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EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO

RELATOR DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE N. 6.198/MT

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF

O CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO


BRASIL – CFOAB, serviço público dotado de personalidade jurídica própria e forma
federativa, regulamentado pela Lei 8.906/94, com endereço eletrônico pc@oab.org.br e
com sede em Brasília/DF, no SAUS, Qd. 05, Lote 01, Bloco M, inscrito no CNPJ sob nº
33.205.451/0001-14, por seu Presidente e pelos Advogados que esta subscrevem, vem,
mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, requerer sua admissão no feito
na condição de

AMICUS CURIAE

nos termos do art. 138 da Lei 13.105/2015 e do art. 7º, § 2º, da Lei 9.868/1999, uma vez
que a matéria debatida nos autos é de grande relevância para a Advocacia, pois questio-
nada lei que dispõe sobre a percepção e a distribuição de honorários sucumbenciais por
parte dos Advogados Públicos do Estado de Mato Grosso.
I - SÍNTESE DO FEITO

A presente Ação Direta de Inconstitucionalidade, proposta pela Procura-


dora-Geral da República, dirige-se contra os arts. 120 a 122 da Lei Complementar
111/2002, com as alterações da Lei Complementar 482/2012, ambas do Estado de Mato
Grosso. É a redação dos dispositivos impugnados:

Art. 120. O Fundo de Aperfeiçoamento dos Serviços Jurídicos da Procurado-


ria-Geral do Estado - FUNJUS é constituído pelos seguintes recur-
sos: (Redação da LC 483/12)
I - honorários de 10% (dez por cento) devidos na cobrança dos créditos tribu-
tários ou não tributários, ajuizados ou não, inclusive nos parcelamentos;
II - honorários advocatícios fixados a qualquer título, em favor do Estado;
III - taxas e outros emolumentos cobrados pelos serviços prestados pelos ór-
gãos da Procuradoria-Geral do Estado;
IV - outras rendas e remanejamentos ou transferências de outras rubricas do
orçamento do Estado. (NR)

Art. 121. O FUNJUS será administrado pelo Procurador-Geral, competindo ao


Colégio de Procuradores da Procuradoria-Geral do Estado regulamentar a
utilização dos seus recursos.

Art. 122. Os recursos do FUNJUS destinam-se: (Redação da LC 483/12)


I - ao aperfeiçoamento funcional dos Procuradores do Estado em efetivo exer-
cício das funções, à exceção da hipótese prevista no Art. 64, VII;
II - ao pagamento da anuidade da Ordem dos Advogados do Brasil dos Procu-
radores do Estado em efetivo exercício;
III - a realização de investimentos de infra-estrutura interna e pagamento de
direitos salariais de exercícios anteriores de pessoal da Procuradoria-Geral do
Estado;
IV - a capacitação dos servidores da Procuradoria-Geral do Estado;
V - ao pagamento da anuidade dos conselhos de classes dos servidores efetivos
da Procuradoria Geral do Estado, condicionado à disponibilidade do fundo;
VI - ao incentivo ao Procurador do Estado estável, através de subvenção, para
a aquisição pessoal e semestral de obras jurídicas, correspondente a dez por
cento de um subsídio do Procurador do Estado de Classe Especial;
VII - ao aperfeiçoamento, atualização, especialização e ao aprimoramento ju-
rídico dos Procuradores do Estado estáveis, na condição de aluno, de caráter
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indenizatório, correspondente ao subsídio do Procurador do Estado de Classe
Especial, pago semestralmente;
VIII - ao pagamento ao Procurador do Estado, em efetivo exercício, a título de
auxílio transporte, correspondente a até 20% (vinte por cento) mensal do sub-
sídio do Procurador de Categoria Especial, em conformidade com a efetiva ar-
recadação, a ser disciplinado por resolução do Colégio de Procuradores.
§ 1º A Diretoria Geral da Procuradoria-Geral do Estado será a ordenadora de
despesas do FUNJUS.
§ 2º Fica instituído o Programa de Impulso aos Executivos Fiscais, no âmbito
da Procuradoria-Geral do Estado, com o propósito de incrementar a arreca-
dação da Dívida Ativa Estadual, estando vinculada a percepção do auxílio ins-
tituído pelo inciso VIII à adesão dos Procuradores do Estado ao programa, pa-
ra permitir o efetivo impulso das execuções fiscais que lhes incumbirem.
§ 3º Para fazer jus à verba prevista no inciso VIII deste artigo, o Procurador
do Estado deve manifestar, na forma de resolução do Colégio de Procuradores,
sua adesão ao Programa de Impulso aos Executivos Fiscais, independentemen-
te de sua lotação.

Em síntese, baseia-se a impugnação na suposta ofensa ao regime de sub-


sídio em parcela única, ao teto constitucional, aos princípios da isonomia, da moralidade e
da razoabilidade e à supremacia do interesse público. No aspecto formal, indica-se tam-
bém a usurpação de competência legislativa privativa da União.

II - DA LEGITIMIDADE E DO INTERESSE DO CONSELHO FEDERAL DA


ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

O Conselho Federal da OAB comparece perante o Supremo Tribunal Fe-


deral para contribuir com o debate de fundo da presente ADI, no cumprimento de suas
finalidades institucionais de tutela da ordem constitucional e de defesa da Advocacia,
previstas no art. 44, caput e incisos I e II, da Lei 8.906/94:

Art. 44 – A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, serviço público dotado de


personalidade jurídica e forma federativa, tem por finalidade:
I – defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito,
os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pe-
la rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das ins-
tituições jurídicas.
II - promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a dis-
ciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil.

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Ademais, cumpre notar a especial relevância da atuação do Peticionante
no feito, uma vez que o próprio direito à percepção dos honorários advocatícios, conside-
rados como verba de propriedade do Advogado, é objeto de regulação do Estatuto da en-
tidade e da categoria, nos termos dos capita dos arts. 22 e 23, assim redigidos:

Art. 22. A prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o


direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e
aos de sucumbência.
(...)
Art. 23. Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucum-
bência, pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a
sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário,
seja expedido em seu favor.

A defesa tanto da titularidade dos honorários sucumbenciais por parte dos


Advogados Públicos e Privados quanto da configuração de tais verbas como parcelas de
natureza privada e alimentar corresponde a uma posição histórica da Ordem dos Advoga-
dos do Brasil, reforçada ao longo do tempo pelos diversos dispositivos legislativos que
vieram a dar razão a esse pleito.

Na atual regência da matéria, é induvidosa a configuração dos honorários


advocatícios sucumbenciais como recompensa de índole processual pela atuação zelosa
do Advogado na melhor condução dos interesses de seu constituinte, fato esse que já po-
deria ser extraído de uma leitura atenta do Código de Processo Civil de 1973, mas que
veio a se tornar explícito pela redação do Estatuto da Advocacia e da OAB, depois con-
firmada pelo Código de Processo Civil de 2015 e pela Súmula Vinculante 47.

Os honorários sucumbenciais configuram direito tanto dos Advogados


Privados quanto dos Advogados Públicos, não apenas por expressa previsão legal, como
também por consequência da atividade profissional por eles titularizada em comum. Ao
exercerem o rol de funções previsto no art. 1º do Estatuto da Advocacia e da OAB, inde-
pendentemente de quem os tenha contratado, os Advogados Públicos e Privados contam
com o mesmo conjunto de prerrogativas e obrigações, em decorrência do princípio da
unidade da Advocacia, que deflui do art. 3º, § 1º, do Estatuto, assim redigido:

Art. 3º O exercício da atividade de advocacia no território brasileiro e a deno-


minação de advogado são privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB).

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§ 1º Exercem atividade de advocacia, sujeitando-se ao regime desta lei, além
do regime próprio a que se subordinem, os integrantes da Advocacia-Geral da
União, da Procuradoria da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública e das
Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios e das respectivas entidades de administração indireta e fundacio-
nal.

De tal sorte, as diversas leis estaduais, distritais e municipais que regulam


a percepção e a distribuição dos honorários sucumbenciais por parte dos Advogados Pú-
blicos apenas adensam conteúdos já presentes no ordenamento jurídico, além de cumpri-
rem expressa delegação legislativa presente no diploma processual (art. 85, § 19, do
CPC/15).

O mecanismo de distribuição dos honorários sucumbenciais, conforme ao


decidido na ADI 1.194 (Rel. Min. Maurício Corrêa, Rel. p/ o Acórdão Min. Cármen Lú-
cia, Tribunal Pleno, DJ 11.9.2009), está abrangido pela liberdade negocial dos Advoga-
dos, o que justifica a multiplicidade de opções à disposição dos Procuradores Estaduais,
Distritais e Municipais.

Ademais, não há dúvidas quanto ao fato de os honorários sucumbenciais


não se subsumirem à acepção de receita pública, nos termos da Lei 4.320/1964. Na condi-
ção de verbas titularizadas pelos particulares e pagas diretamente pela parte vencida, não
há como cogitar de qualquer relação com o sistema remuneratório dos servidores públi-
cos, previsto na Constituição Federal de 1988.

Os honorários dos advogados públicos não são meras benesses ou con-


cessões voluntariosas do ente público. Sua percepção configura direito subjetivo de fun-
damento jurídico-constitucional, correspondente a todo profissional que exerce a Advoca-
cia, seja na esfera pública, seja na esfera privada.

A pretensão de incorporar os honorários sucumbenciais ao erário e a de-


fesa de que tais verbas oneram os cofres públicos são argumentos que apenas polemizam
e inflamam o debate, para condenar a categoria por direito que lhe corresponde. O pleito
de declará-los em contrariedade com a ordem constitucional não se compatibiliza a real
natureza das parcelas – inequivocamente privada – e pretende imprimir verdadeiro efeito
confiscatório ao provimento judicial – ao arrepio da Constituição Federal de 1988.

Em recente manifestação, de 18 de junho de 2019, a Comissão Nacional


de Advocacia Pública divulgou nota de irrestrito apoio e solidariedade aos Advogados
Públicos, aprovada pela Diretoria Nacional da Ordem, na qual é declarado o compromisso

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com a defesa da constitucionalidade dos honorários sucumbenciais.1 É na linha desse es-
forço, harmônico às elevadas finalidades institucionais constantes no Estatuto, que vem o
Conselho Federal da OAB requerer sua habilitação no feito.

Sendo o Peticionante a entidade máxima de defesa e disciplina da Advo-


cacia em âmbito nacional, por força de lei, é inquestionável sua representatividade e sua
expertise para a atuação no feito, o que põe em evidência o cumprimento dos requisitos
legais para a admissão na condição de amicus curiae (art. 138 da Lei 13.105/2015 e art.
7º, § 2º, da Lei 9.868/1999).

III – DOS PEDIDOS

Por todo o exposto, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do


Brasil requer sua admissão na Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 6.198/MT na con-
dição de amicus curiae e a garantia de manifestação oportuna ao longo do transcurso da
ação, incluídas a possibilidade de sustentação oral (art. 131, § 3º, do RISTF) por ocasião
do julgamento do feito e a juntada de suas razões de intervenção em momento futuro.

Termos em que pede deferimento.

Brasília, 5 de agosto de 2019.

Felipe Santa Cruz


Presidente Nacional da OAB
OAB/RJ 95.573

Marcello Terto e Silva


Presidente da Comissão Nacional de Advocacia Pública
OAB/GO 21.959

Lizandra Nascimento Vicente Guilherme Del Negro Barroso Freitas


OAB/DF 39.992 OAB/DF 48.893

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Nota pública sobre honorários de sucumbência. Disponível em: <https://www.oab.org.br/noticia/57306/nota-
publica-sobre-honorarios-de-sucumbencia>. Acesso em 04/07/2019.
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