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AO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE

Nome completo do autor, casada, ocupação profissional, profissão, inscrito no

CPF sob nº , e-mail O Novo Código de Processo Civil introduziu a obrigatoriedade


de incluir o endereço eletrônico, residente e domiciliado na rua xxxx, bairro xxxx,

município xxxx, estado xxxx, CEP, vem à presença de Vossa Excelência, por meio
do seu Advogado, infra assinado, propor

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C REPETIÇÃO DE

INDÉBITO E DANOS MORAIS

em face de xxxxx, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob nº , e-

mail, do representante, da empresa ré, estabelecida à rua xxx, bairro, xxx,


município xxx, estado xxx, CEP xxxx.

LEGITIMIDADE DAS PARTES

Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando


autorizado pelo ordenamento jurídico. Parágrafo único. Havendo substituição

processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial. (Art. 18


do CPC):

Art. 18 do CPC: Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome


próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico.
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá
intervir como assistente litisconsorcial. Informe nome completo, de
acordo com documento de identidade.

DOS FATOS
Em xxx o Autor foi surpreendido com a cobrança de R$ xxxx pela empresa Ré.

Ao tentar obter informações sobre a origem de tais valores, o Autor verificou que
se tratava de "Quais são os motivos que @reu alega para realizar as cobranças.

Ocorre que o nunca teve qualquer relação contratação junto ao estabelecimento

Réu.

Na tentativa de solucionar o problema, o Autor fez diversas ligações para a


Requerida sem que obtivesse qualquer êxito, conforme "Quais são as provas

que confirmam o contato com @reu com o objetivo de solucionar o problema?"

em anexo.

Não bastassem os descontos infundados, o Autor foi inscrito indevidamente em


cadastro de inadimplentes, conforme extrato em anexo.

Em razão desta falsa dívida, foi determinada a busca e apreensão do(a) "Qual
bem foi objeto da busca e apreensão? , gerando grave e inequívoco

constrangimento do Autor .

Não bastasse a cobrança indevida, a Autora passou a sofrer inúmeros

constrangimentos, sendo cobrada no trabalho, nos domingos pela manhã, em


pleno horário de descanso e por meio de seus familiares, conforme "Quais são

as provas que confirmam a cobrança excessiva d@reu com @vc?" "indicar


provas", que junta em anexo.
Inconformado com o constrangimento infundado, o Autor busca a imediata

repetição dos valores indevidamente descontados, bem como a composição do


dano moral sofrido por abalo de crédito e desvio produtivo.

INTERESSE DE AGIR: O interesse de agir deve ficar demonstrado e geralmente


vem amparado pela pretensão resistida e utilidade da ação. Ou seja, antes da

ação o Autor tentou resolver o impasse e o deferimento do pedido traz


efetivamente uma solução ao problema. Esta prova é importante para demonstrar

o interesse de agir do Autor.

DO DIREITO

Conforme narrado, trata-se de cobrança indevida, realizada pela Empresa Ré que

não tomou qualquer precaução no controle de seus registros, permitindo a


inclusão de dívidas inexistentes em nome do Autor.

Portanto, configurada a falha no serviço, nasce o dever de indenizar, que no

presente caso é consubstanciado nos valores indevidamente pagos, cumulado


com as despesas com Advogados e "Quais foram as outras despesas que @vc

teve, além do advogado, por causa das cobranças indevidas?"

"Indique quais despesas os débitos indevidos causaram a @vc.", conforme

preconiza os Art. 186 e 187 do Código Civil:

Afinal, trata-se de proteção expressamente prevista no Código de defesa do


Consumidor, que dentre as normas previstas, dispõe:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

(...)
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais

coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou


impostas no fornecimento de produtos e serviços;

V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações


desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem

excessivamente onerosas;

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,


coletivos e difusos;

VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou


reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos,

assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;

VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da


prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a

alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de


experiências;

IX -(...)

X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.

Tratando-se portanto, de ato ilícito, tem-se por necessária a defesa estatal do


consumidor hipossuficiente, com o reconhecimento da abusividade, ilicitude e o

dever de indenizar.

CONTA CONJUNTA - DA INDEVIDA CONSTRIÇÃO SOBRE A CONTA DO AUTOR


Conforme relatado, a pretensa dívida existente é apenas em nome de ""

"indicar nome do detentor da dívida", dívida que tem motivado os descontos em


conta conjunta do Autor.

Ocorre que, conforme entendimento consolidado pelo STJ, “em se tratando de


conta corrente conjunta solidária, na ausência de comprovação dos valores que

integram o patrimônio de cada um, presume-se a divisão do saldo em partes


iguais, de forma que os atos praticados por quaisquer dos titulares em suas

relações com terceiros não afetam os demais correntistas”. (REsp 1.510.310-


RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, por unanimidade, julgado em 03/10/2017, DJe

13/10/2017.)

Portanto, o desconto em valore que atinge patamar de 50% do saldo da conta é


manifestamente irregular, pois ultrapassa o percentual de 50% pertencente a

cada um:

BLOQUEIO DA INTEGRALIDADE DO VALOR DEPOSITADO EM CONTA

CONJUNTA. IMPOSSIBILIDADE. CORRENTISTAS QUE SÃO CONSIDERADOS


SOLIDARIOS SOMENTE PERANTE A INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. LIMITAÇÃO DA

CONSTRIÇÃO JUDICIAL A 50% DO VALOR EXISTENTE NA CONTA. PRECEDENTES


DO STJ E DESTA CORTE ESTADUAL. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA.

REDISTRIBUIÇÃO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS.

1. Em se tratando de conta-corrente conjunta solidária, na ausência de


comprovação dos valores que integram o patrimônio de cada um, presume-se a

divisão do saldo em partes iguais, de forma que os atos praticados por quaisquer
dos titulares em suas relações com terceiros não afetam os Apelação Cível nº

0011355-91.2011.8.16.0004 (wi) demais correntistas (REsp 1.510.310-RS, Rel. Min.


Nancy Andrighi, por unanimidade, julgado em 03/10/2017, DJe 13/10/2017).
2. Ainda que o patrimônio da conta conjunta se confunda entre seus titulares é

importante proteger o terceiro de boa-fé que não assumiu qualquer dívida, ou


sequer é parte na ação executiva. Isso porque, em se tratando de conta conjunta,

a solidariedade ativa e passiva quanto a créditos e débitos somente existe em


relação a instituição financeira mantenedora da conta, mas não em relação a

terceiros.

(...).

RECURSO DE APELAÇÃO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 3ª

C.Cível - 0011355-91.2011.8.16.0004 - Curitiba - Rel.: José Laurindo de Souza


Netto - J. 31.07.2018)<br>

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. EMBARGOS DE TERCEIRO. EXECUÇÃO FISCAL.


MEAÇÃO DO CÔNJUGE. CONTA CONJUNTA. PENHORA. IMPOSSIBILIDADE.

VERBA HONORÁRIA. CAUSALIDADE. RECURSO DE APELAÇÃO DA UNIÃO


FEDERAL E REEXAME NECESSÁRIO IMPROVIDOS. RECURSO ADESIVO DA

EMBARGANTE PROVIDO.

(...)

- Na hipótese de vir a ser penhorado bem de propriedade comum de cônjuges

casados no regime de comunhão universal de bens, é resguardado ao que não


figura no processo de execução em que foi determinada a penhora, a respectiva

meação.

- Na hipótese de vir a ser penhorado bem de propriedade comum de cônjuges


casados no regime de comunhão universal de bens, é resguardado ao que não

figura no processo de execução em que foi determinada a penhora, a respectiva


meação.
- (...) A embargante comprovou ser Co titular da conta corrente conforme extrato

consolidado emitido pela instituição financeira (fl. 20) o que, embora não permita
a liberação do total dos valores bloqueados, lastreia a argumentação do uso

efetivo da conta corrente para fins pessoais da autora, gerando a presunção iuris
tantum de que, na ausência de prova em contrário, metade dos valores constritos

lhe pertence em razão da copropriedade, sendo de rigor a sua liberação.

-(...).

- Desnecessária a comprovação da origem dos valores constritos, sendo também

descabido falar-se em solidariedade dos cotitulares relativamente à obrigação


contraída pelo correntista executado uma vez que esta não se presume; resulta

da lei ou da vontade das partes (art. 265 do CC).

- (...).

- Na espécie, os embargos de terceiro foram julgados procedentes, para

determinar o desbloqueio de 50% (cinquenta por cento) do valor bloqueado


eletronicamente na conta investimento junto ao Banco (...).

- Haja vista o caráter contencioso dos embargos de terceiro é devida a

condenação da União Federal ao pagamento de honorários advocatícios ao


patrono da embargante, à medida em que esta, tendo tido penhorados

indevidamente valor constantes de conta conjunta, viu-se compelida a constituir


procurador nos autos a fim de apresentar defesa.

- (...). Recurso Adesivo provido. (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, ApReeNec -


APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA - 1702243 - 0003902-42.2010.4.03.6126, Rel.

DESEMBARGADORA FEDERAL MÔNICA NOBRE, julgado em 21/02/2018, e-DJF3


Judicial 1 DATA:19/03/2018 )
Portanto, os descontos acima de 50% do valor da conta devem ser devolvidos,

por manifestamente ilícita a cobrança e restrição de patrimônio daquele que não


figura como responsável pela dívida.

Ademais, insta consignar que trata-se de execução de dívida oriunda de ""


"indicar origem da dívida", ou seja, a dívida não foi contraída para o benefício do

casal, não havendo qualquer prova de que referido débito tenha sido proveitoso
à unidade familiar. Dessa forma, qualquer cobrança pode recair exclusivamente

sobre a parcela de patrimônio do detentor da dívida, conforme precedentes


sobre o tema:

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MEAÇÃO DO

CÔNJUGE. BEM INDIVISÍVEL. PENHORA. IMPOSSIBILIDADE DE HASTA PÚBLICA


DA FRAÇÃO IDEAL DA PARTE EXECUTADA. PROTEÇÃO AO DIREITO DE

PROPRIEDADE. ART. 5º, CAPUT E XXII, DA CF. RECURSO IMPROVIDO.

- O art. 1.046 do CPC/1973 (art. 674 do CPC/2015) autoriza ao proprietário ou ao

possuidor a defesa de seu patrimônio objeto de penhora por meio dos embargos
de terceiro, haja vista que somente o patrimônio do executado responde perante

o Juízo da Execução.

- Na hipótese de vir a ser penhorado bem de propriedade comum de cônjuges


casados no regime de comunhão universal de bens, é resguardado ao que não

figura no processo de execução em que foi determinada a penhora, a respectiva


meação.

- (...) Portanto, a meação em tela somente responde pelos débitos executados

caso o credor comprove, efetivamente, que os valores cobrados foram revertidos

em benefício do executado e/ou cônjuge, o que não ocorreu na espécie (Súmula


251 do C. STJ: "a meação só responde pelo ato ilícito quando o credor, na
execução fiscal, provar que o enriquecimento dele resultante aproveitou ao

casal").

- Considerada a proteção constitucional ao direito de propriedade, não há que se

falar na alienação do bem indivisível em hasta pública com posterior entrega do


valor correspondente à meação ao embargante.

- Apelação improvida. (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap - APELAÇÃO CÍVEL -

1744300 - 0016801-25.2012.4.03.9999, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL


MÔNICA NOBRE, julgado em 21/02/2018, e-DJF3 Judicial 1 DATA:19/03/2018 )

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. EXECUÇÃO DE TÍTULO


EXTRAJUDICIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. MEAÇÃO. SÚMULA 251 DO STJ.

1. A Súmula 251 do STJ estabelece que a meação só responde pelo ato ilícito

quando o credor, na execução fiscal, provar que o enriquecimento dele resultante


aproveitou ao casal.

2. Hipótese em que a rejeição liminar de embargos de terceiro estabelece


cerceamento de defesa, exigindo no mínimo instrução processual para definir se

a dívida aproveitou e beneficiou a família.

3. A reserva da meação é assegurada ante a ausência de comprovação de que o


proveito econômico obtido tivesse revertido em favor do casal.

4. Sentença desconstituída, para retorno à origem e processamento dos

embargos de terceiro, ficando suspensa a execução e preservada a meação até


julgamento final dos embargos de terceiro.
DERAM PROVIMENTO AO APELO PARA DESCONSTITUIR A SENTENÇA. (TJRS,

Apelação 70075524991, Relator(a): Alex Gonzalez Custodio, Primeira Câmara


Especial Cível, Julgado em: 28/11/2017, Publicado em: 30/11/2017)

Portanto, diante da demonstração da indevida constrição na conta conjunta do


casal, requer o acolhimento da presente ação para considerar nulos os descontos

da conta com a repetição de indébito.

"inexistencia-de-contrato-com-o-reu" "Inexistência de contrato com o Réu"

DA AUSÊNCIA DE VÍNCULO CONTRATUAL

</h2>

Conforme narrado, o débito cobrado trata-se de relação jurídica inexistente, uma

vez que não houve serviço contratado junto à empresa Ré. Nessa toada, a
responsabilidade do réu é objetiva, ou seja, independentemente da existência de

culpa, motivo pelo qual deverá responder pelos danos causados ao autor.

DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO

Trata-se de cobrança irregular, indevidamente paga pelo Consumidor, sendo-lhe

negado o reembolso mesmo após reiteradas solicitações, evidenciando a


existência de Má Fé. O total descaso em solucionar o "equívoco" cometido deve

ser suficiente para a repetição indébito dos valores indevidamente cobrados, nos
termos do parágrafo único do artigo 42 da Lei 8078/90:

Art. 42.

(...)

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à


repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano

justificável.

O pedido de repetição de indébito exige prova de má fé do fornecedor. Simples

cobrança indevida não evidencia o direito à repetição em dobro:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO


C/C REPETIÇAO DE INDÉBITO (...) - RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO EM DOBRO - MÁ-

FÉ DO CREDOR - NÃO COMPROVAÇÃO. - (...) A repetição em dobro do indébito,

sanção prevista no art. 42, parágrafo único, do CDC, pressupõe tanto a existência
de pagamento indevido quanto a má-fé do credor. (TJ-MG - AC:

10194150039544001 MG, Relator: Pedro Aleixo, Data de Julgamento: 14/03/2018,


Data de Publicação: 23/03/2018)

Ausente má fé, cobrar apenas a restituição simples para evitar sucumbência

recíproca. A doutrina, ao lecionar sobre o dever da devolução em dobro dos


valores pagos, destaca:

"É de perceber que não se exige na norma em destaque, a existência de culpa do


fornecedor pelo equívoco da cobrança. Trata-se, pois, de espécie de imputação

objetiva, pela qual o fornecedor responde independente de ter agido ou não com
culpa ou dolo. Em última análise, terá seu fundamento na responsabilidade pelos

riscos do negócio, no qual se inclui a eventualidade de cobrança de quantias


incorretas e indevidas do consumidor., Bruno. Curso de Direito do Consumidor -

Ed. RT 2016. Versão e-book, 3.2.2 A cobrança indevida de dívida)

A má fé do Réu fica caracterizada diante da


A jurisprudência entende ser devida a repetição de indébito somente quando

demonstrada a má fé do fornecedor. Simples cobrança indevida não gera


repetição de indébito. "indicar conduta que caracteriza má fé."

Exigir do Autor prova da má fé mais evidente do que esta, é exigir prova


impossível, criando-se um requisito não previsto em lei, permitindo que grandes

instituições lesem um número expressivo de consumidores com a certeza de que


apenas alguns poucos buscariam efetivar seus direito judicialmente. A empresa

ré agiu de forma negligente e imprudente ao dispor no mercado um serviço falho


que pudesse causar o presente constrangimento ao consumidor. Nesse sentido,

é esclarecedora a redação jurisprudencial acerca da repetição de indébito de


valores cobrados indevidamente:

"Não obstante, o Superior Tribunal de Justiça, nos Recursos Especiais 1517478/RS

e 1523754/RS, (...), tenha pacificado o entendimento sobre a aplicação do art. 42


do CDC, em relação à cobranças não contratadas; no que tange ao dano moral,

em meu entender, de maneira equivocada, exarou posicionamento de que a


indevida contratação constituiu-se em mera falha na prestação de serviço, um

mero dissabor, não ensejando o dano moral presumido. Por óbvio que em
aplicação a normas comezinhas de hermenêutica jurídica não se pode solucionar

o presente caso, considerando-o mera falha na prestação de serviço tão-somente


com a exclusiva aplicação do instituto da repetitio indebit, previsto no parágrafo
único do art. 42 da Lei 8078/90. Para Carlos Maximiliano , “a hermenêutica jurídica
tem por objeto o estudo e a sistematização dos[1] processos aplicáveis para

determinar o sentido e o alcance da norma. ” (...). Em análise sistemática do

disposto no art. 42 do CDC, verificamos de imediato que no caput o legislador


refere-se ao consumidor inadimplente, reportando-se à dívidas existentes e que

foram pagas em excesso (portanto, que ultrapassaram o devido), senão vejamos,


in verbis: Na cobrança de débitos, não será exposto a ridículo, nem será
submetido a qualquer tipo de o consumidor inadimplente constrangimento ou
ameaça. Desta forma o consumidor cobrado em tem direito à repetição do

indébito, quantia indevida por , acrescido de correção monetária e juros legais,


salvo hipótese de engano valor igual ao dobro do que pagou em excesso

justificável. (Grifei) Interpretação em sentido contrário, de que a singela aplicação


da condenação em dobro pela cobrança de dívidas que não foram contratadas

pelo consumidor repararia o dano sofrido, fomentaria ain totum continuidade da


abusividade por parte dos fornecedores de serviço de telefonia, posto que o

critério custo/benefício (de meter a mão no bolso do consumidor sem o seu

consentimento) seria justificado em relação às outras centenas de milhares de


dívidas inexistentes (decorrentes de serviços não contratados) que continuam e

continuarão a serem cobradas de outros consumidores desavisados, em especial,


daqueles que não tem por hábito conferir, ou ainda, daqueles que conferem,

porém não entendem os lançamentos de débitos em suas faturas telefônicas.


Diante deste cenário, estas Turmas Recursais firmaram entendimento quanto a

abusividade dos descontos de serviços não contratados, que resultou no


Enunciado 1.8, que dispõe: Cobrança de serviço não solicitado - dano moral -

devolução em dobro: A disponibilização e cobrança por serviços não solicitados


pelo usuário caracteriza prática abusiva, comportando indenização por dano

moral e, se tiver havido pagamento, restituição em dobro, invertendo-se o ônus


da prova, nos termos do art. 6°, VIII, do CDC, visto que não se pode impor ao

consumidor a prova de fato negativo.

(...)

Os danos advindos destas práticas são vários e fomentam a prática abusiva, em

face do critério custo/benefício amparado pela banalização dos direitos do


consumidor, (...).

Diante desta situação, parece claro que a simples reparação do dano não se
mostra suficiente (como não tem se mostrado), para dissuadir o ofensor da
reiteração da conduta danosa, há, a título de exemplo, o caso em que o custo da

indenização é inferior ao custo de evita-la ou, por outro lado, quando o proveito
obtido com o ato danoso supera o prejuízo resultante da reparação do dano. Não

são raras as vezes que algumas empresas, visando tão somente o lucro, não
hesitam em desconsiderar contratos e/ou normas legais, certas de que a sanção

reparatória por ventura imposta configura um montante mais que satisfatório


pela possibilidade de obter unilateralmente um bem que deveria depender do

consentimento de outrem, desrespeitando, assim, a liberdade contratual. Diante

de tal sanção desestimuladora, tem-se, por consequência, o caráter preventivo,


em virtude de que o ofensor, responsabilizado e obrigado a pagar o valor, irá

procurar, logicamente, evitar futuros pagamentos dessa natureza, da mesma


forma que terceiros terão como exemplo tal fato."(TJPR - 0013282-

27.2015.8.16.0045 - Arapongas - Rel.: Siderlei Ostrufka Cordeiro. J. 10.02.2017)

Tal prática demonstra a conduta leviana da empresa Ré, configurando a má fé


pela simples ocorrência da prática abusiva, sendo devida a repetição de indébito.

"Contrato Bancário"

No presente caso, tratando-se de falha com Instituição Bancária, a repetição de


indébito independe da prova do erro, conforme sumulado pelo STJ:

Súmula 322 STJ: “Para a repetição de indébito, nos contratos de abertura de

crédito em conta corrente, não se exige a prova do erro”.

Portanto, inequívoca a responsabilidade e dever do réu no pagamento em dobro


dos valores indevidamente descontados conforme memória de cálculo que junta

em anexo.

DO ENQUADRAMENTO NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR


norma que rege a proteção dos direitos do consumidor, define, de forma

cristalina, que o consumidor de produtos e serviços deve ser abrigado das


condutas abusivas de todo e qualquer fornecedor, nos termos do art 3º do

referido Código.

No presente caso, tem-se de forma nítida a relação consumerista caracterizada,

conforme redação do Código de defesa do Consumidor: Lei. 8.078/90 –

Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional
ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem

atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação,


importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou

prestação de serviços.

Art. 2º. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto

ou serviço como destinatário final.

Assim, uma vez reconhecido o Autor como destinatário final dos serviços
contratados, e demonstrada sua hipossuficiência técnica, tem-se configurada

uma relação de consumo, conforme entendimento doutrinário sobre o tema:

"Sustentamos, todavia, que o conceito de consumidor deve ser interpretado a


partir de dois elementos: a) a aplicação do princípio da vulnerabilidade e b) a

destinação econômica não profissional do produto ou do serviço.

Ou seja, em linha de princípio e tendo em vista a teleologia da legislação protetiva

deve-se identificar o consumidor como o destinatário final fático e econômico do


produto ou serviço." (MIRAGEM, Bruno. Curso de Direito do Consumidor. 6 ed.

Editora RT, 2016. Versão ebook. pg. 16)


Trata-se de conceito inequívoco, consolidado nos Tribunais:

AGRAVO DE INSTRUMENTO – CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR –


DESTINATÁRIO FINAL – VULNERABILIDADE – FACILITAÇÃO DA PROVA – FORO

DE ELEIÇÃO REPELIDO. –

Código de Defesa do Consumidor: plena subsunção das partes à qualificação


trazida pelos artigos 2º e 3º, da Lei 8.078, de 1990;

- A cláusula que impõe foro diverso constitui cláusula abusiva, nula de pleno

direito (art. 51, XV, do Código de Defesa do Consumidor), iterativa jurisprudência

– decisão que reconhece de ofício incompetência absoluta do Juízo do Foro de


Eleição deve ser mantida; RECURSO IMPROVIDO. (TJ-SP - AI:

22487652820168260000 SP 2248765-28.2016.8.26.0000, Relator: Maria Lúcia


Pizzotti, Data de Julgamento: 17/05/2017, 30ª Câmara de Direito Privado, Data de

Publicação: 24/05/2017)

O fato de tratar-se de PESSOA JURÍDICA não retira o per se a qualidade de


consumidor, uma vez que enquadrada como destinatária final dos serviços

prestados pela Ré, apresentando-se, na relação jurídica estabelecida, condição de


hipossuficiência técnica. A VULNERABILIDADE se caracteriza na medida em que,

mesmo sendo pessoa jurídica, não dispõe de condições técnicas para fazer
oposição aos argumentos da parte contrária quanto às impropriedades do

produto comprometedores de seu desempenho. Afinal o produto adquirido não


faz parte da cadeia de produção do objeto da empresa Autora, tratando-se de

verdadeira DESTINATÁRIA FINAL do produto, conforme pacificado na


jurisprudência específica:

APELAÇÃO. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAL.


CONSUMIDOR. COMPRA E VENDA DE PRODUTO REALIZADA PELA INTERNET.
PESSOA JURÍDICA DESTINATÁRIA FINAL DO PRODUTO. RELAÇÃO DE CONSUMO
RECONHECIDA. PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE

DEFESA DO CONSUMIDOR (CDC). POSSIBILIDADE. POSIÇÃO PERFILHADA PELO


C. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). ARREPENDIMENTO DO CONTRATO

PELA CONSUMIDORA NO PRAZO DO ART. 49 DO CDC. DIREITO DE


ARREPENDIMENTO ABSOLUTO. RECURSO NESSA PARTE IMPROVIDO.

1.- Aplica-se ao caso a legislação consumerista, pois a empresa adquiriu o


produto como destinatária final e não como insumo. Ademais, verifica-se a

situação de vulnerabilidade da empresa-autora com relação à fornecedora-ré,


que lhe vendeu o produto por sua página na internet, buscando, assim, restaurar

o equilíbrio entre as partes.

2.- (...). (TJ-SP 10069654120178260564 SP 1006965-41.2017.8.26.0564, Relator:


Adilson de Araujo, Data de Julgamento: 14/10/2017, 31ª Câmara de Direito

Privado, Data de Publicação: 14/10/2017)

Ademais, a sujeição das instituições financeiras às disposições do Código de

Defesa do Consumidor foi declarada constitucional pelo Plenário do Supremo


Tribunal Federal no julgamento da ação direta de inconstitucionalidade 2.591/DF

DJU de 13.4.2007, p. 83.Trata-se de redação clara da Súmula 297 do Superior


Tribunal de Justiça, que assim dispõe:

O Código de Defesa do consumidor é aplicável às instituições financeiras.

Com esse postulado, o Réu não pode eximir-se das responsabilidades inerentes

à sua atividade, dentre as quais prestar a devida assistência técnica, visto que se
trata de um fornecedor de produtos que, independentemente de culpa, causou

danos efetivos a um de seus consumidores.

DO RISCO DA ATIVIDADE E DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA


Considerando o risco da atividade, a Ré deveria cercar-se de todas as medidas

possíveis para evitar quaisquer equívocos ou danos ao consumidor, seja na


conferência da documentação fornecida para qualquer contratação, ou mesmo

dispondo de sistemas de gestão e controle mais eficientes. Trata-se de


responsabilidade objetiva, nos termos do artigo 14 do Código de Defesa do

Consumidor, pela qual independe de comprovação da culpa:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de

culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou

inadequadas sobre sua fruição e riscos.

Ao lecionar a matéria, o ilustre Desembargador Sérgio Cavalieri Filho destaca:

“Todo aquele que se disponha a exercer alguma atividade no mercado de

consumo tem o dever de responder pelos eventuais vícios ou defeitos dos bens
e serviços fornecidos, independentemente de culpa. Esse dever é imanente ao

dever de obediência às normas técnicas e de segurança, bem como aos critérios


de lealdade, que perante os bens e serviços ofertados, quer perante os

destinatários dessas ofertas.

A responsabilidade decorre do simples fato de dispor-se alguém a realizar


atividade de produzir, estocar, distribuir e comercializar produtos ou executar

determinados serviços.

O fornecedor passa a ser o garante dos produtos e serviços que oferece no


mercado, respondendo pela qualidade e segurança dos mesmos.” (Programa de

Responsabilidade Civil, 8ª ed., Ed. Atlas S/A, pág.172).

Nessa toada, a responsabilidade do réu é objetiva, ou seja, independentemente


da existência de culpa, motivo pelo qual deverá responder pelos danos causados
ao autor.
DA COBRANÇA VEXATÓRIA

Conforme demonstrado pelos fatos narrados e prova no presente processo, a


empresa ré ao realizar cobranças abusivas, deixou de cumprir com sua obrigação

primária de zelo e cuidado no manejo de suas cobranças, expondo o Autor a um


constrangimento ilegítimo, gerando o dever de indenizar, conforme preconiza o

Código de Direito do Consumidor:

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a

ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. No


mesmo sentido, o mesmo código, a doutrina ao lecionar sobre o tema, estabelece

algumas diretrizes que devem ser observadas pelo fornecedor: a) a relação entre
fornecedor e consumidor é pessoal, logo, não é lícito ao primeiro dar

conhecimento da dívida, ou tratar da questão com terceiras pessoas, como


familiares, colegas de trabalho, amigos ou demais pessoas das relações do

devedor; b) a exigência do crédito deve se dar de modo discreto e formal, sem a


exposição da situação a terceiros, nem o constrangimento ou afetação da

credibilidade social do devedor; c) são expressamente vedadas quaisquer


ameaças físicas ou a adoção de medidas que não estejam previstas na lei ou no

contrato, visando causar prejuízo ao devedor; e d) não é reconhecido ao credor


o direito de perturbar o consumidor em suas atividades cotidianas, como seus

momentos de descanso ou de desenvolvimento da atividade laboral, de modo


de causar perturbações tais que o levem a satisfazer a dívida como modo de fazer

cessar o infortúnio. (MIRAGEM, Bruno Curso de Direito do Consumidor - Editora


RT, 2016. versão e-book, 3.2.1. Limites do exercício do direito de crédito pelo

fornecedor)
Portanto, considerando-se tratar de uma atitude ilícita, que viola o direito do

Autor, tem-se o dever de indenizar, conforme clara disposição legal clara nos Art.
186 e 187 do Código Civil:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou


imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente

moral, comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social,

pela boa-fé ou pelos bons costumes. No presente caso, o dano é inequívoco, uma
vez que afeta diretamente a honra e a dignidade da pessoa. Trata-se de dano que

independe de provas, conforme entendimento jurisprudencial:

RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL. COBRANÇA VEXATÓRIA.

Demonstrado pela prova dos autos que a autora foi importunada na sede da

empresa onde ela trabalha, impõe-se o reconhecimento da ilicitude da conduta


da demandada e o dever indenizar pelo dano moral. O valor do dano moral deve

ser estabelecido de maneira a compensar a lesão causada em direito da


personalidade e com atenção aos princípios da proporcionalidade e da

razoabilidade. Manutenção do valor da indenização fixado pela sentença, pois


adequado ao caso concreto Apelação não provida. (Apelação Cível Nº

70074370685, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marcelo


Cezar Muller, Julgado em 24/08/2017).

DIREITO DO CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE CIVIL. COBRANÇA VEXATÓRIA.


EXPOSIÇÃO DA VIDA PESSOAL DO CONSUMIDOR. DANO MORAL.
1 (...) A cobrança vexatória é procedimento que não encontra respaldo no

ordenamento jurídico vigente (art. 42, caput, do CDC e 71 do mesmo código),


sendo que a violação a esta regra implica em responsabilizar o fornecedor por

danos morais. Resta demonstrado no presente processo que a empresa ré entrou


em contato com a mãe, avó, ex companheiro da autora, a fim de realizar a

cobrança de débito existente junto à escola, causando transtornos em sua vida


familiar.

3 Valor da indenização. Na fixação da indenização por danos morais há de se ter


em vista que o devedor deu causa à cobrança ao deixar de cumprir sua obrigação

no tempo e modo, cabendo o devedor responder apenas pelo excesso. (...) (TJ-
DF 07138731620178070016, Relator: AISTON HENRIQUE DE SOUSA, 1ª Turma

Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do DF, Data de Publicação:


Publicado no DJE : 16/10/2017)

E nesse sentido:

a indenização por dano moral deve representar para a vítima uma satisfação
capaz de amenizar de alguma forma o abalo sofrido e de infligir ao causador

sanção e alerta para que não volte a repetir o ato, uma vez que fica evidenciado
completo descaso aos transtornos causados.

DA RESPONSABILIDADE CIVIL PELO DANO MORAL

Conforme demonstrado pelos fatos narrados e prova que junta no presente


processo, a empresa ré deixou de cumprir com sua obrigação primária de cautela

e prudência na atividade, causando constrangimentos indevidos ao Autor. Não


obstante ao constrangimento ilegítimo, as reiteradas tentativas de resolver a
necessidade do Autor ultrapassa a esfera dos aborrecimentos aceitáveis do
cotidiano, uma vez que foi obrigado a buscar informações e ferramentas para
resolver um problema causado pela empresa contratada para lhe dar uma

solução. Assim, no presente caso não se pode analisar isoladamente o


constrangimento sofrido, mas a conjuntura de fatores que obrigaram o

Consumidor a buscar a via judicial. Ou seja, deve-se considerar o grande desgaste


do Autor nas reiteradas tentativas de solucionar o ocorrido sem êxito, gerando o

dever de indenizar, conforme precedentes sobre o tema:

APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO

C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – (...).


CONTRATO NÃO APRESENTADO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA – DANOS

MORAIS CONFIGURADOS – QUANTUM INDENIZATÓRIO (DANOS MORAIS)


MAJORADOS PARA R$ 10.000,00 – REPETIÇÃO DE INDÉBITO NA FORMA

DOBRADA – MÁ-FÉ DEMONSTRADA – DA COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO –


IMPOSSIBILIDADE – RECURSO IMPROVIDO.

(...).

A instituição financeira ré, descuidando-se de diretrizes inerentes ao


desenvolvimento regular de sua atividade, não comprovou que os contratos

foram, de fato, celebrados pelo consumidor, tampouco tenha sido ele o


beneficiário do produto dos mútuos bancários. Não basta para elidir a

responsabilização da pessoa contratada a alegação de suposta fraude. À


instituição ré incumbia o ônus de comprovar que agiu com as cautelas de praxe

na contratação de seus serviços, até porque, ao consumidor não é possível a


produção de prova negativa (CDC, art. 6, VIII c/c CPC, art. 373, II). Inafastáveis os

transtornos sofridos pela idosa que foi privada de parte de seu benefício de
aposentadoria, por conduta ilícita atribuída a instituição financeira, concernente

à falta de cuidado na contratação de empréstimo consignado, situação apta a


causar constrangimento de ordem psicológica, tensão e abalo emocional, tudo
com sérios reflexos na honra subjetiva. Levando-se em consideração a situação
fática apresentada nos autos, a condição socioeconômica das partes e os

prejuízos suportados pela parte ofendida, evidencia-se que o valor do quantum


fixado pelo juízo a quo deve sofrer majoração para R$ 10.000,00 (dez mil reais),

quantia que se mostra adequada e consentâneo com as finalidades punitiva e


compensatória da indenização. (...) (TJMS. Apelação n. 0801609-

05.2015.8.12.0016, Mundo Novo, 4ª Câmara Cível, Relator (a): Des. Claudionor


Miguel Abss Duarte, j: 25/04/2018, p: 26/04/2018)

Trata-se da necessária consideração dos danos causados pela perda do tempo


útil (desvio produtivo) do consumidor.

DOS DANOS PELO DESVIO PRODUTIVO

Conforme disposto nos fatos iniciais, o Consumidor teve que desperdiçar seu
tempo útil para solucionar problemas que foram causados pela empresa Ré que

não demonstrou qualquer intenção na solução do problema, obrigando o


ingresso da presente ação.

Este desgaste fica perfeitamente demonstrado por meio de "" "indicar provas
das tentativas de solução"

PROVAS:

Importante evidenciar as inúmeras tentativas de solução do problema junto ao


Réu por meio de protocolos de ligações, e-mails à ouvidoria, etc.
Este transtorno involuntário é o que a doutrina denomina de DANO PELA PERDA

DO TEMPO ÚTIL, pois afeta diretamente a rotina do consumidor gerando um


desvio produtivo involuntário, que obviamente causam angústia e stress.

Humberto Theodoro Júnior leciona de forma simples e didática sobre o tema,


aplicando-se perfeitamente ao presente caso:

Entretanto, casos há em que a conduta desidiosa do fornecedor provoca injusta

perda de tempo do consumidor, para solucionar problema de vício do produto


ou serviço.

(...) O fornecedor, desta forma, desvia o consumidor de suas atividades para


“resolver um problema criado” exclusivamente por aquele. Essa circunstância, por

si só, configura dano indenizável no campo do dano moral, na medida em que


ofende a dignidade da pessoa humana e outros princípios modernos da teoria

contratual, tais como a boa-fé objetiva e a função social:

(...) É de se convir que o tempo configura bem jurídico valioso, reconhecido e


protegido pelo ordenamento jurídico, razão pela qual, “a conduta que

irrazoavelmente o viole produzirá uma nova espécie de dano existencial, qual


seja, dano temporal” justificando a indenização. Esse tempo perdido, destarte,

quando viole um “padrão de razoabilidade suficientemente assentado na


sociedade”, não pode ser enquadrado noção de mero aborrecimento ou

dissabor." (THEODORO JÚNIOR, Humberto. Direitos do Consumidor. 9ª ed.


Editora Forense, 2017. Versão ebook, p. 4016)

Bruno Miragem, no mesmo sentido destaca:

"Por outro lado, vem se admitindo crescentemente, a partir de provocação


doutrinária, a concessão de indenização pelo dano decorrente do sacrifício do
tempo do consumidor em razão de determinado descumprimento contratual,
como ocorre em relação à necessidade de sucessivos e infrutíferos contatos com
o serviço de atendimento do fornecedor, e outras providências necessárias à

reclamação de vícios no produto ou na prestação de serviços." (MIRAGEM, Bruno.


Curso de Direito do Consumidor - Editora RT, 2016. versão e-book, 3.2.3.4.1)

Nesse sentido:

Então, a perda injusta e intolerável do tempo útil do consumidor provocada por


desídia, despreparo, desatenção ou má-fé (abuso de direito) do fornecedor de

produtos ou serviços deve ser entendida como dano temporal (modalidade de


dano moral) e a conduta que o provoca classificada como ato ilícito. Cumpre

reiterar que o ato ilícito deve ser colmatado pela usurpação do tempo livre,
enquanto violação a direito da personalidade, pelo afastamento do dever de

segurança que deve permear as relações de consumo, pela inobservância da boa-


fé objetiva e seus deveres anexos, pelo abuso da função social do contrato (seja

na fase pré-contratual, contratual ou pós-contratual) e, em último grau, pelo


desrespeito ao princípio da dignidade da pessoa humana." (GASPAR, Alan

Monteiro. Responsabilidade civil pela perda indevida do tempo útil do


consumidor. Revista Síntese: Direito Civil e Processual Civil, n. 104, nov-dez/2016,

p. 62)

A jurisprudência, no mesmo sentido, ancora o posicionamento de que o desvio

produtivo ocasionado pela desídia de uma empresa deve ser indenizada,


conforme predomina a jurisprudência:

RELAÇÃO DE CONSUMO – DIVERGÊNCIA DO PRODUTO ENTREGUE –

OBRIGAÇÃO DE FAZER CONSISTENTE NA ENTREGA DO PRODUTO

EFETIVAMENTE ANUNCIADO PELA RÉ E ADQUIRIDO PELO CONSUMIDOR –


INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL – RECONHECIMENTO.
(...) Caracterizados restaram os danos morais alegados pelo Recorrido diante do

"desvio produtivo do consumidor", que se configura quando este, diante de uma


situação de mau atendimento, é obrigado a desperdiçar o seu tempo útil e

desviar-se de seus afazeres à resolução do problema, e que gera o direito à


reparação civil. E o quantum arbitrado (R$ 3.000,00), em razão disso, longe está

de afrontar o princípio da razoabilidade, mormente pelo completo descaso da


Ré, a qual insiste em protrair a solução do problema gerado ao consumidor.

3. Recurso conhecido e não provido. Sentença mantida por seus próprios


fundamentos, ex vi do art. 46 da Lei nº 9.099/95. Sucumbente, arcará a parte

recorrente com os honorários advocatícios da parte contrária, que são fixados em


20% do valor da condenação a título de indenização por danos morais. (TJSP;

Recurso Inominado 0003780-72.2017.8.26.0156; Relator (a): Renato Siqueira De


Pretto; Órgão Julgador: 1ª Turma Cível e Criminal; Foro de Jundiaí - 4ª. Vara Cível;

Data do Julgamento: 12/03/2018; Data de Registro: 12/03/2018)

APELAÇÃO – AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C.C. INDENIZAÇÃO POR DANOS


MORAIS – CONSUMIDOR DEMANDANTE INDEVIDAMENTE COBRADO, POR

DÉBITO REGULARMENTE SATISFEITO

Completo descaso para com as reclamações do autor – Situação em que há de

se considerar as angústias e aflições experimentadas pelo autor, a perda de


tempo e o desgaste com as inúmeras idas e vindas para solucionar a questão –

Hipótese em que tem aplicabilidade a chamada teoria do desvio produtivo do


consumidor – Inequívoco, com efeito, o sofrimento íntimo experimentado pelo

autor, que foge aos padrões da normalidade e que apresenta dimensão tal a
justificar proteção jurídica – Indenização que se arbitra na quantia de R$ 5.000,00,

à luz da técnica do desestímulo. (...) (TJSP; Apelação 1027480-84.2016.8.26.0224;


Relator (a): Ricardo Pessoa de Mello Belli; Órgão Julgador: 19ª Câmara de Direito
Privado; Foro de Guarulhos - 8ª Vara Cível; Data do Julgamento: 05/03/2018; Data

de Registro: 13/03/2018)

RELAÇÃO DE CONSUMO – VÍCIO OCULTO NO PRODUTO(SOFÁ) – OBSERVÂNCIA

DO CRITÉRIO DA VIDA ÚTIL DO BEM DURÁVEL –DESVIO PRODUTIVO DO


CONSUMO – INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS –

RECONHECIMENTO.

1. (...) Caracterizados restaram, ainda, os danos morais asseverados pelo


Recorrido diante do "desvio produtivo do consumidor", que se configura quando

este, diante de uma situação de mau atendimento, é obrigado a desperdiçar o


seu tempo útil e desviar-se de seus afazeres, e que gera o direito à reparação civil.

E o quantum arbitrado (R$ 2.000,00), em razão disso, longe está de afrontar o


princípio da razoabilidade, mormente pelo completo descaso da Ré, loja de

envergadura nacional, para com o seu cliente.

3. Recurso conhecido e não provido. Sentença mantida por seus próprios

fundamentos, ex vi do art. 46 da Lei nº 9.099/95. Sucumbente, arcará a parte


Recorrente com os honorários advocatícios da parte contrária, que são fixados

em 20% do valor total da condenação. (TJSP; Recurso Inominado 1000711-


15.2017.8.26.0156; Relator (a): Renato Siqueira De Pretto. Órgão Julgador: 1ª

Turma Cível e Criminal; Foro de Ribeirão Preto - 2ª. Vara Cível; Data do
Julgamento: 05/02/2018; Data de Registro: 05/02/2018)

Trata-se de notório desvio produtivo caracterizado pela perda do tempo que lhe

seria útil ao descanso, lazer ou de forma produtiva, acaba sendo destinado na

solução de problemas de causas alheias à sua responsabilidade e vontade.


A perda de tempo de vida útil do consumidor, em razão da falha da prestação do
serviço não constitui mero aborrecimento do cotidiano, mas verdadeiro impacto

negativo em sua vida, devendo ser INDENIZADO.

DO QUANTUM INDENIZATÓRIO

O quantumindenizatório deve ser fixado de modo a não só garantir à parte que


o postula a recomposição do dano em face da lesão experimentada, mas

igualmente deve, servir de reprimenda àquele que efetuou a conduta ilícita, como

assevera a doutrina:

“Com efeito, a reparação de danos morais exerce função diversa daquela dos
danos materiais. Enquanto estes se voltam para a recomposição do patrimônio

ofendido, por meio da aplicação da fórmula “danos emergentes e lucros


cessantes” (CC, art. 402), aqueles procuram oferecer compensação ao lesado, para

atenuação do sofrimento havido. De outra parte, quanto ao lesante, objetiva a


reparação impingir-lhe sanção, a fim de que não volte a praticar atos lesivos à

personalidade de outrem.” (BITTAR, Carlos Alberto. Reparação Civil por Danos


Morais. 4ª ed. Editora Saraiva, 2015. Versão Kindle, p. 5423).

Neste sentido é a lição do Exmo. Des. Cláudio Eduardo Regis de Figueiredo e

Silva, ao disciplinar o tema:

Importa dizer que o juiz, ao valorar o dano moral, deve arbitrar uma quantia que,

de acordo com o seu prudente arbítrio, seja compatível com a reprovabilidade da


conduta ilícita, a intensidade e duração do sofrimento experimentado pela vítima,

a capacidade econômica do causador do dano, as condições sociais do ofendido,


e outras circunstâncias mais que se fizerem presentes" (Programa de
responsabilidade civil. 6. ed., São Paulo: Malheiros, 2005. p. 116). No mesmo
sentido aponta a lição de Humberto Theodoro Júnior: [...] "os parâmetros para a
estimativa da indenização devem levar em conta os recursos do ofensor e a

situação econômico-social do ofendido, de modo a não minimizar a sanção a tal


ponto que nada represente para o agente, e não exagerá-la, para que não se

transforme em especulação e enriquecimento injustificável para a vítima. O bom


senso é a regra máxima a observar por parte dos juízes" (Dano moral. 6. ed., São

Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 2009. p. 61). Complementando tal


entendimento, Carlos Alberto Bittar, elucida que" a indenização por danos morais

deve traduzir-se em montante que represente advertência ao lesante e à

sociedade de que se não se aceita o comportamento assumido, ou o evento


lesivo advindo. Consubstancia-se, portanto, em importância compatível com o

vulto dos interesses em conflito, refletindo-se, de modo expresso, no patrimônio


do lesante, a fim de que sinta, efetivamente, a resposta da ordem jurídica aos

efeitos do resultado lesivo produzido. Deve, pois, ser quantia economicamente


significativa, em razão das potencialidades do patrimônio do lesante"(Reparação

Civil por Danos Morais, RT, 1993, p. 220). Tutela-se, assim, o direito violado. (TJSC,
Recurso Inominado n. 0302581-94.2017.8.24.0091, da Capital - Eduardo Luz, rel.

Des. Cláudio Eduardo Regis de Figueiredo e Silva, Primeira Turma de Recursos -


Capital, j. 15-03-2018)

Ou seja, enquanto o papel jurisdicional não fixar condenações que sirvam

igualmente ao desestímulo e inibição de novas práticas lesivas, situações como


estas seguirão se repetindo e tumultuando o judiciário. Portanto, cabível a
indenização por danos morais, E nesse sentido>

a indenização por dano moral deve representar para a vítima uma satisfação

capaz de amenizar de alguma forma o abalo sofrido e de infligir ao causador


sanção e alerta para que não volte a repetir o ato, uma vez que fica evidenciado

completo descaso aos transtornos causados.

DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA


Demonstrada a relação de consumo, resta consubstanciada a configuração da

necessária inversão do ônus da prova, conforme disposição expressa do Código


de Defesa do Consumidor:

Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:

(...) VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus
da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a

alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de


experiências.

A inversão do ônus da prova é consubstanciada na impossibilidade ou grande


dificuldade na obtenção de prova indispensável por parte do Autor, sendo

amparada pelo princípio da distribuição dinâmica do ônus da prova


implementada pelo Novo Código de Processo Civil:

Art. 373. O ônus da prova incumbe:

I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;

II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do


direito do autor.

§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas

à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do


caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz

atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão
fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir

do ônus que lhe foi atribuído.

No presente caso a HIPOSSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA fica caracteriza diante da


"" "motivos que impossibilitem o acesso à prova".
Trata-se da efetiva aplicação do Princípio da Isonomia, segundo o qual, todos

devem ser tratados de forma igual perante a lei, observados os limites de sua
desigualdade. Nesse sentido, a jurisprudência orienta a inversão do ônus da

prova para viabilizar o acesso à justiça:

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE E INDENIZATÓRIA POR DANOS

MORAIS – ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA – SERVIÇO DE


TELEFONIA – NEGATIVAÇÃO DO NOME DO CONSUMIDOR – RELAÇÃO

CONSUMERISTA EVIDENCIADA – HIPÓTESE EM QUE A INVERSÃO DO ÔNUS DA


PROVA SE MOSTRA PRESENTE – ÔNUS PROBATÓRIO QUE INCUMBIA À

EMPRESA NO TOCANTE À REGULARIDADE DA CONTRATAÇÃO - OCORRÊNCIA


DE FRAUDE PRATICADA POR TERCEIROS QUE NÃO PODE SER SUPORTADA PELO

CONSUMIDOR – CONFIGURAÇÃO DOS DANOS MORAIS EM RAZÃO DE


INDEVIDA NEGATIVAÇÃO DE SEU NOME – CRITÉRIOS PARA SUA FIXAÇÃO BEM

DELINEADOS – SENTENÇA MANTIDA

No caso em tela, tratando-se de relação de consumo, a inversão do ônus da prova


se mostra necessária pois incumbia à fornecedora, com muito mais facilidade,

provar que o consumidor de fato contratou seus serviços de telefonia. Ainda que
tenha havido fraude praticada por terceiros, as consequências danosas daí

decorrentes não podem ser suportadas pela parte hipossuficiente desta relação,
de modo que, se a empresa aufere os bônus, deve suportar os ônus da atividade
que desenvolve. Ônus probatório do qual não se desincumbiu a Telefônica, de
modo a caracterizar a irregularidade da inscrição do nome da autora em cadastro

de inadimplentes. Desnecessidade quanto à produção de prova pericial, já que

os documentos constantes dos autos, aliados à inversão ônus probatório,


evidenciam a ocorrência da fraude. Dano moral presumido, despicienda prova

quanto à sua ocorrência. Critérios bem delineados quanto ao dano moral, que
deve considerar as condições das partes, sua função punitiva e pedagógica. (TJSP;
Recurso Inominado 1000984-55.2017.8.26.0653; Relator (a): Bruna Marchese e
Silva; Órgão Julgador: Turma Recursal Cível e Criminal; Foro de Santos - 12ª. Vara

Cível; Data do Julgamento: 25/04/2018; Data de Registro: 25/04/2018)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ORDINÁRIA DE REVISÃO. CÉDULA DE

CRÉDITO BANCÁRIO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INVERSÃO DO ÔNUS A PROVA.


POSSIBILIDADE. HIPOSSUFICIÊNCIA. PRESENTE O REQUISITO DO ART. 6º, INCISO

VIII, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. PRECEDENTES DESTE TRIBUNAL.


RECURSO DESPROVIDO.

(a) O Código de Defesa do Consumidor adotou a teoria da distribuição dinâmica

do ônus da prova. Assim, a inversão do ônus nesse microssistema não se aplica


de forma automática a todas as relações de consumo, mas depende da

demonstração dos requisitos da verossimilhança da alegação ou da


hipossuficiência do 16ª Câmara Cível - TJPR 2 consumidor, consoante dispõe o

art. 6º, inciso VIII, do Código de Defesa do Consumidor. Os elementos que


constam dos autos são suficientes para demonstrar que a autora encontrará

dificuldade técnica para comprovar suas alegações em juízo, uma vez que
pretendem a revisão de vários contratos, os quais não estão em seu poder.

(b) Insta salientar que os requisitos da verossimilhança das alegações e da


hipossuficiência não são cumulativos, portanto, a presença de um deles autoriza

a inversão do ônus da prova. (TJPR - 16ª C.Cível - 0020861-59.2018.8.16.0000 -


Paranaguá - Rel.: Lauro Laertes de Oliveira - J. 08.08.2018)

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DISTRIBUIÇÃO DINÂMICA DO ÔNUS DA PROVA.

PARTE COM MAIOR CONDIÇÃO DE PRODUÇÃO. (..) DECISÃO FUNDAMENTADA.


POSSIBILIDADE.

I ? O § 1º do art. 373 do CPC consagrou a teoria da distribuição dinâmica do ônus


da prova ao permitir que o juiz altere a distribuição do encargo se verificar, diante
da peculiaridade do caso ou acaso previsto em lei, a impossibilidade ou excessiva
dificuldade de produção pela parte, desde que o faça por decisão fundamentada,

concedendo à parte contrária a oportunidade do seu cumprimento.

II Negou-se provimento ao recurso. (TJ-DF 07000112620178070000 0700011-

26.2017.8.07.0000, Relator: JOSÉ DIVINO DE OLIVEIRA, Publicado no PJe :


02/05/2017 ).

Assim, diante da inequívoca e presumida hipossuficiência, uma vez que disputa a

lide com uma empresa de grande porte, indisponível concessão do direito à


inversão do ônus da prova, que desde já requer.

DAS PROVAS QUE PRETENDE PRODUZIR

Para demonstrar o direito arguido no presente pedido, o autor pretende instruir


seus argumentos com as seguintes provas:

a) Depoimento pessoal do "Indicar nome" "Indicar a necessidade do depoimento


pessoal", nos termos do Art. 385 do CPC;

b) Ouvida de testemunhas, uma vez que "indicar motivo ou vínculos" cujo rol

segue abaixo: "Arrolar testemunhas com dados completos para citação"

c) Obtenção dos documentos abaixo indicados, junto ao "Indicar possuidor,


endereço ou repartição pública do local dos documentos" nos termos do Art. 396

do CPC;

d) Reprodução cinematográfica a ser apresentada em audiência nos termos do

Parágrafo Único do art. 434 do CPC;

e) Análise pericial da "Indicar prova que precise da análise pericial". Importante


esclarecer sobre a indispensabilidade da prova pericial/testemunhal, pois trata-
se de meio mínimo necessário a comprovar o direito pleiteado, sob pena de grave

cerceamento de defesa:

CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA ORAL

E COMPLEMENTAÇÃO DE PERÍCIA.

Constitui-se cerceamento de defesa o indeferimento da produção de prova oral


e prova técnica visando comprovar tese da parte autora, considerando o

julgamento de improcedência do pedido relacionado a produção da prova


pretendida. (TRT-4 - RO: 00213657920165040401, Data de Julgamento:

23/04/2018, 5ª Turma)

Tratam-se de provas necessárias ao contraditório e à ampla defesa, conforme

dispõe o Art. 369 do Novo CPC:

As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os


moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a

verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na


convicção do juiz.

Trata-se da positivação ao efetivo exercício do contraditório e da ampla defesa

disposto no Art. 5º da Constituição Federal:

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em

geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a


ela inerentes;(...)

A doutrina ao disciplinar sobre este princípio destaca:

(...) quando se diz “inerentes” é certo que o legislador quis abarcar todas as

medidas passíveis de serem desenvolvidas como estratégia de defesa. Assim, é


inerente o direito de apresentar as razões da defesa perante o magistrado, o
direito de produzir provas, formular perguntas às testemunhas e quesitos aos

peritos, quando necessário, requerer o depoimento pessoal da parte contrária,


ter acesso aos documentos juntados aos autos e assim por diante." (DA SILVA,

Homero Batista Mateus. Curso de Direito do Trabalho Aplicado - vol. 8 - Ed. RT,
2017. Versão ebook. Cap. 14)

Para tanto, o autor pretende instruir o presente com as provas acima indicadas,
sob pena de nulidade do processo.

IMPORTANTE: Incumbe à parte instruir a petição inicial com todos os documentos

destinados a provar suas alegações.

Art. 434. CPC. Só serão admitidos documentos posteriormente se devidamente

provada a inacessibilidade à época da distribuição. Art. 435, Parágrafo Único.

DA TUTELA DE URGÊNCIA

Nos termos do Art. 300 do CPC/15, "a tutela de urgência será concedida quando
houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano

ou o risco ao resultado útil do processo. "No presente caso tais requisitos são
perfeitamente caracterizados, vejamos:

PERICULUM IN MORA - O risco da demora fica demonstrado diante da


continuidade da cobrança indevida, bem como pela inscrição irregular em

cadastro negativo de crédito, fato que vem gerando inúmeros transtornos e


constrangimentos, o que deve cessar imediatamente, conforme precedentes

sobre o tema:

ANTECIPAÇÃO DE TUTELA – Ação de declaratória de nulidade de ato jurídico c.c.


indenizatória por danos morais –Suspensão de cobranças não reconhecidas,

relativas a cartão de crédito - Presença dos requisitos exigidos para a concessão


da medida– Decisão mantida – Recurso não provido. (TJSP; Agravo de
Instrumento 2252964-59.2017.8.26.0000; Relator (a): Paulo Pastore Filho; Órgão

Julgador: 17ª Data de Registro: 01/03/2018)

FUMUS BUNI IURIS - A probabilidade do direito fica perfeitamente demonstrada

diante da comprovação do abuso sofrido pelo Autor, diante de um


constrangimento ilegal. Assim, conforme destaca a doutrina, não há razão lógica

para aguardar o desfecho do processo, quando diante de direito inequívoco: Se


o fato constitutivo é incontroverso não há racionalidade em obrigar o autor a

esperar o tempo necessário à produção da provas dos fatos impeditivos,


modificativos ou extintivos, uma vez que o autor já se desincumbiu do ônus da

prova e a demora inerente à prova dos fatos, cuja prova incumbe ao réu
certamente o beneficia." (MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela de Urgência e Tutela

da Evidência. Editora RT, 2017. p.284)

Assim, requer a imediata retirada da inscrição do Autor do cadastro de


inadimplentes, sob pena de multa diária, conforme precedentes sobre o tema:

AGRAVO DE INSTRUMENTO - INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS


- LIMINAR - CADASTRO DE INADIMPLENTES - PRAZO EXÍGUO.

Se foi instaurada discussão sobre o débito é porque o devedor não reconhece a

dívida ou a sua integralidade, razão pela qual a inscrição de seu nome em


cadastros de maus pagadores no curso do litígio, é abusiva. A multa diária fixada

para o caso de descumprimento da ordem judicial tem o objetivo de forçar a


parte a cumprir a obrigação estipulada na decisão. Considera-se suficiente o

prazo de 3 dias para retirada do nome do consumidor, do SPC. (TJ-MG - AI:


10000170546097001 MG, Relator: Evangelina Castilho Duarte, Data de

Julgamento: 07/11/0017, Câmaras Cíveis / 14ª CÂMARA CÍVEL, Data de


Publicação: 09/11/2017)
Requer-se, assim, que o Poder Judiciário, tenha o bom senso de determinar a

cessação imediata dos descontos indevidos da conta do Autor bem como a


retirada do nome do cadastro de inadimplentes

DA JUSTIÇA GRATUITA

O Requerente atualmente é "Qual é a @sua ocupação profissional?, tendo sob


sua responsabilidade a manutenção de sua família, razão pela qual não poderia

arcar com as despesas processuais. Para tal benefício o autor junta declaração de

hipossuficiência e comprovante de renda, os quais demonstram a inviabilidade


de pagamento das custas judicias sem comprometer sua subsistência, conforme

clara redação do Art. 99 do Código de Processo Civil de 2015:

Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial,
na contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.§

1º Se superveniente à primeira manifestação da parte na instância, o pedido


poderá ser formulado por petição simples, nos autos do próprio processo, e não

suspenderá seu curso.§ 2º O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver


nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a

concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à


parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos.§ 3º

Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por


pessoa natural.

Assim, por simples petição, sem outras provas exigíveis por lei, faz jus o

Requerente ao benefício da gratuidade de justiça:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA. INDEFERIMENTO DA


GRATUIDADE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE FUNDADAS RAZÕES PARA AFASTAR
A BENESSE. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. CABIMENTO.
Presunção relativa que milita em prol da autora que alega pobreza. Benefício que

não pode ser recusado de plano sem fundadas razões. Ausência de indícios ou
provas de que pode a parte arcar com as custas e despesas sem prejuízo do

próprio sustento e o de sua família. Recurso provido. <span style="font-


weight:400">(TJ-SP 22234254820178260000 SP 2223425-48.2017.8.26.0000,

Relator: Gilberto Leme, Data de Julgamento: 17/01/2018, 35ª Câmara de Direito


Privado, Data de Publicação: 17/01/2018)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. CONCESSÃO.

Presunção de veracidade da alegação de insuficiência de recursos, deduzida por


pessoa natural, ante a inexistência de elementos que evidenciem a falta dos

pressupostos legais para a concessão da gratuidade da justiça. Recurso provido.


(TJ-SP 22259076620178260000 SP 2225907-66.2017.8.26.0000, Relator: Roberto

Mac Cracken, 22ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 07/12/2017)

A assistência de advogado particular não pode ser parâmetro ao indeferimento

do pedido:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO DE GRATUIDADE DE JUSTIÇA. CONCESSÃO


DO BENEFÍCIO. HIPOSSUFICIÊNCIA. COMPROVAÇÃO DA INCAPACIDADE

FINANCEIRA. REQUISITOS PRESENTES.

1. Incumbe ao Magistrado aferir os elementos do caso concreto para conceder o


benefício da gratuidade de justiça aos cidadãos que dele efetivamente

necessitem para acessar o Poder Judiciário, observada a presunção relativa da


declaração de hipossuficiência.

2. Segundo o § 4º do art. 99 do CPC, não há impedimento para a concessão do


benefício de gratuidade de Justiça o fato de as partes estarem sob a assistência
de advogado particular.
3. O pagamento inicial de valor relevante, relativo ao contrato de compra e venda

objeto da demanda, não é, por si só, suficiente para comprovar que a parte
possua remuneração elevada ou situação financeira abastada.

4. No caso dos autos, extrai-se que há dados capazes de demonstrar que o


Agravante, não dispõe, no momento, de condições de arcar com as despesas do

processo sem desfalcar a sua própria subsistência. 5. Recurso conhecido e


provido. (TJ-DF 07139888520178070000 DF 0713988-85.2017.8.07.0000, Relator:

GISLENE PINHEIRO, 7ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE :


29/01/2018)

Cabe destacar que o a lei não exige atestada miserabilidade do requerente, sendo

suficiente a “insuficiência de recursos para pagar as custas, despesas processuais


e honorários advocatícios"(Art. 98, CPC/15), conforme destaca a doutrina:

Não se exige miserabilidade, nem estado de necessidade, nem tampouco se fala


em renda familiar ou faturamento máximos. É possível que uma pessoa natural,

mesmo com bom renda mensal, seja merecedora do benefício, e que também o
seja aquela sujeito que é proprietário de bens imóveis, mas não dispõe de

liquidez. A gratuidade judiciária é um dos mecanismos de viabilização do acesso


à justiça; não se pode exigir que, para ter acesso à justiça, o sujeito tenha que

comprometer significativamente sua renda, ou tenha que se desfazer de seus


bens, liquidando-os para angariar recursos e custear o processo." (DIDIER JR.

Fredie. OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Benefício da Justiça Gratuita. 6ª ed. Editora
JusPodivm, 2016. p. 60)

Por tais razões, com fulcro no artigo 5º, XXIV da Constituição Federal e pelo artigo

98 do CPC, requer seja deferida a gratuidade de justiça ao requerente.


PEDIDOS: Todo e qualquer pedido mediato e imediato, cumulativo, subsidiário

ou reflexo devem estar expressamente previstos na petição inicial, sob pena de


preclusão.

Art. 141. CPC/15: O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes,
sendo-lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige

iniciativa da parte.

Art. 492. CPC/15: É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida,

bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do


que lhe foi demandado.

DO PEDIDO

Ante o exposto, requer:

A concessão da Assistência Judiciária Gratuita, nos termos do art. 98 do Código


de Processo Civil;

A concessão do pedido liminar para determinar que o Réu cesse imediatamente

os descontos na conta do Autor, bem como retire imediatamente o nome do


Autor do cadastro de inadimplentes, sob pena de multa diária;

A citação do réu, na pessoa de seu representante legal, para, querendo responder


a presente demanda;

Seja dada total procedência à ação, declarando a inexistência dos débitos

imputados ao Autor, condenando o requerido a pagar ao requerente o valor


correspondente à repetição de indébito no total de R$ Qual é o valor total dos

descontos realizados na @sua conta?"

Seja o requerido condenado a pagar ao requerente um quantum a título de danos

morais, em valor não inferior a R$ Qual é o valor da indenização por danos


morais?", considerando as condições das partes, principalmente o potencial

econômico-social da lesante, a gravidade da lesão, sua repercussão e as


circunstâncias fáticas;

A condenação do requerido em custas judiciais e honorários advocatícios;

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas e


cabíveis à espécie, especialmente pelos documentos acostados.

Requer que as intimações ocorram EXCLUSIVAMENTE em nome do Advogado ""

"indicar nome do Advogado"

INTIMAÇÃO EM NOME DE ADVOGADO ESPECÍFICO: O pedido de intimação em


nome exclusivo de um Advogado serve para resguardar o controle das

notificações em caso de juntada de substabelecimentos ou procurações futuras


no processo (eventuais diligências), com o risco de publicação somente em nome

do novo Advogado.

Veja precedente: "Havendo requerimento expresso de publicação exclusiva, é

nula a intimação em nome de outro advogado, ainda que conste dos autos
instrumento de procuração ou substabelecimento, haja vista o cerceamento de

defesa (art. 236, § 1º, do CPC)

(...) Na hipótese dos autos, é possível concluir que a publicação do acórdão de fls.
614/620 não levou em consideração pedido pretérito para que as publicações
fossem realizadas em nome de advogado específico, restando evidenciado o

cerceamento de defesa, (...)." (STJ - REsp: 1577282 MA 2015/0327496-5, Relator:


Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Publicação: DJ 02/10/2018)

Por fim, manifesta o "" na audiência conciliatória, nos termos do Art. 319, inc. VII
do CPC.

Dá-se à presente o valor de R$ .

Termos em que, pede deferimento.

Data

Cidade

Advogado, OAB

ANEXOS:

Documentos de identidade do Autor

Comprovante de residência

Procuração

cópia dos documentos que comprovem que houve tentativa de contato com

@reu

extrato que demonstre os débitos e protocolos de pedido de revisão

Cópia dos documentos que comprovem que houve tentativa de contato com a
empresa ré, extrato que demonstre os débitos e protocolos de pedido de revisão
Provas da ocorrência - Extrato demonstrando os débitos e Protocolo do pedido

de revisão dos descontos

cópia dos documentos que comprovem que não houve a resolução do problema

Provas da tentativa de solução direto com o réu e negativa de devolução do

Banco