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LITERATURA – Síntese - O REALISMO


Colégio Regina Mundi
Profª: Sandra C.
Gama

Aluno(a):_____________________________________________________nº _____ 3º ____ EM - Data:


___/____/05

O Realismo é um movimento literário que surgiu na Europa, na segunda metade do século XIX, influenciado pelas
transformações que ali se operavam no âmbito econômico, político, social e científico.
Economicamente, vivia-se a segunda fase da Revolução Industrial, período marcado pelo clima de euforia e progresso
material que a burguesia industrial experimentava em virtude das inúmeras invenções Possibilitadas pelas descobertas
científicas e tecnológicas.
Apesar dos benefícios trazidos à burguesia, a condição social do proletariado era cada vez pior. Motivados tanto pelas
idéias do socialismo utópico, principalmente as de Proudhon e Robert Owen, quanto pelas idéias do socialismo científico,
defendidas por Karl Marx e Friedrich Engels, os operários procuram organizar-se politicamente. Fundam então associações
trabalhistas e passam a agir melhores condições de trabalho e de vida.
No âmbito científico e cultural, ocorre uma verdadeira efervescência de idéias — considerada por alguns como uma
segunda etapa do Iluminismo, do século XVIII. Dentre essas idéias, surgidas como conseqüência do aparecimento de várias
correntes científicas e filosóficas, têm destaque:
• positivismo, de Augusto Comte. para o qual o único conhecimento válido é o conhecimento positivo, ou seja,
provindo das ciências;
• determinismo, de Hippolyte Taine, que defende que o comportamento humano é determinado por três fatores: o
meio, a raça e o momento histórico;
• a lei da seleção natural, de Charles Darwin, segundo a qual a natureza ou o meio selecionam entre os seres vivos as
variações que estão destinadas a sobreviver e a perpetuar-se, sendo eliminados os mais fracos.
Enquanto no domínio da Física, da Química, da Biologia e da Medicina ocorrem avanços significativos, são lançados os
fundamentos de três novas disciplinas: a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia.
Os escritores, diante desse quadro de mudança de idéias e da sociedade, sentem a necessidade de criar uma literatura
sintonizada com a nova realidade, capaz de abordá-la de modo mais objetivo e realista do que até então vinha fazendo o
Romantismo.
As descobertas científicas, as idéias de reformas políticas e de revolução social exigiam dos escritores, por um lado,
uma literatura de ação, comprometida com a crítica e a reforma da sociedade, e de outro, uma abordagem mais profunda e
completa do ser humano, visto agora à luz dos conhecimentos das correntes científico-filosóficas da época.
Aparece então o Realismo, que procura, na literatura, atender às necessidades impostas pelo novo contexto histórico-
cultural. Suas atitudes mais freqüentes são o combate a toda forma romântica e idealizada de ver a realidade; a crítica à
sociedade burguesa e à falsidade de seus valores e instituições (Estado, Igreja, casamento, família); o embasamento no
materialismo, o emprego de idéias científicas; a introspeção psicológica das personagens; as descrições objetivas e minuciosas;
a lentidão na narrativa; a universalização de conceitos.
Ao lado do Realismo, surgem ainda as correntes literárias denominadas Naturalismo e Parnasianismo, de pequena
penetração em Portugal. A primeira, que consiste na verdade em uma forma extremada de Realismo, procura "provar" com
romances de tese as teorias científicas da época, particularmente o determinismo. O Parnasianismo por sua vez é uma
corrente que combate os exageros de sentimento e de imaginação do Romantismo e tenta resgatar certos princípios clássicos de
procedimento, como a busca do equilíbrio, da perfeição formal e o emprego da razão e da objetividade.
Os três movimentos tiveram ciclo na França, com a publicação do romance realista Madame Bovary (l857), de Gustave
Flaubert; do romance naturalista Thérèse Raquin, de Émile Zola (l867), e das antologias parnasianas Parnasse
contemporain (a partir de 1866).

O Realismo em Portugal

Como marco introdutório do Realismo em Portugal tem sido apontada a Questão Coimbrã, episódio ocorrido em 1865.
Nessa época haviam finalmente cessado as lutas entre os liberais e as facções que representavam a velha monarquia
deposta pela revolução de 1820.
Consolidado o liberalismo, Portugal conheceu a partir de 1850 um período de estabilidade política, de progresso
material e de intercâmbio com o resto da Europa. Coimbra, importante centro cultural e universitário da época, ligava-se em
1864 diretamente à comunidade européia por meio da estrada de ferro.
Contudo, do ponto de vista literário, predominavam ainda velhas idéias, românticas e árcades.

A Questão Coimbrã

Os meios literários já há alguns anos tinham como principal expressão o consagrado Castilho, poeta árcade, idoso e
cego. Representante do academismo e do tradicionalismo literários, Castilho reunia em torno de si jovens escritores a quem
protegia e por quem era tido como mestre.
A Questão Coimbrã tem início quando Castilho, ao escrever um posfácio elogioso ao livro Poema da mocidade de seu
protegido Pinheiro Chagas, aproveita para criticar um grupo de poetas de Coimbra, a quem acusa de exibicionismo e
obscuridade. São citados no posfácio os escritores Teófilo Braga, Vieira de Castro e Antero de Quental, que acabara de
publicar a obra Odes modernas.
Antero de Quental responde a Castilho com uma carta aberta, em forma de panfleto, intitulada "Bom senso e bom
gosto". Nela Antero critica o apadrinhamento literário, praticado por Castilho, e a censura da livre expressão.
Para Antero, a agressão sofrida não se limitava ao plano estritamente literário ou pessoal; era, na verdade, uma reação
do velho contra o novo, do conservadorismo contra o progresso, da literatura de salão contra a literatura viva e atuante exigida
pelos novos tempos.
Os grandes homens, na concepção de Antero, seriam aqueles comprometidos com a nova "Idéia", ou seja, com os
conhecimentos trazidos pelas correntes filosóficas e científicas da época e que seriam capazes de modernizar Portugal,
colocando-o ao lado das nações européias mais desenvolvidas.
A Questão Coimbrã durou todo o segundo semestre de 1865, com publicações em defesa e ataque de ambos os lados.
Participaram dela também, dentre outros, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão e Pinheiro Chagas. Eça de Queirós, embora
fizesse parte do grupo coimbrão, não interveio na polêmica.

As conferências do Cassino Lisbonense e a geração de 70

Por volta de 1870 e tendo já concluído os estudos universitários em Coimbra, o grupo de amigos se reencontra em
Lisboa e passa a travar debates acerca da renovação cultural portuguesa. A volta de Antero de Quental - que estivera na
França, na América e na ilha de São Miguel - dinamiza essas reuniões, que passam a contar com leituras sistematizadas
(principalmente de Proudhon) e a ter um objetivo definido. Como resultado desse esforço, nasce a iniciativa ambiciosa das
Conferências Democráticas, que visavam à reforma da sociedade portuguesa.
Eis algumas das propostas das conferências, impressas no programa, assinado dentre outros por Antero de Quental,
Eça de Queirós, Oliveira Martins e Teófilo Braga:
Abrir uma tribuna onde tenham voz as idéias e os trabalhos que caracterizam este movimento do século,
preocupando-nos sobretudo com a transformação social, moral e política dos povos; ligar Portugal com o movimento
moderno, fazendo-o assim nutrir-se dos elementos vitais de que vive a humanidade civilizada; procurar adquirir a
consciência dos fatos que nos rodeiam, na Europa; agitar na opinião pública as grandes questões da Filosofia e da
Ciência Moderna; estudar as condições da transformação política, econômica e religiosa da sociedade portuguesa.
Depois de proferidas cinco conferências - das quais duas eram de Antero e uma de Eça de Queirós -, o governo proíbe a
continuidade do ciclo, alegando que os oradores suscitavam "doutrinas e proposições que atacavam a religião e as instituições
do Estado".
Mas, apesar da censura, o Realismo já era vitorioso em Portugal e a partir de então se colheriam seus melhores frutos.
A poesia da época, a que genericamente se chama realista, alcançou grande prestígio e se desdobrou em quatro
direções:
• a poesia realista propriamente dita, representada por Antero de Quental, Guerra Junqueiro, Gomes Leal, Teófilo
Braga e outros, que se caracteriza pela crítica social e pelo engajamento político;
• a poesia do cotidiano, representada por Cesário Verde, que, parcialmente ligada à poesia realista, procura incorporar
à poesia certos aspectos da realidade até então considerados pouco poéticos;
• a poesia metafísica, representada por Antero de Quental, que se volta para as indagações em torno da vida, da morte
e de Deus;
• a poesia parnasiana, representada por João da Penha e outros, cuja preocupação central é resgatar a tradição
clássica, deixada de lado pelo Romantismo.
A prosa de ficção, na qual sobressaem Eça de Queiróz, Fialho de Almeida e Abel Botelho, segue a mesma
orientação da poesia realista, porém dividindo-se entre o ataque à burguesia, à monarquia, ao clero, às instituições sociais, aos
falsos valores e o compromisso com a doutrinação moral, social e filosófica.
Merecem destaque ainda a historiografia de Oliveira Martins e a crítica literária de Teófilo Braga.

O Realismo no Brasil

O Realismo no Brasil tem como marco a publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis,
em 1881.
A passagem do Romantismo para o Realismo acompanha um período de muitas mudanças na história econômica,
política e social brasileira. O Brasil da década de 80, quando se instala o novo movimento literário, não é mais o mesmo de
1850, época em que a segunda geração romântica dividia seus versos entre o amor e a morte, e as "moreninhas" circulavam
pelos salões.
O Realismo vai encontrar terreno adubado para florescer, depois de o país ter passado, ao longo de quarenta anos, por
fatos importantes que foram alterando aos poucos sua feição atrasada e tacanha. Como exemplo, a Guerra do Paraguai
(1864-1870), o crescimento da campanha abolicionista, o enfraquecimento do governo de D. Pedro II, a intensificação das
idéias republicanas, a força da economia agrária, que concentrava a renda nas mãos de fazendeiros de açúcar, primeiro, e de
café, depois.
A década de 80 será muito agitada: as campanhas abolicionistas e republicanas andam juntas, em comícios, movimentos
e passeatas, na maioria de estudantes e intelectuais. A escravidão e o Império caem quase ao mesmo tempo: em 1888 veio a
Abolição; em 1889 Deodoro da Fonseca proclamou a República. Esses dois fatos criaram uma nova realidade, ao eliminar o
trabalho servil e introduzir o princípio do voto na eleição dos governos, constituindo um índice de que se iniciava o processo
de modernização da economia e política nacionais.
Paralelamente, dinamiza-se a vida social e cultural (principalmente no Rio de Janeiro), como sempre soprada por ventos
europeus: liberalismo, socialismo, positivismo, cientificismo, etc. Idéias já consolidadas lá fora e importadas por nós, no
mais das vezes sem a necessária adaptação. Numa sociedade agrária, escravocrata e preconceituosa, sem indústrias, sem classe
operaria, elas surgiam deslocadas, fora de lugar.
A literatura realista e naturalista brasileira passa a refletir essas idéias, no interior da realidade específica do nosso país,
através da pena de Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Adolfo Caminha; Olavo Bilac brilha com a poesia parnasiana;
Raul Pompéia ensaia sua prosa intimista.
Mudava a literatura porque mudava o país. Aumenta o número de estradas de ferro, incrementa-se o transporte urbano,
surge a iluminação elétrica e o cinema. Nas cidades, aumentam a classe comercial, o funcionalismo, os militares e os
trabalhadores livres, já em grande parte imigrantes. Nas ruas ainda estreitas e sujas proliferam os salões elegantes, as
confeitarias e as lojas que copiavam a moda de Paris.

O Naturalismo

Já sabemos que Realismo e Naturalismo têm, entre si, semelhanças e diferenças. Se o primeiro procura retratar o
homem interagindo no seu meio social, o segundo vai mais longe: pretende mostrar o homem como produto de um conjunto de
forças "naturais", instintivas, que, em determinado meio, raça e momento, pode gerar comportamentos e situações específicas.
Nas obras de alguns escritores realistas podemos distinguir certas características que definem uma tendência chamada
Naturalismo.
O Naturalismo enfatiza o aspecto materialista da existência humana. Para os escritores naturalistas, influenciados pelas
teorias da ciências experimentais da época, o homem era um simples produto biológico cujo comportamento resultava da
pressão do ambiente social e da hereditariedade psicofisiológica. Nesse sentido, dadas certas circunstâncias, o homem teria as
mesma reações, instintivas e incontroláveis. Caberia a escritor, portanto, armar em sua obra uma certa situação experimental e
agir como um cientista em seu laboratório, descrevendo as reações sem nenhuma interferência de ordem pessoal ou moral.
No romance experimental naturalista, o indivíduo é mero produto da hereditariedade. Ao lado desta, o ambiente em
que vive, e sobre o qual também age, determina seu comportamento pessoal. Assim, predomina o elemento fisiológico, natural,
instintivo: erotismo, agressividade e violência são os componentes básicos da personalidade humana, que, privada do seu
arbítrio, vive à mercê de forças incontroláveis.
Desse modo, o Naturalismo atribui a um destino inescapável, de origem fisiológica, aquilo que, na verdade, é produto
do sistema econômico-social: a retificação do homem, ou seja, a sua transformação em coisa (do latim res = coisa).
Para dar vida a toda essa teoria, os autores colocam-se como narradores oniscientes, impassíveis, podendo ver tudo por
todos os ângulos. As descrições são precisas e minuciosas, frias e fidelíssimas aos aspectos exteriores. As personagens são
vistas de fora para dentro, como casos a estudar: não há aprofundamento psicológico; o que interessa são as ações exteriores, e
não os meandros da consciência à maneira de, por exemplo, Machado de Assis.

O Romance Naturalista

O naturalismo foi cultivado no Brasil por Aluísio Azevedo, Júlio Ribeiro, Adolfo Caminha, Domingos Olímpio,
Inglês de Sousa e Manuel de Oliveira Paiva. O caso de Raul Pompéia é muito particular, pois em seu romance O Ateneu
tanto apresenta características naturalistas como realistas, e mesmo impressionistas.
A narrativa naturalista é marcada pela vigorosa análise social a partir de grupos humanos marginalizados, valorizando-
se o coletivo. Interessa notar que a preocupação com o coletivo já está explicitada no próprio título dos principais romances: O
Cortiço, Casa de pensão, O Ateneu. É tradicional a tese de que, em O Cortiço, o principal personagem não é João Romão,
nem Bertoleza, nem Rita Baiana, mas sim o próprio cortiço.
Por outro lado, o naturalismo apresenta romances experimentais preocupados em formular regras, em conseqüência de
seu caráter cientifista. A influência de Darwin se faz sentir na máxima naturalista, que enfatiza a natureza animal do homem
(portanto, no embate instinto versus razão, o homem, como todo animal, é dominado num primeiro momento pelas reações
instintivas — particularmente no comportamento sexual, que a falsa moral burguesa não é capaz de reprimir). Os textos
naturalistas acabam por tocar em tema até então proibidos, como o homossexualismo, tanto masculino, como em O Ateneu,
quanto feminino, em O Cortiço.
No Brasil, a prosa naturalista foi muito influenciada por Eça de Queirós, basicamente com as obras O crime do Padre
Amaro e O primo Basílio. Em 1881 surge o romance considerado o marco inicial do Naturalismo brasileiro: O mulato, de
Aluísio de Azevedo.
Pertencem também ao Naturalismo brasileiro, entre outros, O missionário, de Inglês de Souza, e A carne, de Júlio
Ribeiro, ambos publicados em 1888. Adolfo Caminha publicou A normalista (1893) e O bom crioulo (1896), considerados
boas realizações naturalistas.

Características do Realismo-Naturalismo

Compromisso com a realidade: O Realismo-Naturalismo é contra o tradicionalismo romântico. Trata-se de uma arte
engajada: ela tem compromisso com o seu momento presente e com a observação do mundo objetivo e exato.

Presença do cotidiano: Os escritores realistas-naturalistas consideram possível representar artisticamente os problemas


concretos de seu tempo, sem preconceito ou convenção. E renovaram a arte ao focalizarem o cotidiano, desprezado pelas
correntes estéticas anteriores. Daí que os personagens de romances realistas-naturalistas estejam muito próximos das pessoas
comuns, com seus problemas do dia-a-dia, com suas vidas medianas, cujas atitudes devem ter sempre explicações lógicas ou
científicas. A linguagem é outra preocupação importante: ela deve se aproximar do texto informativo, ser simples, utilizar-se
de imagens denotativas, e as construções sintáticas devem obedecer à ordem direta.
Personagens tipificados:Os personagens de romances realistas-naturalistas são retirados da vida diária e são sempre
representativos de uma categoria - seja a um empregado, seja um patrão; seja um proprietário, seja um subalterno; seja um
senhor, seja um escravo, e daí por diante. Os personagens típicos permitem estabelecer relações críticas entre o texto e a
realidade histórica em que ele se insere: isto é, embora os personagens sejam seres ficcionais, individuais, passam a representar
comportamentos e a ter reações típicas de uma determinada realidade.

Preferência pelo presente: Geralmente os escritores realistas-naturalistas deram preferência ao momento presente: as
narrativas estavam ambientadas num tempo contemporâneo ao do escritor. Com isso, a crítica social ficaria mais próxima e
mais concreta. Nesse sentido, a literatura ganha um papel de denunciadora do que havia de mau na sociedade. Outro aspecto
dessa preferência pelo momento presente é o detalhismo com que é enfocada a realidade, fato explicável pela proximidade.

Preferência pela narração: Ao contrário dos românticos, que privilegiaram a descrição, os realistas-naturalistas deram ênfase
à narração do fato: o que acontece e por que acontece são as preocupações desses escritores.

Anticlericais, antimonárquicos, antiburgueses: Os realistas-naturalistas são marcadamente contra a Igreja, que apontam
como defensora de ideologias ultrapassadas, como, por exemplo, a monarquia. Também criticam acirradamente a burguesia,
que encarna o status romântico em geral.