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FACULDADE DUQUE DE CAXIAS

CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

WESLEY PAULO PEIXOTO

“Racismo é assunto para o Serviço Social?”:


Um estudo sobre a relação do racismo na sociedade brasileira e o curso de
Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias

Duque de Caxias/ RJ

DEZEMBRO

2018
FACULDADE DUQUE DE CAXIAS

WESLEY PAULO PEIXOTO

“Racismo é assunto para o Serviço Social?”:


Um estudo sobre a relação do racismo na sociedade brasileira e o curso de
Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado


como requisito parcial para obtenção do título
de Bacharel em Serviço Social.

Orientadora: Professora Drª Liandra Lima


Carvalho

Duque de Caxias/ RJ

DEZEMBRO

2018
300.981 PEIXOTO, Wesley Paulo
P379r “Racismo é assunto para o Serviço Social ? ”: um estudo
sobre a relação do racismo na sociedade brasileira e o curso
de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias / Wesley
Paulo Peixoto. – Duque de Caxias, RJ: O autor, 2018.
97f.
Monografia ( Bacharel em Serviço Social ). Faculdade
Duque de Caxias. Duque de Caxias, RJ.
Orientadora: Profª Drª Liandra Lima Carvalho
1- Serviço Social 2- Racismo - Brasil
FACULDADE DUQUE DE CAXIAS

WESLEY PAULO PEIXOTO

“Racismo é assunto para o Serviço Social?”:


Um estudo sobre a relação do racismo na sociedade brasileira e o curso de
Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado


como requisito parcial para obtenção do título
de Bacharel em Serviço Social.

Orientadora: Professora Drª Liandra Lima


Carvalho

BANCA EXAMINADORA

Professora Drª Liandra Lima Carvalho

Faculdade Duque de Caxias

Professora Ms. Jaqueline de Melo Barros

Faculdade Duque de Caxias

Professora Esp. Iranir Cardoso de Souza

Faculdade Duque de Caxias

Duque de Caxias

Dezembro

2018
DEDICATÓRIA

Dedico o presente Trabalho de Conclusão de Curso,


primeiramente a Deus, por tudo o que Ele tens feito em
minha vida, cumprindo as promessas que faz, bem como à
minha querida e falecida Avó paterna Maria de Lourdes
Martins, por tudo o que ela fez por mim em vida, até os
meus 18 anos, e pelo grande orgulho que ela teve de mim
por ingressar na Faculdade, me ajudando a pagar a
passagem para a mesma, no início. Faleceu quando eu
estava terminando o 2º período em 2015. Creio que a
senhora está muito feliz por mim por essa conquista.
Lista de Agradecimentos:
Agradeço primeiramente a Deus, por ter me dado forças diariamente para
batalhar em busca dos meus sonhos e objetivos, assim como por cumprir as
promessas que ele fez à mim, desde a minha adolescência.
Agradeço a minha querida e falecida Avó paterna Maria de Lourdes
Martins Peixoto, por todo o apoio, incentivo, carinho e força que ela deu à mim
em vida, desde a minha infância até os meus 18 anos, quando ingressei na
Faculdade, me ajudando na passagem para a mesma. Ao meu avô paterno e
falecido Jorge Henrique por tudo.
Agradeço a toda a minha família, especialmente minha mãe Luciana
Paulo, por ser uma grande guerreira, batalhadora e um exemplo para mim. À
minha única Avó em vida Glória, por todo o incentivo e ao meu pai Jonas. À
minha tia Graziele, Zenir, madrinha Sebastiana, Tio Roberto Beto, Dona Arina,
que me ajudaram a comprar um notebook para que eu pudesse fazer os meus
trabalhos da faculdade tranquilamente e até escrever este trabalho de Conclusao
de Curso. Às minhas primas Keyse e Karine, meu primo Joel e Prima Aline, por
todo o carinho, incentivo e ajuda que me deram desde a minha infância.
Agradeço aos meus tios José Carlos, Luis Claudio, Vanessa, Robson e Fabiano.
Assim como agradeço aos meus irmãos, Wendel, Larissa e Welisson e minha
cunhada Ariane, creio que um dia eles se formarão também.
Agradeço aos meus pastores Emerson e Tatiane, por todo o incentivo que
me deram para continuar na Faculdade, assim como todos os membros da igreja
na qual faço parte, Igreja Evangélica Petencostal Ministério Vidas
Transformadas, em Nova Iguaçu, onde também sou ministro de louvor e back
vocal, pelo incentivo dado. Agradeço especialmente e carinhosamente a Irmã
Isabel e Irmã Yasmin, por toda a ajuda dada durante a minha faculdade,
agradeço muito a vocês.
Agradeço a cada um cliente e amigo que comprou os meus doces por 1
real, no qual eu vendi diariamente para pagar a passagem da Faculdade, na rua,
na faculdade, nas lojas, no pré-vestibular que eu estudei antes de ir para a
Faculdade, logo após perder a minha querida avó Maria de Lourdes, desde o 3º
período. Posso mencionar como pessoas importantes para este começo da
venda de doces: Professora e Orientadora Liandra, Professor Salvatore,
Professora Lucilia, que não se encontra mais presente na Faculdade, meu
barbeiro e amigo Ricardo Marques, Irmã Creuza, Mãe Luciana Paulo e meu
amigo borracheiro e cliente Leandro. Teve outras pessoas que agradeço de
coração.
Agradeço a todos os meus amigos, especialmente meu amigo Jonathan
Rocha, que considero como um irmão pra mim, sua esposa Rayane, meu amigo
Patrick, minha amiga Claudia Almeida, que agradeço por toda ajuda que me deu,
minha amiga e colega de profissão, que me incentivou a fazer o curso de Serviço
Social, Camila Barreto, e minha amiga Karla Morgana, somos amigos desde o
Ensino Médio.
Agradeço ao Pré-Vestibular para Negros e Carente (PVNC), que eu
estudei antes de ingressar na Faculdade, no qual consegui a bolsa integral
(100%) do Prouni, em 2015, no curso de Serviço Social da Faculdade Duque de
Caxias. Agradeço especialmente ao Renatinho do Pré, Vanessa do Pré, a cada
um dos professores voluntários que me deram aula durante o tempo que fiquei
no Pré-Vestibular, agradeço a Juliana e Natalia por terem me convidado para ser
um dos professores voluntários do Pré-Vestibular, de Sociologia e Redação, a
cada um dos alunos pela atenção dada nas aulas e por terem comprado meus
doces para a passagem da Faculdade durante os finais de semana.
Agradeço a cada um dos professores de Serviço Social da Faculdade
Duque de Caxias, especialmente a minha Professora Liandra, que também é
minha orientadora, ou melhor dizendo uma ótima orientadora, que sempre teve
paciência comigo durante as orientações, me deu dicas, me compreendeu por
conta da minha luta diária de me manter na Faculdade e me incentivou no
momento mais difícil de minha vida. O professor Salvatore, que me incentivou
grandemente durante a minha vida acadêmica, grande professor e amigo, que
me ajudou para a escolha do tema sobre racismo durante o meu projeto de
pesquisa, não tenho nem palavras para agradecer. A professora Lucilia, que não
se encontra mais na Faculdade, mas também me incentivou muito a continuar
na Faculdade, mesmo após eu ter perdido a minha avó. A professora Jaqueline,
que também é coordenadora do curso, que sempre compreendeu minha luta e
deixou eu até montar uma banquinha na faculdade com os doces em um evento,
não tenho palavras para agradecer. Professora Iranir, grande professora de
estágio, que sempre me incentivou quando eu mais precisei. Agradeço também
as professoras Marceli e Juliana, por todos os conhecimentos passados sobre o
Serviço Social e por me ajudarem nos doces também. A professora Estela por
ter ministrado para mim a disciplina Gênero e Questão Social, quando eu estava
no 3º período, e foi importante para a minha reafirmação negra e
empoderamento negro, resultando na presente pesquisa.
Agradeço a minha supervisora Claudia Valéria, por durante os meus 3
estágios obrigatórios em Serviço Social, na Upa Infantil Walter Garcia, me passar
todos os conhecimentos necessários sobre o Serviço Social, assim como me
compreender na minha luta para permanecer na Faculdade, ser uma grande
amiga me incentivando para continuar. Agradeço também as assistentes sociais
Denise e Claudia Maria, por ficarem um grande período comigo no estágio,
também se tornaram grandes amigas. Agradeço a chefe do Serviço Social da
Upa/Hospital Infantil Flávia, por ser muito humilde e sempre lutar pelo Serviço
Social na Upa, agradeço a assistente social Camila também.
Agradeço a cada um da Faculdade Duque de Caxias, desde os docentes
aos discentes de Serviço Social, assim como das outras áreas, Administração,
Enfermagem e Sistema de Informação. Desde a diretora Rosane, que sempre
acreditou em mim e muito humilde, até os profissionais da secretaria,
especialmente Aline, que pertubei demais (risos), os profissionais de limpeza, tia
Karlinha; o seu Ivan da Xerox, professora Luciana Gavioli, grande professora de
português que se tornou amiga, a cada um dos alunos dos diversos cursos e
professores da Faculdade, que compraram os meus doces por 1 real e
compreenderam que eu vendi para me manter na mesma.
Agradeço a todos do colégio que estudei antes de estar na Faculdade, O
Colégio Estadual Vereador Percy Batista Crispim, em Nova Iguaçu,
especialmente a diretora Joana, por sempre acreditar em mim, Coordenadora
Talita e Paulinha, Tia Sula, Professora Flavia, em memória e sempre acreditou
em mim enquanto estava viva, e a professora Tais, Professora Jaqueline,
Professor Anderson, a todos os professores eu dou o meu muito obrigado por
sempre acreditarem em mim.
Agradeço a cada um que de alguma forma me ajudou na passagem da
Faculdade, quando eu vendi doces na rua de bicicleta, nas lojas, comprando os
doces por 1 real, minhas paçocas, minhas jujubas, meus amendoins e etc., que
me ajudou na Faculdade e que sempre me deram palavras de incentivos para
não desistir sou grato!
Epígrafe:

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua


pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar,
as pessoas precisam aprender, e se aprendem a odiar,
podem ser ensinadas a amar.”
Nelson Mandela

“(...) Campeão, Vencedor, Deus dá asas, faz seu vôo


Campeão, Vencedor, esta fé que te faz imbatível
Te mostra o teu valor”
Trechos da música Conquistando o Impossível- Jamily
Resumo:
O presente trabalho teve por objetivo avaliar a presença da temática racial no
Curso de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias. Para tal realização um
significativo levantamento bibliográfico sobre o tema, bem como buscou
perceber junto aos estudantes deste curso como eles viam as questões
referentes ao racismo nas suas vidas, como também dentro da estrutura
curricular.
Palavras-chave: Temática racial; Serviço Social; estudante; racismo; estrutura
curricular
Lista de Siglas:

CFESS- Conselho Federal de Serviço Social


CRESS- Conselhos Regionais de Serviço Social
ENEM- Exame Nacional do Ensino Médio
FIES- Programa de Financiamento Estudantil
IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia
IDEB- Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
IDH- Índice de Desenvolvimento Humano
IPCA- Índice de Preços ao Consumidor Amplo
MTE- Ministério do Trabalho e Emprego
PNAD- Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
PNUD- Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
PROUNI- Programa Universidade para todos
PVNC’s- Pré-vestibulares para Negros e Carentes
REUNI- Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais
SEI-BA - Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia
SISU- Sistema de Seleção Unificado
Lista de Gráficos
Gráfico 1: Idade dos estudantes entrevistados................................................54
Gráfico 2: Sexo dos estudantes entrevistados.................................................57
Gráfico 3: Período cursado pelo estudante entrevistado.................................59
Gráfico 4: Cor/raça do entrevistado.................................................................59
Gráfico 5: Inserção dos entrevistados no mercado de trabalho......................60
Gráfico 6: Renda dos entrevistados................................................................61
Gráfico 7: Presença da família de origem no nível superior...........................62
Gráfico 8: Hiato entre o ensino médio e a graduação....................................64
Gráfico 9: Residência na Baixada Fluminense...............................................64
Gráfico 10: Contato com discussões sobre racismo e/ou preconceito racial antes
de iniciar a graduação......................................................................................65
Gráfico 11: Assistiu algum episódio de racismo e/ou preconceito racial........67
Gráfico 12: Sofreu racismo e/ou preconceito racial........................................68
Gráfico 13: População brasileira racista.........................................................70
Gráfico 14: Negros e brancos possuem as mesmas oportunidades na educação
e no mercado de trabalho................................................................................71
Gráfico 15: Campanha do CFESS sobre combate ao racismo......................75
Gráfico 16: Cotas raciais para entrada no ensino superior público e/ou para
concursos públicos..........................................................................................77
Gráfico 17: Presença de conteúdos sobre racismo/discriminação racial no Curso
de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias.........................................79
Gráfico 18: Sugestão de mudanças para o curso de Serviço Social da Faculdade
Duque de Caxias no tocante ao racismo e/ou discriminação racial...............80
Gráfico 19: Conhecimento dos profissionais de Serviço Social que conhece
sobre racismo e/ou preconceito racial...........................................................82
Gráfico 20: A presença da temática de combate ao racismo e/ou preconceito
racial como conteúdo nas graduações pode contribuir para a diminuição do
racismo no Brasil……………………………………………..............................84
Sumário

INTRODUÇÃO ................................................................................................. 14
CAPÍTULO 1: RACISMO- UMA EXPOSIÇÃO TEÓRICO HISTÓRICA
BRASILEIRA POUCO VISIBILIZADA............................................................... 16
1.1- RAÇA E RACISMO CIENTÍFICO .............................................................. 16
1.2- ORIGEM DO RACISMO NO BRASIL E A ESCRAVIDÃO ........................ 18
1.3- ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA E A EXCLUSÃO DOS NEGROS NA
SOCIEDADE BRASILEIRA .............................................................................. 19
1.4- A MISCIGENAÇÃO NO TERRITÓRIO BRASILEIRO ............................... 21
1.5- RACISMO CORDIAL E O MITO DA DEMOCRACIA RACIAL
BRASILEIRA..... ............................................................................................... 23
1.6- IDENTIDADE NACIONAL BRASILEIRA ................................................... 25

CAPÍTULO 2: LUTAS SOCIAIS CONTRA O RACISMO .................................. 27


2.1- MOVIMENTO NEGRO E A IDENTIDADE NEGRA ................................... 27
2.2- MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO (MNU) E AS SUAS PRINCIPAIS
CONQUISTAS.................................................................................................. 29
2.3- O RACISMO E A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988........................... 33
2.3.1- LEI CAÓ .......................................................................................... 34
2.4- CONFERÊNCIA DE DURBAN E AS SUAS CONQUISTAS PARA O
BRASIL ..............................................................................................................38
2.4.1- SECRETARIA ESPECIAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL
(SEPPIR) ................................................................................................... 39
2.4.2- ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL ............................................ 41
2.4.3- COTAS RACIAIS ............................................................................. 43
2.5- DADOS ATUAIS DA POPULAÇÃO NEGRA ............................................. 49

CAPÍTULO 3- SERVIÇO SOCIAL E O COMBATE AO RACISMO .................. 54


CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 86
REFERÊNCIAS ................................................................................................ 90
ANEXO 1 .......................................................................................................... 95
14

INTRODUÇÃO

O racismo teve entrada na sociedade brasileira através da escravidão, a


partir de quando milhares de negros foram trazidos para o país
compulsoriamente, para trabalhar de forma cativa nos canaviais, algodoais e nas
minas. (Filho, 2004). Tal tema gera grandes debates e polêmicas na sociedade
atual, onde a sociedade e população brasileira sabe da existência do mesmo,
seja pelos atos de discriminação racial que ocorre diariamente ou pelos dados
atuais que mostram a desigualdade social entre negros e brancos, no mercado
de trabalho e educação. Ainda assim, a maioria acaba caindo no mito da
democracia racial, onde acredita-se pelo fato de o Brasil ser um pais
miscigenado, com mistura de raças, não existe racismo e sim uma harmonia
racial entre negros e brancos, como defendido por Gilberto Freire, nos anos de
1930, através de sua obra “Casa Grande Senzala”.
Ao abolir a escravatura os negros ficaram à própria sorte, à margem da
sociedade, relegados à exclusão e discriminação racial, conquistando voz e
espaço na sociedade, através do movimento negro, existente desde o período
escravocrata.
O presente Trabalho de Conclusão de Curso tem por objetivo principal
avaliar a presença da temática racial, no Curso de Serviço Social da Faculdade
Duque de Caxias, e se tal curso, que promove paulatinamente atividades como
seminários, palestras, feiras sobre a temática, possibilitou aos alunos um olhar
mais crítico sobre as consequências do racismo no Brasil e sobre as estratégias
de enfrentamento ao mesmo.
O despertar para a temática racial, no autor da presente pesquisa, adveio
por conta da realização da disciplina “Gênero e Questão Social”, que fala sobre
o racismo no Brasil, quando o mesmo estava no 3º período, no qual segundo
Barros (2017), esta disciplina foi incluída na grade curricular do Curso de Serviço
Social da Faculdade Duque de Caxias, através da reforma curricular, realizada
no segundo semestre de 2011. Pode-se considerar que a partir dessa disciplina
foi abordado um pouco sobre a temática racial no curso de Serviço Social e aos
poucos tem aumentado o número de produções acadêmicas, como a presente
pesquisa, sobre o racismo. Pode-se considerar que antes da inclusão dessa
15

disciplina, era varrido para “debaixo do tapete” essa temática e quase nunca
abordado o racismo.
O presente trabalho está organizado em três capítulos, no primeiro
capítulo apresentamos uma abordagem histórica e sociológica com o racismo,
no segundo capítulo expomos os mecanismos de combate ao racismo no Brasil
e, no terceiro capítulo, revelamos os resultados da pesquisa de campo por nós
realizada, junto a uma amostra dos alunos do curso de Serviço Social da
Faculdade Duque de Caxias
16

CAPÍTULO 1: RACISMO- UMA EXPOSIÇÃO TEÓRICO HISTÓRICA


BRASILEIRA POUCO VISIBILIZADA

O racismo é definido por Silva (2011:13): “(...) como sendo o preconceito


contra um “grupo racial”, na maioria das vezes distinto daquele a que pertence o
sujeito, dessa forma é uma atitude subjetiva gerada por uma sequência de
mecanismos sociais.” Desse modo, pode-se considerar o racismo como um
pensamento sem fundamento ou premeditado contra um grupo racial, em sua
maioria negra, e uma atitude gerada do interior dos próprios indivíduos contra
outros.
Lima, por sua vez, define o racismo como: “(...) um comportamento
sociocultural em que se exclui uma determinada pessoa devido à cor de sua
pele”. (2012:33). Mediante tal definição, tem-se a cor da pele como um fator
crucial para a exclusão de uma determinada pessoa, sendo o racismo
denominado como um comportamento que envolve aspectos sociais e culturais.
Já os autores Lima e Vala (2004:402), argumentam que:
O racismo constitui-se num processo de hierarquização,
exclusão e discriminação contra um indivíduo ou toda uma
categoria social que é definida como diferente com base em
alguma marca física externa (real ou imaginada), a qual é re-
significada em termos de uma marca cultural interna que define
padrões de comportamento.

Percebemos que na perspectiva dos autores, o racismo se manifesta na


exclusão, na discriminação ou na superioridade de um indivíduo ou de uma
categoria social sobre a outra, sendo esta discriminação definida por alguma
marca física externa, que é ressignificada através de uma marca de cultura
internalizada pelos indivíduos, que define o modo no qual os indivíduos tem que
comportar-se na sociedade.

1.1- RAÇA E RACISMO CIENTÍFICO

Filho (2004:26) aponta que:


Assim como as definições conceituais, a classificação para
diferenciar os seres é uma atitude comum. Porém quando esta
classificação passa a ser utilizada para hierarquizar indivíduos
ou grupos visando o domínio, a exploração e a opressão, tirando
17

lhes a dignidade humana, dentro do pressuposto da


superioridade de uns e a inferioridade de outros, então se
estabelece o racismo.

Segundo o autor, é normal utilizar a classificação para diferenciar os seres


humanos, mas quando esta classificação é utilizada para sobrepor indivíduos ou
grupos sobre outros daí que se encontra o racismo.
Daí também se traz a definição conceitual do termo raça, uma vez que
como seres simbólicos temos a tendência de classificar os indivíduos de acordo
com a raça.
Do ponto de vista científico, o termo raça possui duas acepções
básicas. A primeira refere-se a seu uso sociológico: designa um
grupo humano ao qual se atribui determinada origem e cujos
membros possuem características mentais e físicas comuns. (...)
Na segunda acepção, de cunho biológico, a palavra raça
designa um grupo de indivíduos que têm uma parte importante
de seus genes em comum e que podem ser diferenciados dos
membros de outros grupos a partir desses genes. Entende-se
raça, pois, como uma população que possui um estoque ou
patrimônio genético próprio. (BORGES, 2002:44 apud FILHO,
2004:26).

O termo raça possui duas recepções, referente ao seu uso sociólogo,


quando um grupo humano possui características mentais e físicas comuns, bem
como uma origem e história em comum; e ao seu uso biológico, quando um
grupo de indivíduos tem seus genes em comum, diferenciando-se de outros
grupos a partir desses genes.
A partir do século XVIII, diversos naturalistas desenvolveram suas teorias
baseadas nessa ideia de “raça”. Dentre eles pode-se destacar Lineu, que dividiu
a espécie humana em quatro raças.
(...) o homem europeu: engenhoso, inventivo, branco,
sanguíneo, governado pelas leis; o homem americano: satisfeito
com sua condição, gostando da liberdade, pardo, irascível,
governado pelos costumes; o homem asiático: avarento,
amarelo, melancólico, governado pela opinião e o homem
africano: manhoso, preguiçoso, negligente, negro, governado
pela vontade arbitrária de seus amos. (BORGES, 2002:45 apud
FILHO, 2004:27)

Dessa divisão das raças humanas por Lineu, observa-se a superioridade


do homem europeu em relação ao homem africano, demonstrando a
superioridade da raça branca quando comparada a raça negra, ao considerar o
18

homem europeu como engenhoso e inventivo, e o homem africano como


manhoso e preguiçoso.

1.2- ORIGEM DO RACISMO NO BRASIL E A ESCRAVIDÃO

O racismo teve entrada na sociedade brasileira através da escravidão,


onde a inserção do negro na sociedade brasileira se dá no momento em que
milhões de africanos, foram trazidos de forma compulsória para o Brasil, através
do navio negreiro, para o trabalho cativo nos canaviais, algodoais, nas minas,
nas casas grandes e nas mais diversas atividades em todo Continente
Americano, tendo a maior concentração de negros no Brasil. (FILHO, 2004)
Estima-se que 4,2 milhões de homens e mulheres africanos chegaram no
Brasil, obrigados violentamente a saírem da África, atravessando o Oceano
Atlântico em condições precárias, para se tornarem em escravos no pais. Até
1800, o Brasil recebeu cerca de 2,5 milhões de africanos (as), enquanto na
América Espanhola, no mesmo período foram menos de 1 milhão. (ANDREWS,
2004 apud CICONELLO, 2007)
Esse quadro mostra que o Brasil foi o país que mais teve negros trazidos
compulsoriamente da África e, por conseguinte, mão de obra escrava, do que os
outros países que também tiveram a escravidão. Isso gerou, como
consequência, a desigualdade entre os negros e brancos, que persistem na
sociedade até os dias atuais.
Segundo Filho, “A heterogeneidade natural dos seres humanos é
transformada em símbolo da desigualdade sócio-político-econômico e cultural,
viabilizando o domínio e a exploração de uns, tidos como superiores, sobre os
outros considerados inferiores.” (2004:24). Ou seja, a natureza desigual dos
seres humanos transformou-se em representação da desigualdade social,
política, econômica e cultural, levando ao domínio e a exploração de uns seres
humanos considerados superiores a outros seres humanos considerados
inferiores. Deste modo, a escravidão tornou-se legitimada.
Segundo Ciconello, “foi o Estado quem legitimou o regime de escravidão,
institucionalizando e legalizando o tráfico de africanos/as e a sua existência
como mercadoria na mão de senhores brancos”. (2007:8). Deste modo, o Estado
fez com que o regime de escravidão e que o tráfico de africanos (as), se tornasse
19

um comércio totalmente legalizado, através de leis e normas, no Brasil, e que os


escravos tornem-se em mercadorias nas mãos dos senhores brancos, faz com
que se naturalize na sociedade os espaços subalternos aos negros e a
manutenção das desigualdades raciais existentes no país recentemente.
O uso da mão-de-obra escrava em diversas funções levou a uma divisão
do trabalho, em uma economia de base agrícola, e devido ao regime escravista
suprir os engenhos de variados produtos de subsistência, assegurava a
economia, impedindo o desenvolvimento de atividades econômicas, onde
poderiam se organizar classes intermediárias. (SILVA, 2006)

1.3- ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA E A EXCLUSÃO DOS NEGROS NA


SOCIEDADE BRASILEIRA

Mesmo sendo escravo, durante a escravidão, o negro sempre lutou pela


sua liberdade, embora se tenha poucos registros ou comentários dos
movimentos de luta dos negros contrário ao sistema escravocrata. Como
exemplo dessas revoltas tem-se o registro do maior dos quilombos, o dos
Palmares, liderado por Zumbi dos Palmares. Os quilombos eram os locais onde
os escravos, que conseguiam fugir, durante o período da escravidão, se
escondiam. (Lima, 2012). É importante destacar que os quilombos são um
exemplo de luta dos negros que existem desde o período escravocrata, sempre
contrário a tal sistema.
Ainda referente aos Quilombos, Ciconello (2007:8) diz que: “Essas
comunidades existem até hoje e, a partir da Constituição de 1988, foi-lhes
assegurado o direito a propriedade definitiva da terra.”. Ou seja, mesmo existindo
na sociedade desde o período escravocrata, através da Constituição Federal de
1988, foi assegurado aos sobreviventes dos Quilombos o direito à propriedade
da terra, preservando a sua história.
Ainda assim, sempre se propagou na sociedade, por interesse das
classes dominantes, a ideia de que o negro foi pacifico e submisso o tempo todo
durante a escravidão, sem se revoltar contra tal sistema, como bem salienta Lima
(2012:13): “Isto porque sempre se propagou, por parte da classe dominante, a
imagem de que os negros fossem pessoas cordiais o tempo todo, sem se
rebelar.” O que não é verdade, pois como foi mencionado anteriormente o negro
20

sempre lutou contra o sistema escravocrata e pela sua liberdade, através


também das leis abolicionistas e dos Quilombos.
A luta dos negros fugitivos das senzalas, através dos Quilombos; a
elaboração das leis abolicionistas; e a pressão de países, principalmente a
Inglaterra, por interesses econômicos, pelo fim da escravidão, levaram a
abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888, através da assinatura da Lei
nº 3.353, mais conhecida como Lei Áurea, pela Princesa Izabel, tornando a partir
daí extinta a escravidão.
Porém, para Filho (2004:39), a extinção da escravidão, não fez com que
os negros fossem incluídos na sociedade, pois o “o Governo Imperial não a faz
acompanhar-se de medidas que facultasse realmente a inclusão
socioeconômica e política do ex-escravo”.
Analfabeto em sua maioria, sem uma profissão reconhecida,
sofrendo discriminações e preconceitos pela sua antiga
condição e, principalmente, sem terra para possibilitar a sua
subsistência e dignidade, os negros vão para os centros urbanos
serem perseguidos e vitimizados cotidianamente em sua relação
com aqueles que, de várias formas e durante várias gerações,
se beneficiaram, se beneficiam e se beneficiarão da sua força
de trabalho. (FILHO, 2004:39)

Com a abolição da escravatura, os negros se tornaram cidadãos livres,


porém ficaram à margem da sociedade, pois a maioria era analfabeto, porque
não tinham acesso à escolaridade; não tinham uma profissão reconhecida
socialmente, até porque trabalhavam de forma forçada nas terras dos senhores;
e não tinham a propriedade de terra, que possibilitasse o seu sustento ou status
social; tendo como única saída irem para o centros urbanos, enfrentar as
discriminações e os preconceitos existentes sobre eles, devido à sua condição
anterior de escravo no sistema escravocrata, e serem perseguidos pelos brancos
ou vitimizados por eles, devido à sua condição anterior de escravo no sistema
escravocrata.
É importante salientar que, mesmo após, 130 anos da Promulgação do
Fim da Escravatura, o racismo ainda “(...) é uma questão de grande embate na
sociedade brasileira, apesar de ter uma população miscigenada não se mostra
evidente, mas ocorre sutilmente por estar enraizado na sociedade desde os
tempos da escravidão.” (PIMENTEL; SILVA; SANTOS, 2015:2). Sendo assim,
conclui-se que o racismo tem a sua raiz desde o período escravocrata, onde
21

devido a condição inferior do negro por exercer o trabalho braçal e forçado,


acabou isso interferindo na sociedade, sendo o negro visto como um ser inferior
até os dias atuais.
Logo após a abolição da escravatura, tendo como justificativa o racismo
científico da época, que acreditava na suposta superioridade de uma raça sobre
a outra, no caso da raça branca sobre a negra, o Estado apoiou a política de
branqueamento do país, dando incentivo a imigração de origem europeia para o
Brasil. (CICONELLO, 2007).
Os negros, depois da abolição da escravatura:
(...) ficaram sem lugar na agricultura e na indústria nascente,
espaços ocupados pelos imigrantes europeus. Assim, a absoluta
maioria dos trabalhadores negros/as ficou relegada a setores de
subsistência da economia e de atividades precarizadas e mal
remuneradas. Essa é a origem da exclusão e da informalidade.
(CICONELLO, 2007:8)

A partir daí tem-se ainda mais a exclusão, uma vez que ainda permanecia
no ideário da população brasileira, a imagem negativa e depreciativa do negro
na sociedade, devido a sua situação anterior durante o período escravocrata, e
os empregadores preferiam contratar na agricultura e na indústria nascente os
brancos do que os negros.
Após a abolição da escravatura: “(...) o que não se fez foi dar as devidas
condições para que o negro pudesse viver de forma digna (...), só lhe restaram
os trabalhos informais ou como serviçal (...) não conseguiu acesso à
escolaridade (LIMA, 2012:16). A escravidão no Brasil trouxe consequências à
população negra, sendo relegadas à exclusão social, sem direito de ter acesso
à escola, em comparação a população branca, que detinha mais direitos.

1.4- A MISCIGENAÇÃO NO TERRITÓRIO BRASILEIRO

Quanto a origem da miscigenação no território brasileiro, tem-se que:


Os primeiros imigrantes portugueses não trouxeram suas
mulheres, e registros históricos indicam que iniciaram
rapidamente um processo de miscigenação com mulheres
indígenas; Com a vinda dos escravos, a partir da segunda
metade do século 16, o processo de miscigenação se estendeu
às africanas. (PENA, 2002:27 apud FILHO, 2004:30).
22

A miscigenação começa a ocorrer na sociedade colonial, a partir do


século XV, quando os imigrantes portugueses no território brasileiro, não
trouxeram as suas mulheres e passaram a se relacionar primeiramente com as
mulheres indígenas. Só depois, a partir da segunda metade do século XVI,
quando milhares de negros foram trazidos para cá compulsoriamente através
dos navios negreiros, que esses imigrantes passaram a se relacionar com as
mulheres africanas.
Para confirmação ele cita a carta de Padre Manuel da Nóbrega
solicitando ao Rei de Portugal, o envio de mulheres brancas para
a Colônia e também o Alvará de Lei emitido pelo Marquês de
Pombal, em 1755, estimulando casamentos entre portugueses e
índias, o que já é um indício de discriminação em relação às
mulheres negras. (PENA, 2002 apud FILHO, 2004:30)

Dessa citação pode-se observar o início da discriminação às mulheres


negras, ainda no período colonial, tanto com a Carta do Padre Manuel da
Nóbrega, solicitando que o Rei de Portugal enviasse mulheres brancas para a
Colônia, a fim de que impedisse a mistura de raças e a relação de homens
brancos com as mulheres negras e também o Alvará de Lei emitido pelo Marquês
de Pombal, em 1755, estimulando casamentos entre portugueses e índias, para
que não viessem ter relações com as mulheres negras.
Filho, ainda traz que, no século XIX, com a independência do Brasil e com
o fim do sistema escravocrata:
O Brasil recebeu enormes levas de imigrantes, destacando-se
portugueses e italianos, seguidos de espanhóis, alemães,
japoneses e sírio-libaneses. Embora muitos imigrantes tenham
vindo com suas famílias, havia um excesso significativo de
homens. Como eram, em geral, pobres, casavam-se com
mulheres pobres, o que no Brasil significava mulheres de pele
escura (por causa da correlação entre cor da pele e classe
social) (PENA, 2002:27 apud FILHO, 2006:30)

Ou seja, se muitos dos imigrantes que o Brasil recebeu, desde o século


XIX, eram pobres e se casavam com mulheres pobres, logicamente se casavam
com mulheres negras, pois as mulheres negras ainda em sua maioria eram
pobres, o que contribuiu ainda mais para o fator da miscigenação no território
brasileiro.
A miscigenação, ou seja, a mistura de raças no Brasil, serviu de base
para a criação do “mito da democracia racial brasileira”, considerado mais tarde
como uma ideologia.
23

1.5- RACISMO CORDIAL E O MITO DA DEMOCRACIA RACIAL


BRASILEIRA

Para os autores Lima e Vala (2004:407), o racismo cordial é definido


como:
(...) uma forma de discriminação contra os cidadãos não brancos
(negros e mulatos), que se caracteriza por uma polidez
superficial que reveste atitudes e comportamentos
discriminatórios, que se expressam ao nível das relações
interpessoais através de piadas, ditos populares e brincadeiras
de cunho “racial”.

Seguindo a definição dos autores, pode-se observar que o racismo de


forma cordial, tal como ocorre na sociedade brasileira, acaba sendo uma forma
de discriminação contra os negros e mulatos, que esconde atitudes e
comportamentos discriminatórios, manifestando-se através de piadas, ditos
populares ou até brincadeiras de cunho racial.
Ou seja, é muito mais fácil o racismo, pelo fato de manifestar-se de forma
cordial e velada na sociedade brasileira, ser reconhecido como uma “brincadeira”
ou piadinha ao outro, do que como uma discriminação. Assim a vítima não
denuncia o agressor, pois é muito difícil ser detectado tal atitude discriminatória
como racismo, em virtude dos fatos mencionados anteriormente.
Isto se deve ao fato de ser difundido, na sociedade brasileira, no início do
século XX, o “mito da democracia racial” brasileira, por uma série de autores,
incluindo Gilberto Freyre, em sua obra “Casa grande e Senzala”, onde para Lima
(2012:45): “(...) considerado como cordial, levou a falsa crença de que o Brasil
não é um país racista e a miscigenação é tida comum fator que vem corroborar
este julgamento irreal por parte de alguns autores (...)”. A divulgação do “mito da
democracia racial brasileira”, no início do século XX, um pouco depois da
abolição da escravatura, através também da obra “Casa grande e Senzala”, de
Gilberto Freyre, levou muita gente acreditar que no Brasil não existia o racismo
e que a mistura de raças, através da mestiçagem, faz com que negros e brancos
vivam em perfeita harmonia, sem discriminação.
O mito da democracia racial, acaba naturalizando os espaços subalternos,
no qual a população negra vive na sociedade brasileira, e trazendo como
resultado a não visibilidade do racismo.
24

Contudo, ao mesmo tempo em que incorpora a presença da


contribuição negra na formação nacional, naturaliza os espaços
subordinados que negros e negras ocupam na sociedade e
invisibiliza as relações de poder entre as populações negra e
branca. O resultado é uma sociedade em que o racismo e as
desigualdades sociais dele resultante não se revelam, não se
debatem, parecem não existir. O problema, dizem, não é o
racismo, é a pobreza; as desigualdades não são raciais, são
sociais. (CICONELLO, 2007:2)

Realmente, através da propagação desse “mito” pela sociedade brasileira,


o racismo e as suas consequências aparentam não existirem e nem se mostram
evidente, não havendo necessidade para a discussão. O que acontece é que se
“mascara” o racismo na sociedade brasileira cada vez mais.
“O mito da democracia racial, ainda presente no imaginário da população
brasileira, foi um avanço sociológico na época de sua criação, nos anos de 1930,
quando se consolidava um “racismo científico” e com características eugênicas.”
(CICONELLO, 2007:2). Dessa citação, pode-se perceber que esse mito da
democracia racial foi criado nos anos de 1930, quando estava sendo
estabelecido na sociedade um racismo cientifico, que tentava explicar o racismo
pela ciência e a biologização das raças, acreditando na superioridade de uma
raça sobre outra e com características eugênicas.
No tocante a eugenia, Santos a define como “a ciência que tem por
objetivo a “melhora das raças humanas”. (SANTOS, 1985:30). Para ocorrer essa
melhora, acreditava-se na sociedade que através da mestiçagem, na mescla dos
caracteres físicos de negros e brancos, se tem a melhora de raças.
Na análise deste: “O mito da democracia racial é uma forma
brasileiríssima, bastante eficaz, de controle social.” (SANTOS, 1985:45)
Para explicar o motivo de a maioria da população brasileira acreditar na
democracia racial brasileira, o autor argumenta que “as elites que nos
governaram até hoje precisaram vender esta mentira, aqui e no exterior.”
(SANTOS, 1985:43). Ou seja, o mito da democracia racial brasileira, acabou
também favorecendo as elites que nos governaram até hoje, pois se no país não
existe racismo, não precisa haver práticas ou medidas efetivas que visem
combater a discriminação racial no Brasil.
Isso ocorre até os dias atuais, onde há todo momento é gerado um
discurso social de que não existe racismo no Brasil e que os negros querem se
25

vitimar ao manifestar-se contra o racismo. Essas ideias tem origem do mito da


democracia racial brasileira, que esconde o racismo no Brasil
Desta afirmação pode-se concluir que a pobreza e as desigualdades
sociais existentes na sociedade brasileira, são problemas raciais e de racismo,
mas pelo mito da democracia racial nega-se constantemente essa afirmativa.

1.6- IDENTIDADE NACIONAL BRASILEIRA

Referente a “identidade nacional brasileira”, Panta e Palisser (2015:2)


afirmam que:
A supressão do sistema escravocrata, em 1888, coloca aos
pensadores do país uma questão fundamental: a construção de
uma nação e de uma “identidade nacional”. Esta construção
apresentava-se como um desafio frente à nova categoria de
“cidadãos” que surgia: os ex-escravizados negros.

Com o término do período escravocrata, diversos autores e pensadores


começaram a se preocupar, no início do século XX, com a construção da nação
brasileira e de uma “identidade nacional”. Esse fato ocorreu devido aos ex-
escravos e negros, que viviam nas senzalas, começarem a se integrarem na
sociedade, indo para os centros urbanos, e serem considerados como cidadãos,
uma vez que estava extinta a escravidão.
O discurso sobre a “identidade nacional brasileira”, produzido
por importante parcela da elite política e intelectual brasileira na
primeira metade do século XX, profundamente influenciada
pelas teorias raciais europeias e norte-americanas, começa a se
estabelecer quando o Brasil deixa de ser colônia para se
constituir numa nação. (PANTA; PALISSER, 2015:2) ´

A partir do momento que o Brasil deixou de ser colônia, como era antes
durante o período escravocrata, para ser uma nação, diversos intelectuais e
parcela da elite política começam a desenvolver o discurso sobre a identidade
nacional, baseados nas teorias raciais europeias e norte-americanas, que
acreditavam na superioridade da raça branca sobre a raça negra.
O negro era visto como símbolo de atraso e degradação, neste contexto
e período, da nova sociedade que surgia após a abolição da escravatura, como
salienta os autores Panta e Palisser: “Nesse contexto, o negro foi considerado o
principal símbolo de atraso e degradação do Brasil, isto é, uma ameaça à
26

configuração da nova sociedade que emergia sucessora da escravocrata.”


(2015:2)
A solução desse impasse, ou seja, da ameaça da população negra frente
a nova sociedade que surgia, após o regime escravocrata, “(...) se encontraria
numa proposta eugenista que visava não só o branqueamento nacional - na sua
forma biológica, através da miscigenação - mas também o estabelecimento de
uma cultura unificada (...)” (PANTA; PALISSER, 2015:2). Ou seja, para deter e
solucionar o avanço da população negra na sociedade, já que eram vistos como
atraso na nova sociedade que emergia após o período escravocrata, foi dado
como proposta o branqueamento nacional, através da miscigenação, isto é a
mistura de raças, e a eugenia, que acreditava na purificação das raças, por isso
foi incentivada a política de imigração europeia; e também o estabelecimento de
uma cultura unificada, de acordo com os padrões da população branca, vista
como superior e de cultura hegemônica, no início do século XX.
Visto que na sociedade existiam diferentes identidades, na “identidade
nacional”, o objetivo da época era torna-las única, obedecendo aos padrões e
ideários de branqueamento. (PANTA; PALISSER, 2015)
Enfim, para os referidos autores: “O que se almejou foi o
embranquecimento físico e cultural do povo brasileiro e, simultaneamente, a
extinção do contingente populacional negro.” (PANTA; PALISSER, 2015:2).
Dessa forma, como o negro era visto como uma ameaça a nova sociedade e a
“identidade nacional”, o que se buscou no período era o branqueamento tanto
físico, através da imigração europeia e da miscigenação, quanto cultural, do povo
brasileiro, com o objetivo de tornar extinta o contingente populacional negro.
Logo não se respeitou a cultura da população negra na sociedade brasileira, já
que o que prevaleceu na mesma foi a cultura europeia, de acordo com os
padrões hegemônicos e branqueadores do período, considerada como a mais
bonita, que faziam parte desta nova “identidade nacional”.
27

CAPÍTULO 2: LUTAS SOCIAIS CONTRA O RACISMO

2.1- MOVIMENTO NEGRO E A IDENTIDADE NEGRA

No tocante ao movimento negro, Silva (2011:30) afirma que:


A reversão da imagem social negativa associada aos negros
constitui bandeira histórica de luta de seu movimento social por
uma mobilidade ascendente e um campo de pesquisa ainda
amplamente a ser explorado.

Em outras palavras, o movimento negro surge dessa necessidade de


reverter a imagem social negativa associada aos negros, ainda presente no
imaginário da sociedade brasileira, devido a sua condição anterior de escravo no
período escravocrata, onde era submisso aos senhores, permanecendo na
sociedade a imagem do negro como subalterno, inferior e sem direitos quando
comparado à população branca; e também para a ascensão social da classe
negra, pois devido ao preconceito e discriminação racial, tem maiores
dificuldades para ocupar os lugares e cargos maiores na sociedade.
Os primeiros movimentos de luta após a abolição da escravatura, datam
do início do século XX, quando o governo nacionalista de Getúlio Vargas, traz
um discurso de que era necessário a exclusão dos imigrantes no território
brasileiro, por estarem ocupando vagas ou cargos de trabalho que seriam dos
trabalhadores brasileiros, tanto brancos como negros. (LIMA, 2012)
Neste período, início do século XX, chegou ao Brasil um grande número
de imigrantes, vindo principalmente da Europa, e por serem considerados mão-
de-obra especializada, tinham preferência na ocupação de cargos de trabalho, o
que levava ainda mais a exclusão da população negra. Por isso, este quadro
levou a Getúlio Vargas ter um discurso de que era importante a exclusão desses
imigrantes.
Este discurso foi apoiado por uma classe média negra organizada por
pequenos comerciantes, funcionários públicos, operários e membros do exército,
que já existiam no período. (LIMA, 2012)
Podemos nos questionar os motivos que levaram a população negra,
neste período, não terem orgulho de serem elas mesmas, Lima explica que tal
posicionamento se dá em virtude da “(...) condição de abandono e inferioridade
a que foi relegado após a abolição (...)”. (2012:25). Em outras palavras, por terem
28

ficado à margem da sociedade devido a abolição da escravatura, que não trouxe


nenhuma política que viesse a trazer a integração do negro a sociedade como
cidadão, e permanecendo em condições de abandono e inferioridade, os negros
não conseguiram adquirir o orgulho de ser eles mesmo.
Acreditamos que é importante que o negro tenha o orgulho de ser ele
mesmo, pois se isso não ocorrer, o mesmo “(...) não conseguirá encontrar
motivos para lutar e reivindicar pelo resgate das raízes afro-brasileiras, além da
preservação da sua cultura.” (LIMA, 2012:25). Dessa maneira, somente tendo
orgulho de ser ele mesmo, é que os negros encontrarão motivos para lutar,
preservar e reivindicar pelo resgate das suas raízes afro-brasileiras e cultura,
através do movimento negro.
Lima ainda salienta que: “Com a auto-estima baixa, o negro absorve os
valores da classe dominante, principalmente, aquele que vive em condições
muito pobres, pois não há na sociedade referências da raça negra.” (2012:25).
A auto-estima baixa da população negra se deve ao fato de serem
considerados inferiores pela sociedade, acabando o negro, principalmente os
que vivem em condições precárias e pobres, absorvendo os valores da classe
dominante branca, considerada como a estética mais bonita e correta, e não
dando valor a cultura negra ou estética negra, já que não há referência da raça
negra na sociedade.
As noções de beleza são derivadas de uma estética ‘branca’,
usada como ‘referência correta’, positiva, racional e bem
desenvolvida, levando, em decorrência, a uma desvalorização
da estética negra, encarada como exótica, emocional e primitiva,
qualidades consideradas ‘menores’. [...] (FERREIRA, 2002:76
apud LIMA, 2012:25)

Nossa percepção é que o movimento negro, é importante para o processo


de construção da “identidade negra” para a população negra inserida na
sociedade, de forma que tenham o orgulho de serem eles mesmos, mediante a
sociedade cujos padrões brancos são hegemônicos, e para que também tenham
uma mobilização em busca dos seus interesses, por uma sociedade mais
equânime e justa, onde se tenha a igualdade entre negros e brancos
Para Munanga, a maior dificuldade do movimento negro para a
construção de uma “identidade negra”, está:
[...] nos fundamentos da ideologia racial elaborada a partir do fim
do século XIX e meados do século XX pela elite brasileira. Essa
29

ideologia, caracterizada, entre outros pelo ideário do


branqueamento, roubou dos movimentos negros o ditado ‘a
união faz a força’ ao dividir negros e mestiços e ao alienar o
processo de identidade de ambos (MUNANGA, 2008:15 apud
PANTA; PALISSER, 2015:10).

Percebemos que há uma dificuldade do movimento negro construir uma


“identidade negra” na população negra, na atualidade, devido a falsa crença na
superioridade de uma raça sobre a outra, no caso da branca sobre a raça negra,
muito difundida na sociedade entre o final do século XIX e meado do século XX,
por parte da elite brasileira, que fez com que fosse retirados dos movimentos
negros o sentimento de uma identidade coletiva, trazendo a divisão de negros e
mestiços, fazendo com que muitos dos últimos se considerarem da raça branca.

2.2- MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO (MNU) E AS SUAS PRINCIPAIS


CONQUISTAS

Verificamos que poucos foram os avanços da população negra brasileira


ao longo das décadas de 1930, 1940, 1950 e 1960, tal realidade só se modificou
a partir da década de 1970, com o avanço da luta pela redemocratização
brasileira:
No que se refere à importância de construir uma “identidade
negra”, os movimentos negros organizados contemporâneos,
nascidos a partir da década de 1970, entre várias outras
demandas, luta pela reconstrução de sua identidade racial e
cultural, que sirva como base para sua mobilização política.
(PANTA; PALISSER, 2015:11)

Durante o Golpe Militar de 1964 e aos anos da Ditadura que se seguiram,


tudo era considerado como rebelião ou revolta, o que levou aos movimentos
negros enfraquecerem durante esse período. Porém, um acontecimento ocorrido
em 7 de julho de 1978, em plena Ditadura Militar, fez com que fosse reavivada a
luta dos negros por igualdade e justiça. Organizado pelo autodenominado
“Movimento Unificado contra a Discriminação Racial”, ocorrido na área fronteiriça
ao Teatro Municipal e o Viaduto do Chá, em São Paulo, reuniu diversos grupos
com o objetivo de denunciar todas as formas de racismo, de forma continua,
além de organizar a comunidade negra (ALBERTI PEREIRA, s/d apud LIMA,
2012)
30

Dois fatores fizeram com que esse acontecimento ocorresse: O primeiro


foi o assassinato do jovem negro Robson Silveira da Luz, dentro do distrito
policial da cidade de Guaianazes/ SP, onde o mesmo estava preso, acusado de
roubar frutas em uma feira, em maio de 1978; e o segundo foi a discriminação
racial sofrida por quatro meninos negros, que foram impedidos de treinar vôlei
no time infantil do Clube de Regatas Tietê/SP, no mesmo ano. (ALBERTI
PEREIRA, s/d apud LIMA, 2012)
Diversas entidades do movimento negro e representantes de atletas e
artistas negros, participaram da criação do “Movimento Unificado contra a
Discriminação Racial”, no dia 18 de junho de 1978, como o Centro de Cultura e
Arte Negra – CECAN, Grupo Afro-Latino América, Associação Cultural Brasil
Jovem, Instituto Brasileiro de Estudos Africanistas – IBEA e Câmara de Comércio
Afro-Brasileiro, representada pelo filho do Deputado Adalberto Camargo.
(MILTÃ, 2010)
O lançamento público deste “Movimento Unificado contra a Discriminação
Racial”, se deu no dia 7 de Julho de 1978, com o acontecimento mencionado
anteriormente, na área fronteiriça ao Teatro Municipal e o Viaduto do Chá, em
São Paulo, tendo a participação também de entidades do movimento negro, do
Rio de Janeiro, como o Instituto de Pesquisa das Culturas Negras – IPCN, Centro
de Estudos Brasil África – CEBA, Escola de Samba Quilombos, Renascença
Clube, Núcleo Negro Socialista, Olorum Baba Min, Sociedade de Intercâmbio
Brasil África – SINBA. (MILTÃ, 2010)
Mais tarde o nome “Movimento Unificado contra a Discriminação Racial”,
foi simplificado para Movimento Negro Unificado, como salienta Domingues
(2007:114): “Como a luta prioritária do movimento era contra a discriminação
racial, seu nome foi simplificado para Movimento Negro Unificado (MNU).”
Dessa forma, podemos perceber como foi importante a criação, em 1978,
do que é conhecido na contemporaneidade como o Movimento Nego Unificado
(MNU), uma vez que contou com a participação de diversas entidades do
movimento negro de variados Estados do Brasil, de representantes de atletas e
artistas negros, como também de um grande contingente de pessoas militantes
do movimento negro no Brasil.
Domingues (2007:115), afirma que:
31

O nascimento do MNU significou um marco na história do


protesto negro do país, porque, entre outros motivos,
desenvolveu-se a proposta de unificar a luta de todos os grupos
e organizações anti-racistas em escala nacional. O objetivo era
fortalecer o poder político do movimento negro. Nesta nova fase,
a estratégia que prevaleceu no movimento foi a de combinar a
luta do negro com a de todos os oprimidos da sociedade.

Ou seja, o surgimento do Movimento Negro Unificado, trouxe uma


mudança no combate à discriminação racial no Brasil, uma vez que teve como
objetivo a unificação de organizações que lutam contra o racismo no país, bem
como buscou homogeneizar a luta da população negra com a de outros
segmentos oprimidos na sociedade, como mulheres, idosos, população LGBT,
entre outros.
De acordo com Miltã (2010:s/p), o MNU:
(...) mudou a forma da população negra lutar, saindo das salas
de debates e conferência, atividades lúdicas e esportivas, para
ações de confronto aos atos de racismo e discriminação racial,
elaborando panfletos e jornais, realizando atos públicos e
criando núcleos organizados em associações recreativas, de
moradores, categorias de trabalhadores, nas universidades
públicas e privadas.

As reivindicações do MNU, no Programa de Ação, de 1982, foram as


seguintes:
(...) desmistificação da democracia racial brasileira; organização
política da população negra; transformação do Movimento Negro
em movimento de massas; formação de um amplo leque de
alianças na luta contra o racismo e a exploração do trabalhador;
organização para enfrentar a violência policial; organização nos
sindicatos e partidos políticos; luta pela introdução da História da
África e do Negro no Brasil nos currículos escolares, bem como
a busca pelo apoio internacional contra o racismo no
país.(DOMINGUES, 2007:114)

Ou seja, neste período, o Movimento Negro Unificado, não buscava


somente lutar contra a discriminação racial, pelo contrário, tinha uma série de
reivindicações como desmistificar o mito da democracia racial brasileira, que
construiu no imaginário da população brasileira, desde o início do século XX,
que no Brasil, por ser um país miscigenado, não existia discriminação racial em
seu interior; transformar o movimento negro em movimento de massas
populares, onde contasse com o apoio da população em atos públicos de
confronto direto ao racismo; realizar a aliança com partidos políticos e sindicatos
de esquerda, que buscassem a superação da sociedade capitalista e a
32

exploração do trabalhador; lutar pela introdução da História da África e do Negro


no Brasil nos currículos escolares, para uma valorização da população negra na
sociedade e para desconstruir o racismo; e também a busca por apoio de outros
países para o combate a discriminação racial.
A educação, no interior do movimento negro, até a década de 1980,
possuía um discurso universal, porém a partir de quando os militantes
perceberam que nem todos os negros conseguiam ter acesso a uma educação
de caráter universal, tal como foi implementada como política pública, o discurso
passou a ser mudado para a reivindicação por ações afirmativas, principalmente
pelo sistema de cotas raciais. (GOMES, 2012)
Segundo Miltã (2010:s/p):
O MNU, fortalecendo a proposta do início da década de setenta,
do Grupo Palmares de Porto Alegre, decidiu na Assembléia
Nacional do MNU, em Salvador – BA, no dia 4 de novembro de
1978, transformar o 20 de Novembro, no Dia Nacional da
Consciência negra, data da morte de Zumbi, um dos principais
comandantes do Quilombo dos Palmares, um exemplo de luta e
dignidade para os negros e todos os brasileiros.

Quer dizer, o dia 20 de Novembro é considerado pelo MNU, como o Dia


Nacional da Consciência Negra, de forma que venha a lembrar do dia da morte
de um dos maiores líderes do Quilombo dos Palmares, o Zumbi dos Palmares,
símbolo de resistência e luta para a população negra.
Foi neste mesmo dia, no ano de 1995, em homenagem aos 300 anos da
morte de Zumbi dos Palmares, que foi realizada pelo MNU, a “Marcha Nacional
Zumbi dos Palmares contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida”, em Brasília.
Por conseguinte, foi entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso, o
“Programa para Superação do Racismo e da Desigualdade Étnico-Racial”. Neste
documento encontrava-se a demanda por ações afirmativas como proposição
para a inclusão do negro na educação superior e no mercado de trabalho.
(GOMES, 2012).
Na atualidade, o principal objetivo que o movimento negro tem é de
promover a campanha a favor das ações afirmativas. (DOMINGUES, 2008)
As ações afirmativas, de acordo com Domingues (2008:106):
São programas cuja finalidade é eliminar ou minimizar as
desigualdades de oportunidades por meio de políticas públicas
(ou privadas) voltadas para favorecer aqueles grupos que,
33

historicamente, sofreram (e sofrem) discriminação negativa,


como é o caso de negros, mulheres, gays e deficientes físicos.

Desse modo, pode-se perceber como foi importante a criação do


Movimento Negro Unificado, para o combate à discriminação racial no território
brasileiro, uma vez que trouxe uma série de reivindicações e benefícios para a
população negra, bem como trouxe a valorização da cultura negra e buscou fazer
com que os negros ocupassem lugares que anteriormente não ocupavam, como
a educação, o ensino superior e o mercado de trabalho, através das ações
afirmativas.

2.3- O RACISMO E A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

Em 1988, foi promulgada a Constituição Federal, mais conhecida como a


constituição cidadã, fruto da reivindicação de diversos movimentos sociais,
inclusive do movimento negro. É a primeira vez que ocorre a criminalização do
racismo, na forma da lei, através do artigo 5º, o que também foi uma das pautas
e reivindicações importantes dos movimentos negros. (LIMA, 2012)
No artigo 5º, caput, da Constituição Federal, diz que:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade,
à igualdade, à segurança e à propriedade [...] (BRASIL, 1988).

Ou seja, independentemente da cor, raça, sexo ou diferença de qualquer


natureza dos indivíduos na sociedade brasileira, sejam eles brasileiros ou
estrangeiros, todos são iguais perante a lei, de forma que seja respeitado o
direito à vida, à liberdade, igualdade, segurança e propriedade.
O artigo 3º, inciso IV, da Constituição Federal, diz: “promover o bem de
todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras
formas de discriminação”. (BRASIL, 1988). Em outras palavras, é importante se
evitar o preconceito de raça também, como se encontra na carta magna.
O inciso XLII, do artigo 5 º, da Constituição Federal traz que: “a prática de
racismo constitui crime inafiançável e imprescritível sujeito à pena de reclusão
nos termos da lei”. (BRASIL, 1988).
A partir daí que a prática de racismo é considerada como um crime
inafiançável, ou seja, não permite o pagamento de fiança para que o sujeito seja
34

absorvido do crime; imprescritível, onde o sujeito será jugado e penalizado pelo


crime, não importando o tempo que passe; e sujeito a pena de reclusão, ou seja,
pode levar a prisão.
Dessa forma, podemos perceber como a Constituição Federal de 1988 foi
importante e um grande marco para os movimentos negros, ao tornar o crime de
racismo como inafiançável e imprescritível, fazendo com que a população e o
Estado reconheça que existe racismo no Brasil.
Antes da promulgação da Constituição de 1988, já havia sido sancionada
a primeira legislação sobre o racismo, a Lei 1390/1951, mais conhecida como
Lei Afonso Arinos, onde através da mesma o racismo foi considerado como um
delito e contravenção penal, de menor gravidade, não sendo considerado como
um crime.

2.3.1- LEI CAÓ

Somente em 1989, com a Promulgação da Lei nº 7.716/89, mais


conhecida como Lei Caó, em homenagem ao Deputado Federal que a criou, que
o racismo foi considerado como crime, no Brasil. Através do exame do artigo 1º
da mesma: “Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de
discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência
nacional” (BRASIL, 1989)
Percebemos que a mesma trata de situações distintas, envolvendo o
racismo: a discriminação e o preconceito. Segundo Santos (2010:31), a
discriminação: “é aquela que divide os indivíduos por seu grupo étnico, social ou
econômico, não observando seu mérito”. A discriminação leva a uma separação
dos indivíduos por ser de uma determinada etnia, classe social ou econômica.
Já o preconceito é considerado:
(...) uma atitude anterior a discriminação, pois é uma visão
distorcida a respeito de alguém ou algo, por razão de raça, cor
ou religião, no entanto é algo interno do ser humano, que só terá
relevante valor para o Direito Penal a partir de sua
exteriorização, que geralmente se dá por meio da discriminação.
(SANTOS, 2010:31)

Isto é, o preconceito é uma atitude anterior a discriminação, um juízo de


pensamento sem fundamento, uma imagem distorcida de alguém ou algo,
35

referente a sua raça, cor ou a religião, estando presente no interior dos seres
humanos, que só quando for exteriorizada, ou seja, for colocada para fora,
através da discriminação, é que terá valor para o Direito Penal, o que é muito
difícil, pois na maioria das vezes os indivíduos não externaliza o preconceito ou
pensamento distorcido que tem sobre alguém, uma vez que o racismo na
sociedade manifesta-se de forma sutil, velada e escondida.
Os artigos 3º, 6º, 12 e 13, da Lei 7.716/89, são classificados como
discriminação pública, no qual para Alexandre Aguiar (2006 apud SANTOS,
2010:32), os crimes: “(...) se praticados por agentes públicos, teremos
discriminação pública (...)”. Ou seja, os crimes raciais praticados por agentes
públicos, são considerados como discriminação pública.
As condutas de discriminação pública consistem em vedar o
acesso: a cargo na Administração Pública (art. 3°), de aluno em
estabelecimento de ensino (art. 6°), ao transporte público (art.
12) e ao serviço nas Forças Armadas (art. 13) (...)” (AGUIAR,
2006 apud SANTOS, 2010:32)

A penalidade para o funcionário público que cometer qualquer uma das


condutas, consideradas como discriminação pública, consta no artigo 16, da
respectiva Lei: “Art. 16 Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou
função pública, para servidor público, e a suspensão do funcionamento do
estabelecimento particular por prazo não superior 3 (três) meses” (BRASIL,
1989).
Os artigos 4º, 5º, 7º, 8º, 9º, 10, 11 e 14, da Lei 7.716/89, são classificados
como discriminação privada, onde para Alexandre Aguiar (2006 apud SANTOS,
2010:32), os crimes: “(...) se feitos por particulares, é o caso de discriminação
privada. (...)”. Ou seja, os crimes raciais praticados por funcionários de
empresas, funcionários de estabelecimentos particulares ou impedindo o acesso
a um determinado local, é a discriminação privada.
As condutas que constituem a discriminação privada também
consistem em impedir o acesso: ao emprego (art. 4°), a
estabelecimento comercial (art. 5°), a hotéis (art. 7°), a
restaurantes (art. 8°), a clubes (art. 9°), a casas de estética (art.
10), a entradas sociais de edifícios (art. 11) e à convivência
familiar ou social (art. 14). (...). (ALEXANDRE AGUIAR, 2006
apud SANTOS, 2010:32)
36

Dessa forma, vemos o quão foi importante para a população negra, a Lei
7.716/ 1989 criminalizar práticas de racismo que eram muitos frequentes ocorrer
nos anos anteriores a sua Promulgação. Como bem salienta Santos (2010:33):
(...) nota-se que se não houvesse norma rígida em relação a
algumas práticas, neste caso a prática do racismo, seria
impossível a convivência social, visto que a discriminação de
raças desde o princípio se instalou no pensamento da nação
brasileira. (...)

Ou seja, se a Lei Caó não fosse promulgada, seria impossível se ter uma
convivência social harmônica e estruturada, entre negros e brancos, uma vez
que a discriminação racial já estava presente no ideário e pensamento da nação
brasileira, e a lei que existiu anteriormente à Lei Caó, no caso a Lei Afonso
Arinos, considerava o racismo como um delito de menor gravidade e
contravenção penal, e não como crime.
A Lei nº 9.459, de 15 de maio de 1997, foi adicionada à Lei 7.716/89, e
acrescentou na mesma o artigo 20, bem como o parágrafo 3º ao art. 140 do
Código Penal brasileiro, que trouxe a injúria qualificada por discriminação ou
preconceito racial.
No artigo 20, da lei 7.716/89, está escrito da seguinte forma:
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito
de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação
dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de um a três anos e multa. (Redação dada pela
Lei nº 9.459, de 15/05/97) (BRASIL, 1997)

Neste artigo mais uma vez se encontra tanto os crimes de discriminação


e preconceito, e diz que só pelo fato da pessoa praticar, estimular ou causar
esses crimes, seja pela raça, etnia, religião ou procedência nacional dos
indivíduos, tem como pena a prisão de um a três anos e o pagamento de multa.
No parágrafo 1º, do respectivo artigo, diz que:
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos,
emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem
a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo.
(Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa. (Incluído pela Lei
nº 9.459, de 15/05/97) (BRASIL, 1997)

No parágrafo 3º, adicionado ao art. 140 do Código Penal brasileiro, está


escrito que:
37

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o


decoro:
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes
a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa
ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741,
de 2003)
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº
9.459, de 1997) (BRASIL, 1997)

A partir daí se tem o crime de injuria racial, que se diferencia do crime de


racismo, e pode levar a pena de reclusão de um a três anos e multa. No tocante
a diferença entre a injuria racial e racismo, Santos (2010:35), traz que:
Nesse caso o objetivo é ofender somente a vítima, ferindo-lhe a
honra subjetiva. De outra forma, se o indivíduo além de ofender
a vítima, essa ofensa ultrapassar os limites da vítima e atingir
uma determinada etnia ou raça, o crime será de Racismo.

Em outras palavras, a diferença é que na injúria racial, a ofensa tem como


objetivo ofender e discriminar somente uma pessoa, e no racismo, a ofensa
ultrapassa os limites das vítimas, atingindo uma determinada etnia, raça e
população. No caso do racismo, a ofensa atinge a população negra e os negros
como um todo, e na injúria atinge somente uma pessoa.
Ambos crimes tem diferenças na pena a ser aplicada, pois o “(...) crime
de Racismo é imprescritível e inafiançável e a ação é pública incondicionada e a
injuria pode haver fiança e prescreve em oito anos e a ação é penal privada.”
(SANTOS, 2010:25).
Sendo assim, o crime de racismo tem mais efeito do que
o crime de injúria, pois aquele não permite que a pessoa pague fiança e seja
absorvido, pode ser aplicada a penalidade e julgamento não importando quanto
tempo o crime ocorreu, e a ação é pública incondicionada; enquanto este pode
haver fiança, tem o tempo de 8 anos, e tem a ação penal privada, ou seja, o
ofendido pode propor a ação.
Em suma, tem-se que esta alteração e diferenciação dos crimes de
racismo e injúria, significou também um avanço para tornar mais fácil a
penalidade a ser aplicada entre os dois casos, porém muitos casos de racismo
podem ser considerados como injúria racial, como diz Santos (2010:37):” No
entanto a dificuldade de caracterização é indiscutível em relação ao crime de
preconceito racial ou crime de injúria.” Isto porque muitos casos de racismos,
38

são considerados pela autoridade judiciária competente como crime de injúria,


que tem a penalidade mais branda.

2.4- CONFERÊNCIA DE DURBAN E AS SUAS CONQUISTAS PARA O


BRASIL

Em 2001, foi realizada, a III Conferência Mundial de Combate ao Racismo,


em Durban, cidade da África do Sul, evento importante porque através da mesma
o movimento negro pode pressionar o Governo Federal, afim da criação de
políticas voltadas para a população negra. A maior conquista desta conferência
para o Brasil, foi a reserva de vagas para os negros nas universidades públicas
do país, as denominadas cotas raciais. (ALBERTI PEREIRA, s/d apud LIMA,
2012)
De acordo com Carneiro (2012:s/p), a Conferência de Durban foi
importante também porque:
O termo afrodescendente torna-se linguagem consagrada nas
Nações Unidas e designa um grupo específico de vítimas de
racismo e discriminação; pelo reconhecimento da urgência de
implementação de políticas públicas para a eliminação das
desvantagens sociais, recomendando aos Estados e aos
organismos internacionais, entre outras medidas, que “elaborem
programas destinados aos afrodescendentes e destinem
recursos adicionais a sistemas de saúde, educação, habitação,
eletricidade, água potável e medidas de controle do meio
ambiente, e que promovam a igualdade de oportunidades no
emprego bem como outras iniciativas de ação afirmativa ou
positiva

Dessa maneira, com a Conferência Mundial de Durban, é utilizada pela


primeira vez o termo “afrodescente”, para designar os descendentes de africanos
que sofrem com o racismo e a discriminação, tanto no Brasil, como nos diversos
países do mundo, sendo importante que o Estado dos variados países, bem
como aos organismos internacionais, elaborem e implementem políticas públicas
e programas que venham garantir saúde, educação, habitação, igualdade de
oportunidades no acesso ao emprego e iniciativas de ação afirmativa, que
venham a reparar as desigualdades sociais entre negros e brancos.
É importante lembrar que a Conferência de Durban, foi antecedida de
Conferências Estaduais, que levaram a realização da Conferência Nacional
Contra o Racismo e a Intolerância, realizada em junho de 2001, no Rio de
39

Janeiro. Todo esse processo foi fundamental para que as diversas entidades do
movimento negro brasileiro se unissem e articulassem em torno de ações
afirmativas para a população negra (LOPES, 2015)
De acordo com Moehleck (2000:19 apud SILVA, 2006:22), as políticas de
ação afirmativa são:
(...) políticas compensatórias, fundamentadas no princípio de
igualdade que sustenta o tratamento desigual aos desiguais. De
maneira não excludente, essas políticas podem ser orientadas
por critérios sócio-econômicos, por atributos adscritos de
discriminação, como raça ou gênero, ou de valorização da
diversidade cultural relacionada a identidades particulares.

Ou seja, são políticas que visam reparar ou recompensar o passado de


exclusão ou escravidão, que os negros estavam sujeitos no passado, trazendo
como consequência a inferioridade e os negros ocupando os piores lugares na
sociedade; também buscam valorizar a diversidade cultural e incluir os negros
cada vez mais na sociedade em espaços educacionais e no mercado de
trabalho.
Dessa forma, podemos observar como a conferência de Durban, foi de
suma importância para chamar a atenção do Governo de diversos países,
inclusive o Brasil, para a questão do racismo.
Logo após, as conferências citadas anteriormente, ocorreu um melhor
aprofundamento dos debates sobre as questões raciais no Brasil, onde várias
iniciativas foram tomadas, durante o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, sendo
uma delas, a criação da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial
(SEPPIR), em 2003. (LOPES, 2015)
Tal iniciativa do Governo Brasileiro foi importante, uma vez que abriu:
(...) caminho para a criação de mecanismos legais de proteção,
valoração, educação racial bem como de divulgação da
verdadeira e não tão oficial história bem como o reconhecimento
com afirmação da importância do negro frente à sociedade
brasileira. (LOPES, 2015:16)

2.4.1- SECRETARIA ESPECIAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL


(SEPPIR)

A Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), foi


criada em 2003, durante o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, tendo como
40

objetivo o enfrentamento do racismo no Brasil, estando vinculada ao Ministério


da Justiça e Cidadania (MJC). (BRASIL, 2017)
A criação desta secretaria foi também uma conquista e reivindicação do
Movimento Negro, e através dela o Estado brasileiro, pela primeira vez,
reconhece que o Brasil é realmente um país racista. Ter uma secretaria que
objetiva promover a igualdade racial, o combate ao racismo e estando no âmbito
do Governo Federal, a nível de Ministério, faz com que seja uma grande
conquista para a grande jornada de luta do movimento negro brasileiro.
As competências desta referida secretaria são:
I - Formulação, coordenação e articulação de políticas e
diretrizes para a promoção da igualdade racial;
II - Formulação, coordenação e avaliação das políticas públicas
afirmativas de promoção da igualdade e da proteção dos direitos
de indivíduos e grupos étnicos, com ênfase na população negra,
afetados por discriminação racial e demais formas de
intolerância;
III - Articulação, promoção e acompanhamento da execução dos
programas de cooperação com organismos nacionais e
internacionais, públicos e privados, voltados à implementação
da promoção da igualdade racial;
IV - Coordenação e acompanhamento das políticas transversais
de governo para a promoção da igualdade racial;
V - Planejamento, coordenação da execução e avaliação do
Programa Nacional de Ações Afirmativas;
VI - Acompanhamento da implementação de legislação de ação
afirmativa e definição de ações públicas que visem o
cumprimento de acordos, convenções e outros instrumentos
congêneres assinados pelo Brasil, nos aspectos relativos à
promoção da igualdade e combate à discriminação racial ou
étnica. (BRASIL, 2017)

Destas competências percebe-se como a SEPPIR deveria realizar


efetivamente a igualdade racial, destacando-se entre elas: Formulação,
coordenação e articulação de políticas que viessem a promover efetivamente a
igualdade racial; formulação, coordenação e avaliação de políticas públicas de
igualdade racial, proteção de indivíduos e grupos étnicos que sofram algum tipo
de discriminação, por conta da intolerância racial e religiosa, muito presente na
sociedade atual; e o planejamento, coordenação da execução e avaliação do
Programa Nacional de Ações Afirmativas, que objetivam fazer com que os
negros tenham acesso de forma igualitária ao mercado de trabalho, ensino
superior e educação escolar.
41

2.4.2- ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL

Foi através da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial


(SEPPIR), que em 20 de Julho de 2010, ainda sob o Governo de Luiz Inácio Lula
da Silva, foi aprovado pelo Congresso Nacional, a Lei nº 12.288, mais conhecida
como o Estatuto da Igualdade Racial. Trata-se de um instrumento legal que
alterou também a Lei 7.716, de 5 de Janeiro de 1989, mais conhecida como a
Lei Caó. (BRASIL, 2010)
O artigo 1º, desta referida Lei, está escrito da seguinte forma:
Art. 1o Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado
a garantir à população negra a efetivação da igualdade de
oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais,
coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais
formas de intolerância étnica. (BRASIL, 2010)

Logo, percebemos através deste primeiro artigo, que o Estatuto não


objetivou somente o combate à discriminação racial, como também a garantia
da igualdade de oportunidades para a população negra, a defesa dos direitos
individuais e coletivos da população negra e o combate às discriminações e
intolerâncias religiosas, às religiões de matriz africana.
O Estatuto, em seu Parágrafo Único, traz conceituações importantes
sobre a discriminação racial ou étnico racial, desigualdade racial, desigualdade
de gênero e raça, população negra, políticas públicas e ações afirmativas, tal
como está explicitado posteriormente:
Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-se:
I - discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, exclusão,
restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou
origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou
restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de
condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos
campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer
outro campo da vida pública ou privada;
II - desigualdade racial: toda situação injustificada de
diferenciação de acesso e fruição de bens, serviços e
oportunidades, nas esferas pública e privada, em virtude de
raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica;
III - desigualdade de gênero e raça: assimetria existente no
âmbito da sociedade que acentua a distância social entre
mulheres negras e os demais segmentos sociais;
IV - população negra: o conjunto de pessoas que se
autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça
42

usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e


Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga;
V - políticas públicas: as ações, iniciativas e programas adotados
pelo Estado no cumprimento de suas atribuições institucionais;
VI - ações afirmativas: os programas e medidas especiais
adotados pelo Estado e pela iniciativa privada para a correção
das desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de
oportunidades. (BRASIL, 2010)

No interior do Estatuto da Igualdade Racial, ao longo dos seus capítulos


e 65 artigos, encontram-se também a implementação de políticas públicas
voltadas para a população negra, no tocante à saúde, educação, cultura,
esporte, lazer, trabalho, ao acesso à terra e à moradia adequada; o direito à
liberdade de consciência e de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos,
sendo resguardada, pelo poder público, as religiões de matriz africana, de
qualquer forma de intolerância religiosa ou discriminação; e o direito a
preservação e proteção das comunidades e terras quilombolas. (BRASIL, 2010)
Para Santos (2010:41), o Estatuto: “(...) deixa a desejar no que diz respeito
às cotas raciais, que sem sombra de dúvida é um assunto referente a igualdade
que não poderia ter ficado sem tratamento adequado pela nova legislação.”
Desta maneira, podemos perceber que mesmo que o Estatuto fale sobre
as políticas de ações afirmativas, que buscam reparar os anos de exclusão a
que foram relegados aos negros após a abolição da escravatura, não mencionou
especificamente sobre o tema das cotas raciais, para a igualdade de
oportunidades no mercado de trabalho e educação para a população negra, e
que gera muita divergência de opiniões na atualidade.
Além de terem sido removidas as ações que tratariam das cotas
raciais e apesar de ter 65 artigos, a nova lei não prevê nenhuma
ação independente que promova a igualdade, ou seja, a
presente norma está condicionada a programas futuros que
deverão ser criados pelo governo, para que finalmente possa ser
respeitada e colocada em prática. (SANTOS, 2010:41)

Ou seja, na Lei 12.288/2010, também não se encontra nenhuma ação que


seja independente com o fim de promover a igualdade racial, estando
condicionadas, para a sua real efetividade, a programas futuros criados pelo
Governo Federal, que tenham o objetivo de promover essa igualdade
Assim, como consequência, de acordo com Santos (2010:41):
Dessa forma, como tantas outras normas em vigência no país,
inclusive algumas que tratam do mesmo assunto, provavelmente
43

está predestinada a se tornar letra morta, sem utilidade jurídica


e social.

O artigo 58 do Estatuto da Igualdade Racial, prevê que: “(...) nenhuma lei


anteriormente ou posteriormente promulgada em favor da igualdade ficará ou
será excluída pela presente lei.” (BRASIL, 2010 apud SANTOS, 2010:43). Ou
seja, nenhuma outra lei em favor da igualdade racial, promulgada anteriormente
ao Estatuto será desconsiderada, incluindo a Lei Caó, de 1989.
Sendo assim, o Estatuto da Igualdade Racial, foi um instrumento legal
importante para a população negra, pois trouxe considerações importantes, em
seu artigos e capítulos, no tocante ao combate à discriminação racial,
intolerância religiosa e a promoção da igualdade racial, tendo como um dos seus
contrapontos a não citação das cotas raciais, importantes para o acesso
igualitário da população negra, mediante a conjuntura atual, no mercado de
trabalho e ensino superior.

2.4.3- COTAS RACIAIS

Para Silva (2006:22):


(...) políticas que visem possibilitar um maior acesso de negros
ao ensino superior tendem também a favorecer a construção de
uma auto-imagem positiva da identidade negra com potencial
gerador de uma nova dinâmica nas relações entre os grupos
raciais na sociedade, pautada pelo respeito às diferenças
culturais, estéticas e sociais.

Dentre essas políticas encontram-se as cotas raciais, que visam favorecer


o acesso de pretos e pardos ao ensino superior, sendo de uma forma positiva,
pois os negros, quando tem esse acesso, conseguem ter orgulho da própria cor
e constroem uma auto-imagem positiva de sua própria identidade negra,
contraria a auto-imagem negativa da população negra, presente no imaginário
da sociedade brasileira, desde o período escravocrata até os dias atuais.
As cotas raciais são uma forma de políticas de ações afirmativas, muito
requisitadas pelo movimento negro, durante o final do século XX. Segundo Silva
(2011:12):
(...) configura-se a possibilidade de outros meios de garantir
acesso ou privilégio ao emprego e à educação para contingentes
raciais historicamente excluídos que não as cotas (não sem
questionamentos sobre sua eficácia), como o uso da raça como
44

critério de seleção interna de cargos ou mesmo o


acompanhamento privilegiado dessas minorias com incentivos
estatais.

As cotas objetivam dar o privilégio de acesso igualitário ao emprego e à


educação para os grupos sociais historicamente discriminados na sociedade
brasileira, encaixando-se nestes grupos a população negra, que sofre
discriminação no território brasileiro desde o período escravocrata até os dias
atuais.
Porém, Silva (2011:11) afirma que:
Inclusive, no tocante à políticas de cotas, não existe
possibilidade alguma de sucesso de uma educação diversa se
são aplicadas de forma isolada, pois assim possibilitam apenas
a oportunidade de acesso dos negros aos negros aos meios
universitários. Uma política de cotas isolada, sem uma análise
mais profícua em políticas de afirmação da permanência do
negro universitário, e inócua.

Dessa afirmativa, percebemos que não adianta aplicar as políticas de


cotas, ou melhor dizendo, dar a oportunidade de acesso dos negros ao ensino
superior, se não houver uma análise aprofundada das condições de
permanência dos alunos negros ao meio universitário. É preciso uma análise
mais produtiva de políticas que venham fazer com que os alunos negros
continuem permanecendo no ensino superior, evitando assim a evasão por
diversas questões sociais e raciais enfrentadas pela população negra na
sociedade brasileira.
A questão da implementação do sistema de cotas raciais já levou a
grandes discussões no legislativo nacional, que supõem e argumentam medidas
para a sua implementação em todas as universidades públicas brasileiras.
(SILVA, 2006).
A primeira ação mais concreta e real, baseada no sistema de cotas raciais
para o ensino superior, na atualidade, foi a que levou a aprovação e
promulgação, pelo Congresso Nacional, da Lei nº 11.096, de 13 de Janeiro de
2005, que instituiu o “Programa Universidade para Todos – PROUNI”. De acordo
com o artigo 1º, da respectiva Lei:
Art. 1o Fica instituído, sob a gestão do Ministério da Educação,
o Programa Universidade para Todos - PROUNI, destinado à
concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo
parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco
por cento) para estudantes de cursos de graduação e
45

seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de


ensino superior, com ou sem fins lucrativos. (BRASIL, 2005)

Através do PROUNI, é concedida bolsas de estudos integrais e parciais


(25 ou 50%), para estudantes de cursos de graduação e sequenciais de
formação específica, em Universidades privadas.
Para elucidar o público-alvo específico do respectivo programa, Silva
(2011:23) afirma:
Pelo programa é assegurada uma cota de bolsas para cidadãos
negros e indígenas em igual proporção a sua representação
demográfica no estado da federação, desde que atendam às
outras condições de acesso ao programa, relacionadas à
situação socioeconômica da família e a origem escolar.

Pelo PROUNI, é garantido uma cota de bolsas para cidadãos negros e


indígenas, desde que tenham uma situação socioeconômica familiar e origem
escolar que atendam às condições de acesso do respectivo programa.
Nos parágrafos 1º e 2º, do artigo 1º, do Programa Universidade para
Todos, explicitam a situação socioeconômica dos brasileiros que podem receber
a bolsa integral e parcial:
§ 1o A bolsa de estudo integral será concedida a brasileiros não
portadores de diploma de curso superior, cuja renda familiar
mensal per capita não exceda o valor de até 1 (um) salário-
mínimo e 1/2 (meio).
§ 2o As bolsas de estudo parciais de 50% (cinquenta por cento)
ou de 25% (vinte e cinco por cento), cujos critérios de
distribuição serão definidos em regulamento pelo Ministério da
Educação, serão concedidas a brasileiros não-portadores de
diploma de curso superior, cuja renda familiar mensal per capita
não exceda o valor de até 3 (três) salários-mínimos, mediante
critérios definidos pelo Ministério da Educação. (BRASIL, 2005)

Enquanto a bolsa integral é concedida a brasileiros que tenham renda


familiar mensal per capita até 1 (um) salário mínimo e ½ (meio), a bolsa de
estudo parciais é concedida a brasileiros que tenham renda familiar mensal per
capita até 3 (três) salários-mínimos. Em ambas bolsas de estudos é importante
que os brasileiros não sejam portadores de diploma de curso superior, ou seja,
não pode ter concluído uma faculdade anteriormente.
Quanto a origem escolar, o artigo 2º afirma que:
Art. 2o A bolsa será destinada:
I - a estudante que tenha cursado o ensino médio completo em
escola da rede pública ou em instituições privadas na condição
de bolsista integral; (...) (BRASIL, 2005)
46

Ora, se a bolsa de estudo, tanto integral como parcial, é destinada a


estudantes que tenham cursado e concluído o seu ensino médio em escolas
públicas, ou em instituições escolares privadas, na condição de bolsista integral,
a bolsa do PROUNI acaba beneficiando em sua maioria os pretos e pardos, que
estão em sua maioria, nas classes mais empobrecidas da sociedade, de acordo
com os índices atuais, consequentemente são a maioria em escolas da rede
pública.
De acordo com Silva (2006:23):
Apesar de algumas críticas, as polêmicas em torno do PROUNI
são seguramente menores do que as relacionadas ao sistema
de cotas para as universidades públicas. São mesmo
desconhecidos questionamentos por ações judiciais ao
programa, nem mesmo a sua racialização, ao contrário do
ocorrido com a implementação das cotas em universidades
públicas

As polêmicas que o PROUNI possui são relativamente menores do que o


sistema de cotas para as universidades públicas, isso ocorre devido à “(...)
hierarquia de prestígio social que vigora entre instituições de ensino brasileiras,
que ainda enxerga no topo as universidades públicas.” (SILVA, 2006:23).
Diante disso, pelas Universidades Públicas Federais, ser considerada no
topo e acima das universidades brasileiras particulares, são as mais procuradas,
prevalecendo nela em sua maioria as classes médias e abastadas da sociedade,
sendo que com a implantação do sistema de cotas raciais em seu interior
facilitariam o acesso da população negra, lembrando que, como foi mencionado
anteriormente, as cotas precisam estar acompanhada de políticas de condições
de permanência de alunos negros, para evitar a evasão.
Pelo fato de o PROUNI ser destinado a conceder bolsas de estudos,
parciais e integrais, para os estudantes negros, em instituições de ensino
superior particulares, geram menos controvérsias e polêmicas, do que o sistema
de cotas para as Universidades Públicas Federais, devido ao prestígio social e
hierarquia que as universidades federais possuem frente às universidades
particulares, como também por ter em seu interior estudantes da classe média e
rica da sociedade brasileira.
Para Silva (2011:12):
47

(...) as cotas devem ter como pressuposto uma característica


flexível e temporária. Elas são medidas paliativas e
ontologicamente vinculadas às estatísticas raciais de instituições
e da sociedade como um todo.

Ou seja, as cotas raciais devem ser estabelecidas por um tempo


determinado, com o objetivo de igualar o acesso de negros e brancos nas
instituições de ensino superior.
Para a sua real efetividade, é preciso haver “uma revisão periódica e uma
análise profunda de seus resultados em busca da igualdade racial.” (SILVA,
2011:12). Desta forma, não adianta somente implantar as cotas racias nas
universidades públicas brasileiras, é preciso haver também uma revisão
periódica ou uma análise mais profunda dos seus efeitos para que se tenha
realmente a igualdade racial.
Em 29 de agosto de 2012, foi sancionada pela presidenta da República
Dilma Rousseff, a Lei nº 12.711, que dispõe sobre cotas sociais e raciais para
ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico
de nível médio. É a primeira lei sancionada e promulgada que fala sobre as cotas
raciais, destinadas a população negra, para as universidades públicas federais
brasileiras, e também é considerada como uma conquista da luta histórica do
movimento negro brasileiro.
Primeiramente, a Lei vem abordando que as instituições federais de
educação superior deverão reservar 50% de suas vagas para os estudantes que
tenham cursado integralmente o ensino médio, em escolas da rede pública,
como se encontra no artigo 1º:
Art. 1o As instituições federais de educação superior vinculadas
ao Ministério da Educação reservarão, em cada concurso
seletivo para ingresso nos cursos de graduação, por curso e
turno, no mínimo 50% (cinquenta por cento) de suas vagas para
estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio
em escolas públicas. (BRASIL, 2012)

Posteriormente, no artigo 3º desta Lei, traz que:


Art. 3o Em cada instituição federal de ensino superior, as vagas
de que trata o art. 1o desta Lei serão preenchidas, por curso e
turno, por autodeclarados pretos, pardos e indígenas e por
pessoas com deficiência, nos termos da legislação, em
proporção ao total de vagas no mínimo igual à proporção
respectiva de pretos, pardos, indígenas e pessoas com
deficiência na população da unidade da Federação onde está
instalada a instituição, segundo o último censo da Fundação
48

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. (Redação


dada pela Lei nº 13.409, de 2016) (BRASIL, 2012)

De acordo com o artigo 6º, da Lei 12.711/2012:


Art. 6o O Ministério da Educação e a Secretaria Especial de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da
República, serão responsáveis pelo acompanhamento e
avaliação do programa de que trata esta Lei, ouvida a Fundação
Nacional do Índio (Funai). (BRASIL, 2012)

Ou seja, cabe ao Ministério da Educação e também a Secretaria Especial


de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), realizar o
acompanhamento e avaliação do sistema de cotas raciais nas universidades
públicas federais, de acordo com o que está tratado na Lei.
Ainda, de acordo com artigo 7º da respectiva Lei, está escrito que:
Art. 7o No prazo de dez anos a contar da data de publicação
desta Lei, será promovida a revisão do programa especial para
o acesso às instituições de educação superior de estudantes
pretos, pardos e indígenas e de pessoas com deficiência, bem
como daqueles que tenham cursado integralmente o ensino
médio em escolas públicas. (Redação dada pela Lei nº 13.409,
de 2016) (BRASIL, 2012)

Ou seja, em 2022, após 10 anos da publicação da Lei 12.711/2012,


deverá ser promovida a revisão do sistema de cotas raciais nas universidades
públicas federais, sendo de suma importância esta revisão pois, como foi
mencionado anteriormente, para que se tenha realmente a igualdade racial,
através das cotas, é necessário que periodicamente se tenha uma revisão dos
efeitos causados pela mesma.
Sendo assim, percebemos como as cotas raciais significou um avanço
para a população negra e conquista do movimento negro, para a equiparação do
longo período de exclusão que ficou relegada à população negra após a abolição
da escravatura e os negros ocupando os piores lugares na sociedade brasileira,
em sua maioria. Ao criar oportunidades de acesso aos negros no ensino
superior, faz com que esses negros tenham o orgulho de serem eles mesmos,
revertendo a imagem-social negativa associada a eles na sociedade brasileira.
Somente a implantação das cotas raciais, para facilitar e equalizar o
acesso da população negra nas instituições de ensino superior brasileiras, tanto
particulares como às públicas federais, não fazem efeitos ou promovem a
49

igualdade racial, se não forem atribuídas juntas a elas políticas de permanência


de estudantes negros nas instituições de ensino superior.
Este tema das cotas raciais, gera muita polêmica e divergência na
sociedade atual, onde por um lado tem aqueles que defendem que não deveria
ter cotas raciais, e sim sociais, e por outro aqueles que defendem que deveria
haver uma melhor educação para a não existência das cotas raciais. É
importante considerar que ambas as partes desconhecem o histórico de
desigualdades e exclusão social, a que foi relegado aos negros após a abolição
da escravatura, onde o negro não teve acesso à escola, mercado de trabalho e
profissões de prestígio social.
As cotas raciais se fizeram necessárias ao facilitar a oportunidade de
acesso dos negros ao ensino superior, e ao declarar que as cotas deveriam ser
sociais, e não raciais, é como se realmente sempre vivêssemos em perfeita
democracia racial no Brasil e que sempre houve oportunidades iguais entre
negros e brancos na sociedade.

2.5- DADOS ATUAIS DA POPULAÇÃO NEGRA

Os negros na população brasileira, são aqueles que se consideram pretos


e pardos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE). Saraiva
(2017:s/p) diz: “Nas pesquisas domiciliares do IBGE, a cor dos moradores é
definida por autodeclaração, ou seja, o próprio entrevistado escolhe uma das
cinco opções do questionário: branco, pardo, preto, amarelo ou indígena.”.
Dessa forma, na pesquisa do IBGE, o próprio entrevistado define de qual cor ele
gostaria de ser considerado.
No inciso IV, do parágrafo único, da Lei nº 12.288/10, que institui o
Estatuto da Igualdade Racial, está escrito da seguinte forma referente à
população negra:
Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-se:
(...)
IV - população negra: o conjunto de pessoas que se
autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça
usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga; (...)
(BRASIL, 2010)
50

Este inciso também está afirmando que a população negra brasileira, são
aquelas pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, ou adotaram definição
análoga, ou seja, os dois simultaneamente. Então o IBGE, só considera como
negros, os entrevistados que se autodeclaram pretos e pardos.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE),
em 2014, os negros (os que se consideram pretos e pardos) eram a maioria da
população brasileira, representando 53,6% da população, enquanto
os brasileiros que se declaravam brancos eram 45,5%. (UOL, 2015).
Ou seja, o número de brasileiros que se autoconsideraram como pretos e
pardos, segundo o IBGE, em 2014, eram maiores do que os que se
consideravam brancos, representando a maioria da população.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
(PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em
2017, entre 2012 e 2016, o número de brasileiros que se autodeclaram pretos
aumentou 14,9% no Brasil. Em 2012, a população brasileira era estimada em
198,7 milhões de pessoas, sendo que os brancos representavam a maioria da
população, 46,6%, enquanto os pardos representavam 45,3% do total, e os
pretos, 7,4%, totalizando 52,7% de negros no Brasil. Já em 2016, a população
brasileira aumentou para 205,5 milhões de habitantes, sendo que os brancos
representavam somente 44,2% da população, enquanto os pardos
representavam a maioria com 46,7%, e os pretos 8,2% do total de brasileiros,
totalizando 54,9% de negros no Brasil. (SILVEIRA, 2017).
Esses dados mostram um ganho significativo, ao demonstrar o aumento
de brasileiros que se autodeclararam pretos e pardos (negros), na sociedade
brasileira. Isto se deve ao aumento de pessoas que passaram a ter mais orgulho
de sua própria cor e representatividade negra, principalmente por estarem
inseridas em movimento negro.
Com relação a parcela mais rica do Brasil, de acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Síntese de Indicadores Sociais,
em 2015, a população negra representava apenas 17,4% do total da parcela
mais rica do Brasil, enquanto 79% era representado por pessoas brancas. Em
2004, havia 12,4% de negros e 85,7% de brancos nesse grupo (LISBOA, 2015).
De acordo com esses dados, mesmo que tenha aumentado o número de
negros que estão representados na parcela mais rica do Brasil, existe uma
51

diferença e desigualdade enorme no índice quando comparado ao número de


brancos neste mesmo grupo.
Com relação ao mais pobres, em 2004, 73,2% dos mais pobres eram
negros, aumentando para 76%, em 2014. Enquanto os brancos eram 26,5% dos
mais pobres, em 2004, diminuindo para 22,8%, em 2014. (UOL, 2015).
No tocante a educação, a população branca com 12 anos de estudos ou
mais, representava 22,2%, enquanto a população negra representava a taxa de
9,4% neste mesmo grupo. (Nações Unidas, 2017).
Este quadro mostra a desigualdade no tocante aos anos de estudo da
população branca quando comparada com a população negra. A população
branca tem mais anos e oportunidades de estudo do que a população negra,
isso se deve ao fato de, como foi mencionado anteriormente na presente
pesquisa, à dificuldade de acesso da população negra à educação, devido aos
longos anos de escravidão e pela população negra ter sido deixada à margem
da sociedade, logo após o término do período escravocrata.
No tocante à informalidade econômica, de acordo com o IBGE, a
população negra representava 62,7% neste grupo, em 2004, caindo para 48,7%,
em 2014. Enquanto a população branca, no mesmo período, representava 47%,
em 2004, caindo para 35,3%, em 2014. (Nações Unidas, 2017).
Mediante esses dados, podemos perceber que mesmo o índices
mostrando uma queda do número de negros na informalidade econômica, de
2004 para 2014, o número de brancos neste mesmo grupo caíram bem mais.
Segundo a Síntese de Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, somente 12,8% da população negra
chegou ao Ensino Superior, enquanto os brancos neste nível de ensino
representavam 25%, neste mesmo ano. (VIEIRA, 2016)
Esses dados mostram que apesar de ter aumentado o número de negros
que tiveram acesso ao Ensino Superior, influenciado principalmente por políticas
de ações afirmativas, ainda permanece inferior ao número de brancos que
também tiveram acesso ao Ensino Superior. De acordo com Vieira (2016:s/p):
A dificuldade de os negros conseguirem entrar em uma
faculdade reflete altas taxas de evasão escolar ainda no ensino
fundamental, por causa das altas taxas de repetência ao longo
da vida. Porém, as condições em que vivem também dificultam
a escolarização.
52

Ou seja, devido ao fato de ser alta a taxa de evasão de negros ainda no


ensino fundamental, e pela maioria da população negra viver em condições
subalternas na sociedade brasileira, de acordo com os dados do IBGE, acaba
dificultando o acesso da população negra à uma faculdade.
Pois como foi mencionado também anteriormente na presente pesquisa,
no tocante às cotas raciais, que são uma forma de políticas de ações afirmativas
para a população negra, não adianta as cotas raciais, se não houver uma análise
aprofundada das condições de permanência dos alunos negros ao meio
universitário. (SILVA, 2011)
Sem contar a questão do racismo que ocorre no ambiente escolar, ainda
nas séries iniciais, que fazem com que muitos alunos negros tenham a baixa
autoestima e os levam a evasão escolar. Para ilustrar a questão do racismo que
ocorre na escola, Oliveira (2007:5) afirma: “No ambiente escolar, os negros são
tratados de forma diferenciada, por meio de um racismo camuflado. (...)”
De acordo com o IBGE, em 2004, entre os estudantes de 18 a 24 anos
cursando o Ensino Superior, 16,7% eram pretos e pardos, enquanto 47,2% eram
brancos. Já em 2014, entre os estudantes de 18 a 24 anos cursando o Ensino
Superior, 45,5% eram pretos e pardos, enquanto 71,4% eram brancos. (LISBOA,
2015).
Esse quadro mostra que ainda está distante o número de negros no
ensino superior quando comparado aos brancos. Percebemos como os brancos
têm mais oportunidade de acesso ao ensino superior do que a população negra.
Isso se deve ao histórico da criação do Ensino Superior no Brasil, quando a corte
real veio para o Brasil, onde, como foi mencionado anteriormente na pesquisa,
o acesso ao ensino superior era condicionada pela brancura da pele, ou seja, os
brancos conseguiram mais acesso ao ensino superior do que a população negra.
(SILVA, 2011).
Ainda, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais, do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004, os mais ricos
representavam 54,5% dos alunos em universidades públicas e 68,4% das
privadas; os mais pobres representavam 1,2% nas universidades públicas e
0,6% nas universidades privadas. Já em 2014, o número dos mais ricos caíram
para 36,4% em universidades públicas e 40,9% nas universidades privadas;
53

entre os mais pobres houve um aumento de 7,6% nas universidades públicas e


3,4% nas universidades privadas. (ABRIL, 2015)
Daí vemos um aumento significativo do acesso da população mais pobre
no ensino superior no Brasil, de 2004 à 2014. A população mais pobre segundo
o índice, em sua maioria, são os negros. Esse aumento do acesso da população
mais pobre no ensino superior se deve a democratização do acesso ao ensino
público, por uma série de políticas públicas, dentre elas se encontra o FIES e o
ProUni. (ABRIL, 2015)
Mediante esses dados atuais da população negra, consideramos
importante que o governo brasileiro elabore e adote mais medidas e políticas
socais, que venham, de forma efetiva, fazer com que os negros tenham acesso
igualitário à educação, trabalho, saúde, cultura, lazer e esporte, pois os índices
anteriores demonstram a desigualdade enorme que sofrem a população negra
no Brasil.
54

CAPÍTULO 3- SERVIÇO SOCIAL E O COMBATE AO RACISMO

Considerando um dos Princípios Fundamentais do Código de Ética dos


Assistentes Sociais, datado de 1993, que é o combate à toda e qualquer forma
de discriminação e preconceito, e a presença maciça de estudantes pretos e
pardos no curso de Serviço Social onde o autor cursou a graduação, o presente
Trabalho de Conclusão de Curso buscou perceber junto aos alunos do Curso de
Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias, suas percepções sobre o racismo
no Brasil e se tal curso, que promove paulatinamente (aos poucos) atividades
como seminários, palestras, feiras sobre a temática, possibilitou um olhar mais
crítico sobre as consequências do racismo no Brasil e sobre as estratégias de
enfrentamento ao mesmo. Para tal organizamos um instrumento de pesquisa
(ANEXO 1), composto de 20 perguntas com opções já definidas, que foi aplicado
durante o mês de Setembro de 2018 junto à 20 alunos de todos os períodos do
curso de Serviço Social. Apontaremos a seguir o perfil dos estudantes
entrevistados.

Gráfico 1- Idade dos estudantes entrevistados

20% 20%

De 18 a 25 anos
De 26 a 35 anos
De 36 a 45 anos
De 46 a 59 anos
Acima de 60 anos
30% 30%

Como pode ser percebido, no tocante a idade, os estudantes de Serviço


Social compõem um grupo bem, heterogêneo: 20% possuem de 18 a 25 anos;
30% possuem de 26 a 35 anos; 30% possuem de 36 a 45 anos e 20% possuem
de 46 a 59 anos. Ressaltamos que, ao longo da graduação, observamos que
grande parte dos estudantes desse curso relatavam que, antes da graduação,
55

estavam há 15, 20, 25 anos fora de sala de aula, tal fato nos ajuda a
compreender a heterogeneidade observada.
De acordo com Souza e Vasques:
(...) os jovens de escolas públicas (por conta de sua origem
predominante nas camadas populares) possuem baixa
expectativa de continuidade dos estudos (em geral, e de
ingresso no ensino superior em particular, especialmente na
universidade pública) e alta expectativa de ingresso no mercado
de trabalho (por conta da necessidade de contribuir com a renda
familiar). (2015:411)
Ou seja, mediante o fato de grande parte dos estudantes do curso de
Serviço Social, da Faculdade Duque de Caxias, estarem muitos anos fora da
sala de aula, como também devido à baixa renda de grande parte desses
estudantes e por ser em sua maioria negros, como apresentado na presente
pesquisa, concluímos que a maioria desses estudantes são oriundos de escolas
públicas, que são compostas em sua maioria por camadas populares e de baixa-
renda, onde possuem baixo incentivo e aspiração para ingresso no ensino
superior, especialmente na universidade pública, logo após a conclusão do
ensino médio. Por outro lado, esses estudantes oriundos de escola pública, tem
a sua maior expectativa, ao terminar o ensino médio, de ingressar no mercado
de trabalho, para contribuir com a renda da família, pois a maioria tornam-se pais
e mães de família também.
Além disso, podemos destacar que a criação de programas sociais pelo
Governo, que visam facilitar e aumentar o número de estudantes advindos de
escola pública e de baixa renda no ensino superior público e privado, fazem com
que esses alunos ingressem na faculdade após longos anos fora de sala de aula.
Pode-se mencionar dentre esses programas sociais: o Programa
Universidade para todos, que fornece bolsas parciais (50%) ou integral (100%)
em universidades particulares, para estudantes oriundos de escola pública, que
possuem renda per capita até 1,5 salário mínimo, ou são negros; o Sistema de
Seleção Unificado (SISU), que fornece oportunidade de estudar em
Universidades Federais, de diversos lugares do Brasil, onde o estudante pode
usar como critérios a renda, a origem escolar ou a raça; e o Programa de
Financiamento Estudantil (FIES). Para a participação de ambos os programas é
necessário que o estudante tenha feito o Exame Nacional do Ensino Médio e
tirado a nota de corte mínima de 450 pontos. Segundo Souza e Vasques:
56

Deve-se considerar que, além da mobilidade social recente,


foram criadas políticas públicas voltadas à ampliação do acesso
ao ensino superior, especialmente da classe trabalhadora, por
meio do Programa de Financiamento Estudantil (FIES), da
concessão de bolsa integral ou parcial pelo Programa
Universidade para Todos (Prouni), ou, ainda, pela expansão
recente das vagas nas universidades federais, com a instalação
de campi no interior dos estados ou na periferia das regiões
metropolitanas via Programa de Apoio a Planos de
Reestruturação e Expansão das Universidades Federais
(Reuni). (2015:414)

Outro fator, que pode explicar também a facilidade de acesso de


estudantes oriundos de escola pública e baixa renda no ensino superior, são “as
cotas raciais e, mais recentemente, a Lei nº 12.711/2012 passou a reservar 50%
das matrículas por curso e turno para alunos egressos da escola pública e em
proporção à população negra e indígena.” (SOUZA; VASQUES, 2015:419). As
cotas raciais também facilitaram o aumento do número de negros, estudantes de
escola pública e baixa renda no Ensino Superior brasileiro.
Para Silva:
Importa ressaltar que, embora as pressões por ingresso no
ensino superior por parte dos grupos populares venham se
tornando um fato notório, é especialmente de modo racializado
que esta demanda tem se manifestado na sociedade brasileira,
seja pelo crescimento do movimento dos cursos Pré-
vestibulares para Negros e Carentes (PVNC’s) ou pela luta para
implementação da política de cotas capitaneada pelo movimento
negro. (2006:110)

Ou seja, as pressões para o ingresso no ensino superior de grupos


populares, da camada empobrecida da sociedade, tem aumentado através do
crescimento do movimento dos cursos Pré-vestibulares para Negros e Carentes
(PVNC’s) ou pela luta para implementação da política de cotas advindas do
movimento negro.
O autor da presente pesquisa é um exemplo de jovem oriundo de escola
pública, negro, baixa renda e estudante de um Pré-Vestibular para Negros e
Carentes (PVNC’s), antes de ingressar na faculdade, conquistada através de
bolsa integral (100%), pelo Programa Universidade Para Todos (PROUNI)
57

Gráfico 2- Sexo dos estudantes entrevistados

15%

Masculino
Feminino

85%

Embora esse padrão venha mudando ao longo das décadas, o Serviço


Social ainda hoje é uma profissão eminentemente feminina, somente 15% dos
entrevistados eram do sexo masculino.
No tocante a predominância feminina no curso de Serviço Social, Lima
afirma:
Além da sua relação intrínseca com a questão social, são três
as características marcantes presentes no nascimento da
profissão: a) sua ligação às doutrinas religiosas (sejam elas
católicas ou protestantes - essa associação com uma ou outra
religião dependerá da história do país de origem); b) sua ligação
à classe burguesa; c) e, por fim, sua constituição como uma
profissão de e para mulheres. (2014:46)

A profissão de Serviço Social tem como características marcantes, na


gênese da profissão no Brasil, sua ligação com doutrinas religiosas da Igreja
Católica, que era responsável pelo primeiro ideário profissional dos assistentes
sociais; sua ligação com a classe burguesa, uma vez que a profissão de serviço
social foi criada com o objetivo inicial de conter o avanço do movimento da classe
trabalhadora; e sua constituição como uma profissão de e para mulheres.
A profissão de Serviço Social está entre uma das profissões consideradas
socialmente femininas, onde para Lima:
Neste sentido, as chamadas “profissões femininas” — e entre
elas encontra-se o Serviço Social — são mais procuradas por
mulheres justamente porque tais profissões exigem dos(as)
profissionais docilidade, sensibilidade, serviço ao outro,
abnegação etc. (2014: 47)
58

Ou seja, a profissão de Serviço social, é uma das profissões que são mais
procurada por mulheres, justamente por ser uma profissão que exige dos (as)
profissionais a docilidade, sensibilidade, serviço ao outro ou negação de si
mesmo no fazer profissional.
A explicação para essa predominância deve-se ao fato de a
subjetividade feminina, na forma como foi e é construída
socialmente, apresentar a mulher como “um ser para os outros”,
que tende a desprezar o próprio desejo frente aos do marido e
filhos, que aceita um lugar secundário na distribuição de
recursos e benefícios grupais, sacraliza as funções de mãe e
esposa, associando a estas as qualidades de fragilidade,
intuição, abnegação, docilidade, sensibilidade, entre outras
(Rocha-Coutinho, 1994 apud Lima, 2014:)

Essa predominância de mulheres na área se serviço Social é explicado


na forma como foi e é construída socialmente a subjetividade feminina, na
apresentação da mulher como “um ser para os outros”, desprezando o seu
próprio desejo para cuidar do marido e filho, aceitando um lugar secundário em
seu próprio lar, sendo associada às mulheres qualidades como a fragilidade,
intuição, negação de si mesmo, docilidade com os outros, sensibilidade, entre
outras qualidades construídas sobre as mulheres, que fazem com que a maioria
procurem a área de Serviço Social.
Para explicar o perfil da maioria das mulheres assistentes sociais na
contemporaneidade, Lima explica:
(...) o Serviço Social é uma profissão formada prioritariamente
por mulheres oriundas da classe trabalhadora e, como tal, além
de mediatizada por um forte recorte de classe social, também é
mediatizada por predominância de mulheres pardas ou negras.
Esse também é o perfil das usuárias dos serviços sociais, a
quem os(as) assistentes sociais prestam serviços. (2014:55)

A afirmação acima da autora está de acordo com o perfil dos alunos de


Serviço Social, entrevistados na presente pesquisa, na Faculdade Duque de
Caxias, onde a maioria são mulheres, oriundas da classe trabalhadora, que
apresentam baixa-renda, são moradoras da Baixada Fluminense e são pardas
ou negras. Cabe salientar, que este também é o perfil das usuárias dos serviços
sociais, no qual os (as) assistentes sociais prestam serviços, e na maioria das
vezes não percebem.
Sendo assim, concluímos que a predominância feminina no curso e na
profissão de Serviço Social, como um todo, se deve à imagem social das
59

mulheres serem relacionadas aos cuidados do lar, a fragilidade, sensibilidade,


negação de si mesma para com os filhos e o marido, como também pela
docilidade das mesmas para com o próximo. Este fator explica porque a área
não é muito procurada por pessoas do sexo masculino, porque o Serviço Social
é considerado socialmente, uma profissão de e para mulheres.

Gráfico 3- Período cursado pelo estudante entrevistado

5%

30% 2º


40% 5º



25%

Como exposto anteriormente, todos os períodos existentes no Curso de


Serviço Social na Faculdade Duque de Caxias, na ocasião da presente pesquisa,
foram alvos da mesma.

Gráfico 4- Cor/raça do entrevistado

20%

35%
Branco
Amarelo
Pardo
Indígena
Preto
35%
10%

Utilizamos na referida pesquisa os critérios do IBGE; Branco, Amarelo,


indígena, pardo e preto, como também o conceito de autoclassificação. Ao
somarmos o número de pardos e pretos, observamos que 70% dos estudantes
entrevistados são negros.
60

Tal resultado foi uma surpresa, inclusive para o autor. O mesmo


demonstrou um alto grau de reconhecimento e identidade negra junto aos alunos
entrevistados.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
(PNAD), em 2016, através do levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, entre 2012 e 2016, diminuiu em 1,8%
a parcela da população que se declara branca. Enquanto, as populações que se
declaram preta e parda cresceram 14,9% e 6,6%, respectivamente.
(JUNQUEIRA, 2017)
De acordo com a Maria Lucia Vieira, gerente da pesquisa, a mistura de
raças é uma tendência da população brasileira, o que está levando o aumento
da população parda e no caso dos pretos, ela explica que há cada vez mais
pessoas que se reconhecem com essa cor. (JUNQUEIRA, 2017).
Concordo que, com o passar dos anos, devido à políticas de inclusão da
população negra à espaços que antes não era ocupado por eles, e também cada
vez mais o aumento do orgulho negro, e consequentemente, o reconhecimento
da população negra à própria cor, fizeram com que ocorressem o aumento do
número de pessoas que se consideram pretas e pardas, como também levaram
ao empoderamento negro, quando os negros reconhecem os direitos que
possuem.

Gráfico 5- Inserção dos entrevistados no mercado de trabalho

45% SIM
NÃO
55%

Ao perguntarmos aos entrevistados se eles trabalhavam fora, 45%


responderam positivamente.
61

Gráfico 6- Renda dos entrevistados

11%

Menos de 1 salário mínimo


34%
1 salário mínimo
22%
De 1 a 2 salários mínimos
2 salários mínimos
Mais de 2 salários mínimos

11% 22%

Como pode ser observado, mais uma vez fica explícita a heterogeneidade
junto aos entrevistados, no Curso de Serviço Social existem desde alunos que
recebem menos de 1 salário mínimo por mês até alunos que recebem mais de 2
salários mínimos.
De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano, do Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (IDH, PNUD/2010), enquanto os
municípios, que fazem parte da Baixada Fluminense, de Belford Roxo,
Queimados e Japeri têm 0,684, 0,680 e 0,650, de IDH, respectivamente, os
municípios da capital do Rio de Janeiro e de Niterói têm 0,799, nível alto, e 0,837,
muito alto, respectivamente. (SENRA, 2017)
Um quadro que mostra a desigualdade da Baixada Fluminense, onde a
maioria dos estudantes de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias
residem, no Índice de Desenvolvimento Humano, quando comparado aos
índices da capital do Rio de Janeiro e Niterói.
No tocante a educação fundamental, os municípios da Baixada
Fluminense, ocupam os últimos lugares do Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (IDEB), do Estado do Rio de Janeiro: Belford Roxo ocupa o
91º lugar, Nova Iguaçu ocupa o 90º lugar e Duque de Caxias ocupa o 82º.
(SENRA, 2017).
De acordo com o Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), corrigido pelo Índice de Preços ao Con sumidor Amplo
(IPCA), em dezembro de 2015, a Renda domiciliar per capita de municípios
da Baixada Fluminense contrastam com a Renda domiciliar per capita da
62

capital do Rio de Janeiro e Niterói. Enquanto municípios da Baixada como


Nova Iguaçu, Belford Roxo, Japeri, Duque de Caxias e Queimados tem
renda domiciliar per capita de R$ 853,00; R$ 710,00; R$ 607,00; R$
699,00; e R$ 699,00, respectivamente, os Municípios da Capital do Rio de
Janeiro e Niterói, tem R$ 2.155,00 e 2.888,00, respectivamente. (CASA
FLUMINENSE, 2018).
Os dados acima estão apresentando a desigualdade existente entre
os municípios da Baixada Fluminense em relação aos municípios da
Capital do Rio de Janeiro e Niterói, no tocante a renda familiar per capita.
A renda familiar per capita representa o total da renda auferida
mensalmente por uma família residente no município, dividido pelo número
de membros. (CASA FLUMINENSE, 2018)
Diante dos dados apresentados, a Baixada Fluminense sofre com
desigualdades de renda, educação e apresenta os piores Índices de
Desenvolvimento Humano, quando comparado aos municípios da Capital
do Rio de Janeiro e Niterói. Acreditamos que por conta da maioria dos
estudantes de Serviço Social, da Faculdade Duque de Caxias, serem
residentes na Baixada Fluminense, também sofrem com as desigualdades
apresentadas na presente pesquisa.

Gráfico 7- Presença da família de origem no nível superior

45%
SIM
55% NÃO

Ao indagarmos nossos entrevistados se eles eram as primeiras pessoas


de sua família de origem, ou seja, pai, mãe, irmãos, tios e avós, a ingressarem
no nível superior, 55% responderam positivamente.
63

O autor da presente pesquisa também é um exemplo, de estudante


universitário, que é o primeiro de sua família de origem a ingressar no ensino
superior.
Tal ingresso na universidade se deu através da sua inserção, quando
estava no 2º ano do Ensino Médio, em 2013, em um Pré-Vestibular Comunitário,
denominado “Pré-Vestibular para Negros e Carentes (PVNC)”, no bairro Vila
Operária, em Nova Iguaçu. Em 2014, quando estava no 3º ano do Ensino Médio,
numa escola estadual, continuou estudando no PVNC Vila Operária, onde no
mesmo ano realizou a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), e em
2015 utilizou a sua nota de corte para inscrever-se no Programa Universidade
para Todos (PROUNI). Nesta inscrição conseguiu conhecer a Faculdade Duque
de Caxias, o curso de Serviço Social e matricular-se no mesmo, onde conseguiu
bolsa integral (100%), tornando-se isento de pagar mensalidade, apenas a
passagem.
Através dessa trajetória e oportunidade, tornou-se facilitado o ingresso na
universidade pelo autor da presente pesquisa. Na sua família de origem é o
primeiro a cursar faculdade e avalia que os seus pais, tios e avós não
ingressaram na faculdade por conta do desânimo e outras questões sociais que
a população negra passa no Brasil. Contudo, como seus irmãos ainda cursam o
Ensino Médio, como irmão mais velho tenta ajuda-los a ingressar na
universidade também.
Sendo assim, a criação de programas que facilitaram o acesso da
população mais empobrecida no Ensino Superior, onde os negros (pretos e
pardos) são a maioria, e a criação de Pré-vestibulares comunitários que tem o
objetivo de facilitar o acesso de jovens e pessoas das camadas populares no
Ensino Superior, fazem com que a maioria dos estudantes universitários sejam
o primeiro de sua família de origem a cursar o Ensino Superior.
64

Gráfico 8- Hiato entre o ensino médio e a graduação

10%
5%

40% Menos de 1 ano


De 6 a 10 anos
De 1 a 5 anos
Mais de 10 anos

45%

Ao perguntarmos aos entrevistados quanto tempo se passou desde o fim


do ensino médio até a graduação, confirmamos o que observamos através de
fala de alguns alunos, em sala de aula, grande parte dos mesmos, 40% ficaram
mais de 10 anos sem estudar, após o fim do ensino médio.

Gráfico 9- Residência na Baixada Fluminense

5%

SIM
NÃO

95%

Quando questionados se moravam na Baixada Fluminense, 95% dos


entrevistados responderam positivamente.
65

Gráfico 10- Contato com discussões sobre racismo e/ou preconceito


racial antes de iniciar a graduação

35%

SIM
NÃO

65%

Ao perguntarmos aos entrevistados se, antes de iniciarem a graduação,


já tiveram contato com discussões sobre racismo e/ou preconceito racial, 65%
responderam positivamente, enquanto 35% responderam negativamente.
Acreditamos que a maioria desses entrevistados, que já tiveram contato
com discussões sobre racismo e/ou preconceito racial, antes de iniciarem a
graduação, já participaram de eventos realizados durante o Ensino Fundamental
ou Médio, nas escolas que estudaram, ou tiveram aulas sobre a temática racial,
na matéria de História, Literatura ou Educação artística.
A Lei Nº 10.639, de 9 de Janeiro de 2003, é a que altera a Lei Nº 9.394,
de 20 de dezembro de 1996, e a que estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a
obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras
providências. (BRASIL, 2003)
Segundo a respectiva Lei:
Art. 1º A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a
vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:
"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e
médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre
História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1º O conteúdo programático a que se refere o Caput deste
artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a
luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na
formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do
povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à
História do Brasil.
§ 2º Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira
serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em
66

especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e


História Brasileiras.
§ 3 º (VETADO)"
"Art. 79-A.(VETADO)"
"Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro
como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. (BRASIL, 2003)

A Lei Nº 10.639/2003 significou um grande avanço para a discussão da


temática racial, no ambiente escolar, uma vez que tornou obrigatório no ensino
fundamental e médio, tanto nas escolas públicas e particulares, o ensino sobre
História e Cultura Afro-Brasileira. Conteúdos importantes para que os estudantes
aprendam a valorizar a história e a cultura dos afrodescentes no Brasil,
combatendo o racismo e promovendo o respeito ao próximo.
Além disso, o calendário escolar passa a incluir o dia 20 de Novembro
como o “Dia Nacional da Consciência Negra”, considerado o dia importante para
a população negra, por ser o dia da morte de um dos mais importantes e
símbolos da resistência negra no Brasil, Zumbi dos Palmares.
Mesmo com essa inclusão da temática racial, nos estabelecimentos de
ensino fundamental e médio, e a inclusão no calendário escolar do dia 20 de
Novembro, Verçosa (2012:42) afirma:
Ao assumir a tarefa de lutar contra o racismo, a escola precisa
estabelecer o diálogo e ouvir os que se calam diante da
diferença, pois na medida em fala pouco sobre o negro,
especificamente nas datas comemorativas ou simplesmente
apenas na disciplina de história, deixa de ampliar o estudo da
história de um povo que sempre foi ignorado e suas culturas
desvalorizadas.

Ou seja, é necessário que as discussões existentes na escola, sobre


racismo ou preconceito racial, vá além do que falar sobre a cultura e história
Afro-Brasileira, nas datas comemorativas da população negra, como o dia 13 de
Maio ou o dia 20 de Novembro, ou apenas nas disciplinas de História, Artes e
Literatura. É importante que a escola estabeleça o diálogo, rodas de conversa,
a inclusão dos excluídos e uma escuta atenta dos que se calam diante das
diferenças.
Sendo assim, como apresentado na presente pesquisa, especificamente
no gráfico 8, e percebido pela fala dos estudantes em sala de aula, a maioria dos
alunos do curso de Serviço Social, da Faculdade Duque de Caxias, estão
67

bastante tempo fora de escola, razão pelo qual faz com que a maioria nunca
tenham contato com a temática racial, antes de iniciar a graduação.

Gráfico 11- Assistiu algum episódio de racismo e/ou preconceito racial

SIM
NÃO

100%

Todos os entrevistados responderam que já assistiram algum episódio de


racismo e/ou preconceito racial.
No tocante ao racismo e ao preconceito racial, Amaro afirma: “A
comunidade negra tem consciência de sua presença em cada cena do cotidiano,
em cada negativa de emprego, em cada ato preconceituoso ou discriminatório
que a espreita.” (2005:59). Ou seja, a comunidade negra tem a consciência de
que o racismo existe na sociedade brasileira e manifesta-se através de cenas do
cotidiano da população negra; em cada negativa de emprego, por conta da cor
da pele ou até pelo estilo de cabelo e roupa que a pessoa usa; ou em cada ato
de preconceito e discriminação racial observada.
Portanto, devido a todos os entrevistados responderem que já assistiram
algum episódio de racismo e/ou preconceito racial, em alguma ocasião de sua
vida, mostra que de fato o racismo existe na sociedade brasileira, mas nega-se
constantemente isso, pelo mito da democracia racial ou pela tendência da
atualidade de considerar qualquer manifestação da população negra contra o
racismo ou discriminação racial como “vitimismo” e “mimimi”, como se a vítima
se fizesse de coitado para os outros. Tal fato faz com que muitas das
reivindicações da população negra, através do movimento negro, ao Estado
Brasileiro, contra o racismo, torna-se banal, sem sentido nenhum, pois se a
68

vítima quer se fazer de coitada ao denunciar o racismo ou discriminação racial,


então não é necessário medidas eficazes para o combate do mesmo.
Ao analisar o racismo institucional, por parte das autoridades judiciais, no
Poder Judiciário brasileiro, Silva (2011:22) afirma:
Com efeito, no Poder Judiciário o racismo institucional pode ser
conceituado como a tolerância ou omissão das autoridades
judiciais em relação às condutas discriminatórias, pois isto
acarreta no mau processamento dos feitos de racismo.

Ou seja, a questão do mito da democracia racial e do racismo camuflado


e sutil, manifesta-se até no Poder Judiciário brasileiro, onde os operadores do
direito tratam as condutas discriminatórias com tolerância ou omissão, trazendo
como consequência o mau processamento dos atos de racismo, realizando
assim o racismo institucional. Tal fator tem a ver com a questão da sociedade
brasileira considerar como “vitimismo” ou “mimimi”, qualquer reação dos negros
contra o racismo.

Gráfico 12- Sofreu racismo e/ou preconceito racial

30%

SIM
NÃO

70%

Ao indagarmos nossos entrevistados se já sofreram racismo e/ou


preconceito racial, em alguma ocasião de sua vida, 70% responderam
positivamente e 30% responderam negativamente.
De acordo com Oliveira:
O racismo que se desenvolveu entre nós e que ainda está
arraigado em nossa cultura se manifesta de maneira camuflada,
que por vezes assume formas estéticas aceitáveis socialmente,
mas que possui em sua essência uma razão histórica de
discriminação e negação dos direitos do negro, enquanto
cidadãos brasileiros. (2007:4)
69

Ou seja, o racismo que se desenvolveu na sociedade brasileira e que está


enraizado na cultura da mesma, manifesta-se de forma oculta e escondida,
fazendo com que, na maioria das vezes, quem sofre racismo ou preconceito
racial não perceba, ficando difícil de denunciar o agressor e do racismo ser
combatido.
Ainda, de acordo com Schucman:
Ainda que todas as evidências apontem o Racismo como
explicação para as desigualdades raciais, o racismo brasileiro
tem a especificidade de ser velado e sutil. A ideia de “democracia
racial” faz parte do imaginário brasileiro e constrói um ideal do
qual os brasileiros, em sua maioria, não abrem mão. (2010:45)

Mesmo que o racismo seja apontado como indício para explicar as


desigualdades raciais, o racismo apresentado na sociedade brasileira tem a sua
particularidade de ser velado ou sutil, ou seja, cada vez mais escondido e
camuflado. Tal fato tem a sua base no mito da democracia racial brasileira, no
qual afirma-se a todo o momento que não existe racismo, que negros e brancos
vraivem em perfeita harmonia e que não existe desigualdades entre negros e
brancos, todos possuem a mesma oportunidade no Brasil.
Para Hasenbalg (1979:246 apud SCHUCMAN, 2010:45):
Num certo sentido a sociedade brasileira criou o melhor dos dois
mundos. Ao mesmo tempo que mantém a estrutura de privilégio
branco e a subordinação não branca, evita a constituição da raça
como princípio de identidade coletiva e ação política. A eficácia
da ideologia racial dominante manifesta-se na ausência de
conflito racial aberto e na desmobilização política dos negros,
fazendo com que os componentes racistas do sistema
permaneçam incontestados, sem necessidade de recorrer a um
alto grau de coerção.

Ou seja, a sociedade brasileira mantém o privilégio da população branca


e a subordinação da população negra, evitando assim a constituição da raça
como princípio de identidade coletiva e ação política, trazendo como
consequência a discriminação racial ou preconceito racial cada vez mais velado
e escondido, e levando a desmobilização política da população negra, através
do movimento negro, no qual é importante para que a população negra lute e
reivindique seus direitos e fazem com que realmente negros e brancos tenham
o mesmo patamar de oportunidades.
Sendo assim, consideramos que a maioria dos estudantes entrevistados
já passou por algum episódio de racismo, pois representam 70% da pesquisa, e
70

os 30% que responderam nunca ter passado ou sofrido algum episódio de


racismo e/ou preconceito racial, podem ter passado em alguma ocasião de sua
vida, mas preferiu relevar ou deixar de lado, pois como foi mencionado
anteriormente, o racismo na sociedade brasileira manifesta-se de forma sutil,
velada, escondida e camuflada.

Gráfico 13- População brasileira racista

5%

SIM
NÃO

95%

Como pode ser observado, ao questionarmos os nossos entrevistados


se consideram a população brasileira racista, 95% responderam positivamente
e 5% respondeu que negativamente.
De acordo com Amaro:
Estamos diante de uma verdade indubitável: pratica-se no Brasil
uma exclusão pela cor, pela etnia do sujeito, pela atribuição de
valor diminutivo e depreciativo a indivíduo portador de
determinada cor de pele. Esse processo de estigmatização e
biopoder denomina-se racismo. (2005:59)

Diante desse fato, temos que na sociedade brasileira é praticada a


discriminação e a exclusão a outros indivíduos por conta de sua cor de pele,
etnia ou por considerar alguém de baixo valor e ofensivo.
Segundo Amaro: “O racismo brasileiro, contudo, tendo em conta as
práticas divisórias que institui as relações sociais é polêmico, mas sua existência
é inexorável.” (2005:59). Ou seja, o racismo no Brasil é algo que causa muita
polêmica ou divergências em nossa sociedade, mas a sua existência é inegável.
Sendo assim, a população brasileira é de fato racista, mas como foi
mencionado na presente pesquisa, o racismo brasileiro manifesta-se de forma
71

sutil e velada na sociedade, fazendo com que, na maioria das vezes, as pessoas
não declararem ser racistas e sim o outro.

Gráfico 14- Negros e brancos possuem as mesmas oportunidades na


educação e no mercado de trabalho

10%

SIM
NÃO

90%

Ao indagarmos os nossos entrevistados, se avaliam que negros e brancos


possuem as mesmas oportunidades na educação e no mercado de trabalho,
90% responderam negativamente e 10% responderam positivamente.
De acordo com Pastore e Valle Silva (2000:40 apud SILVA, 2006:21):
(...) a educação é o mais importante determinante das trajetórias
sociais futuras dos brasileiros (...) Não é exagero dizer que a
educação constitui hoje o determinante central e decisivo do
posicionamento socioeconômico das pessoas na hierarquia
social.

Ou seja, pelo fato de a educação ser considerada o mais importante


determinante das trajetórias sociais futuras dos brasileiros atualmente, ao
Governo Federal criar políticas de ações afirmativas, como as cotas raciais,
destinadas à facilitar e igualar o acesso de negros e brancos no ensino superior,
objetiva fazer com que os negros também possuam uma mobilidade, ascensão
social e um posicionamento socioeconômico elevado na sociedade brasileira.
De acordo com os dados do Movimento Todos pela Educação, em 2016,
os brancos concentram os melhores indicadores e são a parcela da população
que frequenta a escola por mais tempo. Enquanto a taxa de analfabetismo entre
os brancos foi de 5%, a taxa entre os pretos foi de 11,2% e pardos foi de 11,1%.
(WELLE, 2016)
72

Um quadro que está mostrando a vantagem da população branca frente


à população negra, no tocante a taxa de analfabetismo, o que mostra também
que os negros são a parcela da população que frequentam a escola por menos
tempo. Tal realidade está ligada aos anos de escravidão da população negra no
Brasil ou pelos negros terem menos incentivo para continuar nos estudos,
quando comparados aos brancos.
Ainda, de acordo com o Movimento Todos pela Educação, enquanto entre
os brancos, 70,7% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão no ensino médio,
entre os pretos e pardos este número cai para 50,5% e 55,3%, respectivamente.
(WELLE, 2016)
Ou seja, a taxa de adolescentes brancos, de 15 a 17 anos, que estão no
ensino médio, é maior do que a taxa de pretos e pardos (negros) nessa mesma
faixa etária. O atraso nos estudos e a inserção no mercado de trabalho mais
cedo, são um dos fatores que fazem com que um número menor de pretos e
pardos, de 15 a 17 anos, estejam no ensino médio.
No tocante ao terceiro ano do ensino médio, segundo o estudo, a
diferença é maior na análise de aprendizagem dos conteúdos, onde 38% dos
brancos têm o aprendizado adequado em Língua Portuguesa, e 15,1% dos
brancos têm o aprendizado adequado em matemática, enquanto 21% dos
pardos e 20,3% dos pretos têm o aprendizado adequado em Língua Portuguesa,
e 5,8% dos pardos e 4,3% dos pretos têm o aprendizado adequado em
matemática. (WELLE, 2016)
A partir desses dados, no tocante a desigualdade educacional, pode-se
concluir que é necessário que se tenha políticas públicas específicas para que a
população negra no Brasil, tenha a mesma oportunidade de acesso à educação
que a população branca, que possui mais vantagem de acessar o ensino
superior do que os negros no Brasil.
No tocante ao mercado de trabalho, Silva (2006:34) afirma:
Contudo, o mercado de trabalho também se mostra um dos
espaços de maior evidência da discriminação racial. Os déficits
de ocupação e a concentração nas funções menos remuneradas
e mais insalubres pelos negros no Brasil são fatos históricos que
vêm sendo atualizados por inúmeras pesquisas.
73

Concordamos com o autor, que os índices das pesquisas atuais vem


mostrando que os negros ocupam as funções menos remuneradas e mais
insalubres, quando comparada à população branca.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em
2016, dos 46 milhões de trabalhadores com carteira assinada, somente 34
milhões declararam cor e raça e, ainda, haviam 8,5 milhões que não foram
classificados. Dentre eles, o grupo dos negros (pretos e pardos), somavam 14,1
milhões, enquanto brancos eram 19,4 milhões, amarelos, 274 mil, e indígenas,
75 mil. (GOMES, 2018)
Esse quadro está mostrando a desigualdade existente entre negros e
brancos, no tocante aos trabalhadores de carteira assinada, onde apenas 14,1
milhões de negros (pretos e pardos) trabalhavam de carteira assinada, em 2016,
enquanto 19,4 milhões de brancos trabalhavam de carteira assinada. Ou seja,
os brancos possuem um percentual de 5,3 acima dos negros, no tocante ao
trabalho de carteira assinada.
Para explicar tal realidade, Guillermo Etkin, coordenador da
Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI-BA), afirma
que: “são basicamente dois aspectos: a escolaridade e a colocação [precoce] no
mercado de trabalho, já que negros começam a trabalhar mais cedo, o que afeta
na escolaridade”. (GOMES, 2018)
Ou seja, devido aos negros começarem a trabalhar mais cedo, para ajudar
nas despesas e na renda familiar, assim como a escolaridade e a colocação
precoce no mercado de trabalho, fazem com que a maioria da população negra
ocupe as funções menos remuneradas e mais insalubres na sociedade
brasileira.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
(Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), sobre o quarto trimestre de 2016, a renda média real recebida pelas
pessoas ocupadas no país foi estimada em R$ 2.043. O rendimento dos brancos
era de R$ 2.660 (acima da média nacional), enquanto o dos pardos ficou em
apenas R$ 1.480 e o dos trabalhadores que se declaram pretos esteve em R$
1.461. (LOPES, 2017)
Ou seja, no tocante a renda média real recebida pelas pessoas que
trabalhavam, no ano de 2016, o rendimento dos que se declararam brancos, R$
74

2.660,00, foram maiores do que o dos que se declararam pardos, R$ 1.480,00,


e pretos, R$ 1.480. Um quadro que mostra a desigualdade existente entre negros
e brancos no tocante a renda mensal, na sociedade brasileira.
Ainda, no tocante a taxa de desemprego, a pesquisa mostrou que o índice
entre pessoas que se declararam de cor preta ficou em 14,4%, no quarto
trimestre de 2016, enquanto a taxa entre a população parda foi de 14,1% e entre
a população branca de 9,5%. (LOPES, 2017)
Conforme os dados apresentados acima, a taxa de desemprego entre as
pessoas que se declararam brancas foi menor do que a taxa de desemprego
apresentada pelas que se declararam pretas ou pardas (negros). Um quadro que
mostra a vantagem da população branca sobre a população negra, no tocante a
ocupação no mercado de trabalho e na educação.
Amaro afirma que:
(...) a desigualdade nas condições de acesso, permanência e
conclusão dos anos escolares reproduz outras exclusões: o
negro adulto tem baixo nível de escolaridade e,
consequentemente, encontra dificuldades no acesso a trabalho
e renda. Com a diminuição das oportunidades sociais, decai a
qualidade de vida do sujeito negro e de sua família, reproduzindo
seu itinerário de exclusão. (2005:65)

Sendo assim, diante dos dados apresentados, concluímos que negros e


brancos não possuem as mesmas oportunidades de acesso à educação e ao
mercado de trabalho no Brasil, diferente do que a maioria da população brasileira
acredita que negros e brancos acessam igualmente a educação e o mercado de
trabalho.
75

Gráfico 15- Campanha do CFESS sobre combate ao racismo

35%

SIM
NÃO

65%

Ao perguntarmos aos entrevistados, se souberam sobre a campanha do


Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), sobre o combate ao racismo, 65%
responderam negativamente, enquanto 35% responderam positivamente.
A campanha do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) contra o
racismo, denominada “Assistentes sociais no combate ao racismo”, é uma
Campanha de Gestão assumida, em conjunto com os Conselhos Regionais de
Serviço Social (CRESS), no período de 2017-2020, cujo ponto de partida é
indiscutível: “a existência e reprodução, em grande escala, do racismo no Brasil.”
(CFESS-CRESS, 2018:15)
Ou seja, devido a existência e a grande reprodução do racismo no Brasil,
foi assumido uma campanha do conjunto CFESS-CRESS, com o objetivo de unir
os assistentes sociais brasileiros contra o racismo.
A presidente do CFESS, Josiane Soares, a respeito da campanha afirma:
Queremos nos somar, de forma incisiva, às denúncias já
protagonizadas pelo movimento negro em suas mais distintas
organizações e também por estudos e pesquisas que
demonstram, por meio de dados, como a classe trabalhadora no
Brasil tem cor; como a população carcerária no Brasil tem cor;
como os desempregados e população de rua no Brasil tem cor;
como as ocupações mal remuneradas são destinadas ao povo
negro. (CFESS-CRESS, 2018:15)

Os explicação acima da presidente do CFESS, a respeito da campanha


dos assistentes sociais contra o racismo, são importantes e retratam a realidade
da população negra no Brasil, que são alvos da discriminação racial
cotidianamente.
76

A conselheira do CFESS Mauricleia Soares, acrescenta as suas palavras


com a da presidente do CFESS, argumentando que:
Um conjunto de entidades, que está articulado às lutas sociais
mais relevantes dos últimos 40 anos no Brasil não ficará calado
ante ao recrudescimento do racismo que possibilita a
manutenção desses ‘velhos’ problemas, denunciados há muito
tempo e também a emersão de suas novas expressões.
Falamos da necessidade de visibilizar a dimensão racial num
momento em que não só essas, como outras expressões do
racismo, ‘ganham corpo’ na sociedade mundial. (CFESS-
CRESS, 2018:15)

Consideramos que tal iniciativa do conjunto CFESS-CRESS, é de suma


importância para o fazer profissional dos assistentes sociais, que lidam
cotidianamente com a população negra nos seus espaços de atuação
profissional, pois os negros são a maioria na população pobre no Brasil, e a
campanha dos assistentes sociais no combate ao racismo, tem ligação com o
movimento negro, onde como foi apresentado na presente pesquisa, são
importantes para que os negros lutem e reivindiquem melhores condições de
vida.
Esta campanha deveria ser trabalhada com os discentes de Serviço
Social da Faculdade Duque de Caxias, que ainda estão na fase de formação
profissional, para que se tornem assistentes sociais que enxerguem além das
questões sociais apresentadas pela maioria dos seus usuários, uma vez que o
racismo e a discriminação racial tem a ver com as condições de vida precária,
no qual a maioria da população negra vive no Brasil.
77

Gráfico 16- Cotas raciais para entrada no ensino superior público e/ou
para concursos públicos

30%

CONTRA
A FAVOR

70%

Ao perguntarmos para os nossos entrevistados o posicionamento deles a


respeito das as cotas raciais para entrada no ensino superior público e/ou para
concursos públicos, 70% responderam que são a favor e 30% responderam que
são contra.
No tocante às cotas raciais, Silva afirma:
As cotas raciais constituem simplesmente uma espécie do
gênero ações afirmativas. Mesmo restringindo o debate a
políticas públicas, configura-se a possibilidade de outros meios
de garantir acesso ou privilégio ao emprego e à educação para
contingentes raciais historicamente excluídos que não as cotas
(não sem questionamentos sobre sua eficácia), como o uso da
raça como critério de seleção interna de cargos ou mesmo o
acompanhamento privilegiado dessas minorias com incentivos
estatais. (2011:11)

De acordo com a autora, as cotas raciais são políticas de ações


afirmativas, que tem como objetivo, garantir o acesso ou privilégio ao emprego
e à educação para contingentes raciais historicamente excluídos na sociedade,
a população negra (pretos e pardos), verificando se alcançam periodicamente os
resultados esperados, como o uso da raça como critério de seleção interna de
cargos ou o acompanhamento estatal dessas minorias sociais.
Podemos perceber que na sociedade brasileira, assim como na
porcentagem desse gráfico, as pessoas são contra as cotas raciais, porque não
entendem, ou não sabem, sobre o motivo das mesmas existirem, ou por
simplesmente pensarem de acordo com a meritocracia, de que negros e brancos
possuem a mesma oportunidade de acesso à educação e ao mercado de
trabalho no Brasil. Tal fato mostra que é importante, a maioria dos brasileiros,
78

saberem realmente o motivo das cotas raciais existirem, para que não
concordem com ideias sem aprofundamento, de que os negros querem se achar
superiores aos outros por conta das cotas raciais ou que as cotas é um tipo de
racismo do Estado, de inferiorização da população negra.
A pré-história do sistema de cotas é o simples encorajamento
estatal para que os indivíduos, em suas funções coletivas, façam
escolhas que levem em consideração a raça. Após o relativo
fracasso desse intento é que se passa a buscar construir as
políticas de cotas rígidas e de metas estatísticas para a presença
de negros, principalmente no ensino superior, no mercado de
trabalho e na mídia. (SILVA, 2011:11)

Ou seja, a origem do sistema de cotas raciais, vem do encorajamento do


Estado afim de que os indivíduos façam as suas escolhas considerando a raça,
e ao fracassar desse objetivo passa-se a construir as políticas de cotas mais
rigorosas e metas para o aumento do número de negros no ensino superior, no
mercado de trabalho, como também na mídia.
“Além de resguardar um equilíbrio com o contingente populacional de
minorias, as cotas devem ter como pressuposto uma característica flexível e
temporária.” (SILVA, 2011:12). Enfim, é necessário que as cotas raciais tenham
uma característica acessível e temporária, ou seja, existam até alcançar
realmente com os objetivos esperados, de que negros alcancem o mesmo
patamar dos brancos no mercado de trabalho, ensino superior e na mídia.
79

Gráfico 17- Presença de conteúdos sobre racismo/discriminação racial no


Curso de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias

20%

40% Insuficiente
Suficiente
Muito Bom
15%
Excelente

25%

Como pode ser observado, ao serem indagados em como avaliam a


presença de conteúdos sobre racismo/discriminação racial no curso de Serviço
Social da Faculdade Duque de Caxias, 40% dos entrevistados consideraram
insuficiente, 25% consideraram como suficiente, 15% consideraram como muito
bom e 20% consideraram como excelente.
A Faculdade Duque de Caxias, através da reforma curricular realizada e
implementada no segundo semestre de 2011, incluiu no curso de Serviço Social,
uma disciplina denominada Gênero e Questão Social. (BARROS, 2017)
A respectiva disciplina:
Realiza estudos sobre a análise epistemológica, empírica,
teórica e metodológica sobre a concepção social de gênero,
sexualidade e raça, visando uma análise sobre gênero,
sexualidade e raça como categorias importantes nas análises
sobre movimentos sociais e políticas sociais; violência urbana;
preconceito; processos identitários, assim como estudos sobre
a promoção dos Direitos Humanos na sociedade capitalista
contemporânea. (FDC, 2011:21 apud BARROS, 2017:7)

Somente no segundo semestre de 2011, através da reforma da grade


curricular do curso de Serviço Social, da Faculdade Duque de Caxias, é que foi
incluída uma disciplina chamada Gênero e Questão social, que também aborda
a temática racial. Pode-se dizer que a partir daí e da respectiva disciplina que se
aborda o racismo no curso de Serviço Social na Faculdade Duque de Caxias.
Fator que está fazendo com que se aumente, paulatinamente, o número de
produções acadêmicas na Faculdade sobre a população negra e o racismo.
80

O autor da presente pesquisa, observou que a Faculdade Duque de


Caxias realiza, paulatinamente, seminários, palestras e feiras sobre a temática
racial, mais especificamente próximo de uma data comemorativa e importante
para a população negra brasileira, como um todo, 20 de Novembro, onde é
comemorado o dia da morte de Zumbi dos Palmares, grande representante da
resistência negra no Brasil.
É necessário que se tenha mais disciplinas na grade curricular, do curso
de Serviço Social, sobre a temática racial, assim como se realize mais eventos
e palestras na Faculdade Duque de Caxias, sobre este tema, do racismo e
discriminação racial, para que assim os discentes, ao se formarem, tenham um
olhar além da realidade social apresentada pelos seus usuários no seu fazer
profissional e aumente o número de Trabalho de Conclusão de Curso sobre o
racismo na universidade.

Gráfico 18- Sugestão de mudanças para o curso de Serviço Social da


Faculdade Duque de Caxias no tocante ao racismo e/ou discriminação racial

24%
Realização de 2 eventos ou mais por
ano sobre a temática

46% Inclusão de disciplinas obrigatórias


sobre a temática na grade curricular

Atividades externas, visando


conhecer a história de luta e
resistência da população negra

30%

Ao indagarmos nossos entrevistados, caso pudessem sugerir mudanças


para o curso de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias no tocante ao
racismo e/ou discriminação racial, podendo marcar mais de uma opção
obtivemos como resultado que: 46% dos entrevistados sugeriram importante a
realização de atividades externas, visando conhecer a história de luta e
resistência da população negra; 30% sugeriram a inclusão de disciplinas
obrigatórias sobre a temática na grade curricular; e 24% sugeriram a
Consideramos as três sugestões de mudanças importante para que
efetivamente os alunos do curso de Serviço Social conheçam a história de luta
81

e resistência da população negra, como também para que o serviço social


enxerguem além da realidade aparente, aquilo que aparece como questão social
dos seus usuários.
Filho afirma:
(...) acredito que o domínio de conhecimentos sobre a história e
da cultura afro-brasileira pelos Assistentes Sociais seja
imprescindível, tanto para um melhor aprimoramento pessoal
como para um desempenho profissional mais consciente e
crítico de intervenção diante da realidade social e econômica
que diz respeito à população negra e faz parte do seu dia-a-dia
profissional. (2004:17)

Ou seja, é importante que o assistente social possua conhecimento sobre


a história e a cultura afro-brasileira, que concerne a população negra, para que
tenha no seu fazer profissional um melhor aprimoramento e desempenho para
agir de forma mais consciente e crítica frente a realidade social e econômica
apresentada pelos seus usuários, em sua maioria pobres, consequentemente
negros.
O profissional de Serviço Social, é o profissional que tem contato direto
com a população pobre, negra e pauperizada, fora do ambiente escolar ou
universitário, como também aborda Filho:
Eu concordo com o ponto de vista de que devemos privilegiar as
crianças, os jovens e adolescentes que se encontram nas
escolas, mas também precisamos trabalhar com aqueles
adultos, crianças, adolescentes que se encontram fora das salas
de aula, por ‘n’ motivos e, como já foi dito, o profissional que
interage com grande parte destes indivíduos em seu lócus de
atuação é o Assistente Social. (2004:17)

Este modo de trabalhar com adultos, crianças e adolescentes a questão


racial fora do ambiente escolar, tem relação com o Princípio Fundamental VI, do
Código de Ética do Assistente Social, de 1993:
VI. Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito,
incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos
socialmente discriminados e à discussão das diferenças
(CFESS, 2012:24)

De acordo com esse Princípio Fundamental do Código de Ética, é


importante que o assistente social tenha uma atuação profissional que se
empenhe na eliminação de todas as formas de preconceito, incluindo a racial,
bem como que incentive o respeito à diversidade, a participação de grupos
socialmente discriminados e à discussão das diferenças, seja em roda de
82

conversa, através de palestras ou em atividades externas que visem informar


sobre a história de luta e resistência da população negra.
Sendo assim, concordamos que as 3 sugestões dadas pelos nossos
entrevistados, destacadamente a realização de atividades externas, visando
conhecer a história de luta e resistência da população negra, durante a
graduação de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias, fariam com que os
alunos conhecessem melhor a questão do racismo e/ou discriminação racial
sofrida pela população negra na sociedade brasileira, como também tivessem
uma atuação profissional que não reforçasse o racismo, pelo contrário, que
incentivasse o respeito e discussão das diferenças.

Gráfico 19- Conhecimento dos profissionais de Serviço Social que


conhece sobre racismo e/ou preconceito racial

15%

SIM
NÃO

85%

Ao perguntarmos para os nossos entrevistados, se os profissionais de


Serviço Social que conhecem possuem conhecimento sobre o racismo e/ou
preconceito racial, 85% responderam positivamente e 15% responderam
negativamente.
De acordo com Amaro:
Contudo, nem sempre o trajeto de discriminação e exclusão que
arrasta os negros à assistência é conhecido por atores
institucionais, responsáveis pelo seu atendimento. Essa
limitação recoloca no debate a reflexão sobre como a política
assistencial contempla as demandas desse segmento, que
constitui seu público majoritário. (2005:67)
83

Como afirma a autora, nem sempre a discriminação racial e a exclusão


social dos negros na sociedade brasileira, é conhecida pelos assistentes sociais,
no qual são responsáveis pelo seu atendimento, fazendo-se necessário a
reflexão sobre como a política de assistência social é direcionada as demandas
desse segmento populacional, onde também é seu maior público no atendimento
social.
No tocante aos profissionais de Serviço Social, a grande maioria não
possui conhecimento sobre a temática racial, pois como foi apresentado na
presente pesquisa, durante a formação acadêmica é falado ou debatido pouco
sobre a temática racial, fazendo com que se tenham assistentes sociais que não
enxerguem além da realidade social apresentada pelos seus usuários.
Amaro, ainda argumenta, que:
A ausência de conhecimento sobre grupos expressivos e
majoritários na assistência, como a população afrodescendente,
geralmente tem início na inexistência de “campo” ou indicativo,
no formulário de triagem institucional, que informe a situação
desse segmento. (2005:68)

A autora traz que essa ausência de conhecimento do assistente social,


sobre grupos expressivos e majoritários, que procuram a assistência social,
como a população negra, tem seu início, em geral, por conta da não existência
de um campo ou indicativo, no formulário institucional, que informe a situação
dessa população.
O autor da presente pesquisa, realizou seu estágio curricular obrigatório,
em uma Upa Infantil, em Duque de Caxias. Ao ler a ficha social, que era usada
no atendimento, percebeu o indicativo de cor/raça, como classificado no IBGE:
preto, pardo, amarelo, indígena e branco. Porém, tal campo ou indicativo, não
era preenchido pelos assistentes sociais que trabalhavam na Upa Infantil, o que
mais uma vez mostra que os profissionais de Serviço Social desconhecem a
temática do racismo ou discriminação racial.
Sem a “chamada” no cadastro da instituição, sem a leitura crítica
do profissional que dá parecer sobre a destinação de recursos
(ou sua negativa) a uma família afrodescendente e sem uma
clara percepção das consequências desse seu juízo/ação na
história de superações e enfrentamentos sociais dessa família,
dificilmente pode-se obter informações precisas ou mesmo
aproximadas de sua realidade complexa. (AMARO, 2005:68)
84

Sendo assim, é de suma importância que os assistentes sociais tenham


o conhecimento do segmento populacional, que são a maioria na população
pobre e que procuram o seu atendimento social, a população negra, e também
tenham o conhecimento sobre o racismo e a discriminação racial, que levam a
exclusão e deixam a maioria da população negra à margem da sociedade.

Gráfico 20- A presença da temática de combate ao racismo e/ou


preconceito racial como conteúdo nas graduações pode contribuir para a
diminuição do racismo no Brasil

15%

SIM
NÃO

85%

Como pode ser observado, 85% dos nossos entrevistados consideram


que a presença da temática de combate ao racismo e/ou preconceito racial como
conteúdo nas graduações pode contribuir para a diminuição do racismo no Brasil,
enquanto 15% consideram que não contribui para a diminuição do racismo no
Brasil.
Consideramos que é importante a presença da tematica do combate ao
racismo e/ou preconceito racial, como conteúdo nas graduações, para diminuir
o racismo como um todo na sociedade brasileira. Uma vez que o racismo está
presente em todas as partes e em todas as áreas do Brasil.
A Faculdade Duque de Caxias oferece 4 cursos de graduações: Serviço
Social, no qual o autor da presente pesquisa faz parte; Sistema de Informação;
Enfermagem e Administração. O curso de Serviço Social, tal como foi
apresentado no gráfico 17, através da reforma curricular, realizado no Segundo
85

semestre de 2011, incluiu a disciplina Gênero e Questão Social, que aborda a


temática racial.
Seria de suma importância que os demais cursos também debatam,
realizem palestras e eventos que abordem a tematica racial, bem como tenham
disciplinas especificas sobre a discriminação racial e o racismo no Brasil, assim
como a contribuição da população negra para a construção do Brasil.
Sendo assim, mediante os fatos apresentados, temos a percepção de que
a presença da temática racial como conteúdos nas graduações, tanto de Serviço
Social como em outras, podem contribuir para que diminua o racismo no Brasil.
86

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa teve o objetivo de avaliar a presença da temática


racial, no Curso de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias, e se tal curso,
que promove paulatinamente atividades como seminários, palestras, feiras sobre
a temática, possibilitou aos alunos um olhar mais crítico sobre as consequências
do racismo no Brasil e sobre as estratégias de enfrentamento ao mesmo.
Tal pesquisa fez com que o autor da mesma tivesse um conhecimento
mais aprofundado sobre o racismo no Brasil e as consequências do mesmo, bem
como a sua relação com o curso de Serviço Social da Faculdade Duque de
Caxias.
O que motivou o autor da presente pesquisa abordar o racismo em seu
Trabalho de Conclusão de Curso foi, primeiramente, ter passado pelo racismo
durante a sua vida escolar, manifestado através de “brincadeiras” e “piadinhas”,
no 6º ano do Ensino Fundamental, ocasionando a baixa autoestima, a vergonha
de sua própria cor e uma revolta interior, a escola nada fazia para combater esta
pratica. Tal consequências foi superada pelo mesmo, através da sua inserção
na vida acadêmica, sendo o primeiro de sua família de origem a ingressar no
ensino superior, onde conseguiu bolsa integral, através do Programa
Universidade para Todos (PROUNI), no curso de Serviço Social da Faculdade
Duque de Caxias.
Antes de ingressar na Universidade, o autor da presente pesquisa
estudou em um Pré-Vestibular para Negros e Carentes (PVNC), no bairro Vila
Operária, em Nova Iguaçu, no ano de 2014, um espaço importante para que o
mesmo se preparasse para a prova do Exame Nacional do Ensino Médio
(ENEM), bem como compreender que seu lugar era na Universidade. Tal fato
também explica o porquê do autor ser o primeiro da sua família de origem a
ingressar no Ensino Superior.
Além disso a realização da disciplina, quando o mesmo estava no 3º
período, denominada “Gênero e Questão Social”, ministrada pela professora
Estela, fez com que o autor tivesse um grande empoderamento negro, passando
a buscar mais sobre a temática racial em livros, artigos e teses, e a relação entre
o racismo e o curso de Serviço Social.
87

No tocante ao racismo, o Código de Ética do Assistente Social, datado de


1993, aborda em alguns de seus princípios fundamentais de atuação
profissional: o empenho na eliminação de todas as formas de preconceito,
incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente
discriminados e à discussão das diferenças; Opção por um projeto profissional
vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem
dominação, exploração de classe, etnia e gênero; e o Exercício do Serviço Social
sem ser discriminado/a, nem discriminar, por questões de inserção de classe
social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual, identidade de
gênero, idade e condição física. Esses princípios oferecem subsídios para a
atuação do assistente social, uma atuação sem preconceitos e discriminação,
que venha a incentivar a discussão das diferenças e a participação de grupos
socialmente discriminados e a opção por um projeto profissional que tenha o
objetivo de construir uma nova ordem societária, sem dominação ou exploração
de classe, etnia e gênero.
É importante que o assistente social entenda a história, a luta e as
conquistas da população negra na sociedade brasileira, através do movimento
negro, para que no seu fazer profissional enxergue além da realidade social
aparente apresentada pelos seus usuários, em sua maioria pobre e negros, e
para que isso ocorra é importante que durante a sua formação profissional, tenha
o contato, de maneira efetiva, com a temática racial, seja na inclusão de 2 ou
mais disciplinas abordando o racismo, na realização de 2 eventos ou mais por
ano sobre a temática ou na realização de atividades externas, visando conhecer
a história de luta e resistência da população negra, como foi incluído no
questionário afim de que os discentes dessem a sua sugestão. Por isso essa
pesquisa é importante para que no curso de Serviço Social da Faculdade Duque
de Caxias seja presente a temática racial.
. É necessário também que o assistente social promova roda de
conversas e palestras em seu espaço de atuação profissional, sobre o racismo,
pois nos princípios fundamentais do Código de Ética diz que o profissional deve
incentivar a discussão de diferenças e a participação de grupos socialmente
discriminados, e entre esses grupos está a população negra. Para isso é
importante que receba esse preparo durante a sua vida acadêmica, para que se
forme compreendendo o racismo na sociedade brasileira.
88

No resultado da pesquisa de campo, elaborada através de gráficos,


realizada junto aos alunos do curso de Serviço Social da Faculdade Duque de
Caxias, pode-se observar que mesmo o curso realizando paulatinamente
eventos, palestras e feiras sobre a temática racial, fez com que os mesmos
tivessem a noção de que existe o racismo na sociedade brasileira, porém a
maioria considerou insuficiente a presença da temática racial no curso; a maioria
já teve contato com discussões sobre o racismo no Brasil antes de ingressar na
universidade; a maioria se considera preto e pardo (negro), estava há anos sem
estudar antes de ingressar na universidade, são mulheres, possuem baixa-renda
e residem na Baixada Fluminense.
Os resultados que mais surpreenderam o autor da pesquisa, foi no tocante
a maioria dos alunos serem os primeiros de sua família de origem a ingressar no
ensino superior (55%); 10% dos entrevistados considerarem que negros e
brancos possuem as mesmas oportunidades na educação e no mercado de
trabalho; a maioria dos entrevistados não saberem sobre a campanha do
Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) sobre o combate ao racismo
(65%), o que é um dado alarmante pois como é uma campanha organizada pelo
Conselho Federal, deveria ser informada aos discentes pelo menos em uma das
disciplinas do curso de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias ou em
forma de palestras e eventos; e 30% dos alunos entrevistados serem contra as
cotas raciais, pode-se considerar que estes alunos não compreendem o objetivo
das cotas raciais existirem, como apresentado na presente pesquisa, e nem que
é fruto das reivindicações do movimento negro, acabando caindo no senso-
comum de que não é preciso as cotas, uma vez que todos podem acessar
igualmente uma vaga em concurso, ensino superior ou mercado de trabalho.
Além disso, causaram surpresa no autor, a maioria ter dado como
sugestão de mudança para o curso de Serviço Social da Faculdade Duque de
Caxias, no tocante ao racismo e/ou discriminação racial, a realização de
atividades externas, visando conhecer a história de luta e resistência da
população negra; bem como 85% dos entrevistados considerarem que, os
profissionais de Serviço Social que conhecem, possuem conhecimento sobre o
racismo e/ou preconceito racial.
Ainda assim, a maioria dos alunos entrevistados (40%) consideraram
insuficiente a presença de conteúdos sobre racismo/discriminação racial no
89

curso de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias, mostrando que é


importante que se tenha medidas para que seja excelente ou muito bom a
presença da temática racial no curso, seja com mais de uma disciplina que
aborde o racismo como conteúdo, além da disciplina “Gênero e Questão Social”;
a realização de atividades externas, que visam conhecer a história de luta e
resistência da população negra, que promoveria uma reflexão nos discentes e
faria com que eles tivessem um maior conhecimento sobre o racismo no Brasil;
como também a realização de 2 ou mais eventos por ano sobre a temática racial,
onde assim o racismo receberia uma devida atenção no curso de Serviço Social
da Faculdade Duque de Caxias, e traria um outro olhar sobre a questão racial,
tanto para os discentes, quanto para os professores.
Estas medidas, apresentadas anteriormente, sendo tomadas pelo curso
de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias, fariam com que aumentasse
o número de produções acadêmicas sobre o racismo na Faculdade, como
também que os discentes se formem com o conhecimento adequado na temática
racial, como um todo, para que no seu fazer profissional promova o respeito,
tenha uma atuação sem discriminar ou ser discriminado, incentive a discussão
das diferenças e a participação de grupos socialmente discriminados, incluindo
a população negra, que sofre o racismo cotidianamente, de forma sutil e
escondida, como apresentado na sociedade brasileira.
Sendo assim, este Trabalho de Conclusão de Curso, teve o objetivo de
realizar um estudo sobre a relação do racismo na sociedade brasileira e o Curso
de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias, onde foi apresentado que
ainda é preciso ser dado longos passos e ser tomada medidas para que
realmente ocorra de maneira efetiva a presença da temática racial no curso. Esta
questão não se encerra na presente pesquisa, em virtude do pouco tempo que
se teve para elaborá-la, indo além, seja em outros Trabalhos de Conclusão de
Curso sobre o racismo na Faculdade, ou na continuação desse estudo sobre a
relação do racismo e o curso de Serviço Social, como um todo, pelo autor da
mesma, em pós-graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
90

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2018
95

ANEXO 1

QUESTIONÁRIO/INSTRUMENTO DE PESQUISA- TCC 2


A- PERFIL SÓCIO-HISTÓRICO

1- Idade:
( ) De 18 a 25 anos ( ) De 26 a 35 anos ( ) Acima de 60 anos
( ) De 36 a 45 anos ( ) De 46 a 59 anos

2- Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino

3- Período que cursa atualmente:


( ) 1º ( ) 3º ( ) 5º ( ) 7º
( ) 2º ( ) 4º ( ) 6º ( ) 8º

4- Cor/Raça:
( ) Branco ( ) Pardo ( ) Preto
( ) Amarelo ( ) Indígena

5- Você Trabalha fora? ( ) Sim ( ) Não

6- Caso sim, qual a sua renda mensal?


( ) Menos de 1 salário mínimo ( ) De 1 a 2 salários mínimos
( ) 1 salário mínimo ( ) 2 salários mínimos
( ) Mais de 2 salários mínimos

7- Você é a primeira pessoa de sua família de origem (pais, irmãos, tios e avós)
a cursar nível superior?
( ) Sim ( ) Não

8- Quando iniciou a graduação, você estava há quanto tempo sem estudar?


( ) Menos de 1 ano ( ) De 1 a 5 anos
( ) De 6 a 10 anos ( ) Mais de 10 anos
96

9- Você mora na Baixada Fluminense?


( ) Sim ( ) Não

B- QUESTÃO RACIAL E SERVIÇO SOCIAL


10- Antes de iniciar a graduação, você já tinha tido contato com discussões sobre
racismo e/ou preconceito racial?
( ) Sim ( ) Não

11- Você já assistiu algum episódio de racismo e/ou preconceito racial?


( ) Sim ( ) Não

12- Você já sofreu racismo e/ou preconceito racial, em alguma ocasião de sua
vida?
( ) Sim ( ) Não

13- Você acha que a população brasileira é racista?


( ) Sim ( ) Não

14- Você avalia que negros e brancos possuem as mesmas oportunidades na


educação e no mercado de trabalho?
( ) Sim ( ) Não

15- Você soube da campanha do CFESS sobre combate ao racismo?


( ) Sim ( ) Não

16- Qual o seu posicionamento sobre as cotas raciais para entrada no ensino
superior público e/ou para concursos públicos?
( ) Contra ( ) A favor

17- Como você avalia a presença de conteúdos sobre racismo/discriminação


racial no curso de Serviço Social da Faculdade Duque de Caxias?
( ) Insuficiente ( ) Suficiente
( ) Muito Bom ( ) Excelente
97

18- Caso possa sugerir mudanças para o curso de Serviço Social da Faculdade
Duque de Caxias no tocante ao racismo e/ou discriminação racial, quais itens
você sugeriria (Pode marcar mais de 1 opção)?
( ) Realização de 2 eventos ou mais por ano sobre a temática
( ) Inclusão de disciplinas obrigatórias sobre a temática na grade curricular
( ) Atividades externas, visando conhecer a história de luta e resistência da
população negra

19- Você avalia que os profissionais de Serviço Social que conhece possuem
conhecimento sobre racismo e/ou preconceito racial?
( ) Sim ( ) Não

20- Você considera que a presença da temática de combate ao racismo e/ou


preconceito racial como conteúdo nas graduações pode contribuir para a
diminuição do racismo no Brasil?
( ) Sim ( ) Não