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e s p e c i a l

Jauá

r e v i s t a

ponto
movel
cidade do
saber

6
Sumário LÁ VEM
HISTÓRIA 26

1 ano
AÇÃO
GOVERNAMENTAL
28

SABERES E 14
FAZERES

SABOR DA TERRA 18
DICAS
30
CULTURAIS
gente
que faz 20

JAUÁ 06
Para consolidar as práticas de democratização do acesso a bens culturais e esportivos, a Cidade QUEM CONTA
UM CONTO
24 PAINEL
32
do Saber agora tem o seu Ponto Móvel, que prioriza o atendimento às localidades da orla e zona CRIATIVO
rural de Camaçari, por estarem mais distantes, geograficamente, da sede da instituição, no centro
da cidade. Assim, desde julho de 2009, mais de 4.000 pessoas, de 12 diferentes localidades, já
foram beneficiadas por este projeto, nos espaços próprios do caminhão adaptado (biblioteca,
brinquedoteca e mini-lan house) ou nas oficinas que ocorrem nas dependências de Associações
NOSSA
12
LAZER 34
www.cidadedosaber.org.br GENTE
71 3644.1631
Comunitárias, grandes parcerias deste trabalho!

3
Jaua
jaua

Editorial Distrito de
Monte Gordo
Sejamdos
bem vin

Camaçari
1 Barra do Pojuca

Continuamos nossa viagem a bordo visitada, mergulhamos nesse universo para valorizar e divulgar a riqueza e a
2 Monte Gordo
do caminhão-baú do Projeto Ponto e registramos um pouco dos costumes, diversidade da cultura de Camaçari.
Móvel da Cidade do Saber, que leva arte, crenças e do dia-a-dia desses habitantes
esporte e lazer à população dos distritos que, diariamente, ajudam a escrever os Como já fizemos em Barra do Pojuca,
de Camaçari. Dessa vez, o destaque é capítulos da história do lugar. Monte Gordo, Barra do Jacuípe, Arembepe
para os escantos das pessoas e das belas e Areias, convidamos você a pegar essa 3
paisagens de Jauá, praia tão cobiçada por As habilidades do artista plástico Monal carona e, agora, visitar Jauá. Nossas
Barra do Jacuípe
moradores, veranistas e turistas. e as brincadeiras de criança de Dona próximas paradas estão programadas para
Euzébia estão contempladas nesta edição, Vila de Abrantes e o povoado de Cordoaria
Como parte da nossa proposta de que integra uma coletânea de publicações (remanescente quilombola), além de dois
contribuir para preservar o histórico e produzidas pela Cidade do Saber – novos destinos a integrarem a coleção:
fortalecer as tradições de cada localidade Instituto Professor Raimundo Pinheiro, Parafuso e a sede de Camaçari. Até lá.
Cidade do Saber
Sede Camaçari

Boa leitura! 4 Arembepe


Parafuso
9 Cordoaria
8 5 Areias

Distrito de
Abrantes 6 Jauá
7 Vila de Abrantes
Esta publicação segue as normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, em vigor desde janeiro de 2009.

4 5

especial

Jaua
jaua

Praias são boa


opção para

Praia cobiçada por moradores e turistas


crianças

Pertencente ao distrito de Abrantes, Jauá Em Jauá, muitas mães criaram seus a animação e chegou a reunir um grupo
é a localidade da orla de Camaçari com as filhos com uma alimentação baseada pra fazer um terno de boi em Jauá. Além
praias mais frequentadas pela população em nutrientes dos frutos do mar. Elas disso, todo final de ano, Maria saía pelas
da sede do município. Seu nome faz alternavam a atividade de marisqueiras ruas com amigos e parentes para fazer um
menção a uma espécie de papagaio, típica com a de lavradoras, plantando ritual que, segundo ela, trazia prosperidade:
do litoral da Bahia e também chamada de principalmente a mandioca. Margarida “Antigamente, no Ano Novo, a gente saía
Acumatanga ou Camutanga. Maria da Conceição foi uma dessas em grupo com umas latas e uns galhos
mulheres que proviam tudo para os filhos de pau, cantando pelas ruas de Jauá, até
Rica em belezas naturais formadas, com o suor do próprio trabalho. Parteira chegar ao rio, em Areias. Ali, a gente jogava
também, por dunas e lagoa, Jauá foi famosa na região, ajudou muitas crianças os ramos na água e enterrava o Ano Velho”.
originalmente uma vila de pescadores e, a virem ao mundo, de Abrantes a Areias.
pela proximidade com a capital baiana, foi Dona Margarida, como boa parte das
uma das primeiras a ser frequentada por parteiras, gostava de rezar para vários Indê, indê, indê
veranistas na região em que está localizada, santos, mas, depois das orações nas casas Indê, indê, indá
na Estrada do Coco. Mas ainda hoje é das comadres, dançava a noite inteira o Enterrar o Ano Velho que o Novo vai chegar!
possível se reportar aos tempos do vilarejo, samba-de-roda que ajudava a organizar. Meu sogro e minha sogra,
ao se observar na praia, em determinados Escutem o que eu vou dizer Dona Maria,
horários do dia, a chegada de barcos Por conta dos hábitos festeiros, Maria Carro não anda sem boi moradora da
carregados de peixes, que são a base da dos Santos de Freitas, 65 anos, filha de E eu canto sem beber Rua da Paz
alimentação na região. Dona Margarida, diz que herdou da mãe

6 7

especial

Jaua
jaua
Esporte Radical
Sobre as dunas de Jauá é possível assistir
ao nascer e ao pôr-do-sol com uma visão
panorâmica de toda a orla do local. As
dunas são consideradas um parque
Ternos de reis quando a gente cantava a música ela recreativo natural e fazem parte da Área
A cultura local é um ponto forte. entrava sambando e o pessoal batia palma”, de Proteção Ambiental do Parque das
No passado, os ternos de reis eram lembra. “Depois, era a parte dos homens, Dunas de Abrantes. São procuradas para
as manifestações mais comumente que vinham com uma burrinha. Tinha o sandboard, um esporte que teve início
encontradas em Jauá. Dona Euzébia também o Pica Pau, que vinha na cabeça em Florianópolis, Santa Catarina. Muito
de Souza Santos, 83 anos, foi uma das de algum rapaz que dançava e cantava a semelhante ao snowboard (na neve), o
brincantes mais animadas dos ternos em Pé música dele”, completa. esporte é praticado em dunas de areia,
de Areias (uma das comunidades de Jauá). usando uma prancha de fibra ou madeira
Junto com as amigas Maria, Noca e Binha, Maria Angélica, cadê Simão? com comprimento entre 1,20m e 1,70m. Dona Euzébia:
ela saía pelas portas das casas cantando Maria Angélica, cadê Simão? Suas manobras são adaptações de outros lembrança
as quadras dos reis. Uma das brincadeiras Tá no limoeiro catando limão esportes como surf, skate e snowboard. dos ternos
que ela mais gostava de participar era a da Maria Angélica, adeus, adeus, adeus
Maria Angélica. Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/sandboard
Segundo dona Euzébia, no Dia de Reis tinha
“Uma das moças do terno representava um encontro de ternos que vinham até de
a Maria Angélica, que dançava com um Areias, como era o caso do Terno do Peixinho
balaio na cabeça, ficava escondida e Dourado, do qual ela gostava muito.

Praias de Jauá
encantam
visitantes

8 9

especial

CURIOSIDADES
Jaua
jaua * A Praia do Japonês tem esse nome
por conta do seu primeiro morador, que
era um japonês.

* A Praia do Grilo é chamada assim porque antes havia


uma grande quantidade de grilos no lugar.

* Conta-se que, antigamente, para se chegar a Jauá havia


um caminho pelo mar e outro pelo rio. O acesso por terra
Apesar de muitas tradições já estarem também blocos formados por homens só se deu pela necessidade de dar socorro a vítimas de um
extintas, durante todo o ano é possível travestidos de mulheres. navio naufragado em sua costa.
acompanhar manifestações populares,
dentre as quais as mais famosas são a Encantos das praias * Entre os moradores de Camaçari, a localidade de
festa do padroeiro de Jauá, Bom Jesus dos Com inúmeras barreiras de corais, na maré Jauá é carinhosamente chamada de “praia do oi”, Barracas
Navegantes (a lavagem, no final de janeiro); baixa a Praia de Jauá oferece formação porque é muito comum encontrar amigos oferecem
a Festa de Iemanjá; a festa do padroeiro de de piscinas naturais propícias ao banho e conhecidos por lá, ocasionando a petiscos e
Pé de Areias, São Miguel (em setembro); de mar, sobretudo de crianças, e à prática repetição do cumprimento “oi”. bebidas
e o carnaval (fevereiro). Estes festejos têm do mergulho. São cerca de 2,5km de orla,
como característica principal o sincretismo divididos em quatro praias e com mais de
religioso, reunindo contribuições do 50 barracas que servem bebidas, frutos do
catolicismo e do candomblé, entre outras. mar e acarajé.

Dona Maria Freitas conta que, há algumas A Pedra da Baleia, por exemplo, é uma das
décadas, a festa em homenagem aos praias protegidas por recifes e localizada
padroeiros era bastante diferente da no centro urbano. A Praia do Grilo é outra
que acontece nos dias atuais, quando opção para os banhistas e está ao norte de
ganhou grandes proporções, ao estilo das Jauá, perto da praia da Pedra da Baleia.
micaretas. “Não tinha festa profana, tinha Águas
o dia do baile dançante. No mais, só missa Ao sul de Jauá, a Praia do Japonês é tranquilas
e procissão”. Já o carnaval de Jauá, ao excelente para prática do surf. A Praia do atraem
contrário da folia na capital baiana, é uma Sororoca é mais afastada do centro urbano banhistas
festa tranquila, marcada pela presença e também é procurada para a prática de
de blocos carnavalescos tradicionais e esportes, como surf, kitesurf e outros.

10 11
Nossa
Assim, eu conclui o curso de Magistério e na sociedade, a qual muitas vezes foi
Jaua
jaua
’ fiz um concurso para a área. Fiquei sabendo preconceituosa comigo. Tive que passar Por que ensinar a África
Gente
que tinha uma vaga aqui em Jauá, na Escola por poucas e boas para ser a Mônica
Tancredo Neves, e me interessei muito Bispo de hoje. Voltando à questão do na escola brasileira?
porque foi a escola em que eu estudei. Fiquei cargo de direção, esse foi mais um
como prestadora de serviço durante dois desafio que aceitei depois do trabalho Os países considerados mais desenvolvidos
anos, depois fiz outro concurso e passei. de treinamento junto à Secretaria de são os que investiram maciçamente na
Educação. Fui convidada a trabalhar educação de qualidade para jovens. A
Revista Ponto Móvel: Seu objetivo era voltar nesta escola, que, na época, tinha alguns questão é saber que tipo de educação o
para Jauá? problemas por conta da indisciplina de Brasil precisa para sair da situação em que
alunos. Fiz um trabalho de ir à casa dos se encontra. Uma educação que visa não
Mônica: Sim, minha prioridade era voltar estudantes que não estavam indo para somente o domínio das teorias e novas

“Tive que passar por poucas e boas


para cá, por isso fiz este outro concurso em as aulas e isso surtiu um ótimo efeito. tecnologias (imprescindíveis, porém não
1992, para que fosse efetivada no cargo. Ganhei o respeito dos pais e desses suficientes) mas também, e sobretudo, uma
Trabalhei durante muitos anos como alunos também. educação cidadã, orientada na busca da

para ser a Mônica Bispo de hoje”


professora primária. Depois fiz adicionais construção e consolidação dos princípios de
Entrevista: para ensinar 5ª e 6ª séries, fui professora Revista Ponto Móvel: Como você solidariedade e equidade. Uma educação
de ciências. Depois, fiz Letras Vernáculas conseguiu driblar o racismo? que considere as questões relacionadas
Mônica na Universidade Católica do Salvador e, com a construção de nossas identidades

Mônica Bispo Azevedo, com 17 anos na área de educação, trabalhou com diversos níveis de ensino, da alfabetização ao
Bispo em seguida, fiz uma pós-graduação na
Faculdade Visconde de Cairu. Há pouco
Mônica: Meu cabelo foi a primeira
marca da minha identidade, comecei
individuais e coletivas, fazendo delas fonte
de riqueza e de desenvolvimento.
ginásio. Hoje é diretora da Escola Tancredo Neves, a mesma em que estudou na infância. Nativa de Jauá, encontrou na tempo, prestei vestibular para Direito e a usar ‘blackão’. Embora minha mãe
educação a saída para enfrentar preconceitos e garantir sua cidadania. passei, mas não estou cursando por falta de trabalhasse espichando cabelo e eu A educação habitualmente dispensada aos
tempo. Quero ter outra profissão, além de ser já tivesse espichado o meu também, jovens é focada numa visão eurocêntrica,
Revista Ponto Móvel Cidade do Saber: por dificuldades. Por conta disso, fui morar muito, porque eu já estava na 5ª série, mas professora. resolvi assumir a minha identidade que, além de ser monocultural, não respeita
Você pode nos contar um pouco da sua com minha tia Maria, que tinha barraca de não sabia direito nem as quatro operações. a partir do meu cabelo. Aos 11 anos, as diversidades de gêneros, sexos, religiões,
trajetória até se tornar a diretora da praia. Agradeço muito a ela por isso. Aos 15 anos Revista Ponto Móvel: E como você chegou à quando eu estudava em Abrantes, classes sociais, “raças” e etnias, as quais
Escola Tancredo Neves? fui morar com minha mãe novamente, lá em direção da Escola Tancredo Neves? um aluno da escola me chamou de contribuíram para a construção do Brasil, um
Revista Ponto Móvel: Foi quando você São Cristóvão. petróleo, de escuridão, em plena aula país diverso em todos os sentidos.
Mônica: Eu nasci em Jauá e sou filha de começou a trabalhar? Mônica: Com a implementação da Lei nº de matemática e todo mundo sorriu. Me
uma família com cinco irmãos. Minha Revista Ponto Móvel: E você deu 10.639 em Camaçari, que torna obrigatório o senti arrasada, mas, a partir dali, comecei *Trecho da conferência de Kabengele
mãe, meus avós, todos nasceram aqui. Mônica: Sim, aos 7 anos comecei a continuidade aos estudos? ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, a me interessar e estudar os grupos Munanga (diretor do Centro de Estudos
Minha mãe estudou até a 4ª série do trabalhar na barraca de minha tia. Lá fui convidada para ser coordenadora geral étnicos, buscando minhas origens. Por Africanos da Universidade de São Paulo –
ensino fundamental, porque ela casou e eu servia as mesas, mas nunca deixei Mônica: Sim, eu passei a estudar durante de um projeto nas escolas do município. Meu uma questão de consciência, a primeira USP) proferida no Teatro da Cidade do Saber,
o marido não queria que estudasse mais. de estudar. Minha mãe sempre teve a semana e, só nos finais de semana, trabalho foi bastante elogiado por conta da coisa que fiz foi parar de espichar na ocasião da comemoração do dia da África
Quando ele faleceu, ela ficou responsável preocupação com meus estudos. Aos 11 trabalhava em casa de família. Pela minha minha vivência, pois sempre me colocava meu cabelo. Mas junto com a minha (30/05/2008).
pela nossa criação sozinha. Muito tempo anos fui trabalhar num lugar chamado dedicação, fui convidada diversas vezes para como mulher, cidadã, negra, que passou conscientização ficou evidenciado
depois, ela conseguiu uma pensão a que Torrão, na casa de Dona Pureza. Ela era trabalhos fixos em Salvador mas minha mãe por inúmeras dificuldades para se firmar o preconceito e a discriminação da
tinha direito, mas, até receber, passamos professora de matemática e me ajudou nunca deixou, por conta dos meus estudos. sociedade. Não foi nada fácil. Texto completo: http://terreirodejaua.files.
wordpress.com/2009/07/kabengele1.pdf

12 13
Jaua
jaua
’ Saberes
e Fazeres Aulas e
encomendas
de telas:

Uilson Monal:
(71) 8783-2910

A história de Jauá nas telas de Monal


Faz tempo que o artista plástico Uilson de teve a oportunidade de folhear livros que inspiração, tão rica em detalhes”, revela.
Oliveira dos Santos resolveu assinar o nome aumentaram o seu conhecimento sobre
Uilson Monal em suas telas. Há 23 anos artes plásticas. Em 1992, ele fez um curso Como bom filho de Jauá, Monal já
exercendo seus dotes como pintor, Monal profissionalizante de Desenho Artístico e retratou em diversas telas a bucólica vila
conta que, desde os 7 anos, seu talento Publicitário. Depois, teve a oportunidade de pescadores que vivenciou na infância.
era notado, tanto que, no colégio, era de levar seu trabalho para Salvador, onde Seu talento como retratista também é
muito requisitado pelos colegas para fazer logo teve seu talento reconhecido e foi admirável e grande parte das encomendas
ilustrações em trabalhos escolares. “Tudo convidado para trabalhar como marchand que recebe é para atender a clientes que
começou quando um pescador, amigo (agenciador de obras de arte), ficando por querem ter seus retratos pintados em casa.
de meu pai e que também era pintor, me quatro anos na Galeria Paulo Robatto. Monal
emprestou alguns pincéis e tinta. Em um Em maio de 2010, o artista representou descobriu o
pedaço de madeira eu pintei a minha Desde então, Monal vem participando de Camaçari na Bienal Internacional de Arte talento com
primeira tela, que até consegui vender”. exposições. “A minha temática preferida é a Contemporânea, na cidade de Rieti, na apenas 7 anos
marinha. Como filho de pescador, conheci Itália. Uilson Monal dá aulas particulares
Nessa época, Monal trabalhava como bastante o mar. O que mais gosto de pintar para alunos de 8 a 80 anos, em Salvador e
jardineiro na casa de arquitetos, onde são os arrecifes de Jauá, minha fonte de em Jauá.

14 15
Jaua
jaua
’ Saberes Você sabia?

e Fazeres A capoeira é o maior


instrumento de divulgação
da língua portuguesa pelo
mundo. Atualmente, a
modalidade é ensinada
Apresentações em diversos países do
de capoeira, globo terrestre. Através
samba-de-roda e
maculelê das ladainhas e corridos
Gia: (músicas) deste esporte-
(71) 8891-2473 arte, o idioma tem sido

Comunidade Capoeira falado nos quatro cantos do


planeta. O nome capoeira
vem de origem tupi-guarani
e significa vegetação
Reconhecida como patrimônio cultural da teve que ir até Abrantes para ter aulas. “Eu idade. Para eles, procuro sempre mostrar costeira.
humanidade, a capoeira tem, em Jauá, um iniciei esse trabalho em Pé de Areias há um a importância da capoeira na história do
representante que é motivo de orgulho da ano e seis meses, sendo que, em Jauá, já Brasil, chamando a atenção para fatos
comunidade. Rogério da Conceição Santos, tenho mais de três anos. A finalidade do como a participação de capoeiristas na Fontes:
28 anos, tem uma história de amor com a projeto é atender as crianças, porque eu Guerra do Paraguai”. pt.wikipedia.org/wiki/Capoeira
capoeira e o ensino dessa arte. Instrutor, tive essa necessidade quando tinha a idade portalcapoeira.com
discípulo do mestre Grandão, de Vila de delas”. O batizado do projeto acontece
Abrantes, realiza trabalho voluntário em anualmente, com a coordenação do
Jauá e Pé de Areias. A modalidade ensinada por Gia é a mestre Grandão, que é responsável pelo
capoeira contemporânea, que, segundo trabalho do instrutor Gia. Durante o
“O primeiro contato que tive com a ele, é uma mescla da capoeira-mãe, a evento, que conta com a ajuda de alguns
capoeira foi com o mestre Grandão, em Angola, e a Regional, criada por mestre comerciantes locais, os alunos trocam de
1997. O trabalho que faço é a realização Bimba, em 1928. O projeto que ele fundou cordel (graduação) e participam de uma
de um sonho para mim. Dar aulas em 2008 chama-se Comunidade Capoeira, extensa programação durante cinco dias.
gratuitamente para a comunidade sempre que atende a todas as faixas etárias, São oferecidos cursos, palestras e um aulão.
foi um plano na minha vida”, conta Gia, buscando também dar noções de cultura e Gia, que tem mais de 150 alunos em Jauá
como ficou conhecido no meio da capoeira. cidadania aos alunos. e Pé de Areias, traz para eles o melhor
da capoeira durante os dias do batizado.
Ele lembra que, quando adolescente, “Eu tenho alunos de 5 a 44 anos e todo “A gente sempre traz mestres de outros
queria muito praticar a modalidade, mas mundo faz aula junto, sem distinção de lugares do Brasil e do mundo”, conta.

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Jaua
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’ Sabor Moqueca de Talaia
da Terra Por Maria dos Santos de Freitas

Ingredientes: Modo de preparo:


- ½ kg de talaia (marisco) Afervente o marisco e depois
- alho tempere com sal, pimenta, alho,
- cebola tomate, cebola, limão e coentro.
Coloque tudo na frigideira e
- coentro acrescente o azeite de dendê e
- tomate o leite de coco bem grosso. Em

Delícias que vêm do mar


- limão seguida, adicione o mamão verde,
- mamão verde cortado em cubos cortado em cubos pequenos. A
- azeite de dendê moqueca pode ser servida com
arroz e farofa de “fere boca”, feita
- leite de coco
Qualquer atividade extrativista deve estar submetida às regras de preservação com o camarão seco, triturado e
ambiental. No caso da pesca artesanal, muito praticada na orla de Camaçari, é
- sal e pimenta a gosto torrado na manteiga.
comum, até pela questão cultural (valores transmitidos entre gerações), a integração
dos agentes com a natureza e o respeito à mesma, o que revela uma consciência da
interdependência do homem com o seu meio.

Diferente da atividade de caráter essencialmente comercial, a pesca artesanal


está mais relacionada à fonte de alimento das famílias. Em Jauá, por exemplo, as
marisqueiras catam um marisco encontrado nas pedras chamado “talaia”. O “fere
boca”, um tipo de camarão bem pequeno, também incrementa a alimentação de
muitas famílias da comunidade, dando origem a deliciosos e típicos pratos, como o
da receita a seguir:

18 19
Jaua
jaua
’ Gente
que Faz

Associação Beneficente Oficinas


desenvolvem

Casa de Oxalá
habilidades da
comunidade Contatos:
(71) 3623-2598/
3623-3861

Realizadora de diversos projetos sociais e inclusão digital, capacitação em artesanato,


culturais, a Associação Beneficente Casa de oficinas de corte e costura, bordado, 
Oxalá (Assobeco) é a ONG responsável pelos cineclube e gastronomia baiana. Segundo
projetos do Terreiro de Jauá (tombado como Laércio Messias do Sacramento, Tata de
patrimônio cultural da Bahia). A associação Nkisi do Terreiro de Jauá, os projetos são
fomenta atividades de manutenção desenvolvidos há cinco anos e atendem,
do repertório cultural e histórico oriundo em média, a 200 pessoas.
das contribuições dos povos africanos.
Independentemente da religião, também Dentre os projetos administrados pela
oferece serviços e atividades à população Assobeco está o “Família de Artesãos”,
circunvizinha à área da sua sede. que, a partir da formação de cooperativas,
capacita para a produção de peças
Em 2008, foi reconhecida como Ponto artesanais com o reaproveitamento do
de Cultura pela Secretaria de Cultura material disponível na mata localizada
do Estado da Bahia e pelo Ministério da dentro da área da instituição e na região.
Cultura. Desse modo, se potencializou Em paralelo, as famílias contam com
para o desenvolvimento de ações que a alfabetização de jovens, educação
visam a melhoria da qualidade de vida das ambiental e educação preventiva contra
comunidades, a exemplo de reforço escolar, doenças sexualmente transmissíveis.

20 21
Jaua
jaua
’ Gente Terreiro de Jauá

que Faz
sedia atividades da
Assobeco

Mata existente
na área é fonte
de recursos para
oficinas

Outro projeto gerenciado pela associação ambiente comercial, estando presentes em


é o “Roupas de Sinhá”, que agrega oficinas restaurantes, pontos turísticos e centros
de corte, costura e bordados, além de históricos, como forma de atrativo e
aulas de História e Modismo, e Gestão reafirmação da identidade cultural.
de Negócios. O trabalho prático deste
projeto é permeado pelo resgate da A Assobeco também promove o
história do Brasil dos séculos XVII, XVIII e “Comunidade Cidadã”, com atendimento
XIX, com ênfase no estudo das vestimentas médico, assistência jurídica, reforço escolar,
do período das sinhás. Esses trajes eram alfabetização de adultos, alfabetização
recriados pelas escravas negras africanas digital e empréstimo de livros. Ainda para
com os tecidos e retalhos. Mais tarde, 2010, a associação tem novas propostas.
seriam reutilizados e atualizados pelos “Vamos inaugurar o CDC (Comunidade
terreiros de candomblé, como forma de Digital Cidadã) e disponibilizar a biblioteca
reverenciar o poder dos antepassados ao público”, diz Laércio.   
africanos. Essas vestes ritualísticas romperam                     
as fronteiras do sagrado, partindo para o Saiba mais: terreirodejaua.wordpress.com/
projetos

22 23
Jaua
jaua
’ Quem conta A Rua da Paz Identidade
um conto Por Maria dos Santos de Freitas Poesia por Mônica Bispo

A Rua da Paz chamava-se Rua de Sou mulher e sou negra


Trás. Quando eu era menina, meu Mas me chamavam de jambo, chocolate, mulata, parda
pai contou que aqui passava um Que nada! Eu sou negona,
cavaleiro, sempre à meia-noite, Tiraram isso de mim pelo fato d’eu ter tido dona
arrastando latas até uma cancela que Resquícios da escravidão que massacrou meus irmãos
tinha perto de uma ponte. Eu mesma Agora que assumi vi que a liberdade não tem idade
vi, certa noite, as latas arrastarem. É assim que me sinto, livre,
Após assumir a minha verdadeira identidade negra
Mônica Bispo, muito prazer
Sou de Jauá, Camaçari, onde nasci e cresci,
Mas muito sofri para chegar aqui
Sendo mulher, negra e pobre tive sempre que gritar:
Me respeitem, sou um ser humano!
Quero apenas batalhar pelo meu lugar
Mas isso não me fez lamentar, diminuir ou inferiorizar
Muito pelo contrário, me fez lutar
Se você tem um ideal, a vitória é real!

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Jaua
jaua
’ Lá vem
História

Aldeia guarda primeiros registros


A Aldeia do Divino Espírito Santo, fundada Até o final dos anos 60, a economia de habitantes do lugar, já cultuavam seus
em 1558 pelos jesuítas nas margens do Camaçari girava em torno da pecuária e da antepassados e a natureza. O catolicismo é a
Rio Joanes, é um dos primeiros marcos agricultura de subsistência. Na década de 70, religião ainda hegemônica e que demonstra
referenciais da história de Camaçari, no entanto, o início da implantação do maior mais influência nas manifestações do
cidade cujo nome de origem tupi-guarani complexo industrial integrado do Hemisfério município, devido à sua participação na vida
(Camassary) significa “árvore que chora”. Sul muda sensivelmente a economia. A partir da população camaçariense desde o período
A aldeia sediava a missão dos jesuítas de daí, Camaçari passa a ter um novo perfil colonial. Isso também acontece devido ao
catequizar os índios tupinambás, através da econômico, garantindo à indústria o papel de forte processo de conversão de índios e
Companhia de Jesus. protagonista. negros escravizados, promovido pela Igreja.

Foi somente em 28 de setembro de 1758 Força religiosa Em Camaçari, além das comemorações
que se deu a emancipação da cidade, através A religiosidade de Camaçari é secular e no Natal e no São João, comemora-se o
do decreto do Marquês de Pombal que remonta ao povoamento original. Possui Divino Espírito Santo, sob a evocação da
alterava o nome do povoado para Vila de influências culturais dos antigos donos qual foi iniciada a colonização da orla; São
Nova Abrantes do Espírito Santo. O marquês da terra, os índios, com seus cultos aos Francisco de Assis, assumido como padroeiro
também expulsou os jesuítas daquelas terras, antepassados e à natureza; do catolicismo, pelos pescadores; Maria, mãe de Jesus, sob
que, em seguida, passaram a ser chamadas desde a chegada dos primeiros jesuítas com as denominações de Nossa Senhora da
de Vila de Abrantes. os colonizadores portugueses e da matriz Conceição, Nossa Senhora do Parto, Nossa
africana, trazida pelos negros vindos de Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Boa
Antes de ser denominado Camaçari, em diversas partes da África. Viagem; Senhora Santana, Mãe de Maria;
1938, o município teve outros nomes, a e, ainda, São Bento, São Sebastião e São
exemplo de Montenegro, pela influência Em 1558, com a chegada dos primeiros Thomaz da Cantuária, sendo este último o
política de um dos herdeiros de suas terras, jesuítas em Vila de Abrantes, inicia-se o padroeiro da cidade.
o desembargador Tomaz Garcez Paranhos processo de catequese dos índios. Vale
Montenegro. ressaltar que os Tupinambás, primeiros Fonte: Câmara Municipal de Camaçari (calendário 2006).

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Jaua
jaua
’ Ação
Governamental

Obras para a
melhoria da

Cuidar de toda gente e de cada lugar qualidade de


vida

É elemento norteador da política pública inclusiva, informática, robótica, educação principal de fomentar o lazer e a
de Camaçari, desde 2005, o cuidado ambiental, arte-educação, ciências integração comunitária.
com as pessoas e com os patrimônios experimentais e esporte.
públicos, culturais e naturais de cada A orla de Camaçari, justamente pelo
lugar. Em Jauá, assim como ocorreu nas Também passou por reforma o Posto da princípio de fortalecer a sua inclusão às
diversas outras localidades do município, Polícia Militar, que recebeu novo telhado, ações do governo e incentivar a relação
as melhorias para a qualidade de vida pintura, locação de antenas, instalação de pertencimento da sua população
chegaram e priorizam os aspectos de grades de proteção, jardinagem à esfera municipal, tem uma gestão
do desenvolvimento social, como a e sinalização. Segundo os próprios especial para o encaminhamento
educação, a segurança e a prática moradores do local, a readequação do e providências das suas demandas,
esportiva. espaço é garantia de maior bem-estar para principalmente as mais emergenciais.
a comunidade e turistas que visitam o local Trata-se da Coordenação da Orla de
O Centro Educacional Tancredo Neves, durante o ano inteiro, ao oferecer melhores Camaçari, responsável, dentre outros
por exemplo, foi reformado, o que condições de trabalho aos policiais. resultados, pela reforma das Agências de
possibilitou a ampliação da capacidade Correios, onde se inclui a da localidade
de atendimentos para, praticamente, o Ainda no aspecto da revitalização de de Jauá.
dobro de alunos. A nova unidade segue equipamentos, para torná-los mais
o padrão de qualidade estabelecido acessíveis e aptos para a realização das Em Camaçari é assim: onde estão as
pela política municipal de educação, atividades, foi recuperado o campo pessoas, estão as práticas para tornar
baseado em sete eixos: educação de futebol de Jauá, com o propósito melhores a vida e a relação com o meio.

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Jaua
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’ Dicas
Culturais

Baianas prontas
para o cortejo
que vai de Gajirus

Bom Jesus dos Navegantes


até a igreja

A Lavagem de Jauá ocorre na última semana do São Miguel Arcanjo


mês de janeiro, período mais festivo do local. O A Lavagem de Pé de Areias acontece todos os
evento corresponde à festa do padroeiro de Jauá, anos na última semana de setembro e tem como
Bom Jesus dos Navegantes. Uma mistura de fé e padroeiro São Miguel Arcanjo. As homenagens ao
devoção, que reúne milhares de pessoas durante padroeiro incluem missa, procissão e muita música.
o final de semana. Além da procissão, há também
uma festa popular de rua com trios elétricos, carro A comemoração integra o calendário de festas
pipa e presença de bandas locais. populares de Camaçari e começa com o cortejo
das baianas que sai da entrada de Jauá e vai até a
A parte religiosa começa com o tradicional Rua Direta de Pé de Areias. No sábado, bandas se
cortejo, que sai de Gajirus e vai até a igreja, no apresentam na sede da Associação dos Moradores.
Largo do Papagaio. No percurso de cerca de cinco Domingo, a festa continua. Para quem aprecia uma
quilômetros, mais de 80 baianas se misturam a boa seresta, a programação de segunda-feira conta
músicos e cavaleiros, num verdadeiro cortejo com o tradicional Baile dos Coroas, também no
cultural. Às 15h, tem início a festa profana com espaço da Associação dos Moradores. Na terça-feira,
grupos musicais, no palco montado próximo há uma procissão pelas ruas. À noite, às 19h, há missa
ao largo. Os shows prosseguem sábado e solene em homenagem ao padroeiro. Construída
domingo com apresentações de artistas locais. As há 80 anos por padres católicos alemães e pela Artistas locais
festividades terminam segunda-feira, com o Baile comunidade local, a Igreja de São Miguel Arcanjo participam da
Lavagem de Jauá
dos Coroas, às 20h, na praça principal. pertence à Paróquia de Vila de Abrantes.

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Jaua
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Painel
Criativo

Alunos apresentam

Talentos de Pé de Areias trabalhos das


oficinas no Teatro
da Cidade do Saber

O segundo ciclo de atividades do Ponto Móvel Cidade e apresentações artísticas, resultado do que foi
do Saber, entre novembro de 2009 e fevereiro de desenvolvido em três meses de atuação do projeto
2010, também contemplou a comunidade de Pé de em Pé de Areias e em outras três comunidades da orla
Areias, em Jauá, levando à população cultura, arte, camaçariense (Buris de Abrantes, Cordoaria e Fonte das
entretenimento e esporte. Águas).

A programação foi desenvolvida na Associação Outra iniciativa da Cidade do Saber, o Palco da Cidade
Comunitária e incluiu oficinas de criação literária, também mudou a rotina dos moradores de Pé de
futebol, patchwork (arte em retalhos) e percussão. Areias, que contou com representantes neste festival
Além disso, no caminhão baú adaptado, que serve de de talentos. Foi a banda Inimigos Públicos que se
apoio ao projeto, estavam disponíveis uma mini lan apresentou na seletiva realizada na sede de Camaçari.
house, brinquedoteca e biblioteca. Elimar Pinheiro, um dos músicos do grupo, deixa o
seu depoimento sobre a participação: “Adoramos a
Integrantes das atividades educativas e familiares iniciativa! Foi uma ótima oportunidade de mostrar
participaram, em março de 2010, do encerramento o nosso trabalho, de divulgar a nossa arte, nossas
deste período de trocas de conhecimentos e composições. Esperamos que este trabalho continue
aprendizados entre educadores e educandos. No para dar visibilidade a outros artistas que não têm
Teatro Cidade do Saber foram realizadas exposições oportunidade de se apresentar”.

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Jaua’
Lazer
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Expediente
CIDADE DO SABER

Diretora geral: Ana Lúcia Silveira


Diretor de infraestrutura: Utilan Coroa
Diretor do saber: Arnoldo Valente
Diretora do teatro: Osvalda Moura

COORDENAÇÃO DO PROJETO
REVISTA PONTO MÓVEL CIDADE DO SABER
Assessoria de Comunicação da Cidade do Saber
(Ascom)
Responsável: Carolina Dantas
Pesquisa: Bárbara Falcón
Textos: Carolina Dantas e Bárbara Falcón
Fotos Ascom: Daniel Quirino, Clemente Júnior e
Elba Coelho
Equipe Ascom: Carolina Dantas, Bárbara Falcón,
Clemente Júnior, Daniel Quirino, Elba Coelho,
Bruno Macedo e Camila Mandarino

REALIZAÇÃO

AG Editora
Diretora executiva: Ana Lúcia Martins
Executiva de Projetos: Júlia Spínola
Edição: Ana Cristina Barreto
Fotos: Paulo Macedo
Revisão: José Egídio
Endereço: Rua Coronel Almerindo Rehem, 82, sala
1207, Ed. Bahia Executive Center, Caminho das
Árvores. CEP 41.820-768 - Salvador-BA Tel: (71)
3014-4999

Projeto gráfico: Metta Comunicação


Editoração: João Soares
Ilustrações e arte: Jean Ribeiro e Pablo Antonio

Tiragem: 2.000 exemplares - distribuição gratuita

Agradecimento: ASCOM - Prefeitura Municipal de


Camaçari
Fotos: Agnaldo Silva e Carol Garcia

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e s p e c i a l

Jauá

Executor do Projeto

Parceiros Cidade do Saber: Mantenedor: