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EDITORIAL

Outubro missionário
SUMÁRIO
OUTUBRO 2010/08

A
Campanha Missionária de 2010, organizada todos os anos
pelas Pontifícias Obras Missionárias – POM, tem como
tema “Missão e Partilha” e traz como lema “Ouvi o clamor
do meu povo” (cf. Ex 3, 7b). Este ano, além das POM, a
Campanha teve a colaboração da Comissão Episcopal
para a Amazônia da CNBB na sua organização, e por
isso os subsídios recordam a realidade daquela região, com seus 1. A Missão como partilha para a
povos e sua rica biodiversidade. A temática é inspirada na Cam- construção de um mundo solidário.
Arte: Cleber Pires
panha da Fraternidade numa perspectiva universal, para reafirmar
a vida da própria Igreja que é, por sua natureza, missionária. O
2 - Padre Sérgio Bradanini.
objetivo é aprofundar o sentido da nossa fé sem fronteiras e nos Foto: Jaime C. Patias
ajudar a viver o Mês das Missões e o Dia Mundial, no penúltimo
domingo de outubro - dia 24.
A origem da Missão como partilha se encontra no próprio Deus  Mural-----------------------------------------------------04
Cartas
que por primeiro partilhou sua vida através da Criação e, mais
tarde, confiou ao Filho Jesus o seu Plano de Salvação para todos  OPINIÃO--------------------------------------------------05
Por um mundo de paz
os povos. Jesus conclui sua missão entre os discípulos dizendo: Mário de Carli
“vós sereis testemunhas de tudo isso” (Lc 24, 48). Essa é, por-  Juventude missionária----------------------------06
tanto, a Missão dos cristãos. Missionário(a) é uma pessoa sem Projeto de vida
fronteiras, que movida pelo desejo humano e divino de partilhar, Patrick Oliveira Urias
derruba qualquer barreira, geográfica  PRÓ-VOCAÇÕES----------------------------------------07
ou sociológica, religiosa ou humana, A vocação do serviço
Jaime C. Patias

Rosa Clara Franzoi


cultural, real ou virtual, para sair de si
e ir ao encontro do outro, do diferente,  reflexões------------------------------------------------08
Um tesouro dentro de você
do desconhecido. É evidente que, aos Maria Regina Canhos Vicentin
olhos de Deus Criador, o mundo não
 VOLTA AO MUNDO-------------------------------------10
tem fronteiras. “Evangelizar constitui, Notícias do Mundo
de fato, a graça e a vocação própria da Agência Ecclesia / Fides / revista Missões
Igreja, a sua mais profunda identidade.  ESPIRITUALIDADE----------------------------------------12
Ela existe para evangelizar” (EN 13). Simples como as crianças
Assim, a comunidade cristã nunca pode Patrick Gomes Silva
permanecer fechada em si mesma, no  TESTEMUNHO ------------------------------------------14
seu mundo pequeno, diocesano ou pa- O grito do sangue
João Pedro Baresi
roquial, pois o dom gratuito da fé deve ser alegremente partilhado:
“a fé se fortalece quando comunicada” (RM 2).  FÉ E POLÍTICA -------------------------------------------16
Preste atenção nesse contexto
O conteúdo das matérias e artigos desta edição - agora ampliada Humberto Dantas
em quatro páginas - é um olhar universal, aberto a todo o mundo,
 FORMAÇÃO MISSIONÁRIA ---------------------------17
como aquele de Cristo que abraçava todos os povos e grupos Para além dos muros
humanos. A revista Missões quer ser um grito de entusiasmo e de Almir Magalhães
esperança para que, “com a confiança que brota da fé” (RM 56)  especial -------------------------------------------------21
e com a força do Espírito Santo, “protagonista da missão” (RM Haiti: missão de solidariedade
José Altevir da Silva
30), todo batizado se empenhe para que a Boa Nova de Jesus
chegue até os confins da terra.  DESTAQUE DO MÊS -----------------------------------22
Campanha Missionária
Inspirador é o pensamento de dom Fulton John Sheen, arcebispo Elmo Heck
de Newport, EUA: “a diocese, a paróquia ou o cristão que prefere
gastar todas as suas energias em casa, antes de dedicá-las às  África - --------------------------------------------------24
Opção para a Missão Ad Gentes?
missões, é semelhante à pessoa que, temendo o empobrecimento Michael Mutinda
do coração pelo impulsionar do sangue até às extremidades do  Ásia -------------------------------------------------------25
organismo, levanta barreiras para estancar o sangue no coração. Mianmar sonha com a liberdade
Imediatamente se aperceberá que as mãos e os pés se paralisarão Mário de Carli
e o próprio coração se acaba”. Bem sabemos que os recursos  infância missionária ------------------------------26
materiais não são o verdadeiro problema das missões hoje. O E pra criança? Nada? Tudo!
Roseane de Araújo Silva
que preocupa o mundo missionário é a escassez das vocações.
As missões precisam de pessoas livres que se doem sem medo  ENTREVISTA SÉRGIO BRADANINI --------------------30
A Igreja está a caminho, é itinerante!
a esta causa, que é a causa de Cristo. O surgimento de vocações Jaime Carlos Patias
missionárias em nossas comunidades é sinal claro de sua matu-
 ATUALIDADE----------------------------------------------32
ridade cristã. Para ser verdadeiramente missionária, a Igreja no A trajetória de uma santa no Brasil
Brasil e no continente deveria dar daquilo que recebe.  Benedito Prezia
 volta ao brasil---------------------------------------34
CIMI MS/ Pastoral da Juventude / revista Missões

- Outubro 2010 3
ISSN 2176-5995
Mural do Leitor
Ano XXXVlI - Nº 08 Outubro 2010 Revista Missões Reino de Deus. Que Deus a abençoe por
Parabéns à revista Missões pela inicia- sua vida doada.
Diretor: Jaime Carlos Patias tiva da entrevista com o rabino Alexandre
Leone (edição número 4 – maio de 2010) Imã Inês de Lima, MC, na Venezuela.
Editor: Maria Emerenciana Raia e pela clareza e discernimento nas suas
colocações ao abordar temas tão sensíveis Miopia dos políticos
Equipe de Redação: Patrick Gomes às pessoas espiritualizadas. Nesses tempos em que todos são
especialistas em dar palpites na educa-
Silva, Rosa Clara Franzoi, Júlio César
Miriam Herscovici Martines ção, talvez fosse interessante refletir que
Caldeira, Mário de Carli, Vanessa Ra-
Sociedade Israelita de Ribeirão Preto, SP. a progressão continuada pode também
mos, Jonathan Constantino e Michael
ser uma forma de exclusão ou punição,
Mutinda
I Congresso Missionário uma vez que alunos empurrados de uma
Colaboradores: Roseane de Araújo
de Seminaristas série para a outra sem o devido conheci-
Fiquei muito feliz ao ler a carta final mento, acabam caindo na mesma falta de
Silva, Humberto Dantas, Dirceu Benin-
dos participantes do I Congresso Mis- estímulo, tão prejudicial como ser retido.
cá, Gianfranco Graziola, Maria Regina
sionário de Seminaristas, realizado em Precisamos ensinar nossos educandos a
Vicentin
Brasília no mês de julho. Realmente no não buscar atalhos, nem o jeitinho mais
dia a dia de cristãos leigos vemos cada fácil, mas, a ideia de merecimento, con-
Agências: Adital, Adista, CIMI, vez mais a necessidade de uma nova quistada como valorização na aquisição
CNBB, Fides, IPS, MISNA, Radioagência visão de Igreja, nova na maneira de agir, de conhecimentos.
Notícias do Planalto e Vaticano mas, com certeza voltada à sua própria
origem que é a Missão de Jesus. Que Maria de Fátima da Silva, coordenadora do COMIDI, diocese
Diagramação e Arte: Cleber P. Pires o ardor missionário esteja presente nas de Limeira, SP.
vidas dos nossos sacerdotes.
Jornalista responsável: Paradigma
Maria Emerenciana Raia (MTB 17532) Ivete Aparecida Rostirola Tada Vivendo em um mundo onde os nos-
Conselho Missionário Diocesano – Guarulhos, SP. sos direitos são banalmente violados,
Administração: Luiz Andriolo não podemos fixar nossos pensamentos,
Testemunho nossas ideias e ações em tudo que nos
Sociedade responsável: Dos rincões venezuelanos, quero pa- é imposto. Devemos expressar nossas
Instituto Missões Consolata rabenizar irmã Augusta Viapiana, MC, por opiniões, mesmo sendo contrárias às
(CNPJ 60.915.477/0001-29) partilhar esta linda experiência missioná- ideias comuns. Temos também que estar
ria junto aos Povos Indígenas de Rorai- sempre atentos e abertos às inovações e
Impressão: Editora Parma ma (edição número 5 – junho de 2010). mudanças do nosso cotidiano, ao contrário
Fone: (11) 2462.4000 Quantas pessoas serão enriquecidas dos robôs, que são programados para
com o seu testemunho! Quem sabe se agir sem pensar.
Colaboração anual: R$ 50,00 isso não servirá de impulso para alguma
BRADESCO - AG: 545-2 CC: 38163-2 vocação? Talvez algumas das sementes Jeane Maria, estudante pré-universitária
Instituto Missões Consolata possam germinar para o bem maior do Salvador, BA.
(a publicação anual de Missões é de 10 números)

Missões é produzida pelos


Missionários e Missionárias da Consolata
Fone: (11) 2256.7599 - São Paulo/SP
Reunião do COMISE
(11) 2231.0500 - São Paulo/SP Organização e atuação do Conselho organização do Conselho: “o COMISE
(95) 3224.4109 - Boa Vista/RR Missionário do Seminário - COMISE, já existe e atua muito bem em algumas
foram os assuntos mais importantes da dioceses, e precisa se espalhar por todo
Membro da PREMLA (Federação de Imprensa primeira reunião da Comissão Missioná- o Brasil”, disse o padre André. Por fim,
Missionária Latino-Americana) e da UCBC ria de Seminaristas do Regional Sul 1, o assessor orientou os participantes
(União Cristã Brasileira de Comunicação Social) que teve como assessor o padre André para uma verdadeira articulação sobre
Luiz de Negreiros, das Pontifícias Obras o FORMISE (Formação Missionária de
Redação Missionárias de Brasília. Durante a reu- Seminaristas).
Rua Dom Domingos de Silos, 110 nião, realizada no dia 6 de setembro, no O Conselho voltará a reunir-se no dia
02526-030 - São Paulo seminário de Teologia da Arquidiocese 12 de fevereiro do próximo ano, na diocese
Fone/Fax: (11) 2256.8820 de Campinas, SP, os seminaristas co- de São José dos Campos.
Site: www.revistamissoes.org.br nheceram sobre a organização e atua­
E-mail: redacao@revistamissoes.org.br ção do COMISE. O padre André Luiz Renato Papis - Fonte: CNBB Sul 1.
pôde orientar os seminaristas sobre a Com colaboração de Luiz Carvalho de Souza, de Marília.

4 Outubro 2010 -
Por um mundo de paz

OPINIÃO
“A luta mais difícil é a que travamos conosco
mesmo. Se nos desarmamos, se nos despojarmos,
se nos abrirmos a Jesus Cristo, Aquele que faz
novas todas as coisas, então Ele apaga o passado
errado e concede-nos um tempo novo, onde tudo
é possível” (patriarca Atenágoras de Constantinopla).

Texto e foto de Mário de Carli

C
osme Damião regressava à comunidade cristã quando
no caminho foi abordado por quatro homens que lhe
Caminhada pela paz durante Congresso Eucarístico, maio de 2010, Brasília, DF.
pediram sua cruz, ao que respondeu: “Não darei esta
cruz”. Ele a havia recebido de presente dos missionários no valor de 845,1 milhões de euros, segundo Fuente Diarios y
da Consolata e a levava em seu peito. “Por que você Agencias. Diariamente no mundo duas mil pessoas são mortas
não quer dar esta cruz?” – perguntou um deles. Cosme nos conflitos, e cerca de um quarto deste total são crianças. Em
retorquiu: “Se eu der esta cruz a vocês, é como se jogasse fora o contrapartida, a proliferação descontrolada de armas de fogo - de
meu batismo”. Disseram-lhe: “Você vai morrer!” “Está bem - disse porte pessoal - traz como consequência o aumento no número
ele – mas, primeiro, quero rezar”. Após sua oração, ele foi morto. de vítimas. No mundo, 500.000 pessoas morrem todos os anos:
Vieram os cristãos, buscaram seu corpo e o velaram. No final da é uma morte por minuto. Há atualmente 639 milhões de armas
tarde daquele dia, após o enterro, uma fina garoa desceu sobre que circulam pelo planeta e são abastecidas por 16 bilhões de
Mepanhira, norte de Moçambique. Era um sinal e os amigos se unidades de munição produzidas anualmente, segundo dados
perguntaram: “Quando acabará esta guerra sem sentido e quando fornecidos pela Small Arms Survey, organização independente
a paz virá para todos nós?” Corria o ano de 1988 e a chuva fina com sede em Genebra, Suíça.
e miúda anunciava que este dia estava próximo. Ele chegou no
dia 4 de outubro de 1992. Eram tempos difíceis de uma guerra Por onde começar?
civil feita entre irmãos em Moçambique, cujas sequelas levaram Comecemos dentro de nós mesmos. Dediquemo-nos por
tempo para sarar. construir um mundo de paz sem a necessidade de armas. Será
Imagens como esta e outras ainda bem piores são cons- este o nosso longo peregrinar. Comecemos dentro de nós mes-
tantes e revelam a dura realidade das guerras, da violência e mos desarmando nosso espírito e nosso coração, pois a paz se
dos conflitos armados que causam imenso sofrimento humano. constrói combatendo as raízes do rancor, da vingança e de toda
Elas apontam os momentos de maior angústia e anunciam que a forma de egoísmo. Dentro de nossos lares e famílias, pois
há esperança para solucionar todos os conflitos, pois a vida e quem possui uma arma tem 57% mais chance de matar ou de ser
a dignidade humana são os bens mais preciosos e devem ser assassinado do que quem não tem. Desarmemo-nos de nossas
sempre respeitados. Apontam também para termos uma nova ideias, pois uma arma não traz proteção, segurança ou poder a
e urgente visão do mundo e o modo como organizamos nossa ninguém. Há muitos e pequenos gestos que vão construindo um
vida que deve ser embebida duma ética diferente, baseada numa mundo de paz, desde o perdão e a convivência pacífica com todas
economia não bélica, centrada no ser humano e no respeito mútuo as pessoas. Não comprar e nem assistir videogames violentos,
entre os povos. é o mínimo do bom senso, nem nos deixarmos enganar pelos
Quando olhamos para aqueles que governam as nações e programas e discursos baseados na paz das armas, mas educar-
para os fabricantes de armas, vergonhosamente devemos admitir nos e educar para a paz no relacionamento familiar, comunitário
que o investimento bélico foi duas vezes superior ao da alimen- e social. Participar de campanhas pela paz é melhor investimento
tação. Segundo o Instituto de Pesquisas da Paz - SIPRI, sediado do que protestos contra o armamento. Construir a paz a partir das
em Estocolmo, o mundo não parou de se armar e em 2006, os religiões na superação dos “antigos testamentos” e das coisas
gastos militares chegaram a mais de 1,2 trilhão de dólares - cerca velhas, para assumirmos os caminhos de uma espiritualidade
de 900 bilhões de euros. Ou então, num outro ângulo: nos anos centrada no Deus do universo que envia a chuva e o sol, tanto
de 2004 e 2005 foram investidos 234,5 bilhões de euros para a para os “maus” quanto para os “bons”. Haverá uma humanidade
alimentação da humanidade, ao passo que para matar e destruir, nova a ser construída à medida que superarmos a visão da vida
foram quase quatro vezes mais. Todo este material bélico foi como uma “luta pela sobrevivência”, em que o outro deixará de
apresentado como produto “de alta performance e qualidade”, ser um rival e um inimigo, para se tornar um aliado na construção
mas ninguém falou das consequências dos números de refugia- do bem e da dignidade humana. 
dos, mutilados e dos imensos sofrimentos das famílias. Para citar
um dos países europeus, em 2006 a Espanha exportou armas Mário de Carli, imc, é membro da equipe de redação.

- Outubro 2010 5
Juventude
Projeto de vida Roteiro do Encontro
Tema do mês: A Missão e o projeto de vida

a)
b)
c)
Oração inicial
Apresentação do tema
Dinâmica (partilhar os sonhos pessoais)
d) Trabalho em dois grupos (elaborar 2 cartazes com
de Patrick Oliveira Urias colagem: O mundo em que eu vivo x O mundo que
Deus e eu queremos)
e) Partilha

A
f) Oração conclusiva (usar a música “Epitáfio”, dos Titãs)
situação de vida daquele jovem que se encontra com
Jesus (Mc 10, 17-22) é muito semelhante à dos jo- reflexão pessoal. É primordial aproximar-se de Deus no intuito de
vens de hoje. Numa idade repleta de energia e na pedir a sua ajuda para discernir e mergulhar no que há de mais
qual desabrocham os sonhos para o futuro, o jovem profundo em você.
pergunta a Jesus: “Bom Mestre, o que devo fazer?” É Que tal aventurar-se um pouco mais na direção do seu pro-
a pergunta que também você, jovem, se faz em busca jeto de vida? Comece observando a sua história, afinal você é o
de sua própria missão. Olhar para si mesmo, compreender o protagonista deste grande espetáculo que é a vida. Agora vá até a
sentido da existência, perceber-se um ser no mundo, com seus realidade onde você vive, em seus diversos aspectos, deixando-se
desejos e suas responsabilidades... Eis o início da elaboração impactar por ela - Ver. Depois se pergunte como Deus veria esta
de um projeto de vida. realidade: Como ela deveria ser aos olhos do Criador? - Julgar.
Se não é o bastante ter um lugar no mercado de trabalho e ser Por fim, perceba como você poderia se colocar nesta realidade
bem sucedido, o que falta para minha vida ter pleno sentido? Qual de maneira a contribuir com a transformação - Agir -, a partir de
seria o meu projeto de vida? É preciso a coragem de enfrentar os sua vida pessoal, profissional e social.
questionamentos para orientar o caminho das próprias decisões, a Somente você e Deus podem descobrir juntos o que é melhor
partir de aspirações de vida e felicidade. Porém, além de escutar a para a sua vida. É necessário criar intimidade com o divino Mestre,
si mesmo, é no coração de Deus que se pode encontrar o projeto aquele que nos ensina. Aproximar-se com confiança, estabelecer
de vida que nos tornaria mais felizes, já que Ele, que nos ama, um diálogo e dizer-lhe, como o papa Bento XVI: “Senhor, qual é o
possui o melhor plano de amor para cada um de nós. teu plano de Criador e Pai para a minha vida? Qual é a tua vonta-
de? Eu desejo realizá-la”. O Pai, que não deixa de escutar seus
O projeto pessoal de vida filhos lhe responderá. É preciso ouvir, sem ter medo da resposta.
Projetar a vida é estar consciente do rumo da própria história 
que se vai criando ao longo do caminho. É a partir do projeto pes- Patrick Oliveira Urias, omi, é estudante de teologia na
soal, da consciência de si mesmo, que se expande o cuidado com Escola Dominicana de Teologia (EDT), em São Paulo.
as pessoas e o mundo ao nosso redor. Em uma sociedade tão
imediatista, ter um projeto de vida, planejar o futuro é testemunhar Para refletir:
valores que permanecem, acreditar em ideais e no valor da pessoa. 1. Quais as qualidades e os sonhos que apontam para o meu
Mas, quem disse que é tão fácil assim decidir? É um verdadeiro projeto de vida?
desafio, pois são tantas opções, que nos sentimos atraídos por 2. Que realidade temos hoje? Que realidade queremos?
tantas coisas, até na hora de optar por nossa profissão! Para dar 3. Como posso responder concretamente a esta realidade a
passos e tomar decisões é preciso dar-se tempo, criar espaços de partir do meu projeto de vida?
Mário de Carli

Encontro Estadual da Juventude Missionária, São Paulo, SP.

6 Outubro 2010 -
pró-vocações
A vocação do serviço
Ninguém pode eximir-se desta missão.

Álvaro Pacheco
de Rosa Clara Franzoi

O
tema vocação, entendido como chamado de Deus,
automaticamente leva-nos a descobrir a sua dimen-
são de serviço. Não existe chamado sem um objetivo
específico. Quando Deus chama alguém é porque tem
algo importante a lhe confiar; e esse algo é sempre
em favor de outros. Isto pode ser aplicado também às
profissões. Já vimos que há diferença entre vocação e profissão;
mas neste caso o sentido é o mesmo. Não existe uma vocação
ou profissão - uma sequer - cuja finalidade não seja voltada
para fora, para o outro. Os pais, professores, padres, religiosas,
padeiros, médicos e tantos outros exercem sua profissão para
quem? Ninguém exerce uma função só para si. É verdade que o
salário tem peso na escolha, falo da profissão; mas mesmo assim,
toda missão, toda profissão, está servindo alguém. Seria muito
esquisito e até ridículo, se um pintor fizesse uma linda obra e a
colocasse no seu quarto para ficar admirando-a e orgulhando-se
dela o tempo todo. Se analisarmos bem, a maior parte do nosso
tempo é “gasto” em função dos outros. Depende de nós mesmos
tornar o agir diário, uma missão de serviço. Missionário italiano do PIME visita doente em favela de Bangcoc, Tailândia.

A vocação de servir fazem pensar assim. Mas, todo serviço, até o mais simples do
Jesus disse: “Ide pelo mundo e tornai todos os povos meus dia a dia, enobrece quem o faz e beneficia quem o recebe; além
discípulos (Mt 28, 19)”; e o instrumento que Ele oferece a quem de proporcionar alegria interior a ambos.
se dispõe a segui-Lo nesta missão é o “testemunho”. Um bom
testemunho sempre tem repercussão positiva no coração de Servir é uma graça
alguém; que, por sua vez, fará o mesmo em relação a outros e Os missionários e missionárias enviados a evangelizar em
a “corrente do bem” vai chamando as pessoas à reflexão. Isto é outros países, prestam este serviço aos irmãos e irmãs com
servir. Egoisticamente podemos até não aceitar esta verdade e não extrema dedicação. Mas, lembremos que todos nós, onde quer
querer servir ninguém; mas, sem perceber, acabamos servindo. que estejamos, em nossa casa, na escola, no emprego, na
Pagando um objeto que compramos numa loja, estamos contri- comunidade-igreja, na política, nos lugares onde nos divertimos,
buindo para o salário dos funcionários. Em tudo o que fazemos, podemos e devemos servir. Se ao dirigirmos nosso carro, dermos
estamos servindo. É bom pensarmos nisto, porque às vezes, sinal ao motorista que está ao nosso lado, avisando-o que a porta
não queremos admitir que, neste mundo todos necessitamos uns não está fechada; ou se andando pela calçada, formos capazes
dos outros. É a nossa auto-suficiência e o nosso orgulho que nos de afastar para o lado um caco de vidro para que ninguém se
machuque; se tirarmos um pouco do nosso tempo para visitar
alguém que está doente e sem apoio; se dirigirmos uma palavra
de conforto e de ânimo a quem anda desanimado, estaremos
Quer ser um missionário/a? evangelizando, estaremos servindo. Servir é a vocação de Jesus.
Ele disse: “Eu não vim para ser servido, mas para servir”. E toda
Centro de Animação Missionária e Vocacional - irmã Maria Costa a vida de Jesus foi um serviço ao próximo.
Rua Nemésio Ramos Figueira, 428 - Pedra Branca - 02635-160 - São Paulo - SP

Tel. (11) 2233-6955 - E-mail: amvtecla@gmail.com
Rosa Clara Franzoi, MC, é animadora vocacional.
Centro Missionário “José Allamano” - padre Patrick Gomes Silva
Rua Itá, 381 - Pedra Branca - 02636-030 - São Paulo - SP
Tel. (11) 2232-2383 - E-mail: secretariamissao@imconsolata.org.br
Para refletir:
Ler Mc 10, 45 e se questionar:
Missionários da Consolata - padre César Avellaneda 1. O que nos sugerem as palavras de Jesus a respeito da vo-
Rua da Igreja, 70-A - CXP 3253 - 69072-970 - Manaus - AM cação de servir?
Tel. (92) 3624-3044 - E-mail: amimc@ibest.com.br
2. A gente gosta de ser servido. Somos capazes de fazer o
mesmo com nosso próximo?
- Outubro 2010 7
REFLEXÕES

Um tesouro dentro
de você de Maria Regina Canhos Vicentin
Sugestões para melhorar
nosso relacionamento
pessoal e profissional.

N
um mundo competitivo como o
de hoje, é natural que estejamos
interessados em nos aprimorar
pessoal e profissionalmente.
Mesmo assim, às vezes, fica-
mos em dúvida acerca de como
podemos adquirir um melhor resultado.
Muitos possuem verdadeiros tesouros es-
condidos dentro de si, esperando apenas
serem descobertos. O autoconhecimento
é uma ferramenta de valor incalculável
quando o assunto é desempenho, pois nos
conhecendo, podemos entrar em contato
com nossos limites e potencialidades.
Todos temos qualidades e defeitos, en-
tretanto, se soubermos trabalhar nossas
características, teremos mais chances
de nos tornarmos pessoas agradáveis,
equilibradas e bem sucedidas.
Várias pessoas, para não dizer a
maioria de nós, não se conhecem. Não
sabem quase nada acerca de suas poten-
cialidades, limites, qualidades ou defeitos.
Levam a vida mascarando a própria
personalidade, vivendo de forma a fazer
tudo aquilo que acreditam ser o que os
outros esperam, pois, no fundo, todos
buscamos ser estimados e reconhecidos
pelo que somos e fazemos.
Com o auxílio do escritor norte-ame-
ricano Dale Carnegie, autor do best-
seller “Como fazer amigos e influenciar
pessoas”, listo a seguir algumas atitudes
para um melhor desempenho pessoal e
profissional:
Interesse-se sinceramente pelas
outras pessoas. A gente se interessa por
quem se interessa pela gente, e percebe
quando a atenção é sincera ou forçada.
Se você quer ser reconhecido, e deseja
Divulgação

que as pessoas gostem de você, exercite


o interesse pelos demais.

8 Outubro 2010 -
Sorria. Esta é uma das formas mais Saiba ouvir e fale sobre assuntos qualidades das pessoas, peça licença,
simples de causar uma primeira boa que interessem a outra pessoa. Para agradeça, desculpe-se quando necessá-
impressão e evidenciar o seu prazer em sermos populares e amigos, é impres- rio... Isso fará uma sensível diferença na
estar encontrando as pessoas com as cindível exercitarmos a escuta atenta. A sua forma de se relacionar com os demais.
quais se relaciona. maioria das pessoas sempre tem algo a Acredito que os tópicos mencionados
Chame a pessoa pelo nome. Todos contar, principalmente sobre si mesma, e podem ajudar todos aqueles que desejam
gostam de uma atenção especial e ser adora ter quem possa ouvir com atenção. se aprimorar pessoal e profissionalmente.
chamado pelo nome destaca a singula- Faça a outra pessoa se sentir im- Vale a análise, a reflexão e a prática do que
ridade do indivíduo. Faça o teste e se portante e faça-o sinceramente. Todos está sendo proposto. Os resultados virão
surpreenda com os resultados. gostam de ser apreciados. Reconheça as e, com certeza, irão surpreender a todos.

Ainda não foi


desta vez
Se você não consegue atingir seu objetivo, espere.
Deixe o tempo ajudar a compreender o que se passa.

C
ertas pessoas não conseguem afinco, natural seria conseguir aprovação os nossos pensamentos. Será? Não sei.
atingir seus objetivos mesmo na escola ou num concurso. Se investe em Pode ser. Pode não ser. Tem tanta coisa
se esforçando muito para isso. seu aprimoramento profissional, cumpre que ainda não sabemos. Mesmo assim
Não conseguem emagrecer, prazos e metas, o sucesso deveria ser ficamos brigando com as impossibilidades
ainda que fazendo dieta. Não apenas consequência. Se deseja amar e da vida sem usar um pouco de tempo
conseguem se acalmar, mesmo ser amado, coisa tão básica, encontraria para refletir e tentar assimilar o que os
fazendo relaxamento. Não conseguem diversas opções. Se anseia pelo sono, acontecimentos têm a nos ensinar. Se
aprender, ainda que estudando. Não con- e ainda toma remédios, com certeza existe algo que aprendi desde pequena é
seguem sucesso profissional, mesmo se deveria dormir. E por aí vai... Não há que não adianta “dar murro em ponta de
dedicando ao máximo. Não conseguem uma explicação convincente que com- faca”, pois o resultado é desastroso. Se
encontrar o amor, ainda que procuran- prove porque uns conseguem e outros você não consegue atingir o seu objetivo,
do desesperadamente. Não conseguem não, embora muitos se esforcem para ainda que se esforçando, pare um pouco;
dormir, mesmo tomando tranquilizantes e encontrar respostas. espere; deixe o tempo trazer elementos
seguindo as recomendações médicas. Não E o que se faz, então? De início, nada. que ajudem a compreender o que se
conseguem falar baixo, não conseguem Aceitar as impossibilidades parece ser passa. Entenda que não foi desta vez que
deixar um vício, não conseguem ter fé, a alternativa menos desgastante diante você conseguiu alcançar o que desejava.
não conseguem ser felizes. do quadro exposto. Adianta você brigar Entenda também que isso não é o fim,
Por que isso acontece? Será que não com a balança? Esmurrar o primeiro que mas uma parada para repouso e restabe-
se esforçam o suficiente? São castigados aparecer? Queimar seus livros? Pular lecimento das forças. Não conseguimos
por Deus? Duvidam da própria capacidade da ponte? Casar com a primeira pessoa entender, mas também não devemos nos
de vencer desafios? Se houvesse uma que encontrar? Dobrar a dose do tran- desesperar. Anos antes de nós, o poeta e
resposta certa, talvez ficasse bem mais quilizante? Por incrível que pareça, tem dramaturgo inglês William Shakespeare,
fácil ajudar quem se sente frustrado. No gente que faz essas coisas, mas mesmo já havia observado: “há mais mistérios
entanto, confesso, não sei porque essas assim não alcança o resultado espera- entre o céu e a terra do que supõe nossa
coisas acontecem. A lógica e a matemá- do. Precisamos ser humildes diante de vã filosofia”. 
tica parecem não funcionar com essas nossa limitação frente a certas situações.
pessoas. Afinal, se você come 1.200 Verificar que estamos sujeitos às leis que Maria Regina Canhos Vicentin é escritora e psicóloga. Conheça
calorias por dia, deveria emagrecer. Se desconhecemos, e processos complexos o site da autora: www.mariaregina.com.br (e-mail: contato@
faz relaxamento toda semana, tenderia ainda não explicados pela ciência. A física mariaregina.com.br). Autora de Sementes de Esperança,
a conquistar serenidade. Se estuda com quântica diz que criamos a realidade com Editora Santuário.

- Outubro 2010 9
de Kisumu, Quênia. “No futuro, vocês devem sempre
lembrar-se deste momento e deste gesto que não tem
nada de mágico, mas é cheio de mistério, porque essa
é a origem de sua nova missão”, disse o arcebispo.
“Neste gesto de ordenação se encontra as duas liber-
dades: a de Deus que vem através do Espírito Santo,
e a do homem. Sigam então o exemplo de São Paulo
e nunca percam a esperança e a graça nesta missão
de anunciar o Crucificado”. O neo-sacerdote, John
Kapule, entrou no Seminário Maior da Consolata em
1998, fez Filosofia e Noviciado no Quênia e Teologia
no Brasil. Nos últimos dois anos, trabalhou na paróquia
São Paulo, em Cascavel, estado do Paraná, Brasil,
como seminarista e diácono. Em breve irá trabalhar na
Coreia do Sul, a sua ‘nova terra de missão’.

Angola China
Luta contra as armas As religiosas chinesas
Cerca de 77.000 armas de fogo já foram apreendidas Nos últimos tempos, as religiosas chinesas estão
este ano, só na cidade de Luanda, em Angola, segundo oferecendo uma ajuda indispensável à vida da Igreja
adianta a Rede Fé e Justiça Europa-África - AEFJN. no país, pelo aspecto pastoral, missionário, social e
VOLTA AO MUNDO

Num comunicado no dia 10 de setembro, a organização caritativo. Após sete dias de intenso retiro espiritual, as
declara que “tem havido um esforço crescente para irmãs da Congregação de Nossa Senhora, da diocese
recolher e destruir todo o tipo de armamento na África”. de Ning Xia, se transferiram para o novo convento,
Um esforço que tem sido acompanhado pela Rede consagrado e inaugurado por dom José Li Jing, bispo
Internacional de Ação contra as Armas de Pequeno local, em 29 de agosto. Durante a celebração solene,
Porte - IANSA, com relatórios que indicam também presidida por dom Liu Jing Shan, bispo emérito, e con-
missões de desarmamento na República Democrática celebrada por todos os sacerdotes diocesanos, com
do Congo e na Tanzânia. O governo americano, adianta a participação de mais de 300 fiéis, cinco religiosas
o mesmo comunicado, “está fornecendo cerca de 1 da congregação renovaram seus votos temporários.
milhão de dólares para ajudar o governo da Guiné- Em 21 de agosto, quatro religiosas da Congregação
Bissau a destruir minas terrestres, armas e munições”. do Espírito Santo Consolador da diocese de Han Dan
Recorde-se que 2010 foi consagrado como o “Ano da província de He Bei, fizeram os votos perpétuos.
da Paz e da Segurança na África”, numa iniciativa Outras quatro religiosas fizeram os primeiros votos no
da União Africana, uma organização fundada com dia da Festa da Assunção, em 15 de agosto. O bispo
o intuito de promover a cooperação entre as nações de 89 anos, dom Yang Xiang Tai agradeceu as irmãs
independentes daquele continente. A proliferação de pela contribuição na vida pastoral e as incentivou a um
armas ilegais no continente africano, seja pelo estado maior compromisso na vida da Igreja à luz da graça
de guerra em que se encontram alguns países, seja do Espírito Santo.
pela atividade comercial ilícita, preocupa cada vez mais
os governos dos países. Guatemala
Tragédia das chuvas
Quênia A Cáritas da Guatemala publicou um novo relatório
Ordenação Sacerdotal detalhado sobre a situação depois da terrível tragédia
das chuvas torrenciais que causaram grandes prejuízos
em todo o país. Até a redação do relatório, contaram-se
Daniel Mkado

44 mortos e 14.291 feridos. Cerca de 43.000 pessoas


abandonaram suas casas e os desaparecidos são 16. Foi
declarada emergência nacional e as regiões em alerta
vermelho são Escuintla, Suchitepéquez e Retalhuleu.
O relatório da Cáritas destaca que “a passagem dos
furacões e das tempestades, diante da vulnerabilidade
das comunidades rurais do país, deixou uma enorme
quantidade de famílias camponesas sem casa, sem
campos para cultivar e sem animais. Quem morava
às margens do rio perdeu tudo. A situação é ainda
mais crítica para o futuro, porque muitas famílias, ao
perderem a colheita, perderam os recursos de um ano
inteiro de trabalho”. Os trabalhadores mais pobres do
campo agora estão sem ocupação e não podem prover
suas famílias. “Existe também o problema da saúde,
sobretudo para anciãos e crianças. A situação mais
No dia 4 de setembro, o diácono John Okulla Kapule, difícil diante desta emergência é vivida, sobretudo,
missionário da Consolata, com outros dois diáconos pelos mais pobres”, conclui o relatório. 
agostinianos e um missionário da África, foram ordena-
dos sacerdotes por dom Zacchaeus Okoth, arcebispo Fontes: Agência Ecclesia, Fides, revista Missões.
10 Outubro 2010 -
Intenção Missionária
Para se ter uma ideia, com a Coleta feita em todo o mundo,
Para que a celebração do Dia Mundial das em 2004, a Igreja contribuiu para a manutenção de 5.246 hospi-
Missões seja ocasião para compreender que tais, 17.224 unidades de saúde, 648 leprosários, 14.927 asilos
e casas para deficientes, 10.163 orfanatos, 10.932 creches,
a tarefa de anunciar Cristo é um serviço além de ajudar na formação de vários seminaristas, religiosas
necessário e irrenunciável que a Igreja é e lideranças comunitárias. Sua contribuição é indispensável
para a manutenção destas e de milhares de outras iniciativas
chamada a realizar em favor da humanidade. missionárias.

Responsabilidade de todos
de Júlio César Caldeira O mês das Missões tem por objetivo despertar a respon-
sabilidade dos cristãos para o anúncio do Evangelho a todos
os povos, recordando o mandato universal de Jesus: “Ide por

N
todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,
este ano de 2010, no dia 24 de outubro, celebramos 15). Uma das cenas que demonstram o chamado de Jesus à
o 84º Dia Mundial das Missões (ver mais informações missão de anunciar é quando chama Mateus, em seu ambiente
na rubrica Destaque do Mês, pags 22-23). A Igreja de trabalho (cf. Mt 9, 9-13): ele, que era considerado pecador
tem a iniciativa de realizar neste dia a Coleta Nacional público, levantou-se e o seguiu, tornando-se discípulo e tes-
para as Missões, que visa continuar levando a cabo temunha do Mestre. Da mesma forma,que chamou a Mateus,
os milhares de serviços de solidariedade e partilha Jesus chamou os apóstolos, chamou Paulo e continua a chamar
que presta à humanidade. a cada um de nós - você e eu - a sermos suas testemunhas
até os confins da terra.
A Missão é um serviço necessário e irrenunciável, uma
tarefa pastoral de todos, e não só de um ou outro missionário
“Missão é partir... Caminhar... Deixar tudo, sair de si.
ou Instituto denominado missionário; é tarefa sua, minha,
Quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso eu. das igrejas locais e da Igreja como um todo. Os bispos em
É parar de dar voltas ao redor de nós mesmos, como se Puebla - 1979 - já recordavam que mesmo havendo muitas
fôssemos o centro do mundo e da vida. situações de “Missão” próximas a nós, devemos sair de nossas
É não se deixar bloquear nos problemas do pequeno comunidades para partilhar a nossa fé com outros, vencendo
mundo a que pertencemos: a humanidade é maior! a tentação de nos fechar em nós mesmos, para abrir-nos, pois
Missão é sempre partir, mas não devorar quilômetros. há muito que realizar: “é certo que nós próprios precisamos de
É, sobretudo, abrir-se aos outros como irmãos, descobri- missionários, mas devemos dar de nossa pobreza” (DP 368).
Estejamos atentos ao clamor da humanidade que grita por
los e encontrá-los.
justiça, paz, solidariedade, amor... e tantas outras coisas que
E, se para descobri-los e amá-los, é preciso atravessar
podemos partilhar. 
os mares e voar lá nos céus, então, missão é partir até
os confins do mundo” (dom Hélder Câmara). Júlio César Caldeira, imc, é seminarista, estudante de teologia na Escola Dominicana
de Teologia – EDT, em São Paulo.
Divulgação

- Outubro 2010 11
espiritualidade

Simples como as cri de Patrick Gomes Silva na boca de todos, fala-se de Missão e de
missionários, mas será que nossa Igreja

A
se tornou mais missionária?
Igreja quis oferecer à nossa A Campanha Missionária deste ano
caminhada espiritual um mês com o seu tema “Missão e partilha” quer
centrado na Missão, para que recordar a todos que não é possível pensar
pudéssemos refletir sobre sua e fazer a Missão sem partilhar aquilo que
importância e ajudar na sua de mais precioso temos: Jesus Cristo. É
realização. Na verdade, este Ele aquele “combustível” que faz o motor
tema nunca foi tão atual. Nunca se falou de todos os missionários e missionárias
tanto de Missão no Brasil. A palavra está girar. Nossa Igreja no Brasil no campo da

Passos da Leitura Orante da Palavra


Disposição: é importante criar um ambiente adequado que favoreça o
recolhimento e a escuta da Palavra de Deus.

1. Invocação ao Espírito Santo


Peça o auxílio do Espírito Santo para acolher a Palavra. Você não vai “estudar”
a Palavra, vai escutar o que Deus tem a lhe dizer. Repita: “Envia, Senhor,
o teu Espírito”.

2. Leitura (o que a Palavra diz em si)


Objetivo: Conhecer bem o texto (Mc 10,13-16)
• Ler devagar e sem pressa!
• Sublinhar o que achar importante
• Ler os comentários presentes na Bíblia
• Transcrever algumas frases ou palavras, se achar útil
Algumas perguntas podem ajudar:
Quais são as personagens? Onde decorre a ação?
Quando acontece? O que fazem as personagens?

3. Meditação (o que a Palavra diz hoje a mim)


Reler o texto em primeira pessoa, colocando-se na pele da personagem!
Encontrar a afirmação central, depois: Repetir - Memorizar
Confrontar a sua vida atual com a Palavra escutada:
a. Sua vida com Deus
b. Sua vida com os outros
c. Sua vida consigo mesmo

4. Oração (o que a Palavra me faz dizer)


Responder à Palavra escutada através da oração. Fazer isto em três etapas:
1. Pedindo perdão pela Palavra não vivida
2. Agradecendo e louvando pelas maravilhas que Deus operou e opera
em sua vida
3. Fazendo seus pedidos a Deus, de modo especial, pedindo o dom do
Espírito Santo.

5. Contemplação (a Palavra me leva ao Coração de Deus)


Sinta a presença de Deus, não é tempo de palavras, mas apenas de silêncio.
Permita que Deus fale no silêncio, lugar privilegiado de Sua presença.

6. Missão e Ação (a Palavra me leva aos outros)


A Palavra não nos pode deixar indiferentes, depois de escutar o que Deus
tem a dizer, é tempo de descer da montanha e ir ao encontro dos irmãos e
irmãs e de se colocar em ação/missão: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra”.

12 Outubro 2010 -
ianças
Álvaro Pacheco
As crianças são simples, teria tempo para as crianças. Certamente
ele não iria querer deixar aquele ambien-
transparentes, não te seleto de autoridades que discutiam
um tema tão importante. Mas, Jesus
interessadas em prestígio estava atento ao agir dos discípulos e é
digna de nota a sua perspicácia ao ver
ou privilégios. a atitude incorreta deles. De imediato os
repreendeu dizendo: “deixai as crianças
Missão precisa caminhar muito; precisa virem a mim. Não as impeçais, pois delas
olhar para as crianças, como exemplo de é o Reino de Deus”. Atenção, Jesus con-
atitude cristã, capaz de se colocar nas siderou as crianças muito importantes!
mãos de Jesus e se lançar sem medo. Mais importante, talvez, que a disputa
O tema da criança não poderia ser mais que estava tendo com as autoridades.
apropriado, uma vez que neste mês, pre- Assim, encontra tempo para ir ao en-
cisamente no dia 12, celebramos o seu contro delas. Naquela época a atitude de
dia. A criança não é um assunto muito Jesus deve ter sido um escândalo, pois
recorrente nas Escrituras, ainda assim as crianças eram consideradas inúteis,
é possível encontrar alguns textos. Hoje não contribuíam em nada com a família,
elas são o bem mais precioso da nossa eram muitas vezes vistas como um peso,
sociedade, nos recordam a “criança” mas, o Mestre tinha outra visão.
que deve continuar a existir dentro de
nós. Convido vocês a refletirem sobre Mensagem
um texto de Marcos (10, 13-16), quando As crianças são, aqui, uma espécie de
Jesus tem um encontro especial. contraponto ao orgulho e arrogância com
que os fariseus se apresentam a Jesus,
Contexto bem como à dificuldade que os discípulos
Depois de deixar “a casa” (veja Mc revelaram, nas cenas precedentes, para
10, 10), Jesus continua o seu caminho acolher a lógica do Reino. As crianças
através da Judeia e da Transjordânia, são simples, transparentes; não estão
em direção a Jericó (cf. Mc 10, 46), interessadas em prestígio ou privilégios
num percurso geográfico que constitui a defender; entregam-se confiadamente
a penúltima etapa de sua viagem para nos braços dos pais e deles esperam tudo,
Jerusalém. Contudo, o caminho que com amor. Por isso, as crianças são o
Jesus faz com os discípulos é também modelo de discípulo. O Reino de Deus
um caminho espiritual, durante o qual vai é daqueles que, como elas, vivem com
completando a sua catequese sobre as sinceridade e verdade, sem se preocupar
exigências do Reino e as condições para com a defesa dos seus interesses egoís­
integrar a comunidade messiânica. No tas ou dos seus privilégios, acolhendo as
início do décimo capítulo do Evangelho propostas de Deus com simplicidade e
de Marcos, Jesus é confrontado com a amor. Quem não é “criança”, isto é, quem
lei judaica do divórcio. Aproveita para percorre caminhos tortuosos e calculistas,
reafirmar o projeto ideal de Deus para quem não renuncia ao orgulho e autos-
o homem e para a mulher: eles foram suficiência, quem despreza a lógica de
chamados a formar uma comunidade Deus e só conta com a lógica do mundo,
estável e indissolúvel de amor, partilha quem conduz a própria vida ao sabor de
e doação. A separação não está prevista interesses e valores efêmeros, quem não
no projeto ideal de Deus, pois Ele não aceita questionar os próprios raciocínios
considera um amor que não seja total e e preconceitos, não pode integrar a co-
duradouro. É no contexto desta disputa munidade do Reino.
que se vai dar o encontro de Jesus com As crianças que Jesus nos apresenta
as crianças. no Evangelho como modelos de discípulo,
convidam-nos à simplicidade, à humildade,
Encontro com as crianças à sinceridade, ao acolhimento dos dons
Não é sabido a que ponto as crianças de Deus. De acordo com as palavras de
se aproximaram de Jesus para serem Jesus, não pode integrar o Reino quem
tocadas e abençoadas. O que parece se coloca numa atitude de autoritarismo
certo é que os discípulos se sentiram e de superioridade para com os outros.
incomodados com isso e, portanto, ten- A dinâmica do Reino exige pessoas dis-
taram afastá-las. Jesus estava ocupado. postas a acolher e a escutar as propostas
Ele estava numa discussão com os fa- de Deus e dispostas a servir os irmãos
riseus sobre o divórcio. Era um assunto com humildade e simplicidade. 
complicado e difícil. Não era o momento
certo para atrapalhar o Mestre. Ele estava Patrick Gomes Silva, imc, é diretor do Centro Missionário José
falando com adultos, conversa de gente Allamano. Veja também na internet:
grande. Eles pensaram que Jesus não http://palavra.imconsolata.org.br

- Outubro 2010 13
testemunho

O grito do sangue
A profecia de irmã Cleusa de Cacoal, em Rondônia e em vários
lugares do Brasil e também fora do país.
e de padre Ezequiel, na
lembrança dos 25 anos de Irmã Cleusa
Da Congregação das Missionárias
seus respectivos martírios. Recoletas, irmã Cleusa nasceu em Ca-
choeiro de Itapemirim, Espírito Santo,
em 12 de novembro de 1933. Foi morta
em 28 de abril de 1985, na cidade de
de João Pedro Baresi
Lábrea, lugar de sua missão dedicada à
causa dos indígenas, como representante

O
do Conselho Missionário Indigenista -
mês de outubro, como sempre, CIMI. Bem sabia que estava em zona
é uma estação de fortes ventos de graves conflitos, mas não hesitou em
para a Igreja, povo missionário assumir a defesa do povo Apurinã. De
chamado à Missão. Neste ano, suas cartas: “A gente está aqui ao lado
duas circunstâncias providen- dos irmãos despojados e desprezados.
ciais prometem esquentar e Pensem em nossos irmãos Apurinãs
reforçar ainda mais esses ventos pen- cujas terras foram invadidas e retalhadas
tecostais. É a memória dos 25 anos de pelo Instituto Nacional de Colonização e
martírio de dois missionários: irmã Cleusa Reforma Agrária - INCRA”.
Rody Coelho e padre Ezequiel Ramin, os Autoridades, fazendeiros, comercian-
dois assassinados em 1985. As principais tes e donos de seringais entenderam
celebrações recordando irmã Cleusa logo que a paz imposta aos indígenas
aconteceram em abril, sobretudo em pelo medo tinha acabado. Tudo culpa
Divulgação

Lábrea, no Amazonas. Padre Ezequiel daquela freira. Aproveitando as divisões


foi lembrado no mês de julho na cidade entre os próprios indígenas, eles encar-

Arquivo Combonianos

Celebração em memória dos 25 anos da morte de padre Ezequiel, julho de 2010, Cacoal, RO.

14 Outubro 2010 -
jovem italiano, missionário comboniano. que existe algo na história que impede

Arquivo Combonianos
Estava completando 32 anos de idade e os sonhos de se tornarem realidade.
dois de chegada ao Brasil. Não é tão difícil descobrir que existe
Com o impulso de sua juventude, uma serpente que não para de botar
tinha escolhido sem meios termos ficar ovos venenosos. O regime militar foi
ao lado dos pobres, bem representados um destes ovos. A serpente que o botou
pelos camponeses perseguidos e inde- e chocou foi o capitalismo nacional e
fesos. Tinha consciência do que poderia internacional, sustentado, sobretudo,
acontecer. “Eu sei muito bem que esta pelos Estados Unidos. Foi essa serpente
escolha vai me custar muito caro e, desde que pediu socorro às armas, preocupada
agora, aceito voluntariamente todas as como estava com os perigosos avanços
consequências que dela vierem: quem democráticos em favor do povo injusti-
sabe a prisão, a tortura e, também a vida”. çado. O sangue derramado durante o
Encarava a morte com impressionante regime militar acalmou-lhe um pouco a
maturidade cristã: “a nossa morte é vitória sede, mas não a saciou. Os martírios de
com aparência de derrota; morte que é Cleusa e Ezequiel vieram demonstrá-lo.
essencialmente não morte: vida, glória, Seu sacrifício foi e continua sendo
ressurreição”. profecia, gritando que nunca haverá paz
As comemorações pelos 25 anos dos entre os seguidores do Deus da vida e
martírios de Cleusa e Ezequiel foram os adoradores da serpente do lucro a
marcadas por concentrações, iniciativas todo custo. Profecia que vem sacudir os
religiosas e culturais, com peregrinações acomodados numa religião que não leva
aos locais das mortes. Reavivaram a a militar nessa guerra.
lembrança e confirmaram a consciência Profecia, também, para os cristãos
da atualidade e urgência de seu testemu- comprometidos na luta pela justiça, mas
nho e do compromisso missionário dos que esquecem facilmente que não são
seguidores de Jesus Cristo. suficientes palavras escritas ou faladas,
nem protestos nas ruas. Há um preço
Profecia e martírio a pagar. Os bispos da América Latina,
Que os martírios de Cleusa e Ezequiel reunidos na Conferência de Puebla -
tenham acontecido logo no ano do fim 1979 - sentiram a necessidade de lembrar
da ditadura militar é uma circunstância essa verdade aos cristãos chamados a
que faz refletir. Era de se esperar que o ser construtores da história. Num forte
início de uma nova época da história do recado afirmaram: “uma coisa que hoje
Arquivo Combonianos

regaram o Apurinã Raimundo de resolver


o problema. Servindo à Polícia Militar
do Amazonas, sabia bem como fazer.
Matou uma família amiga da irmã e logo
depois cruzou com ela no rio Paciá, com
o canoeiro que ela mandou fugir. Nunca
se soube com exatidão o que aconteceu.
Seu corpo foi achado dias depois, com-
pletamente nu. Os exames do cadáver
revelaram: “muitas costelas quebradas,
o crânio fraturado, fraturas múltiplas na
coluna vertebral, traumatismo craniano,
amputação do braço direito com objeto
cortante, e diversas partículas de chumbo
no tórax e na região lombar”. “Parece
que houve mortes na aldeia. Eles estão
precisando. Eu tenho que ir lá”. Foram
as últimas palavras de Cleusa, antes de
partir para sua paixão e morte. Celebração na Comunidade Padre Ezequiel, Rondolândia, MT.

Padre Ezequiel Brasil trouxesse boas notícias, para a tanto se cala na América Latina é que
Na morte do padre Ezequiel não hou- felicidade de toda a nação, na liberdade se deve libertar a dor pela dor, isto é,
ve requintes de crueldade, a não ser a reconquistada, na garantia do respeito assumindo a cruz e convertendo-a em
saraivada de balas. Em visita a posseiros aos direitos de todo cidadão, num futuro fonte de vida pascal” (DP 278).
sempre ameaçados por latifundiários, de democracia, de igualdade, concórdia Passados 25 anos, o sangue de Cleu-
foi emboscado por sete jagunços que e progresso. sa e de Ezequiel ainda clama contra a
descarregaram nele todas as balas de Evidentemente, a realidade era e acomodação e o esquecimento. 
suas espingardas. Naquele 24 de julho de continua sendo outra. Quem presta aten-
1985, terminava tragicamente o sonho do ção aos acontecimentos sabe muito bem João Pedro Baresi é missionário comboniano.

- Outubro 2010 15
fé e política

Vote em mim

Preste atenção Deputados e senadores não devem

nesse contexto
permitir que o Congresso se
transforme num "balaio de gatos".

esses ministérios movimentam bilhões e esses recursos, por


de Humberto Dantas vezes, escorrem pelo ralo da corrupção.

O
Responsabilidade de cada um
Brasil é um país governista, ou seja: os partidos Toda essa história você deve conhecer do noticiário. Só não
políticos têm incentivos de sobra para apoiarem os sabe ao certo o quanto é responsável por ela. Seus votos para
governantes. Isso significa dizer que no Legislativo, os membros do Poder Legislativo, normalmente, são esquecidos.
as bancadas de senadores, deputados federais, de- Seu deputado estadual, federal, seu vereador, são ignorados.
putados estaduais e vereadores costumam ver com A imprensa não noticia o trabalho desses agentes, você não
bons olhos os encantos ofertados, respectivamente vai atrás para saber. E o caminho fica aberto para que alguns
pelo presidente, governador e prefeito. Que recursos são esses deles, incorretos, enfraqueçam o mais essencial dos poderes
que mobilizam essa relação? Por que isso precisa ocorrer? de uma democracia. Muita atenção à sua conduta a partir
Teoricamente o apoio de um partido aos projetos de um desse momento. Olhe para o Congresso Nacional, olhe com
membro do Poder Executivo deveria ser motivado por razões carinho para a Assembleia Legislativa de seu estado. Verifique
ideológicas. Acreditar em um programa, que guarda relação com quais os partidos são mais fortes, de que lado eles ficarão, a
os princípios programáticos, é algo absolutamente esperado em quem oferecerão apoio e qual o preço dessa parceria. Olhe os
um país que se pretenda democrático. Dificuldades, assim, se ministérios federais e estaduais, cruze os ocupantes desses
pautariam em discordâncias sobre questões técnicas. Isso, no organismos com os partidos e suas bancadas. Agora preste
Brasil, parece secundário. O que vigora em nosso país são as atenção, leia o noticiário e cobre dos partidos uma postura
razões políticas. E a corrupção parece dar o tom, pelo menos condizente com tudo aquilo que pretendemos: efetivação de
sob o olhar da opinião pública, nas relações entre Executivo e direitos, justiça social e qualidade de vida. Note, daqui quatro
Legislativo. O apoio que as bancadas dos partidos oferecem ao anos, que ficará mais fácil votar num bom deputado. Ficará
Poder Executivo, assim, ocorre à base de trocas, algo bastante mais fácil verificar o que de fato foi feito pelo bem estar da
comum no mundo, mas visto com ressalvas éticas das mais sociedade. A democracia exige um investimento de tempo
relevantes. Cargos são as ofertas mais comuns, e guardam que por vezes tratamos de ignorar. Mas em momento algum
relação com poder, que por sua vez se comunicam bem com poupamos os políticos das tradicionais críticas e lamentos. De
recursos. Assim, um partido com uma boa bancada de deputa- quem é a culpa? Também é nossa. 
dos federais oferta apoio à presidência da República em troca
de ministérios estratégicos e suas vagas. Essas vagas, que Humberto Dantas é doutor em ciência política pela USP, professor universitário e responsável
deveriam guardar técnicos, por vezes são ocupadas por amigos, por ações suprapartidárias de educação política que já formaram mais de 100 turmas desde
parceiros etc. O trem da alegria está montado. Para completar, 2003. hdantas@usp.br

16 Outubro 2010 -
FORMAÇÃO mISSIONÁRIA

Para além
Identifico estas outras armadilhas
ou situações, sempre relacionando-as
com o tema desta reflexão: a armadilha
do individualismo, da secularização,

dos muros
do atual estilo religioso da socieda-
de pós-moderna, da sociedade da
comunicação e do espetáculo. Com
certeza, uma dimensão intelectual bem
sedimentada, pode ser o instrumento
de reviravolta para superar a situação
que hoje vivemos.

As armadilhas
Na verdade, a primeira armadilha
é aquela já citada pelo Documento
A dimensão intelectual da formação de Aparecida, e que dá o mote desta
reflexão e se situa no âmbito do ‘fecha-
presbiteral para uma Missão sem fronteiras. mento em si mesmo’. Ela está muito
ligada ao exacerbado individualismo
(Conferência proferida durante o 1º Congresso Missionário Nacional de da sociedade moderna e pós-moderna
Seminaristas realizado em Brasília, julho de 2010). e que transborda para o cotidiano de
nossos agentes de pastoral, formando
de Almir Magalhães compromisso mais significativo com a assim o individualismo grupal. Cada
missão universal em todos os continen- movimento, grupo, pastoral e comu-

A
tes. Para não cairmos na armadilha de nidades se tornaram cumpridores de
presente reflexão toma como nos fechar em nós mesmos, devemos tarefas. Fecham-se no seu pequeno
ponto de partida alguns ele- formar-nos como discípulos missionários mundo, não olham para os lados e o
mentos da situação atual da sem fronteiras, dispostos a ir “à outra pior, às vezes, se tornam competitivos.
sociedade moderna e ‘pós- margem”, àquela onde Cristo ainda não Uma outra armadilha que se nos
moderna’, com as suas im- é reconhecido como Deus e Senhor, e apresenta é a da ‘secularização’. Não
plicações e desdobramen- a Igreja não está presente” (DA 376). podemos identificá-la apenas como
tos na ação pastoral missionária. São Dialogando com o texto, gostaria de negativa, porquanto nos faz lembrar
elementos já bastante conhecidos, ampliar esta palavra ‘armadilha’, embora a autonomia das realidades terrestres,
mas as inúmeras propostas de saídas ela se situe como referência maior, ou a emancipação da razão autônoma, a
expressas pelo Magistério da Igreja não seja, “fechar-nos em nós mesmos” o separação da Igreja e do Estado ou a
estão encontrando berço que as acolha. que já seria um grande impedimento emancipação da esfera política da esfera
O próprio Documento de Aparecida para assumir esta consciência missio- religiosa e sem dúvida constitui-se como
chama a atenção para este fato quando nária, e identificar outras ‘armadilhas’ um avanço da civilização. Esta sepa-
tipifica esta situação como armadilha. que, sem dúvidas impedem à Igreja de ração pode e deve conviver de modo
Vejamos o texto: se realizar na sua identidade e com- saudável através do reconhecimento
“O mundo espera de nossa Igre- preensão caracterizada pela ‘natureza do papel público das religiões, o que
ja latino-americana e caribenha um missionária’. às vezes não acontece. O período de

Álvaro Pacheco

Capela na Missão de Arvaiheer, Mongólia.

- Outubro 2010 17
truir, numa espécie de mosaico – sua

Dido Kabaka
religião pessoal com fragmentos de
doutrinas e práticas de várias religiões...
Constatamos também a tendência à
inversão de sentido da experiência
religiosa. Neste caso, a religião deixa
de ser pensada e vivida como uma
forma de reconhecimento, adoração e
entrega ao Criador, obediência na fé,
serviço a Deus e vivência comunitária. É
vista numa ótica utilitarista, por oferecer
bem-estar interior, terapia ou cura de
males, sucesso na vida e nos negócios,
como aparece na chamada ‘teologia
da prosperidade’. Nessa modalidade,
a religião se torna muito procurada,
inclusive pela mídia. Esta acaba por
banalizar a religião, reduzi-la a mais um
espetáculo para entreter o público. Faz-
I Congresso Missionário Nacional de Seminaristas, Brasília, DF.
se presente uma crescente tendência,
Cristandade, pelo menos oficialmente, safio aqui é como criar uma consciência em alguns setores da sociedade, em
já foi superado com a realização do pastoral missionária numa sociedade admitir a prática religiosa apenas na es-
Concílio Vaticano II. É evidente que que se constrói sem Deus? fera privada... Há igualmente, em novas
uma mentalidade de tantos séculos não expressões religiosas, uma tendência
se apaga como quem deleta frases ou O individualismo generalizada, inclusive por influência de
textos. Exige tempo. É aqui que há a Um capítulo à parte nesta visão certos psicólogos, a afirmar sem mais
necessidade de muito diálogo, porque de armadilhas é a situação religiosa. a inocência dos indivíduos, de modo
no período em apreço Igreja x Estado As Diretrizes Gerais da Ação Evange- que ninguém deve se sentir pecador
conviviam de uma forma simbiótica e lizadora, de 2008 a 2010, afirmam: “A ou culpado. Outros grupos religiosos
a Igreja acabava sendo a grande for- mentalidade individualista também se atribuem toda a culpa aos demônios
madora de opinião. Hoje a sociedade alastrou no campo religioso. O indivíduo ou aos espíritos malignos. Há, todavia,
é laica, caracterizada pela ‘autonomia sempre mais escolhe sua religião num movimentos religiosos autônomos que,
das realidades terrestres’, não precisa contexto pluralista. Mesmo aderindo através de proselitismo, enganam com
pedir licença à Igreja para normatizar a uma tradição ou a uma instituição a chamada “teologia da prosperidade”.
a vida de seus membros. religiosa, tende a escolher crenças, Consequentemente, ninguém se sente
O problema em si não é a seculari- ritos e normas que lhe agradam subje- responsável por corrigir o que está er-
zação, mas sua efetivação distorcida no tivamente ou se refugia numa adesão rado na sociedade, na qual convivem,
secularismo que concebe a organização parcial, com fraco sentido de pertença estranhamente, muita religiosidade e
da vida sem Deus, sem religião. O de- institucional. Ou, ainda, procura cons- muita criminalidade, busca de Deus e
injustiça” (Doc. 87, da CNBB. nn. 38-40).
Seguindo a mesma linha de pensa-
Arquivo

mento, encontramos no seio da Igreja


Católica alguns elementos deste perfil,
considerados como muito adequados
para a sociedade pós-moderna. Com
ele encontramos os novos movimentos
eclesiais e novas comunidades.
Esta temática é muito forte hoje e é
justamente aqui que vamos encontrar
também uma grande armadilha para
nós, padres, e os futuros padres, com
desdobramentos fortíssimos no horizonte
missionário. Este estilo hegemônico tem
atraído sobremaneira as novas gerações.
É caracterizado por uma forma light de
entender a religião e a Igreja conforme
citado anteriormente, como um entrete-
nimento. A formação, tanto no seminário
como acadêmica, tem se evidenciado
impotente para reverter este quadro,
porquanto grande parte dos seminaristas
I Congresso Missionário Nacional de Seminaristas, Brasília, DF.
é oriunda destas novas experiências e

18 Outubro 2010 -
FORMAÇÃO mISSIONÁRIA
acabam “passando uma chuva prote-

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gidos com capa no seminário” e saem
do mesmo jeito no final do processo.
É uma constatação evidente e de que
somos testemunhas.Aincidência de uma
mentalidade da natureza missionária
da Igreja não consegue penetrar, em
detrimento de estilos missas-shows, ou
outros nomes que queiramos atribuir. “O
seminarista passa pelo seminário, mas,
o seminário não passa pelo seminarista”.
O tema da religiosidade acaba como
já se pode perceber, assimilando uma
das características da sociedade atual
que se transformou na “Sociedade do
Espetáculo” - conceito proposto por Guy
Debord, 1967 - e que acaba por exercer
uma grande atração e fascínio sobre as
Encontro sobre Vida Religiosa Inserida, São Paulo, SP.
pessoas. Como afirma o filósofo cearense
Manfredo Oliveira, sensacional é aquilo real é exibido, inclusive a intimidade, armadilhas e desafios. Se cairmos nas
que é capaz de seduzir as massas e a miséria humana. A sobrevivência é armadilhas, continuaremos construindo
constitui uma válvula de escape para agora conquistada através da “estéti- uma Igreja de manutenção, dando res-
as possíveis frustrações. ca”, da manifestação, do parecer da postas para uma sociedade que mudou
Sensação se faz uma necessidade impressão que se causa: precisamente e continua mudando profundamente,
vital: a luta por aparecer é uma luta nisso consiste a sociedade da sen- como se estivéssemos no período da
contra a insignificância. Daí a radical sação, o que conduz a uma questão Cristandade (Era Constantiniana). Se
inversão: o “transmitir, porque impor- grave: o bem e o mal deixam de ser enfrentarmos os desafios, não nos
tante” transforma-se em “é importante, uma questão ética para se transformar fecharemos em nossos mundos. Numa
porque transmitido”, ou seja, precisa- numa questão estética, e o estético se sociedade do conhecimento, é inevitável
mente em virtude do fato de que algo transforma na questão decisiva para que coloquemos a formação intelectual
seja transmitido, considera-se que ele ser ou não, já que em nossa sociedade no centro das atenções, não como uma
diz respeito a todos, o que também ser é aparecer. O que não choca, o expressão que leve à vaidade, mas que
conduz a uma espetacularização dos que não chama atenção não presta, nos qualifique para uma compreensão
fatos sociais. não é, e deve ser substituído por uma e prática missionária, tanto na configu-
Continua padre Manfredo Oliveira: nova imagem. O que não é percebido ração eclesial básica que é a paróquia,
“quem não é percebido, literalmente torna-se marginalizado, não possui como também numa compreensão
não é, em nossas sociedades da co- direito à existência” (Ética, Direito e universal, além-fronteiras.
municação. Trata-se aqui da primeira Democracia, pp. 354-355). Não podemos esquecer que a di-
afirmação da ontologia da época micro- mensão intelectual ajuda no espírito
eletrônica. É por esta razão que hoje Além-fronteiras crítico, numa sociedade que manipu-
tudo da vida humana é mostrado sem Colocados os pressupostos para la as consciências. Neste sentido o
qualquer escrúpulo: sofrimento, horror, chegarmos ao nosso tema central, vale principal papel da educação, e para o
morte, desespero, sexo. Tudo na vida afirmar que eles são ao mesmo tempo, nosso caso, tanto no seminário como
na academia é fazer pensar, e a Fi-
losofia deve exercer aqui um papel
Arquivo

fundamental, porque pensar é duvidar


e criticar, passar pelo crivo da razão os
conteúdos que vão sendo veiculados na
escola e na sociedade; negativamente
não é reproduzir ou repetir.
Aprender a conhecer, segundo Ed-
gar Morin é superar a tendência atual da
hiperespecialização, da fragmentação,
da separação, da compartimentação dos
saberes e das disciplinas, para pensá-las
de maneira polidisciplinar, transversal,
multidimensional, transnacional, glo-
bal, planetária (Repensar a reforma,
reformar o pensamento, 2000, p. 13)
na medida em que o pensar polidisci-
plinar, conforme acenado anteriormente
Missionários da Consolata com superior geral e benfeitores, na Coreia.
necessita da ajuda de várias ciências.

- Outubro 2010 19
FORMAÇÃO mISSIONÁRIA
É preciso realizar conexões. Por isso,

Jaime C. Patias
“nada melhor na formação que incentivar
as pessoas a fazer perguntas a si, às
suas convicções, às suas evidências
e ao mundo fechado que se lhe impõe.
Trata-se de ensinar a arte e a aptidão
para a problematização” (Libânio, J.B.,
A arte de formar-se, Edições Loyola,
2001, p. 23). Na sociedade plugada, da
telinha, percebe-se cada vez mais que
tudo contribui para não se problematizar,
questionar, pensar. Quando questio-
nados preferimos ficar na defensiva,
considerando os interlocutores como
“inimigos”.
O que este registro tem a ver com o
nosso tema? Que tudo o que nós apren-
demos, as chaves de leitura apreen­
didas na escola devem convergir para
conexões, para a nossa capacidade
de síntese e de direcionamento para
a missão, para a “natureza missionária
da Igreja”, a sua catolicidade, fazendo Formação missionária de seminaristas, Curitiba, PR.
a síntese entre o local e o global, a seu povo, fidelidade a si mesmo, e um é para ter consciência de sua natureza
missão sem fronteira. modo singular de viver o discipulado” missionária, de sua preocupação para
Dentre estas perspectivas de grande (Diretrizes... nº. 323). além do seu pequeno mundo e voltar-
relevância, o texto das Diretrizes para a Fator fundamental na formação se para uma missão além-fronteiras.
formação dos presbíteros ainda a ser pu- presbiteral para uma missão além- Concluo reafirmando a existência
blicado, apresentado na 48ª Assembleia fronteiras é uma reta compreensão de três grandes problemas ou desafios
Geral da CNBB, 2010, nº. 314, afirma: da inculturação no processo de evan- da dimensão intelectual aqui refletida:
"os estudos filosóficos e teológicos te- gelização, a fim de não cairmos nos o primeiro diz respeito ao ‘claro dire-
nham um claro direcionamento pastoral equívocos do passado e que se repetem cionamento pastoral missionário que
e missionário (destaque meu) por se no presente, com a pastoral de manu- deve tomar os estudos filosóficos e
destinarem à formação dos pastores tenção. Neste nível as transferências teológicos’. Para tal seria necessá-
do Povo de Deus. Esse pressuposto paroquiais existem e os protagonistas rio que os professores realizassem a
básico em nada empobreça os estu- das mesmas passam de uma realidade conexão na linha missionária, diante
dos teológicos ou prive os formandos para a outra como se estivessem na de uma “suposta” fragmentação dos
dos instrumentos teóricos necessários situação anterior. referidos estudos, como também os
e indispensáveis para interpretar o seminaristas exercitassem capacidades
dado revelado e para munir a prática Conclusão sintéticas na perspectiva da missão. O
pastoral das chaves de compreensão Ao concluir esta abordagem e segundo, a atual configuração eclesial
da realidade, que iluminadas pela fé, revisitando-a, pode-se afirmar que no que temos especialmente as paróquias
garantem a qualidade e a efetivação percurso para a construção de uma de manutenção, que não absorveram
da ação evangelizadora da Igreja". mentalidade missionária para além dos as mudanças, ainda tem um perfil muito
Quando trata da formação intelec­ próprios muros dos grupos, dos movi- ligado à Cristandade e são nelas que
tual, colocando fundamento e finalidade, mentos, novas comunidades, pastorais, nossos seminaristas realizam suas
diz: “a formação intelectual, como as paróquias, é inevitável estarmos atentos experiências pastorais, prefigurando-se,
demais dimensões, orienta-se a formar a algumas armadilhas que nos assediam portanto, um fortalecimento deste estilo.
pastores do Povo de Deus, a exemplo e que a própria cultura da sociedade O terceiro, a situação religiosa atual,
de Jesus Cristo, os quais se caracte- atual pode favorecer a cairmos num também presente na Igreja Católica, com
rizem como discípulos missionários, fechamento e imobilismo, destacando seus movimentos, novas comunidades,
servidores cheios de misericórdia. entre estas armadilhas aquela que comunidades emocionais, que gravitam
“Com essa finalidade, a formação diz respeito à situação religiosa, sem em torno do próprio umbigo, extensivo
intelectual, embora possua a sua es- esquecer, evidentemente as outras. também a outros grupos, pouco ligados
pecificidade, liga-se profundamente à Estas armadilhas se revestem hoje às questões sociais e missionárias.
formação humano-afetiva, espiritual de uma singularidade se não nos deixar- Temos que buscar respostas tanto
e pastoral missionária, a ponto de se mos envolver pelo clima ‘pós-moderno’ na comunidade acadêmica como na
constituir uma expressão necessária... marcado pela sociedade e o homem comunidade seminarística. 
No contexto da formação dos pres- light, com todas as características daí
bíteros, a atenção e o apreço pela decorrentes, profundamente prejudiciais Almir Magalhães é sacerdote da arquidiocese de Forta-
dimensão intelectual é uma questão para a construção de uma Igreja Ad Extra leza, mestre em Missiologia pela Pontifícia Universidade
de fidelidade a Deus, fidelidade ao e que, quando se volta sobre si mesma Gregoriana, em Roma.

20 Outubro 2010 -
Haiti
Missão de Solidariedade
Projeto entre Igrejas do
Brasil e Haiti tem como
objetivo ser presença
acolhedora.

Texto e foto de José Altevir da Silva solidariedade entre Igrejas, na gritante realidade em que se
encontra o povo haitiano.

I
“Eu vi e ouvi o grito de sofrimento do meu povo... Conheço
ndependente de época ou lugar “a Igreja não pode subtrair- suas dores” (Ex 3, 7) “e respondi: eis-me aqui!” (Hb 10, 9). A
se ao mandato explícito de Cristo; não pode privar as ­realidade do Haiti, nesse momento, pressupõe a conjugação de
pessoas da 'Boa Nova', de serem amadas por Deus e muitas iniciativas, projetos e ações coletivas.
por Ele salvas”(RM 44). Desde a experiência primeira da Fizemos a escolha de ir ao Haiti como Projeto da Igreja do
comunidade cristã, a proclamação do Evangelho tem sido Brasil por vários motivos, quais sejam: por apostar na força mis-
exigência imposta pelo mandato de Jesus, “ide e fazei discípulos sionária e no valor do testemunho de comunhão e por acreditar
meus em todas as nações”. que a interinstitucionalidade possibilita chegarmos juntos onde
Fiel ao Projeto de Jesus, a Igreja no Brasil através da Con- sozinhos é mais difícil. Precisamos nos unir, para juntos construir
ferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, Conferência dos a solidariedade e atitudes de verdadeira comunhão.
Religiosos do Brasil - CRB e Cáritas Brasileira, deu início a uma
nova missão: trata-se do Projeto Missionário de Solidariedade A primeira equipe
entre a Igreja do Brasil e Igreja do Haiti. Após três meses de preparação no Centro Cultural Missionário
Porém, antes de adentrarmos no conteúdo do referido - CCM, as irmãs Maria Aparecida dos Santos, da Congregação
Projeto, vamos olhar o retrovisor da história missionária vivido Pequenas Irmãs da Divina Providência; Maria Aparecida da
como gesto de amor entre a Igreja do Brasil e a Igreja do Timor Silva Viana, das Irmãs da Providência de GAP e Maria Marce-
Leste. Com alegria e saudosas recordações, fazemos memória lina Xavier, do Instituto Pias Mestras Venerini partiram para o
da presença missionária no Timor Leste, país que no percurso Haiti, no dia 13 de setembro, acompanhadas pela irmã Antônia
de dez anos consecutivos recebeu 19 missionárias, sendo 14 Mendes, representando a CRB. O envio da Comunidade Inter-
religiosas de 11 congregações, e nove leigas. Se muito nos congregacional dará início à concretização do Projeto previsto
doamos ao povo timorense, recebemos muito mais no ardor para se efetivar em etapas. O grupo enviado será uma ponte de
missionário, na partilha e solidariedade, enquanto Igreja do comunicação, uma base do Brasil no Haiti como presença atenta,
Brasil. Concluído o Projeto em terras timorenses, o Deus da ampla e diversificada; num segundo passo, a Cáritas Brasileira
vida e Senhor da história, pela força do Espírito Santo, prota- definirá sua presença e campo de ação inserida na proposta
gonista da Missão, nos envia para viver missionariamente a da Cáritas Internacional. O Projeto de Solidariedade entre as
Igrejas do Brasil e Haiti, tem como objetivo ser
presença solidária, acolhedora e evangélica no
país, inserindo-se conscientemente na recons-
trução e na vigilância por condições dignas para
a população pobre. Contando com a resistência
e o potencial do povo, o Projeto quer ter como
protagonistas os próprios haitianos, visando
garantir ações continuadas e efetivas.
O cenário missionário em que a Igreja na
América Latina está vivendo, nos motiva ir
além. A V Conferência de Aparecida, aquece
nossos corações quando o termo é missão. “A
missão dos discípulos a serviço da vida plena”.
O texto lembra o compromisso dos discípulos
missionários de irem até aos confins da terra. A
Missão Continental deixa claro que seu objetivo
não está simplesmente voltado para o centro do
continente, mas viver a missão para a humani-
dade, a partir do continente. 

José Altevir da Silva, CSSp, é assessor da Comissão Episcopal Pastoral


para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB. Secretário
Irmãs em celebração de envio para o Haiti. executivo do COMINA.

- Outubro 2010 21
Destaque do mês

Campanha
Cerca de 1.100 dioceses de territórios
de Missão - todo o continente africano e
asiático, bem como a Oceania, parte da
América Latina e alguns países da Europa

Missionária
Oriental - recebem regularmente ajuda
financeira anual proveniente das doações
dos fiéis. Estas dioceses apresentam à
Congregação para a Evangelização dos
Povos - Santa Sé - pedidos de ajuda,
entre outras necessidades, para cateque-
se, evangelização, seminários, trabalhos
das comunidades religiosas, meios de
comunicação e transporte, construção
de capelas, igrejas, creches, orfanatos,
escolas, asilos, ambulatórios médicos etc.
Estas necessidades são providas com as
de Elmo Heck determinado período ou Ad Vitam (por doações arrecadadas todo ano.
toda a vida).

A
As necessidades da Igreja Católica No Brasil
Campanha Missionária é cele- em todo o mundo não param de crescer: Anualmente as Pontifícias Obras Mis-
brada no mês de outubro, co- constituição de novas dioceses; abertura sionárias enviam a todas as dioceses do
nhecido como mês missionário. de novos seminários, devido ao cresci- Brasil, para animar o Mês das Missões,
No Dia Mundial das Missões, mento do número de jovens que acolhem vários subsídios: a Mensagem anual do
celebrado no penúltimo domin- o chamado de Cristo a segui-Lo como papa; santinhos com a Oração Missionária,
go, é feita a Coleta Missionária, sacerdotes; regiões destruídas por guerras folhetos informativos e com orações dos
em todas as paróquias, comunidades e ou fenômenos naturais e que devem ser fiéis para as celebrações dominicais, cartaz
capelanias espalhadas pelo mundo. Neste reconstruídas; lugares por longo tempo de divulgação; livreto com Celebrações ou
dia, todo católico é motivado a dar sua fechados à evangelização, e que agora Novena e envelope para a doação pessoal
oferta material para as Missões, já que se abrem para ouvir a mensagem de na Coleta do Dia Mundial das Missões.
a responsabilidade por elas é de todos Cristo e de Sua Igreja... É por isto que a Além disto, para a animação missionária em
os batizados, conforme afirma Paulo: cooperação dos católicos de todo o mundo geral, são realizadas visitas a seminários,
“anunciar o Evangelho não é para mim é tão urgente e necessária. participações de encontros de formação,
título de glória, é obrigação que me foi
imposta. Ai de mim, se eu não evangelizar”
(1Cor 9, 16). A esta oferta está associada
a formação e vivência missionárias, por
meio de orações e sacrifícios oferecidos “Ouvi o clamor do meu
pelas Missões, como também com a
entrega pessoal como missionário, por
povo” (Ex 3, 7b).

Dia Mundial das Missões


Organizado pelas Pontifícias
Obras Missionárias (POM), é o dia
reservado aos católicos de todo o
mundo para especial colaboração
pessoal na ação missionária da Igre-
ja, mediante contribuição financeira,
oração e sacrifício.
Anualmente, o Dia Mundial das
Missões é celebrado no penúltimo
domingo de outubro. Nas palavras do
papa João Paulo II, “o Dia Mundial das
Missões, orientado à sensibilização
para a questão missionária, mas
também para a coleta de fundos,
constitui momento importante na
vida da Igreja, porque ensina como
dar a contribuição: na celebração
eucarística, ou seja, como oferta a
Deus, e para todas as Missões do
mundo” (cf. Redemptoris Missio 81).
30º Encontro Estadual do COMIRE Sul1 da CNBB, Presidente Prudente, SP.

22 Outubro 2010 -
congressos missionários e animação pelo Dia Mundial das Missões
diretor nacional e secretários nacionais
de cada uma das obras missionárias Novena em DVD Em 1922 foi eleito papa o cardeal ar-
cebispo de Milão, Itália, Achille Ratti, que
pontifícias, a saber: Propagação da Fé, Neste ano, a novidade da Campa- escolheu o nome de Pio XI e exerceu seu
Infância e Adolescência Missionária, São nha Missionária é a substituição das mandato até 1939. Seu ardor missionário
Pedro Apóstolo e União Missionária. costumeiras Celebrações semanais, era conhecido de todos, e esperava-se
por uma Novena Missionária, acom- dele grande impulso para a Missão. Em
Coleta panhada de um DVD com testemu- 1922 constituiu as Pontifícias Obras Mis-
A Coleta feita no Brasil, todo ano, no nhos missionários. O DVD contém sionárias, recomendando-as como instru-
Dia Mundial das Missões, é destinada ao nove breves documentários com mento principal e oficial da Cooperação
Fundo Mundial de Solidariedade Missio- temas relacionados à Missão para Missionária de toda a Igreja. Estimulou
nária, sediado em Roma - Congregação serem utilizados nas celebrações da a criação de novas Missões e ordenou
para a Evangelização dos Povos. Com Novena durante o mês de outubro. os primeiros bispos indianos - 1923 - e
estes recursos são financiados projetos Cada filme dura em média sete mi- chineses - 1926. No Ano Santo de 1925,
fundamentais para a Igreja em todo o nutos, e os nove temas abordados abriu no Vaticano uma Exposição Missio-
mundo. Parte destes recursos são também estão em sintonia com o conteúdo nária Mundial e, no ano seguinte - 1926,
destinados a projetos no Brasil. do respectivo dia da Novena. publicou uma Encíclica sobre as Missões,
A Coleta, fruto da generosidade dos bra- Rerum Ecclesiae, na qual reafirmava a
sileiros, tem crescido cada ano, mas pode Mais Informações: importância dos objetivos missionários
ser mais generosa: muito já recebemos, Tel.: (61) 3340.4494 programados no início do seu pontificado.
podemos agora “dar de nossa pobreza” E-mail: pom@pom.org.br A ideia de um Dia das Missões em es-
(Puebla, 368). Para isto é necessário fera mundial nasceu no Círculo Missionário
organizar a Campanha, e fazer chegar a do Seminário Arquidiocesano de Sássari,
todos o apelo à solidariedade universal. operários, poucos. Há o clamor insistente Sardenha, Itália. De 14 a 16 de maio de
de milhares de pessoas que querem co- 1925, o Círculo Missionário organizou um
Oração e anúncio nhecer Jesus, mas falta quem O anuncie. tríduo missionário, com a participação do
“A messe é grande, mas os trabalha- A colaboração material de cada cristão arcebispo, que suscitou muita animação.
dores são poucos. Rogai, portanto, ao para as Missões possibilita o envio cada No ano seguinte, de 17 a 20 de março de
Senhor que mande operários para a Sua vez maior de missionários Ad Gentes. 1926, repetiu-se a celebração. Na ocasião,
messe.” Estas palavras de Jesus (cf. Lc É indispensável a oração insistente e chegou de Roma monsenhor Luigi Drago,
10, 1ss) continuam válidas. Depois de dois lançar-se mar adentro a anunciar: Rogate, secretário da Sagrada Congregação de
mil anos, a messe continua grande e, os ergo, et duc in altum! (cf. Lc 5, 4). Nisto Propaganda Fide - atual Congregação
consiste o objetivo maior da Campanha para a Evangelização dos Povos, do Va-
Missionária do mês de outubro: despertar ticano. Os seminaristas pediram-lhe que
Jaime C. Patias

para a Missão todos os que dormem. propusesse ao papa a celebração de um


dia todo dedicado às Missões, como se
Motivar e conscientizar fazia na Universidade do Sagrado Coração.
Desde 1926, com a instituição do Monsenhor Drago prometeu que falaria a
Dia Mundial das Missões pelo papa Pio respeito. E, de Roma, mandou dizer que
XI, intensificou-se em toda a Igreja, em Pio XI havia enviado como resposta ao
todas as Igrejas particulares, o apelo a pedido: “esta é uma inspiração que vem
renovar e direcionar o próprio ardor e do céu”.
vida missionária para além das próprias De fato, no final de março de 1926,
fronteiras, em dimensão universal. Também realizou-se a Plenária do Conselho Superior
a V Conferência do CELAM, realizada em Geral da Obra, já Pontifícia, da Propagação
Aparecida, SP, em maio de 2007, fez um da Fé. Naquela ocasião, decidiu-se pedir
forte apelo a que toda a Igreja, todos os oficialmente a Pio XI “a instituição em todo
batizados, se tornem discípulos missio- o mundo católico de um dia de oração e
nários de Jesus Cristo. de ofertas em prol da propagação da fé”.
Para motivar e conscientizar, as Pontifí- Em 14 de abril de 1926, a Congregação
cias Obras Missionárias cuidam de organizar dos Ritos comunicava que o Santo Padre
e produzir subsídios para a Campanha de havia concedido o pedido. Seria celebrado
animação e cooperação missionária que anualmente no penúltimo domingo do mês
se realiza todos os anos em outubro. O de outubro. Pio XI fizera um gesto surpre-
material é enviado, já no mês de junho, a endente e profético: na Solenidade de
todas as dioceses do Brasil. A Campanha Pentecostes de 1922, quando interrompeu
Missionária no Brasil costuma retomar sua homilia e, em meio a impressionante
a da Fraternidade, dando-lhe roupagem silêncio, tomou seu solidéu, fazendo-o
missionária. A Campanha da Fraternidade passar entre a multidão de bispos, presbí-
este ano teve como tema Economia e Vida, teros e fiéis na Basílica de São Pedro, no
e, como lema, “Vocês não Podem Servir a Vaticano, enquanto pedia a toda a Igreja
Deus e ao Dinheiro” (Mt 6, 24c). Em sintonia, ajuda para as Missões. 
a Campanha Missionária 2010 tem como
tema Missão e Partilha, e, como lema, Elmo Heck, da arquidiocese de Curitiba, é assessor teológico
“Ouvi o clamor do meu povo” (Ex 3, 7b). das POM.

- Outubro 2010 23
Angola é um país rico em

Opção para a
belezas naturais, que propor-
cionam paisagens de cortar
a respiração. A origem do
nome vem da palavra bantu,
N’gola, título dos governantes
de região leste, onde hoje está
a capital, Luanda. O clima é
caracterizado por duas es-
tações: a das chuvas e a da

Missão Ad Gentes?
seca. Angola foi uma antiga
colônia de Portugal desde
o século XV até a indepen-
dência, em 11 de novembro
de 1975. O regime político
vigente é o presidencialismo,
com José Eduardo dos Santos
no poder desde 1979.

Os missionários da Consolata estão


estudando a possibilidade de abrir
de Michael Mutinda

uma missão em Angola.

G
rande parte da história de Angola está implicitamente
ligada à escravatura e ao tráfico de escravos. O país
faz há muito tempo uma empolgante corrida de obs- nal desfavorável, as perspectivas de futuro são excelentes. A
táculos, cada qual mais difícil de transpor. A conquista economia caracteriza-se pela produção agrícola e extração de
da paz nos últimos anos foi a mais saborosa vitória minérios, especialmente diamantes, petróleo e ferro. O Produto
de um povo que é por natureza pacífico, acolhedor e Interno Bruto – PIB per capita é de seis dólares. Angola possui
solidário. A guerra, primeiro pela independência e depois entre uma grande variedade de etnias, o que permite a existência
os partidos, União Nacional para a Independência Total de de 42 idiomas aproximadamente, sendo que as línguas mais
Angola - UNITA e Movimento Popular de Libertação de Angola faladas são: Quimbundo, Quicongo e Umbundo. No entanto, a
- MPLA, durou décadas – de 1961 a 2002, uma dolorosa ferida oficial é o Português - falado também em Moçambique, Cabo
que atormentou gerações de angolanos. Hoje, estão todos Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Timor Leste. A
colhendo os frutos da paz e apesar da conjuntura internacio- população total é de 18 milhões - dados de 2009 - e o principal
grupo étnico é o bantu.
Francisco Lerma

Expectativas de nova Missão


O cristianismo é a religião principal: estima-se que 53%
da população são católicos, 28% protestantes e o restante
são muçulmanos ou da religião tradicional. A introdução do
cristianismo teve início com a evangelização sistemática a
partir de 1490, quando os missionários católicos chegaram
às ‘novas terras’. A educação, saúde e formação profissional
são as áreas sociais em que a Igreja Católica contribui para a
população local hoje.
Os missionários da Consolata estão estudando a possi-
bilidade de abrir uma missão Ad Gentes em Angola o que
permitiria terem um contato melhor com as missões existentes
em Moçambique, além de se dirigirem a uma realidade com-
plexa, de grandes dimensões, necessitada de consolação e,
sobretudo com dioceses onde a presença eclesial é atualmente
insuficiente. A proposta será discutida no próximo Capítulo Ge-
ral da Congregação, a ser realizado em 2011. A atenção está
se fixando sobre três territórios: diocese de Namibe que tem
cerca de 1,5 milhões de pessoas, e que oferece possibilidade
de trabalhar com as minorias étnicas e não evangelizadas. Esta
região só tem 12 padres - nove diocesanos e três religiosos - e
quatro congregações de irmãs. A outra diocese é de Mbanza-
Congo que abriga mais ou menos 700 mil pessoas, e tem seis
paróquias, 18 padres - seis diocesanos e 12 religiosos - e 33
religiosas. A sua realidade é de pobreza material e estrutural.
O terceiro território seria a periferia urbana em torno da capital
Luanda, onde se concentra mais ou menos cinco milhões de
pessoas, muitas vezes em condições que necessitam de uma
presença consoladora. Com esses dados, Angola é uma opção
para a Missão Ad Gentes hoje. 

Crianças da diocese de Mbanza-Congo, Angola. Michael Mutinda, imc, é seminarista e estudante de teologia no ITESP, SP.

24 Outubro 2010 -
Mianmar é também conhecido como a “terra dos templos” e está localizado às margens do Golfo de Bengala e do Mar de
Andaman, entre Bangladesh e Tailândia. Situado ao sudeste da Ásia, seu território apresenta densas florestas e é caracterizado
por uma região central de terras baixas, cercadas por um anel de montanhas íngremes e elevadas. A população de 50,7 milhões
habita uma superfície de 678.000 km². O birmanês é a língua oficial, além de outros dialetos regionais. O subsolo é fértil com
destaque para o cultivo do arroz e da papoula, da qual se produz o ópio. A expectativa de vida é de 57 anos para os homens e
de 63 para as mulheres e a população é predominantemente rural.

Mianmar
Eric Lafforgue

Divulgação
sonha com a liberdade
missionários protestantes americanos, seguidos por missionários
católicos de origem francesa.

Vozes da esperança
Mianmar não conheceu a paz nem a democracia, desde a
independência da Grã-Bretanha, em 1948. A partir de 1962 passou
a ser governado com “punho de ferro” pelo Partido pelo Programa
Socialista da Birmânia - PPSB, orientado nos princípios do budismo
e do comunismo, com apoio da junta militar, deixando um rastro
de mais de mil mortos. Um regime cruel, brutal com as minorias
étnicas privadas de qualquer direito. Em 1990 houve eleições e o
regime conquistou somente dez das 485 cadeiras no Parlamento. O
partido de oposição, a Liga Nacional pela Democracia, coordenado
por Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz em 1991, derrotou
todos os concorrentes, conseguindo 80% dos votos. Porém, o
governo ignorou o resultado, proibiu as atividades da oposição,
prendeu e exilou os oponentes e reprimiu as manifestações do
povo. Ao longo de todos estes anos várias vozes se levantaram
e a mais famosa é a de Suu Kyi. Sua popularidade impede o go-
verno de executá-la, mas ele a mantém incomunicável em prisão
domiciliar. Com a crise do preço dos combustíveis em agosto de
2007, milhares de birmaneses marcharam em protesto, liderados
de Mário de Carli por pró-democratas e monges budistas. O governo massacrou os
manifestantes, assassinando 13 pessoas e detendo milhares por

E
participar dos protestos. Desde então, o regime vem invadindo casas
m Mianmar há indícios de ocupação humana que remontam e mosteiros, e detendo suspeitos de atividades pró-democráticas,
pelo mínimo há 10 mil anos. Em 1044 um Estado unifi- impondo restrições a certas atividades religiosas. A discriminação
cado foi criado, com a dinastia de Pagan por Anawrahta, das minorias religiosas é realizada através de restrições às ativi-
que introduziu o budismo. Hoje 73,3% da população dades de educação, de proselitismo, de proibição de construção
professam esta religião, sendo que existem milhares de de lugares de culto e de acesso aos cargos de relevo na política
pagodes – templos, e conventos budistas que marcaram e no mercado de trabalho. Em relação à comunidade muçulmana
desde sempre a história do povo e enquadraram a sua cultura e têm-se registrado um aumento das restrições e violações graves
seu modo de vida. Nos ambientes tradicionais, em cada aldeia dos direitos humanos, sobretudo a partir dos atentados de 11 de
há um mosteiro e os monges são vistos como líderes espirituais setembro de 2001 aos Estados Unidos, negando-lhes a cidadania
que guiam e estão perto da população nos momentos cruciais e o acesso à Justiça. A liberdade de circulação está restrita e são
da vida, como o nascimento e a morte. O cristianismo chegou ao sujeitos a impostos arbitrários. Dom Sotero Phamo, bispo de Loikaw
território birmanês no século X, levado por discípulos de Nestório, afirma que “nossa situação é difícil, mas temos que reconhecer
monge oriundo de Alexandria. Mais tarde, chegaram o catolicis- que em outros lugares é pior. No Vietnã, por exemplo, é preciso
mo romano no século XVI e o protestantismo, em 1813. A Igreja ter a permissão do governo para nomear um novo bispo, na China
Católica conta atualmente com 635.000 fiéis, 300 paróquias, 14 é o próprio governo que o nomeia. Aqui em Mianmar, pelo menos,
dioceses servidas por 17 bispos e mais de 800 sacerdotes, cerca temos a liberdade de desenvolver nossa ação pastoral e no meio
de 2.000 irmãs religiosas e 147 irmãos. A população cristã provém das dificuldades, a Igreja floresce”. 
de etnias minoritárias, radicadas especialmente no norte do país,
cuja evangelização teve início no começo do século XIX, com os Mário de Carli, imc, é membro da equipe de redação.

- Outubro 2010 25
E pra criança? Sugestão para o grupo
Acolhida (preparar o ambiente com os símbolos missionários
e imagens de crianças dos cinco continentes em diferentes

Nada? Tudo!
situações, com os símbolos missionários, as cores dos conti-
nentes e a Bíblia)
Motivação (objetivo): refletir com o grupo a comemoração
do Dia da Criança nos dias atuais e sobre os pequenos que
perdem sua infância.
Oração espontânea pelas crianças e adolescentes que são
impedidos de viver.
“Sim, é por amor à vida que cantamos Partilha dos compromissos semanais.
Leitura da Palavra de Deus (sugestões para os 4 encontros):
e tantas vezes choramos também!” Realidade Missionária: Mateus 18, 10-14. O evangelista nos
recorda que Jesus se preocupa com cada um dos pequeninos
(Zé Vicente) e essa também deve ser a preocupação da comunidade. A
nossa realidade nos mostra muitas crianças e adolescentes
Infância
Missionária afastados da comunidade. O que devemos fazer para torná-los
amigos e amigas de Jesus?
Espiritualidade Missionária: João 7, 37-39. No Evangelho de
João, Jesus nos convida a saciar a nossa sede na fonte de água
viva e estar abertos à novidade de Deus no mundo. Ele não
quer perder nenhum de nós, porém, permite a nossa escolha.
Abraçar a missão de Jesus é seguir em frente, construindo
o Reino do Pai em nosso meio. Rezemos pelas crianças e
adolescentes que não conhecem Jesus.
Compromisso Missionário: Romanos 10, 15-18. Em sua carta
aos Romanos, o apóstolo Paulo fala da alegria de evangelizar,
de tornar Jesus conhecido em toda a parte. Partilhemos as
alegrias que sentimos em nosso trabalho missionário, bem
como os desafios a enfrentar. Em nosso último encontro, Vida
de Grupo, celebraremos o Dia das Crianças e para isso, deve-
mos convidar para uma festa comunitária, os demais grupos ou
pastorais que também trabalham com crianças e adolescentes
na comunidade ou paróquia. Nosso sacrifício desse mês será
pela defesa da vida das crianças na Ásia.
Vida de Grupo: Lucas 12, 22-34. Ao falar para seus discípulos,
Jesus nos mostra que nada é mais importante que a busca do
Divulgação

Reino e isso ocorre quando promovemos relações de partilha e


fraternidade. Celebrar o Dia da Criança com uma tarde animada,
com outros grupos ou pastorais da comunidade ou paróquia.
Momento de agradecimento (fazer preces espontâneas a
partir do tema e da reflexão do Evangelho).
Canto e despedida.
de Roseane de Araújo Silva

F
inalmente chegou o mês missionário, mês da nossa que a “Lei da Palmada” impedirá que os pais eduquem os seus
padroeira Santa Terezinha, e das crianças. A situação filhos, pelo contrário, a Lei veio como forma de orientar os pais
mundial dos nossos pequenos sugere atenção e cuida- a não utilizarem a violência e a substituir os castigos físicos por
do, porque causa indignação saber que nove milhões outras formas educativas. Nesse sentido, esta Lei fortalece o
de crianças nos cinco continentes morrem antes de direito da criança e do adolescente de ser educado e receber
completar cinco anos de idade. Constata-se ainda, cuidados sem tratamento cruel, nem castigos corporais.
que não existe em todo o planeta um sistema de assistência Vale a pena refletir, sobre o modo de vida dos nossos ado-
médica eficaz, capaz de evitar que tantas mães ainda morram lescentes e crianças hoje em dia. Como estão sendo orientados
no parto. E sem as mães, como teremos as nossas crianças? no dia a dia, quando precisam tomar decisões? Nós, adultos,
Há também diferentes causas de morte dos nossos pequenos os acompanhamos em suas escolhas? Questionamos suas
ligadas à pobreza absoluta e à violência. Como comemorar o posturas? Qual o “lugar” que nos colocamos para auxiliá-los em
Dia da Criança desse jeito? situações de injustiças? O animador da IAM também contribui
Em nosso país, a chamada “Lei da Palmada” gerou polêmi- na formação destes pequenos, como parte da aprendizagem
ca. Isso até nos trouxe à memória, as diferentes interpretações que levarão à vida adulta. Sim, porque de acordo com o ECA,
do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, lei criada com a criança e o adolescente são “pessoas em desenvolvimento” e
objetivos claros para a defesa da criança e do adolescente, com nesse sentido, integrá-las a um grupo com a mesma faixa etária
a participação dos movimentos sociais que atuam junto a eles, é muito importante. É o próprio Jesus que nos pede: “Deixem
inclusive com a Pastoral do Menor. Não existia antes do ECA as crianças vir a mim. Não lhes proíbam, porque o Reino de
nenhuma lei que tratasse da realidade vivenciada por crianças Deus pertence a elas” (Mc 10, 14b). De todas as crianças do
e adolescentes, a não ser o Código de Menores, que tratava mundo – sempre amigas! 
apenas das crianças e jovens tidos como um perigo para a
sociedade, criado na década de 20. Um equívoco é entender Roseane de Araújo Silva é missionária leiga e pedagoga da Rede Pública do Paraná.

26 Outubro 2010 -
- Outubro 2010 27
A cobrança pela
CIDADANIA

água no São Francisco


Quando toda água estiver por segundo. Acima disso, qualquer usuário terá que receber
uma outorga e terá que pagar por cada metro cúbico utilizado.
mercantilizada, novas formas de fazer Não se paga apenas pelo que se capta, mas também pelo
que se devolve ao corpo d'água em forma de efluentes. Quanto
dela um negócio deverão aparecer. mais limpa for a água captada e mais suja for devolvida, mais
caro se paga. Quando o uso é “consuntivo”, isto é, a água
retirada não volta mais àquele corpo d'água, como é o caso
de Roberto Malvezzi (Gogó) da Transposição, ainda mais caro se deve pagar.
O critério é o enquadramento dos corpos d'água, que de

C
forma sintética, classifica a qualidade da água. Aí entra outro
omo estava previsto na Lei Nacional de Recursos Hí- fator complexo, já que a classificação é pela DBO - Demanda
dricos 9.433/97, a cobrança pelo uso da água começa Biológica por Oxigênio - que indica a demanda de oxigênio que
a se difundir pelo Brasil. Ela se torna possível quando aquele efluente vai demandar do corpo d'água para processar
é criado um comitê de bacia e esse comitê cria sua seu material orgânico. Portanto, não são avaliadas questões
agência de águas, isto é, um corpo técnico que se chaves, como a contaminação por metais pesados.
torna responsável pela implementação da cobrança. A água do São Francisco a ser captada pela Transposição
Entretanto, cobrar pelo uso da água é uma decisão do comitê. está classificada no nível 2, portanto, nem a melhor das águas,
O São Francisco começa nesse mês a cobrar pela água, o nem a pior. Além do mais, é um uso 100% consuntivo, já que
que tem deixado muita gente preocupada. De fato, a cobrança nenhuma gota voltará ao rio. O problema é que sua adução até
é muito mais complexa do que se pode imaginar à primeira os demais estados demanda muita energia e manutenção dos
vista. Os chamados usuários - qualquer ente físico ou jurídico canais e maquinários. Então, o governo, que sempre garantiu
que utilize águas de um determinado corpo d'água, como que essa água seria barata, agora quer impor redução no preço
irrigantes, indústria, serviços de saneamento e outros - terão da água transposta. Resultado, os beradeiros do São Francisco
que pagar por ela, desde que esteja acima do chamado “uso poderão pagar mais caro pela água do rio que os receptores
insignificante”, que no São Francisco foi determinado em 4 litros nos estados do setentrional.

Mercadoria
João Zinclar

Discute-se também se para colocar um barco na água, para


pescar, por exemplo, os pequenos usuários deveriam pagar.
Pelo menos no comitê do São Francisco, ainda não. Porém,
os pequenos agricultores mineiros estão apavorados porque
agora têm que registrar suas minações, olhos d'água e outras
formas de captação, mesmo que o uso seja insignificante e
não tenham que pagar pelo seu uso.
Enfim, agora água é mercadoria, tem valor econômico e será
vendida como qualquer produto. Há quem defenda a cobrança
pela água como uma medida pedagógica e disciplinar. Nós
achamos que o mecanismo da cobrança não estabelece o uso
equitativo da água - quem tiver outorga e dinheiro para comprar
leva -, e que outros mecanismos seriam mais eficientes para
disciplinar e fazer justiça no uso da água. Mas, prevaleceram
os interesses e a lógica do capital, embutidos na nossa Lei de
Recursos Hídricos.
No futuro, quando toda água estiver mercantilizada, novas
formas de fazer dela um negócio deverão aparecer. Previmos
esses desdobramentos desde a Campanha da Fraternidade
da Água, em 2004. Agora, estamos colhendo os frutos da
implementação dessa Lei e da política que ela nos trouxe. 

Menino no Rio São Francisco, Borda da Mata, SE. Roberto Malvezzi (Gogó) é agente da Comissão Pastoral da Terra - CPT.

28 Outubro 2010 -
A missão de acolher

MISSÃO
os peregrinos

Mário de Carli
Uma experiência de consagração e
evangelização com os peregrinos que
vagam pelas estradas da Rio-Bahia.
de Therezinha de Jesus Corrêa

A
Casa Emaús - de acolhida aos peregrinos, é fruto da
missão e vivência do Carisma da Fraternidade Missio-
nária Carlos de Foucauld, que tem como espiritualidade
a vivência da vida oculta de Jesus de Nazaré. Esta
casa de acolhida completa oito anos de serviço aos
peregrinos, andarilhos, viajantes, e “trecheiros” da
Irmã Therezinha durante encontro em São Paulo, SP.
rodovia Rio-Bahia, e está localizada em um pequeno povoado
conhecido por São Francisco, na cidade Cachoeira de Pajeú, em sua peregrinação a caminho de uma vida digna.
no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Este povoado Diante de tal acolhimento, os peregrinos se expressam
que os missionários definem como sua Nazaré, lugar de gritar afirmando que a Casa de Emaús é uma casa de Deus. Ao
o Evangelho com a vida, foi escolhido para dar início a esta partirem, com profunda gratidão exclamam: “que o Espírito
missão de acolhida aos peregrinos. Santo esteja com vocês, muito obrigado, que Deus abençoe
Elvira Teresinha Leite, então membro e co-fundadora da esta Casa e ela possa ajudar muita gente”.
Fraternidade Missionária Carlos de Foucauld deu início à
missão na Casa de Emaús. Começou a acolher os peregrinos, Projetos sociais
como gostam de ser chamados estes andarilhos. A missão Além da acolhida aos peregrinos, a Casa realiza projetos
cresceu e a Fraternidade sentiu a necessidade de ampliar os sociais para jovens e adolescentes em vulnerabilidade social,
espaços para receber mais irmãos que, de diversos lugares, que não têm oportunidades na vida devido à situação de
buscavam acolhida. miséria do Vale do Jequitinhonha. Encontram, através dos
Vivendo a espiritualidade em um estilo simples de vida, sem trabalhos manuais como artesanato, bordado, crochê e pintu-
apoio econômico e confiando na divina providência, a Frater- ra, possibilidades de resgatar sua estima e vislumbrar novos
nidade com seu testemunho de vida gritava o Evangelho com horizontes, encontrando alento para o sofrimento e esperança
a vida. A necessidade de um espaço maior e mais acolhedor para continuar vivendo.
levou a comunidade local a construir a Casa de Emaús, hoje “Pode entrar que a Casa de Emaús é sua!” Com este
Associação Casa de Emaús. Sem os recursos financeiros ne- sentimento de alegria e acolhida, as pastorais e movimentos
cessários não faltaram em suas vidas a providência de Deus da comunidade encontram aconchego para rezar, escutar o
que atuou através do apoio de padre Sérgio Stroppiana, de Mestre e, como discípulos, sair em missão, revigorados pela
Elvira e seus amigos e da comunidade local. Muitos mutirões partilha do pão e das verduras cultivadas na horta.
aconteceram para a edificação da Casa de Emaús. O amor a Sou feliz nesse trabalho, porque ao deixar a minha missão
Jesus peregrino se fez ação e em menos de um ano ela estava de irmã educadora para abraçar a radicalidade da partilha com
reaberta para acolher mais irmãos. os pobres, correspondi aos apelos de Deus que me chamou
“Eu fui peregrino e você me acolheu” (Mt 25, 35). Para con- para gritar o Evangelho com a vida, com todas as minhas for-
tinuar sua missão de bem acolher os mais de 400 peregrinos ças e coragem. Com meus 72 anos sou grata a Deus por me
que anualmente passam pela Casa, a missão vive da partilha conceder esta missão. Apesar dos espinhos, a rosa espraia o
de amigos e da comunidade local. Estes peregrinos que são perfume da vida, e este perfume é capaz de curar as feridas
acolhidos com muito amor e solidariedade através do testemu- das incompreensões, pois ela exala Jesus de Nazaré. Fica
nho da alegria dos(as) missionários(as) da Fraternidade, além conosco, Senhor! (Lc 24, 29). Em nossa Casa tem lugar para
de atenção espiritual, encontram um lugar para comer, tomar você e para aqueles que desejam partilhar a vida com os pe-
banho, dormir, partilhar suas dores, alegrias e sofrimentos, além regrinos. Será que alguém topa peregrinar? 
do acompanhamento social. Redescobrem sua dignidade de
ser filho amado de Deus e reencontram forças para prosseguir Irmã Therezinha de Jesus Corrêa é membro da Fraternidade Missionária Carlos de Foucauld.

- Outubro 2010 29
Entrevista

A Igreja está a caminho,


é itinerante!
"O desafio é ver a Missão de
Jesus olhando para fora e não
só para dentro".

de Jaime Carlos Patias de seminaristas em Londrina, Paraná, e abertos à Missão Ad Gentes, mas depois
Florianópolis, Santa Catarina. No bairro se voltam para as preocupações internas,

“F
de Santo Amaro, em São Paulo, dedicou- ou seja, a evangelização de batizados não
ui ordenado na Itália, mas se à formação de leigos e hoje coordena evangelizados que o Documento de Apa-
me tornei padre no Brasil”. cursos de formação para leigos no centro recida chama de “afastados”. O desafio é
Dessa forma, padre Sérgio da capital paulista, faz trabalhos pastorais ver a Missão de Jesus olhando para fora
Bradanini, missionário do e é capelão no Hospital Santa Rita, na Vila e não só para dentro. Não tem Missão Ad
PIME – Pontifício Instituto Mariana. Inquieto e contundente nas suas Intra. O que temos é evangelização, no
das Missões, resume sua afirmações, em entrevista padre Sérgio caso, entre os batizados que não chegaram
história rica de vivências e desafios. Recém- analisa a caminhada da Igreja na sua à maturidade e a Missão Ad Gentes que
chegado, em 1975, recorda que foi trabalhar Missão Universal. tem como objetivo fundamental as nações,
na diocese de Jardins, Mato Grosso do ultrapassando as fronteiras num horizonte
Sul, na fronteira com o Paraguai, região de Qual seria o maior desafio da Missão universal entre todos os povos, sem discri-
camponeses e Povos Indígenas, a primeira Ad Gentes para a Igreja no Brasil? minação ou exclusão. Para conciliar essas
experiência de aprendizagem e acultura- O primeiro desafio é o próprio concei- duas visões, seria preciso fazer com que
ção. Estudioso da Sagrada Escritura e da to de Missão que gera perplexidades e a evangelização interna levasse a uma
Missão ensinou e trabalhou na formação confusão. Os documentos da Igreja estão Missão para fora.

30 Outubro 2010
2006 -
Jaime C. Patias
e, por dois ou três anos, aprofundar essa mesmas dificuldades, deixando um vazio.
questão. Isso para enfrentar o que foi De pouco adianta produzir documentos com
muitas vezes alertado de que a religião é linguagem científica quando o povo não
reduzida aos aspectos de devoção ou a está preparado para entendê-los. Alguns
participação ocasional, faltando convicção acabam sendo traduzidos para facilitar a
e compromisso. Teria sido interessante te- compreensão, mas no meio disso surge
matizar a Missão Continental tendo sempre outro e acaba atropelando.
em vista um horizonte universal. Parece
que passamos do local ao continental e Como analisa o diálogo inter-reli-
ao universal. Mas, a missão Ad Gentes gioso visto na perspectiva da Missão?
é necessariamente universal. Temos o Em primeiro lugar devemos frisar que
modelo da Igreja peregrina centrada no o diálogo é uma necessidade. Depois es-
anúncio numa dimensão universal. pecificar em que consiste o diálogo. Nós
precisamos nos educar ao diálogo para
Por que uma Igreja que lá fora é con- não deixar que ele se perca como uma
siderada tão viva quase não envia leigos
e leigas para a Missão além-fronteiras?

José Altevir da Silva


Necessariamente, a Missão da Igre-
ja passa através dos leigos. Temos que
‘desclericalizar’ um pouco para não deixar
tudo nas mãos do clero ou de religiosos
especialistas da Missão. Tem comunidades
que estão definhando e comunidades que
estão animadas. Com relação à formação
é preciso que seja plena e total, mas pode-
mos também, como disse a Conferência
de Puebla, dar da nossa pobreza, porque
a preparação completa ninguém tem. A
Igreja está a caminho, é itinerante. Ela tem
de deixar certas coisas e adquirir novas.
Nisso os leigos dão um exemplo formidável.
Alguns largam o seu trabalho e às vezes
a profissão e se dedicam por alguns anos
à Missão na Amazônia, por exemplo. Na
catequese, na formação, assistência na Responsabilidade na Missão Continental.
saúde no compromisso social, na pastoral. conversa. É uma aventura que compromete
Temos outros raros exemplos que tentam todas as forças das pessoas. Naturalmente
uma experiência fora do Brasil, na África. aí surgem algumas exigências. O diálogo
Essa é uma expressão de vivacidade e não acontece entre dogmas, doutrinas
maturidade da Igreja, mas ela deveria ou teologias, mas entre as pessoas que
se abrir também para a Ásia, que é o ao dialogar devem ter essa educação de
grande desafio. Isso exigiria muito mais abertura para o outro. Questionar o outro
preparação. Contudo é uma perspectiva e se deixar questionar assumindo a exi-
a ser levada a sério e aprimorada a longo gência da paridade onde ninguém possui
Padre Sérgio fala sobre a
prazo. Nada é impossível. Precisamos a verdade na sua totalidade. Cada um de
Missão Ad Gentes para mis-
sionários e missionárias da superar os problemas. Em outros países nós tem só uma porção de verdade que
Consolata em São Paulo, SP. temos famílias inteiras que partem para a deve ser buscada de ambos os lados, com
Missão além-fronteiras. sinceridade, abertura e espírito crítico. É
por isso que precisamos de educação num
Como avalia as iniciativas do Projeto O Magistério da Igreja escreve docu- processo contínuo de abertura e reflexão
da Missão Continental lançado em 2007 mentos em abundância. Como fazer com em conjunto. Não é questão de saber
na Conferência de Aparecida? que essa riqueza seja mais aproveitada quem tem razão, nem negar a si mesmo
Não houve de fato muita clareza sobre pelas comunidades? para enaltecer o outro, mas buscar de
o que realmente se pretendia. Em que Pela sua importância deveríamos pro- ambos os lados a verdade. Nem sempre
consiste esse Projeto Continental? Apa- duzir menos. Os documentos têm um isso é possível porque surgem tensões,
rentemente é algo inconsistente. Poderia, nível muito elevado sob o ponto de vista preconceitos e fechamentos. Por isso o
por exemplo, ter sido escolhido um tema teológico, antropológico e escritos numa diálogo é um instrumento privilegiado da
onde o continente inteiro assumisse como linguagem de eruditos. Poderiam ser mais missão e do anúncio que não é só dar, mas
prioridade. Fala-se muito de Missão Con- simples e ter uma maior validade para que também receber. Quem entra em diálogo
tinental, mas não se vê algo consistente. as ideias sejam analisadas e assimiladas não sai mais do mesmo jeito, sai sempre
Não dá pra perceber uma programação, pelo povo, até porque elas exigem certo transformado porque a verdade, não como
um projeto. Poderia se escolher como tempo para amadureceram. Quando chega oposto de falsidade, mas como significado
tema, por exemplo, a catequese, que foi um novo documento, o penúltimo cai no pleno das coisas, liberta. 
uma das grandes preocupações já na pre- esquecimento e quando estamos na me-
paração para a Conferência de Aparecida tade do último, chega um terceiro com as Jaime Carlos Patias, imc, é diretor da revista Missões.

- Outubro 2010 31
Atualidade

Madre Bárbara Maix, fundadora


da Congregação das Irmãs do
Imaculado Coração de Maria.
que morriam uma após outra. Em 1833,
quando Bárbara tinha 15 anos, veio a
perder a mãe, que morreu repentinamente,
deixando órfãos ela e outros quatro irmãos.
Com tantas perdas, José Maix, já com
81 anos, sucumbiu logo depois. Deixou
como legado apenas seu exemplo de vida.
Ao saber da precária situação daqueles
órfãos, filhos do camareiro, o tesoureiro
real conseguiu que o governo lhes desse
uma pensão.
As perdas familiares, a pobreza e o
sofrimento fizeram com que Bárbara olhas-
se também ao seu redor, preocupando-se
com a situação das moças pobres que
vinham do campo para a capital, terminando
muitas vezes na prostituição. Sua ideia
era fundar uma Congregação feminina
que pudesse acolhê-las e dar-lhes uma
profissão. Para isso aproximou-se de
um redentorista, padre João Pöckl, para
receber orientação e apoio.
Sua ideia foi tomando corpo e, em
1843, já reunia em torno de si um pequeno
grupo de moças. Um tempo depois, com a
autorização do arcebispo e da delegacia
de polícia, alugou uma casa maior para
servir de pensão para suas companheiras
e para as jovens camponesas.

A trajetória de uma
Neste período, a Áustria vivia uma fase
de grande anticlericalismo. Congregações
religiosas eram alvos de perseguição,
sobretudo jesuítas e redentoristas, ou

santa no Brasil
pessoas que lhes fossem ligadas.
Por isso a comunidade de Bárbara,
juntamente com seu orientador, o padre
João Pöckl tiveram que deixar às pressas
a capital vienense. Os Estados Unidos
eram vistos na época como “a terra da
liberdade política e religiosa” e para lá
tentaram partir.
Tal decisão assustou algumas jovens,
de Benedito Prezia sofrimento e perdas familiares. Seu pai, que abandonaram o projeto, enquanto ou-
José Maix, embora trabalhasse no palácio tras aderiram, sendo no final 25 pessoas,

N
do imperador como camareiro, recebia entre as quais dois rapazes, que aceitaram
o dia 6 de novembro, o Brasil terá um salário modesto, que mal dava para o convite do padre para fundar outra Con-
mais uma religiosa beatificada, sustentar a família de oito filhos. A situação gregação. Assim, o grupo chegou ao porto
Madre Bárbara Maix, fundadora ficou mais difícil com a morte da esposa, de Hamburgo, com pequena bagagem e
da Congregação das Irmãs do aos 42 anos. Meses depois morreu uma grande fé na Providência. Para decepção
Imaculado Coração de Maria. filha pequena, e José pensou em casar-se de todos, não encontraram nenhuma em-
Pouco conhecida, sua vida é novamente. Contraiu núpcias com Rosália barcação para os Estados Unidos. Após
um exemplo de humildade, tenacidade e Mauritz, que lhe deu mais nove filhos, um mês de espera, aportou um navio que
entrega à Providência. sendo que a última foi a nossa Bárbara. zarparia para o Brasil. Embora fosse um
Nascida em Viena, capital de Áustria, As condições sanitárias e a precarieda- cargueiro, o capitão aceitou levá-los. Era
aos 27 de junho de 1818, os primórdios de no atendimento médico daquela época o sinal da Providência que indicava o país
de sua vida foram marcados por muito foram ceifando a vida daquelas crianças, da futura Congregação. Por isso, Madre

32 Outubro 2010 -
Bárbara sempre repetia: “Mais do que Madre Bárbara e Madre Isabel partiram A boa fama da Congregação se espa-
tudo, vale a vontade de Deus!” para a Europa em busca de um novo lhava pelo Brasil, e as pessoas se encan-
diretor espiritual, além de receber outras tavam com a afabilidade e a simplicidade
Rumo ao Brasil jovens que se dispusessem a segui-las daquelas irmãs, já que se conhecia apenas
Após 52 dias de viagem, chegaram ao Brasil, pois as demandas começavam religiosas enclausuradas.
ao Rio de Janeiro aos 9 de novembro a aparecer. Mas, desejavam, sobretudo, Para fazer face às demandas, muitas
de 1848. “Chegamos sem dinheiro, sem pedir ao papa a aprovação das Consti- jovens foram admitidas. O espírito anticle-
conhecimento de ninguém, sem saber a tuições. Em Roma foram recebidas por rical de muitas instituições filantrópicas,
língua, com muita fome, mas cheias de Pio IX, que não as aprovou, deixando aos dominadas pela maçonaria, fez com que
confiança em Deus e em Nossa Senhora”, bispos brasileiros a tarefa de acompanhá- problemas internos surgissem em várias
escrevia uma delas. las de perto. comunidades. Alegavam que as Consti-
Por determinação do bispo, foram Sua presença na Áustria deu frutos e tuições eram muito rígidas e que a Priora
instalar-se provisoriamente no convento 11 candidatas partiram para o Rio de Ja- Geral extrapolava suas funções.
das irmãs Concepcionistas. Seis meses neiro. Infelizmente os problemas sanitários O bispo de Porto Alegre, na visita
depois, aos 8 de maio, no dia em que persistiam, eclodindo uma epidemia de canônica feita em dezembro de 1870, no-
meou uma nova superiora
local e mestra de noviças,
Arquivo ICM

sem consultar a fundadora.


Houve até um movimento
para expulsá-la da Con-
gregação.
Com muita humilda-
de, Madre Bárbara voltou
para o Rio de Janeiro, indo
morar com quatro irmãs
numa casa cedida por uma
benfeitora.“Tudo que acon-
teceu contra mim foi neces-
sário para que saísse mais
brilhante a glória de Deus”,
escrevia ela. “Eu me calei,
mas Deus se defenderá a
si mesmo e mostrará a nós
e a todo o mundo, que Ele
age para a honra do San-
tíssimo Coração de Maria,
sua Mãe”.
Irmãs do Imaculado Coração de Maria, capela São Rafael, Porto Alegre, RS. Com a saúde abalada,
faziam os primeiros votos, transferiram-se cólera que atingiu não apenas os pobres, ainda acompanhava os trabalhos da Con-
para o Colégio do Senhor dos Passos, da mas outros moradores da capital, inclusive gregação. No dia 17 de março de 1873,
Irmandade de Nossa Senhora do Terço. nove das 11 Irmãs recém-chegadas e um depois de participar da missa, sentiu-se
Como determinavam as Constituições, sacerdote que as acompanhava. mal, vindo a falecer algumas horas depois,
iam “dedicar-se à educação da infância Voltando de Roma, irmã Bárbara não aos 54 anos. A Congregação cresceu, e
desvalida e cuidar dos enfermos nos se abateu. Acostumada a enfrentar desa- em 1949, ao completar 100 anos, possuía
hospitais durante as epidemias”. fios, escreveu: “Deus não permitirá que 59 casas, sendo 11 hospitais, 30 escolas
Naquela época a capital do Brasil sejamos iludidas em nossa confiança”. e 12 orfanatos e creches.
vivia uma situação precária pela falta de A carência no Brasil era grande, com
saneamento, que ocasionava constantes o aumento de órfãos que sobreviviam das No Brasil e no mundo
epidemias. No ano seguinte eclodiu uma epidemias e também da Guerra do Para- Atualmente trabalham em colégios
epidemia de febre amarela, atingindo boa guai. Em 1854 as Irmãs foram solicitadas e hospitais, voltando-se mais ao campo
parte da população, morrendo muita gente, para assumir em Niterói um orfanato, que missionário e pastoral. Estão presentes
inclusive padre Pölck. se chamou Asilo Santa Leopoldina, em em 18 estados, e no Amazonas prepa-
A condição econômica da comunidade homenagem à mãe do imperador. Com o ram-se para trabalhar na prevenção ao
era muito precária. Por serem austríacas, tempo, a maçonaria infiltrada na direção tráfico de mulheres. No exterior atuam
dom Pedro II lhes votava grande simpatia, da obra, criou muitos problemas, dividindo nos Estados Unidos, Itália, Venezuela,
pelo fato de terem a mesma origem de sua inclusive a comunidade. Bolívia, Argentina, Paraguai, Moçambique
mãe, dona Leopoldina. Assim pediu que No ano seguinte algumas irmãs parti- e Haiti. A comunidade deste último país
fossem transferidas para um convento ram para o Sul, onde foram dirigir outro “asilo ganhou notoriedade, em 1994, quando
franciscano desativado, na Ilha do Bom para órfãos” em Pelotas, de propriedade irmã Santina Perin embarcou com um
Jesus, na baía da Guanabara. Surgia o da maçonaria. Em Porto Alegre, foram grupo de refugiados para os Estados
primeiro colégio para meninas. chamadas para dirigir um Recolhimento, Unidos, sendo resgatados em alto mar
que costumava acolher recém-nascidos pela guarda costeira. 
Expansão e crises abandonados na “Roda”, isto é, crianças
Sem encontrar outro sacerdote que nascidas fora do casamento, deixadas Benedito Prezia é escritor e coordenador da Pastoral Indigenista
falasse alemão para orientá-las, em 1852, num nicho giratório da Santa Casa. de São Paulo.

- Outubro 2010 33
Dourados - MS Juventude Padre Burnier de Goiânia, Kelly Cristina
Violência contra indígenas e Alexandra Miranda, além de religiosos e leigos.
No dia 4 de setembro, o grupo de famílias do Segundo o relatório feito pela Rede de Informação
tekoha Ytay Ka’aguy rusu, no município de Douradina Tecnológica Latino-Americana - RITLA, morrem por
voltou à sua terra tradicional, próximo aos limites da dia, em média, 54 jovens vítimas de homicídios no
atual Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica. Essa terra Brasil. Um estudo inédito divulgado pela Secretaria
indígena com 2.070 hectares, e uma população em Especial dos Direitos Humanos estima que 33.504
torno de 700 pessoas, teve sua terra ocupada pelo adolescentes brasileiros serão assassinados no
agronegócio. Hoje usufruem pequena parte dela, que período de sete anos, de 2006 a 2013.
está em revisão de limites. Desde 2005, quando se
constituiu um grupo de trabalho para um reestudo Presidente Prudente - SP
dos limites, até hoje, inexplicavelmente ele não foi 30º Encontro do COMIRE Sul 1
concluído. Logo depois da volta ao tekohá, segundo

Jaime C. Patias
o Kaiowá O.J., os índios tentaram diálogo com os
produtores rurais. Mas não houve possibilidade de
um entendimento. Foi aumentando a tensão. No dia
6 de setembro, à tarde chegou ao local a Polícia Fe-
deral. Após algumas conversações, parecia que seria
respeitada a não agressão por parte dos seguranças
e produtores. Porém, logo depois que os policiais se
retiraram houve um ataque sobre os índios, com tiros
para o ar, fogos, derrubada e queima dos mais de
VOLTA AO BRASIL

20 barracos que haviam sido construídos, conforme


informa uma professora que estava com o grupo.
“Houve muita correria de mulheres, crianças, com O Conselho Missionário do Regional Sul 1 da
muitos gritos e gente chorando”. Alguns como O.J. CNBB - São Paulo, realizou entre os dias 27 e 29
tiveram todos os documentos queimados juntamente de agosto, na Casa São Francisco, em Presidente
com o barraco. Os índios que sofreram mais essa Prudente, interior paulista, seu 30º Encontro do Con-
agressão e violência não desistiram de sua terra, e selho Missionário Estadual. Durante a solenidade de
dia 7 voltaram ao local, apesar das ameaças que os abertura, os participantes receberam a imagem de
colonos fizeram de que desta vez iriam matar alguns Nossa Senhora Aparecida e os símbolos das dioceses
índios. “Essa terra é nossa. Foi demarcada, e nela que compõem a Província Eclesiástica de Botucatu,
vamos ficar”, afirmou resoluta uma das lideranças responsáveis por acolher o evento - Presidente
do grupo. Também esteve no local a nova adminis- Prudente, Assis, Ourinhos, Bauru, Botucatu, Lins,
tradora da FUNAI em Dourados, juntamente com a Araçatuba e Marília. Para o coordenador do Conselho
imprensa. O que os Kaiowás Guaranis esperam é Missionário Regional, COMIRE Sul 1, Robson Luiz
que a promessa do presidente Lula feita a eles em Ferreira, a realização do 30º Encontro significa um
recente visita ao Mato Grosso do Sul seja cumpri- marco na história do Conselho Missionário de São
da – que os Grupos de Trabalho de identificação Paulo, e evidencia o comprometimento das dioceses
das terras indígenas voltem à área e concluam os e forças missionárias presentes no estado. “Não há
trabalhos urgentemente. como trabalhar a Missão sem a comunhão, e não
dá pra fazer comunhão sem se encontrar”, afirmou
Oeiras - PI Robson.
Extermínio de jovens O bispo de Jundiaí, dom Vicente Costa, enviou
A Pastoral da Juventude realizou entre os dias 27 mensagem e bênçãos desejando um frutuoso tra-
e 29 de agosto, o I Seminário Regional da Juventude balho. “Realmente as dioceses do nosso Regional
na diocese de Oeiras. Durante o evento aconteceu precisam cada vez mais se tornar missionárias,
o lançamento estadual da Campanha Nacional dispostas a irem à outra marvvgem”, escreveu dom
Contra a Violência e o Extermínio de Jovens. O Vicente. Enviaram mensagens ainda, dom Sérgio
bispo diocesano, dom Juarez Souza, e a secretária Castriani, responsável pela Ação Missionária da
nacional da Pastoral da Juventude, Hildete Emanuele, CNBB, e dom Benedito Gonçalves dos Santos, bis-
marcaram presença durante todo o Seminário. O po de Presidente Prudente, em visita na Amazônia.
evento discutiu a realidade da juventude num clima Padre Everton Aparecido, coordenador missionário
de fraternidade. Um dos assuntos debatidos foi a da Sub-Região Pastoral de Botucatu, destacou a
situação em que se encontram muitos jovens, que importância da programação que além do estudo do
saem de suas cidades para trabalhar no corte de tema “Chamados e Enviados em Missão Ad Gentes”
cana em outros estados e acabam não retornando abriu espaço para testemunhos de missionários em
à sua cidade natal. “É necessário lutar contra essas missão além-fronteiras, partilha da Infância e Adoles-
estruturas de morte que são implantadas na nossa cência Missionária (IAM), da Juventude Missionária
sociedade”, alertou Juarez Souza. O Seminário reuniu (JM), apresentações culturais e cinco oficinas de tra-
cerca de 100 jovens das oito dioceses do Piauí - Bom balho sobre a missão no mundo digital, a Campanha
Jesus, Campo Maior, Floriano, Oeiras, Parnaíba, Missionária 2010, diálogo inter-religioso, paróquia e
Picos, São Raimundo Nonato e Teresina - e contou Missão Ad Gentes e missionários leigos. 
ainda com as presenças da coordenadora regional
da PJ, Ângela Maria, das assessoras da Casa da Fontes: CIMI MS, Pastoral da Juventude, revista Missões.

34 Outubro 2010 -

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