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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE


INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS –
IBAMA

PARECER Nº 297/02 – COGEL/DILIQ/IBAMA.

Brasília-DF, 20 de novembro de 2002.

Ao: Coordenador Geral de Licenciamento

Assunto: Análise do EIA/RIMA, PBA e documentação adicional referente ao Aproveitamento


Hidrelétrico Peixe Angical, empreendimento a ser implantado pela ENERPEIXE, no
rio Tocantins, no município de Peixe/TO.

Processo: 02001.001207/2001-14

1 – INTRODUÇÃO

Este parecer tem por objetivo apresentar o resultado da análise do EIA/RIMA, do PBA e
dos autos do processo administrativo referente ao Aproveitamento Hidrelétrico Peixe Angical,
empreendimento proposto para ser implantado, sob a responsabilidade da ENERPEIXE, no rio
Tocantins, incluindo terras pertencentes ao Estado de Tocantins, especificamente dos municípios
tocantinenses de Palmeirópolis, São Salvador, Peixe e Paranã.
O documento em tela foi encaminhado ao IBAMA após a decisão judicial proferida pela
Justiça Federal de 1ª Vara – Seção Judiciária do Estado do Tocantins, que decidiu por acatar a
Ação Civil impetrada pelo Ministério Público Federal, na qual requeria que o Ibama assumisse o
licenciamento ambiental que vinha, até aquele momento, sendo conduzido pelo órgão estadual de
meio ambiente, o Naturatins. O breve histórico apresentado a seguir relata fatos importantes.

II – HISTÓRICO DO EMPREENDIMENTO
O licenciamento ambiental para a UHE Peixe foi proposto ao Ibama em abril de 1999,
momento no qual Furnas Centrais Elétricas apresentou projeto técnico em que o empreendimento
possuiria potencial instalado de 1106 MW e área inundada de 940 km2, operando na cota 287
metros. O Ibama elaborou Termo de Referência para embasar EIA/RIMA, tendo encaminhado ao
empreendedor em agosto de 1999.
Em 10.12.1999, o IBAMA comunicou ao Naturantins, que de acordo com a área de
abrangência, apresentada no Memorial Descrito da UHE Peixe, o licenciamento desse
empreendimento é de competência Federal, conforme preconiza a Resolução CONAMA nº 237/97.
Em 02.02.2000, o Ibama solicitou a ANEEL, por meio do Ofício nº 01.124/2000-
IBAMA/Diretoria de Controle Ambiental, referente à área de influência do Aproveitamento
hidrelétrico de Peixes, reiterando solicitação, em 02.05.2000, tal por meio do Ofício nº 01.231/2000-
IBAMA/Diretoria de Controle Ambiental.
A apresentação do Ibama no Estado do Tocantins, em 19.02.01, encaminhou Memo nº
014/2001 – GR-IBAMA/TO, informando que a Naturantins havia realizado Audiência Publica, para a
construção de uma nova hidrelétrica no rio Tocantins, município de Peixes, e considerando que o
Ministério Público argumenta que a competência de licenciar é Federal, solicitou esclarecimento a
Diretoria de Controle Ambiental quanto à condução do licenciamento desse empreendimento.
Em 14.03.2001, o DEREL respondeu a Representação do Ibama no Estado do Tocantins e
encaminhou, no dia seguinte, os autos do processo para a Procuradoria Geral, para manifestação
acerca da competência, mediante despacho (folha 6). Como resposta, a PROGE manifestou que a
competência é do IBAMA.
Somente em 07/03/2001, que a ANEEL, respondeu ao Ibama, por meio do ofício nº
114/2001 – SPH/ANEEL, que conforme o Despacho ANEEL nº 503, de 21.12.2000, foi elaborado
um novo estudo de Inventário Hidrelétrico reavaliando a Divisão de Quedas no rio Tocantins, trecho
Cana Brava/Lajeado, sendo alterado o projeto inicial. Tal estudo culminou na partição de quedas
nos seguintes aproveitamentos: Ipueiras (cota 235,00m), Peixe Angical (cota 263,00m) e São
Salvador (cota 287,00m), os quais apresentariam potencia instalada de 520MW, 450MW e 280MW
e área inundada de 944km2, 294,1km2 e 104,5km 2, respectivamente Informa também que o
EIA/RIMA de Peixe Angical foi protocolado na Naturatins.
O Ibama, após manifestação da PROGE, encaminhou ao Naturatins o ofício nº 01.335/01 –
IBAMA/DCA, datado de 08.05.01, por meio do qual solicita cópia do EIA para análise do possível
sinergismo deste empreendimento com a UHE São Salvador. Tal solicitação foi atendida pelo oema
em 18.05.01, por meio do ofício/pres./Naturatins nº 392/2001.
A Gerência Executiva do Ibama em Tocantins encaminhou, em 13.11.01, memo nº
203/2001 – GAB/IBAMA/TO, solicitando informações acerca da competência do licenciamento
deste empreendimento.
O Ministério Público Federal impetrou Ação Civil Pública, em 26.11.2001 contra a UHE
Peixe Angical, tendo por base o argumento de que o órgão estadual de meio ambiente,
especificamente o Naturatins, não possuía competência para proceder tal licenciamento por
entender que estaria localizado em rio Federal (Tocantins).
A Diretoria de Licenciamento e Qualidade Ambiental recebeu, em 04.12.01, o Ofício nº
710/2001/GAB, da Gerência Executiva do IBAMA no Estado do Tocantins, solicitando informações
para cumprir a determinação sobre pedido de liminar formulado nos autos da Ação Civil Pública nº
2001.2955-1.
Após análise do EIA/RIMA de São Salvador (abril/2002), o Ibama constatou que ambos os
empreendimentos apresentam efeitos sinergéticos (Parecer técnico nº 188/02 –
IBAMA/DILIQ/CGLIC, datado de 13.08.2002), com os impactos relacionados ao remanso da UHE
Peixe devendo afetar a UHE São Salvador Inclusive, após entendimentos mantidos com o
empreendedor de São Salvador durante vistoria técnica, o Ibama foi informado que a casa de força
deste empreendimento seria afogada pelo remanso do reservatório de Peixe, podendo haver
problemas futuros (desapropriações de terras) caso a implantação dos empreendimentos não fosse
sincronizada.
Cumpre destacar que a Ação Civil impetrada pelo MPF/TO foi julgada, em 11.01.02, na
primeira instância favorável à paralização das obras, tendo sido concedida liminar que imputaria ao
Ibama a responsabilidade pela condução do processo de licenciamento. Entretanto, tal liminar foi
caçada, tendo a condução do licenciamento retornando ao Naturatins.
Em agosto de 2002 (15/08), a Secretaria de Infra-estrutura do Tocantins expediu ao IBAMA
o Of.GASEC/SEINF nº 2052/02, encaminhou cópia da Licença de Instalação, cópia do Decreto da
Presidência da República que outorga a concessão para exploração do potencial hidráulico de
Peixe Angical, além de mapa do local de implantação do empreendimento.
III – CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
A Usina Hidrelétrica de Peixe Angical é um empreendimento para geração de energia
elétrica concedida pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, em favor do Consorcio
ENERPEIXE, e que se encontra em implantação desde maio de 2002 no rio Tocantins.
O barramento está localizado no município de Peixe. Trata-se de uma barragem de
terra/concreto com 5.500 metros de extensão e altura máxima de 37 metros. O reservatório, que
apresenta regime de operação a fio d’água, possui área total no nível máximo de 294,1 km2. A cota
normal de operação é de 263,0 m e o volume total é de 2,7X10 8 m3 de água, atingindo terras de
um total de 04 municípios (Peixe, Paraná, São Salvador do Tocantins e Palmeirópolis). Além destes
municípios, serão também influenciados pelo empreendimento São Valério da Natividade e Gurupi,
todos no Estado do Tocantins.
O vertedouro, com 12 vãos de superfície e em concreto armado, comporta uma descarga
máxima de 42.500 m3/s. O conjunto tomada d’água/casa de força, em concreto armado, abriga 04
grupos geradores, totalizando uma potência instalada para o empreendimento de 450 MW, gerados
a partir de uma vazão máxima de engolimento das turbinas de 2.120m3/s.
A obra estava prevista para ser concluída em um prazo de 4 anos, conforme o EIA/RIMA.
No primeiro ano, prevê-se a construção do canteiro de obras, as escavações dos canais de adoção
e da fuga, além das escavações dos canais de adoção e de fuga, além da escavação das
estruturas de concreto da tomada d’água e casa de força, barragem de ligação e muros de
transição, obras estas possibilitadas pela construção da ensecadeira de 1ª fase. No segundo ano,
prevê a conclusão das obras de escavação e continuidade na concretagem das estruturas. No
terceiro ano, após a conclusão da concretagem do vertedouro e da tomada d’água, ocorrerá o
desvio do rio e o fechamento do leito original a partir da construção das ensecadeiras de montante
e jusante de 2ª fase. Tal desvio possibilitará a execução do muro de concreto (compactado a rolo)
do leito do rio e seu amarramento com a barragem principal de terra, até o final das obras e da
montagem dos equipamentos, no quarto ano.

IV – ANÁLISE
O Estudo de Impactos Ambiental realizado para o empreendimento em tela levou em
consideração o diagnóstico dos meios físico, biótico e sócio-econômico, além da previsão de
impactos ambientais passíveis de ocorrerem em função da implantação do empreendimento e da
proposição de medidas mitigadoras a esses impactos. A seguir, será realizada discussão acerca
dos estudos apresentados, além do resultado das vistorias técnicas realizadas na área proposta
para a implantação do empreendimento.

Áreas de Influência

Foram consideradas para o EIA/RIMA apenas duas áreas de influência, definidas como
“Área Diretamente Afetada (ADA)” e “Área de Influência Indireta (AII)”.
No caso dos meios físico e biótico, a Área de Influência Indireta (AII) para o
empreendimento corresponde como sendo a bacia hidrográfica de contribuição direta do futuro
reservatório, considerando-se nela a área de jusante do reservatório até a cidade de Peixe.
Portanto, corresponde a trechos dos rios Tocantins, Paraná e Palma, considerando os efluentes
Santa Cruz e das Pedras, córregos Cruzeiros, Piabinha e Mutum (rio Tocantins) e rio das Lages e
os córregos Matrinxã e Taboca (rio Paraná).
A Área Diretamente Afetada (ADA), para o meio físico e biótico, considerou a área
necessária à implantação do empreendimento (barragem, canteiro de obras e instalação de apoio,
áreas de empréstimo e bota fora e áreas destinadas para implantação de Unidade de Conservação
e reassentamento) acrescida uma faixa de terreno delimitada pela cota 300m, referida como
“entorno da ADA”, compreendendo cerca de 30m acima de cota de inundação (263 m).
Para o Meio Sócio-Econômico foram considerados como AII os municípios que teriam
perda de território em decorrência da implantação do empreendimento e aqueles que, devido à
proximidade do canteiro de obras, sofreriam impactos de fluxos populacionais (Palmerópolis, Peixe,
Paranã, São Salvador de Tocantins e São Valério da Natividade). A cidade de Gurupi, considerada
pelo EIA como o centro polarizador da AII, foi analisada apenas sobre as atividades urbanas e de
dinâmica demográfica.
A Área Diretamente Afetada, para a análise sócio-econômica, foi considerada como aquela
necessária à implantação do empreendimento “constituída pela área destinada à formação do
reservatório, acrescida uma faixa no entorno, delimitada até a cota 270,00 m; pelas áreas para
implantação da barragem; canteiro de obras e instalações de apoio; áreas de empréstimo e bota-
fora; obras complementares e por aquelas áreas destinadas à implantação de alguns programas
tais como relocação de população”.
Meio Físico
O Estudo de Impacto Ambiental apresentado para o empreendimento denominado UHE
Peixe foi elaborado alicerçado em dados secundários colhidos na literatura específica afeta a cada
um dos temas abordados. Adicionalmente, foram realizadas visitas de campo para checagem dos
dados. A área de influência definida para os aspectos relacionados ao meio físico corresponde,
realmente, a uma porção da bacia hidrográfica que deverá suprir o reservatório, contrariando o que
informa o estudo, visto que apenas trechos dos rios Palmas e Paranã foram considerados. O
empreendimento influencia diretamente a área a ser alagada com a formação do reservatório, as
áreas de empréstimos, canteiro de obras e áreas de bota-foras.
Entre as características relacionadas ao clima, apresenta-se como correspondendo a
região de influência da oscilação da Zona de Convergência Intertropical, com clima quente e úmido.
O estudo traz a relação de estações meteorológicas utilizadas como fonte de dados pluviométricos,
assim como as climatológicas (Ceres, Uruaçu, Niquelândia, Peixe, Paranã, Gurupi, São João
D’Aliança, Alvorada do Norte, Nova Roma, Rio da Palma e Natividade). Apresenta dados
relacionados à precipitação média na bacia, que possui período chuvoso e seco bem definidos;
regime de ventos atuantes na área do empreendimento, os quais podem interferir na formação de
ondas no reservatório; evaporação anual; umidade relativa do ar. Destaca-se que os dados forma
descritos da forma sucinta. Entretanto, foram apresentados para os principais parâmetros
climáticos (isotermas, isolinhas de evaporação, direção dos ventos). Dados de precipitação indicam
que existiria um período de cheias no rio, caso não estivesse regularizado pelo barramento de
Serra da Mesa, fator este que diminui o risco potencial de ocorrência de trombas d’água, e os
impactos e elas associados. Cumpri destacar que esta abordagem não foi apresentada.
O reconhecimento geológico realizado no âmbito do EIA/RIMA relacionado ao
empreendimento em questão proporcionou detalhamento em escala 1:250.000 para área de
influência indireta e 1:100.000 para área diretamente afetada pela implantação da usina.
Regionalmente, a área está inserida no contexto geotectônico da Província Tocantins, nas
unidades do Complexo Goiano e rochas supracrustais (Grupo Araxá e Grupo Arai), Além de
sedimentos aluviais recentes. O estudo apresenta uma abordagem regional pouco detalhada dos
aspectos estruturais da área de inserção do empreendimento.
Especificamente na área diretamente afetada pelo empreendimento (reservatório),
descreve, de forma sucinta, os litotípos associados às unidades aflorantes, em termos
petrográficos, tendo-as demonstrado em um mapa, nas escalas 1:250.000 (AII) e 1:100.000 (ADA).
Destaca-se que o mapa é confuso, em termos de visualização, e apresenta-s elaborado sob uma
base cartográfica única, ou seja, o mapa 1:100.00 da ADA corresponde a uma ampliação do mapa
1:250.000 relacionado a AII, não agregando nenhuma informação adicional. Ponto negativo, neste
sentido a partir da análise do EIA é a ausência de abordagem acerca do detalhamento geotécnico
(incluindo avaliação microestrutural) da região do eixo da barragem, além das jazidas de
empréstimo de materiais. Não foi apresentado nenhum cadastramento de focos erosivos
atualmente em desenvolvimento na ADA, nem a caracterização detalhada das possíveis áreas
cársticas diagnosticadas.
Os eventos sísmicos relacionados na região de influência do empreendimento podem sem
caracterizados, em termos gerais, como de baixa a média magnitude, pertencendo a Zona
Sismogênica de Porangatu. A região está inserida em zona intraplaca, caracteristicamente estável.
Entretanto, os eventos associados a esta zona relacionam-se com reativações de antigas
estruturas lineares, além de sismos induzidos pelos reservatórios formados, especificamente o de
Serra da Mesa (de grande porte), Cana Brava e Lajeado. Destaca-se que o estudo abordou uma
lista listagem dos eventos ocorridos num raio de 200 km do centro do reservatório de Peixe.
Apresenta um mapa informando a localização do epicentro dos sismos.
No que se refere aos recursos minerais, o estudo indica as possibilidades de ocorrências
relacionadas às unidades litoestratigráficas presentes na área de influência do empreendimento,
além da listagem dos detentores de títulos minerários expedidos pelo DNPM. Aquelas interferentes
com o reservatório foram plotadas em mapa. Ressalta-se que existe a necessidade de o
empreendedor manter sempre atualizada tal listagem, de forma que no momento de se estabelecer
às negociações empreendedor e detentores de títulos minerários, não ocorram problemas. Por fim,
cumpre destacar que o rio Tocantins é um local tradicionalmente exportador de areia, não tendo
sido observado no EIA nenhuma referência as possíveis dragas que nele (nas áreas influenciada
pela UHE) operam assim como produtores de argila. Dever-se-á haver uma preocupação do
empreendedor em fases posteriores do licenciamento.
O diagnóstico apresentado para a geomorfologia indica que, a área de influência do
empreendimento está inserida no contexto do Planalto do Alto/Médio Tocantins. A porção central
predominada pelo relevo rebaixado conhecido como Depressão do Tocantins. Foram apresentados
perfis das linhas de relevo derivados de caminhamentos realizados nas unidades de relevo
diagósticadas, a saber; serras e morros, morrotes e morros residuais, colinas amplas e rampas,
colinas pequenas e morrotes, colinas pequenas e médias, terraços e planícies de inundação. Por
fim, apresentou uma breve discussão acerca da dinâmica superficial que atua nos terrenos. No que
tange aos mapas apresentados, podem ser citados os mesmos problemas anteriormente
relacionados com escala. Entretanto, tendo em vista o estágio de implantação do empreendimento,
tal consideração perde uma pouco do sentido de ser.
Não apresenta um mapeamento das encostas, indicando áreas que apresentam riscos de
deslizamentos apenas em função do potencial erosivo dos solos, não relacionando com o
rebaixamento do lençol freático, impacto que certamente será verificado nas áreas marginais ao
reservatório. Adicionalmente, é relevante destacar que o estudo não abordou sobre a declividade
das encostas marginais ao empreendimento. Apesar de esta localizado num pediplano esculpido
ao longo de muitos anos pelo rio, numa região onde as declividades são naturalmente menores, o
inter-relacionamento entre estes dados com o tipo/potencial erosivo dos solos marginais definirá
uma avaliação mais precisa acerca de possível desencadeamento de impactos erosivos pelo
empreendimento. Assim, sugere-se que o empreendedor adote tal metodologia nesta abordagem,
para uma melhor avaliação deste impacto, principalmente nas áreas próximas a Retiro e São
Salvador e no braço do reservatório localizado no rio Paranã, diagnosticado como áreas mais
problemáticas.
No estudo, não foi apresentada abordagem acerca do assoreamento do reservatório,
principalmente do remanso localizado no braço que engloba o rio Paranã, responsável pela maior
carga transportada. Não se apresentou dados de descarga, de forma que se pudesse avaliar a vida
útil do mesmo. O rio Tocantins apresenta-se barrado em duas localidades a montante do
reservatório de Peixe, o que diminui em muito o aporte de sedimentos. Assim, em função desses
barramentos de montante reterem o sedimento transportado pelo rio, é relevante citar que a
formação de praias marginais no rio Tocantins encontra-se comprometida a este novo reservatório
irá contribuir para redução do aporte de sedimentos nestas praias, o que pode ser considerado um
impacto significativo, tanto cênico, como para as comunidades bióticas que delas se utilizam.
Também não há discussão acerca do aumento da capacidade erosiva da corrente do rio a jusante
do empreendimento.
Quanto aos aspectos pedológicos, a área diretamente afetada pelo empreendimento foi
caracterizada, de acordo coma nova nomenclatura e sistema de classificação proposto pela
Embrapa, por acrescentar latosssolos, cambissolos, neossolos (flúvico, quartzarênico, litólico),
além de áreas de afloramentos de rochas. Cabe ressaltar que cada unidade pedológica foi
apresentada de forma sucinta, tendo sido apresentadas descrições acerca das formas de relevo a
que se associam, além de suas características texturais, físicas e químicas. Diagnóstica a aptidão
agrícola dos solos e o potencial erosivo dos mesmos, ainda que superficial. Por fim, apresenta
mapeamento dos solos, em escala 1:250.000 e 1:100.000, devendo-se destacar que estes mapas
são incongruentes (unidades distintas na mesma localização geográfica). Destaca-se que os solos
não foram caracterizados geotecnicamente, assim como não inter-relacionou tais características
com a declividade dos terrenos associados e com o diagnóstico de elevação do lençol freático.
Em termo hidrográficos, o trecho do rio Tocantins que contribui para o reservatório a ser
formado drena área de 7.600 km2, constituindo-se de uma rede de drenagem de densidade média.
Para determinação do estudo hidrográfico presente no EIA, utilizou três estações fluviométricas
(Peixe, Fazenda Angical, São Félix, São Salvador e Porto Nacional – rio Tocantins; Ponte Paranã,
Paranã e Monte B. do Palma – rio Paranã, Barra do Palma e rio da Palma – rio Palma), com
período de aquisição de dados desde janeiro de 1949 a dezembro de 1998. No que tange a
hidrologia relacionada ao empreendimento em tela, cumpre destacar que não foram apresentados
dados fluviométricos que indiquem a vazão média mensal (de longo termo), vazões mínimas para o
período de estiagem e máximas para o período de cheias, além da vazão permanente em 95% do
tempo. Adicionalmente, não foram apresentados os cálculos realizados para a avaliação do
remanso do reservatório em tempos de recorrência de 10, 25, 50 e 100 anos. Dados históricos não
estão presentes no documento, assim como dados de carga e transporte de sedimentos.
É de se destacar que o rio Tocantins possuía um regime hidrológico muito característico e
bem definido, fato que propiciava picos de hidrograma na época das chuvas, quando das cheias.
Entretanto, após a regularização do rio com a formação do reservatório de Serra da Mesa, o regime
fluvial encontra-se totalmente regularizado.
Em termos hidrogeológicos, apresenta discussão acerca do potencial das unidades
constituintes do sistema hidrogeológico, informando que a área em questão encontra-se inserida no
contexto do sistema de rochas cristalinas pré-Cambrianas (aqüíferos fissurados/manto de
intemperismo). O aquifero fissural possui baixo potencial hídrico, enquanto o das coberturas detrito-
lateríticas (sedimentos cenozóicos, coluvios e aluvios) são caracteristicamente pouco profundos,
com nível d’água bastante variável, ainda que possuam boa capacidade de infiltração. Destaca-se
que em função da baixa profundidade destes aqüíferos, são muito propensos a contaminação,
devendo-se tomar todos os cuidados para evitar a incidência deste impacto. No que tange ao
diagnóstico do nível do lençol freático, apresenta um cadastramento dos poços rasos executados
nas margens do rio Tocantins, informando adicionalmente que existem poços para abastecimento
nas sedes municipais de Peixe, São Salvador e São Valério da Natividade.
Cumpre destacar a necessidade de se propor ao empreendedor à execução de uma
modelamento, a partir dos dados disponíveis e daqueles a serem obtidos do monitoramento do
nível d’água, de forma a se prever a localização de áreas críticas onde o lençol deverá aflorar,
tornando-se alagadas e inutilizáveis, do ponto de vista da aptidão agrícola, ou ainda impróprias a
abrigar edificações, no caso das áreas urbanas. Assim, o modelamento deverá estar alicerçado em
dados provenientes do monitoramento que está sendo proposto, embora o mesmo deva ter sua
metodologia alterada para a implantação de um número maior de piezômetros e poços de inspeção
ao longo de todo o reservatório. Nas prováveis áreas cársticas, esta rede de monitoramento deve
ser mais intensificada, já que podem se constituir de áreas de escape de água, não possibilitando a
estanqueidade do reservatório.
O EIA/RIMA não aborda aspectos relacionados a possíveis fontes de contaminação de
água subterrânea, principalmente aquelas localizadas proximamente às sedes municipais e à vila
do Retiro. Haveria a necessidade de que o empreendedor cadastrasse todas estas fontes, a fim de
intervir nas mesmas anteriormente ao enchimento do reservatório. Outro fator a destacar é que,
tendo em vista que a usina irá operar a fio d’água, deverá haver uma flutuação diária no nível do
reservatório, quando este estiver gerando energia em ponta. Trata-se de um impacto ambiental não
avaliado e que pode influir sensivelmente no ambiente afetado pelo empreendimento. Tendo em
vista que existe população urbana e rural utilizando poços para captação de água e que estes estão
essencialmente localizados em zonas aluvionares/coluvionares que em muitos casos serão
inundadas com a formação do reservatório e em outros casos, estão propensas à contaminação,
existe a necessidade que o empreendedor comprometa-se, de antemão, a adotar providências no
sentido de relocar estas captações (poços), caso os mesmos venham a ser impactados.

Avaliação dos impactos relacionados ao meio físico:


Ao todo, foram relacionados e avaliados no EIA/RIMA alguns impactos ambientais
relacionados com o meio físico, a saber:
 alteração do microclima (umidade do ar, ventos e nevoeiro);
 alteração do regime hídrico, tendo-se
 alteração e variação do nível d’água a montante;
 alteração do nível d’água a jusante;
 intensificação dos processos de assoreamento;
 alteração do nível freático com o enchimento do reservatório;
 acréscimo na disponibilização de água subterrânea;
 perenização e formação de novas áreas úmidas;
 acréscimo da vulnerabilidade dos aqüíferos para contaminação;
 efeito das variações do nível freático durante a operação.
 para terrenos:
 escorregamento, desplacamento de blocos e erosões;
 colapso, abatimento e subsistência das encostas marginais;
 ocorrência de sismos induzidos;
 perda do potencial agrícola;
 interferência com recursos minerais;
 alteração da paisagem com a formação do reservatório;
 degradação da paisagem pela movimentação de terras e de rochas.

Com relação à alteração do microclima, a premissa de que poderão ser produzidas


condições físicas que melhorem o habitat de espécies de plantas e animais é incerta, visto que são
espécies de plantas e animais é incerta, visto que são espécies nativas e adaptadas a uma
situação que poderá ser alterada. Assim, a classificação dada a este impacto inerente à
implantação de empreendimentos hidroenergéticos e que deve ser acompanhado a partir da
implantação de um programa de monitoramento dos parâmetros climatológicos.
A ocorrência de sismos induzidos é outro impacto ambiental inerente à formação do
reservatório, possuindo menor relevância, neste caso específico, por o empreendimento localizar-
se em uma zona intraplacas bastante estável tectonicamente. Entretanto, o risco ambiental de o
peso do volume de água acumulada reativar antigas zonas (fraturamentos/falhamentos) instáveis
permanente, principalmente quando se integra a bacia do rio Tocantins como um todo,
percebendo-se que o reservatório de Peixe constituir-se-à em um acréscimo de peso de volume
d’água alto, já mantido por outros reservatórios em operação e previstos a serem implantados
naquela região, notadamente os de Serra da Mesa, Cana Brava e Lageado, além do de São
Salvador e Ipueiras, respectivamente. A adoção de um programa de monitoramento de forma a
acompanhar a incidência deste impacto, além da proposição de possíveis medidas de segurança a
serem adotadas, quando julgadas pertinentes, tornará este impacto mitigável.
No que tange aos processos erosivos, o comentário a ser estabelecido é o de que a
avaliação deste impacto, por parte do EIA, caricia de um maior embasamento principalmente na
caracterização geotécnica e na influência que o reservatório exercerá no nível d’água, além da
declividade de vertentes e encostas marginais ao futuro reservatório. Assim sendo, cabe aqui
novamente o comentário de que só com a integração destes dados é eu se pode obter uma
avaliação mais precisa deste impacto. Entretanto, em função do estágio atual de instalação do
empreendimento, não cabe mais aqui a determinação para que o empreendedor realize estudos de
diagnóstico ambiental, mas que o mesmo utilize os programas ambientais que se encontram em
estágio inicial de implantação para cumprir as etapas que faltaram quando da elaboração dos
estudos ambientais. Assim, o programa de monitoramento das encostas marginais deve ser
adequado metodologicamente a fim de permitir a integração dos dados anteriormente citados, de
forma que funcione como um monitoramento, mas também como um controle do desenvolvimento
de processos erosivos. As áreas localizadas a jusante do barramento principal, próximo ao
vertedouro também deverão ser objeto de monitoramento, em função do potencial erosivo que esta
estrutura possibilita. Cabe aqui destacar que o desenvolvimento de processos erosivos é um
impacto que atua não apenas nas encostas marginais ao reservatório mas também nas áreas da
obras, tais como canteiros, acessos, áreas de empréstimo e bota-fora, as quais estão em pleno
desenvolvimento. Neste último caso, para mitigar o impacto nestas áreas, deve-se implantar o
Programa de Recuperação de Áreas Degradadas.
Com a formação do reservatório, previu-se como impacto direto relacionado ao meio físico
a modificação do regime fluvial. Este deverá ser agravado principalmente na fase pré-operação,
quando a vazão é sensivelmente diminuída para possibilitar a acumulação de água e formação do
reservatório. A formação de remanso no reservatório também é relevante. Como proposta para
mitigar estes impactos, propôs a adoção de um Programa de Monitoramento Hidrológico, para
verificar os níveis d’água afluentes ao reservatório. Adicionalmente, como medida de
acompanhamento do impacto ambiental relacionado ao assoreamento provocado pela alteração do
regime Iótico para lêntico neste trecho específico do rio Tocantins, e de seus efluentes (em especial
o paranã), propôs a adoção de um Programa de Monitoramento Hidrossedimentométrico.
No caso das águas subterrâneas, avaliou como de média significância as interferências
que serão causadas com a formação do reservatório nos fluxos de escoamento do lençol freático,
os quais deverão ser totalmente alterados em função da elevação dos níveis de base, com
possibilidade de contaminação do lençol. Indica que deverá se estabilizar após a formação do
reservatório, ainda que não esteja levando em consideração a regra operacional do mesmo, que
prevê geração em ponta e flutuação diária do reservatório neste período. Propôs, para mitigar este
impacto, o monitoramento hidrogeológico, medida esta que isoladamente não mitigaria este
impacto, visto tratar-se apenas de um acompanhamento do nível de incidência do mesmo. Deve
propor, adicionalmente, medidas corretivas a serem adotadas no caso de verificação do mesmo
por parte do monitoramento.
Ainda de acordo com a avaliação de impactos estabelecida no Estudo de Impacto
Ambiental, a interferência do empreendimento com áreas de autorizações e concessões minerais é
tida como de baixa magnitude, apesar do número de áreas registradas junto ao DNPM. Para
mitigar este impacto, propôs a implementação de um programa de acompanhamento das
interferências minerarias, onde pretende solicitar ao DNPM o bloqueio de novas áreas, além da
atualização dos processos.

Programas Básicos Ambientais:

Foram propostos 08 programas ambiente para mitigar os impactos relacionados ao meio


físico, a saber:
 Programa de Monitoramento do Clima
 Programa de Monitoramento dos Níveis D’água
 Programa de Monitoramento Sedimentológico
 Programa de Monitoramento Sismológico
 Programa de Monitoramento das Encostas Marginais
 Programa de Monitoramento Hidrogeológico
 Programa de Reabilitação de Áreas Degradadas
 Programa para o Setor Mineral

A seguir, estes programas serão analisados separadamente, de acordo com o modo em


que foram ou que deveriam ter sido detalhados:
1. Programa de Monitoramento do Clima
O objetivo da implantação deste programa ambiental e o de se verificar possíveis
alterações nos parâmetros meteorológicos após a implantação do empreendimento. Assim, previu
a adoção de ações tipo escolha de local para implantação de estação climatológica automática,
estabelecimento de convênio como INMET, aquisição de equipamentos, além dos levantamentos
de dados (totais diários de precipitação, temperaturas do ar médias máximas e mínimas diárias;
intensidade e direção dos ventos; totais mensais de evaporação; médias diárias de umidade
relativa do ar; médias diárias de pressão atmosférica; e totais diários de horas de insolação), dados
estes que deverão ser tratados estatisticamente e disponibilizados na forma de arquivos digitais de
séries temporárias.
Destaca-se ainda que o cronograma apresentado prevê um prazo de andamento deste
programa até o 2º ano após o início da operação comercial do empreendimento. Entretanto,
cumpre ressaltar que o Ibama deverá avaliar a necessidade de continuidade, ou não, deste
programa após um prazo mínimo que deverá corresponder à validade da futura Licença de
Operação a ser concedida (mínimo de 04 anos).
Por fim, apesar de não informar a periodicidade da emissão dos relatórios de
acompanhamento, sugere-se que os mesmos sejam encaminhados ao Ibama semestralmente.

2. Programa de Monitoramento dos Níveis D’água


O objetivo deste programa de monitoramento é avaliar a superfície inundada pelo
reservatório nos trechos dos rios Palma e Paranã a montante da sede municipal de Paranã e no
trecho do rio Tocantins a montante da comunidade de Retiro, os quais correspondem a áreas de
remanso, verificando-se as variações desta superfície inundada e função das consições de
escoamento. Metodologicamente, prevê como ações que devem ser executadas para que o
objetivo do programa seja cumprido a relocação dos postos fluviométricos operados pela ANEEL e
que serão afogados pelo enchimento do reservatório (fazenda Angical e São Salvador – Tocantins;
Paranã e Montante Barra da Palma – Paranã; e Barra da Palma – Palma). Entretanto,
anteriormente ao enchimento do reservatório, estes postos devem continuar operando, juntamente
com aqueles a serem implantados para relocação, a fim de que possam correlacionar os dados
fluviométricos (período mínimo de dois ciclos hidrológicos). Posteriormente, prevê a instalação de
limnígrafo na barragem e o monitoramento dos níveis pelas réguas limnimétricas (leituras as 07 e
às 17 horas) e pelo limnígrafo. Os dados obtidos deverão ser tratados estatisticamente e
armazenados em banco de dados específico.
O programa parecer estar adequado para atender o objetivo proposto. Entretanto, destaca-
se a necessidade de que os equipamentos a serem adquiridos, em especial o limnigrafo, sejam
especificados e detalhados. A apresentação dos dados deverá ser realizada semestralmente a
partir do encaminhamento de relatórios de andamento deste programa ao Ibama. A duração do
mesmo deverá considerar toda a vida útil do empreendimento, apesar do cronograma apresentado
prever sua duração até o final do ano de 2006 (2º ano após o início da operação comercial da
usina). Destaca-se que não existem informações de custos de implantação de custos de
implantação deste programa.
3. Programa de Monitoramento Sedimentológico
Este programa tem por objetivo acompanhar a evolução da deposição de sedimentos e
avaliar o aporte das descargas sólidas ao reservatório. Assim, prevê como metodologia a ser
adotada a instalação de um posto sedimentométrico (posto São Salvador será afogado pelo
reservatório, necessitando ser transferido para o Toc-13 – fazenda Barreiro). Entretanto, até que o
reservatório encha, este posto, juntamente com os postos Travessão São Miguel (rio Tocantins),
Paranã e fazenda Santana (rio Paranã) e fazenda Areias (rio Palma), estes dois últimos situados
fora do remanso do futuro reservatório, poderão anda ser operados. Adicionalmente à relocação do
posto São Salvador, propõe como ações metodológicas do programa, as medições de descarga
sólida e levantamentos batimétricos verificando a alteração dos bancos de areia depositados no
reservatório. Apresenta ainda cronograma para desenvolvimento das ações previstas, dando como
prazo de encerramento do programa o 2º ano de operação do empreendimento.
Destaca-se que falhou detalhamento quanto aos aspectos relacionados aos equipamentos
presentes e a serem instalados nas estações hidrossedimentométricas, assim como periodicidade
do monitoramento. Outro ponto a destacar é a necessidade de que este programa seja visto como
um monitoramento contínuo por um prazo mais longo, devendo ser avaliado pelo Ibama, órgão
licenciador, a necessidade de sua continuidade.
4. Programa de Monitoramento Sismológico
Tem por objetivo avaliar a atividade sísmica natural, antes do reservatório ser formatado, e
a induzida pelo reservatório, obtendo a relação de sismos e a inter-relação das feições geológicas e
estruturais da área. Para isto, propõe como metodologia a ser adotada, ações relacionadas com a
complementação da caracterização da sismicidade regional, a escolha do local para a implantação
da estação, aquisição e implantação da estação sismográfica e o acompanhamento do programa
com a aquisição e tratamento dos dados e interpretação dos resultados.
A metodologia apresentada parece ser adequada para cumprir os objetivos propostos.
Entretanto, falta no PBA relativo a este programa ambiental a apresentação de um projeto da
estação sismográfica a ser implantada, com um croqui da edificação a ser construída e o
equipamento a ser adquirido.
O cronograma apresentado indica que o empreendedor deve dar continuidade no
monitoramento até o final do ano de 2006 (2º ano de operação comercial do empreendimento).
Cabe ressaltar que o Ibama deverá avaliar este programa anteriormente, a fim de verificar a
necessidade de sua continuidade.

5. Programa de Monitoramento das Encostas Marginais


Da forma como está propostos, este programa ambiental tem por finalidade detalhar o
potencial e as características dos processos erosivos, de escorregamentos, desplacamentos e
tombamentos de blocos e de fenômenos relacionados a rochas calcárias. Os locais prioritários
elencados a serem monitorados correspondem às proximidades das áreas urbanas de Retiro, São
Salvador e Paranã e a jusante da barragem de Peixe; escorregamento e deslocamentos próximos
a Retiro e a Serra do Boqueirão, além das áreas de ocorrência de rochas calcárias.
Em termos metodológicos, prevê a adoção de ações pertinentes a fotointerpretação e
mapeamento geológico-geotécnico, investigações de subsuperfície e investigações geofísicas e
instalar a instrumentação prevista no monitoramento hidrogeológico, estudo das medidas de
proteção eventualmente necessárias e o acompanhamento das condições de estabilidade e
erosões das margens e das encostas marginais. As investigações de subsuperfície serão
executadas a partir de topografia, sondagens a percussão, a trado e poços de inspeção, além da
instalação de instrumentos.
Vale aqui comentar a necessidade de interação entre os dados obtidos a partir da
investigação geológica/geotécnica pormenorizada e o monitoramento da elevação do lençol
freático, a fim de que se obtenham os melhores resultados no controle dos processos erosivos.
Assim, existe a necessidade de se cadastrar, nesta etapa de investigação, as feições erosivas já
existentes. Estas deve ser uma ação a ser sugerida para ser contemplada neste programa.
Adicionalmente, falta ao programa um detalhamento dos procedimentos a serem
executados no caso de recuperação e proteção de processos erosivos, assim como o
detalhamento dos instrumentos a serem utilizados nas investigações. Desta forma, cumpre ao
empreendedor acrescentar neste programa detalhamento dos temas abordados.
Por fim, cabe destacar que o cronograma apresentado prevê o fim da execução das ações
relacionadas a este empreendimento para o fim do ano de 2006, que corresponde ao 2º ano de
operação comercial do empreendimento. Entretanto, como descrito no próprio PBA, a necessidade
de se manter este monitoramento durante toda a vida útil do empreendimento justificaria uma maior
durabilidade ao programa, devendo o Ibama analisar o pedido do empreendedor em suspender o
mesmo, em decorrência dos dados apresentados.

6 Programa de Monitoramento Hidrogeológico


Este programa foi elaborado objetivando avaliar as variações do nível de base do lençol
freático na borda do reservatório, especialmente nas áreas urbanas, monitorando ainda a qualidade
das águas. Para atender este objetivo, estão previstas ações relacionadas com fotointerpretação e
mapeamento geológico-geotécnico e hidrogeológico para caracterização de rochas calcárias,
realização de investigações de subsuperfície (serviços de topografia, sondagens a percussão) com
instalação de monitores e medidores de níveis d’água, efetuação das leituras dos níveis d’água,
efetuação das leituras dos níveis d’água e coletas de amostras para análise, além do
acompanhamento do programa, com tratamento dos dados.
Destaca-se que conforme propõe o empreendedor no PBA, serão implantados 34 poços de
monitoramento (piezômetro) nas sedes municipais de São Salvador e Paranã, além da vila do
Retiro.
Entretanto, tendo em vista o risco de criação de áreas inundadas, gerando impactos
decorrrentes como perda do potencial agrícola e restrições para edificações, existe a necessidade
de que este programa ambiental adote como metodologia a elaboração de um modelamento
hidrogeológico para a identificação de áreas potencialmente problemáticas na elevação do lençol.
Para tanto, torna-se necessário à implantação de um número maior de piezômetros e poços de
inspeção ao longo de todo o reservatório, não apenas nas áreas urbanas. Nas prováveis áreas
cársticas, esta rede de monitoramento deve ser mais intensificada, já que podem se constituir de
áreas de escape de água, não possibilitando o estanqueidade do reservatório.
No caso da qualidade da água subterrânea, falta ao PBA à avaliação das áreas propensas
à contaminação, identificando-se as fontes contaminantes e listando-as. Adicionalmente, falta ao
PBA comprometimento por parte do empreendedor em adotar providências no sentido de relocar
estas captações (poços), caso os mesmos venham a ser impactados.
O cronograma proposto para este monitoramento deve ser alterado. O programa prevê a
continuidade do programa até o final do ano 2006. Entretanto, esta avaliação deve ser estabelecida
pelo órgão licenciador, que deverá analisar os dados apresentados e tomar a decisão de
continuidade, ou não, do programa.

7. Programa de Reabilitação de Áreas Degradadas


O programa de reabilitação de áreas degradadas tem por objetivo fornecer diretrizes para a
exploração das áreas de empréstimo e de bota-fora, facilitando a execução dos serviços de
recuperação, além de diretrizes para o controle de processos erosivos desenvolvidos nestas áreas,
indicar procedimentos para a reconstituição dos terreno são dos terrenos tanto em termos
topográficos como de vegetacionais. Em termos metodológicos, prevê como ações a serem
adotadas o planejamento dos trabalhos, tanto nas áreas de empréstimos e bota-foras, como nas
pedreiras, como também nos canteiros de obras, a remoção da cobertura vegetal, a remoção e
estocagem da camada superficial de solo, o reafeiçoamento dos terrenos, execução de atividades
de revegetação e paisagismo.
Destaca-se que o PBA detalha as atividades que serão executadas, estando de acordo
com os preceitos estabelecidos pelo órgão licenciador, O Ibama. Detalham as atividades de
reafeiçoamento para todos os terrenos (áreas de empréstimos e bota-fora, pedreiras, canteiro de
obras e áreas de apoio), além das atividades de plantio, época de plantio, sistemas e
procedimentos de plantio. Indica ainda a listagem das espécies escolhidas para a revegetação.
Assim, o programa pode ser considerado como adequado a mitigar os impactos
relacionados às áreas degradadas.

8. Programa para o Setor Mineral


Este programa foi elaborado com o objetivo de se verificar o andamento dos procedimentos
do setor mineral, obtendo e acompanhando o bloqueio da áreas para novas atividades na área do
empreendimento, acompanhar o andamento dos processos existentes (com regularização das
eventuais pendências com os interessados), além de acompanhar as atividades informais de
extração dos materiais a serem utilizados na obra. Prevê a adoção de ações especificadas tais
como solicitação do bloqueio das áreas no DNPM, acopanhamento dos Alvarás de Pesquisa em
vigor, além do acompanhamento das atividades informais de materiais naturais de construção.
Destaca-se que não foram detalhadas no PBA as ações a serem adotadas para os casos
de interferências entre os detentores de títulos minerários com o empreendimento, tais como
propostas de acordos a serem estabelecidos entre empreendedor e detentores de títulos, a fim de
compensação. Assim, esta deverá ser uma solicitação a ser requerida pelo Ibama à ENERPEIXE
para adequação deste programa ambiental.
Pelo cronograma apresentado, prevê-se que as atividades relacionadas a este programa
estejam encerradas no prazo máximo de 6 meses após o início da operação comercial do
empreendimento. Assim, o Ibama deve ficar atento à cobrança para o atendimento deste prazo,
lembrando-se que os acordos entre detentores de títulos interferidos pelo empreendimento devem
estar concluídos anteriormente ao início do enchimento do reservatório.

9. Programa de Recomposição da Infra-estrutura Viária


O objetivo do programa é recompor e/ou proteger a infra-estrutura viária afetada, sendo
recompostos pontes, proteção de entroncamento dos aterros às pontes e recomposição dos
acessos às fazendas.
As interferências se darão na estrada estadual TO 387 (entre as cidades de Paranã e São
Salvador), na TO 491 (entre São Salvador e a TO 280), nos encabeçamentos das pontes sobre os
rios Tocantins, Paranã e Palma e nas estradas de acessos à fazendas no entorno do reservatório.
Os projetos dos novos acessos serão adequados após a definição dos remanescentes das
propridades a serem afetadas e do projeto do novo sistema viário estadual, a serem acordados
com os proprietários das terras e o empreendedor.
O traçado da futura BR 242 (ligação da cidade de Paranã a TO 280) interfere com o
reservatório pela margem direita do Tocantins (ribeirão Santa Cruz e córrego José da Silva). A
estrada que liga Paranã – São Salvador, TO 387, está sendo adequada, a partir do asfaltamento da
DERTINS.
Em 20/12/2001, foram realizados entendimentos e formalizado Convênio entre a
ENERPEIXE/DERTINS, os quais resultaram no seguinte acordo:
 Responsabilidade da ENERPEIXE.
 recolação da TO 491 entre São Salvador e o entroncamento com a TO 280, com projeto
executivo aprovado pela DERTINS;
 contratação de projeto para readequação do traçado da BR 242 entre a cidade de Paraná e
a TO 280;
 proteção dos taludes dos aterros das pontes existentes sobre os rio Tocantins, Paranã e
Palma, afetada pelo reservatório.
 Responsabilidade da DERTINS
 projeto e execução das obras da TO 387, entre Paranã e São Salvador;
 tratativas com o governo federal e gestões para aprovação do novo traçado e os estudos
ambientais para adequação da BR 242 entre Paraná e a TO 280.

No ante-projeto, foram descritos 4 trechos que serão relocados e foi empregado como
critério de projeto o temo de recorrência de cheias de 100 anos, levando-se em consideração o
remanso e a navegação de barcos de pequeno porte.
Os principais trechos a sofrer adaptação são:
 trecho 1 – ribeirão das Pedras, tem extensão de 6,6 km passará para 7,7 km;
 trecho 2 – Vila do Retiro, com extensão de 800 m será relocado para evitar aterros
elevados e pontes extensas;
 trecho 3 – Córrego do Mato, com extensão aproximada de 7,0 km, se desenvolvendo nas
várzeas do córrego e outros afluentes; será quase todo inundado, terá 8,0 km de extensão;
 trecho 4 – Córrego Piabanha, com extensão de 600 m será elevado o greide da estrada
existente pois como o contorno de reservatório é extenso seria necessário transpor vários
afluentes.
Faz-se necessário a apresentação do convênio estabelecido entre as
ENERPEIXE/DERTINS. Com relação às atividades desenvolvidas, o IBAMA deverá ser informado
acerca do andamento das mesmas, sendo necessário apresentar planta e descrição das obras e
cronograma. Estas atividades deverão estar prontas antes do enchimento do futuro lago.
Nas ações previstas de recomposição dos acessos das fazendas, este programa deverá
ser complementado com informações acerca do número de propriedades que serão afetadas,
apresentando sua localização em mapa e descrevendo a metodologia de negociação com os
proprietários. Deverá existir um documento assinado pelas partes (proprietário e empresa) selando
o acordo para execução do novo traçado.

10. Programa de Instalações de Apoio às Obras

O programa não fornece as diretrizes para as construções permanentes da usina:


barragem, vertedouro, casa de força, subestação e outros. Fornece somente para a infra-estrutura
do canteiro de obras: central de britagem, centrais de concreto, pátios de forma, armação, pré-
moldados, almoxarifados, oficinas de manutenção, escritórios administrativos, refeitórios,
alojamentos, ambulatórios, centro comercial, acessos áreas de empréstimos, áreas de
empréstimos, áreas de jazidas minerais, bota-fora.
O objetivo do programa é detalhar os procedimentos que deverão ser observadas na
instalação, funcionamento e desmobilização das instalações do canteiro de obras, o qual dará
apoio à construção da usina. O detalhamento está organizado em 6 (seis) sub-programas:
aquisição as terras; regates arqueológico; de atendimento médico, educação em saúde e
segurança para os trabalhadores; de desmatamento das áreas das obras principais e para o meio
físico, propôs o sub-programa de especificações ambientais para a construção, compreendendo os
procedimentos a serem adotados pelas empreiteiras durante a instalação das obras principais e do
canteiro de obras, considerando a operação e desmobilização da obra. As recuperações das áreas
estão contempladas no Programa de Recuperação das Áreas Degradadas.
O início das obras do canteiro foi em abril de 2002, em ambas as margens do rio
Tocantins, no município de São Salvador (margem esquerda). Foi apresentada uma descrição
sucinta das instalações.
A estrada de acesso ao canteiro, com 4,7 km de extensão, partirá da estrada BR 242,
futura conexão entre Peixe e Paranã. As obras do acesso foram iniciadas, resta ser apresentado o
projeto, cronograma e o acompanhamento.
As instalações industriais estão localizadas na margem direita, mais perto da barragem, e
as instalações administrativas estão mais afastadas das obras. A energia será suprimida com a
construção de uma subestação da CELTINS, um torre de telecomunicações, infra-estrutura
sanitária com reservatórios de água industrial sanitária com reservatórios de água industrial,
estação de tratamento de água (ETA) e uma estação de tratamento de esgotos (ETE), todas estas
obras já foram construídos e estão funcionamento. Resta realizar o acompanhamento e avaliação
da eficiência dos sistemas.
As obras estão localizadas em uma área de 4,134 há. A ENERPEIXE apresentou as
especificações gerais das atividades de construção civil; drenagem, terraplenagem, escavações,
esgoto sanitário, poluição sonora, etc. Foi apresentado mapa do arranjo geral, das áreas de
empréstimo, bota-fora;
O relatório de complementações do programa, além de apresentar um sub-programa de
resgate da fauna e o sub-programa de educação ambiental, indicou o memorial descritivo,
dimensionamento e projeto dos sistemas de tratamento dos efluentes, projeto do aterro sanitário,
sistema de captação e tratamento de água, separador de óleo e água e sistema de tratamento de
esgoto. Na vistoria técnica forma vistoriadas as instalações de tratamento dos efluentes que já
estavam construídas, aterro sanitário ETA e ETE. Foram vistoriados os tanques de combustível
que possuem os sistemas de coleta e de segurança para a operação de abastecimento, as
oficinas possuem os dispositivos e caixas separadas de óleo e graxas.
O programa menciona que serão repassados os procedimentos e diretrizes para serem
incorporadas pelas empresas contratadas. O programa deverá ser complementado, pois não traz
quais atividades serão monitoradas. Para este item, falta a apresentação do caderno resumo do
projeto básico, a seqüência executiva obras permanentes da usina deverá ser atualizada e
apresentada com maior detalhamento. O detalhamento do programa deverá trazer as metas,
implantar pontos de monitoramento a jusante e montante dos efluentes lançados no ambiente,
informar os indicadores ambientais e monitorar, metodologia, atividades, freqüência e
cronogramas, equipe técnica, instituições envolvidas e um mapa como produto final.

Meio Biótico

O Estudo de Impacto Ambiental para avaliação dos impactos sobre o meio biótico na Área
de Influência Indireta (AII) do empreendimento foi feita com base nos dados secundários, obtidos
dos estudos realizados em outras localidades, situadas a montante como estudo de UHE Serra da
Mesa e de Cana Brava. A elaboração do diagnóstico da vegetação coligiu, numa primeira etapa, os
dados secundários de Referência Bibliográficas da tipologias ocorrentes no Cerrado.
A cobertura vegetal foi amostrada utilizando-se do Projeto RADAMBRASIL (1982), mapas
do Zoneamento Econômico-Ecológico do Estado do Tocantins (Seplan, 1977) e interpretação de
imagens de satélite TM Landsat, de agosto de 1999.
Os dados de fauna foram obtidos por meio de consultas aos relatórios do Projeto Básico
Ambiental da UHE Lajeado (THEMAG/INVESTCO, 1998), e o Relatório Final da UHE Serra da
Mesa (NATURE, 1996), o que levou a inferência da fauna provável na região de inserção do
empreendimento.
Pautado na análise desses dados bibliográficos foram realizados os estudos de campo na
Área Diretamente Afetada (ADA) e seu entorno imediato, visando complementar as informações
existentes e obter dados da flora e da fauna local. A metodologia utilizada para os estudos está
descrita na apresentação das caracterizações.
 Vegetação
Foi realizada a caracterização da Área Diretamente afetada (ADA) e de Influência Indireta
(AII) utilizando-se imagens de satélite, caminhadas, fotografias, por sobrevôo da área e
reconhecimento em campo, realizado no período de 26 a 31/05/00, para a definição das fisionomias
vegetais, e o estabelecimento das áreas e os critérios de amostragens.
No levantamento dos dados fitofisionômicos procedeu-se a coletas para a elaboração da
listagem florística, as quais consistiram em coletas botânicas realizadas em percursos através das
direferentes fitofisionomias: Campos, Cerrados, “strictu senso”, Cerradões, Florestas de Galeria e
Florestas Paludosas. O material botânico foi encaminhado ao Herbário do Instituto de Botânica de
São Paulo, para identificação e incorporação do material fértil.
A metodologia adotada para o estudo quantitativo na ADA e entorno foi a de Pontos
Quadrantes, cujos pontos foram lançados a cada 10 m, seguindo uma linha de caminhamento. Os
critérios de inclusão para as áreas de cerrado foram indivíduos com circunferências de base (20 cm
acima do solo) de 15 cm e, para as áreas de matas com circunferência acima de 30 cm na altura
de peito. Aplicou-se o programa FITOPAC para determinar: densidade, freqüência, similaridade, IVI
e IVC. Foram selecionadas 15 unidades amostrais (blocos) distribuindo-se três unidades para cada
uma das cinco fitofisionomias, sendo que nas áreas de cerrado eram lançados 20 pontos por
blocos e nas áreas de floresta 30 pontos. A descrição da estrutura vegetacional foi realizada para
cada área através dos parâmetros fitossociológico definidos por MUELLER-DOMBOIS &
ELLENBERG (1974) e os índices de diversidade especifica de Shannon-Wiener e equabilidade de
MAGURRAN (1988).
A vegetação predominante da AII é o cerrado “latu sensu”, entremeado por florestas de
galeria típicas em áreas próximas aos cursos d’água, e florestas paludosas nas planícies de
inundação.

As ares florestadas podem ser subdivididas nas seguintes formações: 1) Ciliares ou


ripárias – ocorrem às margens dos corpos d’água, acompanhando as linhas de drenagens,
permanecendo sempre verdes, estando, geralmente, em contato com as formações de cerrado
mais abertas; 2) Florestas de galerias – correntes nos diques marginais ao longo das linhas de
drenagens, destacando por espécies de grande porte muito exploradas devido ao seu valor
madeireiro, como: Tabeluia impitiginosa (ipê-roxo), Hymendea stignocarpa (ipê-roxo), Hymendea
stignocarpa (jatobá), Dipteryx alata (baru), Astronium fraxinifolium (Gonçalo-alves) Machaerium sp.
(jacarandá), Anadenanthera sp. (angico) entre outras; 3) Aluviais e de Terraços- são formações
florestais intermdiarias entre as fisonomias savânicas e de galeria logalizados nos terrenos mais
elevados ao longo das margens do rio Tocantins, com presença de áreas rebaixadas e algadiças,
onde espécies resistentes às condições de alagamento temporário estão presentes, tais como
callisthene fasciculata (jacaré). Nas matas paludosas há predomínio de Qualea spp., bem como
Calophyllum brasiliensis (Landi), Xylopia sp. (Envira), Bauhinia cf. membranácea (pata-de-vaca),
ciperáceas e gramíneas, podendo ocorrer ainda espécies de cerrado mais tolerantes à água,
citando-se Alibertia sp (marmelada), Curatella americana (lixeira), Siparuna sp. (limão-do-mato),
entre outras.

As Áreas Úmidas ocorrem em áreas mais baixas, geralmente pequenas, com


presença de lagoas. Correspondem às áreas onde o lençol freático é muito superficial aflorando em
épocas de chuva. A vegetação é compostas predominante de ciperáceas e gramíneas, podendo
ocorrer espécies hidrófilas nas bordas das lagoas. São espécies herbáceas como o Echinodorus
tenellus, Saggitaria cf. lanceolata, Paepalanthus sp., Heliconia psittacorum etc. Segundo o estudo, é
pouco comum a presença de Mauritia vinifera (buruti) e Mauritiella oculeata (buritirama).

As áreas de Lagoas ocorrem em intersítios nos meambros do rio na área de inundação das
cheias. Possui uma flora rica e particular com macrófitas aquáticas submersas (Myriophyllum e
Elodea) e semisubmersas (Nimphacea, Ludwigia aquática e L. setosa) e flutuantes (Eichhomea).

Com relação ao cerrado são encontradas as seguintes fisionomias: 1) Cerrado Denso


(Cerradão) - ocorrem fisionomias fechadas com predomínio de espécies de porte arbóreo (de 5 a
15m) como Hacornia speciosa (mangaba), Curatella americana (sambaíba), Pseudobombax
tomentosum (imbiruçu). Tabeluia caraíba (ipê amarelo), Salvertia convallariaeodora (pau-de-arara),
Caryocar brasiliesis (pequi), Bowdichia virgiloides (sucupira) e Physocalymma scaberrimum (cega-
machado); 2) Cerrado Aberto – ocorrem em áreas com freqüentes afloramentos rochosos,
aspectos, aspecto fortemente xeromorfos, alturas variando de 3-4m a 6-8m, presença de estrato
herbário entre os espaçamentos dos indivíduos arbóreos, predomínio de gramíneas, podendo
ocorrer cactáceas e bromeliáceos nas áreas mais rupículas. As espécies presentes possuem porte
de arvoretas e arbustos, como Cochlospermum regium (algodão-do-mato), Davilla elliptica
(sambidinha), Qualea spp. (pau-terra), entre outras. No estrato herbáceo ocorrem vários tipos de
palmeiras acaules como Syagrus cf. flexuosa. 3) Mosaico de cerrado e floresta em grotões –
vegetações que se desenvolvem sobre as vertentes de várias serras da área de estudo, como:
Serra das Caldas, Serra Dourada, Serra do Boqueirão, Serra do Bananal e Serra do Lageado. A
cobertura vegetal predominante é de cerrado aberto, como Campo Cerrado nas vertentes convexas
e nas cristas. Nas áreas de menor insolação com solos mais profundos e maior teor de umidade
ocorre o Cerrado Denso e as Floretas Estacionais.

A maioria dessas formações está transformada em extensas áreas de pastagens, que


devido ao uso de queimadas e pisoteio do gado favorece o surgimento de campos sujos e de
campos cerrados. Nas áreas de serras apresentam-se formações mais abertas de cerrado e nas
vertentes observam-se formações florestais mais densas, proporcionadas por maior umidade e
profundidade de solo. Nessas áreas mais férteis podem ocorrer agricultura de subsistência.
Convêm destacar que na margem esquerda do rio Paranã encontram-se grandes plantações de
maracujá e culturas irrigadas.

Foram apresentados informações complementares à flora solicitado pela Naturatins. Tal


documento descreve a realização de mais uma campanha de campo ocorrida no período de 26.08
a 03.09.01, ainda em época de seca, onde foram amostradas mais 4 áreas de cerrado e 6
formações florestais nas margens dos rio Tocantins e Paranã, ao longo da porção central da área a
ser alagada pela UHE Peixe Angical. Foi utilizada a mesma metodologia, com exceção do critério
de inclusão, para as formações florestais, do PAP (perímetro à altura do peito) igual ou superior a
20 cm. O material botânico foi encaminhado para o herbário da Unitins (Universidade do
Tocantins).

Comentários

Com relação à AII não foram contemplados as sub-bacias do Paranã e Palma com seus
tributários. Não foi apresentada uma justificativa técnica quanto à delimitação da cota 300 m como
ADA mais seu entorno. Assim sendo, deverão ser realizados estudos sobre a influência direta e
indireta dos impactos advindos da implantação da UHE Peixe Angical sobre a biota aquática e
terrestre no ecossistema como um todo. Não foi apresentado um mapa contendo a locação das
áreas onde foram realizadas amostragens de flora.

No EIA/RIMA foi apresentada uma caracterização da área com subdivisões paras


fitofisionomias que não correspondem ao usual do bioma cerrado. Embora tenham sido detectadas
408 espécies distribuídas em 237 gêneros e 96 famílias, verificou-se que na tabela constante no
EIA/RIMA foram citadas 8 morfoespécies de Pteridófitas, sendo 4 não identificadas e 4
identificadas apenas no nível de gênero; 54 espécies de monocotiledôneas com 19 apenas no nível
de gênero e 7 no nível de família; 353 espécies de dicotiledôneas, sendo 147 identificadas apenas
em gênero e 19 apenas em família, totalizando 415 espécies, sendo 160 identificadas apenas em
gênero, 26 em família e 4 não identificadas.

O documento apresentado com complementação ampliou o número de espécies arbóreas


e arbustivas não contemplou amostragens do estrato herbáceo. Embora tenha aumentado o
número de áreas amostradas, não se pode inferir que essas amostragens tenham sido
significativas para caracterizar a área de influência do empreendimento. Para que se tenha uma
amostragem representativa da área a ser impactada deve-se estimar a dimensão da áreas a serem
levantadas, além do número de pontos que deverão ser amostrados.

 Fauna

Para o empreendimento denominado AHE Peixe Angical, são apresentados no escopo da


EIA/RIMA correspondente, informações referentes à caracterização da fauna de vertebrados
aquáticos (iciofauna) e presentes (tetrápodos). As informações pertinentes a essa caracterização
possuem procedência primárias e principalmente secundárias, conforme descrição apresentada
pelo referido estudo.

Para a áreas do empreendimento, o estudo apresenta uma riqueza de 479 espécies, sendo
171 peixes, 32 anfíbios, 39 répteis, 185 aves e 52 mamíferos.

Nos itens seguintes, foi abordado cada um dos grupos de vertebrados levantados e foram
descritas considerações referentes às análises apresentadas no escopo do EIA/RIMA apresentado
pelo empreendedor.

1. Fauna de Vertebrados (exceto peixes)

O Estudo de Impacto Ambiental apresentado fornece informações acerca de levantamentos


desenvolvidos em duas campanhas de campo, sendo a primeira realizada nas proximidades do
município e Paranã, situado à montante do empreendimento, no período de 28.05 a 09.06.2000. A
segunda campanha foi realizada no município de Peixe, localizado à jusante da área proposta para
a barragem, no período de 15.08 a 23.08.2002. Posteriormente, informações complementares
sobre a fauna foram produzidos a pedido do órgão ambiental estadual de Tocantins
(NATURATINS). As informações complementares foram obtidas com a realização de novos
levantamentos na porção central da área prevista para o reservatório, denominada como São
Salvador, conforme a figura nº 6376-01-GL-830-DE-01287 (PBA: Informações Complementares
FAUNA).

Todas as campanhas de campo foram desenvolvidas em época de seca, bem definida para
a região, Não são apresentados dados sobre a fauna de vertebrados ocorrentes na área de
interesse no período chuvoso. Portanto, de imediato, há necessidade de complementação das
informações, exigindo-se a caracterização quali-quantitativa da fauna no período chuvoso.

Foi citada a coleta de um indivíduo utilizando-se arma de fogo (pág. 5.32), entretanto não
foram apresentadas justificativas para o emprego de tal metodologia, bem como descrição do
espécime coletado. Considerando que a metodologia não é usual para a coleta de fauna, além de
não ser um procedimento amparado pela lei. O IBAMA deverá oficializar ao empreendedor a
apresentação de justificativa quanto ao uso de metodologia de captura e exemplares da fauna com
arma de fogo.

O estudo também ressalta a coleta de informações citogenéticas de parte do material


biológico capturado/coletado 1 durante os trabalhos de campo. Segundo ainda o EIA/RIMA, todo o
material coletado durante os trabalhos de campo foi depositado em coleção científica sob
responsabilidade do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ/USP). A legalidade de
tais procedimentos deve ser verificada, especialmente quanto à emissão de licença da
captura/coleta específica pelo órgão ambiental para tal empreendimento, uma vez que não se
encontra no processo de licenciamento nenhuma referência sobre o número de referida
autorização, bem como órgão ambiental emissor.

Ressalta-se que o empreendedor deverá apresentar copia da licença de captura/coleta


para material biológico (licenças ambientais para resgate de fauna), conforme Medida Provisória nº
2.186, de 23.08.2001. Deverá ainda, verificar a existência de documentação que comprove o
depósito de todo o material biológico coletado em instituição científica credenciada.

1.1. Herpetofauna

Para a caracterização de herpetofauna existente na área de influência do empreendimento,


foram apresentados dados obtidos em campo, utilizando-se de armadilhas de queda (pitfall traps).
Conforme a apresentação no EIA-RIMA, foi instalado um total de 85 estações de armadilhas,
formadas por quatro baldes de 20 litros cada. Para o levantamento efetuado no município de
Paranã foram utilizadas 50 estações, que permaneceram instaladas por 11 dias consecutivos. Já
para a Segunda campanha, no município de Peixe, foram instaladas 35 estações durante o período
de 07 dias consecutivos. Ainda segundo o estudo apresentado, as armadilhas foram dispostas de
forma a abranger a diversidade de ambientes identificados na região.

Em relação à complementação de informações sobre a fauna, na terceira campanha foram


instaladas 41 estações de armadilhas de queda, no período de 25.08 a 04.09.2001.

Todas as estações de armadilhas, nas três campanhas, foram dispostas dentro ou próxima
da área diretamente afetada (ADA) pelo empreendimento. Portanto, verifica-se que não houve um
delineamento amostral que permitisse uma caracterização representativa da herbetofauna na área
de influência indireta (AII).

Outro fator verificado no presente estudo diz a respeito da quantificação dos dados. NO
escorpo do EIA-RIMA, são apresentados apenas os valores totais de indivíduos coletados nas
campanhas em Peixe e Paranã, não sendo, no entanto, informados os valores específicos para
cada espécie. Já para a terceira campanha (São Salvador), realizada com o intuito de
complementar as informações do EIA-RIMA, a quantidade de indivíduos coletados de cada
espécies é fornecida . A quantificação se faz necessária, pois é considerada de grande importância
para a mensuração dos impactos sobre as populações.

O estudo também indica um número reduzido de espécies exclusivamente florestais. Este


fato pode estar relacionado ao período das amostragens (seca), sendo, portanto, ação importante o
desenvolvimento de amostragens durante o período chuvoso, para se determinar de forma mais
confiável a comunidade de anfíbios, ocorrentes na área do empreendimento.

Em relação aos répteis, a comunidade amostrada é composta por 02 espécies de quelônio,


01 crocolidiano, 18 lagartos, 01 anfisbena e 17 serpentes, totalizando 39 espécies.

O estudo descreve as principais famílias de répteis levantadas, indicando os respectivos


ambientes de ocorrência dessas espécies. Porém, assim como os anfíbios, não são apresentados
os números de indivíduos coletados para as duas primeiras campanhas, o que não permite a
análise quantitativa dos grupos. O mesmo ocorre em relação aos períodos das coletas, não
havendo amostragens correspondentes à época chuvosa. Assim, são necessárias
complementações dos estudos, com informações acerca das populações de répteis no período
chuvoso.

1.2. Avifauna

A avifauna foi caracterizada por meio de contatos visuais, auditivos e captura/coleta com o
uso de redes de neblina (mist nets). Para as duas primeiras campanhas (Paranã e Peixe) foram
listadas 185 espécies de aves. A campanha realizada em São Salvador contribui para o acréscimo
de 24 espécies a lista anterior, totalizando portanto, para a área do empreendimento, uma riqueza
de 209 espécies. O estudo fornece informações referentes à sensibilidade em relação às
interferências no ambiente de ocorrência, bem como à abundância relativa de cada espécie. No
entanto, não são apresentados os valores reais de indivíduos observados/capturados/ coletados ou
contatos obtidos de cada espécie levantada, impossibilitando uma análise mais detalhada da atual
situação da comunidade existente na área. Assim, não houve o emprego de uma metodologia
quantitativa no estudo ou no caso, de ter sido empregada, os resultados não são apresentados.

Em relação a ocorrência de espécies ameaçadas, o estudo aponta o registro para a área


de apenas uma espécie de psitacídeo: Anodorynchus hyacinthinus (arara-azul-grande). Porém,
apesar de não figurarem na lista oficial da fauna ameaçada de extinção do IBAMA, algumas
espécies registradas são passíveis de atenção quanto a sua conservação.

1.3. Mastofauna

A mastofauna foi caracterizada por meio de abordagem direta, utilizando-se para tanto,
aramadilhas do tipo (live-trap, pit-falls), redes de neblina, arma de fogo e captura/coleta manual.

Foram levantadas no total 52 espécies de mamíferos durante as três campanhas


realizadas. Conforme o próprio estudo, o esforço amostral para a mastofauna foi pequeno, não
sendo suficiente para uma caracterização mais detalhada da riqueza em espécies. Outro fator
considerado para o baixo rendimento das coletas foi a amostragem das localidades no período de
estiagem, igualmente ocorrido para os outros grupos animais.

O estudo aponta a ocorrência de 08 espécies de mamíferos presentes na lista oficial da


fauna ameaçada do IBAMA, a saber: Myrmecophaga trhidactyla (tamanduá-bandeira), Priodontes
maximus (tatu-canastra), Ozotocerus benzoarticus (veado-campeiro), Chrysocyon brachyurus
(lobo-guará), Lontra longicaudis (lontra), Leopardus pardalis (jaguatirica), Puma concolor (onça-
parda) e Panthera onça (onça-pintada). O estudo aponta, ainda, que essas espécies ameaçadas
apresentam ampla distribuição geográfica. É importante salientar que a ocorrência dessas espécies
deve ser analisada regionalmente e não no âmbito do território nacional. Portanto, deve-se dar
atenção à situação dessas espécies, bem como de outras listadas, dentro da bacia ou território do
Estado de Tocantins.

A fauna de quirópteros, como também indicam os estudos, não foi caracterizada. Sabe-se
que os morcegos são tidos como grandes dispersores de essências nativas, contribuindo para a
regeneração de ambientes florestais ou para recuperação de áreas degradadas. Além disso, os
morcegos atuam como vetores de raiva e desencadeadores de milíase, podendo provocar prejuízo
e pecuária e à saúde humana. Portanto, a caracterização da comunidade de morcegos ocorrentes
na área do empreendimento é de grande importância.

2. Ictiofauna

A ictiofauna é caracterizada para a área diretamente afetada (ADA) tendo domo base
informações quali-quantitativas primárias obtidas em campo e secundárias referentes ao
monitoramento realizado pela Universidade de Tocantins em parcerio com FURNAS. Para a área
de influência indireta (AII), correspondente à bacia hidrográfica diretamente contribuinte, os dados
apresentados referem-se aos estudos realizados para o aproveitamento hidrelétrico de Serra da
Mesa, situado à montante do empreendimento em questão, no rio Tocantins, coletados no período
entre dezembro de 1995 e outubro de 1996.

Na ADA, a comunidade de peixes foi caracterizada por amostragens realizadas nos


períodos de estiagem e cheia. O esforço amostral do período de seca foi maior, com coletas
realizadas durante 12 dias em 9 pontos distribuídos ao longo do eixo principal dos rios Tocantins e
Paranã. A amostragem realizada na época de chuva teve um esforço amostral de 05 dias, com
coletas em apenas 04 pontos.

O EIA/RIMA apresenta, para a ADA, a listagem contendo 171 espécies de peixes,


relacionadas em ordens e classes taxonômicas. Porém, aproximadamente 41% (n=70) das
espécies listadas estão apresentadas apenas no nível taxonômico de gênero. Deste total, quatro
espécies são indicadas como provavelmente novas.
Comentários

Em diversos estudos ambientais, a análise quali-quantitativa da fauna de vertebrados tem


sido considerada como um fator determinante na avaliação de impactos sobre o meio. Muitos dos
impactos oriundos da implantação de determinado empreendimento refletem diretamente na fauna
associada aos ambientes a serem interferidos.

A diferença entre os esforços de amostragens dos períodos seco e chuvoso não permite a
comparação das diversidades, equitabilidades e riquezas entre esses períodos.

Apesar da diferença no esforço amostral empregado para o dois períodos, as amostragens


permitiram caracterizar parcialmente a riqueza em espécies da ADA. Já para a caracterização da
AII, as informações foram limitadas, não abrangendo os principais afluentes dos rios Tocantins e
Paranã. Sabe-se que a comunidade de peixes de uma bacia hidrográfica apresenta diferenças,
tanto na riqueza como na abundância de espécies, ao longo de um gradiente sazonal e espacial,
sendo este último interpretado como os diferentes ambientes existentes desde as cabaceiras até a
foz de um rio.

Considerando que o estudo citou a ocorrência de quatro espécies provavelmente novas é


possível sejam novas, suas populações já estariam ameaçadas de extinção pelo fato do
empreendimento estar em implantação. Além disso, os estudos de monitoramento de Unitintas na
região de confluência dos rios Tocantins e Paranã já registraram mais de 200 espécies de peixes,
incluindo uma espécie de pacu (gênero Mylesinus) que aparentemente é endêmica. Tal fato não foi
discutido tanto no estudo apresentado, quanto no programa referente ao monitoramento e
conservação de ictiofauna. Tal fato não foi discutido tanto no estudo apresentado, quanto no
programa referente ao monitoramento e conservação da ictiofauna. Medidas devem ser dirigidas
para que ocorra uma identificação exata em nível taxonômico das espécies de peixes ocorrentes
na área de influência do empreendimento.

Quanto ao período reprodutivo, foi observada uma maior intensidade no período de cheia,
quando ocorreu a maior freqüência de indivíduos em reprodução ou que já se reproduziram.
Entretanto, ao longo do EIA/RIMA são citadas evidência de várias espécies que apresentam
reprodução na época de estiagem, incluindo algumas espécies migratórias. Assim, são necessários
estudos a respeito dos locais de reprodução ao longo de todo o ano e não somento de outubro a
abril como foi proposto no PBA 12, além do monitoramento contínuo da escada para peixes de
barragem e da ictiofauna dos tributários nas fases de enchimento e operação.

O esforço amostral realizado foi pequena em relação aos impactos que o meio sofrerá.
Devem-se fazer amostragens padronizadas entre os períodos de seca e chuva, com um estudo
mais detalhado nos principais afluentes, visando atender a sazonalidade. Os estudos sobre as
comunidades de peixes e identificação de áreas de desova e criadouros naturais deverão ser
iniciados no primeiro bimestre de 2003.

3. Limnologia

Para o AHE Peixe Angical foram realizadas coletas limonológicas na ADA nos períodos de
estiagem (julho/00) e de chuva (fevereiro/00). A caracterização da AII foi feita através de
informações de localidades situadas apenas a montante do empreendimento, mas especificamente
dados do Rio Tocantins provenientes dos aproveitamentos hidrelétricos de Serra da Mesa e Cana
Brava. Essas amostragens foram realizadas entre maio/95 e outubro/96.

No período de chuva foram utilizados dados da Fundação Universidade do Tocantins


coletados em apenas 4 pontos de amostragem. Foram consideradas as variáveis: temperaturas as
variáveis: temperatura do ar e da água, transparência, cor, oxigênio dissolvido (OD), condutividade,
pH, nutrientes, íons (cálcio, cloreto, potássio e sulfato) e clorofila. Já no período de estiagem forma
amostrados 12 pontos, sendo analisados os parâmetros citados acima além de sólidos totais em
suspensão, alcalinidade, oxigênio consumido, DBO, magnésio, sódio, ferro, fitoplâncton e
zooplâncton.

As amostragens realizadas na ADA são insuficientes para caracterizar a área no período de


chuva, além de não permitirem a comparação entre as estações. Além disso, não foram realizadas
análises das comunidades bentônicas. Os dados referentes à AII são muito antigas e não
possibilitam o diagnóstico da bacia afetada.

Avaliação dos impactos relacionadas ao meio biótico:

Aumento da pressão antrópica sobre a vegetação – Efeito negativos na área de inundação e


entorno. A retirada da vegetação pela abertura de vias de acesso, e do canteiro de obras. A maior
circulação de pessoas e de veículos na área de aumenta o risco de incêndios. Após o enchimento
do reservatório haverá a ampliação de áreas de pastagens ou agricultura. Estas pressões
antrópicas implicam em alteração na estrutura e na dinâmica das comunidades vegetais e na
redução da diversidade e dispersão de propágulos.

Alem disso, os desmatamentos podem causar a disseminação de algumas doenças devido à


possibilidade de dominiciliação de insetos e ao adensamento de animais no entorno do
reservatório.

Redução da vegetação por sobrelevação do nível de água no enchimento do reservatório –


Impacto permanente e irreversível na vegetação, atingindo uma área de 294 km2, sendo cerca de
15% de formações de florestas, 62% de cerrado e 23% de uso antrópico. A área a ser inundada
contém alguns locais com formações vegetais pouco freqüentes na região. Com alagamento
ocorrerá a redução da biodiversidade, o que torna esse impacto de grande importância.

Fragmentação de ambientes, conseqüências na vegetação – As matas ripárias da região


contém representantes da flora amazônica e atlântica, indicando a importância dessas áreas para a
disperção biológica. A formação do reservatório implicará na interrupção desta vegetação em um
trecho de aproximadamente 114 km no rio Tocantins e 54 km no rio Paranã, reduzindo as
possibilidades de dispersão de muitas espécies.

Alteração de ambientes, conseqüências na vegetação- Os novos ambientes formados no


entorno do lago terão características diferentes na faixa ribeirinha atual. O tipo de vegetação que se
estabelecerá e o tempo necessário para que as novas comunidades se instalem dependerão das
condições locais, como o tipo de solo, a presença de remanescentes próximos e a intensidade de
pressões antrópicas nessas áreas.

Perda de habitats e aumento da pressão antrópica sobre a fauna – O aumento de


desmatamento e de queimadas causam a redução e a alteração dos habitats naturais. Estas
perturbações tem como conseqüência a pressão sobre os animais desses ambientes. No caso das
matas de galeria, as espécies dependentes de floresta serão as mais afetadas. Com o aumento de
ambientes alterados, espécies oportunistas, de amplo espectro ecológico, tendem a ser
beneficiadas.

Redução de populações animais por sobrelevação do nível de água no enchimento do


reservatório – A inundação de uma ampla área representa um evento crítico para a fauna devido
ao alagamento de habitats. Espera-se a mortalidade de animais por afogamento, principalmente
aqueles de baixa mobilidade e que se deslocam a curtas distâncias. Outro grupo afetado serão os
animais dependentes de ambientes que serão submersos. Os indivíduos deslocados sofrerão
impactos secundários, decorrentes da perda do habitat e do deslocamento para ambientes onde
não estão familiarizados, aumentando a suscetibilidade à predação e à competição inter e
intraespecífica com a fauna do novo local.

Quanto às espécies de hábitos semi-aquáticos (lontra, jacaré, quelônios), deverão também


se deslocar para áreas a montante, podendo ocorrer redução de natalidade nos primeiros anos
após a formação do reservatório.

A alteração do regime hidrológico promoverá ainda o afastamento da população de botos


(Inia goeffrensis) presentes a montante do eixo. Isso agrava o processo de isolamento das
populações causado pela fragmentação, o que já está em curso devido às barragens implantadas e
em implantação no rio Tocantins.
Além disso, na área ocorrem espécies presentes na lista oficial de espécies ameaçadas de
extinção (Portaria nº 1.522/89): Myrmecophaga tridactyla, Chrysocyon brachiurus, Leopardus
pardais, Oncifelis wiedii, Lontra longicauda, Ozotocerus bezoarticus, Panthera onça, Puma
concolor, Anadorhynchus hyacinthirus.

Os impactos sobre a fauna podem ser considerados de grande importância devido às


perdas irreversíveis e à contribuição para a redução da variabilidade genética das populações.

Fragmentação de ambientes, conseqüências na fauna – Com a fragmentação das matas de


galeria algumas populações animais ficarão isoladas. Poderão ocorrer desequilíbrios na rede trófica
com desaproporção entre presas e predadores ou com pressão excessiva de herbivoria. Além
disso, o barramento do rio Tocantins causará a fragmentação do ambiente fluvial com o isolamento
das populações de botos (Inia geoffrensis) a jusante e a montante do lago. A perda e a
fragmentação de habitats é um impacto de grande importância por apresentar efeitos na
diversidade biológica.

Alterações da qualidade da água a montante – As principais causas da eutrofização em lagos


artificiais são decorrentes da degradação da vegetação inundada e da ocorrência de estratificação
térmica. No Reservatório do Peixe Angical são esperadas alterações mais pronunciadas durante a
etapa de enchimento e imediatamente após esta fase. Os resultados da simulação matemática
apresentada na avaliação de impactos ambientais mostram que haverá uma forte depleção de
oxigênio durante o enchimento. Embora em regiões tropicais pequenas variações térmicas possam
ser suficientes para impedir a mistura de água entre as camadas superficiais e mais profundas, a
baixa profundidade média (10m), aliada ao rápido tempo de renovação das águas (18 dias) do lago
dificultará o estabelecimento de estratificação térmica acentuada.

Com alagamento periódico de áreas rebaixadas, poderá ocorrer a proliferação de


macróficas em áreas restritas do reservatório e o conseqüente aparecimento de ambientes
propícios para hospedeiros de doenças como malária, febre amarela e dengue.

Na avaliação desses impactos não foi mencionada a passagem de ambiente Iótico para
lêntico no lago. Esse evento implicará significativas mudanças nas características físicas e
químicas da água, além da substituição das espécies fitoplanctônicas, perifíticas, zooplanctônicas e
bentônicas por populações melhor adaptadas às novas condições. Também ocorrerá o aumento da
produção primária no sistema. Para os ecossistemas aquáticos os impactos devem ser
considerados de grande magnitude e importância, pois as alterações são responsáveis por
drásticas mudanças em todas as comunidades aquáticas do local.

Alterações da qualidade da água a jusante – Durante a fase de construção da barragem são


esperadas alterações devido ao aporte de partículas sólidas que aumentam a turbidez, interferindo
nas comunidades planctônicas e bentônicas. Além disso, é importante considerar-se os poluentes
do lixo, do esgoto, do canteiro de obras e do descarte de óleos e graxas, devendo ser tomadas
medidas de controle.

As modificações de maior magnitude ocorrerão durante e após o enchimento, após as


características da água a jusante refletem as condições da água a montante.

Alterações nas comunidades de peixes a montante – O enchimento do reservatório vai


ocasionar a rápida ou até eliminação, de espécies antes presentes no trecho do rio. Essas
alterações a montante reflete também nos ambientes lóticos situados acima do lago.

Durante e imediatamente após o enchimento haverá a formação de compostos redutores,


com a conseqüente depleção do oxigênio dissolvido, podendo resultar nos seguintes efeitos na
comunidade de peixes: 1. asfixia; 2. aumento da sucetibilidade e doenças e predação de indivíduos
enfraquecidos; 3. alterações no comportamento e 4.aumento da pesca. O reservatório poderá levar
a um empobrecimento da ictiofauna em termos de diversidade. Também poderá ocorrer um
aumento significativo de biomassa.

Além das modificações na composição da ictiofauna, vai ocorrer ainda o isolamento das
populações devido a intransponibilidade da barragem. Devem-se adotas sistemas de transposição
de peixes para mitigar os impactos na reprodução e na migração.

Alterações nas comunidades de peixes e jusante – Durante a fase de construção deverão


ocorrer interferências na ictiofauna, pelo aumento da turbidez e pelo uso de explosivos, podendo
causar mortandades localizadas de peixes. Durante e após o enchimento a alterações na qualidade
da água a jusante também pode provocar interferências na comunidade de peixes.

Quanto às variações no nível de água a jusante, sabe-se que estas causam efeitos
negativos na ictiofauna, pois interferem na sincronização entre o fenômeno reprodutivo e o nível do
rio, além de danificar os ovos aderidos na vegetação marginal. No caso específico da AHE de
Peixe, essas variações serão diárias e da ordem de um metro, sendo mais pronunciadas na época
da estiagem.

Comentários

Com relação ao EIA/RIMA apresentado, cabe ressaltar que a qualidade da documentação


apresentada, a qual subsidiou o licenciamento ambiental no estado de Tocantins, não atende aos
requisitos mínimos adotados pelo IBAMA para subsidiar uma avaliação precisa do impacto qu
deverá advir com a implantação da UHE Peixe Angical. Tendo em vista que os levantamentos do
meio biótico foram realizados sem atender à sazonalidade, não foram apresentados dados
quantitativos da fauna para subsidiar o seu monitoramento. Como o diagnóstico foi baseado em
dados secundários e superficiais, não retrata adequadamente a situação real da área de influência
do empreendimento. Portanto, a avaliação dos impactos da futura hidrelétrica foi subdimensionada,
considerando que os levantamentos não abrangem uma porção representativa de todos os
ambientes. Assim, após a complementação dos levantamentos referentes ao meio biótico os
programas ambientais propostos deverão ser reformulados.

Programas Básicos Ambientais:

Foram propostos sete programas ambientais para mitigar os impactos relacionados ao


meio biótico, os quais serão analisados e comentados, conforme apresentado a seguir:

 Levantamento e Manejo da Flora

 Desmatamento e Limpeza do Reservatório

 Levantamento, Acompanhamento e Manejo de Fauna

 Monitoramento Limnológico

 Monitoramento e Conservação da Ictiofauna

 Unidades de Conservação

 Faixa de Proteção do Reservatório

1. Programa de Levantamento e Manejo da Flora

Os objetivos propostos forma de documentar a flora local, formando coleções científicas de


referência, depositadas em Herbários oficiais; e estrutura da vegetação e a diversidade das
comunidades vegetais e comparar com outras localidades de Cerrado: promover o aproveitamento
científico do material botânico da área que será alagada; fornecendo subsídios para programas de
recuperação e de proteção ambiental; identificar espécies prioritárias para resgate; e propiciar o
resgate de propágulos e a conservação, em parte, da variabilidade das populações locais de
espécies consideradas prioritárias.

O programa apresenta as ações para o Resgate de Germoplasma as quais serão


desenvolvidas nas diversas etapas: fase inicial de construção, na área do Canteiro de Obras, fase
final de construção, quando serão realizados os desmatamentos, no enchimento do reservatório e
durante a operação da usina. Para o resgate serão selecionadas áreas prioritárias onde serão
efetuadas as ações estabelecidas no programa. As ações e critérios fundamentados nos trabalhos
pro Cavalcante % Bueno (1966) e Walter (1996).

Convém ressaltar que esse programa deverá ser desenvolvido concomitantemente com os
levantamentos adicionais para complementar a caracterização da vegetação ocorrente na AII.
Deverá contemplar os demais substratos herbáceos, arbóreos e arbustivo, bem como plantas
epífitas.

Deverá ser apresentado previamente ao IBAMA a seleção das áreas para levantamento
complementar da flora, visando a avaliação de sua representatividade. Tais áreas deverão estar
plotadas em mapas topográficos, para melhor detalhamento da cobertura vegetal.

Os levantamentos realizados na área de influência do empreendimento deverão ser


publicados como trabalhos científicos.

2. Programa de Desmatamentos e Limpeza do Reservatório

O programa apresenta objetivos que visam reduzir a eutrofização cultural e/ou acidificação
do futuro reservatório em decorrência da decomposição da vegetação submersa, processos estes
que podem levar ao desequilíbrio e colapso na rede alimentar, além da diminuição da vida útil da
turbinas de geração de energia.

Outra meta é que durante o processo de desmatamento da área de inundação estes


deverá ser realizado de forma gradativa para induzir a movimentação prévia e gradual da fauna
terrestre pra fora da área prevista para inundação.

Propõe que a limpeza e primordial para eliminar potenciais focos de contaminação das
águas por organismos patogênicos.

Eliminar obstáculos que possam limitar o uso múltiplo do reservatório, principalmente no


que refletir-se na segurança do público usuário, bem como evitar a formação de “paliteiros” em
localidades de interesse paisagístico, contribuindo para a valorização cênica da paisagem
resultante.

Promover o aproveitamento racional do material lenhoso presente na área prevista para


inundação.

Entre as ações ressalta a necessidade de orientar os proprietários lindeiros para o


aproveitamento de madeira da área oriunda de desmatamento do Canteiro de Obras, porem o
empreendedor relata que somente executará o desmatamento nas áreas de formações de floresta
e ares prioritárias, e que nas áreas de cerrado será feito pelos proprietários lindeiros.
Deverá ser apresentado uma modelagem para estimar o quantitativo da área com
cobertura vegetal que deverá ser suprimida.

3. Programa de Levantamento, acompanhamento e manejo de fauna

A proposta do programa contempla o registro da composição da fauna e o monitoramento


de algumas espécies antes, durante e após o enchimento do reservatório. Já os resgates (nas
fases de desmatamento e enchimento) visam o atendimento de instituições de ensino/pesquisa e o
apoio a solturas e adensamentos experimentais.

Para realizar o monitoramento das populações deslocados e das populações que


atualmente vivem nas áreas de provável soltura, são necessários levantamentos quali-quantitativos
da fauna dessas áreas antes do desmatamento local e enchimento do lago. No programa foram
citadas regiões para a seleção de áreas prioritárias para pesquisa divididas em 4 setores.
Entretanto não foram feitos levantamentos da fauna nessas localidades.

As ações de desmatamento devem ser realizadas no sentido das margens do rio para fora,
ou seja, das cotas mais baixas em direção às mais elevadas, como propostos nesse programa.
Esse procedimento possibilita a indução do deslocamento do maior número possível de animais,
reduzindo as densidades populacionais na área a ser alagada e adensamento gradualmente os
remanescentes do entorno do futuro lago ou áreas de soltura.

Os levantamentos e estudo foram organizados em seis ações: seleção da áreas prioritárias


para pesquisa, levantamento da fauna terrestre, projetos de pesquisa e monitoramento, resgates
durante os desmatamento, resgate durante o enchimento do reservatório, relatórios e
monitoramento após a soltura. Essas ações devem ser realizadas com o conhecimento e
autorização prévia do IBAMA, de acordo com as propostas de estudo apresentadas. De acordo
com o programa ambiental, a interação com órgão ambientais incluirá não apenas a solicitação de
autorização de coleta, mas também na participação na seleção da eventuais áreas de soltura, no
estabelecimento de quantitativos de material zoológico a ser enviado a instituições, bem como de
diretrizes de acompanhamento e de fiscalização.

É importante ressaltar que será necessária a reapresentação do EIA, incluindo um


levantamento quali-quantitativo da fauna em uma área mais representativa que permita a
caracterização de fauna terrestre da ADA e da AII. Esse levantamento deve ocorrer nos períodos
de chuva e de seca antes do início do desmatamento.

Adicionalmente as considerações acima elencadas, deverão ser acrescidas as


complementações reportadas no Parecer nº 001/2002-CGFAU/LIC, de 02.12.02, que trata das
diretrizes que deverão ser adotadas no âmbito do Programa de Levantamento, acompanhamento e
manejo de fauna.
4. Programa de Monitoramento Limnológico

A formação de reservatórios altera as características limnológicas devido à transformação


de ambiente lótico para lêntico ou semi-lêntico. A magnitude dos impactos depende das
características pré-existentes e daquelas do ambiente a ser formado, principalmente quanto aos
relacionados à área inundada, volume, tempo de residência, configuração morfométrica, pecentual
da vegetação inundada e, ainda, das características da barragem e da operação.

Como medidas mitigadoras de impactos devem ser realizados monitoramento periódicos


das características físicas e químicas da água em estações de amostragem nos rios Tocantins,
Paranã e seus principais afluentes a montante e a jusante da barragem.

Os pontos de coleta e os parâmetros físicos, químicos e biológicos a serem monitorados


para as fases 1 (construção) e 2 (enchimento do reservatório e operação) apresentados no
programa são de extrema relevância no monitoramento limnológico da área. Essas medições
possilitarão realizar prognósticos da qualidade da água de acordo com os padrões propostos na
Resolução CONAMA no 20 e atingir a maior parte dos objetivos propostos no programa ambiental.
Entretanto, as freqüências de amostragem não são suficientes para a finalidade do programa,
sendo necessárias amostragens mais freqüentes na maior parte dos programas.

Durante toda a 1ª fase (construção), deverão ser realizadas coletas quinzenais de todos os
parâmetros de rotina apresentados nesse programa, incluindo análise das comunidades de
fitoplâncton, zooplâncton e bentos, bem como análise de metais pesados. Essa medições
quinzenais são necessárias apenas nos pontos rio Tocantins acima da barragem, rio Tocantins
abaixo da barragem e um ponto extra situado exatamente no rio ao lado do local das obras.

Durante a 2ª fase do monitoramento limnológico (enchimento e operação) a freqüência de


amostragem de todos os parâmetros (inclusive agrotóxicos e metais pesados) deve ser mensal.

Além disso, foram propostas análises de plâncton, bentos, agrotóxicos e metais pesados
em um número reduzido de pontos de coletas e com menor freqüências em relação às variáveis
físicas e químicas, tanto na fase de construção quanto de enchimento e operação da usina. Não
foram apresentadas as justificativas para a realização desse número reduzido de amostragens.

A determinação da produção primária deve ser realizada em um número maior de pontos


de coleta no reservatório e com freqüência mensal durante toda a fase de enchimento do
reservatório e operação.

Não foi apresentado um programa que objetivos encontrar os locais de maior


desenvolvimento da macrófitas aquáticas e avaliar o seu desenvolvimento. Além disso,m no PBA II
não são verificadas que serão empregadas para evitar a proliferação dessas plantas.
O enchimento do lago vai inundar o ambiente terrestre com a conseqüente submersão de
plantas e animais. Toda essa matéria orgânica vai contribuir para o enriquecimento de nutrientes no
reservatório. A concentração de matéria orgânica no lago será uma determinante da eutrofização
do ambiente. A baixa qualidade de água tem reflexos nas comunidades e também na duraabilidade
dos equipamentos da usina. Assim, é de extrema importância o cálculo da área a ser desmatada.

5. Programa de Monitoramento e Conservação da Ictiofauna (PBA -12)

O programa de monitoramento de ictiofauna proposto no AHE Peixe Angical visa


acompanhar as alterações que ocorrerão na comunidade de peixes após a formação do
reservatório. O programa consiste de estudos e medidas que serão implantadas no decorrer da
construção da obra, com continuidade durante a operação da usina.

Nesse programa foram citados 9 pontos de coleta para o monitoramento durante as obras
e após o enchimento. No entanto, não há justificativas para a escolha desses pontos. Uma
alternativa seria a realização de amostragens nos pontos onde serão realizadas as amostragens
limnológicas. Deve-se ainda acrescentar pontos de coleta em tributários dos rios Paranã e
Tocantins.

Quanto ao período reprodutivos, foi observada uma maior intensidade no período de cheia,
quando ocorreu a maior freqüência de indivíduos em reprodução ou que já se reproduziram.
Entretanto, ao longo do EIA/RIMA foram citadas evidências de várias espécies que apresentam
reprodução na época de estiagem, incluindo algumas espécies migratórias. Assim, são necessários
estudos a respeito dos locais de reprodução ao longo de todo o ano e não somente de outubro a
abril como foi proposto no programa ambiental, além do monitoramento contínuo da escada para
peixes na barragem e da ictiofauna dos tributários nas fases de enchimento e operação.

Os estudos sobre as comunidades de peixes e identificação de áreas de desova e


criadouros naturais devem iniciar já no primeiro bimestre de 2003.

6. Programa da Unidade de Conservação

O presente programa tem por objetivo apresentar a proposta de repasse financeiro


correspondente aos 1,5% do valor da Obra ‘a área selecionada para a destinação dos recursos e
os critérios que nortearam tal escolha, bem como as formas de alocação desses recursos
financeiros.

Considerando o impacto significativo que os empreendimentos hidrelétricos tem


ocasionado na bacia do rio Tocantins, é de suma importância a implantação de uma Unidade de
Conservação na área de inserção desse empreendimento. Deverá ser considerada com prioridade
a área adjacente ao rio Alma, situado a jusante do barramento da UHE de Peixe. Este rio encontra-
se bastante preservado, retratando uma fitofisionomia similar ao trecho do rio Tocantins que será
afetado.

Ressalta-se que os licenciamentos de significativos impacto ambiental são submetidos a


Coordenação Geral de Unidades de Conservação – CGUC para o cálculo do valor do grau de
impacto, a luz do artigo 36 da Lei 9.985/2000.

A Coordenação encaminhou o Parecer Técnico nº 0025/2002/CGLIC – SAGIA relatando


que a análise final do grau de impacto ambiental resultou num valor final correspondente a 2,92%
dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento, atribuído a título de
compensação ambiental. A destinação da área onde serão aplicados tais recursos será
estabelecida pela Diretoria de Ecossistemas, no prazo de 60 dias após a emissão da LI.

7. Programa de Faixa de Proteção do Reservatório

A implantação e manejo de uma Faixa de Proteção do Reservatório têm como objetivo


principal compatibilizar o aproveitamento dos recursos hídricos para geração de energia e a
conservação ambiental disciplinando-se usos do solo no entorno do reservatório.

O programa propõe com metas específicas compensar parcialmente a perda de vegetação


nativa causada pela inundação, por meio de recuperação natural e revegetação de áreas
prioritárias, reduzindo os eventuais processos erosivos e instabilização de áreas marginais
colaborando assim para a preservação de recursos hídricos.

Essas diretrizes têm por fim estimular a proteção e a recuperação da vegetação,


proporcionando condições mínimas para o estabelecimento de processos naturais e recuperação
da cobertura vegetal, de forma a favorecer a fauna local (terrestre e aquática) com abrigo e
recursos tróficos.

Promover a valorização cênica de localidades próximas a áreas urbanas, disciplinando as


restrições de uso na Faixa de Segurança;

Compatibilizar atividades como lazer, eco-turismo, e outros usos eventuais com a


conservação dos recursos ambientais.

Esse Programa trata de um instrumento de planejamento e gestão dos múltiplos usos das
águas e do solo nessa região, tendo características de um documento técnico, de natureza
multidisciplinar, orientado para uma abordagem ampla de todas as questões pertinente. Estabelece
diretrizes e proposições de ações que assegurem a preservação dos recursos naturais, bem como
articulação das políticas de desenvolvimento sustentável e de gestão descentralizada e participativa
dos recursos hídricos.
Convém destacar que o desenvolvimento desse programa visa, necessariamente, atender
às determinações do CONAMA, respeitando-se a Resolução 302/02, que dispõe sobre os
parâmetros, definições de limites das Áreas de Preservação Permanente e regimes de uso e
ocupação do entorno de reservatórios artificiais.

Conforme o Art. 4º da mencionada Resolução CONAMA nº 302/2002, o empreendedor, no


âmbito do procedimento de licenciamento ambiental, deve elaborar o plano ambiental de
conservação e uso do entorno de reservatório artificial em conformidade com o termo de referência
expedido pelo órgão ambiental competente, para os reservatórios artificiais destinados à geração
de energia e abastecimento público, cabendo ao respectivo órgão ambiental competente aprovar tal
plano a partir da realização de consulta pública.

Portanto, uma das condicionantes da Licença de Instalação é exigir que o empreendedor


“apresente o Plano, num prazo máximo de 60 dias, contados a partir da emissão do respectivo
Termo de Referência a ser elaborado pelo IBAMA”

Meio Sócio-Econômico

O Estudo de Impacto Ambiental definiu como campo de trabalho para o diagnóstico da


sócio-economica duas áreas, a Área de Influencia Indireta (AII) e a Área Diretamente Afetada
(ADA). A primeira abarca cinco municípios (Palmeirópolis, Paranã, Peixe, São Salvador do
Tocantins e São Valério da Natividade) e menciona Gurupi para alguns aspectos específicos,
sendo todos este municípios Tocantinenses. A segunda (ADA) delimita apenas as áreas inundadas,
acrescidas atéa cota 270,00m e as áreas necessárias à execução das obras.

Os mapas apresentados localizado estas áreas não permitem visualizar com clareza a ADA
com relação a cota indicada. Conseqüentemente não é possível identificar a área estudada para a
elaboração do diagnóstico.

Também não foram definidos os critérios utilizados para a delimitação desta áreas,
principalmente da ADA. A Vila do Retiro, destrito do município de São Salvador e a área urbana
deste município não são consideradas em sua totalidade áreas diretamente afetadas, mesmo
sofrendo todo o processo de mudança social e cultural com a formação do reservatório. Infere-se
para esta foram consideradas tão somente as áreas desapropriadas, canteiro de obras e
reservatório (conforme definições no item II-análise-AI, pág deste parecer).

É importante observar que as sedes municipais de Peixe e São Valério também deveriam
estar consideradas na ADA, pois receberão impactos diretos decorrentes da implantação do
empreendimento, tais como aumento populacional com pressão nos serviços sociais e
equipamentos de infra-estrutura.
No que concerne a AII os estudos foram feitos com base em dados secundários,
complementados com levantamentos de campo. Não foram apresentados descrições destes
levantamentos ou informações sobre a metodologia empregada.

Quanto ao uso e ocupação do solo, o estudo verificou que a principal ocupação na AII é
agropecuária, notadamente a criação extensivas de bovinos. As áreas dedicadas à agricultura
correspondem a menos de 1% da área destinada à agropecuária. O predomínio na região é de
grandes propriedades (latifúndios). A maior parte da área de lavoura refere-se a culturas
temporárias com destaque para a produção comercial de arroz e milho, além de culturas de
subsistência.

A região apresenta perda de sua população rural com concentração da propriedade de


terras, sendo que entre 1970 e 1995 os grandes estabelecimentos aumentaram de 43,3% para
57,1% sua participação na área total explorada (ver EIA pág 2-12). Dentro da AII verifica-se uma
diferença entre Palmeirópolis (predomínio de minifúndios) e Paranã (predomínio de latifúndios).
Destaca-se que de acordo com o INCRA são consideradas grandes propriedades aquelas acima
de 640 h.

Para os municípios que terão perda significativa de território, verifica-se uma predominância
de pequenos imóveis rurais no município de São Salvador, enquanto no município de Paranã existe
um maior número de grandes imóveis (EIA pág 2-12). Praticamente inexiste atividade industrial na
região afetada, executando-se Gurupi.

O setor terciário é constituído por pequenos estabelecimentos comerciais, com pouca


diversidade. Dentre os municípios afetados, os que apresentam melhores ofertas de serviços são
Palmeirópolis e Peixe, com respectivamente 3 e 1 agências bancárias.

No que tange ao potencial turístico da região, verificou-se que os núcleos urbanos e Peixe
e Paranã contam com testemunhos do período colonial. Em Peixe existe a proximidade de praia
fluvial, privatizada, com 3 km2 de areia branca onde se pratica pesca, canoagem e campismo.

Ainda em Peixe, voltado para o ecoturismo, existe uma praia, local de desova de
tartarugas, distante 15 minutos de barco, bem como o arquipélogo do Tropeço, formado por 366
ilhas no rio Tocantins.

No município de Paranã existem praias naturais no rio Paranã, bem como fontes terminais
na encosta da Serra da Caldas (de difícil acesso e distante 42 km. da sede municipal.). As praias
mencionadas contam com infra-estrutura temporária na estação turística enquanto que em São
Salvador do Tocantins a Praia da Liberdade praticamente não consta com estrutura, servindo
basicamente ao lazer dos moradores locais.
O estudo considera que as condições da infra-estrutura turística são bastante precárias em
toda região da AII, devido à falta de acessos viários de qualidade, alternativas de hospedagem,
mão-de-obra treinada e condições sanitárias.

Em Palmeirópolis existem cinco hotéis (sendo apenas um considerado satisfatório),


enquanto Paranã conta com dois hotéis, considerados superiores aos de Peixe. Gurupi, às
margens da Rodovia Belém-Brasília é pólo regional (mas considerado fora da AII) existem 8 hotéis
e pousadas, restaurantes e terminal aeroviário secundário.

Em nenhum dos municípios da AII existe sistema de esgotos em operação, sendo que
Peixe dispõe de um sistema instalado, o qual não está operando por falta de estação de tratamento
cuja implantação não tem data prevista.

O sistema de abastecimento de água atende 100% das populações urbanas de Peixe,


Palmeirópolis e São Salvador do Tocantins, e 90% das de Paranã e São Valério da Natividade.

Em Palmeirópolis, a captação de água é superficial com tratamento por cloração e 1.500


ligações. Em Peixe, a captação é feita através de três poços, não sofrendo tratamento e atendendo
a cerca de 900 ligações ativas.

Em São Salvador e São Valério, a captação também é feita em poços e sem tratamento,
atendendo, respectivamente, a 300 e 630 ligações. Em Paranã, a água para abastecimento público
é feita no rio Palma, com estação de tratamento tradicional e aproximadamente 860 ligações.

Quanto às finanças públicas municipais, a arrecadação apresenta baixos volumes devido à


reduzida e pouco diversificada atividade econômica, e em todos os municípios da região a maior
fonte de receita é o Fundo de Participação dos Municípios. Esta participação varia de 69,9% em
Palmeirópolis (aonde existem atividades econômicas mais estruturadas) a 96,9% em São Salvador
do Tocantins.

Esta situação de receitas reflete-se na baixa capacidade de investimentos e de oferta de


serviços públicos à população dos municípios constantes da AII. O EIA/RIMA não detalha ou
quantifica o aumento da arrecadação para os municípios advindo do pagamento de “royalties”
sobre a produção de eletricidade.

No que concerne à dinâmica demográfica, o estudo indica que o município de Gurupi


apresenta atualmente uma taxa anual de crescimento (2,66%) semelhante à média estadual de
2,66%, sendo acima da média nacional de 1,38% a.a. Este crescimento deve-se em grande parte a
fluxos migracionais, sendo que em 1996 verificou-se que 10.445 moradores haviam se mudado
para a cidade após 1991, sendo 575 oriundos de outros estados.
Entretanto, o conjunto da AII perdeu 3.886 pessoas de sua população total entre 1991 e
1996, sendo que o crescimento urbano não foi suficiente para compensar a perda na área rural.
Embora ainda exista predomínio de população rural, observa-se um crescimento acelerado do grau
de urbanização, notadamente em Palmeirópolis. Verifica-se ainda um aumento da população
inativa (de jovens e idosos) com relação à população potencialmente ativa, na proporção de 71
para 100).

Observa-se também um elevado percentual de habitantes com baixos índices de instrução


na AII, especialmente na área rural. Em Paranã chegam a 85%os adultos considerados analfabetos
funcionais. Estes baixos índices constituem um fator limitador de mão-de-obra qualificada, podendo
provocar marginalização em relação ao processo produtivo.

Entretanto, estes fatores negativos podem ser reduzidos com o aumento verificado no
número de crianças freqüentando escolas dos municípios em questão.

Quanto aos indicadores de saúde, o EIA/RIMA constatou a precariedade das condições


sanitárias nos municípios em questão, sem, entretanto, apresentar matrizes atualizadas e
compreensivas dos atendimentos na rede pública. Não foi mencionado tratar-se de região
endêmica de doenças infecto-contagiosas, sendo conhecida na década de 80 como área
problemática de malária e palco de epidemias de febre-amarela e doenças de Chagas.

Quanto aos estudos relativos à ADA, foram realizados com base em pesquisas efetuadas
diretamente no campo objetivando a caracterização da população afetada, os estabelecimentos
existentes e as atividades neles desenvolvidas. Esta pesquisa foi realizada com a aplicação de
questionários junto às populações afetadas, entretanto não foi descrita em termo que possibilitem
uma avaliação da metodologia e da representatividade de amostragem, seja quanto às atividades
econômicas ou quanto às características sociais ou educacionais dos entrevistados. Também não
foram apresentadas cópias dos questionários aplicados.

Os mapas apresentados, identificando os núcleos urbanos afetados pelo reservatório,não


indicam a localização da cota 270,00, limite definido para os estudos da ADA.

O diagnóstico apresenta um levantamento das propriedades rurais e urbanas afetadas pelo


reservatório, as quais são quantificadas e identificado o número de famílias residentes, bem como
as atividades econômicas realizadas em cada propriedade, sua situação fundiária e benfeitorias.
De acordo com os estudos serão afetados 204 estabelecimentos rurais (em sua maioria nos
municípios de São Salvador e Paranã) com 223 famílias residentes, entre proprietários, parentes e
funcionários.

A formação do reservatório afetará parte das áreas urbanas de Paranã e São Salvador,
utilizadas basicamente para fins residenciais, afetando 131 propriedades e 56 famílias residentes.
Serão afetadas ainda 18 edificações institucionais nas áreas rurais e 2 nas áreas urbanas,
incluindo-se 13 cemitérios simples, 2 escolas municipais, 1 igreja católica e 1 estação pluviométrica
de Furnas. Cabe observar que estes dados conflitam com os apresentados no PBA 28 que trata de
Recomposição dos Serviços Sociais.

Não foram mencionados no diagnóstico atividades de pesca nem na ADA nem na AII,
sendo entretanto regular o uso do Rio Tocantins pela população urbana para coleta de água,
lavagem de roupa e lazer.

Não foram mencionados os Indicadores de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU para a


região. Entretanto, sabe-se por estudos recentes que a região apresenta IDH entre 0 e 0,5000, o
que significa baixo desenvolvimento.

Para o levantamento do patrimônio arqueológico, histórico e cultural foi realizada pesquisa


de campo e levantamento bibliográfico. Os dados levantados confirmaram a existência na região
de um significativo patrimônio arqueológico pré-colonial e histórico, “de grande importância para a
compreensão dos processos de povoamento do Brasil Central” (EIA/RIMA, pág. 4.21).

Comentário ao diagnóstico sócio econômico

Um projeto do porto da UHE de Peixe em uma região com baixos índices de densidade
demográfica e reduzido desenvolvimento econômico apresenta relevantes impactos sócio-
econômicos que transcendem o período de sua implantação. A região estudada (AII), trata-se de
uma das mais pobres do país, sendo que a população rural da área de influência constitui-se a
partir de grupos étnicos diferenciados e que tiveram em comum uma situação sócio-econômica
extremamente desfavorável. As atividades predominantes de trabalho rural estão relacionadas à
agricultura de subsistência, especialmente milho e feijão e pequenos serviços prestados, assim
como à pecuária extensiva.

Neste aspecto, o diagnóstico foi bastante superficial, não apenas deixando de indicar as
metodologias utilizadas como também não apresentados os questionários, tabelas e resultados dos
entrevistas realizadas.

Também não foram apresentadas estudos relativos aos aspectos culturais da intensa
relação da população local com rio. Em todo o diagnóstico, esta relação e apenas mencionada em
um parágrafo. Não obstante, de um modo geral, o rio Tocantins vem sendo tradicionalmente
utilizado pela população local para abastecimento, lavagem de roupas, pesca, bem como atividade
de lazer e dessedentação de animais domésticos. Estudos recentes indicam que a pesca artesanal
no rio Tocantins é importante fonte de complementação alimentar.
Além disso, não foram consideradas as expectativas da comunidade com relação à
mudança do uso do rio em relação, aos seus modos de vida tradicionais. Assim, de alguma forma a
avaliação dos impactos ficou prejudicada.

É importante observar que foram citadas como áreas urbanas diretamente afetadas apenas
parte da vila do Retiro, parte da sede do município de São Salvador e a orla de Paranã. No entanto,
durante sobrevôo de vistoria, foi identificada uma vila, ou povoado, na margem esquerda do rio
Paranã (do lado oposto à cidade de Paranã, próxima a esta). Este local não é mencionado no
diagnóstico, mesmo estando provavelmente dentro da cota 270 m.

Cabe reforçar que os mapas apresentados, com as áreas urbanas afetadas, não
identificaram a cota 270 m limite para os estudos da ADA, fato que prejudica o entendimento da
sua abrangência, principalmente no que se refere a esta vila próxima a Paranã.

Por meio destes mapas também foi possível identificar a existência de uma lagoa na vila do
Retiro, próxima ao rio Tocantins, a qual não é mencionada no diagnóstico. Devido a proximidade da
vila,é possível haver a sua utilização pela população local para pesca e outros usos.

É de suma importância destacar que o diagnóstico negligencia inteiramente a ocorrência


dos fluxos migracionais de vastos contingentes atraídos pela possibilidade de trabalho direto e
indireto durante a construção da UHE, contingentes estes não estão incluídos nos números
apresentados de trabalhadores diretos e indiretos. Entretanto, a ocorrência deste fluxo é certa e
inevitável, já ocorrendo atualmente no município de Peixe, causando sérios impactos na já precária
oferta de serviços públicos.

A tabela abaixo retirada do PBA 17 (adequação da Infra-estrutura Social), retrata apenas a


população flutuante oriunda dos empregos diretos e indiretos, ignorando os fluxos migracionais
adicionais. Mesmo sem considerar os fluxos adicionais estes municípios estarão recebendo um
acréscimo superior a 50% da sua população urbana.

Cidades População total Pop. urbana Pop. Flutuante Pop.


flutuante

esperada urbana

Peixe 8.763 3.671 2.200 59,9%

São Valério da 5.057 2.241 1.230 54,9%

Natividade
Também foi superficial o diagnóstico das condições sanitárias da região, não mencionadas
a existência prévia de epidemias de malária, febre amarela e doença de Chagas, e a possibilidade
de usa propagação, por se tratar de região endêmica e onde ocorrerão fluxos populacionais aliados
à transformação drástica do meio ambiente.

Avaliação dos impactos relacionados ao meio sócio-econômico:

Ao todo foram relacionados e avaliados no EIA/RIMA quatro modalidades de impactos


sócio-ambientais, totalizando vinte impactos relacionados com o meio sócio-econômico, sendo
apenas quatro considerados positivos e os demais negativos, a saber:

 Alteração da organização territorial, tendo-se:

 Interferência com a infra-estrutura existente (-).

 Interferência com áreas urbanas (-).

 Interferência com edificações institucionais (-)

 Alteração de Modos de Vida

 Atração de contingentes populacionais (-)

 Geração de expectativas e insegurança na população (-)

 Transtornos à população ocasionados pelas obras (-)

 Deslocamento compulsório da população rural (-)

 Deslocamento compulsório da população urbana (-)

 Pressão sobre o equipamentos sociais e infra-estrutura (-)

 Alterações na condições da saúde da população (-)

 Alterações da Base Econômica

 Criação de novos postos de trabalho e aumento da massa salarial (+)

 Especulação imobiliária (-)

 Animação econômica dos núcleos urbanos com aumento da demanda (+)


 Aumento da arrecadação pública (+)

 Interferência com atividades econômicas rurais e urbanas com perdas de terras pela
formação de reservatório (-)

 Redução do número de empregos e da massa salarial após a conclusão das obras (-)

 Redução da animação econômica após a conclusão das obras (-)

 Perdas de locais de lazer e de oportunidades de ocupação temporária (-)

 Recuperação e potencialização da atividade turística (+)

 Alteração do Patimônio Arqueológio e Cultural

Quanto ao impacto “Interferências sobre a infra-estrutura existente”, trata-se daqueles


relacionados às rodovias, pontes e acessos às propriedades. Descreve este impacto como de
média magnitude e média importância, mas não descreve as suas conseqüências no caso dos
acessos as propriedades. Também não informa quantas propriedades serão afetadas. Este
conhecimento permitiria avaliar melhor sua importância e magnitude.

Ao abordar a modalidade de impacto “Modos de Vida”, não lista entre os impactos o


Aumento do Fluxo Migratório para estas cidades. Apenas considera no impacto “Atração de
contingentes populacionais em busca de trabalho” a população que será atraída pela oferta de
empregos direto e indiretos num total de 5.200 trabalhadores (2.600 diretos e 2.600 indiretos).
Observa-se também que esta soma corresponde ao número de trabalhadores empregados fora do
pico da obra. Considerando este dado o número subiria para 6.100 trabalhadores. Subtraído deste
total os 1.800 trabalhadores que residirão no canteiro de obras teremos, 4.300 operários a serem
distribuídos entre as cidades de Peixe, São Valério da Natividade e Gurupi.

É sabido que os empregados diretos serão ocupados por operários treinados e com
experiência em barragens, profissionais estes que virão de fora. A avaliação considera como
empregos disponíveis para a população local apenas os indiretos.

A avaliação deste impacto e a distribuição da população nos municípios foram embasados


em “experiência de aproveitamentos hidrelétricos em andamento na região”. Essa “experiência”
deveria ser utilizada também para aferir quanto ao fluxo migratório que não será empregado nas
obras, mas que, no entanto causará sobrecarga na infra-estrutura local, aumento de violência,
marginalização e favelização, entre outros.
Sugere o estudo, para minorar este impacto, um programa de comunicação social e
emprego preferencial da mão de obra local. Entretanto, como mencionado anteriormente, a
população economicamente ativa do município é inferior ao necessário, além de não estar
capacitada profissionalmente para o trabalho.

Este impacto, aliado ao da “Redução da Animação Econômica após a Conclusão das


Obras”, acarretará certamente em problemas sócio-ambientais que não podem ser mitigados
apenas com um programa de Comunicação Social.

Ainda quanto às alterações nos “Modos de Vida”, não foi mencionado ou avaliado o
impacto cultural da perda do contato cotidiano com o rio das populações rurais e urbanas,no que
concerne aos seus hábitos de higiene, lazer, abastecimento e alimentação.

O estudo subestima o impacto do empreendimento sobre os “Equipamentos Sociais e


Serviços de Infra-estrutura existentes em Peixe e São Valério”, principalmente no que concerne
escolas, saneamento e saúde, conforme verificaremos na análise dos PBA´s.

Quanto aos impactos positivos, são listados apenas quatro, dentre os vinte, sendo três
relacionados ao aumento de arrecadação pública. Todavia o estudo não quantifica este possível
aumento.

Programas Básicos Ambientais:

1. Programa de Aquisição de Terras

Este programa tem como objetivo indicar aos empreendedor as ações a serem realizadas
para a aquisição de 30.370 há afetados pela formação do reservatório e 4.134 há necessários à
instalação do canteiro. As ações mencionadas são: Esclarecimento aos Proprietários; Demarcação
Topográfica; Avaliação de terras e Benfeitorias e Aquisição de Imóveis.

De acordo com o último relatório de andamento dos Programas as terras necessárias à


implantação do canteiro já foram adquiridas, sem no entanto informar como foram as tratativas.
Considera como ações emergenciais a informação à Comunidade afetada e os trabalhos de
demarcação topográfica, devido à necessidade de definir os espaços para plantio.

Deve-se considerar que a ação de Esclarecimento aos Proprietários não esta contemplada
no Programa de Educação Ambiental. Este PBA apenas menciona o Programa de Comunicação
Social como meio de esclarecimento. Dessa forma este item deverá ser reformulado para que
cumpra o seu objetivo.
2. Programa de Adequação da Infra-estrutura Social

Este programa tem por fim adequar a infra-estrutura existente às pressões decorrentes do

aumento populacional e de serviços durante o período da obra. Houve um significativo sub-

dimensionamento da demanda de serviços e seus impactos, o que torna os planos de ação não

apenas insuficientes mas, para alguns impactos simplesmente inexistente.

A não consideração dos fluxos migracionais paralelos aos de empregados diretos e

indiretos da obra não permite prever com clareza a totalidade dos impactos. Como exemplo,

podemos citar a previsão de aumento das vagas necessárias em escola, prevista neste PBA em

um total de 660 no pico das obras em toda a AII. Neste momento, a prefeitura de Peixe já acusa

um aumento 700 alunos somente naquele município, ocasionando sérios problemas estruturais e

financeiros (Ofício nº 421/02/GAB/PMP de 05/11/2002).

Deverão ser modificados os planos de ação no que concerne a:

a. Abastecimento de Água:

b. Lixo:

c. Habilitação

d. Segurança Pública

e. Educação

f. Lazer, recreação e esportes

Estes planos dimensionar adequadamente a demanda incremental, para permitir o cálculo

correto de perfurações de poços e extensão da rede de distribuição, aquisição de equipamentos de

coleta de lixo, aumento do número de salas de aula e contratação de profissionais.

3. Programa de Relocação Urbana


Este Programa tem três objetivos básicos, sendo estes: promover a relocação da

população urbana afetada dos municípios de Paranã (7), São Salvador do Tocantins (14) e do

distrito de São Salvador, a vila do Retiro (34); adequar de forma visual e funcional as áreas urbanas

afetadas e implantar um sistema de abastecimento de água na vila do Retiro. Para tanto, o

programa é dividido em três sub-programas: 1-Relocação da População Urbana, 2-Adequação

Urbanística da Borda do Reservatório e 3 – Sistema de Saneamento na vila do Retiro.

Para a Relocação da População Urbana, o programa estabeleceu três grupos de

Tratamento para atenderem às 55 famílias distribuídas nos 130 lotes afetados (população 227)

pessoas).

O Grupo dos Proprietários não Residentes, o programa estabeleceu como única opção a

compra do imóvel pelo valor de mercado. São 79 imóveis nesta condição sendo 51 em Paranã, 13

em São Salvador e 15 na Vila do Retiro.

O Grupo dos Proprietários Residentes, que totalizam 42 famílias (3 em Paranã. 09 em São

Salvador e 28 na vila do Retiro), serão remanejados ou indenizadas em dinheiro ou receberão

Carta de Crédito no valor do custo do reassentamento urbano. De acordo com o programa, as

famílias poderão ser remanejadas para lotes vagos ou loteamento novo na área urbana. A

dimenção dos lotes obedecerá ao padrão da prefeitura e caso o anterior tenha dimensões maiores,

o proprietário receberá a diferença. A casa a ser construída deverá ser em alvenaria, com telha de

barro e piso de cimento queimado com 54m2 para famílias de 4 e 5 pessoas, quando os filhos são

do mesmo sexo. Para famílias mais numerosas, deverá seguir a proporção de 3 filhos por quarto.

E finalmente o Grupo dos Moradores não proprietários. Este foi dividido em dois, sendo o

primeiro o dos locatários (5 famílias) que receberão uma indenização equivalente a três meses de

aluguel tendo como referencia o imóvel que residia. O segundo, o dos parentes, agregados e

empregados serão relocados para residências de padrão similares às utilizadas nos programas

sociais existentes no município em que residem. Também podem receber uma carta de crédito no

valor de uma moradia dos programas sociais.


O Sub-programa Relocação da População Urbana prevê as seguintes ações: Atualização

cadastral; divulgação do Plano Específico; Formulação e atuação do Foro de negociação;

Identificação dos grupos por trabalhamento; Seleção e Aquisição das Áreas; Elaboração e

implementação dos Projetos Executivos e Mudança das Famílias.

De acordo com o relatório de andamento dos PBA´s, foram realizados contatos com a

população afetada para a entrega de correspondência e esclarecimentos sobre o

empreendimento.Também foi feita a tomada de preços e contratação da empresa responsável pela

execução da atualização e revisão cadastral.

Este programa deverá fornecer maior detalhamento sobre as condições de vida da

população a ser relocada e considerar a necessária melhoria dessa condição, caso ela seja

precária. Deverá ser apresentado o projeto arquitetônico das residências dos programas sociais.

Apresentar em forma de complementação.

O Sub-programa 2- Adequação Urbanísticas da Borda do Reservatório tem por objetivo

adequar de forma visual e funcional as áreas urbanas afetadas pelo reservatório, mantendo as

condições de acesso e interesse público, criando condições físicas de proteção aos lotes

residenciais em relação às enchentes e dando tratamento paisagístico a área de proteção do

reservatório. Consiste basicamente na implantação de parques com quadras poliesportiva nas

áreas de uso intensivo e reposição das praias (detalhamento no PBA-21).

Apresenta como ações: Articulação com prefeituras e órgãos responsáveis; Caracterização

física das áreas afetadas (levantamento topográfico e da infra-estrutura); Elaboração dos projetos

executivos; Arranjos na infra-estrutura; Terraplenagem; Alterações no sistema viário; Tratamento

paisagístico e urbanístico.

O sub-programa 3 – Sistema de saneamento na vila do Retiro, tem por objetivo implantar

um sistema de abastecimento d’água e a instalação de fossas sépticas em todos os domicílios da

Vila. Para tanto, a articulação com a SANEATINS e a prefeitura de São Salvador é a primeira ação.
Apesar de informar no escopo do subprograma que a SANEATINS possui um projeto de

saneamento para esta área, sem levar em consideração do empreendimento e que um poço

profundo já foi perfurado. No relatório de andamento dos programas, fornecido ao IBAMA em

agosto de 2002, não consta nenhuma ação realizada ou emergencial com relação a este problema.

4. Programa de Relocação Rural

Este Programa, como o de relocação urbana, define as premissas e os tipos de tratamento

a serem dados aos grupos de atingidos. Serão afetadas 204 estabelecimentos rurais, sendo que

destes 78 possuem famílias residentes. Nos 126 restantes abrigam-se 224 famílias.

Os grupos de Tratamento apresentados são: 1-Proprietários, que terão tratamentos

diferenciados conforme o tamanho da propriedade e a existência ou não de remanescentes

economicamente viáveis. Dessa forma os proprietários de terras com mais de 80 hectares (39

famílias) poderão receber indenização de terras e benfeitorias ou optarem por permanecerem no

remanescente, caso este seja economicamente viável. Os proprietários de áreas menores que 80

hectares (19 famílias) poderão optar por reassentamento coletivo ou individual, indenização total,

carta de crédito ou permanência no remanescente. 2- Não Proprietários (166 famílias) terá as

seguintes opções: permanência nos remanescentes (com autorização do proprietário);

reassentamento individual em lotes de 15 há; reassentamento periurbano (características rurais

próximo a área urbana) ou perirurais (próximo a assentamentos rurais) em lotes de 04 há, carta de

crédito, moradia e apoio social.

Chama atenção neste programa a falta de opção, aos não proprietários, do

reassentamento coletivo e assistência técnica para recomporem as suas vidas. O assentamento

coletivo deve estender-se para este grupo de atingidos por estarem perdendo a moradia e muitos o

emprego, alterando assim o modo de vida já estabelecido. Dessa forma, devem ter o devido

tratamento para que possam se estabilizar e não criar mais um problema social para esta região.

Também o tamanho dos lotes (15 e 04 hectares) não parece adequado, por se tratarem de terras

pouco produtivas (solos com baixa fertilidade e pedregosos) onde a pecuária predomina.
Estabelece ainda como ações: Delimitação da área afetada; Atualização do cadastro;

Divulgação das propostas de tratamento; Formação e atuação do foro de negociação; Identificação

dos grupos de tratamento; Elaboração dos projetos e mudanças das famílias; Apoio social e

jurídico e Assistência técnica para o reassentamento.

De acordo com o Relatório da ENERPEIXE (08/2002) foram realizados apenas contatos

com a população afetada para “entrega de correspondência e esclarecimentos” e a contratação da

empresa responsável pela atualização cadastral e demarcação topográfica.

Deve-se levar em consideração o baixo nível de escolaridade da maioria da população

atingida, bem como a necessidade de estabelecer programa de Educação Ambiental que seja

esclarecedor dos impactos decorrentes do empreendimento assim como dos direitos dos atingidos.

5. Programa de Monitoramento da Qualidade de Vida da População

Este programa tem por finalidade verificar se a qualidade de vida da população atingida foi

melhorada ou, pelo menos, manteve-se em condição igual àquela anterior ao empreendimento.

O programa em questão restringi-se ao monitoramento da qualidade de vida da população

relocada devido ao empreendimento, excluindo as famílias que optarem por indenização pecuniária

ou auto-reassentamento.

No entanto, deverá ser feito também o monitoramento da população residente na AII, para

verificar o efetivo impacto do empreendimento na qualidade de vida dessas comunidades.

6. Programa de Recomposição de áreas de Turismo e Lazer

Este programa descreve as ações para a recomposição das praias de São Salvador do

Tocantins e Paranã, as quais deverão ter dimensões semelhantes as atuais e “deverão na medida

do possível reproduzir as condições atuais em que nela se desenvolve a atividade de turismo e

lazer”. As novas praias deverão estar localizadas dentro ou próximas do perímetro urbano.

O programa apresenta também proposta de mitigação dos impactos da operação da usina

sobre a praia de Peixe, a serem negociadas com a Prefeitura de Peixe. Entretanto as ações
propostas de monitoramento e sinalização do nível de água e acessos de embarcações foram

rejeitadas pela Prefeitura de Peixe (Ofício nº 420/02/GAB/PMP de 05/11/2002). A prefeitura de

peixe solicita como medida mitigadora à flutuação dos níveis da água a implantação de uma praia

artificial.

Apesar do programa prever que o incremento da infra-estrutura viária e sanitária

provocarão o incremento do turismo este não contempla ações de treinamento e capacitação de

mão de obra. A implementação desta ação poderá mitigar os impactos econômicos e culturais

negativos do empreendimento.

Ações deste PBA deverão ser negociadas com as três prefeituras envolvidas.

7. Programa de Saúde Pública

De acordo como projeto apresentado esse Programa deverá garantir o atendimento aos

trabalhadores das obras, reforçar a capacidade de rede existente e reforçar os serviços de

vigilância e controle da saúde pública. Para tanto foi sub-dividido em quatro sub-programas: 1-

Atendimento médico, educação em saúde e segurança para os trabalhadores das obras

(incorporado ao PBA – 27); 2- Atendimento à população dos municípios de Peixe e São Valério; 3 –

Controle de doenças endêmicas e de notificação compulsória e o 4 – Monitoramento de populações

de vetores de doenças na área de influência do AHE Peixe Angical.

O Projeto Atendimento à população tem como objetivo reforçar a capacidade de

atendimento hospitalar, melhorar o serviço de diagnóstico e adequar os recursos humanos e

matérias disponíveis na unidade de serviço.

Prevê como ações: Entendimentos com a Secretaria Estadual e as Secretarias Municipais

de Saúde e a Definição de Projetos de construção, reforma e aquisição de equipamentos.

Esse projeto deverá ser readequado considerando que as estimativas sobre a população

atraída foi subestimada e os impactos já são hoje maiores que os previstos. A manifestação

recente da Prefeitura de Peixe demonstra a desarticulação da empresa com os órgão resonsáveis,


sendo necessárias novas negociações. Novos entendimentos também deverão ser mantidos com a

prefeitura de São Valério da Natividade.

Já o subprograma Controle de doenças endêmicas e de notificação compulsória prevê

como ações: entendimentos com a secretaria Estadual e as municipais de saúde, auxílio financeiro

ao Programa de Atenção Básica (PAB) em saúde e reforço dos serviços de vigilância

epidemiológica.

Quanto ao subprograma Monitoramento de populações de vetores de doenças na área de

influência do AHE. Peixe Angical este deverá ser aprovado pela FUNASA de acordo co o

estabelecido na Resolução CONAMA nº 286/2001.

Em se tratando de região endêmica de malária e considerando as transformações

ambientais que já se fazem na região devido ao empreendimento, estes dois sub-programas

deverão ser adequados e reforçados. Deverá ser encaminhado um relatório das ações de

prevenção, cuidados e orientações realizadas na área do canteiro de obras, onde as instalações,

desmatamentos e alterações nos corpos hídricos vem ocorrendo desde maio do corrente ano.

Como previstos neste documento os levantamentos das áreas de amostragem de vetores

“Deverão ser iniciados antes dos desmatamentos e enchimento”.

Este PBA 22 Também não prevê como ação, em nenhum dos seus sub-programas, a

difusão de informações e esclarecimentos às populações urbanas de todos os municípios afetados

nas AII e ADA sobre cuidados contra contaminação e como evitar proliferação de doenças e

vetores. Os PBA’s de Educação Ambiental e Comunicação Social que poderiam esta fazendo este

papel também não contemplam estas ações no seu planejamento.

8. Programa de Resgate do Patrimônio Arqueológico e Histórico.

De acordo com o relatório de andamento dos PBA’s encaminhado ao IBAMA pela

ENERPEIXE, todas as ações do programa de resgate do Patrimônio Arqueológico estão aprovadas

e acompanhadas pelo IPHAN que emitiu portaria em 18/10/2001. Os trabalhos de resgate vem
sendo realizados na área do canteiro de obras e na ilha da Paz. O empreendedor deverá

encaminhar cópia desta portaria.

Quanto ao Resgate do Patrimônio Histórico, este também deverá ser aprovado pelo IPHAN

e consultada a Fundação Palmares.

9. Programa de Educação Ambiental

Este programa define como objetivo propiciar, por meio de ações pedalógicas, a

compreensão dos impactos locais e regionais provocados pelo empreendimento e as ações

propostas para mitigar estes impactos. Diz ainda que deverá contribuir para outros programas que

envolvem as questões de uso do solo, disposição de resíduos sólidos, esgotos, caça e

desmatamentos.

Deve-se considerar que o Programa de Educação Ambiental apresentado pela empresa

não está de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Coordenação Geral de Educação

Ambiental (CGEAM), do IBAMA, no que concerne a propiciar às populações atingidas os elementos

necessários à participação nas decisões que afetem sua qualidade de vida. Tais elementos seriam

necessários para, entre outros, que a população possa participar de maneira mais consciente na

negociação das aquisições de terras e recolação rural e urbana.

Este Programa foi submetido à análise da Coordenação Geral e Educação Ambiental que

emitindo o Parecer Nº16/2002-CGEAM/DIGET, concluiu pela sua reformulação que deverá ocorrer

baseado no Termo de Referência para Elaboração e Implementação de Programa de Educação

Ambiental.

10. Programa de Comunicação Social

Os objetivos declarados para este programa são:

 Estabelecer canais de comunicação entre empreendedor e sociedade, de forma a

assegurar a informação contínua e interativa para proporcionar respostas ao longo do

processo de implantação do projeto.


 Manter a sociedade permanente informada, de maneira e evitar boatos e distorções que

prejudiquem o relacionamento do empreendedor e a população local.

 Divulgar informações sobre o contingente de mã-de-obra a ser efetivamente empregado.

 Informar a população sobre os possíveis transtornos durante a instalação do

empreendimento.

 Dar suporte aos programas ambientais previstos.

Para atingir estes objetivos, o programa pretende utilizar recursos “mediáticos” como rádio,

televisão e jornais, além de material impresso de divulgação. O público alvo seriam a população

local, entidades civis que poderiam intervir no processo (sindicatos, movimento dos atingidos por

barragem e outras ONG´s), além das autoridade locais e estaduais.

Tal como se apresenta, este programa constitui-se apenas como um plano de Relações

Públicas da empresa, destinando-se basicamente a evitar agravamento de possíveis conflitos com

a população local, regional e formadores de opinião.

O projeto foi elaborado a partir de entrevistas de campo em número muito pequeno (100

questionários, sendo 55 em área rural e 45 em área urbana) e sem definir quais os critérios de

amostragem.

O programa não aborda questões relevantes como os impactos sociais dos fluxos

migracionais, tais como o aumento da violência, prostituição e problemas sanitários. Também não

aborda a questão das doenças infecto contagiosas que poderão ser propagar na região (tais como

AIDS, malária e doença de Chagas), seja em decorrência do aumento populacional como advindo

das alterações causadas nos meios físico e biológicos como o enchimento do reservatório.

No que tange ao estabelecimento de canais de comunicação interativos, o plano propõe

um questionário “Fale conosco”, quando o baixo nível de escolaridade da população local


pressupõe o uso de ferramentas mais adequadas, com a criação de um canal de acesso ao

Empreendedor e responsáveis pelas obras.

11. Programa de Recomposição dos Serviços Sociais.

Este PBA tem por objetivos recompor a infra-estrutura social a ser afetada pelo

empreendimento, transferindo as instalações para local seguro permitindo a continuidade do

serviço.

Serão afetados 15 campos santos (cemitérios), 5 escolas, 1 estação pluviométrica de

FURNAS, 1 igreja, a garagem da prefeitura e 1 poço da SANEATINS.

A ação principal deste PBA é a Articulação com Órgãos, Instituições e Particulares

responsáveis pelos serviços para que leis, diretrizes e orientações sejam obtidas e assim o projeto

implantado com o menor impacto possível.

IV – CONCLUSÃO

Após a análise das informações aludidas na documentação encaminhada ao IBAMA,

notadamente o Estudo de Impacto Ambiental, o Programa Básico Ambiental, o relatório de

andamento dos programas ambientais e os autos do processo de licenciamento, além dos

resultados da vistoria técnica, o empreendimento denominado UHE Peixe Angical pode ter a

continuidade de sua implantação autorizada desde que seja conduzida respeitando preceitos

ambientais, os quais têm o objetivo de potencializar os impactos ambientais positivos decorrentes

da obra e principalmente mitigar, da maneira mais eficaz possível, os impactos ambientais

negativos.

Assim, tendo em vista o fato de que não mais de discute a viabilidade ambiental da

localização do empreendimento (já em implantação), e ponderando as deficiências identificadas ao

longo deste parecer, entende-se serem necessárias reformulações dos Programas Ambientais

propostos, além de complementação de diagnóstico.


No tange ao Relatório de Vistoria nº 042/02- NLA/IBAMA-TO, enviada pela Gerência

Executiva do Ibama em Tocantins concomitantemente à renovação da Licença Especial nº 02/2002

em 20 de setembro do corrente ano, destaca-se que a equipe responsável por sua confecção não

foi informada que o empreendedor havia encaminhado ao IBAMA/Sede o Relatório de Andamento

dos Programas Ambientais, condicionante da referida Licença. Assim, a pendência elencada no

relatório não se aplica, tampouco a sugestão de suspensão da licença.

Cabe ressaltar ainda a necessidade de que a ENERPEIXE protocole uma cópia dos

documentos encaminhados ao IBAMA/Sede na Gerência Executiva do Tocantins.

Dessa forma, considera-se necessário que a Licença de Instalação a ser concedida pelo

Ibama ao empreendimento em tela contenha, em seu bojo, as seguintes condicionantes

ambientais:

1. Implantar os Programas Ambientais propostos, considerando os aspectos complementares

requeridos pelo Ibama, apresentando relatório semestrais de andamento dos mesmos.

2. Detalhar e apresentar, no prazo de 60 (sessenta) dias, os equipamentos a serem utilizados nas

estações hidrossedimentolétricas e fluviométricas.

3. Apresentar, num prazo de 60 (sessenta) dias, detalhamento geológico geotécnico dos materiais

aflorantes da área de implantação das obras civis (barragem, túneis de adução, casa de força,

entre outras) e das áreas de empréstimo e bota-fora;

4. Incluir uma cadastramento das feições erosivas em pleno desenvolvimento na área

diretamente afetada pelo empreendimento, no escopo do Programa de Monitoramento das

Encostas Marginais, onde deverá propor ainda, ações/soluções técnicas e corretivas para

proteção às áreas sensíveis diagnosticadas.

5. Incluir, no Programa de Monitoramento Hidrogeológico, um número de pontos de

monitoramento da elevação do nível do lençol freático, com piezômetros e poços de inspeção,

ao longo de todo o reservatório, em especial nas áreas cársticas, além daqueles propostos

para as áreas urbanas, incluindo modelamento do nível de base do lençol freático.


6. Apresentar, em 120 (cento e vinte) dias, uma cadastramento de todas as possíveis fontes de

contaminação, para estabelecimento da qualidade das águas subterrânea, incluindo-o no

Programa de Qualidade da Água.

7. Apresentar, em um prazo de 90 (noventa) dias, os procedimentos de acordo/compensação a

serem estabelecidos com os detentores das áreas de mineração, incluindo os produtores de

areia e argila que operam na área do reservatório, mantendo sempre atualizada a listagem dos

detentores de títulos minerários.

8. Apresentar, em um prazo de 60 (sessenta) dias, cópia do convênio firmado entre

ENERPEIXE/DERTINS, além das atividades desenvolvidas, planta e descrição das etapas a

serem realizadas e cronograma do Programa de Recomposição da Infra-estrutura Viária.

9. Complementar o Programa de Instalações de Apoio as Obras, em um prazo de 60 (sessenta)

dias, indicando as metas, plantas, pontos de monitoramento a jusante e montante dos efluentes

lançados no ambiente, informando os indicadores ambientais a monitorar, metodologia,

atividades, freqüência e cronogramas, equipe técnica, instituições envolvidas.

10. Apresentar, em um prazo de 45 (quarenta e cinco) dias, caderno resumo detalhado do projeto

básico e arranjo do empreendimento, inclusive o detalhamento da seqüência executiva das

obras.ç

11. Apresentar, num prazo de 60 (sessenta) dias, a seleção dos locais para os levantamentos

complementares da biota, considerando cálculo estimativo da área a ser amostrada, as quais

deverão ser plotadas em mapa topográfico.

12. Realizar estudos de caracterização da flora e fauna existente nas áreas de possível soltura.

13. Indicar e quantificar as espécies bioindicadoras, bem como os critérios utilizados para a sua

determinação;

14. Apresentar Inventário Florestal, para subsidiar a análise da respectiva Autorização Supressão

da Vegetação.
15. Atualizar, num prazo de 60 (sessenta) dias, a caracterização da vegetação de acordo com

referências bibliográficas mais recentes e em uso para o bioma cerrado.

16. Apresentar, num prazo de 60 (sessenta) dias, listagens dos levantamentos de flora, fauna e

ictiofauna, com as espécies devidamente identificadas quanti-qualitativamente, com

padronização do esforço-amostral, encaminhando declaração das instituições que receberam o

material biológico.

17. Licenciar-se, junto ao Ibama, para proceder resgate de fauna e coleta de material biológico

(flora e germoplasma).

18. Complementar o Programa de Levantamento, Acompanhamento e Manejo de Fauna nos

seguintes aspectos:

 dar continuidade ao levantamento qualitativo e quantitativo da fauna, em locais mais

representativos da área de influência do empreendimento, em períodos de chuva e de seca

antes do início do desmatamento.

 realizar um maior esforço amostral para a mastofauna, incluindo estratificação das

amostragens no sub-bosque e no dossel;

 incluir programa de monitoramento específico para todas as espécies raras e/ou

ameaçadas de extinção, para espécies novas, ou ainda não descritas, e em especial para

Iguana (Iguana iguana);

 caracterizar os quirópteros hematófagos (Desmodus rotundus, Diphylla ecaudata, Diaemus

youngi), apresentando programa de manejo para os mesmos;

 adequar o período de desmatamento e enchimento do reservatório, de forma a otimizar as

ações de resgate de fauna;

 incentivar a formação de coleções científicas no Estado do Tocantins;

 atender as complementações reportadas no Parecer nº 001/2002-CGFAU/LIC.


19. Complementar o Programa de Levantamento e Manejo da Flora nos seguintes aspectos:

 contemplar os substratos herbáceos, arbóreos, arbustivos, epífitas e demais plantas.

 para o desmatamento e limpeza do reservatório, estimar o quantitativo necessário da área

com cobertura vegetal a ser suprimida.

20. Complementar o Programa de Monitoramento Limnológico nos seguintes aspectos:

 incluir pontos de amostragens nos principais afluentes dos rios Tocantins e Paranã para os

monitoramentos mensais das características físicas, químicas e biológicas da água;

 durante o período de construção, realizar coletas quinzenais de todos os parâmetros de

rotina, incluindo análise das comunidades de fitoplânton, zooplâncton, bentos e análise dos

comunidades de fitoplâncton, zooplâcton, bentos e análise de metais pesados apenas nos

pontos rio Tocantins acima e abaixo da barragem e um ponto extra situado nas

proximidades de obras;

 incluir as análises de plâncton, bentos, agrotóxicos e metais pesados em todos os pontos

de amostragem citados no programa ambiental, além dos novos pontos que serão

localizados nos tributários;

 determinar a produção primária em um número maior de pontos de coleta no reservatório e

com freqüência mensal durante toda a fase de enchimento do reservatório e operação;

 identificar os prováveis locais de maior desenvolvimento de macrófitas aquáticas e

enumerar as medidas que serão empregadas no controle dessas plantas;


21. Complementar o Programa de Monitoramento e Conservação da Ictioufauna nos seguintes

aspectos:

 amostrar ictiofauna ocorrente, realizando amostragens em pontos coincidentes com os

limnológicos, além dos principais tributários dos rios Tocantins e Paranã e em todas as

lagoas intermitentes e perenes presentes na área;

 desenvolver, a partir do primeiro bimestre de 2003, estudos sobre as comunidades de

peixe e identificação de áreas de desova e criadouros naturais (locais de reprodução) ao

longo de todo o ano;

22. Detalhar, num prazo máximo de 90 (noventa) dias, Programa de Compensação Ambiental, de

acordo com as diretrizes e prerrogativas da Coordenação Geral de Unidades de Conservação,

conforme Parecer Técnico nº 025/02 – CGLIC/SAGIA/IBAMA.

23. Apresentar o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório, num prazo

de 60 (sessenta) dias, contados a partir da emissão do respectivo Termo de Referência a ser

elaborado pelo IBAMA.

24. Reformular o Programa de Relocação Rural referente às famílias de não proprietários atingidos

pelo empreendimento, para que tenham tratamento adequado, apresentando os critérios

utilizados para definição do tamanho dos lotes.

25. Apresentar estudos complementares sobre a vila Espírito Santo, localizada próxima a cidade de

Paranã, descrevendo os impactos que sofrerá com a implantação do empreendimento e suas

medidas mitigadoras.

26. Reformular o Programa de Saúde, acrescentando, no mínimo, o detalhamento das proposições

de ações de aprimoramento dos serviços de vigilância epidemiológica (aprovado pela

FUNASA), dos serviço de divulgação de informações e adequação da estrutura médico

sanitária.
27. Apresentar complementação ao Programa de Relocação Urbana, detalhando as condições de

vida da população a ser relocada, considerando a possibilidade de melhoria dessa condição,

caso ela seja precária.

28. Apresentar projeto arquitetônico das residências urbanas para relocação.

29. Relocação o Programa de Educação Ambiental, que deverá basear-se no Termo de Referência

para Elaboração e Implementação de Programas de Educação Ambiental do IBAMA,

considerando, no mínimo, as ações do programa de Saúde Pública, Aquisição de Terras e

Relocação Rural e Urbana.

30. Reformular o Sub-programa de Educação Ambiental do PBA 27, especificando as “Ações

Práticas” previstas e seu cronograma de execução, levando em consideração a necessidade d

esclarecimentos sobre saúde, pública, comportamento social e outros temas que possam

auxiliar a mitigação dos impactos sobre a população local.

31. Encaminhar ao IBAMA, no prazo máximo de 15 dias, cópia da Portaria do IPHAN que autoriza

os trabalhos de Resgate do Patrimônio Arqueológico.

32. Encaminhar ao IBAMA, no prazo máximo de 60 dias, documento do IPHAN de Aprovação do

Programa de Resgate do Patrimônio Historico.

33. Reformular o Programa de Recomposição das áreas de Turismo e Lazer, notadamente para a

praia da cidade de Peixe, incorporando ações de treinamento e capacidade de mão de obra e

considerando a existência de outros projetos de Aproveitamento Hidrelétrico na Bacia.

34. Apresentar programa de mitigação dos impactos a serem gerados pelo desaquecimento da

economia regional após o término da obra.

35. Reformular o Programa de Adequação da Infra-estrutura Social e dimensionar adequadamente

a demanda incremental, permitindo o cálculo correto de perfurações de poços e extensão da

rede de distribuição, aquisição de equipamentos de coleta de lixo, aumento do número de salas

de aula e contratação de profissionais, entre outras.


36. Reformular o Programa de Comunicação Social. contemplando as ações de esclarecimentos

relativas aos impactos na saúde pública e no aumento dos fluxos migracionais, e

estabelecimento canal interativo de comunicação adequado ao perfil educacional da população

atingida.

37. Reformular o Programa de Monitoramento da Qualidade de Vida da População incluindo neste

o monitoramento da população residente na AII, para verificar o efetivo do impacto do

empreendimento na qualidade de vida dessas comunidades.

À consideração superior,

Dilma Lúcia Resende Carvalho – Bióloga

Inês Caribe Nunes Marques – Engº Agrônoma

Marcus Vinicius L. Cabral de Melo – Geólogo – analista Ambiental

Mariângela Borges de Araújo – Engª. Civil

Caio Waldemar Ferreira Marques – Comunicador – Analista Ambiental

Carina Tostes Abreu – Bióloga Analista Ambiental

Luciano Bonatti Regalado – Biólogo – Analista Ambiental

Edílson Esteves – Médico Veterinário/IBAMA-TO