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ESCOLA POLITÉCNICA

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Madeira

PCC-5726 – PRINCÍPIOS DA CIÊNCIA DOS MATERIAIS APLICADOS AOS


MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

AUTORES:

Eudir Alves Affonso

Marco Aurélio Lima Barbosa

Rolando Ramirez Vilató

São Paulo

1999
2

RESUMO
O presente trabalho é um levantamento bibliográfico que tem como objetivo, a partir
das características anatômicas das espécies mais comumente utilizadas na Industria da
Construção Civil, e de uma descrição da estrutura microscópica da madeira, bem como
da definição das principais propriedades mecânicas e físicas do material, estabelecer
uma associação entre a microestrutura e o comportamento mecânico.

Visando este objetivo, são desenvolvidos uma série de temas específicos que
compreendem uma descrição das diferentes formas de classificação das madeiras que se
utilizam na construção; as características anatômicas principais das espécies
normalmente empregadas, a composição química da madeira, e alguns dos modelos
teóricos definidos por vários pesquisadores para avaliar as propriedades mecânicas deste
material para, finalmente, relacionar as principais propriedades que caracterizam o
comportamento mecânico e a relação que se dá entre estas propriedades e a
microestrutura do material.

Este trabalho procura, a partir de um único documento, dar uma idéia dos diferentes
aspectos que devem ser considerados quando se aborda o estudo de um material de
comportamento tão complexo como a madeira.
3

SUMÁRIO
Resumo.................................................................................................................. 2

1.Introdução.......................................................................................................... 5

2. Classificação geral das madeiras utilizadas na construção......................... 6

2.1.Gimnospermas.................................................................................................. 6

2.2.Angiospermas................................................................................................... 7

3. Fisiologia e crescimento da árvore.................................................................. 7

4. Anatomia do tecido lenhoso............................................................................. 10

4.1. Anatomia das madeiras macias....................................................................... 12

4.2. Anatomia das madeiras duras.......................................................................... 13

5. Composição química......................................................................................... 20

5.1.Celulose............................................................................................................ 20

5.2.Hemicelulose.................................................................................................... 21

5.3.Lignina.............................................................................................................. 21

6.Microestrutura................................................................................................... 22

6.1. Modelos para a determinação de módulos de deformação.............................. 26

7. Propriedades da madeira................................................................................. 30

7.1. Características físicas....................................................................................... 30

7.1.1.Umidade......................................................................................................... 30

7.1.2.Retratibilidade............................................................................................... 31

7.1.3.Densidade...................................................................................................... 35

7.2. Características mecânicas................................................................................ 36

7.2.1. Resistência à compressão............................................................................. 36

7.2.2. Resistência à tração....................................................................................... 42

7.2.3. Resistência à flexão............................................................................... 44


4

7.2.4. Resistência ao cisalhamento......................................................................... 48

7.2.5. Fadiga........................................................................................................... 48

7.3. Durabilidade.................................................................................................... 48

7.3.1. Resistência aos agentes biológicos............................................................... 48

7.3.2. Resistência química...................................................................................... 49

7.3.3. Resistência ao fogo....................................................................................... 50

8. Conclusões......................................................................................................... 51

Bibliografia 53
5

1. Introdução

Apesar do longo período de utilização da madeira, só na primeira metade do Século


XX foram estabelecidas teorias técnicas aplicadas a este material. Após a II Guerra
Mundial, as pesquisas associadas à madeira como material de construção tiveram
grande incremento, dispondo-se hoje de uma caracterização bem aprofundada deste
material. Esta caracterização tem permitido o aprimoramento dos métodos para o
projeto das mais variadas formas estruturais e o desenvolvimento de toda uma gama de
novos produtos de construção derivados da madeira.

Na atual situação do desenvolvimento Industrial, a maior parte da madeira


consumida na fabricação de chapas de madeira aglomerada, de chapas de fibras de
madeira ou na fabricação de celulose e papel é proveniente de árvores de espécies
selecionadas, plantadas com a finalidade de atender a esta utilização específica, num
prazo determinado, geralmente compreendido entre quatro e oito anos de idade da
árvore.

Para a utilização da madeira em forma de estacas, postes e dormentes vem sendo


plantado em grande quantidade o Eucalipto Citriodora (Eucalyptus citriodora, Hook).
As árvores devem atingir de 15 a 30 anos de idade, tendo havido desbastes periódicos
para eliminar as defeituosas ou raquíticas, dando melhores condições para o crescimento
das restantes.

Para a produção de madeira serrada, mesmo entre as espécies mais promissoras e


com a melhor técnica silvicultural, dificilmente a árvore com menos de 30 anos de idade
poderá produzir boas peças de madeira para estruturas. O Eucalipto Citriodora e o
Eucalipto Tereticornis (Eucalyptus tereticornis), têm qualidades amplamente
satisfatórias para emprego estrutural.

No Brasil a utilização dos Eucaliptos Saligna, Grandis, Alba, Maideni, Robusta e


outros na fabricação de papel e de chapas de fibras de madeira éxplica o grande
desenvolvimento dado ao reflorestamento com estas espécies. Para papel vem tendo
grande aceitação também a madeira de Pinus Mondurensis, Pinus Taeda e outros já
industrializados no pais.

O presente trabalho é um levantamento bibliográfico que tem como objetivo, a partir


das características anatômicas das espécies mais comumente utilizadas na Industria da
6

Construção Civil, e de uma descrição da estrutura microscópica da madeira, bem como


da definição das principais propriedades mecânicas e físicas do material, estabelecer
uma associação entre a microestrutura e o comportamento mecânico.

2. Classificação geral das madeiras utilizadas na construção

Segundo Pfeil (1994), as árvores são classificadas na 13a divisão da Classificação de


Engler, as Fanerogamas. São plantas superiores, de elevada complexidade anatômica e
fisiológica. As Fanerogamas se subdividem em Gimnospermas e Angiospermas e tanto
umas como outras têm aplicação na Industria da Construção Civil. Cada grupo é
representado por árvores que botanicamente são bastante diferentes.

Ao grupo das árvores angiospermas pertencem as chamadas madeiras duras (“hard


woods”), enquanto que ao grupo das gymnospermas estão associadas as madeiras
macias (“soft woods”). A diferença fundamental entre estes grupos consiste em que as
angiospermas produzem as sementes dentro de “ovários”, e as gymnospermas produzem
sementes que carecem de camada de cobertura.

As madeiras duras são provenientes de árvores frondosas, com folhas achatadas e


largas. Estas são de crescimento lento e geralmente perdem suas folhas no outono.

As madeiras macias são provenientes das árvores coníferas, com folhas em forma de
agulhas ou escamas e sementes agrupadas em forma de cones. Estas são de crescimento
rápido e mantém suas folhas verdes todo o ano (“evergreens”).

2.1. Gimnospermas

São conhecidas 400 espécies de Coníferas. Constituem praticamente sozinhas,


principalmente no hemisfério norte, grandes florestas e fornecem madeiras das mais
empregadas na indústria a na construção civil. Na América do Sul há uma conífera
típica o “Pinho do Paraná” (Araucaria angustifolia). Situa-se no Brasil uma boa parte da
zona de crescimento desta araucária, nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul, daí o nome popular da espécie: Pinho do Paraná.

Pode-se destacar entre as coníferas: o Pinho Bravo ou Pinheirinho (Podocarpus sp),


Cipreste (Cupressus sp), a Sequoia Gigante (Sequoia Washingtoniana).
7

2.2. Angiospermas

As angiospermas são as plantas mais completas e organizadas. Aparecem em


períodos posteriores da formação geológica, principalmente nos Períodos Cretácio e
Terciário. As Angiospermas podem ser Monocotiledôneas ou Dicotiledôneas.

Entre as dicotiledôneas, encontram-se as árvores de folhas comuns, largas,


geralmente caducas. É extraordinariamente grande o número de espécies existentes
principalmente na zona tropical.

Algumas das madeiras duras mais comuns no Brasil são: a aroeira, o combaru, a
maçaranduba, os ipês, o pau d'arco, as cabriuvas, o guarantã, a sucupira, o pau marfim,
as perobas, a caviúna, o faveiro, os Jacarandás, a taiuva, o louro, as canelas, as imbuias,
o freijó, o cedro, o mogno, o Jequitibá, o guapuruvu, etc.

Entre as monocotiledôneas não há árvores propriamente ditas, mas encontram-se as


palmas e as gramíneas. Muitas palmas têm grande utilidade pelos seus frutos. Algumas
têm troncos longos, muito pesados e difíceis de trabalhar, mas às vezes são utilizados na
construção civil. Não têm boa durabilidade, mas resolvem o problema de utilização
temporária nos escoramentos e nos cimbramentos.

O bambu é classificado entre as gramíneas, não é madeira no sentido usual da


palavra, mas tendo em vista a sua boa resistência mecânica associada à sua baixa
densidade, presta-se para as construções leves, típicas de moradias do oriente.

Além das diferenças na aparência externa das árvores, entre as madeiras duras e
macias existem outras diferenças estruturais ou morfológicas, tais como o tipo de célula,
seu número relativo, e seu arranjo. Nos seguintes itens serão abordadas estas diferenças
baseando-se na caracterização da macro e microestrutura de ambos grupos.

3. Fisiologia e crescimento da árvore

Para entender a natureza anisotrópica da madeira é conveniente conhecer a fisiologia


e o crescimento da árvore.

A árvore cresce inicialmente segundo a direção vertical. Cada ano há um novo


crescimento vertical e a formação de camadas sucessivas que vão se sobrepondo ano
após ano ao redor das camadas mais antigas.
8

Em corte transversal (Fig. 1), estas camadas de crescimento aparecem como anéis de
crescimento. Examinando-se um corte transversal de um tronco de árvore pode-se
reconhecer com facilidade partes de sua estrutura macroscópica.

Medula Casca

Raios medulares
Alburno ou Branco

Câmbio ou Liber

Anéis de crescimento Cerne ou Durâmen

superfície transversal

superfície tangencial
superfície radial

Figura 1. Seção transversal de um tronco e superfícies principais.

A medula resulta do crescimento vertical, é a madeira geralmente mais fraca ou


defeituosa. O conjunto dos anéis de crescimento constitui o lenho. O lenho apresenta-se
recoberto por um tecido especial: a casca da árvore e entre a casca e o lenho existe uma
camada extremamente delgada, aparentemente fluida, mas constituída por elementos
monocelulares dificilmente visíveis, mesmo ao microscópio, o câmbio, a parte
propriamente viva da árvore.

Do câmbio se originam os elementos anatômicos que vão constituir o lenho e a


casca. O exame cuidadoso dos elementos constituintes do lenho e da casca revela ser
característica importante dos mesmos serem constituídos por um sistema capilar
orientado segundo a direção do eixo da árvore. De fato, a solução diluída de sais
minerais, a seiva bruta, retirada do solo através das raízes e radículas sobe pela camada
periférica do lenho, o alburno, até as folhas.

A seiva bruta, nas folhas, é transformada juntamente com gás carbônico do ar sob a
ação da clorofila e da luz solar, em seiva elaborada. Esta desce pela parte interna da
casca, designada como floema ou camada liberiana, até as raízes e radículas,
9

promovendo a alimentação das células vivas do câmbio. Assim permitindo o


crescimento e multiplicação das mesmas (Fig. 2).

gás carbônico

glucose raios ultravioletas


luz solar
calor

oxigênio casca
seiva seiva
cambio
bruta elaborada
alburno
cerne

oxigênio
água
sais minerais

Figura 2. O processo de formação da madeira.

Parte da seiva elaborada é conduzida radialmente até o centro da árvore através dos
raios medulares. As substâncias não utilizadas pelas células como alimento são
lentamente armazenadas no lenho, tendem a se polimerizar formando lignina, resinas,
substâncias oleosas, corantes, taninos, etc., endurecendo e escurecendo o lenho. A parte
do lenho modificada por essas substâncias é designada como cerne. É geralmente mais
densa, menos permeável a líquidos e gases, mais resistente ao ataque de fungos
apodrecedores e de insetos e tem maior resistência mecânica. Em contraposição, o
alburno constituído pelo conjunto das camadas externas, mais novas, necessariamente
permeável a líquidos e gases, menos denso, está mais sujeito ao ataque de fungos
apodrecedores e insetos e tem menor resistência mecânica.

Por sua própria natureza, o alburno tem melhores condições para impregnação com
resinas ou adesivos sintéticos, quando se deseja melhorar as características físicas e
mecânicas da madeira, com preservativos quando se deseja melhorar a resistência da
10

madeira ao ataque de fungos e insetos, e com ignífugos quando se deseja retardar a ação
do fogo sobre a madeira.

As camadas do lenho não se desenvolvem uniformemente durante o ano. Na


primavera e no verão formam-se células maiores, mas com paredes finas, “spring
wood”. No outono e no inverno formam-se células menores, mas apresentando paredes
mais espessas, “summer wood”. Nos climas gelados não há formação de madeira nos
períodos mais frios, daí a designação de “spring wood” e de “summer wood”.

O crescimento diferenciado pelas estações permite a distinção entre as camadas de


crescimento anual, sendo possível avaliar a idade da árvore abatida através dos seus
anéis de crescimento (ver Fig. 1).

4. Anatomia do tecido lenhoso

A madeira é constituída principalmente por células de forma alongada apresentando


vazio interno, mas, tendo tamanhos e formas variadas, de acordo com sua função e com
a classificação botânica da árvore. Na continuação são descritas as características gerais
destas células tomando como referência os comentários feitos por Hellmeister, 1983.

Isolando-se as células, observam-se quatro tipos principais: traqueides, vasos, fibras


e raios medulares.

As coníferas são constituídas principalmente por traqueides e raios medulares. As


dicotiledôneas são constituídas principalmente por fibras, vasos e raios medulares.

Os traqueides e os vasos medulares destinam-se à condução da seiva bruta, dão


resistência e rigidez à madeira. Nas dicotiledôneas as fibras são responsáveis pela maior
parte da resistência e da rigidez da madeira. Os raios medulares destinam-se ao
transporte radial de seiva elaborada e ao armazenamento de matérias orgânicas não
utilizadas na formação das células.

➢ Traqueides

São células alongadas, fechadas e pontiagudas. Entre traqueides adjacentes formam-


se válvulas especiais que regulam a passagem da seiva de uma célula para a seguinte.
Estas válvulas são designadas como pontuação aureolada (“bordered pits”, Fig. 3), e sua
localização vai depender da espécie.
11

a)

b) c)

Figura 3. Pontuações aureoladas. a) no extremo da célula; b) e c) nas paredes laterais


(Haygreen et al., 1989).

➢ Vasos

São constituídos por células alongadas, fechadas no início de sua formação,


ocorrendo no seu estado final de formação a dissolução das paredes transversais
adjacentes. Podem ser simples ou múltiplos, têm diâmetros de 0,02 até 0,50 mm.

➢ Fibras

São células longas, de paredes grossas, apresentam pequeno vazio conhecido como
lúmen, afinam-se nas pontas, constituem a maior parte da madeira das dicotiledôneas,
têm comprimento de 0,5 a 1,5 mm.

➢ Raios Medulares

São constituídos por células curtas, de paredes finas. Ligam-se aos vasos e traqueides
por pontuações simples (“pit”). As células dos raios medulares contém protoplasma,
núcleo, substâncias de nutrição, de reserva, tanino e resinas.

Os tipos de células relacionadas, e as características gerais descritas apresentam-se


com certas particularidades segundo o grupo de madeiras de que se trate. São estas
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particularidades as que permitem identificar as diferentes espécies e as que determinam


propriedades físicas e mecânicas diferentes para cada uma destas espécies. Seguindo os
comentários de Haygreen et al. (1989), na continuação são destacadas algumas destas
particularidades para os dois grandes grupos que estão sendo caracterizados, as
madeiras duras e as macias.

4.1. Anatomia das madeiras macias

As madeiras macias tem sido tradicionalmente utilizadas na industria dos produtos da


madeira. Esta preferencia tem estado condicionada por características tais como a
homogeneidade, a verticalidade das fibras, e a leveza destas madeiras. Por causa de suas
longas fibras, as madeiras macias são também utilizadas na fabricação de papel
resistente.

O cerne das madeiras macias é bastante simples. Muitas espécies têm no mais que
quatro ou cinco classes diferentes de células. Por causa desta simplicidade e
uniformidade de estrutura, as madeiras macias tendem a serem similares na sua
aparência.

A grande maioria do volume das madeiras macias, 90-95 %, é composta de células


longas e esbeltas chamadas de traqueides longitudinais. Tais células são orientadas
paralelas ao eixo longitudinal. As traqueides longitudinais têm um cumprimento ao
redor de 100 vezes maior que o seu diâmetro e são de seção transversal retangular. Os
traqueides também têm seu centro vazio (lúmen) e são fechados nos extremos. Os
traqueides são muito pequenos, tendo uns 25-45 µm de diâmetro e 3-4 mm de
cumprimento.

Em algumas espécies os traqueides longitudinais são a única classe de célula


longitudinal presente, no entanto, em muitas espécies apresentam-se também o parenque
longitudinal e o epitelium.

O parenque representa uma pequena porção do volume de algumas madeiras macias,


1 ou 2 %, e é composto de células orientadas longitudinalmente. Quando maduras, estas
células têm a mesma forma geral dos traqueides longitudinais.

O epitelium são estruturas de canais de resina encontradas em certas espécies de


madeiras macias. Estes canais de resina são um espaço intercelular rodeado de células
13

de parenque que segregam resina dentro do canal. Esta resina joga um importante papel
na cura de danos causados ao tecido e na resistência ao ataque de insetos.

Uma característica das madeiras macias é a presença de estreitos raios no sentido


radial (Fig. 4, a)). Estes raios podem ter de uma a muitas células na sua altura e,
usualmente, só uma célula de largura. Individualmente o raio pode ser composto
inteiramente de parenque, ou traqueides, ou por uma combinação de ambos (Fig. 4, b)).

a)

b)

raio uniseriado raio fusiforme

Figura 4. Os raios em madeiras macias. a) orientação geral, b) tipos de raios,


(Haygreen et al., 1989).

4.2. Anatomia das madeiras duras

A madeira das madeiras duras é muito diferente da produzida nas madeiras macias.
Enquanto as madeiras macias têm um arranjo uniforme de uns poucos tipos de células e
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por tanto sua aparência não é facilmente distinguível, as madeiras duras são compostas
por uma ampla variedade de classes de células, tendo freqüentemente uma configuração
única. Por causa de esta aparência única de muitas espécies, as madeiras duras são
amplamente utilizadas na fabricação de moveis, paneis, e outros propósitos decorativos.

Se comparada a anatomia das madeiras duras e macias, podem-se estabelecer as


seguintes diferenças básicas:

1- Nas madeiras macias as células longitudinais (traqueides), constituem o 90-95 %


do volume, as células radiais (traqueides e/ou parenque) completam o volume
restante do cerne. Embora alguns outros tipos de células podem-se apresentar,
estas constituem uma parte insignificante do volume. As madeiras duras são
compostas de ao menos quatro grandes classes de células, cada uma das quais
pode constituir 15 % ou mais do volume do cerne (Tabela 1).

2- Somente a madeira dura contém uma estrutura composta de elementos de vaso.


Os vasos são células em forma de conduto que representam um volume
significativo de muitas madeiras duras e raramente aparecem no cerne das
madeiras macias.

3- A largura de alguns raios das madeiras duras contrasta com a uniformidade de


raios estreitos das madeiras macias. Exceto os raios fusiformes (ver Fig. 4, b)), os
raios das madeiras macias têm uma célula, ou ocasionalmente duas, de largura
quando visualizados tangencialmente. No seu conjunto, as células radiais
constituem ao redor de 5-7 % do volume das madeiras macias. Os raios das
madeiras duras podem ter de 1 a 30 células de largura, segundo a espécie. Por sua
vez, estes raios podem constituir mais do 30 % do volume do cerne das madeiras
duras, a média seria ao redor do 17 %.

4- Enquanto as madeiras macias são caracterizadas por filas radiais que são retas,
um arranjo deste tipo não pode ser achado nas madeiras duras. Nestas últimas
normalmente tem-se a distorção da orientação radial pela presença na vizinhança
de grandes elementos de vaso.

É importante destacar que na comparação entre as madeiras duras e macias não se


faz referencia alguma à dureza da madeira produzida. Muitas árvores de madeiras
15

macias produzem madeira mais dura e densa que a madeira produzida por árvores de
madeiras duras.

Tabela 1. Proporção de células das madeiras duras (Haygreen et al., 1989).

Tipo de célula Proporção do volume de cerne ocupado


por cada tipo de célula (%)

traqueides 15-60

elementos de vaso 20-60

parenque longitudinal 0-24

raios parenque 5-30

Da mesma maneira que nas madeiras macias, as células que conformam as madeiras
duras têm uma serie de características morfológicas particulares:

➢ Elementos de vaso

Várias diferenças existem entre as madeiras duras e macias, mas a principal diferença
anatômica é que a madeira dura contém os elementos de vaso. Este tipo de célula é
encontrado em praticamente todas as madeiras duras.

Os elementos de vaso são geralmente muito maiores em diâmetro que outros tipos de
células longitudinais e de menor cumprimento. O menor cumprimento explica-se pelo
fato de que eles normalmente não crescem em longitude durante o processo de
maturidade. Normalmente, os elementos de vasos se ligam uns a outros nos extremos ao
longo da fibra para formar uma estrutura em forma de tubo conhecida como vaso. Por
outro lado, os vasos freqüentemente aparecem vinculados a fibras traqueides, parenque
longitudinal e radial, ou outras classes de células.

Por causa do seu grande diâmetro, os vasos freqüentemente aparecem como furos
quando vistos em seção transversal, o qual leva a que sejam comumente chamados de
poros. Ambas características, o tamanho e o arranjo dos poros são utilizados para
identificar as diferentes espécies dentro das madeiras duras.
16

➢ Fibras

O termo de fibra é freqüentemente usado para referir-se a toda célula de madeira


isolada. No entanto, no contexto da morfologia da madeira, este termo refere-se a um
tipo especifico de célula. As fibras, ou fibras traqueides como seriam mais propriamente
chamadas, são longas, vão diminuindo sua seção transversal, e usualmente são as
células de paredes mais densas do cerne das madeiras duras. Embora as similitudes com
os traqueides longitudinais das madeiras macias existem algumas diferenças.

Nas madeiras duras as fibras são muito mais curtas que os traqueides das madeiras
macias. Enquanto nas madeiras macias o traqueide tem uma média de 3-4 mm de
comprimento, as fibras das madeiras duras têm um comprimento médio menor que 1
mm. Uma outra diferença é que as fibras das madeiras duras têm uma seção transversal
que tende a ser redonda, em contraste com a seção retangular dos traqueides das
madeiras macias. As fibras têm, aliás, paredes muito mais densas que os traqueides das
madeiras macias.

Os traqueides longitudinais das madeiras macias servem como principal avenida de


condução, e, além disso, têm a total responsabilidade pela resistência da madeira da qual
fazem parte. A alta proporção de traqueides com paredes finas está invariavelmente
relacionada à baixa resistência. Esta situação é algo diferente nas madeiras duras, onde
dois tipos de células longitudinais: fibras e elementos de vaso são comuns. Nestas
últimas tem-se alias o fato de que a condução ocorre através de vasos especializados
deixando às fibras de paredes densas a função primaria da resistência mecânica.

A densidade, e por tanto resistência, das madeiras duras está geralmente relacionada
à porção do volume de madeira ocupado pelas fibras em relação ao volume ocupado
pelos vasos. Uma regra geral seria que quanto maior é a proporção de fibras, maior é a
resistência.

➢ Parenque longitudinal

As células parenque são unidades de estocagem com paredes finas. Nas madeiras
duras tais células apresentam-se em formas longas, com seções transversais menores
nos extremos, curtas. Enquanto o parenque longitudinal é relativamente raro nas
madeiras macias (não mais que 1-2 % do volume), a formação de parenque longitudinal
17

é bastante significativa nas madeiras duras, particularmente em espécies tropicais onde


pode chegar a mais do 50 %.

Nas madeiras duras o parenque longitudinal é comumente arranjado dentro de


padrões únicos e definitivos que são facilmente visíveis numa seção transversal. Já que
tanto a proporção como a disposição do parenque longitudinal são geneticamente
reproduzidos, este tipo de célula é freqüentemente utilizado para a identificação das
madeiras duras.

Na Figura 5 são apresentados alguns dos padrões já estabelecidos para a definição


dos diferentes tipos de parenque das madeiras duras, o reconhecimento destas
configurações fazem parte do processo de identificação de uma determinada espécie
dentro deste grupo.

difuso difuso em agregado faixas

paratraqueal paratraqueal vasicêntrico


escaso unilateral

aliforme aliforme confluente faixas confluente

inicial terminal

Figura 5. Configurações do parenque para as madeiras duras (Haygreen et al., 1983).

➢ Tipos de células radiais

As madeiras duras caracterizam-se por ter raios muito longos que se apresentam com
diferentes padrões nos planos tangencial e radial, esta característica adiciona valor
18

estético à madeira. Embora todas as células radiais são do tipo parenque, têm-se
diferentes tipos. As diferenças consistem na forma e configuração.

As células parenque no sentido radial têm seção transversal quase quadrada, quando
visualizadas radialmente. Em algumas espécies estas células se apresentam com suas
extremidades levantadas na direção do eixo longitudinal da árvore, ficando na mesma
direção das fibras verticais. Esta última característica também viabiliza a identificação
das espécies.

Na Figura 6 são apresentados alguns exemplos diversidade de estrutura anatômica


que podem ter espécies das madeiras duras, a partir da configuração morfológica que se
apresenta nas três superfícies principais, seções transversais e tangenciais.

Figura 6 a). Cortes transversais com 10x e 50x, e tangencial com 50x, do cedro.

Figura 6, b). Cortes transversais com 10x e 50x, e tangencial com 50x, do Ipê-Pardo.
19

Figura 6, c). Cortes transversais com 10x e 50x, e tangencial com 50x, da Peroba.

As seções de outras madeiras brasileiras, não representadas na Figura 6, podem-se


achar nos catálogos já publicados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT, 1983,
1987). Nestes catálogos são também especificadas as propriedades físicas e mecânicas
de cada espécie.

Uma vez caracterizada a anatomia dos dois grandes grupos de madeiras aqui
considerados, passa-se a uma análise mais detalhada em que será abordadas a
composição química e a estrutura microscópica da madeira.
20

5. Composição Química

A madeira é um material muito heterogêneo, o que faz com que sua anatomia,
propriedades físicas e composição química variem muito. Assim a madeira das árvores
coníferas (madeira macia), difere quimicamente da madeira das árvores angiospermas
(madeira dura).

A madeira é um material composto por três principais polímeros: Celulose, hemi–


celulose, e lignina, que são respectivamente o esqueleto, a matriz e as incrustações.
Estes polímeros aparecem na madeira com a seguinte composição média:

Polímero % em massa na madeira

Celulose 50

Hemi-celulose 25

Lignina 25

Estas porcentagens são aproximadas, pois desconsideram as variações que há em


função do tipo de árvore, e não quantificam a presença, de água e outros gases presentes
na madeira.

5.1. Celulose

Tem a forma de fibras, estrutura cristalina e sua cadeia molecular que é longa
(10.000 meros) e linear, inclui átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio. Sob
condições naturais, as cadeias moleculares são todas paralelas e unidas com fortes
ligações covalentes do átomo de hidrogênio em uma direção e fracas ligações em outra
direção, ambas transversais.

A intensa natureza cristalina da celulose, é responsável pela sua resistência e


tenacidade, o que faz da mesma um excelente material para estruturas. Devido à forte
ligação intermolecular do hidrogênio, e apesar da presença de muitos grupos de
hidróxidos polarizados, a celulose é praticamente insolúvel em água e solventes
orgânicos comuns, o que faz dela um elemento bastante estável. A extração da celulose
tem muitas aplicações comerciais como na produção do papel ,algodão etc. (Fig. 7).
21

Figura 7. Estrutura da celulose.

5.2. Hemi-celulose

Sua cadeia molecular é linear e formada de carbohidratos, com grau de


polimerização bem menor que o da celulose, apresentando de 100 à 200 meros, ou seja
apresenta cadeia molecular de tamanho moderado. Embora apresente algum grau de
orientação, a semi-celulose tem características menos cristalinas que a celulose, e sua
extração da madeira resulta em pouca utilização comercial (Fig. 8).

Figura 8. Estrutura da Hemi-celulose.

5.3. Lignina

É um polímero tridimensional, que se encrusta no espaço intercelular. Sua função é


promover a adesão das células e promover a resistência de suas paredes. Cerca de dois
terços das ligações entre as unidades da lignina são do tipo carbono–oxigênio e o
restante do tipo carbono–carbono. É o único componente químico da madeira que
absorve os raios ultravioleta, sendo parcialmente responsável pela resistência à
compressão da madeira além de oferecer certa proteção contra o ataque de micro–
22

organismos. Embora sua extração origine certos produtos químicos importantes como o
lignosulfonato, sua aplicação comercial é bastante limitada (Fig. 9).

Figura 9. Estrutura da Lignina.

Do ponto de vista de elementos químicos a madeira é composta


basicamente por oxigênio, hidrogênio e carbono. Há também a presença
discreta de nitrogênio .

6. Micro-estrutura

A micro–estrutura da madeira é analisada como sendo composta basicamente pela


celulose, hemicelulose, e lignina.

O desenho seguinte, Fig. 10, mostra esquematicamente a unidade de um cubo


imaginário de dimensões 12nm x 43nm da fibra da madeira. Seis microfibras são
mostradas com seções transversais de 10nm x 3,5nm. A microfibra é um polímero
cristalino denominado celulose que pode apresentar defeitos. Estes defeitos podem
aparecer em forma de ligações alteradas ou substituições de monomero de origem
diferente da glicose.

A Fig. 10 mostra também pequenas cadeiras de Hemicelulose entre as microfibras. A


semi–celulose também apresenta algum grau de orientação, mas tem bem menos
cristalinidade que a celulose. Outras substâncias como a lignina, água e ar ocupam o
espaço restante do volume de dimensões 12nm x 43nm.
23

43

12 10 X 3,5

Hemicelulo Micro-fibra

Lignina

Figura 10. Célula unitária da madeira.

A célula unitária da madeira pode ser descrita como um composto fibroso. Nesta
célula as microfibras atuam como sendo a estrutura da mesma e as demais substâncias
como matrizes desta estrutura.

Um arranjo cristalino de celulose na microfibra é mostrado na Fig. 11. O número


total de cadeias da celulose que passam através de uma dada seção transversal da
microfibra varia de acordo com o tamanho da microfibra, mas é sempre maior que 20
unidades.

Em outra figura é mostrado um pequeno sistema composto por cinco cadeias de


celulose, com visualização ao longo de seu eixo longitudinal. A célula unitária, que não
deve ser confundida com a célula da madeira é monoclínica ( a # b # C, α = β = 90° e ϒ
# 90°). A célula unitária tem dimensões a= 0,778nm, b= 0,820mm e c= 1,034nm com ϒ
= 96,5°.

De todas as propriedades de um material de estrutura sólida, geralmente a mais


importante é a constante de elasticidade. Na celulose estas constantes elásticas podem
ser determinadas com base no conhecimento da estrutura cristalina, energia do
alongamento das ligações e a mudança dos ângulos destas ligações na estrutura.
24

Figura 11. Projeção em duas direções da célula unitária da celulose.

Especificamente a soma da energia associada com a deformação em cada angulo e


comprimento das ligações dentro da célula unitária é equivalente à energia elástica de
deformação total da própria célula unitária.

Esta célula é submetida a uma mudança de comprimento na direção do eixo da


cadeia, tal que o comprimento da célula unitária c=1,034nm experimenta um
incremento dl e sendo K a constante elástica na direção deste deslocamento teríamos a
energia W na deformação desta célula unitária como sendo W = ½ k (dl)2.

Na Tabela 2 são apresentados alguns módulos de elasticidade para a celulose. Nesta


tabela utiliza-se a seguinte nomenclatura: E –módulo de Young, G –módulo de
cisalhamento (rigidez), V – módulo de Poisson.
25

Tabela 2. Valores de módulos de elasticidade para a celulose.

Constante elástica Valor (GPa)

E11 16,4

E22 25,2

E33 246,4

G12 2,58

G23 0,240

G31 0,173

V12 -0,141

V21 -0,0921

V32 33,6

V23 3,44

V31 41

V13 2,74

Fora a microfibra, composta pela celulose , as demais substâncias, das quais se


destacam a semi–celulose e a lignina formam a chamada matriz que é amostra. Por este
motivo há uma variação no modelo de elasticidade de ponto à ponto.

Entretanto para garantir uma simplificação, a matriz, em termos globais é


considerada isotrópica. Assim um único valor de modulo de elasticidade é determinado
para cada condição física: alta rigidez, rigidez média e alta deformação.

Situação E (GPa) G (GPa) m

Alta rigidez 7,0 2,7 0,30

Média rigidez 1,8 0,7 0,30

Alta deformação 0,2 0,08 0,30


26

6.1. Modelos para a determinação de módulos de deformação

 Mark

Para facilitar a compreensão do comportamento de uma célula unitária da estrutura


cristalina da celulose, o pesquisador Mark (1967), desenvolveu um modelo baseado
num material fictício com estrutura contínua que deformasse de maneira similar à da
estrutura cristalina. A rigidez de varias ligações químicas, por exemplo, C–C, C–O e
ligações do hidrogênio, combinadas com informações da geometria do cristal foram
usadas para calcular as constantes elásticas equivalentes.

Na direção paralela à cadeia molecular da celulose, o módulo de elasticidade El, teve


seu valor apurado como sendo um pouco inferior a 134 GPa.

Mark considerou cada camada de células como sendo um filamento composto por
uma estrutura e uma matriz, calculando as propriedades elásticas, de cada camada de
acordo com sua composição. O seu modelo tem a característica de uma célula com
desenvolvimento espiral com tramos formados por: M denominada Lamela
intermediária, isto é região intercelular; P que é a parede primária, isto é o revestimento
externo que tem uma distribuição aleatória das micro-fibras; S1, S2 e S3 que são
camadas seqüenciais da parede secundária e que tem micro-fibras com orientação
definida (Fig. 12). O propósito deste modelo foi o de calcular as tensões internas na
célula para encontrar regiões nas quais a fibra está preste a romper. Os testes
demonstraram que a ruptura à tensão de cisalhamento, ocorre no tramo S1, quando a
carga é de tração.

Figura 12. Modelo de Mark (1967).


27

 Cave

Cave (1968) relacionou os módulos de elasticidade na direção do eixo longitudinal,


como sendo função do angulo da micro–fibra. A camada de fibras adjacentes tem o
mesmo angulo, porem com inclinação oposta, o que provoca a rotação da célula, quando
há um esforço de tração na direção do eixo longitudinal. Para efeito de cálculo apenas o
tramo S2 é considerado, por ser o mais espesso e por isto domina o comportamento da
célula.

 Schiniewind

Schiniewind e Banet (1969), desenvolveram um modelo para célula baseado num


laminado balanceado. A célula da madeira é considerada como sendo um tubo de
paredes finas, sujeita a uma força ao longo do eixo da célula. Esta parede pode ser
rompida na direção de um segmento infinitesimal retangular aproximadamente plano.

Cada segmento é estratificado com materiais ortotrópicos tendo direções principais


inclinadas para representar as camadas S1, S2, S3 e MP, cada camada impõe resistência
ao cizaliamento, Fig. 13.

Figura 13. Modelo de Schiniewind (1969).

 Outros modelos

Tang (1972), desenvolveu um modelo tridimensional da fibra da madeira. Esta fibra


foi idealizada para ser um cilindro laminado com cada camada (S1, S2, S3 e MTP)
possuindo uma anisotropia cilíndrica. Tang escolheu adaptar tensões normais e de
28

cisalhamento através das interfaces de camadas. Com estas condições de contorno ele
encontrou altas tensões tangenciais na camada S3.

Em 1973, Tang e Hsu, estudaram a influencia dos componentes da camada na


distribuição de tensões na fibra, e concluíram que na microestrutura o espaçamento
entre micro fibras é muito importante com respeito à propriedade elástica da célula.

Ainda em 1973 Banett e Schimid usaram uma aproximação da teoria dos elementos
feitos para estudar as tensões na célula da madeira.

Os modelos usados para explorara a ligação entre a estrutura e as propriedades


mecânicas da madeira, em qualquer escala dimensional, definitivamente refletem o
comportamento mecânico.

Em 1987, Archer desenvolveu a idéia de uma macro deformação para representar a


evolução da tensão. Neste modelo a substância da madeira é decomposta no interior de
um cilindro oco, a fibra tanto quanto na superfície externa, do cilindro, é usada para
representar o tronco da árvore em crescimento.

A tensão residual baseada neste modelo mostra que a eficiência mecânica da célula é
otimizada quando o angulo da microfibra da camada S2 está entre 26 e 42° (Fig. 14).
Esta camada é a que maior quantidade de celulose e por tanto comanda as propriedades
mecânicas das células da madeira, Fig. 15.

S1

ML

Figura 14. Célula unitária da madeira.


29

ligni
Hemicelulo

celulo

Figura 15. Distribuição dos compostos da parede secundaria.


30

7. Propriedades da Madeira

7.1. Características Físicas

7.1.1. Umidade

A parede da célula da madeira é altamente higroscópica porque seu principal


constituinte a celulose contém numerosos grupos hidroxil que são fortemente
hidrofílicos, e quando em presença de umidade, a parede absorve grande quantidade de
água e expande.

A árvore enquanto viva e logo após o corte possui elevado teor de umidade, mas,
uma vez cortada, tende a perdê-la. Essa perda se dá no início rapidamente,
correspondendo à evaporação da água livre contida no interior dos vasos e traqueides; a
seguir evapora-se a água de impregnação, contida nas paredes dos vasos, fibras e
traqueides.

Após o corte, a umidade da madeira tende a um nível de equilíbrio com a umidade e


temperatura do ambiente em que se encontra (Fig. 16).

O teor de umidade correspondente ao mínimo de água livre e ao máximo de água de


impregnação é chamado de ponto de saturação. A perda de umidade até alcançar o
ponto de saturação se dá sem outras consequências. À partir, porém do ponto se
saturação, a perda de umidade é acompanhada de retração (redução de volume) e
aumento de resistência mecânica. A perda de umidade da madeira verde se dá
rápidamente no início, e à medida que se aproxima do ponto de saturação cada vez mais
lentamente.
31

Figura 16. Curvas de equilíbrio (Hellmeister, 1983).

7.1.2 Retratibilidade

As variações no grau de umidade da madeira com as condições atmosféricas


resultam em variações dimensionais tais como expansões e retrações.

A variação de dimensões por variação de umidade se dá diferentemente para as três


direções principais da madeira, a carretando também a retração ou expansão
volumétrica.

A retração axial (a) ocorre segundo a direção das fibras da madeira. A retração radial
(r) se dá segundo a direção dos raios de uma seção transversal do tronco da árvore. A
retração tangencial (t) se dá segundo a tangente aos anéis de crescimento, num plano
transversal ao eixo da arvore. A retração volumétrica, sendo o resultado das três
anteriores, é a maior de todas.
32

A retração e expansão são consideravelmente maiores na direção transversal (radial e


tangencial) do que na longitudinal (axial). A retração e expansão transversal é 10-15%,
enquanto na direção longitudinal é de 0,1%.

A Fig. 17 representa esquematicamente a retratibilidade média da madeira do


Combaru-Combarouna Allata.

Figura 17. Retratibilidade (Hellmeister, 1983).

A diferença entre as retrações axial, radial e tangencial explica a maior parte dos
defeitos que ocorrem durante a secagem da madeira, tais como as rachaduras e os
empenamentos.

Estes defeitos, principalmente os empenamentos, são muito ampliados quando


os vasos e fibras da madeira se apresentam retorcidos como ocorre por exemplo
com a Peroba-Rosa.

A Fig. 18 mostra a retração em um disco transversal de um tronco de Eucalipto


Punctata, evidenciando o efeito da diferença entre a retração tangencial e radial. O
disco não racharia se as retrações nas várias direções fossem iguais.
33

Figura 18. As variações dimensionais e os defeitos na madeira (Hellmeister,


1983).

A Fig. 19 mostra vários casos de distorções possíveis após a secagem conforme a


posiçao da extração da peça da tora original.

Figura 19. Distorção em várias seções transversais após a secagem, extraídas de


diferentes posições na tora (Hoyle et al., 1989).
34

As madeiras mais estáveis quanto às dimensões, rachaduras e empenamentos,


apresentam os menores valores para a retração e menores diferenças entre as retrações
radial e tangencial.

Madeiras comerciais deste tipo são o Cedro, o Mogno, etc.. Madeiras para
reflorestamento com estas características são o Combaru e o Eucalipto Citriodora.

Para eliminar parte dos efeitos negativos devido à anisotropia e às propriedades


higroscópicas da madeira foram desenvolvidos os compósitos (ou produtos) de madeira.
Um exemplo da minoração destes efeitos na fabricação destes compósitos pode ser
melhor compreendido pela observação das Figuras 20 e 21.

Figura 20. Efeito das higrotensões em laminados não balanceados: (a) duas lâminas
com 90ª de rotação, (b) três lâminas com duas lâminas adjacentes paralelas e a terceira
com 90ª de rotação, (c) três lâminas com a lâmina superior rotacionada de um ângulo θ,
e outras duas a 90º uma da outra (Bodig et al., 1993).
35

Figura 21. Construção de compensado balanceado: a) nº ímpar de lâminas, b) nº par


de lâminas (Bodig et al., 1993).

7.1.3. Densidade

A madeira não é um sólido contínuo, mas contém como já vimos, muitos vazios na
forma de vasos longitudinais chamados poros e também de fendas e fissuras que
ocorrem nas paredes da célula. A relação destes vazios com o volume total determina a
densidade da madeira bruta.

A densidade da substância madeira é aproximadamente constante, cerca de 1,560


g\cm3 em todas as espécies (Jastrzebsky, 1987). A densidade aparente, que é muito
menor e varia conforme a espécie. É a densidade que aparece doravante nas tabelas e
gráficos, embora sem a denominação aparente.

A densidade da madeira depende as espécie da madeira examinada, da árvore de


onde provém , da localização dos corpos de prova da tora, da umidade, etc., apesar
disto, o valor da densidade oscila em torno da média para a espécie.

A densidade das madeiras varia de 0.30 até 1,20 g/cm3.

O teor de umidade do corpo de prova influi decididamente em sua densidade, por isto
a determinação da densidade é feita utilizando-se o corpo de prova estabilizado ao ar.
Corrigem-se os resultados obtidos para densidade correspondente a 15% de umidade.

O diagrama mostrado na Fig. 22 mostra a relação entre a densidade e umidade.


36

Figura 22. Densidade versus umidade (Hellmeister, 1983).

7.2. Características Mecânicas

7.2.1. Resistência à compressão

A madeira sendo formada por sobreposição sucessiva de camadas de crescimento,


apresenta comportamento diferente para compressão paralela e para compressão normal
às fibras.

 Compressão paralela às fibras

Para a obtenção das tensões de compressão paralela às fibras, são feitos ensaios em
corpos de prova 6x6x18 cm de madeira “verde”, isto é, com umidade acima do ponto de
saturação. A tomada de deformações é feita na parte central do c.p. Nos topos dos cps,
havendo atrito dos pratos das máquinas de ensaio, tem-se o estado triplo de tensões. Por
isto, nas madeiras mais resistentes, a ruptura mais comum ocorre por cisalhamento
37

segundo planos a 45 º com os planos transversais e com os planos radiais da madeira


(Fig. 23).

Figura 23. Tipos de ruptura à compressão (Hellmeister, 1983).

As deformações ∆l, tomadas em relação ao vão l, são referidas a este mesmo vão,
obtendo-se assim as deformações específicas ou unitárias:

A tensão de compressão é calculada tomando-se a força de compressão P em kgf em


relação à área da seção transversal central do c.p..

S = a. a em cm2
P
σ = em kg 2
S cm
Nas Figuras 24 e 30 tem-se o andamento dos ensaios de compressão paralela às
fibras desde o início do carregamento até a ruptura. Trata-se de corpos de prova de
Combaru e Pinho do Paraná.
38

Figura 24. Ensaios de tração e compressão em c.p. de Combaru (Hellmeister, 1983).


39

No limite superior de validade da lei de Hooke tem-se a “tensão limite de


proporcionalidade”. Na ruptura tem-se a “tensão limite de resistência”. Associado à
inclinação da reta média que passa pela origem tem-se o módulo de elasticidade.

σ kg
E= em 2
ε cm
Segundo os métodos de ensaio, normalmente são ensaiados 12 corpos de prova por
tora estudada, para se obter a média das tabelas que, associadas aos coeficientes de
redução tem sido utilizadas para o dimensionamento de peças estruturais de madeira
submetidas à compressão simples nos pilares e colunas, e nas peças sujeitas à
compressão nas treliças e nas vigas de perfil transversal composto.

 Compressão normal às fibras

O ensaio de compressão normal às fibras é feito aplicando-se esforços de compressão


segundo plano tangencial aos anéis de crescimento (6 c.p.) e normal aos anéis de
crescimento (6 c.p.), tomando-se a média dos resultados seguindo-se a norma DIN-
52185.

Os corpos de prova (5x5x15 cm) ficam com uma face (5x15 cm) totalmente apoiada
e a oposta sob a ação da carga através de uma placa de 5cm de largura (Fig. 25).

Figura 25. Ensaio de compressão normal às fibras (Hellmeister, 1983).


40

As deformações ∆a são tomadas em relação à altura total do corpo de prova, tendo-se


as deformações unitárias:

∆a
ε=
a
a ≅ 5 cm
A deformação ∆a é lida em 0,01 mm.

A tensão de compressão é calculada tomando-se a força de compressão P, em kgf,


em relação à área de aplicação da placa de carga:

S = 5. b em cm2
P kgf
σ = em
S cm2
Nas Figuras 24 e 30 tem-se o andamento de ensaios de compressão normal às fibras.
Através do diagrama pode-se determinar a “tensão limite de proporcionalidade”. Não há
um limite de ruptura no ensaio de compressão normal às fibras.

Pode-se determinar o módulo de elasticidade:

σ kg
E= em 2
ε cm
Os dados destes ensaios podem servir de base para o estudo racional de dormentes de
estrada de ferro, para o dimensionamento de almofadas entre marteletes de forjarias e
suas fundações, etc.

 Influência da umidade na resistência à compressão paralela às fibras

Na Fig. 26 encontram-se os resultados de ensaios com o Eucalipto Puncata para


estudo da influência da variação da umidade na compressão paralela às fibras. O que se
passa com as outras madeiras é semelhante ao resultado aqui apresentado. Calcula-se a
partir deste diagrama o coeficiente de influência da umidade entre 10 e 20% de
umidade.
41

Figura 26. Resistência à compressão e a umidade (Hellmeister, 1983).

 Influência da densidade na resistência à compressão paralela às fibras

Dados obtidos para inúmeras madeiras já estudadas, permitem observar a relação que
existe entre densidade e resistência à compressão paralela às fibras para uma mesma
umidade 15 %.

Na Figura 27 estão alguns pontos referentes às madeiras mais comuns.


42

Figura 27. Resistência à compressão e a densidade (Hellmeister, 1983).

7.2.2. Resistência à tração

Estuda-se a resistência à tração exercida paralelamente às camadas de crescimento e


normalmente às mesmas.

Tração paralela às fibras

Os ensaios de tração paralela às fibras apresentam inúmeras dificuldades, sendo a


dificuldade mais séria, o fato de ser a resistência à tração a maior apresentada pelas
madeiras.

Tem-se geralmente a tensão de ruptura à tração paralela às fibras entre 1,3 a 3 vezes
a tensão de ruptura à compressão paralela às fibras:

1,3σ rc < σ rt < 3σ rc


σ rc = tensão de ruptura na compressão simples.
σ rt = tensão de ruptura na traç ão simples
43

Assim sendo, há necessidade de grande esforço para de tração para romper o corpo
de prova, gerando dificuldades adicionais para prender o corpo de prova durante o
ensaio em laboratório.

A Figura 28 mostra o formato do corpo de prova indicado pela DIN-52188. Esse


formato resultou de estudos cuidadosos de GRAF para os ensaios de tração paralela às
fibras. É evidente a dificuldade de se obter tão perfeita orientação das camadas de
crescimento ao longo do corpo de prova, mas essa orientação é condição indispensável
para se ter “tração paralela às fibras”.

Figura 28. Corpo de prova para ensaio de tração (Hellmeister, 1983).

O corpo de prova própriamente dito é a seção reduzida a x b=0,7 x 2,0 cm. Ao longo
da mesma num vão l tomam-se as deformações ∆l durante o ensaio. As Figuras 24 e 30
apresentam o andamento de ensaios de tração paralela às fibras, feitos de madeira
Combaru e Pinho do Paraná, respectivamente.

São calculados:

P
σ= em kgf cm2
S
∆l
ε=
l
σ
E= em kgf cm2
ε
44

Têm particular importância: a tensão limite de proporcionalidade e a tensão limite de


ruptura.

A aplicação da madeira trabalhando a tração simples é muito vantajosa, desde que se


utilizem dispositivos convenientes de fixação da peça sujeita à tração.

 Influência da umidade na resistência à tração paralela às fibras

A umidade afeta a resistência à tração para uma dada madeira. Kollman apresenta o
esquema dado na Fig. 29 como resultado de ensaios à tração utilizando corpos de prova
com diversos teores de umidade. Pode-se observar que a influênca da umidade na
resistência à tração paralela no intervalo de 10 a 30% é qualitativamente do mesmo tipo
da influência da umidade na compressão paralela às fibras.

Figura 29. A umidade e a resistência à tração (Hellmeister, 1983).

7.2.3. Resistência à flexão

Os ensaios de flexão são executados em corpos de prova 2x2x30 cm e em corpos de


prova 6x6x100 cm, com as camadas de crescimento paralelas a uma das faces, tendo as
extremidades simplesmente apoiadas, com aplicação do esforço estático, crescente, no
centro da viga (Fig. 30).

A Fig. 31 mostra as tensões produzidas em um ensaio à flexão.

O momento externo aplicado a uma seção da viga é equilibrado pelo momento


interno, resultante das reações internas de compressão na parte superior da viga e de
tração na parte inferior da mesma.
45

Para o centro da viga pode-se escrever:

M ext = M int
P. L
= z. Fc
4
Sendo:

P= a carga central;

L= o vão livre entre apoios;

z=a distâcia entre as resultantes;

Fc=a resultante de compressão.

Figura 30. Ensaio de flexão em Peroba-Rosa (Hellmeister, 1983).


46

Supondo a peça funcionando nos domínios de validade da Lei de Hooke e da


Hipótese de Navier, as tensôes e deformações são admitidas com comportamento linear
e pode-se escrever:

2 h 2h
z = 2. . =
3 2 3
1 h bhσ c
Fc = . . b.σ c =
2 2 4
Resulta pois:

PL 2. h bhσ c
= .
4 3 4
onde:
3 PL
σc =
2bh 2
em regime elástico, pode-se escrever:

σc =σt
Mas não podemos aplicar a expressão acima para esforços que ultrapassem a carga
limite de proporcionalidade da peça sujeita à flexão,visto que a tensão de ruptura
paralela às fibras é muito maior que a tensão de compressão paralela às fibras.

Figura 31. Tensões na flexão (Hellmeister, 1983).


47

É fácil verificar a coincidência dos valores da tensão de ruptura em ensaios de


compressão simples e da tensão limite de proporcionalidade da peça sujeita à flexão
(Fig. 32).

Figura 32. Tensões de flexão e de compressão (Hellmeister, 1983).

 Flexão dinâmica

Consiste em ensaios de flexão em corpos de prova 2x2x30 cm tendo as extremidades


simplesmente apoiadas, com aplicação de esforços com choque, no centro da peça.

A energia absorvida no choque é a necessária para romper o corpo de prova.


Encontram-se tabeladas as médias da energia absorvida (kgm) pelos corpos de prova
ensaiados para cada tora estudada.

É natural a indicação de madeiras de maior resistência ao choque para cabo de


ferramentas, batedeiras, etc.

A tora do eucalipto estudada no IPT em 1961-1962 apresenta o resultado mais alto já


obtido para a média desses ensaios: 9,2 kg.m de energia absorvida na ruptura por flexão
dinâmica.
48

7.2.4. Resistência ao cisalhamento

Os esforços cortantes agindo segundo planos normais às camadas de crescimento da


madeira não provocam cisalhameno própriamente dito, mas, esmagamento ou
dobramento das fibras e vasos. É o que se observa em ruptura “por cisalhamento” em
ensaios de compressão paralela às fibras e em ensaios de flexão.

Cisalhamento própriamente dito ocorre segundo planos paralelos às camadas de


crescimento.

7.2.5. Fadiga

Os ensaios de fadiga têm sido feitos em todo o mundo, cada vez com maior cuidado
e refinamentos.

Estudando madeiras nacionais para lançadeiras, foram feitos ensaios de compressão


paralelos às fibras, por choque repetido.

Na Fig. 33 apresentam-se resultados dos ensaios com 42 corpos de prova


1,16x1,16x10 cm de “Cornel” botânicamente chamado Cornus Florida, madeira
utilizada na fabricação de lançadeiras.

7.3. Durabilidade

7.3.1. Resistência aos agentes biológicos

A madeira está sujeita ao apodrecimento devido ao ataque de microorganismos como


os fungos, que crescem e se alimentam da substância da madeira em presença de ar e
umidade em temperaturas adequadas.

Quando totalmente imersa em água a madeira não apodrece devido à falta de ar.

A madeira também não apodrece, com algumas exceções, sob umidade menor do que
19%, visto que a quantidade de água ali presente não é suficiente para os
microorganismos crescerem.
49

Figura 33. Ensaios de fadiga em espécimes de CORNEL (Hellmeister, 1983).

Para prevenir o apodrecimento, a madeira é sujeita à uma variedade de tratamentos


químicos, que tem o propósito de proteger a madeira da degradação resultante da ação
dos fungos, insetos destruidores da madeira (termites), marine borers, descoloração,
fogo e interperismo.

Os preservativos químicos para a madeira pertencem à três grupos:

• Derivados do alcatrâo.
• Soluções salinas hidrosolúveis.
• Soluções químicas em óleos voláteis ou solventes orgânicos.

7.3.2. Resistência química

A madeira é resistente aos ácidos orgânicos comuns a temperaturas ambientes e a


moderadamente altas temperaturas. Os ácidos inorgânicos, exceto quando muito
diluídos, e soluções alcalinas atacam a madeira, particularmente em altas concentrações
50

e temperaturas elevadas. Todos oxidantes de sais, ácidos e álcalis rápidamente atacam a


substância da madeira.

7.3.3. Resistência ao fogo

A madeira assim como outros materiais orgânicos se decompõe sob o calor,


expelindo vapor d’água, gases inflamáveis e não inflamáveis, e fumaça.

A temperatura de ignição da madeira é de cerca de 200ºC (400ºF), mas mesmo antes


de alcançar esta temperatura a madeira escurece quando exposta por longos períodosna
faixa de 105-150 ºC (220-300 ºF). Este escurecimento é acompanhado por perda de
peso, retração e redução de resistência. Os fatores que afetam a temperatura de ignição
da madeira são condutibilidade térmica, grau de umidade, densidade e capacidade
calorífica.

É possível aumentar-se a resistência ao fogo pelo uso de retardadores que podem ser
incorporados à estrutura da madeira.
51

8. Conclusões

Com base nas morfologias das arvores, do conhecimento da microestrutura da


madeira e de suas propiedades mecânicas, podemos concluir que a madeira é um
material com grande anisotropia, e, portanto apresenta variações em suas propriedades
em função de mudanças na direção que se considera. Assim consideramos 3 (três)
direções principais: longitudinal (L) que é paralela ao eixo longitudinal do tronco da
árvore, tangencial (T) que tangência os círculos concêntricos da seção transversal do
tronco, e radial (R) que é radial em relação aos referidos círculos. Da análise de todas as
considerações feitas, derivam-se as seguintes conclusões:

 Quando considerada a resistência à tração, esta è muito anisotrópica e na direção


longitudinal ela assume valores muito altos em função de nesta direção estarem
dispostas as microfibras compostas por celulose que na sua longa cadeia
molecular apresenta fortes ligações covalentes. Nas outras direções estas ligações
são mais fracas.

 Quando considerada a resistência à compressão, esta possui valores de ruptura na


direção longitudinal bem inferiores aos da tração em função das microfibras ao
serem dobradas (na compressão) romperem com valores de tensão inferiores à
metade da tensão de ruptura à compressão teórica.

Nesta propriedade mecânica a anisotropia é mais discreta e depende da densidade


da madeira. Isto ocorre, pois na compressão perpendicular à fibra a ruptura ocorre
pelo esmagamento da célula que é enfraquecida pela porosidade, assim em
madeiras com maior densidade há menos poros e as paredes das células são mais
grossas o que faz com que a resistência nestas direções seja maior, diminuindo sua
diferença em relação à direção longitudinal, o que reduz a anisotropia.

 Quando considerada a resistência ao cisalhamento são considerados 3 (três) tipos


de cisalhamento: paralelo a fibra, perpendicular à fibra e cisalhamento devido à
torção.

O cisalhamento paralelo à fibra é facilitado pelo escorregamento de uma micro


fibra ao material que a envolve (hemicelolose), sendo bem inferior (1/3) ao
52

cisalhamento perpendicular à fibra, pois neste último a fibra estaria sujeita à


flexão, esforço para o qual ela possui boa capacidade de suporte. A menor
resistência ao cisalhamento é a devida aos esforços de torção, da ordem de 20%
do cisalhamento paralelo à fibra.

 Quando considerada a retração hidráulica, tem-se a diminuição das dimensões da


madeira pela perda de água presente nas ligações da célula, esta variação de
volume é denominada retração hidráulica que também é anisotrópica. A retração é
maior na direção transversal pelo fato de que nesta direção há maiores ângulos
com as fibras. Na direção longitudinal a retração é menor, pois os ângulos com as
fibras são menores.

A absorção de água pela parede da célula reduz a rigidez da madeira e causa a sua
instabilidade dimensional. O efeito da absorção da água pelas moléculas age como
plastificante, neutralizando as forças intermoleculares entre as macro moléculas
da celulose, aumentando a plasticidade da madeira e reduzindo a sua resistência.

Só da consideração dos aspectos anteriores, que são questões básicas, percebe-se a


estreita relação que se existe entre microestrutura da madeira e o comportamento
mecânico da mesma.
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