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Fernanda de Souza Pádua

A TV UNIVERSITÁRIA:
uma análise do conteúdo do telejornal Circuito UFMG

Belo Horizonte

Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH)

2010
Fernanda de Souza Pádua

A TV UNIVERSITÁRIA:

uma análise do conteúdo do telejornal Circuito UFMG

Monografia apresentada ao curso de Jornalismo do Centro


Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) como requisito
parcial à obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo.

Orientador(a): Profa. Odila Valle de Carvalho Oliveira.

Belo Horizonte

Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH)


2010

Em primeiro lugar, à minha mãe e meu pai, e aos meus novos anjos da
guarda, Dindinha e Vô. À família, Carol, Átila, Flavinha, Let,
bananas, Ari, enfim, todos que me ajudaram a trilhar este caminho que
me trouxe até aqui.

Um agradecimento, em especial, à galera da TV UFMG, por ter me


recebido de braços abertos, pelas oportunidades, gargalhadas e pelas
ótimas experiências.
RESUMO

A TV universitária é um segmento pouco estudado no meio acadêmico e ainda gera muita


dúvida em quem a produz. Ela é a responsável por informar o que acontece na universidade,
tentar fazer um produto comercial, ser um local de experimentação e, ao mesmo tempo, um
espaço de formação profissional. O Circuito UFMG, telejornal veiculado na TV UFMG, tenta
de forma clara e precisa levar para o telespectador os acontecimentos de dentro da maior
universidade do estado de Minas Gerais, ao mesmo tempo em que tenta informar sobre os
acontecimentos na sociedade civil, e formar os estudantes que fazem do espaço, além de uma
forma de aprendizado uma oportunidade para se projetar ao mercado de trabalho. Adotando
uma análise crítica, este estudo busca compreender como o Circuito UFMG, consegue, ou
tenta, conciliar tudo isso e levar ao público um noticiário diário, com 15 minutos de duração e
com boa qualidade. A discussão foi baseada no que se espera de uma TV universitária, na
opinião dos profissionais do telejornal e nos componentes diários que são levados ao
telespectador. Constatou-se que o telejornal, ao tentar transmitir tipos de informações
diferentes, acaba se tornando algo confuso e perdendo sua identidade, mas não deixa de
cumprir o papel de formar profissionais para o mercado de trabalho.

Palavras-chave: TV; TV Universitária; UFMG; TV UFMG; Circuito UFMG


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Lidyane Barbosa gravando entrevista de estúdio para o Circuito UFMG ............47

Figura 2 – Reunião de pauta do turno da tarde.........................................................................47

Figura 3 – Fábio Vieira, editor de imagens do Circuito UFMG..............................................48

Figura 4 – Janaína Coelho, repórter do Circuito UFMG..........................................................48


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Decupagem do telejornal Circuito UFMG- Dia 27/09/2010..................................49

Tabela 2 – Decupagem do telejornal Circuito UFMG- Dia 28/09/2010..................................50

Tabela 3 – Decupagem do telejornal Circuito UFMG- Dia 29/09/2010..................................51

Tabela 4 – Decupagem do telejornal Circuito UFMG- Dia 30/09/2010..................................52

Tabela 5 – Decupagem do telejornal Circuito UFMG- Dia 01/10/2010..................................53


ENTREVISTAS

Entrevista 1- Coordenador geral da TV UFMG, Luiz Henrique..............................................54

Entrevista 2- Ex-coordenador geral da TV UFMG, Mário Quinaud.......................................55

Entrevista 3- Editor-chefe do telejornal Circuito UFMG, Átila Moreno.................................56

Entrevista 4- Editor de imagens do telejornal Circuito UFMG, Fábio Vieira.........................57

Entrevista 5- Estagiário do telejornal Circuito UFMG, Ricardo Miranda...............................58

Entrevista 6- Estagiário do telejornal Circuito UFMG, Filipe Staino......................................59


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................9

2 JORNALISMO E A CONSTRUÇÃO DA NOTÍCIA .....................................................12

2.1 O que é Jornalismo.............................................................................................................12

2.2 O que é notícia ...................................................................................................................13

2.3 Critérios de noticiabilidade ...............................................................................................14

3 TELEVISÃO .......................................................................................................................18

3.1 Comunicação de massa e a mídia em TV: o nascimento e expansão da TV no Brasil......18

3.2 O texto na TV.....................................................................................................................21

3.3 Tipos de TVs .....................................................................................................................23

3.4 A TV universitária .............................................................................................................25

3.4.1 Como fazer a TV da universidade ..................................................................................27

3.4.2 A evolução da TV universitária ......................................................................................29

3.4.3 A TV UFMG ..................................................................................................................31

4 A PRODUÇÃO DE CONTEÚDO NO CIRCUITO UFMG............................................34

4.1 Metodologia de pesquisa....................................................................................................34

4.2 O Circuito UFMG .............................................................................................................35

4.1.1 Como é pensado o Circuito UFMG.................................................................................36

4.2.2 Formato do telejornal......................................................................................................37

4.2.3 Por dentro do Circuito UFMG.........................................................................................38

4.3 Critérios de noticiabilidade do Circuito UFMG.................................................................39


4.4 A opinião de quem faz o telejornal Circuito UFMG..........................................................41

5 CONCLUSÃO.....................................................................................................................43

REFERÊNCIAS.....................................................................................................................46

ANEXOS.................................................................................................................................48

Anexo A – Imagens do telejornal, do site e da rotina de trabalho da TV UFMG....................48

Anexo B – Tabelas...................................................................................................................50

Anexo C – Entrevistas..............................................................................................................55
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1 INTRODUÇÃO

Mais um dia de trabalho. A primeira a chegar e abrir a redação é a editora de texto do Circuito
UFMG, que às 7h, dá início à produção na TV UFMG. Depois quem aparece é a
coordenadora de produção. Em seguida, aos poucos, produtores, repórteres e editores chegam
para colocar no ar os nove programas que são transmitidos pela TV UFMG no Canal
Universitário de Belo Horizonte.

Dentre os programas transmitidos pela equipe da TV UFMG está o Circuito UFMG,


telejornal diário, com 15 minutos de duração, exibido às 19h15 e às 22h45, que leva ao ar
projetos, experiências e iniciativas originárias na Universidade, bem como busca, junto à
comunidade acadêmica, a interpretação de fatos e episódios do cotidiano. A TV UFMG faz
parte do Centro de Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerias (Cedecom) um
órgão responsável pelas ações de comunicação da instituição que, desde 2002, conta também
com a participação da TV UFMG, unidade que responde pela produção de programas
televisivos, veiculados pelo Canal Universitário de Belo Horizonte e retransmitidos, pelo
sistema de cabo, através das operadoras: NET, canal 12 e OI TV, canal 14.

Magalhães (2009) trabalha a idéia de que há muito do que se falar sobre as TVs
Universitárias, mas que pouco é dito na verdade. Para ele, com o surgimento da Lei Federal
de 8.977 de 1995, que designa às IES um Canal Universitário na TV a cabo, o uso desse
espaço destinado às universidades que atuam dentro do município onde o serviço é prestado,
deve ser feito com muita responsabilidade. As TV’s Universitárias devem ser um local de
extensão, divulgação de projetos acadêmicos e culturais, além de constituírem um laboratório
para os estudantes.

A vida cotidiana do cidadão comum também tem sido configurada pelo uso de equipamentos
que incorporam recursos tecnológicos de usos variados. Obter acesso ao conhecimento
científico é, em tese, um direito de toda a sociedade, sendo para isso relevante o acesso à
educação. Assim, é de suma necessidade avaliar a importância a TV Universitária, que leva ao
telespectador informações e notícias produzidas pelo meio acadêmico e, muitas vezes, com
uma abordagem diferenciada. Para Magalhães (2009) saber qual o papel de uma TV
universitária, o que ela deve transmitir e como deve ser feita essa comunicação é um campo
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pouco explorado, trata-se de um meio que ainda é preciso trabalhar muito para que seja
compreendido.

Por ser a UFMG uma instituição mantida pelo Governo Federal, esse trabalho é de grande
interesse, pois mostra de qual forma os recursos oriundos do pagamento de impostos estão
sendo empregados. E, por outro lado, há a considerar que a TV é um dos meios de
comunicação mais utilizados na atualidade. Para justificar o objeto da análise do presente
trabalho, relativo a um programa da TV UFMG, pode-se apelar para o que diz Lima (1998)
quando escreve que, por piores que sejam as universidades brasileiras, elas continuam sendo o
topo da reflexão intelectual no país. É de grande importância saber qual o conhecimento
gerado dentro dessas instituições e como seus alunos, que em pouco tempo ingressarão no
mercado de trabalho, estão sendo formados.

Por isso a necessidade ou curiosidade de saber como são escolhidas as notícias levadas ao
telespectador e como os profissionais que compõem o canal atuam no dia a dia é parte
fundamental deste projeto. Por meio de análise de observação participante e entrevistas,
busca-se compreender o processo de produção e a opinião dos produtores sobre o telejornal.
Com o intuito de esclarecer os conteúdos e verificar a adequação do programa ao esperado de
uma TV universitária, foram utilizadas, em primeiro lugar, as teorias dos critérios de
noticiabilidade de Traquina (2005) e Wolf (1999), para quem os principais são divididos em:
1- freqüência do acontecimento; 2- amplitude; 3- clareza; 4- como inserir a novidade em uma
notícia que já foi dada; 5- a importância; 6- o inesperado; 7-se ela tem ou é uma continuidade;
8- necessidade de manter um equilíbrio entre o que é noticiado; 9- referência às nações de
elite; 10- pessoas ligadas à elite; 11- personalização e 12- negatividade. Utilizou-se também
dos estudos de Magalhães (2002), que procura definir o papel das TVs universitárias.

A Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, que antes recebia o nome de Federação da
Universidade de Minas Gerais, passou a ser assim denominada a partir do ano de 1965. Ela
possui cinco meios de comunicação: a rádio UFMG Educativa; o site da instituição; o
Boletim, jornal interno da universidade; a assessoria de imprensa e a TV UFMG, núcleo onde
se produz o telejornal. Importa observar que essa Instituição é uma das mais importantes do
país. Segundo dados do Ministério da Educação, apurados em 2008, a UFMG está entre as 21
maiores Instituições de Ensino Superior de todo o Brasil.
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Nas universidades, são várias as formas por meio das quais o conhecimento é produzido,
estocado, divulgado e transformado em bens e serviços. Assim, as instituições sociais, tanto
no âmbito privado quanto no setor público, precisam, cada vez mais, desenvolver ações
comunicativas, variadas e adequadas, para que possam se relacionar com seus públicos.
Trabalhar com uma instituição que existe há mais de 80 anos e que em 2010 ofereceu 75
cursos, com 6.600 vagas, sobretudo num momento em que há grande proliferação de TVs
Universitárias.

Esse aumento se deu pela chamada Lei do Cabo de 1995, que designou nas TVs a cabo um
canal destinado às Instituições de Ensino Superior. Com essa lei, foram criados os canais de
utilização gratuita, dando voz às universidades, que se capacitam a levar sua mensagem ao
público, comunidades, e entidades educacionais e sociais.
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2. JORNALISMO E A CONSTRUÇÃO DA NOTÍCIA

O Jornalismo é uma atividade que surgiu da necessidade de o homem comunicar e


retransmitir informações. É papel do jornalista a produção de textos noticiosos para diferentes
veículos, dando seqüência lógica ao que será divulgado. Ele é responsável pela adequação e o
equilíbrio das informações contidas nas reportagens que faz, dosando imagem e texto, no caso
da mídia impressa e eletrônica. Saber o que vem a ser notícia, ou não, é uma das obrigações
básicas desse profissional. O jornalista é o porta-voz da população. É ele o responsável por
transmitir o que é de interesse da sociedade.

2.1 O que é Jornalismo

Apesar da dificuldade em se definir com breves palavras o que seja jornalismo, Clóvis Rossi
(1994) se arrisca a fazê-lo ao escrever que:

Jornalismo (...) é uma fascinante batalha pela conquista das mentes e corações de seus
alvos: leitores, telespectadores ou ouvintes. Uma batalha geralmente sutil e que usa uma
arma de aparência extremamente inofensiva: a palavra, acrescida, no caso da televisão, de
imagens. Mas uma batalha nem por isso menos importante do ponto de vista político e
social, o que justifica e explica as imensas verbas canalizadas por governos, partidos,
empresários e entidades diversas para o que se convencionou chamar de comunicação de
massa. (ROSSI, 1994, p.9)

Para ser vitorioso nesta batalha, Cláudio Abramo (1988) considera que:

O jornalista deve ter um tipo de imaginação e de noção espacial e visual. Deve trabalhar
com a realidade, com as narrativas, os comentários, as análises, as fotos e as charges, isto é,
coisas materiais. Deve transformar isto tudo num conjunto inteligível para o leitor, tanto
intelectualmente quanto fisicamente (ABRAMO, 1988, p.48)

É fundamental ainda que o jornalista perceba a carga emotiva e informativa das matérias
preparadas para a veiculação. Assim entende Abramo (1988), para quem uma notícia sem
fundamentos, com exagerada carga emocional, visualmente poluída pode desequilibrar o meio
onde será divulgada a informação em mídia impressa ou não. No caso da televisão, o editor de
notícia tem de ler o texto com cuidado, deve possuir experiência jornalística, tato profissional
e, principalmente, conhecimentos em novas tecnologias audiovisuais, além de requisitos a
mais: estar bem informado, conhecer de cinética, ser dotado de rapidez de assimilação e ter
senso de equipe, porque a montagem da notícia não se dá de forma isolada: trata-se de
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fragmentos, a serem mostrados como um quebra cabeça que deve apresentar, ao final, uma
qualidade inteligível para o leitor ou telespectador.

Os profissionais em comunicação são variados, incluindo desde o repórter de um jornal local


até um âncora nos telejornais mais populares, de visibilidade nacional. Um fato curioso,
destacado por Abramo (1988), foi o grande destaque concedido a jornalistas de grandes
emissoras, após a concepção dos telejornais, que viram nascer aos poucos um novo tipo de
profissional: o telejornalista, que funciona como repórter, produtor, editor de imagens ou
editor de texto.

Traquina (2005) comenta que as primeiras teorias referentes ao jornalismo datam da década
de 1930. Algumas permaneceram em voga durante vários anos, até serem substituídas por
outras, mais completas e atuais. A primeira utilizada para entender a atividade realizada pelos
jornalistas é a do espelho. De acordo com essa perspectiva, os profissionais nada mais faziam
do que refletir a sociedade, tal como um espelho que reflete uma imagem. Essa teoria,
entretanto, não era consistente e foi deixada de lado. Afinal, para corresponder à verdade, o
jornalista deveria ser mero relator de fatos, totalmente imparcial e objetivo.

2.2 O que é notícia

Saber ao certo o que é a notícia é algo quase impossível ou que necessitaria de muito mais
tempo e estudo. Mas uma coisa é certa: ela é a matéria-prima do jornalismo, pois assim que é
divulgada, ganha as ruas, interpretações e comentários. Os estudiosos definem, mais
facilmente, como deve ser seu formato, mas não conseguem, de forma satisfatória, responder
o que seja notícia.

Erbolato (1991) e Lage (1999) tentam, respectivamente, definir notícia como “o relato de uma
série de fatos a partir do fato mais importante ou interessante; e de cada fato, a partir do
aspecto mais importante ou interessante”.

Nas redações costumam dizer aos novatos que, se um cachorro morde um homem, isso não é
notícia, mas se um homem morder um cachorro aí sim será notícia. É dessa forma que Lage
(1999) tenta exemplificar o que seja notícia.
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Maciel (1995), tenta de forma prática, explicar a notícia definindo-a através de quatro formas
de apresentação: a nota ao vivo; a nota coberta; o boletim ou stand-up gravado ou ao vivo; e a
reportagem. E cada uma delas apresenta suas próprias características e exigências. Elas
possuem, respectivamente, as seguintes características: a nota ao vivo é a forma de passar a
notícia de maneira mais simples: o apresentador apenas lê um texto escrito. A nota coberta é a
forma mais simples quando se usa imagem e texto para mostrar um acontecimento no boletim
ou stand-up. Nesse caso, o repórter fala sozinho sobre um determinado tema, de forma
completa, ficando, em frente à câmera, que pode fazer um giro para mostrar o que está sendo
noticiado ou abrir mais o foco para mostrar um entrevistado. A reportagem é a forma mais
completa e mais trabalhada de noticiar alguma coisa. Nela são utilizados mais artifícios para
transmitir a notícia. Integram-na: o apresentador, o repórter e o entrevistado, com apoio de
imagens.

Para Lage (1999), a notícia é a matéria prima para um relato. No jornalismo, a forma de
complementar uma notícia pode ser o contrário do que se aprende nas escolas e no cinema. A
ordem cronológica e seqüencial do acontecimento pode ser alterada. Pode-se começar uma
história do fato mais importante e não do que ocorreu primeiro.

2.3 Critérios de noticiabilidade

Traquina (2005) trata dos critérios de noticiabilidade em três momentos históricos, mostrando
como, mesmo em tempos diferentes, os valores-notícia básicos não variaram muito. As
qualidades duradouras da notícia seriam o insólito, o extraordinário, o atual, a figura
proeminente, o ilegal, as guerras, a calamidade e a morte.

No Século XVII, existiam as chamadas “folhas volantes”, onde eram escritos avisos
esporádicos sobre um determinado tema. Elas não poderiam ser consideradas jornais, pois não
existia periodicidade e o tema era único. Os temas recorrentes nessas edições eram bizarrices,
milagres, catástrofes. Assuntos internacionais como guerras e trocas comerciais também
faziam parte do repertório veiculado, que dava prioridade ao que era inusitado.

No século XIX, mais precisamente entre os anos 1830 e 1840, o autor comenta que os já
então criados jornais impressos eram dominados pelo poder político, expressando
determinadas tendências. Os critérios de noticiabilidade davam ênfase às histórias de crime,
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acontecimentos trágicos ou divertidos. Tudo o que o chamado homem comum considerasse


interessante.

O terceiro momento corresponderia à fase iniciada nos anos 70 do século XX, quando passa a
prevalecer a importância da notoriedade do agente principal do acontecimento como valor-
notícia. As demais personagens, quando desconhecidas, somente serão notícia quando são
vítimas de desastres, naturais ou sociais, transgressores da lei ou quando são agentes de
atividades pouco comuns.

Traquina (2005) propõe uma análise acadêmica do que sejam os critérios de noticiabilidade.
O autor toma por base a definição de Galtung e Ruge (1965/1993) que citam doze critérios de
valores-notícia. São eles, 1- freqüência ou duração do acontecimento; 2- amplitude do evento;
3- a clareza ou a falta de ambigüidade; 4- a significância; 5- a consonância, ou seja, a
facilidade de inserir a novidade em uma notícia que já foi dada; 6- o inesperado; 7- a
continuação como notícia do que já adquiriu noticiabilidade; 8- a composição, ou a
necessidade de manter um equilíbrio entre o que é noticiado, considerando a diversidade dos
assuntos abordados; 9- referência a nações de elite; 10- a referência a pessoas ligadas à elite;
11- personalização e 12- negatividade, valor que corresponde à máxima “bad news is good
news”.

Já Mauro Wolf (1999) define a noticiabilidade como sendo um conjunto de critérios a partir
dos quais um órgão informativo delimita quais fatos vão se tornar notícia. Para ele, a
noticiabilidade de uma notícia também se dá a partir da forma de produção da informação,
onde se deve evidenciar os dois lados da mesma história.

A noticiabilidade corresponde ao conjunto de critérios, operações e instrumentos


com os quais os órgãos de informação enfrentam a tarefa de escolher,
quotidianamente, de um número imprevisível e indefinido de fatos, uma quantidade
finita e tendencialmente estável de notícias (WOLF, 1999, p. 190)

Wolf (1999) cita quatro critérios de noticiabilidade que ajudam a estabelecer uma escolha
sobre o que será levado ao conhecimento do público. O primeiro critério é denominado de
Novidade: o fato tem que ter algo novo e contribuir para a formação da opinião, sem novas
informações o fato pode ser facilmente eliminado. Proximidade: é o quão perto o público
(telespectador, leitor ou ouvinte) está do fato, quanto mais próximo maior vai ser o interesse
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dele em acompanhar a história. Universalidade: é o que define a repercussão da notícia e de


que forma ela vai ser dada, nota ou matéria, por exemplo. O último critério citado pelo autor é
o de Relevância: a notícia deve despertar o interesse e ser significativa para gerar discussão
entre as pessoas.

Ao tratar dos valores-notícia substantivos, Traquina (2005) menciona a morte como um valor-
notícia fundamental. Conforme observa, para os jornalistas, quanto mais mortos, mais
provável é que o fato vire notícia. Seguindo o exemplo anterior, a notoriedade está ligada à
importância que o morto tem ou que a fonte viva possui. A proximidade, tanto geográfica
quanto cultural, vai levar ao público o que está perto dele; o que se assemelha à sua realidade.
O critério da relevância está ligado ao impacto que o fato venha a ter na vida do receptor.
Quanto maior o impacto, maior a relevância. A novidade está ligada à idéia da investigação.
Quanto mais recente for o fato, melhor. Por isso, os jornalistas buscam tanto os furos de
reportagem. O tempo também está ligado ao que é novo, atual. É um gancho para unir o
passado e o presente, como ocorre em comemorações de aniversários, ou de um ano da
construção de uma grande obra. A notabilidade ou a qualidade de ser visível é outro valor-
notícia. Uma greve se torna notícia mais facilmente que os problemas cotidianos dos
trabalhadores, que são menos tangíveis, menos perceptíveis. O valor-notícia do inesperado
está relacionado com o que rompe a normalidade, que quebra a rotina dos outros critérios de
noticiabilidade. O critério do conflito, como o próprio nome diz, remete à noção de oposições
de idéias ou forças. E, por último, o autor cita o critério substantivo da infração, ou da
violência que está ligado às violações das regras. Neste caso se encaixam os crimes,
escândalos e desvios de conduta.

Para Traquina (2005), os valores-notícia de seleção com critérios contextuais não são
definidos pelos acontecimentos e sim pelos processos que levam à produção das notícias. Ele
os divide em: disponibilidade ou facilidade em se cobrir o acontecimento; equilíbrio: se a
notícia foi dada há pouco tempo, ou se ela se repete com freqüência, fica a critério dos
jornalistas e das empresas divulgá-la ou não; concorrência: os jornalistas buscam o “furo” da
notícia, procuram levar ao público o que as outras empresas ainda não levaram. Mas não
noticiar o que todas as outras empresas também noticiaram precisa ser evitado. Por último,
Traquina cita o critério do dia noticioso. Trata-se do que de mais relevante acontece no dia a
dia da produção jornalística, se há alguma coisa programada ou até mesmo inesperada. Pode
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acontecer que em algum dia não aconteça nada de grande noticiabilidade. Aí outras notícias
que não teriam tanto destaque podem receber um valor muito maior.

Como se mencionou, outro subgrupo de valores-notícia destacado pelo autor é o de


construção. Nele “entendem-se os critérios de seleção dos elementos dentro do acontecimento
dignos de serem incluídos na elaboração da notícia”, Traquina (2005). Entre esses valores-
notícia o autor cita, em primeiro lugar, a simplificação. Nesse caso, quanto menos contradição
entre os fatos que compõem a notícia mais facilmente ela será entendida e vista. A seguir,
acrescenta ode demais: a amplificação: quanto maior a abrangência da notícia seja por meio
de suas possíveis conseqüência ou por sua amplitude, maior a possibilidade de ela ser notada;
a relevância: o jornalista deve mostrar ao público quão relevante é a notícia, se afeta a vida
dessa comunidade em si ou de toda a sociedade; a personalização, que trata da valorização
dos indivíduos na notícia, seja de forma positiva ou negativa (o público pode-se identificar ou
não com a notícia); a dramatização que consiste na valorização da apelação ao público pelo
lado sentimental e, por último, o valor-notícia da consonância. Para TRAQUINA (2005, p.
93), “quanto mais a notícia insere o acontecimento numa “narrativa” já estabelecida, mais
probabilidades a notícia tem de ser notada”.

O último subgrupo de valores-notícia destacado pelo autor é o denominado de organização


jornalística. Traquina (2005), destaca a importância que as empresas jornalísticas possuem
sobre todos os outros critérios de noticiabilidade. Este critério depende da linha editorial de
cada empresa e consequentemente varia de uma para outra.
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3. TELEVISÃO

A TV, no Brasil, tem um lugar especial no cotidiano da população e há 60 anos faz parte do
dia a dia dos brasileiros. Para quem ingressa nessa mídia, uma alternativa são as TV’s
universitárias, no ar desde 1995, com a implantação da Lei do Cabo (lei 8977/95). Essa
facilitou o acesso às Instituições de Ensino Superior o acesso a canais na TV a cabo. Nessas
TV’s, que tem como um de seus propósitos o preparo para o mercado de trabalho, pretende-se
que os estudantes consigam compreender como são definidos os temas a serem transmitidos,
de qual forma eles serão repassados à sociedade, quais os componentes de uma TV e como
vivenciar a rotina de uma redação.

3.1 Comunicação de massa e a mídia TV: o nascimento e expansão da TV no Brasil

A implantação da televisão no Brasil foi caótica, segundo Abramo (1988). Um lugar onde as
coisas aconteceram como se fosse por acaso. A profissão de um jornalista não tinha tanto
destaque e não gerava tanto interesse profissional como nos tempos atuais. Não havia o
principal: telespectadores e leitores assíduos, porque o jornalismo se deparava com uma
barreira importante: o analfabetismo.

Amorim (1998) lembra que a televisão brasileira teve origem na iniciativa do empresário das
comunicações, Francisco Assis Chateaubriand Bandeira de Melo que, em viagem a Nova
York, com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre a rede de rádio da NCB e a fábrica de
transmissores e aparelhos da RCA Victor, acabou tendo o primeiro encontro com a TV. O
empresário ficou encantado com o novo equipamento, até então um aparelho que transmitia
uma imagem em preto e branco, com ruído no áudio e que funcionava a válvulas. Segundo o
autor, Chateaubriand não mediu esforços, nem dinheiro, para trazer essa nova tecnologia ao
país. Em 18 de setembro de 1950, houve a primeira transmissão da TV brasileira, na extinta
TV Tupi.

Amorim (1998) relata que os primeiros 200 aparelhos de TV no Brasil foram doados a
personalidades e instalados em praças públicas. Segundo informa, a primeira emissora
brasileira a ter um telejornal foi a TV Tupi, apenas com notas e referências, sem imagens, e
que era a reprodução dos noticiários radiofônicos.
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O jornal Imagens do dia de Setembro de 1950 foi um marco na história do jornalismo,


assinalando o nascimento do primeiro telejornal do Brasil, na TV Tupi, emissora pioneira da
América Latina. Abramo (1988) salienta o fato de o país ter sido o quinto no mundo a ter
televisão, inicialmente pouco mais que um rádio televisionado. No entanto, boa parte do que
existe hoje no jornalismo nacional veio do rádio e deste tipo de televisão.

Abramo (1988) ainda destaca que o Repórter Esso, surgiu no rádio em 1941 e, em abril de
1952 passou a ser exibido também pela televisão. Nesse veículo ficou por 18 anos no ar até
dezembro de 1970, e se consagrou como o primeiro campeão de audiência no telejornalismo
brasileiro, dando forma e credibilidade ao rádio e ao telejornalismo no país. Com notícias
curtas, objetivas e poucas imagens em estilo americano da década de 50, embora lançado pela
TV Tupi do Rio de Janeiro, realizava algumas edições regionais onde os Diários Associados
tinham cobertura. Na apresentação deste jornal tornaram-se famosos alguns rostos como o de
Kalil Filho em São Paulo e Gontijo Teodoro, no Rio de Janeiro.

A partir daí aumentou o interesse em investir em telejornalismo. Após o sucesso do Repórter


Esso, surgiram outros telejornais de sucesso, como o Record em Notícias, com Murilo
Antunes; O Tico-tico; a edição Extra da TV Tupi. Todos com características de jornalismo ao
vivo, com poucos recursos, principalmente no que se refere a imagens, que eram reproduzidas
em preto e branco. Este mesmo telejornal foi o precursor nas coberturas internacionais e na
introdução do videoteipe no telejornalismo brasileiro.

As fotos muitas vezes eram enviadas à redação por avião. Ao chegar à redação, gravava-se a
voz do repórter pelo rádio e esse ia lendo o texto conforme as instruções. Só depois era
inserida a imagem editada.

Segundo Amorim (1998), após o golpe militar, em 1964, a Escola de Guerra das Américas
passou a orientar os governos a expandirem suas redes de telecomunicações. Como o Brasil é
um país com grande extensão territorial, somente com o rádio e a TV seria possível efetivar a
presença do governo central. A partir de então, nesta década, houve o grande avanço
tecnológico no país. Abramo (1988) completa dizendo que, nessa época, a radiodifusão se
tornou um instrumento de aliança contra os “inimigos da liberdade ocidental”, entrando em
operação transmissões via satélite e as redes nacionais.
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Em 1969, foi transmitido via satélite, pela primeira vez, uma mensagem ao vivo, direto de
Roma. A TV Globo tinha sido inaugurada, com auxílio de capital estrangeiro, em 26 de abril
de 1965. Na Rede Bandeirantes, predominavam também os investimentos do exterior e um
ambiente de não aceitação da censura militar e das pressões governamentais. Para Amorim
(1998), esse período serviu para que a TV, que a cada momento angariava mais
telespectadores, ganhasse notoriedade e virasse o alvo preferido dos órgãos opressores.

Esse cenário fez com que novas alternativas fossem criadas para preencher as lacunas
provocadas pela censura. Segundo o autor, é possível citar como destaque favorável os
festivais de música da Record. Já os telejornais passam por um período improdutivo.

Para Amorim (1998), uma contribuição dessa época, que é vista até os dias de hoje, é a
programação televisiva, em que cada telejornal vem entre duas novelas. Esse cenário só
começou a mudar a partir dos anos 1980. "Com o país se redemocratizando, após a anistia,
com a campanha pelas diretas e a eleição de Tancredo Neves, os telejornais começaram a
mostrar a que vieram". Começaram a surgir as editorias especializadas e os respectivos
repórteres de política e economia.

Para Paternostro (1999), na história da televisão brasileira alguns telejornais merecem


destaque. É o caso de: o Repórter Esso, que esteve no ar na TV Tupi São Paulo e Rio de 1953
a 1970; o Edição Extra, que lançou o primeiro repórter de vídeo da TV brasileira; o Jornal de
Vanguarda da TV Excelsior, no Rio de Janeiro, que surgiu em 1962, e passou pelas TVs
Tupi, Globo, Continental e acabou sendo retirado do ar por causa da ditadura, em 1968; o
Jornal Nacional, primeiro noticiário em rede nacional da televisão brasileira, em 1969; o Bom
dia São Paulo; a TV Mulher, lançado em 1980, na TV Globo de São Paulo; o Bom Dia Brasil,
que estreou como telejornal local no horário matutino e, em 1983, tornou-se noticiário em
rede nacional; o TJ Brasil que teve sua primeira exibição em 1988 pelo SBT; o Aqui e Agora,
que surgiu em maio de 1991, no SBT; e por último, o Jornal da Band, no ar desde 17 de
fevereiro de 1997, na TV Bandeirantes.

Amorim (1998) conta que um dos momentos mais marcantes para a história da TV brasileira
foram as Diretas Já. Principalmente as coberturas feitas pelas TV's Manchete e Bandeirantes.
A partir da primeira metade dos anos 1980, a TV Globo passou a ter a maior produção
21

jornalística brasileira. De acordo com Amorim (1998), na emissora, eram mais de 12 mil
funcionários em todo o país. Ela tinha também uma das maiores produções, com cinco
novelas, cinco telejornais diários e pelo menos mais dois grandes programas. Para ele, nesse
momento a TV Globo se consolidava como uma das maiores produtoras mundiais.

Alheio a esse cenário, um empresário prosperava e se tornava o segundo no ranking televiso


brasileiro: Silvio Santos e o seu Sistema Brasileiro de Televisão, o SBT. Em 22 de outubro de
1975, o presidente Ernesto Geisel assinou o decreto 76.488, concedendo à Silvio Santos o
canal 11 do Rio de Janeiro. Silvio passou a transmitir seus programas simultaneamente na
Tupi e na TVS (TV Studios). Em 1980, houve o fechamento da Rede Tupi. Silvio Santos
conseguiu a concessão de quatro canais, dos quais três pertenciam à Tupi: o canal 4 de São
Paulo (ex-TV Tupi SP), o canal 5 de Porto Alegre (ex-TV Piratini) e o canal 5 de Belém (ex-
TV Marajoara). O canal 9 do Rio de Janeiro, pertencia à TV Continental e entrou no ar em
1982 como sendo a filial carioca da TV Record.

Com a junção dos antigos canais da Tupi e o canal 11 do Rio, o empresário forma então, em
19 de agosto de 1981 o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). Na década de 1980, a
emissora era a segunda colocada no índice de interesse da preferência do telespectador. Nos
anos 2000 ela perde o posto para a Rede Record. Amorim (1998) explica que a programação
dessa emissora era uma cópia de outras TV's latino-americanas, que tinham programas de
auditório, jogos, prêmios, e shows.

Com o crescimento das emissoras nacionais e a expansão das TVs, Amorim (1998) destaca
que, a partir dos anos 1990, a TV brasileira já se consolidava como sendo uma das melhores
do mundo. Nesta mesma época, o autor ressalta o contínuo envolvimento da TV Globo com a
política. Amorim (1998) diz que com a entrada do plano real e a estabilidade monetária, o
Brasil cresceu. E que, pela primeira, vez na história do país, venderam-se mais aparelhos de
televisão do que fogões e geladeiras.

Segundo o mesmo autor, foram trinta e quatro milhões de aparelhos de TV vendidos, o que
corresponde a um aumento de aproximadamente 56 milhões de telespectadores. Isso fez com
que a TV revisse seus conceitos, e que novos produtos chegassem ao país, como as novelas
mexicanas, programas populares e outros produtos de consumo fácil.
22

3.2 O texto na TV

Segundo Paternostro (1999), por trabalhar com a imagem, muitas vezes a notícia da TV fica
mais viva na lembrança do público que a mesma mensagem passada pelo rádio. A TV, por
meio da imagem, transmite uma informação que pode ser identificada em outras línguas e
outros territórios, é imediata, tem vasto alcance. Fatores que prejudicam esse tipo de
comunicação são a superficialidade das notícias e a guerra por índices de audiência, além do
desejo de buscar os chamados furos de notícia, que podem acabar interferindo na qualidade do
material. Paternostro (1999) diz que, no telejornalismo, o texto falado deve ser absorvido
pelo receptor de uma única vez. Deve sempre existir a preocupação com o que e como se
escreve, pois esse texto será lido por alguém em voz alta e será transmitido ao receptor. Daí a
necessidade de ser um texto claro e objetivo. A autora dá algumas sugestões para quem
escreve o texto de TV. Sugere que se evitem cacófatos, que são aquelas palavras
desagradáveis que surgem quando ocorre a união da sílaba final de uma sílaba com a primeira
da seguinte. Ritmar a leitura do texto com frases e palavras curtas e a pontuação, que indicará
as pausas e o tom em que o texto deve ser lido. Para ela, no telejornalismo a imagem não deve
competir com o texto; deve estar ligada ao que está sendo dito. Ao escrever o texto, deve-se
saber quais imagens serão usadas para cobri-lo.

A linguagem do texto de TV, segundo Paternostro (1999), deve ser coloquial, como se fosse
uma conversa entre o emissor e o receptor, mas sem deixar de lado as regras gramaticais.
Ordenar as frases de forma direta ajuda na compreensão do texto, evitam-se frases
intercaladas com vírgulas. As frases, segundo a autora, devem seguir o formato sujeito+
verbo+predicado. Nessa modalidade de texto, os adjetivos são condenados. Só são aceitos
para completar uma informação.

Entre outras sugestões, Paternostro (1999) cita o uso dos chamados chavões, que são palavras
muito repetidas, que não agregam nada à narrativa e devem ser abolidos desse tipo de texto.
Para o uso das palavras estrangeiras, a autora diz que o seu uso deve ser moderado, pois
podem não ser conhecidas por todo o público, o que vai contra a idéia de que o texto de TV
deve ser simples. Caso seja necessário utilizá-las, o significado deve ser esclarecido. Quando
a palavra for de domínio de um grupo específico ela também deve ser traduzida para o maior
entendimento do público. Com as siglas, a regra segue a mesma, menos para as mais
conhecidas, como de partidos políticos ou instituições governamentais. Outras sugestões que
23

a autora dá referem-se aos números. A regra adotada é a de que eles devem ser escritos por
extenso para ajudar na leitura. Podem ser arredondados, mas quando são notícia principal
devem ser exatos.

Paternostro (1999) pondera sobre como são os processos da TV. Com as novas tecnologias, a
redação informatizada está tomando conta das empresas jornalísticas, possibilitando assim a
comunicação entre todos dentro do mesmo espaço e em grandes distâncias. Paternostro
(1999) afirma também que é na edição que a reportagem ganha o formato final. E que muitas
vezes uma boa edição pode acabar salvando a matéria. Mas para chegar a uma boa edição é
preciso ter boas imagens, bom texto. Uma matéria de TV não precisa necessariamente de uma
trilha musical. Só quando for necessário. Quando for preciso, também devem-se utilizar
outros recursos externos às imagens captadas na rua, como arte, arquivo. Assim como todo o
processo, a edição de imagens é subjetiva e um bom resultado depende do bom trabalho de
toda a equipe que compõe uma TV.

3.3 Tipos de TVs

Lima (1998) trabalha com a idéia de que TV Universitária, TV Pública ou TV Educativa,


caminham lado a lado e podem ser facilmente confundidas. Para ele, presidente da TV
Cultura, o que as aproxima é o caráter público que tanto essas duas como as TVs comunitárias
possuem.

Com a Medida Provisória 398/07 criou-se a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Vinda
da antiga RadioBrás, A EBC tem como principal objetivo produzir e transmitir programação
informativa, educativa, artística, cultural, científica, de cidadania e de recreação. Ela está
vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e possui
autonomia diante do governo federal para definir produção, programação e distribuição de
conteúdo e tem como controladores editoriais, a sociedade civil. É dever da EBC promover a
cultura nacional, a produção regional, a produção independente e o acesso à informação por
meio da pluralidade de fontes de produção e de distribuição de conteúdo. Cabe à EBC,
oferecer mecanismos para debate público sobre temas de relevância nacional e internacional;
desenvolver a consciência crítica do cidadão; estimular a cidadania, a democracia e o direito à
informação; e apoiar a inclusão social, com abertura de espaços para grupos sociais e
regionais.
24

Segundo Peruzzo (2000), TV Comunitária pode ser dividida em: TVs comunitárias UHF,
quando são ‘repetidoras não simultâneas’ de televisões educativas. Elas funcionam em uma
determinada localidade e retransmitem parte da programação de alguma Televisão Educativa
mediante convênio. É permitido que 15% da programação seja produzida localmente. Sendo
que nesse espaço são inseridos programas comunitários e apoio cultural local; Televisão de
Baixa Potência (VHF), são transmissões televisivas de aproximadamente 150 watts, que
atingem comunidades específicas. Não é regularizada em lei, assim passam a ser qualificadas
como transmissões clandestinas. Tem por o objetivo criticar a lei de telecomunicações e tentar
mudar a legislação de modo que sejam permitidas transmissões locais e comunitárias; TV de
rua, são vídeos produzidos com a participação da população e transmitidos em espaços
públicos abertos (praças e ruas) ou fechados, como creches, escolas, centros comunitários,
associação de bairro, etc. e destinados à recepção coletiva.

Para Lima (1998), se uma dessas TVs tiver como objetivo o mercado, ela estará fadada à
falência. O objetivo delas deve ser levar cultura e conhecimento à população. Por sua vasta
experiência em TV educativa, Lima faz mais associações com esse modelo de TV, mas
tomando por base a semelhança entre os propósitos dos dois meios é possível obter algumas
considerações sobre TVs Universitárias.

O mesmo autor diz que, por piores que sejam as universidades brasileiras, elas continuam
sendo o topo da reflexão intelectual no país. E por isso a televisão feita por esse grupo deve
muito mais que apenas transmitir a notícia institucional. Deve falar para a sociedade, levando
conhecimento científico, social e até mesmo conhecimento poético. Essa TV não pode se
tornar uma lente de aumento somente do que acontece dentro dos Campi. Deve sim elaborar
na sociedade uma consciência do que está sendo vivenciado e permitir que ela mesma possa
fazer reflexões acerca do que se passa à sua volta.

Citando o caso da TV Cultura, Lima (1998) diz que, no início, ela tinha que ser diferente,
possuir um atrativo, pois mesmo sendo uma TV Educativa, precisa preocupar-se com a
concorrência, uma concorrência segmentada que, por estar dentro de um canal fechado, é cada
vez mais fragmentada. Segundo o autor, para atrair o público, uma alternativa que pode ser
tomada, é montar uma programação de acordo com o público. Lima (1998) diz que, não
adianta, no considerado horário de pico, uma TV Universitária ou Educativa querer competir
com uma TV Comercial que estará transmitindo programas de maior procura pelo público
25

como novela, futebol ou filmes. Segundo o autor, o público que busca esse tipo de meio de
comunicação, dissemina na sociedade a reflexão e o conhecimento que são fundamentais para
o desenvolvimento.

É preciso tentar arrancar do governo, da universidade ou do reitor algum dinheirinho para


melhorar o que se tem. Nós estamos diante de um desafio econômico do mundo
perturbador que tem que fazer com que nós, mesmo que em escala pequena, tenhamos um
sistema de produção, sistemas de organização que não se assemelhem aos sistemas
burocráticos de governo, nem das universidades nem de fundações públicas. (LIMA, 1998,
p. 24)

Mas para que todo o conhecimento e conteúdo gerado nessas TV’s sejam transmitidos de
forma clara e objetiva, é necessário que haja padronização e conformidade na relação texto,
imagem e conteúdo. Paternostro (1999), ao falar de como deve ser o texto feito para a TV,
ressalta que além de levar a imagem aos olhos do telespectador, a preocupação de quem faz
TV também tem que se voltar para o que se diz no texto. Para ela o bom texto de TV precisa
ser coloquial, preciso, objetivo, informativo, simples e pausado.

3.4 A TV Universitária

Para entender a TV Pública, primeiro é necessário entender a realidade da TV na sociedade.


Rincón (2002) diz que a televisão se transformou no meio de comunicação de massa mais
autêntico, devido ao fato de que ela é capaz de atingir a todos de forma igualitária. Ela faz
parte do dia a dia do cidadão; ela age na compreensão das pessoas, em sua conduta e em suas
atitudes. Dessa forma, estudar os impactos que esse veículo causa nas pessoas é essencial.

Segundo Rincón (2002), ao se fazer TV, deve-se pensar no que o público busca, do que ele
gosta. Para medir o grau de interesse do telespectador, o Instituto IBOPE, mede o nível de
audiência de determinado produto na hora em que está sendo veiculado. A TV é muito
criticada por seu caráter mais de entretenimento do que educativo. Por isso a necessidade de
uma TV que tenha como objetivo principal educar.

Rincón (2002) diz que, se o desejo é produzir propostas educativas ou cidadãs, é sempre
necessário pensar em todo o processo de criação. Pensar em como será a produção, como a
mensagem será passada e como poderá ser recebida.
26

É inegável o crescimento da TV nesses 60 anos de história e a importância que esse meio


exerce no cotidiano da população. É baseado nisso que Rincón (2002) defende a idéia de que
antes de ser criticada como um meio de comunicação de massa que aliena o consumidor, a TV
deve ser vista como fruto de seus produtos e conteúdos. Para preencher essas lacunas deixadas
pela chamada TV comercial, existem estudos sobre as TVs Educativas, que Rincón se propõe
a esclarecer.

De acordo com Rincón (2002), a TV Pública tenta nos dar uma visão mais ampla de como
vivemos e interagimos em sociedade. Mas estabelecer o que seja educativo dentro de uma
TV, segundo Rincón, é algo questionável. Como definir o que é um material educativo? O
objetivo de fazer uma televisão de qualidade, implica pensar no público infantil, uma
preocupação cada vez maior. A consciência dessa necessidade fez com que o autor
descrevesse o que se espera de uma TV pública: 1- A televisão pública interpela o cidadão,
enquanto que a televisão comercial fala ao consumidor; 2- A televisão pública deve ser o
cenário do diálogo nacional intercultural; 3- A televisão pública deve promover o universal,
que não passa pelo comercial; 4- A televisão pública deve deixar de se programar como uma
seqüência linear e curricular da escola, para ganhar o processo e o fluxo próprios das
narrativas audiovisuais; 5- A televisão pública deve fazer programas de grande impacto, que
se tornem fatos sociais e mereçam ser reprisados; 6- A televisão pública deve recuperar os
aspectos prazeroso, divertido, significativo, sedutor e afetivo que promovem a televisão, a
cultura e a educação; 7- A televisão pública deve ampliar as possibilidades simbólicas de
representação, de reconhecimento e de visibilidade para a construção da cidadania, da
sociedade civil e da democracia; 8- A televisão pública deve ser uma experiência cultural em
si mesma, porque promove expressão, sensibilidades e sentidos; 9- A televisão pública deve
formar os telespectadores tanto no âmbito da leitura crítica das imagens como no do controle
cidadão sobre as mensagens audiovisuais que são exibidas em toda a televisão; 10- A
televisão pública deve se programar e se produzir por meio de um chamado público, através
de processos de alocação de espaços transparentes e participativos, coerentes com as políticas
culturais de comunicação e educação de cada país. e baseados no mérito dos realizadores e
produtores.

3.4.1 Como fazer a TV da universidade


27

Magalhães (2002) conceitua TV Universitária como sendo um veículo que transmite o que é
produzido nas Instituições de Ensino Superior, IES, por meio de canais de televisão, sendo
eles abertos ou pagos, e/ou por outros meios, tais como satélites, circuitos internos de vídeo,
Internet etc.

Ao contextualizar o conteúdo das TVs comerciais e universitárias, ele lembra que as próprias
IES são as que mais criticam as TVs comerciais, dizendo que essas constituem “[...] o mais
expressivo e danoso instrumento de dominação política e disseminador de valores imorais
como violência, o sexo e a libertinagem.” (MAGALHÃES, 2002, p. 8).

Para Magalhães (2002), fazer uma TV Universitária funcionar é mais barato do que se possa
imaginar. Basta utilizar equipamentos que as IES já possuem como professores, alunos,
equipamentos e instalações físicas. A TV pode ser um local de extensão, divulgação de
projetos acadêmicos, culturais, além de ser um laboratório para os estudantes. Mas para o
autor não é suficiente a produção. Quem se arriscar a fazer uma TV Universitária, precisa
preocupar-se em divulgar essa produção feita dentro da Instituição.

As TVs universitárias ganharam maior espaço com a Lei do Cabo (lei 8977/95) que facultou
às IES um acesso de canais Universitários à TV a cabo. O uso desse espaço deve ser
destinado às universidades que atuam dentro do município onde o serviço é prestado.

Além do uso da chamada Lei do Cabo, Magalhães (2002) aponta outras quatro possibilidades
de veiculação do conteúdo produzido pelas Instituições, uma das quais seria por meio do sinal
aberto, com uma concessão de canal VHF ou UHF. Essa é a forma mais abrangente de
transmissão, pois tem maior alcance e não custa nada ao receptor. É também conhecida como
TV aberta. A instituição que desejar ter esse espaço deve entrar com um pedido no Ministério
das Comunicações. O autor explica que esse procedimento é burocrático e pode demandar
muito tempo. A transmissão via satélite requer do espectador um receptor para que o sinal
possa ser captado. Se a IES preferir esse meio, poderá alugar um canal em um satélite que terá
abrangência nacional.

As outras duas formas citadas no livro são a Internet, conhecida como rede mundial de
computadores, meio mais barato e de acesso mundial, mas que depende não só da Instituição,
mas de que o receptor também esteja conectado à rede. Para esse tipo de divulgação é
28

necessário que quem produz tenha um bom hardware, que suporte todo o material. Mas a
qualidade do que é produzido irá diminuir, pois quando se coloca arquivos nessa mídia, por
questões tecnológicas, eles tendem a perder qualidade de imagem. Outra forma é através do
circuito restrito, ou interno, onde a IES transmite internamente o que é produzido. Esse meio é
restrito, mas não perde o caráter de meio de comunicação. Tirando a transmissão em TV
aberta, o autor lembra que todos os outros meios de divulgação sofrem algum tipo de restrição
quanto ao público que irá recebê-los.

Magalhães (2002) diz que os canais universitários devem possuir conselhos de representantes
das IES que os compõem. Na maioria das vezes esses conselhos estão ligados às reitorias e
pró-reitorias. É de responsabilidade desses conselhos definir a distribuição de horários dentro
da grade de programação para cada Instituição. O autor cita cinco formas de se fazer essa
distribuição. Por meio de programação rotativa, divide-se a quantidade de tempo disponível
pela quantidade de IES que participam do canal. Assim alternam-se os horários de
transmissão. Os horários fixos são divididos por tempo, de forma igual, ou por participação
financeira para a manutenção do canal.

Entre as formas estão: fixa por temática, nesse caso cada faixa de horário representa uma
segmentação de tema ou formato. Assim, o que for produzido deve-se encaixar em um deles.
A programação mista pode usar as formas anteriores aliadas às parcerias com outras
emissoras educativas e de outras IES do país. A programação majoritária ocorre quando só há
uma IES na localidade de abrangência, quando as outras Instituições não manifestam interesse
em dividir o canal ou quando as outras IES destinam a uma única Instituição toda a produção.
Nos outros meios, cada Instituição deve definir como a produção será veiculada.

Para Magalhães (2002), o conteúdo da programação desses veículos deve estar baseado no
que cada Instituição é capaz de produzir. Ele não descarta a possibilidade de troca de produtos
entre as Instituições, pois a ocupação da grade de programação é feita gradativamente. As
TVs Universitárias, segundo informa, não possuem capacidade de ocupar uma grade de 24h
logo no início de suas operações.

A programação de uma TV Universitária pode seguir alguns formatos, segundo Magalhães


(2002). O conteúdo institucional divulga o que é produzido pela IES, levando a boa imagem
da Instituição; o social/comunitário é constituído pela programação que atende às demandas
29

sociais, culturais e/ou comunitárias da sociedade; o acadêmico, que é praticamente a extensão


do que é produzido por projetos experimentais, atuando juntamente com o corpo docente e
discente, mostrando seus trabalhos; o documental, que faz a divulgação de vídeos
documentais feitos pelas IES; o de entretenimento que é o mais parecido com uma TV
comercial. Ele visa fornecer entretenimento ao público, com programação semelhante à da
TV tradicional; o formato educativo, produção de programas educativos que atuam na
formação do estudante vinculado à educação formal. Pode-se usar também na educação à
distância; o cultural, responsável pela divulgação de atividades culturais. E por último, o
científico, através do qual projetos de pesquisa da IES são levados ao público.

Para Magalhães (2002), há a necessidade de existir e de se fazer uma TV Universitária. Para


ele, as Universidades precisam ir na contramão das TVs convencionais e atuar como canais de
experimentação e de veiculação de programação educativa.. Essa deve estar em contato com o
tripé ensino, pesquisa e extensão. Ele pondera, dizendo que as IES por mais que queiram
disputar audiência com as TVs tradicionais não irão obter êxito nesse empreendimento. Se
têm como referência as TVs comerciais, essas instituições podem propor-se a uma meta
inalcançável.

TV Universitária não é lata em prateleira de supermercado, onde se compra por impulso ou


hábito, como acontece com a programação da TV comercial. TV Universitária é como um
livro na biblioteca: você só consome depois de escolher e para usar em consonância com o
seu desejo de conhecimento. (MAGALHÃES, 2002, p.53)

3.4.2 A evolução da TV universitária

Com o surgimento da TV Universitária do Recife, ligada à Universidade Federal do Recife,


em 1968, deu-se início à era das TVs Universitárias. Apesar de a TV do Recife atuar em canal
aberto e ser uma TV Educativa, a idéia que se tem de TV Universitária está muito ligada à Lei
Federal 8.977, de 1995, ou à Lei do Cabo.

De acordo com Magalhães (2009), essa nova lei acabou abafando o passado da TV
Universitária. TVs como a da Universidade de Natal, a da cidade de Viçosa e mais algumas
espalhadas pelo Brasil surgiram antes dessa lei e possuíam um alcance e programação muito
maior do que as oriundas da Lei do Cabo.
30

Sobre essas TVs de antes da Lei do Cabo, Magalhães (2009) ressalta que elas foram vítimas
da falta de entrosamento com o restante do país, relatando apenas acontecimentos internos,
sem se preocuparem com a sociedade externa. Poucas vezes interagiam com o meio em que se
encontravam não levando ao conhecimento da sociedade o conhecimento científico e todo o
desenvolvimento feito dentro das instituições de ensino superior (IES).

Para Magalhães (2009), o real problema foi que essas instituições não forneciam em sua
programação universitária conteúdo que pudesse ser considerado uma alternativa ao da TV
comercial. Ele alega que essas TVs poderiam dar mais voz à comunidade acadêmica, a partir
do tripé Ensino, Pesquisa e Extensão. Outro fator que limitava a atuação dessas emissoras era
a escassez de recursos para a produção.

Esses canais passaram a ser usados por políticos que aproveitavam a concessão pública para
benefício próprio. Isso tornava seu conteúdo insatisfatório e pouco visto. Segundo o autor,
isso também pode ser observado nos dias de hoje, pois muitas vezes eles acabam falando de si
mesmos, esquecendo do restante da sociedade. Tentam levar ao público um conteúdo às vezes
irrelevante e de interesse somente da própria instituição.

Magalhães (2009) diz que, com o surgimento da Lei do Cabo, as TVs puderam respirar um
pouco mais e se aventurar por outros caminhos. Com isso, mais de uma centena de
instituições criaram suas próprias TVs, que agora possuem espaço garantido, mas para um
público restrito.

Com a Lei do Cabo, foram criados os canais de utilização gratuita, dando voz e levando a
mensagem de universidades, comunidades, e entidades educacionais e sociais. Com isso foi
possível a criação, em 2000, da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), da
qual o autor faz parte. Esse órgão é o responsável por representar as IES que produzem uma
TV. Ela é reconhecida pelas entidades privadas e públicas. O autor comenta a importância da
ABTU e diz que o número de afiliados da associação cresceu 156% desde a sua criação.

Magalhães (2009) introduz uma discussão sobre TV pública, dizendo que as TVs
Universitárias também devem ser consideradas como tal. Para ele é preciso quebrar certos
paradigmas sobre o que é uma TV pública. O fato de que esse tipo de TV seja definido como
aquele sustentado por verbas públicas não impede que outras TVs com interesses públicos,
31

que não tenham fins lucrativos e promovam a educação e cultura, possam ser também
definidas como tal. Para ele, mesmo se elas forem geridas com recursos vindos de
pagamentos de impostos ou de empresas privadas elas serão consideradas públicas,
distinguindo-se das TVs comerciais que têm como objetivo maior o reembolso aos acionistas.

3.4.3 A TV UFMG

A TV UFMG faz parte do canal universitário de BH, que também é composto pela PUC TV e
TV UNI-BH. Nela, são produzidos nove programas que se dividem em diário, semanal ou
quinzenal. A TV UFMG existe desde 2002, quando surgiu o “Café Letrado”, programa que
anos depois passaria a se chamar “Ponto de Encontro”. O segundo programa a ser criado na
TV UFMG foi o “Câmera Aberta” e, no vestibular UFMG de 2003 foi ao ar a primeira edição
do Circuito UFMG, mas que só passou a integrar a grade do canal universitário em 30 de
junho do mesmo.

Segundo o ex-coordenador da TV UFMG, Mário Lúcio Quinaud1, o Circuito UFMG começou


a ser transmitido com cinco minutos de duração e era gravado dentro das dependências do
Centro de Comunicação da UFMG, Cedecom. Só em 2006, ele e toda a equipe da TV UFMG
foram transferidos para o novo prédio, o subsolo da reitoria do campus Pampulha, quando
passou a ter quinze minutos de duração.

A programação da TV UFMG é dividida em:

• Circuito UFMG- telejornal diário com 15 minutos de duração, exibido às 19h15 com
uma reprise às 22h45 e que mostra as novidades da instituição e o que de mais
importante aconteceu na sociedade, levando sempre um olhar acadêmico para a
população;
• Câmera Aberta- agenda eletrônica da TV UFMG, semanal com 30 minutos de duração
com estréia no domingo às 20h30 e reprise na segunda às 22h, na terça às 17h, na
quarta às 11h30 e na quinta às 15h. É um espaço para discutir temas comuns do
cotidiano das cidades de forma mais aprofundada e com um olhar universitário. O
programa tem cinco quadros: E aí, UFMG? Que sempre responde a uma pergunta de
forma irreverente; Pílula Pop, quadro musical que trabalha com gêneros, artistas ou
1
Entrevista de Mário Lúcio Quinaud , concedida em 08/11/2010, em Belo Horizonte, à autora
32

temas relacionados à música; Universo Arte, espaço que os artistas têm para
apresentar seus trabalhos; De Saída, agenda cultural e o Naturazoom, quadro para
discutir temas relacionados ao meio ambiente.
• De olho nos Bichos- programa em parceria com a faculdade de Veterinária da UFMG,
quinzenal com 15 minutos de duração com estréia na terça às 19h30 e reprises nas
quartas às 14h e segundas às 12h30. Ele mostra matérias e temas relacionados ao
mundo animal com dicas de filmes, entrevistas e curiosidades sobre o tema.
• Em vista- Quinzenal com 30 minutos de duração. Estréia domingo às 21h com
reprises, terça às 10h, quinta às 12h30 e sábado às 15h. O programa traz grandes
reportagens sobre espaços culturais, científicos e tecnológicos. A equipe da TV
UFMG, especialistas e convidados apresentam um pouco da história, produção e
curiosidades de museus, casas de espetáculos, centros de pesquisa e espaços que
chamam a atenção do público.
• Mídia em Pauta- projeto em parceria com o curso de comunicação social da UFMG e
co-produzido pela TV UFMG- quinzenal com 30 minutos de duração e com estréia no
domingo às 15h30 e reprises na segunda às 16h30, quinta às 13h e sexta 8h. Ele traz
traz sempre um debate sobre temas relacionados à mídia e que circulam nos veículos
de comunicação, contando com a participação de especialistas e estudiosos
convidados.
• Paratodos- programa quinzenal, com 15 minutos de duração. Estréia quarta às 22h
com reprise terça às 10h30, sexta às 16h45, sábado às 18h30 e domingo às 15h. É um
programa sobre cinema que traz discussões e exibições de vídeos e filmes
independentes produzidos por estudantes, ONGs e produtores em busca de
experimentações.
• Pílulas de ciências- quinzenal, com 15 minutos de duração. Estréia quinta às 19h30
com reprise segunda às 19h30 e Quarta às 14h15. É um projeto da TV UFMG em
parceria com a Fundação de apoio à pesquisa do estado de Minas gerias- FAPEMIG.
Exibe vídeos da TV UFMG voltados para temas previstos nos currículos escolares dos
ensinos fundamental e médio. Os vídeos foram distribuídos para escolas públicas
municipais de Belo Horizonte.
• Ponto de Encontro- quinzenal, com 30 minutos de duração. Estréia sábado às 21h com
represes domingo às 22h, terça às 16h30 e sexta às 14h30. Programa de entrevista que
33

sempre traz um personagem da música, artes cênicas, plásticas ou outras


personalidades para uma conversa sobre a sua trajetória.
34

4 A PRODUÇÃO DE CONTEÚDO NO CIRCUITO UFMG

4.1 Metodologia de pesquisa

A escolha de um programa de TV universitária como objeto de análise, surgiu do interesse


por descobrir quais critérios o conduzem e quais os principais critérios de noticiabilidade do
canal. Existe a prática de informar os telespectadores, de ser um meio de divulgação dos
trabalhos realizados pela instituição? Constitui-se ele como um instrumento eficaz de apoio a
profissionalização estudantes que dele participam?

Assim, utilizou-se como material empírico deste estudo o conteúdo das produções do
telejornal Circuito UFMG entre os dias 27/09/2010 e 01/10/2010. Esse período foi escolhido,
pois, não coincidia com nenhum evento, interno da instituição, que pudesse interferir de
alguma maneira no estudo.

Para fundamentar e executar a análise, procedeu-se inicialmente a um breve levantamento


quantitativo do material exibido pelo Circuito UFMG na semana mencionada. Em seguida,
com base no referencial teórico exposto anteriormente, sobretudo a partir das reflexões feitas
por autores como Traquina (2005) e Wolf (1999) sobre critérios de noticiabilidade, tratou-se
de verificar os tipos de preocupações que norteiam os conteúdos veiculados, confrontando as
constatações com a forma como a equipe responsável percebe o telejornal.

A partir dos dados obtidos, percebeu-se ser necessário restringir a análise do telejornal, a
alguns aspectos específicos. O enfoque centrou-se na observação: dos critérios de
noticiabilidade; da forma de apresentação das notícias e da escolha das fontes e destaque que
elas possuem dentro do telejornal. Por meio de observação participante, foi observado como é
feito o caminho da notícia, desde a reunião de pauta à sua veiculação no telejornal.

Os vídeos foram submetidos à análise de conteúdo com base no material bibliográfico que,
desde o início, serviu de embasamento teórico para este estudo. Com o intuito de estabelecer
um paralelo entre a análise dos programas e a visão da equipe, foram feitas entrevistas com o
coordenador geral da TV UFMG, e com o editor-chefe do Circuito UFMG, além de coleta de
informações com estagiários responsáveis pela produção do Circuito UFMG.
35

4.2 O telejornal Circuito UFMG

O Circuito UFMG está no ar desde 2003, como produto da TV UFMG e diretamente ligado
ao Centro de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais. Sua cobertura
abrange toda a capital mineira e pode o conteúdo produzido pela canal, pode ser acessado
pelo site da UFMG- www.ufmg.br/tv. O objetivo do Circuito UFMG é apresentar projetos,
experiências e iniciativas originárias na Universidade e buscar, junto à comunidade
acadêmica, a interpretação de fatos e episódios do cotidiano. O telejornal, tenta mostrar à
comunidade acadêmica o que a universidade produz de conhecimento e relacioná-lo com as
práticas diárias. O material veiculado não diz respeito somente aos acontecimentos internos
dos Campus, é voltado também para questões externas à comunidade, mas sempre com um
olhar acadêmico, com uma fonte institucionalizada, isso faz com que o telejornal seja capaz
de pautar assuntos que não encontram espaço na mídia convencional.

Segundo o coordenador geral da TV UFMG, Luiz Henrique Batista2, o objetivo principal do


telejornal é levar informação ao público de uma maneira diferenciada, um outro formato, com
mais conteúdo e contextualização, mais aprofundamento do que é feito nas TVs comerciais.

Desde 30 de maio de 2006, é possível ver também as edições do Circuito UFMG pela
Internet. Esse meio, a internet, poder ser uma forma de arquivamento de material para buscas
futuras.

Atualmente, a equipe do Circuito UFMG, conta com o coordenador geral da TV UFMG, Luiz
Henrique Batista, o editor chefe, Átila Moreno, a repórter, Janaína Coelho, a coordenadora de
produção, Mônica Catta Prêta, a trainee de produção, Fernanda Pádua, o trainee de editor de
textos, Ricardo Miranda e mais de 30 profissionais, entre estagiários de produção,
apresentação, reportagem, edição, técnica e profissionais formados dessas respectivas áreas.

4.2.1 O cotidiano no Circuito UFMG

Por meio de observação participante foi constatado que o dia na TV UFMG começa cedo. Às
7h, chega a editora-chefe do Câmera Aberta e responsável pela editoria de texto do Circuito
UFMG e demais programas. Junto com ela, a coordenadora de produção dos programas da
2
Entrevista de Luiz Henrique Batista, concedida em 08/11/2010, em Belo Horizonte, à autora
36

TV. A primeira coisa a fazer é ler o relatório para saber o que a equipe da tarde pautou para o
dia seguinte, quais as sugestões deixadas e quais as pendências. O relatório é o meio de
comunicação entre os dois turnos (manhã e tarde). O restante da equipe deve ler o que foi
deixado pela outra equipe e, ao sair, escrever o que fez no dia e quais pendências deixa para o
próximo turno resolver. Às 8h, quando começam a chegar os estagiários e a equipe que vai
para a rua gravar as matérias, o dia está oficialmente aberto na TV universitária.

A repórter do Circuito UFMG, formada em jornalismo e ocupando o cargo desde outubro de


2010, é a responsável por pegar as pautas pela manhã e ir para a rua gravar os VTs do dia.
Com ela, vão o cinegrafista, e o motorista. Quem fica na redação se incumbe de apurar as
principais notícias para o jornal do dia e o que pode vir a ser notícia no jornal do dia seguinte.

Às 10h é feita a primeira reunião de pauta do dia. Nela, os estagiários levam suas sugestões
para notas, VTs e entrevistas para todos os programas da TV UFMG. A reunião é
acompanhada pela editora de textos e pela coordenadora de produção, responsáveis por
definir o que é ou não notícia no turno da manhã. Terminada a reunião são repassadas as
tarefas aos estagiários e começam as atividades do Circuito UFMG.

Foi observado que com as primeiras notas à mão, a editora de texto começa a montar o
espelho do jornal: documento onde estão todas as informações sobre o que será transmitido no
dia. À medida que as notas ficam prontas, o jornal ganha vida. Enquanto isso, a coordenadora
de produção acompanha o andamento das pautas, marcações, fontes, horários, além de
orientar a repórter que está na rua gravando os VTs do dia. Às 12h começa a troca de horários
na redação e os estagiários da manhã dão lugar à equipe da tarde.

13h é o horário limite para a repórter chegar à redação com os VTs do dia. Esse é também o
horário do fim da troca de turno, a editora de textos e a coordenadora de produção da manhã
deixam a redação e chegam o editor-chefe do Circuito UFMG e editor de textos da TV
UFMG e a trainee de coordenação de produção do turno da tarde. É o momento de iniciar a
produção da tarde, de pensar, definitivamente o que entra no Circuito UFMG do dia e resolver
as últimas pendências para as matérias do dia seguinte. Às 14h, o conjunto da equipe da tarde
da TV UFMG já está trabalhando. Ocorre então a segunda reunião de pauta do dia. Nela são
definidas as últimas notícias da edição do Circuito UFMG e as sugestões para o dia seguinte.
Enquanto isso, a equipe da edição, já está montando o jornal do dia. As sugestões vindas da
37

reunião de pauta são ouvidas e repassadas. Ao fim da conversa, elas viram matérias a serem
pautadas.

Às 15h30, é gravado o Circuito UFMG. Às 18h30, o jornal deve estar pronto, salvo no pen
drive e sendo entregue para o motoboy que se encarrega de levá-lo para a PUC TV. A TV
UFMG não possui controle mestre próprio, local onde os programas são enviados por meio de
satélite, para as antenas localizadas na Serra do Curral, de onde as ondas são emitidas para a
transmissão nas TVs domésticas. Por isso, ela utiliza a central de outra TV universitária. Com
a exibição às 19h15 do telejornal, mais um dia é concluído na produção do Circuito UFMG.

4.2.2 Formato do telejornal

No cenário do Circuito UFMG é utilizada imagem de um dos prédios da instituição, mais


precisamente a fachada do Cedecom, onde antes era produzido o telejornal. Nesse cenário
também tem uma mesa que serve de apoio para o apresentador, que sempre grava o programa
sentado.

Depois da entrada das vinhetas da TV UFMG e da vinheta inicial do telejornal, o apresentador


lê a escalada do dia, em que são dados os principais destaques da edição. Em três dos cinco
dias analisados, foi transmitido logo após a escalada, um intervalo de 30 segundos. Intervalos
sempre de caráter institucional, sem violar a Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, que diz
no Art. 13 que a televisão educativa não tem caráter comercial, sendo vedada a transmissão de
qualquer propaganda, direta ou indiretamente, bem como o patrocínio dos programas
transmitidos, mesmo que nenhuma propaganda seja feita através dos mesmos.

A primeira notícia do dia é a matéria de maior destaque no telejornal. Depois, ainda no


primeiro bloco, são transmitidas notas secas, notas cobertas e artes sobre os mais variados
temas, desde assuntos ligados ao meio acadêmico a temas relacionados com a editoria de
cidades. O primeiro bloco dura em média 5 minutos. Nos intervalos predominam o serviço ao
telespectador como vídeos de programas transmitidos pela TV UFMG, sobre métodos e
técnicas de melhoria da condição humana, como tecnologias assistivas e prazos para
inscrições em processos seletivos da universidade.

4.2.3 Por dentro do Circuito UFMG


38

O Circuito UFMG é um telejornal que tenta mesclar características de um produto originado


na TV universitária: ser institucional e servir como forma de aprendizado para os estudantes
que o compõem. Entre os dias analisados, dos 11 VTs veiculados no telejornal, três possuem
tema diretamente relacionados à universidade, como visita do primeiro cientista a trabalhar
com os nanotubos, blitz de saúde no Campus Pampulha feita por uma equipe da FUMP, órgão
ligado à UFMG, e visita de iranianos, coordenada pelo colegiado de ciências políticas da
UFMG, para conhecer o processo eleitoral brasileiro; três VTs não possuem ligação direta
com a universidade, mas trazem especialistas de dentro da UFMG para analisar o assunto; no
VT sobre o mal que o uso errado dos cosméticos pode trazer para a saúde, são entrevistados
um professor de farmácia da universidade, uma dermatologista e uma farmacêutica que não
são identificadas como fontes internas; no VT sobre o peso dos votos dos eleitores indecisos
na eleição deste ano, além de povo-fala com os eleitores há também a sonora de um cientista
político da universidade para comentar as dúvidas da população; no VT da sexta-feira sobre o
dispositivo que lembra os idosos da hora certa de tomar medicação, além de personagens, há a
sonora com a terapeuta ocupacional da UFMG, criadora do dispositivo. A agenda cultural tem
a abertura sobre um evento da universidade, curso de dança afro-brasileira realizado no
Centro Cultural da universidade e uma exibição cinematográfica no mesmo local. As outras
atrações culturais são de fora do espaço universitário: quatro shows, três peças de teatro e dois
filmes. A coluna de informática, chamada “.Tech” é uma parceria com o colégio técnico da
UFMG-COLTEC e traz dicas e explicações sobre vírus de computador. Os demais VTs são
pergunta e resposta sobre dúvidas eleitorais com povo-fala e resposta do assessor de
comunicação do TRE-MG.

Nas edições analisadas também foram exibidos: um stand-up com sonora sobre a proibição
das prisões no período eleitoral, com entrevista feita a um juiz; quatro informações seguidas
por artes, onde os dados são passados ao telespectador com ajuda de suporte visual, como
imagem, gráfico; uma sobre o aumento do número de idosos portadores do vírus da AIDS
outra sobre pesquisa do IBOPE sobre intenção de votos para o governo de Minas e duas artes
sobre pesquisas de intenção de votos para o governo federal. Nos cinco dias analisados, foram
detectadas seis notas cobertas sobre chuvas em BH; manifestação dos sem teto; greve dos
bancários; insatisfação dos passageiros nos aeroportos; apresentação musical no campus
Pampulha; fim da obrigatoriedade de dois documentos para votação e casa feita de PVC-
projeto desenvolvido por uma arquiteta da UFMG.
39

Foram veiculadas doze notas secas tratando do: processo seletivo FUNAI e UFMG; de como
fazer a justificativa eleitoral, da proibição da prisão de eleitores; de inscrições no programa
Santander universidades; do aumento dos casos de sarampo; do arquivamento do processo do
“Ficha Limpa”; do lançamento do observatório da WEB da UFMG; da proibição da venda e
consumo de bebidas alcoólicas no dia da votação; da continuação da greve dos bancários; das
linhas de ônibus no domingo de eleição; do recital de harpa no campus Pampulha e das
inscrições para o concurso público da UFMG.

4.3 Critérios de noticiabilidade no Circuito UFMG

Com base na análise dos vídeos e na pesquisa bibliográfica de Wolf (1999), pode-se afirmar
que foi um dos critérios de noticiabilidade predominantes na linha editorial do telejornal:
Proximidade. Ao preferir fontes e assuntos disponíveis dentro da própria universidade, como
nos VTs: nanotubos, evento Fump saúde e aparelho que lembra a hora de idosos tomarem
remédios e a visita dos iranianos para analisarem o processo eleitoral brasileiro, percebe-se
que a escolha têm ligação direta com assuntos ou pesquisas desenvolvidas na própria
universidade. Há outras utilizações desse critério dentro do telejornal, como, mesmo ao falar
de assuntos não relacionados diretamente à universidade, o telejornal busca ouvir uma fonte
acadêmica de dentro da mesma. Como nos VTs; uso dos cosméticos, peso do voto dos
eleitores indecisos e a agenda cultural, que continham informações, ou fontes de dentro da
universidade. Há também as notas secas sobre processo seletivo FUNAI-UFMG, lançamento
do observatório da WEB UFMG, recital de harpa no conservatório UFMG e inscrições para o
concurso público da UFMG. Além das notas cobertas sobre apresentação musical no campus
Pampulha e casa feita de PVC, projeto desenvolvido por uma arquiteta da UFMG.

Dentre as notícias selecionadas nesse critério de noticiabilidade, observa-se que o principal


critério de noticiabilidade do Circuito UFMG está ligado às fontes e assuntos institucionais,
fazendo que seja divulgado e promovido assuntos e temas relacionados à universidade,
servindo assim de espelho da instituição. Em entrevista, o coordenador geral da TV UFMG,
Luiz Henrique Batista3, disse que o Circuito UFMG já foi mais institucionalizado, mas agora
já ganhou mais autonomia. E para justificar a escolha das fontes de dentro da própria

3
Entrevista de Luiz Henrique Batista, concedida em 08/11/2010, em Belo Horizonte, à autora
40

instituição ele diz que as fontes são as mesmas que os jornais comerciais buscam, a única
diferença é que eles estão mais perto do contato com a TV UFMG.

Outro critério que pode ser facilmente observado no telejornal é Novidade- presente em todos
os tipos de notícia veiculadas no telejornal, seja em forma de VT, notas, arte, entrevista de
estúdio ou stand-up.

O critério de Relevância- é o mais difícil de ser avaliado, uma vez que ele depende da
intenção de informação do receptor. Mas, de forma geral as notícias veiculadas no telejornal
correspondem de maneira satisfatória ao que se espera de uma TV universitária. Para
compreender melhor esse critério é preciso haver um estudo de recepção e de característica
desse público, que possa dizer como ele é composto e o que ele deseja assistir. Fato
inexistente em uma TV universitária.

Seguindo os critérios de noticiabilidade estabelecidos por Traquina (2005), observa-se que na


semana analisada o critério freqüência do acontecimento pôde ser visto na seqüência de
notícias sobre as eleições. Nos cinco dias analisados foram veiculadas notícias sobre o tema
nas diferentes formas: VT, nota seca, arte e stand-up. Fazendo valer assim o critério de
novidade, ao manter uma mesma noticia atualizada.

As informações de serviço também estão muito presentes no noticiário. Elas podem ser vistas
tanto nas notícias dentro do telejornal, como notas, VTs ou arte, quanto nos intervalos,
quando prevalecem informações institucionais e que informam sobre datas de inscrições em
processos seletivos ou trabalhos desenvolvidos dentro da universidade.

Os levantamentos realizados pelo próprio telejornal mostram que por dia, são exibidos, em
média, dois VTs, duas notas secas, uma coberta e uma arte. Além de contar com outro recurso
áudio-visual como o stand-up, usado em casos esporádicos. E entrevistas de estúdio.

4.4 A opinião de quem faz o telejornal Circuito UFMG


Ouvir os responsáveis pela produção do Circuito UFMG permite perceber se sua avaliação
coincide com o que a análise objetiva permite verificar. Para isso, foi feita uma entrevista com
o Coordenador Geral da TV UFMG, Luiz Henrique Batista; o editor-chefe, Átila Moreno; o
41

editor de imagens, Fábio Vieira; o repórter, produtor, apresentador e trainee de editor adjunto;
Ricardo Miranda e o produtor Filipe Staino.

Quando perguntados sobre a importância de um telejornal ser veiculado em uma TV


universitária, todos tiveram a mesma resposta: que é um produto essencial para a formação do
graduando em comunicação social. Para eles é um local onde os alunos podem pôr em prática,
o que aprendem em sala de aula. “Para mim é essencial na minha formação, eu não teria a
experiência que eu tenho hoje só com as aulas teóricas da UFMG” diz Ricardo Miranda4. Para
Átila Moreno5, a TV universitária é uma forma alternativa de fazer TV, um espaço para as
pessoas conhecerem uma rotina de TV.

O coordenador, Luiz Henrique Batista6, afirma que o objetivo principal da TV universitária é


a formação complementar ao curso que, por mais que tenha uma formação teórica muito rica,
ainda não é capaz de promover a oportunidade única que é dada na TV UFMG, onde a
redação e suas rotinas são iguais às de uma TV comercial. Ele acrescenta dizendo que na TV
UFMG, mais precisamente, no Circuito UFMG, os estagiários têm a oportunidade de fazer
matérias e geram material para ser divulgado em rede nacional, através da parceria com a TV
Brasil, onde os melhores VTs são exibidos para todo o país, além de ser uma boa vitrine para
o mercado de trabalho. Para ele, a TV leva ao telespectador um resumo das melhores notícias
da cidade e o que está se passando dentro da universidade. Ele vê o Circuito UFMG como um
laboratório para que os estudantes possam vivenciar a rotina de uma TV comercial.

Sobre a qualidade do material divulgado pelo canal, há algumas divergências, mas um ponto
em comum: todos acham que poderia melhorar. Para Fábio Vieira7, o telejornal deve deixar de
ter um viés institucional e deve buscar pautar mais matérias relacionadas ao que se passa na
sociedade. E deve também aumentar a equipe, a fim de que haja um crescimento no número
de matérias a serem produzidas diariamente.

Essa opinião também é compartilhada por Ricardo Miranda e Filipe Staino. Os estudantes,
que começaram o estágio ainda no primeiro período de faculdade, contam que aprendem
muito com a oportunidade de trabalhar em uma TV. Para Filipe, também poderia haver menos

4
Entrevista de Ricardo Miranda, concedida em 08/11/2010, em Belo Horizonte, à autora
5
Entrevista de Átila Moreno, concedida em 08/11/2010, em Belo Horizonte, à autora
6
Entrevista de Luiz Henrique Batista, concedida em 08/11/2010, em Belo Horizonte, à autora
7
Entrevista de Fábio Vieira, concedida em 08/11/2010, em Belo Horizonte, à autora
42

entrevistas de estúdio e mais matérias sobre atualidades. Ricardo Miranda conta que prefere a
época de fim de ano, pois é quando a universidade está de férias e as matérias feitas abordam
mais o editoria de cidades, aproximando-se mais do que é esperado de uma TV comercial.

Nesse aspecto, Átila Moreno discorda, pois, para ele, a TV UFMG precisa repensar o modo
de fazer jornalismo. Na opinião dele, a TV está aquém do esperado, e poucas vezes atinge o
que é proposto. Ele sugere que o Circuito perca o caráter hard news e tenha mais o formato de
uma revista eletrônica, onde o material seja produzido de forma alternativa, experimental, e o
repórter possa usar todos os elementos das matérias, não se prendendo ao formato que é visto
nas TVs comerciais.

Luiz Henrique mostra o que pode ser uma mudança para a TV UFMG e consequentemente
para o Circuito UFMG. Ele diz que, a partir de 2011, todos os programas irão passar por
reformulações. Novos cenários, equipamentos, quadros novos. O Circuito UFMG vem com
uma nova forma de apresentação, quadro de esporte, ciência e tecnologia e moda.

5 CONCLUSÃO

Com base na discussão teórica levantada neste estudo e após a análise qualitativa a que foram
43

submetidas as produções audiovisuais do Circuito UFMG, pode se traçar um perfil do


telejornal.

A primeira observação diz respeito ao caráter de assessoria de comunicação do Circuito


UFMG que, apesar de noticiar acontecimentos externos à Universidade, cumpre também o
papel de TV que divulga o que se passa dentro dos Campi. Como veículo de comunicação da
UFMG, o Circuito UFMG prima por construir uma imagem positiva da instituição perante a
sociedade e, ao mesmo tempo, tenta mostrar para a sociedade aspectos do que acontece fora
dos muros da instituição. Essa tentativa de se tornar duas coisas distintas, tanto uma TV
institucional quanto uma TV comercial, acaba fazendo com o que jornal se perca no meio do
caminho e não tenha uma identidade formada. Uma vez que, em teoria apresentada por
Magalhães (2002), o produto de uma TV universitária não deve ter caráter comercial e pode
sim, ser institucional.

No entanto, essa postura de trabalho institucional é justificada por Magalhães (2002), que
afirma que a programação de uma TV Universitária pode seguir os seguintes formatos: ser
institucional, divulgando o que é produzido pela IES, levando a boa imagem da Instituição;
social/comunitária, levando programação que atenda às demandas sociais, culturais e/ou
comunitárias da sociedade; acadêmica, sendo praticamente a extensão do que é produzido por
projetos experimentais, atuando juntamente com o corpo docente e discente, mostrando seus
trabalhos. Pode-se concluir, portanto, a partir do que foi observado no Circuito UFMG, que o
telejornal se enquadra nos propósitos do esperável em programas de TVs universitárias.

Outro provável motivo pelo qual ele pode ter perdido o conceito original é que, mesmo apesar
do nome, Circuito UFMG, que remete ao que se passa dentro da universidade, ele tem um
conflito de interesses. O que, por meio de observação participante, pôde ser observado na
troca da coordenação geral da TV UFMG, onde o novo coordenador, fez uma reestruturação
nos moldes do telejornal. Antes o Circuito UFMG seguia, predominantemente, a linha
institucional, agora ele está mais aberto à sociedade civil.

Essa tentativa de torná-lo comercial deve ser trabalhada e definida claramente. Não adianta
somente querer produzir como uma TV comercial, sem ter equipamentos o condições para tal
feito, é preciso planejar. Tanto que isso é do entendimento de quem produz o telejornal, e
percebe que para superar os seus limites, talvez, a alternativa seja aperfeiçoá-lo, enriquecendo
44

o seu conteúdo através do exame crítico de seus critérios de noticiabilidade e melhorando a


forma como ele vem sendo produzido, ampliando equipes, e etc. O noticiário tem
oportunidade de se tornar cada vez melhor e tem profissionais que se dispõem a fazer isso.
Essa disponibilidade permite que o telejornal cumpra outros papéis. Afinal, para quem assiste
o Canal Universitário, a programação pode até não ser muito conhecida, mas além de educar e
informar os telespectadores, ela ajuda a formar os alunos que a cada dia aprendem mais sobre
a rotina de uma TV. Essa constatação foi feita com quem participa do Circuito UFMG. Esses
profissionais compartilham a opinião de que, o principal objetivo e esforço da TV
universitária é formar profissionais para o mercado de trabalho e que nesse quesito o Circuito
UFMG cumpre bem o papel, contando já com vários ex-estagiários que hoje estão
trabalhando em grandes conglomerados de comunicação como a Rede Globo, Diários
Associados, Record, editora Abril, entre outros.

Em reunião realizada no mês de dezembro de 2010, algumas mudanças foram feitas para
aperfeiçoar o telejornal. A principal alteração foi no tipo de abordagem que as matérias
passarão a ter. Elas não irão abordar qualquer tipo de assunto. Terão prioridade as notícias do
campus, que tenham interesse social, e matérias de editoria de cidades, restringindo-se à
cidade de Belo Horizonte. Esses critérios de noticiabilidade devem ser definidos pelos
coordenadores quando cada matéria surgir.

O Circuito UFMG contará com mais matérias especiais, onde um determinado tema poderá
ser analisado de forma mais completa e com especialistas e pontos de vista que o façam ser
melhor compreendido. Uma matéria que a princípio entraria na editoria de cidades, como por
exemplo, uma queda de árvore em um determinado ponto da cidade, pode virar uma matéria
especial sobre a situação das árvores da cidade. Com especialistas dando dicas de como
cuidar, quais os riscos desse tipo de plantação em perímetro urbano, estudos sobre as plantas
da cidade e etc.

Essa tentativa de mesclar o viés institucional com o que os alunos irão utilizar no mercado de
trabalho pode ajudar na construção de um novo telejornal, deve ajudar a resolver seu
problema de identificação, dar uma cara nova para a comunicação da TV UFMG e melhorar
ainda mais a mão de obra que é formada na organização. Ajudando portanto a esclarecer o
motivo deste presente trabalho.
45

O estudo fez entender o que se espera de um telejornal em um canal universitário, quais são
seus principais problemas e sua importância social. Para o Circuito UFMG e para o
enriquecimento da TV UFMG ele pode contribuir para entender os próximos critérios na
escolha das notícias e para diagnosticar onde possam estar possíveis falhas ajudando no
encaminhamento de alternativas viáveis para o seu aperfeiçoamento.

REFERÊNCIAS
46

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48

ANEXOS

Anexo A – Ilustrações

Figura 1- Lidyane Barbosa gravando entrevista de estúdio para o Circuito UFMG

Figura 2- Reunião de pauta do turno da tarde


49

Figura 3- Fábio Vieira, editor de imagens do Circuito UFMG

Figura 4- Janaína Coelho, repórter do Circuito UFMG


50

Anexo B – Tabelas

TABELA 1 – DECUPAGEM DO TELEJORNAL CIRCUITO UFMG- DIA 27/09/2010

SEGUNDA-FEIRA- 27/09/2010
APRESENTAÇÃO MARINA VIEIRA
DURAÇÃO 14’41

1º BLOCO

TIPO DURAÇÃO CONTEÚDO


VINHETA ABERTURA- 00’00//
00’21
ESCALADA 00’22// VISITA CIENTISTA DESCOBRIDOR DOS
00’43 NANOTUBOS; CRESCIMENTO DOS CASOS
DE AIDS; COMO ELABORAR UM
CURRÍCULO; RISCOS DO USO DE
COSMÉTICOS
VINHETA- 00’44//
00’48
VT1- NANOTUBOS- 00’49 // OFF/ POVO FALA/ OFF / SONORA COM
02’44 PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE
FÍSICA DA UFMG
NOTA SECA- 02’44 // PROCESSO SELETIVO FUNAI UFMG 2011
03’04
ARTE 03’04 // AUMENTO NO NÚMERO DE CASOS DE
03’44 AIDS ENTRE IDOSOS
VINHETA 03’44 //
03’53
INTERVALO 03’53 // PROPAGANDAS SOBRE TECNOLOGIAS
08’09 ASSISTIVAS (AVALIAÇÃO FISIOLÓGICA
AUDITIVA) // PROCESSO SELETIVO DA
ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA E
PROFISSIONAL DA UFMG// PROCESSO
SELETIVO CENTRO PEDAGÓGICO UFMG//
PROCESSO SELETIVO COLTEC UFMG //
PROCESSO SELETIVO TEATRO
UNIVERSITÁRIO UFMG

2º BLOCO
VINHETA 08’04//
08’08
NOTA SECA 08’09// JUSTIFICATIVA ELEITORAL
08’34
ARTE 08’35// PESQUISA IBOPE INTENÇÕES DE VOTO
09’18 PARA O GOVERNO DE MINAS
ENTREVISTA DE ESTÚDIO 09’19// COMO MONTAR UM CURRÍCULO- CÍNTIA
11’50 GONÇALVES DOS SANTOS- PSICÓLOGA
VT2- USO DE COSMÉTICOS 11’51// OFF// PERSONAGEM// OFF//
14’07 PERSONAGEM// OFF// SONORA
PROFESSOR DE FARMÁCIA DA UFMG//
OFF// DERMATOLOGISTA// OFF//
FARMECÊUTICA
ENCERRAMENTO 14’08//
14’41
51

TABELA 2 – DECUPAGEM DO TELEJORNAL CIRCUITO UFMG- DIA 28/09/2010

TERÇA-FEIRA- 28/09/2010
APRESENTAÇÃO JÚLIA BICALHO
DURAÇÃO 13’00

1º BLOCO

TIPO DURAÇÃO CONTEÚDO


VINHETA ABERTURA- 00’00//
00’21
ESCALADA- 00’22// DÚVIDAS ELEITORES // PESQUISA
00’42 ELEITORAL PARA A PRESIDÊNCIA//
COLUNA DE TECNOLOGIA
INTERVALO 00’43 // ASSISTENCIA ESTUDANTIL FUMP
01’10’’
VINHETA- 01’11//
01’14
VT1- DÚVIDAS NA ELEIÇÃO 01’15// PERGUNTA (POVO-FALA)// RESPOSTA
05’42 (ASSESSOR DE IMPRENSA DO TER) //
PERGUNTA // RESPOSTA // PERGUNTA //
RESPOSTA // PERGUNTA // RESPOSTA //
PASSAGEM
NOTA SECA- 05’43 // PROIBIÇÃO DE PRISÃO DE ELEITORES
06’03
ARTE 06’04 // INTENÇÃO DE VOTOS NA ELEIÇÃO PARA
06’50 PRESIDENTE
VINHETA 06’51 //
06’54
INTERVALO 06’55 // NATURAZOOM (QUADRO DE UM DOS
08’17 PROGRAMAS DA TV UFMG) // PROCESSO
SELETIVO ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA
PROFISSIONAL UFMG// PROCESSO
SELETIVO CENTRO PEDAGÓGICO UFMG//
PROCESSO SELETIVO COLTEC UFMG //
PROCESSO SELETIVO TEATRO
UNIVERSITÁRIO UFMG

2º BLOCO

VINHETA 08’16//
08’20
NOTA SECA 08’21 // INSCRIÇÕES DESAFIO SANTANDER
08’37 UNIVERSIDADES
NOTA COBERTA 08’38// CHUVAS EM BH
09’06
VT2- EVENTO FUMP-SAÚDE 09’07// OFF/ GERENTE PROGRAMA FUMP
10’18 UFMG// OFF// PERSONAGEM // NOTAPÉ
COLUNA INFORMÁTICA- 10’19// “VÍRUS” - CÉSAR ADRIANO- PROFESSOR
(.TECH) 12’26 DO COLTEC UFMG
ENCERRAMENTO 12’27//
13’00
52

TABELA 3 – DECUPAGEM DO TELEJORNAL CIRCUITO UFMG- DIA 29/09/2010

QUARTA-FEIRA- 29/09/2010
APRESENTAÇÃO MARINA VIEIRA
DURAÇÃO 14’37

1º BLOCO

TIPO DURAÇÃO CONTEÚDO


VINHETA ABERTURA- 00’00//
00’21
ESCALADA 00’22// DÚVIDAS ELEIÇÕES// ARQUIVAMENTO
00’46 FICHA LIMPA// PESQUISA SOBRE A
FELICIDADE DOS BRASILEIROS
INTERVALO 00’47 // ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL FUMP
01’15’’
VINHETA- 01’16//
01’20
VT1- DÚVIDAS NA ELEIÇÃO 01’21// ABERTURA// PERGUNTA (POVO-FALA)//
05’34 RESPOSTA (ASSESSOR DE IMPRENSA DO
TER) // PERGUNTA // RESPOSTA //
PERGUNTA // RESPOSTA
ARTE 05’35 // INTENÇÃO DE VOTOS NA ELEIÇÃO PARA
06’07 PRESIDENTE
NOTA 06’08 // AUMENTO DO NÚMERO DE CASOS DE
06’30 SARAMPO
VINHETA 06’31 //
06’34
INTERVALO 06’35 // PROCESSO SELETIVO ESCOLA DE
08’06 EDUCAÇÃO BÁSICA PROFISSIONAL UFMG//
PROCESSO SELETIVO CENTRO
PEDAGÓGICO UFMG// PROCESSO SELETIVO
COLTEC UFMG // PROCESSO SELETIVO
TEATRO UNIVERSITÁRIO UFMG / ICB
UFMG

2º BLOCO

VINHETA 08’07//
08’11
NOTA COBERTA 08’12// MANIFESTAÇÃO MOVIMENTO DOS SEM
09’00 TETO
NOTA COBERTA 09’01// GREVE BANCÁRIOS
09’33
NOTA SECA 09’34// ARQUIVAMENTO FICHA LIMPA- CASO
10’06 RORIZ
STAND-UP COM SONORA- 10’06// OFF/ GERENTE PROGRAMA FUMP
PROIBIÇÃO DA PRISÃO DE 11’38 UFMG// OFF// ALEXANDRE SANTIAGO-
ELEITORES E CANDIDATOS JUIZ
VT2- FELICIDADES DOS 11’39// OFF/ POVO FALA// PASSAGEM // POVO
BRASILEIROS 13’24 FALA// OFF // POVO FALA
NOTA COBERTA- 13’25// APRESENTAÇÃO MUSICAL NO CAMPUS
14’07 PAMPULHA
ENCERRAMENTO 14’08//
53

14’37

TABELA 4 – DECUPAGEM DO TELEJORNAL CIRCUITO UFMG- DIA 29/09/2010

QUINTA-FEIRA- 30/09/2010
APRESENTAÇÃO LETÍCIA MARTINS
DURAÇÃO 14’41

1º BLOCO

TIPO DURAÇÃO CONTEÚDO


VINHETA ABERTURA- 00’00//
00’21
ESCALADA 00’22// DÚVIDAS ELEITORES- VISITA IRANIANOS
00’41 PROCESSO ELEITORAL/ AGENDA
CULTURAL

INTERVALO 00’42 // UNIDADE DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS- ICB


01’11’’ UFMG
VINHETA- 01’12//
01’15
VT1- DÚVIDAS NA ELEIÇÃO 01’16// PERGUNTA (POVO-FALA)// RESPOSTA
03’17 (ASSESSOR DE IMPRENSA DO TER) //
PERGUNTA // RESPOSTA // PERGUNTA //
RESPOSTA // PERGUNTA // RESPOSTA
NOTA SECA 03’18// OBSERVATÓRIO DA WEB- UFMG
03’36
NOTA SECA 03’37// PROIBIÇÃO DE VENDA DE BEBIDAS
04’01 ALCOOLICAS NO DIA DA ELEIÇÃO
VT2- VISITA IRANIANOS 04’02 // OFF// SONORA DOUTORANDA EM
04’47 CIÊNCIAS POLÍTICAS DA UFMG// OFF
NOTA COBERTA 04’48// INSATISFAÇÃO PASSAGEIROS NOS
05’45 AEROPORTOS
INTERVALO 05’46 // PROPAGANDAS SOBRE TECNOLOGIAS
09’14 ASSISTIVAS (AVALIAÇÃO FISIOLÓGICA
AUDITIVA) // NATURAZOOM (QUADRO DE
UM DOS PROGRAMAS DA TV UFMG)

2º BLOCO

VINHETA 09’15//
09’19
NOTA SECA 09’20// CONTINUAÇÃO DA GREVE DOS
09’44 BANCÁRIOS
AGENDA CULTURAL 09’45// ABERTURA (EVENTO CULTURAL DA
13’29 UFMG)// 4 SHOWS// 3 PEÇAS DE TEATRO E
2 FILMES
NOTA COBERTA- 13’30// FIM DA OBRIGATORIEDADE DE DOIS
14’08 DOCUMENTOS PARA VOTAR NAS
ELEIÇÕES
ENCERRAMENTO 14’09//
14’41
54

TABELA 5 – DECUPAGEM DO TELEJORNAL CIRCUITO UFMG- DIA 01/10/2010

SEXTA-FEIRA- 01/10/2010
APRESENTAÇÃO EVELINE XAVIER
DURAÇÃO 14’45

1º BLOCO

TIPO DURAÇÃO CONTEÚDO


VINHETA ABERTURA- 00’00//
00’21
ESCALADA 00’22// ELEIÇÕES: VOTOS INDECISOS // CASA DE
00’40 PVC // APARELHO QUE LEMBRA A HORA
DE TOMAR OS REMÉDIOS
VINHETA- 00’41//
00’44
VT1- PESO DO VOTO DOS 00’45// OFF // SONORA CIENTISTA POLÍTICO DA
ELEITORES INDECISOS NAS 02’43 UFMG // OFF// PERSONAGEM // OFF // POVO
ELEIÇÕES FALA// OFF // VOLTA SONORA CIENTISTA
POLÍTICO DA UFMG//
NOTA SECA 02’44// LEI SECA NAS ELEIÇÕES// BOCA DE
03’45 URNA// LINHAS DE ÔNIBUS
INTERVALO 03’46 // ASSISTENCIA ESTUDANTIL- FUMP //
05’28 PROCESSO SELETIVO ESCOLA DE
EDUCAÇÃO BÁSICA PROFISSIONAL UFMG//
PROCESSO SELETIVO CENTRO
PEDAGÓGICO UFMG// PROCESSO SELETIVO
COLTEC UFMG // PROCESSO SELETIVO
TEATRO UNIVERSITÁRIO UFMG

2º BLOCO

VINHETA 05’23//
05’27
NOTA SECA 05’28// RECITAL DE HARPA DA UFMG
05’47
NOTA SECA 05’48// INSCRIÇÕES CONCURSO PÚBLIDO DA
06’10 UFMG
NOTA COBERTA- 06’11// CASA DE PVC
06’31
ENTREVISTA DE ESTÚDIO- 06’32// ISABEL BRANT- ARQUITETA DA UFMG
CASA DE PVC 11’40
NOTA SECA 11’41// DIA DO IDOSO
12’02
VT2- APARELHO QUE LEMBRA 12’03// OFF // SONORA OFF // SONORA // OFF //
A HORA DE TOMAR OS 14’12 SONORA TERAPEUTA OCUPACIONAL
REMÉDIOS DA UFMG (CRIADORA DO DISPOSITIVO)
// PASSAGEM // OFF // VOLTA SONORA
TERAPEUTA OCUPACIONAL DA UFMG
55

(CRIADORA DO DISPOSITIVO)
ENCERRAMENTO 14’13//
14’45

Anexo C – Entrevistas

Entrevista 1- Coordenador geral da TV UFMG, Luiz Henrique:

1- Qual a necessidade de um telejornal em uma TV universitária?

2- Em que esse telejornal contribui para a formação do aluno e para a divulgação dos
projetos da UFMG?

3- Qual é, e como foi definida a linha editorial do telejornal Circuito UFMG?

4- Qual a preocupação maior do telejornal: informar sobre os acontecimentos da UFMG


ou formar os alunos para o mercado de trabalho?

5- Qual a avaliação que você faz do telejornal?

6- Como é feita a escolha das fontes: são ouvidas, preferencialmente, personagens de


dentro da Universidade ou também fontes externas?

7- Quais as mudanças que o telejornal precisa ter?


56

Entrevista 2- Ex-coordenador geral da TV UFMG, Mário Quinaud

1- Como, e quando surgiu o telejornal Circuito UFMG?

2- Até quando o telejornal foi gravado na redação do Cedecom e como era essa
experiência?

3- Ele tinha o mesmo formato que possui atualmente? Quais as principais mudanças?

4- Desde a sua concepção, qual foi a maior preocupação do telejornal: informar sobre os
acontecimentos da UFMG ou formar os alunos para o mercado de trabalho?

5- Quais as mudanças que o telejornal precisa ter?


57

Entrevista 3- Editor-chefe do telejornal Circuito UFMG, Átila Moreno

1- O Circuito UFMG cumpre a sua proposta de trabalho?


2- Qual o caminho ele deveria seguir?
3- Como ele é pensado no dia-a-dia?
4- Quais as maiores dificuldades para produzir um telejornal dentro de uma
universidade?
5- Quanto à escolha de temas e fontes, como ela é feita. E você concorda com ela?
6- O telejornal é “institucionalizado”?
7- Há liberdade para tratar de temas externos à universidade?
8- Qual deveria ser a principal função do Circuito UFMG: informar sobre os
acontecimentos da UFMG ou formar os alunos para o mercado de trabalho?
9- Em quanto tempo um aluno que passa pelo Circuito UFMG está preparado para o
mercado de trabalho?
10- Há exemplos de profissionais que já estão empregados em TVs comerciais?

11- Quais as mudanças que o telejornal precisa ter?


58

Entrevista 4- Editor de imagens do telejornal Circuito UFMG, Fábio Vieira

1- Há quanto tempo está no Circuito UFMG e o que acha do telejornal

2- Quais as maiores dificuldades encontradas ao editar o telejornal?

3- Acha que a forma que o telejornal utiliza ao aliar aprendizado e informação serve para
a formação dos alunos?

4- Como avalia a qualidade do telejornal

5- O que acha da escolha das fontes e dos temas abordados no telejornal

6- Quais as mudanças que o telejornal precisa ter?


59

Entrevista 5- Estagiário do telejornal Circuito UFMG, Ricardo Miranda

1- Há quanto tempo está no Circuito UFMG? Como ficou sabendo da oportunidade de


estágio?

2- Como é o aprendizado ao produzir o telejornal?

3- Acha importante esse tipo de aprendizado para a vida profissional?

4- O estágio consegue completar o que, às vezes, pode não ser repassado em sala de
aula?

5- O que acha da escolha das pautas e das fontes do telejornal?

6- Acha que o telejornal dá mais destaque para as notícias internas ou ele também
abrange os fatos externos à UFMG?

7- Como avalia o jornal como um todo, desde a produção ao produto final?

8- O que poderia ser repensado no telejornal?

9- Quais os pontos de maiores destaques do telejornal?


60

Entrevista 6- Estagiário do telejornal Circuito UFMG, Filipe Staino

1- Há quanto tempo está no Circuito UFMG? Como ficou sabendo da oportunidade de


estágio?

2- Como é o aprendizado ao produzir o telejornal?

3- Acha importante esse tipo de aprendizado para a vida profissional?

4- O estágio consegue completar o que, às vezes, pode não ser repassado em sala de
aula?

5- O que acha da escolha das pautas e das fontes do telejornal?

6- Acha que o telejornal dá mais destaque para as notícias internas ou ele também
abrange os fatos externos à UFMG?

7- Como avalia o jornal como um todo, desde a produção ao produto final?

8- O que poderia ser repensado no telejornal?

9- Quais os pontos de maiores destaques do telejornal?


61