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Direito Empresarial

Profa. Silvia Mara


Novaes Sousa
Bertani
Profa. Silvia Mara Novaes Sousa Bertani

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AULA 10 – Sociedade Anônima:


Conceito; características; nome empresarial; constituição; capital social; classificação.
Capital aberto e capital fechado. Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Bolsa de Valores.
O estatuto social. Órgãos e administração.

SOCIEDADE ANÔNIMA

Sociedade Anônima é uma empresa com fins lucrativos que tem seu capital dividido em ações e
a responsabilidade de seus sócios (acionistas) limitada ao preço da emissão das ações
subscritas ou adquiridas.

Para entender o funcionamento de uma companhia ou sociedade anônima, é preciso


compreender os seus conceitos básicos, como suas principais características, a maneira como é
conduzida e administrada, além de saber quais as definições de capital, a função do CVM e qual
lei regulariza esse tipo de empreendimento (Lei 6.404/76).

As sociedades anônimas podem ser divididas em dois tipos: a de capital aberto e a de capital
fechado. É importante saber a diferença entre as duas e as suas principais características,
vantagens e desvantagens.

Outro elemento essencial é a questão das ações. Elas podem restringir os direitos e as
vantagens do acionista e podem dizer muito sobre o tamanho da empresa.

Além dos elementos das S/As, é muito relevante conhecer as principais características de
outros tipos de empresas como as sociedades simples, sociedade limitada , sociedade
cooperativa e firma individual.

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Conceito de Sociedade Anônima

Sociedade Anônima (S/A) é um tipo de companhia que tem seu capital dividido por ações. Os
sócios são chamados acionistas e têm responsabilidade limitada ao preço das ações adquiridas.
Ela surgiu em meados do século XVII, quando a maioria dos negócios ainda era financiada pelo
capital familiar.

Promover a entrada de terceiros investindo capital na empresa tinha como objetivo principal
acelerar o crescimento dela. Dessa forma, a maior quantidade de recurso aumentaria a
produção e a circulação de produtos no mercado, o que contribuiria para o crescimento da
economia.

As primeiras empresas com essas características foram a Companhia das Índias Orientais e a
Companhia das Índias Ocidentais. A primeira foi pioneira na criação das grandes corporações. A
sua atividade econômica era ligada ao colonialismo: exportava produtos do oriente em nome
dos países capitalistas da Europa, como Inglaterra, Holanda, Espanha, Portugal e França. Era um
tipo de empreendimento que misturava o capital privado e social.

No início do século XIX, as instituições que seguiam esse tipo de investimento foram
consideradas, na França, jurídicas. Precisariam, a partir de então, de autorização para serem
abertas e teriam que cumprir leis especiais.

Principais características da Sociedade Anônima


1. Possui capital divido em ações;
2. O importante, nesse tipo de sociedade, são os capitais acumulados e não o acionista
em si. A posse de ações é que faz valer a participação do acionista;

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3. As ações só podem ser emitidas pela empresa com autorização da CVM (Comissão de
Valores Mobiliários);
4. Somente as próprias ações são usadas como garantia financeira da companhia. Nenhum
dos sócios precisa responder com seu patrimônio particular pelas dívidas da empresa;
5. Sua estrutura organizacional se compõe por uma assembleia geral, o conselho de
administração, diretoria e conselho fiscal;
6. Pode ser uma sociedade aberta ou fechada;
7. A responsabilidade do acionista é limitada ao preço das ações adquiridas ou subscritas;
8. As ações são títulos circuláveis, isto é, o acionista tem a liberdade de cedê-las e negociá-
las;
9. Constitui pessoa jurídica de direito privado.

Sociedade Anônima no Brasil

As sociedades anônimas foram aceitas por lei no Brasil em 1850. Nesse época,
as sociedades eram abertas para funcionar por tempo determinado. Ao fim do prazo, elas eram
dissolvidas. Cerca de trinta anos depois, estabeleceu-se uma lei para regulamentar esse tipo de
companhia. No século XX, com a evolução comercial do país, o funcionamento das S/As se
tornou mais eficiente, tanto as nacionais quanto as estrangeiras.

Em 1976, uma reforma na lei de número 6.404 favoreceu os acionistas minoritários de


sociedade anônima de capital aberto, que não eram privilegiados por causa de algumas falhas
no decreto anterior. Depois, ela foi sendo complementada e modificada por causa das
mudanças nos planos econômicos e crises financeiras enfrentadas no país.

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FUNCIONAMENTO DE SOCIEDADE ANÔNIMA

As sociedades anônimas possuem uma estrutura fixa, determinada pela lei 6.404/76. Deve
existir uma divisão de órgãos dentro das companhias para que não haja relação de vantagem e
desvantagens entre grupos de pessoas, além de manter a legalidade de tudo que se pratica
dentro da empresa. Os referidos órgãos são:

Assembleia Geral

É o órgão mais poderoso no que diz respeito às decisões da empresa. A responsabilidade da


assembleia é reunir os acionistas para discutir os interesses da companhia. Através de eleição, é
possível decidir sobre o futuro dela ou mesmo destituir membros da administração e do
conselho fiscal. Existem, ainda, a Assembleia geral ordinária e Assembleia geral extraordinária.
A primeira é obrigatória e anual e visa discutir matérias pré-estabelecidas. A segunda pode ser
convocada a qualquer momento, quando houver necessidade para se debater assuntos
residuais ou urgentes;

Conselho de administração

É um órgão facultativo. Só precisa existir caso a sociedade seja do tipo dualista, isto é, quando,
além da assembleia geral, existe outro órgão com poder de fiscalizar a diretoria, que, no caso, é
o conselho de administração.

É também um órgão deliberativo e composto por acionistas escolhidos pela assembleia geral,
os chamados conselheiros. A principal função do conselheiro é agilizar as decisões. Cabe a ele
também se reunir com os outros conselheiros para que possam discutir os negócios da empresa
e fiscalizar o trabalho dos diretores.

Diretoria

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É composta por, no mínimo, duas pessoas, que podem ser naturais, acionistas ou não. A
escolha dos membros da diretoria é feita por eleição pela assembleia geral ou pelo conselho de
administração, caso exista. As principais obrigações dos diretores são dirigir a empresa e
representar legalmente os interesses dela.

Conselho Fiscal

É um órgão obrigatório na sociedade anônima. No entanto, o estatuto social da empresa é que


define se ele será permanente ou funcionará apenas quando solicitado pelos acionistas. Esse
conselho pode ser formado por três a cinco pessoas (acionistas ou não) e por mais alguns
componentes de mesmo número, escolhidos pela assembleia geral. Os eleitos são chamados
suplentes. O órgão em questão é como um assessor da assembleia geral, pois ajuda na votação
de assuntos relevantes à administração tem por responsabilidade acompanhar de perto o
andamento da gestão da empresa e fiscalizar os atos dos órgãos administrativos.

Acionistas e poder de controle

Em uma sociedade anônima, a participação dos investidores é medida pela quantidade de


ações que eles possuem. Desta forma, o acionista precisa ter a maior parte das ações com
direito de voto, o que dá o poder de controle da empresa.

Mais especificamente, para comandar a empresa, é preciso deter boa parte das ações
ordinárias, mais de 50%, o que dará ao acionista o controle majoritário. Essa regra geral do
comando das companhias parte do pressuposto de que as sociedades são feitas para atender
aos interesses dos sócios e, portanto, aquele que tem o maior controle das ações pode decidir
pelos seus próprios interesses dentro da empresa.

A partir disso, o acionista controlador pode escolher a maioria dos administradores, eleger os
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membros do conselho fiscal e dirigir as atividades sociais da empresa. Portanto, se essas


atividades forem mal administradas, pode ser que a empresa enfrente problemas.

Elementos da sociedade anônima

Em uma sociedade anônima, existem alguns elementos importantes a serem entendidos para
que se possa compreender o funcionamento desse tipo de empreendimento.

1 Capital1: é soma de toda contribuição dos sócios, isto é, o montante financeiro


pertencente à companhia. Com essa quantia, dá-se início, economicamente, a uma
sociedade. O capital social é expresso em moeda nacional e pode compreender
qualquer espécie de bem que possa ser avaliado em dinheiro durante seu processo de
formação. São instituídas por lei algumas regras que delimitam os valores dos bens que
farão parte do capital social.

2 Valores Mobiliários: são títulos de crédito (ações), emitidos pelas sociedades anônimas
para captação de recursos financeiros. Eles permitem ao sócio participar da sociedade
efetivamente, isto é, pertence ao sócio uma fração de todo capital da empresa.

3 CVM (Comissão de Valores Mobiliários): é um órgão ligado ao Ministério da Fazenda,


responsável por determinar as regras para cada tipo de sociedade, organizar o
funcionamento das bolsas de valores e registrar a distribuição dos valores mobiliários.
Além disso, a CVM ainda tem o poder de apurar e julgar eventuais irregularidades
cometidas no mercado mobiliário, através de inquéritos administrativos.

1
*Redução de capital: pode ocorrer por desvalorização das ações ou por excesso ou falta de subscritores (alguém que ingressa na sociedade,
adquirindo ações); *Aumento de capital: ocorre quando as ações se valorizam ou há entrada de subscritores, pois eles adquirem ações,
aumentando o patrimônio da companhia.

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4 Mercado de balcão: tipo de negociação (compra, venda e distribuição) de ações que


acontece fora da bolsa de valores. As instituições que decidem negociar os valores
mobiliários recebem uma autorização do CVM, que também supervisiona o
funcionamento desse tipo de investimento.

No Brasil, as empresas que usam o mercado de balcão são principalmente as instituições


financeiras e algumas corretoras, que criam um ambiente informatizado e transparente
para as negociações que terão seus mecanismos de autorregulamentação.

5 Debêntures: são títulos de créditos emitidos pelas S.A, valores mobiliários que
representam títulos de dívidas contraídas pelas empresas. A médio e longo prazo, dão
ao debenturista (ou credor) o direito de crédito contra a emissora, no caso, a empresa.

Ele pode pedir a devolução do empréstimo a qualquer momento, com a devida correção
do valor monetário aplicado. A remuneração pode ser feita através de juros fixos ou
variáveis, participação e/ou prêmios, tudo dependendo do contrato que for firmado.

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TIPOS DE SOCIEDADE ANÔNIMA

Os dois tipos de sociedade anônima existentes são as de capital aberto e as de capital fechado.
As suas particularidades e principais características estão especificadas no art. 4º da lei
6.404/76. Segundo descrito na legislação, a empresa pode ser considerada aberta ou fechada,
caso os valores mobiliários sejam ou negociados em bolsa ou no mercado de balcão.

Sociedade Anônima de capital aberto

Uma companhia é assim classificada quando seus valores mobiliários são devidamente
registrados no CVM para negociação na bolsa de valores ou no mercado de balcão. Os
investimentos em S/A de capital aberto acontecem quando o empreendedor objetiva um
grande retorno; para tanto, é necessário juntar uma grande quantidade de recursos com os
sócios.

Esses investimentos são fiscalizados rigorosamente pelo governo, o que garante segurança e
confiabilidade aos negócios para quem investe. A maior vantagem dessa sociedade é a liquidez
que o capital adquire, pois, em casos de vendas de ações, ela se concretiza rapidamente por
causa da boa reputação da empresa.

Sociedade Anônima de capital fechado

São sociedades pequenas, possuem menos de 20 acionistas e a soma de seus patrimônios é


menor do que o estabelecido pela CVM para o registro das S/As de capital aberto. A
característica que a diferencia da outra espécie de sociedade anônima é que as ações desta não
podem ser negociadas no mercado.

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A sociedade, nesse caso, é constituída por sócios que se escolhem. Isso significa restrição na
aceitação de novos sócios dentro do grupo já formado. A subscrição particular da empresa
representa menor liquidez nos investimentos.

É preciso lembrar que esse tipo de empreendimento é feito para empresas de menor porte;
(pequenas e médias) por isso, ocorre mais restrição na aceitação de investidores. Dessa forma,
não há na sociedade anônima fechada forte fiscalização por parte dos órgãos públicos, pois
todos os interesses dos sócios estão esclarecidos em contrato.

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