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PPPP erererer CCCC eeee BBBB erererer Informes da Revolução Partido Comunista Brasileiro www.pcb.org.br N° 189

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Partido Comunista Brasileiro www.pcb.org.br

N° 189 – 30.12.2010

.

EUA: o fim do império

Um século de domínio vai acabar antes do previsto

império Um século de domínio vai acabar antes do previsto Todos os impérios caíram. Em geral,

Todos os impérios caíram. Em geral, acabam sob ataque inimigo, mas o império estadunidense arruína-se por suas contradições

No ensaio Declínio e queda do império americano: Quatro cenários para o fim do século americano em 2025, Alfred W. McCoy* traça o roteiro para o fim da submissão mundial à ditadura estadunidense.

para o fim da submissão mundial à ditadura estadunidense . Uma aterragem suave para a América

Uma aterragem suave para a América daqui a 40 anos? É melhor não apostar. O desaparecimento dos Estados Unidos, enquanto superpotência global, pode chegar muito mais depressa do que se imagina. Se Washington está convencido que o fim do Século Americano será lá para 2040 ou 2050, uma avaliação mais realista das tendências internas e globais sugere que em 2025, apenas daqui a 15 anos, pode estar tudo acabado exceto a gritaria. Apesar da aura de onipotência que a maior parte dos impérios projeta, uma olhadela para a sua história devia lembrar-nos que eles são organismos frágeis.

devia lembrar-nos que eles são organismos frágeis. A sua ecologia de poder é tão frágil que,
devia lembrar-nos que eles são organismos frágeis. A sua ecologia de poder é tão frágil que,

A sua ecologia de poder é tão frágil que, quando as coisas começam a correr mesmo mal, os impérios normalmente esboroam-se com uma rapidez impiedosa: um ano apenas para Portugal, dois anos para a União Soviética, oito anos para a França, 11 anos para os otomanos, 17 anos para a Grã-Bretanha e, com toda a probabilidade, 22 anos para os Estados Unidos, a contar do ano crucial de 2003. Os futuros historiadores identificarão provavelmente a imprudente invasão do Iraque da administração Bush nesse ano como o início da queda da

América. Mas, ao contrário do banho de sangue que marcou o fim de tantos impérios do passado, com cidades a arder e massacres de civis, este colapso imperial do século vinte e um pode ocorrer de modo relativamente calmo através dos rebentos invisíveis do colapso econômico ou da guerra cibernética. Mas não tenham dúvidas:

quando finalmente acabar o domínio global de Washington, todos os dias haverá recordações dolorosas do que tal perda de poder significa para os americanos qualquer que seja o seu estilo de vida.

recordações dolorosas do que tal perda de poder significa para os americanos qualquer que seja o
Como meia dúzia de países europeus descobriram, o declínio imperialista tende a ter um impacto

Como meia dúzia de países europeus descobriram, o declínio imperialista tende a ter um impacto bastante desmoralizante numa sociedade, impondo pelo menos uma geração de privações econômicas. À medida que a economia arrefece, a temperatura política sobe, estimulando frequentemente uma grave turbulência interna.

Os dados econômicos, educativos e militares indicam que, no que se refere ao poder global dos EUA, as tendências negativas convergirão rapidamente em 2020 e provavelmente atingirão uma massa crítica por volta de 2030. O Século Americano, tão triunfalmente proclamado no início da II Guerra Mundial, estará esfarrapado e moribundo em 2025, na sua oitava década, e pode pertencer ao passado em 2030. Significativamente, em 2008, o National Intelligence Council dos EUA reconheceu pela primeira vez que o poder global da América estava de fato numa trajetória de declínio. Num dos seus relatórios

futuristas periódicos,

Global Trends 2025, o Conselho citava "a transferência da riqueza

e do poder econômico

globais atualmente em curso, grosso modo do ocidente para o oriente"

e "sem precedentes na

história moderna", como

o principal fator no

declínio da "força relativa dos Estados Unidos – mesmo na área militar". Mas, tal como muita gente em Washington, os analistas do Conselho previam uma aterragem muito prolongada e muito suave para o predomínio americano global e albergavam a esperança de que, de certa forma, os EUA iriam "manter competências militares

únicas… para projetar globalmente o poder militar" durante as próximas décadas. Não vão ter essa sorte. Segundo as atuais

projeções, os Estados Unidos vão encontrar-se em segundo lugar, atrás da China (já a segunda maior economia do mundo) em

produtividade

econômica por volta de 2026, e atrás da Índia em 2050. Do mesmo modo,

a inovação chinesa está

numa trajetória para a liderança mundial em ciências aplicadas e em tecnologia militar algures entre 2020 e 2030, na altura em que o atual suprimento de brilhantes cientistas e

engenheiros da América se reformarem, sem uma substituição adequada por uma geração mais nova com deficiente instrução. Em 2020, segundo os planos atuais, o Pentágono jogará uma última cartada para um império moribundo. Lançará uma tripla cobertura letal de modernas armas aeroespaciais robóticas como a última esperança de Washington para manter o poder global apesar da redução da sua influência econômica. Mas nesse ano, a rede global chinesa de satélites de comunicações, apoiada pelos super- computadores mais poderosos do mundo, também estará plenamente operacional, fornecendo a Beijing uma plataforma independente para o armamento do espaço e um poderoso sistema de comunicações para ataques de mísseis ou cibernéticos em todos os quadrantes do globo.

mísseis ou cibernéticos em todos os quadrantes do globo. Embrulhada numa arrogância imperial, tal como Whitehall

Embrulhada numa arrogância imperial, tal como Whitehall ou o Quai d'Orsay antes dela, a Casa Branca parece imaginar ainda que o declínio americano será gradual, suave e parcial.

Quai d'Orsay antes dela, a Casa Branca parece imaginar ainda que o declínio americano será gradual,
No discurso sobre o Estado da Nação em Janeiro passado, o presidente Obama voltou a

No discurso sobre o Estado da Nação em Janeiro passado, o

presidente Obama voltou

a garantir que "eu não

aceito um segundo lugar

para os Estados Unidos da América". Dias depois, o vice-

presidente Biden ridicularizou a ideia de que "estamos destinados

a cumprir a profecia [do

historiador Paul] de Kennedy de que vamos ser uma grande nação que falhou porque perdemos o controle da

nossa economia e exageramos". Do mesmo modo, ao escrever na

edição de Novembro da revista institucional Foreign Affairs, o guru da política neoliberal Joseph Nye afastou qualquer conversa sobre

o crescimento

econômico e militar da China, desdenhando "metáforas enganadoras de declínio orgânico" e negando que estivesse em marcha qualquer deterioração do poder global dos EUA. Os americanos vulgares, que vêem os seus empregos fugir para além-mar, têm uma perspectiva mais realista do que os seus lideres mimados. Uma

sondagem de opinião de Agosto de 2010 chegou à conclusão de que 65% dos americanos estão convencidos de que o país já se encontra "numa situação de declínio". A Austrália e a Turquia, tradicionais aliados militares dos EUA, já estão a usar as suas armas fabricadas por americanos em manobras aéreas e navais conjuntas com a China. Os parceiros econômicos mais próximos da América já estão a distanciar-se de Washington quanto à oposição às taxas de câmbio da China. Quando o presidente regressou da sua visita à Ásia no mês passado, um cabeçalho tristonho do New York Times resumia a situação desta maneira: "A visão econômica de Obama é rejeitada no palco mundial, a China, a Grã- Bretanha e a Alemanha desafiam os EUA, Conversações comerciais com Seul também falham". Vista numa perspectiva histórica, a questão não é se os Estados Unidos vão perder o seu incontestado poder global, mas qual o grau de rapidez e de violência que o declínio terá. Em vez do pensamento desejoso de Washington, vamos utilizar a própria metodologia futurista do

National Intelligence Council para sugerir quatro cenários realistas para ver como o poder global dos EUA pode chegar ao fim nos anos 20, seja com um golpe ou com um gemido (acompanhados de quatro análises correspondentes da situação atual). Os cenários futuros incluem: declínio econômico, choque petrolífero, desventuras militares e III Guerra Mundial. Embora estas não sejam as únicas possibilidades no que se refere ao declínio americano ou mesmo ao seu colapso, constituem uma visão sobre um futuro próximo. Declínio econômico:

Situação atual Existem presentemente três ameaças principais para a posição dominante da América na economia global:

perda de peso econômico graças à quota minguante do comércio mundial, declínio da inovação tecnológica americana e fim da situação privilegiada do dólar enquanto divisa de reserva global. Em 2008, os Estados Unidos já tinham descido para o número três nas exportações globais de mercadorias, com apenas 11% em comparação com 12% para a China e 16% para a União Europeia.

exportações globais de mercadorias, com apenas 11% em comparação com 12% para a China e 16%
Não há nenhuma razão para crer que esta tendência se vá inverter. A liderança americana

Não há nenhuma razão para crer que esta

tendência se vá inverter.

A liderança americana

na inovação tecnológica também está em decadência. Em 2008, os EUA ainda eram o número dois a seguir ao Japão nos pedidos de patentes mundiais com 232 mil, mas a China estava a aproximar-se rapidamente com 195

mil, graças a um aumento fulgurante de 400% desde 2000. Um

arauto de maior declínio:

em 2009 os EUA atingiram o último lugar na classificação entre os 40 países analisados pela Information Technology

& Innovation

Foundation no que se refere a "mudança" em "competitividade global com base na inovação" durante a década anterior. A dar mais peso a estas estatísticas, o Ministério da Defesa da China divulgou em Outubro o super- computador mais rápido do mundo, o Tianhe-1A, tão poderoso, disse um especialista dos EUA, que "estoura com a atual máquina nº 1" na América. Acrescentem a isto a clara evidência de

que o sistema educativo dos EUA, a fonte dos futuros cientistas e inovadores, tem ficado para trás em relação aos seus competidores. Depois de liderar o mundo durante décadas, no que se refere a gente entre os 25 e os 34 anos de idade com graus universitários, o país mergulhou para 12º lugar em 2010. O Fórum Econômico Mundial classificou os Estados Unidos com um medíocre 52º lugar entre 139 países quanto à qualidade do ensino universitário de matemática e ciências em 2010. Atualmente, quase metade de todos os estudantes formados em ciências nos EUA são estrangeiros, a maioria dos quais regressará aos seus países, em vez de se manter aqui como acontecia anteriormente. Por outras palavras, em 2025, os Estados Unidos enfrentarão provavelmente uma escassez crítica de cientistas talentosos. Estas tendências negativas estimulam críticas cada vez mais duras ao papel do dólar como divisa de reserva mundial. "Os outros países já não estão dispostos a comprar a ideia de que os EUA sabem o que é o melhor em política econômica", observou Kenneth S. Rogoff, um antigo

economista de topo do Fundo Monetário Internacional. Em meados de 2009, quando os bancos centrais mundiais detinham um valor astronômico de 4 bilhões de dólares em notas do Tesouro americano, o presidente russo Dimitri Medvedev insistia que era tempo de acabar com "o sistema unipolar mantido artificialmente" baseado "numa divisa de reserva que antigamente era forte". Simultaneamente, o governador do banco central da China sugeria que o futuro poderá assentar numa divisa de reserva global "desligada de países individuais" (ou seja, o dólar dos EUA). Considerem isto como indicadores de um mundo futuro, e de uma possível tentativa, conforme referiu o economista Michael Hudson, "para acelerar a falência da ordem mundial financeiro-militar dos Estados Unidos".

Declínio econômico:

Cenário 2020

Em 2020, depois de anos de gordos déficits alimentados por intermináveis guerras em países distantes, e conforme esperado há muito, o dólar dos EUA perde finalmente o seu estatuto especial como divisa de reserva mundial.

e conforme esperado há muito, o dólar dos EUA perde finalmente o seu estatuto especial como
Subitamente, o custo das importações dispara. Impossibilitado de pagar os déficits enormes através da venda

Subitamente, o custo das importações dispara. Impossibilitado de pagar os déficits enormes através da venda ao estrangeiro das notas do Tesouro agora

desvalorizadas,

Washington é finalmente forçado a reduzir o seu inchado orçamento militar. Debaixo da pressão interna e externa, Washington faz

regressar lentamente as forças americanas das centenas de bases ultramarinas para um perímetro continental. Mas agora já é tarde demais. Confrontados

com uma superpotência moribunda incapaz de pagar as contas, a China,

a Índia, o Irã, a Rússia e

outras potências, grandes

e regionais, desafiam

provocadoramente o domínio dos EUA sobre os oceanos, o espaço e o ciberespaço. Entretanto, no meio de preços altos, de um desemprego sempre crescente e de uma queda continuada dos salários reais, as divisões internas resultam em choques violentos e debates fraturantes, muitas vezes sobre questões totalmente irrelevantes. Na crista de uma onda política de desilusão e

desespero, um patriota

da extrema-direita conquista a presidência com retórica retumbante, exigindo respeito para com a autoridade americana e ameaçando retaliação militar ou represálias econômicas.

O mundo não liga a

mínima quando o Século

Americano termina em silêncio.

Choque petrolífero:

Situação atual Uma consequência do poder econômico moribundo da América tem sido a sua dificuldade nos abastecimentos globais de petróleo. Ultrapassando a economia ávida de gasolina da América, a China passou a ser o maior consumidor de energia este Verão, uma posição que os EUA mantiveram durante mais de um século. O especialista em energia Michael Klare argumenta que esta mudança significa que a

China vai "assumir o comando na definição do nosso futuro global". Em 2025, o Irã e a Rússia vão controlar quase metade do abastecimento mundial de gás natural, o que potencialmente lhes dará uma vantagem enorme sobre a Europa faminta de energia. Acrescentem

as reservas de petróleo a

esta mistura e, conforme alertou o National

Intelligence Council, dentro de apenas 15 anos, a Rússia e o Irã poderão "emergir como os reis da energia". Apesar duma espantosa capacidade de invenção, as grandes potências petrolíferas estão neste momento esgotando as grandes bacias de reservas petrolíferas que são de extração fácil e barata. A grande lição do desastre petrolífero do Deep Horizon no Golfo do México não foi o padrão negligente de segurança da BP, mas o simples fato que toda a gente viu na TV: os gigantes da energia já não têm alternativa senão procurar aquilo que Klare designa por "petróleo difícil" a quilômetros abaixo da superfície do oceano para conseguir manter os seus lucros. A agravar o problema, os chineses e os indianos tornaram-se repentinamente enormes consumidores de energia. Mesmo que os abastecimentos de combustíveis fósseis se mantivessem constantes (o que não acontece), a procura, e portanto os custos, aumentará certamente – e de forma acentuada. Outras nações desenvolvidas estão a enfrentar esta ameaça de uma forma agressiva dedicando-se a programas experimentais para desenvolver fontes de energia alternativas.

ameaça de uma forma agressiva dedicando-se a programas experimentais para desenvolver fontes de energia alternativas.
Os Estados Unidos seguiram um caminho diferente, fazendo muito pouco para desenvolver energias alternativas ao

Os Estados Unidos seguiram um caminho diferente, fazendo muito pouco para desenvolver energias alternativas ao mesmo tempo que, nos últimos trinta anos, duplicaram a sua dependência das importações de petróleo estrangeiro. Entre 1973 e 2007, as importações de petróleo aumentaram de 36% da energia consumida nos EUA para 66%.

Choque

petrolífero:

Cenário 2025

Os Estados Unidos mantêm-se tão dependentes do petróleo estrangeiro que qualquer pequena evolução adversa no mercado global de energia em 2025 provoca um choque petrolífero. Em comparação, o choque petrolífero de 1973 (quando os preços quadruplicaram em poucos meses) não é nada. Irritados com a queda do valor do dólar, os ministros do Petróleo da OPEP, num encontro em Ryadh, exigem os pagamentos futuros da energia num "cabaz" de ienes, iuans e euros.

O que só contribui para aumentar o custo das importações do petróleo dos EUA. Na mesma altura, enquanto assinam uma nova série de contratos de entrega a longo prazo com a China, os sauditas estabilizam as suas próprias reservas de divisas estrangeiras mudando para o iuan. Entretanto, a China injeta milhares de milhões na construção de um enorme oleoduto trans-Ásia e no financiamento da exploração no Irã do maior campo de gás natural do mundo, em South Pars no Golfo Pérsico. Com a preocupação de que a Marinha dos EUA já não seja capaz de proteger os petroleiros que viajam do Golfo Pérsico para abastecer a Ásia oriental, uma coligação de Teerã, Riad e Abu Dabi forma uma inesperada nova aliança do Golfo e afirma que a nova frota da China de porta-aviões ligeiros passará a patrulhar o Golfo Pérsico a partir duma base no Golfo de Oman. Sob uma forte pressão econômica, Londres concorda em cancelar o aluguel aos EUA da sua base na ilha de Diego Garcia no Oceano Indico, enquanto Camberra, pressionada pelos chineses, informa Washington que a Sétima Frota deixou de

ser bem-vinda para usar Fremantle como porto de abrigo, expulsando assim na prática a Marinha dos EUA do Oceano Indico. Duma penada, e após alguns avisos sucintos, a 'Doutrina Carter', segundo a qual o poder militar dos EUA iria proteger eternamente o Golfo Pérsico, é posta de parte em 2025. Todos os elementos que há muito garantiam aos Estados Unidos abastecimentos

ilimitados de petróleo a baixo preço daquela região – logística, taxas de câmbio e poder naval

– evaporam-se. Nesta

altura, os EUA ainda conseguem cobrir uns insignificantes 12% das suas necessidades energéticas a partir da sua alternativa embrionária da indústria energética e mantém-se dependente das importações de petróleo para metade do seu consumo de energia. O choque petrolífero que se segue atinge o país como um furacão, disparando os preços para alturas impressionantes, tornando as viagens uma proposta extremamente cara, colocando os salários reais (que há muito estavam em

declínio) em queda livre

e tornando não

competitivas as poucas exportações americanas que ainda restam.

estavam em declínio) em queda livre e tornando não competitivas as poucas exportações americanas que ainda
Com os termostatos a descer, os preços da gasolina a furar o teto, e os

Com os termostatos a descer, os preços da gasolina a furar o teto, e os dólares a fugir mar fora em troca do petróleo caro, a economia americana fica paralisada. Com as alianças há muito desgastadas no fim e as pressões fiscais a aumentar, as forças militares americanas começam finalmente uma retirada encenada das suas bases ultramarinas. Em poucos anos, os EUA estão funcionalmente na falência e o relógio aproxima-se da meia- noite do Século Americano.

Aventuras militares desastrosas: Situação atual Contrariando o bom senso, à medida que o seu poder enfraquece, os impérios embarcam frequentemente em aventuras militares desastrosas e mal aconselhadas. Este fenômeno é conhecido entre os historiadores do império como "micro- militarismo" e parece envolver esforços psicologicamente compensadores para salvar o estigma da

retirada ou da derrota ocupando novos territórios, mesmo que breve e catastroficamente. Estas operações, irracionais mesmo do ponto de vista imperialista, representam muitas vezes gastos hemorrágicos ou derrotas humilhantes que só aceleram a perda do poder. Em todas as épocas, os impérios bélicos sofrem de uma arrogância que os leva a mergulhar cada vez mais profundamente em aventuras desastrosas até que a derrota se transforma em derrocada. Em 413 AC, uma Atenas enfraquecida enviou 200 barcos para serem massacrados na Sicília.

Em 1921, uma Espanha imperialista moribunda enviou 20 mil soldados para serem dizimados pelos guerrilheiros berberes em Marrocos. Em 1956, um Império Britânico em decadência destruiu o seu prestígio atacando o Suez. E em 2001 e 2003, os EUA ocuparam o Afeganistão e invadiram o Iraque. Com a arrogância que define os impérios ao longo dos milênios, Washington aumentou o número de efetivos no Afeganistão para 100 mil, alargou a guerra até ao Paquistão, e prolongou o seu compromisso até 2014 e

para além disso, namorando desastres grandes e pequenos neste cemitério de impérios com armas nucleares, infestado por guerrilhas.

Aventuras

militares

desastrosas:

Cenário 2014

guerrilhas. Aventuras militares desastrosas: Cenário 2014 O 'micro-militarismo" é tão irracional, tão

O 'micro-militarismo" é tão irracional, tão imprevisível, que cenários aparentemente irreais rapidamente são ultrapassados pelos acontecimentos reais. Com as forças militares americanas esticadas desde a Somália às Filipinas e as tensões crescentes em Israel, no Irã e na Coreia, são múltiplas as combinações possíveis para uma crise militar desastrosa no estrangeiro. Estamos a meio do Verão de 2014 e uma reduzida guarnição americana no Kandahar em guerra no sul do Afeganistão é súbita e inesperadamente invadida por guerrilheiros talibãs, enquanto a aviação americana está no chão por causa duma tempestade de areia que impede a visão.

talibãs, enquanto a aviação americana está no chão por causa duma tempestade de areia que impede
São feitas pesadas baixas e, em retaliação, um comandante americano envergonhado envia bombardeiros B-1 e

São feitas pesadas baixas e, em retaliação, um comandante americano envergonhado envia bombardeiros B-1 e caças F-16 para demolir bairros suburbanos da cidade que se julga estarem sob controle dos talibãs, enquanto helicópteros equipados com metralhadoras AC- 130U "Spooky" varrem os escombros com um devastador fogo de canhões. Imediatamente, os mullahs começam a pregar a jihad nas mesquitas por toda a região, e unidades do exército afegão, treinados por forças americanas para dar a volta à guerra, começam a desertar em massa. Então, os combatentes talibãs desencadeiam uma série de ataques extremamente sofisticados, visando as guarnições dos EUA em todo o país, fazendo aumentar as baixas americanas. Em cenas que fazem recordar Saigon em 1975, helicópteros americanos resgatam soldados e civis americanos nos telhados de Cabul e Kandahar. Entretanto, irritados com o beco sem

saída interminável que já dura há décadas no que se refere à Palestina, os lideres da OPEP impõem um novo embargo petrolífero aos EUA como protesto pelo seu apoio a Israel, assim como pela matança de número incontável de civis muçulmanos nas suas guerras em curso por todo o Grande Médio Oriente. Com os preços da gasolina a subir em espiral e as refinarias a ficarem secas, Washington toma

a decisão de enviar

forças de Operações Especiais para conquistar os portos petrolíferos do Golfo Pérsico. Isto, por sua vez, incentiva uma onda de

ataques suicidas e a sabotagem de oleodutos

e de poços de petróleo.

Enquanto nuvens negras se acumulam no céu e os diplomatas se levantam na ONU para denunciar asperamente as ações

americanas,

comentaristas em todo o

mundo fazem ressuscitar

a história para brandir

este "Suez da América",

uma referência explícita

à derrocada de 1956 que

marcou o fim do Império

Britânico.

III Guerra Mundial:

Situação atual

No Verão de 2010, as tensões militares entre os EUA e a China

começaram a aumentar no Pacífico ocidental, outrora considerado um 'lago' americano. Ainda um ano antes ninguém teria previsto uma evolução destas. Tal como Washington se aproveitou da sua aliança com Londres para se apropriar de grande parte do poder global da Grã-Bretanha depois da II Guerra Mundial, também a China está utilizando agora os proveitos do seu comércio de exportações para os Estados Unidos para financiar o que parece vir a ser um desafio militar ao domínio americano nas águas da Ásia e do Pacífico. Com os seus recursos cada vez maiores, Beijing reclama um vasto arco marítimo desde a Coreia

à Indonésia há muito

dominado pela Marinha dos EUA. Em Agosto, depois de Washington ter manifestado um "interesse nacional" no Mar do Sul da China e

de ali ter efetuado exercícios navais para reforçar essa pretensão,

o Global Times oficial

de Beijing respondeu asperamente, dizendo:

"O confronto de forças EUA-China em relação à questão do Mar do Sul da China fez subir a aposta quanto à decisão de qual vai ser o verdadeiro futuro governante do planeta".

Mar do Sul da China fez subir a aposta quanto à decisão de qual vai ser
No meio de tensões crescentes, o Pentágono relatou que Beijing já detém "a capacidade de

No meio de tensões crescentes, o Pentágono relatou que Beijing já detém "a capacidade de atacar… porta-aviões [americanos] no Oceano Pacífico ocidental" e visar "forças nucleares por todo… o continente dos Estados Unidos". Ao desenvolver "capacidades ofensivas de guerra nuclear, espacial e cibernética", a China parece determinada a competir pelo domínio daquilo a que o Pentágono chama "o espectro de informação em todas as dimensões do campo de batalha moderno". Com

o desenvolvimento em

curso do poderoso super míssil Longo Alcance V, assim como com o lançamento de dois

satélites em Janeiro de 2010 e outro em Julho, num total de cinco,

Beijing deu sinal de que

o país estava a dar

passos rápidos na direção de uma rede "independente" de 35 satélites para capacidades de posicionamento global, de comunicações e de reconhecimento até 2020. Para conter a China e alargar a sua posição militar

globalmente, Washington pretende montar uma nova rede digital de robótica aérea e espacial, capacidades avançadas de guerra cibernética e vigilância eletrônica. Os estrategistas militares esperam que este sistema integrado envolva a Terra numa grelha cibernética capaz de ofuscar exércitos inteiros no campo de batalha ou de caçar um simples terrorista no campo ou na favela. Em 2020, se tudo correr conforme planeado, o Pentágono vai lançar um escudo de três camadas de pequenos aviões espaciais de controle remoto – que vão da estratosfera até à exosfera, armados com mísseis ágeis, ligados por um elástico sistema de satélite modular e manobrados inteiramente por vigilância telescópica. Em Abril passado, o Pentágono fez história. Alargou as operações dos aviões de controle remoto até à exosfera lançando calmamente o X-37B, um veículo espacial não tripulado, para uma órbita baixa a 410 km acima do planeta. O X-37B é o primeiro de uma nova geração de veículos não tripulados que vão marcar o total armamento do espaço, criando uma arena para

futuras guerras diferente de tudo o que já se viu.

III Guerra Mundial: Cenário

2025

A tecnologia do espaço e

a guerra cibernética são

coisas tão novas e sem estarem testadas que até

os cenários mais estranhos podem vir a ser ultrapassados por

uma realidade que ainda

é difícil de conceber.

Mas se utilizarmos apenas o tipo de cenários que a própria Força Aérea usou no seu Jogo de Capacidades Futuras 2009, podemos obter "uma melhor compreensão de como o ar, o espaço e o ciber espaço se sobrepõem na

guerra" e começar a imaginar como poderá ser realmente travada uma próxima guerra mundial. São 11:59 da noite de quinta-feira de Ação de Graças em 2025. Enquanto os ciber- compradores se apinham nos portais da Melhor Compra para beneficiar dos grandes descontos na última palavra de aparelhos eletrônicos domésticos chineses, os técnicos da Força Aérea dos EUA no Telescópio de Vigilância Espacial em Maui engasgam-se com o café quando os seus monitores panorâmicos se apagam subitamente.

de Vigilância Espacial em Maui engasgam-se com o café quando os seus monitores panorâmicos se apagam
Soldados chineses: “voando” A milhares de quilômetros, no centro de operações do Ciber- Comando dos

Soldados chineses: “voando”

A milhares de quilômetros, no centro de operações do Ciber- Comando dos EUA, no Texas, os ciber- guerreiros depressa detectam binários maliciosos que, embora lançados anonimamente, mostram as distintas impressões digitais do Exército de Libertação de Pequim. O primeiro ataque aberto é um ataque que ninguém previra. "Vírus" chineses apoderam-se do controle da robótica a bordo de um avião "Vulture" americano, de controle remoto, não tripulado, alimentado a energia solar, quando ele se encontra a 70 mil pés de altitude sobre o Estreito Tsushima entre a Coreia e o Japão. Este dispara subitamente toda a carga de mísseis transportada na sua enorme envergadura de 120 metros, enviando dezenas de mísseis letais que mergulham inofensivamente no Mar Amarelo, desarmando eficazmente essa arma formidável. Decidido a combater o fogo com fogo, a Casa Branca autoriza um ataque de retaliação. Confiante em que o seu sistema satélite F-6

"Fractionated, Free- Flying" é impenetrável, os comandantes da Força Aérea na Califórnia transmitem códigos robóticos para a flotilha de aviões espaciais de controle remoto X-37B que se deslocam numa órbita a 400 km acima da Terra, ordenando-lhes que lancem os seus mísseis "Triple Terminator" contra os 35 satélites da China. Resposta zero. Quase em pânico, a Força Aérea lança o seu Cruise Vehicle Hipersónico Falcon para um arco a 160 km acima do Oceano Pacífico e, 20 minutos depois, envia os códigos de computador para disparar mísseis contra sete satélites chineses em órbitas vizinhas. Subitamente os códigos de lançamento deixam de estar operacionais. À medida que os vírus chineses alastram descontroladamente pela arquitetura dos satélites F-6, enquanto os super- computadores americanos de segunda categoria não conseguem decifrar o diabolicamente complexo código do vírus, deixam de funcionar sinais de GPS vitais para a navegação dos navios e aviação americana em todo o mundo. Porta-aviões começam a andar em círculos no meio do Pacífico. Esquadrões de

caças aterram. Mortíferos aviões de comando remoto voam sem rumo, despencando- se quando se esgota o combustível. Subitamente, os Estados Unidos perdem o que a Força Aérea americana há muito chamava "o supremo terreno elevado": o espaço. Em poucas horas, o poder militar que dominara o globo durante quase um século, foi derrotado na III Guerra Mundial sem uma única baixa humana.

Uma Nova Ordem Mundial?

Mesmo que os acontecimentos futuros venham a ser mais insossos do que estes quatro cenários sugerem, todas as tendências significativas apontam para um declínio muito mais impressionante do poder global americano em 2025 do que tudo o que Washington parece estar encarando hoje. À medida que em todo o mundo os aliados começam a realinhar as suas políticas para terem conhecimento dos crescentes poderes asiáticos, o custo de manter 800 ou mais bases militares ultramarinas vai tornar- se simplesmente insustentável, acabando por forçar uma retirada encenada numa Washington ainda renitente.

vai tornar- se simplesmente insustentável, acabando por forçar uma retirada encenada numa Washington ainda renitente.
Com os EUA e a China numa corrida para armar o espaço e o ciber-

Com os EUA e a China numa corrida para armar

o espaço e o ciber- espaço, é inevitável que aumentem as tensões entre as duas potências, tornando pelo menos possível um conflito militar em 2025, embora isso não seja garantido.

A

complicar ainda mais

as

coisas, as tendências

econômicas, militares e tecnológicas acima traçadas não funcionarão isoladamente. Tal como aconteceu aos impérios europeus depois da II Guerra Mundial, essas forças negativas vão mostrar-se inquestionavelmente sinérgicas. Vão combinar-se de formas perfeitamente inesperadas, vão criar

crises para as quais os americanos não estão minimamente preparados e vão ameaçar precipitar a economia numa súbita espiral descendente, mergulhando esta nação numa geração ou mais de miséria econômica. Enquanto o poder dos EUA recua, o passado oferece um espectro de possibilidades para uma futura ordem mundial. Numa das pontas deste

espectro, não se pode pôr de lado a ascensão de uma nova superpotência global, embora isso seja pouco provável. Tanto a Rússia como a China revelam ainda culturas auto- referenciais, escritas difíceis não romanas, estratégias de defesa regional e sistemas legais subdesenvolvidos, que lhes negam instrumentos chave para um domínio global. Portanto, de momento, parece que não há no horizonte nenhuma superpotência que possa suceder aos EUA. Numa versão sombria, medonha, do nosso futuro global, uma coligação de corporações transnacionais, de forças multilaterais como a NATO e duma elite financeira internacional talvez pudesse forjar um único elo supra- nacional, possivelmente instável, que tornaria sem sentido continuar a falar de impérios nacionais. Enquanto as corporações desnacionalizadas e as elites multinacionais governariam assumidamente um mundo assim em enclaves urbanos seguros, a multidão seria relegada para a desolação urbana e rural. No 'Planeta Favela' (Planet of Slums), Mike Davis apresenta pelo

menos uma visão parcial de um mundo desses. Defende que o bilhão de pessoas já amontoadas em fétidos bairros pobres, tipo favelas, em todo o mundo (e que chegarão aos dois bilhões em 2030) formarão "as 'cidades falhadas, selvagens' do Terceiro Mundo… o campo de batalha característico do século vinte e um". À medida que a noite se instala em algumas das futuras super-favelas, "o império pode impor tecnologias orwelianas de repressão" como "helicópteros com metralhadoras, tipo vespas, a caçar inimigos enigmáticos pelas ruas estreitas dos bairros pobres… Todas as manhãs os bairros respondem com bombistas suicidas e explosões eloquentes". A meio caminho do espectro de possíveis futuros, pode emergir um novo oligopólio global entre 2020 e 2040, com potências em ascensão como a China, a Rússia, a Índia e o Brasil colaborando com potências em decadência como a Grã-Bretanha, a Alemanha, o Japão e os Estados Unidos para imporem um domínio global ad hoc, parecido com a aliança solta dos impérios europeus que governaram metade da humanidade por volta de

1900.

global ad hoc, parecido com a aliança solta dos impérios europeus que governaram metade da humanidade
Marx diz a Tio Sam: “Eu avisei!” Outra possibilidade: a ascensão de hegemonias regionais num

Marx diz a Tio Sam: “Eu avisei!”

Outra possibilidade: a ascensão de hegemonias regionais num regresso a algo que faz recordar o sistema internacional que funcionou antes de tomarem forma os impérios modernos. Nesta ordem mundial neo-westfaliana, com as suas imagens infindáveis de micro-violência e de exploração sem controle, cada hegemonia dominará a sua região – a Brasília na América do Sul, Washington na América do Norte, Pretória na África do Sul, e por aí afora. O espaço, o ciberespaço e as profundezas marítimas, libertos do controle da antiga "polícia" planetária, os Estados Unidos, até podem tornar-se áreas públicas globais, controladas por um

Conselho de Segurança das Nações Unidas alargado ou qualquer órgão ad hoc. Todos estes cenários são extrapolações de tendências existentes para um futuro no pressuposto de que os americanos, cegos pela arrogância de décadas de um poder historicamente sem paralelo, não possam ou não queiram

tomar medidas para gerir

a erosão descontrolada

da sua posição global. Se

o declínio da América

está de fato numa trajetória de 22 anos, de 2003 a 2005, então já

esbanjamos a maior parte da primeira década desse declínio com guerras que nos afastaram dos problemas

a longo prazo e, tal

como a água despejada nas areias do deserto,

desperdiçaram bilhões de dólares de que precisamos desesperadamente. Se restam apenas 15 anos, ainda se mantém alta a possibilidade de esbanjá- los todos. O Congresso e o presidente encontram- se atualmente manietados; o sistema americano está inundado de dinheiro público destinado a emperrar as obras; e poucas indicações há de que quaisquer questões de significado, incluindo as nossas guerras, o nosso estado de segurança nacional, o nosso esfomeado sistema de educação, e o nosso antiquado fornecimento de energia, sejam tratadas com a necessária seriedade para assegurar o tipo de aterragem suave que

antiquado fornecimento de energia, sejam tratadas com a necessária seriedade para assegurar o tipo de aterragem

podia maximizar o papel e a prosperidade do nosso país num mundo em mudança. Os impérios da Europa acabaram e o império da América está acabando. É cada vez mais duvidoso que os Estados Unidos venham a ter algo parecido com o êxito da Grã-Bretanha em moldar uma ordem mundial sucedânea que proteja os seus interesses, preserve a sua prosperidade e exiba o carimbo dos seus melhores valores.

*Alfred W. McCoy – Professor de história na Universidade de Wisconsin-Madison,

colaborador frequente de TomDispatch, autor de Policing America's Empire: The United States, the Philippines, and the Rise of the Surveillance State

(2009).

Philippines, and the Rise of the Surveillance State (2009). McCoy é também o líder do projeto

McCoy é também o líder do projeto "Empires in Transition" , um grupo de trabalho global de 140 historiadores de universidades de quatro continentes. Os

resultados das suas primeiras reuniões em Madison, Sidney, e Manila foram publicados como Colonial Crucible:

Empire in the Making of the Modern American State e as conclusões da sua última conferência aparecerão no próximo ano em "Endless Empire: Europe's Eclipse, America's Ascent, and the Decline of U.S. Global Power".

Este artigo foi originalmente publicado em português em http://resistir.info/R Tradução de Margarida Ferreira e Alceu A. Sperança.

Tradução de Margarida Ferreira e Alceu A. Sperança. Não perca matéria exclusiva no blog do PCB

Não perca matéria exclusiva no blog do PCB Um casal exemplar das artes paranaenses e sua luta pela cultura popular:

Miguel Joaquim das Neves e Solange Esequiel

cultura popular: Miguel Joaquim das Neves e Solange Esequiel (Sobre)viver da arte é “pancada” Matéria Especial

(Sobre)viver da arte é “pancada”

Matéria Especial do jornalista Júlio César Carignano

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Lembre-se: em Cascavel, nós somos a Revolução!

A seguir, um capítulo da cartilha de Marxismo e página colecionável de O Capital em quadrinhos

1

Curso Básico de Marxismo

A nação e o “nacionalismo”

11

Especialmente na formação capitalista, a burguesia procura utilizar para seu interesse de classe a propaganda do nacionalismo (que nada tem a ver com patriotismo). Lança a ideia da superioridade de uma nação sobre outra (como fizeram a Inglaterra na Índia e China e os EUA, atualmente, no Afeganistão e Iraque). Esforça-se para ofuscar as massas com o nacionalismo para impedir a elevação da consciência de classe dos trabalhadores, semeando entre eles as discórdias e as guerras.

Hitler e o nazismo, frutos do nacionalismo

e as guerras. Hitler e o nazismo, frutos do nacionalismo Na verdade, a exploração é internacional

Na verdade, a exploração é internacional. Os operários são explorados aqui, na Europa ou no Japão. O que varia é o grau de consciência e resistência dos trabalhadores aqui ou ali. Quanto maior a consciência de classe, mais direitos podem ser conquistados. A classe operária enfrenta o nacionalismo burguês com o internacionalismo proletário, que é a solidariedade de classe dos trabalhadores de todas as nações e raças na luta contra o capital, para se libertar de todas as formas de opressão social.

, para se libertar de todas as formas de opressão social. O famoso chamado de Karl

O famoso chamado de Karl Marx − “Proletários de todos os países, uni-vos!” −

tornou-se a bandeira de combate e fraternidade internacional dos operários.

O internacionalismo operário surge da própria

situação da classe trabalhadora na sociedade capitalista.

O capital é uma força internacional que explora

os operários independentemente de sua

nacionalidade ou cor.

“Proletários de todos os países, uni-vos!”

2

Os lucros que chegam às toneladas aos cofres das grandes empresas multinacionais são produto do trabalho dos operários dos mais diversos países. Para quebrar o poder do capital é necessária a aliança internacional da classe operária e de todos os trabalhadores. A atividade do setor avançado (revolucionário) da classe operária (o Partido Comunista) baseia-se no princípio do internacionalismo proletário. Não se trata de negar os interesses nacionais, mas de fazer com que esses interesses concordem com os interesses gerais da classe operária. Em nome do nacionalismo, Hitler ensanguentou o mundo na II Guerra Mundial. Getúlio Vargas esmagou o movimento nacional-libertador de 1935 e em 1937 implantou uma ditadura fascista descarada. Nas ditaduras nacionalistas, o herói nacional a serviço do capitalismo é o ditador, que encarna a nação e comanda as guerras contra outros povos ou contra partes de seu povo que são contra seu mandonismo opressivo.

partes de seu povo que são contra seu mandonismo opressivo. Dividindo as nações e causando rivalidades

Dividindo as nações e causando rivalidades entre elas, o nacionalismo semeia o ódio e a hostilidade entre os povos, provocando guerras. Para os internacionalistas, a nação só será feliz quando os trabalhadores não forem mais escravizados e oprimidos pelo capital em todo o mundo.

O culto à personalidade do ditador Getúlio Vargas

Como a sociedade e a natureza se desenvolvem segundo leis objetivas – a evolução sempre vem – pode-se colocar a seguinte questão: que papel desempenham os homens no processo histórico, se a evolução sempre vem? Não serão, nesse caso, um instrumento cego da necessidade histórica? Para que lutar contra a opressão se ela, por ser injusta, um dia terá que ter fim? Acontece que, diferentemente das leis da natureza, as leis da história atuam, obrigatoriamente, por meio da ação dos homens. A necessidade histórica não resulta de nenhum processo milagroso, de algum “deus” que dispensa a ação do homem. Com o desenvolvimento da produção, amadurecem na sociedade as novas necessidades materiais que movem grandes grupos de pessoas a atuar numa determinada direção. E a necessidade, agora, é superar o estágio capitalista. A seguir: O homem, agente da história

Lições de Comunismo número 68

A cada edição do PerCeBer você terá uma nova página colecionável de O Capital em quadrinhos