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Sobre perseguição à imprensa e liberdade de expressão para Militares

Os assuntos em referência sendo confirmados chamam a atenção, pois salvo engano desde que ocorreu
a redemocratização não se tem conhecimento de situações análogas; exceto talvez no passado, quando
alguns oficiais inativos se manifestaram em tesede forma crítica sobre o governo da então Presidente
Dilma Rousseff e passaram por alguns contratempos, conforme disponível em uma reportagem (3)
existente na internet. Infelizmente não tenho documentações específicas para tecer maiores
considerações sobre o caso, porém acredito que ao final, na época, a princípionão ocorreram punições.

Sobre o tema compreendo que os militares têm seus regulamentos e os mesmos devem ser respeitados,
entretanto em todos os aspectos da vida, é salutar sempre a busca pelo equilíbrio; e neste sentido se
acrescenta o ensinamento de GUSMÃO existente em uma obra de Direito Penal Militar, na qualconsta
que “a transformação do militar num elemento puramente automático e mecânico só pode ser
compreendida nas eras passadas, no regime de monarquias absolutas”(4).

Realmente o assunto “liberdade de expressão” no meio militar ainda é controvertido e com o advento
do PL 1645/2019 e das novas tecnologias das redes sociais, podem ter ocorrido posicionamentos um
pouco mais eufóricos, seja de civil ou militar, praça ou oficial; afinal a psique humana não usa farda,de
modo que acredito ser conveniente ao momento um espírito sereno, igualitário, justo,e que também
observe os atos praticados pela administração pública; tudo com a finalidade de se evitar eventuais
excessos, que possam causar prejuízos a particulares e a própria administração.

O tema é tão polêmico que um partido político ajuizou em 2017 no Supremo Tribunal Federal a
Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n° 475(5) contra o artigo 166 do
Código Penal Militar, por entender que tal dispositivo contraria a liberdade de expressão prevista na
carta magna, porém até a presente data ainda não se tem um resultado final.

Embora como sobredito, ainda não haja um resultado final e o assunto da ADPF seja um tipo penal,
existe o posicionamento da Procuradoria Geral da República (PGR) através da Procuradora
Raquel Elias Ferreira Dodge, que esclareceo motivo pelo qual a lei possibilita uma maior
liberdade ao militar inativo; um posicionamento relevante, que demonstra de uma forma geral, a
ausência de risco à disciplina e hierarquia quando nos referimos à liberdade de expressão de veteranos;
vejamos:

“O art. 1.º da Lei 7.524/1986, por sua vez, facultar ao militar inativo, “independentemente das
disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente
sobre assunto político e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à
matéria pertinente ao interesse público”. A menor restrição ao exercício da liberdade de
expressão e de manifestação do pensamento aos militares inativos reforça a possibilidade de
redução desses direitos para os militares ativos. É que o militar inativo está afastado do
convívio castrense diário e não mais possui ascendência funcional capaz de oferecer risco à
disciplina e hierarquia, com consequente caracterização de insubordinação. Além disso, a
divulgação de opinião do militar da reserva ou reformado não tem a mesma aptidão que a
de um militar da ativa para trazer descrédito à instituição militar”(6).

É possível que alguns levantem o fato de uma colisão entre normas constitucionais, porém a questão
possui solução usando os ensinamentos da Profª. de Direito Constitucional MASSON(7) , que indica o
postulado da proporcionalidade e da técnica de ponderação.
1) Também é importante fazer constar que os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade estão
também claramente indicados no Art. 2°, caput, da Lei n° 9.784/99; e na verdade devem ser aplicados em
todos os ramos do Direito, pois se tratam de pilares dos Princípios do Direito Justo, que são a logicidade,
a proporcionalidade e a razoabilidade. Neste sentido o magistrado CUNHA JÚNIOR escreve que “a
razoabilidade, ou a proporcionalidade ampla, é um importante princípio constitucional que limita a atuação
e discricionariedade dos poderes públicos, vedando que seus órgãos ajam com excesso ou valendo-se de
atos inúteis, desarrazoados e desproporcionais”(8).

2) Enquanto que para o militar em atividade existe a necessidade de cada caso ser avaliado pelos
princípios acima, aos veteranos a questão é mais simples, pois estes além de também poderem fazer uso
dos dispositivos acima, possuem a seu favor um princípio talvez até mais importante, que é o da
legalidade, previsto no Art. 5°, Inc. II e Art. 37, caput, (adm. Pública), ambos da CF, pois já existe
dispositivo legal que os ampara, inclusive indicando limites no próprio texto que justamente adverte para
eventuais excessos, como se observa a seguir:

“Art 1º Respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo,


independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas,
opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou
relativo à matéria pertinente ao interesse público.
Parágrafo único. A faculdade assegurada neste artigo não se aplica aos assuntos de natureza militar
de caráter sigiloso e independe de filiação político-partidária. ( Lei n° 7.524/86 –in verbis).

3) Sobre o princípio da legalidade cito ainda a doutrina de José Aras que realiza ótima definição:
“O princípio da legalidade impõe o cumprimento da lei pelo administrador. Enquanto os particulares
estão submetidos a uma legalidade ampla, em quetudo é permitido, exceto o que a lei proíbe, a
Administração Pública está atrelada à legalidade estrita (ou restrita), na medida em que o gestor
somente pode fazer aquilo que a lei determina, ou deve fazer o que a lei determina.”(9)

4) A preocupação é saber se as pessoas entendem que um excesso não significa necessariamente algo
que outro não goste; ou seja, não é porque alguém realiza uma publicaçãoque não seja aprazível a outrem,
que obrigatoriamenteessa pessoa praticou um ato que mereça uma punição. Particularmente entendo que o
excesso de um veterano precisa ser algo extremamente grave, algo praticamente tipificado como uma
calúnia, injúria ou difamação; visto que os regulamentos disciplinares, no tocante a manifestação de
pensamento não os deveria atingir.

5) Sobre os delitos de calúnia, injúria e difamação, cabe lembrar que para o Doutor em Direito Penal
MOREIRA FILHO, “édo STF o entendimento de que a pessoa jurídica pode ser vítima de difamação, não,
porém, de injúria ou calunia”(10).

Nos tipos penais citados ainda há a necessidade de se avaliar o dolo do agente, e se realizar inúmeras
ponderaçõesque podem repercutir em tais delitos; assim sendo, a conduta tem que ser muito bem
valorada diante o princípio constitucional da livre manifestação de pensamento, considerando ainda que
o Direito Penal, por uma visão moderna, deveria ser o último campo do Direito a ser utilizado.
No caso dos inativos que possuem profissões com prerrogativas, tais como advogados, jornalistas,
médicos, etc; o exercício da atividade profissional deve ser respeitado para que não fique caracterizado
excesso por parte do gestor público, neste sentido o autor do livro de Direito Administrativo Militar;
ABREU comenta:

“Há de se ressaltar que o militar da reserva, no regular exercício de profissão civil que lhe
garanta, por lei, a inviolabilidade de seus atos e manifestações, não poderá ser punido
disciplinarmentepela prática destes, ainda que definidos em regulamentos militares como
contravenções ou transgressões disciplinares. É o caso, p. ex. do militar inativo no exercício da
advocacia.” (11).

Devido ao meu aprendizado de vida e das experiências obtidas na Justiça Militar, entendosalvo engano,
que ao menos para o militar inativo, é preciso haver um limite salutar para a aplicação da hierarquia e a
disciplina (neste caso a própria lei), caso contrário, passará a existir um temor que ao veterano (oficial
e/ou praça) seja imposto de forma forçada princípios castrenses talvez até o túmulo, ou seja, uma em
tesefalta proporcionalidade e razoabilidadejurídica que não merece prosperar. Se hoje veteranos
recebem dos cofres públicos, assim o fazem porque contribuíram para um sistema de proteção social
durante longos anos (a maioria) e assim têm esse direito. Respeitosamente acredito s.m.j que ser
veterano deve ser uma honra, e não uma imposição ao silêncio e a submissão eterna.

É extremamente importante que a sociedade saibaindependente do momento político atual que


conforme ensina o filósofo CORTELLA, “princípios como transparência, isonomia e liberdade de
expressão apoiam uma salvaguarda contra qualquer tirania”(12); e que quanto ao poder, citando ainda o
mesmo filósofo, é ensinado que “A finalidade do poder é servir – servir à comunidade, à família, à
empresa, a um grupo religioso etc. E todo poder que, em vez de servir, se serve, é um poder que não
serve. A finalidade do poder não é servir a si mesmo”(13).

Sobre o papel da advocacia acredito conforme NEVES que o “advogado é simultaneamente um


garantidor e uma garantia”(14); e que conforme pesquisa recente a Ordem dos Advogados do Brasil é
a instituição mais confiável da sociedade civil no Brasil com índice de confiança de 66% dos
brasileiros, o que para o Presidente da OAB, o Dr. Felipe Santa Cruz, “[...] aumenta a responsabilidade
e a coragem de lutar em defesa da sociedade brasileira [...]”(15) .

Caso seja possível uma breve orientação, indico que em todos os casos, inclusive em eventuais
publicações, com a finalidade de se evitar dissabores, as pessoasprocurem manter um ânimo calmo,
respeitoso e cumpridor da legislação em vigor; e digo isto, pois penso que como advogado além de
dizer a alguém o que lhe é permitido, devo também dizer o que lhe é melhor.

Finalizo transmitindo a vossa senhoria os devidos cumprimentos, bem como os votos de umfeliz natal e
um próspero ano novo.
Sempre grato, respeitosamente.

“Quando [...] vieram buscar os comunistas, eu fiquei em


silêncio; eu não era comunista. Quando eles prenderam os
sociais-democratas, eu fiquei em silêncio; eu não era um
social-democrata. Quando eles vieram buscar os sindicalistas,
eu não disse nada; eu não era um sindicalista. Quando eles
buscaram os judeus, eu fiquei em silêncio; eu não era um
judeu. Quando eles me vieram buscar, já não havia ninguém
que pudesse protestar” (Pr. Martin Niemöller).

Cachoeiras de Macacu (RJ), 21 de dezembro de 2019.

Alessandro M. L. José. (*)


Pres. Comissão Direito Militar - 49ª Subseção – OAB/RJ
Advogado – OAB/RJ 215918

(*): O autor é Pós-Graduado em Direito Penal/ Processo


Penal; Constitucional; Administrativo e Pós-Graduando em
Ciências Penais.

Obs: Esclarece-se ainda que o presente artigo jurídico tem um caráter informativo/ técnico, objetivando uma
análise jurídicadentro do panorama atual da sociedade brasileira de um assunto ostensivo; tendo sido redigido
pelo que subscreve, na condição de Advogado e Presidente da Comissão de Direito Militar da 49ª Subseção –
OAB/RJ, utilizando as prerrogativas do Art. 133 da CF e do Art. 7°, §2°, do Estatuto da Advocacia (Lei n°
8.906/94) - (imunidade profissional); não tendo havido pretensão de críticas a quaisquer pessoas físicas/
jurídicas/ instituições públicas; nem tão pouco a nobre missão das Forças Armadas, a estrutura de trabalho, ou
a hierarquia e disciplina das mesmas.

Cópias:
a)Ilm°. Sr. Presidente da 49ª Subseção-OAB/RJ ( Dr. Marcelo Araújo); e
b) Ilm°ˢ. Srs. Presidentes das Comissões de Prerrogativas da OAB/RJ, e 49ª Subseção-OAB/RJ = Para
conhecimento e, se necessário, defesa deste advogado, contra eventuais retaliações praticadas pelo
governo brasileiro e seus segmentos.

Referências:
- Revista Sociedade Militar. Caça as bruxas! Procedimentos administrativos indicam queDefesa vasculha redes em busca de
militares que discordam do posicionamento oficial das Forças Armadas. Disponível em
<https://www.sociedademilitar.com.br/wp/2019/12/caca-as-bruxas-procedimentos-administrativos-indicam-que-defesa-
vasculha-redes-em-busca-de-militares-que-discordam-do-posicionamento-oficial-das-forcas-armadas.html>. Acesso em: 11
Dez. 2019.
- Revista Sociedade Militar. Generais deputados descumprem Estatuto dos Militares e comandos aparentemente fazem
varredura nas redes em busca de comentários de Militares da ativa e reserva. Disponível em
<https://www.sociedademilitar.com.br/wp/2019/12/generais-descumprem-estatuto-dos-militares-e-comandos-fazem-
varredura-nas-redes-em-busca-de-comentarios-de-militares-da-ativa-e-reserva.html>. Acesso em: 11 Dez. 2019.

Estadão. Militares reagem à punição de Dilma e clima piora. Disponível em


<https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,militares-reagem-a-punicao-de-dilma-e-clima-piora,843567>.Acesso em 18
Dez.2019.

- GUSMÃO. Crysólito de. Dir. Pen. Mil. Pag 72. Apud LOBÃO, Célio. Direito penal militar. 2. ed. atualizada. Brasília:
Brasília Jurídca, 2004. 218p.

- Supremo Tribunal Federal. Arguição de descumprimento de preceito fundamental (Med. Liminar)- 475. Disponível em
<http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADPF&s1=475&processo=475>. Acesso em 11
Dez. 2019.

- Ministério Público Federal. Procuradoria Geral da República, N.º 24 /2019 – SFCONST/PGR. Sistema Único n.º 13730 /
2019. Arguição de descumprimento de Preceito Fundamental 475/DF. Disponível em:
<http://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15339480206&ext=.pdf>.Acesso em 15 Dez. 2019. Grifei.

- MASSON. Nathalia. Manual de direito constitucional. 4. ed. rev. ampl. atual. Salvador: JusPODIVM, 2016. 56p.

- CUNHA JÚNIOR, Dirleyda.Curso de direito constitucional. 10. Ed.rev. ampl.e atual. Salvador:JusPODIVM, 2016.
198p.Grifei

- ARAS, José. Direito Administrativo – Método de estudo OAB. 2. ed. rev. atual. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
Método, 2018, 12p.Grifei.

- MOREIRA FILHO, Guaracy. Código penal comentado. 5. ed. São Paulo: Rideel, 2015. 310p.

- ABREU, Jorge Luiz Nogueira de. Direito administrativo militar. 2. ed. rev. atual. ampl. Rio de Janeiro: Forense; São
Paulo: Método, 2015. 345p. Grifei.

- CORTELLA, Mario Sergio. O melhor do Cortella – trilhas do pensar. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018. 90p. Grifei.

–Ibidem, 107p.

-NEVES, José Roberto de Castro. Como os advogados salvaram o mundo. 1. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.
238p.

-OAB se destaca como a instituição mais confiável da sociedade civil. Disponível em


<https://www.oab.org.br/noticia/57842/oab-se-destaca-como-a-instituicao-mais-confiavel-da-sociedade-civil>. Acesso em
18 Dez.2019.

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