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Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto -


CBC2005
Setembro / 2005 ISBN 85-98576-07-7
Volume VIII - Modelação Experimental e Numérica do
Comportamento do Concreto
Trabalho 47CBC0492 - p. VIII378-391
© 2005 IBRACON.

ESTUDO DA PENETRAÇÃO DE CLORETOS EM CONCRETOS


MOLDADOS COM CIMENTO PORTLAND BRANCO ATRAVÉS DE
ENSAIO NÃO ACELERADO: RESULTADOS PRELIMINARES
EVALUATION OF CHLORIDE INGRESS IN WHITE CONCRETE THROUGH NON-
ACCELERATED TEST: PRELIMINARY RESULTS

Jairo José de Oliveira Andrade (1); Thiago Ricardo Santos Nobre (2)

(1) Professor Doutor, Departamento de Engenharia Civil


Universidade Luterana do Brasil (ULBRA); Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS)
e-mail: jairo@cpgec.ufrgs.br

(2) Acadêmico do curso de Engenharia Civil – Bolsista FAPERGS


Universidade Luterana do Brasil (ULBRA)

Resumo
O presente trabalho teve como objetivo principal avaliar a penetração de cloretos em concretos moldados
com o cimento Portland branco (CPB) e o cimento de alta resistência inicial (CP V ARI) através de ensaios
de longa duração. Para tanto, foram moldadas vigas de concreto (10 x 20 x 50 cm), através do método
IPT/EPUSP com 3 relações a/c (0.4, 0.5 e 0.6). O perímetro das mesmas foi impermeabilizado com resina
epóxi para permitir apenas o fluxo unidimensional de cloretos. Os corpos-de-prova foram colocados em
soluções de NaCl com concentração de 3,5 % durante 6 meses, onde passado esse período foram retiradas
amostras de concreto a cada 5 mm de profundidade, sendo determinados os teores de cloretos totais em
laboratório. Os resultados mostraram a influência do tipo de cimento e da relação a/c na penetração de
cloretos no concreto.
Palavras-Chave: cimento branco; cloretos; durabilidade; ensaios não acelerados.

Abstract
The present work had as main objective to evaluate the chloride penetration in concretes made with the
white cement (CPB) and the early-age resistance cement (CP V ARI) through non-accelerated tests.
Concrete beams (10 x 20 x 50 cm) were made through the IPT/EPUSP mix design with 3 w/c ratios (0.4, 0.5
and 0.6). The perimeter of the test specimens was recovered with epoxi resin to just allow the chloride flow in
one direction and after they were placed in NaCl solutions (3,5%) for 6 months. After were retired concrete
samples to each 5 mm depth, for the measurement of total chloride in laboratory. The results showed the
influence of the cement type and the w/c ratio in chloride penetration in concrete.

Keywords: white cement; chloride; durability; non-accelerated tests.

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1 Introdução

Hoje em dia a grande maioria das investigações realizadas para a previsão da vida útil
das estruturas são conduzidas sob condições aceleradas em laboratório. Tal
procedimento é, às vezes, necessário, pois a realização de experimentos de longa
duração consome muito tempo e recursos para a obtenção dos resultados. Geralmente
dois tipos de ensaios acelerados são empregados para avaliar a penetração de cloretos
através do concreto. O primeiro deles é o ensaio de migração apresentado por ANDRADE
(1993). O outro é o ensaio de penetração acelerada de cloretos, regido pela ASTM 1202
(1992). Para ambos os ensaios, uma diferença de potencial é aplicada entre duas faces
de um corpo-de-prova de concreto com formato de disco inserido entre duas câmaras,
onde uma contém geralmente NaCl e a outra NaOH. Em seguida é aplicada a diferença
de potencial, sendo da ordem de 12 V para o caso do ensaio de migração e de 60 V para
o ensaio de penetração acelerada de cloretos, de acordo com PEREIRA (2001). Tais
ensaios são bastante criticados por alguns pesquisadores, pois modificam
significativamente o comportamento do sistema pela elevada tensão imposta aos corpos-
de-prova, além de aumentar a temperatura dos espécimes ensaiados. Os mesmos se
mostram adequados para a realização de comparações de desempenho entre tipos
diferentes de materiais, mas não fornecem subsídios adequados para prever a vida útil de
uma estrutura em condições normais de utilização.
Sendo assim, é de fundamental importância que sejam conduzidos ensaios de longa
duração para que a penetração de cloretos ocorra normalmente, representando o
fenômeno que acontece em uma estrutura real. Dentro desse contexto, THOMAS e
BAMFORTH (1999) realizaram um estudo onde foram inseridos blocos de concreto na
costa da Inglaterra e foram medidos os teores de cloretos por um período de 8 anos, onde
os autores verificaram a influência da cinza volante e da escória de alto-forno na
penetração de cloretos. ASRAR et al. (1999) avaliaram o efeito da incorporação da sílica
ativa em concretos expostos em uma solução de 5% de NaCl e na água do mar do Golfo
Pérsico por 24 meses. Além disso, os autores realizaram ensaios de potencial de
corrosão e através do ensaio rápido de penetração de cloretos prescrito pela AASTHO
T227 na idade de 28 dias. Os resultados mostraram que a incorporação da sílica ativa
diminui sensivelmente a penetração de cloretos no concreto, fazendo com que o processo
corrosivo minimize sensivelmente. SURYAVANSHI et al. (2002) realizaram uma
investigação em vigas de concreto para determinar o coeficiente de difusão de cloretos.
Tais vigas foram submetidas a ciclos de imersão em uma solução com 4% de NaCl
durante 2 anos e meio, e os dados de penetração de cloretos ao longo do tempo foram
obtidos através da coleta e análise de amostras de concreto a várias profundidades. Os
resultados mostraram que a relação a/c e o tipo de adição empregada (escória granulada
de alto forno, cinza volante e sílica ativa) exercem influência na penetração de cloretos no
concreto.
No Brasil são poucos os trabalhos experimentais realizados de forma não acelerada para
determinação dos perfis de penetração de cloretos no concreto, onde a grande maioria
das investigações são realizadas em estruturas acabadas. ANDRADE (1997) realizou um
estudo de caso em uma obra localizada na cidade de Recife (PE), mostrando que a
degradação da estrutura ocorreu principalmente em função da contaminação dos
agregados por cloretos no momento da confecção do concreto. Um trabalho bastante
interessante foi conduzido por GUIMARÃES (2000), que avaliou o processo corrosivo em
uma estrutura localizada em Rio Grande (RS) que apresentava 22 anos de construída. O
autor coletou amostras de concreto de 4 pontos diferentes de um cais e realizou análises
considerando o perfil de cloretos encontrado para prever a vida útil da estrutura.
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Embora algumas pesquisas realizadas mostrem a efetiva influência do tipo de cimento


usualmente empregado para a fabricação do concreto na penetração de cloretos,
investigações são importantes para a avaliação de tal propriedade no caso do
desenvolvimento de novos tipos de materiais cimentícios, como o caso do cimento
Portland branco.
No Brasil, o cimento Portland branco é regulamentado pela norma NBR 12989 (1993),
sendo classificado em 2 subtipos: o estrutural e o não estrutural. O cimento Portland
branco estrutural é aplicado em concretos brancos para fins arquitetônicos, possuindo as
classes de resistência 25, 32 e 40, similares às dos demais tipos de cimento. Já o cimento
Portland branco não estrutural não tem indicações de classe e é destinado principalmente
ao rejuntamento de peças cerâmicas, pedras naturais e pastilhas.
Atualmente, a execução de concretos com cimento branco estrutural apresenta-se como
uma proposta atual e moderna, oferecendo novas possibilidades dentro do contexto da
arquitetura e obras civis, desde obras de grande porte a peças pré-moldadas. Tal
assertiva pode ser constatada em função das recentes obras construídas com cimento
Portland branco no mundo, como o escritório da RSA no Alabama (EUA), que é uma
estrutura composta por mais de 15 pavimentos; o aeroporto de Dulles, também nos EUA,
que consumiu 10.000 m3 de concreto de cimento branco; a Torre do Tombo, a Faculdade
de Farmácia e a abóbada da Estação Metropolitana do Rato, em Portugal, conforme
citado por KIRCHHEIM (2003). No Brasil, o emprego do cimento branco está começando
a se difundir. Como exemplos podem ser citados um condomínio em São Paulo e o
Museu Iberê Camargo, que se encontra na fase de execução em Porto Alegre.
Como já é realizado para o caso dos cimentos e concretos moldados com materiais
convencionais, devem ser feitos ensaios para verificar as propriedades mecânicas e de
durabilidade dos concretos moldados com cimento branco. Atualmente no Brasil, a única
pesquisa realizada para avaliar as propriedades relacionadas à durabilidade dos
concretos moldados com cimento branco foi realizada por KIRCHHEIM (2003). A
pesquisadora avaliou a carbonatação e a absorção capilar desse tipo de material,
comparando 2 tipos de cimento branco nacionais, 2 tipos produzidos no exterior e o
cimento CP V. Os resultados mostraram que a profundidade de carbonatação variou
bastante em função do tipo de cimento estudado, considerando uma dada relação a/c. Já
a absorção d’água por capilaridade foi menor para todos os concretos moldados com o
cimento branco, em relação ao CP V.
Já em relação aos íons cloreto, não existe ainda na literatura nacional trabalhos
publicados em relação à penetração de tal material no cimento branco. Como já está
amplamente relatado na literatura (e comentado anteriormente), tanto a carbonatação
quanto os íons cloreto são os agentes principais que iniciam o processo corrosivo,
segundo apresentado por HELENE (1993) e ANDRADE (2001). Além disso, muitas
capitais brasileiras encontram-se localizadas na área salina, como Rio de Janeiro, Recife,
Salvador, Natal, Florianópolis, João Pessoa, Vitória e Aracaju. Nessas cidades, a
incidência da névoa salina, com conseqüente penetração dos íons cloreto pelo
cobrimento do concreto, pode levar à corrosão das armaduras. Sendo assim, deve-se
avaliar a capacidade de proteção que os concretos moldados com cimento Portland
branco oferecem em relação à penetração de cloretos, principalmente ao se levar em
consideração que os concretos moldados com tal material serão aparentes e estarão
diretamente em contato com o meio ambiente.

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2 Materiais e Método

2.1 Materiais
Para a realização da presente pesquisa foram empregados os seguintes materiais:

• Tipos de cimento: cimento Portland branco (CPB) estrutural (classe 40), com
adição de material carbonático em quantidade não especificada pelo fabricante, e
CP V ARI, cujas características encontram-se apresentadas na Tabela 1 e na
Tabela 2.

Tabela 1 - Características químicas dos cimentos avaliados

Parâmetros CP V ARI CPB


Perda ao fogo 2.7 4.37
CaO 63.19 67.12
SiO2 19.53 21.72
Fe2O3 2.89 0.16
Al2O3 3.91 3.4
MgO 1.78 1.43
SO3 2.96 1.65
Na2O 0.04 0.01
K2O 0.82 0.08
CaO livre 0.80 1.15
Resíduo insolúvel 0.36 0.85

Tabela 2 - Características físicas dos cimentos analisados

Parâmetros CP V ARI CPB


Finura Blaine (cm2/g) 4115 3086
Início de pega (min) 172 160
Fim de pega (min) 252 250
Massa específica (g/cm3) 3,13 2.99
Resistência mecânica 1 dia 28.5 30.8
(MPa) 3 dias 40.3 38.6
7 dias 47.4 49.9

• Relação a/c: 0,40, 0,50 e 0,60


• Agregado graúdo: pedra britada de origem basáltica, onde a composição
granulométrica da mesma está apresentada na Tabela 3.

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Tabela 3 - Composição granulométrica do agregado graúdo

Determinações Método de Resultados obtidos


ensaio
Abertura da Percentagem retida (em massa)
peneira ABNT Individual Acumulada
(mm)
25 0 0
Composição Granulométrica NBR 7217 19 4 4
12,5 43 47
9,5 30 77
6,3 21 98
4,8 2 100
2,4 0 100
Dimensão máxima característica NBR 7217 19
Classificação NBR 7211 Brita 1
Massa específica (kg/dm3) NBR 9776 2,65
Massa unitária (kg/dm3) NBR 9776 1,56

• Agregado miúdo: areia média natural de origem quartzoza, cuja caracterização


está apresentada na Tabela 4.

Tabela 4 - Caracterização da areia empregada

Determinações Método de Resultados obtidos


ensaio
Abertura da Percentagem retida (em massa)
peneira ABNT Individual Acumulada
(mm)
4,8 2 2
Composição Granulométrica NBR 7217 2,4 6 8
1,2 10 17
0,6 23 40
0,3 47 87
0,15 12 99
< 0,15 1 100
Dimensão máxima característica NBR 7217 4,8
Módulo de finura NBR 7217 2,54
Massa específica (kg/dm3) NBR 9776 2,61
Massa unitária (kg/dm3) NBR 9776 1,51

• Água de amassamento proveniente da rede pública de abastecimento.

2.2 Método

Realizou-se uma investigação experimental onde os concretos foram dosados pelo


método IPT/EPUSP apresentado por HELENE e TERZIAN (1993), cujo abatimento foi
mantido fixo em 8 ± 1 cm. Foi realizado o ajuste de traço para os concretos com o CP V
ARI, onde fixou-se o teor ótimo de argamassa (α) em 49%. Para a fabricação dos
concretos com CPB empregou-se o mesmo traço e teor de argamassa determinados no
ajuste de traço do CP V ARI, onde se verificou que os valores do abatimento encontrados
permaneceram dentro da faixa especificada. Na Tabela 5 estão apresentados os traços e
os consumos de cimento para os concretos avaliados.

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Tabela 5 – Traços em massa empregados para a fabricação dos concretos

Tipo de cimento Relação a/c Traço C (kg/m3)


0,4 1:1,24:2,03 506,18
CPB 0,5 1:1,70:2,81 392,75
0,6 1:2,30:3,43 321,54
0,4 1:1,24:2,03 510,04
CP V ARI 0,5 1:1,70:2,81 395,07
0,6 1:2,30:3,43 381,68

Após a dosagem, execução e moldagem – de acordo com a NBR 5738 (ABNT, 1994) –
todos os exemplares foram mantidos em cura saturada, sendo retirados aos 28 dias para
a realização dos seguintes ensaios:
• Abatimento do tronco de cone segundo a NBR 7223 (ABNT, 1982);
• resistência à compressão axial conforme a NBR 5739 (ABNT, 1994) aos 28 dias (2
corpos-de-prova cilíndricos por traço);
• absorção por imersão como especificado na NBR 9778 (ABNT, 1987) (2 corpos-de-
prova cilíndricos por traço);
• moldagem das vigas e imersão em solução de cloretos
Foram confeccionadas 3 vigas de concreto para cada tipo de cimento (uma para cada
relação a/c), nas dimensões de 10 x 20 x 50 cm. Após a moldagem, as mesmas
permaneceram 7 dias em cura cobertas por sacos umedecidos, a fim de simular o
procedimento que deveria ser realizado em obra para tais materiais. Logo após este
período, as mesmas foram deixadas expostas em ambiente de laboratório por mais 21
dias. Posteriormente as vigas foram revestidas nas faces superior e inferior, bem como
nas suas laterais com uma camada impermeabilizante constituída por resina epóxi,
deixando apenas as laterais maiores (20 x 50 cm) sem nenhum tipo de tratamento, a fim
de permitir apenas o fluxo unidirecional de cloretos (Figura 1). Após tal procedimento, as
mesmas foram imersas em uma solução de cloreto de sódio (NaCl) com uma
concentração igual a 3,5%, a qual corresponde à salinidade média observada nos
oceanos.

Direção de concretagem

Face não impermeabilizada

Faces a serem Penetração de cloretos


impermeabilizadas

Figura 1 – Representação esquemática da viga objeto de estudo

• medição dos teores de cloreto

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Após 6 meses de imersão nas soluções, foram coletadas amostras de concreto para a
determinação dos perfis de penetração de cloretos nas vigas. O material foi retirado com
uma furadeira de impacto a cada 5 mm da superfície dos espécimes, onde as amostras
de concreto foram coletadas sob a forma pulverulenta. Enviou-se tal material para a
determinação dos teores de cloretos totais nas amostras em laboratório, através de
titulometria.

3 Resultados e Discussão

3.1 Resistência mecânica

Os resultados dos ensaios de resistência mecânica para os cimentos CPB e CP V ARI


estão apresentados na Figura 2.
fc (MPa)
50

CPB 40

CP V ARI

30

20

10

C(kg/m³) a/c
600 500 400 300 3 0.30 0.40 0.50 0.60 0.70

5
Abatimento = 80 ± 10 mm

8
m(kg/kg)
Figura 2 – Diagrama de dosagem para os concretos avaliados na idade de 28 dias

Verifica-se que os concretos moldados com o CPB apresentaram maiores resistências


mecânicas para todas as relações a/c aos 28 dias. Este melhor desempenho pode ser
creditado à presença de um maior percentual de fíler calcário no CPB, o qual contribui
para um refinamento dos poros e, conseqüentemente, resultando em um aumento da
resistência mecânica. Resultados similares foram obtidos por MATTOS e DAL MOLIN
(2003), onde as autoras verificaram a ocorrência de um aumento médio da resistência em
torno de 16% comparando o CPB com o CPI aos 28 dias.

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3.2 Absorção por imersão

Na Figura 3 está apresentado o gráfico de absorção para os corpos-de-prova moldados


com o CPB e o CP V ARI.

5
Absorção por imersão (%)

CP V ARI
3
CPB

0
0,4 0,5 0,6
Relação a/c

Figura 3 – Absorção por imersão para os concretos avaliados

Pode-se verificar que, quanto menor a relação a/c, menor a passagem de água para o
interior do concreto, em função da minimização da conexão existente entre os capilares.
Constata-se que o tipo de cimento e a relação a/c, bem como a interação entre estes
fatores são significativos para a absorção. A menor taxa de absorção apresentada pelos
concretos moldados com o CPB, deve-se à presença de fíler de origem calcária neste
cimento. Este material além de preencher os vazios existentes, tornando a estrutura da
pasta de cimento hidratada mais densa e homogênea, resulta também numa estrutura de
poros mais refinada e descontínua, conforme citado por NEVILLE (1997). Constatações
semelhantes foram apresentadas por IRASSAR et al. (2000), citados por MATTOS e DAL
MOLIN (2003), que, ao analisarem os resultados de ensaios de absortividade, concluíram
que a absorção de água é menor para os concretos fabricados com cimento com fíler
calcário comparados aos demais tipos de cimento.

3.3 Penetração de cloretos

Nessa seção serão apresentados os dados referentes à coleta de amostras de concreto


para a determinação dos teores de cloreto após 6 meses de imersão. Na Figura 4 está
apresentado o perfil de cloretos para os concretos moldados com CPB, considerando as
relações a/c estudadas.

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4,5

Teores de cloretos em relação à massa de


4,0

3,5

3,0
a/c = 0,4
cimento (%)

2,5 a/c = 0,5


2,0 a/c = 0,6
Ccr = 0,4%
1,5

1,0

0,5

0,0
Superficial 2,5 7,5 12,5 17,5 22,5
Profundidade (mm)

Figura 4 – Perfis de penetração de cloretos para os concretos moldados com o CPB

Pode-se observar que a quantidade de cloretos que penetrou foi elevada, atingindo o teor
limite para despassivação (0,4%) para todas as relações a/c avaliadas. Não se observou
a presença de um perfil típico de penetração, onde há um teor maior de cloretos na
superfície do elemento estrutural, decrescendo à medida que a profundidade aumenta.
Através de uma simples análise visual da verifica-se que a difusão de cloretos para o
concreto é contínua, não havendo nenhum impedimento – seja químico ou físico – à
penetração dos cloretos. Ao se tentar ajustar os perfis encontrados através da Segunda
Lei de Fick, verificou-se que os valores da difusividade encontrados estavam
excessivamente altos, ratificando matematicamente a hipótese apresentada sobre a
difusão dos íons cloreto no material.
Existem algumas teorias que tentam explicar esse comportamento relacionado ao CPB.
Conforme apresentado por MATTOS e DAL MOLIN (2003), a presença de fíler calcário
nesse tipo de cimento leva à ocorrência do chamado efeito diluição. Tal fenômeno é
decorrente da existência de um volume menor de material cimentício no concreto com o
CPB para combinar com os íons cloreto, conforme apresentado por IRASSAR et al.
(1999), embora os resultados dos ensaios de resistência à compressão (Figura 2) e de
absorção por imersão (Figura 3) mostraram o melhor desempenho do CPB em relação ao
CP V ARI.
MATTOS e DAL MOLIN (2003) citam que as diferenças de composição química dos
cimentos também podem influenciar no comportamento observado, onde a quantidade de
aluminatos disponível para combinar quimicamente com os íons cloreto, mesmo
apresentando um teor maior de C3A, pode não ter sido suficiente para impedir a fixação
de cloretos, devido ao teor de fíler calcário presente no CPB. ZIELINSKA (1972), citado
por NEVILLE (1997), constatou que o carbonato de cálcio presente no fíler calcário reage
com o C3A e o C4AF, formando os chamados monocarboaluminatos de cálcio. Além disso,
a conversão da etringita em monosulfoaluminato pode não ocorrer, dependendo da
quantidade de carbonato na pasta hidratada.
Desta forma, os concretos moldados com tal tipo de cimento apresentam uma menor
resistência à penetração de cloretos. Resultados de ensaios de penetração acelerada de
cloretos realizados por MATTOS e DAL MOLIN (2003), de acordo com a ASTM C 102
(1992) em concretos moldados com CP I e o CPB, mostraram que o CPB apresentou

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maiores resultados de carga passante (22%, 9% e 1%) para as 3 relações a/c avaliadas
(0,4, 0,5 e 0,6), conforme mostrado na Figura 5.

5000 4597,2
Carga passante (Coulombs) 4547,3

4000 3575,3 3697,7


3350,7

3000 2753,6
CP I

2000 CP B

1000

0
0,4 0,5 0,6
Relações a/c

Figura 5 – Carga total passante nos concretos em função da relação a/c (MATTOS e DAL MOLIN, 2003)

O comportamento da penetração de cloretos para o cimento CP V ARI está apresentado


na Figura 6.

4,5
Teores de cloretos em relação à massa de

4,0

3,5

3,0
a/c = 0,4
cimento (%)

2,5 a/c = 0,5


2,0 a/c = 0,6
Ccr = 0,4%
1,5

1,0

0,5

0,0
Superficial 2,5 7,5 12,5 17,5 22,5
Profundidade (mm)

Figura 6 – Perfis de penetração de cloretos para os concretos moldados com CP V ARI (t = 6 meses)

Observa-se que, no caso do CP V ARI, os perfis de penetração estão consistentes com


àqueles apresentados na literatura. Devido aos fenômenos de fixação de cloretos, nas
camadas superficiais do concreto há um teor maior de material, decrescendo à medida
em que se aumenta a profundidade.
Para os concretos com relações a/c iguais a 0,5 e 0,6 observa-se a presença de um pico
de cloretos na profundidade de 2,5 mm. Tal fenômeno ocorre principalmente em
concretos expostos a ciclos de molhagem e secagem, onde ocorrem simultaneamente os
fenômenos de absorção e difusão, conforme apresentado na Figura 7.
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Concentração de
cloretos

(C)
Precipitação

I ABSORÇÃO

Evaporação
II DIFUSÃO
+
+ +
(A) + +
+ +
+ ++
++
+ I + II
+ ++
+ +
+ ++

Profundidade
(B)
Teor de Cl na camada superficial do
concreto ( 0 e 5 mm)

Figura 7 - Formas de penetração de cloretos em concreto [Adaptado de BARBUDO (1992) e BORGES et


al., 1998]

Desta forma, devido ao método de extração adotado, os teores de cloretos medidos


através das análises não correspondem efetivamente à concentração superficial (A), e
sim a uma média da quantidade de cloretos existente na camada superficial (B). Além
disso, no momento da realização dos ajustes dos dados coletados através pela 2ª Lei de
Fick (ou de qualquer outro modelo de comportamento) estar-se-á admitindo que a
concentração superficial ajustada (C) é bem maior do que aquela efetivamente
encontrada nas estruturas, segundo BARBUDO (1992) e BORGES et al. (1998).
A fim de minimizar tal efeito, GUIMARÃES e HELENE (2004) apresentaram um modelo
onde o princípio básico consiste em deslocar a origem do sistema de coordenadas até a
distância (B), através da adoção de outras condições de contorno para a 2ª Lei de Fick.
Os autores realizaram uma avaliação em uma estrutura situada em área marinha,
mostrando a efetiva aplicabilidade da formulação desenvolvida.

4 Considerações finais

De acordo com os resultados apresentados na presente pesquisa, algumas


considerações podem ser efetuadas:

• Há a necessidade da realização de ensaios não acelerados de durabilidade para


verificação do desempenho dos materiais empregados nas estruturas;
• A presença de fíler calcário no CPB melhorou a resistência à compressão e
minimizou a absorção, comparado com o CP V ARI;
• Não existe uma relação direta entre resistência mecânica e durabilidade de uma
estrutura, onde este parâmetro está diretamente relacionado com as características
dos materiais empregados para a fabricação do concreto;
• Um fato preocupante é que, com apenas 6 meses de imersão, as concentrações
de cloretos encontradas foram maiores que o teor de cloretos considerado limite
para despassivação (0,4% em relação à massa de cimento) em todos os concretos
avaliados;

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• Em relação à penetração dos íons cloreto, verificou-se que não ocorreu o


fenômeno da fixação dos íons pelos constituintes da pasta de cimento no CPB.
Assim, os cloretos penetraram linearmente para o concreto, onde a difusão de íons
ocorreu em um fluxo constante.

As características químicas (e a presença de fíler calcário) do CPB influenciam


diretamente na durabilidade do concreto produzido, onde mais estudos devem ser
realizados a fim de contribuir nessa linha de investigação. Além disso, vale salientar que a
pesquisa encontra-se em andamento, onde novas amostras serão retiradas para
determinação dos teores de cloretos ao longo do tempo e verificação dos coeficientes de
difusão de tal material.

5 Agradecimentos

Os autores gostariam de agradecer a ajuda indispensável da Prof. Tânia Renata


Prochnow e dos laboratoristas Anderson Gomes Weissmann e Vinicius Sarmento de
Souza na realização e interpretação das análises dos teores de cloretos no presente
trabalho. Também o apoio da Fundação Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do
Sul (FAPERGS) está sendo importante para a execução do trabalho proposto.

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