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A escultura nos cemitérios portugueses (1835-1910):

artistas e artífices
José Francisco Ferreira Queiroz

Introdução
Apesar das apreciáveis variações regionais existentes, os cemitérios portugueses
do Romantismo assumem maiores características arquitectónicas do que escultóricas.
Nos casos de cemitérios mais modestos, o principal investimento era geralmente feito
na portaria de cantaria e no seu respectivo portão em ferro, ao passo que, em termos
de jazigos particulares, os mais aparatosos alicerçavam-se sobretudo na dimensão
arquitectónica como elemento diferenciador. Contudo, a profusão de ornato – por
vezes mesmo em excesso, o que foi habitual em alguns túmulos de novos-ricos mais
ufanos – e a inclusão de elementos escultóricos de vulto também constituíram
frequentes soluções para impor uma imagem mais grandiosa aos túmulos.
Em certa medida, os cemitérios portugueses da segunda metade do século XIX
adoptaram um formulário artístico comum aos demais cemitérios do sul da Europa.
Em termos de abundância proporcional da escultura face ao suporte arquitectónico,
os cemitérios portugueses situam-se a meio termo entre os italianos e os espanhóis.
Em geral, aqueles possuem grande pendor escultórico, mesmo que a arquitectura do
cemitério, geralmente de pórticos e arcarias, seja preponderante face à arquitectura
do jazigo individual. Ao invés, estes possuem grande pendor arquitectónico, de
carácter colectivo, sendo pouco habituais as peças escultóricas, sobretudo em certas
regiões espanholas, onde predominavam as necrópoles oitocentistas de “nicherías”.
Assim, os cemitérios portugueses, no seu carácter arquitectónico mais indivi-
dualizado e na proporção do uso da escultura, aproximam-se sobretudo do modelo
romântico francês.
Porém, se os cemitérios portugueses não podem competir com os cemitérios
italianos em termos de quantidade e qualidade de obra escultórica, também não
podem competir com os cemitérios franceses em termos de valia artística das peças
de escultura. É sobretudo ao nível do trabalho do artífice executante, do canteiro
ornatista, que os cemitérios portugueses podem equiparar-se aos melhores da Europa.
Não por acaso, foi ténue em Portugal a fronteira entre escultor e canteiro, especial-
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mente no norte do país1. Portanto, foi ao nível da gama média e média-baixa da


escultura tumular que os cemitérios portugueses mais se destacaram face aos demais
existentes na Europa, sobretudo quando não estavam em causa as proporções e os
detalhes anatómicos (Figura n.º 9).
Embora as peças escultóricas sejam relativamente habituais na arte tumular do
Romantismo em Portugal – em cemitérios mais cosmopolitas ou, não sendo esse o
caso, em túmulos mais faustosos de pequenos cemitérios – a sua qualidade podia
variar bastante. Porém, esta variação de qualidade não dependia exclusivamente do
quanto o encomendador estava disposto a despender, ou da capacidade artística do
mestre executante. Na arte tumular da segunda metade do século XIX, a questão
dos modelos e das reproduções é fundamental para se aferir o valor das peças.
À partida, modelos de escultores mais capacitados, como António Soares dos Reis,
seriam de maior qualidade e, portanto, mais escolhidos para reprodução. Porém, não foi
bem esse o caso, havendo mesmo modelação documentada de António Soares dos Reis
cuja replicação não foi ainda comprovada, apesar da tipologia ser admissível no âmbito
cemiterial2. É mesmo de supor que os melhores modelos não eram necessariamente os
mais seleccionados pelos encomendadores, dado que certos tipos de esculturas foram
mesmo pouco reproduzidas (e o facto de o terem sido, sugere que não houve destruição
propositada do modelo, para que o primeiro encomendador evitasse ter de encarar
cópias) e outras quase deixaram de o ser a partir de certa altura, reflectindo a própria
evolução do gosto tumular – isto, num intervalo de apenas três quartos de século.

A diversidade temática
As obras de escultura que predominam em cemitérios românticos portugueses são
figuras alegóricas, colocadas como coroamento de jazigos-capela ou como remate de
outro género de mausoléus de média e grande dimensão. As alegorias mais comuns são
a Fé, a Esperança e a Caridade, sendo a Fé talvez a mais utilizada destas três virtudes,
dado que surge por vezes apenas em forma de cruz, sem uma componente escultórica
evidente. Em cemitérios maiores e em monumentos tumulares mais faustosos, ainda
que posicionados em cemitérios mais pequenos, também é comum encontrar outras
estátuas alegóricas, como o Comércio e a Indústria, ou até a Agricultura. Em alguns
dos túmulos mais ricos de negociantes de grosso trato, surgem alegorias às partes
do mundo nas quais detinham interesses, correspondendo geralmente à Europa
e à América ou África. Estátuas alegóricas como as Artes, a Navegação e outras
menos comuns também podem ser encontradas em túmulos românticos portugueses,
dependendo da biografia do falecido cuja decoração tumular entronize.
Em cemitérios portugueses de maior realce, podemos igualmente encontrar outras
figuras de vulto, alegóricas e mitológicas, como a Religião, a Gratidão, a Bondade,
o Tempo, ou as parcas (Figura n.º 4). Dado que, no cemitério romântico, o recurso
1 QUEIROZ, 2002: 658 (II).
2 QUEIROZ, 2002: 658 (II).
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à metáfora era habitual para expressar a morte de modo menos cruel, encontramos
ainda algumas figuras da Noite ou do Inverno.
Embora tenhamos encontrado vários casos de estátuas dos santos patronos, são
menos comuns as representações religiosas mais genéricas (Figura n.º 5), salvo a
Imaculada Conceição, que surge sobretudo em alguns cemitérios maiores do Baixo
Mondego, não tanto em vulto, mas sobretudo em alto relevo. A figura de Cristo, na
tumulária do Romantismo em Portugal, surge em raros casos de calvários, geralmente
de finais do século XIX ou inícios do século XX. Outras figurações de Cristo (em
majestade ou com o Sagrado Coração) geralmente inserem-se já num período posterior
ao Romantismo. O mesmo sucede com representações da Sagrada Família.
Algumas das primeiras estátuas dos cemitérios portugueses representam as clássicas
carpideiras, embora tenham sido mais utilizadas as Saudades, não só em vulto, como
através de uma flor em relevo, que passava a mesma mensagem de forma menos
dispendiosa. A Fábrica de Cerâmica das Devesas, por exemplo, chegou a produzir
mais do que um tipo de Saudade em vulto, reflectindo bem a aceitação desta solução
tumular (Figura n.º 6). O próprio António Soares dos Reis modelou a figura da
Saudade para posterior replicação em cemitérios (Figura n.º 3, segundo plano).
Por vezes, estas Saudades, personificadas em imagens femininas de atitude melan-
cólica, facilmente se confundem com as próprias carpideiras, ou com a alegoria da Dor
(Figura n.º 14), embora as Saudades mais conseguidas em termos escultóricos sejam
sobretudo jovens de olhar distante ou pesaroso, mas serenas. É claro que algumas
das estátuas mais precoces em cemitérios românticos portugueses (c. 1835-1855)
são muito frias na sua expressão facial e postura, sem que, com isso, correspondam
propriamente a uma figuração melancólica, dado que os modelos mais puramente
neoclássicos ainda vigoravam nessa altura.
Muito comuns em cemitérios românticos portugueses foram os anjos e, em versão
mais profana, os génios da morte inspirados na tumulária da Antiguidade Clássica.
Anjos da Redenção ou da Ressurreição (em postura exaltante, ostentando a cruz
ou apontando para o céu), anjos orantes e anjos do Silêncio ou da Paz (com pose
serena ou pedindo silêncio a quem passa) são os tipos mais comuns dessas figuras
celestiais, muitas vezes executadas com pouco virtuosismo, dada a grande procura
desse género de figuras, tanto de vulto, como de relevo.
Um dos aspectos mais complexos da análise à escultura tumular do Romantismo
prende-se com a fronteira entre o retrato realista e a representação escultórica “à
época”, embora de carácter metafórico, particularmente no caso de crianças. Por
vezes, crianças trajadas dentro da moda em vigor eram retratos dos próprios finados,
embora também pudessem representá-los sem que as peças escultóricas constituíssem
propriamente um retrato. Sem o confronto com o espólio fotográfico familiar, é
geralmente difícil tirar conclusões seguras. De qualquer modo, este tipo de esculturas
é geralmente de qualidade apreciável ao nível do ornato e mesmo do rigor do traje,
mas sofrível ao nível anatómico e de proporções (Fig. 8). Ao nível do retrato, em
geral, nos casos em que é óbvio que estamos perante retratos dos finados, a qualidade
das peças escultóricas também varia muito. A produção de modelos para replicação
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não era aplicável nestes casos, pelo que as oficinas de cantaria cujos mestres fossem
menos aptos em termos de estatuária contratariam a modelação, geralmente por
fotografia, do busto ou mesmo da estátua do finado. Escultores de segunda linha,
que quase sempre ficaram anónimos, fizeram a modelação de muitos destes bustos.
Outros porém, são obra de autores de nomeada. Alguns retratos feitos para cemitérios
portugueses mereceram até o exílio forçado para os museus, como sucedeu com a
estátua do Conde de Ferreira, hoje no Museu Nacional Soares dos Reis, tendo ficado
uma réplica em bronze no Cemitério de Agramonte (Secção da Ordem da Trindade).
Refira-se que a escultura em bronze aplicada à tumulária romântica em Portugal
cingiu-se quase sempre ao retrato, embora sendo raros os casos, quase todos datando
do fim do século XIX e dos primeiros anos do século XX e situando-se em cemitérios
mais cosmopolitas. Nos cemitérios do norte de Portugal, surgem também esculturas
em terracota ou faiança, na sua maioria executadas pela Fábrica de Cerâmica das
Devesas, com modelos de José Joaquim Teixeira Lopes. Em geral, estas estátuas têm
boa qualidade, estando entre as mais interessantes de seu tipo na Europa.
Os retratos aplicados aos túmulos românticos em Portugal eram em medalhão
relevado, em busto, ou de corpo inteiro. Os primeiros foram sempre os mais comuns,
por se prestarem a uma colocação mais versátil e por implicarem menor custo. Os
bustos e as estátuas de corpo inteiro, presentes em túmulos erigidos por subscrição
pública, em túmulos de novos-ricos ou em outros túmulos mais faustosos, eram quase
sempre de figuras masculinas. Foram raros em Portugal, durante o Romantismo, os
casos de retrato feminino de vulto, especialmente de corpo inteiro, embora tenham
sido feito vários em relevo. As excepções de retratos femininos de vulto surgem quase
sempre em contexto de casal, ficando marido e mulher lado a lado, em busto (Figura
n.º 11), por vezes sobre ou junto do seu sarcófago (caso exista).
Não podemos ainda apresentar aqui uma classificação tipológica exaustiva sobre a
escultura tumular do Romantismo em Portugal, dada a vastidão do tema e o facto de
ser necessária maior sistematização, face aos numerosos exemplos já inventariados, num
trabalho de campo de vários anos que ainda não abrangeu todas regiões portuguesas de
modo suficientemente representativo. De qualquer modo, não podemos negligenciar
as representações do leito de morte; as alegorias à elevação da alma ao Céu, por anjos
(sobretudo no caso de crianças e jovens mulheres), em ambos os casos quase sempre em
relevo. Não podemos também esquecer as esculturas de animais, umas vezes como atlantes,
mas também frequentemente com significado simbólico - como o cão, para representar a
Fidelidade do casal, embora também tenhamos encontrado animais como metáforas dos
falecidos – caso de um túmulo em Portalegre encimado por três cordeiros de tamanho
diferenciado, correspondendo às três crianças para quem foi erguido o monumento.
Por último, há que mencionar toda a panóplia de ornatos em relevo da tumulária
romântica em Portugal. Embora não se trate propriamente de escultura, por vezes
assumem estes símbolos um carácter fundamental no monumento. A iconografia da
morte romântica e os símbolos profissionais em relevo são os casos mais comuns. Nos
cemitérios portugueses, existem exemplos destas tipologias que nada devem aos melhores
exemplos europeus da mesma época, não só na habilidade para a execução de ornato
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realista e naturalista (no caso de flores, por exemplo), mas no valor documental e
expressividade. Ainda assim, na época, a pouca capacidade e qualificação dos artífices
da pedra portugueses para a anatomia e proporções nota-se bastante na representação
de animais, que tendem a surgir com o mesmo carácter tosco de muitas esculturas.
Apesar da qualidade geralmente muito mediana da escultura aplicada à tumulária
romântica em Portugal, existe ainda um substancial número de peças bastante
interessantes e quase desconhecidas, mesmo dos estudiosos da escultura em geral.
Apesar disso, esculturas verdadeiramente notáveis são raras nos cemitérios portugueses.
Devemos ter em conta que Portugal é um país relativamente pequeno e que, no final
do século XIX, apenas duas cidades ultrapassavam os 100.000 habitantes (Lisboa
e Porto). Por outro lado, o cenário artístico português ressentiu-se do facto de não
ter havido muitos bons escultores nesse tempo, como a própria crítica de arte da
altura também o reconhecia. Na verdade, durante o Romantismo, escasseavam os
verdadeiros escultores em Portugal e alguns deles eram estrangeiros (principalmente
italianos e franceses). No entanto, houve vários excelentes canteiros e mestres
pedreiros portugueses, ao nível da decoração em relevo para monumentos tumulares.
Em finais do século XIX, o crescente carácter estereotipado da tumulária e a
reacção refractária dos intelectuais e das classes mais elevadas face à banalização
do fenómeno, acabaram por precipitar o declínio da qualidade da escultura tumular
portuguesa, embora tenham existido excepções, como o caso de Coimbra e dos artistas
ligados à Escola Livre das Artes do Desenho. Por outro lado, ainda que sendo quase
casos isolados, alguns dos mais notáveis e mais famosos exemplos de escultura em
cemitérios portugueses podem ser considerados como de transição entre a tradição
romântica e a estética Arte Nova (Figura n.º 14).

Conclusão
A grande variedade da escultura tumular portuguesa do Romantismo, seja em termos
de qualidade artística ou ao nível das tipologias, permite constatar a sua importância
no fenómeno do cemitério romântico em Portugal e no seu carácter distintivo face a
outros países. Porém, enquanto alguns exemplos de escultura tumular portuguesa do
Romantismo podem ser encontrados em várias versões, de uma qualidade que raia
o profundamente vernacular, outros são casos únicos, merecedores de estudo mais
aturado e consequente valorização patrimonial.
Ainda que esta conclusão seja provisória, dado o muito que ainda se deve pesquisar,
a fim de alcançar uma boa compreensão deste fenómeno, duas coisas são certas: por
um lado, não é possível compreender verdadeiramente a escultura portuguesa do
período romântico sem uma abordagem intensiva aos cemitérios; por outro lado,
considerando a relativa pequenez de Portugal e o facto do fenómeno urbano na
época romântica ter sido aqui menos marcante do que em outros países europeus, a
escultura tumular romântica existente em Portugal acaba por ser proporcionalmente
mais interessante, no seu todo, do que a escultura tumular coeva existente em muitas
outras partes do globo.
240 José Francisco Ferreira Queiroz

Figura n.º 1
Cemitério de Agramonte (Porto), detalhe
do Comércio, no mausoléu de Francisco
Antunes de Brito Carneiro. Este mausoléu foi
projectado em 1880 pelo arquitecto Tomás
Augusto Soller, com linhas simples, de modo
a ressaltar a obra escultórica – opção que foi
pouco comum na tumulária romântica em
Portugal, salvo em exemplos tardios. A obra
de escultura deste mausoléu é de António
Soares dos Reis, embora tenha sido execu-
tada pelo seu esboçador, Laurentino José da
Silva, que viria a manter na sua posse alguns
modelos do mestre, utilizando-os em outros
túmulos da sua lavra. As outras duas estátuas
deste mausoléu são a Saudade (no topo) e a
Indústria (do lado oposto do Comércio).

Figura n.º 2
Cemitério de Agramonte (Porto), Secção
da ordem de Carmo, detalhe da alegoria do
Tempo em aparatoso mausoléu construído
pela oficina de Bernardo Marques da Silva
(pai do arquitecto José Marques da Silva).
A figura alegórica foi modelada por António
Soares dos Reis e crê-se que o modelo foi
depois adquirido pela oficina de Bernardo
Marques da Silva, que tê-lo-á replicado
ocasionalmente.
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Figura n.º 3
Cemitério de Agramonte (Porto), Secção
da ordem de Carmo, perspectiva do busto
de José António Lopes Sampaio, vendo-se
em segundo plano a mesma figura alegórica
da Saudade que fora modelada por António
Soares dos Reis para o mausoléu de Francisco
Antunes de Brito Carneiro (Figura n.º 1).

Figura n.º 4
Cemitério da Lapa (Porto), detalhe de uma
parca, cortando o fio da vida.
242 José Francisco Ferreira Queiroz

Figura n.º 5
Cemitério da Abrigada (Alenquer), detalhe
de um mausoléu encimado pela figura de S.
Pedro, obra de uma oficina de Lisboa.

Figura n.º 6
Cemitério de Fafe, detalhe de uma Saudade
em faiança, no topo de um mausoléu
granítico, obra da Fábrica de Cerâmica das
Devesas.
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Figura n.º 7
Cemitério de Moura, escultura de remate de
um mausoléu, obra de oficina lisboeta.

Figura n.º 8
Cemitério de Coruche, estátua jacente de Maria Luísa Raposo (26 de Setembro de 1850 – 19 de Maio de
1852), trabalho muito fruste de uma oficina lisboeta, encomendado por António Nunes Vieira Raposo,
pai da criança.
244 José Francisco Ferreira Queiroz

Figura n.º 9
Cemitério de Agramonte (Porto), detalhe
do Anjo da Paz no topo de um mausoléu
executado na oficina de José Carlos de
Sousa Amatucci. A modelação é mediana e
a anatomia e proporções deixam mais ainda
a desejar, dado que José Carlos de Sousa
Amatucci não tinha o mesmo talento do seu
pai Emídio Carlos Amatucci.

Figura n.º 10
Cemitério de Agramonte (Porto), Secção
da ordem do Carmo, busto do Dr. José
Pereira da Costa Cardoso, sobre o portal da
sua monumental capela tumular, obra de
modelação de António Teixeira Lopes, feita
na época em que estava a estudar em Paris.
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Figura n.º 11 – Cemitério de Agramonte (Porto), Secção da ordem do Carmo, busto de um casal.

Figura n.º 12 – Cemitério de Santarém, detalhe de um relevo em jazigo-capela executado na oficina


lisboeta de José G. Correia & Ca. (Irmãos). o anjo assume-se como a figura dolente, pela sua posição
debruçada sobre a urna, mas também por ostentar uma coroa de saudades e perpétuas.
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Figura n.º 13
Cemitério de Salvaterra
de Magos, jazigo-capela de
Porfírio Neves da Silva e sua
família, obra da oficina lisboeta
de Marcolino C. Santos.
Trata-se de um exemplo
típico do recurso à simbologia
profissional, neste caso
agrícola e também comercial,
sendo mais comum, no Riba-
tejo e Alentejo, a simbologia
exclusivamente agrícola.

Figura n.º 14 – Cemitério de Agramonte, detalhe da figura da Dor, no jazigo Santos Dumont, obra de
António Teixeira Lopes e seus colaboradores da “escola” de Gaia. Trata-se de uma figura de clara filiação
na Arte Nova, pela sensualidade, pela descompostura das vestes e pela sua postura dramática e afectada,
apesar da alegoria ainda se enquadrar no espírito do cemitério romântico. Note-se que remata este jazigo
um cruzeiro com calvário no topo, ao gosto dos cruzeiros galegos.
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