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Universidade Federal Fluminense

Mapeamento do Estado da Arte da Tecnologia da Construção e Montagem

Organização da Produção

Prof. Miguel Luiz Ferreira Ribeiro, D.Sc.

Engº Antonio Fernando Navarro, M.Sc.

1. Introdução

Este texto integrador apresenta as considerações necessárias sobre a importância,


pertinência e aplicabilidade dos fichamentos elaborados com base nos textos
pesquisados, abrangendo a disciplina de Organização da Produção. Para melhor
compreensão foram redigidos textos interligando os principais aspectos desses artigos.
O Texto justifica-se como um instrumento que consolida informações que
levaram a construção do instrumento de pesquisa a ser aplicado na pesquisa de campo,
sendo um dos produtos tangíveis do projeto supracitado, estando estruturado da seguinte
maneira:
• Na seção 2 apresenta-se uma descrição sobre o processo de identificação dos
textos pesquisados e as diretrizes que nortearam a escolha dos mesmos.
• Na seção 3, apresenta-se uma compilação das principais informações e
conhecimento obtidos destes textos.
• Na seção 4 apresenta-se uma análise global e integrada dos textos pesquisados.
• Finalmente, na seção 5, apresenta-se a lista de bibliografias consultadas.

2. Seleção dos artigos

A pesquisa concentrou-se inicialmente na busca de artigos junto a Portal de


periódicos da CAPES, que possibilitava, à época da pesquisa, o acesso ao conteúdo na
íntegra de 12.365 títulos de periódicos e a 26 bases de dados internacionais.
Em um primeiro momento, foi efetuado um estudo de webiblioming (Costa,
2008) contemplando a análise citacional no contexto do tema EPC nos dados indexados

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na Base de Dados do Engineering Village Compendex (EV). É importante registrar que


esta base indexa o conteúdo de X periódicos, abrangendo todos os campos da
Engenharia. Além de periódicos, esta base indexa patentes, conferências e teses. Quanto
ao recorte temporal disponibilizado nesta base, observa-se que a EV indexa:
• Textos completos publicados em periódicos desde o ano de 1969.
• Resumos publicados desde 1864.

1.1 PROGRESSOS OBTIDOS

Foram realizadas buscas a base de dados. Foram identificados 794 artigos sobre
o tema pesquisado, utilizando-se a seguinte busca:
• ((Engineering, Production, Construction) OR (Engineering Production
Construction) OR (Engineering, Production and Construction) OR
(Engineering Production and Construction)) AND (Organizational OR
Management OR Competitiviness).
Posteriormente, com base no método desenvolvido em Costa (2007), uma base
com 42 artigos foi selecionada para leitura inicial. É importante observar que o acesso
integral aos textos completos nem sempre foi possível (mesmo para os textos completos
indexados a partir de 1969), por depender:
• Da disponibilidade do texto completo no banco de dados – em geral, para
artigos anteriores a 1969 o texto completo não é indexado.
• Do nível de acesso contratado pelo Portal de Periódicos da CAPES ao
periódico específico – no caso de artigos.
• Do nível de acesso disponibilizado pelo banco de patentes, na qual a patente
estiver disponibilizada. Isto depende do tipo de registro da patente.
Para resolver essa questão adotou-se a estratégia de estabelecer comunicação
pessoal com o autores dos artigos que compunham a base inicial, solicitando maiores
informações sobre a pesquisa relatada no artigo selecionado. Isto possibilitou, na
maioria dos casos, o acesso a pesquisa reportada nos artigos.
Finalmente, a base inicial selecionada foi complementada por leitura e textos
publicados pelo CII e, também, por publicações que buscavam reportar experiências
ocorridas no Brasil.

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Esta ações, associadas ao conhecimento prévio dos pesquisadores sobre textos


que versam sobre o tema abordado, permitiu a seleção de um conjunto de artigos para
uma leitura mais aprofundada. A seguir apresenta-se uma compilação das informações
extraídas de dez textos (plano de corte adotado no projeto de pesquisa) que compunham
este conjunto final de textos lidos.

2. Revisão bibliográfica

(FRÖDELL, JPSEPSON e LINDHADL, 2008) busca explicar os comportamento do


cliente sobre os fatores críticos de sucesso e sobre a avaliação de desempenho, no âmbito de
projetos. Mais especificamente, quatro questões são investigadas:
a) Quais são os fatores críticos de sucesso?
b) Quais os critérios/patamares de sucesso?
c) Como atingir o sucesso?
d) Quais as características dos sistemas para avaliação do desempenho de projetos?

A população considerada nessa pesquisa é referente aos clientes/profissionais/organizações


clientes no âmbito da construção sueca. A pesquisa baseou-se em entrevistas semi-estruturadas
e a amostra foi composta por 23 profissionais com larga experiência de atuação em empresas
clientes (22 empresas), no contexto de projetos de construção na Suécia, sendo 12 profissionais
eram funcionários de empresas públicas e 11 de empresas privadas.

Inicialmente foram distribuídos questionários aos respondentes, nos quais se solicitou a


identificação de 5 aspectos que eles considerassem relevantes dentre um conjunto de critérios
identificados na revisão bibliográfica. Após 12 entrevistas, refinou-se o questionário para
incluir aqueles aspectos citados por pelo menos dois respondentes – reduzindo-se o número de
questões para 58. Sendo o novo questionário submetido aos demais respondentes.

Os resultados da pesquisa indicaram que os principais fatores críticos de sucesso, sob a


ótica do cliente, foram:
• Participação compromissada/engajamento dos clientes no processo de
desenvolvimento do projeto
• Qualificação da força de trabalho e da equipe de projeto.

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Vale registrar que, nesta pesquisa, a palavra cliente era associada ao representante da
organização contratante e, não a uma pessoa física.

Os aspectos identificados na pesquisa como os mais relevantes em um sistema de medição


de desempenho de projetos foram: simplicidade; e, confiança nos resultados. A seguir a Tabela
1 apresenta a lista dos aspectos identificados na pesquisa e as suas respectivas pontuações.

Fator Pontos
1. Simplicidade 118
2. Credibilidade 111
3. Velocidade de retorno/retroalimentação 62
4. Orientação das ações 57
5. Eficiência e custo 31
6. Número reduzido de questões 22
7, Abrangência dos dados 16
8. Difusão de resultados 10

As particularidades do mercado de construção investigado (mercado de construção sueco)


trazem limitações e restrições às conclusões obtidas desse trabalho. No entanto, apesar deste
fato, este artigo estabelece um importante referencial empírico quanto aos fatores críticos de
sucesso no âmbito da análise os sistemas de avaliação de desempenho de projetos,
demonstrando que a importância dos fatores críticos de sucesso varia como função do tipo de
ocupação do projeto e sugerindo o tratamento desses pontos de vista de forma diferenciada.

Na opinião o do autor do presente texto este aspecto pode eliminar os feitos compensatórios
inerentes aos sistemas de ponderação e que prejudicam a compreensão e análise de dados.
Também é importante destacar que a pesquisa indicou que aspectos associados a governança da
pesquisa são relevantes no processo de levantamento de dados e que as lições extraídas desta
leitura podem ser usada no desenvolvimento do presente projeto de pesquisa.

Vale ressaltar que, embora esse aspecto não tenha sido relatado pelos autores, o método de
cotejamento de dados utilizado na pesquisa é um método de base multidecisor do tipo Método
de Borda. Conforme relatado em (Costa 2006) esse tipo de abordagem tem como característica

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central a busca de consenso em sistemas de votação - em contraste com as ”votações


ditatoriais”.

Todo o vasto número dos fatores de sucesso apresentados na revisão da literatura pode
afetar o resultado dos projetos. Entretanto, há uma tendência de se usar e sugerir diferentes
aspectos de sucesso dos demais que conduzem aos grandes e confusos modelos.

Quando apresentada a lista de 140 fatores aos primeiros respondentes foram assinalados 82
ou menos. Além disso, as avaliações mais elevadas foram dadas somente a alguns fatores, que
sugerem que os fatores chaves do sucesso não são mais do que parecem à primeira vista. Ao
rever a literatura de projetos de construção são considerados frequentemente como uma
entidade, um tipo de projeto. Variáveis que estão apresentadas por exemplo o se o cliente é
público ou não (Chan e Tam, 2000) ou interesses ou urgência do projeto, como por exemplo
projetos executados após desastres naturais estão no foco de alguns estudos (Belassi e Tukel,
1996). Além disso, a definição de que o sucesso do ator deve ser considerado não está sempre
claro, por exemplo em Chan e outros. (2002) onde o alvo é conseguir os objetivos mas do
projeto não é especificado que objetivos são esses. Consequentemente, os modelos começam
grandes e confusos em vez de focalizar em um em um tipo particular do ator sucesso e de
produto a começar modelos gerenciáveis e utilizáveis. As demandas diferem entre organizações
públicas e privadas e não é provável que sejam as mesmas depois que um desastre natural como
sejam durante um projeto planeou sob circunstâncias normais.

Os fatores que parecem ter grande efeito de sucesso nos projetos de construção são, em
primeiro lugar, a habilidade do cliente decidir, em segundo, gerência da construção
compromissada com a força de trabalho, e, em terceiro lugar, a competência da gerência de
construção. Além desses tem-se outros, como: trabalhadores, o envolvimento dos clientes, o
compromisso com o projeto e o respeito dos trabalhadores às equipes de trabalho. Todos estes
fatores são relacionados à criação de objetivos relevantes e à disseminação destes.

Junto com esses critérios a conformidade com expectativas de clientes e a habilidade da


contratada em trazer soluções para os clientes são fatores altamente considerados por esses. A
fim medir como bem sucedido é um projeto os respondentes expressaram um número de
características no sistema de medição de acordo com sua importância. A simplicidade foi
classificada como a característica a mais importante seguida pela validez dos resultados.

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Tornou-se também claro que os respondentes não dão nenhuma ou quase nenhuma importância
no número de aspectos que estão sendo avaliados contanto que os resultados sejam válidos.

Para uns estudos mais adicionais é conseqüentemente relevante investigar os sistemas de


medição que existem atualmente no mercado. Os sistemas focalizam somente na lucratividade
ou focalizam em uma disposição mais larga de fatores do sucesso? Como as necessidades dos
clientes' são definidas e monitoradas?

Além disso, seria interessante verificar se os sistemas tem as características que foram
discutidas neste trabalho. Seria também interessante olhar mais profundamente os fatores de
sucesso e investigar os fatores subjacentes a este. Os projetos de construção bem sucedidos
acontecem ainda, como os projetos mal sucedidos. É conseqüentemente um desafio adicional
contribuir para o desenvolvimento de ferramentas da avaliação de desempenho e os métodos de
avaliação a fim suportar o desenvolvimento da alta qualidade na construção.

(Enshassi, Mohamed et al. 1997) investiga os fatores que afetam negativamente a


produtividade e eficiência da mão de obra em projetos de construção executados na faixa de
Gaza. Inicialmente este texto faz uma importante e abrangente revisão crítica da bibliografia
acerca do tema pesquisado, identificando um conjunto de critérios a serem pesquisados.
Posteriormente, através de um sistema de geração de números aleatórios é definida uma amostra
com 83 empresas a serem pesquisadas.

Na etapa seguinte aplica-se um questionário para a amostra onde as empresas explicitam,


com o apoio de uma escala ordinal com cinco posições de julgamento subjetivo, o grau de
importância dos atores pesquisados. Com os resultados obtidos é construído um ranking com os
fatores que mais afetam (negativamente) a produtividade da equipes de trabalho em projetos de
construção executados na região da faixa de Gaza. Dentre 45 fatores investigados, os que foram
considerados mais críticos foram:
• Falta de materiais apropriados
• Falta de experiência da mão de obra
• Desentendimentos entre mão de obra e supervisão
• Alteração nos desenhos e nas especificações durante a execução do projeto
• Atraso no pagamento
• Atrasos na inspeção
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• Semana de trabalho com sete dias (sem folga)

A robustez dos seguintes aspectos da pesquisa aumenta a confiança nos resultados obtidos:
• O método randômico usado para a definição da amostra.
• A escala (verbal) com cinco posições permite ao avaliador “contar nos dedos”, estando
em acordo com as orientações específicas existentes na literatura para a coleta de
julgamentos de valor – ver trabalhos de (Miller 1954), (Likert 1932) e (Costa, Mansur et
al. 2007).
• A construção do questionário foi baseada em uma aprofundada revisão da literatura a
respeito dos fatores que influenciam a produtividade de projetos de construção.

No entanto, apesar ta robustez na construção e na coleta de dados, o tratamento dos dados


poderia usar técnicas mais apuradas de análise, que têm sido desenvolvidas com grande sucesso
para o tratamento de problemas que envolvem avaliações subjetivas. Dentre essas técnicas
citam-se aqui aquelas desenvolvidas no âmbito do Auxílio Multicritério à Decisão (AMD) e da
Lógica Fuzzy (Fuzzy Logic).

Observa-se ainda que, embora a coleta e análise de dados tenha sido feita em uma região
com características muito particulares (o que dificulta a extensão dos resultados a outras
regiões), esse artigo levanta aspectos que contribuem para elaboração da minuta do questionário
a ser aplicado no âmbito do presente projeto.

Os resultados indicaram que os 10 principais fatores que afetam negativamente a


produtividade do trabalho são:

1. Falta de Materiais.
2. Falta de experiência no trabalho.
3. Falta de fiscalização do trabalho.
4. Falta de adequada comunicação entre os empregados e os encarregados.
5. Alteração de desenhos e especificações durante a execução.
6. Pagamento imediato.
7. Deslealdade no Trabalho.
8. Atraso de Inspeção no acompanhamento e liberação dos trabalhos.
9. Trabalho exaustivo de sete dias por semana sem feriado.
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10. Falta de Ferramenta / equipamentos adequados para os serviços.

Em um paralelo com as obras na indústria de Óleo e Gás, observa-se uma semelhança de


aspectos. Especialmente quanto ao primeiro item, o aquecimento da economia e a execução de
inúmeras obras quase que simultaneamente faz com que os prazos de entrega de materiais,
principalmente os de equipamentos de grande porte e estruturas, seja bastante dilatado. Se o
cronograma de execução não previr essas situações com certeza podem ocorrer atrasos na
entrega das obras. Também, pelas mesmas razões, tem-se o caso dos equipamentos auxiliares
empregados nas construções como: bate-estacas, guindastes e outros, cuja oferta tende a cair
nessas situações.

Especialmente quanto ao segundo item, o da experiência dos profissionais envolvidos, o


principal aspecto é o de que as escolas de formação de profissionais não estão preparadas para
as demandas pontuais. Muitos contratos de trabalho, além das naturais exigências de
qualificação profissional exigem também o tempo mínimo de experiência. Em se tratando de
demandas pontuais, provocadas pelas exigências do mercado consumidor ou pelas
oportunidades técnico-comerciais, os profissionais, muitas vezes, não atendem as exigências
quanto ao tempo de experiência profissional, “comprovada em carteira de trabalho”.

Outra questão que cabe ser ressaltada, e que tem forte impacto nas questões relacionadas à
produtividade é a que se refere ao ritmo de produção. Quando os orçamentos estão apertados, os
recursos pequenos e sem muitas folgas e as exigências dos clientes são grandes, principalmente
para a antecipação da produção, os empregados passam a trabalhar em ritmos cada vez mais
intensos. Os naturais dias de descanso são compensados por folgas futuras ou por abonos
salariais. Esse ritmo provoca naturalmente o stress físico e emocional dos empregados,
propiciando o surgimento de falhas ou problemas na qualidade dos serviços executados.

Além disso, foram divididos em 10 grupos, classificados de acordo com o índice de sua
importância 45 fatores considerados no estudo, como:

1. Materiais / ferramentas.
2. Supervisão.
3. Liderança.
4. Qualidade.

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5. Jornada de trabalho.
6. Manpower.
7. Projeto.
8. Fatores externos.
9. Motivação.
10. Segurança.

É recomendado que as empresas contratantes forneçam previamente cronogramas para cada


projeto. Nesses deve estar explícito o tempo necessário para o fornecimento de materiais e da
disponibilidade de matérias, que deve ser negociado com os fornecedores locais, à tempo.

As empresas contratantes deverão selecionar áreas destinadas ao local de armazenamento


adequado dos materiais adquiridos em cada projeto, que devem ser facilmente acessíveis, e
construídos edifícios de forma tal que se elimine o desperdício de tempo de trabalho causado
pela múltipla manipulação dos materiais.

As empresas contratantes devem dar mais atenção à qualidade dos materiais de construção e
das ferramentas empregadas em seus projetos, já que o correto emprego dessas reduz tanto o
tempo necessário para concluir o trabalho quanto o desperdício de materiais. O uso adequado
dos materiais e ferramentas também tem um efeito positivo sobre a qualidade de trabalho que,
consequentemente, melhora a produtividade do trabalho.

Projeto de gestão tem de ceder e recrutar as pessoas certas para a execução dos trabalhos, e
deve também manter uma estreita observação sobre os trabalhadores para certificar-se de que
compreendam corretamente a execução de suas atividades e as instruções apresentadas nos
locais de trabalho. Além disso, deveria manter relações amigáveis com o trabalho e que eles
saibam que são importantes à organização, envolvendo seus empregados nas decisões que
afetam o processo de melhorias.

É necessária a utilização de técnicas de programação dos projetos (tais como a gestão de


projetos, construção assistida por computador) em cada projeto a fim de otimizar os tempos
relacionados as atividades e assegurar o contínuo desempenho das tarefas, reduzindo a
ociosidade da força de trabalho ao mínimo. É importante, para cada empresa contratante,

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aprovar a gestão de medidas motivacionais para o pessoal a fim de estimulá-los e manter a


moral elevada desses.

As empresas contratantes devem realizar estudos de produtividade das atividades e


operações, tais como o estudo de fatores que afetam a produtividade do trabalho e a medição da
produtividade do trabalho, a fim de descrever as funções desempenhadas por cada indivíduo ou
grupo, para cada atividade ou serviço, e estabelecer áreas problemáticas, propondo formas de
melhorar a produtividade do trabalho.

As empresas contratantes devem ser também incentivadas a manter os dados históricos de


estudos da produtividade em projetos concluídos para melhorar a eficácia e precisão dos custos
estimativa de projetos futuros.

É necessário que se realizem cursos de formação e seminários nos temas que irão melhorar
a produtividade nos projetos de construção. O esforço de formação deve ser adaptado à
melhoria da capacidade de utilização de técnicas de programação projeto tais como o Microsoft
Project e Primavera. O esforço para a formação também deve ser adaptado para melhorar os
métodos de estudo das formas e melhora da produtividade da construção.

Existe uma necessidade de ampliação do número de escolas que ensinam negócios de


construção, tais como blocos trabalho, formwork, pintura, reboco, canalizações, etc., para
melhora das habilidades e competências dos profissionais atuando em projetos de construção.
Mais esforços devem ser feitos pelas empresas para a transferência de tecnologias e
benchmarking cedidas por outros países.

Nahm, Vonderembse e Koufteros (2003) estabelece um referencial que examina as relações


entre o desempenho da planta e das práticas de manufatura às diferentes dimensões estruturais
(número de elementos nas camadas hierárquicas, nível de integração horizontal, “locus da
tomada de decisão”, grau de formalização e nível de comunicação).

No desenvolvimento da pesquisa foi aplicado um questionário a 224 empresas americanas


de manufatura de quatro tipos de indústria: "Fabricação de produtos metálicos"; “Máquinas e
equipamentos"; "Produtos eletro-eletrônicos”; e, “Equipamentos de transporte”. Apenas

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empresas com número de empregados igual ou superior a 100 foram incluídas na pesquisa

Foi avaliada a influência dos níveis organizacionais e de comunicação no desempenho da


organização e os resultados indicaram uma correlação positiva forte entre a estrutura
organizacional e o desempenho operacional da planta.

O aporte teórico desse estudo é fundamentado em textos sobre estrutura organizacional,


economia industrial e estatística. Este fato leva a uma visão mais abrangente e integrada do
problema estudado, o que resulta em induziu a um questionário muito bem construído e que
articula os diferentes aspectos envolvidos na temática estudada. Estes aspectos imputam
robustez e confiança aos resultados e ãs conclusões apresentadas.

É importante registrar que as empresas pesquisadas são empresas de manufatura - que tem
características próprias que diferem daquelas presentes no contexto de empresas atuantes em
EPC. Esse fato não é um ponto fraco da pesquisa, mas um fator limitante da aderência da
mesma ao âmbito do presente projeto.

Apesar desse fato, um estudo aprofundado do artigo permitiu extrair conceitos importantes
que influenciaram a elaboração do instrumento de pesquisa proposto para o projeto.

Larson e Gobeli (1989) investiga a percepção dos membros do PMI (Canadá e Estados
Unidos) a respeito da influência da estrutura organizacional sobre o sucesso do gerenciamento
do projeto. A pesquisa utilizou um questionário, que foi submetido a membros, escolhidos
aleatoriamente, filiados aos capítulos PMI no Canadá e dos Estados Unidos, correspondendo a
uma população com 5.000 elementos. Foram obtidos 547 formulários respondidos, o que
equivale a uma taxa de respostas em torno de 64% da população. Os dados obtidos foram
compilados e tratados com base em método de estatístico de análise multivariada.

A construção do questionário baseou-se em uma abrangente revisão bibliográfica. É


importante registrar que o questionário foi previamente testado em um piloto, com grupo com
oito especialistas. Observa-se ainda, na construção do questionário a adoção de uma escala
baseada em (Likert 1932), para captar o grau de concordância dos respondentes, com respeito
aos aspectos investigados no questionário.

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As questões investigadas foram agrupadas segundo quatro diferentes aspectos:


• Estrutura organizacional do projeto
o Funcional (“functional organization”);
o Matricial funcional (“functional matrix”);
o Matricial balanceada (“balanced matrix”);
o Matricial por projeto (“project matrix”); e,
o Times de projeto (“team project”).
• Sucesso do projeto:
o Atendimento aos prazos;
o Controle de custos;
o Desempenho técnico; e,
o Desempenho geral.
• Fatores contextuais:
o Clareza da definição do objetivo e escopo do projeto;
o Suficiência de recursos;
o Complexidade do projeto;
o Grau de inovação tecnológica do projeto; e,
o Prioridade do projeto.

Os resultados indicaram relação significativa entre a estrutura organizacional adotada no


projeto e o sucesso do mesmo. Especificamente, os resultados indicaram que a amostra
pesquisada percebia que:
• A estrutura de times/equipes de projeto produz melhores resultados no que refere aos
custos do projeto;
• A estrutura organizacional do tipo matriz balanceada induz melhores resultados no
aspecto prazo.

Os seguintes aspectos destacam a contribuição positiva deste trabalho:


• A amostra pesquisada é representativa de profissionais experientes no tema
gerenciamento de projetos.
• A revisão de conceitos adotada para a construção do questionário induziu a construção
de um questionário bem fundamentado.
• A adoção de uma escala apropriada (escala de Likert) leva a uma maior confiança nos
resultados obtidos.
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• Apresenta conclusões relevantes e originais.

Hsieh (1997) examina os impactos oriundos da adoção de técnicas de pré-fabricação no


âmbito da construção. Especial atenção é dada aos impactos originados pela adoção de práticas
de sub-contratação.

Inicialmente o artigo revisa as práticas de sub-contratação adotadas na indústria de


construção e, então, desenvolve um modelo para as relações contrantante-sub-contratada. O
modelo construído é usado para explorar as implicações econômicas no contexto da prática da
sub-contratação. Posteriormente, discutem-se os impactos desse tipo de prática na estrutura de
distribuição/compartilhamento de custos e de riscos em construções pré-fabricadas.

A principal conclusão do artigo é de que o emprego de sistemas verticalizados de produção


ou a incorporação da sub-contratada à organização tem um impacto econômico mais positivo
para o contratante do que a práticas usuais de sub-contratação, no ambiente de construções pré-
fabricadas.

Essa conclusão estabelece uma importante polêmica, visto que, em diversos setores de
produção há a crença de que a empresa deve se concentrar em seu negócio central (core
business). Essa crença se deve ao fato de que as empresas não conseguem eficiência máxima ao
longo de toda a cadeia produtivas do produto, sendo recomendada a terceirização ou sub-
contratação em, segmentos da cadeia onde hajam empresas mais eficientes atuando. Ou seja: a
prática da subcontratação implicaria em redução do custo final do produto com
acompanhamento de um ganho de qualidade – originado pelos ganhos decorrentes do
aprendizado.

A conclusão do autor é muito bem argumentada e destaca aspectos particulares da sub-


contratação no âmbito de construções pré-fabricadas, como por exemplo, a redução do espaço
físico do canteiro. Assim, um outro aspecto relevante da pesquisa é a importância do tema, a
qual é amplificada pela crescente redução de espaço físico para a construção de canteiros no
entorno da obra no recorte geográfico (Taiwan) pesquisado.

A modelagem matemática é robusta e fundamentada em métodos de pesquisa operacional


(programação matemática). Um aspecto que merece ser destacado é de que a aplicação do

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modelo é experimentada em apenas dois casos. O que reduz a confiança na abrangência dos
resultados.

Ressalta-se ainda que, se por um lado o uso de métodos de pesquisa operacional dá maior
robustez a modelagem, esse fato pode dificultar a compreensão e o entendimento para um
profissional que seja leigo nesse tipo de modelagem.

Mesmo o autor não destacando esse aspecto, com base nos conceitos de microeconomia é
possível associar o aumento dos custos gerais do contratante no âmbito da sub-contratação em
construções pré-fabricadas está associado aos custos de transação e de controle das sub-
contratadas.

Embora o mercado da construção investigado seja um mercado particular (Taiwan), esse


artigo levanta aspectos que devem ser explorados na pesquisa a ser efetuada. Em especial esse
tema é relevante devido a crescente adoção de sub-contratação no âmbito da construção de
plataformas marítimas de exploração e produção de petróleo – as quais são, em grande parte,
pré-fabricadas em canteiros de sub-contratadas.

(Karim 2006) explora as relações entre modularidade organizacional e as mudanças da


estruturas organizacionais devido a rearranjos organizacionais, os quais podem ser externos ou
internos. A reconfiguração das unidades organizacionais considera a criação, fusão,
incorporação e extinção de unidades, implicando em alterações nas atribuições das unidades
organizacionais da empresas.

Mais especificmente, esse estudo compara as reconfigurações das unidades internas àquelas
oriundas das unidades adquiridas, explorando o tipo de combinação e interação ocorrida. O
aporte teórico desse estudo é fundamentado em textos sobre capacidade dinâmica, estruturas
organizacionais modulares e estratégia organizacional e industrial.

Os resultados indicam as diferença de resultados entre situações em que as unidades


absorvidas pertenciam a mesma organização e quando as unidades pertenciam ao organizações
diferentes.

O tratamento dos dados é feito de forma apurada e cuidadosa, baseado em conceitos

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estatísticos. O aporte teórico desse estudo é fundamentado em textos sobre capacidade


dinâmica, estruturas organizacionais modulares e estratégia organizacional – aspectos relevantes
no contexto da competição industrial.

Um outro aspecto a ser considerado é que os dados da amostra extraídos de anuários e


referem-se a empresas americanas e não americanas atuantes na área de saúde, com
características próprias que diferem daquelas presentes no contexto de empresas atuantes em
EPC. Em função desse aspecto um cuidado adicional precisou ser tomado na analogia dos
resultados ao contexto de EPC, o que reduziu a influência dos resultados do artigo na elaboração
do instrumento de pesquisa proposto para o projeto.

Este artigo foi ajustado de modo a analisar como as empresa perseguem a mudança
estrutural modular com a reconfiguração de unidades de negócios adquiridas e internamente
desenvolvidas. Este estudo teve três objetivos: explorar os diferentes processos, adotados pela
organização e implantados em suas unidades internas no que diz respeito à reconfiguração, a
fim de avaliar os efeitos dos mesmos em outras organizações e se os formulários do
recombinação modular eram comuns, e para explorar o benefício percebido com a
reconfiguração estudando tentativas do recombinação das empresa (ou falta de) antes do
aplicação das mudanças.

Configurações desta pesquisa em cima de nossa compreensão de potencialidades dinâmicas,


de sistemas modulares, e da interação da estratégia e da estrutura em diversas maneiras.

Este estudo destaca que as estruturas das empresas são dinâmicas e constantemente em
desenvolvimento, face à natureza experimental da mudança estrutural e do fato que as unidades
podem ser reconfiguradas muitas vezes.

Koskela e Ballard (2006) explora a possibilidade de se subordinar os conceitos usualmente


empregados no contexto do gerenciamento de projetos (que formam a base do PMBOK) aos
princípios da produção enxuta.

Mais especificamente, este texto apresenta uma análise crítica dos princípios tradicionais de
gerenciamento de projetos e estabelece um quadro comparativo entre as possibilidades de
aplicação das abordagens baseadas em valores econômicos e as abordagens baseadas em

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sistemas de produção fabris.

Segundo esse texto, é consenso entre os autores da área de construção enxuta de que a teoria
e a prática do gerenciamento de projetos não consideram, quando lidando com os conceitos e
princípios econômicos, conceitos e princípios usualmente aplicados no contexto do
planejamento e controle da produção em ambientes fabris. Segundo essa visão, esse fato traz
consequências negativas, pois induz um controle pobre, que acarreta em perda de credibilidade
e desalinhamento entre Engenharia, Suprimento e Construção (coincidentemente, o tripé do
EPC), reduzindo o valor agregado ao produto entregue e aumentando o desperdício.

Os autores do texto afirmam que existe uma crescente concordância no âmbito da


comunidade atuante em construção de que os problemas citados acima podem ser reduzidos se
houver uma maior integração entre os conceitos de produção fabril (mais especificamente da
produção enxuta) ao gerenciamento de projetos. Ou seja: se forem adotados os princípios de
“construção enxuta”.

Como pontos portes deste trabalho, destacam-se que o mesmo estabelece uma contribuição
significativa ao estabelecer um referencial para aplicação dos conceitos de sistemas de produção
fabris, baseados em princípios de produção enxuta, ao contexto de gerenciamento de projetos.
Referencial este que descreve com o proceder para aplicar os conceitos de lean production ao
gerenciamento de projetos e como a aplicação desses conceitos pode se traduzir em ganhos,
principalmente financeiros. Assim, as proposições apresentadas podem vir a contribuir
significativamente as empresas atuantes no âmbito do EPC

Apesar das críticas e ressalvas apresentadas a essa proposta em texto de Winch (2006). A
leitura desse trabalho contribuiu significativamente para a elaboração do instrumento de coleta
de dados proposto para o presente projeto.

Newcombe (1996) investiga os contraste das manifestações de liderança ocorridas em


sistemas que adotam os sistemas tradicionais de gestão da manufatura e aquelas ocorridas em
sistemas que adotam as práticas específicas de gerenciamento de projetos de construção.
A definição de liderança adotada na pesquisa considera os seguintes características
manifestadas pelo líder no ambiente de trabalho:
• capacidade de convencimento

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• consecução dos objetivos.


• habilidade para seleção de elementos de equipes
• capacidade de controle
• imparcialidade na solução de conflitos

Os resultados da pesquisa indicam que a segunda forma de gestão abordada (gerenciamento


de equipes de projetos de construção) a liderança se manifesta de forma menos autoritária e de
forma mais corporativa.

Winch (2006) apresenta um debate teórico que contesta o emprego da teoria da produção,
mais especificamente a aplicação dos conceitos de produção enxuta, ao contexto do
gerenciamento de projetos. Mais especificamente, o artigo busca responder as críticas colocadas
por Koskela e Ballard (2006) referentes aos resultados negativos oriundos do emprego da teoria
de projetos proposta pelo PMI PMBOK e da abordagem econômica do gerenciamento de
projetos apresentada em textos anteriores escritos pelo próprio Winch.

Como método de pesquisa, Winch (2006) adota a discussão crítica das bases conceitual,
teórica e prática da aplicação das diferentes teorias investigadas: produção enxuta, conceitos do
PMI , análise econômica e projetos.

Após profunda revisão dos conceitos da produção enxuta, o artigo identifica os aspectos
mais críticos do emprego da construção enxuta no âmbito de projetos de construção, concluindo
que a construção enxuta possui limitações que demandam novos desenvolvimentos antes de sua
direta aplicação ao gerenciamento de projetos. Segundo o texto os aspectos mais críticos a essa
adaptação estão associados:
• A definição do processo
• Ao conceito de organização
• Aos riscos e incertezas envolvidas.

Este artigo estabelece um importante referencial teórico quanto aos conceitos estudados
oferecendo uma crítica substancial das diferentes “escolas” de gerenciamento da
produção,contrastando, de forma consistente e com boa fundamentação teórica, importantes
teorias de produção no contexto da construção. É importante registrar que este texto é fruto de
um acúmulo de conhecimento desenvolvido e acumulado sobre o tema gerenciamento de
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projetos – o que pode ser comprovado pela vasta bibliografia ofertada pelo autor no contexto
desse tema.

Este artigo também carece de aplicações e levantamentos empíricos de dados que


possibilitem uma maior compreensão dos graus de facilidade e de dificuldade associadas a cada
uma das abordagens teóricas investigadas.

A discussão apresentada nesse artigo, somada a discussão apresentada Koskela e Ballard


(2006) apresenta um arcabouço que contribui para a elaboração do instrumento de coleta de
dados que está sendo proposto.

Essa discussão “coroa” um conjunto de discussões que vem sendo ofertada por Koskela e
Ballard (2006) e por Winch (2006) em correntes de pensamento divergentes – que contribuem
significativamente ao entendimento do problema e formação de uma importante base de
conhecimento.

Silvestre e Dalcol (2006) apresenta uma abordagem sobre de organização da produção,


através da análise de aglomerações industriais com conteúdo tecnológico significativo, atuantes
na área de petróleo e gás, na região da Bacia de Campos/RJ. Com base nesta abordagem, este
texto desenvolve um modelo híbrido para a análise de aglomerações, utilizando as vertentes de
sistemas setoriais e tecnológicos de inovação, buscando os aspectos relacionados ao
desenvolvimento de capacitações tecnológicas, mudanças tecnológicas e inovações.

Mais especificamente, o estudo foi desenvolvido em bases teóricas, tendo como base central
os conceitos de aglomerados (clusters) e de sistemas de inovação setoriais e tecnológicos. Na
visão dos autores deste artigo, estes fato de possuírem esses uma maior correlação com
aglomerações industriais e por apresentar retrospecto recente de dinamismo e consolidação.
Para tal, empregou uma revisão bibliográfica anexa ao artigo, destacando modelo como o
proposto, testado em aglomeração industrial de petróleo e gás na região da Bacia de Campos,
esse com resultados promissores (SILVESTRE, 2006).

A origem desse processo de abordagem baseou-se nos conceitos de Marshall (1920), que
pressupões que todas as empresas localizadas dentro de um aglomerado industrial aproveitam
das vantagens ofertadas e do sinergismo das estratégias. É relevante registrar que o estudo de

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aspectos referentes aos aglomerados têm originado na literatura mais recente os conceitos de
distritos industriais, milieus, clusters, arranjos produtivos locais (APL), sistemas produtivos de
inovação local (SPIL) dentre outros.

Em outra avaliação que serviu como base para o estabelecimento do modelo reportado em
Silvestre e Dalcol (2007), empregou-se conceito estabelecido por Albu (1997), no qual os
clusters podem ser conceituados, além do aspecto da aglomeração física, por sua especialização
produtiva e pela existência de uma rede de relacionamentos entre firmas, que podem ser de
natureza mais ou menos complexa e, conseqüentemente, mais ou menos dinâmica e geradora de
vantagens competitivas para as mesmas.

Este artigo destaca que a abordagem de aglomerados baseados em Sistemas Setoriais de


Inovação complementa a abordagem dos sistemas de inovação (local, regional e nacional) e dos
sistemas tecnológicos. Essa abordagem foca a inovação em um setor específico, ou seja,
concentrado dentro dos limites setoriais, através de uma visão multidimensional, integrada e
dinâmica dos setores a fim de analisar a inovação. Segundo os autores do artigo, essa
abordagem pode ser afetada por 3 fatores básicos:
• Conhecimento e tecnologia – base particular de conhecimento, tecnologias e
insumos do setor;
• Atores e redes – são organizações ou indivíduos
• Instituições – as quais possuem normas, rotinas, hábitos comuns, leis, e outros
fatores mais, diferentemente da noção intuitiva em relação ao termo.

Os autores destacam que, tão importante quanto a existência de um sistema de


conhecimento robusto é a capacidade de absorção desse conhecimento pelas empresas
envolvidas no processo. A abordagem de cluster é geralmente empregada em um contexto que
apresenta algumas características específicas, encontradas basicamente em aglomerados de
produção e de transformação de produtos manufaturados.

O modelo proposto foi aplicado com sucesso, segundo os autores, em estudo empírico
realizado na aglomeração industrial de petróleo e gás da região produtora da Bacia de Campos,
gerando resultados promissores no entendimento dos aspectos já citados (SILVESTRE, 2006)

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As premissas de que os clusters agregam vantagens para as empresas consorciadas ou


grupadas têm sido mais observadas em países intensamente inovadores do Hemisfério Norte,
havendo carência de pesquisas que validem estes ganhos em outras regiões e setores de
produção. Há evidências empíricas que apontam para o fato de que a atividade econômica
agrupada geograficamente de um setor particular, este fato não indica, necessariamente, que
haja vantagem competitiva para empresas ali localizadas em todos os aspectos inerentes ao
conceito de competitividade. Esse grupo de pesquisadores destaca que os resultados para o
poder de competição das organizações podem variar, de acordo com o tipo de aglomeração que
se forma, pos há clusters não-dinâmicos, não-maduros, estáticos, em declínio, atrasados, entre
outros (MASKELL e MALMBERG, 2002; MARTIN e SUNLEY, 2001; BEAUDY e
BRESCHI, 2003; BATISTA e SWANN, 1998; BOSCHMA, 2004).

Mesmo considerando estas limitações as pesquisas cobre clusters, o presete texto destaca
que na revisão ampliada sore este tema, identificou-se um núcleo comum de vantagens
competitivas que parecem estar fortemente vinculadas a formação de aglomerados, tais como a
redução de custos de transporte e disponibilidade de mão de obra qualificada.

A abordagem de cluster é geralmente utilizada em um contexto que apresenta algumas


características específicas: estrutura do setor focada em atividades de manufatura, produção,
aspectos industriais e conexões baseadas em fluxos de bens e serviços. Tais características são
encontradas basicamente em aglomerados de produção/transformação de produtos
manufaturados.

Alguns exemplos são, entre outros, os setores de calçados, cerâmica de revestimento,


tijolos, móveis, vinho, etc (SCHMITZ e NADVI, 1999; BELL e ALBU, 1999; GIULIANI,
2004). Por esta razão, pode-se afirmar que, na análise de clusters, o setor econômico em que
este está inserido é relevante, ou seja, deve ser considerado obrigatoriamente na análise. Nesse
caso, se o setor deve ser levado em conta, a diferença entre os setores pode representar uma
importante característica a ser ressaltada em análises e, principalmente, comparações entre
clusters industriais (PAVITT, 1984). Nessa situação, em aglomerações industriais de setores
tecnologicamente dinâmicos, a abordagem de cluster pode apresentar algumas limitações.

Por esse motivo, da abordagem de sistemas de inovação, utiliza-se o elemento global (sem
fronteiras geográficas definidas) e sistêmico. O termo ‘sistêmico’ introduz a diversidade de

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atores e a complexidade das relações e conexões como duas das principais características.
‘Diversidade de atores’ no sentido de analisar cuidadosamente, não somente as firmas, mas
também o papel das diversas organizações que contribuem para o desenvolvimento das
atividades do aglomerado (instituições de apoio), tais como: universidades, institutos de
pesquisa, organizações reguladoras, organizações públicas, organizações de financiamento, etc.
‘Complexidade das relações e conexões’ no sentido de dar ênfase às relações e conexões intra-
aglomerado (entre firmas ou entre firmas e organizações de apoio dentro do próprio
aglomerado) e extra-aglomerado (entre firmas ou organizações situadas dentro do aglomerado
com firmas ou organizações situadas fora do aglomerado – cross-bounderies).

Em que pese a incapacidade das abordagens existentes na literatura de apresentar, de forma


isolada, uma estrutura analítica que satisfaça estudos em aglomerações industriais
tecnologicamente dinâmicas, o Modelo Híbrido proposto pode ser ampliado e testado em outras
aglomerações para lhe conferir validade podendo se transformar em uma ferramenta mais
completa e um arcabouço teórico interessante para se entender as relações entre aspectos
complexos como territorialidade, aprendizagem organizacional, capacitações tecnológicas,
mudanças tecnológicas e inovações.

O referido Modelo foi aplicado com sucesso em estudo empírico realizado na aglomeração
industrial de petróleo e gás da região produtora da Bacia de Campos gerando resultados
promissores no entendimento dos aspectos supracitados (SILVESTRE, 2006).

No entanto, algumas limitações e dificuldades do estudo devem ser ressaltadas. Algumas


delas são relativas ao arcabouço teórico utilizado e outras, relativas ao estudo empírico.

O tema tratado é recente e bastante dinâmico, com grande número de pesquisadores


envolvidos. No entanto, essa dinâmica gera grande multiplicidade de nomenclaturas e conceitos,
que, no fundo significam o mesmo tipo de estrutura ou estruturas bem próximas que emperram
o desenvolvimento teórico e metodológico dos estudos na área.

No estudo empírico realizado, apesar das empresas estarem aglomeradas em um mesmo


espaço geográfico e possuírem, grosso modo, a mesma especialização produtiva, apresentam
outras características que diferem fortemente dos clusters tradicionais. O fato de haver jazidas
de recursos naturais (petróleo e gás) abundantes na Bacia de Campos faz com que haja uma

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ausência de aspectos relacionados à cultura e tradição da região na atividade de E&P de petróleo


e gás.

O foco do estudo empírico está limitado à absorção de conhecimento tecnológico, para


implementar as mudanças tecnológicas, por meio das conexões de conhecimento e das posturas
tecnológicas das firmas. No entanto, sabe-se que existem outras formas de absorver
conhecimento tecnológico, tais como: treinamento dos empregados, mobilidade da mão de obra,
pesquisa e desenvolvimento dentro da firma (desenvolvimento endógeno), e outras, mas que
não estão no foco central do estudo.

O acesso às firmas, como geralmente acontece, foi outra dificuldade encontrada ao longo do
trabalho. A conciliação entre o tempo para elaboração do estudo e a disponibilidade limitada nas
agendas dos executivos nem sempre é um problema simples de solucionar. Além disso, aspectos
como concorrência, segredo industrial e pesquisa para inovação fazem com que os assuntos
abordados neste trabalho não estejam na lista de preferência dos executivos para serem
revelados a pessoas de fora da firma.

Finalmente, como sugestão para trabalhos futuros pode-se destacar:

O aprimoramento e a consolidação do Modelo Híbrido, com a inserção de outras


abordagens pertinentes (redes de firmas, ou outras);
A aplicação da metodologia em outras aglomerações industriais, relacionadas a outras
províncias petrolíferas;
A aplicação da metodologia analítica em outros setores econômicos, como o de energia
elétrica, automobilístico, aeronáutico, entre outros.

Nicoluci et al. (2007) trabalho discute a importância do aperfeiçoamento das diversas


vertentes de conceitos associados à eficiência técnica e alocativa de empresas e produtos,
considerando-se a competitividade como a agregação desses recursos desse conjunto de fatores,
determinantes para o empreendimento, formulação e desenvolvimento de estratégias
concorrenciais, que possibilitam a ampliação ou conservação, de forma duradoura de uma
posição sustentável no mercado.

Para tal, discutem-se as bases teóricas da organização industrial na formação da

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competitividade, como forte fator para ganhos de concorrência e seus impactos na decisão de
novos empreendimentos, detalhando-se:

• a dinâmica concorrêncial;
• a impossibilidade do cálculo probabilístico mediante incertezas;
• o modelo estrutura, conduta, desempenho;
• barreiras à entrada;
• teoria do mercado contestável; diversificação; abordagens organizacional e institucional
da empresa;
• a formação da competitividade mediante constituição de redes de empresas ou sistemas
industriais de MPMEs como estratégias para a formação da eficiência coletiva e geração
competitiva.

O método de construção da pesquisa baseou-se na análise bibliográfica de uma série de


autores que analisam os aspectos de competitividade entre as empresas através da dinâmica de
clusters, desempenhos (performances) econômicos e outros fatores mais, dentre os quais as
demandas induzidas pelos consumidores e os aspectos relacionados à regulação pelo próprio
mercado consumidor.
O texto conclui que o processo de concorrência impõe determinadas condicionantes à
tomada de decisões, destacando que o consumidor não é soberano em suas decisões. O artigo
ressalta que as decisões das empresas algumas vezes ocorrem num mercado de incerteza, onde
se tem que comprar, investir, aprimorar a mão-de-obra etc. As empresas concorrem entre si
obedecendo ao padrão de concorrência de seu setor, expresso em preço, diferenciação,
assistência às vendas e distribuição, o qual pode estar próximo, distante ou diferente do padrão
setorial. Nas análises de competitividade das empresas deve-se levar em consideração o padrão
de concorrência do setor. As questões relativas a desempenho têm que ser criadas,
considerando-se a estrutura setorial, caráter sistêmico (dentre eles o custo Brasil, para o caso do
mercado brasileiro), mudanças cambiais, alterações na carga tributária, mudanças na legislação
pertinente, e outros fatores que têm potencial para alterar as condições de concorrência entre as
empresas, independentemente dos níveis de especialização de cada uma.

Apesar das variáveis relacionadas à estrutura ao comportamento do mercado impactarem e


serem impactadas pela conduta das empresas, este fato não é trabalhando em profundidade na
pesquisa. O presente texto adiciona a discussão estabelecida pela referência citada o destaque
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para o fato de que o desempenho das empresas depende também da sua conduta, a qual
influencia e é influenciada pela estrutura do mercado e alicerçada por: política de preços,
práticas cooperativas entre empresas, estratégias adotadas, investimento em P&D - inovação.
Ou seja: a conduta organizacional pode afetar resultado como: lucro; eficiência alocativa;
decisão de colocar os produtos no mercado. Se as empresas planejam adequadamente suas
estratégias e ações têm melhores condições de competitividade, ou seja, as ações dependem
mais das próprias empresas do que dos concorrentes ou do mercado regulador.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A revisão bibliográfica permitiu estabeleceu um referencial de aspectos que devem ser


investigado na pesquisa de campo. Estes aspectos estão assinalados tanto a variáveis internas a
organização quanto a aspectos externos. Dentre os principais aspectos a serem investigados,
destacam-se aqui:

a. práticas de produção enxuta.


b. práticas de produção verde.
c. práticas de integração da produção, desde o planejamento ao até o controle.
d. uso de sistemas computacionais
e. integração com fornecedores.
f. integração com clientes.
g. formação de redes de cooperação.
g. sistemas de qualificação seleção e treinamento.
h. tipos de estruturas organizacionais.
i. estruturas de movimentação e a arranjo físico.
j. formas de contratação.
k. relacionamento organizacional e sistemas de liderança.
l. tratamento da informação.

Estes aspectos são aspectos de “primeiro” nível, que podem e devem ser desmembrados
para uma análise mais aprofundada do sistema de produção;

Observa-se ainda que a disciplina de Organização da Produção é uma daquelas que

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permeiam todo o processo de desenvolvimento de empreendimentos, desde à sua concepção


básica até à entrega do produto final, que pode ser uma construção industrial ou residencial, a
montagem de algum equipamento, desde um simples skid até um módulo ou jaqueta de
plataforma de petróleo, ou a instalação de empreendimentos, isso porque seus conceitos estão
muito relacionados e podem causar impactos de custos e de produtividade com as demais
disciplinas.

Por exemplo, pode ser abrigada nesta disciplina a questão da organização do canteiro de
obras, da mesma forma que os processos de compras e de fornecimento de insumos para o
projeto. Por sua vez, a questão da organização do canteiro de obras pode abranger não só o
layout dos prédios como também o posicionamento dos equipamentos e instalações,
espaçamentos entre projetos, movimentação de materiais, áreas para a preservação e montagem
de instalações e outras mais.

Muito se tem discutido hoje sobre questões referentes a processos ou mecanismos de


terceirização de mão-de-obra, de produção ou outros, incluindo clusters, pré-fabricação ou pré-
montagem, modularização e outros. Algumas dessas propostas quase sempre visam à agilização
dos processos construtivos, e, por conseguinte, ao aumento da produtividade, motivadas, sob
certas circunstâncias, até mesmo pela exigüidade do canteiro de obras, ou a condições de acesso
dos insumos, ou à falta de uma infra-estrutura viária e de suprimentos no entorno do
empreendimento.

Neste texto integrador fizemos uma compilação dos principais aspectos relativos a essas
questões que envolvem a Organização da Produção. Para tal, definimos alguns critérios de
apresentação, como a seguir:

• Fatores que afetam a produtividade;


• Fatores críticos do sucesso ou fracasso;
• Impactos das mudanças;
• Arranjos produtivos / Modularização;
• Utilização de critérios econômicos/produção;
• Gerenciamento de projetos.

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