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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS


CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM HISTÓRIA DO BRASIL
DISCIPLINA: HISTÓRIA E FOTOGRAFIA
PROFESSORA: Dra. MARIA MAFALDA BALDOÍNO DE ARAÚJO

FOTOGRAFIA, HISTÓRIA E MEMÓRIA

Luciana Soares da cruz

TERESINA, SETEMBRO DE 2004.


FOTOGRAFIA, HISTÓRIA E MEMÓRIA

 Análise da fotografia

Igreja de São José, na Praça Nossa Senhora da Conceição, Município de Palmeirais – Piauí.
Primeira construção religiosa do município (1894). Fotografia pertencente a coleção
particular de Luciana Soares da Cruz. Fotógrafa: Luciana Soares. Ano da fotografia : 2001.

A escolha da foto acima se deu pelo fato de que a história de Palmeirais foi meu
objeto de estudo na realização da monografia de final de curso. A imagem registrada na
fotografia é da Igreja de São José e foi o primeiro templo religioso a ser erguido na
região (1894). Como se vê trata-se de uma construção simples, sem muitos detalhes, o
que demonstra a precária condição econômica daqueles que se propuseram erguer a
pequena igreja. A cruz de madeira localizada em frente o templo religioso representa a
religião católica, sendo um indício de que esta religião foi a primeira a ser adotada pela
comunidade local. indo além do que a fotografia nos permite ver, observarmos que a
localização desta é às margens do rio Parnaíba o que demonstra a importância que o rio,
desde de a formação do primeiro núcleo de povoamento, representava para os habitantes
da região. Atrelado a localização da igreja, cabe percebermos, olhando a legenda (daí a
importância desta está presente na interpretação da fotografia), que a igreja é construída
em homenagem a São José que é padroeiro dos agricultores, o que nos faz pensar que a
agricultura era a principal atividade da localidade.
Situando esta fotografia dentro do contexto histórico piauiense, veremos que ela
se situará na época posterior a Proclamação da República, momento este onde o espaço
piauiense passava por transformação devido a grande quantidade de vilas e cidades que
emergiam no estado. Um aspecto semelhante ao surgimento de vilas e cidades no Piauí
está relacionado à importância dada à Igreja durante e após a instalação destas. Isso
porque a igreja representava o status jurídico que a região passava a representar, sendo
nesse momento estabelecido o poder temporal e espiritual nessa localidade. Além disso,
a criação de um templo religioso, no imaginário popular, sempre representou a
aprovação de Deus sobre a sociedade que ali se constituiria. Não podemos esquecer
ainda, que a igreja é o local que representa paz, segurança e onde ocorrem os principais
atos sócio-religiosos: missas, novenas, confissões, batizados, casamentos e outros atos
sócio-religiosos que fazem parte de todos que compõem a comunidade católica de uma
sociedade.
Assim, analisando essa fotografia, concluí que ela representa o relevante papel
exercido pela igreja dentro das comunidades interioranas, sendo responsável, inclusive,
pela formação inicial da região e permanecendo como um templo sagrado, um
monumento religioso que guarda em si a memória da cidade.
FOTOGRAFIA, HISTÓRIA E MEMÓRIA

A fotografia enquanto fonte da pesquisa histórica ainda é novidade no meio


acadêmico do Piauí. A abertura para a utilização de novas fontes vem acontecendo de
forma lenta e permitindo que os pesquisadores, historiadores aproximem-se cada vez
mais dessas novas formas de linguagens.
A pesquisa histórica hoje, no que corresponde ao trabalho feito com a memória, é
um dos campos que mais tem contribuído para inserção da fotografia enquanto fonte
histórica. Como afirma Jacques Le Goff:

“ A fotografia revoluciona a memória: multiplica-a e


democratiza-a, dá-lhe uma precisão e uma verdade visuais
nunca antes atingidas, permitindo assim guardar a memória do
tempo e da evolução cronológica”.1

Considerando então que a fotografia permite que o pesquisador possa, através da


imagem, reviver com precisão momentos passados, percebemos que sua utilização
enquanto fonte de pesquisa contribui para a reconstrução de memórias antes esquecidas.
No entanto é preciso que haja uma compreensão por parte do pesquisador de que as
imagens produzidas por uma fotografia nada nos revelam se não forem analisas dentro
de um contexto histórico que permita interpretá-la de forma coerente com a proposta da
pesquisa.
As inesgotáveis informações que vêm embutidas em uma fotografia e que podem
revelar as várias faces de memória, seja ela individual ou coletiva, como por exemplo:
aspectos sociais, políticos, religiosos, econômicos e culturais, devem ser compreendidos
dentro de um contexto para que, ao se buscar interpretar uma fotografia, o pesquisador
não a veja como algo fragmentado que não faz parte de um todo. A respeito disso é
importante citarmos o que diz Maria Ciavatta:

1
LE GOFF, Jacques. Memória. In: KOSSOY, Boris. Fotografia e história. São Paulo: Ática, 1989.
“A busca da compreensão pela totalidade implícita, mas oculta
na fotografia, supõe o esforço de articular as partes em um todo
com seus significados. Isto supõe investigar o contexto da
produção, da apropriação e do uso da fotografia.”2

Dentro do estudo da memória podemos inserir a fotografia enquanto registro


documental da memória coletiva. Isso fica bem claro quando por exemplo o objeto de
estudo é a família, onde as fotografias apresentam-se como representação da vida social
da família e que contribui para transmissão de valores, tradições e identidade para seus
descendentes.
A união entre a fonte fotográfica e a história oral, seria, ao meu ver, a perfeita
combinação para o estudo da memória. Os significados atribuídos a estas imagens pelas
pessoas que nelas se fazem presentes ou que de alguma forma viveram o momento
registrado na fotografia, contribuem para pesquisa à medida que situam esta imagem em
um determinado tempo e espaço, e interpretam-na de forma subjetiva, deixando
transparecer os aspectos sociais, culturais ou mesmo sentimentais que foram juntamente
com a imagem congelados pela lente fotográfica no momento do clique. Essas
interpretações contribuem para que o pesquisador, não tendo participado do momento
do registro da imagem, possa lançar um olhar mais profundos sobre as informações
contidas na fotografia, analisando-a de forma coerente e situando-a em um determinado
contexto.
Por fim, acreditamos que a fotografia represente dois papéis no que se refere ao
estudo da memória: o de etnotexto e de suporte da memória. Como afirma Anne Marri:
“a foto sugere, a foto questiona”3 e podemos, em uma pesquisa, partir das indagações
sugeridas pala foto para alcançar o que a autora define como “rememoração”4, buscando
através dos discursos construídos em torno da fotografia, momentos compartilhados
entre os informantes, que podem contribuir para resolução da problemática sugerida
pela pesquisa.

2
CIAVATTA, Maria. O mundo do trabalho em imagens a fotografia como fonte histórica. Rio de Janeiro,
DP&A, 2002.
3
MARRI, Anne. Memória e vestígio, p.12 – 22.
4
Op.cit.