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O estranhamento da linguagem no discurso poético

O estranhamento e a individualidade de cada discurso foram indicados por Jean-François Lyotard


como sendo o “differend” em oposição ao consenso. A sensação da percepção dos significados
não é universal em sua condição estética ou moral. O diferend não pretende ser nenhum formato
ou uma escrita que represente um pensamento geral, pois ele é o estado instável da linguagem,
quando não se pode, ainda, colocar o pensamento em frases devido a sua condição imponderável.
O “ differend” assemelha com um o estado emotivo do pensamento; é aquela sensação que temos
de “não conseguir ainda achar as palavras certas” para finalizar o que queremos dizer.

Viktor Shklovsky* em seu ensaio "Art as Device" inventou o termo "desfamiliarizção" como um
meio para distinguir a linguagem poética da linguagem da prática. Essencialmente, ele afirma que
a linguagem poética é fundamentalmente diferente do que a linguagem que usamos todos os dias,
porque ela é mais complexa para apreensão dos significados: O discurso poético é um discurso de
estrutura diferenciada em suas inscrições simbólicas. A Prosa é o discurso comum - econômico,
fácil, preciso em sua pontualidade. Esta diferença é a chave para a criação da arte e para a
prevenção de um "excesso de automatismo", que leva o indivíduo a funcionar como uma fórmula
e a seguir como um roteiro determinado no deciframento de um conteúdo. A distinção entre a
linguagem artística e a linguagem cotidiana se aplica a todas as formas artísticas.

A finalidade da arte é transmitir a sensação das coisas como elas são percebidas e não como elas
estão construídas ou são conhecidas ao olhar. A boa maneira de interação com a arte seria fazer
com que seus objetos fossem desfamiliarizados, isto é destematizados, construindo estruturas
mais trabalhosas para a percepção, pois o processo de entendimento estético é um fim em si
mesmo e deve ser prolongado. (Shklovsky)

Assim, um estranhamento da linguagem serve como um meio para forçar os indivíduos a


reconhecer que existe uma outra linguagem, a artística: ou seja, eliminar na tradução simbólica o
automatismo da percepção; o objetivo do autor poeta é o de criar uma visão que resulta de um
entendimento (des)automatizado das coisas. Um trabalho criado artisticamente necessita ter seu
entendimento diferenciado para produzir a lentidão necessária para sua interiorização.

A estética poética no discurso de fé


Adélia Prado fala sobre o discurso da fé como este estranhamento da linguagem em entrevista
recente* : a Bíblia é pura poesia. Ela é uma metáfora. É um discurso religioso vazado em
metáforas. Só por isso ela tem a duração que tem. Só por isso ela dura até hoje. Todos os grandes
livros, fundadores das grandes religiões, são vazados em poesia.

Salmos, Cânticos dos Cânticos. É poesia pura. O subtexto de um relato bíblico, por exemplo, é uma
revelação Divina: “Deus nos ama. Deus morre por nós”. É isso tudo que está lá. Mas “vazado”
como? Em linguagem poética. Porque fora dessa linguagem o religioso não se apresenta, ele é
poético por natureza. Você pode fazer um poema sobre uma missa das 10 ou daquela pedra
[aponta para a janela] saindo do mar, ambos religiosos se forem poéticos.

E ambos poéticos se forem de fato religiosos. São fontes da mesma água, do mesmo rio. Separar
isso é duma infantilidade, é gente muito verde que faz isso. Ou que recusa, por um orgulho
profundo, o religioso. Porque o religioso, assim como arte, supõe do fiel, do crente, uma adesão.
Você não aceita a fé, você adere. A arte é a mesma coisa. A natureza do religioso e da experiência
poética é absolutamente igual.

"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal
que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os
mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os
montes, e não tivesse Amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o
meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é
paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se
porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com
a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.

O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo
ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier
o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas,
logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho
em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como
também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o
maior destes é o Amor." (A Bíblia, Paulo aos Coríntios sobre o amor)

Invocação

Não abandones ao que te invoca. Antes mesmo que eu te invocasse, já o tinhas prevenido.
Muitas vezes me instaste, falando de mil modos diversos para que te ouvisse de longe, para que
me convertesse e invocasse por ti que me chamavas.

Contudo, eis que existo, graças à tua bondade que precedeu tudo o que sou e do que me
fizeste. Não tinhas necessidade de mim, eu não sou um bem que te possa ser útil, meu Senhor e
meu Deus. Se estou a teu serviço, não é porque a ação te cansa ou porque teu poder, privado de
meus serviços, diminua; nem porque meu culto seja para ti o que é a cultura para a terra, que sem
ela ficaria estéril. Eu devo te honrar para ser feliz em ti, a quem devo meu ser, capaz de felicidade.
(Santo Agostinho em Confissões)

Jean-François Lyotard, o “differend”


http://tinyurl.com/2e4evvf

* Viktor Shklovsky
http://en.wikipedia.org/wiki/Defamiliarization

*Entrevista de Adélia Prado


http://www.saraivaconteudo.com.br/Artigo.aspx?id=483

São dois mundos que querem se tocar ou estranhar