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CASO 23 – ALEXIA SEM AGRAFIA

Anamnese:
Doente do sexo masculino de 49 anos, com antecedentes de HTA mal
controlada e hábitos tabágicos acentuados, deu entrada no serviço de
urgência 48 horas após um início agudo de dor no peito. Através da
realização de alguns exames foi detectado que o doente tinha um
trombo no ventrículo esquerdo e uma oclusão na artéria coronária
direita. Logo após a cateterização o doente queixou-se de que não
conseguia ver. O exame que se vê no vídeo foi realizado 10 dias após
este evento.

Questões:

1 – O que se pode observar durante o exame clínico?


O paciente após o enfarte veio a apresentar um quadro clínico
onde se verifica leitura perturbada, e hemianopsia homónima direita.
A hemianopsia homónima direita traduz-se pela impossibilidade de
ver a metade direita do campo visual, ignorando estímulos visuais aí
presentes, limitando assim a capacidade de leitura.
A perturbação da leitura do doente, ou seja a alexia, é revelada
quando lhe foi pedido para ler, e este, soletrou as letras constituintes
da parte esquerda do título de uma revista.
Foi solicitado posteriormente ao paciente, que tinha um olho
vendado, para olhar para o nariz do médico enquanto este
gesticulava números. O doente viu e reconheceu os números
(despistando uma possível acalculia afásica) no seu lado esquerdo
(lado direito do médico) e ignorou o estímulo visual do seu lado
direito, porém não se tratava de uma cegueira total do olho direito,
visto que conseguia ver os números da mão direita do médico com o
olho direito .

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A alteração da grafia é de causa exterior às lesões neurológicas
que provocaram o síndrome da alexia sem grafia. O paciente
apresentou capacidade para escrever o que lhe foi pedido, mas com
uma caligrafia pouco compreensível.

O enfarte levou a uma hipoxia ou anóxia do sistema nervoso


central provocando lesões por isquemia, e assim conferindo as
características já enunciadas.

2 – Existem diferentes tipos de alexias, especifique.


Existem 3 tipos de alexia: alexia pura (isolada, ou seja sem
afasia) que pode ter associado ou não o síndrome de alexia sem
grafia; alexia de profundidade; e alexia de superfície. Este tipo de
perturbação ocorre devido a desconexões entre a informação visual
( lobo occipital) e a verbal (hemisfério esquerdo), assim nomeadas
como lesões temporo-occipitais do hemisfério esquerdo.
Alexia de profundidade é a incapacidade de ler pseudopalavras
e à produção de erros semânticos aquando a leitura das palavras 1.
Assim a alexia de superfície caracteriza-se pela incapacidade de ler
palavras irregulares, ou seja palavras que não podem ser lidas
através de conversão grafema-fonema. Muitas vezes, um paciente
com este tipo de alexia lê letra a letra, ou seja por via fonológica.1

3 – Caracterize o síndrome de alexia sem agrafia.


O paciente manifesta incapacidade de ler, contudo consegue
escrever. Isto acontece quando ocorre lesão das vias que levam
informação visual do lobo occipital esquerdo (o dominante na grande
maioria) para as áreas da linguagem do hemisfério esquerdo, esta
lesão é frequente nos enfartes da artéria cerebral posterior esquerda
do cérebro. Outra literatura defende que a lesão se dá entre a área

1
FERRO,José;PIMENTEL,José; NEUROLOGIA-Príncipios, Diagnostico e Tratamento; Lidel 2006

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visual do lobo occipital e fibras posteriores do corpo caloso, e
inversamente ao anterior, a aérea da linguagem está preservada.
Alguns défices associados a este síndrome são: a hemianopsia
homónima direita e a acromatopsia. Estes défices explicam a
incapacidade do paciente em ler, visto que vão condicionar a leitura,
devido, por exemplo a cegueira da metade direita do campo visual do
olho direito.

4 – A anosognosia por cegueira cortical resulta de uma lesão numa


das seguintes estruturas:
a) Parieto-occipital bilateral
b) Temporo-occipital medial bilateral
c) Prosencéfalo basal
d) Bioccipital (área 17)
e) Banda diagonal de Broca

5 – Uma hemianópsia homónima congruente sem atingimento


macular é mais frequentemente observada na oclusão de qual das
seguintes vasos?
a) Artéria coroidal anterior
b) Artéria cerebral posterior
c) Artéria coroidal posterior
d) Artéria comunicante posterior
e) Artéria recorrente de Heubner

6 – Após uma revascularização do bypass da artéria coronária, um


doente apresentou simultagnosia, ataxia óptica e apraxia do olhar.
Qual dos seguintes é o diagnóstico mais provável?
a) Enfarte parieto-occipital bilateral
b) Enfarte do mesencéfalo
c) Enfarte talâmico paramediano
d) Enfarte orbitofrontal bilateral
e) Enfarte do lobo mesiotemporal esquerdo

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