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XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica

Geotecnia e Desenvolvimento Urbano


COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

Mapeamento Geotécnico do Córrego Baixa Funda Localizado às


Margens da TO - 222 em Araguaína - TO
Duyllyan Almeida de Carvalho
Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos - UNITPAC, Araguaína, Brasil,
duyllyan@gmail.com

Mardhen Monteiro Veloso


Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos - UNITPAC, Araguaína, Brasil,
mardhen.eng.civil@gmail.com

Glacielle Fernandes Medeiros


Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos - UNITPAC, Araguaína, Brasil,
glacielle@itpac.br

RESUMO: Conforme Camapum de Carvalho (2006), as erosões são fenômenos naturais de desgaste
do solo que podem ser aceleradas por ações antrópicas e se manifestam em diversos estágios de
evolução. O presente trabalho tem por objetivo a investigação da erodibilidade do solo na região do
Córrego Baixa Funda em Araguaína – TO por meio da análise do solo local e mapeamento geotécnico.
Para classificação do solo foram realizados ensaios de caracterização e ensaio de pastilha, para
identificar o grau de erodibilidade dos materiais inconsolidados, adotou-se os ensaios de
desagregação e Inderbtizen. Os mapas foram confeccionados a partir dos dados fornecidos pelo
projeto TOPODATA e CEUTO, eles compreendem os mapas de solos, hipsometria, declividade,
curvaturas e forma do terreno, que permitem estudar, indiretamente, o fenômeno investigado
correlacionado os resultados obtidos através dos ensaios. Por meio de ensaios geotécnicos, que foram
posteriormente associados à documentação cartográfica básica, verificou-se que o solo da bacia do
Córrego Baixa Funda se trata de um solo não laterítico predominantemente arenoso e que os processos
erosivos se manifestaram em regiões de menor altitude, maior declividade de relevo ondulado cuja
forma do terreno é convergente côncava e convergente retilínea, devido a concentração e aceleração
do fluxo de água nessas formas.

PALAVRA CHAVE: Mapeamento Geotécnico; Processo Erosivo; Solos Tropicais

1 INTRODUÇÃO erosivos.
Araguaína situa-se no norte do estado de
A erosão é um fenômeno caracterizado pelo Tocantins e apresenta um potencial de
desgaste da crosta terrestre em que há o erodibilidade, em geral, classificado entre muito
desprendimento de partículas de solo e de fraco a ligeiro (SEPLAN, 2015).
rochas, ocasionado pela ação da água, dos A cidade possui uma erosão situada na
ventos, do gelo e por ações antrópicas região do córrego Baixa Funda, que faz parte da
(CAMAPUM et al, 2006). A falta de vegetação, bacia hidrográfica do Rio Lontra. Atualmente, a
resultante do processo de urbanização, também é extensão da erosão compromete a Rua da
um fator predominante para o enfraquecimento Arruda, paralela à TO-222, ou Avenida
do solo, portanto, a retirada da vegetação nativa Filadélfia, como é denominada em seu perímetro
afeta diretamente o agravamento dos processos urbano (Figura 1).
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digital do terreno. Para os ensaios de laboratório


foram coletadas amostras das encostas formadas
com a erosão do terreno. Observou-se um solo
de composição heterogênea de onde foram
extraídas amostras de coloração amarelada e
outras de coloração mais avermelhada.
Para os ensaios de caracterização as
amostras foram preparadas de acordo com a
Figura 1. Erosão na área do Córrego Baixa Funda NBR 6457 (ABNT, 2016). A massa específica
(GOOGLE EARTH, 2018).
dos grãos de solo que passam na peneira 4,8 mm
foi determinada com base na NBR 6458 (ABNT,
Problemas com processos erosivos na área
2017). A análise granulométrica foi realizada a
de estudo são recorrentes, ao longo dos anos,
partir da NBR 7181 (ABNT, 2016).
desde o seu surgimento, foram adotadas medidas
A partir dos resultados da caracterização, o
paliativas que não solucionaram o problema, em
solo foi classificado de acordo com a
um último episódio, ocorrido em 2016, as fortes
classificação trilinear dos solos e o sistema
chuvas contribuíram para o comprometimento
unificado de classificação dos solos (SUCS).
de parte da rodovia causando danos à rede
O ensaio realizado para classificação de
elétrica local com a queda de um poste energia.
solos tropicais foi o de identificação expedita de
Encontrar uma solução para tal é uma tarefa
solos lateríticos pelo “método da pastilha” tendo
bastante complexa e que exige uma análise mais
como referência a metodologia da DERSA -
criteriosa do solo local, considerando que o
Desenvolvimento Rodoviário S. A. do Estado de
problema tratado está ligado diretamente à
São Paulo (2006) baseada nos estudos de
segurança pública.
Nogami e Villibor (1995). A classificação MCT
A princípio pode-se destacar a proximidade
(Miniatura Compactada Tropical) de Nogami e
da estrada com o córrego Baixa Funda, a
Villibor (1995) (figura 2) classifica os solos em
remoção da vegetação do local e a ação das
lateríticos e não lateríticos de acordo com a
chuvas como fatores condicionantes do
contração diametral e a penetração de uma
processo.
agulha padronizada nas pastilhas moldadas em
O estudo geológico-geotécnico desse
anéis, secadas e posteriormente saturadas.
fenômeno justifica-se para a elaboração de um
De acordo Nogami e Villibor (1995) os
correto diagnóstico da evolução da erosão e de
solos lateríticos se subdividem em LA (areia
seus fatores condicionantes, além de auxiliar na
laterítica quartzosa); LA’ (solo arenoso
definição de medidas corretivas menos onerosas
laterítico); LG’ (solo argiloso laterítico). Os
e mais eficientes. Analisar a origem do processo
solos não lateríticos são subdivididos em: NA
erosivo também é um fator determinante para a
(areias, siltes e misturas de areias e siltes com
elaboração de estruturas de contenção mais
predominância de grão de
eficazes. A adoção de um método de contenção
quartzo e/ou mica, não laterítico); NA’ (misturas
mal elaborado pode trazer um novo prejuízo
de areias quartzosas com finos de
financeiro ao município.
comportamento não laterítico); NS’ (solo siltoso
Neste contexto, o presente trabalho tem por
não laterítico); NG’ (solo argiloso não laterítico).
objetivo a investigação da erodibilidade do solo
Para o estudo da erodibilidade dos solos
na bacia do Córrego Baixa Funda em Araguaína
foram adquiridas amostras de solos
– TO.
indeformadas e realizados os ensaios de
desagregação e Inderbitzen.
2 METODOLOGIA

O estudo do solo foi feito a partir dos ensaios de


caracterização, erodibilidade e da modelagem
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primeiro momento foi necessário delimitar a


bacia do Córrego Baixa Funda que é afluente do
Córrego Cará, a hidrografia foi representada pela
rede de drenagem obtida através da modelagem
HAND (Height Above the Nearest Drainage)
proposta por Rennó et al. (2008) no software
TerraHidro.
As análises foram feitas a partir do
programa ArcGIS PRO, utilizando como banco
de dados as informações contidas no mapa
Figura 2. Carta de classificação MCT (NOGAMI; hipsométrico, mapa de declividade, mapas de
VILLIBOR, 1995)
curvaturas verticais e horizontais e de forma do
terreno (TOPODATA) com a metodologia
O ensaio de desagregação consiste em
adotada por Valeriano (2008). O mapa de solos
observar o comportamento do solo à submersão,
foi confeccionado a partir do banco de dados da
a metodologia utilizada foi a proposta por Santos
CEUTO.
& Camapum de Carvalho (1998) descrita por
Todos os documentos foram submetidos a
Camapum de Carvalho (2006). Para este ensaio
análises individuais, com objetivo de que sejam
foram moldadas três amostras de solo
consideradas as contribuições de cada
indeformadas em forma de cubo com aresta de
propriedade com relação aos processos erosivos.
60 mm. As amostras foram submetidas à imersão
total de água na condição de umidade natural e
4 RESULTADOS
saturado e à imersão parcial aumentando o nível
de água em 1/3 da altura do corpo de prova em
4.1. Análise granulométrica e classificação
intervalos de 15 min.
MCT
O ensaio de Inderbitzen caracteriza uma
simulação do escoamento superficial das águas
Foram ensaiadas as amostras de coloração
pluviais, com inclinação, vazão e tempo de
vermelha e amarela, com defloculante, para a
ensaio controlado, este método busca representar
análise granulométrica dos solos.
a perda de massa de um solo pelos parâmetros
As curvas granulométricas resultantes dos
descritos anteriormente, o que por sua vez não
ensaios com as duas amostras de solos
permite que se retrate as condições naturais da
apresentaram forma bastante semelhante,
área do solo em questão.
observa-se uma curva granulométrica uniforme
Para o ensaio foram coletadas duas amostras
e mal graduada (figura 3).
do solo vermelho, e uma amostra do solo
amarelo devido as condições do terreno que não CURVA GRANULOMÉTRICA

possibilitaram a extração de mais corpos de 100


N° 200 N° 100 N° 40 Nº 10
1" 2"
Nº 4 3/4" 1 1/2"

prova. As amostras foram moldadas com o 90


PENEIRAS
% QUE PASSA

auxílio de um estilete em um molde de 80

70

aproximadamente 100 mm de lado por 50 mm de 60

altura. Foram adotadas inclinações de 10° e 50° 50

para a rampa, e vazão de 50 ml/seg. Depois de 40

30

ajustada a inclinação e a vazão desejada para o 20

ensaio, as amostras foram submetidas à um fluxo 10

de água constante por 60 minutos. 0,001 0,01 0,1 1 10

DIÂMETRO (mm)
100

Também foi executada uma análise na SOLO AMARELO SOLO VERMELHO

documentação cartográfica para verificação da Figura 3. Granulometria do solo amarelo


susceptibilidade e potencialidade do solo aos
processos erosivos laminares e lineares. Em
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As tabelas a seguir (Tabelas 1 e 2), contém Tabela 4. Parâmetros do solo vermelho


os resultados da composição granulométrica do Solo Vermelho
PARÂMETRO UNIDADE
solo: VALOR
% Passa # 200 % 8.964
Tabela 1. Composição granulométrica do solo amarelo D10 mm 0.080
Solo Amarelo D30 mm 0.173
FAIXA PORCENTAGEM D60 mm 0.304
FRAÇÃO
(mm) (%) CNU 3.803
ARGILA < 0,002 0.00 % CC 1.237
SILTE 0,002 - 0,06 1.35 %
AREIA FINA 0,06 - 0,20 18.16 %
AREIA MEDIA 0,20 - 0,60 76.00 %
AREIA GROSSA 0,60 - 2,0 4.14 % Pode-se determinar a classificação trilinear
PEDREGULHO 2,0 - 60 0.35 % dos solos, sendo as duas amostras classificadas
como areia (fração de areia maior que 95% para
as duas amostras).
Tabela 2. Composição granulométrica do solo amarelo A partir do diagrama de classificação
Solo Vermelho trilinear dos solos, classificam-se as duas
FRAÇÃO
FAIXA PORCENTAGEM amostras como areia (fração de areia maior que
(mm) (%) 95% para as duas amostras).
ARGILA < 0,002 0.00 % Conforme o sistema unificado de
SILTE 0,002 - 0,06 2.97 %
AREIA FINA 0,06 - 0,20 32.84 % classificação dos solos a amostra de solo amarelo
AREIA MEDIA 0,20 - 0,60 62.16 % classifica-se como SP (areia mal graduada),
AREIA GROSSA 0,60 - 2,0 1.26 % enquanto a amostra de solo vermelho (com finos
PEDREGULHO 2,0 - 60 0.77 % entre 5 e 12%) apresenta uma classificação
intermediária SP-SC (areia mal graduada,
De acordo com a composição granulométrica, argilosa).
observam-se solos predominantemente O ensaio de identificação expedita do solo
arenosos, mais especificamente compostos por laterítico “método da pastilha” determinou a
areias médias. classificação de ambas as amostras de solo como
As amostras apresentaram baixos coeficientes um solo não-laterítico. Para a realização do
de não uniformidade (CNU) e de curvatura (CC) ensaio é necessário determinar a plasticidade do
(tabelas 3 e 4). Para Caputo H. P. e Caputo A. N. solo, rolando cilindros de 3 mm e 4 cm de
(2015), solos com CNU < 5, possuem comprimentos. Durante os testes não foi possível
granulometria muito uniforme, uniformidade moldar por rolagem, portanto o solo tem um
média para 5 < CNU < 15 e desuniforme quando comportamento não plástico.
CNU > 15. Durante o ensaio as amostras apresentaram
contração diametral mínima e pequena
expansão, não houve trincas nas pastilhas, porém
Tabela 3. Parâmetros do solo amarelo no teste de penetração a agulha atravessou todo
Solo Amarelo o corpo de prova de todas as amostras ensaiadas.
PARÂMETRO UNIDADE
VALOR O diagrama a seguir (Figura 4), contém o
% Passa # 200 % 4.773 resultado do ensaio de classificação MCT pelo
D10 mm 0.133 método da pastilha para os dois tipos de solo:
D30 mm 0.255
D60 mm 0.353
CNU 2.650
CC 1.384
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Figura 4. Classificação MCT dos solos


Figura 6. Desagregação por imersão parcial
De acordo com o diagrama as amostras de
solo são classificadas como NA-NS’ (areias, No último Becker, cuja amostra foi
siltes e misturas de areias e siltes com submetida à saturação por ascensão capilar para
predominância de grão de quartzo e/ou mica, não ser ensaiada em imersão total, houve
laterítico), o que confirma os resultados da fraturamento da amostra após o período de
classificação trilinear e SUCS, que classificaram saturação (Figura 7) também houve abatimento
como solos arenosos. total do corpo de prova quando submetido a
submersão total (Figura 8).
4.2 Ensaios de Erodibilidade

Os ensaios de desagregação foram


realizados apenas com o solo vermelho pois não
foi possível modelar os corpos de prova
indeformados com o solo amarelo, este se
desagregava facilmente durante as tentativas. No
ensaio de imersão total seco o corpo de prova se
desintegrou completamente (Figura 5).
Figura 7. Fraturamento por saturação

Figura 5. Desagregação por imersão total seco Figura 8. Desagregação por imersão total saturado

No ensaio por imersão parcial o corpo de Os ensaios de Inderbitzen foram realizados


prova apresentou fraturamento com água na com os 2 tipos de solo. O solo vermelho foi
altura de ⅓ da amostra (Figura 6), na próxima ensaiado na inclinação de 10° e na inclinação
etapa o resultado foi abatimento total. máxima da rampa 50º, já o solo amarelo foi
ensaiado apenas na inclinação de 50° pois foi
possível moldar apenas um corpo de prova.
O gráfico a seguir contém os resultados
dos ensaios na inclinação de 10° (Figura 9)
realizados com o solo vermelho.
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80
totalmente no primeiro minuto de ensaio
70 (Figuras 11 e 12):
MASSA ERODIDA (g)

60
50
40
30
20
10
0
1 2,5 5 7,5 10 15 20 30 40 50 60
TEMPO (minutos)
Massa retida erodida
Massa total erodida
Figura 9. Massa erodida lavada acumulada na inclinação
10°
Figura 11. Situação do corpo de prova do solo vermelho
após o primeiro minuto de execução do ensaio à 50° de
Observa-se que houve maior inclinação da rampa
desprendimento de material durante os primeiros
minutos do ensaio com a inclinação de 10º, pois
o início da reta possui maior inclinação. Durante
o restante do tempo a perda de solo foi mais
uniforme.
O gráfico a seguir (Figura 10) mostram a
relação do material retido nas peneiras durante o
ensaio com a curva granulométrica do solo:

100
90 Inderbitzen
80
Granulometria c/
70
% RETIDO ACUMULADO

defloculante Figura 12. Situação do corpo de prova do solo amarelo


60
50 após o primeiro minuto de execução do ensaio à 50° de
40 inclinação da rampa
30
20 A partir dos resultados do ensaio de
10 caracterização e composição granulométrica,
0 verificou-se grande semelhança em seu
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1,8 2
ABERTURA DA PENEIRA (mm)
comportamento descrito nos resultados com a
descrição fornecida por Molinero Júnior et al
Figura 10. Comparação das porcentagens retidas nas
peneiras do ensaio de Inderbitzen com a curva
(2011, apud ALMEIDA, 2014, p. 86), que
granulométrica do solo correlaciona o coeficiente de uniformidade Cu
com o potencial de erodibilidade do solo, em que
Nota-se uma boa correlação entre o amostras uniformes são potencialmente
peneiramento do material desagregado com o erodíveis, as amostras ensaiadas apresentaram
peneiramento fino do ensaio de granulometria, o Cu<5.
que pode significar que a distribuição Há também significativa semelhança dos
granulométrica do material erodido acompanha resultados obtidos nos ensaios de desagregação e
a distribuição granulométrica do solo. identificação expedita com a descrição fornecida
Nos ensaios realizados na inclinação de por Pejon (1992, apud MOLINERO JÚNIOR,
50°, tanto para o solo vermelho quanto para o 2010, p. 79), em que solos com classificação NA,
solo amarelo, os corpos de prova erodiram-se são areias limpas, pouco ou muito coesivas, não
plásticas, sua superfície exposta amolece e
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desagrega facilmente, não contrai quando seco e maior o desnível maior o potencial de
nem desenvolve trincas, desmorona quando escoamento das águas.
encharcado, é muito erodível pela ação do
escoamento superficial em caso de chuvas muito
intensas pois possui elevada capacidade de
infiltração.
Cunha et al. (2010) descreve o solo arenoso
quartzoso, como informado pelo mapa de solos,
como bastante susceptível à erosão, pois sua
constituição arenosa de grãos soltos contribui
com o fácil desbarrancamento.

4.3 Variáveis Altimétricas

A bacia delimitada situa-se em perímetro


urbana com uma área de aproximadamente 6,2 Figura 14. Mapa de hipsometria da bacia do Córrego
km². Baixa Funda
As redes de drenagem geradas no software
coincidem com a hidrografia representando o O mapa de declividades (figura 15) permitiu
Córrego Baixa Funda afluente do Córrego Cará, identificar as diferenças de altitude e auxilia na
podem ser observados no mapa de solos (figura determinação do comprimento de rampa, no qual
13) que foi gerado a partir do banco de dados da é possível mensurar a distância percorrida pela
CEUTO (2008), verifica-se que a classificação água durante o escoamento superficial. Regiões
dos solos, de acordo com o Sistema Brasileiro de com maior declividade tendem a apresentar
Classificação dos Solos (SiBCS), é maior grau de erodibilidade e áreas com maior
predominantemente de areias quartzosas, o que comprimento de rampa tendem a apresentar
condiz com os resultados dos ensaios de maior perda de material por erosões laminares.
classificação. Verifica-se que grande parte da área da bacia é
formada por um terreno suave ondulado (3 a
8%), as maiores declividades encontram-se
próximas à hidrografia.

Figura 13. Mapa de solos da bacia do Córrego Baixa


Funda

O mapa de hipsometria (figura 14)


proporciona a observação dos desníveis do Figura 15. Mapa de declividades da bacia do Córrego
Baixa Funda
terreno, e por consequência, permite se conhecer
a energia potencial responsável pelas
Os mapas de curvaturas verticais e horizontais
ocorrências de processos erosivos, pois quanto
(Figuras 16 e 17) possibilitam verificar a
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intensidade dos processos de transporte e O mapa de forma do terreno (Figura 18) que
escoamento superficial. representa uma intersecção dos mapas de
curvaturas vertical e horizontal, verifica-se que a
erosão se manifesta nas regiões de forma
convergente côncava e convergente retilínea.

Figura 16. Mapa de curvatura vertical da bacia do


Córrego Baixa Funda

Observa-se que a curvatura vertical do Figura 18. Mapa de forma do terreno da bacia do Córrego
terreno da bacia é predominantemente retilínea, Baixa Funda
inclusive a área afetada pela erosão, as áreas de
curvatura côncava estão situadas próximas a A erosão linear presente na área do Córrego
hidrografia. Baixa Funda, conforme as considerações
propostas por Camapum de Carvalho (2006),
pode ser definida como uma voçoroca (figura
19), uma vez que a sua profundidade é da ordem
de metros e há presença de água proveniente do
lençol freático.

Figura 17. Mapa de curvatura horizontal da bacia do


Córrego Baixa Funda

Verifica-se que a curvatura horizontal planar


é de menor representatividade e situa-se nas Figura 19. Voçoroca formada nas proximidades do Baixa
Funda
zonas de transição entre convergente e
divergente. Os processos erosivos estudados
Correia et al. (2004) afirma que solos
situam-se onde a curvatura horizontal
arenosos localizados em cabeceiras de
convergente é predominante.
drenagem, em geral, dão origens à grandes
Correlacionando com a observação em
voçorocas, ao analisar a localização rede de
campo, verifica-se que a erosão ocorre em áreas
drenagem gerada pelo HAND com a localização
onde a curvatura horizontal é convergente e a
da erosão linear em forma de voçoroca pode-se
curvatura vertical é retilínea, devido a
afirmar que esta sentença é verdadeira para este
concentração e aceleração do fluxo de água.
caso.
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Ao cruzar informações entre os mapas de REFERÊNCIAS


declividade e hipsométrico, observa-se relação
entre áreas de menor altitude e com declividade ALMEIDA, J. G. R. Erodibilidade de Solos Tropicais Não
maiores, por sua vez áreas com altitude maiores Saturados nos Municípios de Senador Canedo e
Bonfinópolis - GO. 133 f. (Dissertação de Mestrado em
que 271 m apresentam menor declividade. Curso de Engenharia Civil). Universidade Federal de
Áreas com altitudes variando entre 203 m a Goiás, Goiânia, 2014. Disponível em:
230 m estão diretamente relacionadas a áreas <https://repositorio.bc.ufg.br/tede/bitstream/tede/3969
com declividade caracterizado por relevo /2/Dissertação - João Guilherme Rassi Almeida -
ondulado, o que condiz com as condições 2014.pdf>. Acesso em: 09 out. 2017.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
identificadas em campo. A modelagem digital do TÉCNICAS. NBR 6457: Amostras de solo —
terreno também permitiu correlacionar os locais Preparação para ensaios de compactação e ensaios de
onde há maior potencial de erodibilidade de caracterização. Rio de Janeiro, 2016. 8 p.
acordo com a forma do terreno, a erosão situa-se ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
nas áreas convergentes côncavas e retilíneas TÉCNICAS. NBR 6458: Grãos de pedregulho retidos
na peneira de abertura 4,8 mm - Determinação da
onde há maior concentração do fluxo e massa específica, da massa específica aparente e da
aceleração do escoamento superficial. absorção de água. Rio de Janeiro, 2017.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS. NBR 7181: Solo - Análise
5 CONCLUSÃO granulométrica. Rio de Janeiro, 2016. 12 p.
CAMAPUM de CARVALHO, J. et al. Processos Erosivos
no Centro-Oeste Brasileiro. Brasília: Finatec, 2006.
Os resultados obtidos nos ensaios de 464 p.
desagregação, apresentaram resultados coerentes CAPUTO, Homero Pinto; CAPUTO, Armando Negreiros.
com aqueles obtidos nos ensaios de Inderbitzen Mecânica dos Solos e suas Aplicações: Fundamentos.
e uma boa correlação com as observações de 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2015.
CEUTO – Centro Estadual de Usuários do Tocantins. Base
campo. Verificou-se que quanto maior a de Dados Geográficos do Tocantins. Mapa Digital,
inclinação da rampa maior a erosão causada, 2008.
conforme o mapa de declividades e o que foi CORREIA, J. R.; REATTO, A.; SPERA, S. T. Solos e suas
observado, há maior concentração de processos relações com o uso e manejo. In: SOUZA, D. M. G. de;
erosivos nos locais de maior declividade. LOBATO, E. (Ed.). Cerrado: correção do solo e
adubação. 2. ed. Brasília, DF: Embrapa Informação
Estes resultados aliados às observações em Tecnológica, 2004.
campo e aos modelos digitais do terreno CUNHA, Tony Jarbas Ferreira et al. Principais solos do
evidenciaram que o solo estudado possui grande Semiárido tropical brasileiro: caracterização,
potencial de erodibilidade e que o processo potencialidades, limitações, fertilidade e manejo. In:
erosivo pode ter sido deflagrado não só por esta SÁ, Iêdo Bezerra; SILVA, Pedro Carlos Gama da
(Ed.). Semiárido Brasileiro: Pesquisa,
propriedade como também pelas características Desenvolvimento e Inovação. Petrolina: Embrapa
topográficas do terreno, pela ação antrópica, ou Semiárido, 2010. p. 50-88.
ainda devido aos efeitos de impactos de gotas de DERSA - Desenvolvimento Rodoviário S.A. do Estado de
chuva ou de solapamento provocado pelo curso São Paulo. Diretrizes para identificação expedita do
da água de escoamento superficial destinada ao solo laterítico – “Método da Pastilha.” São Paulo,
2006.
local pelo atual sistema de drenagem urbana. ERODIBILIDADE POTENCIAL DOS SOLOS. 2015.
A área de estudo contempla diversos Disponível em:
processos erosivos, laminares, lineares, mas o de <http://web.seplan.to.gov.br/Arquivos/download/ZEE
maior impacto e visibilidade é a voçoroca que /Estado_do_Tocantins_Mapas_A0_2015/Erodibilidad
compromete a Rua da Arruda, que antes era e_TO_2015.pdf>. Acesso em: 10 maio 2018.
HOLMGREN, G.G.S. & FLANAGAN, C.P. (1977).
responsável pelo escoamento de boa parte do Factors affecting spontaneous
trânsito destinado a Av. Filadélfia. dispersion of soil materials as evidenced by the crumb
test. Dispersive Clays, Related Piping and Erosion in
Geotechnical Projects, ASTM Special Technical
Publication 623: 218-239.
XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica
Geotecnia e Desenvolvimento Urbano
COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

MOLINERO JUNIOR, J. A. ESTUDO GEOTÉCNICO


DOS SOLOS DE EROSÕES RESULTANTES DE
INTERVENÇÕES EM RODOVIAS. 2010. 117 f.
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Acesso em: 01 jun. 2018.