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Aula 5

Código de Trânsito
O Código de Trânsito promoveu uma alteração na disciplina do trânsito,
optando por um regramento único, tanto administrativo, quanto penal,
estabelecendo, com isso, uma técnica de encampar legislações extravagantes
para setores específicos da legislação penal.
Sobre o ponto de vista penal, o CTB, direciona a tutela para uma forma
especial de incolumidade publica- a segurança viária-, ainda que a tutela não se
esgote nesse bem jurídico.
Segundo Damásio de Jesus, o CTB regula crimes de trânsito próprios –
aqueles onde a falta do veículo automotor conduz à atipicidade- e crimes de
trânsito impróprios – nos quais a falta desse elemento gera a desclassificação
da conduta.

Conceito Veículo Automotor – art. 4º c/c Anexo I


Vias terrestres? Art. 2º
Vias interior fazenda? STJ – CTB por ser direção automotor – MAS, não é via
pública (crimes que exigem isso, não será) Homicídio/Lesão corporal SIM
O CTB regula o trânsito em vias terrestres, de modo que a jurisprudência
entende no alcance da regulação toda a condução de veículo automotor, seja
em uma via pública ou no interior de propriedade privada. Contudo, alguns tipos
penais exigem, como elementar, a presença de uma via pública, o que torna
atípico o comportamento fora dessa.
HC 19865/RS STJ – art. 302 – via pública como elementar
PENAL E PROCESSO PENAL - HOMICÍDIO CULPOSO - TRÂNSITO - DELITO
PREVISTO NO ART. 302, DO CNT - NULIDADE - INEXISTÊNCIA. - Para a
caracterização do delito previsto no art. 302, do Código de Trânsito Brasileiro,
basta que alguém, na direção de veículo automotor, mate outrem culposamente,
ou seja, agindo por imprudência, negligência ou imperícia, seja em via pública,
seja em propriedade particular. - Ordem denegada. (HC 19.865/RS, Rel. Ministro
JORGE SCARTEZZINI, QUINTA TURMA, julgado em 18/02/2003, DJ
14/04/2003, p. 236)

Em tese, avião em solo não se enquadraria como veículo automotor para


o CTB. Como excluir a aplicação do CTB? A tipicidade do CTB pressupõe
regulamentação administrativa (habilitação específica) o que afasta a
aplicabilidade para avião. Falta substrato administrativo, ainda que tecnicamente
o avião no solo esteja fazendo vezes de veículo automotor.
Os crimes de trânsito próprios são estruturados sob a forma de crimes de
perigo, ora concreto, ora abstrato; ao passo, que de forma excepcional, se
apresentam como crimes de lesão (art. 302 e 303).

Art. 291 – princípio da especialidade


Art. 291. Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, previstos
neste Código, aplicam-se as normas gerais do Código Penal e do Código de
Processo Penal, se este Capítulo não dispuser de modo diverso, bem como a
Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, no que couber.
Regra: infrações de menor potencial ofensivo
Exceções: 302, 302, 308 (racha)
Antiga Redação: Parágrafo único. Aplicam-se aos crimes de trânsito de lesão
corporal culposa, de embriaguez ao volante, e de participação em
competição não autorizada o disposto nos arts. 74 (acordo civil), 76
(transação penal) e 88 (representação) da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de
1995.
Bem jurídico – incolumidade coletividade. Faz sentido abrir a possibilidade de
acordo civil etc.?
Em sua redação original, o parágrafo único do art. 291 abria espaço para
acordo civil, transação penal e representação em crimes cujo sujeito passivo era
a coletividade. Cesar Roberto Bittecourt afirmava ser opção legislativa, para a
qual não havia espaço para discussão. O autor do crime fazia jus aos benefícios.
Em sentido contrário, Damásio, Nucci, entre outros, sustentavam a
incompatibilidade do racha e da embriaguez no volante com acordo civil e
representação. Assim como defendiam que a embriaguez no volante não era
infração de menor potencial ofensivo, o que impediria a transação penal. Essa
2ª posição foi adotada pelo STJ (RHC 13485 e HC 99468/SP e REsp
256301/GO), partindo da expressão “no que couber” do art. 291.
Esse debate ressurgiu quando da promulgação do Estatuto do Idoso.
TJ-MG - Apelação Criminal APR 10239110024266001 MG (TJ-MG) Data de
publicação: 07/02/2014

Ementa: APELAÇÃO CRIMINAL - ART. 304 DO CTB - OMISSÃO DE


SOCORRO - EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE DO AGENTE - AUSÊNCIA DE
REPRESENTAÇÃO DA VÍTIMA - IRRELEVÂNCIA - AÇÃO PENAL PÚBLICA
INCONDICIONADA - RECURSO PROVIDO EM PARTE. - Nos termos do art.
100 , § 1º , do CP , a ação penal é, em regra, pública incondicionada, somente
dependendo de representação do ofendido quando a lei assim o exigir de forma
expressa. - Tratando-se de delito perquirível através de ação penal pública
incondicionada, não há que se falar em decadência do direito de representação
do ofendido e, consequentemente, em ausência de pressuposto de constituição
e de desenvolvimento válido e regular do processo, devendo o preclaro
magistrado de Primeiro Grau se manifestar quanto ao mérito da imputação.
TJ-AL - Apelação APL 00007391120088020050 AL 0000739-11.2008.8.02.0050
(TJ-AL) Data de publicação: 18/09/2014

Ementa: Apelante : Ministério Público Apelado : Everaldo José de Lima Defensor


P : João Fiorillo de Souza (OAB: 7408B/AL) Defensor P : Elaine Zelaquett de
Souza Correia (OAB: 18896/PE) PENAL. PROCESSO PENAL. APELAÇÃO
CRIMINAL. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE (ART. 306 DO CTB). FATOS
COMETIDOS SOB A ÉGIDE DA LEI N º 11.705/2008. EXAME DE
ALCOOLEMIA NÃO REALIZADO. IMPRESCINDÍVEL. LESÃO CORPORAL
CULPOSA NA CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR (ART 303 DO
CÓDIGO DE TRÂNSITO). AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À
REPRESENTAÇÃO. REGRA EXCEPCIONADA QUANDO OCORREREM AS
HIPÓTESES ELENCADAS NOS INCISOS DO § 1.º DO ART. 291 DO CTB,
DENTRE ELAS, QUANDO O DELITO É COMETIDO SOB A INFLUÊNCIA DE
ÁLCOOL. HIPÓTESE NA QUAL A AÇÃO PENAL SERÁ PÚBLICA
INCONDICIONADA, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM REPRESENTAÇÃO
DA VÍTIMA. DESTRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. RECURSO CONHECIDO
E PARCIALMENTE PROVIDO. I- Ausente a sujeição a etilômetro ou a exame de
sangue, torna-se inviável a responsabilização criminal, uma vez que a simples
realização de exame clínico ou prova testemunhal não é capaz de comprovar o
grau de alcoolemia e, por conseguinte, a materialidade do crime de embriaguez
ao volante. II- O crime de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor
(art. 303, do CTB) em regra é de ação penal pública condicionada à
representação da vítima. Todavia, se o condutor está sob a influência de álcool,
a ação penal é pública incondicionada, nos termos do art. 291, § 1º, I,do CTB.
III- Apelação conhecida e parcialmente provida. Decisão unânime.

Suspensão da habilitação
Dentro das regras gerais do CTB, consta como pena acessória a
suspensão da habilitação (art. 292) havendo, no art. 296, disposição específica
que condiciona a aplicação dessa pena nos casos de reincidência em crimes de
trânsito.
O alcance do art. 296 é restrito àqueles crimes nos quais o preceito
secundário não traz a previsão de suspensão da habilitação.
Não há que se confundir a suspensão da habilitação prevista no CTB,
onde é pena principal em alguns delitos com a antiga pena restritiva de direitos
do art. 47, III, do CP, que era aplicável à crimes culposos de trânsito. Para
Guilherme Nucci, a pena do Código Penal só poderia ser aplicada hoje nas
hipóteses de ciclomotor.

Código Penal Código de Trânsito


Pressupõe Habilitação Não exige habilitação
Pena alternativa (restritiva direitos) Pena principal
Duração: Mesma da pena privativa Duração 2 a 5 anos
Multa Reparatória
Qual a natureza da multa reparatória? Qual a relação entre os sistemas
da responsabilidade civil e a penal? Posso demandar civilmente paralelamente
à penal?
A posição da vítima no Processo Penal passou a ser objeto de uma
rediscussão no bojo dos estudos sobre vitimologia, partindo de uma crítica de
que, no Direito Penal, a vítima se apresentaria como mero pretexto para a
punição. Alguns sistemas processuais começaram a estabelecer de que, no
Processo Penal, já fosse quantificado um montante de reparação. Em que pese
nosso sistema privilegiar a autonomia das instâncias, o CTB rompeu com essa
tradição, fixando uma vinculação parcial, ou seja, o montante fixado na sentença
não esgota completamente o conteúdo da reparação. Ocorre que, como tendo
como pressuposto a ocorrência do crime e aplicação por um juiz criminal, a
natureza da multa reparatória se tornou controvertida. Damásio afirmava a
natureza penal, porém dizia da impossibilidade de sua aplicação, por não ter o
legislador fixado a hipótese.
A orientação majoritária é de admitir a aplicação da multa reparatória,
entendendo autores como Polastri pela natureza cível da multa, e outros como
Nucci por uma natureza híbrida. Na jurisprudência a natureza não está
consolidada, mas a aplicação é inconteste.
 Se for ação penal pública e o MP não pedir a multa, o juiz não pode dá-
la.
 Multa reparatória apenas danos materiais, danos morais área cívek.
Apelação Crime 70012660593 TJRS: Ementa: ACIDENTE DE TRÂNSITO. HOMICÍDIO
CULPOSO. (...). AGE COM MANIFESTA IMPRUDÊNCIA O MOTORISTA QUE
ADENTRA NA RODOVIA, PARA A TRAVESSIA, SEM TOMAR AS CAUTELAS
DEVIDAS PARA A REALIZAÇÃO DA MANOBRA. PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA
PREVISTA NO ART. 45, § 1º, DO CP, NÃO SE CONFUNDE COM A MULTA
REPARATÓRIA CONTEMPLADA NO ART. 297 DO CTB. ESTA É CABÍVEL QUANDO
HOUVER DANO MATERIAL AO OFENDIDO, ENQUANTO AQUELA É ADMISSÍVEL
AINDA QUE AUSENTE PREJUÍZO MATERIAL. REDUÇÃO, DE OFÍCIO, DO PRAZO
DE SUSPENSÃO DA HABILITAÇÃO PARA DIRIGIR VEÍCULO AUTOMOTOR, ANTE A
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA SENTENÇA (ART. 93, IX, DA CF). Preliminar
rejeitada. Recurso defensivo improvido. De ofício, reduzido o prazo de suspensão da
habilitação para dirigir veículo automotor. (Apelação Crime Nº 70012660593, Primeira
Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Manuel José Martinez Lucas,
Julgado em 23/11/2005)

Ap Criminal 1.0702.07. 346906-7/001 Comarca Uberlândia: APELAÇÃO CRIMINAL -


ACIDENTE DE TRÂNSITO - HOMICÍDIO CULPOSO - INOBSERVÂNCIA DO DEVER
DE CUIDADO OBJETIVO - CULPA CONCORRENTE DA VÍTIMA - ABSOLVIÇÃO -
INADMISSIBILIDADE - MULTA REPARATÓRIA - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO
DANO MATERIAL - EXCLUSÃO. 1. Restando caracterizado que o agente agiu sem o
dever de cuidado objetivo, vindo dar causa ao acidente que resultou na morte da vítima,
não há se falar em absolvição, pois nas circunstâncias em que o mesmo ocorreu era
inteiramente previsível. 2. Ainda que a vítima tivesse concorrido com acidente que ceifou
a sua vida, não havia como absolver o motorista envolvido no fatal acidente, pois ao
contrário do que ocorre no Direito Civil, não há compensação de culpa na esfera penal e
nem exclui o fato punível. 3. Sem entrar no mérito acerca da natureza jurídica da
multa reparatória (art. 297/CTB), medida de natureza penal (pena alternativa) ou
civil, ligada à antecipação da reparação do dano, é assente na doutrina e na
jurisprudência, que a referida multa somente pode ser exigida quando o dano
material restar devidamente comprovado no curso da instrução, pois sem essa
comprovação torna-se inviável a sua aplicação. 4. Recurso parcialmente provido.
(TJMG - Apelação Criminal 1.0702.07.346906-7/001, Relator(a): Des.(a) Antônio
Armando dos Anjos , 3ª CÂMARA CRIMINAL, julgamento em 28/04/2009, publicação da
súmula em 17/06/2009)

STJ REsp 1039015/SP: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MORAIS. ACIDENTE DE TRÂNSITO. MORTE DE FILHA. DISSÍDIO
JURISPRUDENCIAL. NÃO COMPROVAÇÃO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NÃO CABIMENTO. QUANTUM INDENIZATÓRIO. VALOR
FIXADO COM MODERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO. SENTENÇA PENAL.
MULTA REPARATÓRIA REVERTIDA AOS SUCESSORES DA VÍTIMA. EVENTUAL
DESCONTO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E NÃO MORAIS. – (...) A
multa reparatória do Código de Trânsito Brasileiro, revertida para a vítima ou seus
sucessores, somente pode ser descontada da condenação cível por danos
materiais, inexistindo qualquer decréscimo no caso de indenização por danos
morais. Recurso especial não conhecido. (REsp 1039015/SP, Rel. Ministra NANCY
ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/09/2008, DJe 26/09/2008)

REsp 736784/SC: PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO


CULPOSO NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. APLICAÇÃO DA MULTA
REPARATÓRIA PREVISTA NO ART. 297 DA LEI Nº 9.503/97. I - Havendo prejuízo
material resultante da prática de crime previsto no Código de Trânsito Brasileiro
se mostra cabível a aplicação da multa reparatória prevista no art. 297 da Lei nº
9.503/97. II - Não há qualquer incompatibilidade na aplicação cumulativa da multa
reparatória e da prestação pecuniária como substitutiva da pena privativa de
liberdade. Recurso provido. (REsp 736.784/SC, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA
TURMA, julgado em 08/11/2005, DJ 13/03/2006, p. 362)

Art. 298 – Agravantes se aplicam tanto para crimes dolosos quanto culposos
O art. 298 prevê hipóteses de agravantes nos crimes de trânsito que são
aplicáveis também em crimes culposos, diferindo do tratamento do Código
Penal.
Art. 298, II – remissão art. 311 CP

Perdão Judicial
O dispositivo que trazia a previsão do perdão judicial para os crimes
culposos de trânsito foi vetado pelo Presidente da República sob o argumento
de que o Código Penal já regulava de maneira suficiente a questão. Com isso,
não se impede a aplicação do perdão judicial nos delitos de trânsito culposos
(302 e 303).
Quem recebeu perdão judicial pode receber novamente?
Requisitos perdão: Pessoa próxima, relação significativa, sujeito tem que
se sentir punido suficientemente que torna a sanção penal desnecessária.
REsp 1.455178-DF: Informativo nº 0542/Período: 27 de junho de 2014. DIREITO
PENAL. APLICABILIDADE DO PERDÃO JUDICIAL NO CASO DE HOMICÍDIO
CULPOSO NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. O perdão judicial não
pode ser concedido ao agente de homicídio culposo na direção de veículo
automotor (art. 302 do CTB) que, embora atingido moralmente de forma grave
pelas consequências do acidente, não tinha vínculo afetivo com a vítima nem
sofreu sequelas físicas gravíssimas e permanentes. Conquanto o perdão judicial
possa ser aplicado nos casos em que o agente de homicídio culposo sofra
sequelas físicas gravíssimas e permanentes, a doutrina, quando se volta para o
sofrimento psicológico do agente, enxerga no § 5º do art. 121 do CP a exigência
de um laço prévio entre os envolvidos para reconhecer como "tão grave" a forma
como as consequências da infração atingiram o agente. A interpretação dada,
na maior parte das vezes, é no sentido de que só sofre intensamente o réu que,
de forma culposa, matou alguém conhecido e com quem mantinha laços afetivos.
O exemplo mais comumente lançado é o caso de um pai que mata culposamente
o filho. Essa interpretação desdobra-se em um norte que ampara o julgador.
Entender pela desnecessidade do vínculo seria abrir uma fenda na lei, não
desejada pelo legislador. Isso porque, além de ser de difícil aferição o "tão grave"
sofrimento, o argumento da desnecessidade do vínculo serviria para todo e
qualquer caso de delito de trânsito com vítima fatal. Isso não significa dizer o que
a lei não disse, mas apenas conferir-lhe interpretação mais razoável e humana,
sem perder de vista o desgaste emocional que possa sofrer o acusado dessa
espécie de delito, mesmo que não conhecendo a vítima. A solidarização com o
choque psicológico do agente não pode conduzir a uma eventual banalização do
instituto do perdão judicial, o que seria no mínimo temerário no atual cenário de
violência no trânsito, que tanto se tenta combater. Como conclusão, conforme
entendimento doutrinário, a desnecessidade da pena que esteia o perdão judicial
deve, a partir da nova ótica penal e constitucional, referir-se à comunicação para
a comunidade de que o intenso e perene sofrimento do infrator não justifica o
reforço de vigência da norma por meio da sanção penal. REsp 1.455.178-DF,
Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 5/6/2014.

Crimes em Espécie
Bens jurídicos:
Vida – 302
Incolumidade física - 303
Controvertido – 304 (solidariedade?)
Segurança Viária – 306-11
Administração Justiça – 305, 312

A maioria dos delitos de trânsito são crimes comuns quanto ao sujeito


ativo, porém a omissão de socorro (304), a fuga de local de acidente (305) e a
violação de suspensão habilitação (307) são crimes próprios.

Homicídio Culposo
Crime mais grave na redação original do CTB (com a recente alteração
do crime de racha, as figuras qualificadas deste crime passaram a constituir
crimes mais graves).
Violação do princípio da proporcionalidade? Legislador reputou que a
culpa é temerária, grave e o novo CP lege ferenda prevê a culpa temerária o que
justificaria essa previsão).
O homicídio culposo de transito tem de especial do homicídio culposo do
CP a violação do dever de cuidado no que diz respeito às normas que viabilizam
um trânsito seguro. Assim, a qualificação de um homicídio como de trânsito
depende da indicação das normas de trânsito violadas pelo agente e do nexo
causal com o resultado.

Lei Penal no tempo e Lei 12.971/2014


Redação original: parágrafo único que hoje é §1º.
§ 2o Se o agente conduz veículo automotor com capacidade psicomotora
alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que
determine dependência ou participa, em via, de corrida, disputa ou competição
automobilística ou ainda de exibição ou demonstração de perícia em manobra
de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente: (Incluído
pela Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 13. 281,
de 2016) (Vigência)
Penas - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e suspensão ou proibição de se
obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. (Incluído
pela Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 13.281, de
2016) (Vigência)

Desde os anos 1990, o STF fixou uma orientação no sentido de que a


morte no contexto do racha (HC 71800/RS STF) constituiria dolo eventual.
E M E N T A: HABEAS CORPUS - JÚRI - QUESITOS - ALEGAÇÃO DE
NULIDADE - INOCORRENCIA - "RACHA" AUTOMOBILISTICO - VITIMAS
FATAIS - HOMICIDIO DOLOSO - RECONHECIMENTO DE DOLO EVENTUAL
- PEDIDO INDEFERIDO. - A conduta social desajustada daquele que, agindo
com intensa reprovabilidade ético-jurídica, participa, com o seu veículo
automotor, de inaceitável disputa automobilística realizada em plena via pública,
nesta desenvolvendo velocidade exagerada - além de ensejar a possibilidade de
reconhecimento do dolo eventual inerente a esse comportamento
do agente -, justifica a especial exasperação da pena, motivada pela
necessidade de o Estado responder, grave e energicamente, a atitude de quem,
em assim agindo, comete os delitos de homicídio doloso e de lesões corporais.
- Se a Defesa requerer a desclassificação do evento delituoso para homicídio
meramente culposo - e uma vez superados os quesitos concernentes a autoria,
a materialidade e a letalidade do fato imputado ao réu -, legitimar-se-á a
formulação, em ordem sequencial imediata, de quesito dirigido ao Conselho de
Sentença, pertinente a existência de dolo na conduta atribuída ao acusado. A
resposta afirmativa dos Jurados ao quesito referente ao dolo torna incabível a
formulação de quesito concernente a culpa em sentido estrito. Precedentes. - Se
os vários crimes atribuídos ao réu foram tidos como praticados em concurso
formal, daí resultando a aplicação, em grau mínimo, de uma mesma pena,
aumentada, também em bases mínimas, de um sexto (CP, art. 70), torna-se
irrelevante - por evidente ausência de prejuízo - a omissão, nas demais series
de quesitos concernentes aos crimes abrangidos pelo vinculo do concurso ideal,
da indagação relativa a existência de circunstancias atenuantes. - Reveste-se de
legitimidade o ato judicial, que, fazendo aplicação da causa especial de
diminuição a que alude o art. 29, par. 1., do CP, vem, de maneira fundamentada,
a optar pela redução mínima de um sexto, autorizada, pelo preceito legal em
referência, desde que o Conselho de Sentença haja reconhecido o grau de
menor importância da participação do réu na pratica delituosa. Embora
obrigatória, essa redução da pena - que supõe a valoração das circunstancias
emergentes do caso concreto - e variável, essencialmente, em função da maior
ou menor culpabilidade do réu na eclosão do evento delituoso. - Se, não obstante
eventual contradição entre as respostas dadas aos quesitos, vem os Jurados a
responde-los de maneira favorável ao réu, permitindo, desse modo, que se lhe
dispensa tratamento penal benéfico, não há como reconhecer a ocorrência de
prejuízo apto a invalidar a condenação imposta. - Inocorre contradição na
declaração dos Jurados, que, em resposta a indagação sobre o dolo eventual,
afirmaram-no existente nas três series de quesitos, muito embora diverso o
resultado dos votos apurados em relação a cada uma dessas series (4x3, na
primeira série, e 5x2, nas segunda e terceira series). A contradição que se revela
apta a gerar a nulidade processual e somente aquela que se manifesta nos votos
proferidos pela maioria dos Jurados, não sendo possível inferi-la da eventual
incoerência de um ou de alguns votos minoritários. (HC 71800, Relator(a): Min.
CELSO DE MELLO, Primeira Turma, julgado em 20/06/1995, DJ 03-05-1996 PP-
13899 EMENT VOL-01826-01 PP-00159)

Teorias Diferenciadoras Teorias Unificadoras – haveria


entre dolo eventual e culpa
consciente uma figura híbrida. A
culpa temerária

Teorias Intelectivas – critério de


representação
Teorias Volitivas – critério de vontade
– Adotada no Brasil

Teorias Intelectivas
 Teoria da representação ou possibilidade
 Teoria da probabilidade
 Teoria da Evitabilidade
 Teoria do Risco
 Teoria do Perigo a descoberto (desprotegido) (sorte ou acaso decidem
resultado)

Teorias Volitivas
► Teoria da Assunção ou do Consentimento (não basta prever, há um quê de
querer)

► Teoria da Indiferença – sempre que uma atividade tiver regras de segurança,


quando o sujeito as ignora e demonstra indiferença.

Ano: 2010 Banca: MPE-MG


Sobre a diferenciação entre dolo eventual e culpa consciente, INCORRETO afirmar
que,
a)
de acordo com a teoria intelectiva da representação, não existe culpa consciente, pois
a diferença entre dolo e culpa reside no conhecimento do agente quanto aos elementos
do tipo objetivo.

b)
de acordo com a teoria intelectiva do perigo a descoberto, existe dolo eventual quando
a sorte ou o acaso decidem a ocorrência do resultado.

c)
de acordo com a teoria volitiva da indiferença, o dolo eventual pode ser visto como
expressão de dolo de perigo resultante de infração a medidas regulamentares de
segurança.

d)
de acordo com a teoria volitiva da assunção, para a configuração do dolo eventual, basta
a previsão ou o conhecimento do resultado.  Incorreta
Crítica - HC 71800/RS STF – adotar-se-ia a teoria da indiferença e não da
assunção

A Lei nº 12.971/2014 alterou o delito de racha para aumentar sua pena e


criar figuras qualificadas pelo resultado, quando do racha decorram lesão grave
ou morte culposas. Porém de forma absolutamente inexplicável, foi introduzido
um parágrafo no homicídio culposo, definindo como conduta culposa a morte no
contexto do racha ou da embriaguez no volante.
A introdução do §2º no artigo 302 gerou um verdadeiro conflito de normas
dentro do CTB, na medida em que o §2º do art. 302 passou a regular a mesma
situação prevista no art. 308, §2º. Por força da aplicação da lei mais benéfica o
308, §2º deveria ser afastado.
Durante o período do §2º do artigo 302 tornou-se inviável sustentar que
racha representaria dolo eventual, pois havia disposição expressa no sentido de
racha representar culpa. (após a revogação, a situação se modifica novamente).

Lesão Corporal grave no Racha – 308,§1º - 3 a 6 anos X 302,§2º


homicídio culposo racha 2 a 4 anos – Como a pena da lesão poderia ser mais
grave que o homicídio.? Responderia apenas por lesão culposa (303 – 6 a 2
anos) mesmo sendo de menor potencial ofensivo.
Para evitar a quebra do conceito de culpa no CTB e também a produção
de uma solução desproporcional, o §2º do art.302, deveria ser aplicado também
à lesão culposa, permitindo reconhecer o racha como forma de culpa também
na lesão corporal independentemente da gravidade desta.
Com a Lei. 13.281/2016, o §2º do art. 302 foi revogado, como
consequência, a morte no contexto do racha passa a encontrar tipicidade do art.
308,§2º salvo se OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS além do próprio racha
permitirem reconhecer o dolo eventual.
Como consequência, parece insustentável a jurisprudência que sustenta
ser o racha indicativo de dolo eventual.
O STF (HC 107801/SP) chamado a se manifestar sobre a embriaguez como dolo
eventual, diferentemente do que fez com o racha, recusou do dolo eventual, não
sendo suficiente a mera embriaguez.
Outras circunstâncias: embriaguez? Tem que ser algo diferente do próprio racha.

INFORMATIVO Nº 639 Desclassificação de homicídio doloso para culposo na


direção de veículo automotor – 2
HC - 107801
Em conclusão, a 1ª Turma deferiu, por maioria, habeas corpus para
desclassificar o delito de homicídio doloso para culposo na direção de veículo
automotor, descrito na revogada redação do art. 302, parágrafo único, V, da Lei
9.503/97 - CTB (“Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo
automotor: ... Parágrafo único. No homicídio culposo cometido na direção de
veículo automotor, a pena é aumentada de um terço à metade, se o agente: ...
V - estiver sob a influência de álcool ou substância tóxica ou entorpecente de
efeitos análogos”) — v. Informativo 629. Inicialmente, ressaltou-se que o exame
da questão não demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório, mas
apenas revaloração jurídica do que descrito nas instâncias inferiores. Em
seguida, consignou-se que a aplicação da teoria da actio libera in causa somente
seria admissível para justificar a imputação de crime doloso no caso de
embriaguez preordenada quando ficasse comprovado que o agente teria se
inebriado com o intuito de praticar o ilícito ou assumir o risco de produzi-lo, o que
não ocorrera na espécie dos autos. Asseverou-se que, nas hipóteses em que
o fato considerado doloso decorresse de mera presunção em virtude de
embriaguez alcoólica eventual, prevaleceria a capitulação do homicídio
como culposo na direção de veículo automotor em detrimento daquela
descrita no art. 121 do CP. O Min. Marco Aurélio acrescentou que haveria
norma especial a reger a matéria, com a peculiaridade da causa de aumento
decorrente da embriaguez ao volante. Sublinhou que seria contraditória a
prática generalizada de se vislumbrar o dolo eventual em qualquer desastre
de veículo automotor com o resultado morte, porquanto se compreenderia
que o autor do crime também submeteria a própria vida a risco. Vencida a
Min. Cármen Lúcia, relatora, que denegava a ordem por reputar que a análise
de ocorrência de culpa consciente ou de dolo eventual em processos de
competência do tribunal do júri demandaria aprofundado revolvimento da prova
produzida no âmbito da ação penal. HC 107801/SP, rel. orig. Min. Cármen Lúcia,
red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, 6.9.2011. (HC-107801)

 Antes: Racha automaticamente Dolo Eventual

 Lei 12.971: Racha culpa

 Lei 13.281: Regra – racha culpa /não é mais automaticamente dolo eventual
– necessita de outras circunstâncias
Teorias intelectivas: fixam-se em que os limites do dolo devem ser determinados
sobre o conhecimento do agente acerca dos elementos do tipo objetivo.
- Teoria da representação ou da possibilidade: Não existe culpa consciente,
mas apenas culpa inconsciente. Assim, desde que o agente tenha
conscientemente admitido a possibilidade da ocorrência do resultado, haverá
dolo eventual.
- Teoria do perigo a descoberto: seria a situação em que a sorte ou o acaso
é que decidem se o resultado lesivo ocorrerá ou não, o que caracterizaria o dolo
eventual. Já a culpa consciente estaria presenta na hipótese do perigo
resguardado, quando o próprio autor, a vítima ou um terceiro, tendo em vista
cuidadosa observação do resultado, pudesse evitá-lo. Isto quer dizer que o
perigo será resguardado quando o resultado for evitável (...). O dolo eventual se
dará, portanto, segundo essa concepção, quando o resultado estiver fora do
poder de ser evitado.

Teorias volitivas: fixam-se em que a diferenciação entre dolo eventual e culpa


consciente deve ser feita com base no elemento volitivo e não apenas no
elemento intelectivo. Só assim seria possível equiparar o dolo eventual ao dolo
direto para mesmo tratamento penal, pois seria desarrazoado admitir-se uma
espécie de dolo sem referência ao querer.
- Teoria da assunção: Exige não apenas o conhecimento ou a previsão de
que a conduta e o resultado típico podem realizar-se, como também que o
agente se ponha de acordo com isso (conformar-se, aceitar ou assumir o risco
de sua produção).
- Teoria da indiferença: Quer diferenciar o dolo eventual da culpa consciente
através do alto grau de indiferença por parte do agente para com o bem jurídico
ou a sua lesão.
Mesmo no dolo eventual o agente tem que querer o resultado. Nas palavras de
Nelson Hungria, assumir a produção do resultado é uma forma de querer o
resultado. E para a teoria volitiva da assunção não basta apenas a previsão ou
o conhecimento do resultado, há de se querer esse resultado, ainda que esse
querer se revista de uma mera assunção de sua produção.