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Passo 1 - Descrição de eventos ambientais e comportamentais

Galvão, O. F. & Barros, R. S. (2001). Passo 1. Em O. F.Galvão & R. S. Barros.


Curso de Introdução à Análise Experimental do Comportamento. São Paulo:
Copymarket.

Nota: material disponibilizado com a devida permisão do autor professor Romariz da


Silva Barros. A formatação de alguns elementos do texto foi alterada para que se
adequasse à nova mídia, mas continua a mesma na maior parte do documento,
mantendo a originalidade.

Introdução: Considerações Sobre uma Abordagem Comportamental para a Psicologia.

Objetivos:

1. Definir, identificar e distinguir explicações mentalistas e internalistas de


explicações funcionais externalistas do comportamento;
2. Discorrer sobe as críticas ao mentalismo.

Atualmente uma das definições mais conhecidas de Psicologia é a de que ela é o "estudo
do comportamento". Essa não seria uma definição adequada, entretanto, para a
Psicologia que se fazia quando Wundt fundou essa disciplina como uma ciência
independente, e mesmo para toda a Psicologia científica de hoje. A "Psicologia", que
etimologicamente significa "estudo da psique ou da mente", passou a se interessar cada
vez mais pelo comportamento, porque o "processamento mental", o funcionamento da
"mente", só pode ser inferido [1], não pode ser diretamente observado [2] nem
manipulado, criando dificuldades metodológicas, conceituais e filosóficas.

Por algum tempo, estudar o comportamento era apenas uma alternativa para a obtenção
de dados que permitiam inferir sobre o então objeto de estudo da Psicologia (a chamada
mente). Em outras palavras, observava-se o comportamento para inferir sobre as
possíveis estruturas e funções dos processos mentais e, a partir de então, explicar o
comportamento. A esse tipo de abordagens ou concepções sobre a Psicologia nós nos
referiremos aqui genericamente como abordagens mentalistas.

Contraditoriamente, a única fonte de informação sobre a dimensão mental residia


exatamente nas ações dos organismos, os comportamentos, e nas interações entre as
ações e os eventos precedendo-as ou sucedendo-as. Por isso, progressivamente o
comportamento assumiu um valor intrínseco, ou seja, tornou-se, pelo menos para uma
parte dos psicólogos, o próprio objeto de estudo da Psicologia, até mesmo porque uma
parte do que tem sido chamado de mente, o pensamento, as sensações, as percepções e
os sentimentos, por exemplo, apesar de não serem eventos observáveis para todos, são
ações, atividades, comportamentos tanto quanto as ações, atividades, comportamentos
publicamente observáveis. Nesse momento surge, portanto, uma abordagem
comportamentalista para a Psicologia, em distinção das abordagens mentalistas. A
publicação por John Watson (1913/1971) [3] no manifesto intitulado "A Psicologia
como um Behaviorista a vê" pode ser considerada o marco inicial do
Comportamentalismo.
Outra parte dos psicólogos, contudo, não abandonou a tradição mentalista e continuou a
estudar o comportamento público como uma forma de inferir o funcionamento de
supostos eventos internos sem dimensões físicas chamados de mentais, dentro da
tradição cartesiana, e a considerar os eventos comportamentais ocorridos sob a pele (ou
seja, eventos internos), ou privados, como sendo de uma natureza distinta dos demais
fenômenos conhecidos e seguindo leis próprias ou não seguindo lei alguma. Assim,
dentro de uma tradição mentalista de Psicologia as ações diretamente observáveis das
pessoas seriam regidas por uma entidade interior, não-física (sem dimensões no espaço
e no tempo), que gerenciaria "de dentro" o comportamento humano. Essa característica
das concepções mentalistas pode ser nomeada como internalismo.

Mais recentemente, e com o intuito de se livrar das pesadas críticas feitas a esta
imaterialidade da mente, alguns psicólogos têm equiparado mente a cérebro. Observe,
contudo, que o maior problema do mentalismo não é, necessariamente, as referências a
algo inobservável, mas sim o apelo a um agente interno responsável pelo
comportamento (internalismo), e ao equiparar mente e cérebro este problema persiste.
Não queremos com isto dizer que o cérebro deva ser desconsiderado. Antes julgamos
que se deve considerá-lo pelo que ele é; ou seja, um órgão. O cérebro não é uma
máquina operando à parte do corpo. Ele é parte deste corpo, e como tal, faz parte dos
processos comportamentais ligados a este corpo, mas não como causa destes
comportamentos, como em uma relação mecanicista (Agente Interno >>
Comportamento).

Uma outra faceta também do mentalismo, complementar à descrita anteriormente,


estaria em interpretar os comportamentos e outros eventos ocorridos de forma privada
(por exemplo ver imagens durante um sonho ou fazer uma conta "de cabeça" ou
"mentalmente") como processos de ordem ou natureza diferente dos eventos públicos.
Dessa forma, por exemplo, fazer um cálculo "de cabeça" teria uma realidade distinta,
em um modelo mentalista, de fazer o mesmo cálculo usando lápis e papel (para mais
detalhes sobre uma análise histórico-conceitual das explicações mentalistas, ver
Carvalho Neto, 2001).

Para muitos psicólogos, portanto, as teorias psicológicas são modelos de como funciona
a mente e de como ela produz eventos mentais, como a consciência e a memória, e
comportamentais, como a agressão, a fala, etc. É interessante ressaltar que, mesmo
pensando que as teorias psicológicas explicam como a mente produz eventos
psicológicos e comportamentais (teorias internalistas ou mentalistas) [4], esses
psicólogos dependem da observação do comportamento e de sua interpretação para,
indiretamente, verificar se as teorias estão corretas.

Os analistas do comportamento procuram explicar a ocorrência dos eventos


comportamentais (João beijou Maria; Roberta levantou-se cedo) verificando que
relações esses eventos mantém com os eventos ambientais com os quais o organismo
em questão mantém intercâmbio (exatamente por isso, podemos dizer que ela é uma
abordagem externalista5 ou funcional). Nesse contexto:

1. Uma parte da atividade que é tida em outras áreas como atividade mental, para
os analistas do comportamento pode ser considerada enquanto processamento
cerebral, fisiológico e, portanto, deve ser estudado pela neuropsicologia;
2. Outra parte pode ser analisada enquanto eventos (comportamento ou ambiente)
encobertos (ou seja, acessíveis apenas ao próprio sujeito da ação).

Quando faço um cálculo "de cabeça" ou "mentalmente", estou me comportando tanto


quanto se tivesse feito esse cálculo de maneira aberta a outros observadores, usando
papel e caneta6. Isso quer dizer que, mesmo quando pensamos algo ou cantarolamos
uma música de maneira inaudível para os outros, estamos nos comportando e este
comportamento não tem uma natureza diferente de outros comportamentos observáveis
para os outros, eles diferem apenas em relação à possibilidade de acesso à observação.
Neste caso, enquanto comportamento, os fenômenos psicológicos encobertos não
explicam o comportamento visível, mas precisam também ser explicados. Se você canta
uma música em um bar onde todos são afetados por ela e depois canta essa mesma
música ao chegar em casa para você mesmo, na "sua cabeça", sendo o único capaz de
ouvi-la agora e ser afetado por sua própria ação, onde estaria a diferença entre as duas
formas de "cantar"? A natureza do cantar se transmutou misteriosa e magicamente nessa
passagem do público para o privado? Como? Por que devo supor isso? O que sustenta
tal interpretação? No primeiro você usa o seu corpo e age, é um evento físico, e no
segundo não? Note também que, enquanto comportamentos, os fenômenos psicológicos
encobertos, chamados tradicionalmente de "mentais", não explicam o comportamento
visível, mas precisam também ser explicados.

Sobre essa questão, De Rose (1997) explica:

Infelizmente, em nossa cultura, inventou-se, para explicar a ocorrência de


comportamentos encobertos, uma entidade imaterial denominada mente. Esta noção nos
levou a perder de vista o fato de que comportamentos encobertos são operantes do
mesmo modo que os comportamentos visíveis. Pior, esta entidade inventada, que
denominamos mente, passou a ser tomada como explicação dos comportamentos
visíveis e, deste modo, as causas reais destes comportamentos têm passado
despercebidas (p. 80).

Uma explicação mentalista incorre em diversos erros lógicos e carece de uma base
empírica sólida demonstrada e demonstrável. Duas das objeções mais graves ao modo
de explicação mental foram sinalizadas por Ryle (1949/1969) e por Skinner
(1953/1965). Ryle examina a própria fragilidade lógica da tradicional descrição da
mente. A visão corrente de mente (que tem sido aceita há mais de 300 anos) é aquela
proposta por Descartes, que é decorrente de sua suposição de que existiriam dois tipos
de substância no universo: a res estensa (matéria) e a res cogito (mente). A mente para
Descartes seria uma substância não física, não espacial, não temporal, não divisível, não
perecível e etc. Esta mente estaria em constante interação com o corpo material. O
problema decorrente destes postulados, muito bem apontado por Ryle, é simples: como
é possível que o corpo, que é material e, portanto, opera segundo leis físicas, pode
interagir com esta substância não física, que opera segundo leis próprias? Além disto, se
a mente não tem propriedades espaciais, por que nós a situamos dentro do corpo?
Como é possível que um evento ocorrido em um tempo preciso possa afetar a mente se
esta é atemporal? Entre tantas outras.

Ao longo de sua obra Skinner faz uma série de críticas ao mentalismo, mas uma que é
particularmente útil neste momento é aquela relacionada à circularidade das explicações
de natureza mental. Ele acreditava que os termos mentalistas seriam, de início, apenas
nomes usados para designar conjuntos de comportamentos e que posteriormente
adquiriram, equivocadamente, o papel de "causas" destes comportamentos. Ele justifica
seu argumento apontando para as falaciosas explicações mentalistas e seus raciocínios
viciosos como o que se segue: Ao observar que Bart está cabisbaixo, quieto, com um
olhar disperso, e os olhos marejados de lágrimas o mentalista dirá: "Bart está triste!".
Mas alguém poderia então interpelá-lo sobre como é possível que ele saiba que Bart está
triste, ao que ele responderia: "Olhe como ele está cabisbaixo, como está quieto! Olhe o
modo como seu olhar parece disperso e os seus olhos estão marejados de lágrimas! É
óbvio que está triste!" Observe como neste nosso exemplo hipotético, o referido
mentalista se exime de explicar as razões do comportamento de Bart; ele simplesmente
torna a descrever o comportamento de Bart, que é justamente aquilo que ele deveria
explicar. Note que o problema não está em se utilizar o termo "triste", afinal este termo
apenas sintetiza uma série de comportamentos que normalmente são apresentados em
conjunto em uma determinada circunstância. O problema surge quando tomamos esta
tristeza como sendo a "causa" do comportamento. É por isto que Skinner acusa o
mentalismo de apresentar explicações circulares; afinal os defensores desta abordagem
do comportamento observam um dado evento comportamental, atribuem este evento a
uma entidade mental qualquer e justificam sua existência com base em inferências feitas
a partir do próprio evento que se pretende explicar.

Como dito anteriormente, o grande problema com as explicações mentalistas é a


atribuição de uma causa interna a um comportamento. A fim de evitar tal equivoco, os
analistas do comportamento restringem suas explicações ao estabelecimento de relações
funcionais entre eventos (no Passo 4 será apresentada uma versão mais detalhada do
conceito de relação funcional). Deste modo, para estes cientistas do comportamento,
tanto o comportamento visível, quanto os comportamentos encobertos (eventos
privados) devem ser entendidos a partir de suas relações com o ambiente.

[1] Inferir é supor, com base em fatos observados, a ocorrência de um fato não
observado. Maria verificou que João estava deitado no sofá, imóvel e com os olhos
fechados. Ela inferiu que João estava dormindo. Apesar da inferência fazer parte da
atividade científica (na formulação de hipóteses, por exemplo), a construção de
conhecimento científico requer verificação. Uma parte do conhecimento da Psicologia é
constituído de inferências a respeito de "instâncias psíquicas" (como Id, Ego, Superego)
formuladas a partir da observação de comportamentos. Conflitos entre o Id e o Superego
jamais foram observados. Eles são inferências a partir de certos padrões
comportamentais diretamente acessados.

[2] Mais tarde veremos que o fato de um evento não ser diretamente observado por
outras pessoas não é um impedimento real para não interpretá-lo e estudá-lo
cientificamente. Somos incapazes de observar diretamente eventos muito pequenos,
como partículas físicas elementares, ou muito grandes, como o cosmos inteiro, ou
eventos que ocorrem em espaços de tempo muito longos, como a evolução das espécies.
Ainda assim, para cada um desses exemplos foi possível conceber formas de
investigação científica. Os problemas com os conceitos mentais tradicionais decorrem
da interpretação imaterialista dos eventos psicológicos concretos ocorrendo sob a pele
de cada um e da tomada de tais eventos como causas diretas da ação humana observada
do que propriamente sua localização (ver, a propósito, Tourinho, 1999).
[3] Quando duas datas foram apresentadas, a primeira especificará o ano da edição
original e a segunda o ano da edição consultada.

[4] Essas teorias podem ser denominadas de internalistas ou mentalistas porque


consideram os eventos mentais ou internos como causas autônomas dos
comportamentos observáveis, o que é uma visão radicalmente diferente da defendida
pelos analistas do comportamento, onde os eventos internos são, quando muito, elos
intermediários em uma cadeia envolvendo ações públicas e privadas, mas tendo sua
origem e estando suas variáveis relevantes igualmente fora do organismo que se
comporta. Assim, se dizemos que uma ação, como o correr, é "movida" por um
pensamento, em uma análise do comportamento verifico que tanto o "pensamento"
quanto o "correr", ambos comportamentos, foram criados e são mantidos no
intercâmbio com o mundo público (histórico e imediato) e mesmo que estejam
encadeados (pensar >> correr) há coisas que aconteceram antes do pensar e que também
o controlam, coisas que residem fora do organismo (ambiente público, histórico e
imediato >> pensar >> correr). Por quê você pensa lingüisticamente em português e não
em uma língua eslava? Quando você estuda outra língua um bom sinal de progresso é
"pensar na língua estrangeira". O pensar verbal parece ter, então, uma existência
atrelada a uma história particular de interação com o mundo social e não ocorre
espontaneamente em um universo interior refratário e indevassável. Outro exemplo, o
pensamento matemático não exige um treinamento prévio ou basta "pensar", como basta
"respirar"?

[5] O que não é o mesmo que dizer que ela ignora eventos concretos ocorridos em baixo
da pele ("internos") de cada um. Não está em discussão a existência de eventos
psicológicos/comportamentais subjetivos, mas apenas sua natureza e sua posição em
uma cadeia causal ampla (Skinner, 1945).

[6] Observe que podemos identificar pelo menos dois tipos de "pensar": um
essencialmente verbal e outro perceptual. No primeiro ocorre uma descrição, privada,
do mundo através de uma língua qualquer. Quando você "fala com você mesmo" em um
nível tão baixo que somente você mesmo é afetado pelo que está fazendo. Uma outra
forma de pensar parece envolver apenas comportamentos perceptuais, como "ver",
"ouvir", "tatear", etc. Quando você "lembra" do rosto do seu melhor amigo quando ouve
o nome dele, você está agindo de forma perceptual, no caso "ver", na ausência do
estímulo original. Em ambos os casos, estamos diante de coisas que os organismos
fazem no intercâmbio com seus mundos.

Referências & Bibliografia Complementar

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