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Jornal da Escola Secundária Ferreira de Castro

Março de 2006

A Selva
Jornal
da Escola Secundária Ferreira de Castro
Página  Março de 2006
20 cênt.

Novo bloco da Escola Secundária Ferreira de Castro

Projecto aguarda aprovação P


erde-se no tempo a origem de A Selva. No arquivo
que existe na escola, encontrámos jornais de 1992,
1994/5/6/7 e um de Maio do ano 2000 (terá sido o
último antes deste?); mas, segundo informações que reco-
lhemos junto dos professores que estão há mais tempo na
escola, o jornal é mais antigo. Do que soubemos, durante os
Bloco A anos em que saiu, A Selva passou por várias vicissitudes, teve
Bloco D vários formatos e até esteve para mudar de nome. Este ano
ressurgiu a ideia de voltar a fazer o jornal da escola e A Sel-
va reaparece, honrando o nome (sempre actual), inspirado
numa das principais obras de Ferreira de Castro.
Longe do que se pretende na mais nua e pura linguagem
jornalística este é um jornal onde o adjectivo tem lugar cativo,
a frase é imperfeita e a mais exacta função informativa falha.
O nosso quase único princípio é que, como se espera, o jornal
Novo Bloco escolar seja feito com a participação do maior número pos-
sível de membros da comunidade escolar, especialmente dos
alunos. Mas, desta vez, depois de várias tentativas feitas para
que chegassem textos, imagens ou outros materiais, a verdade
é que conseguimos muito pouco. Fizemos e distribuímos des-
dobráveis e cartazes, apelamos directamente aos professores,
Parque de falámos a vários alunos, mas a resposta foi muito escassa e
estacionamento tardia. Por isso o primeiro número do renovado A Selva de-
morou mais do que gostaríamos a chegar-vos às mãos.

Sumário
Pág. 2
• P. 6 - notícias várias sobre a página na internet da escola, a rádio esco-
lar, a semana dos média e actividades do 8º ano AC e do 9º A;
• P. 7 - Três “Ferreiras” de corpo e alma / secções dedicadas ao Inglês, ao
A Selva entrevista Presidente do Conselho Executivo Francês, à Físico-Química e à poesia;

exigência é o caminho A
• PP. 8 e 9 - artigos de opinião ou reflexões sobre temas muito actuais e tão
na Rio debate-se com uma série de problemas que não têm sido interessantes que deverão fazer-te pensar: a conquista da liberdade / O
fáceis de resolver neste ano em que inicia o seu segundo mandato PROJECTO ECO-ESCOLAS / a família e a delinquência juvenil / a vida difícil
como Presidente do Conselho Executivo. De todos eles, talvez se do professor, peça fundamental de uma escola que, bem vistas as coisas,

para a autonomia
destaquem os novos horários, a gestão do tempo não lectivo dos professores e nem está tão mal como a pintam / os bons animais que não merecem as
a ocupação dos tempos livres dos alunos. Sobre estes assuntos, e sobre outros selvajarias que lhes fazemos / a importância de sorrir, enfim;
que dizem respeito à gestão da escola e à actualidade, quisemos ouvi-la. Pág. 3
• PP. 10 e 11 - agradáveis páginas de Matemática, passatempos, co-
lumbofilia, notas soltas... que te vão divertir mais do que maçar...
“O Sonho” - pormenor de um quadro de J. D. (Quem será?)

• Mas o que nós queremos é que o jornal seja mais teu. É este o grande
apelo que fazemos na última página. Oxalá gostes e te decidas a “en-
trar” no próximo A Selva.
• No cabeçalho de todas as páginas interiores tens um excerto de A Selva
de Ferreira de Castro que deves ler / reler para descobrires as páginas
DESPORTO não indicadas. Haverá prémios para os primeiros cinco leitores que
Queremos O corta-mato, rea- acertem na totalidade das páginas.
lizado no passado dia 18 de
que este
Foto de Sérgio Cabral

Janeiro, é a prova desporti-


Última página.

va mais antiga na escola. A


jornal seja semana olímpica é o
feito por maior acontecimento da Fer-
reira de Castro. Tudo isto e
muito, muito mais está em:
selvasports.no.sapo.pt Olha a tua escola: www.esfcastro.pt
Jornal da Escola Secundária Ferreira de Castro
Março de 2006
“Fato branco, engomado, luzidio, do melhor H. J. que teciam as fábricas
inglesas, o senhor Balbino, com um chapéu de palha a envolver-lhe em
sombra metade do corpo alto e seco, entrou na «Flor da Amazônia»
mais rabioso do que nunca.”
(Ferreira de Castro, A Selva, 36ª ed., Guimarães Editores, p. 29)
Página  Procura e indica a(s) página(s) onde se encontram os excertos seguintes de A Selva.

Novo bloco da Escola Secundária Ferreira de Castro

Projecto aguarda aprovação


Esta é a maquete de enqua-
dramento do novo edifício da
Escola Secundária Ferreira de
Novo Bloco Castro destinado a auditório
e salas de apoio à actividade
escolar. O projecto, da auto-
ria do Arq.º Mário Luís, pre-
tende responder à necessidade
de alargar a escola, dado que
Bloco D os seus responsáveis lutam há
muito tempo com falta de es-
paço para desenvolverem todas
as actividades que a comunida-
Bloco A de escolar se propõe realizar.

A Câmara Municipal de
Oliveira de Azeméis é parceira
da escola neste projecto, tendo
já manifestado a sua disponi-
bilidade para colaborar na sua
implementação. A Direcção
Regional de Educação do Nor-
te é a entidade que tem o poder
de decidir sobre a construção
deste bloco. A escola aguarda
essa decisão com esperança de
que o projecto se venha a con-
cretizar em breve.
Entrada principal Aqui fica também a repro-
da escola dução de parte da planta da
obra.

AUDITÓRIO FERREIRA DE CASTRO


Memória descritiva

O projecto do auditório é constituído por dois corpos distintos,


embora interligados: um mais volumoso e de maior impacto visual,
correspondente ao auditório e a todas as instalações complementares,
como sejam cabine de projecção, piso técnico de cenários e ilumina-
ção, camarins e arrumos. Neste espaço poderão decorrer actividades
várias como filmes, peças de teatro, reuniões, conferências e aulas alar-
gadas, sendo que para estas últimas se prevê que através de uma aber-
tura situada na cobertura se usufrua de iluminação natural no palco.
Um segundo corpo mais discreto, constituído por seis espaços
interligados dois a dois através de portas de correr, situação que per-
mitirá flexibilizar a sua futura utilização, proporcionará o decurso de A B C D
actividades variadas, como aulas, espaços oficinais diversos, clubes ou
outros. À sua menor altura corresponde um maior desenvolvimen-
to em profundidade, permitindo assim um resultado equilibrado na
leitura final do conjunto. A iluminação e ventilação destes espaços
será garantida a partir de um pátio ajardinado que se desenvolve late-
ralmente ao longo de todo o corpo, proporcionando a tranquilidade
e privacidade necessárias ao desenrolar das várias actividades que aí
decorrerão.
Os volumes, implantados a cotas diferentes e com acessos dife-
renciados, serão revestidos por materiais diversos, situação que igual- Planta que destaca as Piso (1) Piso(0) 5 - Pátio
mente deverá proporcionar a sua leitura individualizada. novas salas polivalentes A - Escadaria exterior 1 - Hall 6 - W.C. Deficientes
Por questões de carácter económico, situar-se-ão estrategicamente ao lado do auditório B - Foyer 2 - Atelier/sala 7 - Camarins Homens
no encosto entre os dois volumes as instalações sanitárias, que desta C - Palco 3 - W.C. Homens 8 - Camarins Mulheres
forma poderão servir simultaneamente as duas situações funcionais
diferenciadas. D - Auditório 4 - W.C. Mulheres 9 - Arrumo
Todo o conjunto será dotado de rampas que proporcionarão o
acesso sem restrições a todos os espaços por parte de portadores de
deficiência motora, que serão igualmente servidos por instalações sa-
nitárias adequadas. Corte onde se evidencia o
Pretende-se que o novo conjunto projectado, em diálogo com os palco, o anfiteatro e espaços
volumes pré - existentes, nomeadamente os Blocos A e D, defina um
envolventes, nomeadamente
pátio, que embora não se encontrando completamente encerrado es- B D
teja dotado da estabilidade propiciadora ao encontro e estar da comu- a escadaria de acesso.
nidade escolar. Nesse sentido, igualmente se pretende que a escadaria
C
de acesso ao auditório possa simultaneamente funcionar como um A
anfiteatro ao ar livre, potenciando-se desta forma o aproveitamento de
todos os futuros elementos construídos que integrarão este conjunto.
Jornal da Escola Secundária Ferreira de Castro
Março de 2006
“Mas logo, vencidas pelas palhetas mais duas ou três milhas, a selva vinha
novamente debruar as margens e tão opulenta, tão exuberante se mostrava, que
dir-se-ia reconquistar ali tudo quanto perdera na terra calva.
Contudo, ao panorama magnificente sobrepunha-se no espírito de Alberto,
perturbado por essa própria grandeza inédita, que tanto contrastava com a
mesquinhez e imundície do convés, a ânsia de chegar ao seu destino.” (pág. __)
Página 

Entrevista com a Presidente do Conselho Executivo

MOTIVAÇÃO PARA GERIR UMA ESCOLA


A entrevista que se segue improvável manter-me no exe-
realizou-se nos passados dias cutivo para além dos três anos
19 e 26 de Janeiro. Estáva- que agora estamos a iniciar.
mos na altura da festa da Não encaro a minha carrei-
fogaceiras que se realiza no ra só como gestora da escola já
vizinho concelho da Feira e o que o meu/nosso envolvimen-
gabinete do Conselho Execu- to pessoal na gestão não é fácil
tivo cheirava a fogaça e a ca- de manter ao longo de muito
ladinhos (pudemos até prová- tempo. É complicado manter a
-los!). Sentámo-nos e conversá- energia que se tem nos primei-
mos amenamente fugindo até ros anos e, sem essa energia,
por vezes ao guião de pergun- perde-se muito.
tas que tínhamos preparado,
interrompidos aqui e ali pelo A Selva - O capital de expe-
telefone a tocar ou por alguém riência não conta?
que batia à porta. Eis o resul- PCE - É verdade que con-
tado necessariamente abrevia- ta. Agora domino quase todos
do dessa interessante conversa os assuntos de que trato, mas
que mantivemos com a Drª acho que isso não justifica só
Ana Rio, Presidente do Conse- por si a continuidade. Pode-
lho Executivo da Escola Secun- -se cair na rotina e isso não é
dária Ferreira de Castro.. bom.

A Selva - E a escola não


GESTÃO DE UMA ESCOLA beneficiaria com a experiência
A Selva - O que a motiva acumulada?
como Presidente do Conselho PCE - É óbvio que quando
Executivo? se começa do zero é preciso um A equipa executiva (da esq. para a dir.): Ana Rio (Presidente), Júlia Lopes (Assessora), Benilde Gomes (Assessora),
Presidente do Conselho investimento enormíssimo, só Fernanda Gomes (Vice-presidente), Ana Paula Azinheira (Vice-presidente).
Executivo (PCE) - Se me dis- para a pessoa se pôr a par das
sessem há 10 anos que ia ser coisas, o que significa muita As alterações de Setembro existe um leque grande de dis- que fosse feito o pedido de rentes, cumprimentos de pra-
presidente do conselho exe- perda de tempo e de energia. e Outubro foram necessárias ciplinas que podem escolher e funcionamento da disciplina. zos... o que torna a decisão que
cutivo, não acreditava e ria- Por isso penso que a gestão para correcção das falhas que isso também complica os horá- se tem de tomar muito com-
-me. Não fazia parte dos meus deveria ser menos técnica (co- se verificaram (casos pontuais, rios respectivos. Nós optámos plexa. Só conhecendo muito
planos. Até vir para esta esco- nhecer dossiês, leis e mil e um lapsos como ter uma turma de por dar todas as opções que CONTRARIEDADES bem o sentimento geral da
la nunca pensei vir a ter nela assuntos relacionados com a 28 alunos numa sala onde só foram pedidas o que obriga a A Selva - Qual é o maior di- escola é que os executivos po-
este papel. O que queria era aplicação de leis) e mais de re- cabiam 18, etc.) e, por vezes, várias conjugações de turmas. lema que o executivo está a ter? dem tomar decisões acertadas.
ser professora. Acabaram por cursos humanos e financeiros. a correcção de um horário PCE - Estamos num ano E, muitas vezes essas decisões
ser várias circunstâncias que obriga à alteração de vários, A Selva - Porque é que não particularmente difícil para são só da responsabilidade do
me levaram a vir para o execu- como é sabido. Este ano essa abriram determinadas discipli- os executivos. Numa primeira executivo, mas para serem apli-
tivo, principalmente o convite HORÁRIOS situação foi particularmente nas, este ano? (por ex. Sociolo- fase tivemos de aplicar medi- cadas pela escola.
e a insistência do Presidente do A Selva - Porque é que os difícil devido à falta de espa- gia, que tinha 6 alunos inscritos, das muito impopulares, tive-
Executivo da altura (1995/96), horários estão sempre a mudar? ços (temos mais alunos do que não funciona enquanto no ano mos de apelar à participação
Manuel Alberto. (perguntam alunos e professores) em anos anteriores), devido à passado a Filosofia funcionou só das pessoas o que foi particu- OCUPAÇÃO INTEGRAL
Para isso também contri- PCE - Este ano, a última marcação de ACRE’s do 12º com 3 alunos - eram esses os alu- larmente desgastante. DOS TEMPOS LIVRES
buíram pessoas que trabalha- teve a ver com as novas orien- ano e de trabalhos de equipa, nos no fim do ano) Houve algumas decisões DOS ALUNOS (OITL)
ram comigo e sempre foram tações do Ministério da Educa- etc.. Ora, tudo isto levou a que PCE - Para que funcione difíceis. Quando, por exem- A Selva – Qual é o principal
um apoio indispensável. Em ção (ME) sobre a componente alguns horários não estivessem uma disciplina com número plo, decidimos ter os Cursos de objectivo da OITL?
conjunto fomos criando vá- não lectiva dos professores. ao gosto, tanto de alunos como reduzido de alunos é necessá- Educação e Formação (CEF’s), PCE – O objectivo é ocu-
rios objectivos para a escola e Havia uma orientação inicial de professores. Mas procura- ria uma autorização superior tivemos dúvidas sobre o tipo par todos os tempos dos alunos
entendemos que ainda pode- no sentido de dar liberdade às mos satisfazer todos os pedidos que é dada em fins de Julho, de trabalho que estávamos a que ficam livres; aproveitar esse
mos dar mais à escola. Por isso escolas para decidirem o nú- atendíveis. tendo em conta os alunos ins- concretizar. tempo e os recursos que exis-
apresentamos a nossa última mero de horas que os seus pro- critos na altura. Há determi- Mas, a tarefa mais difícil tem na escola para enriquecer,
candidatura em 2005. Enten- fessores iriam estar a trabalhar A Selva - Porque é que al- nadas disciplinas em relação este ano foi a implementação acrescentar qualquer coisa à
demos que aquilo que tínha- na escola. Isso levou a que as gumas turmas do 12º ano têm às quais a Direcção Regio- da componente não lectiva dos formação dos alunos.
mos feito até à data, apesar de escolas tivessem tomado posi- horários “maus” e outras os têm nal de Educação do Norte professores. Mas isto não está a ser con-
alguns erros cometidos, tinha ções diferentes que o ME agora “bons”? (DREN) é mais sensível e seguido. A partir deste momen-
sido positivo e que havia coisas procurou uniformizar de for- PCE - No 12º ano há vá- autoriza logo que funcionem A Selva – Qual a principal to o grande objectivo é encon-
que ainda podíamos corrigir ma rígida o que forçou a mais rias situações que levam a que com um número reduzido de dificuldade com que se debate na trar uma solução melhor para o
ou melhorar. Foi nesse sentido uma alteração de horários. o horário possa não ser bom, alunos como, por exemplo, gestão da escola? próximo ano lectivo. Para isso,
que decidimos continuar por Os planos de recuperação e tenha de ocupar mais de tar- as que são necessárias para o PCE – A principal difi- no Conselho Pedagógico já foi
mais três anos. do ensino básico (outra novi- des: há cursos com acréscimo acesso ao Ensino Superior, e culdade na gestão de uma es- constituído um grupo de traba-
dade deste ano lectivo) tam- de carga horária maior do que há outras que não. cola é que a todo o momento lho para acompanhar as OITL.
A Selva - Acha possível uma bém obrigaram a alterar os ho- outros (isso depende das disci- No caso da Sociologia, não tudo está a mudar: leis novas,
3ª candidatura? rários dos alunos com tutorias plinas); há turmas em que os havia número suficiente de orientações diferentes, desafios A Selva – Será que a forma
PCE - Parece-me muito e aulas de apoio. alunos se dispersam, em que alunos inscritos em Julho para novos, ofertas formativas dife- como está a funcionar não con-
Jornal da Escola Secundária Ferreira de Castro
Março de 2006
“De longe a longe, uma palmeira muita esguia e clara subia, em arranco
de foguete, para olhar a selva por cima do ondeado em que terminava
todo o arvoredo. E eram, então, quatro palmas solitárias lá no alto, como
se quisessem fugir dos homens – dos homens que apesar de tudo, lhes
iam roubar o cacho saboroso, de onde extraíam o açaí.” (págs. ___-___)
Página 

Entrevista com a Presidente do Conselho Executivo

“COMO PROFESSORA, SINTO AS DORES DOS PROFESSORES”


que exigem uma preparação e dos serviços administrativos; de-se mais com os planos de que concebem a sua profissão
maior do que outras). Embo- cremos que temos a sua con- recuperação que eu julgo que como “dar as aulas” e pouco
ra isto não seja “politicamente fiança, e confiamos neles. só poderão ser avaliados no fim mais, e outras que, pelo con-
correcto”, há que dizê-lo. O nosso objectivo não é do ano. Penso, até, que seria trário, sempre estiveram dispo-
Formalmente, estamos em ter uma escola dividida (com útil que o jornal interrogasse níveis para participar em pro-
situação de igualdade, mas os professores de um lado, os os alunos abrangidos por esses jectos. Porém, não é possível
na prática não estamos, e isso alunos do outro, o pessoal au- planos, de modo a colher as classificar, uns e outros, como
já começa na área disciplinar xiliar e administrativo de ou- suas opiniões sobre esse assun- bons ou maus profissionais, até
com a distribuição do serviço tro) é ter uma escola em que to e sobre o modo como estes porque, e é uma verdade que
para cada professor. A respon- os professores se sintam bem estão a decorrer. Penso que em tem que ser dita, o essencial do
sabilidade de fazer uma distri- e se sintam bem tratados, em algumas escolas, estas medidas que se faz na escola é o que se
buição de serviço equilibrada e que se sintam recompensados terão um efeito positivo, pois a faz dentro da sala de aula. Uma
justa não é uma responsabili- pelo que fazem. Não acho jus- manter-se este nível de apoio, escola não é boa pelo número
dade única do órgão de gestão, tas essas acusações de que nós possível através do aumento da de projectos e actividades que
começa com a distribuição de desconsideramos os professo- carga horária dos professores, se fazem em paralelo com a
serviço nos grupos disciplina- res ou que os achamos incom- algum benefício daí resultará sala de aula e o fundamental
tribui para o descrédito de pro- uma sala onde não existe nada res, que muitas vezes tem al- petentes. Pretendo fazer parte para os alunos. numa escola é a relação peda-
fessores e escola? e onde lhes pede para inventar guns desequilíbrios. desses professores e, como gógica professor aluno, dentro
PCE – Se algo corre mal é uma tarefa que agrade a todos. Assim, haverá pessoas que professora, sinto as dores dos A Selva – No entanto, ape- da sala de aula. Ora, essa é
claro que a imagem da escola Penso, ainda, que a pior têm tempo para preparar as professores quando se discu- sar de ainda ser cedo para tirar uma área muito delicada em
e dos professores não sai favo- fase, a fase da rejeição inicial, aulas de forma satisfatória e te a nossa carreira, quando se algumas conclusões, algumas termos de avaliação, e quer no
recida. já passou e agora temos con- haverá outras que têm mais discutem os nossos problemas, consequências já terá notado, passado, quer no presente, não
dições para reflectir de forma dificuldade por força também os nossos direitos, apesar das nomeadamente ao nível da de- é possível fazê-lo. Daí que são
A Selva – O que seria para mais serena. da organização do horário. Ad- minhas actuais funções serem gradação do ambiente de traba- mais visíveis as repercussões
si “correr bem”? mito que em alguns casos estes diferentes. lho dos professores que se reper- destas novas medidas fora da
PCE – Correr bem seria A Selva – Se o trabalho de horários penalizem algumas cutirão, necessariamente, no seu sala de aula, nomeadamen-
ter resultados mais favoráveis equipa dos professores funciona- pessoas. envolvimento e empenhamento te na (in)disponibilidade dos
do que aqueles que nos foram va bem (em muitos casos), por AVALIAÇÃO na escola degradando, também, professores para a participação
dados pelo inquérito que fize- que foi preterido em relação ao A Selva – Acha que os pro- A Selva – Já foi feita alguma a qualidade de ensino. em projectos, do que no seu
mos. Quando a maioria das OITL? fessores não desenvolvem real- comparação entre a avaliação PCE – Não me parece que desempenho na sala de aula.
pessoas (professores e alunos) PCE – Não tínhamos in- mente trabalho, acha que não deste ano e a do ano passado? seja possível, para já, tirar con- Saliente-se, no entanto, que
considera que a ocupação des- dicações concretas sobre o se empenham nas suas tarefas PCE – Este ano, no pri- clusões sobre se as aulas piora- mesmo ao nível do número de
ses tempos não foi útil, não foi melhor ou pior funcionamen- docentes? Que conceito tem dos meiro período, foi feito o le- ram ou melhoraram, porque projectos implementados este
educativa, não podemos achar to dos trabalhos de equipa professores? vantamento da percentagem não há dados para avaliar essa ano, a situação é muito satisfa-
que está a correr bem. (TEQ). Partimos do princípio PCE – Aquilo que algu- de alunos propostos para pla- situação. tória. Temos três projectos do
Para mim, tudo correria de que todos funcionavam de mas pessoas me dizem é que nos de recuperação. Como o “Ciência Viva”; o “Eco Esco-
melhor se os professores, em forma satisfatória. Mas, na úl- há nesta escola um clima de ano passado não havia essa A Selva – Mas nota os pro- las”; candidaturas a outro tipo
primeiro lugar, e os alunos, tima remodelação de horários desconfiança que põe em cau- figura, ainda não existe termo fessores mais ou menos cooperan- de programas, como sejam um
também, colaborassem e se tivemos de tirar TEQ’s por sa os professores, antes de pôr de comparação. Claro que po- tes, mais ou menos disponíveis? do grupo de informática sobre
convencessem que esta medida dois motivos: o primeiro é que em causa os outros sectores ou demos, através das pautas do PCE – É óbvio que há um “Produção de Conteúdos” e
é positiva e útil. Mas friso que havia pessoas que só tinham as outras partes envolvidas. Eu ano passado, contar o número descontentamento quase gene- outro na área da cultura que
é aos professores que cabe o TEQ e se tiramos essas horas a penso que isso não correspon- de alunos com três ou mais ne- ralizado, o que, em alguns ca- envolve a escola, a Câmara
papel principal. umas, tivemos de tirar também de nem às nossas intenções gativas; no entanto, penso que sos, tem constituído um entra- Municipal, o Centro de Estu-
Muitos professores dizem às outras que trabalhavam em nem à nossa prática. Procura- esse número não andará muito ve à implementação de alguns dos Ferreira de Castro e a Casa
que este trabalho não se enqua- conjunto; o segundo, é que, na mos que exista na escola um longe dos números deste ano. projectos. No entanto, penso Museu Ferreira de Castro, que
dra nas suas funções, nas suas sequência da norma superior clima social de diálogo e de que houve uma fase inicial de se destina a financiar diversas
competências como professo- que impõe que só se pode uti- igualdade de oportunidades. A Selva – Esta pergunta contestação que tem vindo a actividades culturais; outro no
res. Mas, em termos formais, lizar 50% do tempo de redu- Não consideramos que exis- prende-se com um argumento diminuir estando, agora, pra- âmbito do COMENIUS para
não tenho dúvidas de que estas ção ao abrigo do artigo 79 para tam vantagens em manter um usado pelos sindicatos que diz ticamente ultrapassada. Vê-se participar num intercâmbio
actividades se enquadram no substituições, foi necessário modelo baseado na autoridade que as medidas postas em prática que as pessoas já vão aceitando com uma escola da Bulgária;
trabalho dos professores (com- tirar OITL’s a umas pessoas e máxima do professor e na obe- este ano, nomeadamente no que que algumas dessas medidas enfim, uma série de projectos
ponente não lectiva) porque atribuí-las a outras. diência cega dos alunos. diz respeito à organização dos são para manter. No fundo, que permitem dizer que até
estão previstas no Estatuto da Parece-nos que, no século horários dos professores, pouco trata-se de um processo natu- houve um incremento este ano
Carreira Docente há muitos XXI, tem que haver um ajuste ou nada teria beneficiado, nem ral, que acontece sempre que relativamente ao ano passado.
anos. Na prática, de facto, é NOVAS REGRAS constante por parte de todos as escolas, em geral, nem os alu- se tomam grandes medidas Aliás, graças a essa maior per-
uma mudança muito grande NA GESTÃO DO TEMPO nós nas relações e no trabalho nos, em particular. que tocam nos nossos interes- manência dos professores na
em relação ao que os professo- A Selva – Como professora, de forma a procurarmos perse- PCE – Em termos de apro- ses e no nosso quotidiano; há escola, estes acabam por ter
res estavam habituados a fazer. acha que tem tempo para prepa- guir ideais de excelência. E é veitamento, eu também duvi- sempre uma fase de resistência necessidade de ocupar esse
Penso que, para que as pes- rar devidamente as aulas com os nesse sentido que temos traba- do que a ocupação dos tempos e de contestação, que tenderá a tempo, pelo que acabam por
soas sintam isso como parte horários praticados este ano? lhado e pedido a colaboração livres dos alunos tenha reflexo diluir-se com o tempo. dinamizar projectos e activida-
das funções do professor, pro- PCE – A maior contrarie- das pessoas. no seu aproveitamento, pelo des que, de outro modo, não
vavelmente a escola vai ter que dade que temos hoje nas nossas menos este ano lectivo. A Selva – A sua percepção fariam.
mudar, nomeadamente as con- vidas é a gestão do tempo e isso A Selva – Mas acha que tem é, pois, de que todas estas trans-
dições em que as substituições também afecta os professores. um corpo docente competente, A Selva – Acha, então, que formações e este ambiente de
estão a ser feitas. Mas este é Às vezes gerimos o tempo de responsável, dedicado, esforçado esta nova organização não está a descontentamento, não preju- PROJECTOS
um trabalho mais colectivo do forma errada, e eu também so- até em muitos casos? É essa a beneficiar, nem a escola, nem o dicaram de forma significativa A Selva – Para além dos que
que apenas do órgão de gestão fro desse problema. opinião do Conselho Executivo? aproveitamento dos alunos? o normal funcionamento da são da iniciativa dos professores,
da escola porque os professo- Isto dito, considero que PCE – É essa a nossa opi- PCE – Dar uma reposta, escola. que projectos tem o Conselho
res que fazem substituições essa pergunta não deve ter uma nião. O Conselho Executivo agora, a essa pergunta, não me PCE – Eu já aqui estava Executivo para a escola?
se sentem abandonados pelos resposta de sim ou não. Há tem uma opinião muito po- parece possível, uma vez que antes, e aqui continuo, e sem- PCE – Um dos mais im-
colegas que estão a faltar e que professores que têm diferentes sitiva dos professores porque, há medidas, e esta será uma pre conheci pessoas indisponí- portantes e que pensamos estar
não deixam orientações ou níveis de ensino, uns muitas caso contrário, não se proporia delas, que só têm efeito a longo veis para pegar em projectos muito bem encaminhado, no-
materiais de apoio, e também outros poucas turmas, um ou a desempenhar funções execu- prazo. Relativamente ao apro- que saem da sua rotina, da meadamente graças ao envol-
se sentem abandonados pela vários níveis, e também há tivas. Achamos que temos o veitamento dos alunos, o que concepção do seu dever profis- vimento empenhado e muito
escola porque os manda para disciplinas e disciplinas (umas apoio deles, do pessoal auxiliar se tentou fazer este ano pren- sional. Sempre houve pessoas visível da Câmara Municipal, é
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“A mancha, até agora obscura, da plantaria rasteira e dos arbustos que prolongavam a sombra
em que a terra vivia, adquirira já o seu verde natural. A luz conseguira, enfim, traspassar o
cerrado e acendia agora as suas vistosas lâmpadas em todos os desvãos. E não era só claridade
flutuante, como pó bem peneirado; era sol que fabricava jóias refulgentes nos troncos das
árvores — anéis e diademas que matavam o ar soturno das princesas da floresta.” (pág. ____)
Página 

Entrevista com a Presidente do Conselho Executivo

exigência é o caminho para a autonomia


a construção de um novo blo- não está definida a rede que rias razões, os “Morangos com dos pais, outras, ainda, pelos problemas com que a educação ao ponto de partida, poderia a
co, cujo projecto foi efectuado iremos ter no próximo ano. Açúcar”; no entanto, penso ser pais e funcionários auxiliares, se defronta. Estou convencida escola ter feito mais e melhor em
pelo nosso colega Mário Luís, O processo inicia-se nos gru- muito grande. Veja-se, a título de tomarmos o partido dos que se o actual modelo não trinta anos, mesmo que o modelo
dotado de um auditório gran- pos disciplinares, que deverão de exemplo, o processo eleito- professores, pelos professores corresponder ao que se exige tivesse sido perfeito?
de e de qualidade, mais salas propor cursos que considerem ral para a Associação de Estu- que acham que estamos a dar dele, não haverá outra solução PCE – Acho que não. Aliás
de aula e outro tipo de espaços pertinentes para que depois, dantes, que foi muito invulgar demasiada margem de mano- que não seja mudá-lo. Na se- sou optimista e penso, mesmo,
que nos permitirão diversificar junto das outras escolas da dado o número de listas que se bra aos auxiliares para tomar quência deste raciocínio, acho que as escolas estão melhores.
a nossa oferta formativa ao região, bem como de outras apresentou. Esta foi uma con- um certo tipo de decisões, pelo que os professores só poderão Penso que o grande problema
nível de cursos com carácter instituições, nomeadamente a sequência directa, que eu pen- que situações de contestação já reivindicar a manutenção do da Escola no nosso país é ter
profissionalizante, em con- Câmara Municipal, sejam har- so ser muito positiva. não eram novidade para nós e actual sistema se conseguirem que competir com base numa
sonância, aliás, com as metas monizadas as várias propostas já não nos faziam viver num encontrar e contribuírem para referência europeia e termos
definidas a nível nacional que e os vários interesses de modo A Selva – E que pensa da mar de rosas. Mas é óbvio que encontrar soluções para os metas que foram traçadas,
apontam para que, nos próxi- a criar uma rede equilibrada influência e das consequências este ano a contestação foi um problemas. Não podemos con- nomeadamente pela estraté-
mos cinco anos, metade dos em que não se sobreponham que as novas tecnologias, nome- bocadinho mais forte, mas não tinuar a pensar que o problema gia de Lisboa, para 2010, que
alunos do ensino secundário cursos iguais e, ao contrário, se adamente telemóveis, compu- foi suficiente para nos desani- não está em nós e que por isso são metas que vão exigir mui-
estejam em cursos desta natu- diversifique a oferta. tadores, consolas, podem ter no mar e a prova é que continu- não nos podem exigir mais do to das escolas. É que, por um
reza, concluindo formação de funcionamento da escola? amos aqui e com vontade de que aquilo que já fazemos por- lado, nós fizemos um percurso
nível três. Ora, o que se pede às A Selva – Neste momento PCE – Eu penso que essa continuar. que, de facto, tem que se exigir muito positivo, diria mesmo,
escolas é que se preparem para já funcionam na escola cursos influência é inevitável, dado mais das escolas porque se te- muito bom, mas o problema
promover esse tipo de cursos, tecnológicos e CEF’s. Tem havi- que quer a evolução das novas A Selva – E o que pensa da mos os problemas que temos, é que continuamos longe das
com qualidade. Além disso, do algum acompanhamento dos tecnologia, quer a abertura dos vinda de um gestor profissional nomeadamente com taxas de metas que foram traçadas para
está em fase de conclusão a alunos que terminam essa for- jovens para aderir a elas, tam- para as escolas? insucesso e abandono elevadís- nós. E isto, não apenas ao ní-
proposta de projecto educativo mação, de modo a poder aferir- bém o é. Claro que existem PCE – Devo dizer que a mi- simas, é porque também as es- vel da educação; nós queremos
da escola, e dado que o mes- -se a sua razão de ser? consequências, nomeadamen- nha opinião sobre esse assunto colas têm falhas. Não podemos comparar-nos com outros par-
mo será colocado à discussão PCE – Temos algum regis- te conflitos, quando alunos foi evoluindo consoante as cir- dizer que são só os alunos e só ceiros da Europa e, sobretudo
brevemente, penso que será o to dos alunos que concluíram estão nas aulas de telemóvel cunstâncias. Penso que tal só se as famílias e os problemas que ao nível da educação, estamos
momento certo para dar a co- os cursos tecnológicos e fre- ligado, mas temos que enca- justificaria se essa figura fosse nós não conseguirmos resolver muito atrasados.
nhecer os objectivos e projec- quentaram um estágio. Estes rar isso como fazendo parte de investida de poderes e compe- vão aumentar a necessidade
tos de carácter pedagógico que cursos já existem nesta escola, um percurso natural, ao qual a tências que no actual modelo dos governos tomarem medi- A Selva – Será que o excesso
pensamos pôr em prática. No seguramente, há mais de dez escola se terá que adaptar. Te- não existem. Não significa isto das que não nos vão agradar. de voluntarismo, nomeadamente
entanto, posso adiantar que anos incluindo, ainda que não mos que pensar que, apesar da que eu quisesse ter esses instru- Aliás, este assunto prende-se ao querer “queimar etapas” defi-
um dos objectivos é, precisa- fosse obrigatório e para os que escola não pode acompanhar mentos, mas a figura do gestor com uma ideia já abordada e nindo metas que à partida não
mente, aumentar e diversificar assim o desejem, um estágio a evolução tecnológica, uma traz consigo uma mudança na que tem a ver com o facto de estamos preparados para atingir,
a oferta formativa de forma a parcialmente custeado pela vez que se tornaria proibitivo filosofia de gestão das escolas, se pensar que o Conselho Exe- não terá um efeito contrário ao
proporcionar respostas alterna- escola ao nível de um subsídio em termos económicos fazê-lo, dando-lhes, seguramente, mais cutivo toma medidas contra os pretendido?
tivas e adequadas a todo o tipo de alimentação e de transpor- continuamos a dar aulas como ferramentas, nomeadamente professores; ora, eu penso que PCE – Eu não sou especia-
de necessidades formativas dos te. Ora, o que se conclui é há muitos anos atrás, quando a uma, que é imprescindível: a a exigência, o sermos exigentes lista nessa área, mas entendo
nossos jovens, mesmo quando que a maioria dos alunos que sociedade evolui e evolui, pre- da avaliação. Além disso, será connosco e com os outros, é que o desenvolvimento do país
a meio de um percurso se torna termina esse estágio, não fica cisamente, por causa e apoiada uma figura mais distante, des- o caminho para podermos ser também depende do desenvol-
necessária uma reorientação. a trabalhar na instituição ou nesse desenvolvimento tecno- ligada dos interesses profissio- autónomos e para nos poder- vimento da educação, logo, se
Claro que permanece como empresa onde o frequentou, lógico. Ora, a escola deverá nais de qualquer das classes mos afirmar como escolas que queremos que o nosso país te-
nosso objectivo continuar a mas é um facto que acabam ser um polo de dinamização e profissionais existente nas es- funcionam e como profissio- nha níveis de desenvolvimento
oferecer um ensino de qualida- por revelar alguma facilidade promoção do uso dessas tecno- colas, e que, nessa medida, cria nais que querem ser olhados superiores, porque disso de-
de ao nível das outras aprendi- em encontrar emprego, com logias. uma relação com os diversos como tal. É com este objectivo pende a qualidade de vida de
zagens de carácter, quer geral, excepção do curso tecnológico profissionais pautada por cri- que temos que trabalhar. todos nós e das gerações futu-
quer pessoal, nomeadamente de acção social. Pensamos que térios que tenham a ver com ras, temos que enfrentar esse
no domínio da cidadania, por as razões desse facto se devem A TERMINAR o cumprimento de objectivos, A Selva – Na sua opinião, desafio.
exemplo. ao maior número de alunos A Selva – Para terminar: quer traçados superiormente, esses maus resultados da escola
que frequenta esse curso, e à como se sente por ser a pessoa que quer por ele próprio. Ora este serão em termos absolutos ou
A Selva – Já se sabe, ao cer- circunstância de ser uma área dá rosto às medidas do Ministé- perfil e esta filosofia, pode tra- relativos? Dito de outro modo, Entrevista conduzida por
to, qual a oferta de cursos para o em que, paralelamente, muitas rio da Educação e sobre a qual zer algumas vantagens para as atendendo ao nosso passado e Manuel Borges e Luís Neto
próximo ano? outras instituições oferecem recai todo o descontentamento escolas. No entanto, penso que
PCE – Na última reunião formação; veja-se, a título de dos professores? o nosso dia a dia demonstra
do Conselho Pedagógico de- exemplo, o facto do próprio PCE – Muitas vezes vem que um outro tipo de contacto
cidiu-se iniciar o processo de instituto de emprego e forma- ao de cima um certo desânimo, e de abordagem dos problemas
criação dos Cursos Profissio- ção profissional oferecer a pes- obviamente, porque estamos a pode também trazer eficácia,
nais de Química, da chamada soas desempregadas formação falar de medidas que, como uma vez que ao contrário da
família da Administração e na nessa área. Este ano, já garan- equipa, tomámos com alguma outra, não é usado um estatu-
área do Design, para abrirem, timos estágio para a totalidade convicção. No entanto, como to hierárquico rígido e muito
se possível, já no próximo ano dos alunos dos cursos tecnoló- equipa, também já estávamos definido, que pode ser contra-
lectivo. No caso deste último, gicos de acção social e de des- habituados a lidar com o facto producente. Penso, no entan-
poderão surgir dificuldades porto, e para a quase totalidade de termos sempre algumas pes- to, que será o futuro da gestão
uma vez que não consta dos dos alunos do C. T. de infor- soas contra nós. Quem ocupa das escolas se o actual modelo
referenciais do Ministério da mática, passando-se o mesmo estes cargos, sabe que tem que não der resultados, nomea-
Educação. No entanto, procu- com os alunos dos CEF’s. tomar diariamente muitas de- damente melhorando alguns
raremos junto da DREN pro- cisões, umas mais fáceis, outras indicadores que estão muito
por um contrato de autonomia não tanto, mas que implicam mal na educação em Portugal.
que permita à escola criar o seu “MORANGOS” quase sempre um grande nú- Aquilo que a actual equipa do
próprio curso, ainda que não A Selva – Mudando ago- mero de pessoas. Além disso, Ministério da Educação está a
se submeta a nenhum referen- ra de assunto. Qual pensa ser a somos frequentemente acusa- fazer e que será a linha de actu-
cial, desenhando o seu próprio influência de programas como das, umas vezes pelos alunos ação futura, é avaliar este mo-
plano curricular. Continuam, “Morangos com Açúcar” no de tomarmos sempre o partido delo e ver o que ele tem para
ainda, em discussão, a oferta comportamento dos jovens e na dos professores, outras vezes dar uma vez que o diagnóstico
de cursos de educação e forma- própria vida da escola? pelos professores de tomar- está feito e é necessário encon-
ção (CEF’s) uma vez que ainda PCE – Eu não vejo, por vá- mos o partido dos alunos ou trar um modelo que resolva os
Jornal da Escola Secundária Ferreira de Castro
Março de 2006
“No dia seguinte, domingo de repouso e fornecimento, quando
Alberto e Firmino chegaram ao barracão já a varanda estava
povoada de seringueiros. Eram caras de diferentes cores e
corpos de todas as estaturas, uniformizados apenas pelas blusas
de riscado e calças de brim, invariavelmente azul.” (pág. ___)
Página 

www.esfcastro.pt Notícias do 8ºAC

O que é que a Página da Escola na Internet tem para ti? decoração de presentes de Natal
No passado dia 8 de Dezembro de 2005, a turma do 8ºAC
feições, ver o saldo e as • Também desde Janeiro,
(Curso de Educação e Formação de Assistente Comercial) par-
despesas que fizeste; podes usar um email do tipo
ticipou numa actividade relativa
• Documentos importantes, oteunomedeutilizador@
à decoração de presentes de Na-
como o Projecto Educativo esfcastro.pt. É uma caixa de
tal.
da Escola, o Plano Anual de correio personalizada, com a
No sentido de melhor reali-
Actividades, as turmas e os qual podes enviar ou receber
zar esta tarefa, a turma contou
horários. emails com ficheiros anexos;
com a ajuda de uma represen-
• Desde Janeiro, também • Ligações (weblinks) para
tante do comércio local, que se
já podes descarregar e páginas feitas pelos teus
deslocou à escola com o propósito de ensinar aos alunos técnicas
imprimir as justificações professores, com conteúdos
decorativas a aplicar em presentes natalícios.
de falta, que assim já não sobre as disciplinas ou para
Já no dia 15 do mesmo mês, foi a turma que tomou a iniciati-
precisas de comprar na páginas que eles consideram
va e proceder à mesma actividade, embrulhando os presentes que
Papelaria; ter interesse para ti;
a comunidade escolar lhe forneceu.
• Um serviço de mensagens, • Se quiseres, com os teus co-
com o qual podes enviar legas, ter a página da turma,
e receber mensagens de basta que contactes o admi-
outros utilizadores, sem nistrador da página (cujo
A página da Escola ser- • Informações actualizadas precisares de usar o email; email é PauloMartins@
ve para disponibilizar vários sobre tudo o que se passa • Salas de conversação: podes esfcastro.pt) e pedir que
serviços a toda a comunidade na Escola: as actividades, conversar com os teus disponibilize espaço para
educativa. Para além de dar comemorações, dias ou amigos no Bufete, uma sala ela. Se não a souberes fazer,
informações sobre a escola a semanas dedicadas a certos aberta a toda agente ou, se podes pedir-lhe para te dar
outras pessoas, a nossa página temas, o desporto escolar, quiseres, podes abrir salas formação, o que pode acon-
tem várias coisas para ti. No etc.; de conversação para uma tecer numa aula de Estudo
nosso sítio (ou site, em inglês) • O cartão da Escola, onde disciplina ou para uma Acompanhado ou Área de
O balanço feito foi bastante positivo, dado que a tarefa foi
podes encontrar: podes marcar as tuas re- turma; Projecto.
proveitosa e também produtiva. Quem sabe se num futuro pro-
fissional tais conhecimentos não poderão vir a ser úteis?
Professores podem pôr a sua disciplina na Internet A turma pensa que, por isso mesmo, poderá voltar a repeti-
la no próximo ano lectivo, caso tenha novamente a colaboração
Brevemente, vamos disponibi- e muito mais. Este da comunidade escolar. Ao longo, ainda, deste ano lectivo, irão
lizar um novo serviço, conhe- espaço está expe- realizar-se outras actividades. Até breve!
cido por Moodle, que permite rimentalmente dis-
aos professores criar e manter ponível em www.
um espaço na Internet, alo- esfcastro.pt/mood- Notícias do 9ºA
jado no servidor da Escola, le/ e os professores
onde podem registar os seus
alunos, atribuir-lhes trabalhos,
podem inscrever-se
no fórum existente Projecto Eco-Escolas
que podem ser enviados e de- para, mais tarde, Como para um ambiente saudável todo o ser vivo tem de
volvidos através da rede, fazer poderem abrir os colaborar, a turma do 9ºA dispôs-se a ajudar!
testes de vários tipos (respos- espaços das suas
ta múltipla, palavras cruzadas, próprias discipli- Este ano lectivo, a Escola Secundária Ferreira de Castro de-
espaços em branco, asso- nas. Este é um re- cidiu aderir ao Projecto Eco-Escolas para que a nossa escola co-
ciação de palavras/imagens, curso que está a ser labore na melhoria do nosso ambiente. A turma do 9ºA interes-
etc.) disponibilizar textos, usado em muitas
sou-se pelo projecto e decidiu intervir realizando cartazes alusivos
apontamentos, apresentações universidades e es-
em Powerpoint, exercícios colas por todo o ao tema e textos informativos que serão espalhados pela escola e
resolvidos, links para sites in- mundo e que pode divulgados pelos vários meios de comunicação existentes.
teressantes para a disciplina ser muito útil. Pretendemos, assim, alertar toda a comunidade escolar para a
importância da separação do lixo e da reciclagem.
Rádio da Escola Semana dos Media na Escola
mostra os meios de OS MELHORES DE 2004/05
comunicação Cerimónia de entrega de prémios aos melhores alunos
do ano lectivo passado
Esta semana, que vai decorrer entre 27 e 31 de
Março, tem como objectivo aproximar os meios de Mais um ano, mais alunos premiados!
comunicação social da Escola. Durante estes dias, Este ano lectivo a nossa escola vai, à semelhança de anos an-
haverá cinema, exposições relacionadas com os teriores, distinguir os melhores alunos do ano lectivo 2004-2005.
A media, conversas com jornalistas, actividades
na Internet e torneios de jogos de
A selecção destes alunos é efectuada com base na média ponde-
rada das classificações obtidas ao longo dos três períodos lectivos,
vai ter página na Internet Rádio Impacto computador. O programa definitivo de acordo com a fórmula seguinte:
será divulgado atempadamente.
A equipa da Rádio Impacto precisa de colaboradores
está a preparar uma página, que Paulo Martins
Gostavas que a rádio da Escola tivesse maior diversidade
Responsáveis pela organização deste evento estão os alunos
vai estar integrada no site da
de programas? Que não fosse só música, mas que do 9ºA, cuja tarefa será realizada nas aulas de Área Projecto. Para
Escola, onde vai estar disponível
informação variada sobre a rádio. também tivesse notícias, passatempos, reportagens além da criação do cenário e do guião, a turma está encarregada
O principal objectivo desta página e outros? Então, vem fazer parte da equipa, de entrevistar e de se informar sobre os alunos que serão distin-
é recolher as votações dos alunos traz as tuas ideias e iniciativas. guidos.
da escola para se fazer um top das . . . Esperamos por vocês no dia 24 de Maio,
preferências musicais dos alunos. dia da Festa da Escola!
Jornal da Escola Secundária Ferreira de Castro
Março de 2006
“Trepava a água às viçosas plantações, depenando toda a terra
que braços fortes tinham roçado para a obra da criação. E os mais
desprevenidos viam até ir na corrente, desfeito com vigor daninho, o
lar que haviam fundado ao alcance de intrusa. Era a desolação e era a
pobreza que a grande toalha impura trazia nas suas dobras.” (pág. ___)
Página 

Três “Ferreiras” de corpo e alma A FÍSICO-QUÍMICA E A POESIA


Pode dizer-se que são as actuais três maiores figuras da casa chamada Escola Secundária Ferreira de Castro. Não porque são as mais
velhas, mas porque são as que, neste momento, passadas três ou mais décadas de trabalho, aí continuam a dar diariamente a sua vida. Sonolência cósmica
Merecem um prémio de fidelidade e também a nossa admiração, independentemente de todas as outras qualidades que têm.
Lá vai o barco, abandonado, pelo
[ mar alto.
A água é negra, o céu é negro, cor
[ de basalto.
Nas suas tábuas onde assobiam
Aurora boreal [ gritos de vento,
nem uma sombra, nem um
Tenho quarenta janelas [ gemido, nem um lamento.
nas paredes do meu quarto. Tudo silêncio, tudo tristeza, tudo
Sem vidros nem bambinelas [ mistério.
posso ver através delas Caixão aberto de uma criança
o mundo em que me reparto. [ num cemitério.
Manuel Gomes Vaz da Silva é o mais Maria Valente Alves, é natural de Cas- Maria Adelaide Pereira Barros está na
antigo na casa, desde o tempo em que telo de Paiva, mas vive em Oliveira de Ferreira de Castro há 29 anos. Para si, e Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar, As esferas, nos espaços,
era extensão do liceu de Aveiro e funcio- Azeméis há mais de 40 anos. Começou são palavras suas, “esta escola representa
por outra a luz das estrelas rolam nuns certos sentidos.
nava num edifício atrás da Câmara Mu- por trabalhar na Ferreira de Castro ain- tudo”, pois gosta dela e adora o que faz.
que andam no céu a rolar. As sombras guardam abraços,
nicipal. É a figura que mais se confunde da antes de assim se chamar, já lá vão Nasceu em Santa Maria da Feira, mas
Por esta entra a Via Láctea os leitos guardam gemidos.
com a própria escola e com a sua iden- mais de 33 anos. Hoje é figura imediata- vive em Oliveira de Azeméis há mais de
tidade. Não será fácil falar da Ferreira mente associada à Cantina da nossa es- trinta anos. Aqui desempenhou, ao lon- como um vapor de algodão,
Os filhos riem nos colos,
de Castro sem reconhecer no Sr. Vaz o cola, onde é cozinheira-chefe, e é assim go de quase três décadas, várias funções, por aquela a luz dos homens,
acolchoados presepes.
homem que está sempre presente, que que ficará conhecida, embora tenha de- donde destaca o apoio dado aos alunos pela outra a escuridão.
Há gargalhadas nos pólos,
cuida do edifício, que trata do jardim e sempenhado outras funções quando era deficientes no Bloco C. No entanto, a Pela maior entra o espanto, nos montes e nas estepes.
das plantas, que abre e fecha a escola e o mais nova. Gosta tanto da escola que o Cantina e o Bufete foram, desde sem- pela menor a certeza,
pavilhão, que é guarda e garante do seu que mais a preocupa é “quando for para pre, os seus espaços de trabalho privile- pela da frente a beleza Macias como veludos,
funcionamento desde manhã até noite a reforma”. Já adivinha as saudades que giados. A sua jovialidade e boa disposi- que inunda de canto a canto. Lácteas gargantas de fêmea,
dentro, há mais de 34 anos... sentirá. ção falam por si. Pela quadrada entra a esperança soltam risos pontiagudos
de quatro lados iguais, como cristais da Boémia.
TIME FOR ENGLISH ESPACE FRANCE quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais. Parou o mar. Aquietou-se, fibra
Os professores e os alunos de Francês realizaram nos passados
dias 1, 2 e 3 de Fevereiro diversas actividades que visaram chamar a Pela redonda entra o sonho, [ por fibra,
atenção de todos para a língua, cultura e gastronomia francesas, tão que as vigias são redondas, e veio o Sol, redondo e loiro
esquecidas entre nós nos dias que correm. Fez-se uma “foire aux pu- e o sonho afaga e embala [ como uma libra.
ces” (feira da ladra), passou-se música francesa na rádio, expuseram- As ondas bravas, guerreiros cegos
à semelhança das ondas.
se produtos tipicamente franceses e, êxito dos êxitos, venderam-se [ quebrando lanças,
Por além entra a tristeza,
“crêpes”, “gaufres” e outros manjares que estavam uma delícia e não a pouco e pouco foram ficando
chegaram para as encomendas. A ementa da cantina no dia 2 tam- por aquela entra a saudade, [ verdes e mansas.
bém foi “francesa” e todos gostaram. Espera-se por mais, talvez no e o desejo, e a humildade, Lá vai o barco, serenamente, pelo
dia da Escola. e o silêncio, e a surpresa, [ mar alto.
Aqui ficam algumas fotografias da manhã do dia 2 de Fevereiro: e o amor dos homens, e o tédio, O céu é róseo, cor dos rosados
e o medo, e a melancolia, [ sais de cobalto.
e essa fome sem remédio
a que se chama poesia, As esferas, nos espaços,
e a inocência, e a bondade, rolam nos mesmos sentidos.
e a dor própria, e a dor alheia, As sombras guardam abraços,
e a paixão que se incendeia, os leitos guardam gemidos.
e a viuvez, e a piedade,
Os filhos riem nos colos,
e o grande pássaro branco,
acolchoados presepes.
e o grande pássaro negro
Há gargalhadas nos pólos,
que se olham obliquamente, nos montes e nas estepes.
arrepiados de medo,
todos os risos e choros, Macias como veludos,
todas as fomes e sedes, lácteas gargantas de fêmea,
tudo alonga a sua sombra soltam risos pontiagudos
Valentine’s Day nas minhas quatro paredes. como cristais da Boémia.
António Gedeão
Across 7. Poor Bob he got a ___ John Oh janelas do meu quarto,
1. This day is named after St. ___ letter yesterday quem vos pudesse rasgar!
4. Prudence is the better part of __ 9. I love ___. Com tanta janela aberta Homem
6. Significant color
falta-me a luz e o ar.
8. This day is celebrated Inútil definir este animal aflito.
in this month Nem palavras,
António Gedeão nem cinzéis,
Down nem acordes,
2. They are more than nem pincéis
friends. They are ___ são gargantas deste grito.
3. It takes___ Universo em expansão.
5. The most common Pincelada de zarcão
flower given on this desde mais infinito a menos infinito.
day. António Gedeão
Jornal da Escola Secundária Ferreira de Castro
Março de 2006
“Tudo, agora, lhe parecia mais doce, cómodo e
suportável. Tinha o quarto bem arrumado, os
livros no seu lugar, sobre a mesa o retrato da mãe,
sobrescritos e papel em branco para lhe escrever e aos
poucos amigos que ainda lhe respondiam.” (pág. ___)
Página 

“vozes de burro” VAMOS CONHECER O PROJECTO

é certo e sabido que vai aparecer e premiados; existem aqueles


ECO-ESCOLAS
um secretário de estado a dizer alunos que com extraordinários Num momento em que o tituído por docentes,
que deu nove milhões de fal- recursos postos à sua disposi- futuro do nosso planeta depen- um auxiliar de acção
tas... “Eeeuuu?!” ção, pouco “rendem”, enquanto de de cada gesto que pratica- educativa, um repre-
- “SSIIIIMMM, TUUU!!!!” outros, quase sem recursos, são mos hoje, urge pensar e agir!… sentante da Associação
– e um imponente dedo indica- verdadeiros heróis, que servem Agir localmente, a caminho de de Pais e Encarregados
dor estilhaça o ecrã e pára brus- de exemplo e inspiração. uma mudança global. de Educação, dois alunos e um ração dos lixos e à política até
camente em frente do seu nariz. Ora a Escola, nos últimos 30 Pretendendo a Escola representante da autarquia lo- aqui desenvolvida em relação

N
unca, como este ano, se Mas será que tudo isto é anos, desenvolveu um percurso educar cidadãos conscientes e cal, propôs-se abordar algumas aos transportes. Nota-se, tam-
falou tanto da Escola. como pintam? Será que a Escola em tudo semelhante ao exposto activos, assume importância temáticas: separação de resídu- bém, o desejo de uma maior e
E nunca dela se disse é, de facto, esse verdadeiro “tu- no último parágrafo. De “alu- vital, primordial, uma edu- os; água; energia; transportes. melhor relação com a natureza
tão mal. É um verdadeiro “caso” mor” social? Serão os professo- na” francamente negativa, que cação ambiental participada A questão dos resíduos, e a vontade de utilização dos
na comunicação social onde to- res, assim, tão incompetentes e apresentava níveis de insucesso e que implique uma mudança assumirá especial relevância espaços exteriores da escola
das as figurinhas e figurões têm irresponsáveis? abandono só comparáveis aos do de atitude perante o ambiente, dado que a separação dos lixos como um local privilegiado de
o descaramento de “opinar”, Pelos números que vão Uganda, dos anos 70, governado constituindo cada elemento da constitui uma prioridade da convívio e desporto. Aprovei-
quanto mais não seja para revelar sendo lançados, ficamos com a pelo célebre Marechal de Campo comunidade escolar “um foco Escola. tando esta vontade colectiva
o triste e patético espectáculo da ideia que sim, e eu nem me dou Dr. Idi Amin Dada ou da actual de contágio” para o exterior. Entretanto, a equipa de de melhorar, a equipa do Eco-
sua própria ignorância. Nem o ao trabalho de os contestar. Até Coreia do Norte do grande líder, Neste âmbito, a adesão ao trabalho do Eco-Escolas ela- Escolas lança um apelo à cola-
honorável ex-presidente escapou pode ser verdade que a taxa de verdadeiro sol nascente da civili- Programa Eco-Escolas ganha borou um inquérito dirigido boração de cada um para que
à tentação de sobre ela dissertar abandono, por exemplo, no 9º zação, Kim Hill Sung, passámos todo o sentido, dado que é a uma amostra de alunos, con- todos beneficiem de um espa-
quando teria, ele e todos nós, ano seja de 15 ou 20 por cento, a apresentar níveis de sucesso e vocacionado para a educação templando todos os anos de ço limpo, saudável e bonito!
ganho bem mais se se tivesse dei- porque, mesmo assim, estamos permanência na escola que se ambiental e para a cidadania, escolaridade, cujos resultados Todas as sugestões serão
xado estar calado. a falar de números excelentes, aproximam, não apenas da de traduzindo-se este facto em serão, em breve, divulgados. bem-vindas.
Tudo vai mal na Escola, diz- quando comparados com o que países como a Espanha, a Itália, acções concretas desenvolvidas Nota-se, através das respostas, Está na hora de agir!
se. E há culpados, claro: os pro- se passava há 30 anos em que ou a Grécia mas, mesmo, (pas- pelos alunos e por toda comu- algum desconhecimento rela- A equipa Eco-Escolas agra-
fessores. E pegue-se por onde se essa taxa era de 85%, ou seja, me-se!) da França ou da Inglater- nidade educativa, com vista à tivamente a estes assuntos, no- dece todas as sugestões e a vos-
pegar, lá vem a ladainha dos me- apenas 15% dos nossos jovens ra. Diria que a Escola portuguesa tomada de consciência de que meadamente à política dos três sa colaboração.
ninos que não sabem a tabuada, o concluíam. Diz-se que o in- passou de um nível de conclusão simples comportamentos indi- “R”. No entanto, é evidente
que são indisciplinados, que sucesso nos exames do 12º ano dos ensinos básico e secundário viduais são essenciais para um a preocupação, por parte dos A Equipa: Júlia Nunes
escrevem com erros de ortogra- de Matemática é muito elevado, (antigos 5º e 7º anos) na casa futuro melhor. nossos jovens, de querer mu- Rosário Martins
fia, não conhecem Camões, não mas quando me lembro que há dos 15 e 5 por cento para taxas Para este ano lectivo, o dar o actual estado de coisas, Luísa Oliveira
sabem o nome do primeiro rei trinta anos apenas 5% dos jovens médias na casa dos 75 e 60 por Conselho Eco-Escolas, cons- sobretudo em relação à sepa- Benilde Gomes
de Portugal nem a data da inde- concluíam o ensino secundário, cento, respectivamente.
pendência, que querem lá saber interrogo-me sobre a quantida- Já quanto aos recursos, va-
onde fica o Guadiana ou se é o
Sado que desagua em Vila do
de dos que, nesse tempo, obti-
nham sucesso a Matemática. E
leria a pena compreender que
só se fala deles para arremessar Família e delinquência juvenil:
Conde ou o Ave em Setúbal; em
alguns casos, sabem “de um sa-
este é o verdadeiro problema da
educação: a falta de seriedade
mais meia dúzia de falácias con-
tra a Escola. De facto, insiste-se mundo de carências e de interditos
ber muito fundo” que o Ave não com que se manipulam os nú- em referir, apenas, a percenta-
é rio, porque voa, mas já nem o meros e não, propriamente, os gem do PIB investida na edu-
discutem. E a culpa de tudo isto números em si. cação, quando seria bem mais promoção de estilos de vida de acções a serem realizadas.
é, como não podia deixar de ser, Sempre que se usam nú- honesto falar-se de montantes saudáveis sociais e pessoais, Por outras palavras, há que
dos professores. meros como forma de susten- investidos por aluno. É que na tentativa de minimizar os definir estratégias de interven-
Algumas pessoas entendidas tar argumentos, deve haver a para quem tem um PIB baixo, comportamentos de risco, o ção das actividades específicas
em estatística, mas que já não seriedade de os enquadrar, ou como o nosso, mesmo que a insucesso escolar, apelando ao a desenvolver, de modo a as-
entram numa escola há mais de seja, dar-lhes “perspectiva”. percentagem disponibilizada desenvolvimento do sentido de segurar a adequação crescente
20 ou 30 anos e, provavelmente, Muito mais se impõe este pro- para a educação seja maior, o autonomia, responsabilidade e das actividades às necessidades
nunca deram uma aula, lançam cedimento, se pensarmos que a montante investido, por aluno, Situações, como as de carên- auto-estima, ou seja, uma me- de temas, relacionados e con-
números de insucesso e aban- Escola foi forçada a desenvolver resulta muito menor. Dito de cia sócio-económica, suscitam a lhoria das condições de vida das fluentes com a melhoria das
dono que fazem vender muitos um percurso de aprendizagem outro modo, investe mais em implementação dum trabalho crianças e das suas famílias. condições de vida das famílias
jornais e abalam perigosamente e adaptação a uma realidade cada aluno a Alemanha com especificamente de intervenção Promover a qualidade de e com a realização dos seus
a nossa confiança como povo. bem diversa da que existia há 4,5% do que Portugal com 6% social. Como tal, o desenvolvi- vida das famílias passa, eviden- projectos de vida.
De imediato se ouvem os lamen- 30 anos. Vista deste modo, não do PIB. mento de actividades específicas temente, por acompanhar e No fundo, qualquer que
tos: “Pobre país! Que miséria! posso deixar de reconhecer que, Desde há muito que os deve privilegiar a participação/ encaminhar crianças e respec- seja a implementação duma
Porque raio não nasci espanhol? dado o nosso ponto de partida, professores se habituaram a li- envolvimento, acompanhar e tivos agregados familiares con- acção social deve orientar-se
Razão tinha o Eça quando dizia seria muito difícil ter-se feito dar com superioridade olímpi- encaminhar crianças e adoles- siderados de risco, de modo a pelos seguintes objectivos, que
que éramos um país traduzido mais e melhor. ca com as chamadas “vozes de centes bem como os respectivos promover um ambiente fami- consideramos essências: pro-
do francês em calão!” Como avaliar percursos de burro”; o seu estatuto social e agregados familiares, considera- liar facilitador da aquisição ou mover o acesso à informação e
Quanto aos professores, aprendizagem é tarefa dos pro- remuneratório, sempre foi cau- dos de risco, de modo a promo- desenvolvimento de compor- à igualdade de oportunidades;
começam a ter medo de sair fessores, são eles quem melhor sa de invejas e complexos por ver um ambiente facilitador da tamentos saudáveis. Prevenir promover acções curtas de sen-
à rua. No café, no cinema, no saberá pôr esta questão “em parte de determinadas camadas aquisição e desenvolvimento de comportamentos de risco, sibilização às famílias; desen-
hipermercado, andam semi dis- perspectiva”. De facto, lidam da população. Mas desta vez é estilos de vida saudáveis. Divul- diagnosticar situações desvio volver competências de crítica
farçados e sempre que vêem um quotidianamente com crianças diferente. São os próprios go- gar projectos apropriados e as e de risco, apoiar a construção e de opinião nas populações
aluno ao longe, saltam para trás que, não deixando de ser “boas” vernantes que atacam a classe, actividades que os compõem, de novos projectos de vida, relativamente aos problemas
da banca das papaias e das bana- alunas, pouco evoluem ao lon- denegrindo-a junto da opinião tornar-se-ão mais valias para promover o envolvimento e a que afectam a comunidade e a
nas e saem de lá disfarçados de go de um ano lectivo, enquanto pública, para levarem a cabo aumentar a eficácia do apoio e responsabilização dos encarre- si próprias, isto é, promover a
Carmen Miranda. outras, mesmo não deixando um conjunto de medidas de efi- do acompanhamento às crian- gados de educação e da família melhoria das condições de vida
E há mesmo um ou outro de ser “más” alunas, fazem pro- cácia duvidosa. É triste! ças e respectivas famílias. em geral na vida sócio-educati- das famílias.
que já nem liga o televisor. Ape- gressos notáveis, que têm que É fundamental a dinami- va das crianças são estratégias
sar de saber que raramente falta, ser reconhecidos, estimulados Luís Neto ¶ zação de actividades várias, a que devem nortear todo o tipo Costa Gomes ¶
Jornal da Escola Secundária Ferreira de Castro
Março de 2006
“Reagiu entre duas garfadas, procurando
justificação para o seu procedimento: «Que
tinha ela com isso? Não era natural que
um homem como ele, vivendo a juventude,
buscasse o amor que lhe negavam?»” (pág. ___)
Página 

A minha vida Pensando... Reflectindo... Imaginando...


Ah! A minha vida, a minha aquela simples frase nunca saiu No entanto, a alma neces- reflectir, tentar achar, tentar
“ (…) ter asas simboliza
vida! Sinceramente, não sei bem da minha cabeça. sita dessa liberdade que a vida descobrir exige tempo que só
A liberdade
dizer o que é a minha vida, nem Os anos passaram e a minha nos nega, diz Pessoa. A alma uma liberdade bem gerida nos
Que a vida nega e a alma precisa”
como a vejo, nem o que ela é vida (própria de criança) conti- não se alimenta de descanso ou pode oferecer.
para mim. Na verdade, ela resu- nuou a decorrer, tranquila e se- Fernando Pessoa dos próprios géneros alimentí- Conquistar a liberdade de
me-se ao normal de qualquer jo- renamente. Não tinha, de modo cios, digo eu. A alma alimen- que a alma precisa não deve
vem: escola, desporto, escola… algum, qualquer filosofia ou ta-se de energia ser excepção mas

D
E, claro, todos os problemas (e ideia que me guiasse. Contudo, a esde cedo que nos nega a vida essa liberdade. A positiva (a energia regra. Só assim será
alegrias também!) que dela ad- frase continuou insistentemente habituámos a ver resposta é fácil de entender se do sol, do mar, do possível encontrar
vêm. na minha cabeça. Finalmente, já associadas as asas à encararmos a “vida” de Pessoa céu e do vento) a plenitude e a sa-
Quando era ainda uma um pouco mais crescida, come- liberdade. Mas a liberdade não como o quotidiano esgotante que promove o tisfação pessoal que
criança, talvez com sete ou oito cei a perceber o que aquilo me é apenas de um tipo, ela pode que é viver de forma rotineira. contacto directo cada um de nós tan-
anos, li uma folhinha que a queria dizer. Desde então, talvez manifestar-se em vários cam- É a rotina que nos tira a entre o ser e a Na- to deseja. Essa liber-
minha prima tinha afixada no seja essa a maneira como eu vejo pos, de vários modos e depen- força e que nos obriga a des- tureza. Um con- dade, dotada de asas
quarto. Dizia assim: “Sorri sem- a vida: “Sorri sempre”. de do sujeito. A liberdade de cansar e a nos alimentarmos tacto reafirmante para voar por todo
pre, ainda que o teu sorriso seja Em suma, sorrir começou a que sente falta um prisioneiro para possuirmos energia para e em que há troca de o mundo, não está no
triste; porque mais triste que o fazer parte de mim. A frase con- é diferente da liberdade de que continuar a executá-la da for- energia saudável, uma energia fim do arco-íris, como o pote
teu sorriso triste é a tristeza de tinuou a soar na minha cabeça, sente falta um estudante. Se o ma mais perfeita possível. que faz com que o ser encare a do tesouro encantado. Pode ser
não saber sorrir”. Na altura, mesmo quando tudo me pare- primeiro sente falta de ver a luz Num mundo industrializa- realidade e a “vida” com bons bem mais real e bem mais hu-
pedi-lhe para me ajudar a en- ce perdido e acho que já nem do sol e a realidade sem grades, do, há que existir rotina para olhos. mana e menos fantástica e do
tender o que a folhinha dizia, sequer tenho forças para sorrir. o segundo sente falta da liber- que a produção não pare. No Olhos cheios de ternura domínio do inimaginável.
pois era demasiado complicado Acaba por ser esta, portanto, a dade que o deixa esquecer a mundo social, há que existir que permitam o transporte da As “asas” que nos perten-
para mim. Apesar de ela ter feito minha maneira de ver a vida. rotina, os horários a cumprir, o rotina para que a educação se inocência e pureza de Adão e cem são resultado da nossa
um enorme esforço e me ter ex- Certa ou errada… só o tempo plano de estudos a seguir. dê. Num mundo habitado, há Eva para o Paraíso que hoje conquista!
plicado vezes sem conta, conti- o dirá! A grande questão que se que existir rotina para manter existe mas que ninguém tem
nuei sem entender… Contudo, AM ¶ impõe agora é por que nos a população saudável. tempo para encontrar. Porque Maria João Xará (12º C) ¶

Já que falamos de Selva...


Q
uando, finalmente, que o tornava ainda mais ad- baixo de um embondeiro, e que turos, decorrentes de uma au- mesmo, o leito. Neste equilí- deixou “contaminar” por esta
chegava a hora de mirável, era que não estando os era a delícia de fotógrafos pro- têntica cultura naturalista que brio, visível também noutros cultura, não pode ficar indife-
partir, já eu antecipa- espaços reservados aos turistas fissionais e amadores. Bem ali- assentava no justo equilíbrio povos cuja cultura assenta nos rente ao nosso posicionamento
ra a viagem em vários dias, fin- particularmente protegidos, era mentados por uma natureza en- Homem/Natureza/Animal. mesmos valores, confrontamo- face ela e a todos os seres que
gindo nas minhas brincadei- raríssima a sua “invasão” por volvente equilibrada e generosa, Anos mais tarde, já adul- -nos com a extraordinária reve- nela habitam. Os animais, em
ras, sozinho ou com os meus animais do parque, dado que, podíamos aproximarmo-nos a to, regressei a África, desta vez lação de uma vasta e generosa particular, passaram a ser enca-
irmãos, que era o condutor de a Angola. Como todos os que Natureza justa e harmoniosa- rados como bens de ostentação
um velho Land Rover de caixa lá nasceram, ou mesmo os que mente repartida por todos os (“– Havias de ver o meu Rot-
aberta, simultaneamente guia e apenas por lá passaram sinto, Seres que a povoam. teweiller!!...”) ou, pior ainda,
guarda daquele imenso parque diariamente, aqui na Europa, o Ao contrário de nós, Eu- como vítimas inocentes dos
natural: o Kruger, na África do apelo desse imenso continente, ropeus, que nos julgamos “su- nossos instintos mais primários
Sul. das suas paisagens esmagadoras, periores” relativamente aos res- e cruéis, que se revelam na indi-
Tinha, então, não mais do das suas cores fortes e cheiros tantes Seres do Universo, à luz ferença com que se abandonam
que seis anos de idade, e vivia intensos dos seus povos sábios do que chamamos “conquistas ou, pior ainda, em espectáculos
em “Lourenço Marques” (hoje de cultura milenar. E redescobri civilizacionais”, o Africano como as touradas ou as lutas de
Maputo) e a ida ao Kruger Na- em mim valores apreendidos na assume, baseado no pragma- cães, caracterizados pela len-
tional Park representava, para tismo da sua própria cultura, ta agonia e sofrimento mortal
nós, uma viagem mais curta do que dessa harmonia depende a do animal, para gáudio de uns
que a que fazemos, agora, todos sua própria sobrevivência, dado milhares de espectadores. Um
os verões, ao Algarve. Compre- por princípio, todo o animal, ponto de quase os que dela se constrói a harmonia autêntico, frenético e leonino
ensivelmente, pois, rapidamen- mesmo “selvagem”, teme e afas- tocar, e observar as Universal, de que ele é apenas festim.
te se tornou uma “obrigação” ta-se do homem; mas, se algum, crias nos seus infan- uma ínfima parte. E mais: as Mas ao usar o adjectivo
anual, sobretudo porque, se as tresmalhado ou curioso, tivesse tis e inocentes jogos sociedades Europeias, tão forte- “leonino”, a minha memória
distâncias são comparáveis, já o esse atrevimento, (e eu nunca de caça e destreza, mente descaracterizadas e desu- actualizou-me o majestoso e
não é o fascínio e a magia de tal presenciei nenhuma situação as fêmeas sempre manizadas, representam o pon- enternecedor espectáculo dos
aventura. dessas), só em casos extremos se maternalmente pa- to de chegada de uma opção “meus” leões do parque Kruger.
Para quem nunca ouviu recorria à violência que, no en- cientes e vigilantes, errada, feita num determinado E não pude deixar de me inter-
falar, o Kruger National Park, tanto, nunca passava de um tiro os machos com o seu olhar se- minha já longínqua infância momento, perdido algures na rogar sobre, afinal, onde ficaria
na África do Sul, é um imenso de dardo narcótico para, então, reno e aristocrático. partilhada com África. noite dos tempos, e que nos a verdadeira SELVA e se não
parque natural com uma área o retirar em segurança. É, pois, absolutamente Para o Africano não acul- afastou dessa tão simples verda- era hora de a colocar, não num
superior ao nosso Alentejo. Nessa antecipação que os compreensível e indescritível o turado, (de que as suas elites de Universal de que o Africano, longínquo paraíso africano ou
Dotado de infra-estruturas de meus seis anos faziam da via- fascínio e a ansiedade com que governantes não são exemplo) o Aborígene ou o Índio Amazó- amazónico, mas aqui mesmo,
acolhimento turístico notáveis gem, recordo que o momento esperava e vivia esse momento o Homem tem, relativamente nico nunca se afastaram: somos à nossa porta, na nossa rua, na
em beleza, conforto e enqua- da brincadeira que mais gosta- e o impacto que produzia no à Natureza, o mesmo estatuto e todos feitos da mesma matéria nossa aldeia... onde verdadeira-
dramento paisagístico, em qua- va de reproduzir, era a visita à meu imaginário. Mas, mais privilégio de qualquer outro Ser. e todos somos protagonistas mente habitam alguns dos seres
se nada se sacrificou o envolvi- “família dos leões”. Isso mesmo: importante do que o impacto Por isso, em sua casa, o animal é dessa majestosa e permanente mais selvagens do universo.
mento natural desse verdadeiro a visita a uma família de leões presente de tão intensa experi- membro da família, com quem revelação que é a Natureza.
santuário de vida animal. E o que, há anos, “estacionara” de- ência, eram os seus efeitos fu- reparte o espaço, a comida ou, Quem viveu em África e se Luís Neto ¶
Jornal da Escola Secundária Ferreira de Castro
Março de 2006
“Alberto compreendia ser aquela familiaridade com que Juca o tratava agora
originada na sua próxima partida. Podia-se já quebrar, sem perigo, o escudo
do respeito que as situações privilegiadas impõem. Contudo, Juca aparecia-
-lhe um pouco menos detestável, não só por lhe haver anulado o débito, mas
também pela maneira carinhosa com que o vira tratar o filho.” (pág. ___)
Página 10

O Cantinho da Matemática Origami


Com este Cantinho da Matemática pretendemos
quando a arte e a matemática se cruzam…
mostrar-te que a Matemática é um Mundo e
está em todo o lado, quer seja numa equação, na No ano 105, o imperador Apresentamos-te agora, o esquema de uma construção fácil
extracção de uma raiz quadrada ou até mesmo chinês T’sai Lao, decidido a en- de executar. Esperamos que consigas fazer! Queres experimentar?
contrar um material, que subs- Só precisas de uma folha de papel e dela recortares um quadrado
quando fazes “contas” à vida…
tituindo a seda, lhe permitisse do tamanho que quiseres. Pode ser, por exemplo, a folha de uma
Prof. Teresa Santos / Grupo de Estágio escrever, começou a misturar revista. Atenção, não uses as folhas do teu caderno de matemá-
cascas de árvore com redes de tica…
HUMOR pesca e panos. Nascia, assim, lhou-se para o ocidente, agora
uma das maiores preciosidades independente de conotações
Cãozinho
da humanidade… o papel! religiosas e consequentemente
A manufacturação deste mais livre para se expressar.
invento foi um segredo precio- Actualmente, o Origami é
samente guardado pelos chi- uma técnica de dobragem de
neses, uma papel, com apreciadores e es-
vez que era pecialistas por todo o mundo!
exportado a Os seus princípios mais
preços mui- elementares exigem que o
to elevados. origami deve ser construído a
C o n t u d o , partir de um papel plano (dan- 1. 4.
no século do-se, normalmente, preferên- Corpo: dobra os dois lados Corpo pronto.
VII, acabou por chegar ao Ja- cia a uma folha quadrada) e a para a diagonal
pão por intermédio de monges sua regra de ouro é: vale tudo
coreanos. Mais tarde, os árabes menos cortar e colar (contudo,
Ao contrário deste raciocínio, que parece válido mas não é, obtiveram o segredo e foi atra- hoje em dia, admitem-se pe-
o matemático que te apresentamos de seguida contribuiu para vés deles que este invento che- quenos cortes, desde que feitos
o desenvolvimento da matemática com raciocínios igualmente gou à Europa, no século XII, no início do processo).
brilhantes (mas válidos!!!) espalhando-se, com o passar Habitualmente, associa- 5.
dos tempos, por todos os paí- mos esta técnica a um sim- Agora dobra o quadrado
ses cristãos. ples passatempo… Porém, as formando um triângulo.
Karl Friederick Gauss (1777-1855) Porém, o papel “fabricado” construções mais interessantes Depois dobre as duas orelhas
na China e no Japão era bem exigem muita perícia e a per- para baixo e uma ponta do
Gauss foi, desde Aos 19 anos fez uma mais fino e flexível do que o feição é adquirida com anos de 2. focinho para cima.
criança muito dotado brilhante descoberta, ao que era fabricado nos restantes prática! Por outro lado, come- Faça uma prega
para a Matemática, mostrar que é possível países, possibilitando, por isso, çou a surgir noutros campos de
mostrando grande faci- inscrever um polígo- práticas de dobragem. Isto ex- interesse como as ciências e a
lidade de cálculo. no regular de 17 lados plica, possivelmente, a origem matemática!
Conta-se que certo numa circunferência, desta técnica designada por Por exemplo, os estudiosos
dia, para manter a classe ocupa- usando régua e compasso. Origami… perceberam que as suas dobra-
da, o professor propôs aos alunos Ainda estudante, Gauss Como o seu nome indica, gens poderiam ser utilizadas 6.
que somassem os números in- obteve vários resultados novos, Origami é a arte de dobrar pa- para “descrever movimentos Cabeça pronta.
teiros de 1 até 100 e que, termi- tendo registado muitos deles no pel! Ori significa dobrar e kami e processos na natureza e na
nados os cálculos, colocassem o seu diário. significa papel, ciência, como
caderno com o resultado sobre Descobriu ou redescobriu quando uni- o batimento
a sua secretária. De imediato, muitos teoremas, formulou o mos as duas o das asas de
o jovem Gauss, ainda com dez método dos mínimos quadrados, k torna-se “g” um pássaro ou 3.
anos, colocou o caderno sobre a fez a demonstração do Teorema e portanto, a deformação Fecha o modelo
secretária do professor dizendo: Fundamental da Álgebra. obtemos Ori- da capota de 7.
“Já está!” Gauss, tal como Cauchy, vi- gami. metal de au- Encaixa a ponta do corpo
O professor olhou para ele veu no século XIX que foi uma As primei- tomóveis em dentro da boca do cachorro.
desconfiado enquanto os colegas época de ouro da Matemática. ras dobragens colisão”!(2) Se desejares, cola-as.
continuavam a fazer os cálculos. Publicou em 1801 as “Dis- tiveram ori- Já no âm-
E, quando foi ver o caderno quisitiones Arithméticae” obra gem no Japão bito da ma-
de Gauss, este tinha escrito ape- considerada um dos grandes e tinham um temática, o
nas o resultado correcto, 5050, clássicos da literatura matemá- carácter sim- Akira Yoshisawa, origami pode
sem qualquer cálculo escrito. tica. bólico nos o pai do origami moderno, ser tratado por
O jovem operou mentalmen- Também foi astrónomo, rituais das ce- também chamado: Miguel áreas como
rimónias xin- Ângelo do papel a geometria
te após verificar que os números tendo calculado a órbita do aste-
de 1 a 100 formam 50 pares de róide Ceres. Em 1807 foi nome- toístas, onde as oferendas eram combinatória ou a topologia. A Lógica Matemática e os pinguins.
números todos com a soma 101 ado Director do Observatório de envoltas em papel, cuja função Algumas das construções
e não lhe foi difícil efectuar men- Gottingen. consistia em separar o puro e o matemáticas mais bonitas di-
Os pinguins são pretos e brancos.
talmente a multiplicação . Publicou em 1809 a “Teoria impuro! Mas estes envoltórios zem respeito à construção de Alguns programas de TV antigos são a preto e branco
É de notar que resolveu um Motus Corporem Celestum”. começaram a adquirir dobras poliedros entre outras constru- Logo, alguns pinguins são programas de televisão antigos.
problema da soma dos 100 pri- Trabalhou na análise dos cada vez mais complexas e ções…
meiros termos de uma progres- princípios da Geometria hiper- bonitas, começando esta arte É claro que sobre o Origa-
são aritmética... bólica, independentemente de a subsistir por si só. Os origa- mi há ainda muito a dizer e a
Cedo os talentos de Gauss Bolyai e de Lobachewski. mis assumiam, então, formas matemática que encerra tem
lhe valeram a protecção do Du- Deu contribuições em diver- diferentes, mas todos os que muito mais mistérios, mas essa A LÓGICA
que de Brunsvick, o que lhe sos campos como electricidade, dobravam respeitavam um desmistificação deve ser uma É MAIS UM ASSUNTO
permitiu prosseguir estudos nas geodesia, números complexos e conjunto de regras básicas… viagem de descoberta indivi- QUE OS PINGUINS
melhores condições. convergência de séries. Mais tarde, esta arte espa- dual. NÃO DOMINAM
Jornal da Escola Secundária Ferreira de Castro
Março de 2006
“A terra que ia da varanda ao rio era um deslumbramento. A sapotilheira
doirava-se e os japins, acordados por tanta luz, assomavam as cabecitas negras
ao orifício dos seus ninhos, suspensos da ramagem; amarelava-se o verde
do capim rasteiro e, avançando sempre, a fulgurância ia esculturar, em meia
sombra, o bananal e as embaúbas da outra margem do igarapé.” (pág. ___)
Página 11

A Matemática também se presta a divertidas


questões e passatempos.
Diverte-te.
Notas Soltas COLUMBOFILIA
Entre outras características que distinguem a nossa escola de
outras das redondezas está o facto de termos um pombal e de par-
. Será que consegues adivinhar, qual é o animal ticiparmos na competição columbófila local. O Sr. José Carlos é o
com mais de 3 olhos e menos que 4? Dez dias sem água engarrafada responsável pelos cuidados diários que é preciso ter com as pombas
2. Imagina agora um cubo... e também pelo seu treino. Como é interes-
Quantas faces, no máximo, Vivemos há umas semanas uma situação, no mínimo, in-
sante observar diariamente as voltas que estes
sólita: toda a água engarrafada da escola teve que ser recolhida
consegues ver no cubo, ao inteligentes animais dão à nossa escola.
e devolvida à procedência. Motivo: um sabor estranho, desa-
mesmo tempo, sem truques Para os interessados, aqui fica o calen-
gradável, que várias pessoas sentiram e de que se queixaram.
ou espelhos? No entanto, mais insólito ainda foi ter-se demorado dez dias
dário dos concursos da campanha deste
Outro desafio... ano, onde participa a Associação Colum-
a encontrar uma solução expedita para o problema: ir alguém
3. Qual o número máximo de bófila de Azeméis.
comprar, para remediar, umas quantas “paletes”, enquanto o
triângulos equiláteros, que consegues construir fornecedor não repunha o “stock”. Demasiado tempo...
com seis fósforos? CALENDÁRIO PARA A CAMPANHA DESPORTIVA DE 2006 - ZONA 2
Sabe o que é um triângulo equilátero, DIA MÊS Sáb./Dom. LOCAL DE SOLTA CATEGORIA KMS
não? Direito à greve dos alunos: sim ou não? 04 Fevereiro Sábado Ourém Treino 135
4. Quem disse que a Matemática não é viciante 11 Fevereiro Sábado Abrantes Treino 159
enganou-se: Foi a comunidade escolar surpreendida, na 4ª feira, dia 15
18 Fevereiro Sábado Ponte de Sôr Treino 186
de Fevereiro, com uma informação do Conselho Executivo,
25 Fevereiro Sábado Montemor-o-novo I Velocidade 250
comunicando que, para aderirem à greve, os alunos teriam
que ser autorizados pelos pais e que, mesmo assim, a falta seria 05 Março Domingo Évora I Velocidade 265
injustificada. Para além do carácter intimidatório e dissuasor 11 Março Sábado Beja I Meio Fundo 323
de uma informação desse teor, ainda que essa não fosse a in- 19 Março Domingo Vilamoura / Loulé Meio Fundo 420
tenção, parece-nos uma iniciativa muito infeliz e, até, contra- 25 Março Sábado Mértola I Meio Fundo 358
ditória, por dois motivos: em primeiro lugar, se os pais tinham
02 Abril Domingo Portimão / Alvor I Meio Fundo 415
que autorizar a falta, como é que a escola a injustificaria? Não
será a autorização dos pais, precisamente, a própria justifica- 08 Abril Sábado Beja II Meio Fundo 323
ção? Em segundo lugar, diz o estatuto do aluno no Capítulo 15 Abril Sábado Portimão / Alvor II MF Especial 415
IV, Dever de Assiduidade, Artigo 18º “Faltas Justificadas”, alí- 22 Abril Sábado Mertola II Meio Fundo 358
nea i) que o aluno terá falta justificada para “Participação em 30 Abril Domingo Portimão / Alvor III MF Especial 415
actividades associativas, nos termos da lei;”. Não foi a greve 06 Maio Sábado Évora II Velocidade 265
convocada pela confederação das associações de estudantes?
14 Maio Domingo Portimão / Alvor IV MF Especial 415
Fica a pergunta: porque decidiu o Conselho Executivo “meter
foice” nesta seara? 20 Maio Sábado Montemor-o-novo II Velocidade 250
28 Maio Domingo Portimão / Alvor IV MF Especial 415
03 Junho Sábado Évora III Velocidade 265
CACIFOS E COBERTURA - SÃO PRECISOS? 11 Junho Domingo Portimão / Alvor VI MF Especial 415
17 Junho Sábado Montemor-o-novo III Velocidade 250
Observadores atentos têm notado a falta de dois equi- 25 Junho Domingo Portimão / Alvor VII MF Especial 415
pamentos na nossa escola que parecem esquecidos, mas que
muito jeito fariam. São eles:
1. uma cobertura que ligasse o pátio central (ou o bufete) Concurso de logótipos
ao pavilhão desportivo, tão útil nos dias de chuva; Reunido o Júri para a escolha do novo logótipo do nos-
2. um espaço onde pudessem ser colocados cacifos para so jornal, decidiu declarar vencedor o autor do projecto que
os estudantes guardarem os seus materiais, especialmente nos hoje lhe dá “rosto”. É um trabalho da autoria do Márcio Bar-
dias em que têm Educação Física. ra, do 9º D, que terá direito, como estipulado no anúncio de
Numa altura em que se adianta a construção de um novo lançamento do concurso, a um prémio de 25 euros em mate-
bloco na escola, aqui fica a lembrança. rial a levantar na papelaria da escola. Os parabéns de “A Selva”.

Soluções das palavras


Centro de Recursos Tarte de natas
que é uma delícia cruzadas
ao serviço da comunidade Ingredientes:
da
página 7,
2 Pacotes de natas em
O Centro de Recursos Clara 1 Lata de leite condensado espelho.
Brandão, tem vindo a adquirir, para 6 Folhas de gelatina branca
os grupos que o solicitam, um con- 1 Copo de leite
junto de obras de referência, que se- 1 Pacote de bolachas picadas
4 Colheres de açúcar Ficha Técnica
PROBLEMA: rão, com certeza, de grande utilidade. Propriedade:
Um fabricante de perfumes pretende, neste Inverno, lançar Fica o registo e o apreço de “A Selva” Modo de Preparação: Escola Secundária Ferreira de Castro
um novo aroma. e de toda a comunidade escolar. Batem-se 2 pacotes de natas 3720 Oliveira de Azeméis
Os frascos que usava anteriormente eram em forma de um com o açúcar até ficarem boas. Tel. 256 666 070
cubo com a capacidade de 125ml. Deseja agora um frasco com Deita-se o leite condensado. Des- Professores responsáveis pela edição,
faz-se a gelatina num copo de leite
1/3 de capacidade e com outro formato. SENSACIONAL quente, mas primeiro deve pôr-se
redacção e composição deste número:
Luís Neto e Manuel Borges
Um dos seus colaboradores olhou para o frasco antigo e pen-
de molho, durante 4 minutos, em Impressão:
sou: Entra no site abaixo e pergunta coisas ao Robot. água fria. Mistura-se tudo.
“No cubo, posso considerar uma diagonal em cada face, de Gráfica Oliveirense
Digita o teu nome, só para começar; depois, podes perguntar Polvilha-se uma forma de 3720 O. Azeméis - Tel. 256 68 22 33
modo que as 6 diagonais representadas concorram só em 4 vérti- o que quiseres e ele responde... um espectáculo!... tarte com bolacha picada e dei- Tiragem: 1000 ex.
ces do cubo. Esses segmentos serão as arestas do novo frasco.” Fala como se ele fosse outra pessoa. Vais surpreender-te e, ta-se lá o preparado. Torna-se a
Terá a forma de um poliedro? Será regular? Será o seu volume certamente, também vais aprender muito! polvilhar com a bolacha relada e Os professores responsáveis agradecem
1/3 do volume do frasco antigo? leva-se ao frigorífico. reconhecidamente a todos quantos
As soluções serão publicadas na próxima edição. http://www.inbot.com.br/ed/popup.htm Está pronto a servir. colaboraram nesta edição de A Selva.
Página Teríamos muito gosto em que o próximo A Selva fosse feito só com trabalhos
teus. Basta que entregues os teus melhores textos, desenhos, notícias, entre-
12. vistas, reportagens, fotografias com legendas, montagens fotográficas originais,
cartoons, passatempos, anedotas, adivinhas, contos, poemas, charadas, curio-
A Selva sidades, ideias novas... ou os materiais mais diversos que possas imaginar e
que possam fazer parte do nosso jornal. Os professores Luís Neto e Manuel
feita por Borges, ou o teu professor de Português, esperam, confiantes, a tua participação.

Rostos da escola SECUNDÁRIA ferreira de castro 2005-2006


Enquanto pensas em participar no próximo número do nosso jornal, diverte-te, procurando aqui a tua cara e a dos teus

amigos. Nem todos estão “por ordem” ou juntos aos colegas de turma. Há algumas curiosidades que também te podem entreter: só uma das fotografias está a
razão será?; Quantos estão virados para a esquerda, quantos para a direita e quantos para a frente?; Serás tu capaz de dizer o número de rapazes e raparigas?...

preto e branco - onde está?; vários alunos aparecem 2 vezes - és capaz de os identificar?; outros não aparecem - por que