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Análise do epílogo d’Os Maias

O epílogo da obra Os Maias é caracterizado por uma longa


viagem de Carlos da Maia e Ega através do mundo, que decorreu
durante dez anos. Quando chegam, Ega regressa a Portugal e Carlos
fica a viver em Paris a vida de uma príncipe da Renascença,
regressando a Portugal e só por duas semanas, apenas ao fim de dez
anos de ausência. Carlos reencontra todos os seus velhos conhecidos
e também os caminhos que cada um fora percorrendo. A vista ao
Ramalhete é lúgubre e, durante ela, Carlos dá inicio a um passeio
pela cidade de Lisboa, juntamente com Ega. É neste passeio que Ega
anúncia a Carlos da Maia a notícia do casamento de Maria Eduarda
com um fidalgo francês (Mr. de Trelain), em que este casamento, é
para Carlos da Maia o enterro definitivo daquela atribulada fase da
sua vida. Quando estão no Loreto, Carlos da Maia vê e que o país
continua num estado de estagnação, decadência, envelhecimento e
ociosidade. Sendo por estes motivos que tanto a cidade de Lisboa
como o país, são o alvo crítico de Carlos. Além do seu passeio por
Lisboa, Carlos visita também o Ramalhete, mas antes almoça com
Ega no salão do Hotel Bragança e são visitados por alguns amigos.
No Hotel Bragança, Carlos da Maia confirma que Ega encontra-se
envelhecido “dois vincos fundos ao lado do nariz”, “face chupada” e
“uma calva que começara, alastrara e reluzia no alto”. No entanto no
almoço com Carlos, vê novamente a ociosidade voluntária do Ega
“Olha este horror! A ciência para tudo acha um remédio, menos para
a calva!” e relembra que “a política é a ocupação dos inúteis”, devido
aos políticos serem manipulados como fantoches, por pessoas
abastadas economicamente, e sem poder. No almoço são visitados
por Alencar e Cruges. Tanto Alencar como Cruges encontram-se
ambos mais velhos, apesar de continuar Cruges um bom compositor
e Alencar com vede romântica. Ainda durante o almoço, Carlos da
Maia convida Alencar para um “jantarinho à portuguesa”. Por sua vez,
quando Carlos da Maia e Ega chegaram ao chiado, verificaram que
nada mudou. Pois tudo continua do mesmo modo aquando a sua
partida. É no chiado que encontram Dâmaso exactamente igual
“barrigudo, nédio, e de flor ao peito”, mas casado com a filha mais
nova do Conde d`Águeda, para que essa família não fosse arruinada.
Carlos comenta ainda a Ega, que Craft se encontra doente e
alcoolizado. Refere ainda, que a sociedade portuguesa é “postiça”, e
que o Taveira havia encontrado uma secretária “ainda metido
continuamente com alguma espanhola”, e que o Steinbroken é
ministro em Atenas ”entre as ruínas clássicas”.
O Ramalhete encontra-se em ruínas como antes de ser habitado
por Afonso e Carlos. É no jardim do Ramalhete que se verifica
essencialmente o seu estado de abandono. Através de alguns
elementos pode-se verificar o seu estado, nomeadamente “ferrugem
verde, de humidade, cobria os grossos membros da Vénus Citereia, o
cipreste e o cedro envelheciam juntos, como dois amigos num ermo;
e mais lento corria o prantozinho da cascata, esfiado saudosamente,
gota a gota, na bacia de mármore”, em todos estes elementos
encontram-se presságios. Como a Vénus Citereia que Carlos
comparou a Maria Eduarda antes e depois da prática do acto
incestuoso consciente. Primeiro compara-a a uma deusa (a Vénus)
“com belas formas de mármore” tal como a estátua e depois do acto
incestuoso, passa a compara-la a uma amazona de ”grossos
membros da deusa”. O cipreste e o cedro também são um índice de
fatalidade, pois estão ligados por um laço de fraternidade,
simbolizando assim a fatalidade que insiste em acompanhar a família
Maia. Não só o cipreste e o cedro foram fatais a esta família, como
também as paredes do Ramalhete também o foram. A cascata, em
que a água caía gota a gota, era de mármore. O mármore por sua vez
simboliza a morte, pois as lajes das campas são de mármore, e o
presságio acaba por se verificar, devido a vir a ser junto da cascata
de mármore e debaixo do cedro que Afonso da Maia acaba por
morrer. Por sua vez a água que caía gota a gota na cascata simboliza
o fim da vida de Afonso e também o fim da família Maia.
O interior do Ramalhete encontra-se com ar de claustro
abandonado. Durante a ausência de Carlos, Vilaça ficara como o
“guardião” do Ramalhete. No salão os móveis encontravam-se
“embrulhados em lençóis de algodão” e que retratam a morte, “da
família”, ou seja, a separação. Também na maior sala encontram-se
“todos os móveis ricos da Toca” e que representam o fim, a
destruição do sentimento entre Carlos e Maria Eduarda, os móveis
são vistos agora por Carlos, como “lixo”, algo que não presta.
O Ramalhete representa assim um retrato de Lisboa e de
Portugal, ou seja, é uma sinédoque, pois todos se encontram num
estado de ruínas e de degradação.
Por último, a ironia final de Carlos e Ega, correndo atrás do
“americano”, enquanto convictamente proclamam que nada na vida
os faria apressar o passo.