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INTRODUÇÃO

A filosofia surge da tentativa do homem de entender-se a si mesmo, ao


outro e ao mundo. Por força de seu caráter de indagação radical, ela busca a fundo o
sentido de todas as coisas, e não aceitando respostas meramente subjetivas
(opiniões) desempenha um papel de caráter reflexivo sobre os dados da realidade
em que é produzida. Nesse sentido ela está enraizada no contexto histórico em que
é produzida. Essa historicidade leva o homem a se fazer agente de sua própria
participação no mundo, marcado por uma série de situações meramente necessárias
a sua sobrevivência: trabalho, formação educacional, convivência mutua e um
profundo sentimento de esperança.

Nos perguntamos sobre a relação entre a filosofia e os fatos que aferem ao


homem dificuldades de construção de uma existência plausível. Um dos grandes
problemas que hoje em dia não se pode mais ignorar é a questão ecológica. Ela se
tornou uma questão central para a humanidade. A própria concepção da questão
ecológica está se desenvolvendo: de uma conversa de defesa da natureza para uma
concepção de unidade profunda do fenômeno vida.

Para Descarte em seu tempo, a questão ecológica na sua forma moderna


é desconhecida. As preocupações diante da natureza foram outras. A natureza era
considerada um fenômeno que devia servir ao homem na sua luta pela
sobrevivência, uma força com que era necessário conviver. Ele nós deu grandes
contribuições sobre a esquematização da ciência e organização metódica de
pensamento.

Nossa finalidade é apresentar a relação do homem com o que vem a ser o


mundo físico, com sua problemática ecológica, pautada por uma visão filosófica
cartesiana. Assumiremos uma postura de resgate das aulas ministradas pelo
Professor Grenn e dos principais comentários feito em sala de aulas, levando-se em
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conta mais a um relato de atividade que propriamente de um trabalho puramente


cientifico.
I. O PRINCIPAL PROBLEMA DO HOMEM MODERNO.
No meio de tantos desafios que o homem moderno enfrenta, a crise
ecológica é sem dúvida uma das que mais preocupa a humanidade - ou ao menos
devia preocupar. Talvez seja o mais grave entre tantos problemas que perturbam o
mundo atual, mais alarmante, por exemplo, do que desafios no campo político, e
mesmo mais do que o terrorismo, cujas raízes e manifestações podem - ao menos
segundo Bush - ser erradicadas, porque são temporários e dependem de uma
ideologia, enquanto a questão ecológica está alinhada à própria essência do homem.
Neste sentido, o homem deve se precaver e não se desdobrar em vícios, mas ser
esperançoso, como afirma René Descartes no inicio da primeira parte do Discurso do
Método: “... não basta ter o espírito bom, mas o principal é aplicá-lo bem. As maiores almas
são capazes dos maiores vícios, assim como das maiores virtudes; e aqueles que só caminham
muito lentamente podem avançar muito mais, se sempre seguirem o caminho certo, do que
aqueles que correm e deles se afastam.”1

Descartes nos fala de alguma forma, de “senso” ou “razão”, pautada por


uma definição prática, que leva o homem a uma relação amigável, com o seu próprio
destino de “ser pensante”. O problema ecológico está, assim parece, ligado ao
próprio processo de adaptação do homem ao mundo em que vive e a sua maneira
de pensar. Onde quer que esteja, e qualquer que seja o momento histórico, o
homem, no processo vital de sua sobrevivência, modela o mundo às suas
necessidades, aos seus sonhos - ou devemos dizer: aos seus caprichos. Nesta
atividade usa e abusa, aproveita e elimina, integra ou desintegra o que lhe aparece
no caminho2. Incorre em vícios que o reduz a meros animais. Ele se distância do
caminho certo e renega sua própria condição Cartesiana do ”penso logo existo”3.

1
Discurso do Método, p 5
2
Como comentou tão sabiamente o professor Grenn na aula de 05/09/06: “para viver o homem tem que fazer
grandes estragos ao meio ambiente – mata milhões e milhoes de espécies”.
3
Discurso do Método, quarta parte – p 38
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Pensar é como afirma Descartes; um projeto para se chegar a uma


“certeza” ou a uma “duvida”4. Não há como negar que o homem busca melhores
condições de vida, algo que o projete mais longe, que o faça ser virtuoso e sábio na
tomada de decisão. Suas certezas se submetem ao PATHOS (amor e morte), guiado
pelas ordens da PHYSIS (natureza)5. A procura humana esbarra nas riquezas de
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possibilidades. “Para que sua reprodução aconteça, se faz necessários grandes
estragos ao meio ambiente. Ele mata milhões e milhões de espécies”.7

Nosso tempo moderno encontra-se, em conseqüência dessa procura,


necessária em si, num momento crítico: o processo de adaptação desandou num
processo de irracional dominação e exploração, num estado de caos ecológico, que
leva como que naturalmente a um caos de relacionamentos humanos, cujos sinais
estamos vendo ao nosso redor e cujas conseqüências estamos sentindo cada dia
mais (Oliveira, 1977,77-78). 8

Tudo gira, então, em torno da forma concreta da relação Homem-Mundo


ou Homem-Realidade. Enquanto o homem antigo se defendia contra a natureza, o
homem moderno, pelo contrário, ..." pode se dizer que só se interessa pela realidade
à medida que aquilo que é pode ser posta à sua disposição" (Oliveira, 1977, 74).
Vivemos num momento de um utilitarismo generalizado do mundo que nos rodeia,
nos esquecendo que este possui um valor intrínseco e vital. Afinal estamos diante de
uma "funcionalização universal".
.
Diante dos estragos que a assim chamada "razão instrumental" da
modernidade já causou e continua causando, estão se esboçando, cada vez mais,
com maior intensidade, fortes reações.9 Movimentos de defesa do meio ambiente
continuam a surgir e concomitantemente fortifica-se uma consciência mundial não

4
idem p 39
5
Essas palavras PATHOS e PHYSIS foram utilizadas pelo Professor Glenn na aula de 31 de agosto de 2006.
6
Aristóteles – Os Pensadores – p XIX
7
Professor Grenn – aula de 05 de setembro de 2006.
8
Veja tb.: Souza, Timm de ,Alteridade e Lógica, em Cadernos da Fafimc, 1995, 121
9
Não somente a nível particular, como organizações do tipo GREENPEACE, mas há também um crescente
interesse público, como se constatou em RIO 92
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somente no sentido de que algo deve ser feito, mas, sobretudo que se precisa de um
novo posicionamento, uma nova atitude diante do mundo em sua totalidade e da
natureza em especial. Parece, embora ainda de forma tímida, que o homem
moderno começa a se dar conta que não pode se considerar e se comportar como o
senhor absoluto do mundo, mas que é um dependente, um eterno necessitado das
coisas da natureza, sem a qual a vida humana na terra tornar-se-ia absolutamente
impossível. Essa visão de dependência parece, aliás, apontar para uma outra
realidade, explorada entre outros por Leonardo Boff na sua atual fase, que acentua a
profunda dimensão do fenômeno da vida e a interdependência de todas as suas
manifestações.10 Neste sentido cresce a convicção que a vida como um todo corre
perigo quando alguma de suas formas, por insignificante que possam parecer, é
ameaçada com extinção ou boicotada na sua natural manifestação.

10
veja os seus últimos livros: Saber Cuidar, Vozes, 1999; Ética da Vida, Letraviva, 1999, e Ethos Mundial,
Letraviva, 2000.