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1ª - Questão:

Lei Distrital dispôs sobre a emissão de certificado de conclusão do ensino médio, no sentido
de que as escolas expedirão o respectivo certificado e o histórico escolar aos alunos da
terceira série de ensino médio que comprovarem aprovação em vestibular para ingresso em
curso de nível superior, independente do número de aulas frequentadas pelo aluno. Deverá o
referido documento ser providenciado em tempo hábil de modo que o aluno possa matricular-
se no curso superior para o qual for habilitado.
Inconformada, a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino propôs ação
arguindo a inconstitucionalidade da referida lei. Comente a hipótese discorrendo a respeito
dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e recepção da norma.

A lei padece de inconstitucionalidade, já que os Estados e o Distrito Federal


somente possuem competência suplementar para legislar sobre a matéria, consoante o art.
24, §2º da CF/88. Cabe à União legislar sobre normas gerais, conforme o art. 24, §1º.
Quando o DF extrapolou seu âmbito legislativo, feriu os princípios da
razoabilidade e proporcionalidade.
Sobre o caso em tela, o STF, na ADI 2667, decidiu nesse linha de intelecção:

E M E N T A: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - LEI


DISTRITAL QUE DISPÕE SOBRE A EMISSÃO DE CERTIFICADO DE
CONCLUSÃO DO CURSO E QUE AUTORIZA O FORNECIMENTO DE
HISTÓRICO ESCOLAR PARA ALUNOS DA TERCEIRA SÉRIE DO ENSINO
MÉDIO QUE COMPROVAREM APROVAÇÃO EM VESTIBULAR PARA
INGRESSO EM CURSO DE NÍVEL SUPERIOR - LEI DISTRITAL QUE
USURPA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA OUTORGADA À UNIÃO
FEDERAL PELA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA - CONSIDERAÇÕES EM
TORNO DAS LACUNAS PREENCHÍVEIS - NORMA DESTITUÍDA DO
NECESSÁRIO COEFICIENTE DE RAZOABILIDADE - OFENSA AO
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE - ATIVIDADE LEGISLATIVA
EXERCIDA COM DESVIO DE PODER - PLAUSIBILIDADE JURÍDICA DO
PEDIDO - DEFERIMENTO DA MEDIDA CAUTELAR COM EFICÁCIA "EX
TUNC". A USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA, QUANDO
PRATICADA POR QUALQUER DAS PESSOAS ESTATAIS, QUALIFICA-SE
COMO ATO DE TRANSGRESSÃO CONSTITUCIONAL. - A Constituição da
República, nas hipóteses de competência concorrente (CF, art. 24),
estabeleceu verdadeira situação de condomínio legislativo entre a União
Federal, os Estados-membros e o Distrito Federal (RAUL MACHADO
HORTA, "Estudos de Direito Constitucional", p. 366, item n. 2, 1995, Del Rey),
daí resultando clara repartição vertical de competências normativas entre
essas pessoas estatais, cabendo, à União, estabelecer normas gerais (CF,
art. 24, § 1º), e, aos Estados-membros e ao Distrito Federal, exercer
competência suplementar (CF, art. 24, § 2º). - A Carta Política, por sua vez,
ao instituir um sistema de condomínio legislativo nas matérias taxativamente
indicadas no seu art. 24 - dentre as quais avulta, por sua importância, aquela
concernente ao ensino (art. 24, IX) -, deferiu ao Estado-membro e ao Distrito
Federal, em "inexistindo lei federal sobre normas gerais", a possibilidade de
exercer a competência legislativa plena, desde que "para atender a suas
peculiaridades" (art. 24, § 3º). - Os Estados-membros e o Distrito Federal não
podem, mediante legislação autônoma, agindo "ultra vires", transgredir a
legislação fundamental ou de princípios que a União Federal fez editar no
desempenho legítimo de sua competência constitucional e de cujo exercício
deriva o poder de fixar, validamente, diretrizes e bases gerais pertinentes a
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determinada matéria (educação e ensino, na espécie). - Considerações
doutrinárias em torno da questão pertinente às lacunas preenchíveis. TODOS
OS ATOS EMANADOS DO PODER PÚBLICO ESTÃO
NECESSARIAMENTE SUJEITOS, PARA EFEITO DE SUA VALIDADE
MATERIAL, À INDECLINÁVEL OBSERVÂNCIA DE PADRÕES MÍNIMOS DE
RAZOABILIDADE. - As normas legais devem observar, no processo de sua
formulação, critérios de razoabilidade que guardem estrita consonância com
os padrões fundados no princípio da proporcionalidade, pois todos os atos
emanados do Poder Público devem ajustar-se à cláusula que consagra, em
sua dimensão material, o princípio do "substantive due process of law". Lei
Distrital que, no caso, não observa padrões mínimos de razoabilidade. A
EXIGÊNCIA DE RAZOABILIDADE QUALIFICA-SE COMO PARÂMETRO DE
AFERIÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE MATERIAL DOS ATOS
ESTATAIS. - A exigência de razoabilidade - que visa a inibir e a neutralizar
eventuais abusos do Poder Público, notadamente no desempenho de suas
funções normativas - atua, enquanto categoria fundamental de limitação dos
excessos emanados do Estado, como verdadeiro parâmetro de aferição da
constitucionalidade material dos atos estatais. APLICABILIDADE DA TEORIA
DO DESVIO DE PODER AO PLANO DAS ATIVIDADES NORMATIVAS DO
ESTADO. - A teoria do desvio de poder, quando aplicada ao plano das
atividades legislativas, permite que se contenham eventuais excessos
decorrentes do exercício imoderado e arbitrário da competência institucional
outorgada ao Poder Público, pois o Estado não pode, no desempenho de
suas atribuições, dar causa à instauração de situações normativas que
comprometam e afetem os fins que regem a prática da função de legislar.
(....) ". (ADI 2667 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno,
julgado em 19/06/2002, DJ 12-03-2004 PP-00036 EMENT VOL-02143-02
PP-00275)

2ª - Questão:
PROVA ESPECÍFICA PARA INGRESSO NA CARREIRA DA MAGISTRATURA - RJ

XXIX Concurso (08/04/98)

O Promotor de Justiça da sua Comarca requereu, com fundamento no artigo 247, § 2º, do
ECA, a apreensão de toda a edição do Jornal local relativa ao dia 08.04.98, por ter divulgado
assalto com emprego de arma praticado por dois menores (15 e 16 anos de idade) residentes
na cidade. Em face da liberdade de informação garantida na Constituição Federal, como
decidiria a questão?

Fundamente.

No caso em tela, na colisão entre o princípio da dignidade da pessoa humana


e privacidade dos menores e da liberdade de informação, deve prosperar a interpretação que
garante a proteção da imagem dos adolescentes.
Nesse diapasão, o art. 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que:
“O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade, física, psíquica e moral da
criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da
autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais”.
Também nessa esteira está o art. 143 do mesmo diploma legal: “Art. 143. É
vedada a divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças
e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional. Parágrafo único. Qualquer notícia
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a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia,
referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e
sobrenome”.
Segundo Nucci (2016, p. 205):

A imagem (foto, filme, enfim, o retrato de alguém) das crianças e dos


adolescentes não deve ser exposta a público, por meios de comunicação,
sem autorização dos pais ou responsável; em alguns casos, do juiz. O mesmo
se diga quanto à identidade (nome, filiação e outros dados individualizadores
do ser humano em sociedade). Essa preservação da identidade pode ser
particularmente relevante para o caso de processos envolvendo a prática de
atos infracionais (art. 247 deste Estatuto, prevendo infração administrativa
para essa divulgação).

Restrição à imprensa: nenhum direito é absoluto, mesmo quando se trata de


direito extraído de norma constitucional. Há de existir uma composição
harmônica de interesses para que, a cada momento ou período determinado,
um possa prevalecer sobre o outro, mas nunca de forma permanente. No
caso presente, há de se ressaltar o princípio da publicidade dos atos
processuais, como regra, mas comportando a exceção do sigilo nos casos
apontados pelo art. 5.º, LX, da Constituição Federal (como indicado na nota
anterior), resguardando-se a intimidade e o interesse social. Por outro lado, o
art. 220, § 1.º, da CF menciona que “nenhuma lei conterá dispositivo que
possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em
qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5.º, IV,
V, X, XIII e XIV”. O inciso X do art. 5.º preceitua serem “invioláveis a
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o
direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.
Diante disso, a liberdade de imprensa enfrenta a restrição imposta pelo
respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas,
permitindo que a lei ordinária, no caso este parágrafo do art. 143 do ECA,
estabeleça restrições à notícia envolvendo a identificação da criança ou
adolescente, vedando-se fotografia (imagem fixa em base material ou
dinâmica em formato de filme), referência a nome (prenome e/ou
sobrenome), apelido (alcunha que permite a identificação de alguém por
outras pessoas), filiação (nome dos pais), parentesco (nome dos avós, tios,
primos, sobrinhos etc.), residência (lugar de moradia temporária ou
permanente) e iniciais do nome e sobrenome (M. S. = Marcos Silva). Essa
última parte foi introduzida pela Lei 10.746/2003, pois a imprensa já estava
acostumada a divulgar as iniciais dos nomes dos menores envolvidos em atos
infracionais. Verificou-se que esses mínimos dados davam ensejo ao
reconhecimento de quem se tratava, ao menos na comunidade onde o jovem
residia. Cortou-se toda e qualquer espécie de apontamento indicativo da
pessoa menor de 18 anos autora de ato infracional. A meta é a preservação
absoluta da intimidade dessas crianças e adolescentes, que, por mais grave
que tenha sido o ato praticado, somente tem chance de recuperação e
reestruturação interior e familiar se não sofrerem pressões externas
estigmatizantes. Quem infringir essa norma está sujeito ao art. 247, § 1.º,
desta Lei.

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