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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA

CRIMINAL DA COMARCA DE NOVO GAMA/GOIÁS

Autos Nº: 201501107849

Autor: Ministério Público

Acusado: João Vieira Gonçalves

JOÃO VIEIRA GONÇALVES, já qualificado nos autos em epígrafe, através de seu


representante, vem perante Vossa Excelência com fulcro no artigo 403, §3º, do Código de
Processo Penal (CPP), apresentar MEMORIAIS na presente ação penal.

1- SINOPSE FÁTICA

Narra a peça acusatória que na data de 28 de março de 2015, por volta das 12h e 20min,
em via pública, na Avenida Central, Conjunto HI, próximo a rodoviária, neste município, o
denunciado João Vieira Gonçalves, praticou lesão corporal na direção de veículo automotor,
atropelando a vítima Matheus Rocha Pereira, causando-lhe ferimentos, conforme relatório
médico de fls. 09, deixando ainda de prestar socorro àquela.

De acordo com a suposta vítima, o denunciado João Vieira Gonçalves estaria


embriagado e, ao atropelá-lo, nas imediações de um posto de gasolina, desceu de seu veículo e
perguntou se este estava bem. Questionado por Matheus se não iria lhe prestar devido socorro,
João evadiu-se do local e logo foi perseguido por amigos da vítima que acionaram a Policia
Militar, a qual prendeu o denunciado em flagrante delito em um restaurante a poucos metros do
local dos fatos.

Dessa forma o Órgão Ministerial ofereceu denúncia, capitulando o autor com fulcro nos
artigos 303 e 306 da Lei nº 9.503/97 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A denúncia foi
recebida em 13 de abril de 2015, conforme fl. 38.

2- MÉRITO
Narra à peça acusatória que, no dia 28 de março de 2015, João Vieira Gonçalves
atropelou Matheus Rocha Pereira, o qual teria este realizado exame de corpo de delito (exame
médico) para comprovar as escoriações supostamente sofridas em virtude da infração.

No entanto, não restou cabalmente demonstrado nos autos, a ocorrência do fato narrado
na denúncia(lesão corporal por veículo automotor) bem como autoria.

No exame médico, por exemplo, foi constatada uma lesão do tipo “equimose lombar na
parte esquerda do torso”, que não se trata de uma lesão característica apenas de atropelamento.
Vale ressaltar que não houve perícia no carro do denunciado, corroborando ainda mais
incertezas sobre a autoria e materialidade.

Conforme declarações de João Vieira Gonçalves, o atropelamento não chegou a


acontecer, não sabendo a razão das lesões apresentadas pela vítima.

Da mesma forma, a prova não revelou, sem sombra de duvida, que o acusado estava
embriagado ao dirigir o veículo automotor, pois este foi preso em flagrante após o suposto
acidente, e quando estava almoçando em um restaurante, oportunidade em que teria ele ingerido
bebida alcoólica. Vale dizer, a ingestão de bebida alcoólica ocorreu apenas após ter ele
conduzido o veículo até o restaurante. Neste sentido, podem-se conferir as declarações do
acusado, assim como a da testemunha JOSÉ ROBERTO VIEIRA SANTANA.

Assim, não ficou suficientemente comprovado o fato narrado na exordial acusatória,


bem como a autoria das lesões causadas à vítima, razão por que, absolvição é medida que se
impõe.

Consoante com a pretensão da absolvição em face da falta de provas cabais que poderiam
condenar o réu, temos o entendimento do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul:

E M E N T A – APELAÇÃO CRIMINAL – RECURSO


MINISTERIAL – ROUBO MAJORADO –

FALTA DE PROVAS CONCRETAS ACERCA DA


AUTORIA – ABSOLVIÇÃO MANTIDA –

RECURSO PROVIDO. No caso dos autos realmente as


provas são frágeis, os únicos elementos são a confissão
extrajudicial do réu, retificada em juízo, e a imputação
indiciária do coautor Francis, não confirmada sob o crivo
do contraditório e ampla defesa. Os testemunhos dos
policiais nada acrescentam aos fatos. A vítima, em juízo,
relatou não ser possível identificar os autores do roubo,
por estarem usando capacetes e armados. O ônus da
prova incumbe a quem alega e, nesse caso, não se
desincumbiu de fazê-lo a acusação. A condenação exige
certeza absoluta, fundada em dados objetivos
indiscutíveis que demonstrem o delito e a autoria, não
bastando nem mesmo a alta probabilidade. Assim, in
casu, milita em favor do acusado a dúvida e em atenção
ao princípio do in dubio pro reo, deve ser mantida a
absolvição. Contra o parecer, recurso não provido. (TJ-
MS 00145558720158120001 MS 0014555-
87.2015.8.12.0001, Relator: Des. Dorival Moreira dos
Santos, Data de Julgamento: 05/10/2017, 3ª Câmara
Criminal).

Na hipótese de uma sentença condenatória, o que se admite apenas em atenção ao


Princípio da Eventualidade, haveria que se aplicar a pena no mínimo legal cominado aos tipos,
em concurso formal, conforme julgado abaixo colacionado do Tribunal de Justiça do estado de
Goiás:

APELAÇÃO CRIMINAL. CRIMES DE TRÂNSITO.


LESÃO CORPORAL CULPOSA E EMBRIAGUEZ AO
VOLANTE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO.
INAPLICABILIDADE. Os crimes de embriaguez ao
volante e o de lesão corporal culposa em direção de
veículo automotor são autônomos, não sendo o primeiro
meio necessário, nem fase de preparação ou execução
para o cometimento do segundo. Portanto, não há que se
falar em absorção das condutas. 2- REDUÇÃO DA
PENA-BASE. POSSIBILIDADE. ATECNIA
CONSTATADA. Constatado equívoco na análise da
circunstância judicial da culpabilidade, deve a pena-base
ser redimensionada para o mínimo legal, na ausência de
nenhuma outra circunstância desfavorável. 3-
APLICAÇÃO DO CONCURSO FORMAL EM
DETRIMENTO DO CONCURSO MATERIAL.
Restando claro que a ré, com uma só ação, praticou os
dois delitos na direção de veículo automotor, forçoso
reconhecer o concurso formal de crimes e não o concurso
material, consoante se vê na sentença, sendo devida a
reestruturação da pena final imposta. APELO
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.

(TJ-GO - APR: 02959177420158090175, Relator: DES.


LEANDRO CRISPIM, Data de Julgamento: 13/03/2018,
2A CAMARA CRIMINAL, Data de Publicação: DJ 2481
de 09/04/2018)
4 - DO PEDIDO

Antes o exposto, requer que sejam julgados improcedentes os pedidos da denúncia para
absolver o acusado nos termos do artigo 386, inciso II e VII do Código de Processo Penal. No
caso de eventual condenação, seja a pena fixada no mínimo em concurso formal consoante ao
artigo 70 do Código Penal.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Goiânia, 28 de maio de 2019

_______________________________________________

Advogado
OAB/GO XXXX

ALUNOS:

Gilvan de Barros Pinangé Neto


Giselly Santos Guimarães
Lidya Santos Moreira da Silva
Pedro Henrique Fernandes Mesquita de Oliveira
Rayner Abreu e Silva
Tálita Vieira Santa Barbara