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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA 5ª VARA DE

FAMÍLIA E REGISTRO CIVIL DA CAPITAL-PE

“A defesa técnica do interditando poderá ser feita por


advogado constituído ou, em sua falta, por curador
especial que será nomeado judicialmente (parágrafo
2º).” (in Código de Processo Civil Comentado – coordenação
Helder Moroni Câmara. São Paulo: Almedina/2016, p. 917).

Processo nº xxxxxx

XXXXXXXXXX, já qualificado nos autos em epígrafe, através do seu


advogado que assina a presente digitalmente, vem, respeitosamente, à presença
da Vossa Excelência, para, com fulcro no que preceituam o artigo 337, ambos do
Código de Processo Civil, oferecer

CONTESTAÇÃO

à Ação de INTERDIÇÃO proposta por XXXXXXX, pelos fatos e fundamentos


alegados na exordial.

BREVE SÍNTESE

Compulsando os autos, verifica-se pleito de interdição do Sr. XXXXXXX,


por este apresentar quadro clínico de Demência decorrente de mal de
ALZHEIMER, não possuindo assim, capacidade para praticar os atos da vida civil.

Alega a Autora que o Sr. Cristiano Rodrigues da Silva, filho do Interditando,


foi buscar seu Pai dia 18/12/2018 em sua residência, não retornando com o
mesmo até a presente data.
A Autora declara, que entregou os documentos (RG, Cartão de banco e
senha) do Interditando a Srª Milene XXXXXXXX, condicionado a retirada de
comunicação de crime de maus tratos na delegacia do Idoso.

Por fim, a Autora comunicou o fato da retirada de sua residência de seu


esposo ao MPPE, através do ofício XXXXXX.

DA VERDADE REAL

O Interditando, reconhece ter saído da companhia da sua “esposa” por livre


e espontânea vontade, pois não estava sendo bem tratado, MANIFESTANDO
SUA VONTADE EM PERMANECER EM SUA RESIDÊNCIA NA COMPANHIA
DE SEUS FILHOS!!!

Para tanto, vem contando com o auxílio dos filhos, tendo na Srª
XXXXXXXX, a dedicação exclusiva de cuidar pessoalmente das necessidades e
seus interesses desde SETEMBRO DE 2018, valendo esclarecer alguns pontos
importantes referente a sua saúde:

a) Que encontra-se saudável fisicamente conforme registro da situação do


Idoso (Doc.01), sendo acompanhado por médico que prescreveu
medicamentos conforme receituário (Doc.02, 2.1 e 2.2).

b) Que passou por avaliação odontológica, constatando a necessidade de


tratamento URGENTE pela situação crítica de sua boca (Doc.03).

Após saída do interditando da companhia da Autora em setembro de 2019


para sua residência, a mesma ficou de posse do cartão e senha do banco, NÃO
REPASSANDO os valores da aposentadoria equivalente aos meses de Agosto à
Novembro de 2018, isto é, UTILIZOU INJUSTIFICADAMENTE DA
APOSENTADORIA DO INTERDITANDO PARA OUTROS FINS!!!

A Autora entregou o Cartão e senha do banco, mediante compromisso da


filha do interditando em retirar comunicação de crime de maus tratos junto a
delegacia do Idoso e, RECONHECEU NÃO MAIS DISPOR DO VALOR TOTAL
DA APOSENTADORIA RETIDOS (4 MESES), depositando R$ 700,00
(setecentos reais) em 27.09.2018 e R$ 200,00 (duzentos reais) em mãos da Srª
Milene para fins de compensação, realizando acordo Extrajudicial do valor
restante (Doc.04)

Observa-se que o interditando recebe um total de proventos de R$


8.654,41 (Oito mil seiscentos e cinquenta e quatro reais e quarenta e um
centavos), porém, decorrente dos diversos empréstimos contraídos (Doc.05
e 5.1), restam aproximadamente da aposentadoria R$ 2.555,01 (Dois mil
quinhentos e cinquenta e cinco reais e um centavo) para custear sua saúde,
alimentação e demais necessidades.

Vale esclarecer que não existia entre a Autora e o interditando uma


convivência harmônica, pois as discussões e ameaças eram regra nesta relação
conforme carta de próprio punho do interditando em 2013, declarando a intenção
da Autora em lhe matar e dar uma surra na sua filha, Srª Milene (Doc.06)

POR FIM, O INTERDITANDO ENCONTRA-SE LÚCIDO, EFETUANDO


SEM AJUDA DE TERCEIROS, ATIVIDADES DIÁRIAS COMO TOMAR BANHO, SE
ALIMENTAR E SE LOCOMOVER PELA CASA.

DO MÉRITO

Diante da particularidade deste caso, necessário se faz tecer breves


comentários acerca das alterações no instituto da curatela ocorridas em virtude
do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015).

Disciplina o art. 2º da nova norma que "Considera-se pessoa com


deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física,
mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras,
pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de
condições com as demais pessoas".

Por sua vez, o art. 6º é categórico em declarar que "A deficiência não
afeta a plena capacidade civil da pessoa (...)". Ainda, tem-se que o art. 114 da
mesma lei revogou os incisos do art. 3º do Código Civil.

Nesse ínterim, o art. 84 do Estatuto afirma que "A pessoa com


deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua capacidade legal
em igualdade de condições com as demais pessoas". O seu parágrafo
primeiro autoriza, quando necessário a submissão do deficiente à curatela, com a
ressalva do parágrafo terceiro no sentido de que "A definição de curatela de
pessoa com deficiência constitui medida protetiva extraordinária,
proporcional às necessidades e às circunstâncias de cada caso, e durará o
menor tempo possível".

Da mesma maneira, o caput do art. 85, na mesma linha, prevê que "A
curatela afetará tão somente os atos relacionados aos direitos de natureza
patrimonial e negocial", constituindo, nos termos do § 2º, "medida
extraordinária, devendo constar da sentença as razões e motivações de sua
definição, preservados os interesses do curatelado".

Assim, diante da previsão expressa de que pessoas com deficiência são


legalmente capazes, estamos diante, portanto, um novo sistema de curatela
que, vale salientar, fará com que se configure como “imprecisão técnica”
considerar-se a pessoa com deficiência incapaz.

Esse novo instituto de “curatela” passa a ter o caráter de medida


excepcional, extraordinária, a ser adotada somente quando e na medida em que
for necessária.

Nesse norte, afastou-se a exigência de termo de curatela em diversas


situações, como na emissão de documentos oficiais (art. 86) e para o
requerimento e recebimento de benefícios previdenciários, a partir da inclusão,
pelo art. 101 do

Estatuto, do art. 110-A a Lei nº 8.213/1991, que diz:

Art. 110-A. No ato de requerimento de benefícios


operacionalizados pelo INSS, não será exigida apresentação de
termo de curatela de titular ou de beneficiário com deficiência,
observados os procedimentos a serem estabelecidos em
regulamento.

Com efeito, analisando o dispositivo supra, vislumbra-se que somente se


admite o processamento da interdição (entendida como ação de imposição de
curatela e não mais voltada à declaração da incapacidade civil) quando
demonstrada a imperiosa necessidade de prática de atos de gestão
patrimonial pelo curador em razão da impossibilidade do exercício de
seus direitos pelo interditando e quando for impossível recorrer-se ao
mecanismo da tomada de decisão apoiada.

Portanto, o simples manejo da demanda como forma de viabilizar o


acesso ao recebimento de benefícios previdenciários não mais conta com o
beneplácito da lei. É que a curatela não é necessária para isso e sua utilização
com essa finalidade constitui banalização da medida protetiva extraordinária.

Assim, imprescindível se faz a perícia médica com fim de atestar e


demonstrar a imperiosa necessidade da medida para gestão patrimonial,
não podendo a presente ação ser julgada procedente pela simples
alegação de doença mental do interditando, o que por certo caracterizaria
afronta aos seus direitos e a capacidade de direito legalmente
reconhecida.
Conquanto, a parte ré informa que não concorda com a nomeação da
Autora como Curadora Provisória, por não representar sua vontade.

DA AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO DE PESSOA IDOSA

Foi apresentado pedido de Busca e Apreensão do interditando através da


Petição Id. 50891780, com fundamento no Termo de Compromisso de
Curatela Provisória e com argumentos que o interditando “se tornou
completamente incapaz, nos termos do art. 3º, inciso II, do Código Civil, o
que impossibilitou-o sozinho de gerir, por si só, os atos de sua vida civil”

Diante do exposto, requer deste juízo o INDEFERIMENTO do pedido


considerando as seguintes razões:

a) O Interditando está LÚCIDO, morando em sua residência e na


convivência de seus filhos;

b) O Interditando NÃO QUER RETORNAR AO CONVÍVIO COM A


AUTORA, por alegar MAUS TRATOS;

c) O Interditando não deve ser considerado incapaz, apenas por ser


portador de ALZHEIMER, pois o art. 114 do Estatuto da Pessoa com
Deficiência (Lei nº 13.146/2015), revogou os incisos do art. 3º do
Código Civil;

d) O Interditando NÃO CONCORDA com a nomeação da Autora como


Curadora Provisória, por não representar sua vontade;

DA INIDONEIDADE DA AUTORA

Foi instaurado inquérito policial para verificar a conduta da Autora quanto ao


crime de Apropriação indébita, porém foi arquivado pela Primeira Vara Criminal
da Comarca de Jaboatão dos Guararapes, pelas seguintes razões “ (...) No caso
em comento, a Promotora de Justiça suscita que não foi comprovada a ocorrência
de fato típico após a apuração policial(...)” (Doc.07)

Contudo, A AUTORA RECONHECE QUE UTILIZOU INJUSTIFICADAMENTE


DA APOSENTADORIA do Interditando por 4 meses conforme acordo
extrajudicial (Doc.04).
Ante exposto, a Autora incorreu sim, no crime de Apropriação Indébita Contra
Idoso. Art. 102 da Lei nº 10.741 ( Estatuto do Idoso). MACULANDO SUA
CONDIÇÃO DE ASSUMIR O MÚNUS DE CURADORA do Interditando.

DOS PEDIDOS

Dessa feita, requer-se:

a) INDEFERIMENTO do Pedido de Busca e Apreensão de Pessoa idosa,


apresentado na petição Id. 50891780, pelas razões apresentadas;

b) A IMPROCEDÊNCIA do pedido, com a manutenção da capacidade


civil do interditando, condenando, consequentemente, a parte autora
ao pagamento das custas processuais, honorários advocatícios, a
serem fixados por Vossa Excelência, e demais cominações legais.

c) Caso não entenda desta forma, seja designada audiência, momento


que o Interditando comparecerá perante esse Juízo que o interrogará,
designando, posteriormente, caso V. Exa. considere necessário, perito
para proceder ao exame de praxe;

d) A intimação do representante do Ministério Público;

Protesta ainda pela produção de todos os meios de prova admitidos e


necessários ao deslinde da causa.

Nestes termos,
pede e espera por deferimento.

Recife-PE, 18 de setembro de 2019

SILVIO BATISTA DA SILVA


OAB/PE 38.925