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Os Moravianos e outras religões populares

Um lugar especial para o trombone no louvor cristão será evidente nos próximos capítulos. Isso
se deve em parte a prática iniciada no século XVI do trombone dobrar as partes vocais na
música dos principais centros católicos, mas será errôneo assumir que o subsequente uso do
trombone no contexto sacro se originou aqui. A dobradura e a substituição das linhas vocais
pelo trombone na música litúrgica católica foi, em qualquer caso, uma prática não universal.
Além disso, o papel do instrumento no repertório sacro protestante deve ser visto em termos
um pouco diferentes. Enquanto certos movimentos protestantes tais como luteranos e os
anglicanos são claramente devedores do catolicismo (por exemplo, na manutenção da forma
original da missa), seu desenvolvimento foi distinto. Charlotte Leonard, em seu estudo da
música sacra do protestantismo germânico no século XVII, identificou quatorze diferentes
funções musicais para o trombone em um amplo e diverso repertorio.1

Foi durante o início do século VII, talvez um pouco depois, que a utilidade funcional básica do
grupo de trombones como parte do louvor popular, se tornou evidente. O ponto de mudança
pode ser traçado no tempo em que o canto congregacional homofônico de hinos e corais, se
tornou comum no continente europeu. O canto congregacional de corais foi incorporado ao rito
luterano: isto pode ser visto, por exemplo, quando o padre toma seu lugar no púlpito, e como a
comunhão é distribuída. Cada coral era precedido usualmente por um prelúdio tocado no órgão,
mas um coro de trombones foi usado para acompanhar a congregação no canto. O apelo do
trombone para doutrina protestante é fácil de entender. O som de um grupo de trombones
aumenta e embeleza as sonoridades vocais, mas não torna obscuro o significado dos textos das
escrituras cantadas. Poderia ser dito que o trombone foi valorizado no protestantismo pela
dualidade e por uma razão paradoxal: por um lado sua habilidade de aumentar o status artístico
da música sacra, e por outro lado a sua relativa neutralidade de seu impacto sobre a clareza das
escrituras. Assim, um grupo de trombones (ou trombones e cornetts), pode ser visto nos
mesmos termos estéticos que um órgão, provendo uma música complementar ao significado
do louvor.

A popularidade do instrumento pode ser mais demonstrada através de uma prática simples: a
correspondência quase exata das partes vocais do coral com os trombones (às vezes juntamente
com cornetts), e a facilidade com que eles poderiam ser adaptados aos caprichos melódicos dos
órgãos da igreja. O som de um grupo de trombones tocando em estreita harmonia, talvez com
um órgão, foi percebido como um acompanhamento particularmente adequado para a
comunicação espiritual. A maneira e o estilo em que os trombones foram usados em tais
contextos são enormemente variados, e tem que ser dito que outros instrumentos e grupos de
instrumentos podem ter encontrado similarmente um lugar no ritual religioso, mas para
algumas congregações o trombone tem um lugar especial. O exemplo mais marcante e
sustentado é o dos morávios, especialmente aqueles que se estabeleceram na América do Norte.
Na verdade, este fenômeno do trombone tocando em comunidades moravianas - uma das mais
notáveis e contínuas tradições de tocar trombone - que fornece a principal justificativa para
uma discussão sobre a religião popular em um discreto capítulo deste livro. Mas outros temas
relacionados também são tratados aqui: em particular, o papel dos movimentos evangélicos no
estabelecimento de contextos musicais em que os trombones foram usados, e a interessante e
em grande parte indocumentada história do uso do trombone e outros instrumentos de metal
em países asiáticos e africanos, onde estes instrumentos foram introduzidos pelos missionários
cristãos.*(inclusive no Brasil) Aqui também os trombones não tinha primazia sobre outros
instrumentos de metal, mas foi através de tais agências que trombones atingiu lugares que
estavam tão distantes culturalmente de seu lugar de origem como eles estavam geograficamente
distantes. Tais fenômenos são especialmente interessantes porque os estilos híbridos e
processos que se desenvolveram alcançaram tanto na vida secular quanto a sagrada.

Os moravianos
A igreja moraviana é um caso único de uma extensa e contínua tradição de trombone amador
em atividade do século XVIII até os dias atuais; ela fornece um exemplo único de continuidade
da associação entre o instrumento, uma comunidade vernacular e seus rituais sagrados e
seculares. As origens da igreja podem ser traçadas a partir da Boémia e da Morávia do século
XV e os seguidores do radical checo reformador e religioso Jan Hus, que foi executado como
herege em 1415. A mais moderna manifestação, o Unitas Fratrum (unidade dos irmãos),
desenvolvida a partir de uma comunidade protestante que ganhou proteção contra a
perseguição católica nas terras do Conde Nikolaus Ludwig von Zinzendorf na Bohemia, em
1722. Esta comunidade criou a cidade alemã de Herrnhut, o primeiro de muitos assentamentos
formados em todo o mundo pelas comunidades moravianas.

Os valores religiosos moravianos são distintos, mas são baseados em desfazer os ideais simples
que condicionaram a vida da comunidade e o ritual religioso, com as práticas musicais que são
proeminentes em ambos. A base da tradição musical da Morávia são os corais, mas
instrumentos musicais foram usados a partir do século XVIII, e uma rica cultura musical em
desenvolvimento foi à vida dos morávios. Trompetes e horns são mencionados nos registros
antigos, mas a prática de usar trombones parece datar de 1731. Em maio daquele ano, em
Berthelsdorf, o pastor local recebeu uma serenata em sua aniversário, quando "canções
entoadas no quintal da casa pastoral com o acompanhamento de trombones”. Em um funeral
em junho do mesmo ano, "Havia canto ... todos com o acompanhamento de trombones”.2
Referências subsequentes a grupos de trombones são encontrados regularmente. De acordo
com o Lebenslauf (Memórias) de um membro da congregação, Herrnhut adquiriu um conjunto
de trombones em junho de 1731: “fomos para Herrnhut onde chegamos na noite após o
Singsrunde (Song servicel) ... Lá neste dia a congregação tinha começado com os trombones
primeiro, e assim eles nos acolheram com todos.

Em 1764, o Sínodo da Igreja Morávia implicou em algum status oficial para o coro de
trombones quando concordaram que: “onde houver um coro de trombones, pode-se utiliza-lo
em funerais. Isto produzia uma agradável impressão sobre a nossa esperança nos corações do
povo. Os músicos do primeiro coro de trombones em Herrnhut eram Hans Raschke, Joseph
Seiffert e Daniel Johann Grimm. Raschke era o líder do grupo e professor dos demais. Nenhum
deles era músico profissionail: Seiffert, por exemplo, vivia do comércio de linho.

À medida que novas comunidades de morávios foram estabelecidas em outras partes da


Alemanha, mais conjuntos de trombone foram formados. Grupos de metais (quase certamente
trombones) foram estabelecidos em Marienborn e Niesky em 1742. Gnadenberg em 1743 e
Herrnhag em 1747. Por este tempo, os moraviadnos tinham começado uma missão evangélica
mundial. Eles estabeleceram-se em Zeist na Holanda em 1746 e Christiansfeld na Dinamarca
em 1778, e ambas as comunidades tinham corais de trombones. Por volta 1790 havia conjuntos
em 15 assentamentos europeus. Mas do ponto de vista musical a mais importante e resistente
comunidade moraviana foi estabelecida na América. Em 1747, o parlamento britânico permitiu
ao “povo trabalhador, sóbrio e tranquilo”, através de um Ato, a liberdade de se estabelecerem
na América, o que iria trazer benefício para a colônia. 7 Os maiores e mais prósperos
assentamentos foram aqueles localizados no leste, particularmente em Winston-Salem,
Carolina do Norte, Nazareth, Bethlehem e Pensilvânia.

As comunidades moravianas acreditavam que todos os bens mundanos pertenciam a Deus.


Enquanto eles asseguravam que poderia haver a propriedade privada, na prática, a base de sua
sociedade era uma variante sofisticada de comunalismo. Eles foram mutuamente solidários e
em muitas maneiras iluminados, mas não havia nenhuma demarcação clara entre sagrado e
poder secular. A homogeneidade de sua sociedade foi rigorosamente ordenada para que todos
os aspectos da vida poderiam funcionar como uma forma de devoção. A comunidade como um
todo era a unidade familiar primária, e a estratificação dentro dessa família foi baseada no
estado conjugal, no sexo e na idade. Os diferentes sectores da comunidade foram referidos,
adequadamente, como “coros”; mas enquanto parece que houve ocasiões em que tais corais
literalmente cantavam juntos como uma unidade, a palavra “coro”' foi empregada para
significar um agrupamento na sociedade — um agrupamento que definiu a base de uma
determinada “casa”. Assim, por exemplo, havia uma casa de viúvas, uma casa de viúvos, uma
casa de irmãos solteiros e uma casa de irmãs solteiras. Algumas categorias femininas foram
mesmo caracterizadas por aspectos de seu vestuário. 8

Porque os moravianos não reconheciam nenhum limite discernível para a espiritualidade, todo
o fazer musical, incluindo o que teve lugar fora da igreja - tinha uma qualidade devocional. O
canto era de primordial importância, mas havia também uma ampla variedade de música
instrumental. Enquanto os conjuntos de trombones não eram universais na Igreja Moraviana,
nos EUA o posaunenchor estabeleceu-se rapidamente como uma característica da vida dos
morávios. Por 1754, o primeiro coro de trombone tinha sido formado em Bethlehem,
Pensilvânia. O primeiro uso registrado dos instrumentos nesta cidade é encontrada em uma
descrição de trombones tocando “para as exéquias de uma criança” cujos restos mortais foram
enterrados em 15 de novembro do mesmo ano. 9 Confirmação adicional do estabelecimento do
grupo por esse tempo pode ser obtida através de notas amplamente conhecidas na comunidade
moraviana da Pensilvania. (Futher confirmation of the establishment of the group by that time
might be taken from a report that has wide currency in the Moravian communities of
Pennsylvania).

Na manhã de natal de 1755 - como foi dito - o grupo de trombones tocou na torre da igreja para
evitar um ataque dos índios que podem ter sido coagidos por colonos franceses. A história diz
que o ataque foi denunciado por um índio cristão convertido. Instado pelo seu bispo que
“ninguém deve permitir que um hostil sentimento contra os índios surja dentro de si, mas que
a confiança esteja no Senhor nosso Deus”. 10 Os moravianos recorreram à oração e ao poder
da música e na manhã de natal o grupo de trombones tocou da torre da igreja às quatro horas.
A duração da execução parece ter sido significativa: era exatamente uma hora mais cedo do
que o tempo habitual para o despertar da comunidade. O som de um do coral de trombones
causou medo aos índios, que o acreditaram ser um sinal de proteção espiritual sobre os
morávios, e fugiram. A comunidade de Bethlehem viu o evento de forma semelhante e o
considerou como uma intervenção divina. É claro que a história tem muito da sugestão de seu
autor apócrifo e há pouca evidência para apoiar os detalhes, mas a narrativa se mantém forte
na cidade de Bethlehem até hoje, e o inusual despertar (possivelmente o único), do dia de natal
é verificado nos registros da congregação de Bethlehem neste ano: “no início da manhã deste
dia, as 4:00, no aniversário do Salvador, foi proclamado por trombones da forma mais
agradável. 11 Talvez o que a maioria de nós pode concluir é que a partir deste de 1755 a tradição
do coro de trombones estava estabelecida na cidade, mas a vontade da comunidade para
absorver a história em seu patrimônio vernacular pode atestar a um ponto igualmente
importante: que o coro de trombones foi visto como um ingrediente poderoso em sua busca
pela espiritualidade. 12

O Posaunenchor era geralmente formado por quatro músicos (embora alguns grupos fossem
maiores), e foi composto de instrumentos que correspondiam as vozes soprano, alto, tenor e
baixo. Em vários pontos da sua história, as comunidades podem ter tido mais de um coro. Em
2 de dezembro de 1793, por exemplo, a morte de um dos principais líderes, o bispo August
Gottlieb Spangenberg, foi anunciado a partir do telhado de uma casa dos irmãos solteiros em
Bethlehem por dois quartetos de trombones. 13 Em 1919, o coro de trombones parecia possuir
dezesseis membros. 14 Há também provas de que os músicos de mais de uma comunidade, por
vezes, se combinavam para realizar festivais. É lógico que a prática de usar trombones deve
muito a tradição estabelecida em Herrnhut, e foi argumentado que esta, por sua vez pode
derivar da tradição alemã Stadtpfeifer*, mas é igualmente possível que a credibilidade dos
trombones na adoração religiosa foi auxiliada por referências ao posaunen na bíblia Luterana.
“Até o final do século XVIII, a qualidade sonora do posaunenchor, em conjunto com a sua
versatilidade - em particular o facto de poder tocar em qualquer lugar, ao ar livre ou em lugar
fechado, deu ao grupo de trombones uma utilidade mais ampla do que outros instrumentos e
combinações de instrumentos utilizados pelos moravianos.

O posaunenchor teve quatro principais funções formais: ele tocava no “in leiu of passing of
bell”, ocasião em que o grupo tocava na torre da igreja ou onde quer que um serviço de
adoração ocorresse, para convocar a congregação; o grupo tocava para anunciar a morte de um
membro da igreja; tocava em funerais; e, finalmente, foi usado para “transmitir a majestade do
som em festas altas e dias sagrados, para a parafernália da liturgia”. 16 Neste último papel, o
posaunenchor tinha uma especificidade de tocar festivais como o Natal, a noite de Reveillon,
e em serviços musicais das chamadas “Lovefeasts”. 17 O grupo também tocava para
acompanhar os serviços musicais da santa ceia.

O repertório para o coro de trombone foi constituído principalmente por corais da versão de
moraviana do livro de hinos luteranos. Corais especiais tocados somente pelo posaunenchor
adquiriram um significado especial. Alguns eram sazonais ou reservados a festivais
particulares, mas outros foram usados efetivamente para comunicar mensagens à comunidade
em geral. Destacadamente a este respeito foi a designação de corais específicos para anunciar
a morte de membros da igreja.

Adicionalmente, hinos específicos foram tocados em determinados momentos dos ritos


funebres, e mesmo tão cedo no século XVIII (em 1731), a música dos funerais em Herrnhut
era feita com “tudo ao acompanhamento de trombones”. 18

A prática de lembrar a morte executando um coral específico para o momento, provavelmente


se originou na Europa. The practice of signalling a death by sounding a chorale designated for
a specific “choir” problaby originated in Europe. Em abril de 1751 em Ebersdorf, na Turíngia,
a “ida pra casa (morte) de uma irmã solteira foi anunciada na congregação através do som de
horns e trompetes”,19 e o Bethlehemisches Diarium (Conferenz des Jünger Collegi) de 4 de
abril de 1757 refere-se especificamente a um costume já atual nas igrejas alemãs dos
morávios.”

Neste tempo este costume estava evidentemente bem estabelecido nas comunidades
moravianas da América também, porque em Bethlehem, Pensilvânia, como no início de
novembro de 1751, Martin Christensen, um irmão solteiro, “partiu para estar com o Salvador,
e sua passagem foi anunciada na congregação por meio de uma estrofe tocada por trompetes
da galeria da casa da Irmandade”. 21 Em 1757 a prática de anunciar a morte tinha sido
transferida para o grupo de trombones. Quando um membro da comunidade morreu, o coro de
trombones anunciou a morte tocando um coral apropriado da torre da igreja. 22 Não está
totalmente claro o porquê ou como os corais específicos adquiriram importância para setores
diferentes da comunidade, ou a extensão em que as preferências locais poderiam ser aplicadas,
mas enquanto a tradição europeia estava sendo seguida, variantes da mesma também estavam
se desenvolvendo na América do Norte. Os corais de Bethlehem foram descritos em uma
entrada no Bethlehemisches Diarium: o anúncio da morte veio na forma de um coral, o Haupt
Voll Blut und Wunden, que foi seguida por outro coral que designava o coro da pessoa falecida.
which was then followed by another chorale that signified the choir of the deceased person.
O Bethlehemisches Diarium especificou seis partes, mas o texto do viúvo não foi preenchido:

Casado: O Gott du keusches Lämmlein

Irmãos solteiros: Hörst du´s Aeltester!

Irmãs solteiras: Drinn singt die selige Assemble

Viúvos: (Vazio)

Viúvas: Was macht ein Creuzluftvögellen

Crianças: Ihr Kinder wo seyd ihr ohnfehlbar geborgen 23

Em Winston-Salem, o procedimento era um pouco diferente:

Quando alguém sai desta vida, toda a comunidade sabia de qual Coro a alma que partiu
pertencia. Se a melodia familiar do coro fosse reproduzida depois da canção Num wieder eins
erblassets, etc., como era costume na Europa, e, em seguida, a primeira canção era repetida,
eles tinham as palavras palavras, Wenn mein Mund. 24

A proclamação da morte feita pelo posaunechor tinha três componentes: o coro de trombones
fazia o anúncio da morte, em seguida vem o coral para alma que partiu, e por fim um coral que
“lembra ao ouvinte que o anjo da morte algum dia virá até ele”.25 O cronograma das músicas
pode ter sido feito por Christian Gregor (1723 — 1801), um escritor de hinos e organista que
se tornou bispo no igreja. (Gregor era um compositor verdadeiramente prolífico e estima-se
que mais de onze cento e onze de seus trabalhos estão coleções americanas. Ele parece ter
visitado a Pensilvânia e a Carolina do Norte apenas uma vez, em 1770-2. Parece certo que a
prática foi bem estabelecida pela segunda metade do século XVIII, e que a codificação dos
corais estava consolidada (in place) provavelmente incorporando pelo menos alguns elementos
locais — até o século XIX. Em 1905, Adelaide Fries de Winston-Salem identificou designações
separadas para irmãos casados, irmãs casadas, viúvos, viúvas, irmãos solteiros, irmãs solteiras,
meninos mais velhos, meninas mais velhas, garotinhos e garotinhas. 26' (ex. 11,1)

Só podemos supor que os trombones usados nas primeiras comunidades americanas foram
trazidos com os colonos, mas até o final do século XVIII novos instrumentos estavam sendor
importados da Alemanha. Em 1762, os músicos de Bethlehem obtirveram novos instrumentos
e logo depois que o posaunenchor da cidade foram muitas vezes despachados para outras
igrejas para melhorar a sua adoração. Instrumentos foram passadas para outras comunidade
bem como novos foram adquiridas ou conjuntos que foram extintos. Os instrumentos usados
anteriormente pelo coro de trombones em Hope, New Jersey, eventualmente passaram para
Bethlehem. Bethlehem pode ter sido um centro de suprimento, pois também parece ter sido
responsável por atender a comunidade em Gnadenhutten, Ohio, em 1818, e os instrumentos
fornecidos pela Martinez Indian Mission em 1911 foram fornecidos pelos “amigos em
Bethlehem”. 27

O fornecimento de novos trombones veio inicialmente da Europa, e particularmente oficinas


da família Schmied de Pfaffendorf, Alemanha. Os primeiros destes instrumentos que
sobreviveram foram usados na Comunidade Gnadenhutten, e são datados de 1789. Stewart
Carter montou um inventário de instrumentos sobreviventes nas comunidades moravianas, e
também analisou os padrões de aquisição de instrumentos utilizados pelos moravianos. 28 É
evidente que os instrumentos circularam numa base puramente conveniente, mas até a segunda
metade do século XIX, novos instrumentos foram importados diretamente da Europa. A partir
de meados do século XIX, a fonte das novas aquisições passou a ser feita em revendedores
autorizados de Nova York, como Zoebisch & sons e Carl Fischer, embora os músicos de
Bethlehem ainda importassem alguns instrumentos da Europa. Carter também destaca que os
instrumentos comprados pelos moravianos eram bem feitos e de fácil manutenção, mas eram
mais adequados às necessidades dos amadores que dos profissionais.

Se os instrumentos sobreviventes são algo notável, é evidente que outros instrumentos de sopro
também foram usados. (If surviving instruments are anything to go by, it is evident that other
lip-vibrated instruments were also use). Na verdade, na grande coleção de instrumentos
existentes há cornetts, instrumentos com válvulas e metais com chaves. Estes instrumentos
testemunham a importância da música em geral nas comunidades moravianas, mas também
são indicativo de um timbre em evolução que estava sendo usado por músicos moravianos. Em
alguns lugares o papel tradicional do coro de trombones permaneceu inalterado até os dias
atuais. O posaunenchor foi irremediavelmente incluído na hierarquia da igreja; de fato, em
1839, a classe sênior de estudantes de teologia em Belém parece ter formado um quarteto de
trombones como parte de sua formação para o ministério. 29

Grupos individuais de trombone parecem ter desfrutado de notável continuidade e é fácil citar
casos em que os músicos permaneceram juntos da juventude até se tornarem idosos. Um
quarteto em Bethlehem entrou no serviço da igreja na manhã de páscoa de 1818 e
permaneceram juntos por quase meio século. Os quatro trombonistas eram Charles Frederick
Beckel, Jedidiah e Timothy Weiss e Jacob Till. Jedidiah Weiss, nascido em 1796, foi um
relojoeiro, Timothy Weiss, que provavelmente era seu irmão, foi comerciante de relógios. Seus
avós tinham sido estado entre os primeiros colonos na comunidade de Nazareth em 1743.
Beckel nasceu em Bethlehem em 1801, e foi aprendiz de Weiss até o momento da morte de
outro relojoeiro, quando foi contratado. Jacob Till, o último membro do grupo, nasceu em New
Jersey em 1799 e mudou-se para Bethlehem quando criança. Ele foi aprendiz de seu pai, um
fabricante de piano, e parece que em algum momento em sua vida, ele fez a vida como um
músico na Pensilvânia.

Os moravianos alegremente afirmam que sua igreja é a instituição musical mais antiga
estabelecida nos EUA. A riqueza de sua cultura musical e a habilidade de seus músicos foram
incomparáveis no século XVIII e durante grande parte do século XIX. Consequentemente seus
arquivos oferecem informações que são particularmente ricas fontes para os historiadores da
música. Os músicos moravianos também exerceram influência em outros domínios culturais e
participaram de algumas das primeiras performances americanas de obras de grandes
compositores canônicos europeus. Naturalmente, havia uma propensão a se envolverem com
obras que tinham um tema religioso, mas a ideia de que toda a música era um elemento para a
devoção também permitiu o envolvimento em outros repertórios - especialmente os da música
instrumental. Uma cópia da Criação de Haydn foi obtida em 1810, e performances foram feitas
por John Frederick Peter em 1811. Os moravianos também The Seasons, um oratório do mesmo
oratório do compositor. Ambas as performances precederam outras nos EUA. A parte do
trombone baixo exigida na performance da Criation, foi tocada por Jedidiah Weiss.

O dever para os trombonistas moravianos tem sido muitas vezes pesado. Em 1919 o coro de
trombones em Belém foi obrigado a tocar em cada um dos serviços de domingo e em 79
festivais, além de outras ocasiões. Adicionalmente havia uma morte anúncio de 37 mortes e 35
funerais. 32 O coro de trombones de Bethlehem continua sendo parte da comunidade e continua
a desempenhar funções religiosas tradicionais, e seus membros ainda usam o trombone soprano
na voz mais aguda. Além disso, o grupo tem brevemente representado as tradições musicais
moravianas na comunidade como um todo. (Additionally, the group has a brief to represent
Moravian musical traditions in the wider community). Há também grupos na Califórnia,
Alberta, Carolina do Norte e Ohio. 33 Uma das razões para a resistência da tradição através do
século XIX é que os músicos foram participantes chave nas práticas rituais dos Morávios.
O exército da salvação
O Exército da Salvação foi surgiu na East London Christian Mission, em 1865 através do
pregador evangélico William Booth. Foi nomeado como "exército da salvação" em 1878 e logo
ganhou o reconhecimento parlamentar como um corpo religioso devidamente constituído.

Booth planejou o ideal de um "exército salvacionista", e a metáfora militar prevaleceu como


retórica e em todos os procedimentos da organização. Ele era o General, o inimigo era Satanás
e uma disciplina e estrutura quase militar foram vigorosamente aplicadas. Logo em 1878,
Booth incentivou o uso de bandas de metais para atrair a atenção às reuniões evangelisticas e
acompanhar os hinos. Bandas de metais eram populares na Grã-Bretanha vitoriana, e a
importação deste dispositivo da cultura popular secular se revelou imensamente bem sucedido.
Não demorou muito para que as bandas fossem formadas ao acaso, embora em muitos casos
estes grupos foram construídas em torno de convertidos para salvacionismo que já tocavam.
Até os anos finais do século XX, os músicos salvacionistas eram - pelo menos ostensivamente
- totalmente independentes dos movimentos das bandas de metais seculares. Para impor este
objetivo o exército fundou sua própria divisão de impressão em 1885, que incluiu métodos para
trombone e trombone baixo em seu catálogo. Uma fábrica de instrumentos de metal foi criada
em 1889. Por 1904 o jornal de Salvationista War Cry anunciou que a produção anual de
instrumentos estava mil exemplares. 34 Já em 1916 uma auditoria mostrou que havia 24.477
regentes experientes 4.270 iniciantes. A maioria dos corpos tinha bandas, e o grupo da sede
internacional em Londres era extremamente sofisticado. Uma divisão de bandas foi também
criada nos EUA, onde o exército de salvação foi plenamente ativo por volta de 1880.

Exército de salvação merece atenção na história do trombone por três razões: em primeiro
lugar, porque tem sido uma escola para músicos profissionais desde o início do século XX; em
segundo lugar, porque o instrumento o processo de fabricação de instrumentos tornou-se um
dos maiores do mundo e produziu alguns modelos realmente lendários; e finalmente porque o
alcance evangelístico do salvacionismo pode ter sido o mais difundido e efetivo que qualquer
outra denominação. O Exército da Salvação estava ativo em 97 países por volta de 1941 e em
1997 o número tinha aumentado para 103 países. 37 É difícil pensar em outra agência (que não
seja talvez a Igreja Católica Romana) que tenha desempenhado um papel mais significativo na
propagação das práticas musicais ocidentais, algumas das quais serão discutidas abaixo.

Havia um problema inerente na abordagem de Booth. Ao aproveitar o aspecto da cultura


popular para o trabalho de Deus, os salvacionistas se podem ter se tornado vítimas das mesmas
tentações sedutoras. Muitos músicos de banda alcançaram um nível de virtuosismo que era
desnecessário para a causa salvacionista e até mesmo contra producente, porque encorajava e
demonstrava o que era percebido como vaidade musical. Booth, era ele mesmo inflexível a este
respeito; ele exortava as esposas dos músicos para estarem conscientes desta tendência: “o
músico tem tentações especiais que não atravessam o caminho de um soldado ordinário ... eles
estão muitas vezes em perigo espiritual ... há a possibilidade dos interesses musicais e
atividades usurparem o ideal salvacionista ... que a esposa tem a chance de observar a ascensão
de vários tipos de perigo.”

Entre estes sentimentos e os esforços ambiciosos da fábrica de instrumentos dos salvacionistas


havia uma contradição significativa. O braço da fábrica de instrumentos foi criada, a fim de
garantir que houvesse bons e baratos equipamentos para o serviço de Deus em todas as partes
do mundo. Na verdade, a produção de trombones tenores e trombones baixos (em sol)
trouxeram uma contribuição significativa para o fornecimento. Alguém poderia perguntar
contudo, como esse objetivo serviu para a produção do trombone contrabaixo. Em 1905 foi
publicado no The Local Officer um artigo intitulado “nossa fábrica de instrumentos” de Major
Grinstead, cujo nome aparece em várias páginas do escritório de registro de patentes do Reino
Unido. Ele tinha um interesse particular em trombones, e imprementou melhorias tais como a
chave em mi bemol do trombone baixo E flat, e versões da chave de água do trombone, além
da trava da vara. Mas sua preocupação era com o trombone contrabaixo. Ele chamou a
autoridade de Prout e Berlioz para justificar a importância deste instrumento — um instrumento
em BB bemol com uma vara dupla o local The Local Officer descreveu como "provavelmente
o melhor que existe". (Um modelo de vara dupla afinada em BB bemol, mencionado por
Grinstead, está na coleção de Douglas Yeo da Orquestra Sinfônica de Boston. 39 Mas na sua
tour de force há uma invenção engenhosa de um trombone baixo em mi bemol onde a vara
principal é anexada a outra, por uma polia. Quando a vara principal era aberta ou fechada, ele
moveia a vara secundária na direção contrária. Muito poucos destes instrumentos foram feitos
e só um pode ter sabido qual a finalidade deste mecanismo nas bandas do exército da salvação.
40

Aculturação e estilo do trombone

O exército da salvação foi um dos mais importantes movimentos cristãos no que tange a
missões, e desempenhou um papel significativo na disseminação de práticas musicais e
introdução de instrumentos de metal nas culturas não ocidentais. Bandas de metais e militares
foram os principais criadores de música das potências coloniais ocidentais, funcionando como
“uma arma musical, e uma prova estrondosa da superioridade militar e religiosa ocidental”. 41
Mas as práticas musicais que foram inculcados teriam tido menos importância em si do que as
heranças musicais que surgiram do processo de aculturação, com estilos de reprodução e
repertórios demonstrando o legado de ambos indígenas e valores culturais impostos (But the
musical practices they inculcated have been less important per se than the musical heritages
that have emerged through the process of acculturation, with styles of playing and repertoires
demonstrating the legacy of both indigenous and imposed cultural values).

Até o final do século XIX, os trombones estavam sendo exportados para muitos países
coloniais. Enquanto as bandas militares eram os destinatários das exportações diretas dos
fabricantes europeus, e muitos instrumentos encontraram o seu caminho através da venda de
segunda mão, uma rota para a distribuição mais prolífica dos instrumentos foi através dos
esforços de agências missionárias cristãs. Assim como a Igreja Católica pode reivindicar
crédito para a introdução dos trombones na América do Sul no século XVI, as várias
organizações missionárias podem fazer uma reivindicação semelhante em relação à Ásia,
regiões do Pacífico e da África no final do século XIX e início do século XX. Bandas de metal
foram fundadas pela Exército de Salvação no Japão antes de 1900. Durante a segunda Guerra
Mundial os salvacionistas tinham também estabelecido também as bandas de metais na India,
em outros países asiáticos e na África.

Algumas das mais interessantes maneiras de tocar trombone surgiu nestes países a partir de
uma genuína assimilação do instrumento com formas musicais indígenas. O músico muitas
vezes mostra uma desconsideração para com os valores da performance musical ou as formas
da música ocidental. Na Indonesia, bandas de tanjidor 42 tocam música Jakarta-Chinesa e
Sudanese de gamelão ... com instrumentos das bandas de metais europeias, sobre as quais Ernst
Heim descreveu como uma “heterofonia deslumbrante” que desafia qualquer regra e regulação
da teoria da música europeia.43 Uma fascinante aura dessas bandas sobreviveu, através da
pesquisa do Departamento de Antropologia Visual da Universidade de Amsterdam, que
resultou de uma série impressionante de gravações sobre o título genérico Frozen Brass. As
influências ocidentais vêm dos próprios instrumentos e de um possível afrouxamento estrutural
da música ocidental. Algo do repertório, por exemplo, é baseado em melodias de hinos. Há
muitas vezes ostinatos e texturas simples e contrastantes. Os músicos parecem inventar sua
própria técnica de execução, mas o trombone parece ter um lugar de destaque por sua
capacidade de tocar glissandis e vibratos de vara levemente controlados, e muitas vezes o
trombonista parece considerá-lo como sua função fornecer uma contramelodia bruta.
Normalmente, apenas um trombone está incluído, mas as gravações feitas em Sumatra e
Suriname incluem dois trombones de vara. 44

A aculturação também fez a sua marca sobre a maneira ocidental de tocar trombone, e tem feito
de modo particularmente poderoso e de amplo alcance interferências na cultura afro-americana.
Mais uma vez, e não surpreendentemente, as práticas religiosas e tradições têm tendem a ser o
ponto principal. Muitos dos melhores primeiros trombonistas de jazz inicialmente foram
educados em igrejas estabelecidas como parte de um esforço missionário. Mas enquanto o jazz
adquiriu um espaço relevante na cultura da música ocidental, há outros, estilos musicais e
práticas religiosas menos conhecidas que têm particular relevância para o idioma do trombone.
Um dos mais interessantes é a “shout band” da United House of Prayer. Fundada na década
de 1920 por Charles Manuel “Sweet Daddy” Grace, com casas (houses) em Nova York,
Washington, DC, Virgínia, Geórgia e Carolina do Norte e do Sul, que tinham incorporado o
trombone das shout bands em seus rituais até a década de 1940. A palavra shout deriva de um
termo árabe. Ele se refere ao movimento de dança e de canto com o qual os crentes expressão
emoção religiosa.45

Matthew A. Hafar descreveu a típica shout band como a inclusão de um primeiro trombone
com três ou cinco trombones acompanhando, como também um barítono e um souzafone. 46
No entanto, a shout band que conduz a adoração na sede nacional da United House of Prayer
em Washington, DC, é um grupo ainda mais impressionante conhecido como Kings of
Harmony, muitas vezes compreendendo doze ou mais trombones. 47 As performances dessas
bandas misturam ostinatos rápidos, passagens harmonicas e seções de solos tocados com
vibratos rápidos. Legatos e glissandos são também usados ao longo de uma harmonia fechada
reminiscente do canto gospel. Esta é uma energética e intensa forma de louvor com muitas
palmas e envolvimento congregacional. Mas é inequivocamente espiritual, com as bandas
vendo de suas performances como um ato de devoção pessoal, e por essa razão a ênfase é
menos sobre a homogeneidade do que a facilidade que o conjunto prevê para a expressão
individual.