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Transcrição – Turma de Exercícios – Diurna (16/03/2010 a 29/04/2010)


FESUDEPERJ – Fundação Escola Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro

TURMA DE EXERCÍCIOS DIURNA


CONCURSO DA DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

AULA 02 – 17/03/2010 – DIREITO PENAL – PARTE ESPECIAL


PROFESSORA: LÚCIA HELENA SILVA BARROS DE OLIVEIRA

A professora procurou trazer, com as perguntas apresentadas, um pomar de perguntas


que até mesmo já caíram nas provas anteriores da Defensoria, mas outra que ainda não caíram
ainda e foram retiradas da jurisprudência, mas focadas e direcionadas para a prova inicial. Vocês
poderão identificar que as respostas não serão como peças processuais ou mais complicadas,
pois, justamente, se está focando na 1ª fase do Concurso – a prova preliminar.

Sobre o livro de doutrina: não há um livro próprio para a Defensoria Pública, ou para
qualquer concurso, pois não existe uma fórmula mágica para passar. O que se deve ter é uma boa
base doutrinária e estar de acordo com a jurisprudência, principalmente de acordo com os
informativos do STJ e do STF, pois as brechas de defesa que o Defensor “pesca” são tiradas da
jurisprudência, que sempre traz novos fundamentos.

Assim, as questões abaixo são tanto teóricas (conceituais), como práticas, buscando
teses defensivas, pois não sabemos qual será a intenção do Examinador.

Outra observação: os exercícios estão propositadamente fora da ordem apresentada


no Código Penal, pois na prova, também não estará.

1ª Questão

Pedro está sendo acusado da prática de roubo, majorado pelo emprego de arma de
fogo defeituosa e pelo concurso de pessoas e corrupção de menores, pois praticou o delito com o
adolescente João, que já possuía seis passagens pela Vara de Infância e Juventude. Qual a tese
defensiva a ser usada por Pedro? Qual o regime de penas adequado, considerando a primariedade
e os bons antecedentes de Pedro?

Raciocínio: antes de respondermos à questão, vamos dar a correta capitulação penal do crime de
Pedro  roubo (art. 157)  pena majorada pelo emprego de arma de fogo defeituosa (art. 157,
§2º, I)  em concurso de agentes (inciso II), além da corrupção de menores, que trataremos
adiante.

Primeiro trataremos do roubo no art. 157 CP:


Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante
grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer
meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
(...)
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;

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Formas de prática do roubo:

- mediante violência;
- mediante grave ameaça;
- mediante redução da capacidade de resistência da vítima.
O problema nos diz que o roubo está com a pena aumentada, majorada, pelo
concurso de pessoas (inciso II) e pelo emprego de arma de fogo, mas de natureza defeituosa
(inciso I). Assim o que pode ser tratado, no caso da arma defeituosa quando se trata de roubo?

Quando aparecer arma de fogo em questão de prova, o aluno deve observar:

1) se a arma de fogo tinha potencialidade lesiva ou não;

2) tendo potencialidade lesiva, se analisa a existência de laudo conferindo a potencialidade (se a


questão nada falar – o aluno deve supor que tem potencialidade lesiva);

3) se tem laudo afirmado a potencialidade – a arma estava apta a produzir disparo, mas se ficar
atestado que a arma tinha potencialidade, mas estava desmuniciada (se presta a atirar, mas não
tinha munição), aqui a tese será de afastamento da causa de aumento por falta de
potencialidade lesiva no momento da conduta;

4) não tendo a arma potencialidade lesiva, a arma pode ser defeituosa, pode ser arma de
brinquedo, ou simulacro de arma (objeto com aparência de arma).

ESQUEMA:

POTENCIALIDADE LESIVA

SIM NÃO

ARMA DE SIMULACRO ARMA


VERIF. LAUDO DESMUNICIADA DEFEITUOSA
BRINQUEDO DE ARMA

Quando se concluir que a arma é defeituosa ou de brinquedo, existem duas teses:

1) a primeira posição afirma que se trata do roubo descrito no caput (teoria objetiva),
sob os fundamentos de que:

- não há potencialidade lesiva


- princípio da lesividade (atrelado ao primeiro)
- cancelamento da súmula 174 do STJ – o STJ, durante um determinado período,
entendeu que o roubo praticado com arma de brinquedo deveria ter a pena mais alta, pois a
vítima não teria como distinguir se essa arma era ou não de brinquedo; contudo o STJ reviu essa
posição e, em razão da inexistência de potencialidade lesiva e em função do princípio da
lesividade, que a arma de brinquedo, por si só já caracterizava uma grave ameaça, a causa de
aumento não estava presente, devendo a capitulação penal ser a do art. 157, caput.

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STJ Súmula nº 174 - 23/10/1996 - DJ 31.10.1996 - Cancelada - RESP


213.054-SP - 24/10/2001 - Roubo - Arma de Brinquedo – “No crime de
roubo, a intimidação feita com arma de brinquedo autoriza o aumento de
pena”.

2) a segunda posição afirma que se trata do art. 157, §2º, inciso I (teoria subjetiva):
essa teoria analisa o maior temor sofrido pela vítima, ou seja, a vítima, naquelas condições não
tem como avaliar se a arma é ou não de brinquedo.

Simulacro de arma (objeto com aparência de arma):

Não deve induzir a capitulação pela causa de aumento, pois não se trata de arma,
faltando a este objeto a potencialidade lesiva. Portanto, esses objetos caracterizam, tão somente,
a grave ameaça.

Objetivamente ao caso apresentado o aluno deve responder que a causa de aumento


relativa a arma não se faz presente, pois a arma defeituosa não tem potencialidade lesiva.

Quanto ao concurso de pessoas, o crime foi praticado em conjunto com adolescente.


Há quem diga isoladamente que o concurso de agentes somente se aplica quando praticado com
maiores de idade, mas essa é uma posição extremamente isolada., pois o CP fala em “pessoas”,
podendo ser com menor de idade ou maior de idade.

No que tange à corrupção de menores, que estava prevista na Lei 2.252/54, que
tratava desse assunto foi revogada pela Lei 12.015/2009 (crimes contra a dignidade sexual);
portanto, essa conduta encontra previsão no ECA (8.069/90), no art. 244-B:
Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos,
com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la: (Incluído pela Lei
nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)
§ 1o Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas
ali tipificadas utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de
bate-papo da internet. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 2o As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no
caso de a infração cometida ou induzida estar incluída no rol do art. 1o da Lei no
8.072, de 25 de julho de 1990. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Notem, o sujeito passivo desse crime é o menor de 18 anos que será induzido pelo
maior à prática de crimes, sendo que a Lei 12.015 trouxe modificação quando o crime for
hediondo ou equiparado (não é o caso aqui) e ainda, traz a novidade no parágrafo primeiro.

Quando a questão envolver a corrupção de menores se deve atentar se o crime é de


natureza material ou de natureza formal. Caso se afirme que é de natureza material, significa que
não basta corromper o menor, é preciso comprovar a depravação da moral do menor (defesa usa
essa tese); se entendermos que o crime é formal, basta praticar crimes com o menor que a
corrupção de menores está caracterizada, independentemente da comprovação da depravação da
moral do menor. Notem que no caso trazido, NÃO SE CORROMPE AQUELE QUE JÁ ESTÁ
CORROMPIDO,pois nesse caso o menor já teve outras 6 passagens pela Vara da Infância,
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assim, nesse caso, não houve corrupção de menor, tendo em vista que o menor já ostentava 6
passagens pela Vara da Infância.

TIPO DE CRIME

MATERIAL FORMAL
melhor para a defesa

NÃO BASTA BASTA


CORROMPER CORROMPER

COMPROVAÇÃO DA
DEPRAVAÇÃO DO CONSUMADO
MENOR

Regime: cuidado com questões de regimes de penas quando se tratar de roubo, pois é
muito comum que o roubo deve ser no regime mais gravoso, por conta da violência praticada
contra a vítima – isso não é verdade, pois a aplicação do regime sempre deve obedecer ao que
está previsto no art. 33, § 2º , “a”, “b” e “c”. Portanto, se a pena está entre 4 a 8 anos, o regime
deverá ser o semi-aberto, desde que as condições judiciais sejam favoráveis (art. 59 CP). Auxilia
esse nosso entendimento, de que o regime não pode ser fixado considerando a gravidade em
abstrato do delito as súmulas 718 e 719 do STF.
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto
ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade
de transferência a regime fechado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
(...)
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e
ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em
regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não
exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos,
poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
(...)

SÚMULA Nº 718: A OPINIÃO DO JULGADOR SOBRE A GRAVIDADE


EM ABSTRATO DO CRIME NÃO CONSTITUI MOTIVAÇÃO IDÔNEA
PARA A IMPOSIÇÃO DE REGIME MAIS SEVERO DO QUE O
PERMITIDO SEGUNDO A PENA APLICADA.
SÚMULA Nº 719: A IMPOSIÇÃO DO REGIME DE CUMPRIMENTO MAIS
SEVERO DO QUE A PENA APLICADA PERMITIR EXIGE MOTIVAÇÃO
IDÔNEA.
Resposta:

Trata-se da prática de roubo, prevista no art. 157, §2º, incisos I e II e art. 244-B da
Lei 8.069/90. Com relação ao crime de roubo, não se faz presente a causa de aumento relativa à
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arma defeituosa, face à sua falta de potencialidade lesiva, podendo auxiliar tal defesa o
cancelamento da súmula 174 do STJ. No que tange à corrupção de menores, não houve a
depravação da moral do adolescente, pois não se pode corromper aquele que já estava
corrompido, uma vez que este já ostentava várias passagens pela Vara da Infância da Juventude.
Quanto ao regime de pena, o mais adequado é o semi-aberto, face ás condições do réu, que não
justificam imposição de regime mais grave.

2ª Questão

Marcelo foi denunciado pelo crime de roubo com a causa de aumento em razão da
restrição da liberdade da vítima, impondo o Juiz através de sentença condenatória, a pena de 5
anos e quatro meses a ser cumprida em regime fechado diante da gravidade do delito, já que a
mesma permaneceu sob a "mira" do agente por longo tempo. Descreveu o Magistrado que a
reprovabilidade da conduta estava aumentada em razão da conduta. Diante da insatisfação de
Marcelo com a resposta penal aplicada, qual medida você adotaria?

Raciocínio: Se há inconformismo diante da sentença – adota-se o recurso de


apelação (procedimento comum), com base no art. 593,I do CPP, mas se fosse Juri, seria
art. 593, III. O réu está capitulado no art. 157, §2º, V e qual será seu fundamento de recurso.
Defender nem sempre significa pedir absolvição, pois pode-se conseguir um melhor regime,
diminuir a pena. Ora, o juiz, no caso dele, aplicou o regime fechado – o defensor vai interpor
regime de apelação para reformar a sentença, buscando um melhor regime, sob o fundamento da
sumula 718 e 719 do ST, juntamente com o art. 33, §2º e alíneas.

Resposta:

A medida judicial a ser adotada seria o recurso de apelação, prevista no art. 593, I do
CPP. Constata-se que Marcelo foi condenado pelo art. 157, §2º, inciso V á pena de 5 anos e 4
meses de reclusão, ou seja, no mínimo, indicando, portanto, a conclusão de que as circunstâncias
judiciais são favoráveis ao réu. Assim, deverá haver a reforma da decisão, aplicado regime mais
favorável (semi-aberto), conforme o teor das sumula 718 e 719 do STF e art. 33, §2º do Código
Penal.

- se o juiz fixou a pena no mínimo legal, entendeu que as circunstancia judiciais do art. 59 CP
são favoráveis ao réu, logo, não se mostra compatível a fixação de regime mais gravoso,
conforme art. 33, §3 do Código Penal.

3ª Questão

O tipo de "seqüestro relâmpago", introduzido pela Lei 11.923/09 pode trazer


alguma violação ao princípio da proporcionalidade frente ao delito de roubo? Resposta
objetivamente justificada.

Raciocínio: O seqüestro relâmpago foi introduzido pela Lei 11.923/2009, que


acrescentou o § 3º ao art. 158 do Código Penal, mas antes dessa lei a capitulação penal, as
hipóteses de saques bancários, obrigar a vítima a preencher cheques, isso tudo era capitulado
como extorsão. A doutrina e jurisprudência colocavam da seguinte forma: será a extorsão do art.
158, quando for imprescindível o agir da vítima para a obtenção da vantagem.

Os casos de caixas eletrônicos, fornecimento de senhas, se a vítima não atuasse de


alguma forma, o agente jamais conseguira obter a vantagem e a jurisprudência que na realidade a

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vítima tinha duas opções: fornecer a senha ou preferir aturar a violência, fazendo essa
comparação para diferenciar a extorsão do roubo.

Nesses casos de imprescindibilidade de agir da vítima vinha melhor capitulado no


art. 158 CP, causando confusão com art. 157,§2º, V, que é o roubo com restrição da liberdade da
vítima, inclusive em julgados, sendo que, na doutrina e na jurisprudência a distinção entre essas
duas figuras era , é , a restrição da liberdade da vítima, mas no roubo não há a
imprescindibilidade de seu agir, a restrição da liberdade da vítima nesse caso é para a garantia do
sucesso do roubo. Não é imprescindível, pois mesmo que a vítima não dê o bem o agente ainda
consegue consumar o roubo. Na extorsão não.

A doutrina afirma que no caso do §3º, quando se adotou o termo “seqüestro


relâmpago”, a terminologia não foi a mais técnica, pois se utilizou de jargão, coloquialismo, mas
assim não deveria ter sido. Nesse caso o agente tem necessariamente que ter o agir da vítima
para conseguir a vantagem.
LEI Nº 11.923, DE17 DE ABRIL DE 2009.(...)

Art. 1o O art. 158 do Decreto-Lei . 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código


Penal, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3o:

“Art. 158 (...)


§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa
condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de
reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal
grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o,
respectivamente.” (NR)
Reparando na parte final do artigo, o legislador está nos dizendo que a pena aplicada,
então, é de 6 a 12 anos, o que deve ser analisado pelo princípio da proporcionalidade, uma vez
que no roubo (157, §2º, V) a pena seria de 5 anos e 4 meses e, comparando com a extorsão do
158, com causa de aumento do §1º (normalmente extorsão praticada com arma), a pena também
ficaria em 5 anos e 4 meses, sendo que quando saiu Lei 11.923/09, chegou a se indagar se
haveria ofensa ao princípio da proporcionalidade, pois qual seria a justificativa para que
condutas similares tenham pena de 6 anos, sendo que os demais delitos tinham penas menores?
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido
à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa,
emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a
impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal
circunstância.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para
outro Estado ou para o exterior; (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
(Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)

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Ora, é um questionamento ainda não pacífico, no qual existe o posicionamento de


que fere o princípio da proporcionalidade, mas há posicionamento em contrário que diz que não
há ofensa a tal princípio, pois o tipo de seqüestro relâmpago configura conduta mais gravosa
podendo ser praticada com o emprego de arma, inclusive, e restrição de liberdade da vítima.

Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o
intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer,
tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de
arma, aumenta-se a pena de um terço até metade.
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do
artigo anterior. Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90
§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa
condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de
reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal
grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o,
respectivamente. (Incluído pela Lei nº 11.923, de 2009)
Resposta

É possível uma análise do princípio da proporcionalidade entre os delitos descritos,


tendo em vista o quantum de pena pode ser aplicado ao roubo (5 anos e 4 meses de reclusão) e o
seqüestro relâmpago (6 anos de reclusão). Não se justifica a maior reprovabilidade da conduta
para o crime de extorsão, face à proximidade das condutas praticas no crime de extorsão.

OBS 1: Aquele crime que os criminosos cerceiam a liberdade da vítima e pede


resgate é 159 CP – extorsão mediante seqüestro. Isso não é seqüestro relâmpago, pois a
vantagem é obtida da vítima que está com a liberdade cerceada no seqüestro relâmpago. Na
extorsão mediante seqüestro a vantagem é obtida dos parentes das vítimas (dupla subjetividade
passiva). Também não há pela legislação indicação de tempo, nem a doutrina.

OBS 2 – Exemplo – uma pessoa colocada no porta-malas mediante arma – se for


para obter o carro é 157,§1º,V, mas se a pessoa é colocada no porta-malas e ainda a força a dar
a senha do banco. O réu responderá por dois crimes e entre os crimes de extorsão e de roubo e
permite-se cumulo material, não se admite continuidade delitiva, pois não há homogeneidade
nas condutas delitivas.

4ª Questão

Nos casos de roubo próprio e impróprio é possível haver tentativa? Resposta


objetivamente justificada.

Raciocínio: primeiramente devemos diferenciar o roubo próprio do roubo impróprio.


O primeiro vem descrito no art. 157, caput - mediante grave ameaça, mediante violência-própria
ou imprópria (que é a redução da capacidade de resistência da vítima – ex. boa noite cinderela),
mas o grande problema é que estes meios devem ser empregados antes da prática da infração ou
durante a prática da subtração.

Quando se fala em roubo impróprio, art. 157, §1º, ele somente pode ser praticado
mediante violência ou grave ameaça, não podendo usar a redução da capacidade de resistência da

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vítima. Além disso, esses meios são empregados logo depois da subtração. Não há previsão legal
do tempo, mas pela jurisprudência, esse logo depois é “de imediato”.

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido
à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa,
emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a
impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
Quanto à tentativa: para quem defende a consumação do roubo, isso vai depender da
posse mansa e pacífica do bem, além deste ficar fora da esfera de vigilância da vítima. (enquanto
houve perseguição – tentativa), mas se há violência e a posse é invertida, o roubo estaria
consumado, pois a violência cessou e a posse foi invertida, o réu se comportou como dono da
coisa. No roubo impróprio, é pacífico que não é possível a ocorrência de tentativa, tendo em
vista o momento da violência e da grave ameaça. Ou eu emprego a violência e a grave ameaça e
o crime está consumado, ou se assim não for, não há roubo impróprio.

Resposta:

Nos casos de roubo próprio é cabível a tentativa, havendo divergência na


jurisprudência. Para a defesa a consumação depende da posse mansa e pacífica do bem da
continuidade e da saída do bem da esfera de vigilância da vítima. Quanto ao roubo impróprio,
considerando-se o momento da violência e da grave ameaça não se mostra compatível a
ocorrência de tentativa, se tratando de furto.

• Cuidado com as questões de furto/roubo de celular: violência contra a coisa é furto, não é
roubo, ou seja, se não há a violência contra a pessoa para a subtração é furto.

• No caso de latrocínio, existe uma súmula 610 do STF, que diz que se a subtração Fo
tentada, mas a morte é consumada, o latrocínio está consumado, pois o evento mais grave
teria ocorrido. Para a Defesa – alegar que o crime é complexo, logo, tanto a subtração
como a morte devem ser consumadas (minoritário, mas vale colocar na prova)

STF Súmula nº 610 - 17/10/1984 - DJ de 29/10/1984, p. 18114; DJ de


30/10/1984, p. 18202; DJ de 31/10/1984, p. 18286. “ Crime de Latrocínio
- Homicídio Consumado Sem Subtração de Bens - Há crime de
latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não se realize o
agente a subtração de bens da vítima.”

5ª Questão

Que são escusas absolutórias? Resposta objetivamente justificada?

Resposta:

As escusas vêm previstas no art. 181 do CP, tendo a natureza jurídica de causa de
isenção de pena por política criminal. (Ex: a esposa subtrai dinheiro do marido, ou filho subtrai
do pai), devendo-se atentar para o fato de que as escusas absolutórias não se aplicam para o caso
de roubo, onde há a grave ameaça ou violência.

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Também não se aplica ao estranho (art. 183). Outra observação: onde se lê cônjuge,
também se lê união estável (embora haja opinião em contrário, que sustenta que o rol desse
artigo é taxativo, não se estendendo à união estável), faça a remissão para o art. 226 da CF/88.
Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste
título, em prejuízo:
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja
civil ou natural.

Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores:


I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de
grave ameaça ou violência à pessoa;
II - ao estranho que participa do crime.
III - se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60
(sessenta) anos. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)
6ª Questão

Qual a natureza jurídica da ação penal nos casos de furto praticado com abuso de
confiança, tendo como sujeitos do crime dois irmãos? Resposta objetivamente justificada.

Tal possibilidade encontra previsão legal no art. 182 CP;


Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste
título é cometido em prejuízo:
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.
Segundo previsão do art. 155 CP, o furto é processado mediante ação penal pública
incondicionada, mas nos casos do art. 182 CP, passa a ser ação penal pública condicionada à
representação. Assim, nos termos do art. 182, a ação penal para esses casos é pública
condicionada à representação. Se for separado de fato, para a defesa, defenda que são casados.

7ª Questão

Estabeleça a distinção entre furto mediante fraude e o crime de estelionato,


apontando a possibilidade de diminuição da pena em razão da primariedade e o baixo valor do
objeto.

O furto mediante fraude está previsto no art. 155,§4ª, II e do estelionato no art. 171:

Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
(...)
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz
pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois
terços, ou aplicar somente a pena de multa.

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Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
(...)
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
(...)
Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio,
induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer
outro meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
(...)
Nos dois delitos há o elemento fraude, engano da vítima. No furto mediante fraude,
esta é aplicada para que haja a subtração do bem, ou seja, a fraude é aplicada para lesa, diminuir
a segurança da vítima. No crime de estelionato, a fraude é empregada para que haja a entregado
bem (ex: aquele que se faz passar por jardineiro e se aproveita da diminuição da segurança da
vítima para subtrair objetos = furto mediante fraude). No estelionato a fraude busca a entrega
(ex: fulano afirma que conserta relógio e a vítima entrega o bem e o fulano fica com o bem).

No estelionato, no º1º, afirma que se há pequeno prejuízo e primariedade, se aplicam


as mesmas regras do furto privilegiado, conforme previsto 155§2º

Resposta:

No crime de furto mediante fraude, esta é empregada para que haja a subtração do
bem, ou seja, o agente diminui a segurança da vítima para subtrair a coisa. No crime de
estelionato, a fraude, ou engano, é utilizado para a obtenção da vantagem, mediante a entrega do
bem. No crime de furto é cabível a diminuição da pena se presentes os requisitos de
primariedade E pequeno valor da coisa furtada (art. 155,§2º) – em média um salário mínimo.
Já no crime de estelionato, havendo primariedade e pequeno prejuízo, é possível também a
diminuição da pena (171, §1º).

Em alguns casos poder-se-á sustentar duas teses, dependendo do caso concreto –


princípio da insignificância e furto privilegiado.

Pode ser o furto qualificado e privilegiado?

1ª posição: para a defesa – pode, sob o fundamento de que não há incompatibilidade,


pois aposição topográfica não inibe o reconhecimento, sobretudo quando comparamos com o
homicídio qualificado e privilégio. (a posição majoritária admite);

2ª posição: afirma que não pode, pois há incompatibilidade entre os dois, em função
da posição topográfica, pois o legislador não pretendeu aplicar o §2º ao §4º do art. 155.

• O “pode” tem que ser lido como “deve”; se o juiz não der - recurso
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz
pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois
terços, ou aplicar somente a pena de multa.

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8ª Questão

Estabeleça a distinção entre os crimes de furto com abuso de confiança e apropriação


indébita.

O furto com abuso de confiança está previsto no art. 155, §4º, II e apropriação
indébita está no art. 168 do CP:

Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel (...)
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
(...)
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;

Apropriação indébita
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Aumento de pena
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
I - em depósito necessário;
II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante,
testamenteiro ou depositário judicial;
III - em razão de ofício, emprego ou profissão.
No crime de furto o agente possui a pode possuir a posse vigiada da coisa,
realizando, portanto, subtração (ex: na loja, eu pego um livro e decido furtar – eu estou sendo
vigiada), mas no crime de apropriação indébita, o agente tem posse desvigiada do bem,
passando, em determinado momento, a se comportar como se dono da coisa fosse (ex. se na
biblioteca você leva o livro emprestado e não devolve e ainda o vende).

Apropriação = posse + comportamento de dono (dolo), o que também o difere do


estelionato= dolo + posse – o momento do dolo muda o tipo do crime.

9ª Questão

No crime de receptação é possível a concessão de perdão judicial?

Receptação vem descrita no art. 180 do CP e pode ser própria (caput – 1ª parte),
imprópria (2ª parte –“ influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte”) e
culposa (§3º); Na receptação imprópria, o terceiro deve estar de boa-fé.
Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito
próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que
terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte: (Redação dada pela Lei nº 9.426,
de 1996)
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426,
de 1996)
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Receptação qualificada(Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)


§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito,
desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma
utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou
industrial, coisa que deve saber ser produto de crime: (Redação dada pela Lei nº
9.426, de 1996)
(...)
§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre
o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida
por meio criminoso: (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas. (Redação
dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor
do crime de que proveio a coisa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em
consideração as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação
dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. 155. (Incluído pela Lei nº 9.426,
de 1996) (...)

Diz o parágrafo 5º que é possível o perdão judicial, na hipótese da receptação


culposa. Assim, é cabível, devendo a receptação ser culposa, devendo haver a primariedade do
agente. A coisa deverá ser produto de crime, sendo a receptação crime autônomo, que se revela
pelo §4º do art. 180 CP.

Cuidado para não confundir receptação com co-autoria ou participação em crime


anterior, pois se eu ajusto que passarei o bem para ela, ela responde junto comigo pelo furto ou
roubo. Se ocorre ajuste antes da ocorrência do ilícito – co-autoria ou participação, mas se já
houve subtração e a pessoa seguinte guarda o bem subtraído, pode ser 180 ou favorecimento (se
não houve vinculação patrimonial). Se houve a venda – receptação qualificada.

RECEPTAÇAÕ

PROPRIA IMPROPRIA CULPOSA

ART. 180 ART. 180 ART. 180 ,§3º


CAPUT CAPUT
1ª PARTE 2ª PARTE

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AULA 02 – 17/03/2010 – DIREITO PENAL – PARTE ESPECIAL (2ª PARTE)


PROFESSORA: LÚCIA HELENA SILVA BARROS DE OLIVEIRA

10ª Questão

Marcela, residente em sítio isolado, solteira e grávida de dois meses de seu namorado
João, inconformada com a gravidez e com receio da família, autoriza Maria, parteira residente no
mesmo sítio a realizar o aborto. Para tanto, Maria recebe de João a quantia de R$ 300,00.

Pergunta-se: Existe concurso de pessoas nas condutas praticadas por Marcela, João e
Maria? Resposta objetivamente Justificada. Caso Maria realizasse o aborto apenas para salvar a
vida de Marcela, o que você alegaria em sua defesa? Respostas objetivamente justificada.

Raciocínio:

Esse tipo de pergunta já caiu em alguns de nossos concursos, pedido para que os
candidatos lembrem-se da questão do aborto para salvar a vida da gestante, passando pelo
concurso de pessoas.

Nesse caso concreto temos 3 (três) pessoas: Marcela (que está grávida de 2 meses); o
namorado, João ( que é quem deseja pagar pelo aborto) e Maria (parteira). Assim, o candidato
teria que identificar, primeiramente, quais os crimes praticados por cada um para, ao final,
verificar se há ou não concurso de agentes.

Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento

Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:

Pena - detenção, de um a três anos.

Aborto provocado por terceiro

Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:

Pena - reclusão, de três a dez anos.

Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante:

Pena - reclusão, de um a quatro anos.

Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de


quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido
mediante fraude, grave ameaça ou violência

Conduta de Maria: praticou aborto com o consentimento da gestante (art. 126 do


CP), veja acima a redação;

Conduta de Marcela: praticou a conduta prevista no art. 124 CP, aborto consentido
pela gestante. Veja a redação acima;

Conduta de João: pagou o aborto, responde pela 2ª parte do art., 124, na forma do
art. 29 CP, ou seja responde junto com Maria.

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TÍTULO IV - DO CONCURSO DE PESSOAS

Regras comuns às penas privativas de liberdade

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Resposta:

Quanto ao concurso de pessoas, a parteira deve responder pelo art. 126 do CP e a


gestante e seu namorado pelo art. 124, 2ª parte, sendo que este último atuou na condição de
partícipe. O aborto consentido pela gestante, previsto no art. 124, 2ª parte e o aborto provocado
por terceiro, com o consentimento da gestante, configuram exceção à Teoria Monista (ou
unitária), pela qual todos deveriam responder pelo mesmo crime.

Caso a parteira tivesse feito o aborto com o objetivo de salvar a vida da gestante,
devemos analisar o art. 128, que trata do aborto necessário (inciso I) e do aborto sentimental
(inciso II - gravidez decorrente de estupro). No caso do aborto necessário, se praticado por outra
pessoa, se não o médico, a alegação da defesa deverá ser de ESTADO DE NECESSIDADE,
pois o art. 128 CP menciona somente o médico. Assim, terceiros nessa condição devem ser valer
do ESTADO DE NECESSIDADE, previsto no art. 24 CP. havendo a exclusão da ilicitude, não
podendo se falar em crime.

Desse modo, no caso do aberto praticado para salvar a vida de Marcela, a melhor tese
defensiva a favor de Maria deverá ser a alegação de estado de necessidade, descrito no art. 24
CP.

Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico:

Aborto necessário

I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de


consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

Estado de necessidade

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para


salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de


enfrentar o perigo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a


pena poderá ser reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

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11ª Questão

Hélio escreveu uma carta a Bruno, imputando-lhe a prática de atos libidinosos com
um colega de serviço e encaminhou-a lacrada pelo correio. A carta chega ao conhecimento de
Bruno que indignado pretende propor queixa crime. Pergunta-se: Qual a competência para
julgamento da queixa crime? Qual a capitulação penal do crime praticado por Hélio?

Raciocínio:

Tal questão trata dos crimes contra a honra, descritos entre os art. 138 a 145 do CP:
CAPÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA A HONRA

Calúnia
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou
divulga.
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.

Exceção da verdade
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi
condenado por sentença irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por
sentença irrecorrível.

Difamação
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Exceção da verdade
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é
funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.

Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou
pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
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Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à


violência.
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia,
religião ou origem: (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia,
religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:
(Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)

Disposições comuns
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se
qualquer dos crimes é cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
II - contra funcionário público, em razão de suas funções;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da
calúnia, da difamação ou da injúria.
IV - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência,
exceto no caso de injúria. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)
Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de
recompensa, aplica-se a pena em dobro.

Exclusão do crime
Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu
procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando
inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou
informação que preste no cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela
difamação quem lhe dá publicidade.

Retratação
Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia
ou da difamação, fica isento de pena.
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou
injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se
recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.
Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante
queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão
corporal.
Parágrafo único - Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso
do n.º I do art. 141, e mediante representação do ofendido, no caso do n.º II do
mesmo artigo.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso
do inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do
ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3o do
art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.033. de 2009)
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Lembrete: alteração do art. 145, no que tange à ação penal, proveniente da lei 12.033/2009,
passando a descrever a natureza da ação penal como pública condicionada à representação para
os casos de injúria com preconceito.

IDENTIFICAÇÃO DOS CRIMES:

CALÚNIA: imputação falsa de fato definido em lei como crime (detalhe: a imputação deve ser
do fato definido como crime, o que não é o mesmo que chamar alguém de
“estuprador”, por exemplo). Consumação: com o conhecimento de terceiro.
Competência para julgamento: JECrim (menor potencial ofensivo).

DIFAMAÇÃO: imputação de fato ofensivo à reputação. Nesse crime, não importa se o fato é
verdadeiro ou falso. Consumação: quando ofensa chega ao conhecimento de
terceiros, ou seja, se há um diálogo e fica entre as duas pessoas que estão
discutindo, não há o crime de difamação, igualmente ao que ocorre na calúnia.
Competência para julgamento: JECrim (menor potencial ofensivo).

INJÚRIA: ofensa consistente em atributos físicos, intelectuais ou morais da pessoa. (honra


subjetiva). Consumação: ocorre com o conhecimento do sujeito passivo do crime,
ou seja, do ofendido. Competência para julgamento: JECrim (menor potencial
ofensivo).

*HONRA OBJETIVA: espelha a imagem do indivíduo perante à sociedade.

*HONRA SUBJETIVA: espelha imagem que o sujeito possui de si mesmo.

CRIMES CONTRA A
HONRA

CALÚNIA DIFAMAÇÃO INJÚRIA


-ART 138 CP - ART. 139 CP -ART 140 CP
HONRA OBJETIVA HONRA OBJETIVA HONRA SUBJETIVA

IMPUTAÇÃO FALSA IMPUTAÇÃO DE FATO INSULTO FÍSICO,


DE FATO DEFINIDO OFENSIVO Á MORAL OU
COMO CRIME REPUTAÇAÕ INTELECTUAL

CONSUMAÇÃO: COM CONSUMAÇÃO: COM CONSUMAÇÃO:


O CONHECIMENTO O CONHECIMENTO CONHECIMENTO DO
DE TERCEIROS DE TERCEIROS SUJEITO PASSIVO

COMPETENCIA: COMPETENCIA: COMPETÊNCIA:


JECRIM JECRIM JECRIM

Resposta:

A capitulação penal da conduta descrita é a de injúria, pois não houve conhecimento


de terceiro, não se podendo falar de difamação. Trata-se de crime de injúria prevista no art. 140
CP, pois a ofensa não chegou ao conhecimento de terceiros, ainda que considerássemos que
houve narrativa de fatos. Considerando-se a pena da injúria, a competência para julgamento é do
Juizado Especial Criminal.
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12ª Questão

Maria afirma, durante uma reunião com José e mais trinta colegas de trabalho, que
este não passa de um "ladrão contumaz". Pergunta-se: qual a capitulação penal do crime
praticado, a natureza da ação penal e a competência para julgamento do crime?

Resposta:

Trata-se do crime de injúria, mesmo que falado na frente de várias pessoas,


aplicando-se a causa de aumento prevista no art. 141, inciso III. Houve ofensa consistente no
crime de injúria, pois Maria atribuiu qualidade negativa ao ofendido. A pena deverá ser
aumentada, tendo em vista que o crime foi praticado na presença de várias pessoas. A natureza
da ação penal, nos termos do art. 145 CP, é privada, sendo de competência dos Juizados
Especiais Criminais.

13ª Questão

Luis imputa a João Alfredo um fato definido como crime, chegando ao conhecimento
de várias pessoas. Qual a capitulação e qual a competência para julgamento deste crime?

Raciocínio:

Trata-se do crime de calúnia, mesmo que a indicação seja falsa (se fosse fato
verdadeiro seria difamação). A calúnia é imputação falsa de fato definido como crime. Cuidado,
pois aqui o fato pode ser falso, porém o fato pode ser verdadeiro e a imputação ser falsa
(calúnia). Vou dar um exemplo:

Eu digo que João subtraiu a bicicleta de Maria ontem. A subtração existiu, mas não
foi João quem subtraiu, na realidade, foi outra pessoa. Aqui há o crime de calúnia, pois o fato,
em si é verdadeiro, mas a autoria é falsa.

Resposta:

Se considerarmos que a imputação do fato foi falsa, a tipificação do delito deverá ser
a descrito no art. 138 CP; todavia, é possível que o fato tenha acontecido, porém a autora não é
de João Alfredo, ou seja, a autoria é falsa. Assim, nesse caso, fica configurada também a calúnia.
A pena deverá ser aumentada, pois o crime foi praticado na presença de várias pessoas, confore
art.141, III CP, sendo que neste caso a competência será de Vara Criminal, já que a pena passa
de 2 anos.

14ª Questão

Em que casos é cabível a retratação nos crimes contra a honra e qual a sua
conseqüência jurídica?

A retratação vem descrita no art. 143 do CP, veja acima. Assim, somente cabe
retratação na calúnia e difamação, não cabendo na injúria, por falta de previsão legal, sendo a
conseqüência a extinção da punibilidade, considerando-se o disposto no art. 107, VI do CP.

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Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei nº 7.209,


de 11.7.1984)
(...)
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;

Resposta:
É cabível a retratação (desdizer, voltar atrás) para os crimes de calúnia e difamação,
tendo como conseqüência jurídica a extinção da punibilidade (art. 143 CP c/c 107, inciso VI CP).
Lembrando que a retratação somente pode ocorrer até a sentença.

15ª Questão

Estabeleça a diferença entre o crime de lesão corporal leve e injuria real,


mencionando um exemplo de cada delito.

Resposta:

Entre esses crimes, a diferença deve ser feita pelo elemento subjetivo, ou seja, pelo
dolo. Na lesão corporal leva, o animus é de ofensa à integridade física da pessoa, ou saúde.
Enquanto no crime de injúria real o agente quer violar a honra da pessoa, podendo utilizar-se da
violência. Exemplo de lesão corporal: um soco. Exemplo de injúria real: uma bofetada no rosto.

16ª Questão

Um indivíduo recebeu e ocultou, em proveito próprio, um talonário de cheques e dois


cartões magnéticos que foram anteriormente subtraídos de terceiros, sabendo serem tais bens
produtos de crime. Diante desta situação foi denunciado pelo crime previsto no artigo 180, caput,
do Código Penal. Pergunta-se: Está correta a capitulação penal?

Resposta:

Essa questão serve para lembramos que a jurisprudência diverge se há receptação de


documentos, sendo majoritário que não há, pois a coisa receptada deve ter expressão econômica.
Há julgados reconhecendo que não há crime de receptação quando a coisa receptada é talão de
cheque, cartão de banco, tendo em vista que tal delito pressupõe proveito patrimonial. Não
estamos falando do uso de cartão de crédito, pois se pegarmos um cartão e há utilização o crime
é outro, estelionato ou crime de falso.

Se houve o recebimento de um cheque preenchido, como é expressão de dinheiro,


será receptação, mas se estiver em branco não é receptação, pois inexiste expressão econômica.

17ª Questão

Diante da Lei 12.015/09, que modificou o Titulo VI, do Código Penal, passando os
crimes contra os costumes a serem denominados de crimes contra a dignidade sexual, conceitue
os sujeitos passivos considerados vulneráveis.

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CAPÍTULO II
DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL
(Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Sedução(Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
Art. 217 - Seduzir mulher virgem, menor de 18 (dezoito) anos e maior de 14
(catorze), e ter com ela conjunção carnal, aproveitando-se de sua inexperiência
ou justificável confiança:(Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
Pena - reclusão, de dois a quatro anos.(Revogado pela Lei nº 11.106, de
2005)
Estupro de vulnerável (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de
14 (catorze) anos: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)
§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com
alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode
oferecer resistência. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 2o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: (Incluído pela Lei
nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)
§ 4o Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.(Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)

Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter


conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato
libidinoso: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de
2009)
§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é
menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: (Incluído pela Lei nº
12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)
§ 2o Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)
O art. 217-A trata do crime de estupro de vulnerável e o art. 213 do crime de estupro,
tanto em um quanto em outro, há a prática da conjunção carnal ou ato libidinoso (ato destinado à
satisfação do interesse sexual do agente).

Pessoas consideradas vulneráveis: art. 217-A: esse rol é taxativo (o idoso somente
entra nesse rol se previsto em algumas das condições abaixo).
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a) menores de catorze anos de idade; (Exemplo: X pratica conjunção carnal com


menina de 10 anos; ou Joaninha pratica atos libidinosos com menino de 13 anos);

b) pessoa com enfermidade ou deficiente mental, sem o necessário discernimento;


(exemplo: X conjunção carnal com pessoa em coma);

c) pessoas que não podem, por qualquer outra causa, oferecer resistência (ex. prática
de conjunção carnal com pessoa drogada).

Obs: É preciso que o agente tenha conhecimento da idade da vítima ou da enfermidade. Se ele
desconhece estaremos diante de erro art. 20 CP.

Obs 2: a lei trouxe uma dúvida na mente, pois quando trata do crime do art. 218-B
(favorecimento de prostituição), ela fala no menor de 18 anos.

Obs 3: Não existe confusão do art. 215 com o art. 217-A, pois o art. 215 há uma manifestação de
vontade relativa para a prática do ato, mas no art. 217-A não há qualquer manifestação de
vontade.

18ª Questão

Matias foi denunciado pelo crime previsto no artigo 217-A do Código Penal, (estupro
de vulnerável) e artigo 9°, da Lei 8.072/90, em razão de a vítima possuir 10 anos de idade. Qual
a tese defensiva a ser apresentada em favor de Matias.

Com o advento da Lei 12.015, o art. 224 do CP que tratava de presunção de


violência, foi expressamente revogado. O art. 9º da Lei 8.072/90 descreve causa de aumento de
pena, mas exige que a vítima esteja nas condições do art. 224 do CP. O art. 217-A substituiu o
art. 224 do CP. A causa de aumento do art. 9º da Lei 8.072 previa uma causa de aumento que não
subsiste mais, diante da revogação do art. 224 CP.

O art. 9º da Lei 8.072/90 está revogado, tendo em vista que o seu fundamento era o
art. 224 CP (presunção de violência). Tal dispositivo foi expressamente revogado pela lei
12.015/2009.
Presunção de violência (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
Art. 224 - Presume-se a violência, se a vítima: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90
(Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
a) não é maior de catorze anos; (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
b) é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância;
(Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
c) não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência. (Revogado pela
Lei nº 12.015, de 2009)
Lei 8.072/90 - Art. 9º As penas fixadas no art. 6º para os crimes capitulados nos
arts. 157, § 3º, 158, § 2º, 159, caput e seus §§ 1º, 2º e 3º, 213, caput e sua
combinação com o art. 223, caput e parágrafo único, 214 e sua combinação com
o art. 223, caput e parágrafo único, todos do Código Penal, são acrescidas de
metade, respeitado o limite superior de trinta anos de reclusão, estando a vítima
em qualquer das hipóteses referidas no art. 224 também do Código Penal.

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19ª Questão

Com o advento da Lei 12.015/09 é possível considerarmos concurso de crimes ou


tipo cumulativo, quando da prática de conjunção carnal e atos libidinosos diversos da conjunção
carnal? Resposta objetivamente justificada.

O camarada praticou conjunção carnal + atos libidinosos, no mesmo contexto fático


= crime único, não havendo concursos de crimes, nem tipos cumulativos, ou seja, não se pode
somar as penas no mesmo tipo penas, pois o tipo é alternativo, tendo a lei possibilitado o
afastamento do concurso de crimes. (ex. conjunção carnal + sexo oral = crime único de estupro –
a reprovabilidade da conduta será aumentada na primeira fase da aplicação da pena – art. 59 –
fixação da pena base).

Resposta:

Com o advento da Lei 12.015/09 não é possível o reconhecimento de concurso de


crimes, quando praticados atos libidinosos e conjunção carnal no mesmo contexto fático, Trata-
se de tipo misto alternativo, no qual a prática de conjunção carnal e atos libidinosos implicaram
em uma única responsabilidade penal.

20ª Questão

Pedro Henrique foi denunciado pelo crime de homicídio qualificado por recurso que
impossibilitou a defesa do ofendido, em razão desta encontrar-se dormindo no momento do
ataque. Pergunta-se, é possível haver causa de diminuição de pena sob o argumento de que o
crime teria sido praticado por relevante valor moral? Resposta Objetivamente justificada.

No art. 121 encontramos qualificadoras de natureza objetiva (incisos III e IV) e


qualificadoras de natureza subjetivas (incisos I, II e V). As qualificadoras subjetivas, segundo a
maioria esmagadora da doutrina, são incompatíveis com o parágrafo primeiro do art. 121. Não se
podem combinar essas qualificadoras, mas as qualificadoras objetivas seriam compatíveis com o
art. 121, 1º.

Assim é possível que o crime de homicídio seja qualificado e privilegiado ao mesmo


tempo, desde que as qualificadoras sejam de caráter objetivo. Do contrário não será possível.

Homicídio simples
Art 121. Matar alguem:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Caso de diminuição de pena
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor
social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a
injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um
terço.

Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;

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II - por motivo futil;


III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Resposta:

É possível a incidência da qualificadora descrita no caso e do privilégio, tendo em


vista que esta é de natureza objetiva, sendo o privilégio subjetivo, não havendo, portanto,
incompatibilidade.

21ª Questão

Marcelo mata seu melhor amigo como "queima de arquivo" para garantir sua
impunidade na contravenção penal do jogo de bicho. Pergunta-se: Existe compatibilidade com
alguma causa de diminuição de pena, prevista no tipo penal relativo ao crime de homicídio?

Esta está descrita no inciso V do art. 121 CP, quando se tratar de garantir a
impunidade ou vantagem em outro crime, mas a questão fala em contravenção. Entretanto, o
inciso V e espécie do inciso I (motivo torpe), mas sendo um ou outro, ambos são de natureza
subjetiva, não sendo compatíveis com o privilégio.

No caso concreto trata-se de contravenção, porém o homicídio continua com a


qualificadora de natureza subjetiva, logo, incompatível com o privilégio.

22ª Questão

É admissível tentativa nos casos de homicídio preterintencional? Resposta


objetivamente justificada

(NÃO RESPONDIDA PELA PROFESSORA)

23ª Questão

Considere a seguinte situação hipotética. Tadeu, no exercício de atividade pública,


desviou mão de obra de servidores públicos para utilizá-la na construção de obra particular.
Nessa situação, houve a consumação do crime de peculato, na modalidade peculato-desvio. Está
correta a capitulação penal? Em caso positivo qual o regime de penas a ser aplicado?

(NÃO RESPONDIDA PELA PROFESSORA)

24ª Questão

Nos crimes de concussão e corrupção passiva, identifique o momento consumativo.

(NÃO RESPONDIDA PELA PROFESSORA)

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AULA 02 – 17/03/2010 – DIREITO PENAL – PARTE ESPECIAL (2ª PARTE)


PROFESSORA: LÚCIA HELENA SILVA BARROS DE OLIVEIRA

10ª Questão

Marcela, residente em sítio isolado, solteira e grávida de dois meses de seu namorado
João, inconformada com a gravidez e com receio da família, autoriza Maria, parteira residente no
mesmo sítio a realizar o aborto. Para tanto, Maria recebe de João a quantia de R$ 300,00.

Pergunta-se: Existe concurso de pessoas nas condutas praticadas por Marcela, João e
Maria? Resposta objetivamente Justificada. Caso Maria realizasse o aborto apenas para salvar a
vida de Marcela, o que você alegaria em sua defesa? Respostas objetivamente justificada.

Raciocínio:

Esse tipo de pergunta já caiu em alguns de nossos concursos, pedido para que os
candidatos lembrem-se da questão do aborto para salvar a vida da gestante, passando pelo
concurso de pessoas.

Nesse caso concreto temos 3 (três) pessoas: Marcela (que está grávida de 2 meses); o
namorado, João ( que é quem deseja pagar pelo aborto) e Maria (parteira). Assim, o candidato
teria que identificar, primeiramente, quais os crimes praticados por cada um para, ao final,
verificar se há ou não concurso de agentes.

Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento

Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:

Pena - detenção, de um a três anos.

Aborto provocado por terceiro

Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:

Pena - reclusão, de três a dez anos.

Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante:

Pena - reclusão, de um a quatro anos.

Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de


quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido
mediante fraude, grave ameaça ou violência

Conduta de Maria: praticou aborto com o consentimento da gestante (art. 126 do


CP), veja acima a redação;

Conduta de Marcela: praticou a conduta prevista no art. 124 CP, aborto consentido
pela gestante. Veja a redação acima;

Conduta de João: pagou o aborto, responde pela 2ª parte do art., 124, na forma do
art. 29 CP, ou seja responde junto com Maria.

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TÍTULO IV - DO CONCURSO DE PESSOAS

Regras comuns às penas privativas de liberdade

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Resposta:

Quanto ao concurso de pessoas, a parteira deve responder pelo art. 126 do CP e a


gestante e seu namorado pelo art. 124, 2ª parte, sendo que este último atuou na condição de
partícipe. O aborto consentido pela gestante, previsto no art. 124, 2ª parte e o aborto provocado
por terceiro, com o consentimento da gestante, configuram exceção à Teoria Monista (ou
unitária), pela qual todos deveriam responder pelo mesmo crime.

Caso a parteira tivesse feito o aborto com o objetivo de salvar a vida da gestante,
devemos analisar o art. 128, que trata do aborto necessário (inciso I) e do aborto sentimental
(inciso II - gravidez decorrente de estupro). No caso do aborto necessário, se praticado por outra
pessoa, se não o médico, a alegação da defesa deverá ser de ESTADO DE NECESSIDADE,
pois o art. 128 CP menciona somente o médico. Assim, terceiros nessa condição devem ser valer
do ESTADO DE NECESSIDADE, previsto no art. 24 CP. havendo a exclusão da ilicitude, não
podendo se falar em crime.

Desse modo, no caso do aberto praticado para salvar a vida de Marcela, a melhor tese
defensiva a favor de Maria deverá ser a alegação de estado de necessidade, descrito no art. 24
CP.

Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico:

Aborto necessário

I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de


consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

Estado de necessidade

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para


salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de


enfrentar o perigo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a


pena poderá ser reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

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11ª Questão

Hélio escreveu uma carta a Bruno, imputando-lhe a prática de atos libidinosos com
um colega de serviço e encaminhou-a lacrada pelo correio. A carta chega ao conhecimento de
Bruno que indignado pretende propor queixa crime. Pergunta-se: Qual a competência para
julgamento da queixa crime? Qual a capitulação penal do crime praticado por Hélio?

Raciocínio:

Tal questão trata dos crimes contra a honra, descritos entre os art. 138 a 145 do CP:
CAPÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA A HONRA

Calúnia
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou
divulga.
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.

Exceção da verdade
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi
condenado por sentença irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por
sentença irrecorrível.

Difamação
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Exceção da verdade
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é
funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.

Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou
pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
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Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à


violência.
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia,
religião ou origem: (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia,
religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:
(Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)

Disposições comuns
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se
qualquer dos crimes é cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
II - contra funcionário público, em razão de suas funções;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da
calúnia, da difamação ou da injúria.
IV - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência,
exceto no caso de injúria. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)
Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de
recompensa, aplica-se a pena em dobro.

Exclusão do crime
Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu
procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando
inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou
informação que preste no cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela
difamação quem lhe dá publicidade.

Retratação
Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia
ou da difamação, fica isento de pena.
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou
injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se
recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.
Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante
queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão
corporal.
Parágrafo único - Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso
do n.º I do art. 141, e mediante representação do ofendido, no caso do n.º II do
mesmo artigo.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso
do inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do
ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3o do
art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.033. de 2009)
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Lembrete: alteração do art. 145, no que tange à ação penal, proveniente da lei 12.033/2009,
passando a descrever a natureza da ação penal como pública condicionada à representação para
os casos de injúria com preconceito.

IDENTIFICAÇÃO DOS CRIMES:

CALÚNIA: imputação falsa de fato definido em lei como crime (detalhe: a imputação deve ser
do fato definido como crime, o que não é o mesmo que chamar alguém de
“estuprador”, por exemplo). Consumação: com o conhecimento de terceiro.
Competência para julgamento: JECrim (menor potencial ofensivo).

DIFAMAÇÃO: imputação de fato ofensivo à reputação. Nesse crime, não importa se o fato é
verdadeiro ou falso. Consumação: quando ofensa chega ao conhecimento de
terceiros, ou seja, se há um diálogo e fica entre as duas pessoas que estão
discutindo, não há o crime de difamação, igualmente ao que ocorre na calúnia.
Competência para julgamento: JECrim (menor potencial ofensivo).

INJÚRIA: ofensa consistente em atributos físicos, intelectuais ou morais da pessoa. (honra


subjetiva). Consumação: ocorre com o conhecimento do sujeito passivo do crime,
ou seja, do ofendido. Competência para julgamento: JECrim (menor potencial
ofensivo).

*HONRA OBJETIVA: espelha a imagem do indivíduo perante à sociedade.

*HONRA SUBJETIVA: espelha imagem que o sujeito possui de si mesmo.

CRIMES CONTRA A
HONRA

CALÚNIA DIFAMAÇÃO INJÚRIA


-ART 138 CP - ART. 139 CP -ART 140 CP
HONRA OBJETIVA HONRA OBJETIVA HONRA SUBJETIVA

IMPUTAÇÃO FALSA IMPUTAÇÃO DE FATO INSULTO FÍSICO,


DE FATO DEFINIDO OFENSIVO Á MORAL OU
COMO CRIME REPUTAÇAÕ INTELECTUAL

CONSUMAÇÃO: COM CONSUMAÇÃO: COM CONSUMAÇÃO:


O CONHECIMENTO O CONHECIMENTO CONHECIMENTO DO
DE TERCEIROS DE TERCEIROS SUJEITO PASSIVO

COMPETENCIA: COMPETENCIA: COMPETÊNCIA:


JECRIM JECRIM JECRIM

Resposta:

A capitulação penal da conduta descrita é a de injúria, pois não houve conhecimento


de terceiro, não se podendo falar de difamação. Trata-se de crime de injúria prevista no art. 140
CP, pois a ofensa não chegou ao conhecimento de terceiros, ainda que considerássemos que
houve narrativa de fatos. Considerando-se a pena da injúria, a competência para julgamento é do
Juizado Especial Criminal.
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12ª Questão

Maria afirma, durante uma reunião com José e mais trinta colegas de trabalho, que
este não passa de um "ladrão contumaz". Pergunta-se: qual a capitulação penal do crime
praticado, a natureza da ação penal e a competência para julgamento do crime?

Resposta:

Trata-se do crime de injúria, mesmo que falado na frente de várias pessoas,


aplicando-se a causa de aumento prevista no art. 141, inciso III. Houve ofensa consistente no
crime de injúria, pois Maria atribuiu qualidade negativa ao ofendido. A pena deverá ser
aumentada, tendo em vista que o crime foi praticado na presença de várias pessoas. A natureza
da ação penal, nos termos do art. 145 CP, é privada, sendo de competência dos Juizados
Especiais Criminais.

13ª Questão

Luis imputa a João Alfredo um fato definido como crime, chegando ao conhecimento
de várias pessoas. Qual a capitulação e qual a competência para julgamento deste crime?

Raciocínio:

Trata-se do crime de calúnia, mesmo que a indicação seja falsa (se fosse fato
verdadeiro seria difamação). A calúnia é imputação falsa de fato definido como crime. Cuidado,
pois aqui o fato pode ser falso, porém o fato pode ser verdadeiro e a imputação ser falsa
(calúnia). Vou dar um exemplo:

Eu digo que João subtraiu a bicicleta de Maria ontem. A subtração existiu, mas não
foi João quem subtraiu, na realidade, foi outra pessoa. Aqui há o crime de calúnia, pois o fato,
em si é verdadeiro, mas a autoria é falsa.

Resposta:

Se considerarmos que a imputação do fato foi falsa, a tipificação do delito deverá ser
a descrito no art. 138 CP; todavia, é possível que o fato tenha acontecido, porém a autora não é
de João Alfredo, ou seja, a autoria é falsa. Assim, nesse caso, fica configurada também a calúnia.
A pena deverá ser aumentada, pois o crime foi praticado na presença de várias pessoas, confore
art.141, III CP, sendo que neste caso a competência será de Vara Criminal, já que a pena passa
de 2 anos.

14ª Questão

Em que casos é cabível a retratação nos crimes contra a honra e qual a sua
conseqüência jurídica?

A retratação vem descrita no art. 143 do CP, veja acima. Assim, somente cabe
retratação na calúnia e difamação, não cabendo na injúria, por falta de previsão legal, sendo a
conseqüência a extinção da punibilidade, considerando-se o disposto no art. 107, VI do CP.

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Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei nº 7.209,


de 11.7.1984)
(...)
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;

Resposta:
É cabível a retratação (desdizer, voltar atrás) para os crimes de calúnia e difamação,
tendo como conseqüência jurídica a extinção da punibilidade (art. 143 CP c/c 107, inciso VI CP).
Lembrando que a retratação somente pode ocorrer até a sentença.

15ª Questão

Estabeleça a diferença entre o crime de lesão corporal leve e injuria real,


mencionando um exemplo de cada delito.

Resposta:

Entre esses crimes, a diferença deve ser feita pelo elemento subjetivo, ou seja, pelo
dolo. Na lesão corporal leva, o animus é de ofensa à integridade física da pessoa, ou saúde.
Enquanto no crime de injúria real o agente quer violar a honra da pessoa, podendo utilizar-se da
violência. Exemplo de lesão corporal: um soco. Exemplo de injúria real: uma bofetada no rosto.

16ª Questão

Um indivíduo recebeu e ocultou, em proveito próprio, um talonário de cheques e dois


cartões magnéticos que foram anteriormente subtraídos de terceiros, sabendo serem tais bens
produtos de crime. Diante desta situação foi denunciado pelo crime previsto no artigo 180, caput,
do Código Penal. Pergunta-se: Está correta a capitulação penal?

Resposta:

Essa questão serve para lembramos que a jurisprudência diverge se há receptação de


documentos, sendo majoritário que não há, pois a coisa receptada deve ter expressão econômica.
Há julgados reconhecendo que não há crime de receptação quando a coisa receptada é talão de
cheque, cartão de banco, tendo em vista que tal delito pressupõe proveito patrimonial. Não
estamos falando do uso de cartão de crédito, pois se pegarmos um cartão e há utilização o crime
é outro, estelionato ou crime de falso.

Se houve o recebimento de um cheque preenchido, como é expressão de dinheiro,


será receptação, mas se estiver em branco não é receptação, pois inexiste expressão econômica.

17ª Questão

Diante da Lei 12.015/09, que modificou o Titulo VI, do Código Penal, passando os
crimes contra os costumes a serem denominados de crimes contra a dignidade sexual, conceitue
os sujeitos passivos considerados vulneráveis.

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CAPÍTULO II
DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL
(Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Sedução(Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
Art. 217 - Seduzir mulher virgem, menor de 18 (dezoito) anos e maior de 14
(catorze), e ter com ela conjunção carnal, aproveitando-se de sua inexperiência
ou justificável confiança:(Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
Pena - reclusão, de dois a quatro anos.(Revogado pela Lei nº 11.106, de
2005)
Estupro de vulnerável (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de
14 (catorze) anos: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)
§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com
alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode
oferecer resistência. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 2o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: (Incluído pela Lei
nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)
§ 4o Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.(Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)

Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter


conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato
libidinoso: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de
2009)
§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é
menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: (Incluído pela Lei nº
12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)
§ 2o Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)
O art. 217-A trata do crime de estupro de vulnerável e o art. 213 do crime de estupro,
tanto em um quanto em outro, há a prática da conjunção carnal ou ato libidinoso (ato destinado à
satisfação do interesse sexual do agente).

Pessoas consideradas vulneráveis: art. 217-A: esse rol é taxativo (o idoso somente
entra nesse rol se previsto em algumas das condições abaixo).
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a) menores de catorze anos de idade; (Exemplo: X pratica conjunção carnal com


menina de 10 anos; ou Joaninha pratica atos libidinosos com menino de 13 anos);

b) pessoa com enfermidade ou deficiente mental, sem o necessário discernimento;


(exemplo: X conjunção carnal com pessoa em coma);

c) pessoas que não podem, por qualquer outra causa, oferecer resistência (ex. prática
de conjunção carnal com pessoa drogada).

Obs: É preciso que o agente tenha conhecimento da idade da vítima ou da enfermidade. Se ele
desconhece estaremos diante de erro art. 20 CP.

Obs 2: a lei trouxe uma dúvida na mente, pois quando trata do crime do art. 218-B
(favorecimento de prostituição), ela fala no menor de 18 anos.

Obs 3: Não existe confusão do art. 215 com o art. 217-A, pois o art. 215 há uma manifestação de
vontade relativa para a prática do ato, mas no art. 217-A não há qualquer manifestação de
vontade.

18ª Questão

Matias foi denunciado pelo crime previsto no artigo 217-A do Código Penal, (estupro
de vulnerável) e artigo 9°, da Lei 8.072/90, em razão de a vítima possuir 10 anos de idade. Qual
a tese defensiva a ser apresentada em favor de Matias.

Com o advento da Lei 12.015, o art. 224 do CP que tratava de presunção de


violência, foi expressamente revogado. O art. 9º da Lei 8.072/90 descreve causa de aumento de
pena, mas exige que a vítima esteja nas condições do art. 224 do CP. O art. 217-A substituiu o
art. 224 do CP. A causa de aumento do art. 9º da Lei 8.072 previa uma causa de aumento que não
subsiste mais, diante da revogação do art. 224 CP.

O art. 9º da Lei 8.072/90 está revogado, tendo em vista que o seu fundamento era o
art. 224 CP (presunção de violência). Tal dispositivo foi expressamente revogado pela lei
12.015/2009.
Presunção de violência (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
Art. 224 - Presume-se a violência, se a vítima: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90
(Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
a) não é maior de catorze anos; (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
b) é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância;
(Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
c) não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência. (Revogado pela
Lei nº 12.015, de 2009)
Lei 8.072/90 - Art. 9º As penas fixadas no art. 6º para os crimes capitulados nos
arts. 157, § 3º, 158, § 2º, 159, caput e seus §§ 1º, 2º e 3º, 213, caput e sua
combinação com o art. 223, caput e parágrafo único, 214 e sua combinação com
o art. 223, caput e parágrafo único, todos do Código Penal, são acrescidas de
metade, respeitado o limite superior de trinta anos de reclusão, estando a vítima
em qualquer das hipóteses referidas no art. 224 também do Código Penal.

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19ª Questão

Com o advento da Lei 12.015/09 é possível considerarmos concurso de crimes ou


tipo cumulativo, quando da prática de conjunção carnal e atos libidinosos diversos da conjunção
carnal? Resposta objetivamente justificada.

O camarada praticou conjunção carnal + atos libidinosos, no mesmo contexto fático


= crime único, não havendo concursos de crimes, nem tipos cumulativos, ou seja, não se pode
somar as penas no mesmo tipo penas, pois o tipo é alternativo, tendo a lei possibilitado o
afastamento do concurso de crimes. (ex. conjunção carnal + sexo oral = crime único de estupro –
a reprovabilidade da conduta será aumentada na primeira fase da aplicação da pena – art. 59 –
fixação da pena base).

Resposta:

Com o advento da Lei 12.015/09 não é possível o reconhecimento de concurso de


crimes, quando praticados atos libidinosos e conjunção carnal no mesmo contexto fático, Trata-
se de tipo misto alternativo, no qual a prática de conjunção carnal e atos libidinosos implicaram
em uma única responsabilidade penal.

20ª Questão

Pedro Henrique foi denunciado pelo crime de homicídio qualificado por recurso que
impossibilitou a defesa do ofendido, em razão desta encontrar-se dormindo no momento do
ataque. Pergunta-se, é possível haver causa de diminuição de pena sob o argumento de que o
crime teria sido praticado por relevante valor moral? Resposta Objetivamente justificada.

No art. 121 encontramos qualificadoras de natureza objetiva (incisos III e IV) e


qualificadoras de natureza subjetivas (incisos I, II e V). As qualificadoras subjetivas, segundo a
maioria esmagadora da doutrina, são incompatíveis com o parágrafo primeiro do art. 121. Não se
podem combinar essas qualificadoras, mas as qualificadoras objetivas seriam compatíveis com o
art. 121, 1º.

Assim é possível que o crime de homicídio seja qualificado e privilegiado ao mesmo


tempo, desde que as qualificadoras sejam de caráter objetivo. Do contrário não será possível.

Homicídio simples
Art 121. Matar alguem:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Caso de diminuição de pena
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor
social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a
injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um
terço.

Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;

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II - por motivo futil;


III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Resposta:

É possível a incidência da qualificadora descrita no caso e do privilégio, tendo em


vista que esta é de natureza objetiva, sendo o privilégio subjetivo, não havendo, portanto,
incompatibilidade.

21ª Questão

Marcelo mata seu melhor amigo como "queima de arquivo" para garantir sua
impunidade na contravenção penal do jogo de bicho. Pergunta-se: Existe compatibilidade com
alguma causa de diminuição de pena, prevista no tipo penal relativo ao crime de homicídio?

Esta está descrita no inciso V do art. 121 CP, quando se tratar de garantir a
impunidade ou vantagem em outro crime, mas a questão fala em contravenção. Entretanto, o
inciso V e espécie do inciso I (motivo torpe), mas sendo um ou outro, ambos são de natureza
subjetiva, não sendo compatíveis com o privilégio.

No caso concreto trata-se de contravenção, porém o homicídio continua com a


qualificadora de natureza subjetiva, logo, incompatível com o privilégio.

22ª Questão

É admissível tentativa nos casos de homicídio preterintencional? Resposta


objetivamente justificada

(NÃO RESPONDIDA PELA PROFESSORA)

23ª Questão

Considere a seguinte situação hipotética. Tadeu, no exercício de atividade pública,


desviou mão de obra de servidores públicos para utilizá-la na construção de obra particular.
Nessa situação, houve a consumação do crime de peculato, na modalidade peculato-desvio. Está
correta a capitulação penal? Em caso positivo qual o regime de penas a ser aplicado?

(NÃO RESPONDIDA PELA PROFESSORA)

24ª Questão

Nos crimes de concussão e corrupção passiva, identifique o momento consumativo.

(NÃO RESPONDIDA PELA PROFESSORA)

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