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Daniel Rodrigues

Ely Satie Ito Miyazaki


Izabel Penteado Dias da Silva

Mandalas

Campinas
2010
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Daniel Rodrigues
Ely Satie Ito Miyazaki
Izabel Penteado Dias da Silva

Mandalas

Trabalho apresentado para o Curso de


Formação em Psicologia Transpessoal
Aplicada, como parte dos requisitos para
a conclusão do curso, sob a orientação
de Leyde Christina Righetti Rino
Resende.

Campinas
2010

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Figura 1 - Roda do Tempo
(interpretação da mandala ao final do trabalho)

“…uma mandala pode alterar as


vibrações daquilo que suas emanações
atingem. E isso é uma realidade.
Quando fazemos contato visual com
uma mandala nossa energia se altera…”

(Fioravante,C)
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Resumo

Este estudo teve como objetivo verificar a literatura a respeito de Mandalas e fazer
associações ao uso com fins transpessoais. O tema foi selecionado pelo fato de observarmos a
utilização de mandalas em diferentes culturas e em diferentes períodos históricos, e por
percebermos que estes desenhos sagrados podem ser utilizados como instrumento de auxílio
na expansão da consciência, sendo mais uma ferramenta útil em nossa jornada espiritual.
Neste trabalho iremos apresentar uma breve abordagem histórica da sua utilização, o
significado das formas , cores, suas diversas aplicações e uso (meditação, cura, etc) e também
o seu uso em diferentes religiões. A pesquisa tem um caráter de pesquisa bibliográfica, e
também com conteúdo de imagens. A partir da leitura de livros e artigos de diferentes fontes,
esta pesquisa visou estabelecer relações entre as mandalas e a transpessoalidade, salientando a
importância do ser humano em buscar cada vez mais conhecimentos que o ajudem a
transcender o ego e viver a plenitude do Ser.

Palavras-chave: Mandalas, desenhos sagrados, transpessoal, meditação, cura, espiritualidade.

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Sumário

1 – Introdução...................................................................................................... página 05
1.1 – O poder das imagens
1.2 – Mandala: significado

2 – Conceitos através do tempo ......................................................................... página 07

3 – Estruturas das mandalas ............................................................................. página 09


3.1 – Geometria e formas
3.2 – Cores

4 – O simbolismo ligando tempos e culturas ................................................... página 13


4.1 – Budismo e Hinduísmo
4.2 – As Mandalas e a arte Shingon
4.3 – A Mandala no mundo indígena

5 – Aplicações práticas das mandalas ............................................................. página 17


5.1 – Cura
5.2 – Meditação

6 – Atividade proposta: vivência com mandalas ............................................. página 21

7 – Considerações finais ..................................................................................... página 23

8 – Bibliografia .................................................................................................... página 24

9 – Anexos ............................................................................................................ página 26

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1 – Introdução

Para a realização deste TCC do Curso de Formação em Psicologia Transpessoal


Aplicada, foi escolhido um tema presente em diversas regiões do mundo e utilizado em
diferentes períodos históricos. As mandalas são formas utilizadas há muito tempo,
principalmente no oriente, e agora estão mais populares no ocidente. Hoje em dia existe uma
popularização destes desenhos sagrados, tornando-se desde elementos decorativos atraentes,
com propriedades relaxantes, até curativas. Entretanto, o uso de mandalas - desde seu
princípio - vem sempre acompanhado da noção do sagrado, e tem em todas as culturas uma
mística forte associada a eventos positivos e nobres, de elevação espiritual, sendo assim muito
utilizadas nos meios religiosos. Este projeto procura fazer uma abordagem geral sobre as
mandalas, assim como procura identificar o seu uso como ferramenta transpessoal na busca da
própria transcendência.

1.1 – O poder das imagens

Podemos perceber que todos os seres, formas e objetos contêm e emanam energias, pois
somos sistemas abertos em constante movimento, troca com o ambiente e com as pessoas. E
se percebemos que um ou outro está desenergizado é porque alguma coisa emana dele que nos
forneceu esta informação. A emanação parece ser um campo de informação que estaria em
torno do objeto observado, que estimula nossa consciência, nos informa e provoca alguma
reação. Existe, tanto naquilo que observamos, como em nós mesmos, um tom vibratório.
A imagem tem o poder de cativar e reanimar. Os psicólogos, artistas, arquitetos,
fotógrafos, cineastas e publicitários sabem que as imagens dizem. Eles entendem a linguagem
das formas, das cores e da iluminação, pois possuem uma inteligência sensitiva apurada. Às
vezes, por exemplo, um quadro na parede pode dar vida a uma sala e outro pode emanar uma
energia pesada, tanto que, se retirado, alivia o ambiente. As imagens contam e provocam
reações. Lembranças que temos de bons e maus momentos nos vêm à memória sob a forma
de imagens e provocam reações físicas e psíquicas.
Essas imagens estão além da linguagem e da mente racional, elas trazem sabedoria do
conhecimento universal e um maior entendimento da consciência humana.

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1.2 – Mandala: significado

A palavra mandala vem do Sânscrito - língua cultural clássica indiana - e significa


“círculo”. Mesmo que uma mandala esteja determinada exteriormente por quadrados ou
triângulos, ela sempre tem uma estrutura concêntrica. Analisando uma mandala podemos
dizer que o centro do círculo é equivalente à Deus, à origem, ao metafísico, ao mistério, o
centro que está por trás de toda natureza visível. Nosso mundo está em um círculo. A
representação de um círculo marca o início da cultura humana, estruturas circulares aparecem
nas construções mais antigas já encontradas. Uma das mandalas mais antigas é o disco do sol,
o círculo do sol – símbolo de força e movimento. O círculo é o símbolo da perfeição, da
eternidade, da unidade, da completude; logo, as mandalas simbolizam o centro, o equilíbrio, a
harmonia, a inteireza.
A mandala é o símbolo que representa a individualidade, o centro simboliza o útero da
criação, que é a quietude, a calmaria. A mandala cresce para fora, a partir da calmaria,
tornando-se um símbolo da harmonia inata, da perfeição do Ser, e um diagrama dos estados
místicos internos. Carl Gustav Jung considerou a mandala um arquétipo, um padrão associado
à representação mitológica do eu e afirmava que “as mandadas simbolizam um refúgio seguro
da reconciliação interior e da totalidade”. (Jung, 1973; p.100). Elas são figuras místicas
utilizadas, entre outras coisas, como ferramenta meditativa para o caminho da iluminação.
As imagens visuais têm um forte impacto para o ser humano, podendo “criar uma
ambiência interna, na psique, e externa, no ambiente, sendo parte integrante no nosso estilo de
vida material, emocional e espiritual” (LAZZAROTTO, p.70), e influem diretamente na nossa
escala de valores e na nossa visão do mundo. As mandalas podem, então, auxiliar no
equilíbrio energético, tanto pessoal quanto de ambientes.

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2 – Conceitos através dos tempos

Ao longo da pesquisa notamos que os autores não sabem dizer ao certo a origem das
mandalas, qual foi a primeira mandala feita, visto que desde cedo a humanidade se expressa
em formas circulares. Para comprovar essa afirmação, encontram-se vários vestígios em
antigos detalhes rupestres na África, Europa e América do Norte. Em razão do volume dessa
manifestação, somos capazes de deduzir a sua importância, porém não conseguimos definir ao
certo qual foi a primeira mandala criada. De acordo com Dahlke (1991, p. 36)

É difícil dizer algo sobre a história da mandala, porque história pressupõe


tempo; a mandala, porém, existe em essência – como a sua configuração
ainda nos ensinará – além do tempo e do espaço. (...) A mandala não se
deixa ordenar no tempo; aliás, nem sequer é possível observá-la, pois sempre
tende a nos atrair para o seu centro, e neste ponto central, o tempo e o espaço
cessam de existir

A vida dos antigos seres humanos também explica a importância do uso dessa forma,
já que o contato do ser humano com a natureza era maior e, por isso, a influência do Sol
(forma circular por excelência) era reverenciada em diversos rituais. O astro era considerado
fundamental para as atividades de sobrevivência da raça humana, entre elas destacam-se as
principais: a caça e a colheita. Da mesma forma, a Lua também era reverenciada pelos
homens como sendo o símbolo natural do poder de influenciar a vida humana. Antigas
mandalas lavradas em vários lugares do mundo revelam a importância que esses dois corpos
celestes exerciam na vida dos terrestres.
O círculo tem influenciado também os rituais humanos tentando por meio deles
canalizar a experiência do sagrado. Algumas tribos indígenas iniciam seus rituais religiosos
estabelecendo um círculo divino. Danças e cânticos feitos em círculos são realizados
utilizando formas circulares. Para os povos que percebem no círculo o reflexo da essência
divina, criá-lo significa um ato sagrado por meio do qual eles tentam se harmonizar com as
forças divinas do universo, imaginando que o resultado dessa ação seja a virtude.
Como vimos em Losacco, o Homem estudado em muitos momentos da história da
humanidade, faz uso de mandalas, como forma de expressar-se, além da oportunidade de re-
encontro com sua natureza essencial, com o sagrado, com o divino, com a numerosidade, pois
além da necessidade de viver, sente a importância do uso do simbólico em suas manifestações
para consigo mesmo, com os outros e com o universo onde está inserido.

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A lei do mundo é o movimento, a lei do centro é a quietude. Viver no mundo
é movimento, atividade, dança. Nossa vida é um dançar constante ao redor
do centro, um incessante circundar o Uno invisível ao qual nós – tal como o
círculo – devemos nossa existência. Viemos do ponto central – ainda que
não o possamos perceber – e temos saudades dele. O círculo não pode
esquecer sua origem – também sentimos saudades do paraíso. Fazemos tudo
o que fazemos porque estamos à procura do centro, do nosso centro, do
centro. (DETHLEFSEN, 1984 apud LOSACCO)

Com a necessidade que o Homem tem de religar-se, de voltar ao centro, de estar em


contato com o núcleo, com o divino, faz uso do círculo, pois este, em sua cosmobiologia
representa a expansão do centro – para a periferia e da periferia – superfície – para o centro,
em movimentos contínuos e ininterruptos, favorecendo os ciclos de evolução do ser;
lembrando o movimento de oscilação espiralar.
Mandala é a representação icônica dos princípios base da geometria sagrada, tese
segundo a qual a geometria é a forma ordenada da criação. Todas as grandes civilizações
antigas utilizavam a geometria na edificação de templos e manifestações de crenças. A título
de exemplo, a estrutura das cidades incas foi concebida a partir do quadrado e circulo como
elementos de disposição.
Para o famoso psicanalista Jung, as mandalas simbolizam um refúgio seguro de
reconciliação com a unidade, um encontro indispensável no processo de evolução pessoal e de
experiência espiritual. Essa visão junguiana é a que nos interessa como prática a fim de
experimentar o equilíbrio da unidade, uma vez que nossa sociedade tem manifestado
comportamentos desequilibrados, fruto das atitudes extremas, da polarização em que vivemos.
Nos rituais mágicos não pode faltar o círculo protetor. Nos rituais de cura e iniciações
os participantes arranjam-se em círculos ou são colocados dentro deles. As crianças aprendem
a brincar de roda e seus primeiros desenhos são tentativas de imitar um círculo. Essa é a
disposição do universo e da natureza, que não criam linhas retas; estas, são um produto
puramente humano. Usando um pouco de sensibilidade percebermos que temos no círculo
algo de sagrado, de místico e de essência incognoscível. A mandala é passado, presente e
futuro. Dos povos primitivos ao homem contemporâneo, a disposição circular sempre foi
largamente utilizada em suas construções e agrupamentos. A modernidade trouxe linhas retas
e duras em seus edifícios, no design de automóveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e
outros objetos. Mas, ao modo do fluxo e refluxo do mar, está retornando às suaves e
harmoniosas formas curvas

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3 – Estruturas das mandalas

O poder de uma mandala está relacionado ao seu padrão de formas, cores e estrutura
numérica. Estes elementos têm uma simbologia que se baseia na numerologia, na
cromoterapia, assim como no conhecimento que o ser humano já tem em relação à visão e
como as formas são percebidas por nossa mente e retina. Cada elemento é responsável por
parte das vibrações que uma mandala é capaz de emanar na sua totalidade.
Assim como nas artes visuais, o poder das mandalas está exatamente naquilo que não
podemos alcançar com palavras. Quando fazemos uma mandala pode-se dizer que ela é a
expressão de nosso subconsciente, que por sua vez também não tem uma explicação
definitiva, ou seja, ainda tem muito a ser explorado.
A composição das formas e das cores em uma mandala é muito importante, assim como
sua forma circular e organizada em torno de um centro. Elas fascinam pela magia de seus
movimentos. São símbolos que exprimem as riquezas incontáveis do subconsciente humano.
Nosso cérebro responde de maneira muito particular às imagens, que têm um poder intenso,
real e indiscutível. Quem já não se sentiu calmo após ver um quadro azul e com formas
organizadas e quase regulares? Pode parecer estranho, mas o poder de cura da mandala, suas
características terapêuticas, sua capacidade de auxiliar na concentração e na meditação e, até,
alterar estados de consciência, entre outras, deve-se à sua composição, a estes elementos
acima citados e ao efeito que causam em nossa mente. Pode ser constituída de múltiplas
formas geométricas, com simbolismos gráficos e cores. A palavra, em si, significa “ter
atingido a iluminação perfeita e insuperável”.

3.1 – Geometria e formas

No interior da mandala há um ponto central, que representa a essência da mandala. Os


outros elementos em geral parecem estar em ligação com este elemento e de certa forma
dependem dele, pois se desenvolvem a partir de sua existência. Este ponto representa uma
existência superior, a fonte de toda criação. A simbologia das bases numéricas das mandalas
baseia-se na numerologia. A divisão do espaço interior da mandala determina os números
atuantes no desenho. Uma mandala que tem divisões cuja base numérica é o três, por

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exemplo, está ligada ao resultado de uma ação. Segundo Fioravanti (2007), esta mandala
representa realizações no plano da matéria a partir de motivações espirituais; ela simboliza o
filho e o ar. O três é um número de comunicação, original e criativo.
São as formas geométricas da mandala que, na maior parte das vezes, criam as
vibrações numéricas. As formas geométricas estão diretamente ligadas à diferentes
simbologias e números, muito interessantes de se interpretar:

 O Círculo: Está sempre presente nas mandalas, pois é ele que cria o campo de
vibração existente em todas elas. Indo mais além, dá para se dizer que ele é
responsável por criar uma camada de proteção que separa o sagrado do profano,
transmitindo a energia hipnotizante para nossos olhos. Além disso, uma mandala pode
ser formada por inúmeros círculos. Ele é o símbolo do céu.

 O Triângulo: Também bastante comum nas mandalas, está relacionado ao número três
e seus derivados. É um símbolo sagrado, pois representa o homem e sua busca
espiritual, a concretização com Deus. É interessante que o triângulo esteja sempre com
um de seus vértices para cima, apontando para o alto, mostrando a aspiração de busca
espiritual.

 O Quadrado: Indica a vibração do número quatro, que simboliza a matéria, o mundo


das ações e realizações físicas, em um plano puramente terrestre. Não há muita
espiritualidade no quadrado, mas seu poder está na realização no plano material, pois
tem uma boa estrutura alicerçada no O Pentágono e o Pentagrama. São vibrações do
número cinco, sempre leves e renovadoras. O pentágono lembra o quinto elemento, o
éter. Já o pentagrama ou estrela de cinco pontas tem uma forte ligação simbólica com
a magia e alquimia, emanando vibrações de liberdade de ação e pensamento.

 O Hexágono e Estrela de Seis Pontas: São formas da dupla aspiração espiritual


humana, pois o seis é o dobro do três, que simboliza a busca espiritual. O hexágono
simboliza a busca, principalmente no ambiente familiar, com seus apegos e desapegos.
A estrela de seis pontas ou Estrela de Davi representa a fé aplicada à vida material e a
fé transformada numa ligação real com o divino, chamada religação.

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3.2 – Cores

As cores são grandes responsáveis pelas emanações da mandala, pois a vibração de


cada cor modifica a atuação da mandala no plano físico e também no plano mais sutil de suas
emanações. De acordo com Fioravanti (2007, p. 13),

Aliada às vibrações numéricas e geométricas, uma mandala tem as


emanações das cores que estão em seu espaço. As cores nas mandalas têm
uma função altamente estimulante e terapêutica. É essencial conhecer as
energias emanadas pelas cores para saber como elas irão atuar numa
mandala.

O estudo das cores é muito vasto, existem muitas teorias que as classificam e definem
suas particularidades. Uma delas é a cromoterapia, mais usada em processos de cura, por
exemplo. O mais importante é que todas as cores podem trazer benefícios e podem ser usadas
em todos os ambientes havendo reserva apenas para os lugares de descanso e a predominância
das cores fortes de muita energia ativa. Veremos a seguir a influência de algumas cores, os
benefícios que trazem consigo e o efeito que causam quando utilizada em uma mandala:

 Vermelho: A cor do amor, da atração, força e vitalidade. Pode ser usada para dar
energia a alguém que está diante de situações difíceis e sente-se acuado. Para
aumentar a paixão entre casais e o empenho em tudo que se faz. Bom para negócios
novos que precisam de agilidade e constância de criatividade (novas idéias e rápida
aplicabilidade).

 Azul: A cor da paz, relaxamento, suavidade e paciência. Pode ser usada para pessoas
que estão passando por momentos de stress, com características de inquietação, tensão
ou simplesmente para acalmar o ambiente e os que estiverem ali. Bom para
consultórios, clinicas de psicologia e outros negócios onde as pessoas externem
problemas , pois ajuda a colocá-los de maneira mais clara e calma proporcionando
uma auto-avaliação, respostas assertivas e racionais sobre as possíveis resoluções.

 Amarelo: A cor do pensamento, ativadora da mente e energizante. Pode ser usada para
estimular o aprendizado, revigorar as energias e para nos manter alertas. Ideal para
estimular os estudos e para pessoas com algum problema de memória ou falta de
concentração. Bom para negócios educacionais e todo estabelecimento que lide com

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pensamento e concentração. Estimula a conquista e por isso é usada em negócios de
vendas (conquista como aquisição de algo).

 Verde: A cor da cura e saúde. Pode ser usada para diminuir problemas de saúde, não
esquecendo que o verde tem um pouco do azul e do amarelo e trás consigo as
características destas duas cores. Bom para negócios como lugares de descanso,
clínicas, hospitais e consultórios.

 Lilás: A cor da elevação espiritual, bondade e harmonia. Pode ser usada por alguém
que se sente injustiçado sem motivo real, alguém em busca de explicações sobre a
existência e a religiosidade, não esquecendo que o lilás tem um pouco do azul e trás
consigo as características desta cor. Bom para templos, lugares de retiro espiritual,
consultórios de medicina alternativa, lugares de descanso e tratamentos de
desequilíbrio mental.

 Laranja: A cor da energia. É a mistura do vermelho e amarelo trazendo em si as


qualidades de ambas de maneira equilibrada. Boa para todos os ambientes se
aplicando a todos os tipos de negócio.

 Branco: A cor que é a junção de todas as cores existentes na natureza. Representa a


explosão de energia equilibrada funcionando como transformadora de qualquer
desequilíbrio energético, muito usada para energização de pessoas com depressão e
falta de coragem para começar algo. Purifica e equilibra o indivíduo e o ambiente.

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4 – O simbolismo ligando tempos e culturas

Se nos lembrarmos da universalidade do símbolo da mandala e tivermos presente que


só existe uma única verdade e uma única fonte onde todas as religiões beberam, causará
espanto a delimitação, exclusão e a depreciação recíproca entre as religiões, hoje tão comuns.
Embora a nossa Igreja Cristã se volte com veemência contra a alquimia, chama a
atenção o fato de as igrejas antigas estarem repletas de símbolos alquímicos. Se a astrologia é
uma superstição diabólica, porque então há tantos símbolos astrológicos nas catedrais? Na
verdade, cada segunda rosácea gótica é construída com base na “chave dos doze”, e contém a
representação dos doze signos zodiacais. Será que é realmente “por acaso” que os símbolos
dos quatro evangelistas – representados por toda a parte – correspondem exatamente a cruz
fixa do zodíaco: leão, águia (enquanto escorpião redimido), anjo (aquário) e touro e que estes,
também por acaso, simbolizam justamente os quatro elementos da antiguidade (fogo, água,
ar e terra)? Suspeita-se de que os construtores e planejadores das primeiras igrejas, sobretudo
as catedrais, conheciam mais que os seus atuais administradores. Estamos tentando
estabelecer contato com esse antigo conhecimento e seguir a pista da unidade dentro da
multiplicidade. Esse significado da palavra “universo” e a uni–versidade era originariamente
o lugar onde essas leis deveriam ser reproduzidas.
Lao-tsé disse: a capacidade de reconhecer a fonte do antigo conhecimento é chamada
o ‘fio-vermelho” que nos conduz ao longo caminho. A união do retângulo (finito) com o
círculo (infinito) corresponde a estrutura do iantras orientais (mandalas usadas na India,
no Tibete e no Nepal usadas em rituais religiosos).
Essa mesma união pode ser encontrada no Islã e também nos portais das catedrais.
Observando a rosácea meridional de Clermont-Ferrand, vemos que ela expressa o infinito
(círculo) na moldura do finito (quadrado). Na rosácea ocidental da Notre Dame de Paris, a
Virgem Maria com o Menino Jesus é cercada por vinte e quatro espaços que contém em
harmonia, os doze signos do zodíaco, as virtudes, os vícios e os profetas. E ainda na Notre-
Dame de Paris, há a rosácea chamada ainda hoje de rosa dos alquimistas. Alguns dos santos
cristãos carregam instrumentos que reconhecemos como alambiques alquímicos, como, por
exemplo, os anciãos do Apocalipse na Catedral de Santiago de Compostela.
Na igreja espanhola de San Juan de La Pena, um convento e lugar de peregrinação há
um alto relevo no qual reconhecemos um atanor, o forno usado na alquimia.

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Na catedral de Lyon, o símbolo do Taichi encontra-se no centro da rosácea, portanto,
exatamente onde deveria estar segundo a filosofia taoísta. Ele está cercado pelos vinte e
quatro anciãos do Apocalipse.
Também na catedral de Toulouse, há uma rosácea que mostra um símbolo muito
parecido com o do Taichi. Esta rosácea tem no centro duas representações da cruz dos
templários. Os templários possivelmente, detinham a chave oculta para a compreensão do
segmento o qual hoje ainda é enigmático, das catedrais e do seu secreto simbolismo. Até os
nossos dias não se sabe como o estilo gótico pôde realizar em tão curto espaço de tempo
(cerca de cem anos), tal abundância de construções. Além disso, a maioria delas se encontra
em lugares que ainda hoje são pequenos e que naquela época não tinham de modo algum
condições para dispor do dinheiro e dos conhecimentos necessários para a execução de tais
obras. Os templários, ao contrário, possuíam naquela época, ao lado do papado, a mais
poderosa organização do Ocidente. Nessa ordem o Ocidente e o Oriente inicialmente se
defrontaram como inimigos, porém, mais tarde, tornaram-se dois pólos que se fecundaram
mutuamente.
Os templos cristãos surgiram nos antigos lugares de culto dos druidas e as antigas
estradas de peregrinação, como a que leva a Santiago de Compostela ,ligaram-se aos novos
conteúdos cristãos. A roda do destino, na fachada de Beauvais, representa o simbolismo típico
da décima carta do tarô, onde as antigas figuras egípcias aparecem simplesmente vestidas com
trajes ocidentais.

4.1 – Budismo e Hinduísmo

As mandalas são utilizadas no Hinduísmo e no Budismo como um instrumento para


facilitar a meditação e representam a ordem espiritual, cósmica e psíquica. O desenho da
mandala, o complexo uso de padrões geométricos, de cores e a inclusão de deidades em
algumas mandalas, direcionam o devoto ao espaço sagrado no centro de representação da
presença divina.
Na tradição hindu, isso se chama SHUNYA, vazio absoluto, e BINHU, semente
cósmica. Isso simboliza a crença em que desse vazio tudo se ergue e esse é o lugar para o qual
tudo vai retornar. Meditando sobre isso, o devoto pode adquirir tranqüilidade e aprender a
separar as ilusões de permanência no mundo material. A mandala simboliza harmonia,
equilíbrio e a jornada para a iluminação.

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Fora do gótico encontramos também nas nossas igrejas o simbolismo que une as
culturas. Pensemos na simbólica das rosáceas românicas, de estrutura simples, e na roda do
renascimento do Budismo. No centro desta última, a redenção é muitas vezes representada
pelo loto de mil pétalas que cresce da cabeça de Buda.

4.2 – As mandalas e a arte Shingon

Os ensinamentos esotéricos (mikkyo) introduzidos no Japão no início do século IX por


Kukai, não demoraram a lançar raízes, dando origem a uma série de poderosas correntes
dentro do budismo Heian. Uma destas seria a escola Shingon (Palavra Verdadeira) do próprio
Kukai, com base em kongobuji (Koyasan) e Kyoogokokuji (Toji), Quioto; outra das correntes
esotéricas foi a que circulou dentro do budismo Tendai japonês.
A doutrina esotérica garantia a possibilidade de alcançar a iluminação nesta vida sem
ter que esperar o renascimento durante anos num paraíso remoto. O caminho não consistia no
estudo das sutras, mas sim a compreensão dos ensinamentos secretamente transmitidos por
Buda, que guardavam os segredos profundos da iluminação. Através de uma iniciação nos
diagramas cósmicos (mandalas), gestos secretos (mudras) e símbolos místicos (mantras), o
adepto podia alcançar o conhecimento oculto. Os dois grandes mandalas esotéricos são o do
Mundo Ventre (Taizokai) e o do Mundo Diamante (Kongokai), ambos ilustrativos dos
aspectos da Sabedoria e da Compaixão de Mahavairocana, o Buda primeiro, fonte dos
restantes Budas e seres.

4.3 – A mandala no mundo indígena

No círculo cultural dos índios, não encontraremos nem de longe, mandalas tão
magníficas quanto às rosáceas. Os índios não deram as suas mandalas, nem mesmo formas
permanentes, com exceção das suas moradas (as tendas típicas e os pueblos). Em
compensação, conservaram vivas de maneira consciente, as mandalas, que deram origem a
sua cultura ou desapareceram junto com elas. Até hoje não foi possível atrair os índios para o
nosso progresso, e onde eles tentaram dar esse passo perderam o contato com suas raízes. Para
podermos vivenciar as suas mandalas de areia, precisamos nos ocupar um pouco com as bases
da vida indígena, o que muito nos auxiliará no caminho das mandalas.

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Para o índio, a criação é a manifestação da harmonia, e nela ele reconhece a lei da
polaridade e também a lei do quaternário: ele reconhece, exatamente como os nossos
antepassados, a dependência, combinação dos quatro elementos e das quatro estações do ano,
dos quatro pontos cardeais, das quatro fases da vida e das quatro raças humanas. Para o índio
quando um dos quatro pólos abandona a ordem, todo o equilíbrio é perturbado.
O índio trata de se manter, conscientemente, em harmonia com a natureza e de
aprender com ela. Ele compreende as pequenas e grandes ocorrências do seu ambiente
natural, tirando delas conclusões sobre o mundo. Ele aplica também essa concepção a si
mesmo. Assim um índio conhece toda a história da vida do outro pela sua aparência exterior
e pelos seus sinais. O interior é conscientemente projetado para fora. E porque deveria manter
segredo se o Grande Espírito já sabe de antemão, o que se passa no coração dele?
O índio vive conscientemente com os ritmos da natureza fazendo analogia com sua
vida. O dia e a noite são para ele, as imagens da vida e da morte. Na alvorada, ele vivencia o
nascimento e no crepúsculo, a morte. Alvorada e crepúsculo são para ele igualmente belos e
queridos.
O índio testemunha e venera tanto o primeiro raio de luz como a sua despedida,
nascimento e morte são igualmente bem vindos. Assim, como a noite proporciona acesso a
outras experiências, depois da morte ocorre algo semelhante. Cada dia dessa forma, reflete a
sua vida, e cada ano, com o ritmo das suas estações é uma imagem da vida para o índio. A
energia do sol, durante as quatro estações, reflete para ele exatamente a energia nas suas
quatro fases da vida. Assim, ele se encontra no centro de uma mandala constituída de muitos
círculos concêntricos menores e maiores, mas todos análogos e expressão de um único centro.

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5 – Aplicações práticas das Mandalas

5.1 – Cura

É do pleno conhecimento de todos que a arte de um modo geral, coloca o ser humano
em contato com o seu potencial criativo, desenvolvendo habilidades e levando-o a descobertas
expressivas na vida. Inclusive é um dos meios terapêuticos reconhecidos pelos profissionais
da área da Saúde – médicos, psicólogos e terapeutas de maneira geral, que têm compreendido,
de maneira crescente, como a Arte Terapia pode acelerar e potencializar o crescimento do
indivíduo e os seus processos de recuperação, sejam eles físicos, mentais ou emocionais.
Através de linguagens como o desenho de formas e a pintura, a Arte Terapia possibilita
estimular e fortalecer as forças criativas, melhorar a auto-estima, enfrentar bloqueios
emocionais, favorecendo o auto-conhecimento e cultivando a expressão da individualidade.
São estes aspectos que permitem à Arte Terapia, ser um elemento valioso quando realizado
em cooperação com outros processos terapêuticos, medicamentosos ou não.
A prática de desenhar e pintar mandalas, como a atividade artística em geral, é por si
mesma uma prática sadia que expressa e combina percepção, sentimento e vontade, por isso
leva o homem a uma expressão integral. Por esse motivo desperta poderes curativos (o
curador interno), o que em outras ocupações muitas vezes não há chance para que as pessoas
expressem totalmente seus potenciais. Através das cores, formas ritmos e movimentos, a
pessoa reaprende a expressar seus sentimentos de maneira estruturada, possibilitando a ação
direta do EU no mundo possibilitando resgatar todo potencial criativo e curativo que a arte
pode oferecer. A capacidade de criar é uma virtude da alma que palpita em cada coração e que
aguarda nossa permissão para despertar deste ímpeto e desabrochar desta chama, que fará de
nós criadores e condutores da nossa própria vida.
Qualquer pessoa pode se trabalhar com mandalas, tanto com a ajuda de um terapeuta,
quanto sozinho mesmo. Se optar por trabalhar-se sozinho, a pessoa pode colorir mandalas ou
desenhar mandalas pessoais, geométricas ou mistas. Também, pode meditar com uma
mandala que lhe seja atraente ou que o instigue alguma coisa. É um trabalho simples, mas ao
mesmo tempo profundo, pois as mandalas vão colocando, de forma sutil, no lugar certo aquilo
que se encontrava fora de lugar.

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Quanto a isso Jung diz que “a mandala possui uma eficácia dupla: conservar a ordem
psíquica se ela já existe; restabelecê-la, se desapareceu. Nesse último caso, exerce uma função
estimulante e criadora”. Ele percebeu que seus clientes experenciavam estas imagens
circulares como "movimentos em direção a um crescimento psicológico, expressando a idéia
de um refúgio seguro, de reconciliação interna e inteireza". Para Jung as mandalas são vasos
ou embarcações na qual nós projetamos nossa psique que retorna a nós como um caminho de
restauração. Ele reconheceu que figuras arquetípicas (símbolos universais) de várias culturas
podiam ser identificadas nesta expressão espontânea do inconsciente.
Na área terapêutica Jung trouxe as mandalas para os consultórios. Ele pintou sua
primeira mandala em 1916. Desde então costumava desenhar mandalas todas as manhãs. Seus
primeiros desenhos eram somente desenhos circulares e ele não compreendia seus
significados. Porém, dois anos depois observou que havia um padrão em suas mandalas e caso
estivesse em conflito desenhava uma mandala alterada.
Hoje em dia a mandala é usada na psicologia junguiana e transpessoal por vários
terapeutas que trabalham com desenvolvimento pessoal.

O poder da contemplação de imagens terapêuticas reside na hipótese de que


se estabeleça uma conexão quântica, em que o contemplador e a imagem
formam um só campo de energia. O contemplador olha para a imagem
terapêutica estabelecendo uma troca energética. A imagem, por seu próprio
conteúdo, desprende para o contemplador a luz com sua informação
terapêutica. Basta deixar os olhos escolherem onde se fixar, dando margem a
um contato de dimensões conscientes e inconscientes, formando, assim, uma
ponte. Assim, a contemplação de imagens terapêuticas se dá com silêncio
interno em a pessoa se oferece um tempo para cuidar de si própria.
(LAZZAROTTO p. 65)

Acredita-se que a ordem sagrada da mandala é capaz de restaurar a harmonia


provocando o restabelecimento da saúde. A mandala trabalha a pessoa nos aspectos: físico,
emocional e energético. No aspecto físico promove bem-estar, relaxamento e previne o
estresse. Emocionalmente, as mandalas pessoais podem trabalhar conteúdos oriundos de
emoções antigas, atuais ou futuras, pois o trabalho com mandalas sinaliza eventos que
aconteceram, os que estão ocorrendo e os quer estão para acontecer. Quando se desenha
mandalas pessoais terapeuticamente é comum acontecer de surgirem memórias passadas que
são colocadas no desenho sob forma de impressões sutis, que só será percebida por quem
souber fazer a leitura do que está sendo sinalizado pelo inconsciente de quem está
desenhando. A leitura dessas impressões se faz por meio do traço, da forma, das cores, dos

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símbolos, das marcas e vários outros aspectos que possam surgir quando se faz uma mandala
pessoal.
Desta forma, podemos perceber que as imagens podem ser fortes aliadas em processos
de cura, e como uma ferramenta complementar no processo terapêutico. Sendo assim, a
visualização e construção de mandalas podem auxiliar no restabelecimento da saúde, e
também em um bom auxílio para a cura emocional, que refletirá positivamente no estado
físico, proporcionando assim mais saúde e vigor. Os círculos são universalmente associados
com meditação, cura e o sagrado que podem funcionar como chaves para os mistérios de
nosso reino interior, que se usados para esta finalidade nos levam ao encontro com os
mistérios de nossa alma. Trabalhar com mandalas promove relaxamento psicofísico pela
postura ao desenhar, pela contemplação, e pela meditação que o próprio fazer
proporciona. Ainda desenvolve centramento, atenção, concentração, percepção e a intuição.
Também, é um ótimo instrumento para ativar sonhos especiais ou fazer quem não se lembra
deles começar a lembrá-los.

O campo de força de uma mandala modifica a energia em vários níveis. Ele


estimula a mente a equilibrar as emoções e ativa os processos físicos
ajudando a restabelecer sua função plena. A mandala é uma fonte de cura.
(FIORAVANTE, 2007, p. 8).

5.2 – Meditação

A mandala, também conhecida por círculo mágico, é um elemento muito utilizado


para meditação, em rituais e em vivências para o auto- conhecimento. Toda mandala tem uma
harmonia de formas que circundam um ponto central, sendo este ponto representativo da
divindade, segundo a ótica oriental. Repleta de simbolismos, em praticas meditativas e de
auto-conhecimento, trazem à tona aspectos do nosso Ser enquanto seres divinos. São
numerosos os conceitos, formas, interpretações e toda a simbologia que envolve as mandalas.
Para os orientais, como os Budistas e Hindus, o caminho a ser alcançado é sempre o da
iluminação e da divindade. Desta forma, a mandala é utilizada pelos orientais como um meio
para favorecer a meditação profunda, a fim de alcançar a paz interior.
No Budismo (mandala) e Hinduísmo (yantra) são usadas como auxiliares na
meditação, como objetos de suporte, e suas imagens são representações simbólicas de
divindades e forças atuantes do Universo; o microcosmo no macrocosmo. O objetivo da

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meditação é a unificação, sendo que o retorno ao centro representa essa unificação, o encontro
com o divino. Meditar é unificar-se, é encontrar-se com a divindade interior e as mandalas são
portas de acesso a esse fim.
No aspecto energético a mandala ativa, energiza e irradia, aquilo a que se propõe,
podendo harmonizar ambientes físicos ou pessoas que estejam carregados negativamente ou
com uma aura de sofrimento e tristeza. Ainda energeticamente a mandala pode levar a pessoa
a contatos com dimensões superiores e ao encontro de um caminho espiritual. Por isso a
mandala foi e ainda é muito utilizada, na meditação, para o desenvolvimento e ampliação da
consciência.
A meditação com mandalas permite que você consiga desacelerar a mente; a
visualização tem a propriedade de sintonizar você com a sua essência, fazendo um convite a
introspecção, propiciando um distanciamento dos problemas imediatos induzindo ao exercício
da contemplação, o que leva a uma inegável e considerável limpeza da tensão acumulada.
Ainda permite, com a prática, que você pare o fluxo contínuo de pensamentos
permitindo que sua mente descanse, se recupere e se organize. Meditar olhando para uma
mandala pode reprogramar processos mentais, trazendo equilíbrio e solução para os
problemas sobre os quais nem conseguimos ter consciência. A contemplação ajuda a canalizar
determinadas energias a fim de harmonizar nosso estado físico, emocional e vibracional. A
compreensão e os insights que ocorrem durante a visualização, poderão se manifestar em
algum momento oportuno de sua vida.
Para algumas pessoas o processo de sentar quieto por um certo período contemplando
uma mandala pode ser difícil, uma briga grande com a mente racional, e para essas pessoas a
meditação com mandalas também é possível, só que de uma outra maneira. A meditação
ativa, na qual a pessoa está no processo de desenhar imagens em uma folha ou colorir um
desenho já feito, também propicia os efeitos de calma e tranqüilidade da meditação
tradicional. Ao meditar com uma mandala, a pessoa pode ser levada a encontrar o seu
equilíbrio e, mais importante, manter o foco no centro sempre, manter-se centrada.
A construção de mandalas propicia um melhor autoconhecimento, visto que “quando
criamos uma mandala, geramos um símbolo pessoal que revela quem somos num dado
momento” (J.Kellog). Colorir mandalas é também uma prática com efeitos tranqüilizadores e
com alto poder meditativo, utilizada por uma variedade de povos e instituições para curar a
mente e o corpo, uma forma de meditação hoje encontrada em escolas, enfermarias de
hospitais e em serviços de saúde mental.

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6 – Atividade proposta: Vivência com Mandalas

Como vivência para o grupo, buscamos duas atividades que os colocassem


diretamente com o impacto positivo que as mandalas causam, iniciando a prática com uma
meditação ativa observando uma mandala em movimento. Após esta prática inicial, propomos
a criação individual de sua própria mandala e utilize as formas, cores e símbolos de acordo
com sua intuição. Através desta prática, é desperto o potencial criativo interno, sua
possibilidade de manifestação, além de usufruir dos seus benefícios de relaxamento, alívio de
tensões, harmonização e auto-conhecimento.
Para a vivência de criação de mandalas, seguiremos as orientações de Kellog (apud
LOSACCO), mas utilizaremos o material já disponível no grupo (giz de cera, ao invés de giz
pastel óleo), visto que esta prática tem o propósito de mostrar que o uso destes desenhos
sagrados também é uma forma de transmutação do ego. Assim, aqueles que gostarem, podem
repetir o processo com outros materiais e continuarem a estimular a criatividade, vivenciando
momentos de transpessoalidade.

Construindo Mandalas:

O material para construir mandalas pode ser o mais variado possível, quanto mais
espontânea a escolha do mesmo, melhor. O ideal é que você escolha o material que provoque
uma inspiração e motivação positivas para a realização de mandalas. Se você preferir seguir
as orientações de J. Kellog, o material necessário é: folhas de papel sem margem e sem pauta
de tamanho A3; giz pastel óleo, com no mínimo 25 cores; 1 prato; lápis tipo grafite.

Como fazer a mandala?

Escolha um lugar calmo, tranqüilo, com luminosidade adequada, onde você se sinta
confortável para a construção de mandadas; e garanta que você não seja interrompido durante
a construção das mesmas. Numa folha de papel (A3) você deve fazer um círculo com o prato,
no centro do papel, usando o lápis tipo grafite, de modo que o círculo seja sutil, (não deve
acalcar muito o lápis para o desenho do círculo).

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Escolha uma cor de giz pastel óleo, que você mais goste agora, e inicie um desenho
(que pode ser abstrato ou concreto) do centro deste círculo para a periferia. Você pode
ultrapassar os limites do círculo, invadindo o restante do papel. Não faz diferença alguma
desenhar somente dentro do círculo ou sair do mesmo, ou só fora do mesmo.
Guarde o giz na caixa, olhe para o desenho que está se formando, investigue com você
qual é a sensação que esse desenho te transmite nesse momento escolha uma cor de giz pastel
óleo em sua caixa que represente essa sensação que você está sentindo e dê continuidade ao
desenho que está se formando. Guarde o giz na caixa, olhe para desenho e investigue qual a
sensação que o mesmo está transmitindo para você; escolha uma cor que represente essa
sensação, pode ser uma cor que você já usou ou outra cor qualquer e dê continuidade ao seu
desenho.
Quando terminar olhe para o seu desenho, e virando a folha em todas as posições,
fazendo com que a parte do desenho que fez para cima, fique para baixo, para o lado, etc. e
escolha qual a posição do desenho que mais chama a sua atenção no momento.
Ao se decidir pela posição do desenho, no outro verso da folha, faça uma flecha com a
cabeça da mesma para cima, indicando a posição que o desenho (mandala) deve ser lido,
indicando a posição que tem significado para você. Coloque também neste verso, junto com a
flecha, seu nome ou iniciais do mesmo, data e hora do término da construção de sua mandala,
além de escolher um tema para sua mandala.
Ao terminar, verifique se esta mandala que você produziu transmite uma sensação de
estar completa ou incompleta. Se a sensação for de estar completa, pode guardar seu material
e viver a vida. Se a sensação for de estar incompleta, pegue outra folha de mandala (A3) e
inicie uma nova mandala, repetindo todo o procedimento para construir mandala (J. Kellog)
até terminar a mandala, e a sensação transmitida pela mesma, for de estar completa.
Lembre-se, você pode seguir essas orientações para construir mandalas, ou usar de outras
técnicas. O importante é que você desfrute do ato de construir mandalas.

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Considerações finais:

A mandala pode ser utilizada de várias maneiras: para o desenvolvimento pessoal,


espiritual, promover cura, harmonização de pessoas e ambientes, rituais, magia, dança,
decoração, arte, arquitetura. Então, podemos dizer que a mandala serve para ativar, energizar,
irradiar, concentrar, absorver, transformar, transmutar, curar e espiritualizar as pessoas que
trabalham com elas, um ambiente que se quer fazer especial ou até mesmo para algo que se
quer alcançar.
Os junguianos, assim como os Budistas e os alquimistas, afirmam que através de
inúmeras experiências de contemplação de imagens de mandadas sagradas e outras imagens
simbólicas, obtêm efeitos positivos na alma e no espírito.
Jung (1986) afirmava que podemos lidar com as imagens do inconsciente que vemos
através dos sonhos, através da meditação sobre elas e da interpretação delas, pois isso nos
auxilia a contatar o centro do ser – que ele chama de Self – onde está a fonte da saúde
psíquica, que é fundamental ao processo de individuação.
Ao mesmo tempo, sempre que nos aproximamos de uma mandala (micro) podemos
nos perder, pois toda mandala atrai a atenção da periferia para o centro, pois sua construção
favorece esse nível de observação. Por esse motivo, é importante trabalharmos primeiramente
o estado de consciência que nos encontramos para podermos entrar em contato com a
mandala. Um dos pressupostos da Física Quântica é que na relação “eu – objeto observado”, a
forma como percebemos o “objeto observado” depende do nível de consciência do
observador. Há técnicas específicas para alteração do estado de consciência, tais como
meditação, respiração, hiperventilação, alguns exercícios de yoga, danças, que permitem a
possibilidade de expansão da consciência, o que também interfere na forma como percebemos
o objeto, pois interfere na forma como nos relacionamos com o mesmo.
Desta forma, o uso das mandalas como ferramenta transpessoal é interessante em dois
aspectos: o primeiro por propiciar este autoconhecimento, oferecendo a oportunidade da
pessoa se perceber e se analisar; e o segundo por ser um meio de alcançar outros níveis de
consciência, de transmutar o que não é mais necessário e do crescimento da alma.

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Bibliografia

• COLLCUTT, Martin, JANSEN, Marius, KUMAKURA, Isao. Grandes impérios e


civilizações – Japão: o império do sol nascente. - Lisboa : Círculo de Leitores, 1992.
• DAHLKE, Rudiger. Mandalas: formas que representam a harmonia do cosmos e a
energia divina. São Paulo: Pensamento, 1991.
• DETHLEFSEN, Thor Wald. Thor Wald Dethlefsen, 1984
• FIORAVANTI, Celina. Mandalas: como usar a energia dos desenhos sagrados. São
Paulo: Pensamento, 2007.
• JUNG, C. G. Mandala Symbolism. Princeton, Nova Jersey: Princeton University
Press, 1973.
• LAZZAROTTO, Nina Lúcia Moojen. Os efeitos das imagens na saúde: imagoterapia.
Disponível em:
<http://api.ning.com/files/R*7Qp2iadPsN5IoClLl8CvK5jf6JzQBAkTaVPIpih6lQkCD
DRKgpNOCiETtIAtWlxs6A6SNu*mlh9vBQvLTd-gxIXYRY5EMP/OSEFEITOSDA
SIMAGENSN=ASADE.pdf.>
• LOSACCO, Victor. Mandalas Terapêuticas: seu uso na abordagem transpessoal.
Disponível em:
<http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d3/Mandalas_Terap%C3%AAuti
cas.pdf>
• MALLON, Brenda. Os símbolos místicos: um guia completo para símbolos e sinais
mágicos e sagrados. São Paulo: Editora Larousse, 2009.
• MANDALAS.
Disponível em:
<http://www.oficinacriativa.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=arti
cle&id=64:modulo-mandalas&catid=36:cursos&Itemid=62>
• SILVEIRA, Nise da. O mundo das imagens.
Disponível em:
<http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/pdfs/mundo_imagens.pdf>

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Anexos

Figura 1 - Roda do Tempo (Kalachakra)

Kalachakra (ou Roda do Tempo em sânscrito), é o nome de uma das principais


divindades do budismo Vajrayana tibetano. De acordo a tradição, os ensinamentos de
Kalachakra foram transmitidos pelo Buddha Shakyamuni no século VI a.C., a pedido de
Suchandra, o rei da terra pura de Shambhala. Esses ensinamentos, compilados em um texto
chamado Kalachakra Tantra, teriam sido transmitidos de geração a geração, de mestre a
discípulo.
Os ensinamentos foram levados ao Tibet no século XI, em duas linhagens separadas
(Dro e Rva), unidas posteriormente pelo monge Butön Rinchen Drup. Um de seus discípulos,
Chökyi Pel, transmitiu os ensinamentos de Kalachakra ao lama Je Tsong Khapa e,
eventualmente, a linhagem chegou ao sétimo Dalai Lama. Ele introduziu os ensinamentos em
seu monastério pessoal, o Namgyel, e essa transmissão continua até hoje, com o Dalai Lama
atual.
Os ensinamentos registrados no Kalachakra Tantra são interpretados em três níveis —
externo, interno e alternativo. O Kalachakra externo se refere ao mundo físico, aos elementos
do universo e às leis do tempo e do espaço, lidando com a astronomia, astrologia e
matemática. O Kalachakra interno corresponde aos elementos do corpo, aos agregados
psicofísicos, às capacidades físicas e psíquicas, lidando com a fisiologia tântrica e com o
sistema de energia do corpo humano. O Kalachakra alternativo lida com a base, o caminho e o
resultado das yogas, ou meditações, que conduzem ao estado iluminado da divindade
Kalachakra e de sua mandala. Deste modo, a prática do Kalachakra alternativo purifica os
Kalachakras externo e interno.
Todos elementos dessa mandala — o diagrama simbólico de um palácio divino, a
própria roda do tempo — representam algum aspecto da divindade Kalachakra e de sua terra
pura. Há 722 divindades na mandala, simbolizando os várias aspectos da consciência e da
realidade que constituem a sabedoria de Kalachakra. Interpretar e entender todos estes
símbolos equivale a ler e compreender toda a vasta gama de ensinamentos do Kalachakra
Tantra.

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A divindade Kalachakra reside no centro da mandala. Seu palácio divino é constituído
pelas nossas próprias mandalas pessoais: corpo, fala, mente, sabedoria e grande êxtase. O
palácio é dividido em quatro quadrantes, cada um deles com muros, portões e centros. As
cores são representações específicas dos elementos: preto ou azul, no oeste (abaixo),
representa o ar; vermelho, no sul (esquerda), representa o fogo; amarelo ou laranja, no oeste
(acima), representa a terra; e branco, no norte (direita), representa a água.
O palácio quadrado das 722 divindades fica sobre o círculo da terra; os outros círculos,
representando a água, o fogo, o ar, o espaço e a consciência, se estendem para fora dos muros
do palácio. Os círculos externos representam o cosmos, e dez divindades iradas residem em
um desses círculos, servindo como protetores.
A mandala de Kalachakra é dedicada à paz e ao equilíbrio interior e exterior. Ao
observá-la, pode-se sentir a paz em muitos níveis. Segundo o Dalai Lama, as divindades da
mandala criam uma atmosfera favorável, reduzindo a tensão e a violência. "É um modo de
plantar um semente, e esta semente terá seu efeito kármico. Não é necessário estar presente à
cerimônia de Kalachakra para receber seus benefícios."
O interessante é que após construírem a mandala de areia, os monges a destróem, para
simbolizar a impermanencia...

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