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Quem paga a conta de tanta alegria?

Alceu A. Sperança

Mergulhado na pior
crise de todos os tempos, o
mundo é neste momento
um navio cheio de buracos
e há bestas sanguinárias
tentando tapá-los a tiros.

A besta Jared Laughrn atacou furiosamente há uma semana um


encontro da deputada Gabrielle Giffords na comunidade de Tucson,
Arizona, terra de pistoleiros do far-west. Matou seis pessoas e feriu
outras doze, entre elas uma criança. Gabrielle foi atingida na cabeça
e ainda não se sabe até que ponto essa violência afetará o seu e o
nosso futuro.
Os donos do mundo não sabem como resolver a crise que criaram
e, como sempre, recorrem à violência e às guerras, semeando a
confusão para lucrar, pois é só nisso que pensam.
Aqui, ministros prometem se empenhar no controle da inflação
enquanto seus colegas e correligionários reajustam tarifas, arrocham
salários e não administram os estoques de alimentos...
Essa malandragem toda e a inflação com base em “meta”
prejudicam mais os trabalhadores e os pobres que nem emprego têm.
E a tal política de “pleno emprego” não dá conta de arranjar
ocupação para as pessoas que vivem das esmolas oficiais.
Prometem de boca cheia combate sem tréguas à inflação enquanto
se cevam nos reajustes tarifários e fazem o mercado de alimentos
rentável para as vendas externas, mas caríssimo para quem vive aqui
dentro.
É espantoso que um País tido como o
“celeiro” do mundo não seja capaz de
oferecer comida barata ou ao menos tão
congelada quanto os salários dos
servidores públicos. Que sentido faz
uma inflação causada por alimentos?
Comida cara no Brasil é coisa de
Salvador Dali: mais surrealista,
impossível!

O que há por trás dessa anedota de “combater a inflação para não


prejudicar os mais pobres” é a velha sacanagem de sempre. A
manutenção do “regime de metas de inflação” é uma encomenda dos
bancos, que se divertem com os juros altíssimos, engordando
rentistas e prejudicando investimentos produtivos.
Mais uma vez se assiste a raposa tomando conta do galinheiro.
Minutos antes de Alexandre Tombini receber o comando do Banco
Central das mãos de Henrique Meirelles, os dois se reuniram com os
presidentes dos principais bancos do País. A tal “afinação de
discurso”...
Todos saíram do encontro rindo às bandeiras despregadas: “A
escolha de Tombini denota a importância do sistema de metas e a
conciliação do combate à inflação com as metas de crescimento”,
disse Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco.
Claro que estão satisfeitos com essa trabucada toda: Lula foi o pai
dos pobres e a mãe dos ricos, especialmente os banqueiros.
Há um grande desespero em todo o mundo. Os pobres pagam tudo
caro demais e já percebem isso. A pobreza avança nos EUA e
direitos do povo são esmagados na Europa.
Mas no Brasil estão todos contentinhos e perfeitamente
entendidos: uns venceram a eleição, outros ganharam ministérios e a
oposição ganhou os principais estados. Uma alegria só.
O Brasil plenamente domesticado, miseráveis virando
consumidores endividados, será que tanta festa feliz terá a conta
paga por algum marciano?
Neca de pitibiriba: quem pagará a conta dessa alegria toda é o
trabalhador, o consumidor brasileiro, em juros, tarifas, efeito-
cascata, arrocho, mão-grande. O superávit é primário, a dívida é pós-
graduada, o mercado é doutor.
alceusperanca@ig.com.br
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O autor é escritor