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O BARROCO NA ITÁLIA

A arte Barroca desenvolveu-se no séc. XVII, num período muito


importante da história da civilização ocidental, pois nele ocorreram mudanças
que deram nova feição à Europa da Idade Moderna.
Para entender melhor os acontecimentos desse século, é preciso
buscar suas origens em fatos do séc. XVI. O mais importante deles foi, sem
dúvida, a reforma Protestante, que teve início na Alemanha e, a seguir,
expandiu-se por muitos outros países.
Embora tenha sido um movimento de caráter religioso, a Reforma teve
conseqüências que ultrapassaram as questões de fé, pois provocaram
alterações em outros setores da cultura européia. Uma delas foi favorecer o
surgimento dos estados nacionais e dos governos absolutos, pois propunha
que cada nação se libertasse da submissão ao papa.
No entanto, a Igreja católica, logo se organizou contra a Reforma
Protestante, Na verdade, desde o início do séc. XV havia um movimento dentro
da Igreja que pretendia eliminar os abusos nos mosteiros e fortalecer a vida
espiritual. Mas foi somente no séc. XVI que essa reação ganhou um caráter de
Contra-Reforma, em virtude da convocação do Concílio de Trento.
Com os trabalhos conciliares e a atuação das grandes ordens
religiosas, entre elas a Companhia de Jesus, a Igreja católica retomou sua
força e novas e grandes igrejas foram edificadas.
Outra vez então, a arte é vista como um meio de propagar o
catolicismo e ampliar sua influência.
A arte barroca originou-se na Itália, mas não tardou a erradicar-se por
outros países da Europa e a chegar também ao continente americano, trazida
pelos colonizadores portugueses e espanhóis.
Entretanto, ela não se desenvolveu de maneira homogênea. Houve
grandes diferenças entre os artistas e entre as obras produzidas nos diferentes
países. Alguns princípios gerais podem ser indicados como caracterizadores
dessa concepção artística: as obras barrocas romperam o equilíbrio entre o
sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os artistas
renascentistas procuram realizar de forma muito consciente; na arte
barroca, predominam as emoções e não o racionalismo da arte
renascentista.

A PINTURA BARROCA NA ITÁLIA

De modo geral, as características da pintura barroca podem ser


resumidas em alguns pontos principais. O primeiro é a disposição dos
elementos dos quadros, que sempre forma uma composição em diagonal.
Além disso, as cenas representadas envolvem-se em acentuado contraste de
claro-escuro, o que intensifica a expressão de sentimentos. Quanto ao
assunto, a pintura barroca é realista, mas a realidade que lhe serve de ponto
de partida não é só a vida de reis e rainhas de cortes luxuosas, mas também a
do povo simples.
Dentre os pintores barrocos italianos, um dos mais expressivos é o
pintor Caravaggio.

CARAVAGGIO: A BELEZA NÃO É PRIVILÉGIO DA ARISTOCRACIA

Caravaggio não se interessou pela beleza clássica que tanto encantou


o Renascimento. Ao contrário, procurava seus modelos entre os vendedores,
os músicos ambulantes, os ciganos, enfim, entre as pessoas do povo. Para ele
não havia a identificação, tão comum na época, entre beleza e classe
aristocrática.
O que melhor caracteriza a pintura de Caravaggio é o modo
revolucionário como ele usa a luz. Ela não aparece como reflexo da luz solar,
mas é criada intencionalmente pelo artista, para dirigir a atenção do
observador.

A ESCULTURA BARROCA

Havia nas esculturas renascentistas um equilíbrio entre os aspectos


intelectuais e emocionais. Já nas obras barrocas, esse equilíbrio desaparece,
dando lugar à exaltação do sentimento. As formas procuram expressar o
movimento e recobrem-se de efeitos decorativos. Predominam as linhas
curvas, os drapeados das vestes e o uso do dourado. Os gestos e os rostos
das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade
desconhecida no Renascimento.
Dentre os artistas do Barroco italiano, Bernini foi, sem dúvida, o mais
importante e completo, pois foi arquiteto, urbanista, escultor, decorador e
pintor. Algumas de suas obras serviram como elementos decorativos das
igrejas.

A ARQUITETURA BARROCA

A ARQUITETURA BARROCA

A arquitetura do séc. XVII realizou-se principalmente nos palácios e


nas igrejas. A igreja Católica queria proclamar o triunfo de sua fé e, por isso,
realizou obras que impressionam pelo seu esplendor. Quanto ao estilo da
construção, os arquitetos deixam de lado os valores de simplicidade e
racionalidade.
Outro fato importante que merece ser assinalado é o reconhecimento,
nesse século de que as cercanias imediatas da obra arquitetônica eram
importantes para a beleza da construção. Disso resultou a preocupação
paisagística com os grandes jardins dos palácios, como em Versalhes, e com a
praça das igrejas, como a da basílica de São Pedro, no Vaticano.

O BARROCO NA ESPANHA
A Itália foi o centro irradiador do estilo barroco. Durante o séc. XVII até
a primeira metade do séc. XVIII, ele expandiu-se por toda Europa e foi
ganhando, nos diferentes países, uma feição nacional, como é o caso da
Espanha e dos Países Baixos.
Um traço original do Barroco espanhol encontra-se na arquitetura,
principalmente nas portadas decoradas em relevo dos edifícios civis e
religiosos. Quanto à pintura, apesar de receber influências mais diretas do
Barroco italiano, principalmente no uso expressivo de luz e sombra, conserva
preocupações muito próprias do espírito nacional: o realismo e o domínio
seguro da técnica de pintar.
Dentre os pintores mais representativos do Barroco espanhol estão El
Greco e Velázquez, cujas obras revelam características bem particulares
desses artistas.

EL GRECO: A VERTICALIDADE DA PINTURA

El Greco (1541-1614) nasceu na ilha de Creta. Em 1570 foi para Roma,


mas em 1577, após uma breve temporada em Madri, partiu para Toledo, onde
se instalou definitivamente. Seu nome verdadeiro era Domenikos
Theotokopoulos, mas seu apelido acabou reunindo as três culturas que
influenciaram sua vida: o nome El Greco apresenta o artigo El do espanhol, o
substantivo Greco do italiano, e significa O Grego, indicando sua procedência
grega.
As obras de El Greco trazem uma característica que marca sua pintura:
a verticalidade das figuras. As figuras esguias e alongadas de El Greco
superam a visão humanista dos artistas do Renascimento italiano e recuperam
o caráter espiritualizado dos mosaicos e ícones bizantinos.
VELÁZQUEZ: OS ROSTOS DA NACIONALIDADE ESPANHOLA

Além de retratar as pessoas da corte espanhola do séc. XVII,


Velázquez (1599-1660) procurou registrar em seus quadros também os tipos
populares do seu país, documentando o dia-a-dia do povo espanhol num dado
momento da história.
Como Caravaggio, Velázquez soube trabalhar a luz para contrastá-la
com áreas de sombra. Mas em Velázquez a luz tem uma função diferente: ela
estabelece um clima mais intimista para as cenas retratadas.

O BARROCO NOS PAISES BAIXOS


Nos Países Baixos, o Barroco desenvolveu-se em duas grandes
direções, sobretudo na pintura. Na Bélgica, esse tipo manteve como
característica as linhas movimentadas e a forte expressão emocional. Já na
Holanda, ganhou aspectos mais próximos do espírito prático e austero do povo
holandês. Por isso, a pintura desenvolveu uma tendência mais descritiva, cujos
temas preferidos foram as cenas da vida doméstica e social, trabalhadas com
minucioso realismo.

RUBENS: A FORÇA DAS CORES QUENTES

A cor sempre foi o elemento mais importante na pintura flamenga, e um


exemplo disso são as obras de Rubens (1577-1640). Em seus quadros, são
geralmente no vestuário que se localizam as cores quentes – o vermelho, o
verde e o amarelo - que contrabalançam a luminosidade da pele clara das
figuras humanas.
Além de um colorista vibrante, Rubens se notabilizou por criar cenas
que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das
roupas, um intenso movimento.

REMBRANDT: A EMOÇÃO POR MEIO DA GRADAÇÃO DA CLARIDADE

Quando admiramos a pintura de Rembrandt (1606-1669),


reconhecemos que estamos diante de uma das maiores expressões do estilo
luminista. O que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é
propriamente o contraste entre luz e sombra, mas a gradação da claridade, os
meios-tons, as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa.
VERMEER: A BELEZA DELICADA DA VIDA COTIDIANA

Diferentemente de Rembrandt, Vermeer (1632-1675) trabalha os tons


em plena claridade. Seus temas são sempre os da vida burguesa da Holanda
seiscentista. Muitas pinturas de Vermeer que retratam ocupações domésticas
em interiores mostram um sugestivo trabalho com os efeitos de luz.

Referência bibliográfica:
História da Arte – Graça Proença – Ed. Ática