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Lições do Cordeiro de Deus

Lições do Cordeiro de Deus

Élder F. Enzio Busche

O Élder Busche é Setenta emérito. Este discurso foi proferido na Conferência de Páscoa da BYU em
7 de abril de 2007.

Sinto-me honrado e humilde ao ser convidado para discursar na Conferência de Páscoa da Universidade
Brigham Young deste ano. Também me sinto muito admirado perante os discursos inspiradores e
educativos que ouvimos hoje de manhã e meu coração continua repleto das palavras que saíram da boca
dos nossos amados líderes na conferência geral da semana passada.

Para o mundo cristão inteiro comemorar a páscoa significa celebrar a vitória de Jesus, sim, seu triunfo
louvado sobre a morte, suas boas novas e a redenção da humanidade. Devido ao meu serviço no primeiro
quórum dos Setenta, tenho testemunhado muitos fantásticos no desenvolvimento e no crescimento da
Igreja. E minha alegria aumenta porque o Senhor está disposto a nos revelar como podemos ampliar nosso
conhecimento do que significa a expressão “eis aqui o Cordeiro de Deus” (João 1:36).

Nos últimos anos tenho desfrutado de mais tempo para entender melhor a importância de meditar e
ponderar não só a respeito da vida como também as muitas revelações que nos vieram através da
restauração do evangelho. Agora compreendo que para entendermos melhor a voz mansa e delicada pela
qual o Senhor nos fala, temos que reconhecer que o processo de comunicação com os Espírito leva tempo.
O resultado desta comunicação é um aumento de alegria na alma, a felicidade que nos vem pela influência
do Espírito do Senhor. À medida que nossa ilucidação pessoal cresce, o véu que nos separa de Deus se
torna cada vez mais transparente e sentimos ainda mais Sua luz e Seu amor que nos tiram o temor.

Desde o momento que me converti à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias uma pergunta
ficou na mente e nunca saiu: Por que levei dois anos para abraçar of evangelho de Jesus Cristo? Também
fico pensando por que será que é tão difícil ao povo de minha pátria e aos povos de muitos outros países
do mundo abrirem o coração à bela mensagem que Jesus tem para todos os filhos do Pai Celestial.

Tenho aprendido que o Mestre está sempre tentando-nos motivar a abrir os olhos para vê-lo à nossa frente
tentano comunicar-se conosco. Conforme lemos em Apocalipse 3:20: “Eis que estou à porta, e bato; se
alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”

Um princípio parece estar clara: Jesus tem um profundo respeito pelo nosso arbítrio. Ele não nos força a
abrir os olhos, e sim bate à porta e espera com paciência. É nossa responsabilidade compreender que nossa
vida se baseia em nossas próprias decisões e que temos uma escolha fundamental: ou viver atemorizdos
ou viver sob a influência do amor divino. Como dizem as escrituras, estas duas escolhas são opostas
contrárias e incompatíveis. Não podemos ter medo e amor ao mesmo tempo. Conforme lemos no Livro de
Mórmon e no Novo Testamento: “O perfeito amor lança fora todo o medo” (Morôni 8:16), e “O que teme
não é perfeito em amor” (1 João 4:18).
Jesus, o Grande Mestre, sempre bate à porta e quando formos sábios e afiarmos nossos sentimentos e
abrirmos os olhos, aprenderemos que Ele sempre quer comunicar-se conosco e que sempre quer-nos dar
sugestões para nos ajudar a fazer melhores escolhas. Ao seguirmos suas sugestões, nos encheremos de
alegria, energia e até mais confiança.

A Influência do Espírito

Logo após eu me tornar membro, eu pertencia a um ramo pequenininho da Igreja. Depois de pouco tempo
fui chamado para ser presidente do ramo. Do meu ponto de vista atual, posso ver que naquela época eu era
um pouco ingênuo, sem muito entendimento e talvez até um pouco orgulhoso. Eu pensava que, devido às
minhas experiências no mundo de negócios e a meu nível de educação, seria fácil transformar aquele
raminho fraco.

Passei muitas e muitas horas—às vezes todo o tempo livre de que me dispunha fora do trabalho—para
reativar muitos que não estavam ativos e para criar um ambiente para muitas conversões. Durante semanas
após semanas eu ficava decepcionado quando nas reuniões sacramentais os poucos membros ativos eram
os únicos a assistirem e muitas pessoas que haviam-se comprometido não compareciam.

Certo domingo eu de novo estava profundamente desapontado. Ao preparar-me para dar início à reunião,
algo aconteceu que se tornou um momento decisivo na minha vida. Os missionários haviam levado um
casal jovem com seu filhinho de cinco anos à reunião. Estavam sentados no primeiro banco bem em frente
de mim. De repente o menino, que tinha a inocência que só as criancinhas têm, falou em voz
suficientemente alta para todos na sala ouvirem: “Mãe, o que aquele cara dura está fazendo aí?” Ele
apontou para mim. Fiquei completamente chocado.

Apesar de todos os esforços e todo o meu trabalho duro e dedicado, para aquele menino eu era apenas um
homem de cara cruel. Aprendi que eu precisava avaliar o que fazia de outro ponto de vista e que eu nunca
seria bem-sucedido se fizesse as coisas do jeito que eu queria, mesmo utilizando meus talentos e
implanatando um plano estratégico. Eu, obviamente, tinha-me esquecido de que o mais importante—
querer converter uma alma—não tem nada a ver com programas, organizações e trabalho esforçado. Nada
podemos fazer sem a influência do Espírito que faz irradiar alegria, luz e amor no nosso semblante.

Daí em diante eu me esforcei em mudar de atitude. Eu não me ofendia mais com aqueles que não
cumpriam os compromissos. Minha esposa e nossos filhos chegaram a entender que a única coisa de
importância para nós era encher-nos do Espírito Santo e sobrepujar o egoismo. Ao fazermos isso,
tornamo-nos livres para nos regozijar com cada pessoa que comparecia.

Logo após esta experiência, várias pessoas que nunca haviam assistido, começaram de repente a aparecer
nas reuniões. Houve um período de revitalização e crescimento acelerado e depois de pouco tempo
tínhamos a freqüência necessária para contemplar a construção de nossa própria capela.

Aquele rapazinho se tornou para mim um lembrete constante na vida, relembrando-me de que o que mais
nos importa é viver sob a influênia do Espírito Santo, sempre dominando nossos baixos instintos, ou seja o
ego, cedendo ao eu mais elevado, ou divino para assim unir-nos à fonte divina.

Autoconsciência e Honestidade

É sempre surpreendente para mim que neste mundo escuro, sinistro e imprevisível, onde se escondem
perigos em cada canto, tão poucas pessoas procuram ou almejam uma compreensão melhor da vida. Com
todo o sofrimento, dor, agonia, crueldade e temor na vida humana, muitos dos nossos concidadãos têm
perdido o conhecimento da realidade de que Jesus Cristo ressuscitou e vive e que Ele está pronto a
revelar-se a todos que escutarem, mostrando-lhes o cominho para uma vida compensadora e feliz.
Ao refletir a respeito da minha própria conversão, confesso que apesar dos missionários se importarem
conosco de forma simples e direta e amarem sinceramente a mim e minha família, levou muito tempo para
eu vencer o cepticismo e chegar a andar pelo caminho assustador e solitário que poucos seguem, mas que
leva à autoconsciência e honestidade. Sem sermos honestos não é possível a verdade penetrar nossa alma.

Para dar-lhes uma idéia do que estou falando, eu gostaria de compartilhar com os irmãos uma carta que
escrevi para o boletim dos missionários quatro anos depois do meu batismo:

Quão despreparado estava eu para esta mensagem, levando em conta as exigências fundamentais da
mesma. Eu podia-me ver afastado demais, com atitudes superficiais e maus hábitos. Eu era culpado de ser
preguiçoso demais para ler um livro até o final. Parecia haver um abismo entre meu desempenho pessoal e
a visão da mensagem complexa dos missionários sobre o qual não se podia passar. Comecei a ter pena
destes moços. Até adverti-os que para mim não havia esperança, que seria para eles uma perda de tempo,
não somente no meu caso mas também no caso de todos os demais que eu conhecia. A idéia de que eu
teria garra suficiente para chegar a um nível aceitável era tão sem esperança que eu nem comecei, nem
tentei.

Era para mim uma grande bênção ter missionários que tinham paciência comigo. Eram muito eficazes
porque não ensinavam com um ar de superioridade, mas ensinavam, respeitando-me e minhas opiniões.
Faziam-me convites para aprender a crescer.

Os missionários se dispunham da capacidade natural de fazer o Espírito Santo ensinar-me porque só


enxergavam o que havia de bom em mim e não prestavam atenção às minhas fraquesas e falhas. O
missionário que por fim me batizou não se mostrava chocado por meu orgulho e arrogância, nem as
críticas constantes que eu fazia. Quando eu finalmente lhe disse que nunca me batizaria na Igreja, ele deu
um pulo de alegria, bateu palmas e gritou: “Que maravilhoso!”

Fiquei tão surpreso pela sua reação que lhe perguntei o que havia de maravilhoso no fato de eu nunca me
tornar membro da Igreja. Ele se riu e disse com entusiasmo: “É justamente isso que todos dizem antes de
serem batizados.”

Não pude fazer nada senaõ perguntar-lhe: “Como é que tem tanta certeza?” Ele me olhou com um grande
sorriso e disse com muita convicção: “Porque o senhor é um homem honesto.”

O pensamento me tocou. “Eu, um homem honesto?” Naquele momento o Espírito Santo se tornou meu
professor e um poderoso relâmpago espiritual penetrou minha alma, iluminando toda célula do meu corpo.
Em face de meu orgulho e arrogância eu comecei a desejar de toda a minha alma ser digno da observação
do missionário quanto à minha honestidade. Somente através de alcançar a honestidade verdadeira eu seria
capaz de receber a coragem e confiança que, julgava eu, me faltavam. Assim o missionário nos deu o
impulso que nos levou, minha esposa e eu, à nossa própria conversão.

Esta experiência me proporcionou o desejo de saber mais a respeito da fonte da mensagem. Fui guiado a
mais materiais sobre o Profeta Joseph Smith. Assombrei-me ao ler algumas de suas declarações que me
revelaram a grandeza e a veracidade de sua visão. Sinto-me obrigado a compartilhar algumas das palavras
que me impressionaram. Cito as palavras de Joseph Smith: “Deus não tem revelado nada a Joseph que Ele
não esteja disposto a revelar aos Doze e até ao Santo mais humilde que pode saber destas coisas tão rápido
que possa suportá-las.”[1] Ele acrescentou: “A única forma de obter verdades e sabedoria não é por meio
de livros e sim por meio de chegar perante Deus em oração e obter o ensino divino.”[2]

Estas declarações do Profeta Joseph Smith são únicas e cheias de esperança e luz.

Nossa Indentidade Eterna


Ao examinar as condições em que a humanidade se encontra hoje ou mesmo na época que eu investigava
a Igreja, reconheço que há três perguntas essenciais para a alma de todo ser humano. Estas perguntas são
tão básicas que um ser humano não pode funcionar completamente sem ter respostas convincentes a elas.

A primeira pergunta é: “Quem sou eu?” Responder a esta pergunta penetra-nos de modo impressionante
até encontrar uma verdade oculta que jaz em nós há muito tempo. Sempre sabíamos a resposta, mas nunca
ousamos pensar naquele sentido. Por quê? Porque a tradição religiosa ocidental tem–nos ensinado que
somos pecadores nas mãos de um Deus irado—decaídos, maculados e incompetentes. Qual é a resposta a
esta pergunta, quem sou eu? A resposta é simples para os Santos dos Últimos Dias porque esta mensagem
foi-nos ensinado desde a infância: Somos todos filhos de um Deus que nos ama. Para mim esta foi uma
das mensagens chaves de Jesus, entre todos os seus ensinamentos diretos e indiretos. Quando finalmente
entendemos esta mensagem, temos vontade de proclamar: “Eis aqui o Cordeiro de Deus!”

Quando se compreende o significado completo desta realidade, é como se as mãos do céu estivessem
estendidas para nos tirar da lama e das trevas do mundo e aí começamos a enxergar a luz. De repente não
duvidamos mais de nós mesmos. As criações de Deus são perfeitas e mesmo quando somos jovens e
imaduros, todos nós temos o potencial inato de nos tornarmos semelhantes a Deus. É maravilhoso
sabermos que somos filhos e não meros empregados. O significado mais profundo dessa realidade
continuará a crescer dentro de nós e conduzir-nos-á segurança de pertencer não só ao Criador mas também
a todos os outros filhos de Deus.

Conheceremos as capacidades e talentos latentes e sentiremos o desejo de nos aproximar mais da nossa
origem divina. Deus quer assegurar que, ao procurarmos, possamos encontrar o caminho, portanto Deus
nos dá revelações, ou idéias, a respeito de onde procurar. No Livro de Doutrina e Convênios, seção 50,
versículos 23 e 24, aprendemos o que esperar de Deus: “E aquilo que não edifica não é de Deus e é trevas.
Aquilo que é de Deus é luz; e aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se
torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito.”

De acordo com o Novo Testamento, Jesus lembra aos que o ouvem do que está escrito em suas escrituras:
“Não está escrito na vossa lei: . . . Sois deuses?” (João 10:34).

O Propósito da Vida

Quando estamos iluminados pelo reconhecimento do fato de que somos filhos de um Deus que nos ama—
uma das mais importantes verdades restauradas pelo profeta Joseph Smith—estamos preparados para
descobrir a resposta à segunda mais importante pergunta que todo ser humano parece ter: Qual é o
propósito da vida?

Se compreendermos quem é que realmente somos, já não desejaremos participar da parte baixa da
existência humana. De acordo com os profetas: “O homem natural (o ego ou a carne) é inimigo de Deus”
(Mosias 3:19). Com este entendimento compreendemos porque nascemos neste planeta, um planeta que
tem polos, ou opostos. Somente em ciurcunstâncias de opostos é que somos capazes de exercer o arbítrio.
Esta é a única maneira de podermos realmente aprender.

A vida e os ensinamentos do Cordeiro de Deus nos mostram a resposta à segunda pergunta, ou seja, qual é
o propósito da vida? O propósito, conforme ensinou Jesus, se encontra no primeiro e no segundo
mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todo o teu
pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, amarás o teu
próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e todos os profetas” (Mateus
22:37-40).

Jesus obviamente está-nos ensinando que guardar estes mandamentos não é facultativo. É a chave de uma
vida bem-sucedida, independente de onde moramos e das condições em que nos encontramos. Estas
palavras nos foram ensinadas muitas vezes na vida e na história do cristianismo mas eu acredito que
somente quando nos focalizamos totalmente em guardar estes dois mandamentos é que possuímos a chave
de sobrepujar o temor. O temor tem sido e continuará sendo a maldição de nossa vida até a hora em que
deixarmos nossa alma se encher de amor divino.

Jesus o Cristo, o Cordeiro de Deus, quer assegurar que entendamos claramente o que Ele quer dizer
quando nos manda amar. Obviamente não é o amor que os publicanos tinham. Permitam-me citar uns
versículos do livro de Mateus, capítulo 5, a partir do versículo 38:

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também
a outra;
E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.
Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.
Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos
odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos
céus;
Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem também os publicanos o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis mais? Não fazem os publicanos também assim?
Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. (Mateus 5:38-48)

Tenho a convicção que Jesus quer que encaremos o amor com mais que olhos românticos, não só amando
aqueles que nos amam. Temos que nos lembrar de que vivemos no planeta onde reinam os opostos. Fomos
mandados a este planeta para aprender. O aprendizado e o entendimento andam de mãos dadas ao
passarmos por oposição. Haverá um grande avanço quando aprendermos a abraçar estes mandamentos de
Jesus de amarmos como Ele amou. O perdão é uma forma de amor e o perdoarmos nos ajuda a
compreender a expiação do Cordeiro de Deus. Poderemos dizer com até mais reverência: “Eis o Cordeiro
de Deus.”

Quando lhe abrimos nossa porta, o Salvador talvez nos sussurre: “Até você completamente deixar de lado
todos os pensamentos negativos e prejudiciais para com seu próximo, não poderá se encher de fé, virtude,
conhecimento, sobriedade, paciência, santidade, bondade, irmandade e caridade. Quando estas qualidades
estiverem no lugar, você não terá mais desejos de ser negativo ou crítico e não exprimirá pensamentos não
caridosos a seu semelhante.”

Se não levarmos a sério o convite do Senhor Jesus Cristo de aprender a amar como Ele amou, será
dificílimo, talvez para todos nós, nos encher deste amor. No entanto, quando confiarmos em Jesus e
virmos nEle o mensageiro de Deus que nos trouxe as chaves dos mistérios da divindade, poderemos
receber a visão de como trazer paz à Terra, boa vontade para com os homens, como proclamaram os anjos
quando do nascimento do Cordeiro de Deus. Não me surpreenderia se a fé e confiança em Cristo fossem
os mesmos princípios requeridos para subjugar a natureza e assim acalmar o coração de muitos.

O Cordeiro de Deus está inseparávelmente vinculado ao amor, como aprendeu Néfi: “E disse-me o anjo:
Eis o Cordeiro de Deus, sim, o Filho do Pai Eterno! Sabes tu o significado da árvore que teu pai viu? E
respondi-lhe, dizendo: Sim, é o amor de Deus, que se derrama no coração dos filhos dos homens; é,
portanto, a mais desejável de todas as coisas” (1 Néfi 11:21-22).

Quando amamos da mesma forma que o Salvador nos amou, tornamo-nos recebedores do fruto da árvore
divina, o qual é sobretudo o mais desejável das coisas. É a partir daí que poderemos responder à segunda
pergunta e entender o propósito de nossa vida.
Nos anos em que servi ao Senhor, tive a oportunidade de me reunir coletiva e individualmente com muitos
membros. Eu sempre ficava perplexo ao descobrir quantas pessoas tinham medo de Deus em vez de amá-
lo. A única explicação que encontrei foi que estes não conheciam a Deus. Quando conhecemos Deus,
somos iluminados com amor e luz, e nossa alma arde com o desejo de levantar a voz e dar louvores a seu
nome.

Num discurso recente sobre este assunto aos membros da minha própria ala, de repente ouvi-me dizer, sob
a influência do Espírito: “Sabem de onde vem o medo e como ele pode cravar-se no íntimo de pessoas que
levaram vidas cheias de bondade e integridade?” Mencionei que na nossa existência pré-mortal quando
vivíamos com Deus, fomos criados num lugar de perfeição; éramos puros, cheios de alegria, retidão e o
desejo de obter tudo que era de bom. Na nossa experiência mortal, porém, estamos vinculados à matéria
deste mundo; tornamo-nos homens naturais que, conforme os profetas, são os inimigos de Deus.

Entrarmos em contato com a matéria terrena—a carne humana com o espírito divino—é como derramar
tinta em água pura. De súbito, a água clara se torna escura e feia. Nós sentimos o escuridão na
subconsciência e sentimo-nos culpados. Estes sentimentos de indignidade surgem da intuição de que nada
imundo poderá entrar na presença de Deus. Este é justamente um dos motivos do Salvador vir à Terra—
purificar-nos através de seu sacrifício expiatório. Quando entendemos isso, nossa gratidão a Ele cresce e
enchemo-nos de amor a ele e ao nosso próximo.

Quando eu era um membro novo na Alemanha, fui designado mestre familiar de uma mulher recém
batizada. Eu sabia que ela havia sido batizada sem o marido que, conforme me informaram, era alcoólatra.
Aquela irmã me advertiu que não fosse a sua casa enquanto ele estava, pois ele ficaria muito violento. Ao
visitá-la assiduamente, ela se queixava mais e mais do marido. Com toda a nossa compaixão por ela,
queríamos que ela crescesse e que não fosse mais vítima mas que controlasse seu próprio destino.

Certo dia perguntamos-lhe se ela podia pensar em algo positivo acerca do marido. De início ela se irritou
conosco. Ela tentou convencer-nos de que não havia nada de positivo e seu respeito e que era malvado.
Ela nos disse que só ficava com ele por causa da dependência financeira. Continuamos a pedir-lhe
repetidas vezes que pensasse mais a fundo. Por fim ela sorriu e nos citou uma coisa positiva.
Perguntamos-lhe se havia algo mais e ela conseguiu relacionar dez atributos positivos.

Perguntei-lhe qual foi a última vez que dissera a seu marido que o amava. Ela me perguntou como se
podia amar alguém tal qual seu marido! Eu disse que não havia perguntado se ela o amava, simplesmente
qual foi a última vez que tinha-lhe dito que o amava. Ela disse que fazia quinze anos. Senti-me inspirado a
fazer outra pergunta: “Irmã, a senhora poderia-nos fazer um favor? A próxima vez que a irmã estiver com
ele e ele estiver sóbrio, poderá contar-lhe uma das coisas positivas que encontra nele?” Outra vez ela
queria rebelar mas por fim concordou em fazer uma tentativa.

No próximo domingo cheguei cedo à Igreja e vi-a subir a escada muito sorridente e irradiando felicidade.
Ela estava de vestido novo e parecia dez anos mais jovem. Quando me viu, ela disse:

Irmão Busche, há algo que preciso dizer-lhe. Na sexta-feira passada ele estava em casa e até sóbrio. Entrei
a cozinha e lá estava ele fazendo um sanduíche. Ao contemplá-lo vi seu rosto extremamente triste. Vi
como ele tinha dificuldades com suas mãos trêmulas e senti compaixão para com ele. Senti-me inspirada a
elogiá-lo com uma das coisas daquela lista de dez itens. Ele reagiu como se fosse chicoteado. Voltou seu
semblante temeroso para mim e viu a sinceridade nos meus olhos.

Daí aconteceu o milagre. Ele começou a chorar como uma crinacinha. Disse que não merecia o elogio. Ele
se acusou de todo que eu antes havia alegado. Disse que ele não era bom, que era terrível e não digno de
ser meu marido. Ele caiu de joelhos perante mim e chorou. Afinal, perguntou-me se eu poderia perdoá-lo
e se eu estava disposta a ajudá-lo a não beber mais para que ele pudesse voltar a ser o homem com quem
eu tinha-me casado.
Ela disse que se abraçaram, os dois de lágrimas e cheios de alegria. Passaram juntos a mais linda noite
havia anos. No dia anterior ele havia-lhe comprado um novo vestido e outras coisas de que precisava.
Sobretudo, levou-a à Igreja e disse que iria buscá-la no fim das reuniões, assim poupando-lhe duas horas,
no mínimo, de viagem.

Não podem imaginar quanta alegria que senti ao ver o reino crescer. Isso não ocorreu por causa dos
programas e deveres de organizações e sim porque um coração foi tranformado de severidade ao amor,
sob a influência do Espírito. Aconteceu a uma mulher que veio a compreender o que significava ser uma
filha de Deus e conhecer o núcleo divino de seu ser. Ela continuou a prodgredir com a resolução de criar
seu destino sob a influência do Espírito e a orientação do Senhor.

Nosso Galardaõ Eterno

Nada é impossível àqueles que crêem em Jesus Cristo, pois Cristo veio para nos tirar o véu de
esquecimento da nossa alma e levar ao nosso ententimento o conhecimento de quem somos e do que é o
propósito da vida. Quando soubermos estes dois fatos, verdadeiramente contemplaremos o Cordeio de
Deus e acharemos a resposta à terceira pergunta: O que nos acontecerá depois desta vida?

Quando soubermos que somos filhos de um Pai Celestial que nos ama, e quando aprendermos a viver sob
a influência da luz e do amor de Deus, não precisaremos duvidar do que será de nós depois da vida mortal.
Abrir-se-á o véu e saberemos que tudo estará bem. De fato, o Apóstolo Paulo revelou: “As coisas que o
olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para
os que o amam” (1 Coríntios 2:9).

Sinto-me humilde e assombrado em falar-lhes deste assunto sagrado, nosso Senhor e Salvador, Jesus
Cristo. Sei que Ele vive. Sou uma testemunha vivente do fato dele estar vivo em todas as células e em
todas as fibras do meu ser. Sinto a alegria e vivacidade deste conhecimento.

Notas

1. Joseph Smith, Teachings of the Prophet Joseph Smith (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith)
compilado por Joseph Fielding Smith (Salt Lake City: Deseret Book, 1976), 149.

2. The Words of Joseph Smith (As Palavras de Joseph Smith), redação de Andrew F. Ehat e Lyndon W.
Cook (Provo, UT: Religious Studies Center, Brigham Young University, 1980), 77.