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Reflexões sobre escola e docência

Reflexões sobre escola e docência: uma análise dos textos, A educação que nos convém;
Mestres de amanhã; e Ciência e a arte de educar de Anísio Teixeira

Ronan Fidelis Pereira

Introdução

O presente trabalho, tem o objetivo de ser uma exposição dissertativa embasada em reflexões
sobre a educação brasileira, no tocante a escola pública. Seguindo a perspectiva dos textos, A
educação que nos convém (1954), Ciência e a arte de educar (1957), e Mestres de amanhã
(1963) de Anísio Teixeira, o intuito será o de argumentar sobre alguns aspectos tanto da escola,
como da docência na sociedade contemporânea. Em vista disso, será feita não somente uma
análise dos textos do autor supramencionado, mas também uma tentativa de relaciona-los com
a sociedade atual, a fim de expor problemas educacionais do século passado que ainda se fazem
vigentes, ou que influenciaram os problemas referentes ao século presente. Dessa forma, a
reflexão aqui feita tem o objetivo apenas expositivo, mas em certa medida, tentará também
apontar a teoria relativa as possíveis soluções, baseadas nas argumentações de Teixeira. Assim
sendo, a partir dessa breve introdução podemos iniciar a argumentação analisando os conceitos
de “educação mística” e “educação mágica”, expostos em A educação que nos convém, que
servirão de base para as conclusões a serem construídas, conjuntamente dos dois outros textos.

(I) A educação que nos convém

É exposto por Teixeira que, o primeiro conceito supracitado, diz respeito a concepção
educacional como uma prática de emancipação espiritual, isto é, uma educação com o viés
apenas humanitário, que visa tornar o homem semelhante aos outros homens, e que tem o intuito

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de lhe dar apenas o mínimo possível de esclarecimento para o convívio político. Essa
concepção, tem a perspectiva de que a educação é um sumo bem ou um bem em si mesma, e
tal perspectiva se verifica no simples fato de que mesmo que um indivíduo não possa assimilar
todo o conteúdo passado na instituição escolar, ele necessariamente aprenderá alguma coisa
sendo partícipe dela, e esse algo aprendido necessariamente será um bem. Dessa forma, a escola
é vista como um bem em si mesma, pouco importando se ela é eficiente ou não, se satisfaz as
necessidades dos estudantes que irão enfrentar uma sociedade exigente, ou se apenas mascara
tais necessidades. É dessa forma que é descrita a concepção mística da educação. Entretanto, é
válido apontar como Teixeira chega a essa conclusão.

Nos primórdios do desenvolvimento educacional, o que denominamos como educação, tem


seus fundamentos na prática da leitura, e nesse caso específico, a leitura da bíblia. De acordo
com as objeções da reforma protestante, a bíblia deveria estar disponibilizada tanto para a
leitura, como para a interpretação de qualquer indivíduo, independentemente de sua classe
social. Em vista disso, a leitura da bíblia foi disseminada nos países denominados ocidentais, e
segundo Teixeira, esse foi o início do movimento de instrução do homem. A partir dessa
iniciação fornecida pela disseminação da leitura da bíblia, o Estado se viu como um encarregado
de ser aquilo a partir do que a instrução do homem é fomentada, pois conforme o progresso da
sociedade, urgia a necessidade do fornecimento dos meios adequados para que o indivíduo se
desenvolvesse de acordo com o meio que lhe cerca. Contudo, o que foi fornecido se traduz
apenas na visão simplória de espiritualizar o homem para convívio político, já que era isso o
que se fazia necessário em épocas anteriores a industrialização, ou seja, apenas um certo tipo
de esclarecimento do indivíduo que pudesse prepara-lo para aquilo que era condizente com seu
meio. Mas como a tendência da sociedade é sempre tornar-se algo diferente do que era, é
evidente que esse método educacional deve tornar-se algo que abranja tais diferenciações, e é
justamente isso o que ocorre nos países denominados desenvolvidos.

Conforme a era industrial foi se estabelecendo, esses países supramencionados conseguiram


fazer com que suas escolas fossem capazes de se adequar as necessidades da nova sociedade
emergente, em vista de preparar os cidadãos para as novas formas de trabalho, convivência,
enfim, para o novo mundo. No entanto, nos países denominados subdesenvolvidos, a mudança
no método educacional não ocorreu, e nem por isso essa nova era descrita deixou de entrar por
suas portas sem bater ou pedir permissão.

Podemos perceber que essa, é a atual realidade brasileira, e segundo os argumentos de Teixeira,
já se fazia presente no século XIX e iria se perdurar nos séculos seguintes como um certo tipo

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de herança. O autor, evidencia que a educação, ainda possuía esse caráter meramente
humanitário no Brasil mesmo após a era dita “moderna” se estabelecer no século mencionado.
A escola, preparava o indivíduo apenas para o convívio político, e não possuía a capacidade de
prepara-lo para as novas formas de trabalho emergentes, o que não condizia com a nova
realidade vigente e o que acarretaria diretamente em problemas de desenvolvimento econômico
da nação. Além disso, Teixeira aponta que esse método educacional conseguiu se enraizar de
tal forma que seria passado para as gerações seguintes como algo constitucionalmente aceito, o
que é uma gritante adversidade presenciada nos dias hodiernos. Dessa forma, tal concepção
mística da educação, além de não enfatizar as reais necessidades tanto do indivíduo como da
sociedade, ela também faz com que a escola possua um caráter absoluto, isto é, tudo aquilo que
a escola pode disponibilizar, por mais que não seja assimilado todo conteúdo transmito, é visto
como um sumo bem.

Com relação ao segundo conceito, a concepção mágica da educação é a perspectiva de que a


educação é uma prática vaga, misteriosa, uma espécie de “atirar-no-que-viu-e-matar-o-que-não-
viu” como nos diz Teixeira. Essa concepção, diz respeito ao fato de que não apenas a população,
mas também o governo, não veem na prática educacional algo que é feito na mais árdua
seriedade e laboriosidade, não compreendem como algo que exige uma determinada demanda
de tempo, dinheiro, esforço, espaço, trabalho, material, enfim, concebem que a educação é algo
feito do nada, e consequentemente, para nada. No que tange a negligência do governo, pode se
notar esse fato atualmente na precariedade de diversas escolas públicas, fato que atinge não
apenas discentes, mas também docentes, que se veem em um ambiente totalmente incapacitado
de exercer sua real função.

Dando continuidade aos argumentos do autor, é válido apenas destacar além desses conceitos
descritos, a “mística do aprimoramento de classe”. Teixeira nos conta que as reivindicações
das classes menos favorecidas concernentes a educação em sua época, eram justamente
relativas ao fato de que, se fosse possível que essas classes tivessem acesso aos cursos
especializados, ou de grau secundário, o pressuposto é que o indivíduo de classe mais baixa,
automaticamente seria transportado para uma mais alta após a conclusão de tal curso. Essa
mística como nos descreve o autor, foi estabelecida pelo motivo de que esses cursos, eram
majoritariamente distribuídos em instituições privadas, e quem tinha acesso a essas instituições,
eram apenas aqueles que possuíam certa renda para manter sua prole nelas, ou os indivíduos de
classe baixa extremamente diferenciados em quesitos intelectuais. Dessa forma, os indivíduos
de classe mais baixa passaram a identificar nesse tipo de conhecimento fornecido em tais

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cursos, o poder de ascensão que pudesse lhes permitir sair de sua classe inferior e desfrutar das
benesses de uma superior. Com base nisso, é evidente que podemos presenciar os resquícios
dessa concepção de Teixeira na atualidade, porém, o que ele nos explicita é que nem a escola,
nem algum tipo de curso especializado poderá fornecer a um indivíduo essa transposição de
classe, trata-se de uma mística.

A partir da exposição desses conceitos fornecidos por Teixeira, podemos perceber que eles são
completamente atuais. Pode até ser dito, que eles nos explicitam o fato de que o indivíduo
contemporâneo, permeia entre valores equívocos no que tange seu processo educacional, e uma
sociedade completamente diversificada que exige muito mais que uma educação mística ou
mágica daqueles que irão se inserir nela. Grande é o impasse em que se encontra o indivíduo
hodierno! Em vista disso, também podemos perceber que o navio da docência no Brasil, é
aquele navio cujo único mar a ser navegado é o tempestuoso e turbulento, denominado “atual
educação brasileira”. Ao trazermos esses conceitos para os tempos hodiernos, percebemos que
eles ainda estão vigentes na educação, e o que também se mostra evidente, é que a sociedade
cobra muito mais do que aquilo que é passado nas instituições escolares, que perdem cada dia
mais o seu valor intrínseco de educadoras.

De acordo com esses argumentos, é notável que a mística e a mágica descritas por Teixeira,
condizem com aquilo que estamos presenciando nos dias de hoje no que concerne a educação,
e as conclusões que tentaremos chegar com relação a escola e docência, possuem uma intrínseca
relação com esses conceitos, mas antes, também será exposto alguns pontos das argumentações
relativas aos outros dois textos que ainda não foram explicitados, em vista de relaciona-los com
a temática proposta.

(II) Mestres de amanhã

Em Mestres de amanhã, temos a descrição dos problemas que os docentes dos dias hodiernos
enfrentam e que os futuros docentes enfrentarão nessa carreira de mais alta excelência, que
infelizmente não recebe o devido valor dentro da sociedade. Uma carreira que por si só já se
configura em algo complexo, porém, nos tempos ditos “modernos”, essa complexidade se
aumenta gradativamente. Como já foi dito na argumentação, a sociedade é sempre um tornar-
se algo, e atualmente, é mais difícil que uma sociedade se estagne diante de tanto conhecimento
disseminado por diversas vias de comunicação.

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A partir dessa disseminação descrita, são elaboradas inúmeras interpretações e assimilações,


que fazem com que não só meio social, mas também o indivíduo, estejam em constante
evolução. Entretanto, por mais que isso seja benéfico em certa medida, também há o lado
maléfico da história, pois essas vias de comunicação, além de se utilizarem de diversas formas
impactantes de passar sua mensagem, se utilizam disso para propagar o consumismo
exacerbado e pensamentos equívocos no que tange a realidade. Dessa forma, como essas vias
são extremamente atrativas e populares, o que está se constituindo através delas seria um novo
método de busca por conhecimento, o que faz com que a escola e o docente, percam seu caráter
de únicos possuidores e distribuidores da sabedoria.

Por mais que a sociedade do tempo de Teixeira já se encaminhava para a denominada


“comunicação globalizada”, suas principais vias de comunicação não tinham a mesma
abrangência da atualidade. Hoje, podemos perceber que o que foi dito por esse autor referente
a essas vias, reflete diretamente na realidade, pois é notável a presença de diversas vias de
comunicação que além de serem mais atrativas que antes, são mais gananciosas, onde não
apenas conteúdos com o suposto caráter de verdade são disseminados, mas também conteúdos
que influenciam os indivíduos para o consumismo, ou os submetem a crença em perspectivas
equívocas do real em vista da alienação e manipulação. Além disso, também é válido destacar
que o caminho que estava sendo percorrido para a “comunicação globalizada” como nos diz
Teixeira, já chegou ao seu trajeto final, visto que hoje, a internet reflete muito bem o que o autor
queria dizer com isso.

A sociedade denominada “científica”, propiciou diversos desenvolvimentos em diversas áreas


do conhecimento, mas deve-se levar em conta o prejuízo disso tudo, já que a educação fica cada
vez mais fraca, e a tecnologia de que se usa propaganda para propagar conhecimentos
equívocos, está cada vez mais forte. Dessa forma, o mestre do amanhã de Teixeira, deverá ser
extremamente flexível, já que a sociedade está estabelecida dessa forma. O educador deverá
cada vez mais se tornar apto aos novos métodos que estão surgindo, pois quanto mais a
sociedade evolui, mais ela se torna exigente, e aquilo que tange o meio social e o trabalho,
consequentemente ficam cada vez mais diversificados.

Essa foi uma breve síntese de alguns argumentos de Teixeira, referentes a perspectiva
apresentada no segundo texto e que irá ser utilizada nas argumentações finais do trabalho.
Assim sendo, será exposto a seguir a perspectiva que também será utilizada referente ao terceiro
e último texto do autor em questão.

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(III) Ciência e a arte de educar

Resta-nos agora, como foi dito, expor a argumentação referente ao último texto de Teixeira a
ser analisado. Assim sendo, esse texto nos remete ao fato da necessidade da introdução do
método científico na educação. Essa introdução, não se trata da constituição de uma “ciência
da educação”, como nos diz Teixeira, se trata da aplicação do método cientifico para que a
educação possa abranger o progresso da sociedade, e não o simples estabelecimento de práticas
ou técnicas relativas à ciência no meio educacional. Também é válido ressaltar que para
Teixeira, toda ciência é uma arte, e no caso da educação como uma ciência, consequentemente
o artista será o educador, assim como o médico é artista da arte da medicina.

Em vista desse fato artístico, é exposto que para um estabelecimento efetivo da educação como
ciência, o educador deve ter em mente o conhecimento daquilo com que está lidando, e os
métodos de se operar com esse conhecimento. Além disso, outra das condições fundamentais
expostas pelo autor para que essa aplicação possa ocorrer, seria a compreensão de que o
estabelecimento escolar, deve possuir uma estrutura capacitada. Dessa forma, a perspectiva que
o autor está sugerindo, é de se levar a educação ao mesmo patamar de outras ciências
organizadas ou sistematizadas, como a engenharia e a medicina, ou seja, na visão de Teixeira,
é necessário que a educação se estabeleça da mesma maneira que essas outras áreas se
estabeleceram para ser tornarem propriamente científicas.

Assim sendo, com relação a ciência, ela é constituída a partir de um corpo sistemático de
conhecimentos estabelecidos conforme regras e leis, e além disso, esse corpo sistemático deve
possuir algo que seja capaz de alicerça-lo. Em vista disso, anteriormente ao desenvolvimento
de qualquer corpo sistemático, o seu fundamento deverá se desenvolver, pois como no caso da
medicina, o desenvolvimento dessa ciência só ocorreu após o desenvolvimento das ciências
biológicas, que se constituem em seu princípio. Desse modo, para que a educação se desenvolva
como as outras ciências organizadas, deve-se antes desenvolver seus alicerces. Com isso, tais
alicerces são denominados por Teixeira de “ciências fonte”, que no caso da educação, essas
ciências são a psicologia, antropologia e sociologia.

De acordo com esses argumentos, a perspectiva é de se criar educadores cientistas, não apenas
no intuito de que essas ciências fontes auxiliem na aplicação do método científico-educacional,
mas também, que os profissionais dessas ciências visem seus estudos no que tange a educação.
Por fim, é válido ressaltar que Teixeira, enfatiza a precaução para que tal desenvolvimento não

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vá para caminhos equívocos, como no caso do distanciamento entre ciência e filosofia. Segundo
o autor, não há ciência sem filosofia, já que toda ciência nasce da filosofia. A filosofia se
constitui na “teorizadora das práticas científicas”. O que Teixeira nos alerta é que, quando uma
ciência é desenvolvida, isso sempre ocorre a partir de um distanciamento de sua filosofia
originária, mas disso não faz ser necessário que a ciência abandone toda a filosofia em si, ela
deve abandonar aquela que já não é suficientemente abrangente em suas teorias.

(IV) Conclusões sobre os textos

Com base na argumentação, é válido destacar que apenas o primeiro texto foi descrito
amplamente, pois, as conclusões que serão feitas aqui, terão como base a concepção mística e
mágica da educação. Entretanto, os outros dois textos serão de auxilio nas conclusões, visto que
as temáticas estão totalmente relacionadas, e dessa forma, eles serão complementares no que
será dito.

Portanto, para concluir todo esse raciocínio que foi constituído até aqui, podemos destacar o
fato de que aquilo que Teixeira está dizendo em seus textos, reflete diretamente na sociedade
atual. É explicito que tanto a escola em si, como a visão que a população e o governo têm desse
estabelecimento, é semelhante aos conceitos fornecidos pelo autor no primeiro texto analisado.
Tudo se trata de uma mística e de uma mágica. Além do fato de que a escola ainda é vista como
um bem em si mesma independentemente de sua precariedade, ela é negligenciada tanto pela
sociedade, como pelo governo.

É válido enfatizar que educação, não se faz a ex nihilo como pensa o senso comum, é necessário
fomento, capital, estabelecimentos condizentes com a realidade tecnológica e diversificada,
enfim, tudo que possa ser capaz de fornecer os suprimentos necessários para o desenvolvimento
de um indivíduo, e consequentemente, da sociedade. Como a sociedade hodierna é cada vez
mais flexível, a escola e o educador também devem possuir esse caráter, e o Estado, deve ser o
fornecedor e não o expropriante de subsídios, investindo tanto nos educadores, como nas
escolas públicas, pois o indivíduo que saíra dali, fará parte da sociedade, e para que ele possa
contribuir de alguma maneira para o desenvolvimento do meio social, ele necessariamente deve
estar preparado para isso.

Assim sendo, traremos os textos em cena, dizendo que a concepção educacional não pode ser
mística nem mágica como nos diz Teixeira, e como podemos presenciar atualmente. A escola

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deve, não apenas fornecer o suprimento de esclarecimento do indivíduo para convívio social,
ela deve fornecer também o suprimento necessário para que o indivíduo possa sair dali mais
capacitado naquilo em que ele possui como melhor aptidão. Em vista disso, como a sociedade
é flexível, a escola também deve ser, como já foi dito. Ela deve estar capacitada para anteder as
necessidades de um indivíduo, e deve possuir a predisposição de torna-lo melhor naquilo em
que ele é melhor, ou seja, a escola deve estar inclinada à mostrar-lhe o caminho, e isso, não é
no sentido do melhor caminho a ser seguido, mas no sentido de mostrar-lhe o caminho em que
suas oportunidades de fazer e se beneficiar do melhor são maiores.

Na maioria dos casos, tomando como base o ensino médio atual, o estudante nem sabe ao certo
o que fará quando terminar seu período na escola, também não sabe se deseja um curso superior
ou um trabalho específico, e se deseja um curso superior ou um trabalho, não sabe em qual área
irá se ingressar. Esse fato, é um belo exemplo da diversidade presente na sociedade, e que a
escola não possui a capacidade de incrementar as aptidões inerentes a um indivíduo. Dessa
forma, urge que o Estado revise seus parâmetros educacionais em vista de fazer da escola um
espaço de desenvolvimento não apenas do indivíduo, mas de toda nação. Não há possibilidades
de uma nação se desenvolver economicamente sem fomento educacional, pois, se não há
indivíduos capacitados para operar nos diferentes tipos de trabalho que surgem a cada dia, como
haverá desenvolvimento? Assim sendo, faz-se necessário o investimento nas escolas e nos
profissionais educadores, em vista de se tornarem capacitados à sociedade flexível.

Com relação aos educadores, podemos trazer em cena o segundo texto analisado. Percebemos
que o texto, diz respeito ao fato de que os docentes se veem num impasse, pois quanto mais
tecnológica a sociedade se torna, menos precisa nesse contexto é sua profissão, já que, como
diria um estudante hodierno: “se basta jogar no Google que ele te responde”, qual a necessidade
de um educador para sanar minhas dúvidas? O educador, como nos diz Teixeira, deve estar apto
para não ser apenas um auxiliar nessa nova era da “comunicação globalizada”, sua função deve
ainda possuir o caráter disseminador do conhecimento. A solução para esse impasse, estaria na
abrangência da profissão de docente a esses novos meios de comunicação, mas para que isso
ocorra, o “palco do artista” como nos diz o terceiro texto, deve estar bem estruturado, pois
somente assim sua arte será praticada da maneira mais sublime.

Desse modo, com a escola já inserida nessa era supracitada, o educador se utilizaria da
tecnologia e das diversas informações disseminadas por ela, mas no intuito de estabelecer uma
espécie de filtro dessas informações, selecionado aquilo que é o correto e evitando aquilo que
é equivoco, pois, o que é disseminado por esses meios, na maioria das vezes possuem apenas

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uma ilusão de verdade. O intuito dessas mudanças no âmbito educacional, segundo Teixeira,
seria de o de se fazer do indivíduo, não mais um joguete nas mãos das propagandas e
pseudoconhecimentos, isto é, para que ele não seja mais um “ser para o outro”, e esse intuito,
só ocorrerá através do refreamento das propagandas bombardeadas pelo choque imagético da
mídia, já que elas visam o indivíduo apenas em sentido de aliena-lo, arquitetando o cenário em
que a situação permanece inalterada. Dessa forma, com o fomento da capacitação dos
profissionais educadores, tal refreamento poderia se estabelecer em nosso contexto, visto que
os educadores, estariam qualificados no que tange a flexibilidade da sociedade e seus novos
meios de comunicação, possibilitando assim uma desmitificação daquilo que é reproduzido
com a aparência da realidade por parte desses profissionais.

Também podemos perceber uma certa relação do terceiro texto analisado com tudo isso o que
foi dito, visto que para se modificar tanto a escola como as práticas educadoras na perspectiva
do desenvolvimento social, a ciência propriamente dita deve estar intrinsecamente ligada ao
método educacional. A aplicação da ciência na educação é fundamental para que a escola possa
abranger a sociedade nova, e aí se entra a ênfase dada por Teixeira na nossa área de estudos,
que é a filosofia. Como já foi dito, não há ciência sem filosofia, e dessa forma, as teorias
estabelecidas filosoficamente, devem ser capazes de se constituir num fundamento eficiente
para toda essa diversidade já descrita. Além disso, também é válido destacar a importância não
apenas do suporte de outras áreas como a psicologia, antropologia e sociologia, mas a união da
educação com todas elas para a constituição de um método educacional cientifico, visando o
desenvolvimento do homem e do meio social.

Através de toda essa argumentação, podemos perceber que o caminho a ser percorrido para se
atingir o destino de uma educação eficiente e que vise o nutrimento e expansão não só do
indivíduo, mas também da sociedade, é um caminho extenso e árduo, de acordo com a
perspectiva de Teixeira. Entretanto, a falta que se faz presente não é relativa aos teorizadores
para o estabelecimento da práxis, o que realmente se faz ausente é o auxílio do Estado, que por
possuir uma perspectiva simplória ou simplesmente dominadora e alienante, mantém os
indivíduos a mercê dos choques imagéticos da mídia, que impulsionam o consumismo
exacerbado de produtos desnecessários. A mídia, cria a falsa necessidade desses produtos
através do choque imagético, e o indivíduo, incapacitado de refrear tais choques pelo motivo
de não possuir o discernimento necessário para isso, acaba por ser adentrar nesse mundo
ilusório, negligenciando o que realmente é essencial para seu ser.

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Como já foi dito, urge a intervenção do Estado nessa situação, pois as consequências quando
chegarem [se já não chegaram], afetaram a todos e não apenas aqueles que fora tirado o direito
de uma educação de qualidade. Em vista disso, todo esse raciocínio é em vista de uma melhoria
da qualidade das escolas públicas, ou seja, é a tentativa de evidenciar a necessidade do fomento
do Estado no que tange a educação. E isto, é no sentido de que o ambiente educacional, deve
estar propicio para exercer sua real função, é no sentido da melhoria do que é transmitido nesse
ambiente. O Estado, também deve fomentar o investimento na carreira da docência, dando-lhe
seu devido valor e fornecendo-lhe as devidas ferramentas. Por fim, mas não menos importante
e identicamente urgente como nas objeções supramencionadas, se faz necessário o refreamento
da mídia e dos choques imagéticos, em vista de evidenciar as verdadeiras necessidades de um
cidadão dos tempos atuais, e não as falsas necessidades criadas em vista do lucro.

Para concluir os raciocínios aqui estabelecidos, é válido dizer que no Brasil, temos belos
exemplos de alunos de escola pública que passaram nos mais difíceis vestibulares desse país.
No entanto, também é válido dizer que é evidente a ineficácia da escola pública mesmo com
esses exemplos descritos, visto que os casos de analfabetismo funcional e de total analfabetismo
no país são gritantes. O motivo dessa ineficácia, é o fato de que não é dado o devido valor pelo
Estado as instituições destinadas a educação, bem como aos indivíduos que se fazem presentes
nela como trabalhadores, educandos e educadores. Com base nisso, pode se dizer que a escola,
necessita possuir os meios para proporcionar uma visão diferenciada e flexível aos indivíduos,
como a sociedade que o cerca. O Estado por sua vez, é quem deve suprir, e não aumentar essa
necessidade à beira da ruína.

Talvez a argumentação aqui exposta, não passe de meros devaneios ou de uma perspectiva
utópica. Entretanto, ela aponta para um problema real da atualidade que necessita ser
contornado: o estabelecimento de um lugar propício ao “movimento de expansão do ser”. Dessa
forma, como denominamos esse movimento de expansão do ser de educação, e como educação
acontece é na escola, esse ambiente deve necessariamente ser um que fomente uma boa
constituição daqueles que irão vir a ser cidadãos. O ambiente escolar, deve fomentar o
desenvolvimento tanto pessoal como profissional, pois somente assim, a sociedade enquanto
tal terá a possibilidade de um real desenvolvimento.

Referências bibliográficas:

TEIXEIRA. A. A educação que nos convém (Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio
de Janeiro, v.21, n.54, abr./jun. 1954. p.16-33).

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Reflexões sobre escola e docência

TEIXEIRA. A. Mestres de amanhã (Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de


Janeiro, v.40, n.92, out./dez. 1963. p.10-19).

TEIXEIRA. A. Ciência e a arte de educar (Educação e Ciências Sociais. v.2, n.5, ago. 1957.
p.5-22).

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