Anda di halaman 1dari 24

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Kaldeway, Jens
A forte mão de Deus / Jens Kaldeway ; tra-
dução Werner Kröcker. - - Curitiba. PR : Editora
Evangélica Esperança, 2005.

Título original: Die Starke Hand Gottes


ISBN 85-86249-82-3

1. Deus 2. Bíblia. N.T. Atos dos Apóstolos -


Crítica e interpretação 3. Liderança cristã
I. Título

05-2854 CDD-253

Índices para catálogo sistemático:

1. Liderança cristã : Ministério pastoral :


Cristianismo 253
A FORTE MÃO DE
DEUS
O Ministério Quíntuplo


• SOBRE O LIVRO


• Categoria: Liderança

• Publicação: maio 2005


• Tiragem: 3000

• Formato: 16x23


• Tipo e tamanho:
• Garamond 11/14


• Papel:
• Off set 75g/m2
• Cartão supremo 250g g/m2


• Impressão e acabamento:
• Impressão da Fé

• Impresso no Brasil/

EQUIPE DE REALIZAÇÃO • Printed in Brazil

Coordenação editorial •
Walter Feckinghaus



Revisão de texto •
João Guimarães •


Capa •
Marianne Bettina Richter •

Editoração eletrônica


Marianne Bettina Richter •



A FORTE MÃO DE
DEUS
O Ministério Quíntuplo

Jens Kaldeway
Tradução: Werner Kroker
Sumário

Prefácio
Prefácio............................................................................. 7
Introdução
Introdução......................................................................... 9
1. OOPolegar
1. Polegar– –Apóstolo
Apóstolo................................................. 11
2. OOdedo
2. dedoindicador
indicador––Profeta
Profeta......................................... 23
3. OOdedo
3. dedomédio
médio––Mestre
Mestre.............................................. 31
4. OOdedo
4. dedoanular
anular– –Pastor
Pastor............................................... 37
5. OOdedo
5. dedomínimo
mínimo––Evangelista
Evangelista.................................... 41
6. A
6. Acooperação
cooperaçãodos
dosministérios
ministérios.................................... 49
7. Sentido
7. Sentidoe eobjetivo
objetivododoministério
ministérioquíntuplo
quíntuplo................ 59
8. Perguntas
8. Perguntase erespostas – A lista de Efésios 4,11 está completa?
respostas................................................. 67
9. OOsignificado
9. significadodo
doministério
ministérioquíntuplo
quíntuploem emdiferentes
diferentescondições
9 e
contextos
condições e contextos................................................ 83
10. O
10. O que
que devemos
devemos fazer agora?
fazer agora?...................................... 93
Dicas de Literatura, Informações
Perspectiva........................................................................ 103
Dicas de Literatura, Informações...................................... 104
Prefácio

O que este livro pretende ?

Quando nos ocupamos neste livro com o assim chamado ministério quíntuplo,
usamos um conceito bem difundido, e que representa um ministério que Deus
confiou à sua Igreja.
Com este livro quero me empenhar nesse ministério, isto é, me empenhar em
cada um dos cinco ministérios. Quero também ver sua ação conjunta, sua coope-
ração. Eles devem ser resgatados do “seu abismo” e colocados sobre um pedestal,
para que possamos vê-los à nossa frente. Chamo a atenção para algo que caiu no
esquecimento em muitas igrejas em todo o mundo e que sempre traz pesados
prejuízos à dinâmica e glória da Igreja de Jesus. É minha convicção que esses mi-
nistérios continuam existindo, e onde não são vividos, Deus está providenciando
sua restauração. A rapidez com que isso será realizado depende de quanto esta-
mos convencidos da real necessidade de sua restauração.
As conclusões que se seguem têm ainda um segundo objetivo. Depois de mui-
tos anos de ministério pastoral, cheguei à compreensão que o tradicional cargo do
pastor/líder da igreja está sendo superenfatizado e às vezes sofre forte pressão de
expectativas. Tem um peso muito grande em relação aos outros ministérios. Mui-
tas vezes, tive a impressão de que um cristão consagrado que se sente chamado
ao envolvimento total no Reino de Deus tem duas oportunidades: ou ele se torna
pastor ou missionário. Inúmeros livros foram escritos sobre como ser um melhor
e mais bem-sucedido pastor. Alguns pastores, com a respectiva vocação, podem
aproveitar temas desses livros e melhorar sensivelmente o seu trabalho pastoral.
Outros, contudo, não o conseguem. A frustração cresce e aumenta também a
impressão de que “algo não está certo com eles ou com o sistema”.
A resposta de Deus para essa questão pode ser bem diferente do que poderí-
amos esperar. Com certeza, a resposta não é a revelação de um método pastoral
efetivo e “definitivo” de edificação da igreja. É, sim, a indicação de como cinco
(ou mais?) ministérios distintos, dos quais o pastor é só um quinto, devem atuar
juntos integralmente.
Enfim, espero que um bom número de leitores tenha experiências esclarece-
doras em relação a sua própria formação. “Agora ficou claro em que direção meu
ministério se desenvolverá!”
Será uma alegria para mim se este livro puder despertar ou fazer crescer sen-
timentos de saudade do ministério quíntuplo. Quando pedimos algo para Deus
que Ele já há tempo queria ter nos dado, podemos
esperar com grande confiança o cumprimento de
“Agora ficou claro nossa petição.
em que direção Um mal-entendido deve ser evitado já no início.
meu ministério se O ministério quíntuplo não é a resposta para a neces-
desenvolverá!” sidade da Igreja de Jesus!. Não se trata de uma receita
divina patenteada com a qual todas as doenças de
uma igreja contemporânea podem ser curadas. Não,
esse ministério é antes uma ferramenta efetiva na grande caixa de ferramentas de
Deus, que devemos descobrir e, espero, também aprender a usar.

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para
evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os
santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado,
até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho
de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de
Cristo (Ef 4.11-13).
Introdução

Quando Lucas apresentou a continuação do seu Evangelho, o livro de “Atos dos


Apóstolos” (Atos), entre os anos 60 e 70, com certeza não imaginava que tantas
pessoas em todo o mundo, muito tempo depois, leriam seu livro com interesse.
Hoje, passados quase dois mil anos, esse interesse não diminuiu. Toda vez que
o livro de Atos é lido, provoca conscientização e tristeza, mas também saudade
e pioneirismo. Conscientização e tristeza porque nos dias atuais tudo é muito
diferente, pois é muito difícil perceber a tremenda dinâmica da Igreja Primitiva,
exceto em algumas regiões no mundo. E é triste quando não se vive em uma
dessas abençoadas regiões. Saudade e pioneirismo porque desperta um profundo
anseio por essa maravilhosa dinâmica, e a pergunta não nos sai da cabeça: Como
podemos chegar lá? O livro de Atos é como um espinho em nossas costas, que
dói, mas nos estimula e nos empurra para a frente. E é bom que seja assim!
Quando o poder de Deus é descrito de maneira dramática no Antigo Testa-
mento, repetidas vezes aparece a simbologia da mão ou também dos dedos ou
do braço. O teu braço é poderoso; a tua mão é forte, exaltada é tua mão direita (Sl 89.13).
Também em Atos encontramos a poderosa mão de Deus em ação no meio da
igreja (veja Atos 4.30; 11.21). Por todo lugar, sentimos o poder e a ação dessa mão
invisível.
Mas o que é a mão? Ela é um complexo e harmonioso conjunto de cinco
membros, ligados ao corpo através da palma da mão e do braço. É uma verda-
deira maravilha. O polegar, o dedo indicador, o dedo médio, o dedo anular, o
dedo mínimo – trabalham em perfeita harmonia, e podem realizar as tarefas mais
difíceis, sejam sensíveis ou pesadas. Cada dedo é diferente e é usado de maneira
distinta. Ao mesmo tempo são parecidos, há uma afinidade muito grande en-
tre eles. Quase sempre trabalham com o mesmo objeto. A imobilização de um
dedo devido a um ferimento, um acidente ou uma in-
Essa mão realizou flamação, é imediatamente percebida. Os outros de-
sinais e prodígios. dos quase não conseguem compensar a perda. A con-
fiança na ação da mão fica comprometida, e torna-se
quase impossível aproveitar todo o seu potencial. E
ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para
pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo
de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho
de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo (Ef 4.11-13).
Essa é a forte mão de Deus com seus cinco dedos! Essa mão realizou sinais
e prodígios, distribuiu aos homens o Pão da Palavra, construiu moradas de Deus
em pessoas vivas, venceu os exércitos das trevas, virou cidades de cabeça para bai-
xo e transformou pessoas completamente. Foi essa mão que levou o cristianismo
ainda incipiente ao seu pleno potencial e o conduziu à maturidade.
Essa “mão” precisa ser redescoberta, compreendida e valorizada de novo.
Agora, Senhor, considera as ameaças deles e capacita os teus servos para anunciarem a tua
palavra corajosamente. Estende a tua mão para curar e realizar sinais e maravilhas por meio
do nome do teu santo servo Jesus (At 4.29,30). A “mão” de Deus pode aos poucos re-
cuperar sua plena função quando nos identificamos com o modo de agir de Deus.
Por sermos parte desse agir de Deus, a mão ainda trabalha desajeitada, precavida,
comete erros, para depois se fortalecer e ganhar destreza. Um dia, surpresos, nos
perguntamos: como é que pudemos ser tão cegos para isso?
É hora de repensar! Precisamos tanto do poder de Deus quanto também das
pessoas, por meio das quais esse poder pode se desenvolver total e plenamente.
Na exposição a seguir, quero explicar o ministério quíntuplo, mostrado em
Efésios 4.11, tendo como base a mão humana. Primeiro analisaremos os mem-
bros individualmente. Então, observaremos sua ação conjunta. Em um capítulo
adiante, apresento respostas às perguntas mais frequentes. E por fim, vamos re-
fletir sobre as consequências que advirão sobre a nossa atitude e as nossas ações
se quisermos ver a forte mão de Deus em plena ação.
O Polegar – Apóstolo
1
O ministério do apóstolo foi negligenciado por muito tempo. Antes, contudo,
de observarmos mais de perto as características desse ministério, temos de es-
clarecer a questão sobre se essa designação pode ser atribuída a pessoas que não
fizeram parte do círculo dos 12 apóstolos.

Apenas 12 apóstolos?

No começo do livro de Atos (1.15-26), 11 apóstolos se reúnem, para aumentar


o seu número novamente para 12. Pedro toma a iniciativa, age com prudência e
baseia sua proposta nas Escrituras. Todos concordam e em unidade elegem dois
em meio a muitos homens, que cumpriam os requisitos necessários. Sobre os dois
são lançadas sortes acompanhadas de uma oração sincera: Senhor, tu conheces o coração
de todos. Mostra-nos qual destes dois tens escolhido para assumir este ministério apostólico que
Judas abandonou, indo para o lugar que lhe era devido. ...e a sorte caiu sobre Matias; assim, ele foi
acrescentado aos onze apóstolos (At 1.24-26).
Interessante é que Paulo não participou de uma escolha definida como essa
para o ministério apostólico. É evidente que ele não pertencia ao grupo dos 12,
mas era um apóstolo por excelência: Ele era o décimo terceiro! Isso não é gran-
dioso? Ele pode dizer sobre si mesmo: ...trabalhei mais do que todos eles (1Co 15.10).
Ele foi, sem dúvida alguma, o “Apóstolo dos gentios”, mas ao grupo dos 12
especiais, a esse grupo único, ele não pertencia. É aqui, então, que surge a supo-
sição de que com Paulo enfim inicia-se uma nova geração de apóstolos. Esse pensamento
é confirmado por outras passagens.
No capítulo 13, Barnabé e Paulo são enviados sob orientação profética, para
a obra que eu (o Espírito Santo) os tenho chamado. Eles, portanto vão de cidade em
cidade, evangelizando e fundando igrejas.
Lemos em Atos 14.14: Ouvindo isso, os apóstolos Barnabé e Paulo... Eles são duas
vezes chamados de apóstolos por Lucas – há, portanto, com os 12 apóstolos
ainda outros.
Na carta à igreja romana, Paulo saúda Andrônico e Júnias ...meus parentes que
estiveram na prisão comigo. São notáveis entre os apóstolos, e estavam em Cristo antes de mim
(Rm 16.7). Evidentemente, trata-se aqui de dois apóstolos.
Aos coríntios, Paulo escreve: Ainda que eu não
Quando aparece um seja apóstolo para outros, certamente o sou para vocês! Pois
vocês são o selo do meu apostolado no Senhor (1Co 9.2).
apóstolo, as coisas Aqui parece que já naquele tempo o conceito era
começam a andar questionado. Paulo, porém, fundamenta seu apos-
e coisas novas se tolado pela existência de uma igreja de cristãos
que se converteram por intermédio dele. Para ele,
iniciam. o apostolado não é uma experiência única e que
não se repete, mas sim um ministério que mos-
tra resultados específicos. Pois tais homens são falsos
apóstolos, obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo (2Co 11.13). Paulo alerta so-
bre os falsos apóstolos. Não haveria necessidade desse alerta se existisse somente
um grupo claro e definido restrito aos 12 apóstolos.
O dinheiro falso é mais facilmente reconhecido quando conhecemos bem o
dinheiro verdadeiro. Por que deveríamos deixar as preciosas moedas de ouro no
tesouro só porque em algum lugar apareceram moedas de latão disfarçadas de
ouro? Ou por que não deveria o presidente do “Banco Central Celestial”, após
cunhar uma série especial de moedas apostólicas, cunhar uma nova encomenda
de uma nova série, cuja tiragem não teria limites?

O apóstolo é o primeiro

Nas passagens a seguir, os apóstolos são citados primeiro. Isso não é por acaso.

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para
evangelistas, e outros para pastores e mestres (Ef 4.11).

Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo


lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois os que realizam mila-
gres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que
têm dons de administração e os que falam diversas línguas (1Co 12.28;
grifo do autor).

...edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus


Cristo como pedra angular (Ef 2.20).

O apóstolo é o que planta. Quando aparece um apóstolo, as coisas começam a


andar, coisas novas começam. Tudo entra de novo no embalo.
Conhecemos muito bem o conceito “pessoa-chave”. Assim designamos a pes-
soa que é “decisiva” em um projeto, em uma região, em uma instituição. É a auto-
ridade máxima, não é facilmente substituível, por quem não se passa facilmente.
Sabemos: quando ganhamos uma pessoa assim, ganhamos também o campo ao
redor. No contexto da evangelização e missão, observamos em muitas culturas
que os líderes familiares, líder da tribo ou do clã, são pessoas-chave. Quando essas
pessoas são convencidas pelo Evangelho, os outros vêm naturalmente.
A Bíblia reservou uma posição-chave para Pedro:

Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus; o que


Onde há um
você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o apóstolo, os planos
que você desligar na terra terá sido desligado nos
céus (Mt 16.19).
de Deus são
implementados,
Vemos Pedro abrindo a porta aos judeus (veja tornam-se
Atos 2.14s.), a porta aos samaritanos (Atos 8.14s.) e realidade, ganham
aos gentios (At 10-11). Quando algo novo e decisivo
forma.
acontece (Atos 15), vemos Pedro desempenhando
papel-chave.
Nessa autoridade-chave encontra-se algo mais: a capacidade de deixar que
as coisas se tornem realidade. No envio apostólico reside um poder formador.
Autoridade significa governo, e governo significa poder executivo, ações, medi-
das. Onde há um apóstolo, os planos de Deus são implementados, tornam-se
realidade, ganham forma. Sem o polegar, é difícil para a mão pegar algo, e difi-
cilmente poderá formar ou modelar algo. O polegar é necessário para um golpe
forte e certeiro com martelo e cinzel, e também para formar o barro precisamos
do polegar.
Chamado e enviado de maneira especial

Profetas, pastores, mestres, evangelistas – esses nomes são programas. O pro-


feta profetiza, o pastor pastoreia, o mestre ensina, o evangelista evangeliza. O
apóstolo sai dessa linha, pois “apóstolo” não é descrição de função. O termo
apóstolo, do grego, “apóstolos” significa “enviado”. A característica essencial
do apóstolo é ser enviado. Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé,
Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca,
e Saulo. Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: “Separem-me
Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Assim, depois de jejuar e orar,
impuseram-lhes as mãos e os enviaram. Enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e
dali navegaram para Chipre (At 13.1-4).
Encontramos aqui um envio sobrenatural que nada deixa a desejar em sua cla-
reza. Mesmo em meio a dificuldades e lutas, Paulo e Barnabé não questionaram
se o chamado para esse ministério tinha, ou não, vindo de Deus. Também para os
outros líderes em Antioquia estava muito claro: esses dois homens são enviados
por Deus para esse ministério missionário.
Um pouco antes, Paulo havia recebido indicações sobre seu chamado. Já na
sua conversão, ouviu de Ananias: O Deus dos nossos antepassados o escolheu para co-
nhecer a sua vontade, ver o Justo e ouvir as palavras de sua boca. Você será testemunha dele a
todos os homens, daquilo que viu e ouviu (At 22.14s). Em suas cartas as igrejas, Paulo
fala sobre seu chamado como uma missão divina que invadiu e moldou toda a sua
vida (veja Rm 1.1,5; Gl 1.1; Ef 3.7; 1Co 9.16s). É muito impactante o texto de At
20.24: Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo,
se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou,
de testemunhar do evangelho da graça de Deus. Percebemos aqui a estrondosa força do
envio divino na vida de Paulo. Apóstolo é uma pessoa com um chamado e um
envio extraordinário em sua clareza, força e sobrenaturalidade, e que se destaca
claramente de outros ministérios no Reino de Deus.
Encontrei, em um congresso de líderes na Índia (em Ludhiana/Punjab),
um exemplo atual desse chamado apostólico, na pessoa de George Joseph,
um missionário nacional que trabalha entre os povos das montanhas em Uttar
Pradesh. Ele agradeceu-me pelas observações sobre o ministério quíntuplo
e contou-me sobre sua vida. Ele abandonou os estudos para o sacerdócio
católico pouco antes da conclusão, deixou para trás toda a religião e foi “viver
a vida”. Aproximadamente dois anos depois, em um momento de silêncio,
ouviu uma voz que lhe ofereceu “a verdadeira vida”. Ficou tão fascinado por
essa poderosa e amorosa voz que foi para casa, abriu a Bíblia, e impactado
pela passagem que leu entregou sua vida a Jesus. Iniciou imediatamente uma
atividade evangelística muito frutífera. Em uma manhã, levantou às quatro
horas para orar. Era março, novamente ouviu claramente uma voz que dizia:
“No dia 2 de dezembro, vá para Uttar Pradesh e trabalhe lá para mim”. Por
várias vezes nos meses seguintes, esse chamado, inclusive com a data, foi
profeticamente confirmado. O dia 2 de dezembro chegou. Ele e sua família
se mudaram para o sopé do Himalaia, iniciando a pregação do Evangelho nos
povoados, reunindo colaboradores ao seu redor. Contudo, ele era muito fraco
para subir aos povoados da montanha. Mesmo assim, confiava em seu cha-
mado e ajuda de Deus para ser fiel ao seu chamado. Mesmo em estado físico
deplorável, ele caminhou para um povoado montanha acima, enfraquecendo-
se cada vez mais. Perto de um colapso, não deixou de confiar firmemente
no Senhor e orava, estando o seu corpo totalmente esgotado. Então, Deus
interveio de maneira maravilhosa e o fortaleceu de tal forma que ele não só
alcançou aquele povoado, mas proporcionou-lhe condição totalmente dife-
rente para realizar seu ministério.

O apóstolo é um fundador

Fundar algo em termos bíblicos é mais do que simplesmente iniciar alguma coisa.
Implica também acompanhar o crescimento de uma igreja. O apóstolo preocupa-
se em ver o código genético correto nesse novo embrião de novos cristãos, para
que não haja deformações e falhas no desenvolvimento. Na carta aos Gálatas,
vemos a importância do Evangelho puro e libertador para Paulo:

Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele


que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que,
na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os
estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda
que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que
lhes pregamos, que seja amaldiçoado! (Gl 1.6-8).

Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Não foi diante dos seus olhos
que Jesus Cristo foi exposto como crucificado? Gostaria de saber apenas
uma coisa: foi pela prática da Lei que vocês receberam o Espírito, ou pela
fé naquilo que ouviram? Será que vocês são tão insensatos que, tendo co-
meçado pelo Espírito, querem agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio?
(Gl 3.1-3).

O apóstolo luta pelo fundamento correto e também para que os cristãos perma-
neçam sobre esse fundamento. A essa luta pertence a mensagem sobre o pecado
humano e sobre a graça de Deus. Além disso, ainda, está claro o ensino prático
sobre o Espírito Santo, sua natureza e seu modo de agir. Ele também se ocupa com
questões de organização e liderança.
O apóstolo não deixa atrás de si uma igreja desamparada. Ele trabalha como
um jardineiro que introduz uma nova planta em seu jardim, e o faz de tal modo que
essa planta tem todas as condições para crescer e florescer.

Resta a pergunta: um apóstolo sempre tem que ser


Fundar algo em um fundador de igrejas no seu sentido mais específi-
termos bíblicos co, ou seja, será que ele sempre edifica novas igrejas?
Será que isso pertence aos seus dons básicos?
é mais do que
Pedro e João participaram de forma competente
simplesmente na fundação da Igreja em Jerusalém. Então foram
iniciar alguma adiante para Samaria, onde Filipe pregava o Evange-
coisa. lho (veja Atos 8.14). Aqui eles concluem o trabalho
começado por Filipe.

Mesmo tendo participado ativamente na fundação da primeira igreja, vemos


João em suas cartas como alguém que reconduz igrejas constituídas às bases. Ele
fortalece os cristãos para os tempos de perseguição presentes e futuros. Ele trata
especialmente, e com muito cuidado, do amor por Deus e pelos irmãos de fé. Ele
é um apóstolo com um manifesto dom profético.
Comparado a isso, é muito interessante observar o relacionamento do apóstolo
Paulo com os cristãos de Roma. Ele não tinha levado o Evangelho a eles, nem
fundou igrejas ali. Mesmo assim sua responsabilidade apostólica alcançava Roma,
como vemos claramente na carta aos Romanos. É como se Paulo quisesse fortale-
cer os fundamentos dessa igreja já estabelecida.
Em Atos, percebemos espaços de tempo em que Paulo não fundava mais igre-
jas, mas se concentrava no crescimento espiritual e fortalecimento dos cristãos
(veja Atos 14.21-23; 15.35; 15.41-16.4; 18.22s). Observe a famosa igreja de An-
tioquia, o protótipo de uma igreja com um envio apostólico:

Alguns deles, todavia, cipriotas e cireneus, foram a Antioquia e começaram


a falar também aos gregos, contando-lhes as boas novas a respeito do
Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles, e muitos creram e se con-
verteram ao Senhor. Notícias desse fato chegaram aos ouvidos da igreja
em Jerusalém, e eles enviaram Barnabé a Antioquia. Este, ali chegando e
vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fiéis ao
Senhor, de todo o coração. Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo
e de fé; e muitas pessoas foram acrescentadas ao Senhor. Então Barnabé
foi a Tarso procurar Saulo e, quando o encontrou, levou-o para Antioquia.
Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e
ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez
chamados cristãos (At 11.20-26).

Paulo e Barnabé vieram após a fase de fundação da igreja para Antioquia.
Percebemos claramente, contudo, como o trabalho cresceu e se estabilizou com os
dois. O que podemos aprender com isso?

– Há diferentes manifestações de chamados apostólicos. A fundação de igre-


jas pode fazer parte do chamado, de forma mais ou menos intensa.
– Um apóstolo não funda igrejas de forma constante e ininterrupta, mas inves-
te tempo para fortalecer e realmente edificar as igrejas.
– Os apóstolos têm em comum que as igrejas mais cedo ou mais tarde estejam
firmadas, centradas em Jesus e ancoradas no amor mútuo.

Um apóstolo é alguém que se movimenta

O apóstolo não é alguém preso a um lugar. Ele cuida de mais igrejas, não só de
uma. O que caracteriza o apóstolo é o fato de estar constantemente a caminho.
Este era o caso em Jerusalém: Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam
de ensinar e proclamar que Jesus é o Cristo (At 5.42).
Com frequência tenho observado o seguinte: um homem com dons e chama-
do apostólicos assume a liderança de uma igreja. Ela floresce e cresce. Ele dá à
igreja fundamento e visão e muitas ideias novas. Mas então a igreja fica cansada.
Não consegue mais suportar o ritmo. Tudo fica demais. Surgem conflitos dolo-
rosos entre a equipe de liderança e o líder da igreja. A equipe gostaria de mais
autonomia. Quer tornar-se “adulta”. Em dado momento, ocorre uma divisão. Ou
uma parte da igreja sai com uma parte da equipe de liderança e fundam uma nova
igreja e esse líder da igreja fica com os que sobraram no local – ou vice-versa. Às
vezes, também acontece de o líder da igreja ser dispensado, e ele não sabe como
isso aconteceu.
Líderes de igreja podem ser apóstolos e não pastores? Líderes de igrejas de-
vem ter a coragem de partir no tempo certo? Ou podem ser empossados como
pastores, e mais tarde não entenderem o chamado como apóstolo?
Seu ministério, aos olhos de Deus, poderia ter mais êxito se, ao invés de fun-
dar uma superigreja, tivesse fundado várias igrejas pequenas e menos expressivas,
mas que, a longo prazo, no geral apresentassem mais fruto?
O objetivo de um apóstolo continua sendo o de tornar-se cada vez menos
solicitado no trabalho local, específico, ou seja, depois de aberto e instalado o
campo, a igreja local, sua visão e chamado o impelem para novos desafios.

Um apóstolo levanta novos líderes

Paulo e Barnabé designaram-lhes presbíteros em cada igreja; tendo orado e je-


juado, eles os encomendaram ao Senhor, em quem haviam confiado (At 14.23).

Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo


os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele com-
prou com o seu próprio sangue. Sei que, depois da minha partida, lobos
ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E den-
tre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de
atrair os discípulos. Por isso, vigiem! Lembrem-se de que durante três anos
jamais cessei de advertir cada um de vocês disso, noite e dia, com lágrimas
(At 20.28-31).

Esses textos mostram o quanto Paulo valorizava a boa liderança. Constante-


mente estava acompanhado de servos de Deus, os mais conhecidos são Timóteo e
Tito. Observei isso também em empreendimentos
missionários na Rússia e na Índia, com os apósto- Os apóstolos
los nativos. Estavam cercados de bons cooperadores, reconhecem
aos quais treinavam para depois enviá-los. talentos, os
Apóstolos são enviados e também enviam. Os
fomentam e abrem
apóstolos são chamados e também chamam. Eles re-
conhecem talentos e os fomentam, e abrem espaço espaço para o seu
para o desenvolvimento e o crescimento. desenvolvimento.

Um apóstolo trabalha em equipe

O apóstolo não é um viajante solitário. Como o polegar, está sempre concentrado


na cooperação com os outros “dedos”. O polegar pode manter contato com cada
um dos outros quatro dedos e trabalhar com eles. Às vezes, isoladamente, quan-
do, por exemplo, o polegar e o indicador querem pegar algo pequeno. Outras
vezes com todos, quando, diante de um forte obstáculo, é necessário usar muita
força, ou para realizar um trabalho mais difícil. Assim o apóstolo trabalha com
outros servos como Paulo descreve em sua carta aos Efésios (veja Efésios 4.11).
Ele é parceiro deles, precisa de todos, ele é necessário para o trabalho de todos,
e todos são necessários para o trabalho. O Novo Testamento apresenta muitas
indicações dessa cooperação tão frutífera.

Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer (1Co 3.6; apóstolo
e mestre).

Indo Filipe para uma cidade de Samaria, ali lhes anunciava o Cristo. ...Os
apóstolos em Jerusalém, ouvindo que Samaria havia aceitado a palavra de
Deus, enviaram para lá Pedro e João. Estes, ao chegarem, oraram para que
eles recebessem o Espírito Santo, pois o Espírito ainda não havia descido
sobre nenhum deles; tinham apenas sido batizados em nome do Senhor
Jesus. Então Pedro e João lhes impuseram as mãos, e eles receberam o
Espírito Santo (At 8.5,14-17; apóstolo e evangelista).

Naqueles dias alguns profetas desceram de Jerusalém para Antioquia. Um


deles, Ágabo, levantou-se e pelo Espírito predisse que uma grande fome
sobreviria a todo o mundo romano, o que aconteceu durante o reinado
de Cláudio. Os discípulos, cada um segundo as suas possibilidades, decidi-
ram providenciar ajuda para os irmãos que viviam na Judeia. E o fizeram,
enviando suas ofertas aos presbíteros pelas mãos de Barnabé e Saulo (At
11.27-30; apóstolo e profetas).

Uma vez despedidos, os homens desceram para Antioquia, onde reuniram


a igreja e entregaram a carta. Os irmãos a leram e se alegraram com a sua
animadora mensagem. Judas e Silas, que eram
profetas, encorajaram e fortaleceram os irmãos
Ele não é “o chefe”, com muitas palavras. Tendo passado algum tempo
ali, foram despedidos pelos irmãos com a bênção
o homem com da paz para voltarem aos que os tinham enviado,
direito de veto, mas Silas decidiu ficar ali. Paulo e Barnabé perma-
neceram em Antioquia, onde, com muitos outros,
que tem a última ensinavam e pregavam a palavra do Senhor (At
palavra. 15.30-35; grifos do autor; apóstolo com profetas e
com muitos outros cooperadores).

De Mileto, Paulo mandou chamar os presbíteros da igreja de Éfeso.


Quando chegaram, ele lhes disse: “Vocês sabem como vivi todo o tem-
po em que estive com vocês... Pois não deixei de proclamar-lhes toda a
vontade de Deus. Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o
qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igre-
ja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue (At 20.17s,27s;
apóstolo e pastores).

Chegando a Jerusalém, foram bem recebidos pela igreja, pelos apósto-


los e pelos presbíteros, a quem relataram tudo o que Deus tinha feito
por meio deles. Então se levantaram alguns do partido religioso dos fa-
riseus que haviam crido e disseram: “É necessário circuncidá-los e exigir
deles que obedeçam à Lei de Moisés”. Os apóstolos e os presbíteros se
reuniram para considerar essa questão (At 15.4-6; apóstolo e anciãos =
pastores).

Os textos de 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9 também mostram a relação que há
entre a função apostólica e a função pastoral. O apóstolo do Novo Testamento
preocupou-se muito com o desenvolvimento e a qualidade da função pastoral;
veja também o texto de 1 Pedro 5.1-4.
O apostolado não é uma função hierárquica!

O ministério apostólico não pode ser confundido com uma posição hierárquica.
Na verdade, um apóstolo com frequência irá liderar por causa de sua posição
chave, mas ele não é “o chefe”, o homem com direito de veto, que tem a última
palavra.
O Novo Testamento não conhece uma pirâmide hierárquica. Os apóstolos
da Bíblia estão embaixo e não em cima (veja 1Co 4.9-13). Na igreja de Jesus, não
há títulos de honra. Jesus mesmo estabeleceu o parâmetro, segundo o qual, entre
aqueles que o seguem não serão mais criadas posições de poder. Pessoas não
serão veneradas, ou se deixarão venerar, pelo fato de usarem o muito promissor
título “Apóstolo”. O conceito bíblico de apóstolo não poderá de forma alguma
ser encaixado em nossos sistemas eclesiásticos e denominacionais. Nunca!

Jesus os chamou e disse: “Vocês sabem que os governantes das nações as
dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será
assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre
vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo;
como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e
dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20.25-28).

Os apóstolos em Jerusalém, ouvindo que Samaria havia aceitado a palavra
de Deus, enviaram para lá Pedro e João (At 8.14).

Os apóstolos e os irmãos de toda a Judeia ouviram falar que os gentios


também haviam recebido a palavra de Deus. Assim, quando Pedro subiu a
Jerusalém, os que eram do partido dos circuncisos o criticavam, dizendo:
Você entrou na casa de homens incircuncisos e comeu com eles. Pedro,
então, começou a explicar-lhes exatamente como tudo havia acontecido...
(At 11.1-4).

Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua
atitude condenável (Gl 2.11).

Quanto ao irmão Apolo, insisti que fosse com os irmãos visitar vocês. Ele
não quis de modo nenhum ir agora, mas irá quando tiver boa oportunida-
de (1Co 16.12).
A Forte Mão de Deus
O Ministério Quíntuplo

O fundamento: E ele designou alguns para apóstolos, outros


para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e
mestres (Ef 4.11).

O livro: A igreja tradicional está fortemente fixada sobre a pes-


soa do pastor ou o líder. Seu cargo é enfatizado. Seus dons enri-
quecem a igreja, e suas limitações a inibem e são um peso para
ele mesmo. O ministério quíntuplo, como apresentado neste livro,
não é a solução patenteada para esse problema, nem tampouco
para todos os problemas da Igreja de Jesus, mas mostra, sim, um
caminho viável para uma liderança que trabalha em equipe com
base nas suas vocações.
Em seu livro, Jens Kaldeway descreve primeiramente a manifes-
tação de cada um desses ministérios. Depois, ele entra nas pos-
sibilidades da cooperação prática desse ministério, na igreja e
além dela. Ele responde às perguntas mais frequentes e apresen-
ta passos concretos para a aplicação prática.

O objetivo: Descobrir: “Agora ficou claro em que direção meu


ministério deverá se desenvolver!”

Sobre o autor: Jens Kaldeway atua em um ministério supra-


eclesiástico de ensino e consultoria. É cooperador de Kingdom
Ministries, uma organização missionária suíça, que tem o objeti-
vo de promover a fundação de igrejas no país e além fronteiras.