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SABOR

É

O

QUE

FALTAVA

Dezembro • 2010

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Edição 01

Uva!

A uva está na estação. Seja crua ou cozida, pra comer ou beber, essa fruta marca presença em dezembro

EXPEDIENTE

Editor Chefe: Ângelo Sottovia Aranha

Chefe de Redação: Gabriela Jacques

Sub editores: Juliana Pereira e Mariana Leal

Fotografia: Gisela Zafalon, Gabriela Jacques, Juliana Pereira e Mariana Leal

Projeto gráfico e diagramação: Tatiana Zilio.

Repórteres: Gabriela Jacques, Juliana

Pereira, Mariana Leal e Marília Miarelli.

A Revista Sabor é uma produção realizada como Trabalho de Conclusão de Curso, sob ori- entação do Prof. Ângelo Sottovia Aranha, pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunica- ção/UNESP - Universidade Estadual Paulista

Para ler a SABOR

Todo mundo gosta de dar palpites quando

a

gente ta na cozinha, a mãe, o pai, a avó e

o

avô, a tia e o tio, o irmão, irmã, sobrinha.

Há quem goste, há quem não goste dos enxeridos, mexeriqueiros na cozinha há quem goste de cozinhar sozinho, para rela- xar, há quem só cozinha pra muita gente. Pode cozinhar no bafo da panela, com um pouquinho só de água no fundo e uma pita- da de sal. Tirar da panela, regar com azeite

e temperar com shoyu e limão. Pode ser no

vapor. Pode ser na frigideira, com azeite e

alho. Pode reinventar. Refogar, tem- perar com mostarda depois de tirar do fogo. Cozinhe no bafo, ouça o

crepitar do alho no fundo da panela quente. Bata na tábua, tempere com azeite, pouco sal e huuuum. Aonde quer que seja, e seja como for, cozi- nhar sempre rende risadas, lembranças ou boas pitadas de concentração e o gran finale

é de barriga cheia – mesmo que a comida

não fique lá essas coisas, o máximo que pode, e vai, acontecer é a noite acabar em

pizza. Delicie-se sem medo. Afinal, SABOR é o que faltava.

SABOR

Perfil

quem faz a Sabor

Mariana Leal

Bi Jacques Chegou de mansinho, pequena, aos poucos foi crescendo, aprendendo a lutar pelo que
Bi Jacques
Chegou de mansinho, pequena, aos poucos foi crescendo,
aprendendo a lutar pelo que quer, mostrando que não vai
deixar a vida passar como um filme. Vai vivê-la, da forma
mais intensa e com amor.
Hoje com 22 anos e algumas histórias para contar está se
formando em jornalismo, mas não vai apenas se formar, vai
também formar novos pensadores.
Criatividade e determinação, alegria e força
habilidades
de
uma jornalista que chegou não para contar histórias, mas para
construí-las.

Nágila Dinardi

contar histórias, mas para construí-las. Nágila Dinardi Ju Pereira Juliana (Nascimento) Pereira, a Ju, tá com

Ju Pereira

Juliana (Nascimento) Pereira, a Ju, tá com 23 anos, é “jor- nalista to bem” pela UNESP/Bauru. Guerreira, determina- da, espontânea e estabanada – por onde passa deixa mar- cas, no coração das pessoas ou na mesa mesmo, sempre que derruba alguma coisa. Tem opinião sobre quase tudo, essa menina mulher dos olhos de jabuticaba. Matuta e teimosa, Ju será sempre “Juliana mel com banana”. Será eternamente essa criança grande que nunca pára de falar e sonhar.

Northon Coimbrão Ma Leal Um pouco sapeca, um pouco fatal, essa menina de 24 anos
Northon Coimbrão
Ma Leal
Um pouco sapeca, um pouco fatal, essa menina de 24 anos
gosta de tudo um pouco. Brinca com as palavras, com as
cores e as formas. A cada experiência no fogão ela pede
para casar, pois fazer gostosuras é com ela mesma. Jorna-
lista por puro prazer em escrever, ela vai longe. Se agora
ela pergunta o que fazer no mundo depois de crescida, eu
respondo: é hora de semear, de plantar e de cuidar. Mais
pra frente, você colhe os bons frutos que você regou.

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pra frente, você colhe os bons frutos que você regou. 4 Tatí Pequenos erros não existem

Tatí

Pequenos erros não existem para ela! Perfec- cionista, linda e amiga, daquelas que falam sem dizer. Parece quieta, mas fala o que precisa. Parece tímida, mas se expressa e con- quista por natureza. Parece menina, mas é uma mulher forte que não deixa barato. Sua raiva é calma, sua pressa é sensata. Sua alegria faz sol, dá energia, inspira. Jornalista com pezinho de designer, nasceu não só para ser feliz, mas para trazer felicidade.

Lila Miarelli Marília Miarelli é jornalista e desco- bridora dos sete mares. A moça já
Lila
Miarelli
Marília Miarelli é
jornalista e desco-
bridora dos sete
mares. A moça já
degustou diversas
partes do mundo
em suas viagens.
Atualmente mora
em São Paulo, estuda jornalismo e atua
exercendo a profissão na televisão. Porém,
a andarilha Marília gosta mesmo é de viajar,
saborear culturas, provar países, digerir o
mundo.

Fotos desta página: Arquivo pessoal

Gi Espevitada que só ela, essa Gisela move mundos com esse seu jeitinho de ser.
Gi
Espevitada que
só ela, essa Gisela
move mundos
com esse seu
jeitinho de ser. Ela
descobre ângulos
inusitados para
ver a vida, e por
causa disso, a
cada semana ela tem mil histórias para con-
tar. E como ela faz isso bem! É uma contadora
de história que só lendo para ver. Acho que
por isso se fez jornalista! Não haveria melhor
profissão para a bela Gisela.
Não haveria melhor profissão para a bela Gisela. Felipe Teram Com seus gos- tos refinados e

Felipe

Teram

Com seus gos- tos refinados e apreço pelas artes, Felipe Teram poderia ter nascido libriano, mas é leonino. Poderia ser jornalista, mas se fez rela- ções públicas. Em família de esportistas, quis ser ator. E mesmo com a melhor cozinheira dentro de casa, gosta de explorar o luxo das cafeterias importadas na noite paulistana. Ele tem aquele espírito de caçula, que não é rebelde, mas não leva a vida tão a sério para não se arriscar. Apesar de famoso pelo mal humor matinal, Teram (e suas pequenas paixõezinhas por Coca- Cola e “pão” das menininhas) é uma delícia.

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confira nesta edição

POR AÍ As férias estão chegando. Nada melhor que uma viagem para a terra do
POR AÍ
As férias estão chegando. Nada melhor que
uma viagem para a terra do humor para des-
cansar e aproveitar os quitutes cearenses.
ENTREVISTA UTENSÍLIOS Luciano Augusto apresenta seus “sapatos pizzas” Não abra mão delas: Qual é a
ENTREVISTA
UTENSÍLIOS
Luciano Augusto apresenta seus
“sapatos pizzas”
Não abra mão delas: Qual é a
taça ideal para cada vinho?
E MAIS
ESTAÇÃO
Verão, hora
de abusar de
frutas, verduras e
descontrair com o
happy hour
Boa alimentação: para
acompanhar os ex-
cessos de fim de ano
muita proteína, carne
vermelha, peixe ou
soja fique de olho!

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Fotos: Gabriela Jacques / Juliana Pereira/ Gabriela Jacques/ Mariana Leal

vermelha, peixe ou soja fique de olho! 6 Fotos: Gabriela Jacques / Juliana Pereira/ Gabriela Jacques/
vermelha, peixe ou soja fique de olho! 6 Fotos: Gabriela Jacques / Juliana Pereira/ Gabriela Jacques/
vermelha, peixe ou soja fique de olho! 6 Fotos: Gabriela Jacques / Juliana Pereira/ Gabriela Jacques/

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Carta ao leitor

A menina tem olhos de jabu- ticaba, pele de pêssego e lábios de romã. Aquele que se deixa ser enganado é um laranja. Os mais desavisados são uns bananas. O broto de ontem deu lugar à mulher

melancia de hoje. É, a nossa língua empresta da cozinha diversos ele- mentos que acabam virando jar- gões ou metáforas. A mesma lín- gua que, como a comida, faz parte da cultura de cada lugar. A partir das características que são peculiares à cada cultura, a SABOR preparou reportagens e entrevistas. Assim, a revista faz uso da língua escrita, com todas as suas figuras de linguagem, para di- gerir junto com o leitor tendências e novidades gastronômicas. Para esta revista não virar um picolé de chuchu, acompanhamos

a sazonalidade das frutas e legu-

mes que estão a precinho de bana- na e bem mais fáceis de encontrar durante este mês. Já que estamos em dezembro, algumas maravilhas que podem ser preparadas com pi- mentão e até mesmo com o jiló são encontradas na seção ESTAÇÃO.

Mas a protagonista da vez é a uva,

e merece estar na capa e receber todos os holofotes. Neste mês que abre o verão,

curtimos o calor das praias do Ce- ará, um refúgio para as férias. E, claro! O camarão esteve ao nosso lado em vários momentos. Contagiadas pelo clima do Na- tal e do Ano Novo, para apresentar esta primeira edição resolvemos entrar na sua vida antes que o ano acabe. Nessa hora de renovação, de se repensar o 2010 que está indo e planejar a nova página ainda em branco, será muito bom ter SABOR para acompanhar o 2011. Para preparar o banquete da vi- rada, nada melhor que Champag- ne, lombinho, creme de papaia e outras delícias, muito bem tempe- radas, e que a gente se permite nas ocasiões de festa. Mas, apesar da época de engorda, não deixamos de fora a Boa Alimentação. Afinal, comemos com prazer e de olho na balança. Convidamos você a brindar com a gente, e a aproveitar a ocasião para descobrir a taça certa para esse brinde. O motivo do brinde? Pode ser o nascimento da SABOR. Esperamos crescer e, junto com você, degustar os maiores prazeres da gastronomia. Então, experimente-se! E apro- veite esta edição, porque ela está uma uva!

bastidores

veite esta edição, porque ela está uma uva! bastidores No meio de tantas ideias de receitas
veite esta edição, porque ela está uma uva! bastidores No meio de tantas ideias de receitas
veite esta edição, porque ela está uma uva! bastidores No meio de tantas ideias de receitas
veite esta edição, porque ela está uma uva! bastidores No meio de tantas ideias de receitas
veite esta edição, porque ela está uma uva! bastidores No meio de tantas ideias de receitas

No meio de tantas ideias de receitas para fazerem parte da SABOR, o jei- to foi sair testando e provando para escolhermos as mais saborosas para estarem aqui. Além de você e a comida, dos mo- mentos relax cortando cebola (vale até chorar e jurar de pé junto que a culpa é da cebola, mesmo que não seja), da música boa que vem da cai- xinha de som e te transporta para algum lugar gostoso, assim como na sua casa, cozinhar aqui na SA- BOR também suja a cozinha e deixa aquela louça na pia. Como não deveria deixar de ser, fi-

zemos questão de fazer as receitas em casa, justamente para saber se elas sairiam con- forme estão nas reportagens. E precisamos assumir, algumas receitas saíram da edição por se tornarem grandes desastres. Enquan- to uma cortava e a outra descascava, a ter- ceira se preocupou em registrar o making of das etapas da revista – desde a elaboração da capa até o flagra de pacotes de temperos ao lado do computador. Nossas aventuras na cozinha, que deixaram esta edição muito mais saborosa, quase um pecado, estão aqui em algumas fotos dos nossos BASTIDORES. É, a gente também gosta de uma baguncinha, claro, desde que organizada.

Fotos: Gabriela Jacques/Mariana Leal/Gabriela Jacques/Mariana Leal/Gabriela Jacques

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Feira de sabor

Gabriela Jacques

Feira de sabor Gabriela Jacques A EVOLUÇÃO DO PANETONE O tradicional panetone com recheio de fru-

A EVOLUÇÃO DO PANETONE

O tradicional panetone com recheio de fru-

tas secas tem perdido espaço para novas versões do bolo. Encontramos hoje no mer- cado panetones com chocolate, doce de lei- te, goiabada, e até sorvete.

Uma rede se supermercados do estado de São Paulo vendia no Natal, há quatro anos, 70% de panetones tradicionais e 30% de panetones diferentes. Hoje em dia, dispõe em suas prateleiras a mesma quantidade do bolo doce tradicional e dos outros sabores.

O panetone é original da Itália e tem leve

fragrância de baunilha. O bolo se tornou tradicional no Natal graças às frutas secas e

cristalizadas que dão colorido ao bolo.

PARA DEGUSTAR A LITERATURA GASTRONÔMICA, VÁ À PARTICULAR RUA AUGUSTA

Para os amantes da cozinha, São Pau-

lo conta agora com a Livraria Gour-

met, na deliciosa Rua Augusta. O local pretende ser ponto de encontro para quem procura livros de gastronomia e culinária, livros de receita, acessórios de cozinha, e conjuntos finos de lou- ças.

A loja pertence ao livreiro, editor de

livros, escritor, fotógrafo, pesquisador de história e cozinheiro André Bocca- to. Ele diz que a livraria traz livros no- vos, raros, nacionais, importados, fá- ceis, difíceis, com ou sem receitas.

Na contramão das superlojas, Boccato pretende oferecer um espaço acon- chegante, charmoso e com atendi- mento personalizado e pessoal. O co- zinheiro ainda oferece ao seu público particularidades, como contatos com sebos e vendedores especializados do mundo todo para oferecer às pesso- as a possibilidade de realizar alguns desejos, como encon- trar uma edição específica da

Larousse Gastronomique ou aquele antigo livro de recei- tas do século tal.

www.tramontina.com.br
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PANELA-FORNO

Apostando na tendência de cozinhas compactas ou cooktops, onde não há espaços para fornos a gás ou elétricos, a Tramontina inovou com a linha Lyon de panelas-forno, que se encarregam desse papel. Devido a sua espessura mais grossa e uma vedação perfeita, basta colocá-las em cima do fogão para as- sar um bolo, uma pizza ou uma torta. E elas ainda vêm em 4 cores: berinjela, vermelha, preta e dou- rada. R$499,00 a R$800,00 em www.tramontina. com.br.

PROVADO E APROVADO

A SABOR testou e aprovou. Os novos temperos para arroz e feijão pretendem substituir

a cebola, o alho e até o sal, usados no preparo desses acompanhamentos básicos na

mesa do brasileiro. Meu Arroz realmente deixa o arroz branquinho, soltinho e saboroso. Já o Meu Feijão, de fato, dá cor e sabor ao feijão recém descongelado, mas deixa um gostinho de quero mais. Vale acrescentar algumas folhas de loro, ou coentro, para dei- xar o prato mais saboroso.

Testamos também o novo Potinho de Caldo, nos sabores carne, galinha e legumes. Os temperos têm o mesmo sabor do caldo comum, mas dissolvem e se misturam na co- mida mais facilmente. A SABOR espera o lançamento de potinhos de outros sabores, como bacon, picanha e costela.

www.tramontina.com.br
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WITH LASERS

Já viu essa lixeira com sen- sor infravermelho que abre sozinha? Pois é! Basta apro- ximar as mãos que automa- ticamente a tampa levanta, proporcionando mais higie- ne e praticidade. Funciona à pilha. Disponível em quatro tamanhos diferentes: 3, 6, 9 e 12 litros. A partir de R$120,00 em www.tramontina.com.br.

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ADEGUINHA

Com capacidade de guardar até 6 garrafas, essa mini adega é uma opção perfeita para quem gosta de to- mar um bom vinho e não tem muito espaço em casa. Como qualquer adega, a temperatura dentro dela não acompanha as variações do ambiente, o que não afe- ta a qualidade da sua bebida – devido ao isolante tér- mico. Além de ser super elegante, versátil e se adap- tar facilmente em qualquer ambiente. R$600,00 na FASTshop.

Livraria Goumet Rua Augusta, n°2.542 – loja 8 Cerqueira César. São Paulo – SP Telefone: (11)30626454

Feira de sabor

JÁ OUVIU FALAR DA ABS?

É a Associação Brasileira de Sommmeliers, que reúne não só os profissionais do vinho, como também enófilos e apaixonados pela bebida. A ABS promove eventos, degustações e cursos, para interessados em aprender e degustar essa bebida. Essa associação se multiplica em várias, espa- lhadas pelas grandes cidades do país. Tem a ABS Rio de Janeiro, a de Curitiba, Salvador, São Paulo, Campinas, Brasília, e Belo Horizonte, e cada uma delas é administrada de maneira in- dependente. A primeira delas nasceu no Rio, em 1983. Gostou? Basta ir a ABS mais próxima e virar só- cio. O associado desfruta de algumas exclusivi- dades, como descontos na compra de vinhos.

www.electrolux.com.br

como descontos na compra de vinhos. www.electrolux.com.br MAIS EM MENOS Quando se pensa em fogão, logo

MAIS EM MENOS

Quando se pensa em fogão, logo se pensa naquele trambolho gigante, ocupando metade da cozinha e, como se não bastasse, quando é necessário de verdade não dá para preparar duas coisas ao mesmo tempo. Foi pensando nisso que a Electrolux fez um fogão especial para quem gos- ta de se arriscar em pratos especiais, de vez em quando, mas não tem pa- ciência para fazer uma coisa de cada vez. Um fogão com dois fornos, que facilita a vida nos dias comuns e ga- rante agilidade nos dias de festa. Ele custa, em média, R$1.079,00 em www.colombo.com.br

APOSTE NELES!

Boa vontade, disposição e familiaridade com o ‘universo’ cozinha você tem de sobra. Mas na hora de por a mão na massa falta intimidade com os temperos, manejo para pilotar as qua- tro bocas do fogão e paciência para esperar o bolo ficar pronto – e você abriu a portinha do forno e abatumou tudo de vez, calma!!! O SE- NAC traz a solução! Preocupado com os interessados pela culinária, cursos que ensinam uma gastronomia fácil, rá- pida e prática estão disponíveis em várias uni- dades do SENAC espalhadas no Brasil – como Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará ou Minas Gerais. Eles abrangem diferentes áreas da gastrono- mia, desde a culinária árabe ou japonesa até a preparação de risotos ou tortas para a sobre- mesa. E o melhor de tudo: você ainda ganha um certificado que garante sua ligação mais próxima com a cozinha depois do curso.

www.brastemp.com.br

próxima com a cozinha depois do curso. www.brastemp.com.br O CONTRÁRIO ORGANIZADO O refrigerador Frost Free Inverse

O CONTRÁRIO ORGANIZADO

O refrigerador Frost Free

Inverse é diferenciado por ter seu freezer embaixo e geladeira em cima. Ele tem vários compartimentos e gavetas que ajudam a dei- xar a geladeira mais orga- nizada.

Para quem sempre está com pressa é uma ótima

alternativa, pois facilita a visualização dos alimentos, não precisa ser descongela-

do e, além de tudo, é lindo.

O preço é de R$2.335,00 na FASTShop.

www.aboaterra.com.br

O preço é de R$2.335,00 na FASTShop. www.aboaterra.com.br A FEIRA NA SUA CASA Já pensou em

A FEIRA NA SUA CASA

pensou em ir à feira

no

conforto do seu lar?

O

sítio “A Boa Terra”,

que fica em Itobi, a 249

km da capital, São Paulo, faz com que isso seja possível. Com uma missão que é estampada logo na página de abertura do site, a de “comercia- lizar alimentos orgânicos de qualidade, visando a saúde do ser humano e do planeta, numa relação sustentável entre natureza, produtor e consumidor”, o pessoal do sítio faz entregas semanais, aos clientes cadastrados, de cestas com 9 ou 10 produtos, em média, tentando sempre variar as frutas, legumes e verduras conforme a época do ano. O mais legal é que essas entregas são feitas em vários lugares do estado e chega até em Minas Gerais, na região de Poços de Caldas. Vale a pena dar uma conferida no site www.aboaterra.com.br. A cesta custa em média R$39,90 e só contêm produtos orgânicos.

Não abra mão delas Indispensáveis, as taças completam qualquer clima Gabriela Jacques Foto: Gabriela Jacques

Não abra mão delas

Indispensáveis, as taças completam qualquer clima

Gabriela Jacques

Foto: Gabriela Jacques

R eceber amigos em casa para um

jantar requer uma preparação es-

pecial. Nesse clima de festa, nada

melhor do que um bom vinho para acom- panhar a noite. Um item importante para mostrar carinho e atenção com seus convivas é um bom serviço de manuseio do vinho,

que começa na apresentação da garrafa, passa pela forma de abri-la e pela temper- atura da mesma, fechando com o despejo do vinho no copo, ou melhor, na taça. Carlos Henrique Pandolfo é gerente administrativo de uma importadora, e está envolvido no mundo das bebidas há mais de 20 anos. Mais do que isso, ele se diz um apaixonado por vinhos. Para ele,

o vinho é aquele filho que passou anos

amadurecendo e que só depois de com- pleto o pai – produtor – quer mostrá-lo ao mundo. “E por ser um filho, coloque-o num local adequado, trate-o com carin- ho. Logo, é fundamental tomar o vinho na taça. Ela o enobrece, ela é chique, ela

é fina, ela é elegante. Ela conversa, te

inspira delicadeza. Ela é feminina”, con- sidera Carlos Henrique. É fácil encontrar vários tipos de taças de vinhos no mercado, que variam na forma, no estilo, no tamanho do bojo e na qualidade. Qual delas devemos ter em casa? Mais. O que devemos levar em con- sideração na hora de comprá-las? Em relação ao material, existem ba- sicamente três opções: cristal, cristal de vidro ou vidro. A diferença entre eles é a

presença ou não de chumbo, metal uti- lizado em sua produção. A de cristal tem até 24% de teor de chumbo, o cristal de vidro vem com cerca de 10% e o vidro não tem. O chumbo dá mais leveza, delicadeza e sonoridade, além de permitir que a es- pessura da taça seja mais fina. As taças de cristal também são mais porosas, o que facilita a liberação do aroma. Ao girarmos um vinho enquanto o degustamos, força- mos as moléculas contra a parede áspera, quebrando-as e liberando o aroma. Caso se opte pelo vidro, este tem que ser liso e transparente, para ajudar na “contemplação da cor do líquido que traz informações sobre o vinho e mostra ex- atamente aquilo que está dentro dela”, explica Carlos Henrique. Atenção para o tamanho da taça, pois ela deve ter espaço suficiente para o líqui- do e para a agitação dele – sem derramar. A ação de agitar o vinho dentro da taça libera os aromas. As formas ideais de taça, de acordo com o vinho, justificam- se pela quantidade correta de léquido que ela leva até a boca. Cada taça permite experiências de degustação diferentes. Sabemos que para tomar vinho de- vemos optar pelas taças de haste longa e abertura ligeiramente estreita, pois essas qualidades preservam as características do vinho. Até porque tomar um vinho em qualquer outro copo deve ser um desas- tre: toma-se um vinho sem aroma e sem graça. Agora, confira o tipo de taça ideal para o vinho que você deseja tomar:

Champagne e Espumantes Taça alta, fina e comprida para manter as bolhinhas – perlage –

Champagne e

Espumantes

Taça alta, fina e comprida para manter as bolhinhas

– perlage – ou a eferves-

cência da bebida por mais tempo. Além de ser a mais elegante das taças. Reco- menda-se taça flute. A taça

aberta, a coupe, dispersa a perlage rapidamente.

A taça aberta, a coupe, dispersa a perlage rapidamente. Vinhos tintos Taças mais largas e mais

Vinhos tintos Taças mais largas e mais bojudas, com a boca um pouco maior, são ideais

para tintos por aumenta- rem a superfície de contato com o ar, aumentando a oxigenação da bebida mais rapidamente.

o ar, aumentando a oxigenação da bebida mais rapidamente. Taça de vinho tinto tipo balão Apenas

Taça de vinho tinto tipo balão Apenas para dois tipos de vinhos: Borgonha

e Bordeaux. Com bojo

grande que deixa a área de contato do vinho com

o ar maior ainda.

Caso você queira tomar qualquer outra bebida em taças, opte por:

Conhaque – Taça bojudinha com base larga

boca estreita, de tal maneira que se possa abraçar a taça com as mãos, favorecendo aquecer a bebida e para que

o aroma não evapore.

e

aquecer a bebida e para que o aroma não evapore. e Dry Martini – Taça triangular
aquecer a bebida e para que o aroma não evapore. e Dry Martini – Taça triangular

Dry Martini – Taça triangular

e pequena.

Licor – Servido após as refei- ções por sua ação digestiva,

o licor vem em taças peque- nas.

Fotos: Arquivo/Carlos Henrique Pandolfo

taças peque- nas. Fotos: Arquivo/Carlos Henrique Pandolfo Vinhos brancos Taça de vinho branco tipo balão Sempre

Vinhos brancos

nas. Fotos: Arquivo/Carlos Henrique Pandolfo Vinhos brancos Taça de vinho branco tipo balão Sempre menores que

Taça de vinho branco tipo balão

Sempre menores que as taças para vinho tinto e com a boca mais estreita, a taça do vinho branco concentra melhor o aroma menos intenso e mais delicado desse vinho.

melhor o aroma menos intenso e mais delicado desse vinho. Água Taças maiores e com a

Água Taças maiores e com a boca mais larga. São facil- mente identificáveis, pois a água não tem sabor que possa ser alterado e pode permanecer mais tempo em copos grandes.

GUIA RÁPIDO DE TAÇAS

• Tipos de taças

• Material com que é feita

• Tamanho da taça

• Segure a taça pela haste para não alterar a temperatura do vinho

• Pense na sua taça preferida para tomar Champagne ou um vinho espumante (uma

flute), vinho tinto (uma taça bem grande) e o vinho branco (uma taça pequena). Es- ses três modelos de taças são coringas em qualquer ocasião.

• Decanter: Serve para servir o vinho, e apresenta um formato propício para que a maior superfície do vinho esteja em contato com o ar.

É ou não é pizza?

No Rio, em Franca-SP ou em Minas vale a pena experimentar os sapatos do Lu

Juliana Pereira

Fotos: Juliana Pereira

U m novo restaurante tem aguçado a curio- sidade dos cariocas. A primeira intriga surge

U m novo restaurante tem aguçado a curio-

sidade dos cariocas. A primeira intriga

surge com o nome do lugar: “Sapataria

da Pizza”. As dúvidas só aumentam quando abri- mos o cardápio e encontramos pizzas com nomes como “botina”, “tênis”, “Luis XV”, “sandália”. Ao escolher a “sapato-pizza” que mais agrada nosso paladar recebemos do garçom uma pizza diferen- te, menor, com a massa bastante fina e crocante, muito mais alta que a pizza comum, com grande quantidade de recheio e deliciosa. Depois de investigar a origem desse prato, a SA- BOR chegou até Franca, no interior de São Paulo, e encontrou Luciano Augusto de Carvalho, o Lu,

o responsável por essa iguaria

inusitada. A cidade é considerada

a capital do calçado masculino, o que explica o nome do local e das pizzas. Porém, a receita do prato

de onde veio? Lu nos conta que a

pizza está na família há anos.

Em meio a uma conversa mui-

to saborosa, regada a pizzas, vi-

nhos e muita risada, o Lu se apre- senta à Sabor e conta um pouco da história de seu restaurante, que está divulgando o nome da cidade de Franca pelo país.

SABOR: Como surgiu a ideia de abrir franquias da “Sapataria da Pizza”? LUCIANO: A nossa primeira fran- quia fica do bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, e foi aberta há pou- co mais de um ano. Na verdade, há muito tempo já tinha a proposta de franquia, mas investi na abertura de meus outros restaurantes na cida- de de Franca e acabei adiando levar

a “Sapataria da Pizza” para fora da cidade. Um amigo meu, que mora

no Rio de Janeiro, me ajudou a le- var a pizzaria para lá. Procuramos o pessoal do “Doce Delicia”, que é um restaurante tradicional de lá, já exis- te há 20 anos, porém o forte deles é

o almoço e faltava uma atração no

período noturno. Foi aí que nós en- tramos. Deu muito certo, é bastante frequentado à noite e o pessoal da “Doce Delícia” ficou bastante satis-

feito.

S: Quantas franquias já existem e

quantas já estão previstas?

L: Além dessa em Ipanema, já existe

outra em Uberlândia (MG). Vamos em breve abrir outra no “Fashion

Mall”, também no Rio. Estamos em contato com interessados de outras cidades, como São Paulo, mas lá há muitas pizzarias, me disseram que a cidade consome mais de um milhão de pizzas por dia, então acho que os interessados ainda estão receosos. Tenho propostas também de Curiti-

ba. Fui orientado que o ideal na aber- tura de franquias é fazer um sistema parecido com um caracol, então es- tou procurando contato em Ribeirão Preto, Campinas, ou seja, o interior de São Paulo, mais próximo de onde

o restaurante surgiu. Porém, já pulei umas perninhas do caracol come- çando no Rio, e deu certo.

S: Como surgiu o nome “Sapata- ria da Pizza”? L: Um dia, passei em frente ao local onde é o restaurante hoje, com mi- nha mulher, e lhe disse que havia sonhado que eu fazia pizza naquele lugar. Esse casarão estava abando- nado há 16 anos. Entrei em contato com o dono que me permitiu visitar

o local. A casa estava toda mal cuida-

da e na época da visita eu estava sem dinheiro para investir no restau-

“Apesar de não ter nada a ver com o Rio de Janeiro, o nome foi

“Apesar de não ter nada a ver com o Rio de Janeiro, o nome foi um dos atrativos. Se fosse um nome comum, seria só mais uma pizzaria na cidade”

rante. Depois de dois anos desse fato, o dono do casarão entrou em contato comigo me oferecen- do o local para ser alugado, pois ele estava reformando-o. Quan- do comentava com o pessoal que iria abrir um restaurante naquele lugar, todos comentavam que a casa era a antiga sapataria, a pri- meira sapataria da cidade. Assim, o nome pegou. Algumas pessoas discordaram do nome no início, argumentando que a sola do sa- pato é algo duro, que o nome iria pegar mal. Mas resolvi apostar, e deu certo.

S: O nome “Sapataria da Pi- zza” é compreensível em Franca. Causou curiosidade nos cariocas? L: O restaurante do Rio de Ja- neiro leva os dois nomes, “Doce Delícia” e “Sapataria da Pizza”. O pessoal da “Doce Delícia”, que investiu na franquia, não queria colocar o nosso nome no restau- rante, não só para manter e di- vulgar só o deles, mas também porque esse nome é apropriado para Franca, mas não para uma cidade que não tem nada a ver com sapato. Mas eu bati o pé e recusei fechar negócio, caso o

restaurante não levasse nosso nome também, e eles acabaram cedendo. No final, acabou sendo bom, pois aguçou a curiosidade e impulsionou a mídia espontânea. Saímos no Globo, na Vejinha, justamente pelo nosso conceito diferente de sa- pato. Apesar de não ter nada a ver com o Rio de Janeiro, o nome foi um dos atrativos. Se fosse um nome comum, seria só mais uma pizzaria na cidade. A gente fica satisfeito com fatos como o que aconteceu com um amigo, que foi a um con- gresso no Rio e o pessoal da cidade o levou para jantar lá. Fizeram a maior propaganda, dizen- do que iriam levá-lo a uma pizzaria diferente e muito boa, e ele acabou comendo o que ele come sempre em Franca. O pessoal até brinca com os nomes das pizzas dizendo que vai comer botina, vai comer tênis. Gosto muito de ver essa reper- cussão.

S: O que você fazia antes de trabalhar na área gastronômica? L: Eu mexia com máquina de costura, como meu pai. Cedo comecei a trabalhar com ele, tomei bomba na escola e então meu pai me colocou para trabalhar. Depois, investimos na revenda de máquinas para bordar calçados. Fiquei mais de anos tentando vender uma e ninguém com- prava, ninguém se aventurou a investir nas má- quinas. Então eu mesmo comprei uma delas para mostrar que o negócio era bom. Em seis meses comprei duas e montei uma firma de bordado.

Bordávamos tanto roupas quanto sapatos e deu muito certo, pois era moda o bordado. Mas moda também acaba e depois de um tempo tive que fechar a empresa. Foi assim que parti para a área gastronômica.

S: Por que pizza? L: Eu já fazia pizza para os amigos, mas era brincando. Costu- mo contar essa história; quando o pessoal vai para um rancho sempre leva carne e cerveja, eu levava panela de pizza e cerveja. Quando o bordado começou a não dar mais lucro tive a idéia de fazer a pizza em festas e reuniões, montava também barra- quinhas nas quermesses. Por dois anos conciliei as duas coisas, bordado e pizza. Depois passei a fazer as pizzas em um restau- rante nos arredores de Franca. No primeiro dia, foram ao local dez pessoas, no segundo 50, no terceiro, 500 pessoas. Fez muito sucesso. Então passei para dentro da cidade, na loja de conveni- ência de um posto, e ainda fiz em um outro restaurante estilo fazenda. Essa trajetória durou uns seis anos.

S: Como aprendeu a fazer pizza? L: A família da minha mãe é de espanhóis, meus avós vieram da Espanha. Está na herança o interesse pela culinária. Na tradi- ção espanhola, os homens cozinham bastante. Meus tios sempre tiveram bares, restaurantes, meu avô teve banca de frutas no mercado. Então, a receita é da minha família. Eu e minha mu- lher aprendemos a fazer com minha mãe. Quando fazia a pizza para os amigos, cada um dava uma sugestão de recheio. Pois, na verdade, a minha família só fazia a massa e usava mussarela para rechear. Então o pessoal ia dando idéias para colocar brócolis, bacon. A maioria das pizzas que tem no restaurante hoje sur- giu de idéias de amigos. Há algumas que nunca imaginei fazer,

como, por exemplo, a que um casal que sempre me contratava para ir à casa deles, certa vez, pediu para eu fazer: com atum, aliche, calabresa e pimenta calabresa. Eu achei estra- nho, mas ficou maravilhosa. Hoje ela está no cardápio, chama Botina.

renciados?

L: Temos uma pizza que tem um re-

cheio muito diferenciado pelo sabor do quiabo, que é a de frango caipi- ra. Nela vai milho verde da espiga, frango caipira, bacon e requeijão. Depois de pronta, você acrescenta

o quiabo fritinho. Essa pizza nos

S:

A pizza da “Sapataria da Pi-

levou à semifinal do Campeonato

 

zza” é diferente, o que a dife- rencia?

Brasileiro de Pizza. Outras mais di- ferentes são a de filé mignon com

A pizza é feita na panela de fer-

ro, que é uma panela muito antiga. Minha avó a comprou para todos os

L:

torrar amendoim até para fazer bife

molho madeira, a de abobrinha e a de alho poró com camarão.

filhos de um caminhão de comer-

S:

Qual é a pizza mais pedida?

ciantes viajantes. Primeiramente eles a usavam pra tudo, desde para

“Sapataria especial” é o tipo mais pedido. Nessa pizza vai mussarela, parmesão, palmito, tomate seco,

 

parmegiana e, inclusive, se fazia as pizzas nela. A massa da pizza também é diferente pois passa por um processo duplo de fermentação.

à

bacon e requeijão. Esse sabor foi idéia de um cliente da época em que eu ainda fazia pizza no “restaurante fazenda”. Nós ainda temos a “pizza

jantar que a idéia de dar nomes de sapatos às pizzas surgiu. Por exem- plo, a de quatro queijos se chama

S: Qual o público da “Sapataria da Pizza”? L: Por incrível que pareça, o pessoal

O

resultado é uma pizza bem fina

drive”, no qual os clientes escolhem

Tênis, a de rúcula e tomate seco,

que não é de Franca frequenta mais

e

crocante. Usamos a lateral da pa-

seus ingredientes e montam sua

um

pouco feminina, se chama Luiz

a pizzaria quando está visitando a

nela para subir a massa e segurar o

própria pizza. Surgem vários sabo-

XV

– por causa do salto. Alguns

cidade do que os próprios franca-

recheio, o que a faz perder no tama- nho. Nossa pizza tem 21 centíme- tros de diâmetro, mas é compensa-

res novos de idéias de clientes. Mas também surgem umas loucuras, idéias que dão até medo de ver.

amigos, donos de fábricas de sapa- tos, me deram quadros com fotos antigas da fabricação de sapatos, e

nos. Os moradores de Franca, quan- do estão recebendo alguém em sua casa, gostam de trazer os visitan-

da

no recheio, uma pizza nossa tem

a idéia deu certo. Criamos tudo a

tes para experimentar nossa pizza.

de 500 a 700 gramas. O molho de

S:

E a idéia de dar nome de sapa-

partir desse conceito, desde o car-

Então o público que frequenta é de

tomate também é um diferencial,

to às pizzas, como surgiu?

dápio no formato de sapato, até o

classe A e B, geralmente famílias.

pois não é um molho, são pedaços

L:

Antes da abertura do restauran-

logotipo, que é um sapato cuja sola

Eu vejo que o pessoal vem muito

de

tomate, quase um vinagrete.

te ao público, convidei os amigos que me ajudaram na montagem do

é uma pizza. Deu um gancho até ao turismo da cidade.

comemorar aniversários, se confra- ternizar. Vejo o restaurante como

S:

Os recheios também são dife-

ambiente para um jantar. Foi nesse

um “pizza-bar”, pois também tem

“O mau humor não pode passar nem perto da cozinha”

música ao vivo e petiscos. Geralmente, em pizzarias comuns, quanto mais rá- pido o cliente come e vai embora me-

lhor. Em nossa pizzaria é diferente, vai além de só jantar, então atrai esse pú- blico que quer se distrair à noite em um lugar mais tranquilo e aconchegante do que a bagunça de bar, de uma balada. Ainda tem um público universitário muito bom, por ser perto da faculdade,

a UNESP, principalmente os professo- res frequentam bastante o lugar.

S: Além da boa comida, o que mais atrai o público? L: O bom atendimento é fundamental. Não considero o meu trabalho um tra-

balho forçado, é gostoso, gratificante. Acho que o dia em que se tornar chato

e sacrificante eu largo essa profissão.

Tem que ser um trabalho gostoso, pois, principalmente no meu ramo, o dia em

que parece que você está de mau humor

o clima pesa e os clientes percebem. Eu

falo para o pessoal que trabalha comigo

que não importa o que está acontecen- do lá fora, tem que focar no trabalho aqui dentro. Parece que o dia em que trabalhamos de mal com a vida até a comida muda de gosto. O mau humor não pode passar nem perto da cozinha. Também fazemos questão dos melho- res produtos para ficar uma pizza de qualidade. Eu falo aos meus funcioná- rios que todos devem fazer as pizzas como se eles mesmos fossem comer, para sair no capricho.

S: Você tem outros negócios ou es- tabelecimentos? L: Abri o “Boteco do Lu”, em 2004, um ano depois da “Sapataria da Pizza”. O local é um “bar-balada”. Depois abri o “Pastel do Lu”, em 2009, que é uma pas- telaria. Este ano, abrimos o “Lu Wassa- bi”, que é restaurante de comida japo- nesa. Cada um tem um estilo diferente e recebe um tipo de público.

S: Conte-me um pouco de você.

recebe um tipo de público. S: Conte-me um pouco de você. L: Bom, sou casado e

L: Bom, sou casado e tenho duas filhas. A

filha mais velha faz nutrição em São Pau- lo. Apesar de as vezes dar uns pitacos no restaurante, a parte gastronômica da nu- trição não é o seu maior interesse, uma pena. Mas, também, talvez ela pegue o gosto e se interesse pelos restaurantes ao ver o pai contratando outras nutricionis-

tas (risos). A outra ainda está no colegial

e pensa em fazer gastronomia. Minha

esposa é fisioterapeuta e tem um estúdio de pilates. Eu mando calorias para o povo

e ela tira (risos).

S: O que você faz nas horas vagas? L: Gosto de ir para o bar, o “Boteco do Lu” mesmo, mas para curtir (risos). Gosto de viajar, passear, ir ao rancho com minhas filhas, não abro mão do lazer. Todo fran- cano gosta de um rancho, uma beirada de rio, né?!

Visite o site da “Sapataria da Pizza” e conheça mais sobre o lugar. www.pizzinha10.com.br e
Visite o site da “Sapataria da Pizza”
e conheça mais sobre o lugar.
www.pizzinha10.com.br e
www.docedelicia.com.br

Single way of life

Marília Miarelli

“O portal para quem vive sozi-

nho” é o slogan do Portal Alo-

ne, e já resume toda e qualquer

forma de apresentação do conteúdo do site. Não é à toa que o provedor Terra resolveu desenvolver um site todo voltado para um

público que não pára de crescer no Brasil, o chamado público single.

A palavra single, oriunda do inglês, em

português quer dizer, numa tradução li- vre: só, único, individual, sozinho, solitá-

rio, solteiro. O fato é que as pessoas que vivem sozinhas estão aumentando e as pesquisas confirmam essa tendência. De acordo com o IBGE, a porcentagem de fa- mílias unipessoais em 1996 era de 8%, e, dez anos depois, em 2006, esse número chegou a 10,7%.

A ascensão das pessoas que moram so-

28

zinhas não se dá apenas em pesquisas, e, além do Portal Alone, que dá dicas de sho- ws, viagens, comes e bebes, baladas, deco- ração e mais um bocado de coisas que in- teressam à gente que vive solitária, há as prateleiras de supermercados, que expõem

o aumento desse consumidor. É impossível

não notar as embalagens individuais, as

porções únicas, a verdura picadinha, a sala- da “higienizada”, já pronta para comer. Pois é, o aumento dos divórcios, as famílias que diminuíram, os homosse- xuais cada vez mais assumidos e procu- rando sua independência, os viúvos, os estudantes que moram fora de casa e os executivos são alguns dos perfis desse público que só tende a aumentar. Está aí

a explicação para porções menores de co-

midas, esse pessoal que resolveu ter sua

Foto: Nágila Dinardi

individualidade e conforto, gosta também de praticidade na hora de comer em casa, sem companhia. Alexandre Hecker tem 57 anos, é Dou- tor em História e mora sozinho, em São Paulo, há mais ou menos seis anos, quan-

do ficou viúvo. De lá pra cá, diz que con- tinua só “porque não encontrei ninguém legal pra casar”. E, na linha da praticida- de dos solitários, na hora de preparar o lanche, prefere “comida por quilo e umas poucas congeladas, pra noite.” Como descreve Sandro Toni no livro “ABC do homem só”, o “homem-só é aque- le que por escolha ou por destino vive ”

O caso do historiador Hecker se en-

caixa na categoria de viver só por “culpa” do destino, que lhe levou a mulher. Já com Kallyna Sabino, que tem 22 anos e cursa jornalismo também em São Paulo, a histó- ria foi outra. Kallyna mora sozinha por escolha pró- pria, há quatro anos, quando resolveu sair do interior de São Paulo para fazer facul- dade na capital “porque é aqui que acredi- to ter oportunidades na área em que vou me formar, comunicação.” Assim como Kallyna e Hecker, o público single se con- centra em cidades metropolitanas. E não é só o interesse profissional que conta na hora de escolher o lugar para se viver so- zinho, mas a vida cultural e a gastronomia refinada que acompanham as grandes ci- dades. “São Paulo é imbatível em termos de ofertas de oportunidades culturais e de trabalho. Só mudaria pra Paris, e se os amigos fossem juntos”, entrega Hecker. No embalo da vida cultural vem a vida social, muito ativa nesse nicho de gente

com alto poder aquisitivo, em geral das classes A e B, que gastam com viagens, bons restaurantes, teatro, cinema e até cursos de culinária. A gastrônoma e ad-

ministradora, Luiza Zaidan, acredita que

a procura por comida gourmet está cres-

cendo e que “cada vez mais as pessoas se interessam pelo tema.” Não seria diferente para o público sin-

gle descolado e que sabe se virar bem na cozinha, pois além de receber os amigos de vez em quando, precisam comer algo diferente de fast foods e congelados, opção muito prática “porque as pessoas não têm tempo e estão sempre correndo contra ele”, desabafa Luiza. A estudante Kallyna concorda com a chef, “prefiro, muito mais, comer a minha comida, ou qualquer outra comida caseira, do que fast food e comidas congeladas.” Mas confessa que de vez em quando recorre à praticidade, pois “sem- pre é uma saída quando bate a fome! É rá- pido, fácil e enche barriga.” A opção por uma vida singular, no sentido literal e figurado da palavra, pois

é um estilo de vida muito peculiar, é um

single way of life, se me permitem o troca- dilho, que cada vez mais conquista gente

interessada na “liberdade, privacidade e nas responsabilidades. Morar sozinho faz com que eu me sinta mais madura, capaz de controlar e administrar uma ‘casa’”, afirma Kallyna. É, Sandro Toni acertou ao caracterizar em seu livro que o “homem-só não é tanto uma realidade social, mas sim uma categoria de espírito, como o Barroco

e os socialistas.” Só que, hoje em dia, além da categoria de espírito, o “homem-só” é, sim, uma realidade social.

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Ahhhh o verão! Época de usar roupas frescas, andar de chinelas, curtir a piscina, a

Ahhhh

o

verão!

Época de usar roupas frescas, andar de chinelas, curtir a piscina, a praia, dar aquela corada e cometer os pecados da estação

Mariana Leal

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S ão tantas as possibilidades,

tantas as vontades.

Para nós aqui do Brasil

parece que foi tudo desenhado a lápis, o ano acaba e começa com

o

Verão. As épocas cinzas, outono

e

inverno, são meses com menos

festas, mas ainda assim não pode- mos nos queixar. Nosso inverno não se compara com os de luga- res mais frios, assim ficamos mal acostumados. As estações do ano formam um ciclo em nossas vidas, ditam o que devemos vestir, como sairemos de casa e o que comemos em cada época, apesar de que, atualmen- te, “há possibilidades de todo tipo

Foto: Gabriela Jacques

de hortaliças, verduras e legumes serem produzidos em condições protegidas (em estufas). Por isso, o problema de sazona- lidade está bem menor” ressalta o agrô- nomo Keigo Minami. A sazonalidade está relacionada até ao tanto que comemos ou que fazemos de exercício. Há pesquisas com as quais se consta- tou que as quatro estações propriamente ditas só existem de fato na Região Sul, nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, e nas regiões serranas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, que ocupam pouco mais de 15% do território brasilei- ro.

O que acontece, de fato, é que durante o verão chove mais, principalmente nos fins de tarde, e isso já começa no fim da

primavera, e depois da chuva fica mais calor ainda. Dá muita vontade de sair pro

happy hour. Não é a toa que os bares ficam mais cheios, as comidas ficam mais leves, e ai já começa aquele clima de Natal, Ano Novo, festa, fim, começo ou recomeço. Frutas, verduras e legumes entram no cardápio deixando-os mais coloridos.

A melancia nos enche os olhos e, falan-

do em melancia, e em happy hour, tem uma caipirinha que é de encher os olhos

e, com ela na frente, a boca também. Um

copo de caipiroska; coloca-se ali meia xí-

cara de melancia em cubos e sem semen- tes com um envelope de adoçante em pó, depois amassa, amassa, amassa. Gelo pi- cado, quanto quiser, e uma dose (50ml) de vodka, chacoalha, chacoalha, chacoa-

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lha e um drink pronto, daqueles de fazer o calor passar e que, além de tudo, é light. O bom é que, hoje em dia, as me- lancias são vendidas em pedaços bem menores, em alguns lugares até ven- dem em cubinhos e, como tudo é fei- to do jeito certo, frutas cheias d’água estão bombando nos mercados e fei- ras nesta época, e por preço de bana- na.

Dentre elas estão a uva (que com esta revista na mão pode parecer redundante dizer), manga, laranja, coco verde, abacate, lichia, melancia, melão, mamão, noz pecã (algumas variedades), jabuticaba (dependendo muito da chuva), sem falar da bana- na prata, a qual serve para fazer uma sobremesa muito leve, gelada, perfei- ta para o verão, a Tropicália – que só pelo nome já se imagina algo refres- cante. É uma receita bem simples, re- comendada por Marcia da Silva, gas- trônoma. Você precisa de 12 bananas fatiadas, nem grossas, nem finas, seis maracujás – que também entram para o time de frutas da época – para dar um toque azedinho, e de, mais ou menos, 200g de suspiro. Faça um creme com duas claras que devem estar em neve – é só se- parar a gema da clara e bater na ba- tedeira até virar algo que vai te lem- brar o chantili. É bom lembrar que,

apesar de parecer fácil, às vezes, não importa o que se faça, não dá certo

– aos poucos, sem parar de bater,

misture o açúcar. Pronto? Então, misture uma lata de creme de leite às claras em neve, delicadamente –

o creme de leite pode estar com ou

sem soro, só vai mudar a consis- tência do creme. Em uma travessa, espalhe um pouco dessa mistura, cubra com parte do suspiro, metade das bananas e metade da polpa de maracujá. Cubra com a mistura de creme de leite, repita as camadas, terminando com o creme. Decore com alguns suspiros e deixe gelar. A receita também pode ser montada em taças individuais, o que facilita na hora de servir. Mas não só de bebidas e sobre- mesas são feitas as nossas vontades de verão, e uma das partes boas de dezembro é que ele fica na época de transição das estações, e “enquanto algumas frutas e legumes estão sain- do de circulação, outras estão entran- do, e as opções aumentam”, afirma a nutricionista Thaís Nalles. Dentre as hortaliças que estão dando sopa estão o pepino, a abóbo- ra, a abobrinha (menos a italiana), a couve, o pimentão, a vagem, o broto de bambu, a cebola, a batata e a bata- ta doce, a cenoura, a moranga – ima- gina com aquele camarão.

a cenoura, a moranga – ima- gina com aquele camarão. Falando em camarão Lembranças do nordeste.

Falando em camarão Lembranças do nordeste. Os amigos em casa, a cerveja gelada no copo. O cheiro que toma conta de todos os cômodos. Uma espectati- va. Fome. A muqueca de peixe tá no fogo, são vinte, longos, minutos. Para fazer uma muqueca de pei- xe, você precisa de vários ingredien- tes da estação, e o melhor é que o que mais demora é o peixe – garou- pa, badejo ou cação – de molho no limão (cerca de uma hora). Uma panela, 500g de peixe distribuidos pelo fundo dela e, em camadas, ce- bola, pimentão – verde e vermelho – tomates e um pouco de coentro (uma colher dele picado, por cama- da). Não deu para colocar todo o peixe no fundo da panela? Não tem

Foto: Mariana Leal

problema, faça outra sequência de camadas. Regue o peixe com um vi- dro de leite de coco, misturado com um caldo de legumes. Fogo baixo por, mais ou menos, vinte minutos, ou até o peixe cozinhar. De vez em quando, mexa, mas cuidado para não quebrar o peixe. Um pouqui- nho de azeite de dendê, uma colher de sopa. Prontinho! Uma muqueca para matar a saudade do nordeste, ou conhecer um pouquinho do SA- BOR que ele tem!

Momento sem preconceito! O jiló, ao contrário do que mui- tos pensam, é a fruta de uma planta da família das solanáceas, como a berinjela. Sua origem é desconheci- da, mas é muito abundante na Áfri-

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Você sabia

- A cebola é da família do alho, da ceboli- nha e do alho-poró. Ela é um dos tempe- ros mais difundidos no mundo. Forma a base dos refogados e pode ser consumi- da crua, assada, em conserva

- A melancia, o pepino, o melão e a abo- brinha pertencem todos à mesma famí- lia, sendo que a abobrinha contém 93% de água.

- Ao lado das frutas e verduras, os legu- mes são importantes fontes de vitami- nas, minerais, água e fibra, essenciais para o bom funcionamento do organis- mo. E em geral, são pouco calóricos.

ca e no Brasil. E a novidade é que ele vem ganhando status de ingrediente gourmet. Para quem gosta de um amarguinho,

a fruta é uma delícia, mas para quem não gosta

O problema é que existe muito pre-

conceito para com essa frutinha muito consumida do estado do Rio de Janei- ro até o norte do Brasil. Ela aparece em vários botecos tradicionais da boêmia carioca, e muitas pessoas teimam em simplesmente não prová-las. Alguns ba- res e botequins oferecem o jiló como um tira-gosto de bebidas alcoólicas. Nesses casos, ele é uma boa alternativa por- que, ao contrário dos demais acompa- nhamentos fritos em óleo (torresmos, linguiças,sardinhas, etc.) oferecidos nesses tipos de estabelecimentos, ele é servido cozido e, portanto, tem muito menos calorias.

O jiló só deve ser consumido antes

de amadurecer e deve ser cozido. E ape- sar de todo o preconceito que ele sofre,

ele é uma razoável fonte de carboidratos

e proteínas, além de uma boa fonte de

minerais como cálcio, fósforo e ferro. O jiló contém ainda uma boa quantidade de vitaminas A e C, além de vitaminas do complexo B, particularmente a niacina. “Para prepará-lo devemos tomar cer- tos cuidados, existe uma técnica que se chama degórger, usada também em pe- pinos e berinjelas, e serve para atenuar sabores fortes dos alimentos”, comenta Marcia Silva. É o seguinte; abra uma tam- pa no jiló e, com o auxílio de uma colher, retire a polpa e reserve. Polvilhe sal ge-

Foto: Mariana Leal

nerosamente dentro de cada cavidade e deixe escorrer virado para baixo por meia hora. Depois de escorrido, lave muito bem e coloque em água fervente por 5 minutos. Retire e reserve. Marcia ainda ensinou uma receita bem simples para fazer. Depois de fer- ventados, reserve os jilós, quatro. No azeite refogue um pouco de cebola, alho e um pouco de bacon. Coloque 100g de car- ne moída, sal a gosto, frite bem. Misture dois tomates sem pele e sem semente, um pouco de pimenta dedo de moça, caso goste, e a polpa tirada do jiló – caso esteja temeroso, coloque apenas uma parte da polpa. Misture bem e deixe cozinhar. Recheie os jilós, salpique com queijo ralado e cheiro verde e coloque para as- sar por vinte ou trinta minutos, tampa- dos com papel alumínio. Se preferir, faça um molho de tomate bem simples e asse junto. “Terapeuticamente, o jiló é recomen- dado como um estimulante do meta- bolismo hepático e como um regulador digestivo. Considera-se também que ele tem propriedades antidiarréicas e mine- ralizantes”, diz Thais Nalles. Nas áreas rurais do Brasil, onde tam- bém é chamado de jinjilo, o jiló cozido é utilizado em tratamentos contra resfria- dos, gripes e estados febris. Com tanta abundância no Brasil, um ingrediente que pode ser preparado de tantas maneiras e que faz tão bem mere- ce mais consideração e um lugar mais ca- tivo na mesa dos brasileiros. Vale a pena experimentar.

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Temperos

Secos ou frescos?

Da maneira que for, eles dão um toque todo especial ao prato

Juliana Pereira

E speciarias, gostinho, pitada, se- gredinho, cada um dá um nome especial para os temperos usados

no dia-a-dia, assim como cada cultura re- gional tem um modo particular para dar mais sabor aos pratos. A SABOR traz o orégano, o manjeri- cão, a salsa, a cebolinha e o coentro como celebridades nesta edição. Adicione as dicas da SABOR ao seu próprio modo de utilizar esses temperos e presenteie seu paladar.

Orégano O orégano é uma erva com forte aro- ma, sabor amarguinho e picante. Somen- te as folhas da planta são usadas, tanto frescas quanto secas. Para melhor pro- veito do tempero seco, as folhas devem ser friccionadas nas palmas das mãos an- tes de usadas para liberarem seu cheiro. Conservar o orégano é fácil. A erva fresca deve ser lavada e guardada em um recipiente tampado, na geladeira, por até três dias. Já o orégano seco deve ser mantido em um pote fechado protegido

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da luminosidade e umidade. Mais ainda,

a erva seca deve ser consumida em até um ano, pois depois desse prazo começa a perder suas propriedades aromáticas. A cozinha italiana é tradicionalmente recheada por orégano. O molho verme- lho fica delicioso quando temperado com orégano e pode ser usado em massas e

carnes vermelhas. A pizza também é tra- dicionalmente temperada com a erva.

O orégano pode ainda ser usado como

tempero de saladas. Uma sugestão para temperar legumes e verduras é um mo- lho de vinagre com orégano. Lave alguns

ramos do tempero fresco e os deixe secar. Coloque as folhas da erva em uma garra-

fa limpa e cubra com meio litro de vina-

gre de vinho branco ou maçã. Por último, feche a garrafa com uma rolha e a deixe descansar por 15 dias, agitando a garrafa diariamente. O orégano contribui para uma fácil digestão. O ideal é acrescentar a erva ao prato pronto, pois o tempero perde seus benefícios terapêuticos se cozido. Outra curiosidade é o nome dessa erva, oréga-

Fotos: Gisela Zaffalon

no tem origem grega. A palavra significa “alegria das montanhas” na língua dos deuses do Olímpo.

Manjericão O manjericão também é conhecido em nosso país como alfavaca, basílico, ou ainda como erva real. A erva tem aroma forte e característico, sabor doce e pican- te. Somente as folhas desta erva são usa- das, secas ou frescas, porém recomenda- se a folha nova, pois a erva perde o aroma depois de seca. A erva é bastante usada na cozinha italiana, temperando pratos que levam tomate, limão, azeite, além de carnes vermelhas, massas e saladas. O manjeri-

Temperos

frescos

cão ainda é a base do molho pesto, tam- bém típico da Itália. Para fazer um patê à base de manjericão bata no liquidificador folhas de manjericão, uma nós, um dente de alho, um pouco de queijo minas, azeite, queijo ralado e sal a gosto. Sirva o patê gelado com torradas. Para conservar o manjericão fresco o ideal é acrescentar azeite às folhas da erva e manter a mistura em uma garrafa de vidro fechada. Já a erva seca, deve ser mantida em um recipiente fechado, lon- ge da luz e da umidade. Existem mais de 60 variedades de manjericão que variam na cor, tamanho e aroma, todas ricas em vitamina C, A e B2. Devido ao formato de suas folhas, pare-

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Orégano seco Manjericão seco cidas com um coração, antigamente era considerado símbolo do amor na

Orégano seco

Orégano seco Manjericão seco cidas com um coração, antigamente era considerado símbolo do amor na Itália,

Manjericão seco

cidas com um coração, antigamente era considerado símbolo do amor na Itália, e do luto, na Grécia.

Salsa

A salsa é uma erva de aroma e sabor discretos que

tendem ao adocicado. A erva pode ser usada fresca ou

seca. Porém, no segundo caso, o aroma da erva, que já

é bastante discreto, é prejudicado. Tanto o caule quanto as folhas da salsa são usados

na culinária. Para a erva fresca, o ideal é armazená- la em recipientes fechados, por até uma semana, na geladeira. A salsa seca pode ser guardada em potes tampados, ao abrigo da luz e calor. O tempero ainda pode ser congelado. Lave bem as folhas e caules da salsa, deixe secar, e a coloque em recipiente aberto, no congelador. Depois que a erva congelar guarde-a em saquinhos plásticos e volte-os ao congelador.

O sabor leve da salsa combina muito bem com qual-

quer prato salgado, carnes tanto vermelhas, quanto de aves ou peixes, e também com legumes. O tempero pode ser adicionado a alimentos crus, como saladas,

ou cozidos. Porém, no caso de pratos quentes, o ideal

é acrescentar a salsa no final do cozimento, para não

prejudicar seu aroma. O sabor da salsa é valorizado se

combinado com cebolinha, junção bastante usada no

sudeste e sul do país, onde a combinação é conhecida como cheiro verde.

A salsa contém as vitaminas A, B1, B2, C e D. Suas

propriedades são melhor aproveitadas quando a erva

é consumida crua.

Cebolinha

A cebolinha tem um sabor amargo delicado, que

lembra o sabor da cebola. O aroma da erva também

é discreto e levemente amargo. O tempero pode ser

encontrado fresco ou seco no mercado, embora o aro- ma seja mais preservado no primeiro caso. Há dois tipos de cebolinha mais fáceis de encontrar no mer-

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Cebolinha seca

cado, a comum, com folhas mais grossas, e a caipira,

cuja folha é mais fina e delicada. De qualquer forma, ambas as variedades de cebolinha têm aroma e sabor semelhantes.

A cebolinha fresca pode ser guardada na geladeira

por, no máximo, uma semana. Lavar e picar as folhas antes de guardá-las facilita seu uso e não prejudica suas qualidades. O tempero seco deve ser armazena- do em pote fechado, ao abrigo da luz e calor. Assim como a salsa, a cebolinha pode ser usada em qualquer tipo de prato salgado, tanto cozido quanto

cru. O ideal é acrescentar a erva ao prato no final do cozimento para conservar seu aroma.

A cebolinha é rica em vitamina A, cálcio e fósforo. A

erva ainda contém a vitamina B3, que estimula o apetite.

Coentro

O coentro é uma erva extremamente aromática.

Seu sabor é um tanto picante e ardente. Tanto as fo-

lhas, quanto as sementes da erva são consumidas. No primeiro caso, o tempero é usado fresco, já as semen- tes são encontradas secas, inteiras ou moídas. Para armazenar o coentro fresco, lave as folhas e guarde-as em recipiente fechado na geladeira. Já o tempero seco deve ser guardado em pote fechado, ao abrigo da luz e umidade.

O coentro combina com peixes e frutos do mar,

pois o sabor leve desses alimentos não entra em con-

flito com o marcante do coentro. O tempero também pode ser usado para temperar legumes e feijão. O co- entro moído combina com o sabor forte da carne de porco. O ideal é esfregar o pó à carne antes de seu cozimento, diferentemente da erva seca, que deve ser acrescentada aos alimentos no final do cozimento.

O tempero é rico em magnésio, cálcio, fósforo e

ferro, e é bastante usado no centro oeste, nordeste e norte do país. Nessas regiões, o cheiro verde é a com- binação de coentro e cebolinha.

Salsa seca

regiões, o cheiro verde é a com- binação de coentro e cebolinha. Salsa seca Coentro em

Coentro em pó

regiões, o cheiro verde é a com- binação de coentro e cebolinha. Salsa seca Coentro em

Semente de coentro

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A saga dos gregos e troianos continua

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Comer bem é importante para o bom funcionamento do organismo, se privar dos alimentos pode não ser boa idéia

Mariana Leal

P or mais que isso possa parecer repetitivo, o importante da Boa Alimentação não é comer as “ma-

ravilhas” que aparecem o tempo todo no mercado. Entre elas a linhaça, a aveia, ar- roz integral, quinua e todos os outros. O importante, na verdade, é comer bem e

comer o que se gosta, sabendo balancear todas as proteínas, carboidratos e mine- rais. É lógico que ninguém é de ferro e todo mundo se descontrola de vez em quando. Seja por ansiedade, preocupação ou qual- quer outro motivo, às vezes saímos do ritmo. É por isso que existem milhares de dietas por ai, dietas de dois dias com as quais se perde 3kg, dieta do suco, na qual se toma suco o dia todo. Você vai emagre- cer, lógico, o corpo não tem de onde tirar energia e vai tirar das suas reservas. O problema é que esse tipo de dieta funciona para quem já é propenso a ter o peso menor, que engordou de uma hora para outra, por causa dos abusos do Na- tal, por exemplo. Mas, e quem está que- rendo emagrecer? E quem não consegue seguir uma dieta? E quem só quer man- ter o seu peso? Os esportes, além de ajudarem a man-

Foto: Mariana Leal

ter o físico em ordem, ainda fazem muito bem à saúde. Tudo isso é muito igual a tudo o que você está acostumado a ler so- bre se alimentar bem?

Os prazeres da carne As proteínas são muito importantes na nossa alimentação. Há quem não as tenha como alimento cinco estrelas, mas deveria ter. Não que frutas, legumes e verduras não sejam interessantes, até porque a soja é considerada uma prote- ína de padrão 1 pela Organização Mun- dial de Saúde (OMS), ela é semelhante à de origem animal e, portanto, um substi- tuto à altura. A proteína animal, além de mais sa- borosa – para alguns – é responsável por alimentar o processo formador de músculos, chamado de síntese protéica e, sejamos sinceros, quem não os quer? Seja na perna fina, ou na grossa, nos braços, nas costas, no abdomen então?! Nem precisa mencionar. O nutriente de origem animal contém proporções cer- tas dos aminoácidos essencias que nosso corpo não consegue sintetizar sozinho. O problema é encaixá-las da melhor maneira no nosso dia-a-dia sem deixar a

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CONTRARIANDO TUDO ISSO: TOFU

Não é todo mundo que gosta, mas o queijo de soja é o produto que mais concentra proteína e cálcio, protegendo, assim, os músculos e os ossos. Ele ainda é rico em magnésio, mineral que evita o enfraquecimento dos compostos que par- ticipam do processo de fornecimento de energia. Receitinha pró-músculos; juntar no liquidificador 200g de tofu, oito colheres de suco de laranja, oito colheres de manga em cubos e quatro maçãs sem sementes e sem casca. Bata até formar um creme. Distribua em taças e sirva gelado.

comida gordurosa, já que a proteína vem acompanhada de gordura, muitas vezes sa- turada, e pode colocar em risco o coração. O corpo quebra e forma proteínas o tempo todo, mas, como nem tudo são flores, estudos da Universidade de Illi- nois, nos EUA, confirmam que sempre que se come 30 gramas do nutriente um aumento na síntese de proteínas aconte- ce e dura três horas. Assim, caso se ingi- ra alimentos com alta taxa proteíca em apenas um horário do dia, o crescimento muscular estará acontecendo apenas em

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algumas horas do dia.

O organismo não consegue processar

toda a proteína ingerida, normalmente, de uma só vez. Há um limite para isso e, caso você devore 75 gramas do nutriente em uma só refeição, seu organismo pro- cessará apenas 30 gramas e, para piorar,

o resto acaba sendo estocado pelo fígado para transformá-lo em energia. E, um salmão para quem descobrir como o ex- cesso será estocado; sim, o estoque vai ser em forma de gordura.

Já que falamos em salmão, vá a peixa-

Foto: Mariana Leal

Já que falamos em salmão, vá a peixa- Foto: Mariana Leal “Assim como cozinhar, fazer exercícios

“Assim como cozinhar, fazer exercícios é uma terapia”

ria mais próxima – ou algum lugar que venda peixe – compre um sal-

Músculos, pra que te quero! Todo mundo deveria ir à academia

mão, não muito grande, não muito

e se você ainda não vai, é bom lem-

pequeno, mas que esteja limpo e sem escamas. Sujar a cozinha com tripa de peixe, ninguém merece! Pei- xe na mão, regue-o com o suco de dois limões, faça uma mistura de sal

brar que não é importante só para criar músculos, ficar forte, e esse blá blá blá que não deveria incentivar ninguém. É importante para a saú- de. Fortificar os músculos protege

o

coração agradece! Assim como co-

e

pimenta do reino, de preferência

os ossos, as juntas, os nervos, reduz

moida na hora, embrulhe em papel alumínio e deixe-o assar no forno por vinte minutos. Abra o forno! De-

Não sabe fazer salada de bróco-

colesterol, libera o hormônio da feli- cidade, a serotonina e, além de tudo,

sembrulhe! Precisa de uma corzinha, não?! Mais dez minutos no grill, se preferir pode passar uma manteiga, para ficar mais moreninho ainda. Com arroz e uma saladinha de bró- colis, fica de agradecer aos céus por algo tão saboroso.

lis? O jeito mais fácil é colocá-lo em água com sal fervente, deixar ali por dez minutos, e tirar. Pronto, deixa no congelador para esfriar e na hora que o peixe estiver pronto o brócolis

zinhar, fazer exercícios é uma tera- pia – sabe, que consumir um pouco de proteína é importante, mas todo mundo se pergunta como, quando, quanto e por que?. Conforme as constatações dos es- tudos de Illinois, comer de 10 a 20 gramas de proteína meia hora antes do treino e meia hora depois dele é

ideal. Peito de peru – quatro fatias

o

fornecem 14 gramas – com um peda- ço de pão – se possível integral – são suficientes. Afinal, o carboidrato do

o

treino.

esfriou. Nem precisa temperar, ele

pão vai elevar a insulina, a qual re-

está salgadinho – mas, se preferir,

tarda a quebra das proteínas, o que

pode colocar um fio de azeite, meio limão, uma pitadinha de pimenta ca- labresa – agora é só se deliciar!

acelera o crescimento muscular após

Depois do treino dá uma fome de

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PARECE UM SONHO Dá para acreditar que pesquisadores da Universidade de Sheffield, na In- glaterra, chegaram à conclusão de que a gordura do queijo ajuda a relaxar, proporcionando uma noite de sono melhor. A gordura do queijo retarda o esvaziamento gástrico, proporcionando sa- ciedade prolongada e, então, o cérebro manda comandos de sono identi- ficando que a barriga está cheia. Mas não se mate no queijo, duas fatias bastam, e pode ser de qualquer tipo. Como se tudo isso não bastasse, há muito se sabe que os efeitos etílicos do vinho – apenas uma taça – afastam a insônia. O vinho contém melatonina, hormônio que regula o sono. Então, APRECIE queijo e vinho e DURMA BEM!

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leão? É a última refeição do dia? Apesar de parecer complexo, o medalhão de filé- mignon com crosta de queijo azul – assim são classificados os queijos tipo gorgon- zola, roquefort e o inglês stilton – é um prato bem simples de se fazer – só não é legal comer e ir direto para a cama. Pegue um medalhão do filé mignon, tempere com sal e pimenta do reino dos dois la- dos. Acenda o forno, e o deixe esperando a uma temperatura de 175 graus. Com a ajuda de um garfo, amasse 25g de queijo azul em temperatura ambiente e misture com uma colher de manteiga, acrescente farelo de pão fresco, uma pitada de sal- sinha, outra de sálvia e mais uma de pi- menta caiena. Unte uma assadeira com 1 colher de azeite de oliva, em uma frigideira co- loque a mesma quantidade do azeite e sele o medalhão – selar, nada mais é que dourar a superfície externa da carne, ra- pidamente, em uma panela BEM aque- cida, evitando a perda dos sucos natu- rais. Selado, transfira-o para a assadeira e sobre ele coloque a mistura do queijo azul. Pressione bem para que forme uma crosta. Asse por cerca de sete minutos para que fiquem ao ponto, com o queijo dourado, e se para você já estiver bom, coma com legumes cozidos no vapor e com purê de batatas – uma batata des- cascada e cozida amassada, uma colher rasa de manteiga, uma colher de leite, mistura-se tudo numa fritura de cebola e

Foto: www.gastronomyland.com.br

alho. Caso ache melhor, antes de ir para a academia, já deixe todos os ingredientes separados. O preparo será mais rápido na hora da saída.

Para quem tem fome de saber A prática de esportes, para surtir efei- tos físicos mais intensos, exige uma die- ta especial, balanceada de acordo com o tipo de atividade desenvolvida, intensi- dade e frequência. Existe a necessidade de um consumo maior de proteínas, po- rém tudo em exagero faz mal. O excesso desse nutriente pode ser prejudicial aos rins. Para o médico nutrólogo Rogério Fros- sard, a necessidade da proteína animal é um equívoco; “o músculo prefere consu- mir carboidrato à proteína”. Ele ainda diz que “a proteína vegetal é ‘blindada’, por- que é acompanhada de carboidrato”. Uma dieta que leve muita proteína pode sobrecarregar os rins e o fígado. Uma dieta ideal para o ser humano deve conter 10% de proteínas, 10% de gordu- ras e 80% de carboidratos. Estes, preci- sam ser 75% a 80% de carboidratos com- plexos e o restante de frutose ou algum açúcar. Então, os vegetarianos não precisam se preocupar, só precisam prestar aten- ção no consumo de proteínas. E para os carnívoros de plantão, vale a mesma dica, que nunca é demais; tudo em exa- gero faz mal.

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A uva além do cacho

A uva é muito consumida no Brasil como fruta, mas pode ser ingrediente de diversas receitas doces e salgadas

Juliana Pereira

A o se pensar em frutas no mês de dezembro as que compõem a mesa nata-

lina são as primeiras a vir na cabeça. Pêssegos, mangas, e as frutas secas estão sempre pre-

sentes na ceia de natal. Porém,

o personagem principal desse

enredo é a uva. Seca, fresca,

verde ou roxa, as uvas enfeitam

os ambientes de jantares de fim

de ano e deixam saborosas as refeições dessa época festiva. A fruta tipo Niágara está em

época de colheita em dezembro.

É considerada um tipo rústico

de uva de mesa e encontrada no mercado somente no seu perío- do sazonal. A uva Niágara tem

o fruto menor que o tamanho

padrão das uvas, e dela não se come a casca. Seu gosto perfu-

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mado e doce faz com que a Niá- gara seja uma das uvas de mesa mais consumidas no Brasil. A região da cidade de Campinas, no estado de São Paulo, é umas das maiores produtoras desse tipo de uva no país. Já a uva Itália é um tipo fino

e pode ser encontrada no mer- cado o ano todo. Seu fruto é grande e carnudo e seu sabor, adocicado e azedinho. Pode-se comer sua casca sem proble- mas. A região de Juazeiro e Petrolina, no nordeste, é res- ponsável por 90% da produção dessa uva de mesa. A Red Globo, Beny Tak, Bra- sil e Rubi são produto de mu-

tação da uva Itália. Esses tipos também são considerados finos

e estão sempre nas prateleiras

Fotos: Gisela Zaffalon

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dos varejões, feiras e supermercados. Ou- tra uva tipo fina é a Thompson, encontra- da no mercado tanto verde quanto roxa. Trabalhos de enxerto com a Thompson produziram uma espécie sem semente, que passou a ser a forma mais comercia- lizada. Seja roxa ou verde a fruta traz diver- sos benefícios à saúde. A nutricionista Betânia de Andrade nos explica que a uva

contém flavonóides, que são oxidantes e inibem a formação de radicais livres, uns dos responsáveis pelo envelhecimento das células. As uvas também possuem o revesratrol, que ajuda a inibir a coagula- ção do sangue. Essa fruta ainda auxilia no bom funcionamento do sistema renal

e contém grande quantidade de potássio,

cálcio, fósforo, magnésio, cobre e iodo, diz Betânia.

Uva na cozinha Em nosso país é mais comum comer- mos a uva como fruta ou beber seu suco ou vinho. O próprio vinho também é bas- tante usado como ingrediente em diver-

sos pratos. O que pouco se sabe é que a uva pode acrescentar um sabor peculiar a sua cozinha em receitas doces e salgadas. Para preparar uma deliciosa salada de pepino fatie o legume em tiras bem fini- nhas, acrescente sal, deixe-o descansar por 15 minutos e depois lave-o. Pique um cacho de uvas finas (pode ser a Itá- lia, Red Globo, Beny Tak, Brasil ou Rubi) em fatias e acrescente ao pepino. Regue

a mistura com iogurte natural e tempere

a vontade. Deixe gelar, e está pronta essa diferente entrada.

A uva passa, branca ou preta, é outro

ingrediente bastante comum na culiná- ria brasileira. Essa uva seca dá sabor e

textura a diversos pratos salgados e so- bremesas. Uma deliciosa entrada usando

a fruta seca e fresca pode ser preparada

com frango cozido e desfiado. Acrescente

à carne uvas Itália cortadas ao meio, uma

maça verde picada em cubinhos, milho verde e uvas passas brancas. Para tem- perar, prepare um molho com maionese, creme de leite, pimenta do reino e sal. Misture tudo e leve à geladeira.

O prato principal para um jantar en-

tre amigos nesse fim de ano pode ser um filé de linguado com uva verde. Unte um pirex com manteiga e acrescente um ce- bola picadinha, alho-poró em fatias, uvas

Thompson cortadas ao meio e filés de lin- guado. Regue os ingredientes com vinho branco e sal, cubra com papel alumínio e leve ao forno por cinco minutos. Guarde os filés e despeje o restante dos ingre- dientes assados em uma panela e leve ao fogo acrescentando alho até o molho en- grossar. Depois de desligar o fogo acres- cente creme de leite, suco de um limão e pimenta do reino, misture e peneire. Acrescente o molho e algumas uvas des- cascadas ao peixe e sirva com arroz.

A sobremesa desse jantar entre ami-

gos poderia ser um delicioso mouse da nossa fruta da estação. Bata em um liqui- dificador açúcar e claras de ovos. Depois acrescente gelatina incolor dissolvida em

suco de uva e bata nova- mente. Por fim, acrescente creme de leite e leve-o à ge- ladeira. A decoração dessa sobremesa pode ser feita com uvas finas cortadas ao meio. Outro doce conhecido a base de uva é o sagu. Para fazê-lo deixe o sagu de mo- lho por uns 20 minutos e leve-lo ao fogo junto com a água, açúcar, e suco de uva. Depois que a mistura en- grossar, leve a geladeira. O suco da uva pode ser substi- tuído por vinho tinto, dan- do um gostinho delicioso. Cravo e canela em pau tam- bém deixam o sabor do seu sagu especial.

Uva para beber A uva tem em média 80% de água, o que a torna uma fruta bastante “molha- da”. Além do delicioso suco, diversas outras bebidas são feitas com a uva. A Grapa de origem italiana, o Orujo espanhol e a Pisco do Chi- le são exemplos de bebidas destiladas a base de uva. Um drinque muito co- nhecido na América do Sul espanhola é o Pisco Souer, que lembra a caipirinha brasileira. Para fazer o drin-

CONHEÇA CADA UMA DELAS

Souer, que lembra a caipirinha brasileira. Para fazer o drin- CONHEÇA CADA UMA DELAS red globo

red globo

Souer, que lembra a caipirinha brasileira. Para fazer o drin- CONHEÇA CADA UMA DELAS red globo

itália

Souer, que lembra a caipirinha brasileira. Para fazer o drin- CONHEÇA CADA UMA DELAS red globo

beny tak

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que corte um limão em quatro e retire a parte branca do miolo. Amasse o limão

uvas tem um tom verde claro. Afinal de onde vem o roxo do vinho tinto?

sugeridas como as melhores casas vinícolas do país por Fernando Dagoberto.

junto com açúcar, até soltar bastante

O

sommelier Fernando Dagoberto

Assim como as uvas, os

suco da fruta, e acrescente uma clara de ovo. Por fim, adicione o Pisco e gelo. Porém, o vinho é, com certeza, a mais conhecida e consumida bebida a base de uva. O sommelier, Fernando Dagober- to, nos explica que os diversos tipos po-

nos explica que a vinificação de vinhos brancos e espumantes é feita sem a pre- sença da casca, portando o segredo da cor do vinho tinto realmente está na casca. Diversas uvas roxas são usadas na produção do vinho branco e do espu-

vinhos também são ótimos ingredientes, muito usados em diversas receitas. Um jantar a dois pode ficar deli- cioso se servido um fondue de queijo ao vinho branco.

dem ser divididos em duas categorias: os tranquilos, que são os tintos, os brancos e os rose; e os não tranquilos, que são os

mante, porém sua casca é retirada logo na primeira prensa para a obtenção do suco.

Para preparar essa receita misture queijo tipo emmen- thal e vinho branco em uma

espumantes e os vinhos verdes.

nos vinhos tintos ou rose, a cas-

panela de fondue suja de

Para associar um vinho a um prato os bebedores já conheceram diversas regras. Antigamente, vinho e refeição deviam ter a mesma origem. Assim uma massa italiana deveria ser consu- mida juntamente de um vinho italiano. Porém, essa regra caiu e surgiu a de que vinho tinto acompanha carne verme- lha, e o branco, acompanha carne bran- ca. Atualmente, Fernando Dagoberto

ca é mantida com o suco durante a fer- mentação. Nos vinhos rosados, a casca fica menos tempo com o mosto (suco da uva), e para os tintos, a casca é mantida um período maior até o vinho adqui- rir a cor desejada. A presença da casca durante a fermentação é responsável também por parte do aroma e sabor do vinho tinto. O Brasil tem aprendido os segredos

alho mexendo sem parar. Dissolva um pouco de ami- do de milho em vinho bran- co e misture no queijo já derretido. Mexa mais o fon- due até engrossar e tempere com pimenta do reino bran- ca, nós moscada e um pouco de vodka. O prato pode ser servido com torradas ou pão

nos conta que, as regras ficaram mais democráticas e o que vale é o paladar do freguês. O ideal é que o prato e o acompanhamento casem sem um pas-

que envolve a vinificação e as casas viní- colas brasileiras vêm apresentado pro- dutos de ótima qualidade. A Serra Gaú- cha é atualmente a região que concentra

italiano picado. O jantar fi- cará ainda mais saboroso se acompanhado por um vinho branco demi sec, branco

sar por cima do gosto da outra. “Uma bebida pode aniquilar uma comida, ou vise versa. O par perfeito é quando uma

maior produção de vinho do país. Estão presentes na área casas viníco- las que já ganharam nome e espaço no

a

seco ou tinto leve. Seja para beber ou co- mer. Seja só, a dois ou com

valoriza o gosto da outra”, nos conta o sommelier.

mercado mundial. A Vinícola Miolo, a Casa Valduga, a Chandon do Brasil, que

os amigos. A uva é uma óti- ma opção para ser tema do

Pode parecer obvio que vinhos bran-

é

uma associação do grupo francês Moët

seu jantar de fim de ano. A

cos sejam feitos de uvas verdes, e tintos

e

Chandon e o grupo brasileiro Montei-

fruta da estação é uma pre-

de roxas. Mas não é tão obvio assim, pois

ro Aranha, entre outras diversas casas

sença deliciosa da entrada à

ao olharmos a fruta por dentro todas as

possuem vinhedos na Serra Gaúcha, são

sobremesa. Saboreie.

brasil thompison niagara 51

brasil

brasil thompison niagara 51

thompison

brasil thompison niagara 51

niagara

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Sobrou pra mim!! Gabriela Jacques V ocê já pilotou as panelas no fogão, já preparou

Sobrou pra mim!!

Gabriela Jacques

V ocê já pilotou as panelas no fogão,

já preparou o cheese cake para a so-

bremesa, escolheu a bebida certa

– levando em conta o prato do dia e o dia

da semana que é, arrumou a mesa toda

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bonita, enfim, fez tudo o que se deve fa- zer para desfrutar do momento em torno da mesa nossa de cada dia. Tá, até aí tudo bem. Deu tudo certo, você não queimou nenhuma panela, tampouco colocou o

Foto: Gabriela Jacques

garfo no lugar da faca ao arrumar a mesa. Mas, calma. Depois do ritual

a mesa, volte para a cozinha. Per- cebeu que ainda tem alguma coisa

para fazer? Sim, você precisa lavar

a louça – caso não tenha lavado o

que foi sujando durante o preparo, certamente terá uma pilha de louça

a sua espera. Se você lavou aos pou-

cos, apenas pratos, copos e talheres vão ter que ser lavados e, ah sim! as panelas que ficaram no fogão te es-

peram também, e é nelas que vamos prestar atenção agora. Não! Não é prestar atenção na panela sendo la- vada. Especificamente, vamos aten- tar para o conteúdo que possa estar dentro delas. São eles que merecem toda a nossa atenção. Já percebeu que na maioria das vezes que você se empenha na co- zinha sempre sobra um restinho de cebola picada, um arroz e feijão no fundo da panela ou o molho de tomate da macarronada? Ou mesmo você que acabou de voltar do supermercado, comprou algumas frutas, algumas hortali- ças, uns 500g de lagarto e outros 500g de picanha que você preten- de usar durante o mês. Como fazer para armazenar de maneira corre-

ta todos esses alimentos? Sejam os que restaram do al- moço ou os que recém chegaram da prateleira do mercado, existem maneiras ideais de armazená-los e distribuí-los dentro da geladeira. E antes de sairmos congelando tudo por aí, a engenheira de alimentos Socorro Castro nos ajuda a desco- brir essas maneiras. Se a sua intenção é colocar no freezer a maior parte dos alimen- tos comprados, lembre-se que “as frutas devem estar lavadas, sem caroços ou possíveis partes estra- gadas, e separadas por porções. As carnes devem ser limpas e também separadas nas porções que serão utilizadas”. A separação em por- ções ajuda muito na hora de des- congelar, uma vez que um alimen- to que foi descongelado não pode ser recongelado jamais. Se você quiser comer as frutas ao natural, não as coloque no fre- ezer. Basta lavar e deixar na prate- leira da geladeira. Atenção com as hortaliças. An- tes de levar ao freezer, é necessário fazer o que Socorro Castro chamou de branqueamento, que é o pré co- zimento dos vegetais, seguido de

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Nem tudo pode ir para o freezer da sua geladeira

Nem tudo pode ir para o freezer da sua geladeira 54 um choque térmico com água

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um choque térmico com água gelada. Os alimentos prontos devem ser colocados na geladeira ainda mornos, e só depois levados ao congelador. Para as ervas desidratadas, prefira ambientes secos, longe do sol (como os armários). Já as frescas são mais bem conser- vadas sob refrigeração: pique as folhas das ervas, separe um reci- piente plástico, forre com papel- toalha, coloque a erva picada dentro do recipiente e ponha na geladeira. Mas nem tudo pode ir para o freezer da sua geladeira. “Folha- gens, macarrão, pudim, ovos e maionese devem ser armazena- das apenas na geladeira. Uma vez no freezer, maionese e ma- carrão ficam com uma textura diferente, a maionese com um aspecto de coalhada. Ovos in-

teiros quando congelados aumentam de volume, o que faz com que a casca se rompa, e as folhagens ficam moles”, explica Socorro. A solução apontada por ela é pre- parar um novo alimento a partir das sobras, na refeição seguinte mais próxima, mas deve-se deixar a sobra na geladeira até essa nova prepara- ção. “A diferença de manter um ali- mento na geladeira ou no freezer está na maior durabilidade do alimento congelado, já que a baixa temperatu- ra diminui drasticamente a prolife- ração dos microorganismos. Mas em ambos os lugares existe uma maior conservação do que se deixá-los em cima do fogão.” Na hora de descongelar, tire as por- ções que você pretende utilizar, do freezer, e coloque na geladeira – com um pratinho embaixo para não fazer uma meleca. Se estiver com pressa, utilize a função “descongelar” do seu microondas.

Atenção! Algo laranja-esverdeado pode estar dominando sua geladeira

Fungos! Seres peculiares que compõem um reino a parte na botânica, o Reino Fungi, pois não são animais, nem bactérias, plantas ou vírus. Até que somos muito gratos a eles, já que o cogumelo, o shi- take, o shimeji, e o funghi sem- pre são bem vindos na nossa mesa. Eles também são respon- sáveis pela fermentação do pão, do vinho, da cerveja e do molho de soja. Os fungos exercem ainda um papel essencial na produção de antibióticos, na decomposição da matéria orgânica e têm ex- trema importância nas trocas e ciclos de nutrientes. Mas eles, na sua geladeira, surgindo do arroz que você es- queceu desde a semana passa- da, nao têm função nenhuma (a

não ser a de colorir o auvi gelo que o abriga). Segundo a nossa engenheira de alimentos, os fungos apa- recem na geladeira porque a temperatura é baixa, mas não impede o crescimento micro- biano. Pelo contrário, a baixa temperatura até auxilia esse crescimento, e as não adequa- das condições de transporte e armazenamento podem le- var microorganismos – como os fungos – para dentro dela. Quando você for procurar outra coisa lá dentro, vai se deparar com uma criatura cheia de cores e malcheirosa. Cuidado! Não coma esses ali- mentos, eles estão contamina- dos! Apenas os fungos citados acima (que nós conhecemos) podem ser ingeridos.

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Feliz ano velho! Feliz ano novo!

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Por que comemos em grupo? Por que as mesas ficam juntas? Por que as mesas ficam separadas? Por que queremos estar perto de outras pessoas quando passamos por momentos de transição? Conheça mais um pouco da história do Ano Novo e delicie-se com a ceia que preparamos para você.

Mariana Leal e Gabriela Jacques

V ocê é supersticioso? Não adianta negar, todo brasilei- ro é um pouco supersticioso,

principalmente nas comemorações do Ano Novo. Quem nunca passou

a virada do ano com roupa branca

para trazer paz, ou amarela para atrair dinheiro? Tem também aque-

les que passam o réveillon na praia e têm o costume de pular ondas para deixar para trás o ano que passou e viver novas mudanças. Da simples veste branca aos ritos mais complexos, como comer de- terminadas frutas, subir em cadei- ras ou pronunciar certas palavras, a passagem do ano é certamente um momento que atrai ritos, simpatias

e todo tipo de superstição. Inde-

pendentemente da idade, sexo, ou classe social, todo mundo renova os desejos de paz, esperança e, mesmo sem acreditar, não custa nada ten- tar fazer alguma coisa que ajude a realizar esses desejos. Afinal, se as superstições dão resultados ou não, não importa.

Foto: Gabriela Jacques

Segundo a psicóloga Alexandra Brhem, “nós acreditamos nas sim- patias porque o desejo de mudança mexe com os sentimentos interna- lizados, exacerba as emoções, fa- zendo com que ocorra em algumas pessoas uma verdadeira catarse, é como se ‘zerasse’ tudo o que passou e que não se deseja que seja lembra- do”. A gente quer mais é começar o ano com o pé direito e, por pé direi- to, entenda-se muita festa e alegria. Mesa farta, música, amigos e pa- rentes por perto, e cada um de nós faz pequenas "mágicas" para garan- tir que o ano seja perfeito. Mas qual a explicação para tudo ISSO? Será que existe alguma origem para se acreditar nessas superstições, em todos esses rituais dos quais nós participamos? Certas celebrações são pauta- das por fechar um ciclo e começar outro, além do ano novo, pode-se dizer que os aniversários também carregam esse fardo, e é por isso

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que existe o período que muitos co- nhecem por inferno astral. Segundo Claudio Bertolli, profes- sor de Antropologia da UNESP, esses momentos de celebração são mo- mentos de avaliação, “afinal, o ano vai acabar, por exemplo, e as pes- soas nunca mais terão esse ano de volta”, as pessoas não podem mais mudar o que aconteceu, mas podem repensar sobre como querem que as coisas sejam dali para frente. As festas de final de ano reme- tem a uma herança ancestral de rituais de passagem ou iniciação. Desde os tempos remotos, as mu- danças que aconteciam na vida do indivíduo eram representadas ou comemoradas por cerimônias e ri- tuais. Para Alexandra, “o fato de a população ficar contagiada acontece

por se tratar de um processo grupal.

O processo grupal tem mais força do

que o individual”.

Várias formas. Uma festa Desde sempre o homem mede

o tempo, existem povos com anos

mais longos, culturas com anos mais curtos, porém sempre existiram as celebrações, os ritos de passagem. Um dos registros mais antigos de comemoração do Ano Novo é um festival chamado Zagmuk, realiza- do há cerca de 4 mil anos na Meso- potâmia, região do Oriente Médio que abrigava uma das mais antigas civilizações do planeta. Para eles,

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esse era um momento crucial de suas vidas. Com a chegada do inverno, os mesopotâmios

acreditavam que os monstros ficavam irados

e que tal fúria só seria aplacada por sua maior divindade, conhecida como Marduk. Assim,

o festival de Ano Novo, que tinha 12 dias de

duração, era realizado com o objetivo de aju- dar Marduk em sua batalha contra as forças do mal. Ritual semelhante foi incorporado por ou- tros povos, como persas e babilônicos. Gregos

e romanos também se inspiraram na cultura

da Mesopotâmia e passaram a comemorar o Ano Novo.

Cada povo tem uma cultura. Podemos fa- lar da questão do aniversário, por exemplo, os poloneses comemoram a data no dia do san- to do aniversariante e não no dia em que ele nasceu. Da mesma maneira, as comemorações de Ano Novo variam de cultura a cultura, mas universalmente a entrada do ano é festejada, mesmo que em diferentes datas. Em Macau, e para todos os chineses do mundo, o maior festival do ano é o Novo Ano Chinês. Ele é comemorado entre 15 de Janei- ro e 15 de Fevereiro de acordo com a primei- ra lua nova depois do início do Inverno. Lá é habitual limparem as casas e fazerem muita comida (Bolinhos Chineses de Ano Novo - Yau Gwok, símbolo de prosperidade). Há muitos fogos de artifício e as ruas ficam cobertas de pequenos pedaços de papel vermelho. Os muçulmanos têm seu próprio calendá- rio, que se chama “Hégira”, o qual começou no ano 632 d.C. do nosso calendário. A passagem do ano também tem data diferente – 6 de Ju- nho, foi quando o mensageiro Mohammad fez

a sua peregrinação de despedida a Meca.

Um toque de magia

Algumas superstições têm fundamentos, são frutos das crenças dos nossos ances- trais. Assim como herdamos as comemo- rações ao Natal e ao Ano Novo, também acabamos por herdar essas simpatias e crenças que estão presentes na casa de todo brasileiro.

O que significam algumas das supersti-

ções:

- Não mate joaninhas.

Os antigos acreditavam que a Joaninha era sinal de boa colheita e, portanto, de boa sorte. As Joaninhas se alimentam de insetos que são pragas em plantações, o melhor era não matá-las mesmo, e as que- rer por perto.

- Use maquiagem nos olhos.

Antigos egípcios acreditavam que ma- quiagem evitava que espíritos maus en- trassem pelos olhos.

- Faça os dedinhos do metal.

para frente, indicando progresso.

- Abra portas.

As portas da sua casa devem ficar todas abertas, para que o ano velho possa ir em- bora. Isso não é recomendado caso você vá viajar. Daí é melhor trancar todas as portas de sua casa.

- Beije a pessoa amada. Os antigos acreditavam que beijar a pes- soa amada na virada do ano traz boa sorte no resto dele.

- Não lave louça.

Muitos acreditam que lavar louças ou mesmo lavar o cabelo no primeiro dia do ano pode significar morte de um ente querido (parece que arrumaram um jeito de não trabalhar na virada do ano).

- Pague suas dívidas.

Não leve contas para o Ano Novo. Tanto por representar um assunto inacabado, quanto pela taxa dos juros, que é aviltante.

A

mão fechada com apenas o “mindinho”

e

o “indicador” levantados pode ser uma

-

Que tudo esteja cheio.

saudação popular entre os rockers, mas, para os italianos, a “mano cornuta” servia para afugentar maus espíritos.

- Cuidado com carnes.

Frango não pode, porque a galinha cisca movendo as patas para trás, indicando retrocesso. Porco, por outro lado, é bom, porque porco fuça movendo o focinho

Deixe a carteira cheia de dinheiro. Man- tenha geladeira com bastante comida e a despensa repleta de alimentos durante o primeiro dia do ano. Isso atrai fartura.

- Encha-se de uvas.

A tradição espanhola diz que quanto mais uvas você conseguir comer na virada do ano, mais sorte você vai ter.

59

Já as comemorações do Ano Novo ju-

daico, chamado “Rosh Hashanah”, fazem parte de uma festa móvel no mês de se- tembro (este ano foi 10 de setembro). As festividades são para a chegada do ano 5.763 e são a oportunidade para se deli-

ciar com as tradicionais receitas judaicas:

o “Chalah”, uma espécie de pão e, além do pão, é costume comer peixe, porque ele nada sempre para frente.

O primeiro dia do ano é dedicado à

confraternização. É o Dia da Fraternida- de Universal. É hora de pagar as dívidas

e devolver tudo que se pediu empresta-

do ao longo do ano. Segundo Monica Buonfiglio, especialista em angelologia

e esoterismo, “esse gesto reflete a nossa necessidade de fazer um balanço da vida

e de começar o ano com as contas acer-

tadas”. Percebe-se que além das superstições, a comida também é uma marca mui- to evidente nas “celebrações de morte e renascimento, como podem ser exem- plificados esses ritos de passagem, são celebrados com exagero, muita comida e muita bebida”, segundo Bertolli. A comensalidade diferencia o Homem do animal. Nós comemos juntos não ape- nas por fome, mas também para trans- formar essa ocasião em um momento de sociabilidade. Comer acompanhado é um ato “carregado de forte conteúdo social e

de grande poder de comunicação” segun- do Jean-Loui Flandrin e Massimo Mon-

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tanari, no livro História da Alimentação. Na sociedade grega, as normas de comportamento, ou “as boas maneiras no banquete” diferenciavam os homens civilizados – os citadinos – dos bárba- ros – selvagens que não as praticavam ou semi-selvagens que as praticavam apenas ocasionalmente. Assim, o banquete aca- bou por se tornar um sinal de identidade de grupo, seja um núcleo familiar ou uma cidade toda que se sente numa mesma mesa, seja esta simbólica ou não. A sepa- ração das mesas, ao contrário, se refere às diferenças de identidades. Por isso as sociedades modernas têm o costume de fazer celebrações na rua, embora no Bra- sil tenha-se perdido muito disso. Um exemplo é a passagem do Ano Novo na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, que reúne milhares de pessoas para verem os fogos de artifício. As tra- dições consistem em usar branco e jogar flores para “Yemanjá”, rainha do mar para os brasileiros. E não se pode esque- cer da mesma comemoração nos Estados Unidos, quando o povo se junta na Time Square, em Nova Iorque, ou a que ocorre na França, tendo como ponto principal a avenida Champs-Elysées, em Paris. Ain- da podemos lembrar de Sydney, uma das mais importantes cidades australianas, onde, três horas antes da meia-noite, há uma queima de fogos na frente da Ope- ra House e da Golden Bridge, o principal cartão postal da cidade. Para assistir ao

o principal cartão postal da cidade. Para assistir ao Comer acompanhado é um ato “carregado de

Comer acompanhado é um ato “carregado de grande poder de comunicação”

é um ato “carregado de grande poder de comunicação” espetáculo, os australianos se jun- tam no

espetáculo, os australianos se jun- tam no porto. Depois, recolhem-se às suas casas para passar a virada do ano com a família e só retornam às ruas na madrugada, quando os principais destinos são os “pubs” e as praias. Todo lugar tem uma tradição, uma forma de celebrar em conjun- to, fazendo valer a comensalidade que é percebida como um elemento ‘fundado’ da civilização humana.

E onde entra a bebida? Na sociedade grega, após um banquete, todos os integrantes be- biam vinho, considerando que a be- bida leva à embriaguez e favorece o contato com o divino. Os romanos dessacralizaram o vinho, porém ele continuou sendo um dos mais importantes símbo- los da civilização, “uma marca que distingue o homem civilizado, que não apenas soube inventar essa be- bida mágica, mas que, além disso, elaborou formas de autocontrole e de ‘bom uso’ (saber parar a tempo, misturar água ao vinho na medida

que fa-

certa para cada ocasião

)

zem do homem o senhor do vinho,

e não o contrário”, conforme está

registrado no livro História da Ali-

mentação. A bebida pode aguçar outro lado das celebrações, que por serem momentos de reflexão, também causam angústia. Não raramente, acontecimentos do passado são re-

lembrados e isso pode levar a festa

a ter desfechos indesejáveis. Ber-

tolli afirma que “os conflitos fami- liares acabam, muitas vezes, sendo

retomados por causa das bebidas”, então, apesar de ser uma festa, é preciso cuidado com o tanto que se bebe. Assim como o Ano Novo é come- morado de forma diferente, as bebi- das de cada sociedade também são diferentes. Os russos, por exemplo, tomam vinhos mais fortes que, para nós, podem ser comparados com a pinga, enquanto os latinos preferem os espumantes. Porém, essa “escolha” latina decorreu de uma imposição da igreja católica,

a qual sofreu com os excessos pra-

ticados pelos religiosos, monges e clérigos durante a Idade Média.

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Passo a Passo

Em meio a toda essa festa, resol- vemos entrar em 2011 comendo um lombinho de porco, já que ele fuça

pra frente e é muito fácil de fazer. O lombinho, de mais ou menos 1 kg e 200 gramas deve ser feito com

o suco de dois limões suculentos. Na

noite anterior, antes de ir dormir,

você o coloca marinando nos limões e deixa lá – vale a pena furar um pouco a carne, para o limão entrar. Mas esse “antes de dormir” vale caso se queira almoçar a carne no

dia seguinte. Se a opção for por fazê- lo para a ceia, pode-se colocá-lo de molho pela manhã. O lombo, nesse banho, vai dar uma boa inchada por causa do limão que fará questão de se juntar à car- ne. Antes de colocar no forno, pas- se alho e sal pelo lombinho, o sal é

a gosto e nós usamos seis dentes de

alho, mas nada o impede de colocar

um pouco mais. É preciso cuidado pra não carregar muito, pois se es- tiver cozinhando pra muita gente, pode ser que alguém não goste mui- to de alho. Você gosta? Na hora de colocar no forno em- brulhe a carne com papel alumínio

– você sabia que a parte laminada

desse tipo de papel deve ficar vol- tada para o que vai ser assado? O lado fosco absorve o calor e a parte

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laminada o reflete de volta quando ele tenta sair, e por isso o processo é mais rápido! – em, mais ou menos, quarenta minutos o lombinho vai estar pronto. Não se esqueça que o fogo do forno deve ser baixo. O cheiro já tomou a casa, as bar- rigas já começam a roncar, mas, para dar aquele toque especial, abra o pa- pel alumínio, acione o grill do forno, se tiver – é claro! – e deixe mais uns minutinhos, mais ou menos 15 – os tempos são muito relativos, já que cada forno tem uma potência. Pode parecer besteira, mas já vi comidas que demorariam a ficar prontas, fi- carem prontas rapidamente. Seu ol- fato deve ajudar muito nessa missão – para o lombinho dourar. Para acompanhar essa maravilha, nada melhor do que um chutney de manga, ou de maracujá, para quem gosta de molhos agridoces. É de lamber os beiços. Separe duas mangas maduras, pi- cadinhas. Em uma panela, em fogo alto, coloque duas xícaras, mais um quarto, de açúcar, junto com duas xícaras de vinagre. Fique mexendo, o açúcar deve se dissolver e então espere, ainda mexendo, que a calda fique bem grossa. Quando a calda começar a ferver, é hora de juntar a manga. Mexa por, mais ou menos,

grossa. Quando a calda começar a ferver, é hora de juntar a manga. Mexa por, mais
grossa. Quando a calda começar a ferver, é hora de juntar a manga. Mexa por, mais
grossa. Quando a calda começar a ferver, é hora de juntar a manga. Mexa por, mais

Fotos: Gabriela Jacques

grossa. Quando a calda começar a ferver, é hora de juntar a manga. Mexa por, mais
grossa. Quando a calda começar a ferver, é hora de juntar a manga. Mexa por, mais
grossa. Quando a calda começar a ferver, é hora de juntar a manga. Mexa por, mais

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mais dez minutos, a fruta vai ficar be- eeem macia, quase se desmanchan- do, e nessa hora acrescente á mistura duas colheres de sopa de gengibre bem picado, dois dentes de alho fa- tiado, meia colher de sal e uma xícara de passas brancas picadas. Agora é hora de ficar se deliciando,

o chutney ainda precisa ser mexido por uns quinze minutos, enquanto fi- camos imaginando essa delícia se mis- turando com o lombinho, e a explosão de sabores que se fará dentro da nossa boca. Para acompanhar, nada melhor do que um arroz branco ou uma sala- da de macarrão. Seus olhos vão bri- lhar com uma explosão de cores. A calda vai reduzir bastante, e vai endurecer um pouco também, o pon-

to ideal é o de um doce de colher. Fica

uma delícia e pode servir de acompa- nhamento também para aves, embu- tidos e queijos. Hora da sobremesa. Para os docei-

ros de plantão, as papilas gustativas

já entram em ação, para quem gosta

mesmo é do salgado, aposto que a re- vista já ficou de lado por alguns mi- nutos e a geladeira sofreu um desfal- que. Afinal, quem consegue sair ileso

quando o assunto é a fome? Creme de papaia com cassis, uma mistura de ingredientes bons não pode gerar nada que não seja bom também. Pegue o liquidificador, coloque uma lata de creme de leite, uma lata de leite condensado, um mamão pa- paia inteiro sem as sementes e qua- tro bolas de sorvete de creme. Li- quidificador ligado, espere que tudo isso vire um creme homogêneo, bem misturadinho. Pode demorar um pouquinho. Ainda bem que o esforço é do liquidificador, às vezes me pego imaginando aquelas mulheres de an- tigamente que faziam tudo na mão. Affff, graças à tecnologia! Há quem prefira com dois ma- mões, há quem coma na hora e quem deixa no congelador para o dia se- guinte, só não vale deixar no conge- lador para sempre, o mamão amarga. Para facilitar, vale já guardar em potinhos separados, e na hora de servir regue seu creme com Licor de Cassis. Caso você goste, acrescente, ainda, uma bola de sorvete de creme. Depois dessa ceia deliciosa, quem não teria um Feliz Ano Novo?!

uma bola de sorvete de creme. Depois dessa ceia deliciosa, quem não teria um Feliz Ano
uma bola de sorvete de creme. Depois dessa ceia deliciosa, quem não teria um Feliz Ano
uma bola de sorvete de creme. Depois dessa ceia deliciosa, quem não teria um Feliz Ano

Fotos: Gabriela Jacques

uma bola de sorvete de creme. Depois dessa ceia deliciosa, quem não teria um Feliz Ano
uma bola de sorvete de creme. Depois dessa ceia deliciosa, quem não teria um Feliz Ano
uma bola de sorvete de creme. Depois dessa ceia deliciosa, quem não teria um Feliz Ano

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Juliana Pereira

É dia 31 de dezembro, o que vamos beber? Certamente, a maioria dos festeiros – exceto os menores de

18 anos – responderia imediatamente:

“Champagne”. Porém, tal resposta só es- taria correta se o degustador estivesse se referindo a um vinho espumante produ- zido na região francesa de mesmo nome.

O espumante é um tipo de vinho que

contém uma presença maior de gás car- bônico em seu conteúdo. Uma das carac- terísticas da qualidade desse vinho é o

gás ser um produto da própria fermenta- ção, e não aplicado artificialmente. Assim como, na França a bebida re- cebe o nome específico de Champagne, na Espanha o espumante é chamado de Cava, e o Prosseco é italiano.

O espumante é um vinho suave, agra-

dável, e facilmente combinado com vá- rios pratos, doces e salgados. Pode ser dia

ou noite, café da manhã ou ceia, todas as refeições do dia podem ser acompanha- das por um espumante. O sommelier Fernando Dagoberto diz que poderia be- ber espumante todo dia, pois essa bebida não tem muitas restrições de combina- ção com alimentos quanto têm os vinhos

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Fotos: Gabriela Jacques

Savourez le goût de Champagne

E brinde o ano-novo com estilo

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tinto e branco.

nha de trigo dissolvida. Depois que

Muitos dos alimentos que vêm

o

leite engrossar misture requeijão

da água podem ser acompanhados

e

desligue a panela. Tempere o mo-

por espumantes. Frutos do mar, alguns peixes como sardinha, baca- lhau, atum e salmão são bem acom- panhados por esse vinho. Mesmo pratos regionais como a paella espa- nhola e os sushi e sashimi japoneses podem ser servidos com espuman- tes. O camarão no azeite, apresen- tado na seção “POR AÍ”, fará suces- so entre os amigos se servido junto de um Champagne. Massas de diversos tipos ganham mais valor e glamour se acompa- nhadas de espumantes. Risotos e massas ao molho branco têm o sa- bor realçado se consumidas com espumantes. Esse vinho também vai bem ao lado de ovos, maionese e verduras em geral, cozinhas ou cruas. Um simples e delicioso jantar pode ser preparado derretendo-se

lho, com o fogo já desligado, com nós moscada ralada e pimenta do reino branca. Então, é só acrescen- tar o molho ao espaguete e voilá! Carnes vermelhas geralmente são acompanhadas por vinho tinto. Contrariando a regra, o lombinho da seção “É FESTA” será bem servi- do junto de bom espumante. Carnes de porco em geral, quando assadas, são bem acompanhadas por esse vinho. Eventos como churrascos podem parecer combinar mais com cerveja, porém um festivo Champa- nhe vai muito bem ao lado de car- nes vermelhas assadas na grelha. Ao fim da refeição, um espuman- te doce pode acompanhar bem a sobremesa. Sorvetes são bem ser- vidos com esse vinho, que também pode cair deliciosamente bem com

manteiga em uma panela quente e

o

panetone do Natal.

depois reservando parte do caldo. Acrescenta-se, então, cenouras e ba-

La historie

tatas na mesma panela, juntamente com a manteiga, e aí é preciso dou- rar. Depois, é só não esquecer de distribuir salsa e cebolinha minutos

Há quem duvide, mas essa bebi- da chique e festiva foi produto de um acidente. O sommelier Fernan- do nos conta que quem descobriu

antes de desligar a panela.

o

Champagne foi um frade francês

O molho branco também é sim- ples de preparar. Acrescente à man- teiga derretida um pouco de leite e

sortudo. Dom Perignon viveu du- rante o século XVII no nordeste da França.

uma pequena quantidade de fari-

O frade era responsável pela pro-

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70

dução dos vinhos consumidos nas missas das igrejas locais. O fran- cês ficava intrigado por alguns de seus vinhos brancos se tornarem levemente gaseificados um ano depois do engarrafamento. Após vinte anos de estudo e experi- ências, Dom Perignon chegou à perfeição. A conhecida frase dita pelo frade quando chegou ao final do processo, “Venham irmãos, venham ver, estou bebendo es- trelas”, define a sensação que se tem ao se beber uma Champagne.

Bienvenu à Champagne Há 150 quilômetros a noroeste de Paris encontramos Champag- ne, a região em que teve origem o espumante. O local tem cerca de 15 mil propriedades vinícolas bem tratadas pela temperatura fresca e ideal para a produção de uvas, cerca de 10°C, e pelo solo pobre com minerais encontrados profundamente. Fernando Dago- berto nos explica que essa situa- ção de solo produz menos frutos, porém muito concentrados em nutrientes. Champagne está lotada de vi- deiras tipo Chardonnay, branca, Pinot Moir e Pinot Meunier, tin- tas. As três qualidades abundan-

tes em Champagne são as uvas mais usadas para a produção da bebida da região. A maioria dos produtores vendem suas uvas para os grandes produtores. Po- rém, alguns pequenos produzem ótimos Champagnes. O solo de Champagne tam- bém é rico em calcário rochoso, o que o deixa muito parecido com giz. Trata-se de uma terra macia para escavação, que facilita cons- truções de túneis. Muitas casas têm suas adegas nesses túneis, que apresentam condições ideais para o envelhecimento do vinho, como temperatura constante de 12°C e umidade de 75%. Moët e Chandon tem 28 quilômetros de túneis no subsolo de sua cidade cede, Epernay.

Le procès Champenois é o nome dado ao legitimo processo de fabricação do Champagne. Somente com “déli- catesse” é que se produz esse espu- mante. O processo é lento e quase todo manual desde a colheita da uva. A fruta é retirada da parrei- ra manualmente por colhedores experientes, capazes de selecionar somente as melhores uvas, nos conta Fernando Miranda.

O processo de produção do Champagne, estimulando a segunda fermentação na própria garrafa, é exclusivo das casas da região francesa Champagne

é exclusivo das casas da região francesa Champagne Depois de colhidas, as uvas são levadas imediatamente

Depois de colhidas, as uvas são levadas imediatamente a um tonel onde acontece a prensagem que dá origem ao mosto, nome dado ao suco da uva. Ainda no tonel, são acrescentados ao suco as leveduras responsáveis pela fermentação, e nessa etapa é pro- duzido um pouco do álcool. O produto dessa primeira etapa é cuvée, ou vinho base para a pro- dução do Champagne. “Raramente o vinho base é produto de uma só uva. Cada casa tem um tipo de vinho base característico e tenta a cada ano produzir o mesmo aroma e gosto padrão, o que é difícil”, relata Fer- nando. A fermentação não para por aí. Para estimular a segunda fer- mentação é adicionado ao cuvée uma mistura de vinho levedura e açúcar. Logo a seguir, o vinho é engarrafado e fechado com uma tampa “tipo refrigerante”. As gar-

rafas são levadas a armazéns sub- terrâneos e mantidas na posição horizontal. Durante a segunda

fermentação, na garrafa, mais ál- cool é produzido além de gás car- bônico, que se dissolve lentamen- te no produto. A pressão causada pelo gás dentro da garrafa chega

a seis atmosferas, a mesma pres- são de um pneu de caminhão. O Champagnes Milemées re-

presenta o carro chefe da casa. Esse tipo de vinho espumante é

o único que recebe o ano de co-

lheita da uva em seu rótulo, pois

os champanhes tradicionais são produzidos com uvas de diversas safras. Em seis a oito semanas as le- veduras consomem todo o açú- car e morrem, inicia-se então o processo de envelhecimento. Um Champagne comum tem prazo mínimo de envelhecimento – determinado pela legislação da região – de um ano, já os milesi-

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mées (ver box) têm prazo mínimo de

três anos. É durante o envelhecimen-

to que o Champagne adquire seu aro-

ma e sabor típicos, essas característi- cas têm como uma das colaboradoras

a própria levedura morta. Portanto,

quanto maior o tempo de envelheci- mento mais intenso se torna o sabor

e o aroma. Voilá? Champagne pronto? Ainda não, dentro da garrafa ainda há as leveduras mortas. Para retirá-las as garrafas são tombadas lentamente

– um pouco a cada dia – até ficarem

na posição vertical, de cabeça para baixo. Congela-se então somente 5 centímetros da boca da garrafa, con- gelando assim as leveduras. Por fim

abre-se a “tampinha de refrigerante”

e tira-se o gelo juntamente com as

leveduras. Um líquido chamado liqueur de expedition é acrescentado por fim. A

composição desse liqueur é um segre- do guardado a sete chaves, pois de- fine as nuances próprias de aroma e gosto de cada casa. O Champagne rose é produzido seguindo praticamente o mesmo processo do Champagne tradicional.

O processo se difere porque é acres-

centado vinho tinto ao vinho base, depois da primeira fermentação.

Antigamente, para produzir o Champagne rose, mantinha-se junto

ao líquido as cascas das uvas durante

a primeira fermentação, porém, hoje

em dia esse processo é pouco usado. De qualquer forma, como resulta- do do antigo ou do atual método de produção desse vinho espumante, o Champagne rose tem aroma e sabor diferenciados, é o ideal para ser de- gustado acompanhando sobremesas. O processo de produção do Cham- pagne estimulando a segunda fer- mentação na própria garrafa é ex- clusivo das casas da região francesa Champagne. Espumantes de outras regiões também apresentam caracte-

rísticas exclusivas de fabricação, mas

a base do processo assemelha-se no

resto do mundo. O método charmat também foi inventado por franceses, e, poste- riormente, aperfeiçoado pelos italia- nos. Nesse processo, as duas fermen- tações acontecem em um tanque de 50 a 100 litros. “Hoje em dia, existem espuman- tes de qualidade no mundo todo. O nordeste de nosso país produz espu- mantes que ganham concursos mun- diais. Mas o Champagne é o melhor espumante do mundo”, reconhece o sommelier.

Boire

O primeiro passo para surpreender os ami-

gos ao servir um espumante acontece antes

da festa. A garrafa deve estar gelada previa-

mente. No momento de servir, a Champagne deve ser colocada em um balde com gelo. Coloque

a garrafa no balde, cubra de gelo e acrescen-

te água gelada.

Para abrir o Champagne, tire a cápsula e co- loque um guardanapo de pano sobre a rolha. Muito cuidado! Espumantes têm uma pres- são interna e podem causar acidentes. Por isso a importância do guardanapo. O estouro é pouco educado, só usado em co- memorações. Segurando o guardanapo com força retire a gaiola, e depois a rolha, com cal- ma, deixando a pressão aliviar suavemente.

Com uma mão apóie o polegar na concavi- dade inferior da garrafa e os outros dedos a seguram. O Champagne deve ser servido devagar para não formar grande quantidade de espuma, o ideal é colocar uma pequena quantidade, es- perar a espuma baixar e completar a taça.

73

Nem 20 minutos

Gabriela Jacques

R otina. Ela determina como vai ser

os cinco dias da nossa semana. Des-

pertador toca às sete horas da ma-

nhã, e logo vem a sequência lavar o rosto

– escovar os dentes – fazer a barba – tomar

banho – vestir a roupa – tentar comer algu-

ma coisa e logo enfrentar o trânsito, rezan- do para não chegar atrasado ao trabalho. Atrasado ou não, uma pilha de papéis esperam o seu parecer – checar o jornal para ver as principais notícias do dia – checar o email – entrar no twitter – reu- nião com o chefe – outra pilha de papéis, dessa vez, para assinar – a namorada liga

– reunião com uma ONG que protege o

meio ambiente – será que dá para tomar

um cafezinho? – lembrar a secretária de fazer a ata dessa reunião – mostrar para o chefe essa ata – a secretária da dentista liga lembrando a consulta do dia seguinte às quatro horas da tarde, que você tinha esquecido completamente – olha o reló- gio: dez e quarenta e cinco. Ainda falta uma hora e quinze minutos para o almoço

– o cliente da Califórnia liga – mais papéis sobre a mesa – passar na sala dos coorde- nadores de projetos – checar novamente o email e enfim: hora do almoço. Duas horas depois, voltar ao trabalho, mais pilhas de papéis, mais ligações e mais reuniões. E ainda tem aqueles que trabalham mais de cinco dias por sema-

74

na, e passam sábados, domingos e feria- dos nessa correria. Depois do trabalho, tomar um lanche, ir para a academia ou pilates, fazer um cur- so de inglês ou francês, ou mesmo encon- trar os amigos para o happy hour e: casa de novo! Banho – escovar os dentes e cama. No dia seguinte, tudo começa outra vez. Como se vê, é nos horários livres que temos tempo para relaxar, investir em nós mesmos e comer? Então, por que não otimizar essas horas? No quesito comer, existem pratos tão rápidos e fáceis que self-service ou fast- food nenhum vai ser a sua primeira opção. A chefe de cozinha Maria dos Santos, culinarista e aluna do curso de Gastrono- mia do Senac-CE, prima pela qualidade e gostosura e nos deu a dica de um espa- guete ao molho de tomate para ser feito quando se chega em casa. “Depois de dias corridos, fazer uma janta, abrir um bom vinho e ouvir uma boa música faz o dia ter valido a pena. Se tiver companhia, melhor ainda”, comenta. Segundo ela, “para um prato ser saboroso não é necessário que se passe horas fazendo aquela preparação. E vale a pena fazê-lo em casa. É prático, saboroso e você vai ter o pra- zer de comer uma comida feita por você”. Ficou com vontade de fazer? Então anota aí a receita e mangiare!!

ESPAGUETE AO MOLHO DE TOMATE

Coloque água para ferver (é ela que vai cozinhar o macarrão). Enquanto isso, corte a cebola, o

alho e os tomates. Se a água es- tiver fervendo, coloque sal, um filete de azeite e o espaguete para cozinhar. Em outra panela, refogue o alho no azeite, depois coloque a cebola. Adicione os tomates e as folhas de man- jericão. Se achar necessário, a pimenta do reino vai dar aquele toque picante no prato. Espere

o tomate desmanchar. Durante

a espera, prove o macarrão. Cui-

dado para não deixar ele mole demais. Corrija o sal do macar- rão e do molho. É só servir!

*Caso você não queira cortar tomate, alho e cebola e esperar os tomates desmancharem, existem molhos prontos que não deixam nada a desejar. Basta abrir o vidrinho, colocar na panela e esperar dar uma fervida. Vale até colocar as fo- lhas de manjericão e a pimenta, para dar aquela incrementada. Experimente qualquer molho pronto da La Pastina ou da Casi- no Delices.

Fotos: Gisela Zaffalon

da La Pastina ou da Casi- no Delices. Fotos: Gisela Zaffalon INGREDIENTES 250G DE ESPAGUETE –
da La Pastina ou da Casi- no Delices. Fotos: Gisela Zaffalon INGREDIENTES 250G DE ESPAGUETE –

INGREDIENTES

250G DE ESPAGUETE – ou a metade de um pacote de espaguete.

3 DENTES DE ALHO – ou duas colheres de chá

daqueles alhos que já vem triturados no pote –

encontra-se em qualquer supermercado. 1/2 CEBOLA

4 TOMATES SEM PELE E SEM SEMENTE

FOLHAS DE MANJERICÃO, SAL, AZEITE E PI-

MENTA DO REINO – à gosto.

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Se alguém perguntar por mim Diz que eu fui para Fortaleza 76 Gabriela Jacques Foto:

Se alguém perguntar por mim Diz que eu fui para Fortaleza

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Gabriela Jacques

Foto: Davi Melo

U m lugar reconhecido nacional-

mente por uma característica pe-

culiar e que faz sentido quando

se chega nessa terrinha: o bom humor. É de lá que sai a maioria dos humoristas brasileiros. Você mal aterrissa e logo se depara com telões e outdoors avisando os dias, horários e locais dos inúmeros sho- ws de humor que acontecem pela cidade. Sim, estamos falando do Ceará. Mas não é apenas o humor que faz a sua fama. Os 578 km de terra banhada pelo mar

também garantem um interessante dis- se-me-disse pelo Brasil. Toda essa exten- são do litoral cearense é dividida entre as chamadas Costa do Sol Poente e Costa do Sol Nascente – equivalentes aos litorais norte e sul do sudeste e sul brasileiros. “O turista que vem pra cá busca co- nhecer as belezas naturais, como as praias de Canoa Quebrada ou Jericoaco- ara, famosas no mundo inteiro”, diz Geo- vá Cavalcante, estudioso da história do Ceará. Pelo visto, o tal do disse-me-disse

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“De couro todas as cordas, a borracha para carregar a água, o mocó ou alforge para levar a comida, a maca para guardar roupa, a mochila para milhar cavalo”

78

interessante a respeito das praias cearenses não pára no nosso país. Ele extravasa as fronteiras e faz o singelo lugar dos humoristas ser re-

conhecido internacionalmente. Por hora, vamos nos concentrar no Brasil. Para Geová, é inegável o litoral cearense apresentar-se com sinais exteriores mais atrativos que

o sertão – ou o humor. “O brasi-

leiro tem uma atração pelo litoral, muito embora diversas capitais dos estados não estejam situadas no li- toral – como Brasília (DF), São Pau-

lo, Belo Horizonte, Campo Grande,

Cuiabá, Palmas, Goiânia, Teresina, Porto Alegre, Curitiba, Rio Branco, Porto Velho e Macapá”, observa. Po- rém, foi só em 1973 que o turismo passou a ser uma atividade formal- mente reconhecida, ano em que foi criada a EMCETUR – Empresa Cea- rense de Turismo. Para Geová, hoje

“o cearense convive bem com os tu-

ristas e está ciente do potencial eco-

nômico como gerador de emprego e renda”. O paulistano de 23 anos, Diego

Monteiro, já foi a Fortaleza seis ve- zes. A primeira coisa que ele associa quando se diz Fortaleza é “Praia do Futuro. Em seguida vem Cumbuco, diversão, Bar do Pirata e Forró no Sitio”. A paulista Fernanda Delfini, 22, foi apenas uma vez, e já se en- cantou com as praias da costa cea- rense: “calor, sol e mar durante os sete dias que estive em Fortaleza. Deu para relaxar bastante”. Mas se encontramos uma cidade de Fortaleza tão requisitada pelos turistas hoje, diversos fatores con- tribuíram para isso. Segundo Geo- vá, “o crescimento populacional de Fortaleza foi muito lento e seu au- mento acelerado deveu-se a crises climáticas que obrigavam a popu- lação do interior a emigrar para o litoral”. O gastrônomo Fernando Barro- so vê nas bases da colonização ce- arense o resultado da gastronomia de Fortaleza que temos hoje. “O Ceará é um estado que teve na sua colonização uma configuração com- pletamente diferente do resto do

nordeste. Não foi uma colonização da praia pro sertão. Ele foi colonizado do sertão para a praia. Por quê? Porque aqui era passagem”. Até o início do século XIX, o interior do Ceará era muito mais importante que o litoral. Fortaleza foi fundada pelo holandês Matias Beck em 1649, elevada à vila em 13 de abril de 1726, “e não tinha qualquer expressão sob todos os pontos de vista, isto porque

a economia se assentava na pecuária,

cultivada nos sertões, longe do litoral” explica Geová.

Ele esclarece ainda que a criação de gado bovino determinou o crescimen- to econômico da Capitania do Ceará. “Estava-se no tempo do Ciclo do Cou- ro ou Civilização do Couro, como de- nominava o historiador Capistrano de Abreu. ‘De couro era a porta das caba-

nas; o rude leito aplicado ao chão duro,

e mais tarde a cama para os partos; de

couro todas as cordas, a borracha para carregar água, o mocó ou alforge para levar a comida, a maca para guardar roupa, a mochila para milhar cavalo, a peia para prendê-lo em viagem, as bai-

nhas de faca, as broacas e os surrões, a roupa de entrar no mato, os banguês para cortumes ou para apurar sal; para os açudes, o material de aterro era le- vado em couros puxados por juntas de bois que calcavam a terra com seu peso; em couro pisava-se tabaco para o nariz’. Também de couro era a mobília

– cadeiras de encosto, tamboretes”. Para o historiador, escritor e políti-

co brasileiro Raimundo Girão, “tamanho foi

o êxito da pecuária que pelo resto do século

constituiu o principal e quase exclusivo co- mércio da Capitania – a exportação da cha- mada carne do Ceará”. Depois do Ciclo do Couro, houve o perí-

odo do extrativismo. Tinha o algodão que era plantado aqui, que, com a Guerra da Se- cessão, passou a ser exportado para os EUA,

o que gerou divisas para o estado. Além do

algodão, o Ceará passa a extrair e exportar

a carnaúba, a oiticica, o caju, todas plantas nativas cultivadas no sertão. “Tanto é que

a primeira capital do estado e as cidades

mais importantes estão no interior” afirma Fernando. Geová mostra Aracati como um exemplo dessas cidades: “considere-se que

a cidade de Aracati, embora próxima do li-

toral, não pode ser considerada cidade lito- rânea. Pois bem, Aracati foi a cidade mais importante do Ceará durante muitos anos, do ponto de vista econômico, seguindo-se Icó e Sobral”. Essa relação sertão – litoral influiu na formação da identidade do povo cearense, pois, já que o estado servia de passagem para o interior do país, a maneira encontra- da para gerar dinheiro e aumentar a econo- mia do Ceará foi o comércio. E Fernando se inclui nessa afirmação: “é essa a nossa natu- reza, a gente vive de troca. Compra vende, e vende ganhando alguma coisa. Para um es- tado pobre como o nosso, sobrou o comér- cio para sobreviver”. E a gastronomia, como é que ela nasce? Rachel de Queiroz tem um livro chamado “O não me deixes”, que traduz a experiência dela na fazenda Não me deixes em Quixa-

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dá e as receitas que eram vividas e prati- cadas por lá. “Aí você vai

dá e as receitas que eram vividas e prati- cadas por lá. “Aí você vai encontrar uma influência tipicamente portuguesa – no molho, na forma de preparo” percebe o gastrônomo Fernando Barroso. Para ele,

a gastronomia surge quando sobra di-

nheiro, “para você poder praticar a gas-

tronomia e ela crescer. Essas fazendas criaram uma gastronomia chamada típi- ca cearense, que é a carne de sol, o baião de dois”. Com as gerações de 80 e 90 o Ceará muda a sua configuração. Nesse período chegou o “Governo das Mudanças”, com a política de tirar do campo e industria- lizar o estado, período também marcado pelas fortes secas. Resultado: fuga para

o litoral, e “Fortaleza vira esse inchaço,

aonde as pessoas vão à procura de em- prego” conclui Fernando Barroso. Nesse aspecto sociológico da coloniza- ção do litoral, o turismo teve um papel de destaque. Uma pesquisa da Secretaria de Turismo (SETUR) revelou que hoje essa atividade movimenta 12% do PIB de For- taleza. E qual é o perfil do turista? Para des- cobrir isso, o Programa Caminhos do

Sabor – Desenvolvimento de Destinos Turísticos através da Gastronomia, par- ceria entre Ministério do Turismo, Asso-

ciação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e o Serviço de Apoio às Micro

e Pequenas Empresas (Sebrae) – realizou uma pesquisa.

A pesquisa mostra que a maioria dos

turistas que vão para Fortaleza é originá- ria do Brasil, principalmente dos estados de Pernambuco e São Paulo, mas viajan- tes de outros seis países também procu-

ram pela cidade – Itália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Noruega e Argenti- na. O tempo de permanência na cidade geralmente é de sete dias, e o lazer é o

principal motivo da viagem. Eles vêm so- zinhos ou acompanhados de poucas pes- soas – dentre os turistas entrevistados, 77,8% estavam com, no máximo, duas pessoas.

A praia ganhou, disparada, a porcen-

tagem dos principais atrativos da cidade:

74%. Conhecer a gastronomia local ficou em segundo lugar, com 18,1% de esco- lhas, seguido de conhecer o turismo local

e negócios. Fernanda e Diego concordam com a

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Foto: www.fortalezanocentro.com.br/wp-content/uploads/2010/01/varal03.jpg

pesquisa, pois diversão é a primeira coisa que lhes vêm à cabeça quando

a viagem é para Fortaleza. “O meu

programa favorito é andar de buggy que vai à beira da praia, ir para as praias mais afastadas, Forró no Sí- tio e Pirata”, sendo os dois últimos

uma casa de forró bem característi- ca da cidade e um bar que prome- te a segunda-feira mais maluca do Brasil. No que se refere à gastronomia

cearense, “nada melhor que um pei- xinho na praia. Eu sei que o forte de lá é o camarão, mas eu ainda prefi- ro o peixe, ainda mais no nordeste, que tem bastante peixe fresco, dife- rente de São Paulo. Peixinho, seja frito, com molho e com uma pimen-

tinha

Fernanda lembra com saudades dos camarões: “na praia, ao alho e óleo, com uma cervejinha bem gela-

da. E aquele arroz com feijão verde, bastante coentro e queijo coalho? Baião de dois! Só tem lá, e é uma delícia”. O gastrônomo Fernando Barro- so define esse momento: “quando você sai de férias com seus amigos,

o momento mágico do lazer sempre

é em torno da mesa”. Para Helvio

Luiz Lopes de Brito, coordenador da pesquisa do Programa Caminhos

humm”,

se delicia Diego.

do Sabor, “a gastronomia local faz parte da cultura. E a cultura é um atrativo turístico”. Segundo ele, a primeira opção do turista é pelos “frutos do mar, camarão, carangue- jo, lagosta. Esses aí realmente são pratos típicos, locais, que represen- tam o Ceará. O baião de dois, a ta- pioca, são pratos diferenciados que têm tudo a ver com a gastronomia e também chamam a atenção do tu- rista”. Uma constatação de Helvio Luiz:

“ao se falar de frutos do mar e pegar

o litoral do nordeste percebe-se que

é bem parecido. O peixe, o caran- guejo, a lagosta, o camarão. Mas, cada localidade tenta dar um toque

especial a esse tipo de alimento. Já

o baião de dois tem foco maior aqui

no Ceará. Como na Paraíba é o arru- madinho”. Camarão do litoral ou o baião do interior? O que percebemos é que a gastronomia cearense passou por transformações, desde aquela do livro de Rachel de Queiroz até a li- torânea cheia de mariscos, ou seja, nem morreu a do sertão, e nem a da praia se consolidou totalmente. Mas uma coisa é certa: para quem tem a pretensão de ser um pólo tu- rístico, a gastronomia é fundamen- tal.

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E junto com as velas do Mucuripe, trazer as gostosuras dos mares cearenses – Confira o Passo a Passo

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Ou os camarões! Já que eles foram bastante lembrados como produto da cultura gastronômica de Fortaleza, e podem ser encontrados facilmente nos

supermercados pelo Brasil a fora, a SA- BOR preparou uma receita dele ao alho

e óleo que vale a pena fazer em casa.

Dica: dá uma olhada no estado da sua

frigideira. Caso ela já esteja muito ar- ranhada, os camarões irão grudar no fundo e você pode correr o risco de queimá-los. Para os ingredientes, 1 kg de camarão (prefira os grandes, porque ele tende

a diminuir o tamanho com o calor do

fogo), 6 dentes de alho triturados, azei- te e sal a gosto serão necessários. Retire

o crustáceo da embalagem e lave bem!!

Vale deixá-lo de molho com água e li- mão por 15 mim. Salgue. Lembre de ti- rar todas as patinhas do camarão, pois elas deixam um gosto amargo quando esquecidas. Coloque um filete de azeite na frigidei- ra e deixe-o esquentar. Com o azeite quente, coloque um pouco do alho para dourar, o que vai acontecer ligeirinho. Em seguida, jogue um pouco do cama- rão – essa parte é rápida, você vai per- ceber que o camarão cru transparente em poucos minutos, ou segundos, de- pendendo do seu fogo, já começa a fi- car no seu tom rosado/alaranjado de frito. Com a ajuda de um pegador de

macarrão, vire-o para cozinhar o outro lado. E pronto! Em menos de 3 minu- tos ele fritou. Coloque-o numa travessa e já leve mais outro bocado de camarão para a frigideira – confira se ainda tem alho e azeite suficientes, se não tiver, dê uma acrescentada antes de colocar os camarões. O processo todo de fri- tura não passa de 10 minutos, e nesse pouco tempo você tem um pouquinho da praia na sua casa. Para acompanhá-lo, arroz branco ou um espaguete ao alho e óleo. Para esta edição optamos pelo espaguete. Se você quiser aprimorar o camarão, um molho branco ou vermelho o acompanha bri- lhantemente. Mas aí ele não é frito, e nem usa a frigideira. Em uma panela média você faz o molho e, depois dele pronto, joga os camarões (crus e trans- parentes). De 3 a 5 minutos ele vai fi- car rosadinho e já pode desligar o fogo. Como fazer o molho? O vermelho pode ser o mesmo da seção Ate 20 minutos, logo mais à frente. Para o branco, você precisa de 2 colheres de manteiga, alho e cebola picados, 2 xícaras de leite, 2 colheres de farinha de trigo, um table- te de caldo de vegetais e 3 colheres de sopa de creme de leite. Em uma panela, frite o alho e a cebola na manteiga der- retida, e acrescente a farinha de trigo. Misture até formar uma pasta homo- gênea. Jogue o leite já fervido e mexa

constantemente. Cuidado para não em- pelotar. Nesse momento, vale a pena usar a criatividade e colocar uns temperinhos (sejam secos ou frescos, o que tiver na ge- ladeira) como o coentro, tão tradicional na gastronomia cearense – ou a salsa e a cebolinha. Para os mais exóticos, o ale- crim deixa um Sabor todo especial. De- pois de mexido, temperado e misturado, jogue o creme de leite. Mexa um pouco, baixe o fogo e despeje o camarão. Espera um pouquinho pro camarão ficar cor-de- rosa e prontinho. Quer inventar mais? Antes do creme de leite, coloque uma co- lher de requeijão. E “rumbora cumê, que esse camaraozim ta só o mí!”

coloque uma co- lher de requeijão. E “rumbora cumê, que esse camaraozim ta só o mí!”
coloque uma co- lher de requeijão. E “rumbora cumê, que esse camaraozim ta só o mí!”

Foto: Gabriela Jacques

coloque uma co- lher de requeijão. E “rumbora cumê, que esse camaraozim ta só o mí!”
coloque uma co- lher de requeijão. E “rumbora cumê, que esse camaraozim ta só o mí!”
coloque uma co- lher de requeijão. E “rumbora cumê, que esse camaraozim ta só o mí!”

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Quer encontrar Adoniram?

Vá ao Mercado Municipal Paulistano

“O Arnesto nos convidou para um samba, ele mora no Brás, nóis fumo e não encontremos ninguém”. O personagem da música “Samba do Arnesto” deveria aproveitar a oportunidade de estar no

Brás e fazer o que o autor, Adoniram Barbosa, tanto fazia. Deveria

ter ido desfrutar o sábado no Mercado Municipal Paulistano.

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Juliana Pereira

O Mercado da Cantareira, como também já foi chamado, está à altura de São Paulo. A cida-

de conta hoje com 12,5 mil restauran- tes, 15 mil bares, 500 churrascarias, 3,2 mil padarias, 6 mil pizzarias. Contudo,

o Mercadão responde às expectativas

da metrópole. O local tem 12.600 me-

tros quadrados de espaço, o que o torna

o maior mercado público de varejo do

mundo. Meio milhão de paulistanos, paulis- tas, brasileiros e estrangeiros visitam o

local por mês e são atendidos por 1600 funcionários. O público entra por 23 portões, faz compras em 291 boxes e consome 350 toneladas de alimentos por dia. “O mercado abre às 20 horas e

fecha às cinco da manhã para o atacado

de frutas, quando recebe frutas de todo o

Brasil. Às seis da manhã, os comerciantes começam a preparar as suas bancas para receber os clientes, e entre 18 e 20 horas o pessoal da limpeza faz seu serviço. O

mercado não para, está vivo 24 horas por dia”, nos conta Manoel Dias Filho, o “Ma- néfruit”, presidente da Renome, Associa- ção da Renovação do Mercado Municipal Paulistano.

Quem faz o Mercadão acontecer As peculiaridades do mercadão vão além de sua história e arquitetura. O lo- cal traz, dentre milhares de outras coisas, uma variedade de frutas, verduras e ve- getais em suas quitandas, carnes e peixes

em seus açougues e peixarias, queijos e vinhos em seus diversos empórios, pas- teis de bacalhau e sanduíches de morta- dela nos restaurantes e lanchonetes. Falar em sanduíche de mortadela é citar o Bar do Mané. Willian Loureiro, neto do Mané, é quem conta a história do lanche mais famoso do mercado. “O sanduíche de mortadela começou a ficar famoso por causa de um cliente daqui. Antigamente o sanduíche de mortadela era tabelado em quantidade de recheio

e preço. Esse cliente sempre reclamava

que era pouco recheio e o ‘chapeiro’, para provocá-lo, encheu o lanche de mortade- la. Os outros clientes viram, gostaram e pediram iguais. Assim, o lanche ficou fa- moso”. A história do “Bar do Mané” tem início juntamente com a história do Mercadão.

O local foi inaugurado por Geremias Car-

doso Loureiro, que colocou o apelido do filho como nome de seu estabelecimen- to. Manoel Cardoso Loureiro, o Mané frequentava o mercado desde a inaugura- ção, quando tinha nove anos, e trabalhou na banca da família por 70 anos. Willian garante que o sanduíche tem 250 gramas de mortadela, o que faz o bar consumir 3,5 mil quilos do produto por mês. O sanduíche se tornou tão popular no mercado que é um produto comum na maioria dos restaurantes do local. Porém, o gerente do “Mortadela Brasil”, Artur Junior, diz que a junção da tradi-

Fotos: Livro “Mercado Municipal Paulistano, 75 anos – de aromas, cores e sabores”

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ção com a novidade é que garantiu o sucesso do restaurante inaugurado há seis anos. O “Mortadela Brasil” ofe- rece o sanduíche de mortadela, mas também o de pernil com tempero da casa. Outras variações são o sanduíche de bacalhau, quebrando o costume de usar o peixe como recheio de pastel, e

o acréscimo de outros ingredientes no

sanduíche de mortadela. Como exemplo de sanduíche va- riado, Artur nos apresenta a receita de um lanche que foi premiado no festival gastronômico “Brasil Sabor”, em 2006. “Vamos abusar um pouco do paladar dos nossos clientes”, diz o gerente ao apresentar a receita que é mortadela tipo italiana e bacon fritos na chapa, queijo cheddar, alface ame- ricana na baguete com parmesão. Tão procurado quanto o sanduíche de mortadela, é o pastel de bacalhau. Apesar de a iguaria ser encontrada

em grande parte dos restaurantes do Mercadão, o pioneiro em oferecê-lo é

o “Hooca Bar”. O português, seu Orá-

cio, foi quem abriu o bar no Mercadão,

em 1952, e atualmente são três esta- belecimentos no mercado, gerencia- dos por seus filhos. A receita do pastel é da mulher de seu Orácio, também portuguesa, dona Maria. O gerente do local, Ja- ciel Pereira, conta que chega a vender 3000 pastéis aos sábados, e garante

que o lanche tem 250 gramas de ba- calhau. “É uma refeição”, diz ele. O “Hooca Bar” ainda oferece o bolinho de bacalhau, o pastel de camarão e variações do sanduíche de mortadela. “Nós acrescentamos queijo mussarela derretido na chapa, orégano e tomate seco ao sanduíche de mortadela. Fez o maior sucesso”, conta Jaciel. O gerente diz que o bom atendi- mento é fundamental para garantir

a presença constante dos clientes no bar, em meio a tantos restaurantes

que existem no Mercadão hoje. Um de seus clientes mais antigos é um se- nhor que gosta do pernil do “Hooca Bar”. “Ele vem aqui todos os domin- gos, às dez da manhã, que é a hora que

o pernil está saindo do forno, e leva a

carne pura, sem ser dentro do pão”. Contudo, não é só de mortadela e bacalhau que vive o mercado. O espa- ço é um ótimo lugar para compras de produtos difíceis de serem encontra- dos e na quantidade que se quiser. A negociação do preço também é uma característica do local. “Negociar dire- tamente com o comprador é bom, pois damos descontos, principalmente para os produtos pagos em dinheiro, e ganhamos o cliente. Em supermerca- dos não tem essa vantagem de nego- ciar preço”, diz Ricardo Alex, dono do empório Da Rui. Nos 78 anos de Mercadão, o local

dono do empório Da Rui. Nos 78 anos de Mercadão, o local é frequentado diariamente por

é frequentado diariamente por todas as clas-

ses, celebridades, e neste ano de eleições por

muitos políticos paulistas. Nos corredores en- contramos desde grupos fazendo vaquinha para dividir um sanduíche de mortadela, até compradores como Belmirar Chavier, que nos conta que gastou cerca de 700 reais em um dia comprando queijos no empório do seu Levi.

Porém, o público do mercado mudou ao lon- go da história da cidade. “Antigamente, havia mais clientes nas bancas especializadas, hoje a maioria está aqui a passeio. Costumo dizer que

a cada década modifica-se o comportamento

tanto da população quanto do atendimento”. Conta Weslei de Campos, responsável pelo se- tor de informações. Na verdade, o público do Mercadão é bas- tante variado durante as 24 horas que fica

aberto por dia. O lugar se enche de turistas aos finais de semana, inte- ressados nos lanches mais famosos do mercado, o pastel de bacalhau e

o sanduíche de mortadela. Jucilei

Pereira conta que 80% dos clientes

do “Hooca Bar”, aos sábados e do- mingos, não são paulistanos. Mais

ainda, o gerente garante que é cons- tante a presença de estrangeiros. Willian Loureiro diz que o movi- mento no “Bar do Mané” aumenta bastante no fim de semana e o bar chega a vender 3000 pães aos sába- dos. Os turistas que não querem só almoçar compram principalmente queijos, bacalhau e azeites, afirma

o responsável pelo setor de infor-

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mações, Weslei de Campos. O Mercado Municipal é tam- bém bastante frequentado du- rante a semana, porém por outro segmento de público. Comercian- tes e trabalhadores, empregados na região do mercado, vão ao local para almoçar. Além desses, donos de restaurantes e bufês fa- zem compras para seus estabele- cimentos, principalmente duran- te a noite e madrugada, períodos nos quais são comercializados produtos no atacado. Contudo, os comerciantes que estão há tanto tempo no Merca- dão conquistaram seus clientes

assíduos. “Todo domingo eu ve- nho ao mercado, e sempre acabo na banca do seu Levi”, conta Bel- mira Chavier, cliente do empório “Levi Comércio de Queijos”. O bom atendimento é bastante va- lorizado pelos donos das bancas e é um dos principais atrativos de compradores ao mercado. “Eu te- nho cliente que faz 46 anos que compra de mim”, conta seu Levi. João Carlos, do “Rei do Bacalhau”, diz: “gosto de servir o público. Tenho clientes muito antigos, às vezes saio de casa no domingo só para atender a um deles”. A variedade e a qualidade dos

produtos são característi- cas que também atraem o público. João Carlos acor- da a uma e meia da ma- drugada para adquirir, no Ceasa, os produtos que vai comercializar. “Só compro peixe com olhos bem cla- ros e limpos e muito com bom aspecto no geral”, garante o comerciante. Há produtos no mercado que são difíceis de serem encontrados no comércio

comum. Frutas raras e im- portadas, carnes e peixes frescos, sementes, fumo de corda, vinhos, quei- jos, cereais, pele de fazer linguiça, língua de baca- lhau, hambúrguer de jaca- ré, azeitona desidratada, entre outros milhares de itens raramente comercia- lizados fora do Mercadão.

O espaço é tão variado

e agradável que atrai uma variedade tanto de comer-

ciantes quanto de público. Programas tão diferentes como comprar temperos exóticos, passear com a família no fim se semana, ou almoçar correndo no meio do expediente po- dem ter como destino o mercado da Cantareira.

A fama do Mercadão

como destino o mercado da Cantareira. A fama do Mercadão se espalhou tanto que em Brasília,

se espalhou tanto que em Brasília, Sorocaba e Ribeirão Preto há mercados populares cujos prédios são réplicas do Mercado Municipal Paulistano. Porém, somente o mercado da Sé foi frequentado por um mito do samba paulistano como Adoniram Barbosa. Sua presença no local vai além de sua existência, pois o bar Salada Pau- lista, inaugurado em 2004, homenageia o sambista co- locando fotos suas em sua decoração. Adoniram era fre- qüentador assíduo do Mercadão. Diz a lenda que foi ali que ele compôs “o trem das 11”, e é usando as palavras do autor que a Sabor se despede dessa saborosa visita,

“Não posso ficar nem mais um minuto com você”.

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Alguém disse que comer não alimenta a alma? Aqui nos mostramos que alimenta sim. Selecio-

Alguém disse que comer não alimenta a alma? Aqui nos mostramos que alimenta sim. Selecio- namos três livros e três filmes que têm tudo a ver com a comida nossa de cada dia.

filmes que têm tudo a ver com a comida nossa de cada dia. para ler 90

para ler

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Cozinha Passo a Passo – Pratos Básicos

Keda Blak

Um livro apetitoso é o que podemos dizer sobre “Cozinha Passo a Passo” da Larousse, que tem como autora Keda Blak. O livro passa receitas das mais básicas às mais elaboradas, sendo estas totalmente clássicas. Total- mente ilustrado, as fotos feitas por Frédéric Lucano são de dar água na boca. Aliás, tudo é explicado por fotos. As ilustrações mostram passo a passo como se fazer e qual vai sendo a forma adquirida pelo prato, isso tudo, é claro, com a receita embaixo e as fotos numeradas. A facilidade está na diferenciação entre os taman- hos de colheres, quais os materiais que devem ser uti- lizados – sabe aquele instrumento que você não sabe o nome, e que fica se perguntando sobre o que será que estamos falando? Então, ele ta ali, na foto, claro e vistoso como se fosse palpável. Também é visível o que e como cada ingrediente vai para o fogo, o que deve ser utilizado fresco, ou pelo menos você consegue ter uma noção da textura que o prato deve ter. Mas o melhor de tudo é que o livro não se limita a um tipo de comida, Cozinha Passo a Passo tem recei- tas de todos os tipos, molhos, pratos, tortas, entra- das, sobremesas, agregando em suas páginas todas as nacionalidades. A coleção ainda contará com mais três títulos: Confeitaria, Chocolate e Cozinha Itali- ana. Preço sugerido: R$84

Foto: www.livrariacultura.com.br

Comida como cultura

Massimo Montanari

Fatos como fazer o trigo virar farinha, e

a farinha virar pão, ou fazer com que o fogo

passe de inimigo a aliado são dificuldades que não enfrentamos na atualidade. Porém, desde manipular o tempo e o espaço para conservar o alimento, até utilizar a escrita para a conservação da arte de cozinhar, são atitudes que colocaram o produzir, o servir

e o consumir o alimento no tempero da cul-

tura dos povos. “Comida como cultura” (II cibo come cul- tura), de Massimo Montanari, nos mostra que por trás da corriqueira cozinha do dia-a-dia estão anos de história e cultura complexas. Publicado no Brasil em 2008 pela editora SENAC São Paulo, o livro tem tradução de Letícia Martins de Andrade. Há alguns séculos comer deixou de ser uma atividade de sobrevivência para a raça humana – infelizmente não para o total da população mundial. Cozinhar é uma arte e comer é um prazer, até um pecado capital. Essas duas ações variam tanto nos cinco continentes que podemos defini-las como parte de cultura de cada povo. Porém, pro- duzir e degustar o alimento estão presentes em nosso cotidiano de forma tão básica que nos faz ignorar que tais ações fazem parte de nossas culturas. “Comida como cultura” é uma degusta- ção saborosa da história de como o homem passou de produtor a consumidor. Mais ai- nda, nos faz refletir que o alimento não é só energia, é também saúde e prazer. Preço sugerido: R$48

Foto: www.livrariacultura.com.br

não é só energia, é também saúde e prazer. Preço sugerido: R$48 Foto: www.livrariacultura.com.br para ler

para ler

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para ler Amiga Cozinha Sônia Hirsch A partir de causos íntimos e situações cotidianas entre

para ler

Amiga Cozinha

Sônia Hirsch

A partir de causos íntimos e situações cotidianas entre

a autora e o “universo” cozinha, a leitura das crônicas de

Sônia Hirsch desperta uma vontade gigante de ir para esse universo e aplicar todos esses causos relatados ao longo das páginas do livro “Amiga Cozinha”. Um livro de crônicas fáceis e rápidas de ler, com uma linguagem direta e coloquial, que apresenta o tema “coz-

inhar” de uma maneira prática e fácil de fazer, sem ban- car a técnica especialista ou mostrar tabelas de nutrien- tes ou informações científicas a respeito do alimento. Pelo contrário. Sônia deixa de lado essa parte técnica e nutricional da alimentação, e nos traz uma aventura sa- borosa de ler, que une o “fazer a comida” com o prazer e

a criatividade. Na maioria das crônicas você pode tirar

um prato para experimentar (fazer e depois saborear) que vai desde a canja até os chutneys, que dão graça ao

frango, peixe ou carne grelhados, ou suavizam o pala- dar, quando esses vêm bastante condimentados. Preço sugerido: R$33

esses vêm bastante condimentados. Preço sugerido: R$33 para assistir 92 Chocolate (Chocolat, 2000) Algumas comidas

para assistir

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Chocolate

(Chocolat, 2000)

Algumas comidas são verdadeiros clássicos: nunca saem de moda e fazem a preferência da maioria. Chocolat (2000), dirigido pelo sueco Lars Hall- ström, consegue contar uma história romântica e cheia de fantasias sobre o fascínio que a humani- dade tem por esse delicado milagre culinário in- ventado pelos maias. Os atributos afrodisíacos da iguaria não fogem à trama de amor dos persona- gens interpretados por Juliette Binoche e Johnny Depp – o filme consegue mostrar que uma história de amor pode ser doce sem ser açucarada.

Fotos: www.livrariacultura.com.br www.miramax.com/chocolat

Julie & Julia

(2010)

Julia Child (Meryl Streep) era apenas uma norte-americana morando na França Pós- Guerra. Julie Powell (Amy Adams) era uma telefonista da empresa de seguros que cuidava de famílias lesadas pelos ataques terroristas do 11 de setembro. Julia tornou-se a maior referência da culinária francesa nos EUA, com seu tradicional e enciclopédico livro Mastering the Art of French Cooking. E Julie conseguiu transformar seu blog sobre culinária em um dos mais populares da web, fazendo as recei- tas de Julia Child – explorando a nova lingua- gem afetiva e participativa desse (então) novo meio de comunicação. Essa é a história de Ju- lie & Julia (2010) (dirigido por Nora Ephron), que além de contar duas ótimas histórias, traz saborosas imagens das receitas.

ótimas histórias, traz saborosas imagens das receitas. para assistir Sem reservas (No Reservations, 2007) Uma

para assistir

Sem reservas

(No Reservations, 2007)

Uma respeitada e durona chefe de cozinha de Manhattan interpretada por Catherine Zeta- Jones enfrenta um novo dilema: após a morte de sua irmã, ela tem de ficar com sua sobrinha. Esse remanejamento de sua vida acarreta dividir seu trabalho com um novo chef, interpretado por Aaron Eckhart. No Reservations (2007), dirigido por Scott Hicks, é uma dessas comédias românti- cas sobre as quais podemos supor seu Happy End após assistirmos os cinco primeiros minutos do filme. Mas vale a pena para aprender um pouco sobre a rotina de um grande restaurante de alta culinária de Nova Iorque.

Fotos: www.sonypictures.com/homevideo/julieandjulia/ wwws.br.warnerbros.com/noreservations/mainsite

Fotos: www.sonypictures.com/homevideo/julieandjulia/ wwws.br.warnerbros.com/noreservations/mainsite para assistir 93

para assistir

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94 Caça Moderna, Fome de Cultura Felipe Teram Q uando os homens viviam na mata eles

Caça Moderna, Fome de Cultura

94 Caça Moderna, Fome de Cultura Felipe Teram Q uando os homens viviam na mata eles
94 Caça Moderna, Fome de Cultura Felipe Teram Q uando os homens viviam na mata eles

Felipe Teram

94 Caça Moderna, Fome de Cultura Felipe Teram Q uando os homens viviam na mata eles

Q uando os homens viviam na mata eles tinham de deixar suas cavernas

e enfrentar animais para matar a fome. Cada refeição custava uma aventura: abat- er o animal, cansar, bater, machucar-se. De lá pra cá o homem acumulou cultura

e o hábito de comer ficou muito mais fácil:

no supermercado os alimentos não avan- çam no cliente, por exemplo. No entanto, mesmo em nossa tardia modernidade, ainda é possível aventurar-se comendo. Isso porque as diferenças de culturas dos homens podem ser desafios interessantes

– e didáticos – para o moderno homem co-

mum. Por exemplo, em nosso tempo quase todos nós adoramos viajar. E com 23 anos decidi me mudar para Berlim – mesmo não sabendo mais que 20 palavras em alemão. E foi uma longa viagem de 12 horas. E

a primeira sensação que tive ao desembar-

car do avião foi

Portanto, não foram as largas ruas da cidade pós-guerra, ou então a grande pre- dominância de pessoas loiras de olhos claros que primeiro me fizeram sentir-me estrangeiro: foi num rústico supermer- cado no pacato bairro de Schöneberg que enfrentei as primeiras dificuldades de um imigrante recém-chegado em Berlim. Após alguns minutos no mercado, aprendi uma lição válida a qualquer um que queira viajar o mundo: de todas as pa- lavras que se pode traduzir, os nomes das comidas são os mais difíceis. É possível através de gestos entender que cartão de crédito se diz Credit Kard. E foi em poucos minutos que, prestando atenção na educa-

Fome, muita fome.

ção alemã, aprendi muito rápido que “com licença” se dizia Entschuldigung. Mas foi muito sofrido diferenciar uma embalagem congelada de Hähnchenschnitzel (bife de frango) da de um Schweinschnitzel (bife de porco). Eu quis também comprar arroz na opor- tunidade. E eu não achava aquele clássico e grande saco de arroz em que eles vêm em- balados aqui no Brasil. Dez minutos mais tarde percebi porque não achava: na Ale- manha o arroz vem em uma caixinha. Já em casa, abri a embalagem e vi que o arroz estava dentro de 4 punhados, guardados em saquinhos que apresentavam estran- hos furinhos. Bem, retirei o arroz do sa- quinho, o despejei na panela, procedendo com o bom e velho método de se fazer um arroz brasileiro. Ele ficou muito “papa”. Dava mais von- tade de fazer uma escultura do que de comê-lo. E não foi só dessa vez: durante um mês, por mais que eu me esforçasse, mudasse as medidas de água e a intensi- dade das temperaturas, não conseguia en- tender o porquê do meu arroz sempre ficar “papa”. A charada era simples: o arroz era pré-cozido. O correto seria preparar uma panela com água fervendo e despejar o ar- roz ainda embalado com o saquinho den- tro dela, depois era só esperar 15 minutos e já estava pronto. “Ah tá, eram pra isso os furinhos do saco!” Certamente, matar búfalos à lança e unha é muito mais difícil do que podemos supor – mas, em compensação, o búfalo não grunhe em alemão.

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