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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS


ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL
DEPARTAMENTO DE MÉTODOS E TÉCNICAS

Avaliação de Psicologia Social e Serviço Social


Professora: Rachel Gouveia Passos
Aluna: Nathalia Costa Barroso

1) Descreva como se deu na psicologia social o processo de produção teórica sobre


os efeitos da ideologia de branqueamento e do racismo na construção da
subjetividade do negro brasileiro. (2,0 pontos)

Há uma dimensão psicológica do racismo e diversos efeitos resultantes deles, como o


adoecimento da população negra. A partir de estudos acerca da maneira como a
sociedade reproduz o racismo e com isso, iniciou-se um estudo acerca da importância
teórica do racismo na psicologia social.

Nessas produções, notamos que o racismo influencia diretamente na construção da


subjetividade, já que os próprios negros acabam por negá-la. Afastando-se dos seus
valores originais, tomando o branco como “modelo ideal”, uma forma de tornar-se mais
aceito e sofrer menos preconceitos, negando a si mesmos, para se incluir na sociedade
racista, mesmo que para isso ele sofra a consequência emocional da sujeição, da negação
e do mortificação da sua identidade. Negando suas tradições, culturas, sua cor, seu traços,
seu cabelo, incorporando padrões e valores eurocêntricos.

Conforme vimos no texto de Lia Schucman, desde crianças os negros são marcados
por experiências de vidas embasadas pelo racismo, desde a negação ao preconceito, o
que resulta em uma espécie de apartheid psíquico. O contexto racista faz com que o
indivíduo cresça com a supervalorização da branquitude e preferência do branco em
relação ao negro, fazendo com que desde pequeno note o impacto das influências racistas
históricas que persistem até hoje e estruturam a sociedade brasileira.

2) Quais as implicações do racismo na construção dos processos identitários? (2,0


pontos)
Segundo Almeida (2004), as formas de violência institucionalizadas possuem uma
dimensão classista, racista e de gênero. ​A violência e a criminalidade no Brasil só podem
ser entendidas como produto de relações históricas, particularizadas por cinco séculos de
colonialismo e por um passado escravocrata recente.
Diante do que foi mencionado, podemos concluir que o racismo é estruturante na
formação social brasileira, ele compõe também a sociabilidade, logo, somos todos
atravessados por ele, que vai nos constituir como sujeitos na sociedade brasileira,
independente da sua cor ou da identidade étnico-racial. Porém, de maneiras distintas.
É como a máscara, que possui diferentes representações. Não só de silenciar os
negros, mas também de impedi-los de comer nas plantações. Uma outra função é que
impedia os negros de comerem terra e aos poucos irem cometendo suicídio. Era uma
forma de silenciamento objetivo e subjetivo, já que além do silenciamento, ela também
impedia que eles consumissem o que produziam. Tanto o silenciamento quanto a
dominação são passados por gerações, como uma herança, tanto daqueles que
colocavam as máscaras quanto dos que as faziam.
Além disso, ele possui um impacto imediato e a longo prazo. Ele produz sofrimento e
em alguns momentos produz adoecimento.
O racismo, a intolerância, o preconceito e a desigualdade estruturam a forma como as
relações sociais são estabelecidas na sociedade brasileira, materializando-se no convívio
social. Há instituições em que esse racismo estrutural se reproduz. Um exemplo é a
universidade, que sempre foi elitizada, já que historicamente foi criada para homens
brancos da elite. A partir do momento que temos a inserção de sujeitos que não eram
“bem-vindos” naquele espaço, conseguimos enxergar a reprodução do racismo.
Além disso, conforme vimos no texto de Lia Schucman, essa formação social
brasileira faz com que os negros busquem atingir o ideal branco que é pregado como
“ideal”, anulando sua subjetividade. Resultando na negação do negro pelo próprio negro,
que consequentemente, acaba se intitulando como pardo, mulato, entre outros termos. Em
uma sociedade com um modelo de corpo, de pele, de cabelo… Isso produz uma
mortificação da nossa subjetividade, pois as anulamos para nos adequar à algo que é
imposto pelo cotidiano. Anulação da subjetividade em prol de algo que você acha bonito ou
ideal.
Diversas marcas resultaram do processo de construção da sociedade, desde a visão
de que ​o corpo negro representava um certo perigo aos colonizadores e traziam tradições
que não eram bem-vistas, que eram controladas e repudiadas. Essas marcas são
expressas na intolerância às religiões de matrizes africanas, na visão do padrão de beleza
eurocêntrico, na associação do negro a marginalidade e entre outros exemplos, que
produzem uma série de sofrimentos.
Diante disso, ocorre um apartheid psíquico, causando a auto-rejeição. O próprio negro
rejeita a sua existência. Segundo Nogueira (2017), a psicanálise identifica que há uma
identificação do oprimido com o opressor. Logo, deixa de ser necessária a presença de um
agressor, pois o próprio negro passa a se autorrejeitar. Negando-se dessa forma a si
mesmo e ao seu próprio corpo.

3) Defina privilégio de raça. (1,5 pontos)


Partindo do pressuposto de que somos todos atravessados pela democracia racial,
notamos que as influências de um período histórico colonialista e escravocrata persistem
em nosso cotidiano, resultando em privilégios de raça.
Como no caso da branquitude, que é caracterizada como um lugar de privilégios
objetivos e subjetivos, construídos com base nessa ideia de “superioridade racial branca”,
que são mantidos até a atualidade. A partir disso, uma raça é historicamente vista como
superior à outra. Em que, com base em um padrão eurocêntrico, uma raça torna-se um
modelo de beleza, sabedoria, entre outras virtudes. Enquanto o branco representa todas as
virtudes da humanidade, como “ideal”, o negro é visto de maneira oposta.
Porém, o branco não é apenas um favorecido nessa estrutura, ele é também um
produtor ativo dela, através de mecanismos de discriminação e da reprodução de discursos
que propagam uma democracia racial e o embranquecimento. Esses mecanismos de
produção da desigualdade refletem na hierarquização social, fazendo com que os negros
dificilmente ocupem posições mais altas.
Diante do que foi mencionado, podemos concluir que o racismo, o preconceito, a
intolerância estruturam a forma como as relações se estabelecem na sociedade brasileira,
se reproduzindo e mantendo as desigualdades materiais e simbólicas na vida dessas
pessoas. Materializando-se também no convívio social, assim como no acesso,
permanência e mobilidades nas instituições em que o negro não é “bem-vindo”. Excluindo,
inferiorizando, inviabilizando e criminalizando o negro e a maneira como ele é visto.
Podemos citar a faculdade como exemplo, que é historicamente vista como um lugar feito
para homens brancos, logo, até pouco tempo atrás era incomum ver negros dando aula ou
até mesmo estudando nelas, mesmo que a maior parte da população brasileira seja
composta por negros, o que evidencia bem essa exclusão.

4) A partir do livro “Famílias Inter-raciais: tensões entre cor e amor”, de Lia


Schucman, apresente e problematize sobre os processos de negação que ocorrem
no interior da família inter-racial. (1,5 pontos)
Segundo a autora, nas entrevistas realizadas, em todas as famílias havia alguém que
ocupava o lugar de autoridade para falar sobre o assunto raça. E os membros deste núcleo
familiar sempre procuram negar a existência de preconceito ou hierarquia racial que existia
no núcleo familiar, mesmo quando confrontados por outros familiares. Logo, nota-se que,
para esses membros, assumir a existência de desigualdades raciais causaria um impacto
sobre a base estrutural familiar, que deveria ser fundada pelos princípios do amor, respeito
e da igualdade. Além disso, Schucman frisa as diferentes posições acerca da identidade
que mudam de acordo com as gerações.
Conforme mencionado no texto, Lia Schucman se deparou com diversos relatos de
homens negros e mulheres negras que foram rejeitados pelos brancos da família,
crescendo submersos por rejeição e depreciação. Pessoas que ouviam dos próprios
parentes que o cabelo era ruim, a cor era muito escura, entre outras violências que se
perpetuavam dentro do próprio núcleo familiar.
O texto nos mostra que há um embranquecimento e negação da raça daqueles que
não são brancos na família. Mesmo quando a pessoa se autoclassifica como negra, a
própria família não o reconhece assim e nega sua cor. Como no caso do João, que relata
no texto que a mãe o chamava de moreno claro e que ele respondia grande parte da vida
que era moreno, mas recentemente começou a se ver como negro. E que sempre
estranhou a resposta “pardo”, que negro traduzia melhor a sua origem, já que sempre foi
mais próxima da cultura negra do que da branca.
Mesmo após a resposta do filho, a mãe continua negando a classificação dada por ele,
dizendo que ele começou com isso após ir para a universidade, mas que ele não era
negro. Essa negação pode ocorrer por diversos fatores, entre eles: a visão de que ser
negro é algo ruim, o esquecimento e negação do negro e da origem negra na família.

“Na negação, portanto, o recalque continua operando e o que vem


à tona na fala do sujeito é a representação recaldada que só será
manifestada na condição de um “não” em sua frase formulada.
Através da formulação “mas ele não é negro” é possível, interpretar
o referido enunciado nos termos de Freud (1976, p. 142): “Ao
interpretar, tomamos a liberdade de deixar de lado a negação e
escolher o conteúdo puro da ideia”. Assim, é como se a mãe
tivesse dito: “ele é negro, mas não me é confortável admitir isto.”
(p. 51)

Logo, notamos que há uma tentativa de se distanciar de tudo o que representa ser
negro em uma sociedade racista. Segundo a autora, o João poderia ser moreno claro,
árabre e até mesmo tomar banho de cândida, só não poderia ser negro, mesmo que seja o
que ele mesmo diz que é. Costa (1983 p. 2-3) afirma que
[...] a violência racista do branco é exercida, antes de mais nada,
pela impiedosa tendência a destruir a identidade do sujeito negro.
Este, através da internalização compulsória e brutal de um ideal de
Ego branco, é obrigado a formular para si um projeto identificatório
incomportável com as propriedades biológicas do seu corpo.
Dessa forma, desde pequenos os integrantes negros dessa família se sentem
fisicamente inadequados, muitas vezes buscando atingir o ideal branco que é pregado
como “ideal” pelo familiar que os nega. Resultando na negação do negro pelo próprio
negro, que consequentemente, acaba se intitulando como pardo, mulato, entre outros
termos, anulando sua subjetividade. E ao ter sua negritude negada, perdem a possibilidade
de desconstruir os estereótipos negativos atrelados ao “ser negro” e de se reconhecer
como realmente são, fazendo com que elas despertem um sentimento de desprezo contra
si mesmos.

5) Quais as definições de racismo apresentadas por Silvio Almeida em seu texto?


Qual a relação do racismo com o Estado, a ideologia e o direito? (2,0 pontos)
Segundo Silvio Luiz de Almeida, consideramos racismo um processo de constituição
de identidades, processo cujas condições são pela atuação do Estado e pela aplicação do
direito. Sabemos que tanto o Estado quanto o direito também sofrem influência da
formação social, adquirindo um caráter classista e racista, influenciados pelo passado
escravocrata e colonialista. Sendo o Estado a principal instituição política do mundo
contemporâneo, essa influência racista interfere diretamente nas relações e na vida das
pessoas.
Sabemos que o racismo é individualista, institucional e estrutural. Ele é uma forma de
discriminação que leva em conta a raça como principal fundamento para desvantagens ou
privilégios, dependendo da cor de sua pele. Conforme vimos em aula, a branquitude é
privilegiada de forma objetiva e subjetiva, sendo vista como um padrão “ideal”.
Segundo o autor, a concepção individualista ocorre ao tratar o racismo como uma espécie
de “patologia” social, já que a própria existência das raças é vista como um problema, já
que todos os indivíduos deveriam ser iguais e tratados da mesma forma, independente de
como forem classificados ou por suas cores.
A segunda é a concepção institucional, em que o racismo é tido como um resultado de
um mau funcionamento das instituições, que permanece reproduzindo desvantagens e
privilégios de acordo com a raça. Uma discriminação indireta, a partir do momento em que
ocorre uma omissão ou “neutralidade” por parte desse Estado que deveria prezar pela
igualdade dos direitos de todos, independente da raça.
E por último, o racismo estrutural, que é resultando da própria maneira em que a estrutura
social foi constituída, com forte influência do colonialismo e do caráter escravocrata, sendo
reproduzido nas relações políticas, econômicas, jurídicas e até nas familiares, como vimos
no texto de Lia Schucman. Logo, vimos que o racismo é uma espécie de regra, já que a
sociedade é fundada baseada nele.
O racismo, como ideologia, é moldado no inconsciente, de tal maneira que a ação dos
indivíduos, ainda que de forma consciente ou não, se dá por influência história e social. A
maneira como a vida cultural e política, influencia diretamente os sujeitos que participam
dela. Segundo o autor, para haver a permanência do racismo, é necessário: A criação e
recriação de um imaginário social em que determinadas características biológicas ou
práticas culturam sejam associadas à raça. E que a desigualdade social seja atribuída à
identidade racial, ou, que todos se tornem indiferentes ao modo com que determinada raça
detêm privilégios em detrimento de outras.
Partindo do pressuposto de que o racismo e o colonialismo estão na base de
desenvolvimento do sistema capitalista moderno, influenciando diretamente na forma como
a sociedade brasileira foi estruturada, concluimos que a própria sociedade e o Estado
beneficiam material e simbolicamente aqueles que são vistos como “superiores”, os
brancos. E excluem, inferiorizam, inviabilizam e criminalizam a figura do negro.
Em Silva (2004), vemos que o negro, de 15 à 24 anos, é o principal alvo das taxas de
homicídios, demonstrando uma enorme discrepância em relação aos brancos,
demonstrando o quanto o Estado é omisso no racismo estruturante da sociedade
brasileira.
6) Qual a importância de tratarmos sobre o racismo no campo da saúde mental? (1,0
ponto).
Segundo Abrahão de Oliveira Santos, há uma omissão acerca da questão racial nos
debates da Reforma Psiquiátrica brasileira, que denunciava um sistema extremamente
excludente. No texto, o autor diz que a figura do negro escravizado era frequentemente
utilizada pelos médicos, como uma exemplificação de corrupção física e moral, para a
construção da consciência nacional e do modo como o corpo dos brasileiros deveriam ser
subjetivados. Influenciada pelas relações históricas, a medicina colonial possuía uma visão
semelhante a de seus colonizadores, enxergando as mulheres, os negros e os indígenas
como seres impuros e enfermos.
Conforme vimos no texto do autor anteriormente mencionado, ele nos traz uma
questão importante, de que o sofrimento mental da população negra se deve às condições
sociais que a diáspora os coloca. Vimos também que os textos que discutem sobre a
Reforma não citam os livros de Jurandir ou qualquer outro autor que traga a questão ou
mencione sobre o ideal de branqueamento da nação, muito menos acerca do caráter
racista presente no projeto de construção da república brasileira e da identidade nacional,
extremamente excludente com os negros e indígenas.
Na página 244, é dito que: “O debate da Reforma Psiquiátrica brasileira segue o
padrão de ignorar as relações raciais e o gravíssimo problema de saúde mental da maioria
da população brasileira, que é o preconceito racial, tal como já indicava, nos anos 1930, os
criadores da Frente Negra”.
A psicologia permanece sem conseguir atender as necessidades da população negra,
visto que continua negligenciando a formação histórica brasileira. Ao falar sobre saúde
mental sob a chancela da instituição psiquiátrica, nos deparamos com um caráter
eurocêntrico. Segundo Foucault (2006), o sofrimento humano foi separado do coletivo,
individualizado e descontextualizado, estudado e transformado em doenças ou transtornos
pelos saberes psi. Porém, é preciso enxergar como o racismo colabora com o adoecimento
de grande parte da sociedade.
Segundo Maria Lúcia da Silva (2017), desde o nascimento o racismo ronda a
existência do negro. As pressões raciais já se iniciaram e estão inscritas, sendo passadas
como uma herança familiar. Diante de tantas discriminações, preconceitos, ofensas e da
forma marginalizada e negativa que os negros são vistos, para que o trauma desenvolvido
possa ser reduzido, acomodações psíquicas devem ser feitas para que a vida se torne ao
menos suportável.
Além disso, a autora diz que não devemos ignorar a força dos atributos negativos
produzidos pelo racismo e imputados aos negros, que são elementos que irão compor os
processos de identidade e identificação, determinando uma marca psíquica de
impedimentos e de manutenção de uma lugar social de subordinação e inferiorização nas
relações sociais e pessoais, funcionando como indicadores do sofrimento psíquico.