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PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

Tribunal Regional do Trabalho – 2ª Região

PROCESSO TRT/SP Nrº 02945.2007.201.02.00-2


RECURSO ORDINÁRIO 1ª VARA DO TRABALHO DE BARUERI
DA
RITO ORDINÁRIO
RECORRENTE: TV ÔMEGA LTDA
RECORRIDA: SILVIA CANTERO CASTILLO D´ANGELO

Indenização do art. 404 do CC.


A tese encontra óbice na sistemática processual trabalhista. Em
se acolhendo a referida tese teria a Justiça do Trabalho que
igualmente acolher eventual reconvenção da reclamada para
que fosse indenizada pelos prejuízos causados pela
necessidade de contratação de advogado para defender-se dos
pedidos improcedentes. Estaríamos, assim, instituindo não só a
sucumbência mas, principalmente, a sucumbência parcial. As
despesas com o advogado eventualmente suportadas pelo
reclamante não decorrem de ato da ré, e sim da sua opção pela
contratação de advogado particular (cuja qualidade, diga-se, não
se discute). Tivesse a autora procurado o sindicato de classe,
receberia a assistência gratuitamente. Logo, este “dano” não tem
nexo causal com qualquer ação ou omissão da reclamada e sim
com a escolha voluntária da reclamante. Recurso da reclamada
ao qual se dá parcial provimento.

Versa a hipótese sobre recurso ordinário interposto pela


reclamada em face à r. sentença de fls. 144/146, de lavra do MM. Juiz Laércio
Lopes da Silva, complementada pelas r. decisões de embargos de declaração de
fls. 153 e 159, que julgou o feito procedente em parte e cujo relatório adoto.

Postula o recorrente através das razões de fls. 162/176 a


reforma da r. sentença de primeiro grau eis que (i) preliminarmente, argúi inépcia tendo
em vista a ausência de pedido com relação a indenização por perdas e danos, ausente
causa de pedir em relação a aviso prévio, 13º salário proporcional, 40% de multa sobre o
depósito do FGTS, FGTS sobre verbas rescisórias considerando o acúmulo de funções e
aplicação dos arts. 467 e 477 da CLT e dos arts. 13, 15, 27 e 30 da Lei nº 6.615/78 e o
pedido de incidência do FGTS sobre verbas rescisórias é genérico; (ii) requer que a base de
cálculo das verbas rescisórias seja o salário base da reclamante; (iii) indevida a indenização
com base art. 404 do Código Civil; (iv) requer que permaneçam os descontos constantes da
TRCT a título de INSS, imposto de renda e seguro de vida em grupo; (v) o saldo de salários
é de 22 dias e não de 23 dias como foi deferido; (vi) a base de calculo para as férias deve
ser o salário base da recorrida; (vii) o ônus da prova das diferenças de FGTS é da
reclamante; (viii) a multa do art. 467 deve ser apurada sobre o montante líquido apurado na
Documento elaborado e assinado em meio digital. Validade legal nos termos da Lei n. 11.419/2006.
Disponibilização e verificação de autenticidade no site www.trtsp.jus.br informando:
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TRCT e a multa do art. 477 deve ser aplicada no valor de R$ 735,00, salário base da
reclamante.

Contrarrazões apresentadas tempestivamente.

Não há manifestação circunstanciada do M.D.


Representante do Ministério Público do Trabalho.

V O T O

1. Admissibilidade.

Conheço do recurso interposto, vez que atendidas as


formalidades legais.

2. Contrarrazões da reclamante

Quanto ao suscitado sobre horas extras, necessário


destacar que as contrarrazões não são a via processual adequada para levantar
questões sequer constantes do recurso ordinário.

3. Recurso da reclamada. Preliminares.

3.1. Ausência de pedido

A recorrente alega ausência de pedido na inicial a título


de perdas e danos.

Ocorre que, ao inverso do asseverado, logo após noticiar


que a dedução dos honorários advocatícios do valor da condenação não permitiria a
satisfação integral do dano a que a Reclamada deu causa, a reclamante assim fez
constar da exordial:

“...Pelo exposto, é forçoso concluir que, a fim de efetivar


a justa e íntegra reparação, deve a Reclamada ser condenada nos
danos relativos as despesas que a Reclamante terá a título de
honorários advocatícios, no patamar de 30% do valor da condenação...”
(fls. 14)

Logo, não há inépcia. Rejeito a preliminar.

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3.2. Ausência de causa de pedir

Alega a recorrente que a reclamante não formulou causa


de pedir em relação aos pedidos de aviso prévio, 13º salário proporcional, multa de
40% sobre o depósito do FGTS, incidência do FGTS sobre as verbas rescisórias e
aplicação dos artigos 467 e 477 da CLT e dos artigos 13, 15, 27 e 30 da Lei nº
6.615/78.

Também aqui não há inépcia, conforme breve análise do


contido na inicial:

“...sem justa causa, a Reclamante foi dispensada


por “carta”, missiva esta datada de 23 de Janeiro de 2007
(correspondência/carta de demissão anexa, Doc. 30), sendo certo
que absolutamente NADA lhe foi pago, vindo a acumular
inúmeras dívidas até a presente data...” (fls. 08).

Assim, restou clara a causa de pedir. Rejeito.

3.3. Pedido genérico

A reclamada alega que o pedido de incidência de FGTS


sobre verbas rescisórias é genérico.

A autora não apenas elencou as verbas rescisórias na


peça inicial e, conforme já explicitado no item 3.2., informou que não as recebeu.
Rejeito.

3.4. Considerações acerca das preliminares arguidas

Não se pode olvidar que o art. 840, § 1º da CLT, na


magnitude de sua simplicidade, exige apenas “um breve relato dos fatos” que
fundamentem o pedido.
As deficiências acima apontadas não impedem o
exercício de cognição por parte do Juízo e nem impediu o exercício da ampla defesa
pela ré.

4. Recurso da reclamada. Mérito

4.1. Vários temas (Do salário básico, Das férias, Das


multas dos artigos 467 e 477 da CLT)

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A r. Sentença condenou a reclamada ao pagamento das


seguintes verbas resilitórias (fls. 144/145):

“...aviso prévio de 30 dias, 13º salário proporcional


de 1/12, férias proporcionais, acrescidas de 1/3 e 10 dias de férias
referentes ao período de 2005/2006, multa de 40% do FGTS,
FGTS acrescido de multa de 40% sobre as verbas resilitórias,
diferenças de FGTS de todos o período de trabalho, acrescidas da
multa de 40% e multa do art. 477 da CLT, pelo não pagamento
tempestivo das verbas resilitórias. As verbas resilitórias, por
incontroversas, serão acrescidas de 50%, nos termos dispostos
no art. 467, da CLT...”

A reclamada não trouxe qualquer prova de quitação das


verbas deferidas na r. Sentença. Em suas razões recursais, sob os títulos “Do
Salário Básico”, “Das Férias” e “Das multas dos artigos 467 e 477 da CLT”, restringe-
se a requerer que os valores deferidos devem se basear no salário básico da
reclamante, que alega ser de R$ 735,00.

É incontroverso que a jornada de trabalho da reclamante


era de 6 horas diárias, acrescida de, no mínimo, 2 horas extras diárias, conforme
ficha de registro de empregados (doc. 03), sendo o salário lá constante de R$
735,00, mais HEC+DSR de R$ 490,00.

As horas extras foram percebidas durante todo o pacto


laboral, conforme se depreende dos comprovantes de pagamento juntados aos
autos pela própria reclamada.

A reclamante informou que teve como seu último salário


R$ 1.225,00, ou seja, exatamente o valor constante da sua ficha de empregados, de
seus recibos de pagamento e até do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho
(doc. 63), de notar, todos documentos colacionados pela reclamada.

Também, de qualquer forma, as horas extras, por


habituais, devem integrar o salário para o pagamento dos 13ºs. salários (Súmula 45
do C. TST); FGTS (Súmula 63 do C. TST) e respectiva multa de 40%; aviso prévio;
férias; abono constitucional de 1/3 sobre férias; DSR's (Súmula 172 do C. TST).

Assim, está claro que a base de cálculo a ser utilizado é o


salário alegado pela reclamante na exordial, qual seja, R$ 1.225,00, inclusive no
tocante a multa do art. 477 da CLT.Nada a deferir.

O recorrente requer a incidência da multa do artigo 467,


da CLT, sobre o montante “líquido” apurado. Afora a contradição em termos, não
merece prosperar tal argumento, vez que assim o dispositivo legal invocado:
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“...Art. 467. Em caso de rescisão de contrato de


trabalho, havendo controvérsia sobre o montante das verbas
rescisórias, o empregador é obrigado a pagar ao trabalhador, à
data do comparecimento à Justiça do Trabalho, a parte
incontroversa dessas verbas, sob pena de pagá-las acrescidas
de 50% (cinqüenta por cento)...”

Neste sentido, ao comparecer à Justiça do Trabalho,


ainda não há o cálculo do valor líquido a ser pago ao trabalhador, apenas o
montante “bruto” das verbas rescisórias, restando claro que é a esse montante que o
regramento se refere. Mantenho.

4.2. Da indenização do 404 do CC.

A tese encontra óbice na sistemática processual


trabalhista. Em se acolhendo a referida tese teria a Justiça do Trabalho que
igualmente acolher eventual reconvenção da reclamada para que fosse indenizada
pelos prejuízos causados pela necessidade de contratação de advogado para
defender-se dos pedidos improcedentes. Estaríamos, assim, instituindo não só a
sucumbência mas, principalmente, a sucumbência parcial.

As despesas com o advogado eventualmente suportadas


pelo reclamante não decorrem de ato da ré, e sim da sua opção pela contratação de
advogado particular (cuja qualidade, diga-se, não se discute). Tivesse a autora
procurado o sindicato de classe, receberia a assistência gratuitamente. Logo, este
“dano” não tem nexo causal com qualquer ação ou omissão da reclamada e sim com
a escolha voluntária da reclamante. Provejo.

4.3. Das verbas rescisórias.

Quanto a incidência de tributos sobre as verbas


deferidas, assim se manifestou a r. Sentença (fls. 146):

“...Em cumprimento ao disposto no §3º, do art. 832 da


CLT, declaro que é verba salarial o 13º salário, sendo as demais
verbas de natureza indenizatória...Os recolhimentos previdenciários
e fiscais serão apurados nos termos da Súmula 368, do C. T.S.T...”

Quanto ao pedido de dedução do valor relativo ao seguro


de vida, não foi colacionado aos autos qualquer comprovante de adesão.
Inteligência da Súmula 342, do C. TST.

Assim, porque ausentes quaisquer outras insurgências


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sobre o tema. Mantenho.

4.4. Do saldo de salário.

O documento de nº 62 (Aviso prévio) foi assinado pela


reclamante na data de 23.01.2007, prova cabal do comparecimento da mesma ao
trabalho.
A reclamada, em sua defesa, confessa que dentre os
valores a serem pagos a autora, consta o saldo de salários, conforme fls. 121.
Correta a r. sentença. Mantenho.

4.5. Do FGTS + 40%

O reclamante noticia na exordial que sua empregadora


não efetuou depósitos na conta do FGTS, requerendo o recolhimento do FGTS (fls.
15).

A reclamada não comprovou ter efetuado os depósitos


respectivos, nos termos do art. 15, da Lei 8.036/90 (na conta vinculada do
trabalhador), colacionou apenas a guia com o valor total mensal dos valores, pelo
que a r. Sentença determinou o pagamento das diferenças de FGTS de todo o
período trabalhado, acrescidas de 40%.

As diferenças serão apuradas em liquidação de sentença


e, uma vez apuradas, devem ser executadas com o restante do crédito e não
depositadas na conta vinculada. Mantenho.

DO EXPOSTO

ACORDAM os Magistrados da 3ª Turma do Tribunal


Regional do Trabalho da Segunda Região em CONHECER do recurso ordinário
interposto pela reclamada, REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para absolver a recorrente da condenação de
indenização por despesas de advogado, conforme fundamentação constante do voto
do Relator. No mais, fica mantida a r. sentença recorrida, inclusive no que tange aos
valores arbitrados para condenação e custas para os fins a que se destinam.

ANTERO ARANTES MARTINS


Juiz Relator

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