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APOSTILA DE DIREITO ADMINISTRATIVO

CONCURSO DO MPU/2010

Prof. Alexandre Mazza

Parte 1 – Princípios do Direito Administrativo


Dupla funcionalidade dos princípios administrativos: 1)
hermenêutica; 2) integrativa.

Importância mais acentuada diante da ausência de codificação do


DA no BR.

Regime jurídico-administrativo

Está estruturado sobre 2 noções centrais, que refletem o conflito


entre PRERROGATIVAS DA ADMINISTRAÇÃO e DIREITOS DOS
ADMINISTRADOS (Fernando Garrido Falla):

a) supremacia do interesse público sobre o privado;


b) indisponibilidade do interesse público.

Tais supraprincípios não têm caráter absoluto, imutável e intrínseco.


Seu alcance e significado variam de acordo com o modo como são
positivados pelo Direito.

Supremacia do interesse público (primário)

Primário X Secundário

*** Na jurisprudência do STF a distinção consta, por exemplo, nos votos


do Ministro Marco Aurélio RE 413.478/PR e 420.816/PR

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Indisponibilidade do interesse público

Restrições recentes:

a) Na Lei dos JEF (10.259/01) permite-se conciliação, transação e


desistência (art. 10) e não há prazos especiais em favor do Estado

b) Na Lei de Concessões (8987/95), o art. 23-A admite o EMPREGO DE


MECANISMOS PRIVADOS PARA RESOLUÇÃO DE DISPUTAS, como
ARBITRAGEM. O mesmo vale para as PPPs

c) Na Lei dos Juizados Especiais da Fazenda Pública (Lei 12.153/09)


também é admitida transação e conciliação

Princípios expressos na CF/88

Não se pode mais tratar somente do LIMPE (37, “caput”, da CF)

Assim, deve-se falar em:

Legalidade

Impessoalidade

Moralidade

Publicidade

Eficiência

Celeridade, duração razoável ou razoabilidade (5º, LXXVIII,


da CF)

Participação (37, § 3º)

Contraditório

Ampla Defesa

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Devido processo legal

1 - Legalidade

Lei 9784/99 e o “bloco da legalidade”

Exceções à legalidade (CABM): MPs, estado de defesa (art. 136) e


estado de sítio (art. 137)

Reflexos constitucionais: a) art. 37, “caput”; b) art. 5º, II; c) art. 84,IV.

2 – Impessoalidade/Isonomia/Igualdade/Imparcialidade

Reflexo relevante: Art. 37, § 1º, da CF “A publicidade dos atos,


programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter
caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo
constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção
pessoal de autoridades ou servidores públicos”

Publicidade de Atos Governamentais e Impessoalidade

O art. 37, caput, e seu § 1º, da CF, impedem que haja qualquer tipo de
identificação entre a publicidade e os titulares dos cargos alcançando os
partidos políticos a que pertençam. Com base nesse entendimento, a Turma
negou provimento a recurso extraordinário interposto pelo Município de Porto
Alegre contra acórdão do tribunal de justiça local que o condenara a abster-se
da inclusão de determinado slogan na publicidade de seus atos, programas,
obras, serviços e campanhas. Considerou-se que a referida regra constitucional
objetiva assegurar a impessoalidade da divulgação dos atos governamentais,
que devem voltar-se exclusivamente para o interesse social, sendo
incompatível com a menção de nomes, símbolos ou imagens, aí incluídos
slogans que caracterizem a promoção pessoal ou de servidores públicos.
Asseverou-se que a possibilidade de vinculação do conteúdo da divulgação com

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o partido político a que pertença o titular do cargo público ofende o princípio da


impessoalidade e desnatura o caráter educativo, informativo ou de orientação
que constam do comando imposto na Constituição.
RE 191668/RS, rel. Min. Menezes Direito, 15.4.2008. (RE-191668)

Discriminações legítimas (CABM): nexo de pertinência lógica entre o


fator da discriminação e a desequiparação procedida

3 – Moralidade

Conceito: ética, decoro, probidade, lealdade e boa-fé

Tutela: AP e ACP

4 – Publicidade

Exceções: a) intimidade (art. 5º, X); b) segurança pública (art. 5º,


XXXIII)

5 – Eficiência

Acrescentado pela Emenda 19/98, obriga a Administração a atingir


os melhores resultados em suas condutas.

Outros princípios

Finalidade (HLM = impessoalidade)

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Obrigatória motivação (art. 50 da LPA)

Segurança jurídica (art. 2º, XIII, da LPA)

Razoabilidade e Proporcionalidade (art. 2º, VI, da LPA)

* razoabilidade: critérios racionais no uso da discricionariedade (CABM)

* proporcionalidade: faceta da razoabilidade

Autotutela (art. 53 da LPA)

Súmulas 346 e 473 do STF

Hierarquia

Especialidade

Devido processo legal, contraditório e ampla defesa

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QUESTÕES CESPE

1. O posicionamento doutrinário contrário à participação da


Administração Pública em processos privados de solução de litígio
(arbitragem, por exemplo) não se funda:

(A) na competência regulatória do Poder Público.

(B) na indisponibilidade do interesse público.

(C) na indispensabilidade de autorização legislativa específica.

(D) na inafastabilidade do acesso ao Judiciário.

Resposta A

2. Decisões do STJ em Mandados de Segurança impetrados por Rádios


Comunitárias determinaram aos órgãos administrativos competentes
que se abstivessem de tolher a atuação das impetrantes, enquanto não
decidissem seus pleitos de autorização de funcionamento, formulados
há mais de 3 anos. Tais decisões, que permitiram o exercício precário
de serviço de radiodifusão sonora sem as devidas autorizações,

(A) não têm sustento jurídico, porque não há nenhum princípio ou norma
constitucional que determine à Administração agir rapidamente.

(B) foram calcadas nos princípios da eficiência e da razoabilidade, exigidos da


atuação do administrador público.

(C) foram calcadas nos princípios da legalidade e da supremacia do interesse


público primário.

(D) afrontam as normas do processo administrativo.

Resposta B

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3. O princípio da continuidade do serviço público impossibilita a


suspensão da execução do contrato em razão de inadimplência do
poder público.

Resposta: Errado

4. A vedação de aplicação retroativa de nova interpretação de norma


administrativa encontra-se consagrada no ordenamento jurídico pátrio
e decorre do princípio da segurança jurídica.

Resposta: Certo

5. O princípio da legalidade pode ser afastado ante o princípio da


supremacia do interesse público, especialmente nas hipóteses de
exercício de poder de polícia.

Resposta: Errado

6. Regras relativas a impedimentos e suspeições são aplicadas a


servidores públicos como corolário do princípio da impessoalidade.

Resposta: Certo

7. A revogabilidade dos atos administrativos, derivada do princípio da


autotutela, comporta hipóteses em que a revogação não é possível.

Resposta: Certo

8. O princípio da presunção de legitimidade ou de legalidade, que tem


aplicação no campo probatório, impõe ao particular provar o vício do
ato administrativo.

Resposta: Certo

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Parte 2 – Poderes Administrativos

QUESTÕES CESPE

1. Acerca da intervenção do Estado na propriedade, assinale a opção


correta.

A) O tombamento só pode recair sobre bens imóveis.

B) A vedação de desmatamento de parte da área de floresta em cada


propriedade rural é exemplo de limitação administrativa.

C) A servidão administrativa não precisa ser registrada no registro de imóveis.

D) O ato administrativo que formaliza a requisição não é auto-executório,


dependendo de prévia apreciação judicial ou administrativa, assegurando-se
ampla defesa e contraditório.

RESPOSTA: B

2. A frase "A decisão adotada por ocasião da aplicação da lei não


reflete avaliações livres e ilimitadas do administrador, mas traduz a
concretização da solução mais adequada e satisfatória, tomando em
vista critérios abstratamente previstos em lei ou derivados do
conhecimento técnico-científico ou da prudente avaliação da
realidade" reflete, em relação ao agente público, os limites

A) da fiscalização do Tribunal de Contas competente.

B) da sua competência vinculada.

C) do controle externo cabível sobre sua competência arbitrária.

D) da sua ação discricionária.

RESPOSTA: D

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3. Em relação ao exercício da competência administrativa e ao


regramento que lhe dá a Lei n.º 9.784/1999, assinale a opção correta.

A) A decisão de recurso administrativo pode ser delegada pelo agente público


competente a servidor que tenha curso de capacitação específico para a
matéria objeto de julgamento,

nos termos do regimento interno de autarquia federal.

B) A delegação não extingue a possibilidade de o delegante a revogar e, em


assim fazendo, poder praticar o ato administrativo.

C) O ato de delegação deve ser publicado no meio oficial, mas a sua


revogação, por restaurar competência legal, dispensa a publicização.

D) A avocação administrativa viola o princípio do juiz natural e é vedada pela


Lei n.º 9.784/1999.

E) Circunstâncias de índole social não autorizam a delegação de competência


administrativa.

RESPOSTA: B

4. No exercício do poder sancionador da administração pública (poder


disciplinar),

A) incide o mesmo princípio da tipicidade estrita aplicável às sanções de


natureza penal.

B) não se admite o exercício da discricionariedade administrativa.

C) devem ser observados os princípios da ampla defesa prévia e da


proporcionalidade na dosimetria da sanção.

D) as sanções de interdição de estabelecimento, de demolição de obra


irregular e de multa pecuniária são dotadas da prerrogativa de auto-
executoriedade direta pela administração sancionadora.

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C) A aplicação de punições pelo Poder Público (sanções administrativas) está


sujeita ao acatamento dos princípios elencados na Lei 9784/99 – a Lei do
Processo Administrativo, entre os quais estão a ampla defesa e a
proporcionalidade.

RESPOSTA: C

5. A revogação do ato administrativo

A) pode ser decretada por autoridade legislativa.

B) só é cabível quando há vício de legalidade.

C) opera efeitos retroativos à data da publicação do ato.

D) só é cabível quando se tratar de ato vinculado.

RESPOSTA: A (quando o ato é praticado atipicamente pelo Legislativo é o Legislativo que revoga)

6. A regra segundo a qual o Poder Judiciário não pode imiscuir-se no


mérito do ato administrativo tem sido cada vez mais flexibilizada, para
assegurar, de modo mais efetivo, a verificação da legalidade dos atos
administrativos, ainda que se trate de ato discricionário.

RESPOSTA: CERTO

7. Assinale a opção correta quanto aos poderes e deveres dos


administradores públicos.

A) O poder de delegação e o de avocação decorrem do poder hierárquico.

B) A possibilidade de o chefe do Poder Executivo emitir decretos


regulamentares com vistas a regular uma lei penal deriva do poder de polícia.

C) O poder discricionário não comporta nenhuma possibilidade de controle por


parte do Poder Judiciário.

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D) O poder regulamentar é exercido apenas por meio de decreto.

RESPOSTA: A

8. Diz o art. 94 da Constituição Federal: “Um quinto dos lugares dos


Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito
Federal e Territórios será composto de membros, do Ministério Público,
com mais de 10 (dez) anos de carreira, e de advogados de notório
saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de 10 (dez) anos de
efetiva atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos
de representação das respectivas classes. Parágrafo único. Recebidas
as indicações, o tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao Poder
Executivo, que, nos 20 (vinte) dias subseqüentes, escolherá um de
seus integrantes para nomeação”.

Considerando a norma constitucional, para compor certo Tribunal


Regional Federal, dentre os nomes A, B e C, o Presidente da República
nomeou o indicado C. Inconformados com tal escolha, A e B ajuizaram
ação em que alegam a inadequação da opção feita e a conseqüente
nulidade do ato de nomeação de C. Nesse sentido, de acordo com
doutrina e jurisprudência dominantes, é correto afirmar que

A) por se tratar de exercício do poder discricionário da Administração, este ato


não é passível de qualquer espécie de controle jurisdicional.

B) todo e qualquer ato praticado pela Administração Pública é passível de


amplo e irrestrito controle jurisdicional.

C) por se tratar de exercício de poder vinculado, este ato só é passível de


controle jurisdicional quanto ao chamado mérito administrativo.

D) por se tratar de exercício de poder discricionário, o controle jurisdicional


deve-se restringir aos aspectos da legalidade e verificar se a Administração
não ultrapassou os limites da discricionariedade.

RESPOSTA: D

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9. Marque a alternativa que NÃO apresenta hipótese de ato indelegável


prevista na Lei nº. 9.784/99, que regula o processo administrativo no
âmbito da administração pública federal:

A) atos de competência exclusiva;

B) atos normativos;

C) decisão de recursos administrativos;

D) atos privativos.

RESPOSTA: D

10. Quanto à sua eficácia, o tombamento pode ser

A) de ofício, voluntário ou compulsório.

B) provisório ou definitivo.

C) geral ou individual.

D) de restrição parcial ou total.

RESPOSTA: B

11. Quanto aos “poderes” da Administração Pública, pode-se afirmar


que

A) o chefe do Poder Executivo não detém “poder” normativo, hipótese de típico


“poder” afetado com exclusividade ao Parlamento.

B) o poder de polícia limita ou disciplina direito, interesse ou liberdade,


regulando a prática de ato ou a abstenção de fato, em razão de interesse
público.

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C) o poder disciplinar é a faculdade de ordenar os órgãos administrativos e


rever a atuação dos agentes públicos.

D) não se admitem, desde a Constituição de 1988, poderes discricionários,


posto que violam os princípios básicos do Estado de Direito.

RESPOSTA: B

12. Na Administração Pública, é CORRETO afirmar que

A) mesmo nos dias atuais, quando o Administrador exerce o poder


discricionário, o Poder Judiciário não poderá, de modo algum, contrastar este
exercício com os princípios constitucionais que vinculam a Administração
Pública.

B) o poder hierárquico compreende o poder de dar ordens ou instruções, o


controle sobre as atividades dos órgãos e autoridades subordinadas, rever atos
dos subordinados e o poder de coordenação.

C) no ordenamento brasileiro, o poder regulamentar destina-se a explicitar o


valor da lei, podendo inovar a ordem jurídica, criando novo direito ou
obrigação.

D) do poder disciplinar decorre a exigência de apuração imediata das faltas


funcionais, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, razão
pela qual o superior poderá aplicar uma penalidade ainda que a conduta
apontada irregular não esteja prevista em lei.

RESPOSTA: B

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Parte 3 – Serviços Públicos

A CF estabelece uma distinção clara entre o campo da atividade


econômica (art. 170) e o do serviço público (art. 175).

O serviço público enquadra-se entre as 3 atividades fundamentais da


administração pública moderna: a) o poder de polícia; b) o serviço público; c)
e o fomento

A noção de serviço público é das mais importantes de todo o direito


administrativo, chegando a ter cumprido na frança o papel de conceito
fundamental de todo direito público e a ser o critério para atribuir
competências ao conselho de estado (contencioso administrativo).

Sua importância fez nascer a escola do serviço público, liderada por


Leon Duguit, e composta por Gaston Jeze, Bonnard e Rolland.

1. CONCEITOS

A doutrina tem utilizado a noção de serviço público em 2 acepções


distintas:

a) serviço público em sentido amplo: é qualquer atividade estatal de


oferecimento de utilidades e comodidades, sob regime de direito público, em
favor dos interesses públicos.

inclui prestações de fruição geral (serviços “uti universi”), como iluminação de


ruas e limpeza de calçadas, e prestações de fruição individual (serviços “uti
singuli”)* a excessiva abrangência desse conceito o fez cair de desuso

b) serviço público em sentido estrito (cabm): é toda atividade de


oferecimento de utilidade ou comodidade material destinada à satisfação da
coletividade em geral, mas fruível singularmente pelos administrados, sob
regime de direito público, instituído em favor dos interesses públicos.* inclui
como serviços públicos somente os “uti singuli”. ex.: telefonia fixa (móvel é

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atividade econômica), transporte público, água, energia residencial, gás


canalizado etc

Portanto, há dois elementos conceituais: a) substrato material


(prestação de utilidade fruível individualmente); b) traço formal (regime de
direito público)*

*Muito Importante: atualmente, considera-se que a qualificação de uma


atividade como serviço público depende exclusivamente do sistema
normativo (é uma decisão política do legislador). não existe atividade que, por
natureza, seja considerada serviço público

*ATENÇÃO: Sendo assim, uma atividade pode, hoje, ser serviço público e
amanhã deixar de ser. Na FEDERAÇÃO, Pode ainda ser serviço público em um
local, do mesmo país, e atividade econômica em outro. Ex.: serviço funerário.

2. TITULARIDADE

A titularidade do serviço pública cabe À PESSOA JURÍDICA DE DIREITO


PÚBLICO a que tal atividade foi atribuída (NUNCA pessoa de direito privado)*.
Não necessariamente a titularidade é EXCLUSIVA DO ESTADO, nos serviços
governamentais o particular também tem titularidade (ex.: saúde, educação)

Não se confunde com TITULARIDADE DA PRESTAÇÃO (quem presta o


serviço).

3. REGIME JURÍDICO DO SERVIÇO PÚBLICO

Os princípios e normas disciplinadores dessa atividade têm ASSENTO


CONSTITUCIONAL, mas foram especialmente regulamentados pela Lei 8987/95
(Lei das Concessões).

4. PRINCÍPIOS DO SERVIÇO PÚBLICO

a) obrigatoriedade: dever inescusável do Estado promover-lhe a execução;

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b) supremacia do interesse público: a prestação deve atender aos interesses


da coletividade (int. públicos primários);

c) atualização ou adaptabilidade: a técnica empregada deve ser moderna

d) universalidade/generalidade: a prestação deve atingir a maior quantidade


de usuários

e) impessoalidade: o serviço deve ser prestado sem preferências ou


discriminações

f) continuidade: impede interrupções

*obs.: a Lei 7783/89 define os SERVIÇOS ESSENCIAIS. Em caso de


greve, é obrigatória a prestação indispensável ao atendimento das
necessidades inadiáveis da comunidade

São eles (art. 10):

I - tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de


energia elétrica, gás e combustíveis;

II - assistência médica e hospitalar;

III - distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos;

IV - funerários;

V - transporte coletivo;

VI - captação e tratamento de esgoto e lixo;

VII - telecomunicações;

VIII - guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e


materiais nucleares;

IX - processamento de dados ligados a serviços essenciais;

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X - controle de tráfego aéreo;

XI compensação bancária.

*Obs.: interrupção por ordem técnica ou inadimplemento do usuário NÃO


CARACTERIZA DESCONTINUIDADE

CORTE. FORNECIMENTO. ÁGUA. INADIMPLÊNCIA.

Cuidava-se de ação civil pública impetrada pelo Ministério Público com o desiderato de impedir que a
companhia de saneamento suspendesse o fornecimento de água a usuários inadimplentes no âmbito de
município. Diante disso e de precedentes deste Superior Tribunal, a Turma reafirmou que, nos termos da Lei
n. 8.987/1995, não se considera quebra da continuidade do serviço público sua interrupção em situação
emergencial ou, após prévio aviso, quando motivada pela inadimplência do usuário, cortes de fornecimento
que não afrontam o preceituado no CDC. Precedentes citados: EREsp 337.965-MG, DJ 8/11/2004, e REsp
363.943-MG, DJ 1º/3/2004. REsp 596.320-PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
12/12/2006.

CORTE. ENERGIA ELÉTRICA. INADIMPLENTE.

A Turma, ao prosseguir o julgamento, reafirmou que, diante do interesse da coletividade, o princípio da


continuidade do serviço público (art. 22 do CDC) deve ser ponderado frente à possibilidade de interrupção do
serviço quando, após aviso, haja a perpetuação da inadimplência do usuário. Asseverou que a jurisprudência
deste Superior Tribunal proclama que, se diante da inadimplência de pessoa jurídica de direito público, deve-
se preservar o fornecimento de eletricidade às unidades públicas provedoras de necessidades inadiáveis da
comunidade (hospitais, prontos-socorros, centros de saúde, escolas e creches). Aduziu, também, em
homenagem às ponderações feitas pelo Min. Herman Benjamin no seu voto-vista, que o entendimento, em
excepcionais casos, deve ser abrandado se o corte puder causar lesões irreversíveis à integridade física do
usuário, isso em razão da supremacia da cláusula de solidariedade prevista no art. 3º, I, da CF/1988.
Precedentes citados: REsp 460.271-SP, DJ 21/2/2005; REsp 591.692-RJ, DJ 14/3/2005; REsp 615.705-PR,
DJ 13/12/2004, e AgRg na SLS 216-RN, DJ 10/4/2006. REsp 853.392-RS, Rel. Min. Castro Meira,
julgado em 21/9/2006.

SUSPENSÃO. ENERGIA ELÉTRICA. ESCOLA PÚBLICA.

A Turma negou provimento ao recurso ao argumento de que a interrupção de fornecimento de energia


elétrica de ente público inadimplente somente é considerada ilegítima quando atinge necessidades inadiáveis
da comunidade, entidades essas - por analogia à Lei de Greve - como “aquelas que, não atendidas,
coloquem em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população” (hospitais, prontos-
socorros, centros de saúde, escolas e creches). REsp 845.982-RJ, Rel. Min. Castro Meira, julgado em
22/8/2006.

CORTE. ENERGIA ELÉTRICA. MUNICÍPIO.

A falta de pagamento da conta de energia elétrica possibilita o corte de seu fornecimento, mesmo que o
consumidor seja pessoa jurídica de direito público, no caso um município. Porém hão que se resguardar as

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unidades públicas em que a paralisação é inadmissível, cujo funcionamento não pode ser interrompido, tais
como hospitais, prontos-socorros, centros de saúde, escolas e creches, restando possível o corte em praças,
ruas, ginásios, repartições públicas e outros. Precedentes citados: REsp 400.909-RS, DJ 15/9/2003; REsp
302.620-SP, DJ 16/2/2004, e REsp 460.271-SP, DJ 21/2/2005. REsp 588.763-MG, Rel. Min. Eliana
Calmon, julgado em 9/8/2005.

g) transparência

h) motivação

i) modicidade das tarifas

j) cortesia: bom tratamento com o público

k) controle

l) adequação (art. 6º da Lei 8987/95: serviço adequado é o que satisfaz a


regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade,
cortesia e modicidade)

5. CLASSIFICAÇÃO (Hely Lopes)

a) quanto à essencialidade: a) propriamente ditos: devido à


essencialidade a adm. presta diretamente à comunidade (ndelegáveis). ex.:
defesa nacional. b) de utilidade pública: em razão da conveniência a
adm. presta ou promove a prestação. ex.: energia elétrica

b) quanto à adequação: a) próprios do estado: decorrem das atribuições


essenciais do estado e a adm. usa da supremacia. ex.: saúde pública; b)
impróprios do estado: não afetam diretamente as necessidades da
coletividade

c) quanto à finalidade: a) administrativos: atendem necessidades internas


da adm. ex.: imprensa oficial. b) industriais: são os que produzem renda

d) quanto aos destinatários: a) gerais (uti universi); b) individuais (uti


singuli)

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6. CLASSIFICAÇÃO (Bandeira de Mello)

a) serviços de prestação obrigatória e exclusiva do estado: ex. serviço


postal e correio aéreo (não podem ser delegado)
b) de prestação obrigatória pelo estado e outorga obrigatória. ex.:
radiodifusão (tv e rádio)
c) de prestação obrigatória sem exclusividade: particulares também
prestam. ex.: saúde, educação
d) prestação pelo estado ou particular: o estado não é obrigado a prestar
diretamente, mas não prestando, tem que promover a prestação. ex.:
todos os demais (água)

7. QUESTÕES CESPE

1. Acerca das definições contidas na Lei de Concessões Públicas (Lei n.


8.987/1995), assinale a opção correta:

A) a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais,


após a apresentação da proposta, mesmo quando não comprovado seu
impacto, implica a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o
caso;

B) não será desclassificada, ab initio, a proposta que, para sua viabilização,


necessite de vantagens ou subsídios que não estejam previamente autorizados
em lei e à disposição de todos os concorrentes;

C) a concessão de serviço público é a delegação de sua prestação, feita pelo


poder concedente, mediante qualquer modalidade de licitação, à pessoa
jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu
desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado;

D) o serviço público é adequado quando satisfizer as condições de


regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade,
cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas.

Resposta D

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2. Sobre licitações, contratos administrativos e concessões de serviço


público, assinale a alternativa correta:

I– O poder concedente, a seu critério, em vista à inexecução total


ou parcial do contrato, poderá extinguir o contrato de concessão
mediante a declaração de caducidade da concessão ou poderá aplicar
sanções contratuais.

II – Mediante lei autorizativa específica, o serviço será retomado pelo


poder concedente, durante a vigência do contrato, por motivo de
interesse público, e após prévio pagamento da indenização.

III – O poder concedente poderá intervir na concessão, com o fim de


assegurar a adequação na prestação do serviço, bem como o fiel
cumprimento das normas contratuais, regulamentares e legais
pertinentes.

IV – No atendimento às peculiaridades de cada serviço público,


poderá o poder concedente prever, em favor da concessionária, no
edital de licitação, a possibilidade de outras fontes provenientes de
receitas alternativas, complementares, acessórias ou de projetos
associados, com ou sem exclusividade, com vistas a favorecer a
modicidade das tarifas.

V – O atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos


pela Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou
parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de
calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra,
assegurado ao contratado o direito de optar pela suspensão do
cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a situação.

A) somente uma assertiva está correta;

B) duas assertivas estão corretas;

C) três assertivas estão corretas;

D) todas as assertivas estão corretas.

Resposta D

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3. Em se tratando de concessão de serviço público, é incorreto afirmar


que:

A) o concedente pode extinguir a concessão antes de findo o prazo


inicialmente estatuído;

B) o concedente tem o poder de inspeção e fiscalização do serviço objeto da


concessão;

C) o concedente pode fiscalizar, mas não pode intervir na concessionária em


caso excepcional, assumindo a gestão direta do serviço;

D) o concessionário de serviço público tem direito à remuneração pela


prestação desses serviços, sendo que uma das formas utilizadas para a
implementação da referida remuneração é a cobrança de taxas.

Resposta C

4. No que concerne aos serviços públicos:

A) não podem ser delegados, devendo ser exercidos diretamente pela


Administração Pública;

B) se essenciais, podem ser delegados a outras entidades, desde que públicas


e por prazo determinado;

C) seu exercício pode ser delegado a entidades públicas ou privadas, por


meio de concessão ou permissão, mantendo-se a titularidade com o Poder
Público;

D) podem atender necessidades privadas desde que o administrador público


entenda, a seu critério, ser adequado.

Resposta C

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5. (AUTOR) Assinale a alternativa que indique a(s) entidade(s)


federativa(s) competente(s) para: a) manter o serviço postal e o
correio aéreo nacional; b) explorar, diretamente ou mediante
autorização, concessão ou permissão, os serviços de
telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização
dos serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos
institucionais; c) explorar, diretamente ou mediante autorização,
concessão ou permissão: I) os serviços de radiodifusão sonora, e de
sons e imagens; II) os serviços e instalações de energia elétrica e o
aproveitamento energético dos cursos de água, em articulação com os
Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos; III) a
navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária; IV)
os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos
brasileiros e fronteiras nacionais, ou que transponham os limites de
Estado ou Território; V) os serviços de transporte rodoviário
interestadual e internacional de passageiros;
VI) os portos marítimos, fluviais e lacustres:

A) União, Estados e Municípios, concorrentemente.

B) Estados e Municípios, concorrentemente.

C) Estados, exclusivamente.

D) União, privativamente.

Resposta D

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Parte 4 – Ato Administrativo

1. CONCEITO DE ATO ADMINISTRATIVO

Não existe conceito legal. A melhor doutrina (Bandeira de Mello) fala em


2 conceitos, sentido amplo e sentido estrito:

a) Ato administrativo em SENTIDO AMPLO (não é usado): declaração do


Estado, ou de quem lhe faça as vezes, com caráter bilateral ou unilateral,
abstrata ou concreta, no exercício de prerrogativas públicas, manifestada
mediante providências jurídicas complementares da lei a título de lhe dar
cumprimento, e sujeitas a controle de legitimidade por órgão jurisdicional
Inclui contratos (bilaterais) e decretos (abstratos)

b) Ato administrativo em SENTIDO ESTRITO (mais usado pela doutrina):


declaração unilateral do Estado, no exercício de prerrogativas públicas,
manifestada mediante comandos concretos complementares da lei, expedidos
a título de lhe dar cumprimento e sujeitos a controle de legitimidade por órgão
jurisdicional. Exclui contratos (bilaterais) e decretos (abstratos)

2. ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO

São características especiais, propriedades do ato administrativo.

a) Presunção de Legitimidade:

- outros nomes: De legalidade ou de veracidade

- conceito: até prova em contrário, o ato administrativo é considerado válido


para o direito. Trata-se de presunção RELATIVA (juris tantum)

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- alcance: vale para TODOS os atos administrativos

- fundamentos: diversos (existência de PROCEDIMENTO PRÉVIO, ser expressão


da SOBERANIA DO ESTADO, necessidade de CELERIDADE), mas
principalmente o princípio da legalidade

- mitigação: art. 116, inciso IV, da Lei 8112/90: servidores não precisam
cumprir ordens manifestamente ilegais

- o problema da inversão do ônus da prova: MSZP só na PRESUNÇÃO DE


VERACIDADE (questão de fato)

b) Imperatividade:

- outro nome: coercibilidade

- conceito: a Administração cria unilateralmente deveres a particulares (é


cogente)

- alcance: MAIORIA DOS ATOS (atos de consentimento – permissões – atos de


gestão e atos enunciativos não têm).

- fundamento: poder extroverso (Renato Alessi)

c) Exigibilidade (para Hely, está dentro da imperatividade)

- conceito: a própria Administração pode impor a aplicação de seus atos SEM


NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Na prática, consiste na aplicação
de SANÇÕES ADMINISTRATIVAS

- alcance: MAIORIA DOS ATOS (atos de consentimento – permissões

– atos de gestão e atos enunciativos não têm)

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d) Auto-executoriedade

- outro nome: em algumas provas cai como EXECUTORIEDADE, mas está


errado

- conceito: possibilidade de IMEDIATA e DIRETA execução do ato pela PRÓPRIA


ADMINISTRAÇÃO, sem ordem judicial (PODE INCLUIR O USO DA FORÇA
FÍSICA). Exs.: guinchamento, fechamento de restaurante. - Exigibilidade (usa
meios indiretos) a Auto-executoriedade (usa meios diretos).

- alcance: POUCOS ATOS (previsão legal ou situação de emergência)

- limites: razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal MATERIAL)

- justificativa: a Adm. não poderia depender do Judiciário para defender o


interesse público

3. SILÊNCIO ADMINISTRATIVO

A doutrina discute as conseqüências do silêncio da Administração


Pública.

Corrente majoritária: o silêncio não produz nenhum efeito, EXCETO


SE A LEI ATRIBUIR (consentimento tácito ou indeferimento).

O silêncio não é ato (não tem declaração), mas mero fato


administrativo.

Se a lei não atribuir conseqüências ao silêncio, o administrado tem


direito a uma resposta (art. 48 da Lei 9784/99).

Se a lei dá prazo, MS com base na ilegalidade do silêncio; se não tem


prazo, MS com base no dever de DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO (art. 5º,
LXXVIII, da CF).

Qual o conteúdo dessa decisão judicial (controvérsia)?

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1ª corrente: o juiz só manda o administrador praticar o ato (decisão


mandamental);

2ª corrente: atos vinculados o juiz substitui a vontade da administração


(decisão constitutiva), discricionários (mandamental).

4. PERFEIÇÃO, VALIDADE E EFICÁCIA

São 3 planos lógicos a que o ato se sujeita:

Plano da Perfeição ou Existência: estuda o ciclo de formação

Plano da Validade: estuda a conformidade com o ordenamento

Plano da Eficácia: estuda a aptidão para produzir efeitos

Importante: em princípio, os três planos não se comunicam. Resultado em um


não influi nos demais.

5. ELEMENTOS DO ATO

1ª Corrente: CABM

Plano da Perfeição/Existência:

2 elementos de existência: a) exteriorização da vontade; b) conteúdo

2 pressupostos de existência: a) objeto; b) pertinência à função administrativa

Faltando elemento ou pressuposto: ATO INEXISTENTE (defeito mais grave


que nulidade/invalidade).

Importante: para a maioria da doutrina não existe utilidade prática em


distinguir inexistente do nulo/inválido porque teriam as mesmas
conseqüências

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Plano da Validade:

6 pressupostos: a) subjetivo (competência); b) objetivos (motivo e requisitos


procedimentais); c) teleológico (finalidade); d) pressuposto lógico (causa); e)
pressuposto formalístico (forma específica)

2ª Corrente: Hely e JSCF

5 elementos: S,O,F,M e F (art. 2º da Lei 4717/65)

6. ESTUDO DOS 5 ELEMENTOS

1 – SUJEITO COMPETENTE: é o agente público habilitado para tanto.

Elementos a serem analisados:

a) se o ato foi pratico por agente público no exercício da funmção

b) capacidade jurídica do agente e do órgão

c) quantidade de atribuições do órgão

d) competência do agente

e) inexistência de óbices (ex. afastamento)

Lembrar que a competência é IRRENUNCIÁVEL, IMPRESCRITÍVEL,


OBRIGATÓRIA, IMODIFICÁVEL E IMPRORROGÁVEL

Defeitos no sujeito: a) usurpação; b) funcionário de fato; c)


incompetência

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2 – OBJETO: é o conteúdo do ato (Hely).

Para CABM, objeto é o bem ou pessoa a que o ato se refere

O objeto deve ter LICITUDE, POSSIBILIDADE E DETERMINAÇÃO

Defeitos no objeto: a) objeto materialmente impossível; b) objeto


juridicamente impossível

3 – FORMA: é a exteriorização da vontade + formalidades do ato.

Regra: forma escrita (PRINCÍPIO DA SOLENIDADE)

Defeitos na forma: podem ser meras irregularidades ou nulidades graves

4 – MOTIVO: é a situação de fato e o fundamento jurídico que


autorizam o ato.

Motivo, Motivação, móvel e causa

Defeitos no motivo: teoria dos motivos determinantes

5 - FINALIDADE: aquilo que se visa proteger com a conduta

Tem o ASPECTO GERAL (Finalidade geral) e o ASPECTO ESPECÍFICO


(finalidade específica de cada ato).

Defeitos: DESVIO DE FINALIDADE OU TRESDESTINAÇÃO

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Caracterização

Vício subjetivo (JSCF) ou pode ser objetivo também (CABM)?

Corrente majoritária: independe da intenção (ocorre também nos ato


vinculados)

IMPORTANTÍSSIMO: não basta a intenção viciada, é preciso também


violação efetiva ao interesse público

7. CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS

1) Quanto aos destinatários

a) Gerais: dirigidos a uma quantidade indeterminável de destinatários. Ex.:


edital
b) Individuais: dirigido a um destinatário determinado. Ex. permissão de
uso

2) Quanto à estrutura

a) atos concretos: regula apenas um caso, esgotando-se após essa


aplicação. Ex.: desapropriação de determinado imóvel.
b) atos abstratos (ou normativos): aquele que vale para uma quantidade
indeterminável de situações concretas. Tem sempre aplicação
continuada.
Ex.: regulamento

3) Quanto ao alcance

a) internos: produzem efeitos só dentro da Administração.


Ex.: portaria de férias.

b) Externos: produzem efeitos fora da Administração.


Ex.: fechamento de estabelecimento

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4) Quanto ao grau de liberdade

a) Vinculados: são aqueles praticados sem margem de liberdade, pois a lei


define de antemão todos os seus aspectos. Ex. aposentadoria
compulsória e lançamento tributário.
b) Discricionários: são aqueles praticados com certa margem de liberdade,
conferida pela lei para que o agente decida, diante do caso concreto,
qual a melhor maneira de atingir o interesse público (conveniência e
oportunidade). Ex.: decreto expropriatório.

Obs.: ato discricionário também deve ser motivado.

Obs.2: também se sujeita a controle judicial.

Obs.3: não confundir com ato arbitrário (praticado com excesso de poder).

5) Quanto ao objeto

a) atos de império: praticados pela Administração em posição de


superioridade frente ao particular. Ex.: multa.
b) atos de gestão: praticados pela Administração em posição de igualdade
frente ao particular, regidos pelo direito privado. Ex.: locação de imóvel
c) atos de expediente: dão andamento a processos administrativos. São
atos de rotina interna. São praticados por agentes subalternos sem
competência decisória. Ex.: numeração dos autos do processo.

6) Quanto à formação (segundo HLM)

a) atos simples: depende da manifestação de vontade de um único órgão,


seja ele singular ou colegiado. Ex.: decisão do conselho de contribuintes.
b) atos compostos: vontade única de um órgão, mas depende da
manifestação de outro para tornar-se exeqüível. Ex.: autorização que
dependa de visto da autoridade superior.
c) atos complexos: conjugação de vontade de mais de um órgão
administrativo. Exs.: nomeação de dirigente de agência reguladora,
investidura de um funcionário, investidura do ministro do STF, decreto
do presidente referendado por ministro (referenda ministerial).

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7) Quanto à manifestação de vontade

a) atos unilaterais: depende de uma vontade somente. Ex.: licença.


b) atos bilateriais: depende da anuência das 02 partes. Ex.: contratos.

8) Quanto aos resultados na esfera jurídica

a) atos ampliativos: aquele que aumente a esfera de interesse do


particular. Ex.: concessões; permissões.
b) atos restritivos: reduzem a esfera de interesse do particular. Ex.:
sanções administrativas.

9) Quanto aos efeitos

a) atos constitutivos: criam, extinguem ou modificam situações jurídicas.


Ex.: demissão.
b) atos declaratórios: afirmam situação preexistente. Ex.: certidão.

10) Quanto à situação jurídica que criam

a) atos-regra: criam situações gerais, abstratas e impessoais (não


produzem direito adquirido podendo ser revogados a qualquer tempo).
Ex.: regulamento.
b) Atos subjetivos: criam situações particulares, concretas e pessoais.
Modificáveis pela vontade das partes. Ex.: contrato.
c) atos-condição: alguém se submete a situações criadas pelos atos-regra,
sujeitando-se a alterações unilaterais. Ex.: aceitação de cargo público.

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8. QUESTÕES CESPE

1. Assinale a opção incorreta no que se refere à revogação de


atos administrativos.
A) Ao Poder Judiciário é vedado revogar atos administrativos emanados
do Poder Executivo.
B) Os atos que geram direitos adquiridos não podem ser revogados.
C) Os atos discricionários são, via de regra, suscetíveis de revogação.
D) Os atos que exauriram seus efeitos podem ser revogados, desde que
motivadamente.
Resposta D

2. Encontra-se sedimentado o entendimento de que ao Poder


Judiciário é defeso apreciar o mérito dos atos administrativos,
limitando sua atuação quanto à aferição dos aspectos relativos à
sua legalidade. A esse respeito, assinale a opção correta.
A) A garantia constitucional de que ninguém será obrigado a
deixar de fazer algo senão em virtude de lei assegura ao administrador
público ilimitada discricionariedade na escolha dos critérios de
conveniência e oportunidade nos casos de anomia.
B) Embora discricionariedade e arbitrariedade sejam espécies do
mesmo gênero e, portanto, legítimas, apenas a segunda é passível de
controle de legalidade em sentido estrito.
C) O abuso de poder e a arbitrariedade têm como traço de distinção o
fato de que aquele se sujeita ao controle judicial e esta, somente à
revisão administrativa.
D) Não há discricionariedade contra legem.
Resposta D

3. Considerando que há evidentes elementos de identidade entre


ato jurídico e ato administrativo, e que este é espécie do gênero
ato jurídico, assinale a opção correta.
A) Existem atos praticados pelos administradores públicos que não se
enquadram como atos administrativos típicos, como é o caso dos
contratos disciplinados pelo direito privado.

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B) Atos administrativos, atos da administração e atos de gestão


administrativa são expressões sinônimas.
C) O exercício de cargo público em caráter efetivo é conditio sine qua
non para prática do ato administrativo.
D) Mesmo nos casos em que o administrador público contrata com o
particular em igualdade de condições, está caracterizado o ato
administrativo, pois a administração pública está sendo representada
por seu agente. –
Resposta A

4. O conselho diretor de uma autarquia federal baixou


resolução disciplinando que todas as compras de material
permanente acima de cinqüenta mil reais só poderiam ser
feitas pela própria sede. Ainda assim, um dos superintendentes
estaduais abriu licitação para compra de microcomputadores
no valor de trezentos mil reais. A licitação acabou sendo feita
sem incidentes, e o citado superintendente homologou o
resultado e adjudicou o objeto da licitação à empresa
vencedora. Nessa situação, o superintendente
A) agiu com excesso de poder.
B) agiu com desvio de poder.
C) cometeu mera irregularidade administrativa, haja vista a
necessidade da compra e o atendimento aos requisitos de validez
expressos na Lei de Licitações.
D) cometeu o crime de prevaricação, que consiste em praticar ato de
ofício (a licitação) contra expressa ordem de superior hierárquico (a
resolução do conselho diretor).
Resposta A

5. Acerca dos atos administrativos, assinale a opção correta.


A) Se o motivo que determina e justifica a prática do ato é inexistente
ou é inválido, inválidos serão apenas os efeitos do ato e não o próprio
ato em si.
B) Os elementos do ato administrativo que se referem ao mérito são
o objeto e a finalidade.

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C) Os atos administrativos são praticados apenas pela administração


pública.
D) Os atos de caráter normativo, de decisão de recurso administrativo e
os de matérias de competência exclusiva, nos termos da Lei n.º
9.784/1999, não são passíveis de delegação.
Resposta D

6. Em relação aos atos administrativos, assinale a opção correta.


A) Os atos de gestão são os que a administração pratica no exercício
do seu poder supremo sobre os particulares.
B) A presunção de legitimidade é atributo apenas dos atos
administrativos vinculados.
C) Revogação consiste na supressão de ato legítimo e eficaz realizada
pela administração, por considerá-lo inconveniente ao interesse
público.
D) A anulação de um ato administrativo, em regra, implica o dever da
administração de indenizar o administrado pelos prejuízos decorrentes
da invalidação do ato.
Resposta C

7. Acerca dos atos administrativos, assinale a opção correta.


A) A demolição de uma casa pela administração é considerada ato
administrativo discricionário, segundo doutrina dominante.
B) Um parecer opinativo acerca de determinado assunto emitido pela
consultoria jurídica de órgão da administração pública não é
considerado, por parte da melhor doutrina, ato administrativo, mas sim
ato da administração.
C) O lançamento tributário de determinado tributo pela administração
tributária é ato administrativo vinculado, mas não é dotado de
presunção de legitimidade e veracidade, já que o fiscal deve
demonstrar, na ação executiva fiscal, a veracidade e a legitimidade de
seu ato, sob pena de nulidade.
D) Considere que um servidor público municipal, ocupante do cargo
efetivo de motorista, tenha colidido a viatura oficial em um poste, e
que, responsabilizado pelo acidente, tenha sido comunicado dos danos
causados e do valor a ser pago. Nessa situação, diante da força auto-

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executória dos atos administrativos, o município não precisa ingressar


com ação de reparação de danos.
Resposta B

8. Em relação ao controle da administração pública, assinale a


opção correta.
A) Um ato administrativo que viole a lei deve ser revogado pela própria
administração, independentemente de provocação.
B) A anulação do ato administrativo importa em análise dos critérios de
conveniência e oportunidade.
C) Um ato nulo pode, eventualmente, deixar de ser anulado em
atenção ao princípio da segurança jurídica.
D) A administração tem o prazo prescricional de 5 anos para anular os
seus próprios atos, quando eivados de ilegalidade.
Resposta C

9. Um ministro de Estado, após o recebimento de parecer opinativo da


consultoria jurídica do Ministério que chefia, baixou portaria demitindo
determinado servidor público federal. Considerando essa situação
hipotética e o conceito de ato administrativo, assinale a opção correta.

A) O ato opinativo, como o parecer da referida consultoria jurídica, por não


produzir efeitos jurídicos imediatos, não é considerado ato administrativo
propriamente dito. Dessa forma, será ato administrativo o ato decisório que o
acolha ou rejeite, mas não o parecer, que é considerado ato da administração.

B) O ato de demissão é ilegal por ter sido proferido por autoridade


incompetente, haja vista que a delegação de poderes, nessa hipótese, é
vedada.

C) O motivo, na hipótese, é o parecer da consultoria jurídica do Ministério.

D) O ato de demissão do servidor não é passível de anulação pelo Poder


Judiciário, visto que a valoração acerca da existência, ou não, da infração é
tema que compete exclusivamente ao Poder Executivo.

Resposta A

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Parte 5 – Organização Administrativa e Órgãos Públicos

1. AGÊNCIAS EXECUTIVAS

* conceito: É a QUALIFICAÇÃO (tìtulo) conferido a autarquias e fundações, que


celebrem CONTRATO DE GESTÃO com o Ministério Supervisor, para flexibilizar
deveres legais em troca de uma atuação mais eficiente.

Na verdade não são novos tipos de pessoas da Admin. Indireta mas um


RÓTULO atribuível a pessoas já existentes.

Ex.: Inmetro

*HISTÓRICO (contexto da reforma administrativa):

1 - Decreto 2487 fevereiro 98 (regula a qualificação de agência executiva):


Art. 1º As autarquias e as fundações integrantes da Administração Pública
Federal poderão, observadas as diretrizes do Plano Diretor da Reforma do
Aparelho do Estado, ser qualificadas como Agências Executivas.

§ 1º A qualificação de autarquia ou fundação como Agência Executiva


poderá ser conferida mediante iniciativa do Ministério supervisor, com
anuência do Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, que
verificará o cumprimento, pela entidade candidata à qualificação, dos seguintes
requisitos:

a) ter celebrado contrato de gestão com o respectivo Ministério


supervisor;

b) ter plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento


institucional, voltado para a melhoria da qualidade da gestão e para a
redução de custos, já concluído ou em andamento.

§ 2º O ato de qualificação como Agência Executiva dar-se-á mediante


decreto.

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§ 3º Fica assegurada a manutenção da qualificação como Agência


Executiva, desde que o contrato de gestão seja sucessivamente renovado e
que o plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional
tenha prosseguimento ininterrupto, até a sua conclusão.

§ 4º O A desqualificação de autarquia ou fundação como Agência


Executiva dar-se-á mediante decreto, por iniciativa do Ministério
supervisor, com anuência do Ministério da Administração Federal e
Reforma do Estado, sempre que houver descumprimento do disposto
no parágrafo anterior.

2 – Decreto 2488 de fevereiro de 98 (regula a qualificação de agência


executiva): delegou aos Ministérios supervisores competência para aprovar ou
readequar estruturas regimentais (art. 3º)... que pode subdelegar: Art. 3º Fica
delegada aos Ministros supervisores competência para aprovação ou
readequação das estruturas regimentais ou estatutos das Agências Executivas,
sem aumento de despesas, observadas as disposições específicas previstas em
lei e o quantitativo de cargos destinados à entidade. Parágrafo único O Ministro
supervisor poderá subdelegar, ao dirigente máximo da Agência Executiva, a
competência de que trata o “caput” deste artigo.

3 – Lei 9649 de junho de 98 (dispõe sobre a organização da Presidência da


República) Art. 51. O Poder Executivo poderá qualificar como Agência
Executiva a autarquia ou fundação que tenha cumprido os seguintes
requisitos:

I - ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento


institucional em andamento;

II - ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério


supervisor.

§ 1o A qualificação como Agência Executiva será feita em ato do


Presidente da República.

§ 2o O Poder Executivo editará medidas de organização administrativa


específicas para as Agências Executivas, visando assegurar a sua autonomia de

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gestão, bem como a disponibilidade de recursos orçamentários e financeiros


para o cumprimento dos objetivos e metas definidos nos Contratos de Gestão.

4 – EC 19 de maio de 98 (reforma administrativa) acrescentou o § 8º ao art.


37 da CF: § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos
e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada
mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder
público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão
ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e
responsabilidade dos dirigentes; III - a remuneração do pessoal.

*Características:

a) são autarquias, fundações e órgãos que recebem qualificação do Presidente


da República

b) celebram contrato de gestão com o Ministério supervisor para ampliação da


autonomia (relação com o princípio da eficiência);

c) possuem um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento


institucional, voltado para a melhoria da qualidade da gestão e para a redução
de custos.

*Agências Executivas X Agências Reguladoras

Semelhanças: a) terminologia; b) concebidas no contexto de reforma da Adm.


Pública brasileira

Diferenças: a) quanto a natureza (reguladoras são pessoas jurídicas;


executivas são uma qualificação que recai sobre pessoas ou órgãos);b) quanto
á atuação (José dos Santos Carvalho Filho) (reguladoras têm função de

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controle; as executivas visam à operacionalidade, ou seja, execução de


atividade descentralizada)

*Novidade: As agências Executivas tem limites maiores (20%) na dispensa


de licitação relacionada a objetos de pequeno valor (parágrafo único do art. 24
da Lei 8666/93)

2. ASSOCIAÇÕES PÚBLICAS

Lei dos Consórcios: 11.107/05

Fundamento constitucional: 241 da CF

* consórcio: negócio jurídico plurilateral de direito público, que resulta na


criação de uma pessoa jurídica autônoma (associação pública ou pessoa
jurídica de direito privado) para cooperação mútua entre os pactuantes.

José dos Santos Carvalho Filho: instrumento do federalismo cooperativo

* Personificação dos Consórcios (art. 6º). 2 tipos:

a) Consórcio com natureza de direito privado: atendidos os requisitos da


legislação civil. Tem que seguir a legislação administrativa quanto a: licitação,
celebração de contratos, prestação de contas e admissão de pessoal (sempre
celetista). Não integram a administração

b) Associação Pública: consórcio com personalidade de direito público (deve


haver ratificação legal do protocolo de intenções, art. 5º). A associação integra
a Administração Pública Indireta de todos os Entes consorciados (art. 6º)

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Possuem privilégios:

a) Poder de promover desapropriações e de instituir servidões – art. 2º,


§1º, II;

b) Possibilidade de serem contratados pela Adm. Direta ou indireta, com


dispensa de licitação – art. 2º, §1º, III;

c) Valores mais elevados para dispensa de licitação em razão do valor - art.


24, I e II, L. 8.666/93;

Natureza Jurídica: pessoas jurídicas de direito público interno pertencentes à


AP Indireta (MSZP), mas para JSCF são espécies de autarquias (art. 41, IV,
CC)

3. TESTES CESPE

1. Assinale a opção correta a respeito da organização da


administração pública federal.
A) As sociedades de economia mista têm patrimônio próprio e capital
exclusivo da União, destinando-se à exploração de atividade econômica
que o governo seja levado a exercer por força de contingência ou
conveniência administrativa.
B) Os órgãos que compõem a estrutura da Presidência da República,
apesar de serem dotados de personalidade jurídica, estão submetidos à
supervisão direta do ministro-chefe da Casa Civil.
C) Todas as entidades que compõem a administração pública indireta
dispõem de personalidade jurídica de direito público, vinculando-se ao
ministério em cuja área de competência estiver enquadrada sua
principal atividade.
D) As autarquias destinam-se à execução de atividades típicas da
administração pública que requeiram, para seu melhor funcionamento,
gestão administrativa e financeira descentralizada.
RESPOSTA D

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2. (...) compartimento na estrutura estatal a que são cometidas


funções determinadas, sendo integrado por agentes que,
quando as executam, manifestam a própria vontade do Estado.
José dos Santos Carvalho Filho. Manual de direito
administrativo. 19.ª ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008, p.
13.
O trecho acima se refere ao conceito de:
A) pessoa de direito público.
B) agente público.
C) função pública.
D) órgão público.
RESPOSTA D

3. No que diz respeito à administração indireta, assinale a opção


incorreta.
A) Todas as entidades da administração indireta federal, sejam elas de
direito público ou de direito privado, estão sujeitas ao controle externo
realizado pelo Poder Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas da
União.
B) As pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços
públicos sujeitam-se à responsabilidade civil objetiva.
C) As entidades da administração indireta, incluindo-se as regidas por
normas de direito privado, têm legitimação ativa para propor ação civil
pública.
D) As pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços
públicos atuam com autonomia de vontade, sujeitando-se apenas a
normas de direito privado.
RESPOSTA D

4. Acerca dos órgãos públicos, assinale a opção correta.


A) É correto, do ponto de vista da natureza jurídica do órgão, afirmar
que “João propôs uma ação de rito ordinário contra a receita federal”.
B) Alguns órgãos públicos têm capacidade processual, já que são
titulares de direitos subjetivos próprios a serem defendidos.

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C) A teoria que melhor explica a relação existente entre o servidor


público e a pessoa jurídica do Estado é a teoria da representação,
cuja característica principal consiste no princípio da imputação
volitiva. Assim, a vontade do órgão público é imputada à pessoa
jurídica a cuja estrutura pertence, já que aquele estaria agindo em
seu nome.
D) A organização da administração pública direta, no que se refere à
estruturação dos órgãos e competência, é matéria reservada à lei.
RESPOSTA B

5. Em relação à organização da administração pública, assinale a


opção correta.
A) Os dirigentes das empresas estatais que não são empregados
dessas empresas não são considerados celetistas.
B) A Receita Federal (fazenda pública) tem natureza jurídica
autárquica.
C) Com o fim do regime jurídico único, os funcionários públicos das
empresas estatais, quando prestadoras de serviço público, podem,
atualmente, ser estatutários.
D) As autarquias, fundações e empresas estatais, de acordo com o
princípio da legalidade, devem ser criadas por meio de lei.
RESPOSTA A

6. Acerca das entidades paraestatais e do terceiro setor,


assinale a opção correta.
A) As entidades do denominado sistema S (SESI, SESC, SENAI,
SENAC) não se submetem à regra da licitação nem a controle pelo
TCU.
B) As entidades paraestatais estão incluídas no denominado terceiro
setor.
C) As organizações sociais são pessoas jurídicas de direito privado, sem
fins lucrativos, instituídas por iniciativa de particulares, para
desempenhar atividade típica de Estado.
D) As organizações da sociedade civil de interesse público celebram
contrato de gestão, ao passo que as organizações sociais celebram
termo de parceria.

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RESPOSTA B

7. Julgue os itens subsequentes, relativos à organização e


estruturação da administração pública.

I. Uma lei que reestruture a carreira de determinada categoria


de servidores públicos pode também dispor acerca da criação de
uma autarquia.

II. O controle das entidades que compõem a administração


indireta da União é feito pela sistemática da supervisão
ministerial.

III. As autarquias podem ter personalidade jurídica de direito


privado.

IV. As autarquias têm prerrogativas típicas das pessoas jurídicas


de direito público, entre as quais se inclui a de serem seus
débitos apurados judicialmente executados pelo sistema de
precatórios.

Estão certos apenas os itens

A. I e II.

B. I e III.

C. II e IV

D. III e IV.

RESPOSTA C

8. No que concerne à administração pública, assinale a opção


correta.

A) A Caixa Econômica Federal é pessoa jurídica de direito público


interno.

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B) O Banco do Brasil S.A., na qualidade de sociedade de economia mista


controlada pela União, goza de privilégios fiscais não extensivos ao setor
privado.

C) As empresas públicas, cujos funcionários são regidos pelo regime dos


servidores públicos da União, são criadas por meio de decreto do
presidente da República.

D)Os órgãos públicos não são dotados de personalidade jurídica própria.


RESPOSTA D

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Parte 6 – Licitação e Contratos Administrativos

1. LICITAÇÃO

Conceitos doutrinários:

CABM: “licitação é um certame que as entidades governamentais devem


promover e no qual abrem disputa entre os interessados em com elas travar
determinadas relações de conteúdo patrimonial, para escolher a proposta mais
vantajosa às conveniências públicas” (Curso de Direito Administrativo, 20ª
edição, p. 492).

HLM: “é o procedimento administrativo mediante o qual a administração


pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse”
(Direito Administrativo Brasileiro, 27ª edição, p. 260).

JSCF: “é o procedimento administrativo vinculado por meio do qual os entes da


Administração Pública e aqueles por ela controlados selecionam a melhor
proposta entre as oferecidas pelos vários interessados, com dois objetivos – a
celebração de contrato, ou a obtenção do melhor trabalho técnico, artístico ou
científico” (Manual de Direito Administrativo, 16ª edição, p. 201).

Marçal Justen Filho: “é um procedimento administrativo disciplinado por lei e


por um ato administrativo prévio, que determinada critérios objetivos de
seleção da proposta de contratação mais vantajosa, com observância do
princípio da isonomia, conduzido por um órgão dotado de competência
específica” (Curso de Direito Administrativo, p. 309).

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2. SÍNTESE CONCEITUAL

Licitação é o procedimento administrativo pelo qual entidades


governamentais convocam interessados em fornecer bens ou serviços
estabelecendo uma competição a fim de celebrar contrato com quem
oferecer a melhor proposta.

Análise dos elementos conceituais

a) procedimento: a licitação é uma seqüência ordenada de atos


administrativos, isto é, um procedimento administrativo.

Segundo a doutrina, licitação não é nem um ato isolado, nem um processo


(relação jurídica).

b) administrativo: Atualmente, a unanimidade da doutrina reconhece a


licitação como instituto do direito administrativo, e não do direito financeiro.

c) realizada por entidades governamentais: a licitação é um dever do Estado, e


não de particulares. Assim, toda entidade governamental (de qualquer Poder)
deve licitar. Trata-se de uma exigência ligada ao supra-princípio da
indisponibilidade do interesse público.

d) mediante convocação de interessados: a licitação é aberta a todos aqueles


que queiram concorrer a celebração de um contrato, desde que preencham as
condições do edital. Nesse sentido, um dos objetivos da licitação é o respeito
ao princípio da isonomia.

e) representando uma competição: juntamente com a isonomia a


competitividade é o segundo fundamento da licitação. É por tal razão que só
pode ser exigido dos licitantes o preenchimento de condições estritamente
vinculadas ao objeto a ser contratado.

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f) visa celebrar contrato: o objetivo final do procedimento licitatório é a


assinatura de um contrato administrativo com o vencedor. Na verdade, a
celebração do contrato não pertence ao procedimento licitatório, ocorrendo
após a fase final do certame.

g) com quem oferecer a melhor proposta: nem sempre o preço mais baixo é
determinante para a decretação do vencedor do certame. Isso porque se busca
a melhor proposta e não necessariamente o menor preço.

3. NATUREZA JURÍDICA

Procedimento administrativo.

4. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR

Segundo o art. 22, XXVII, da CF compete privativamente à UNIÃO editar


normas gerais sobre licitação e contratos administrativos.

Atenção: segundo a doutrina, apesar dessa previsão legal, na verdade a


competência para legislar é CONCORRENTE (tal inciso deveria estar no art. 24,
CF).

Portanto, a União edita normas legais, e os Estados, o DF e os Municípios criam


normas específicas.

Atualmente as normas gerais estão nas leis federais 8.666/93 e 8.883/94 (a


Lei 10520/02 trata do pregão).

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5. NATUREZA JURÍDICA DA LEI 8666/93

A doutrina do direito tributário trouxe para o Brasil a diferença entre lei federal
e lei nacional. Lei federal vale apenas para o âmbito da União, enquanto que
lei nacional é obrigatória para a União, Estado e DF e municípios.

A lei 8.666 é lei nacional, valendo para todas as entidades federativas.

Obs.: a Lei 8666/93, segundo a doutrina, não veicula apenas normas gerais,
tratando de muitos assuntos específicos (o legislador ultrapassou a
competência para criar só normas gerais).

6. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL DO DEVER DE LICITAR

É o art. 37, XXI: “ressalvados os casos especificados na legislação, as


obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante
processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos
os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento,
mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual
somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica
indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações”.

Aspectos relevantes:

a) ressalvados os casos especificados na legislação: o próprio texto


constitucional atribui competência ao legislador para definir casos de
contratação direta, sem licitação (casos de dispensa, inexigibilidade, licitação
dispensada e vedação).

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b) obras, serviços, compras e alienações: a Constituição descreve o objeto


da licitação (o que deve ser contratado mediante tal procedimento).

c) igualdade de condições: a própria CF trata do princípio da isonomia como


uma das finalidades da licitação.

d) mantidas as condições efetivas da proposta: a CF obriga a


Administração a garantir a manutenção das condições da proposta vencedora.
Desse modo, mesmo que ocorram fato do príncipe, fato da administração e
álea extraordinária deve ocorrer um aumento da remuneração do contratado.

Portanto, o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos administrativos é


uma exigência constitucional.

e) as exigências de qualificação técnica e econômica devem se


restringir ao estritamente indispensável para garantir o cumprimento
das obrigações:

Por isso, se o edital exigir condições desproporcionais (ex. capital social muito
elevado) ferirá a competitividade, violando a CF.

7. FINALIDADES

Art. 3º da Lei 8666/93 (isonomia e proposta mais vantajosa)

8. PRESSUPOSTOS DA LICITAÇÃO

Segundo a doutrina a realização da licitação exige a presença de 3


pressupostos:

a) pressuposto lógico: pluralidade de objetos e de ofertantes.


b) pressuposto jurídico: conveniência ao interesse público.
c) pressuposto fático: comparecimento de interessados.

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9. OBJETO DA LICITAÇÃO (ART. 2ª DA LEI 8666/93)

Dependem de prévia licitação contratações da Administração com terceiros


relativas à obras, serviços (inclusive de publicidade), compras, alienações,
concessões, permissões e locações.

Muito Importante: na verdade, os bens, serviços, alienações, locações, etc, são


o objeto mediato da licitação, enquanto que o objeto imediato é a busca da
proposta mais vantajosa.

10. FASES DA LICITAÇÃO (TEMAS ESPECÍFICOS)

1) se for negada impugnação ao edital, o proponente pode ingressar com: a)


denúncia no TC; b) denúncia ao MP; c) ação judicial

2) em regra o edital não pode se alterado. A modificação é aceita preenchidos


dois requisitos: a) publicidade da alteração; b) devolução de prazo se houver
prejuízo

3) documentos que poder ser exigidos (27 a 31 da Lei 8666/93):

a) docs de natureza jurídica: RG, CNPJ

b) docs de natureza fiscal: contrato social com alterações, certidão negativa de


débitos com a Seguridade (art. 195, § 3º, da CF), certidão negativa junto à
Fazenda

c) docs. Técnicos: atestados de desempenho anterior, apresentação da equipe


técnica (deve permanecer durante o contrato), lista de equipamentos para
execução

d) docs. de natureza financeira: balanços, índices de liquidez

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** o licitante deve provar que no seu quadro não há crianças que trabalham de
modo irregular

Importante: o licitante inabilitado deve ter o envelope devolvido, sob pena de


nulidade

4) A administração pode desclassificar propostas: inexeqüíveis; em


desconformidade com o edital; que não sejam diretas (percentuais etc).

5) Em caso de empate, as propostas serão classificadas: a empresa de capital


nacional; ocorrerá sorteio.

11. CONTRATAÇÃO DIRETA

* credenciamento: em alguns casos o Poder Público não precisa fazer licitação


porque pode habilitar qualquer interessado para realizar certa tarefa (não há
necessidade de competição). Ex. inscrição de hospitais no SUS.

São 4 os casos de contratação direta:

a) licitação vedada: a contratação direta é VINCULADA porque realizar o


certame ofenderia o interesse público por causa da EXTREMA EMERGÊNCIA:
Exs. Armas durante guerra e vacinas durante epidemia

b) licitação dispensada: o certame seria possível mas a contratação direta é


VINCULADA (art. 17, I e II, da Lei): alienação de imóveis adquiridos em dação,
doação, permuta, investidura (alienação nacos de imóveis aos proprietários
lindeiros); doação de móveis, permuta etc.

c) dispensa de licitação ou licitação dispensável: o certame é possível


mas pode não convir ao interesse público. A contratação direta é
DISCRICIONÁRIA. Casos taxativamente previstos em lei (art. 24):

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1) obras e serviços abaixo de 15 mil (o dobro para consórcios e agências


executivas);

2) outros objetos até 8 mil;

3) guerra ou perturbação;

4) emergência ou calamidade pública;

5) não acudirem interessados à licitação (LICITAÇÃO DESERTA). Se a licitação


for FRACASSADA (houver interessados mas nenhum habilitado ou classificado)
deve haver nova licitação.

6) impressão impressão de diários oficiais se houver entidade criada para esse


fim

7) aquisição e restauração de obra de arte

d) INEXIGIBILIDADE: o certame é impossível POR INVIABILIDADE DE


COMPETIÇÃO. A contratação direta é VINCULADA. Casos exemplificativamente
previstos em lei (art. 25):

1) materiais de fornecedor exclusivo, VEDADA A PREFERÊNCIA DE MARCA;

2) serviços de notória especialização (VEDADA INEXIGIBILIDADE PARA


SERVIÇOS DE PUBLICIDADE E DIVULGAÇÃO)

3) profissional de setor artístico consagrado pela crítica ou pela opinião


pública.

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12. CRIMES

Competência exclusiva da União.

TODOS SÃO DE AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA

Além de crimes são atos de improbidade.

Art. 89: dispensar ou inexigir fora das hipóteses legais, ou deixar de observar
formalidades de dispensa ou inexigibilidade

Art. 90: fraudar o caráter competitivo da licitação

Art. 94: quebra do sigilo das propostas

13. CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

CONCEITO

Celso Antônio Bandeira de Mello: “contrato administrativo é um tipo de avença


travada entre a Administração e terceiros na qual, por força de lei, de cláusulas
pactuadas ou do tipo de objeto, a permanência do vínculo e as condições
preestabelecidas sujeitam-se a cambiáveis imposições de interesse público,
ressalvados os interesses patrimoniais do contratado privado”.

Ao contrário dos contratos privados, podem ser alterados unilateralmente pela


Administração.

Assim, destacam-se as seguintes características:

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a) submissão ao Direito Público (D. Administrativo);

b) a Administração está em um dos pólos;

c) mutabilidade: ao contrário do direito privado em que vigora o princípio de


que os contratos devem ser cumpridos tal como escrito, no Direito
Administrativo, a Administração pode alterar as cláusulas do contrato (poder
de instabilizar o contrato);

d) presença de cláusulas exorbitantes (manifestam a verticalidade na relação


contratual);

e) formalismo (requisitos internos e externos);

obs.: lembrar que em regra os contratos administrativos têm a forma escrita,


mas podem ser verbais (objetos de valor muito baixo).

f) comutatividade (equivalência entre as obrigações);

g) confiança recíproca (contrato “intuitu personae”);

h) bilateralidade (obrigação para as duas partes);

14. PRÉVIA LICITAÇÃO

Em regra, a celebração do contrato exige prévia licitação, mas nem sempre


(vedação, dispensa, inexigibilidade e licitação dispensada, etc., existe contrato,
mas não tem licitação).

Obs.: para o Cespe, se a licitação não for realizada (quando obrigatória) o


contrato administrativo terá um vício de existência, validade e eficácia.

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15. NORMAS APLICÁVEIS

Plano constitucional:

* Art. 22, XXVII, da CF;

* Art. 37, XXI, da CF (base constitucional do dever de manutenção do


equilíbrio econômico-financeiro);

Plano legislativo:

* Lei 8.666/93: o art. 54 sujeita os contratos administrativos à aplicação


subsidiária do DIREITO PRIVADO;

* Lei 8.883/94: (alterou a 8.666/93).

* Leis específicas como 8.987/95 (concessões) e 11.107/05 (consórcios).

16. CONTRATOS ADMINISTRATIVOS E CONTRATOS DA


ADMINISTRAÇÃO

Existem contratos celebrados pela Administração que não são considerados


administrativos. Daí é preciso diferenciar CONTRATOS DA ADMINISTRAÇÃO
(gênero) e CONTRATOS ADMINISTRATIVOS (espécie), regidos pelo
direito administrativo, bem como CONTRATOS PRIVADOS.

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Atenção: não podemos conceituar contratos administrativos usando como


único critério as partes envolvidas, já que existem contratos entre a
Administração e o particular regidos pelo direito privado (como a locação e o
comodato), que não são contratos administrativos.

Lembrar que mesmo os contratos privados da Administração sofrem alguma


influência do direito público (ex. locação exige prévia licitação).

17. DIFERENÇAS PARA OS CONTRATOS COMUNS

O regime jurídico é bastante diferente, especialmente nos seguintes tópicos:

a) aplicação do Direito Público;

b) partes desiguais;

c) mutabilidade;

d) defesa do interesse público;

Para HLM, existem peculiaridades quanto à interpretação:

a) interpretação em favor da coletividade (interesse público);

b) vinculação da administração ao interesse público 1 (“qualquer cláusula que


contrarie o interesse público deve ser considerada não-escrita” - HLM);

                                                            
1
  A  doutrina  moderna  diferencia  interesse  público  primário  (o  verdadeiro  interesse  público)  e  interesse 
público  secundário  (o  mero  interesse  patrimonial  da  pessoa  jurídica  do  Estado).  Ex.  recurso  judicial 

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c) presunção de legitimidade das cláusulas;

d) alterabilidade das cláusulas;

e) excepcionalidade dos contratos de atribuição (no DA predominam


contratos de colaboração, firmados no interesse da Administração, já que
nos contratos de atribuição constituem exceções, pois predomina o interesse
particular);

f) interpretação restritiva das vantagens conferidas ao particular;

18. SUJEITOS DO CONTRATO (ART. 6º, XIV E XV, DA LEI 8666/93).

Administração = contratante

Particular = contratado

Obs.: em casos raros pessoas jurídicas da Administração Indireta também


celebram contratos administrativos, ocupando o papel de contratado. Ex.
empresa estatal que funciona como concessionária de serviço público.

Obs2: segundo a lei 8.666/93, pessoas jurídicas de direito privado da


Administração Indireta (EP e SEM) também celebram contratos
administrativos.

                                                                                                                                                                                     

interposto apenas com finalidade protelatória em favor do Estado defende o interesse público secundários, 
não o primário. 

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19. ESPÉCIES

a) Contratos de Obra

Ajuste que tem por objeto CONSTRUÇÃO, REFORMA ou AMPLIAÇÃO de


imóvel destinado a serviço público.

Para HLM, a obra pode ser classificada em 4 modalidades de


empreendimento:

1) equipamento urbano: ruas, praças, estádios (construído em favor da


coletividade);

2) equipamento administrativo: aparelhos para o serviço administrativo;

3) empreendimentos de utilidade pública: ferrovias, rodovias, etc;

4) edifícios públicos: repartições, cadeias etc.

Obra (predomina o interesse material) e Serviço (predomina a atividade).

Regimes de execução:

a) empreitada: a Administração atribui a execução da obra por conta e risco do


contratado, mediante remuneração ajustada. Pode ser por preço global ou
preço unitário.

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b) tarefa: execução de pequenas obras com pagamento periódico, após


verificação do fiscal do órgão contratante (em geral, o tarefeiro não fornece os
materiais), só mão-de-obra e instrumentos de trabalho).

b) Contratos de Serviços

É o ajuste que tem por objeto uma atividade prestada à Administração


(predomina a atividade sobre o material).

Exs.: demolição, locação de bens, conserto, instalação, montagem,


publicidade, transporte etc.

Podem ser de 03 tipos:

a) SERVIÇOS COMUNS: podem ser realizados por qualquer pessoa.


Ex.: limpeza. EXIGEM LICITAÇÃO

b) SERVIÇOS TÉCNICOS PROFISSIONAIS GENERALIZADOS:


exigem habilitação profissional, mas não demandam maiores conhecimentos.
Ex.: serviços de engenharia. EXIGEM LICITAÇÃO (em regra)

c) SERVIÇOS TÉCNICOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS:


exigem um conhecimento mais apurado do que nos serviços comuns. Ex.:
pareceres. AUTORIZAM INEXIGIBILIDADE SE O CONTRATADO TIVER NOTÓRIA
ESPECIALIZAÇÃO.

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c) Contratos de Fornecimento

É o ajuste administrativo pelo qual a Administração adquire coisas


móveis.

Pode ser de 3 tipos: a) fornecimento integral (entrega de uma só vez);


b) fornecimento parcelado (a prestação exaure-se com a entrega final da
quantidade contratada); c) fornecimento contínuo (entrega é sucessiva e
perene).

d) Contratos de Concessão

A Administração delega ao particular a EXECUÇÃO DE SERVIÇO


PÚBLICO, DE OBRA PÚBLICA ou do USO DE BEM PÚBLICO.

É bilateral, comutativo, remunerado e “intuitu personae”.

Atenção: a CONCESSÃO DE JAZIDA (art. 176 da CF), na verdade, é


ato UNILATERAL DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

e) Contrato do Gerenciamento

Aquele em que o Governo atribui ao gerenciador a condução de um


empreendimento, reservando para si a competência decisória final.

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f) Contrato de Gestão

É a designação genérica para qualquer acordo operacional entre a


Administração Superior, para fixar metas a entidades privadas ou
descentralizadas, permitindo melhor controle dos resultados.

É celebrado com organizações sociais e agências executivas.

g) Termo de Parceria

Celebrado com OSCIPs para cooperação, fomento e execução de


atividades de interesse público (art. 9º da Lei 9790/99). Tal contrato fixa
deveres, responsabilidades e direitos das duas partes.

h) Parcerias Público-Privadas

Criadas com base na Lei 11.079/04, as PPPs são um instrumento


concebido para incentivar o investimento privado no setor público,
representando uma repartição objetiva dos riscos entre o Estado e o investidor
(é a sua característica fundamental).

Ao contrário dos demais setores empresariais, o particular não assume


sozinho os riscos do empreendimento. O instituto tem sido criticado pela
doutrina por fazer do Estado um garantidor do retorno do investimento
privado.

Em termos históricos, as PPPs marcam uma 4ª fase na evolução dos


serviços públicos:

1ª FASE: Estado Polícia/Estado Liberal (ausência do Estado/Estado mínimo –


até as Constituições sociais de 1917 e 1919);

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2ª FASE: Estado prestador/social (o Estado encampou a prestação direta dos


serviços – das constituições sociais até a segunda guerra);

3ª FASE: Crise do Estado Social – o Estado deixou de dar conta de todas as


tarefas que lhe haviam sido atribuídas e passa a delegar a particulares a
prestação do serviço público, por meio de contratos de concessão/pós segunda
guerra.

4ª FASE: Estado pós-moderno (décadas de 80 e seguintes): com o


desenvolvimento do capitalismo financeiro o Estado precisa atrair o
investimento privado repartindo os riscos; as PPPs estão nesse contexto de
falta de recursos públicos e eficiência da gestão estatal.

ABRANGÊNCIA da Lei 11079/04 (art. 1º, §único): trata-se de Lei Nacional


válida para todas entidades federativas (atinge a Adm. Direta, fundos
especiais, autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de
economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pelas
entidades federativas).

As Leis 8666/93 e 8987/95 aplicam-se subsidiariamente (em especial, causas


de alteração, rescisão e sanções).

Natureza Jurídica: PPPs são contratos administrativos de concessão especial


(pois há uma contraprestação financeira para ao particular), na modalidade
patrocinada ou administrativa (art. 2º).

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JSCF: “acordo firmado entre a Administração Pública e pessoa do setor privado


com o objetivo de implantação ou gestão de serviços públicos, com eventual
execução de obras ou fornecimento de bens, mediante financiamento do
contratado, contraprestação pecuniária do Poder Público e compartilhamento
dos riscos e ganhos entre os pactuantes”.

Para o autor, o compartilhamento dos riscos e ganhos indicaria


RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA entre as partes.

MODALIDADES:

c) Concessão patrocinada: concessão de serviços públicos ou de obras


públicas que envolver, além da tarifa, contraprestação pecuniária (art.
2º, § 1º).
A marca fundamental é o pagamento de um subsídio para a
complementação da tarifa.

d) Concessão administrativa: contrato de prestação de serviços de que a


administração seja usuária direta ou indireta.

Sem o subsídio, a concessão comum não é PPP.

DIRETRIZES: eficiência, respeito aos interesses e direitos dos destinatários,


indelegabilidade das funções de regulação, jurisdicional, poder de polícia e
atividades exclusivas, responsabilidade fiscal, transparência, repartição
objetiva dos riscos (até de caso fortuito, força maior, caso fortuito e álea
extraordinária), sustentabilidade financeira e vantagens sócio-econômicas.

CARACTERÍSTICAS: O §3º, art. 2º estabelece 03 vedações: 1ª – de valor:


valor superior a 20 milhões de reais; 2º temporal: período superior a 05 anos
(até 35 anos); 3º Objetiva: não pode ter como objeto único o fornecimento de

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mão-de-obra, o fornecimento e instalação de equipamentos ou a execução de


obra pública.

Sociedade de Propósito Específico (art. 9º): criada antes do contrato para


implantar e gerir a parceria. Pode assumir a forma de companhia aberta (a
Administração não pode ter a maioria do capital votante).

LICITAÇÃO: concorrência

i) Consórcios Públicos (Lei 11.107/05)

Contrato entre pessoas jurídicas de Direito Público para realização de objetivos


de interesse comum. Adquire personalidade jurídica própria.

A lei usa o nome consórcio tanto para designar o contrato, quanto para
designar a pessoa resultante do contrato.

O contrato depende de prévia subscrição de protocolo de intenções (depende


também de ratificação mediante lei do protocolo).

A nova pessoa jurídica constituída pelo consórcio poderá ser de direito público
(associação pública) ou de direito privado.

A associação integra a Administração Indireta de todos os consorciados


(entidade multifederativa – grande novidade).

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É obrigatória a observância dos seguintes deveres por parte do consórcio:

a) licitação;

b) contrato regido pelas normas do direito administrativo;

c) prestação de contas;

d) admissão de pessoal por concurso (nos consórcios de direito privado, o


regime é obrigatoriamente celetista).

j) Outras Espécies

a) Contratos de trabalhos artísticos (realização de obras de arte);


b) contrato de empréstimo público (Administração obtém recursos de
particular para atender a situações de urgência e interesse público);
c) convênio: acordo de vontades entre entidades federativas de
patamares diferentes para objetivos comuns (pode ser também entre
o Poder Público e particulares).
Nesse sentido, diferencia-se do consórcio administrativo (acordo entre
entidades da mesma natureza – como vários Municípios).

Segundo CABM os consórcios públicos, consórcios administrativos e convênios


são bastante diferentes dos contratos administrativos comuns, pois ao
contrário dos contratos comuns em que há interesses contrapostos, os
convênios e consórcios são marcados por interesses coincidentes.

DICA BIBLIOGRÁFICA: “Parcerias na Administração Pública”. Maria Sylvia


Zanella di Pietro. Atlas.

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19. CLÁUSULAS EXORBITANTES

Recebem tal nome por serem disposições contratuais exclusivas do direito


administrativo, que não são encontradas no Direito Privado; exorbitam a
normalidade do direito civil.

Como têm previsão legal (L. 8.666), e são anunciadas no edital, não são
abusivas.

Tais cláusulas conferem poderes especiais no contrato que projetam a


Administração para um patamar de superioridade frente o particular (“poder de
instabilizar o vínculo”, segundo CABM).

Relacionam-se com o fato de os contratos administrativos assemelharem-se a


contratos de adesão, (o contrato é estabelecido unilateralmente pela
Administração) (MSZP).

IMPORTANTE: como derivam da SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE


O PRIVADO, valem AINDA QUE NÃO ESCRITAS NO CONTRATO.

a) exigência de garantia (art. 56, § 1º, da Lei 8666/93).


Modalidades:

1) caução em dinheiro ou títulos da dívida pública.


2) seguro-garantia
3) fiança bancária

A escolha da garantia é direito do contratado.

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b) alteração unilateral (art. 58, I): nos casos de modificação do projeto ou


acréscimo ou diminuição quantitativa do objeto.

**Limites (margem para cima ou para baixo): até 25% (obras, serviços ou
compras) ou até 50% (reforma de edifício ou equipamento).

A alteração unilateral produz direito ao reequilíbrio econômico-financeiro


(reajuste na remuneração).

c) rescisão unilateral (art. 58, II). Em casos de:

1) inadimplemento por parte do contratado (sem indenização);


2) desaparecimento do objeto, insolvência, falência (sem indenização);
3) por razões de interesse público - art. 78, XII (como não há culpa do
contratado ele deve ser indenizado – perdas e danos);
4) caso fortuito ou força maior - art. 78, XVII (apesar de muito criticada
pela doutrina – MSZP – é garantida indenização conforme dispõe o art.
79, §2º)

d) fiscalização (art. 67): a execução será acompanhada e fiscalizada por


representante da Administração, permitida a contratação de terceiros para
esse fim.

e) aplicação de penalidades – sanções administrativas (art. 87)

A lei prevê as seguintes sanções:

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1) advertência;
2) multa;
3) suspensão do direito de participar de licitação e impedimento de
contratar por até 2 anos
4) declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração

CUIDADO: A lei admite apenas a acumulação de pena de multa com qualquer


outra.

Para CABM, penas de suspensão e inidoneidade só seriam aplicadas nas


condutas tipificadas como crimes.

Contra pena de advertência, multa e suspensão cabe recurso no prazo de 5


dias úteis. Contra declaração de inidoneidade cabe pedido de reconsideração
no prazo de 10 dias.

Há também previsão de crimes (arts. 89 a 99).

f) anulação: é a extinção do contrato em razão de um defeito (se o particular


não colaborou para causar o vício, será indenizado); decorre do poder de
autotutela.

g) outras prerrogativas: para garantir a continuidade da prestação, a


Administração pode determinar ainda: a) assunção do objeto (é a retomada do
objeto/prestação do serviço); b) ocupação e utilização do local, materiais e
equipamentos (extinção do contrato por qualquer motivo/manutenção do
serviço público); c) execução da garantia; d) retenção dos créditos decorrentes
do contrato (interrupção de pagamento).

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h) restrição à “exceptio non adimpleti contractus” (art. 78, XV): essa


cláusula, típica dos contratos privados, aplica-se parcialmente nos contratos
administrativos; como a administração, por força dessa norma, “pode atrasar”
90 dias a data do pagamento, antes de finalizado esse prazo, o contratado não
tem como interromper a prestação contratual.

Por isso, a exceção do contrato não cumprido só pode ser invocada 90 dias
após a interrupção do pagamento.

Os casos de calamidade, guerra ou grave perturbação não autorizam a


suspensão do contrato.

20. EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO

Os contratos administrativos oferecem uma grande vantagem ao contratado


em compensação ao que ocorre em contratos privados. A lei 8.666 criou um
sistema de preservação de lucros chamado equilíbrio econômico-financeiro.

É a relação que se estabelece, no momento da celebração, entre o encargo


assumido e a contraprestação assegurada.

Tal equilíbrio é direito do contratado e deriva dos deveres de boa-fé e busca


pelo interesse público primário.

Tem como fundamento o princípio contratual do “rebus sic stantibus” e


também a “teoria da imprevisão”.

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ATENÇÃO: melhor usar:

a) REAJUSTE para atualização do valor frente perdas inflacionárias ou aumento


nos insumos (normalmente tais circunstâncias têm previsão contratual);

b) REVISÃO/RECOMPOSIÇÃO para alterações no valor efetivo da tarifa


(circunstâncias insuscetíveis de recomposição por reajuste).

Circunstâncias excepcionais que autorizam a revisão (áleas extraordinárias):

1) Alteração unilateral do contrato: quando a administração proceda


modificações quantitativas (art. 65, § 1º) ou qualitativos (art. 65, § 4º) no
objeto;

2) Fato do príncipe: evento da entidade contratante não relacionado ao


contrato (para CABM: medidas sob titulação jurídica diversa da contratual).
Ex.: aumento de tributo pela mesma entidade. Se o aumento for em outra
esfera aplica-se a teoria da imprevisão.

3) Fato da administração (HLM e MSZP): ação ou omissão da Administração


contratante que retarda ou impede a execução do contrato. Ex: Administração
não providencia desapropriações necessárias para a execução de obras.

Para CABM: fato da Administração é o comportamento irregular do contratante


que viola direitos do contratado, mas não necessariamente dificulta ou impede
a execução (o contratado pode continuar prestando sua parte).

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4) Álea econômica (teoria da imprevisão): acontecimento externo ao contrato,


de natureza econômica e estranho à vontade das partes, imprevisível e
inevitável, que cause desequilíbrio contratual.

Nesses casos aplica-se a chamada teoria da imprevisão (lembrar que essa


teoria sucedeu historicamente o princípio “rebus sic stantibus”).

Requisitos para o fato gerar reequilíbrio pela teoria da imprevisão:

a) o fato deve ser imprevisível quanto à ocorrência e conseqüências;


b) estranho à vontade das partes;
c) inevitável;
d) causar desequilíbrio grande ao contrato.

5) Sujeições imprevistas (CABM) ou interferências imprevistas (HLM):


dificuldades de ordem material imprevisíveis. Ex.: encontro de lençol d’água
durante escavação (o contratado tem direito integral à reparação).

6) Agravos econômicos resultantes da inadimplência da Administração (CABM).


Ex.: atraso no pagamento.

21. FORMALIZAÇÃO

Os contratos administrativos devem ter a forma escrita, mas pode ser


verbal nas pequenas compras de pronto pagamento (até 4 mil reais).

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22. PRAZOS

A duração dos contratos fica adstrita à vigência dos respectivos créditos


orçamentários. Exceto em 03 casos:

a) projetos previstos no PPA;


b) serviços de execução contínua (até 60 meses);
c) aluguel de equipamentos e programas de informática (até 48 meses).

Os §§ do art. 57 admitem prorrogação (desde que apresente 02


requisitos básicos: justificada por escrito e autorizada pela autoridade): é o
aumento de prazo com o mesmo contratado e nas mesmas condições
anteriores. Difere da renovação: trata-se de outro ajuste com o mesmo
objeto (significa dizer que a renovação pressupõe alguma modificação em
cláusulas contratuais, como por exemplo, na forma de execução).

Importante: admite-se a renovação, em regra, mediante nova licitação; pode


ser mantido o mesmo contratado, caso vença a licitação ou ocorra
dispensa/inexigibilidade.

23. EXTINÇÃO

Pode se dar especialmente de 04 formas:

1- conclusão do objeto: é a forma natural de extinção do contrato em


decorrência do seu integral cumprimento (alguns autores falam em
“exaurimento do conteúdo”);

2- término do prazo: quando ocorre o final da vigência contratual.

3- anulação (defeito).

4- rescisão: a lei prevê 03 modalidades de rescisão (art. 79):

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A) rescisão unilateral: se houver culpa do contratado, não tem indenização


e haverá sanção; não havendo culpa (ex.: rescisão por interesse
público) cabe indenização.
B) Rescisão amigável: é feita por acordo entre as partes.
C) Rescisão judicial: feita por inadimplemento do CONTRATANTE ou do
CONTRATADO (nesse caso, a Administração pode também rescindir
unilateralmente). Se houver inadimplemento do contratado, a
Administração pode optar entre a rescisão unilateral e a judicial (esta
última pode ser usada se a Administração não quiser correr risco de
futura condenação derivada de uma rescisão unilateral).

Atenção: HLM fala ainda em rescisão de pleno direito: independe da vontade


das partes e se dá pela ocorrência de fato extintivo previsto na lei,
regulamento ou contrato. Ex.: falência, insolvência ou falecimento do
contratado.

24. TESTES CESPE

1. O governo de um estado contratou determinada empresa para


a construção da sede de uma das suas secretarias. A obra tinha
prazo definido para o início, porém a empresa não pôde começar
o serviço dentro do prazo estipulado em contrato porque a
administração pública não entregou, em tempo hábil, o local da
obra, tampouco expediu as ordens de serviço necessárias, o que
impediu que a empresa iniciasse a obra no prazo previsto,
descumprindo, portanto, cláusula contratual. Considerando a
situação hipotética apresentada, é correto afirmar que, apesar
do descumprimento do prazo, a empresa contratada está isenta de
sanções administrativas, de acordo com a hipótese de:
A) fato do príncipe.
B) fato da administração.
C)álea econômica.
D) álea ordinária ou empresarial.
RESPOSTA B

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2. Referentemente aos contratos administrativos, assinale a opção


correta.
A) A presença da administração pública na relação contratual é
suficiente para se qualificarem avenças no contrato administrativo.
B) O princípio da continuidade do serviço público impede que o
contratado suspenda, sob a alegação de falta de pagamento, o serviço
que presta à administração pública.
C) As cláusulas exorbitantes possibilitam à administração pública
alterar unilateralmente o contrato administrativo, exceto no que se
refere à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro.
D) A modificação da finalidade da empresa contratada pela
administração para prestação de serviços implica automática rescisão
do contrato administrativo.
RESPOSTA C

3. A respeito da disciplina legal relativa aos contratos


administrativos, julgue os itens a seguir.
I. A ilegalidade no procedimento da licitação vicia também o
próprio contrato, já que aquele procedimento é condição de
validade deste, de modo que, ainda que a referida ilegalidade
seja apurada depois de celebrado o contrato, este terá de ser
anulado.
II. A faculdade que a administração possui de exigir
garantia nos contratos de obras, serviços e compras admite que
tal exigência seja feita somente com o licitante vencedor e no
momento da assinatura do respectivo contrato, não na fase
licitatória.
III. A subcontratação, total ou parcial, do objeto do contrato,
a associação do contratado com outrem, bem como a cessão ou
transferência, total ou parcial, somente são possíveis se
expressamente previstas no edital e no contrato.
IV. Entre as normas referentes ao aspecto formal, inclui-se a
que exige a publicação, no Diário Oficial, da íntegra do contrato,
no prazo máximo de 30 dias a contar da data da assinatura,
como condição para que o contrato adquira eficácia.

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Estão certos apenas os itens:


A) I e II.
B) I e III.
C)II e IV.
D) III e IV.
RESPOSTA B

4. Com base nas modalidades de licitação previstas na Lei n.º


8.666/1993, julgue os itens abaixo.
I. Leilão é a modalidade de licitação realizada entre
quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis
para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou
penhorados. Não é cabível, entretanto, para bens semoventes e
bens imóveis.
II. Concorrência é a modalidade de licitação que permite a
participação de interessados que, na fase inicial de habilitação
preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de
qualificação exigidos no edital para a execução de seu objeto.
III. Convite é a modalidade de licitação entre, no mínimo,
três interessados do ramo, escolhidos e convidados pela
unidade administrativa, e da qual podem participar também
aqueles que, mesmo não estando cadastrados, manifestem seu
interesse com antecedência de até 48 horas da apresentação
das propostas.
IV. Tomada de preços é a modalidade de licitação realizada
entre interessados devidamente cadastrados ou que preencham
os requisitos para cadastramento até o terceiro dia anterior à
data do recebimento das propostas, observada a necessária
qualificação.
Estão certos apenas os itens:
A) I e II.
B) I e III.
C) II e IV.
D) III e IV.
RESPOSTA C

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5. As modalidades de licitação previstas na Lei n.º 8.666/1993


não incluem:
A) pregão.
B) concurso.
C)leilão.
D) tomada de preços.
RESPOSTA A

6. Empresa pública de transporte coletivo firmou contrato com


rede de distribuição de combustíveis para que, pelo prazo de 24
meses, fornecesse gás natural veicular para sua frota de ônibus,
pagando, por metro cúbico de gás, o valor médio cobrado pelo
mercado segundo levantamento feito pela ANP. No nono mês de
vigência do contrato, o principal fornecedor de gás ao Brasil
teve de suspender o fornecimento do produto devido a graves
problemas político-sociais internos. A contratada se vê
impossibilitada de cumprir a avença nos termos pactuados.
Considerando a situação hipotética acima, assinale a opção
correta.
A) Aplica-se ao caso a teoria da imprevisão.
B) A empresa fornecedora de combustíveis terá de ressarcir a empresa
pública pelos prejuízos causados pela paralisação de sua frota por força
da cláusula rebus sic stantibus.
C) A contratada não deverá arcar com qualquer ônus pelo
inadimplemento do contrato por se tratar de fato do príncipe.
C)A empresa pública poderá buscar reparação financeira junto à Corte
Interamericana de Direito OEA.
RESPOSTA A

7. Os motivos para rescisão determinada por ato unilateral e


escrito da administração não incluem:
A) razão de interesse público, de alta relevância e amplo conhecimento,
justificada e determinada pela máxima autoridade da esfera

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administrativa a que está subordinado o contratante e exarada no


processo administrativo a que se refere o contrato.
B) a supressão, por parte da administração, de obras, serviços ou
compras, acarretando modificação do valor inicial do contrato além do
limite previsto em lei.
C)a lentidão do cumprimento de uma obra, em que a administração
comprove a impossibilidade da conclusão da obra, do serviço ou do
fornecimento, nos prazos estipulados.
D) o atraso injustificado no início de obra, serviço ou
fornecimento.
RESPOSTA B

8. A respeito dos contratos administrativos, assinale a opção


correta.
A) Os contratos administrativos diferenciam-se dos demais contratos
privados no que se refere às chamadas cláusulas exorbitantes, como a
cláusula que autoriza à administração impor penalidades administrativas
B) Como os contratos administrativos também se submetem ao
princípio da formalidade, eles devem ser obrigatoriamente escritos.
C)A administração pode alterar, de forma unilateral, os contratos que
celebrar. No entanto, no que se refere à alteração quantitativa, a lei
estabelece, como limite para os acréscimos e supressões nas obras,
serviços ou compras, o percentual de 50% em relação ao valor original
do contrato.
D) A administração pode rescindir o contrato, de forma unilateral, na
ocorrência de caso fortuito ou força maior, não ficando obrigada ao
pagamento de qualquer indenização.
RESPOSTA A

9. Quanto às licitações, assinale a opção correta.


A) De acordo com o princípio da adjudicação compulsória, o licitante
contratado deve obedecer não apenas aos termos do contrato, mas
também às determinações da administração.
B)Nos termos da Constituição Federal, as empresas estatais
(sociedades de economia mista e empresas públicas), quando

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prestadoras de serviço público, podem elaborar ato normativo sobre


licitação, observados os princípios da administração pública.
C)A contratação de empresa de publicidade pode ser feita sem
licitação, diante da natureza singular do serviço.
D) É dispensável a licitação na hipótese de celebração de contrato
de programa entre entes da Federação ou com entidades da
administração indireta, para a prestação de serviços públicos de forma
associada nos termos do autorizado em contrato de consórcio público
ou em convênio de cooperação.
RESPOSTA D

10. No que se refere a licitação e contratos, assinale a opção correta.

A) Em regra, a venda de bens públicos imóveis passíveis de alienação


ocorre por meio das modalidades de concorrência ou leilão.
B) É dispensável a licitação quando não acudirem interessados à
licitação anterior, e a licitação, justificadamente, não puder ser repetida
sem prejuízo para a administração, mantidas, nesse caso, todas as
condições preestabelecidas.
C) Não está impedida de participar de licitações a empresa que se utilize
do trabalho do menor de dezesseis anos de idade, mesmo fora da
condição de aprendiz.
D) A microempresa ou empresa de pequeno porte que deixe de
comprovar, na fase de habilitação, a sua regularidade fiscal será
excluída de imediato do certame.
RESPOSTA B

11. Considere que, após o devido processo licitatório, a


administração pública tenha delegado a execução de um serviço
público a um particular para que este executasse o serviço em
seu próprio nome, por sua conta e risco, pelo prazo de cinco
anos. Em troca, conforme previsão contratual, o particular
receberia, a título de remuneração, a tarifa paga pelos usuários
do serviço.

Nesse caso, a administração pública firmou contrato de:

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A) autorização de serviço público.

B) empreitada de serviço público.

C) concessão de serviço público.

D) permissão de serviço público.


RESPOSTA C

12. Acerca de pregão, assinale a opção correta.

A) Caso o licitante vencedor seja inabilitado, o pregoeiro deverá declarar


a licitação fracassada e realizar novo procedimento.

B) Examinada a proposta classificada em primeiro lugar, quanto ao


objeto e ao valor, caberá ao pregoeiro decidir motivadamente a respeito
da sua aceitabilidade

C) A aplicação do pregão eletrônico é restrita ao âmbito federal.

D) A licitação por meio do pregão é considerada deserta quando


nenhum dos interessados é selecionado em decorrência de inabilitação
ou desclassificação.
RESPOSTA B

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Parte 7 – Servidores Públicos e Lei 8112/90

1. Agentes Públicos

Conceito: são todas as pessoas que mantêm vinculação profissional com


o Estado, ainda que de modo transitório e sem remuneração.

A noção abrangente de agentes públicos serve para identificar todos


aqueles que são “autoridade pública” para fins de impetração de
mandado de segurança.

Espécies de Agentes Públicos:

a) Agentes políticos: ingressam mediante eleições para desempenhar


mandatos fixos, sendo responsáveis pela alta direção do Estado, ao
final dos quais a vinculação desaparece. Ex. parlamentares, chefes do
executivo, etc (HLM incluía os juízes).

b) Empregados públicos: ingressam mediante concurso público, para


ocupar empregos públicos, de natureza contratual, regida pela CLT. O
regime de emprego é obrigatório nas empresas públicas e sociedades
de economia mista (fora esses casos, tal regime deveria ser
reservado a funções subalternas – complexidade menor). O regime
de emprego público não é puramente celetista, pois sofre influências

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do direito administrativo, especialmente em 02 pontos: concurso e a


demissão mediante processo administrativo. Por causa dos princípios
do devido processo legal e obrigatória motivação, a doutrina do
direito administrativo só admite demissão de empregado público por
justa causa e mediante processo administrativo com ampla defesa e
contraditório. Porém, alguns enunciados do TST admitem demissão
de empregado público sem justa causa.

Cuidado: empregado público não tem a estabilidade dos


estatutários e nem estágio probatório de 03 anos. Existe apenas o
período de experiência previsto na CLT (90 dias). Portanto, a
“estabilidade” mencionada pelos tribunais trabalhistas no regime
de emprego é aquela da CLT (proteção da gestante, dos
sindicalistas, etc.).

c) Servidos Públicos Estatutários: ingressam por concurso, para


ocupar cargos públicos, tendo vinculação não contratual 2 ,
submetendo-se à estágio probatório de:

1) 03 anos (para a maioria dos cargos): nesses casos o


servidor adquire estabilidade (cargos efetivos) só podendo
perder o cargo por 04 razões (compulsórios): sentença
judicial transitada em julgado; processo administrativo
disciplinar; avaliação negativa de desempenho e para
redução de despesas. No âmbito federal o regime
estatutário está disciplinado na Lei 8.112/90.
2) 02 anos: no caso de cargos vitalícios (magistrados,
membros do MP e membros dos Tribunais de Contas). Após
os 02 anos de estágio, tais agentes adquirem vitaliciedade,
                                                            
2
 A vinculação de um servidor público não é contratual, mas estatutária, razão pela qual as características da 
vinculação podem ser modificadas mesmo contra a vontade do servidor. 

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só podendo perder o cargo por sentença judicial transitada


em julgado.

d) Temporários: são contratados por tempo determinado para


necessidade temporária de excepcional interesse público (art. 37, IX,
CF e L. 8.745/93). Ex. assistência a situações de calamidade pública;
combate a surtos endêmicos; Não há concurso público, mas processo
seletivo simplificado (art. 3º). Nos casos de calamidade pública
sequer há processo seletivo simplificado.

e) ocupantes de cargo em comissão (art. 37, V, CF): conhecidos


como cargo de confiança não são providos por concurso, mas por
nomeação, destinando-se a direção, chefia e assessoramento. Os
cargos são exoneráveis “ad nutum”.

Importante: a exoneração “ad nutum” independe de motivo, mas se


o motivo que foi apresentado for falso, a exoneração é nula. Ex.
ocupante de cargo em comissão exonerado por falta funcional sem
processo.

f) Particulares em colaboração com a Administração (ou agentes


honoríficos): assumem tarefas públicas em caráter transitório e sem
remuneração (em regra). Exemplos: convocados para eleições
(requisitados); gestores de negócios públicos (socorrista de
parturiente; particular que dá ordens no trânsito); notários (para
alguns autores, tabeliães, notários e titulares de cartório também são
particulares em colaboração – segundo o STF, eles não se submetem
a aposentadoria compulsória de 70 anos).

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2. Concurso Público

Pode ser de provas (atividades de baixa complexidade) ou provas e


títulos (maior complexidade). A realização de concurso relaciona-se com
os princípios da impessoalidade, moralidade e eficiência. O concurso
vale por até 02 anos, prorrogáveis uma vez por igual período.

3. Acumulação de Cargos (art. 37, XI, CF)

A acumulação remunerada é proibida, exceto em 05 casos se houver


incompatibilidade de horários: a) a de dois cargos de professor; b) a de
um cargo de professor com outro técnico ou científico; c) a de dois
cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas; d) juiz e magistério; e) promotor de justiça e
magistério.

4. QUESTÕES CESPE

1. Um servidor federal estatutário de nível médio, em estágio


probatório, foi acusado de patrocinar indiretamente interesse
privado perante a administração pública, valendo-se de sua
qualidade de funcionário. Instaurada sindicância, apurou-se que
outro servidor, de nível superior, estatutário e estável, teria sido
co-autor da infração. Instaurado processo disciplinar contra os
dois servidores, como medida cautelar, ambos foram afastados
do exercício de seus cargos pelo prazo de 90 dias. Indiciados, o
prazo legal máximo fixado para a conclusão do processo

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disciplinar foi prorrogado, por igual período, uma única vez, ante
o grande volume de fatos a apurar. Produzidas as defesas, a
comissão do processo disciplinar concluiu, ao final, que o
servidor de nível médio praticara tão-somente ato de
deslealdade para com a instituição a que serve e o servidor de
nível superior patrocinara indiretamente interesse privado
perante a administração pública, valendo-se da qualidade de
funcionário. O presidente da República demitiu o servidor de
nível superior e exonerou o servidor em estágio
probatório.Quanto à situação hipotética acima, julgue os itens
seguintes.

1. O afastamento por 90 dias de ambos os servidores foi ilegal.

2. A prorrogação do prazo de conclusão de processo administrativo


disciplinar era admissível.

3. A demissão do servidor de nível superior foi ilegal, porque ele não foi
ouvido previamente na sindicância.

4. O patrocínio, ainda que indireto, de interesse privado perante a


administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário, é causa
de demissão.

5. O presidente da República não poderia exonerar o servidor de nível


médio, uma vez que ele não cometera infração punível com pena de
demissão.
Resposta V/V/F/V/F

2. Quanto ao sistema de previdência dos servidores públicos, é


errado afirmar que:

A) em caso de invalidez permanente, em regra, os servidores receberão


proventos proporcionais ao tempo de contribuição;

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B) voluntariamente, o servidor poderá se aposentar aos sessenta anos


de idade e trinta e cinco anos de serviço, se homem, e cinqüenta e cinco
anos de idade e trinta anos de serviço, se mulher, com proventos
integrais;

C) voluntariamente, o servidor poderá se aposentar se houver cumprido


tempo mínimo de dez anos de efetivo serviço público e cinco anos no
cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, além de se exigir que ele
tenha pelo menos sessenta anos de idade e trinta e cinco anos de
contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta anos
de contribuição, se mulher;

D) o servidor, aos setenta anos, é aposentado compulsoriamente, com


proventos proporcionais ao tempo de contribuição.
Resposta B

3. Caso o ato lesivo praticado pelo agente público, no exercício


das suas funções, dê causa à instauração de persecução penal,
constituirá causa impeditiva de sua responsabilização civil, em
ação regressiva da Administração Pública:

A) a absolvição por negativa de autoria ou do fato;

B) a absolvição por ausência de culpabilidade penal;

C) a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva;

D) a absolvição por insuficiência de provas.

Resposta A

4. No que tange às regras da Constituição da República sobre a


administração pública, é correto afirmar:

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A) não está vedada a equiparação de remuneração de pessoal do


serviço público;

B) o acréscimo pecuniáriopercebido pelo servidor deve ser computado


para fim de concessão de acréscimos ulteriores;

C) a administração pública pode, mesmo antes de findar o prazo de


validade de um concurso, realizar um novo concurso e convocar os
aprovados neste antes dos aprovados naquele;

D) os cargos públicos, em tese, podem ser ocupados por estrangeiros.


Resposta D

5. Após o preenchimento de todas as formalidades exigidas por


lei, João tomou posse em um cargo público federal efetivo que
não é abrangido pelas hipóteses de acumulação previstas na
Constituição Federal. Um mês após a sua entrada em efetivo
exercício, a administração recebeu denúncia de que João ainda
mantinha contrato de trabalho com uma empresa pública
instituída por estado-membro da Federação.

Considerando a situação hipotética acima e os dispositivos da Lei


n.º 8.112/1990 — Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis
da União — vigentes, julgue os itens seguintes.

I) Para que João seja considerado investido no cargo público, haverá de


ter cumprido, entre outras, as seguintes exigências legais: aprovação
em concurso público de provas ou provas e títulos, nomeação pela
autoridade administrativa competente, assinatura do termo de posse e
início do efetivo desempenho das atribuições do cargo.

II) Se for verdadeiro o fato denunciado, é correta a hipótese de que


João tenha efetuado declaração falsa, uma vez que a lei exige

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expressamente que o servidor, no ato da posse, apresente declaração


quanto ao não-exercício de outro cargo, emprego ou função pública.

III) De acordo com a lei, a autoridade administrativa competente deverá


notificar João, por intermédio de sua chefia imediata, para apresentar
sua defesa no prazo improrrogável de dez dias, contados da ciência, sob
pena de ser invalidada a sua nomeação.
Respostas F/F/F

6. São formas de provimento, exceto:

A) transferência;

B) nomeação;

C) reversão;

D) readaptação;
Resposta B

7. A respeito das disposições vigentes na Lei n.º 8.112/1990,


julgue os itens a seguir:

I) O prazo de validade de concurso público deve ser objeto da norma


editalícia, que regulamentará o certame, e será de até um ano, podendo
ser prorrogado uma única vez, por igual período.

II) O servidor vinculado ao regime da lei mencionada, que acumular


licitamente dois cargos efetivos, quando investido em cargo de
provimento em comissão, ficará afastado de ambos os cargos efetivos,
salvo na hipótese em que houver compatibilidade de horário e local com
o exercício de um deles, declarada pelas autoridades máximas dos
órgãos ou entidades envolvidos.

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III) É vedado ao servidor público, seja ocupante de cargo efetivo ou de


cargo em comissão, atuar como procurador ou intermediário em
repartições públicas, salvo quando se tratar de benefícios
previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau e de
cônjuge ou companheiro.

IV) A pena de demissão, aplicável somente ao servidor ocupante de


cargo de provimento efetivo com mais de dois anos de exercício, será
aplicada nos seguintes casos, entre outros: crime contra a
administração pública, corrupção, aplicação irregular de dinheiros
públicos e insubordinação grave em serviço.
Respostas: C/C/C/C

8. No que concerne aos servidores públicos, regidos pela Lei n.º


8.112/1990, assinale a opção correta.

A) Os cargos públicos são acessíveis apenas aos brasileiros natos ou


naturalizados.

B) O regime de trabalho do servidor se sujeita ao limite mínimo de 6


horas diárias.

C) É garantido a todo servidor público o exercício do direito de greve.

D) O concurso de títulos, mediante seleção por currículos, para


provimento de cargo isolado, terá validade de um ano, prorrogável por
igual período.

E) A impossibilidade física de entrar em exercício acarreta a


possibilidade de fazê-lo por meio de procuração pública.
Resposta B

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9. Assinale a opção que apresenta situações que geram a aplicação de


penalidade de demissão.

A) Aliciar subordinados a filiarem-se a partido político e ausentar-se do


serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato.

B) Aceitar comissão ou pensão de Estado estrangeiro e apresentar


inassiduidade habitual.

C) Promover manifestação de desapreço no recinto da repartição e


abandonar o cargo.

D) Abandonar o cargo e recusar fé a documento público.

E) Opor resistência injustificada ao andamento de documento na


repartição e revelar segredo do qual se apropriou em razão do cargo.
Resposta B

10. Quanto aos Servidores Públicos, assinale a resposta correta:

A) a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange


Autarquias, Empresas Públicas e Fundações mantidas pelo Poder
Público, exceção feita às Sociedades de Economia Mista;

B) a Constituição Federal de 1988 proíbe a acumulação remunerada de


cargos públicos, exceto quando houver compatibilidade de horário e
correlação de matéria;

C) a Constituição reconhece, aos servidores públicos, direito à livre


associação sindical e o direito de greve, este último a ser exercido nos
termos e limites definidos em lei complementar;

D) no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, a remuneração e o


subsídio dos membros dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo
não poderão exceder o subsídio mensal do Governador.

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Resposta C

11. Determinado ministro de Estado demitiu José, servidor


público, do cargo efetivo que ocupava, em decorrência da prática
de improbidade para obtenção de proveito pessoal (recebimento
de propina, corrupção passiva) em detrimento da dignidade do
cargo. Além de haver testemunhas que presenciaram o pedido
ilegal de dinheiro para prática de ato administrativo, o fato foi
filmado e exibido por emissora de televisão em cadeia nacional.

Em razão da reportagem, José foi suspenso preventivamente


pelo próprio ministro. No dia seguinte à publicação da demissão,
o ex-servidor protocolou petição dirigida ao ministro, alegando a
ocorrência de cerceamento de defesa, em virtude de não lhe ter
sido dada a oportunidade de apresentar alegações finais no
processo disciplinar. Além disso, alegou que o processo
administrativo deveria ter sido regido pela Lei n.º 9.784/1999 e
não, pela Lei n.º 8.112/1990, como de fato havia sido. Por fim,
afirmou que, no processo criminal, ele tinha sido absolvido por
insuficiência de provas.

Com base no entendimento jurisprudencial do STF e do STJ, e


considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta.

A) A absolvição criminal de José deveria impedir a sua demissão,


resultante de processo administrativo.

B) Como o ministro suspendeu, preventivamente, José do cargo, ele


deveria ter sido colocado sob suspeição para realizar demissão.

C) A demissão de José somente poderia ter sido levada a efeito pelo


presidente da República, pois não se admite a delegação para sua
prática.

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D) A referida filmagem não poderia ter sido utilizada como elemento


incriminador no processo administrativo disciplinar.

E) Se não há previsão na Lei n.º 8.112/1990 para apresentação de


alegações finais, não caberia acrescentar nova fase no procedimento
com base na Lei n.º 9.784/1999, lei genérica de processo
administrativo.
Resposta E

12. Em relação aos vencimentos e proventos de aposentadoria


dos servidores públicos, o STF entende que

A) a Constituição veda a cumulação de cargos públicos por uma mesma


pessoa.

B) não há vedação constitucional à acumulação de cargos públicos


desde que haja compatibilidade de horários e o acesso tenha se dado
por concurso público.

C) é permitida a cumulação sem restrições, se ficar caracterizado direito


adquirido pelo servidor

D) é possível a acumulação de mais de uma aposentadoria, se forem


elas relativas a cargos que, na atividade, seriam cumuláveis.

E) são inacumuláveis em razão do princípio da moralidade


administrativa.
Resposta D

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13. A Lei n.º 8.112/1990 e suas posteriores alterações baniram


do ordenamento jurídico as seguintes formas de provimento de
cargos públicos:

A) nomeação e readaptação.

B) promoção e redistribuição.

C) reversão e recondução.

D) ascensão e transferência.

E) substituição e aproveitamento.
Resposta D

14. Maria, casada com Pedro, juiz titular da vara do trabalho de


Itaperuna, foi aprovada, em concurso público, para o cargo de
auditor do trabalho, com lotação originária também em
Itaperuna, tendo tomado posse e entrado em exercício em
fevereiro de 2004. No ano seguinte, Pedro, após realizar
concurso de remoção, foi trabalhar em uma das varas do
trabalho do Rio de Janeiro. Em 2006, Pedro foi acometido de
doença, razão pela qual deveria ser acompanhado por Maria. Em
2008, Maria será candidata a vereadora pelo Rio de Janeiro.

A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta.

A) A licença por motivo da doença de Pedro somente permitirá a Maria a


percepção à remuneração pelo período de até 90 dias.

B) Uma vez eleita vereadora, havendo incompatibilidade de horários


para cumulação dos cargos, Maria poderá se afastar do cargo de
auditora do trabalho, mas optando por sua remuneração.

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C) Em 2005, Maria não poderia pedir licença para acompanhar Pedro,


porque estava em estágio probatório.

D) Durante a licença em razão da doença de Pedro, Maria poderá


exercer atividade remunerada fora do serviço público.

E) O afastamento para o exercício do cargo de vereador não será


computado para fins da contagem do tempo de serviço de Maria.
Resposta B

15. Considere os seguintes enunciados e assinale a alternativa


correta:

I – Se o funcionário se exonerar no curso do procedimento


administrativo disciplinar, este perderá seu objeto e será
extinto.

II – Reversão é o retorno do funcionário ou servidor à ativa,


cessadas as condições determinantes da aposentadoria.

III – Ministros de Estado não são agentes políticos, uma vez que
não são escolhidos por eleição.

A) apenas o enunciado I está correto;

B) apenas o enunciado II está correto;

C) apenas o enunciado III está correto;

D) todos os enunciados estão incorretos.


Resposta B

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16. Considerando a aplicação da Lei n.º 8.112/1990 e a


interpretação que lhe é dada pelo tribunais superiores, assinale
a opção correta.

A) Caso um cidadão, em razão de tratamento de saúde, não possa estar


presente no órgão para o qual prestou concurso no dia marcado para a
sua posse, ele poderá outorgar procuração pública a um terceiro, com
poderes para tomar posse e entrar em exercício.

B) O ocupante de cargo em comissão submete-se a regime de integral


dedicação ao serviço.

C) Caso um servidor estável no cargo I seja aprovado em concurso no


cargo II e, assim, requeira vacância do cargo I, tome posse no cargo II
e inicie o exercício, nessa situação, se, em estágio probatório no cargo
II, o servidor for reprovado, ele será reintegrado ao cargo I.

D) Agirá nos limites da legalidade administrativa a autarquia federal que


abrir concurso público enquanto houver candidato aprovado em
concurso anterior com prazo de validade não expirado.

E) Às pessoas portadoras de deficiência serão sempre assegurados 20%


das vagas oferecidas em concurso público.
Resposta B

17. No regime constitucional-administrativo dos servidores


públicos, é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos,
exceto quando houver compatibilidade de horários, quanto a:

A) dois cargos em comissão;

B) um cargo de professor com um cargo técnico ou científico;

C) um cargo em comissão com um cargo em confiança;

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D) dois cargos técnicos administrativos, desde que em entidades


federativas diversas.
Resposta B

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Parte 8 – Processo Administrativo

TESTES CESPE

1. João, servidor público com cargo efetivo no Ministério X, foi


denunciado pela prática de peculato. A denúncia foi recebida, foi
instaurado processo administrativo disciplinar e designada
comissão para apuração do fato. O advogado de João requereu a
suspensão do processo administrativo enquanto não transitasse
em julgado o processo criminal, pedido que foi indeferido pela
comissão. Ao final do processo criminal, João foi absolvido
definitivamente, por insuficiência de provas. No processo
administrativo disciplinar, foi aplicada pena de demissão a João.
Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta.
A) João poderá apresentar petição nos autos do processo
administrativo, acompanhada de cópia do julgamento havido na esfera
criminal, mas não terá direito à alteração da pena de demissão que lhe
foi imposta.
B) A comissão disciplinar deveria ter determinado, como medida mais
prudente, a suspensão do processo administrativo, o que evitaria
decisões conflitantes, como as da situação apresentada.
C) A decisão adequada seria a suspensão do processo penal, com
a suspensão do prazo prescricional, até que terminasse o processo
administrativo.
D) A pena de demissão deveria ter sido aplicada pelo presidente da
República, visto que este não pode delegar o ato a ministro de Estado.
RESPOSTA A

2. No que se refere à norma estabelecida na Lei no 9.784/1999,


que versa sobre o processo administrativo no âmbito da
administração pública federal, assinale a opção incorreta.
A) O servidor ou autoridade que esteja litigando, na esfera judicial,
com o interessado em um processo administrativo que envolva as
mesmas partes está impedido de atuar nesse processo.

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B) As matérias de competência exclusiva de órgão ou autoridade


só podem ser objeto de delegação se houver expressa autorização da
autoridade delegante.
C) O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido
de interessado.
D) Os atos administrativos que importem anulação, revogação,
suspensão ou convalidação devem ser obrigatoriamente motivados.
RESPOSTA B

3. Suponha que um servidor tenha sido absolvido na instância penal


em razão de ter ficado provada a inexistência do ato ilícito que lhe
fora atribuído. Nessa situação,
A) em nenhuma hipótese a decisão judicial surtirá efeito na relação
funcional, e, em conseqüência, na esfera administrativa.
B) a punição na instância administrativa, caso tenha sido aplicada, não
poderá ser anulada.
C) a decisão absolutória não influirá na decisão administrativa se, além
da conduta penal imputada, houver a configuração de ilícito
administrativo naquilo que a doutrina denomina de conduta residual.
D) haverá repercussão no âmbito da administração, não podendo esta
punir o servidor pelo fato decidido na esfera criminal.
RESPOSTA D

4. Assinale a opção correta no que se refere à Lei n.º 9.784/1999, que


regula o processo administrativo no âmbito da administração pública
federal.

A) Considera-se entidade administrativa a unidade de atuação


integrante da estrutura da administração direta.
B) São capazes, para fins de processo administrativo, os maiores de
dezesseis anos, ressalvada previsão especial em ato normativo próprio.
C) O desatendimento da intimação para ciência de decisão importa o
reconhecimento da verdade dos fatos pelo administrado.
D) Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver
impedimento legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos

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ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente


subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de
índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.
RESPOSTA D

5. O INSS, em processo administrativo, concluiu, com base em


entendimento antigo e recorrente na autarquia, que a servidora
pública Kátia deveria ressarcir determinada quantia aos cofres
públicos. A referida servidora recorreu e, quando ainda pendente o
julgamento do recurso administrativo, o INSS tomou ciência de
decisão do STF proferida em sede de reclamação, na qual se
consagrava o entendimento de que o servidor, em casos análogos ao
de Kátia, não tem o dever de ressarcir a quantia. Nessa decisão, o STF
entendeu ter sido violado enunciado de súmula vinculante.

Com referência a essa situação hipotética e com enfoque nos reflexos


da súmula vinculante no processo administrativo, assinale a opção
correta.

A) O INSS deve seguir o entendimento firmado na súmula vinculante e


adequar suas futuras decisões ao enunciado da súmula.

B) Ao julgar o processo administrativo, a autoridade pode proferir decisão sem


abordar a questão relativa à súmula caso entenda que esta não seja aplicável
à espécie.

C) A autoridade responsável pelo julgamento do processo administrativo não


se sujeita à responsabilização pessoal caso não ajuste a decisão administrativa
reiteradamente aplicada ao comando da súmula.

D) Os enunciados de súmula vinculante só vinculam o Poder Judiciário, com


exceção do STF, e a administração direta, não abarcando as autarquias.

RESPOSTA A

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6. Com referência ao processo administrativo e a temas a ele


relacionados, assinale a opção correta.

A) As atividades que buscam a verificação e a comprovação de fatos e dados


no processo administrativo podem ser impulsionadas de ofício pela
administração, independentemente de requerimento do interessado.

B) Caso a matéria discutida no processo administrativo se apresente bastante


controversa e inquietante, a autoridade responsável poderá deixar de decidir e
submeter o tema à apreciação do Poder Judiciário.

C) Um agente administrativo que tenha competência para decidir determinado


recurso administrativo pode delegar tal competência a subordinado seu.

D) O servidor que atue como perito em um processo administrativo pode


exercer outras funções no mesmo processo, exceto a de julgar.

RESPOSTA A

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Parte 9 – Controle da Administração

1. Conceito

É o conjunto de mecanismos jurídicos e administrativos por meio dos


quais se exerce o poder de fiscalização (JSCF).

2. Objetivos

Garantir o respeito aos direitos subjetivos e o alcance das diretrizes


constitucionais da Administração Pública

3. Natureza jurídica:

Princípio fundamental da Adm. Pública (art. 6º, V, do DL 200/67).

4. Classificação

I) Quanto à natureza do controlador

a) Controle legislativo
b) Controle judicial
c) Controle administrativo

II) Quanto à extensão do controle

a) Controle interno: realizado por um Poder sobre sua própria esfera


b) Controle externo: quando o órgão fiscalizador se situa em Administração
diversa (HLM)

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III) Quanto à natureza do controle

a) Controle de legalidade
b) Controle de mérito

IV) Quanto ao âmbito

a) Controle por subordinação


b) Controle por vinculação

V) Quanto à oportunidade

a) Controle prévio: feito a priori. Ex.: ação que depende de aprovação


b) Controle concomitante: durante a execução. Ex.: controle sobre obra
c) Controle posterior. Ex.: controle judicial

VI) Quanto à iniciativa

a) Controle de ofício
b) Controle provocado

5. Controle administrativo

Conceito

Objetivos: a) confirmação (quando o comportamento é dado como legítimo);


b) correção ( retirada de atos ilegais ou inconvenientes); c) alteração (ratifica
uma parte e corrige outra)

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Meios de controle

a) controle ministerial
b) hierarquia orgânica
c) direito de petição (art. 5º, XXXXIV, “a”, da CF)
d) recursos administrativos: são meios de impugnação perante a própria
administração.

*Recurso hierárquico próprio e recurso hierárquico impróprio

* A regra é só o efeito devolutivo (pode ter suspensivo)

* Espécies: 1) representação (denúncia de ilegalidade ou abuso para fins de


apuração); 2) reclamação (postula a revisão de ato prejudicial a direito ou
interesse); 3) reconsideração (dirigido à mesma autoridade do ato); 4) revisão
(postula a reapreciação de matéria já decidida)

* possibilidade de “reformatio in pejus” (art. 64, § único, da Lei 9.784/99)

* desnecessidade de exaustão da via administrativa (art. 5º, XXXV, da CF).


Exceção: direito desportivo (art. 217, § 1º, da CF).

6. Controle legislativo

Realizado pelo Poder Legislativo

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Pode ser de 2 tipos:

a) controle político: fiscaliza atos ligados ao exercício da função


administrativa. Instrumentos:

1) art. 48, X, da CF
2) art. 50 da CF (poder convocatório)
3) art. 49, V, da CF (poder de sustação)
4) art. 58, § 3º, da CF (CPIs)

b) controle financeiro: feito pelo Legislativo sobre a gestão dos gastos


públicos NOS 3 PODERES.

Abrangência: art. 70, § único da CF

O controle financeiro abrange 5 aspectos: a) legalidade; b) legitimidade


(valores da boa administração); c) economicidade; d) aplicação das
subvenções; e) renúncia de receitas

* Tribunais de Contas (art. 71 da CF).

Súmula 347 (O TC pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do Poder


Público)

As decisões viram título executivo (art. 71, § 3º)

Pode sustar atos impugnados, mas NÃO CONTRATOS (art. 71, § 1º, da CF)

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7. Controle judicial

Realizado pelo Poder Judiciário. Em regra é posterior, mas pode ser prévio (Ex.
liminar em MS).

2 sistemas: contencioso administrativo (França) e unidade de Jurisdição


(Brasil)

Limitações: nos atos políticos e nos “interna corporis”, o Judiciário só analisa


eventual inconstitucionalidade ou ilegalidade (não o mérito da decisão).

Ações Constitucionais de controle:

1) MS (art. 5º, LXIX, da CF e Lei 1533/51)

2) HC (art. 5º, LXVIII, da CF)

3) AP (art. 5º, LXXIII, da CF e Lei 4717/65)

4) Mandado de Injunção (art. 5º, LXXI, da CF)

5) HD (art. 5º, LXXII, da CF)

6) ACP (art. 129, III, da CF e Lei 7347/85)

7) Ação de improbidade (Lei 8429/92)

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8. TESTES CESPE

1. Acerca do controle da administração pública, assinale a opção


correta.
A) Cabe à assembléia legislativa de cada estado da Federação
exercer o controle financeiro do governo estadual e das prefeituras, com
o auxílio do tribunal de contas do estado respectivo.
B) A prerrogativa atribuída ao Poder Legislativo de fiscalizar a receita,
a despesa e a gestão dos recursos públicos abrange somente os atos
do Poder Executivo, estando excluídos dessa apreciação os atos do
Poder Judiciário.
C) No exercício de suas funções constitucionais, cabe ao Tribunal de
Contas da União julgar as contas dos administradores e demais
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração
direta e indireta, bem como as contas daqueles que provocarem a
perda, o extravio ou outra irregularidade que cause prejuízo ao erário
público.
D) O controle judicial da atividade administrativa do Estado é sempre
exercido a posteriori, ou seja, depois que os atos administrativos são
produzidos e ingressam no mundo jurídico.
RESPOSTA C

2. O presidente do STF delegou ao secretário de recursos


humanos desse tribunal a atribuição de dispor sobre a promoção
na carreira de analista judiciário dos servidores dessa Corte. Um
servidor se sentiu preterido nos critérios de direito utilizados na
promoção e, em razão disso, contratou advogado para promover
as medidas judiciais cabíveis. Acerca dessa situação hipotética,
assinale a opção correta.
A) O advogado deverá impetrar mandado de segurança contra o
presidente do STF e o secretário de recursos humanos, pois há
litisconsórcio necessário entre o delegante e o delegatário.
B) O advogado deverá impetrar mandado de segurança contra ato
do secretário de recursos humanos perante a justiça federal no DF.
C)O advogado poderá impetrar mandado de segurança contra o
presidente do STF perante o próprio STF, porque a delegação não exclui a
responsabilização pela prática do ato.

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D) O advogado poderá impetrar mandado de segurança contra ato


do secretário de recursos humanos perante o próprio STF.
RESPOSTA “QUESTÃO NULA PORQUE AS 4 ALTERNATIVAS SÃO FALSAS”

3. No que concerne ao TCU, assinale a opção correta.


A) O TCU é órgão integrante da estrutura administrativa do Poder
Legislativo, com competência, entre outras, para aprovar as contas do
presidente da República.
B) O TCU não detém competência para fiscalizar a aplicação de
recursos públicos feita pelas empresas estatais exploradoras de
atividade econômica.
C) As decisões do TCU de que resulte imputação de débito ou multa
terão eficácia de título executivo.
D) O Poder Judiciário não pode anular as decisões do TCU, sob pena de
violação do princípio da separação dos poderes.
RESPOSTA C

4. As agências reguladoras, na qualidade de autarquias,

A) estão sujeitas à tutela ou controle administrativo exercido pelo


ministério a que se achem vinculadas, nos limites estabelecidos em lei.

B) podem ter suas decisões alteradas ou revistas por autoridades da


administração a que se subordinem.

C) não dispõem de função normativa.

D) podem ser criadas por decreto

RESPOSTA A

5. Com a Constituição de 1988, o TCU teve a sua jurisdição e


competência substancialmente ampliadas. Recebeu poderes
para, no auxílio ao Congresso Nacional, exercer a fiscalização
contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da
União e das entidades da administração direta e indireta, quanto

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à legalidade, à legitimidade e à economicidade, e a fiscalização


da aplicação das subvenções e da renúncia de receitas. Qualquer
pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize,
arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e
valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em
nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária tem o
dever de prestar contas ao TCU.

Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os itens que


se seguem, relativos ao enquadramento constitucional do TCU.

1. A expressão economicidade, utilizada pelo legislador constituinte e


mencionada no texto, autoriza uma apreciação não meramente literal,
legalista ou formal do controle a ser desenvolvido pelo TCU, conferindo
a este tribunal amplo poder de cognição. Tal amplitude de atuação não é
conferida à administração pública, mesmo diante de um moderno direito
administrativo de cunho principiológico.

2) A possibilidade de um tribunal de contas, de natureza político-


administrativa, julgar as contas de pessoas estranhas ao Estado serve
como exemplo do conceito de direito administrativo sob um critério
meramente subjetivo de administração pública.

3) A independência conferida ao TCU faz com que as suas decisões,


emanadas no exercício de sua atividade-fim, não se submetam a
qualquer controle posterior.

4) Conforme o STF, o TCU, no exercício de suas atribuições, pode


apreciar, de forma incidental, a constitucionalidade das leis e dos atos
do poder público.

5) Para o STF, a independência conferida ao TCU não exclui a


competência de fiscalização de suas contas pelo Poder Legislativo.
Resposta F/F/V/V/V

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Parte 10 – Responsabilidade Estatal

1. FUNDAMENTO

Art. 37, § 6º, CF: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que
seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o
direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.”

2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA:

a) Irresponsabilidade Estatal (até 1873): nenhum prejuízo gerava


indenização

“o rei não erra”

* sinais de mudança: teoria do fisco

b) Responsabilidade Subjetiva (1873 até 1976): o dever de


indenizar depende de 4 requisitos: ato, dano, nexo e culpa/dolo.

É conhecida como teoria da culpa.

* teoria civilística

* Evoluiu para CULPA ADMINISTRATIVA noção de FALTA ou CULPA DO


SERVIÇO (inexistência, mau funcionamento ou retardamento).

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c) Responsabilidade objetiva (1946 até hoje)

não depende de culpa ou dolo

Requisitos: Ato, dano e nexo causal

BASEIA-SE NA IDÉIA DE RISCO (FATO do serviço, não mais FALTA do


serviço)

3. REQUISITOS DO DANO INDENIZÁVEL

a) lesão a direito da vítima


b) dano certo (não eventual)

Se o dano for por ato lícito: + especialidade (não pode ser genérico) e
anormalidade (além de meros agravos patrimoniais da vida em
sociedade)

4. DICAS ESPECIAIS

a) No caso de danos por omissão é aplicável a TEORIA SUBJETIVA


(exemplo: enchente)

b) Concessionários respondem OBJETIVAMENTE pelos danos causados a


usuários e a terceiros não-usuários (novíssimo entendimento do
Supremo Tribunal Federal)

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c) A responsabilidade estatal em regra é objetiva. Mas, o AGENTE


PÚBLICO RESPONDEM SUBJETIVAMENTE (na ação regressiva), pois o
art. 37, § 6º, exige prova de culpa ou dolo na ação do Estado para
ressarcimento contra o agente.

5. JULGADOS SELECIONADOS

RESPONSABILIDADE CIVIL. TABELA. IBGE. CULPA CONCORRENTE. LINHA


FÉRREA.

A Turma deu provimento em parte ao recurso ao confirmar a jurisprudência do STJ,


que reconhece, na hipótese, a culpa concorrente entre o pedestre atropelado e a
empresa ferroviária, pois cabe a ela cuidar e manter a linha férrea com o fito de
impedir a travessia, e ao pedestre impõe-se não utilizar a passagem clandestina aberta
no muro sem conservação. Utilizou-se o sistema do novo Código Civil em regrar o
pagamento da pensão pelo tempo da hipotética sobrevida da vítima, apurado mediante
a tabela oficial anual divulgada pelo IBGE. REsp 700.121-SP, Rel. Min. Carlos Alberto
Menezes Direito, julgado em 17/4/2007.

INDENIZAÇÃO. DANO. ESTÉTICO. MORAL.

A jurisprudência do STJ entende ser possível a cumulação das indenizações relativas


aos danos estético e moral quando for possível distinguir, com precisão, a motivação
de cada espécie pela interpretação que as instâncias ordinárias emprestaram aos fatos
e à prova dos autos. Sabidamente, o dano estético é distinto do dano moral e, na sua
fixação, pode ser deferido separadamente ou englobado com o dano moral. Diante
disso, no caso dos autos, de perda de parte do pé resultante de atropelamento por
composição férrea, considerada a culpa recíproca, tem-se que o Tribunal a quo não
valorou o dano estético no arbitramento do quantum, fixado em trinta mil reais. Daí
que a Turma elevou a indenização compreensiva dos danos moral e estético a oitenta
mil reais. Precedente citado: REsp 249.728-RJ, DJ 25/3/3003. REsp 705.457-SP, Rel.
Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em 2/8/2007.

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RESPONSABILIDADE CIVIL. ESTADO. OMISSÃO.

Discutia-se a responsabilidade civil do Estado decorrente do fato de não ter removido


entulho acumulado à beira de uma estrada, para evitar que ele atingisse uma casa
próxima e causasse o dano, em hipótese de responsabilidade por omissão. Diante
disso, a Min. Relatora traçou completo panorama da evolução da doutrina, legislação e
jurisprudência a respeito do tortuoso tema, ao perfilar o entendimento de vários
escritores e julgados. Por fim, filiou-se à vertente da responsabilidade civil subjetiva do
Estado diante de condutas omissivas, no que foi acompanhada pela Turma. Assim,
consignado pelo acórdão do Tribunal a quo que a autora não se desincumbiu de provar
a culpa do Estado, não há que se falar em indenização no caso. Precedentes citados do
STF: RE 179.147-SP, DJ 27/2/1998; RE 170.014-SP, DJ 13/2/1998; RE 215.981-RJ,
DJ 31/5/2002; do STJ: REsp 418.713-SP, DJ 8/9/2003, e REsp 148.641-DF, DJ
22/10/2001. REsp 721.439-RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 21/8/2007.

Responsabilidade Civil do Estado e Agente Público

Considerou-se que, na espécie, o decreto de intervenção em instituição privada seria


ato típico da Administração Pública e, por isso, caberia ao Município responder
objetivamente perante terceiros. Aduziu-se que somente as pessoas jurídicas de direito
público ou as pessoas jurídicas de direito privado que prestem serviços públicos podem
responder, objetivamente, pela reparação de danos ocasionados por ato ou por
omissão dos seus agentes, enquanto estes atuarem como agentes públicos. No tocante
à ação regressiva, asseverou-se a distinção entre a possibilidade de imputação da
responsabilidade civil, de forma direta e imediata, à pessoa física do agente estatal,
pelo suposto prejuízo a terceiro, e entre o direito concedido ao ente público, ou a quem
lhe faça as vezes, de ressarcir-se perante o servidor praticante de ato lesivo a outrem,
nos casos de dolo ou de culpa. Em face disso, entendeu-se que, se eventual prejuízo
ocorresse por força de agir tipicamente funcional, não haveria como se extrair do
citado dispositivo constitucional a responsabilidade per saltum da pessoa natural do
agente. Essa, se cabível, abrangeria apenas o ressarcimento ao erário, em sede de
ação regressiva, depois de provada a culpa ou o dolo do servidor público. Assim,
concluiu-se que o mencionado art. 37, § 6º, da CF, consagra dupla garantia: uma em
favor do particular, possibilitando-lhe ação indenizatória contra a pessoa jurídica de
direito público ou de direito privado que preste serviço público; outra, em prol do
servidor estatal, que somente responde administrativa e civilmente perante a pessoa
jurídica a cujo quadro funcional pertencer. A Min. Cármen Lúcia acompanhou com
reservas a fundamentação.
RE 327904/SP, rel. Min. Carlos Britto, 15.8.2006. (RE-327904)

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RESPONSABILIDADE. PEDRA ARREMESSADA. INTERIOR. ESTAÇÃO


FERROVIÁRIA.

O Tribunal a quo, lastreado na prova dos autos, afirmou que a pedra foi arremessada
de dentro da estação ferroviária, vindo a atingir passageiro em composição ferroviária
da recorrente. Dessa forma, há responsabilidade pelo dano ao passageiro, pois a
recorrente não cuidou de prevenir a presença de estranhos usando drogas em suas
dependências, fato esse de conhecimento da segurança da empresa. Assim, a Turma
não conheceu do recurso. REsp 666.253-RJ, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito,
julgado em 7/5/2007.

RESPONSABILIDADE CIVIL. ESTADO. ACIDENTE DE TRÂNSITO.

Trata-se de ação indenizatória na qual se busca a responsabilidade civil do Estado em


razão do dano causado por pessoa que, no momento do acidente de trânsito, deveria
estar reclusa, sob custódia do Estado. No caso, um apenado dirigia na contramão
quando atingiu uma motocicleta, ferindo, gravemente, o motociclista e seu carona. O
condutor do veículo deveria estar recluso naquele momento, pois cumpria pena em
prisão albergue, em progressão de pena privativa de liberdade e só não estava
recolhido em razão de os agentes estatais possibilitarem que dormisse fora. A Turma,
por maioria, entendeu que o Estado não pode ser responsabilizado, pois, na espécie, o
ato estatal que permitiu ao albergado sair de sua custódia, por si só, não é causa
adequada para a ocorrência do dano, inexistindo, então, nexo de causalidade entre a
omissão dos agentes públicos e o dano causado ao ora recorrente. Logo, por maioria,
conheceu parcialmente do recurso e, nessa parte, negou-lhe provimento. REsp
669.258-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 27/2/2007.

RESPONSABILIDADE CIVIL. ESTADO. ATUAÇÃO. MAGISTRADO. REPARAÇÃO.


DANOS.

O Tribunal a quo, lastreado na prova dos autos, concluiu que a ora recorrente,
injustamente, acusou o ora recorrido de crime gravíssimo, porque, por ofício, informou
à autoridade policial que ele seria autor de um delito, quando jamais poderia fazê-lo
ante as provas existentes. A Turma, ao prosseguir o julgamento, por maioria,
entendeu que a magistrada responde pelos danos causados quando, por meio de
ofício, afirma o cometimento de crime por outra pessoa sem qualquer resquício de

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prova, respaldo fático ou jurídico. Na espécie, não são admitidos os danos materiais,
pois não comprovados, efetivamente, os prejuízos patrimoniais. Quanto aos danos
morais, a Turma, fixou-os em 50 mil reais. Assim, por maioria, conheceu em parte do
recurso e, nessa parte, deu-lhe parcial provimento. REsp 299.833-RJ, Rel. Min. Castro
Meira, julgado em 14/11/2006.

INDENIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. ESTADO. SUICÍDIO. PRESO.

Trata-se de ação de reparação de danos ajuizada pelo MP, pleiteando indenização por
danos morais e materiais, bem como pensão aos dependentes de preso que se
suicidou no presídio, fato devidamente comprovado pela perícia. A Turma, por maioria,
deu parcial provimento ao recurso, reconhecendo a responsabilidade objetiva do
Estado, fixando em 65 anos o limite temporal para o pagamento da pensão mensal
estabelecida no Tribunal a quo. Outrossim, destacou o Min. Relator já estar pacificado,
neste Superior Tribunal, o entendimento de que o MP tem legitimidade extraordinária
para propor ação civil ex delicto em prol de vítima carente, enquanto não instalada a
Defensoria Pública do Estado, permanecendo em vigor o art. 68 do CPP. Para o Min.
Teori Albino Zavascki, o nexo causal que se deve estabelecer é entre o fato de estar o
preso sob a custódia do Estado e não ter sido protegido, e não o fato de ele ter sido
preso, pois é dever do Estado proteger seus detentos, inclusive contra si mesmo. REsp
847.687-GO, Rel. Min. José Delgado, julgado em 17/10/2006.

RESPONSABILIDADE CIVIL. ATO LEGISLATIVO.

A responsabilidade civil em razão do ato legislativo só é admitida quando declarada


pelo STF a inconstitucionalidade da lei causadora do dano a ser ressarcido, isso em
sede de controle concentrado. Assim, não se retirando do ordenamento jurídico a Lei
n. 8.024/1990, não há como se falar em obrigação de indenizar pelo dano moral
causado pelo Bacen no cumprimento daquela lei. Precedente citado: REsp 124.864-PR,
DJ 28/9/1998. REsp 571.645-RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
21/9/2006.

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6. QUESTÕES CESPE

1. No que concerne à responsabilização extracontratual da


administração pública, assinale a opção correta.
A) A verdade sabida, em atenção ao princípio da eficiência, é admitida no
direito brasileiro para apuração de falta que, tendo sido cometida por
servidor público, cause dano a terceiro.
B) O homicídio cometido, fora da penitenciária, por presidiário que esteja
em fuga não implica responsabilização do Estado, pois este não pode ser
considerado segurador universal.
C) As concessionárias de serviço público, quando em exercício deste,
respondem objetivamente à responsabilização civil pelos atos
comissivos que praticarem.
D) Inexiste dever de indenizar quando o ato administrativo é praticado
em estrita observância ao princípio da legalidade.
RESPOSTA C

2. No que concerne às responsabilidades do servidor público,


assinale a opção incorreta.
A) A responsabilidade civil do servidor público é objetiva.
B) A responsabilidade administrativa do servidor público será afastada
em caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou de
sua autoria.
C) Tais responsabilidades podem ser do tipo civil, penal e
administrativo.
D) As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se.
RESPOSTA A

3. Quanto à responsabilidade extracontratual do Estado, assinale


a opção correta.
A) Prevalece o entendimento de que, nos casos de omissão, a
responsabilidade extracontratual do Estado é subjetiva, sendo necessário,
por isso, perquirir acerca da culpa e do dolo.

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B) A vítima de dano causado por ato comissivo deve ingressar com


ação de indenização por responsabilidade objetiva contra o servidor
público que praticou o ato.
C) Não há responsabilidade civil do Estado por dano causado pelo
rompimento de uma adutora ou de um cabo elétrico, mantidos pelo
Estado em péssimas condições, já que essa situação se insere no
conceito de caso fortuito.
D) Proposta a ação de indenização por danos materiais e morais contra
o Estado, sob o fundamento de sua responsabilidade objetiva, é
imperioso que este, conforme entendimento prevalecente, denuncie à
lide o respectivo servidor alegadamente causador do dano.
RESPOSTA A

4. Flávio, servidor público federal, concursado e regulamente investido


na função pública, motorista do Ministério da Saúde, ao dirigir,
alcoolizado, carro oficial em serviço, atropelou uma pessoa que
atravessava, com prudência, uma faixa de pedestre em uma
quadra residencial do Plano Piloto de Brasília, ferindo-a.
Considerando essa situação hipotética e os preceitos, a doutrina
e a jurisprudência da responsabilidade civil do Estado, julguem
os itens seguintes:

1 – Com base em preceito constitucional, a vítima pode ingressar com


ação de ressarcimento do dano contra a União.

2 – Na hipótese, há aplicação da teoria do risco integral.

3 – No âmbito de ação indenizatória pertinente e após o trânsito em


julgado, Flávio nunca poderá ser responsabilizado, regressivamente,
caso receba menos de dois salários mínimos.

4 – Caso Flávio estivesse transportando material radioativo,


indevidamente acondicionado, que se propagasse no ar em face do

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acidente, o Estado só poderia ser responsabilizado pelo dano oriundo do


atropelamento.

5 – Na teoria do risco administrativo, há hipóteses em que, mesmo com


a responsabilização objetiva, o Estado não será passível de
responsabilização.
Resposta: 1V, 2F, 3F, 4F, 5V

5. José era presidente de empresa pública estadual. Depois de


prisão preventiva de estrepitosa repercussão na mídia nacional,
viu-se denunciado por peculato culposo por haver inserido, em
conluio com empregado do departamento de pessoal, servidores
fantasmas na folha de pagamento da empresa. A sentença de
primeiro grau o condenou a sete meses de detenção, o que foi
confirmado pelo tribunal de justiça, ali havendo o trânsito em
julgado. Paralelamente, tramitava tomada de contas especial
relativa ao episódio e que, após meticulosa apuração, eximiu
José de toda a responsabilidade. A isso seguiu-se pedido de
revisão criminal em que o tribunal de justiça o absolveu por
negativa de autoria e não houve recurso das partes. José propôs,
então, ação de indenização pelo rito ordinário contra o estado,
decorrente não apenas do erro na condenação criminal, mas
também da prisão preventiva e da ação difamatória de membro
do Ministério Público.

Diante da situação hipotética acima apresentada, julgue os itens


que se seguem.

1. A decisão da tomada de contas que eximiu José de responsabilização


administrativa, se ocorrida antes da sentença, implicaria exoneração de
condenação criminal.

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2. Não gera preclusão a inexistência do reconhecimento do direito à


indenização no acórdão de revisão criminal.

3. A responsabilidade civil pelo erro judiciário constitui garantia


fundamental e será apurada com base na teoria objetiva.

4. A mera prisão cautelar indevida, nos termos da atual jurisprudência


do STF, já é suficiente para gerar o direito à indenização.
Respostas: 1F, 2V, 3V, 4F

6. De acordo com a Constituição Federal (CF), “As pessoas


jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes,
nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.” E, de
acordo com o Código Civil, “As pessoas jurídicas de direito
público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus
agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros,
ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se
houver, por parte destes, culpa ou dolo.” Considerando os dois
artigos acima transcritos, assinale a opção incorreta.

A) A responsabilidade objetiva estabelecida no artigo da CF acima


transcrito abrange todas as empresas públicas e sociedades de
economia mista federais, estaduais, distritais e municipais, uma vez que
essas empresas integram a administração indireta de tais entes da
Federação.

B) A responsabilidade objetiva de que trata o segundo artigo acima


transcrito abrange a União, os estados, o Distrito Federal (DF), os
territórios, os municípios e as autarquias, inclusive as associações
públicas, bem como as demais entidades de caráter público criadas por
lei.

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C) O primeiro artigo acima transcrito não abrange os partidos políticos


nem as organizações religiosas.

D) A responsabilidade dos agentes públicos tratada nos artigos


transcritos está ligada ao conceito de ato ilícito, definido pelo Código
Civil como ato praticado por agente que, por ação ou omissão
voluntária, negligência ou imprudência, viole direito e cause dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral.

Resposta A

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Parte 11 – Improbidade Administrativa

1. JULGADOS SELECIONADOS

PREFEITO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CRIME DE RESPONSABILIDADE.

O prefeito não forneceu as informações solicitadas pela câmara municipal e, em razão disso, veio, em ação
civil pública, a discussão a respeito de sua conduta enquadrar-se tanto no DL n. 201/1967, que disciplina as
sanções por infração político-administrativa, quanto na Lei n. 8.429/1992, que cuida dos atos de
improbidade. Diante disso, a Turma, ao prosseguir o julgamento, entendeu, por maioria, negar provimento
ao especial. A maioria seguiu o voto divergente do Min. Luiz Fux, segundo o qual os fatos tipificadores dos
atos de improbidade administrativa não podem ser imputados aos agentes políticos (prefeitos e vereadores),
salvo mediante a propositura de ação por crime de responsabilidade, visto que, numa concepção axiológica,
os crimes de responsabilidade abarcam os crimes e as infrações político-administrativas com sanções penais,
deixando apenas ao desabrigo de sua regulação os ilícitos civis, cuja transgressão implica sanção pecuniária.
Aduziu, também, que os agentes políticos, por estarem regidos por normas especiais de responsabilidade,
não se submetem ao modelo de competência previsto no regime comum da lei de improbidade e,
politicamente, a CF/1988 não admite o concurso daqueles regimes. O Min. Teori Albino Zavascki, em seu
voto-vista, acompanhou a divergência, porém com o fundamento contido no acórdão ora recorrido, de que a
conduta do prefeito não se enquadra na Lei de Improbidade (art. 11, II e VI) e que a tipificação dos atos de
improbidade está sujeita ao princípio da legalidade estrita, daí não se verificar a dupla tipificação (do ato de
improbidade e do crime de responsabilidade). REsp 456.649-MG, Rel. originário Min. Francisco Falcão,
Rel. para acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 5/9/2006.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CUMULAÇÕES. SANÇÕES.

Os recorrentes buscam a reforma do acórdão do TJ-SP para julgar improcedente a ação civil pública
alegando contrariedade aos arts. 11 e 12 da Lei n. 8.429/1992. Pretendem, ainda, que seja afastada a
aplicação das penas de forma cumulada, em razão do princípio da proporcionalidade. O Min. Relator
entendeu que devem ser providos os recursos especiais para que seja afastada a pena de suspensão dos
direitos políticos, porém manteve a sanção de ressarcimento ao erário. Aduziu que o art. 12, parágrafo
único, da Lei n. 8.429/1992, fundado no princípio da proporcionalidade, determina que a sanção por ato de
improbidade seja fixada com base na "extensão do dano causado" e no "proveito patrimonial obtido pelo
agente". No caso, o dano causado aos cofres municipais é de pequena monta, já que se trata de ação civil
pública por ato de improbidade decorrente da acumulação indevida de cargo e emprego públicos. E,
também, o acórdão recorrido reconheceu não haver "indícios de que o agente tenha obtido proveito
patrimonial". Não devem ser cumuladas as sanções por ato de improbidade se for de pequena monta o dano
causado ao erário público e se o agente não obteve proveito patrimonial com o ato. Com esse entendimento,
a Turma conheceu em parte dos recursos e deu-lhes provimento também em parte. Precedente citado: REsp
300.184-SP, DJ 3/11/2003. REsp 794.155-SP, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 22/8/2006.

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RECURSO ADMINISTRATIVO HIERÁRQUICO. RECUSA. CERCEAMENTO DE DEFESA.

Na espécie, a autoridade (ministra de Estado), ao apreciar processo administrativo disciplinar, aplicou ao


impetrante penalidade de conversão da exoneração em destituição, levando em conta parecer da consultoria
jurídica. Dessa decisão o impetrante interpôs recurso administrativo hierárquico dirigido ao presidente da
República com pedido de reconsideração e de recebimento no efeito suspensivo, requerendo a nulidade
daquele processo e, de forma subsidiária, a reforma da penalidade. O recurso foi recebido como pedido de
revisão, considerando ser incabível recurso administrativo hierárquico, em observância ao princípio da
especialidade, em decisão publicada no DOU. Irresignado, o impetrante interpôs novo recurso administrativo
com pedido de encaminhamento ao presidente da República cujo seguimento também foi negado. Essas
duas decisões são apontadas como atos coatores. Preliminarmente, o Min. Relator rejeitou a decadência e
consignou que o recurso administrativo decorre da estrutura hierárquica da Administração Pública e do
direito constitucionalmente garantido de ampla defesa e do contraditório, de modo que seu cabimento
independe de previsão legal. Assim, na hipótese, o direito de ampla defesa e do contraditório do impetrante
restou cerceado porque seu recurso hierárquico, com pedido de reconsideração, não foi submetido ao agente
superior e foi recebido como revisão. Frisou, ainda, que o recurso administrativo hierárquico,
independentemente da denominação conferida pelo administrado, deve ser submetido à autoridade
hierarquicamente superior, no caso de o agente ou órgão prolator da decisão ou ato impugnado não o
reconsiderar. Outrossim, a previsão, na Lei n. 8.112/1990, de pedido de revisão não exclui, em razão de
alegada especialidade, o recurso administrativo hierárquico. Os dois não se confundem e o recebimento de
um recurso no lugar do outro não pode ser realizado para prejudicar a situação do administrado, nem
cercear seu direito de defesa. Com esses argumentos, a Seção concedeu a segurança, determinando que a
autoridade impetrada encaminhe os recursos ao presidente da República para examiná-los como entender
de direito. MS 10.254-DF, Rel. Min. Hélio Quaglia Barbosa, julgado em 22/3/2006.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. INDISPONIBILIDADE. BENS.

Para ser decretada a indisponibilidade de bens (art. 7º da Lei n. 8.429/1992), faz-se necessário haver fortes
indícios de que o ente público atingido pelo ato de improbidade tenha sido lesado patrimonialmente ou que
de o agente que praticou o ato tenha enriquecido em decorrência da prática de ato ilícito. A medida contida
no art. 7º da Lei n. 8.429/1992 está inserida no poder de cautela do juiz (art. 798 do CPC) e, para o seu
deferimento, necessários os requisitos do periculum in mora e do fumus boni iuris. Assim, a Turma conheceu
em parte do recurso e, nessa parte, deu-lhe provimento. REsp 731.084-PR, Rel. Min. João Otávio de
Noronha, julgado em 2/2/2006.

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TESTES (instituições variadas)

1. Sobre a improbidade administrativa, é correto afirmar-se que:

a) o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 2°


do artigo 84 do Código de Processo Penal, por considerar que não se
aplica a Lei de Improbidade Administrativa a agentes políticos, sujeitos à
Lei n° 1.079/50;

b) a indisponibilidade de bens, para assegurar o integral ressarcimento


do dano ao erário, pode recair sobre os adquiridos, ainda que
anteriormente à prática do ato de improbidade;

c) embora as instâncias sejam autônomas, a existência de prejudicial


externa na decisão penal que reconhecer a inexistência do fato, quando
em tese a conduta configurar crime, impede a aplicação, desde logo,
das penas de demissão ou cassação da aposentadoria, ficando
suspensos o processo administrativo e a prescrição, até a conclusão da
ação penal;

d) é pacífica a jurisprudência no sentido de que o afastamento do


agente público de seu cargo, emprego ou função, tal como previsto no
parágrafo único do artigo 20 da Lei n° 8.429/92, somente cabe, em
caso de risco à instrução processual, no curso da ação de improbidade
administrativa, vedada a propositura de medida cautelar preparatória
com tal finalidade.
Resposta B

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2. Dentre as regras estabelecidas pela Lei de Improbidade


Administrativa (Lei 8.429/92), inclui-se:

A) As disposições da lei são aplicáveis, no que couber, àquele que,


mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do
ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou
indireta.

B) Para os efeitos da lei é considerado agente público apenas o


ocupante de cargo efetivo ou em comissão.

C) Se a lesão ao patrimônio público ocorrer por ação ou omissão


culposa, e não dolosa, do agente ou de terceiro, estes não estarão
obrigados a ressarcimento do dano.

D) No caso de enriquecimento ilícito, o agente público ou terceiro


beneficiário perderá metade dos bens ou valores acrescidos ao seu
patrimônio.

E) O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se


enriquecer ilicitamente não está sujeito às cominações da lei.
Resposta A

3. Leia o texto e responda às próximas duas questões: “Questão


das mais tormentosas é a definição da natureza da Lei da
Improbidade Administrativa, o que já lhe valeu a qualificação de
`autêntica babel jurídica´, posto que contém normas que, em
tese, podem ser enquadradas em diversas áreas do direito. Na
realidade, entretanto, parece-nos que a lei tem uma natureza
mista e complementar na medida em que tem por objetivo o
reforço da moralidade administrativa por meio de um sistema de
penalidades adicionais às sanções tradicionais tanto do direito
administrativo como do direito penal e do próprio direito civil.”
(BUENO, Paulo Eduardo. Improbidade administrativa no

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exercício da atividade policial. In SAMPAIO, J. A. L. et al. (orgs.),


Improbidade Administrativa – 10 anos da Lei n. 8.429/92. Belo
Horizonte, 2002, p. 395-396).”

Assinale a alternativa incorreta com relação às idéias do texto:

A) O caráter complementar sugerido no texto é evidenciado quando se


analisa a natureza das sanções estabelecidas pela lei, que, em sua
maior parte, já estavam previstas, de certa forma, no ordenamento
jurídico brasileiro. São exemplos dessas sanções, a perda de bens e
valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, o ressarcimento integral
do dano e a perda da função pública.

B) A temática da Lei nº 8.249/92 obriga a uma aproximação entre o


Direito e a Moral, acentuando os laços éticos que devem presidir a
relação entre o povo e as autoridades.

C) A idéia de reforço à moralidade que o autor atribui às normas da Lei


da Improbidade pode ser confirmada com o uso recorrente em seu texto
de conceitos indeterminados. É o que ocorre, por exemplo, quando a
referida lei define como ato de improbidade administrativa que atenta
contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão
que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e
lealdade às instituições.

D) O artigo 11 da Lei nº 8.249/92 não menciona o princípio da eficiência


no rol de princípios da administração pública que, uma vez contrariados,
poderão caracterizar ato de improbidade. Todavia, a interpretação
conforme a Constituição, com a redação que a EC nº 19/98 conferiu ao
caput do artigo 37, aliada ao fato de que o rol do artigo 11 não é
taxativo, permite afirmar que a violação ao princípio da eficiência possa
caracterizar ato de improbidade administrativa.

E) A conceituação e a definição dos atos de improbidade não constituem


inovações da Lei nº 8.249/92, pois a Lei nº 8.112/90, que instituiu o
Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da União, já o fez ao
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cominar a pena de demissão para a prática do ato de improbidade


administrativa.
Resposta E

Ainda sobre a improbidade administrativa, é correto afirmar:

A) Os membros da Magistratura, do Ministério Público e do Tribunal de


Contas, por gozarem de vitaliciedade, não se sujeitam à aplicação da
sanção de perda do cargo, prevista na Lei nº 8.249/92.

B) Não obstante os parlamentares sejam agentes públicos dotados de


certas prerrogativas, a prática, no exercício do mandato, de crime de
opinião, conquanto imune nas esferas civil e criminal, não exclui a
aplicação da lei de improbidade administrativa.

C) Se o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou


ensejar enriquecimento ilícito, caberá à autoridade administrativa
responsável pelo inquérito declarar a indisponibilidade dos bens do
indiciado, independentemente de representação ao Ministério Público.

D) As ações destinadas a levar a efeito as sanções previstas na Lei nº


8.249/92 são imprescritíveis.

E) As sanções mencionadas no artigo 37, § 4º, da Constituição Federal


não têm a natureza de sanções penais. Além do fato de o ato de
improbidade, em si, não constituir crime, embora possa eventualmente
corresponder a algum ilícito previsto na lei penal, não se justificaria a
ressalva contida na parte final do dispositivo constitucional ao admitir a
aplicação de medidas sancionadoras, “sem prejuízo da ação penal
cabível”.
Resposta E

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6. Agente público pode ser condenado por improbidade


administrativa por ato que não importou enriquecimento ilícito
nem causou prejuízo ao erário?
A) não, porque improbidade administrativa é considerada crime, com
responsabilização objetiva do agente público;

B) não, pela ausência de dano ao erário público;

C) sim, ainda que o agente tenha agido de boa-fé e dentro da


legalidade;

D) sim, desde que o ato atente contra os princípios da Administração


Pública.
Resposta D

7. Para a procedência da Ação de Improbidade Administrativa, a


doutrina tem entendido que não basta existir ilícito
administrativo e prejuízo ao erário público. Faz-se necessária
também a:
A) conexão entre o ilícito e o erário público;

B) presença do dolo do agente;

C) comprovação da culpa do agente;

D) comprovação do benefício à empresa contratada pelo Poder Público.


Resposta B

8. Considere que determinado agente público deixou de prestar


contas ao Tribunal de Contas da União, contudo, a referida
omissão não causou dano ao erário nem gerou enriquecimento
ilícito. Nos termos da legislação vigente, tal conduta caracteriza-
se como:
A) improbidade administrativa, punível, dentre outras, com multa civil;

B) contravenção penal, punível com detenção de 3 a 5 anos;

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C) infração disciplinar, punível, dentre outras, com a perda dos direitos


políticos;

D) crime, punível com detenção de 8 a 10 anos.


Resposta A

9. Um perito judicial que receba um bem imóvel para elaborar


laudo que favoreça uma das partes em juízo pode ser
enquadrado no conceito de improbidade administrativa?
A) não, porque a improbidade administrativa não se aplica à função
judicial;

B) sim, por se tratar de desvio ético de conduta de agente público no


desempenho de função pública;

C) sim, desde que o perito seja funcionário público;

D) não, porque seu enriquecimento ilícito não acarretou danos à


Administração.
Resposta B

10. A respeito da improbidade administrativa, marque a


alternativa incorreta:
A) os tipos de improbidade administrativa da Lei n. 8.429/92 são
meramente exemplificativos;

B) só os agentes públicos respondem por improbidade administrativa;

C) a ação de improbidade administrativa é uma espécie de ação civil


pública;

D) entre as sanções aplicáveis à improbidade administrativa estão a


perda de função pública e a proibição de receber incentivos fiscais e
creditícios do poder público.
Resposta B

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11. Quanto à improbidade administrativa, assinale a opção


correta.

A Ação de improbidade proposta contra ministro do STF será processada


e julgada nesse tribunal.

B Se o responsável pelas licitações de um tribunal tiver sido exonerado


do cargo em 22/1/2004 por improbidade administrativa, nessa situação,
se a ação de improbidade tiver sido proposta em 30/12/2004 pelo
Ministério Público contra atos lesivos ao patrimônio público estará
prescrita.

C A rejeição de representação de improbidade por autoridade


administrativa impede o particular de requerê-la ao Ministério Público.

D Mediante concessões recíprocas em que haja recomposição do dano,


será lícita a transação das partes na ação de improbidade
administrativa.

E Na ação de improbidade administrativa, o réu poderá apelar da


decisão que receber a petição inicial.
Resposta A

12. Agente público pode ser condenado nas penas de


improbidade administrativa por praticar, nessa qualidade, ato
imoral que, além de não ter gerado prejuízo para a
Administração, não reflete corrupção econômica?
A) sim, por ofensa, ainda que culposa, ao princípio da moralidade
administrativa, de assento constitucional;

B) sim, porque a improbidade administrativa, embora dependa de uma ação


ou omissão dolosa do agente público, prescinde da ocorrência de dano ao
patrimônio público e de indício de corrupção econômica;

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C) sim, desde que o ato de improbidade administrativa vise à satisfação


de interesse pessoal do agente ou de terceiro;

D) não, porque a improbidade relaciona-se, sempre, com valores e


questões materiais.
Resposta B

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