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Universidade Federal de Santa Catarina Departamento de Engenharia Química e Engenharia de

Alimentos LABORATÓRIO DE MATERIAIS E CORROSÂO-LABMAC Humberto Gracher Riella CORROSÃO 1


-Introdução 1.1 Conceito A corrosão é a deterioração de um corpo sólido por meio de uma ação química
ou eletroquímica provocada pelo meio ambiente. A ação química pode ou não estar associada a ações
mecânicas ou físicas (tensões, cavitações, etc.). 1.2 Importância do estudo da corrosão O avanço
tecnológico tem levado os pesquisadores a desenvolver materiais metálicos com propriedades físicas e
químicas que satisfação às exigências mais sofisticadas. Como exemplo destas propriedades podem ser
citadas a ductibilidade e maleabilidade (a frio e a quente), condutividade termica e elétrica e
resistência mecânica aos diversos tipos de esforços mecânicos. Apesar do avanço tecnológico no
desenvolvimento desses materiais e seu uso generalizado, quase todas as ligas metálicas se deterioram,
como consequência do ataque pelo meio onde são usadas. Porém, estas reações de deterioração,
geralmente, processam-se de maneira lenta, permitindo o uso generalizado de materiais nos diversos
meios. Se protegidos adequadamente, tais materiais podem atingir elevada durabilidade. Os motivos
apresentados acima demonstram o interesse no estudo da corrosão em cursos de engenharias. Estes
interesses podem ser chamados de razões técnico-econômicas. As perdas causadas pela corrosão podem
ser classificadas em diretas e indiretas. São perdas diretas: a) os custos de substituição das peças ou
equipamentos que sofreram corrosão, incluindo-se energia e mão de obra; b) os custos e a manutenção
dos processos de proteção (proteção catódica, recobrimentos, pinturas, etc.). As perdas indiretas são
mais difíceis de serem avaliadas. Porém, uma breve avaliação das perdas típicas dessa espécie permite
concluir de que podem totalizar custos mais elevados que as prdas diretas e nem sempre podem ser
quantificados. São perdas indiretas: a) paralisações acidentais para reposição de peças corroídas ou
limpeza de equipamentos; b) perda de produto, como perdas de água, gás, óleos ou soluções em
tubulações corroídas até se fazer o reparo; c) perda da eficiência de equipamentos, pela diminuição da
taxa de troca térmica, corrosão nos motores de combustão, incrustações em caldeiras, entupimento ou
perda de carga em tubulações de água, vapor e outros fluídos, obrigando a um custo mais elevado de
bombeamento; d) contaminação de produtos, pela contaminação do cobre proveniente da corrosão de
tubulações de latão ou de cobre; alteração na tonalidade de corantes ocasiado pela contaminação com
traços de metais; equipamentos de chumbo não são permitidos na preparação de alimentos e bebidas,
devido às propriedades tóxicas de pequenas quantidades de sais de chumbo, que podem provocar
saturnismo (doença que afeta o sistema nervoso); arraste, pela água, de produtos de corrosão, como
óxidos de Apostila de corrosão 1 e) ferro, que a tornam imprópria para consumo ou para uso industrial,
como por exemplo, em fábricas de alimentos, laticínios, papel e celulose, etc. superdimensionamento
nos projetos de reatores, caldeiras, tubos de condensadores, paredes de oleodutos, tanques estruturas
de navios, etc. Isto porque a velocidade de corrosão é desconhecida ou métodos de controle são
incertos. Como por exemplo de superdimensionamento, uma tubulação de 362 km de comprimento e
20,3 cm de diâmetro que foi especificada preliminarmente para ter uma espessura de 0,82 cm, mas com
adequada proteção contra corrosão pôde ser especificada com uma espessura de 0,64 m, economizando-
se 3.700 toneladas de aço. Em alguns setores, embora a corrosão não seja muito representativa em
termos de custo direto, deve-se levar em consideração o que ela pode representar em: questões de
segurança, pois a corrosão localizada pode resultar em fraturas repentinas de partes críticas de aviões,
trens, automóveis e pontes, causando desastres e perdas de vidas humanas; b) interrupções de
comunicações, causada pela corrosão em cabos telefônicos provocada pela corrente de fuga existentes
no solo e provenientes de fontes de corrente contínua usadas em sistemas de transporte eletrificado; c)
preservação de monumentos históricos, deteriorados pela chuva ácida, causada pela existência de ácido
sulfuroso e sulfúrico no ar, que atacam os materiais metálicos e não-metálicos, como o mármore e o
concreto, usados nos monumentos. a) A indústria aeronáutica tem grande preocupação com a
manutenção de aviões e helicópteros para evitar, ou minimizar, processos de deterioração que
poderiam causar custos diretos elevados e a perda de vidas. Em 1952, três aviões Comet se
desintegraram em pleno vôo, causando a morte de um tripulante devido à fadiga de materiais. Devido a
falha de projeto, em 1987, na Suíca, ocorreu a queda da cobertura de uma piscina térmica, causando a
morte de 13 pessoas. A queda deveu-se à corrosão sob tensão fraturante do aço inoxidável AISI 304,
usado na parte estrutural. Como o tratamento da piscina é realizado com cloro, o meio ambiente
apresenta esta substância que, em contato com a umidade, forma ácido clorídrico, que é agente
corrosivo dos aços inoxidáveis. Casos de deterioração de monumentos históricos ocorreram na Acrópole
(Grécia) e na Catedral de Colônia (Alemanha). Os casos foram associados a presença, na atmosfera, de
óxidos de enxofre e, consequentemente, de ácido sulfúrico, originados, provavelmente, do grande
movimento de veículos de turismo (ou de passeio). Estátuas de mármore, CaCO3, carbonato de cálcio,
da Acrópole foram atacadas por ácido sulfúrico, de acordo com a reação: CaCO3 +H2SO4 CaSO4 +H2O
+CO2 No caso do concreto, por ser material básico ou alcalino, não é compatível com ácido sulfúrico,
ocorrendo a deterioração da massa de concreto e posterior corrosão da armadura de aço. Porém, a
corrosão, além dos problemas associados com a deterioração a destruição de materiais, apresenta, sob
determinado ponto de vista, não só esse lado negativo mas, também, um lado positivo. Assim, pode-se
citar como processos corrosivos benéficos e de grande importância industrial: oxidação de aços
inoxidáveis, com formação da película protetora de óxido de cromo, Cr2O3; anodização do alumínio, ou
suas ligas, que consiste na oxidação de peças de alumínio, colocadas no anodo de cuba eletrolitíca:
ocorre a formação de óxido de alumínio, Al2O3, protetor, conferindo bom aspecto decorativo à peça;
fosfatização de superfícies metálicas para permitir melhorar aderência de tintas: tratamento com
solução contendo ácido fosfórico e íons de zinco e ferro, sobre a superfície metálica, possibilitando a
aderência adequada da película de tinta aplicada; proteção catódica com anodos de sacrifício para
proteção de aço carbono usado em instalações submersas ou enterradas: ocorre a formação de uma
pilha galvânica na qual o catodo é o material a ser protegido, no caso o aço carbono, e o anodo o
material a ser corroído, no caso, pode ser zinco, alumínio ou magnésio. Apostila de corrosão 2 2
-Oxidação-redução (oxi-redução) A corrosão é, em geral, um processo espontâneo, e, não fora o
emprego de mecanismos protetores, ter-se-ia a destruição completa dos materiais, principalmente
metálicos, já que os processos de corrosão são reações químicas e eletroquímicas eu se passam na
superfície do material. Todos os metais estão sujeitos a corrosão, se o meio for suficientemente
agressivo. Assim: ouro e platina são praticamente inatacáveis nos meios comuns, mas não são
resistentes, por exemplo, à ação da mistura de ácido clorídrico e ácido nítrico, que constitui a água
régia; o aço inoxidável AISI 304, embora sendo bastante resistente a à vários meios corrosivos, sofre
corrosão localizada na presença do íon cloreto; o alumínio, embora resistente aos ácidos oxidantes como
o nítrico, não resiste ao ácido clorídrico e às soluções aquosas de bases fortes, como o hidróxido de
sódio; o alumínio é rapidamente corroído na presença de mercúrio ou sais de enxofre; o cobre e suas
ligas sofrem corrosão acentuada na presença de soluções amoniacais e ácidos nítricos; o titânio sofre
corrosão em ácido fluorídrico, embora seja resistente a outros meios ácidos; Assim, pode-se dizer que os
processos de corrosão são consideradas reações químicas que se passam na superfície de separação
entre o metal e o meio corrosivo. Para se entender os mecanismos pelos quais a corrosão se processa,
torna-se necessário conhecer um pouco de eletroquímica. 2.1 Reações de oxidação-redução São reações
em que há a variação do número de oxidação ou, em outras palavras, perda ou ganho de elétrons. O
fenômeno de oxi-redução é simultâneo, i.é.,sempre que há a oxidação (perda de elétrons,), ocorre
também redução (ganho de elétrons). Como exemplo, considere a reação de oxidação do ferro pelo
ácido clorídrico: Fe +2 HCL Onde: Fe0 Fe+2 +2 e2 H+ 2 eH2 FeO +2 H+ Fe+2 +H2 Observação: Agente
redutor: elemento que é oxidado (perde elétrons) no caso, o Fe Agente oxidante: elemento que é
reduzido (ganha elétrons) no caso, o H+ Outros exemplos: Reação 2 Mg +O2 2 MgO 4 Fe +3 O2 2 Fe2O3 2
Al +3 S Al2S3 Agente oxidante O2 O2 S Agente redutor Mg Fe Al FeCl2 +H2 (equação parcial de oxidação)
(equação parcial de redução) (equação total de oxi-redução) Apostila de corrosão 3 2.2 Mecanismos das
reações Redox As reações de oxi-redução ocorrem, geralmente, por intermédio da transferência de
elétrons. A seguir, são apresentados alguns mecanismos de reações redox: a) Reação entre magnésio e
solução de ácido sulfúrico: lâmpada Barra de magnésio Fio de cobre Solução de H2SO4, 3M .Reação de
oxidação do magnésio pelo ácido sulfúrico Reações envolvidas: (equação de oxidação) Mg Mg+2 +2 e 2 H+
2 e H2 (equação de redução) Mg +2 H+ Mg+2 +H2 (equação redox) Mg +H2SO4 MgSO4 +H2 (equação total)
b) Oxidação do zinco em solução de sulfato de cobre Barra de zinco Cu Zn+2 Solução de CuSo4 Oxidação
do zinco pelo sulfato de cobre. Apostila de corrosão 4 Reações envolvidas: Zn+2 +2 e(equação de
oxidação) Zn0 +2 Cu +2 eCu0 (equação de redução) Zn0 +Cu+2 Zn+2 +Cu0 (equação de oxi-redução) Zn
+CuSO4 ZnSO4 +Cu0 (equação total) c) Oxidação do zinco em solução de ácido clorídrico Barra de zinco
(Zn) Solução de HCl .Oxidação do zinco em solução de ácido clorídrico Reações envolvidas: Zn0 Zn+2 +2
e(equação de oxidação) 2 H+ 2 eH2 (equação de redução) Zn0 +2 H+ Zn+2 +H20 (equação redox) Zn +2
HCl ZnCl2 +H2 (equação total) 2.3 Potencial de eletrodo Quando um metal é imerso em uma solução
contendo íons deste metal, estabelece-se uma diferença de potencial entre as duas fases, a fase sólida
e a fase líquida. Esta diferença é simultaneamente de natureza química e elétrica e por isso denomina-
se diferença de potencial eletroquímico: M M n +n. e -onde M representa o metal. O sistema tende a
evoluir espontaneamente, de modo a atingir um estado de equilíbrio. Ou seja, há intercâmbio contínuo
de íons metálicos entre as duas fases. A velocidade de intercâmbio será diferente em cada uma das duas
direções e predominará aquela que diminua a energia livre do sistema (G 0). Se o potencial do metal
(EM), ou seja, dos íons metálicos na rede cristalina do metal, for maior que o potencial dos íons
metálicos em solução (ES), haverá passagem espontânea dos íons para a solução até atingir o equilíbrio
(EM=ES). O metal ficará com excesso de carga negativa pois os elétrons não podem Apostila de corrosão
5 existir livres na solução. Em outras palavras, os elétrons permanecem no metal. O metal adquire,
então, um potencial elétrico negativo em relação à solução. Por outro lado, se o potencial dos íons
metálicos em solução for maior do que na rede metálica, ocorre reação inversa: os íons da solução
passam para o metal e esta fica com excesso de carga positiva. A transferência contínua até que o
equilíbrio seja estabelecido. Neste caso o potencial elétrico da lâmina é positivo em relação a solução.
Portanto, se dois metais diferentes (ou seja, de potenciais diferentes) forem imersos em uma mesma
solução e ligados por um condutor metálico, haverá passagem espontânea de elétrons através do
condutor, no sentido do metal com excesso de carga negativa para aquele com excesso de carga
positiva, ou seja, do metal com menor potencial elétrico para o de maior potencial elétrico. Ocorre,
então, a formação de uma fonte geradora de corrente elétrica, uma pilha eletroquímica. 2.3.1 Potencial
padrão Eletrodo de referência O potencial de eletrodo mostra a tendência de uma reação se processar
no eletrodo, bem como dá a medida da facilidade com que os átomos do eletrodo metálico perdem
elétrons, ou a facilidade com que os íons recebem elétrons. Considera-se, então, eletrodo, o sistema
complexo do metal imerso no eletrólito. Para se determinar o potencial de eletrodo, fixou-se uma
concentração de íons para todas as medidas. Na prática usa-se uma solução de eletrólito com
concentração 1 molar. O potencial, medido em volts, desenvolvido em um metal imerso em uma solução
1 molar de seus íons é denominado de potencial padrão ou potencial normal. Logo, apenas um eletrodo
ou meia pilha em contato com uma solução 1 molar de seus íons é denominada de eletrodo padrão ou
meia pilha padrão. Representa-se, por exemplo, no caso do eletrodo de zinco: Zn / Zn +2 (1M) ou
Zn,Zn+2(1M) A figura 4, abaixo, mostra o esquema de um meia pilha padrão de zinco (ou eletrodo
padrão). Barra de zinco metálico Solução 1 M de Zn+2 Meia pilha padrão de zinco (ou eletrodo padrão).
Como é impossível medir o valor absoluto do potencial de um metal (de forma análoga, é impossível
medir a energia mecânica potencial), os potenciais de eletrodo são valores relativos, ou seja, compara-
se o potencial de meia pilha (do metal) com o eletrodo padrão de hidrogênio (eletrodo de referência). A
diferença de potencial (ddp) entre estes dois eletrodos causará um fluxo de elétrons de um eletrodo
para o outro e, desta maneira, determina-se o potencial de eletrodo ou de meia pilha do metal em
questão. O eletrodo padrão de hidrogênio (eletrodo de referência), ao qual atribui-se potencial zero, é
constituído por um fio de platina em cuja extremidade encontra-se uma placa de platina porosa, que
absorve grande parte do hidrogênio. Assim, age como se fosse um eletrodo de hidrogênio. Este eletrodo
é Apostila de corrosão 6 imerso em uma solução 1 M de íons H+.Os íons H+ podem ser, por exemplo, de
uma solução 1 M de HCl. Neste eletrodo é borbulhado hidrogênio gasoso sob pressão de 1 atm e a
temperatura de 25ºC. 3 -Determinação do potencial de eletrodo de meia pilha de um elemento Para
determinação do potencial de meia pilha de um elemento, liga-se o eletrodo (meia pilha) do metal ao
eletrodo padrão de hidrogênio. Por exemplo, a figura 5 mostra o esquema para medida do potencial de
meia pilha de zinco, Zn/Zn+ (1M): Voltímetro=0,763 Zn Pote salina H2, 1atm Zn+2, 1M Reação de
oxidação H+,1 M Reação de redução Placa porosa de platina .Esquema para medida do potencial de meia
pilha de zinco. A voltagem registrada no voltímetro será de 0.763 V, que vem a ser o potencial padrão
de meia pilha de de Zn/Zn+2 (1 M). O potencial total da pilha será igual a soma algébrica dos potenciais
do anodo (região onde os elétrons saem para o circuito elétrico), ou seja, o eletrodo de zinco, e o
catodo (região onde os elétrons entram na solução), ou, seja, o eletrodo de hidrogênio: Epilha =Eanodo
+Ecatodo =EZn/Zn+2(1M) +EPt,H2(1 atm, 25ºC)/H+(1M) Calculando-se a meia pilha, obtém-se: 0,763V
=EZn/Zn+2(1M) +0 EZn/Zn+2(1M) =0,763 V NOTAS: 1. a ponte salina é construída com um eletrólito (KCl
ou NaCl ou mesmo uma solução destes sais) colocados dentro do tubo em forma de U. Este tubo é,
então, arrolhado em suas extremidades com algodão ou similar poroso inerte. O papel da ponte salina é
fechar o circuito e garantir uma lenta migração de íons de uma cuba eletrolítica para outra. 2. o sentido
do fluxo dos elétrons, pelo fio condutor externo às cubas, fornecerá o sinal do potencial. Cada meia
pilha possui tendência a doar (potencial positivo) ou receber (potencial negativo) elétrons em relação a
meia pilha padrão de hidrogênio. [E1] Comentário: [E2] Comentário: Apostila de corrosão 7 Por
exemplo: Zn / Zn +2 (1 M ) e H2 / H +(1 M ) ,Cu / Cu +2 (1 M ) e H 2 / H +(1 M ) ,logo Zn/Zn+2(1M)
=0,763 V logo Cu/Cu+2(1M)=-0,337V 3.1 -Tabela dos potenciais de eletrodo padrão A tabela dos
potenciais de eletrodo padrão representa os potenciais relativos à oxidação dos eletrodos. Ou seja,
reações que aconteceriam espontaneamente. Se as reações forem inversas (reações de redução) os sinas
dos potenciais deverão ser invertidos. A tabela 1, a seguir, mostra os potenciais de eletrodo padrão para
diversos metais. Apostila de corrosão 8 Tabela 1 Potenciais de eletrodo padrão para diversos metais.
Apostila de corrosão 9 3.2 -O uso da tabela dos potenciais padrão de eletrodos Quanto maior o potencial
de eletrodo do elemento, maior será sua tendência para ser oxidado e isso definirá o sentido espontâneo
da reação. Exemplo: Qual o sentido espontâneo da reação abaixo? Fe +Zn+2 -Fe+2 +Zn Solução: Da
tabela de poenciais padrão, temos: E0Zn+2 =0,763 V E0Fe+2 =0,440 V Zn Zn2+ 2 e- (0,763 V) Fe Fe+2 +2
e- (0,440 V) Logo, o sentido espontâneo da reação será 3.2.1 -Limitações da tabela A tabela dos
potenciais nos dá a possibilidade de uma reação se pocessar, mas nada nos diz sobre a velocidade da
reação. Esta tabela foi estabelecida para condições padronizadas (soluções 1M, 25ºC e 1 atm). Logo, se
as concentrações, temperaturas e pressão forem diferentes, os valores dos potenciais serão diferentes,
podendo inclusive mudar a posição dos elementos na tabela. 3.2.2 equação de Nernst A equação de
Nernst fornece ma maneira rápida e prátíca para o cálculo dos potenciais em condicões fora das
padrões. Para determinação dos potenciais em condições não padrão utiliza-se a seguinte expressão: Fe
+Zn+2 Fe+2 +Zn E =Eº -(R.T/n.F) Ln Q Onde: E =potencial real, em volt Eº =potencial padrão, em volt R
=constante dos gases ideais, 8.314 J/K.Mol T =Temperatura. K N =número de elétrons (modificação do
número de oxidação das espécies químicas) ou número de elétrons ganho pelo oxidante. F =constante de
Faraday =96500 Coulombs (carga elétrica necessária para eletolizar um equivalente grama de uma
substância ) Q =relação entre as atividades químicas dos produtos e reagentes Apostila de corrosão 10
OBS -A atividade é igual a concentração molar (concentração em moles por 1000 g de solvente)
multiplicada por m fator de correção chamado de coeficiente de atividade. O coeficiente de atividade é
função da temperatura e da concen.tração e deve ser determinado experimentalmente. No caso de
soluções de eletrólitos muito diluídas, pode-se considerar, sem erro apreciável a atividade igual a
concentração pois, nestes casos, o coeficiente de atividade é praticamente igual a 1. Pode-se cscrever
para o eletrodo em questão a seguinte expressão: M então: como convecionalmente aM =1, temos que:
Mn+ n e- Q =aMn+'/ aM Q =aMn+ porém, para soluções diluídas, aMn+ [ concentração de Mn+], ou seja, Q
=[Mn+]. Assim, a equação de Nernst pode ser reescrita como: 8,314.T n+ E =E0 -2,303.Log M n.96500 [ ]
Exemplos 1. 2. Qual o potencial de eletrodo (ou de meia pilha) de cobre imerso em uma solução 0,01M
de Cu2+,a 25 ºC? Qual o potencial de uma pilha constituída pelas meias pilhas de Zn/Zn2+ (0,01M) e
Cu/Cu2+ (0,1M), a 25 ºC? Apostila de corrosão 11 4 -Tipos de pilhas e mecanismos de corrosão
Termodinâmicamente, o potencial de um eletrodo, agindo reversivelmente, está relacionado com a
variação de energia livre do sistema ou energia livre de Gibbs (G): G0 =n.F.E0 onde n é o número de
elétrons envolvidos, F a constante de Faraday e E0 o potencial de eletrodo padrão. Se: G0 0 a reação é
espontânea G0 =0 a reação está em equilíbrio 0 G 0 a reação ocorre de forma não espontânea De forma
análoga, se: E 0 a reação é forçada (não espontânea) E =0 a reação encontra-se no equilíbrio E 0 a
reação ocorre de forma espontânea Segundo o meio onde ocorre, a corrosão pode ser: Corrosão Química
o meio é não iônico, incluindo gases a baixa e alta temperatura, os líquidos anidros e os metais
fundidos. Assimila-se à corrosão seca. Corrosão Eletroquímica o meio é iônico, envolvendo os íons de
água. É também chamada de corrosão úmida. Corrosão Microbiológica Se processa sob a influência de
microrganismos (bactéria, fungos, algas, etc.). Observação: Erosão é o desgaste de materiais pela ação
abrasiva de fluidos em movimento, usualmente acelerado pela ação de partículas sólidas ou material em
suspensão e não deve ser confundido com corrosão. As diferentes formas de destruição provocadas pela
corrosão podem ser classificadas da seguinte maneira: Corrosão uniforme; Corrosão por placas; Corrosão
alveolar; Corrosão puntiforme ou por pite; Corrosão intergranular (ou intercristalina); Corrosão
intergranular (ou transgranular ou transcristalina); Corrosão filiforme; Corrosão por esfoliação; Corrosão
grafítica; Corrosão por dezincificação; Corrosão por empolamento pelo hidrogênio; Corrosão em torno
de cordão de solda. Apostila de corrosão 12 A figura 6 apresenta, de forma esquemática, algumas dessas
formas de corrosão. Representação esquemática de algumas formas de corrosão. A corrosão uniforme se
processo em toda a extensão da superfície, ocorrendo perda uniforme de espessura, como mostra a
figura 7. É chamada, também, de corrosão generalizada, em alguns casos. Porém, o termo corrosão
generalizada deve ser usado com cuidado, pois podemos ter também corrosão por pite ou alveolar
generalizada. Corrosão uniforme na área de contato entre tubo de latão e material nãometálico
(corrosão por aeração diferencial na área de contato, devido à presença de fresta). A corrosão por
placas se localiza em regiões de superfície metálica e não em toda sua extensão, como pode ser visto na
figura 8. Apostila de corrosão 13 .Corrosão por placas em uma chapa de aço carbono do costado de um
tanque. A corrosão alveolar se processa na superfície metálica produzindo sulcos ou escavações
semelhantes a alvéolos. Apresenta fundo arredondado e profundidade geralmente menor que o seu
diâmetro. Afigura 9 mostra exemplos da corrosão alveolar. a. Corrosão alveolar em um tubo de aço
carbono. b. Corrosão alveolar generalizada em um tubo de aço carbono. Apostila de corrosão 14 A
corrosão puntiforme ou por pite se processa em pontos ou pequenas áreas localizadas na superfície
metálica, produzindo pites, que são cavidades que apresentam o fundo em forma angulosa e
profundidade, geralmente, maior que o seu diâmetro, como mostra a figura 10. A figura 11 mostra
diferentes formas com que a corrosão por pite pode se apresentar, segundo a ASTM (Americam Stamdart
of Testing Materials). Corrosão por pite em um tubo de aço inoxidável AISI 304. Várias formas de pite,
segundo a ASTM. A corrosão intergranular ocorre entre os grãos da rede cristalina do material metálico,
como mostra a figura 12, o qual perde suas propriedades mecânicas e pode fraturar quando solicitado
por esforços mecânicos, tendo-se então a corrosão sob tensão fraturante, figura 13. Corrosão
integranular ou intercristalina Apostila de corrosão 15 .Corrosão sob tensão fraturante em tubo de aço
inoxidável AISI 304. A corrosão intragranular se processa nos grãos da rede cristalina do material
metálico, como pode ser visto na figura 14.a. O material perde suas propriedades mecânicas e pode
fraturar à menor solicitação mecânica, ocorrendo a corrosão por tensão fraturante, figura 14.b. a.
Corrosão intergranular ou transcristalina em aço inoxidável submetido à ação de cloretos e temperatura.
b. Corrosão sob tensão fraturante em palheta de agitador de aço inoxidável. Apostila de corrosão 16 A
corrosão filiforme se processa sob a forma de finos filamentos, mas não profundos, que propagam em
diferentes direções e que não se ultrapassam. Admite-se que isso não ocorre porque o produto de
corrosão possui carga positiva, ocorrendo repulsão. Geralmente ocorre em superfície metálicas
revestidas com tintas ou com metais, ocasionando o deslocamento do revestimento. Tem sido observada
mais frequentemente quando a umidade relativa do ar é maior que 85% e em revestimentos
impermeáveis à penetração de oxigênio e água ou apresentando falhas, como riscos ou em regiões de
arestas. A corrosão por esfoliação ocorre de forma paralela à superfície metálica. Aparece em chapas ou
componentes extrudados que tiveram seus grãos alongados e achatados, criando condições para que
inclusões ou segregações, presentes no material, sejam transformadas, devido ao trabalho mecânico,
em plaquetas alongadas. O produto de corrosão é volumoso e ocasiona a separação das camadas
contidas entre as regiões que sofreram a ação corrosiva. Essa forma de corrosão tem sido
frequentemente observada em ligas de alumínio 2.000 (Al, Cu, Mg), 5.000 (Al, Mg) e 7.000 (Al, Zn, Cu,
Mg). A figura 15 mostra um exemplo da ocorrência deste tipo de corrosão. Corrosão por esfoliação em
liga de alumínio. A corrosão grafítica se processa no ferro fundido cinzento em temperatura ambiente.
O ferro metálico é convertido em produtos de corrosão, restando a grafite intacta. A área corroída fica
com um aspecto escuro, característico da grafite, como pode ser visto na figura 16. a. Corrosão grafítica
do ferro fundido (observe o aspecto escuro da área corroída). Apostila de corrosão 17 .b. Corrosão
grafítica em ferro fundido cinzento (veja parte escura da figura). A corrosão por dezincificação ocorre
em ligas de cobre-zinco (latões), surgindo uma região avermelhada, em contraste com a cor amarelada
típica desses materiais. Ocorre a corrosão preferencial do zinco, restando o cobre com suas
características e cor avermelhada. Vide figuras 17. A dezincificação e a corrosão grafítica são exemplos
de corrosão seletiva, ocorrendo a corrosão preferencial do zinco e do ferro, respectivamente. a. Trecho
de tubos de latão (70/30) com dezincificação: as áreas mais escuras são as dezincificadas. Apostila de
corrosão 18 .b. Parte interna da válvula de latão apresentando corrosão por dezincificação: área com
coloração avermelhada e destruição da parte rosqueável. O empolamento pelo hidrogênio ocorre
quando o hidrogênio atômico penetra no material metálico. Como possui pequeno volume atômico,
difunde-se facilmente para regiões onde existem descontinuidades, como inclusões ou vazios. Nesses
lugares, transforma-se em hidrogênio molecular (H2), exercendo pressão e originando a formação de
bolhas, como pode ser visto na figura 18. a. Tubo de aço carbono com empolamento pelo hidrogênio
ocasionado por H2S em água. Apostila de corrosão 19 A corrosão em torno do cordão de solda, como
mostra a figura 19, ocorre em aços inoxidáveis não-estabilizados ou com teores de carbono superiores a
0,03%.A corrosão segue o mecanismo intergranular. a. Corrosão em componentes tubulares nas
proximidades da solda. b. Corrosão em componentes tubulares com perfuração localizada na parte
inferior do cordão de solda. Apostila de corrosão 20 Uma das formas de corrosão é a destruição
eletroquímica de materiais metálicos por reação com o meio ambiente. Temos então, uma interação de
eletricidade e de reação química que ocasiona ou é ocasionada por m fluxo de elétrons. Para um
corrente de elétrons escoar é necessário um circuito elétrico completo, sendo ele, em um sistema de
corrosão, constituído de quatro componentes: Anodo -eletrodo em que há oxidação (corrosão) e onde a
corrente, na forma de íons metálicos positivos, entra no eletrólito; Eletrólito condutor, usualmente um
líquido, contendo íons que transportam a corrente para o catodo. Catodo -eletrodo em que há redução e
onde a corrente sai do eletrólito Circuito metálico -ligação entre anodo e catodo. por onde escoam os
elétrons no sentido anodo 4.1 -Pilhas de eletrodos diferentes Imagine dois metais diferentes
mergulhados num mesmo eletrólito, como mostra a figura 20. Como pode ser visto na figura, os metais
tomados como exemplo são o ferro (E0=0,440V) e o cobre (E0=0,337V). Neste caso, quem é o catodo e
quem é o anodo? Para responder a pergunta, vamos tomar um exemplo. catodo. Pilhas de eletrodos
diferentes. Exemplo. Se uma tubulação de ferro for ligada a uma válvula de bronze (liga de cobre e
estanho), em presença de eletrólitos (por exemplo, o próprio solo), tem-se uma corrosão no contato
ferro-latão, corroendo-se, preferencialmente, o tubo de ferro, pois este funcionara como anodo da pilha
formada. Como mostra a figura 21. Tubulação de ferro ligada à uma válvula de bronze. Apostila de
corrosão 21 Outro exemplo é o caso do magnésio ligado a uma tubulação de ferro, estando o sistema
enterrado. Pode-se verificar que o anodo é o Mg (potencial de +2,37 V), que sofre corrosão, enquanto
que o ferro funciona como catodo, ficando protegido. Estes exemplos demonstram o conceito de pilhas
de eletrodos diferentes. Um fenômeno de corrosão que configure uma pilha de eletrodos diferentes é
chamado de CORROSÃO GALVÂNICA. Pode-se considerar como exemplos particulares de pilhas de
eletrodos diferentes as chamadas pilhas ativa-passiva e de ação local. 4.1.1- Pilha ativa-passiva A
princípio, o elemento anódico é o que sofre corrosão, enquanto o elemento catódico fica protegido.
Alguns metais e ligas tendem a se tornar passivos devido à formação de uma fina película aderente de
óxido ou outro composto insolúvel na sua superfície. Entre estes metais e ligas tem-se o Al, Pb, aço
inoxidável, Fe e Cr. A passivação faz com que estes materiais funcionem como área catódica. Entretanto
íons cloreto e, em menor escala, o brometo e iodeto destroem esta passivação ou impedem sua
formação. A destruição da passividade pelo íon cloreto não ocorre sobre toda a extensão da película e
sim em pontos, talvez, determinados por pequenas variações na estrutura e na espessura da película
Assim, ocorre a formação de pequenos pontos de metal ativo (anodos) circundados por grandes áreas de
metal passivado (catodo). Isto causa a ocorrência da formação de uma diferença de potencial entre
estas áreas na ordem de +/- O,5V. A esta pilha resultante chama-se pilha ativa-passiva. 4.1.2 -Pilha de
ação local Observa-se que o zinco puro resiste mais à ação do ácido sulfúrico ou clorídrico diluído que o
zinco comercial. As impurezas do zinco comercial (Fe, Cu, C, etc.) funcionam como micro-catodos,
fazendo com que o zinco puro, presente, funcione como anodo. Quando os anodos e os catodos estão
em contato direto e na presença de um eletrólito forma-se uma pilha de ação local, figura 22. Pilha de
ação local em uma chapa de zinco impuro. Apostila de corrosão 22 4.2 -Pilhas de concentração Existem
casos em que os eletrodos, embora de mesma natureza, podem, originar uma diferença de potencial,
ocasionando processos de corrosão. Isto ocorre quando se tem o eletrodo em contato com diferentes
concentrações de um mesmo eletrólito ou em contato com o mesmo eletrólito, porém em locais em que
os teores de gases dissolvidos são diferentes. São dois os tipos de pilha de concentração: 4.2.1 -Pilha de
concentração iônica São pilhas formadas por eletrodos de mesma natureza, em contato com soluções de
diferentes concentrações. A figura 23 mostra um esquema de uma pilha de concentração iônica.
Esquema de uma pilha de concentração iônica. De acordo com a equação de equilíbrio, para um
eletrodo metálico temos: M0 M n+ n.e- Pode-se verificar que diminuindo-se a concentração dos íons
Mn+,o equilíbrio tende a deslocar-se no sentido aumentando a tendência à perda de elétrons. Assim,
ocorre a elevação do valor do potencial de oxidação e vice versa. De forma resumida, o anodo é aquele
metal que se encontra na solução diluída. Por outro lado, o catodo é aquele colocado na solução
concentrada. As diferenças locais das concentrações dos íons metálicos, ocasionadas pela agitação
inadequada ou difusão dos íons metálicos, podem ativar ou iniciar a corrosão por um mecanismo
galvânico que se denomina de célula ou pilha de concentração iônica. Peças metálicas rebitadas ou com
frestas, onde o eletrodo tem difícil acesso tornam-se mais concentradas em íons metálicos formados
pela corrosão. Nas regiões de fácil acesso do eletrólito, os íons metálicos formados são arrastados pelo
eletrólito em movimento, tendo-se, então, um gradiente de Apostila de corrosão 23 concentração que
ocasiona a ddp (diferença de potencial). A corrosão originada por este tipo de pilha é conhecida por
corrosão por contato, corrosão em frestas ou corrosão por concentração diferencial. 4.2.2 -Pilha de
aeração diferencial São pilhas constituídas de eletrodos idênticos, em contato com o mesmo eletrólito e
de mesma concentração, mas apresentando regiões com diferentes concentrações de gases dissolvidos.
Como ocorre com mais frequência em regiões com diferentes concentrações de oxigênio, é conhecida
por pilha de oxigenação diferencial. A diferença de concentração origina uma ddp, funcionando o
eletrodo mais aerado como catodo e o menos aerado como anodo, como mostra a figura 24. Pilha de
aeração diferencial. Em frestas, onde a aeração é pequena, a baixa concentração de oxigênio no
eletrólito que se encontra no interior das mesmas, e uma concentração maior de oxigênio no eletrólito
que se encontra em contato com o metal fora das frestas, gera uma ddp. Tubulações onde ocorra a
possibilidade de deposição de partículas sólidas, como óxidos, areia, etc.,estão sujeitas ao mesmo
processo corrosivo. A figura 25 mostra um caso típico de pilha de aeração diferencial. Apostila de
corrosão 24 .Cracas na faixa de variação da maré em estacas no mar e corrosão acentuada na zona de
respingos. 4.3 -Pilhas de temperaturas diferentes São pilhas constituídas de eletrodos do mesmo
material metálico, imersos em eletrólito de mesma composição inicial, porém os eletrodos estando a
diferentes temperaturas. Quanto ao estudo do fenômeno, temos que a elevação de temperatura na
região eletrodo eletrólito ocasiona: 1. 2. 3. aumento da velocidade da reação eletroquímica, bem como
o aumento da taxa de difusão. Logo, o aumento da temperatura aumenta a velocidade do processo
corrosivo neste eletrodo. a quantidade de gases dissolvidos que, segundo o princípio da pilha de aeração
diferencial, aumenta a velocidade do processo corrosivo neste eletrodo. No entanto, se estes gases não
puderem escapar da região, ocorre a diminuição do processo corrosivo. pode aumentar a porosidade,
volatilidade e solubilidade das películas protetoras formadas sobre a superfície do eletrodo, diminuindo,
assim, a passivação e aumentando o processo corrosivo do eletrodo. No entanto, poderá aumentar a
plasticidade da película protetora fazendo com que a mesma possa recobrir uma maior área do
eletrodo, diminuindo, assim, o processo corrosivo no eletrodo em questão. 5 -Meios corrosivos Os meios
corrosivos mais frequentemente encontrados são os seguintes: atmosfera, águas naturais, água do mar,
solo, produtos químicos, alimentos e substâncias fundidas. Na atmosfera a ação corrosiva é,
principalmente, influenciada pela poeira, gases e umidade. Poeira: deposição de material não metálico,
criando condições de aeracão diferencial -deposição de substâncias que retém umidade ou que sejam
higroscópicas -deposição de material metálico, ciando pilhas de eletrodos diferentes Apostila de
corrosão 25 Os gases contaminantes mais frequentemente encontrados na atmosfera são: CO, CO2, SO2,
SO3, H2S, NH3 e NO2. Muitos destes gases combinados com a umidade do ar formam ácidos que iniciam
o processo corrosivo. Assim como na atmosfera, as águas naturais do mar e do solo contém íons que
tornam o sistema um eletrólito, possibilitando a formação de meios corrosivos. No caso de alimentos, a
importância do efeito corrosivo está ligado à formação de possíveis sais metálicos tóxicos: geralmente
empregam-se ácidos orgânicos como agentes conservadores dos alimentos. No caso de substâncias
fundidas, o efeito corrosivo está ligado ao fato do material metálico ser solúvel no composto ou metal
fundido. Assim, nos metais fundidos, tem-se a formação de ligas ou de compostos intermediários. Além
disso, pode-se ter, também, oxidação do material metálico fundido: 2 NaOH +M 2 NaNO3 +3 M Na2O
+MO +H2 Na2O +3 MO +2 NO 6 -Corrosão eletroquímica 6.1 -Introdução O processo de corrosão
eletroquímica pode ser decomposto em três etapas principais: fenômeno anódico (oxidação)
-deslocamento de elétrons e íons -fenômeno catódico (redução) No catodo, pode-se ter as seguintes
reações católicas: a) meio neutro não aerado: b) meio neutro aerado: c) meio ácido não aerado: d) meio
ácido aerado: 2 HOH +2 e2 HOH +O2 2 H+ 2 e2 H+ O2 +2eH2 +2 OHOHH2 2 HOH Observação: Em meio
neutro, a região catódica torna-se básica e, em meio ácido, diminui a acidez, pois ocorre a reação: H+
OHH2O, que é uma reação de neutralização,.Conclui-se, também, que a corrosão eletroquímica será
tanto mais intensa quanto maior a acidez (alto teor de H+) e maior teor de oxigênio do meio. O oxigênio
é considerado como fator de controle, pois o caso do meio neutro aerado ele age como despolarizante
(intensificando a corrosão), isto é, reage com o H2, que poderia ficar adsorvido na superfície do catodo
polarizando a pilha. Por este fato é que se costuma-se fazer a deaeração de águas usadas para fins
industriais, como, por exemplo, águas para caldeiras. Entretanto, observa-se que o oxigênio não
funciona somente como estimulador de corrosão. Ele pode agir, até certo ponto, como protetor pois
pode reagir diretamente com a superfície do metal formando uma camada de óxido que retardará o
contato do material com o meio corrosivo. Pode formar, também, uma película de oxigênio adsorvida
sobre o material metálico, tonando-o passivo. Apostila de corrosão 26 Deve-se ter alguns cuidados, pois
alguns metais, como o cobre, em certos meios corrosivos tem o oxigênio como acelerador da corrosão:
Exemplo: Cu +HCI 2 Cu +O2 Cu2O +2 HCl não há reação Cu2O 2 CuCl +H20 Quanto às reações catódicas e
anódicas, deve-se notar que os processos católicos e anódicos são rigorosamente equivalentes (cátions
ânions) não se reproduzindo acúmulo de eletricidade. Além disso, a quantidade de massa decomposta
pelo processo corrosivo obedece a lei de Faraday. 6.2 -Heterogeneidades responsáveis pela corrosão
eletroquímica A corrosão eletroquímica pode se verificar sempre que houver heterogeneidades no
sistema material metálico-meio corrosivo. 6.2.1 -Diferença de potencial associada com o metal
Contorno dos grãos -algumas experiências mostram que, geralmente, o contorno dos grãos funciona
como área anódica em relação ao grão, que funciona como área catódica. Daí, então, o ataque
intergranular. Certas ligas metálicas, em certas soluções, pode apresentar o contorno dos grãos catódico
em relação ao grão (anódico). Neste caso, temos o ataque granular. Ex. Ataque do Alumínio (99,98 %de
pureza) pelo HCl (10 a 20%). tamanho dos grãos -um grão fino, de um dado metal, contém energia
interna maior que um grão grosseiro. Tratamentos térmicos ou metalúrgicos diferentes se uma parte de
uma superfície metálica sofrer um tratamento térmico diferente das regiões restante, há a formação de
uma diferença de potencial entre estas regiões. Isso ocorre quando, por exemplo, num cordão de solda.
Mesmo que o material da solda seja o mesmo do material a ser soldado, a área em torno dos grãos
funciona como área anódica. 6.2.2 -Diferença de potencial associado com a superfície metálica
Polimento da superfície metálica -superfícies metálicas altamente polidas podem apresentar potenciais
diferentes daquelas de superfícies rugosas. As películas apassivadoras formam-se de maneira mais
uniformes em superfícies polidas. Bordas de superfícies metálicas -essas regiões, geralmente, se tornam
mais suscetíveis ao ataque, tornando-se áreas anódicas. Isso ocorre pelo fato destas regiões não serem
tão polidas quanto a superfície. Diferença de forma -a forma de um material metálico pode ocasionar
problemas de corrosão. Superfícies convexas, geralmente, funcionam como catodo em relação à
superfície côncava: fios de pequeno diâmetro tem uma velocidade de corrosão maior do que fios de
diâmetro maior. Deformações diferenciais -quando um material metálico está submetido à tensão,
observa-se que a região tencionada funciona como catodo em relação à região não tencionada. Ex. Um
prego dobrado em V, onde a cabeça, a ponta e o vértice funcionam como áreas anódicas. 6.2.3
-Diferença de potencial associada com o meio corrosivo -concentração diferencial -aeracão diferencial
-aquecimento diferencial Apostila de corrosão 27 6.3 -Exemplos de corrosão eletroquímica 6.3.1
-Corrosão galvânica Um fato importante da corrosão galvânica é a relação entre as áreas anódicas e
catódicas. Se a área catódica for pequena em relação à anódica, corrosão não será muito acentuada.
Porém, em caso contrário sim. A grande área catódica ocasiona uma alta densidade de corrente na
parte do metal que está sendo atacada (anodo) e, consequentemente, alta taxa de corrosão. Daí ser
mais seguro o uso de rebites de material metálico catódico, em uma estrutura anódica, do que o
inverso. Área catódica pequena área anódica grande corrosão pouco acentuada. OBS.:Quando houver a
necessidade de se ligar dois materiais metálicos de potenciais diferentes, deve-se consultar a tabela
padrão de potenciais ou utilizar a equação de Nernst. 6.3.2 -Corrosão eletroquímica -Potenciais
aplicados Nos casos vistos anteriormente, verificou-se que a diferença de potenciais entre os eletrodos é
devido somente aos seus potenciais diferentes, sendo originária de um processo espontâneo. Entretanto,
podem ocorrer casos em que a diferença de potencial é proveniente de uma fonte de energia externa,
não sendo necessário que os eletrodos sejam de diferentes natureza. Esquematizando, temos: Pilhas
galvânicas (Processo espontâneo): A +B Anodo A Catodo B +e- A+BA+ eB- Célula ou cuba eletrolítica
(processo não espontâneo): A+ BA+B+ Anodo A +e A Catodo BB+ eA célula eletrolítica, que tem
importância no estudo da corrosão, é aquela em que um dos eletrodos funciona como anodo ativo, isto
é, perdendo elétrons e, portanto, oxidando-se. A quantidade de metal consumido anodicamente pode
ser calculada pela lei de Faraday. 6.3.3 -Corrosão grafítica É a corrosão que ocorre no ferro fundido
cinzento (ferro grafitado), onde o ferro metálico é convertido em produtos de corrosão, restando a
grafite intacta. Ocorre, geralmente, em tubulações de ferro fundido usadas para transporte de água.
Nesta pilha temos: ferro (anodo), meio corrosivo (condutor eletrolítico) e grafite (catodo). 6.3.4
-Dezincificação É o tipo de corrosão que pode ocorrer mais frequentemente em ligas de cobre e zinco
(latão) Apostila de corrosão 28 colocadas em um eletrólito. O Zinco é corroído preferencialmente,
restando um resíduo poroso de cobre e produtos de corrosão. 6.4 -Velocidade de corrosão A velocidade
de corrosão eletroquímica representa a perda de massa do material metálico em função do tempo por
unidade de área. Exprimindo-se essa velocidade em equivalentes-grama por unidade de área por
segundo, o seu valor será obtido pela relação: v= onde: i F.S v =velocidade ou taxa de corrosão i
=intensidade da corrente elétrica (Ampere, A) F =constante de Faraday (96500 Coulombs, C) S =área
anódica A velocidade de corrosão eletroquímica é diretamente proporcional à intensidade da corrente
elétrica que, por sua vez, depende do potencial do elemento sujeito à corrosão e da resistividade dos
circuitos metálicos e eletrólitos. Por problemas de polarização e passivação que ocorrem durante o
processo corrosivo, é difícil ter um valor constante para a velocidade da corrosão. A figura xxx mostra
curvas características de perda de massa, devido aos processos corrosivos, por unidade de tempo. C
Perda de massa A D B t tempo Figura .Curvas características de perda de massa por unidade de tempo.
As curvas representam: A. Velocidade constante de corrosão eletroquímica. Ocorre quando a superfície
metálica não varia, o produto de corrosão é inerte e a concentração de agente corrosivo é constante.
Este é um caso raro de corrosão. B. Idêntica à anterior. Porém, há um período de indução gasto pelo
agente corrosivo para destruir a película protetora. C. Velocidade inversamente proporcional ao produto
de corrosão formado. O produto de corrosão é insolúvel e adere à superfície metálica. Apostila de
corrosão 29 D. A velocidade de corrosão cresce rapidamente e os produtos de corrosão são solúveis no
meio. 6.4.1 -Polarização Quanto maior a diferença de potencial entre os metais que compõem os
eletrodos maior será a força que provoca a corrosão. Entretanto, relativamente à velocidade de
corrosão, outros fatores devem ser considerados. Assim, quando dois metais diferentes são ligados e
mergulhados num eletrólito e fechandose o circuito, observa-se uma diferença de ddp entre os
eletrodos com o tempo, isto é, o potencial de eletrodo do anodo torna menos eletropositivo e o do
catodo, menos eletronegativo. As causas dessa variação podem ser várias: reações secundárias que
conduzem à formação de películas protetoras ou reforços de películas já existentes, destruição de
películas, fenômenos de adsorção de gases contidos na solução ou em outras substâncias, saturação da
solução nas vizinhanças dos eletrodos, diminuição de uma espécie iônica que se deposita ou se
desprende do catodo, etc. Quando as reações anódicas e catódicas se processam nos metais, eles se
polarizam mutuamente, tem-se o que se chama de polarização dos eletrodos, polarização anódica no
anodo e polarização catódica no catodo. Quanto mais polarizada se tornar uma reação no eletrodo,
menor a velocidade de corrosão resultante. 6.4.2 -Passivação Se colocarmos o ferro em ácido nítrico
diluído ele será rapidamente atacado. Porém, se colocarmos em ácido nítrico concentrado ele é
fracamente atacado. Se o ferro for retirado do ácido concentrado e colocado novamente no ácido
diluído, este não será mais atacado. Dizemos, então, que o metal está no estado passivado. O Al, Cr,
aço inox e alguns outros metais apresentam comportamento semelhantes em determinados meios.
Nestas condições passivas dos metais, o seu comportamento eletroquímico revela-se mais nobre, isto é,
menor potencial do que o metal apresentaria normalmente. A explicação está no fato da geração de
uma película protetora do óxido correspondente na superfície do metal. Por exemplo, o alumínio forma
uma película protetora na sua superfície de óxido de alumínio, que torna-o passivado. 7 -Corrosão
microbiológica É aquela onde a corrosão do material metálico se processa sob a influência de
microorganismos (bactérias, fungos, etc). Os microrganismos podem interferir das seguintes maneiras:
influência direta na velocidade das reações anódicas e catódicas -modificação na resistência da película
formada na superfície metálica pelos produtos de seu metabolismo -originam meios corrosivos
-formação de tubérculos, cujo crescimento e multiplicação possibilitam a formação de pilhas de aeração
diferencial. Geralmente, os microrganismos são fonte geradora de produtos que, dependendo do meio
em que se encontram, poderão iniciar um processo de corrosão química ou eletroquímica. 8 -Influência
de fatores mecânicos na corrosão -corrosão sob fadiga -corrosão com erosão, cavitação e turbulência,
corrosão sob atrito Apostila de corrosão 30 -fragilização pelo hidrogênio -fendimento por álcali 9
-Proteção contra a corrosão A proteção contra a corrosão necessita, via de regra, a produção e
manutenção de uma camada sobre a base do material, tomando-o impermeável aos agentes corrosivos.
Os métodos práticos adotados para diminuir a taxa de corrosão dos materiais metálicos podem ser
esquematizados da seguinte forma: a) Métodos que se fundamentam em revestimentos protetores
-revestimentos com produtos da própria reação (tratamento químico ou eletroquímico) -revestimentos
metálicos -revestimentos orgânicos (tintas, resinas) -revestimentos inorgânicos (esmaltes, cimentos) b)
Métodos que se fundamentam na modificação do meio corrosivo -deaeração. purificação ou diminuição
da umidade do ar -emprego de inibidores. c) Métodos que se fundamentam na modificação do processo
-proteção catódica com anodos de sacrifício -proteção catódica com tensões elétricas impostas d)
Métodos baseados na modificação do metal -pelo aumento da pureza -pela adição de elementos-liga
-pelo tratamento térmico 9.1 -Métodos baseados na modificação do meio corrosivo 9.1.1- Deaeração É a
remoção de agentes gasosos corrosivos como o oxigênio, por meio de processos químicos ou Mecânicos.
9.1.1.1 -Deaeração química a) contato com superfície de ferro -a água aquecida entra em contato com
uma superfície porosa de ferro, contida em um tanque fechado chamado desativador ou deaerador. O
O2 reage com o ferro e a água é filtrada tomando-se menos corrosiva. b)deaeração com hidrazina
(N2H4) Ocorre a reação: N2H4 +O2 N2 +2H2O, que é uma reação lenta em temperaturas inferiores a
180ºC. Pode-se elevar a velocidade da reaç
(Ver Menos)