terceira
etapa, verifica-se a condição de falha através do critério de Von Misses, para então na quarta
etapa, propor o redimensionamento dos mancais. A Figura 11 descreve a metodologia proposta
neste trabalho.

Figura 11 - Metodologia a ser desenvolvida para o trabalho

•Identificar os materiais utilizados


1º na fabricação dos mancais e da
caixa planetária

•Determinar as cargas
2º atuantes no semieixo e nos
mancais da caixa planetária

•Verificar se os mancais utilizados


3º estão de acordo com o
carregamento atuante

4º •Redimensionar os mancais
existentes

Fonte: O Autor

3.1 Caracterização das amostras


33

Para analisar o desgaste nos mancais do sistema, faz-se necessário o conhecimento das
propriedades mecânicas que os compõem. Como apresentado no capítulo 2, as técnicas
utilizadas na determinação das propriedades mecânicas dos materiais são as seguintes: ensaio
de dureza e espectrometria. A seguir, apresenta-se a metodologia utilizada na determinação das
propriedades dos mancais e da caixa planetária.

3.2.1 Ensaio de dureza

Para este tipo de análise foi escolhido primeiramente a escala de dureza Rockwell, pois
de acordo com Callister & Rethwisch (2013), é o método mais simples de ser usado. Para se
obter um valor mais correto foram feitas cinco medições em cada amostra. Conforme ilustrado
na tabela 3, a média das medições em cada amostra foi convertida para a escala Brinell para
então ser comparada com a dureza de um material conhecido.

Tabela 3 - Resultado dos ensaios de dureza para os materiais estudados

Mancal de deslizamento Mancal de deslizamento


(contato engrenagem) (contato caixa
planetária)
Medição HRB HB HRB HB
1º 56 51
2º 51 58
3º 52 65
4º 50 57,5
5º 54 61,5
MÉDIA 52,6 90 58,6 95
Fonte: O Autor

3.2.2 Ensaio de espectrometria


34

Como apresentado na secção 3.2.3, Murta (2013), explica que o ensaio de


espectrometria é um método de análise utilizado para determinar as concentrações dos
elementos químicos presentes, ou seja, este processo permite conhecer a porcentagem de cada
elemento que constituem a amostra de um material.

No presente trabalho, o ensaio de espectrometria foi proposto da seguinte maneira:

Nesta pesquisa, os ensaios, foram realizados no Laboratório de Metalurgia Física


(LAMEF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Como resultado, temos as caracterizações das ligas que compõem cada amostra
ensaiada, de acordo com as informações apresentadas na Tabela 4.

Tabela 4 - Resultado do ensaio de espectrometria

Elemento Composição (em % de massa)


Lado dos mancais Lado dos mancais
em contato na em contato na
caixa satélite engrenagem
C 0,03980 0,08760
Si 0,00810 0,00890
Mn 0,24500 0,26600
P 0,00370 <0,00100
S 0,00550 0,00360
Cr 0,01370 0,01540
Mo <0,00500 <0,00500
Ni 0,00680 0,01040
Al 0,02770 0,03150
Co <0,01000 <0,01000
Cu <0,01000 <0,01000
Nb 0,00300 0,00820
Ti 0,00140 0,00140
V <0,00100 <0,00100
W <0,01000 <0,01000
Pb <0,00200 <0,00200
Sn <0,00100 <0,00100
35

Mg <0,00200 <0,00200
B 0,00040 <0,00010
Fe <99,60000 <99,60000
Fonte: O autor

Pode-se, a partir dos dados obtidos com os ensaios de dureza e espectrometria, comparar
os dados com a Tabela 5, assumir que o mancal é constituído de um aço com características
semelhantes a um SAE 1006, que para fins de cálculo, será o material considerado.

Tabela 5 - Requisitos químicos de aços com baixo carbono


Norma Grau Composição
C Mn P S
SAE J403 1006 0,08 máx. 0,45 máx. 0,030 máx. 0,050 máx.
SAE J403 1008 0,10 máx. 0,50 máx.
SAE J403 1010 0,08 - 0,13 0,30 - 0,60
SAE J403 1012 0,10 - 0,15 0,30 - 0,60
SAE J403 1015 0,13 - 0,18 0,30 - 0,60
SAE J403 1016 0,13 - 0,18 0,60 - 0,90
SAE J403 1018 0,15 - 0,20 0,60 - 0,90
Fonte: Adaptado do catalogo de aços planos Gerdau (2015)

Em síntese, para apresentar as propriedades dos materiais em estudo, a Tabela 6


apresenta as propriedades dos materiais utilizados neste trabalho.

Tabela 6 - Materiais constituintes das amostras analisadas

Amostra Material
Mancal de deslizamento (contato Aço Baixo carbono SAE 1006
engrenagem)
Mancal de deslizamento (contato caixa Aço Baixo carbono SAE 1006 com
planetária) tratamento superficial
36

Fonte: O Autor

3.3 Determinação das cargas atuantes nos mancais

Neste trabalho, para a determinação das cargas atuantes no mancal (engrenagem


planetária) do sistema diferencial, assume-se os conceitos apresentados na pesquisa proposta
por da Costa (2013), conforme apresenta-se na Figura 15.

Figura 12 - Metodologia para determinar as forças atuantes nos mancais

Definir o torque Determinar o Calcular as forças


proveniente do torque entregue ao atuantes nos
motor eixo pinhão mancais

Fonte: O autor

Como se vê, a metodologia proposta pelo autor, adaptada para o presente estudo, é
representada nas seguintes etapas:

a) Definir o torque proveniente do motor

Para determinar o carregamento atuante no mancal (caixa planetária) do sistema


diferencial, inicialmente, é necessário conhecer o valor máximo do torque fornecido pelo motor.
Para tanto, no presente trabalho, define-se que o torque máximo proporcionado pelo motor
apresenta o valor de 162 N.m (1450 RPM), valor este fornecido pelo fabricante do motor do
trator.

b) Determinar o torque entregue ao eixo pinhão do diferencial


37

Para facilitar a compreensão dos cálculos apresentados, na figura 16, ilustra-se uma
representação simplificada do sistema diferencial e o sistema de transmissão do trator em
estudo.

Figura 13 - Sistema de tranmissão de um trator

Fonte: O autor

Como já comentado, o torque fornecido para o sistema diferencial é proveniente da caixa


de marchas do veículo e, consequentemente, do motor, responsável por fornecer energia ao
sistema. Desta forma, o autor comenta que, conhecendo o torque máximo entregue ao veículo
e as relações de engrenagens da caixa de marchas, torna-se possível calcular o torque no eixo
pinhão (torque efetivo entregue ao sistema diferencial), de acordo com a metodologia de cálculo
proposta a seguir:

Com base nos conceitos apresentados na seção 2.1, primeiramente, considera-se que a
engrenagem (1) acoplada ao eixo do motor (árvore primária) aciona a árvore secundária da
caixa de marchas (2). Desta forma, supondo que a engrenagem acoplada (sinônimo) ao eixo do
motor é composta por 19 dentes e, a engrenagem acoplada à arvore secundaria é constituída de
47 dentes, logo, obtém-se que a primeira relação de engrenagens é definida da seguinte maneira:

𝑍𝐸2 ⁄𝑍𝐸1 = 47⁄19 = 2,473684 (4)


38

Portanto, o torque na arvore secundária é definido de acordo com a seguinte expressão:

𝑇á𝑟𝑣𝑜𝑟𝑒 𝑠𝑒𝑐𝑢𝑛𝑑á𝑟𝑖𝑎 = 𝑇𝑚𝑜𝑡𝑜𝑟 . (𝑍𝐸2 ⁄𝑍𝐸1 ) = 162.2,473684 = 400,74𝑁. 𝑚 (5)

onde Tmotor refere-se ao torque fornecido pelo motor e ZE2/ ZE1 consiste na relação entre as
engrenagens do motor e da arvore secundaria.

De posse dos valores de torque na arvore secundaria, a seguir, torna-se necessário


determinar o torque fornecido para a arvore terciaria. Para tanto, neste trabalho, considera-se a
hipótese que o torque disponibilizado para o sistema diferencial por meio da arvore terciaria
(acoplado ao pinhão) trata-se do valor máximo que pode ser entregue pela caixa de marchas
(primeira marcha do trator). Levando-se em conta que a arvore secundaria(3) e representada
por 22 dentes e a arvore terciaria(4) por 35 dentes, então, define-se o torque na arvore terciaria
como:

𝑍𝐸4 ⁄𝑍𝐸3 = 35⁄22 = 1,59 (6)

𝑇á𝑟𝑣𝑜𝑟𝑒 𝑝𝑟𝑖𝑚á𝑟𝑖𝑎 = 𝑇𝑎𝑟𝑣𝑜𝑟𝑒 𝑠𝑒𝑐𝑢𝑛𝑑𝑎𝑟𝑖𝑎 . (𝑍𝐸4 ⁄𝑍𝐸3 ) = 400,74.1,59 (7)


= 637,54𝑁. 𝑚

onde Tsecundaria refere-se ao torque fornecido pela arvore secundaria e ZE4/ ZE3 consiste na relação
entre as engrenagens da arvore secundaria e da arvore terciaria.

Como dito na seção 2.1, os tratores são meios de transporte que, comparados com
veículos convencionais, transmitem uma relação de torque maior da caixa de marchas para o
sistema diferencial. Por este motivo, os tratores dispõem de uma relação de engrenagens
adicional(5), o qual é acoplada entre a arvore terciaria e o eixo pinhão. Assim, se a arvore
terciaria e composta por uma engrenagem de 11 dentes e o eixo pinhão por uma engrenagem
de 46 dentes, assim, define-se que o torque no eixo pinhão é dado por:

𝑍𝐸6 ⁄𝑍𝐸5 = 46⁄11 = 4,181818 (8)


39

𝑇𝑒𝑖𝑥𝑜 𝑝𝑖𝑛ℎã𝑜 = 𝑇𝑎𝑟𝑣𝑜𝑟𝑒 𝑝𝑟𝑖𝑚á𝑟𝑖𝑎 . (𝑍𝐸6 ⁄𝑍𝐸5 ) = 635,54.4,1818 = 2666,05𝑁. 𝑚 (9)

onde Teixopinhão refere-se ao torque fornecido pelo motor e ZE6/ ZE5 consiste na relação entre as
engrenagens da arvore terciaria e da eixo pinhão.

A seguir, conhecendo o valor do torque fornecido para o sistema diferencial através do


eixo pinhão, aplica-se os mesmos conceitos (cálculo de relação de transmissão de engrenagens)
para a determinação do torque nos componentes internos do diferencial.

Como observa-se na Figura 16, no eixo pinhão é acoplada uma engrenagem cônica(6),
na qual transmite o movimento para a coroa do diferencial(7). Então, considerando que a
engrenagem cônica (eixo pinhão) tem 12 dentes e a coroa do diferencial possui 45 dentes tem-
se que:

𝑍𝐸8 ⁄𝑍𝐸7 = 12⁄45 = 3,75 (10)

𝑇𝑐𝑜𝑟𝑜𝑎 = 𝑇𝑒𝑖𝑥𝑜 𝑝𝑖𝑛ℎã𝑜 . (𝑍𝐸8 ⁄𝑍𝐸7 ) = 2666,05.3,75 = 9997,72𝑁. 𝑚 (11)

Sabe-se que, se o funcionamento do diferencial e desprezado, os semieixos irão girar


com a mesma velocidade angular que a coroa. No entanto, se for considerado seu
funcionamento com um dos lados completamente freado, então, a velocidade angular do
semieixo livre(10) e da engrenagem planetária(8), será o dobro da velocidade angular da coroa,
reduzindo o valor do torque pela metade. Portanto, o torque na engrenagem planetária é definido
como:

𝑇𝐸𝑝𝑙𝑎𝑛𝑒𝑡á𝑟𝑖𝑎 = 𝑇𝑐𝑜𝑟𝑜𝑎 ⁄2 = 9997,72𝑁. 𝑚⁄2 = 4998,86𝑁. 𝑚 (12)

Conhecendo o torque na engrenagem planetária, torna-se possível determinar a relação


de transmissão entre as engrenagens planetárias e satélites(9), como pode-se observar na
Equação 12.
40

𝑍𝐸𝑝𝑙𝑎𝑛𝑒𝑡á𝑟𝑖𝑎 ⁄𝑍𝐸𝑠𝑎𝑡é𝑙𝑖𝑡𝑒 = 20⁄12 = 1,67 (13)

Assim, o torque disponível na engrenagem planetária

𝑇𝐸𝑝𝑙𝑎𝑛𝑒𝑡á𝑟𝑖𝑎 = 𝑇𝐸𝑠𝑎𝑡é𝑙𝑖𝑡𝑒 . (𝑍𝐸𝑝𝑙𝑎𝑛𝑒𝑡á𝑟𝑖𝑎 ⁄𝑍𝐸𝑠𝑎𝑡é𝑙𝑖𝑡𝑒 ) (14)

Reescrevendo:

𝑇𝐸𝑠𝑎𝑡 = 𝑇𝐸𝑝𝑙𝑎𝑛 ⁄(𝑍𝐸𝑝𝑙𝑎𝑛 ⁄𝑍𝐸𝑠𝑎𝑡 ) = 4998,86⁄1,67 = 2999,31𝑁. 𝑚 (15)

Nas engrenagens cônicas, mesmo de dentes retos, a força normal W que o pinhão faz
sobre a coroa, e vice-versa, pode ser decomposta em três componentes conforme Figura 17:

Figura 14 - Componentes de força aplicadas em uma engrenagem cônica

Fonte: Norton (2011)

Wa (força axial), Wt (força tangencial) e Wr (Força radial), onde:


41

𝑊𝑎 = 𝑊. 𝑠𝑒𝑛 𝜃. 𝑠𝑒𝑛 𝛾 (16)

𝑊𝑡 = 𝑊. 𝑐𝑜𝑠 𝜃 (17)

𝑊𝑟 = 𝑊. 𝑠𝑒𝑛 𝜃. 𝑐𝑜𝑠 𝛾 (18)

Neste trabalho, parte-se do pressuposto que a potência é transmitida pelo eixo pinhão a
caixa planetária, que por sua vez transmite movimento ao semieixo. Além disso, considera-se
que quando um dos lados do veículo está freado, o torque é transmitido integralmente, pelo
sistema diferencial.

Considerando que o ângulo de pressão (θ) tanto da engrenagem planetária quanto da


satélite é 20º, que o ângulo do cone (γ) da engrenagem planetária é 56º, e que o raio da
engrenagem considerando o ponto de aplicação (𝑟𝑎𝑣 ) mede 70,3mm, temos:

𝑇 = 𝑊. 𝑟𝑎𝑣 (19)

Reescrevendo:

𝑊 = 𝑇⁄𝑟𝑎𝑣 =4998,86𝑁. 𝑚⁄0,0703𝑚 = 71107𝑁 (20)

Com o valor de W, pode-se achar 𝑊𝑎 , 𝑊𝑇 e 𝑊𝑟 :

𝑊𝑎 = 𝑊. 𝑠𝑒𝑛 𝜃. 𝑠𝑒𝑛 𝛾 = 71107𝑁. 𝑠𝑒𝑛 (20). 𝑠𝑒𝑛 (56) = 20162,36𝑁 (21)

𝑊𝑡 = 𝑊. 𝑐𝑜𝑠 𝜃 = 71107𝑁. cos(20) = 66818,72𝑁 (22)


42

𝑊𝑟 = 𝑊. 𝑠𝑒𝑛 𝜃. 𝑐𝑜𝑠 𝛾 = 71107𝑁. 𝑠𝑒𝑛 (20). cos(56) = 13599,58𝑁 (23)

Neste trabalho, parte-se do pressuposto que a potência é transmitida pelo eixo pinhão a
caixa planetária, que por sua vez transmite movimento ao semieixo. Além disso, considera-se
que quando um dos lados do veículo está freado, o torque e transmitido integralmente, pelo
sistema diferencial.

3.4 Analise de Falha do mancal em estudo

Para avaliar se o mancal esta corretamente dimensionado em relação às cargas


determinadas na seção anterior, neste trabalho, propõe-se utilizar o critério de falha por
escoamento baseado na energia máxima de distorção (Von Misses). A escolha por este método
deve-se ao fato que, como visto na seção 3.2.1, o material associado ao mancal caracteriza-se
por um aço 1006, o qual apresenta um comportamento dúctil, uma vez que sua deformação (ε)
corresponde a um valor maior que 0,005%.

Autores como Norton (2011), Beer (2009), entre outros, definem que, para um estado
plano de tensões, o critério de falha pelo método de von misses é representado de acordo com
a Equação (23).

(24)
𝜎 ′ = √𝜎𝑥 ² + 𝜎𝑥 . 𝜎𝑦 + 𝜎𝑦 ² − 2𝜏𝑥𝑦 ² > 𝑆𝑦

Onde Sy refere-se a tensão de escoamento do material em estudo, σ ´ consiste na tensão de von


misses.

Como pode-se observar na Equação (23), para analisar se o mancal em estudo


apresentará falha, é necessário determinar as tensões de von misses que, a seguir, devem ser
comparadas com a resistência ao escoamento do aço que caracteriza o mancal em estudo.
43

Neste trabalho, o método adotado para determinar as tensões de von misses pode ser
descrita na Figura 18.

Figura 15 - Método para análise de falha do mancal

Analise dos Cálculo das tensões


análise da falha nos
esforços nos atuantes nos
mancais
mancais mancais

Fonte: O Autor

a) Análise dos esforços nos mancais

Nesta etapa, para determinar os esforços nos mancais, considera-se as seguintes


características: 1) a potência é transmitida do eixo pinhão para a caixa planetária, 2) a caixa
planetária transmite movimento para o semieixo; e 3) define-se que, quando um dos lados do
veículo está freado, o torque é transmitido integralmente, pelo sistema diferencial. Com base
nestas considerações e, adotando as componentes de forças aplicadas em uma engrenagem
cônica, assume-se que a metodologia de cálculo dos mancais será analisada somente em um
semieixo, conforme apresenta-se na Figura 19.

Figura 16 - Representação do mancal e semieixo do sistema diferencial

Fonte: O Autor
44

Como se vê, para determinar as cargas atuantes no mancal, neste estudo, assume-se que
as forças axiais e radiais associadas aos esforços das engrenagens cônicas (seção 2.1.2.b) são
integralmente distribuídas para a região de maior solicitação do mancal, nos quais os esforços
são submetidos.

b) Cálculo das tensões atuantes nos mancais

Levando-se em conta que o mancal está submetido por forças axiais e radiais, define-se
que as tensões no mancal podem ocorrer de três maneiras: 1) tensões cisalhantes em função da
forca axial, 2) tensões normais provocadas pelas tensões radiais; e, por fim, 3) tensões
cisalhantes devido as forças axiais.

1) Tensões normais em função da forca axial

As tensões normais devido as forças axiais (σx) partem do pressuposto que, como a
forças axiais (Fa) encontram-se perpendiculares a face do mancal, logo, a tensão normal pode
ser definida como:

𝐹𝑎 (25)
𝜎𝑥 =
𝐴𝑎𝑥𝑖𝑎𝑙

Na Figura 20, ilustra-se o critério utilizado na definição da área da superfície axial do


mancal.

Figura 17 - Forças atuando sobre o mancal


45

Fonte: O Autor

Assim, a equação 25 pode ser rescrita como:

𝐹𝑎 (26)
𝜎𝑥 = 𝜋
. (𝐷2 − 𝑑2)
4

Por fim, define-se as tensões normais em função da forca axial (σx) da seguinte maneira:

20162,36𝑁 (27)
𝜎𝑥 = 𝜋 = 8186069,53𝑁/𝑚² = 8,18 𝑀𝑃𝑎
.(0,072 −0,0422 )
4

2) Tensões normais pelas forças radiais

Para determinar as tensões normais em função das forças radiais (σy) considera-se que,
como forças radiais (Fr) são perpendiculares a superfície de contato do mancal em relação ao
eixo, a tensão normal atuante no mancal da seguinte maneira:

𝐹𝑟 (28)
𝜎𝑦 =
𝐴𝑟𝑎𝑑𝑖𝑎𝑙

Na figura 21, ilustra-se o critério utilizado na definição da área transversal do mancal.


46

Figura 18 - Detalhe da área transversal do mancal

Fonte: O Autor

Assim, a equação 28 pode ser rescrita como:

𝐹𝑟 (29)
𝜎𝑦 =
𝑑. 𝑡

Por fim, define-se as tensões normais pelas forças radiais (𝜎𝑦 ) são definidas da seguinte
maneira:

13599,58𝑁 (30)
𝜎𝑦 = = 215866349,19𝑁/𝑚² = 215,86𝑀𝑃𝑎
0,042𝑚. 0,0015𝑚

3) Tensões cisalhantes devido as forças axiais.

As tensões cisalhantes devido as forças axiais caracterizam-se por serem tensões


tangentes as forças atuantes na seção relacionada ao encosto do mancal, tendendo a cisalhar o
mancal nesta região (Acisalhante)

𝐹𝑎 (31)
𝜏𝑥𝑦 =
𝐴𝑐𝑖𝑠𝑎𝑙ℎ𝑎𝑛𝑡𝑒
47

Na figura 22, ilustra-se o critério utilizado na definição da área transversal do mancal.

Figura 19 - Detalhe da área transversal do mancal

Fonte: O Autor

Assim, a equação 30 pode ser rescrita como:

𝐹𝑟 (32)
𝜏𝑥𝑦 =
2𝜋𝑟. 𝑡

Por fim, define-se as tensões normais pelas forças radiais (𝜏𝑥𝑦 ) são definidas da seguinte
maneira:

13599,58𝑘𝑁 𝑁 (33)
𝜏𝑥𝑦 = = 16213036,56 2 = 16,21 𝑀𝑃𝑎
2𝜋0,089𝑚. 0,0015𝑚 𝑚

c) Analise de falha do mancal

Assim, considerando as tensões determinadas no item (b), conclui-se que a região crítica
do mancal pode ser representada no estado plano de tensões representado pela Figura 23.
48

Figura 20 - Estado plano de tensões no mancal

Fonte: Norton (2011)

De posse dos valores das tensões na região crítica do mancal, e conhecendo as


propriedades mecânicas do material (resistência ao escoamento), logo torna-se possível
determinar a falha pelo critério de von misses.

(34)
𝜎 ′ = √𝜎𝑥 ² + 𝜎𝑥 . 𝜎𝑦 + 𝜎𝑦 ² − 2𝜏𝑥𝑦 ² > 𝑆𝑦

(35)
𝜎 ′ = √8,18² + 8,18. 215,86 + 215,86² − 2.16,21² = 218,86𝑀𝑃𝑎

Através de dados disponibilizados em catálogos de aços como o guia do aço


Arcelormittal (2015), o aço SAE 1006 possui tensão de escoamento(𝜎𝑒 ) de 170MPa, e
considerando que o valor obtido através da metodologia foi superior ao tabelado, se evidencia
a falha e, consequentemente, a necessidade de redimensionamento.
49

3.5 Método utilizado para o dimensionamento dos mancais

Para o dimensionamento dos mancais de deslizamento, utilizou-se a metodologia


proposta por Melconian (2012) e Shigley (2005), em que é considerada a pressão superficial
admissível entre o mancal e o componente móvel em contato com ele. A pressão média
admissível é resultado da força atuante sobre o mancal, dividida pela área da superfície de
contato do mancal. Neste estudo, a pressão admissível é representada na figura 24, pela força
axial (Fa) gerada pela componente axial da engrenagem apoiada sobre o mancal, dividida pela
área de apoio do mancal calculada através de D e d.

Figura 21 - Carregamento considerado no dimensionamento do mancal

Fonte: o Autor

O valor de pressão superficial admissível (𝑃𝑠 𝐴𝑑𝑚 ) relativo ao contato


engrenagem/mancal é dado pela tabela 6, com isso o uso do mancal sem quebras, se torna
possível se a pressão superficial calculada for inferior a pressão máxima admissível.

Tabela 7 - Pressão superficial máxima


Material em contato ENGRENAGEM / PMÁX kgf / cm² PMÁX Mpa
MANCAL
Aço temperado / aço temperado boa 150 14,709975
retificação, boa lubrificação.
Aço temperado / bronze ou metal patente, 90 8,825985
retificado, boa lubrificação.
50

Aço não temperado / bronze ou metal 60 5,88399


patente, retificado, boa lubrificação.
Ferro / bronze ou metal patente, superfícies 40 3,92266
lisas.
Ferro ou Ferro Fundido / bronze ou metal 30 2,941995
patente, superfícies não perfeitamente lisas
Ferro / Ferro Fundido, superfícies não 25 2,4516625
perfeitamente alisadas
Ferro, aço, Ferro Fundido / madeira 25 2,4516625
Fonte: adaptado de CEDUP (2007)

A pressão superficial calculada é definida de acordo com a equação abaixo:

𝐹 (36)
𝑃𝑆 = (𝐷 2 −𝑑2 )
𝜋. 4

Onde:

Ps - Pressão Superficial (MPa);

F - Força axial exercida no mancal (N);

D - Diâmetro do eixo (mm);

d - diâmetro do mancal (mm);

Através da qual tem-se que, para este estudo, a 𝑃𝑆 equivale a 𝜎𝑥 :

20162,36𝑁 (37)
𝜎𝑥 = 𝜋 = 8186069,53𝑁/𝑚² = 8,18 𝑀𝑃𝑎
. (0,072 − 0,0422 )
4

Considerando o valor obtido e correlacionando com os dados da tabela 6, como


redimensionamento, optou-se por manter as dimensões do mancal as mesmas, e alterar o
material da qual o mesmo é fabricado, de um aço SAE 1030, para um aço temperado ou para
uma liga de bronze, ambos segundo a tabela com uma pressão superficial admissível, mais alta
do que a calculada.
51

4 CONCLUSÕES

Através do presente trabalho, conclui-se que, com o uso da metodologia aplicada, pode-
se determinar as cargas aplicadas sobre o mancal e constatou-se que de fato ele estava operando
com uma tensão muito próxima ao limite da tensão de escoamento.

Com relação à microestrutura observada e à composição e dureza medidas, pode-se


dizer que o mancal é constituído por um aço baixo carbono, e, de acordo com Chiaverini (1986)
e Callister Jr. & Rethwisch (2013), pode ser classificado como SAE 1030.

Através da equação para determinação da tensão de Von Mises, não obteve-se um valor
acima a tensão de escoamento do material, porém muito próximo. Em virtude dessa
proximidade optou-se pelo redimensionamento do componente baseado em autores como
Shigley (2005) Norton (2011) e Melconian (2012), onde pode-se observar que após as
alterações, a tensão de escoamento ficou bem mais elevada em virtude da mudança de material
do componente e com isso para o mesmo carregamento o material não irá falhar, e a vida útil
tanto do mancal quando dos demais componentes do sistema diferencial irão aumentar
consideravelmente.
52

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